sábado, 30 de outubro de 2010

"Interpretação equivocada da Bíblia por pastor"

Sinceramente, fiquei absorto e muito envergonhado quando vi este vídeo. O pior foi que a Globo divulgou esse fato com muita pujança, certamente, para denegrir a imagem dos cristãos. Não acredito, em hipótese nenhuma, que esse descuidado e carnudo cristão(cristão?) procedeu a este tão grave erro porque interpretou erroneamente a Bíblia, não, não acredito! Acredito, sim, que ele fez isso conscientemente e de forma deliberada, para satisfazer os seus vis desejos carnais estimulado pelo seu condutor, Satanás. Acredito, também, que ele nunca foi a uma Escola Bíblica Dominical, e se foi dormiu na hora da aula. A sua atitude é indesculpável e aviltante! Isso é uma vergonha!!! O apóstolo Paulo assim escreve para esse tipo de pessoa: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia [...] acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”(Gálatas 5:19-21).


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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aula 05 - ORANDO COMO JESUS ENSINOU

Leitura Bíblica: Mateus 6.5-13
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”(Mt 26.41).

INTRODUÇÃO
Todos os que querem seguir o Senhor sabem que a oração é parte essencial da vida do discípulo. Nesta aula, vamos estudar a respeito da oração-modelo ensinada por Jesus Cristo, a saber, a chamada oração do Pai Nosso, exarada em Mateus 6:9-13. O seu ensino a respeito da oração originou-se da súplica dos seus discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar...”(Lc 11:1). Em que pese o conhecimento que tinham da oração sob a perspectiva judaica, os discípulos tiveram de aprender com o Senhor a forma correta de conversar com Deus Pai. Nesta oração modelo, Cristo indicou, em cada área de interesse, a nossa posição diante de Deus Pai. Senão vejamos: “Pai nosso, que estás no Céu” – nossa posição: filhos de Deus; “Santificado seja o teu nome” – nossa posição: adoradores; “Venha o teu Reino” - nossa posição: súditos; “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no Céu” – nossa posição: servos; “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” – nossa posição: dependentes; “Perdoa-nos as nossas dívidas” – nossa posição: pecadores; “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” – nossa posição: fracos espiritualmente. Como se vê, a estrutura da oração-modelo que o Senhor deixou não dá lugar para o “EU” e nem para o determinismo arrogante. Será que nossas petições estão sendo realmente sinceras? Estamos dispostos a pôr em prática a instrução bíblica? Para responder a essas perguntas precisamos atentar para cada detalhe da oração-modelo, começando pelo prefácio de Jesus: “Portanto, vós orareis assim...” (Mt 6.9). É bom ressaltar que essa oração que Jesus ensinou não pode ser feita como uma reza, mas deve expressar a verdade do nosso coração.
I. A ORAÇÃO DEVE SER INERENTE AO CRENTE
Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes”(Mt 6:8). Se Deus já conhece minhas necessidades, por que então devo orar? Esta é uma dúvida comum, porém sabiamente esclarecida pela Bíblia. Em primeiro lugar, precisamos entender que orar é uma necessidade da alma humana, assim como os pulmões necessitam de ar. Não se deve orar somente para pedir, mas principalmente para se estar em comunhão com Deus. Somos nós que precisamos da oração e não Deus (Fp 4.6). Em segundo lugar, a oração é a base da nossa comunicação com Deus. Além disso, Deus faz coisas em resposta às orações que, sem elas, Ele não faria(Tg 4:2b). Em terceiro lugar, o próprio Senhor Jesus deixou o exemplo para ser seguido, e várias vezes incitou os discípulos a orar (Lc 11:9,10). Em quarto lugar, é através da oração que unimos nossa vontade à vontade de Deus, e, desse modo, ficamos conhecendo a vontade de Deus e comunicamos a nossa (2Co 12:7-10; At 1:24, 25).
1. Aprendendo a orar com o Mestre. Os discípulos perceberam que a oração era uma força real e vital na vida de Jesus. Eles observaram seus hábitos de oração. Viram-no frequentemente procurando um lugar deserto para falar com seu Pai. Eles perceberam que a maneira como Jesus orava era totalmente diferente das formas mecânicas da oração hebréia.
Certa feita, Jesus estava orando em determinado lugar. Quando acabou de orar os discípulos sentiram o desejo de orar como Jesus orava. Então um deles pediu que Jesus os ensinasse a orar(Lc 11:1). O Senhor prontamente atendeu ao súplice, pois Ele sabe que essa função é primordial na vida de qualquer cristão, e que deve ser praticada “sem cessar” enquanto estivermos neste mundo. A resposta imediata de Jesus ao pedido dos apóstolos é encontrada em Lucas 11:2-4 e em Mateus 6:9-13. Ele disse: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!”.
Todavia, nem esta oração, nem a semelhante encontrada em Lucas 11:2-4, são destinadas a repetir mecanicamente palavra por palavra. Jesus não estava ensinando palavras para serem memorizadas e recitadas; ele estava ensinando a orar. Ele deu um exemplo que mostra que tipo de coisas devem ser incluídas em nossas orações toda vez que buscarmos a face de Deus.
Orar sem hipocrisia. Certa feita, Jesus, no Sermão da Montanha, ensinou aos seus discípulos que eles deviam orar com sinceridade, ou seja, sem hipocrisia(Mt 6:5-8). Jesus disse isso porque os líderes religiosos de sua época gostavam das orações em lugares públicos para chamarem a atenção(Mt 6:5,6). Portanto, os discípulos não deveriam se posicionar propositadamente em áreas públicas de forma que os outros, vendo-os orar, ficassem impressionados por suas devoções.
Oração em oculto. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará”(Mt 6:6). Se o motivo sincero é chegarmos a Deus, Ele ouvirá e responderá. Seu quarto secreto pode ser até mesmo dentro de um ônibus lotado.
É bom ressaltar que a oração em “oculto” não proíbe aquela feita em público, haja vista que a igreja primitiva se reunia para a oração coletiva(At 2:42; 12:12; 13:3; 14:23; 20:36). O ponto principal não é onde orarmos; a ênfase aqui está em por que orarmos – para sermos visto pelas pessoas ou para sermos ouvidos por Deus.
E, orando, não useis de vãs repetições”. A oração não deveria ser constituída de “vãs repetições” – por exemplo, sentenças decoradas ou frases vazias; Deus não se impressiona pela mera multiplicação do muito falar. Ele quer ouvir as expressões sinceras do coração.
2. Os discípulos já conheciam a respeito da oração? Observe que o discípulo suplicante não disse: “Ensina-nos como orar”; mas: “Ensina-nos a orar”. Ele sabia a forma teológica da oração, pois o povo israelita possuía uma longa tradição teologal e litúrgica nas quais a oração era componente essencial do culto a Jeová. De acordo com Atos 3.1, os judeus tinham um horário determinado para as orações: de manhã (às 9h), à tarde (às 15h) e à noite (no pôr do sol). Todavia, o que os discípulos não sabiam era o modelo que Jesus empregava quando Ele se dirigia ao Pai de forma tão impressionante e envolvente.
3. A oração era algo habitual para Jesus. A Bíblia nos mostra que Jesus orava com bastante frequência. Apesar das multidões, das tarefas e das pressões das pessoas, Jesus nunca deixou de dedicar tempo para estar a sós com Deus. Em Lucas 5:15-16 nós lemos: “Porém a sua fama se propagava ainda mais, e ajuntava-se muita gente para o ouvir e para ser por ele curada das suas enfermidades. Porém ele retirava-se para os desertos e ali orava”. Jesus considerava a oração uma prática extremamente importante na sua vida e ministério. Por isso, ele buscava se retirar para lugares solitários a fim de orar.
a) Se Jesus era e é Deus, existe necessidade de Deus orar? Alguém poderá responder que na condição humana Jesus precisava de Deus. Bem, isso desconstruiria a verdade de que Ele apenas esvaziou-se(Fp 2:7), mas não deixou de ser Deus(1João 5:20). Jesus Cristo não precisava orar, mas assim procedia pelo fato de que relacionar-se com o Pai é algo da própria natureza de sua divindade - "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade,"(Cl 2:9).
b) Quando Jesus orou? Ele orou em vários momentos. Ele orou em horas de grandes aflições e provações, tais como suas orações no Getsêmani, poucas horas antes de sua morte. Ele orou momentos antes de grandes decisões, tais como no dia em que Ele escolheu os doze discípulos(Lc 6:12-16); note o que ele fez antes de selecioná-los:"Retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus" (Lc 6:12). Ele orou antes de grandes realizações, tal como ocorreu na ressurreição de Lázaro. Quando Jesus se preparou para ressuscitar Lázaro dentre os mortos, Ele primeiro se dirigiu ao seu Pai, em oração (João 11:41-43). Ele orou quando sua obra terminou (João 17:4). Ele também orou no momento mais crítico de sua vida: quando estava na cruz do Calvário recebendo todos os pecados do ser humano. Foi a mais terrível e chocante oração não-respondida da história da humanidade: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mt 27:46). Se o Pai celestial tivesse respondido a oração de Jesus na cruz, não haveria futuro para nós, mas um perpétuo e imensurável sofrimento além de uma eternidade no inferno! Entretanto, as Escrituras nos dá uma tremenda notícia: "Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo"(Ef 2:13). Assim sendo, para o nosso próprio bem, a melhor resposta para o clamor do Senhor Jesus foi o silêncio de Deus. Jesus deliberadamente veio à Terra com o único propósito de redimir o homem caído. Sua vinda não foi um acidente ou o resultado de alguma circunstância invisível, mas fazia parte do plano eterno de Deus para a nossa salvação.
c) Onde Jesus orou? Jesus frequentemente procurava um lugar e uma hora livre e sem interrupções para falar com seu Pai em oração. Frequentemente, Ele subia a montes, ou saia para um jardim, e gostava mais do período da noite ou ao amanhecer, quando havia menos distração com o mundo agitado. Tais hábitos eram tão típicos da vida de Cristo que Judas sabia exatamente onde encontrá-lo, embora só estivesse estado em Jerusalém poucos dias (João 18:1-3).
d) Por que Jesus orou? As circunstâncias das orações de Jesus sugerem motivos imediatos para oração: tentações, provações, tristeza, momentos decisivos, etc. Mas estes são realmente apenas o reflexo de uma razão maior pela qual Jesus orou. Ele valorizava sua comunhão com o Pai. Por isso, mantinha esse momento de íntima relação com seu Pai através da oração. Tendo a escolha entre multidões de homens e seu Pai, Jesus frequentemente escolheu a companhia deste. Quando tinha que escolher entre o sono e a oração, Jesus encontrava o profundo fortalecimento espiritual de que necessitava, não no descanso físico, mas na conversa espiritual com seu Pai.
Estas orações de Jesus nos induzem a entender sobre o privilégio de sermos chamados filhos de Deus. Portanto, a oração deve ser uma prática habitual na vida do crente, assim como foi na vida de Jesus.
II. A ORAÇÃO-MODELO
O fato de um dos discípulos pedir que Jesus os ensinasse a orar, como também João ensinou aos seus discípulos(Lc 11:1), deixa claro que a oração de Jesus distinguia da oração judaica e da oração dos discípulos de João Batista. Por se tratar de um serviço tão sublime e indispensável ao corpo da Igreja, Jesus atendeu o pedido dos seus discípulos e lhes mostrou o modelo para nos dirigir ao Pai em oração, a chamada “oração do Senhor”, “oração dominical” ou, como é conhecido, o “Pai nosso”. Essa oração-modelo não foi ensinada pelo Senhor para ser repetida automaticamente como uma reza, como muitos a têm tornado, mas, muito pelo contrário, nela temos uma verdadeira aula de como devemos orar corretamente e de forma agradável ao Senhor.
Note a beleza singela da oração-modelo que o Senhor nos deixou: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!”(Mt 6:9-13).
1. “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6:9).
“Pai nosso” -
Aqui, a melhor tradução do original da palavra “Pai” é “Paizinho”. Dessa forma soa em aramaico a palavra Abbá, que é um diminutivo, o modo como as crianças se dirigem ao pai. Essa foi a grande novidade introduzida por Jesus. Deus não era somente o Deus dos patriarcas, o Senhor dos Exércitos, o Senhor assentado num alto e sublime trono, não! Jesus nos revelou outra maneira de nos comunicarmos com Deus! Os judeus concebiam Deus como o Pai do povo todo, mas não ousavam dirigir-se pessoalmente a Ele com tanta intimidade. Jesus, porém, o fez(Mc 14:36), e ensinou os seus discípulos, de todos os tempos, a endereçarem a oração ao Pai nessa total intimidade e confiança.
Somente através de Cristo e a redenção conquistada na cruz do Calvário, nós podemos realmente considerar a Deus como o nosso perfeito e querido PAI. A Bíblia declara que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rm 8:16). O apóstolo Paulo confirma em Romanos 8:15: "Recebestes o espírito de adoção de filhos, no qual clamamos Aba, Pai”. O significado é igual ao significado da palavra que as crianças usam com freqüência: Pai. Logo após a ressurreição Jesus disse: "Subo para meu Pai, e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”(João 20:17).
“que estás nos céus” – Isso nos lembra que este Pai bondoso, amoroso e misericordioso está nos Céus, ou seja, é o Senhor do universo, o Soberano, aquele que tem todo o poder. Lembrar que Deus é Pai, mas está nos céus, é lembrar que Ele não é nosso empregado, nem está à nossa disposição ou à disposição de nossos caprichos.
2. “Santificado seja o teu nome” (Mt 6:9). Na Bíblia, o nome equivale à pessoa. A oração-modelo nos lembra que o nome do Senhor é santificado, ou seja, que para termos uma verdadeira comunhão com Deus é necessário que estejamos em santidade diante de Deus. Por isso o apóstolo Pedro nos exorta: “como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pe 1:15,16). Portanto, é dever de todo o crente honrar como santo o nome do Senhor nosso Deus, não só de lábios, mas com sua vida santa. Não é possível que queiramos orar a Deus sem que estejamos em paz com Ele, o que somente se dá mediante a justificação pela fé em Jesus (Rm5:1).
3. “Seja feita a tua vontade” (Mt 6:10). Nesta petição reconhecemos que Deus sabe o que é melhor e que rendemos nossas vontades à dele. O apóstolo João disse que “se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve”(1João 5:14). Aliás, devemos temer orar por qualquer coisa que não esteja de acordo com a vontade de Deus. Talvez alguém pergunte: “Como saber qual é a vontade de Deus?”. Podemos responder em termos gerais que a vontade de Deus nos é revelada nas Escrituras Sagradas. Portanto, devemos estudá-las a fim de conhecer melhor a vontade de Deus e aprender a orar com mais discernimento. Uma das vontades de Deus é dominar os corações dos seres humanos. A Bíblia diz que "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se" (2Pedro 3:9). Quando alguém ora pedindo que Deus mostre a sua vontade ele está orando para que Jesus domine os corações dos homens e mulheres.
III. DECORRÊNCIAS PRÁTICAS DA ORAÇÃO-MODELO
1. “O pão nosso de cada dia”.
Aqui, o peticionário é ensinado a tornar conhecidos seus desejos pessoais e suas necessidades. O ser humano apresenta constante necessidade de alimento, tanto físico quanto espiritual. Temos de viver em dependência diária de Deus, reconhecendo-o como a fonte de todo bem. Nenhum homem pode ignorar as providências divinas, mesmo que suas posses “garantam” sua manutenção (Dt 11.14,15; 28.12; Mt 5.45). “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas aqueles que buscam ao SENHOR de nada têm falta”(Sl 34:10).
2. Perdão das nossas dívidas – “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Essas palavras nos levam a pensar que não temos o direito de pedir perdão se nós mesmos não estamos dispostos a perdoar. O perdão de Deus para nós é proporcional ao perdão que concedemos aos outros. A questão é séria. Nenhuma igreja ou comunidade se mantém unida sem o perdão, porque viver juntos sempre traz mal-entendidos, atritos, conflitos e ofensas e, mais do que nunca, o perdão mútuo é necessário. Por isso, a pessoa que ora o ”Pai Nosso” não precisa ser apenas criatura de Deus, mas uma criatura redimida (perdoada) por Deus. Redimida pela cruz, no sangue do Cordeiro ela não apenas deve ter encontrado anulação dos pecados do passado, mas também a libertação da sua natureza não reconciliável.
Jesus deixa claro que só seremos perdoados por Deus pelas nossas faltas, se perdoarmos os que nos prejudicam: “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”(Mt 6.14,15).
O apóstolo Paulo disse em Efésisos 4:32: “Antes sede uns para como os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”. Precisamos nos perdoar mutuamente, porque Cristo já nos perdoou. O perdão de Deus foi concedido quando nos convertemos e nos incentiva a perdoarmos uns aos outros. Só o perdão compartilhado pode garantir a continuidade da vida comunitária.
3. Livramento do mal“E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal”. Todo crente está sujeito às tentações e ataques do mal. Todos têm o seu lado frágil e susceptível ao mal de cada dia (Rm 7.15-19; Gl 5.17; Tg 1.14,15; 1 Co 10.12,13). Mas a que tentação Jesus se referiu? A todo tipo de tentação, mas talvez, principalmente, a de abandonar o evangelho de Cristo em troca das sugestões de Satanás: abundância, riqueza, poder e prestígio(Lc 4:1-13). Esse abandono pode ser motivado pela ganância, mas também pelo desânimo, pelo medo e pela insegurança. Judas foi tentado, caiu e abandonou definitivamente o plano de Deus(Lc 22:3-6,47,48). Pedro foi tentado, caiu, mas se arrependeu(Lc 22:54-62). Esse é o pedido mais importante: que Deus nos poupe de o trairmos, de o negarmos, pois assim trairíamos e negaríamos a nós mesmos e a todos aqueles que lutam para que o reino venha.
Portanto, nesta parte da oração, Jesus lembra-nos do compromisso divino de nos livrar do mal enquanto vivemos neste mundo de aflições e que está imerso no maligno (1João 5:19), compromisso este que foi ratificado e reiterado pelo próprio Senhor em sua oração sacerdotal (João 17:15). Este compromisso é a certeza que o cristão tem de que o mal não lhe tocará (1João 5:18). Isto não quer dizer, em absoluto, que o crente sincero nunca terá dificuldades ou lutas, nem que não poderá sofrer. Deus prometeu a vitória e somente há vitória após uma luta, de forma que a promessa de vitória é uma indireta declaração de que haverá lutas na vida do cristão, o que, aliás, foi explicitado pelo próprio Senhor(João 15:33).
4) Expressamos o nosso amor e adoração ao Deus único e verdadeiro - “porque teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém”. A oração-modelo termina com uma expressão de adoração, parte indispensável em qualquer oração. É através da oração que expressamos nosso amor ao Senhor, que lhe rendemos a glória que só a Ele é devida. Lamentavelmente, nos nossos dias, oração tem significado apenas um petitório. Somente pedimos, pedimos, pedimos e, para finalizar, pedimos. Nem sempre nos lembramos de agradecer ao que Deus nos fez, que dirá adorá-lO, render-Lhe glória e louvor. É fundamental que a nossa oração, pelo menos, tenha uma parte de adoração. É preciso que louvemos e glorifiquemos a Deus em nossas orações.
CONCLUSÃO
Jesus deu aos discípulos mais do que palavras, quando mostrou um exemplo consistente de fé em suas orações. Teriam eles aprendidos? Os episódios iniciais no livro de Atos mostram que eles aprenderam a importância da oração. Depois que Pedro e João foram perseguidos e passaram algum tempo na prisão por causa de sua pregação, eles encontraram outros cristãos e oraram juntos com confiança, pedindo coragem para continuar sua obra (Atos 4:23-31). Sua citação da poderosa mensagem do Salmo 2 mostra que eles entenderam que o poder da oração é encontrado no poder daquele que ouve essas orações: o Deus que se assenta nos céus.
Como vai a sua vida de oração? Você tem se dirigido a Deus, desfrutando da intimidade que Jesus nos proporcionou com o Pai? “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!”(2Co 13:13).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo das Profecias. O novo dicionário da Bíblia. Revista Ensinador Cristão – CPAD nº 44. Guia do leitor da Bíblia. A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon – CPAD. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Através da Bíblia – Lucas – John Vernon McGee.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Aula 04 - A ORAÇÃO EM O NOVO TESTAMENTO

Leitura Bílica: Lucas 24.46,49,52,53; Atos 1.4,5,12,14

“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar”(1 Ts 5.16,17).


INTRODUÇÃO

No Novo Testamento a oração é praticada por qualquer servo de Deus. O imperativo é: “orai sem cessar”(1Ts 5:17) por nós mesmos (Mt.24:20; 26:41; Mc.13:18,33; Lc.22:40), uns pelos outros (Tg.5:16; Cl 1:3), pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28), pelos ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18), como também pelas autoridades constituídas (1Tm 2:2) e por todos os homens (1Tm 2:1). Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por Pedro; também, intercedeu em favor dos seus inimigos (Lc 23:34).
As igrejas do Novo Testamento frequentemente se dedicavam à oração coletiva (Atos 1:4;2:42; 4:24-31; 12:5,12; 12:12;13:2). O poder e presença de Deus e as reuniões de oração integravam-se. O livro de Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo trazem lindos relatos de como os cristãos da igreja primitiva perseveravam unidos em encontros de oração, tanto no pátio do templo judaico - local de reuniões inserido na cultura da época(Atos 3:1) - como nas residências(At 12:5;12).
A Igreja foi inaugurada numa casa, quase que com certeza, na casa de Maria, mãe de Marcos, o autor do Evangelho que tem o seu nome. Foi ainda nesta casa que a Igreja continuou se reunindo, especialmente em Cultos de Oração, conforme se lê em Atos 12:12. A intenção de Deus é que seu povo do Novo Testamento se reúna para a oração definida e perseverante; note as palavras de Jesus: “A minha casa será chamada casa de oração”(Mt 21:13).
I. A ORAÇÃO NO INÍCIO DA IGREJA
Depois de refrear a curiosidade dos discípulos quanto à data futura do seu reino(At 1:8), Jesus direcionou a atenção deles para uma questão mais imediata: a natureza e abrangência da missão da qual seriam incumbidos. Eles seriam testemunhas de Jesus tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. Antes disso, porém, precisam receber o poder do Espírito Santo. Mas, para isso eles deveriam estar no lugar certo, ou seja, unidos em oração.
Logo após de comissionar os discípulos, Jesus foi elevado às alturas(At 1:9). “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”(At 1:10,11). Após esse espetacular acontecimento os discípulos voltaram para Jerusalém(At 1:12). De acordo com Lucas 24:52, os discípulos voltaram a Jerusalém tomados de grande júbilo.
A luz do amor de Deus e a promessa da volta de Jesus inflamavam o coração desses homens e faziam seus rostos resplandecerem, apesar dos incontáveis problemas que os cercavam. Ao entrarem na cidade, subiram para o cenáculo onde se reuniam(At 1:13). Ali, “Todos estes perseveravam unânime em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos”(At 1:14). Foi a primeira reunião de oração da Igreja recém-inaugurada.
Observe o termo “unânime”. Este termo, que ocorre onze vezes em Atos, é umas das chaves para descobrir o segredo da bênção. Onde os irmãos vivem juntos em união, Deus ordena a sua bênção: vida para sempre(Sl 133). Outra chave para descobrir o segredo da bênção de Deus se encontra nas palavras “perseveravam [...] em oração”. Como naquela época, no início da igreja, em nosso tempo Deus opera quando as pessoas oram. Em geral, preferimos fazer qualquer outra coisa, mas o poder revitalizante do Espírito Santo de Deus é derramado quando esperamos diante de Deus em oração veemente, quando oramos sem pressa e em conjunto com outros cristãos.
OUTRAS CITAÇÕES EM ATOS SOBRE A ORAÇÃO NO INÍCIO DA IGREJA
a) A oração dos cento e vinte discípulos que estavam no cenáculo foi respondida em Pentecostes, por ocasião da descia do Espírito Santo sobre eles.
b) As pessoas que se converteram no dia de Pentecostes perseveraram na oração(At 2:42). Os versículos subseqüentes (43-47) descrevem as condições ideais experimentadas por essa comunidade de oração.
c) Depois da libertação de Pedro e João, os cristãos oraram pedindo ousadia(Ato 4:29). Como resultado, o lugar onde estavam reunidos tremeu, todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram a palavra de Deus com grande intrepidez(Atos 4:31).
d) A fim de poderem se dedicar mais intensivamente à oração e ao ministério da Palavra, os doze apóstolos(doze porque Matias fazia parte do grupo) sugeriram que sete homens fossem escolhidos para cuidar das finanças e da filantropia(Atos 6:3-4). Em seguida, os apóstolos oraram e impuseram as mãos sobre os sete escolhidos(Atos 6:6). Os versículos seguintes registram grandes vitórias na propagação do evangelho(At 6:7-8).
e) Estevão orou pelos inimigos, quando estava prestes a ser martirizado(Atos 7:60). O capítulo 9 registra uma das respostas a essa oração, a saber, a conversão de Saulo de Tarso, que testemunhou o apedrejamento de Estevão.
f) Pedro e João oraram pelos Samaritanos convertidos, e este receberam o Espírito Santo(Atos 8:15-17).
g) Depois de sua conversão, Saulo de Tarso orou enquanto estava na casa de Judas; em resposta a essa oração, Deus lhe enviou Ananias(Atos 9:11-17).
h) Pedro orou em Jope, e Dorcas voltou à vida(Atos 9:40). Em decorrência disso, muitos creram no Senhor(Atos 9:42).
i) Quando Pedro foi preso, os cristãos oraram por ele com grande fervor(Atos 12:5). Para espanto daqueles que estavam orando, Deus respondeu e o libertou miraculosamente da prisão(Atos 12:6-17).
j) Os profetas e mestres de Antioquia jejuaram e oraram(Atos 13:1-3). Iniciou-se, assim, a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Alguém disse que “esta foi a oração de impacto mais amplo de todos os tempos, pois, por meio dos missionários Paulo e Barnabé, seus efeitos foram sentidos nos confins da terra e atravessaram o tempo, até os dias de hoje”.
l) Ao voltarem para Listra, Icônio e Antioquia, Paulo e Barnabé oraram por aqueles que haviam crido(Atos 14:23). Um desses indivíduos era Timóteo. Quem sabe foi em resposta a essas orações que Timóteo acompanhou Paulo e Silas na segunda viagem missionária.
m) Na prisão em Filipos, as orações de Paulo e Silas à meia-noite foram respondidas com um terremoto e a conversão do carcereiro e sua família(Atos 16:25-34).
n) As orações de Paulo com os presbíteros efésios em Mileto(Atos 20:36) foram seguidas de demonstrações comoventes de afeto e tristeza deles por saberem que não veriam o apóstolo novamente nesta vida.
o) Os cristãos em Tiro oraram com Paulo na praia(Atos 21:5) e, sem dúvida, essas orações o acompanharam até o patíbulo em Roma.
p) Antes de naufragar, Paulo orou em público dando graças a Deus pelo alimento e, com isso, restaurou o ânimo da tripulação e dos passageiros taciturnos (At 27:35-36).
q) Na ilha de Malta, Paulo orou pelo pai enfermo do governador. O resultado foi uma cura miraculosa (Atos 28:8).
Fica evidente, portanto, que a Igreja primitiva vivia na esfera da oração. Quando os cristãos oravam, Deus operava!. Nem mesmo a perseguição impediu os crentes de orar. É um exemplo pra todos nós, hoje!
II. PRINCÍPIOS DA ORAÇÃO CONGREGACIONAL
É indispensável que a igreja, reunida, busque a Deus em oração, para que tenhamos uma verdadeira adoração e a presença de Deus se faça sentir no meio dos crentes. Cada crente deve, assim que chegar à igreja, buscar a face do Senhor, orar para que o nome do Senhor seja glorificado na reunião. Atualmente, este momento não tem mais o vigor e a dedicação que existia alguns anos atrás, quando o povo de Deus, ao chegar à casa do Senhor, dobrava seus joelhos e, numa atitude de reverência, seguindo o que determina a Bíblia Sagrada (Ec 5:1), orava ao Senhor até o início da reunião. O culto na igreja começa quando ali chegamos e devemos aproveitar o nosso tempo para orar e buscar a presença de Deus. As reuniões não têm sido mais proveitosas espiritualmente para os crentes exatamente porque não há este propósito de orarmos ao Senhor desde o instante de nossa chegada à igreja local.
Muitos são os elementos predominantes na constituição da oração congregacional, mas nesta aula nos deteremos a apenas três: a oração pelo crescimento da igreja, principalmente no aspecto espiritual; a oração focada nas necessidades específicas dos fiéis; e a dedicação à oração dos líderes das igrejas locais.
1. O crescimento da obra de Deus. “E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara”(Lc 10:2). Um dos princípios espirituais é o crescimento da “Obra” de Deus. Em Lucas 10:2, Jesus admoesta a todos os crentes a estarem sempre conscientes de que os perdidos têm uma alma eterna, de valor incalculável, e que terão que passar a eternidade no céu ou no inferno, e que muitos poderão ser salvos se alguém tão somente lhes anunciar o evangelho. Mas, antes de Deus realizar uma obra, geralmente Ele conclama seu povo à oração. Uma vez o povo em oração, Deus realiza a obra.
A igreja local não deve se preocupar em crescimento quantitativo, numérico. Por estarem a correr atrás de números, de quantidade, muitas igrejas locais assumiram uma postura totalmente irresponsável no evangelismo (ação organizada e ativada pelos membros para informar, persuadir e integrar o ouvinte da Palavra à igreja), onde o que importa é a presença regular de cada vez maior número de pessoas ao templo, quando o que se tem de buscar é a salvação das almas por Jesus Cristo, o novo nascimento. Devemos lutar para que vidas sejam transformadas, para que haja verdadeiras e genuínas conversões. Quando se toma este rumo, sabemos que o número pode não impressionar, mas não estamos atrás de número, pois sabemos que o mundo inteiro não vale sequer uma alma que alcança a redenção (Sl 49:6-8; Mt 8:36).
Atualmente, muitas igrejas procuram se cercar de métodos e de estratégias para aumentar a eficiência e a eficácia da evangelização. Nas últimas décadas, surgiram mais métodos de evangelização e técnicas de crescimento de igrejas do que em toda a história da Igreja. É o “crescimento por células”, “crescimento por grupos pequenos”, “evangelismo explosivo”, “crescimento por propósitos”, enfim, um sem-número de fórmulas e modelos que procuram recuperar o tempo perdido e fazer com que as igrejas retomem a evangelização como prioridade. Muitos destes métodos foram testados e, aqui ou ali, tiveram algum resultado (além de, vez por outra, enriquecer os seus idealizadores…), mas nada, absolutamente coisa alguma, pode substituir o modelo bíblico, que é o do comprometimento de toda a igreja local, o amor real de cada crente pelas almas perdidas, a união, a comunhão e a oração(vide Atos 2:46,47).
2. Outras necessidades. A ordem é: “orai uns pelos outros”(Tg 5:16). Neste elemento primário da oração não é delimitado o que devemos pedir em oração, então tudo o que não venha obstar a vida espiritual do cristão deve-se interceder a Deus em seu favor. É plenamente aceitável que intercedamos a Deus pelos enfermos, desempregados, pelos que estão presos, pela estabilidade conjugal dos fiéis, pelas famílias, etc. Muitas são as necessidades da igreja, e todas elas devem ser apresentadas a Deus por intermédio da oração.
É bom ressaltar que, embora orar por outras necessidades dos irmãos seja um princípio a ser atendido, não devemos priorizá-lo quando nos reunimos em oração na Igreja. O principal objetivo da oração é o de conhecer a Deus e alcançar intimidade com Ele. No entanto, muitas pessoas oram somente com a intenção de notificar a Deus a respeito de suas necessidades ou de pedir solução para os seus problemas. É lógico que a petição é parte integrante da oração, porém, precisamos ter sempre em mente, que Deus sabe, antecipadamente, todas as nossas necessidades - “Sem que haja uma palavra na minha língua, Eis que, ó Senhor, tudo conheces!”(Salmos 139:4); “Aquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos...”(Ef 3:20); “E será que antes que clamem, Eu responderei: estando eles ainda falando, Eu os ouvirei”(Is 65:24). É bom ressaltar que a maior necessidade do homem é espiritual. Jesus, em seus milagres supria, primeiramente, a alma perdoando os pecados e, só depois, promovia a cura física.
3. A oração dos líderes. O líder é alguém que deixa uma marca na vida, bem como no coração das pessoas. O seu proceder fará com que alguém sinta o desejo de fazer o que a Palavra de Deus diz. Ele procura causar um impacto na vida dos liderados não para querer receber glória ou querer aparecer, mas para que seja um fruto para toda a eternidade. Em 2Cr 6:24-40, temos o belo exemplo de Salomão dirigindo suas palavras a Deus em oração, solicitando o cuidado especial de Deus sobre o povo que escolhera para que fosse seu, entre todos os povos da terra(1Rs 8:51-53). O procedimento espiritual demonstrado por Salomão naquele momento diante do povo de Israel, o qual foi sincero, haja vista que Deus atendeu a sua oração de imediato(2Cr 7:1), deve ser o valor padrão, a marca visível, na vida de todos os líderes hodiernos do povo de Deus.
O apóstolo Paulo, o grande líder da igreja primitiva, era um homem que cultivava a prática da oração (1T5s 3:10; Cl 1:9). Quaisquer que fossem as circunstâncias de sua vida, nada o arrebataria do sublime propósito de manter a comunhão com Deus através da oração (vide At 14:23; 16:16,25; 20:6; 25:5; 22:17). Ele fez a seguinte recomendação a Timóteo: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens” (1Tm 2:1).
O líder da igreja local que não tem a marca da submissão a Deus, mediante o exercício devocional da oração, que não estimula o povo a este mister, certamente, verá uma igreja fracassada e o rebanho com espiritualidade anêmica e altamente vulnerável aos ardis de Satanás.
III. O APÓSTOLO PAULO E A ORAÇÃO
Paulo era um líder que cultivava a prática da oração. Por meio dela ele obteve revelações do Senhor e desenvolveu um piedoso zelo pela ordem nas igrejas locais.
1. As revelações do Senhor. Paulo foi o apóstolo que mais recebeu revelações acerca das doutrinas cristãs. A vida desse homem de Deus é um exemplo de que a autenticidade e o zelo comedido são características de quem vive imitando a Cristo(1Co 11:1). Como obreiro, sempre buscou pela integridade em suas atitudes e zelava pelo bom andamento da obra cristã com sabedoria, sempre tendo a oração como elemento fundamental para o crescimento da obra de Deus.
Fez quatro grandes viagens missionárias, sendo que na última foi à Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia.
Certamente escreveu inúmeras cartas, mas somente 13(treze) destas chegaram até nós, chamadas de Epístolas Paulinas, que são: Epístola aos Romanos; 1ª e a 2ª aos Coríntios; aos Gálatas; aos Efésios; aos Filipenses; aos Colossenses; 1ª e a 2ª aos Tessalonicenses; 1ª e 2ª a Timóteo; a Tito e a Filemon. Através de suas cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição.
Não há dúvida de que o incessante contato com o Senhor através da oração, bem como o altruísmo demonstrado por esse incansável servo de Deus pela evangelização e pelo zelo da igreja do Senhor, resultou no acelerado crescimento da igreja primitiva. Paulo é um excelente exemplo de como Deus pode transformar e aperfeiçoar o caráter daquele que se entrega a Ele, sem reservas (Gl 1:14; Fp 3:4-7; 2Co 12:9; 2Tm 1:3).
2. O zelo de Paulo pela ordem na igreja. O zelo é o grande cuidado, a preocupação que se dedica a algo ou alguém; é a forte disposição na realização de algo. Em 2Co 11:2, Paulo confessa ser “zeloso” em relação à igreja em Corinto, zelo que não se limitava àquela igreja local, mas que era uma característica do seu ministério, pois todas as suas cartas mostram a preocupação do apóstolo com a Noiva de Cristo.
Paulo desejava que o amor da igreja fosse dedicado somente a Cristo, da mesma maneira que uma noiva pura guarda seu amor para apenas um homem. A muitos, porém, têm faltado este “zelo de Deus” em os nossos dias. Muitos têm se calado, deixando de ensinar a Palavra de Deus, exortar ou admoestar o povo do Senhor. Calam-se e permitem um sem-número de inovações, modismos e desvios espirituais, porque trocaram o “zelo de Deus” pelo amor do dinheiro, pela posição social, pelas vantagens passageiras desta vida. Paulo, porém, não era assim, mas tinha plena consciência de seu dever para com Deus e para com a Igreja, sabendo que tinha de apresentar a Deus uma virgem pura e imaculada.
Em determinadas situações, o líder deve ter um caráter firme para tomar decisões que nem sempre são simpáticos, mas necessárias. Paulo disciplinou o crente coríntio que tinha relações sexuais com mulher de seu pai(1Co 5); chamou a atenção de Pedro quando este dissimulava suas atitudes entre os crentes de Antioquia( Gl 2:11-14). Também repreendeu Elimas, o feiticeiro que tentava desviar o procônsul Sérgio Paulo(At 13:6-12), e considerou insensatos os gálatas que estavam abandonando a liberdade do Evangelho. Entretanto, seu zelo era demonstrado também no carinho que tinha para com as igrejas, mesmo quando estavam em dificuldades.
Também, Paulo demonstrou grande zelo pela ordem da igreja de Creta, cujo pastor era Tito(vide Tt 1:5-11). Creta, uma pequena ilha no Mar Mediterrâneo, tinha uma grande população de judeus. As igrejas dali provavelmente foram fundadas por judeus cretenses que estiveram em Jerusalém no Pentecostes(At 2:11) mais de 30 anos antes de Paulo escrever a carta à Tito. O trabalho que precisava ser concluído consistia em estabelecer um ensino correto e designar presbíteros em cada cidade.
Paulo deixara Tito na igreja de Creta para que cuidasse das questões éticas e administrativas da comunidade. A situação era tão grave que o apóstolo precisou escrever uma carta àquele jovem pastor falando da urgente necessidade de se manter a ordem na igreja. Tais instruções são suficientes para equipar qualquer pessoa que pretenda engajar-se no ministério pastoral.
Se os conselhos de Paulo a Tito fossem observados por todas as igrejas, não haveria tantos problemas na condução do rebanho do Senhor. Não haveria tantos escândalos pela má conduta dos que se dizem chamados para o ministério, mas infelizmente, não são qualificados. Segundo sua orientação, Tito deveria ser enérgico com os que perturbavam o bom andamento do trabalho. Os insubordinados e inconseqüentes teriam de ser severamente admoestados (Tt 1:10-14). A verdadeira Igreja de Cristo não subsiste sem obreiros irrepreensíveis em todas as áreas da vida.
3. Paulo e a oração. O ministério apostólico de Paulo era alicerçado na oração. Ele gostava de estar em oração: com os irmãos (At 16.13); com os anciãos (At 20.36) e com um grupo de discípulos em Tiro (At 21.5). Ele não somente orava, mas também rogava que outros irmãos orassem por ele (2Co 1:11); (Cl 4.3); (1Ts 5:25); (2Ts 3:1).
Além de um apóstolo exemplar, era um cuidadoso pastor do rebanho do Senhor. Preocupava-se com todas as igrejas, mesmo aquelas que nunca tinham sido visitadas por ele, como é o caso da igreja em Colossos. Veja a sua preocupação com aquela igreja, mesmo estando na prisão(Cl 4:3): “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual”(Cl 1:9). Sabendo ele, através de Epafras, do perigo iminente que aquela igreja corria com a infiltração de heresias através dos falsos mestres e pastores, ele imediatamente incluiu os cristãos de Colossos na sua lista de pedidos de oração. Em 2Co 11:28 ele comenta que "me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas”. Ele orava por elas todas, diariamente. De maneira que entendemos o seu "não cesso de orar" como significando uma lembrança diária dos problemas individuais e das necessidades de cada igreja. Muitos de nós não cessam de orar porque nunca começam!
CONCLUSÃO
As igrejas que declaram basear sua teologia prática e missão, no padrão divino revelado no livro de Atos e outros escritos do Novo Testamento, devem exercer a oração fervorosa e coletiva como elemento vital da sua adoração - e não apenas um ou dois minutos por culto. Nenhum volume de pregação, ensino, cânticos, música, animação, movimento e entusiasmo manifestará o poder e presença genuínos no Espírito Santo, sem a oração neotestamentária, mediante a qual os crentes “perseveravam unanimemente em oração e súplicas”(Atos 1:14; 2:42). É somente aos pés do Senhor Jesus que a igreja encontra direção e disposição para o trabalho, bem como forças para não fraquejar diante das dificuldades. Jesus está voltando e a necessidade da igreja se manter fervorosamente unida em oração é cada vez mais premente, pois o adversário de nossas almas está fazendo tudo que está ao seu alcance para desviar o maior número de cristãos dos caminhos do Senhor. O alerta do apóstolo Pedro é vital para a igreja de hoje: “Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração”(1Pe 4:7).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo das Profecias. O novo dicionário da Bíblia. Revista Ensinador Cristão – CPAD nº 44. Guia do leitor da Bíblia. A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon – CPAD. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Através da Bíblia – Lucas – John Vernon McGee.

sábado, 16 de outubro de 2010

DAVI, UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade”(At 23:22).

“Como aceitar que Davi, homem adúltero e mentor do mais cruel homicídio que a Bíblia registra, seja considerado o homem segundo o coração de Deus?”, perguntou-me certa vez uma aluna da EBD.
Muitos personagens bíblicos são referenciais para nossas vidas, por nos deixarem exemplos de fé, coragem, obediência, paciência, etc. Mas, só um foi considerado pelo próprio Deus o homem segundo o Seu coração (1Sm 13:14; At 13:22): Davi, o segundo rei de Israel - um dos principais personagens da Bíblia. Ele foi um homem extraordinário em muitos aspectos. Mas isso não quer dizer que nunca tenha desagradado a Deus ou não tenha sido injusto em algum momento de sua vida. Ocorreu com ele tudo o que geralmente acontece na vida das pessoas comuns. Ele foi arrastado por paixões destrutivas, abalado por problemas familiares e pela tragédia pessoal, e motivado por conveniências políticas. Como, então, um indivíduo tão humano poderia ser descrito como "um homem segundo o coração de Deus"? O segredo de Davi está na maneira como ele consagrou sua vida totalmente ao Senhor e em sua capacidade de descer ao pó do arrependimento e da humilhação, e pedir perdão a Deus.
Apesar de todas as dificuldades e erros cometidos, Davi viveu uma vida extraordinária de fé, tanto que ele está incluído na nobre galeria da fé, disposta no capítulo 11 do livro de Hebreus, precisamente no versículo 32. A fé de Davi resplandeceu no duelo contra Golias, em seu nobre comportamento em relação a Saul, na conquista de Sião e em outros incontáveis episódios. Em seus salmos, encontramos sua fé consolidada em adoração, louvor e profecia.
Assim como o patriarca Jó, Davi conhecia o Senhor por experiência própria e não porque ouviu falar dEle (Jó42:5). Isto fez a diferença na vida de Davi e, com certeza, fará também na vida daquele que anda com Deus nos dias atuais.
Baseado nessas evidências da vida de Davi podemos afirmar que a melhor maneira de alcançar o coração de Deus é andar no caminho da humildade, da dependência de Deus e do arrependimento.
· Humildade. Davi era um homem humilde e reconhecedor de suas limitações (Sl 131; 40:12,17). Apesar de ser um soldado inigualável, um comandante corajoso, um rei exemplar, sempre atribuiu todas as suas vitórias ao Senhor dos exércitos (Sl 35:4-7; 40:5-10; 124: 144:1,2). Seja como o pastor que se encontrava no curral das ovelhas, seja como o rei que havia conquistado toda a Terra Prometida, Davi sempre se mostrou humilde de espírito e, nas vezes em que esta humildade, por falta de vigilância, faltou, retornou imediatamente após.
· Dependência de Deus. Davi sempre evitou agir por conta própria e, quando o fez, procedeu mal. Apesar de sua experiência como guerreiro e de sua popularidade e respeito, jamais deixou de consultar o Senhor quanto às estratégias que deveriam ser feitas, demonstrando, assim, que tinha plena consciência de que “o cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória” (Pv.21:31).
· Arrependimento. Davi tinha uma grande capacidade de reconhecer seu erro e, mais importante ainda do que isto, de se arrepender de seus pecados. Ele assumia sua culpa diante de Deus e pedia sua misericórdia; clamava pela sua comunhão; humilhava-se diante do Todo Poderoso até que Este lhe concedesse perdão. Devemos nos conscientizar de que a carne, ou a natureza humana pecaminosa é uma ameaça constante na nossa vida, e que devemos sempre estar mortificando as nossas más obras por meio do Espírito Santo que em nós habita (Rm 8.13; Gl 5.16-25). Devemos reconhecer os nossos pecados e buscar em Deus o perdão e a purificação deles.
Portanto, para ser um homem ou mulher segundo o coração de Deus é necessário conhecê-lo e viver intimamente com Ele, obedecendo-o em tudo (Cl 1:10; Rm 12:1,2). PENSE NISSO!!
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Luciano de Paula Lourenço

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aula 03 - A ORAÇÃO SÁBIA

Texto Base: 2Cr 6:12,21,36,38,39
“E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do Senhor encheu a casa”(2Cr 7:1).

INTRODUÇÃO
Como podemos avaliar se uma oração é sábia? É claro que nós não podemos estipular algum parâmetro que possamos tomar como referencia para dizermos com precisão: “esta oração se enquadra dentro do parâmetro estabelecido, logo é uma oração sábia”, não. O Espírito Santo é o avaliador da oração; Ele ajuda as nossas fraquezas e aperfeiçoa os ingredientes certos do incenso (a nossa oração) a ser posto diante do Deus Pai(ler Rm 8:26). Todavia, não podemos deixar de destacar que a melhor maneira de apelarmos a Deus é quando vamos a Ele como servos. Muitos querem determinar que Deus faça isto ou aquilo, ao seu bel prazer, esquecendo-se que o Senhor nos ensina a servidão. Uma condição basilar a uma oração sábia e eficaz não deixa de ser a que nos comportemos diante do nosso Senhor com um coração de servo. Ser servo, humilde, submisso é essencial e indispensável para estarmos diante do Senhor em oração; é a essência do caráter cristão. Davi tinha um coração de servo! Deus mesmo o chamou de servo(Sl 78:70; 89:20). Jesus é o maior exemplo de servo humilde e obediente(João 4:34; Fp 2:5-8).
I. VIVENDO A DIFERENÇA
Salomão viveu num lar marcado por sucessivos problemas morais. Davi foi cuidadoso em construir um reino, trabalhou arduamente para isso. Como líder e administrador da monarquia, ele se saiu muito bem, todavia, quase nada vemos ser feito dentro de casa. Havia um dualismo reino-família que pareciam ser mutuamente excludentes. Os maiores inimigos de Davi não foram as nações vizinhas, mas uma anarquia generalizada que se instaurou dentro de sua própria casa: Amnon estupra sua irmã; Absalão mata seu irmão; as concubinas do rei são possuídas sexualmente pelo seu próprio filho; Adonias usurpa o trono, etc. São todos fatos de certa forma ligados à vida familiar. Uma família desestruturada assemelha-se a um trem que descarrilou; é uma tragédia. O que podemos dizer com segurança é que Davi se saiu muito bem como rei, mas o mesmo não pode ser dito como pai. Davi estruturou o seu reino, mas deixou sua casa ruir. Não adianta ganhar tudo e perder a família. Já ouvi alguém dizer acertadamente que nenhum sucesso justifica o fracasso da família.
O apóstolo Paulo bem disse em 1Corintios 16:19, quando se refere a um casal de crentes da Igreja Primitiva: “... muito vos saúdam Áquila e Priscila e, bem assim, a Igreja que está na casa deles”. A nossa casa deve ser uma extensão do Reino de Deus e o Reino de Deus precisa estar dentro de nossa casa. Um não pode existir sem o outro.
Conquanto tenha falhado na educação dos seus filhos por se dedicar ao reino de Israel, Davi deixou um legado, que foi referência na vida de Salomão: o legado espiritual. O próprio Salomão testemunhou isso, quando o Senhor lhe apareceu em sonho em Gibeão: “E disse Salomão: De grande beneficência usaste tu com teu servo Davi, meu pai, como também ele andou contigo em verdade, e em justiça, e em retidão de coração, perante a tua face; e guardaste-lhe esta grande beneficência e lhe deste um filho que se assentasse no seu trono, como se vê neste dia”(1Rs 3:6). Líder justo e inteiramente devotado a seu povo, Davi foi, acima de tudo, um homem da mais profunda fé, responsável por abrir as portas do arrependimento para todas as gerações futuras. Ele deixou a todos os judeus e a toda a humanidade, um legado de fé e coragem, bem como a dinastia real de Israel da qual viria o Messias.
Ao longo de sua vida, Davi demonstrou por diversas vezes que era dependente da orientação divina para realização de suas conquistas e de seus planos (1Sm 23.2; 30.8; 2Sm 2.1). E ele sabia que para o seu sucessor obter êxito no seu governo era necessário uma dependência total aos ditames da Palavra de Deus. Por isso, antes de morrer, deu a Salomão suas últimas instruções: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o com um coração perfeito e com uma alma voluntária; porque esquadrinha o Senhor todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos; se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, rejeitar-te-á para sempre” (1Cr 28:9). Esse aviso foi bastante instrutivo, firme e contundente; e cabia a Salomão, juntamente com seus súditos, observar esse importante legado. E o povo de Israel não ficou livre dessa advertência, pois antes disso Davi lembrou ao povo a guardar todos os mandamentos do Senhor (1Cr 28.8).
Salomão levou em consideração o legado espiritual deixado por seu pai Davi. Ele começou seu reinado com fé no Senhor e amor a Ele(1Reis 3:3). Como uma demonstração de seu caráter piedoso, ele foi a Gibeão para lá sacrificar ao Senhor, e sacrificou mil holocaustos(1Rs 3:4). Nesse local apareceu-lhe o Senhor de noite, em sonho, e disse-lhe: “Pede o que quiseres que te dê”. Diante dessa oportunidade inigualável, Salomão proferiu uma das mais belas orações da Bíblia; uma oração que agradou a Deus (1Rs 3:10). Ele orou pedindo sabedoria e um coração entendido isto é, capacidade para tomar decisões coerentes com a verdade revelada na Lei de Moisés(1Rs 3:5-9). Com esse pedido, Salomão demonstrou reconhecer três verdades importantíssimas: (1) ele era humanamente incapaz de governar Israel; (2) seu sucesso dependia única e exclusivamente do favor de Deus; e (3) o povo de Israel não era propriedade sua, e sim do próprio Jeová, Deus de Israel. Deus se agradou de seu pedido(1Rs 3:10) e atendeu sua oração(1Rs 3:11-14). Todavia, o dom da sabedoria que Deus deu a Salomão não era uma garantia de que ele sempre andaria em retidão. Por essa razão, Deus acentuou que a vida longa de Salomão dependeria de “andares nos meus caminhos”(1Rs 3:14). A infidelidade de Salomão posteriormente, impediu a realização integral da vontade de Deus na sua vida(1Rs 11:1-8).
A oração de Salomão na inauguração do Templo(1Rs 8.1—9.9; 2Cr 5—7). Durante sete anos e meio Salomão construiu o Templo – entre o quarto ano do seu reinado, até o décimo primeiro ano(1Rs 6:37,38). Quando o Templo ficou todo pronto, Salomão convocou todo o Israel para uma grande festa de dedicação. Ele convocou os principais líderes do povo e todo o povo, e ordenou o translado da Arca da Aliança para o Templo. No dia do cortejo, que foi feito com grande pompa, em que todos os sacerdotes e levitas cantavam salmos e o povo festejava, foi imolado um imenso número de ovelhas e bois em sacrifício. A Arca foi colocada no local chamado de Santo dos Santos, sendo que aí somente uma vez por ano era permitida a entrada do sumo sacerdote. Depois de um breve discurso (2Cr 6:1-11), Salomão se dirigiu a Deus, com uma das mais belas orações da Bíblia (2Cr 6:14-42). Depois da dedicação do Templo, o Senhor apareceu mais uma vez a Salomão e ordenou que ele obedecesse à Lei e conduzisse o povo à obediência, com a promessa de que, sob estas condições, os olhos do Senhor estariam sempre sobre aquele lugar, mas caso Israel desobedecesse, seria submetido à severa disciplina (1Rs 9:1-9; 2Cr 7:11-22).
Davi começou muito bem; esteve muito mal, cometendo pecados terríveis, mas soube se erguer, não se deu por vencido; terminou os seus dias em comunhão com Deus, a ponto de o Senhor se agradar em fazer um pacto com ele, e prometer que o seu reino não teria fim. Com Salomão, infelizmente, os seus dias finais foram uma decepção, o que resultou na divisão do reino de Israel.
O que é mais admirável num crente não são os dons e prováveis unções que ele aufere, mas a capacidade espiritual de ultrapassar e vencer as barreiras inibidoras de sua jornada até ao alvo pretendido. A nossa maratona é de resistência. Não há classificação na chegada, mas há grande recompensa quem resistiu os obstáculos e chegou até o fim. Quem chegar no final da maratona será premiado. A maratona só termina com a glorificação do crente, e ela não acontece aqui na terra.
II. AS CARACTERISTICAS DA ORAÇÃO DE SALOMÃO
1. Salomão confessou que Deus é único(2Cr 6:14 –“e disse: Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus semelhante a ti, nem nos céus nem na terra, como tu, que guardas o concerto e a beneficência aos teus servos que caminham perante ti de todo o seu coração”. Salomão proferiu estas palavras ajoelhado(2Cr 6:13), como sinal de reverência e de submissão ao Deus supremo e único. Naquela época, era bastante incomum que um rei se ajoelhasse perante outro, sobretudo diante de seus súditos, porque o ato significava submissão a uma autoridade superior. Salomão demonstrou seu grande amor, submissão e respeito por Deus ao ajoelhar-se diante dele. Sua atitude revelou que reconhecia Deus como supremo Rei e Autoridade; isto encorajou o povo a fazer o mesmo.
A Bíblia Sagrada mostra-nos, com absoluta clareza, que, além de existir, Deus é único. Os estudiosos e historiadores ficam a indagar porque o povo hebreu chegou, ao contrário de todos os povos à sua volta, à concepção de um único Deus, mas, a verdade, como sabemos, é que isto não foi fruto de qualquer mente humana, mas o resultado da revelação divina, que, desde quando chamou Abrão para que saísse de Ur dos caldeus, revelou-Se ser um único Deus(Gn 15:7; Ne 9:7).
Moisés proferiu, também, que Deus é único: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor”(Dt 6:4). Deus, através de Isaias, foi enfático: ”Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim”(Is 46:9). Jesus em sua oração sacerdotal também fez menção deste fato(João 17:3). O apóstolo Paulo também fez menção de que Deus é único(Rm 16:17; 1Tm 1:17). Judas versículo 25: “ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém”!.
2. Salomão proclama a fidelidade de Deus(2Cr 6:14,15) – “que guardaste ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste; porque tu, pela tua boca, o disseste e, pela tua mão, o cumpriste, como se vê neste dia”. Salomão reconheceu que Deus é fiel e soberano sobre tudo; cumpre promessas e é misericordioso para com todos os que têm um coração reto. Ele mesmo, no momento da inauguração do Templo, estava vivendo o cumprimento das ricas e infalíveis promessas divinas feitas a Davi(1Cr 22:9,10; 2Sm 7:12,16).
Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento. No Éden, Deus prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.
A Noé, Deus prometeu salva-lo do dilúvio, juntamente com sua família, através da arca, o que cumpriu; posteriormente, prometeu nunca mais destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido desde então, pois nunca mais houve um dilúvio universal.
A Abraão, homem sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência e que dele sairiam povos e reis; Deus tem cumprido este compromisso, como podem testemunhar os milhões de judeus e árabes que hoje existem.
A Israel, Deus prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal; e tem cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a nação israelita, apesar da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma evidentemente miraculosa, como foi a restauração do Estado de Israel na Palestina, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de entregar a Terra de Canaã a Israel.
A Davi, Deus prometeu que sua descendência governaria eternamente sobre Israel; e sabemos que a vinda de Cristo, que é descendente de Davi e vivo está, é a demonstração do cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor reinará sobre Israel.
Aos homens pecadores, Deus prometeu perdão dos pecados aos que crerem em Jesus Cristo e tem cumprido este compromisso, como nós mesmos somos testemunhas, pois fomos alcançados por este amor e por este perdão e hoje desfrutamos da comunhão com o Senhor.
À Igreja, Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela(Mt 16:18), e isto tem sido cumprido, pois a igreja tem prevalecido sobre todas as sórdidas investidas de Satanás. Nosso Deus é Aquele que vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12).
Hoje, a igreja mística do Senhor Jesus espera o cumprimento da mais sublime promessa: a vinda do Senhor para levá-la ao Céu(João 14:1-3; 1Ts 4:17). Com absoluta certeza Ele virá; e, então, estaremos para sempre com Ele na sua glória (Ap 7:17; 21:4)
Portanto, Deus ao falar algo, ao assumir um compromisso, assume um compromisso com Ele mesmo(Is 55:10,11). Ele é fiel, como dizem as Escrituras (1Co1:9; 10:13; 2Co 1:18), ou seja, cumpre a sua Palavra, porque o caráter de Deus diz que Ele não muda (Ml 3:6), é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10), é justo (Ex.9:47; 2Cr.12:6; Sl.11:7) e que, portanto, sua Palavra só pode ser “sim e amém” (2Co 1:20).
3. Salomão era sensível ao bem-estar de seu povo(ler 2Cr 6:14 – 42). Pelas palavras de Salomão podemos observar este sentimento, que é próprio do líder que está em submissão e obediência ao Deus único e verdadeiro. O líder que é temente a Deus busca o melhor possível para os seus liderados, quer no aspecto social, moral ou espiritual. Foi assim com Moisés, com Josué, Samuel, Davi, Neemias e outros homens de Deus ao longo da história do povo de Israel.
Observe as palavras de Salomão dirigidas a Deus em oração, exaradas em 2Cr 6:24-40, solicitando o cuidado especial de Deus sobre o povo que escolhera para que fosse seu, entre todos os povos da terra(1Rs 8:51-53). Todavia, em sua oração, Salomão demonstra consciência de que as bênçãos e as provisões de Deus estão relacionadas a ações concretas no sentido de satisfazer aos requisitos e condições divinos. Esquecer esse fato é orar em vão.
O procedimento espiritual demonstrado por Salomão naquele momento diante do povo de Israel, o qual foi sincero, haja vista que Deus atendeu a sua oração de imediato(2Cr 7:1), deve ser o valor padrão na vida de todos os líderes hodiernos do povo de Deus. O líder cristão deve ser uma pessoa conhecida por meio de sua qualidade espiritual e atitude moral impoluta, e sua autoridade embasada diretamente na Palavra de Deus. Ele deve ser uma pessoa fervorosa em oração! Ele deve ser uma pessoa que vive sob os ditames da Palavra de Deus e através disso desafia os seus liderados a seguir o seu exemplo. O seu modo de vida, de agir, de falar, deve ser inteiramente controlado ou guiado pelo Espírito Santo.
O líder é alguém que deixa uma marca na vida, bem como no coração das pessoas. O seu proceder fará com que alguém sinta o desejo de fazer o que a Palavra de Deus diz. Ele procura causar um impacto na vida dos liderados não para querer receber glória ou querer aparecer, mas para que seja um fruto para toda a eternidade. Salomão, por ocasião da manifestação pública de sua submissão e adoração a Deus, apresentava uma marca visível a todo o povo de Israel, a marca da liderança e da submissão à autoridade de Deus.
III. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA
Orar de forma intercessória indica que entramos na presença de Deus para suplicar por outras pessoas, e que naquele momento não somos o alvo de nossas próprias orações. A oração intercessória é um imperativo; quem não o faz não exerce seu sacerdócio. Paulo é enfático ao dizer: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações e intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (1Tm. 2:1). Na verdade, não oferecer oração intercessória a favor de outras pessoas é pecado; o profeta Samuel reconhecia isso: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós...” (1Sm 12:23).
Interceder por alguém é estar na brecha como Ezequiel 22:30 menciona: "Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de mim e em favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nenhum". A passagem de Ezequiel descreve a intercessão por uma nação inteira na sua rebelião contra Deus.
Portanto, a oração intercessória é puramente uma demonstração de amor, porque é desinteressada; ela se concentra nos outros. Através dela provamos que o bem-estar do semelhante está acima do nosso.
1. No Antigo Testamento. No Antigo Testamento, muitos homens de Deus foram fervorosos na prática da oração intercessória em favor de outrem. Através dela situações foram alteradas e reinos restabelecidos.
Abraão suplicou por Ló e este foi liberto da destruição de Sodoma e Gomorra. Moisés chegou a abdicar de sua bem-aventurança eterna ao interceder pelos filhos de Israel: "Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito" (Êx 32:32); esta sua intercessão foi tão eficaz, que levou Deus a poupar os rebelados israelitas.
Outra demonstração clássica de intercessão está em Números 14; ali é demonstrada uma das melhores narrativas sobre oração intercessória registradas na Bíblia; o povo se rebelou contra Deus provocando-o à ira, mas Moisés prontamente intercedeu pelo povo e Deus o perdoou(Nm 14:19,20).
Samuel orou constantemente pela nação de Israel(1Sm 12:23). Daniel orou pela libertação do seu povo do cativeiro (Dm 9:3). Davi suplicou pelo povo; intercedeu pelo seu filho(ler 2Sm 12:14-23). O patriarca Jó livrou-se de seu cativeiro quando intercedia por seus amigos (Jó 42:7-12).
Jeremias, interceu pelos filhos de Judá, mesmo sabendo que eles achavam-se afastados de Deus e mergulhados numa apostasia crônica. Ele nos dá exemplo de oração intercessória em tempo de calamidade. Trata-se uma oração motivada pela compaixão, pelo sofrimento do seu povo: “Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia e não cessem porque a virgem, filha do meu povo, está ferida de grande ferida, de chaga mui dolorosa”(Jr 14:17). A “filha do meu povo” é Jerusalém, mergulhada em grande sofrimento por causa de uma seca prolongada, que provocava uma onda de crimes, de banditismo(Jr 14:18). Jeremias sente que, no meio da desgraça, pode fazer alguma coisa: compadecer-se, sofrer com os outros, interceder por eles. Salomão, em sua oração na dedicação do Templo, demonstrou o mesmo sentimento desses homens de Deus(2Cr 6:24-40).
2. No período interbíblico. Depois do cativeiro Babilônico, Deus continuou, ainda durante um tempo, levantando profetas para não permitir que o povo se mantivesse num indiferentismo em relação às coisas de Deus. Estes profetas foram Ageu, Zacarias e Malaquias. Porém, apesar das mensagens destes profetas o povo judeu manteve-se num indiferentismo e num formalismo que levariam o Senhor a não levantar profetas no meio do povo durante cerca de quatrocentos anos, período que é conhecido como o "período do silêncio" ou "período interbíblico". Todavia, como nunca deixou de existir remanescente fiel a Deus, certamente, nesse período, houve alguém que esteve diante de Deus em temor e tremor, como se pode deduzir pelo capitulo 10 versículo 22 do evangelho de João, ou seja, a “Festa da Dedicação”, em memória à retomada do Templo pelos Macabeus, em 166 a.C., das mãos do rei sírio Antíoco IV, que tinha profanado o Templo de Deus (em 175 a.C). Lucas 2:25-38, também, denota o viver de pessoas piedosas, como Ana(a profetiza) e Simeão(homem justo) e muitos que esperavam a redenção de Jerusalém.
3. Em o Novo Testamento. No Novo Testamento, a Igreja é convocada para orar por nós mesmos (Mt.24:20; 26:41; Mc.13:18,33; Lc.22:40); uns pelos outros (Tg.5:16; Cl 1:3); pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28); pelos ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18), como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens (1Tm.2:1). Cristo rogou por Seus discípulos e fez especial intercessão por Pedro; também, intercedeu em favor dos seus inimigos (Lc 23:34). A Igreja orou por Pedro preso; Paulo é exemplo de constante intercessão(Cl 1:9-11).
O Novo Testamento declara que somos o sacerdócio santo (1Pe 2:4), o sacerdócio real (1Pedro 2:8) e um reino de sacerdotes (Ap 1:5). Observe que o apóstolo Pedro usa duas palavras para descrever este ministério sacerdotal: "Santo" e "real". Santidade é algo necessário para que possamos comparecer perante o Senhor (Hb 12:14). Somos capazes de fazer isso apenas por causa da justiça de Cristo, não da nossa justiça. “Realeza” faz parte da autoridade majestosa a nós delegada como membros da “família real”, por assim dizer, com acesso legítimo à sala do trono de Deus.
Nos dias pelos quais passamos, em que muitos se têm deixado contaminar pelo amor de si mesmo (2Tm 3:1,2), poucos são os que se dedicam à tarefa intercessória nas igrejas locais. Há, na verdade, uma verdadeira banalização a respeito dos “pedidos de oração” que, em muitos lugares, nem sequer são lidos e que, uma vez apresentados à igreja, são imediatamente “jogados fora”, em cestos de lixo providencialmente colocados nos púlpitos. Não há acompanhamento dos pedidos de oração, não há envolvimento da igreja local no clamor ao Senhor. Urge voltarmos ao primeiro amor (vide At 2:46).
CONCLUSÃO
No exercício da oração intercessória, como cristãos piedosos da fé em Cristo, devemos nos dispor a interceder pela Igreja, pelos que ainda não são Igreja e pelos que a Igreja hão de alcançar. Ajamos assim, e teremos mais resposta dos céus e menos orações frustradas. “Orar e interceder pelos fracos da igreja e pelos perdidos do mundo é importante missão a ser desempenhada pelos que tem no coração o amor de Deus. Não ore de forma mecânica. Ore, suplique e interceda. Há muitos por quem orar!”(Souza, Estevão Ângelo. Guia Básico de Oração).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo das Profecias. O novo dicionário da Bíblia. Revista Ensinador Cristão – CPAD nº 44. Guia do leitor da Bíblia. A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon – CPAD. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Através da Bíblia – Lucas – John Vernon McGee.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A ORAÇÃO QUE JESUS ENSINOU

Neste pequeno estudo, estou adiantando o tema do tópico II da Lição nº 5 deste trimestre:"Orando como Jesus ensinou".


Texto Base: Mateus 6:9-13

A maioria das vezes que Jesus se apresentava em oração ao Pai era sozinho; e Ele nos recomendou esse procedimento(Mt 6:6). Certa vez quando os discípulos o viram orar ficaram impressionados com a maneira como Ele se dirigia ao Pai em oração. Certamente a maneira como Ele se expressava, a intimada com que Jesus mantinha com o Pai, era diferente dos fariseus e dos demais religiosos da época. É tanto que, em seguida, os discípulos pediram que Ele os ensinasse a orar(Lc 11:1-4).
O fato de um dos discípulos pedir que Jesus os ensinasse a orar, como também João ensinou aos seus discípulos(Lc 11:1), deixa claro que a oração de Jesus distinguia da oração judaica e da oração dos discípulos de João Batista. Por se tratar de um serviço tão sublime e indispensável ao corpo da Igreja, Jesus atendeu o pedido dos seus discípulos e lhes mostrou o modelo para nos dirigir ao Pai em oração, a chamada “oração do Senhor”, “oração dominical” ou, como é conhecido, o “Pai nosso”. Essa oração-modelo não foi ensinada pelo Senhor para ser repetida automaticamente como uma reza, como muitos a têm tornado, mas, muito pelo contrário, nela temos uma verdadeira aula de como devemos orar corretamente e de forma agradável ao Senhor. Vejamos:
a) Ela começa com a expressão: “Pai nosso”. Essa foi a grande novidade introduzida por Jesus. Deus não era somente o Deus dos patriarcas, o Senhor dos Exércitos, o Senhor assentado num alto e sublime trono, não! Jesus nos revelou outra maneira de nos comunicarmos com Deus! Os judeus concebiam Deus como o Pai do povo todo, mas não ousavam dirigir-se pessoalmente a Ele com tanta intimidade. Jesus, porém, o fez(Mc 14:36), e ensinou os seus discípulos, de todos os tempos, a endereçarem a oração ao Pai nessa total intimidade e confiança.
Ao reconhecermos Deus como nosso Pai, demonstramos que a relação que existe entre Deus e o homem não é uma relação de senhorio, de propriedade, de domínio ou de cruel submissão, como se vislumbra, por exemplo, entre os islâmicos, mas é, sobretudo, uma relação de amor, de filiação, de intimidade e comunhão. Ao chamarmos a Deus de nosso Pai, ao reconhecermos isto, estamos dizendo que confiamos em Deus e em seu amor e que nada de ruim para nós pode ocorrer, pois Ele nos ama. É por isso que Jesus insiste em que tenhamos a imagem de Deus, na oração, como a imagem do Pai, daquele que é infinitamente muito mais bondoso do que nosso pai terreno e que, portanto, nunca pode querer nos prejudicar ou nos causar dano.
b) “que está nos céus”. Nos lembra que este Pai bondoso, amoroso e misericordioso está nos céus, ou seja, é o Senhor do universo, o Soberano, aquele que tem todo o poder. Lembrar que Deus é Pai, mas está nos céus, é lembrar que Ele não é nosso empregado, nem está à nossa disposição ou à disposição de nossos caprichos.
c) “santificado é o teu nome”. Na Bíblia, o nome equivale à pessoa. A oração-modelo nos lembra que o nome do Senhor é santificado, ou seja, que para termos uma verdadeira comunhão com Deus é necessário que estejamos em santidade diante de Deus. Não é possível que queiramos orar a Deus sem que estejamos em paz com Ele, o que somente se dá mediante a justificação pela fé em Jesus (Rm5:1). Para termos uma vida de oração correta e aceitável diante de Deus, é imperioso que estejamos vivendo de acordo com a sua palavra, pois é ela quem nos santifica(João 17:17).
d) “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”. O reino de Deus é o centro e o objetivo final do seu plano e de toda a mensagem de Jesus. A vinda do reino consiste no reconhecimento da vontade de Deus, que oferece uma nova vida a todos. Mas o reino não está só no futuro. Ele se concretiza pouco a pouco, à medida que as pessoas aceitam o evangelho e vivem fraternalmente, compartilhando a nova vida. O anseio pelo reino mostra a meta, o alvo e a missão da comunidade cristã de proclamar o evangelho, porque todos devem ter a mesma oportunidade de crer, até que Deus seja tudo em todos(1Co 15:28).
Quando dizemos "venha o teu reino" estamos dizendo para Deus que queremos que sua vontade se realize em nossas vidas, que Ele seja o nosso Senhor, aquele que comanda as nossas vidas. Quão diferente é a oração daqueles "supercrentes", daqueles que, baseados nas falsas doutrinas da confissão positiva e da teologia da prosperidade, acham que a vontade deles é que tem de ser feita.
e) “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. A oração também envolve o aspecto material de nossas vidas, mas dentro de uma perspectiva de cumprimento da vontade de Deus e de sua soberania. Deus não se esquece das necessidades materiais do ser humano e sabe que, enquanto aqui estamos, precisamos de comida, de vestir e de bebida, razão pela qual está disposto a nos conceder o necessário para a nossa sobrevivência (Mt.6:31-34), mas devemos priorizar o reino de Deus e a sua justiça. Como se não bastasse isso, Deus se compromete com o necessário, não com a opulência ou a riqueza desmedida, como têm defendido os teólogos da prosperidade, numa perspectiva que mais os faz avarentos e, por conseguinte, idólatras(Cl 3:5), do que servos de Deus.
É bom ressaltar que “o pão de nosso de cada dia” não se trata apenas do aspecto material de nossas vidas, mas também se aplica ao pão da vida eterna, ao alimento que nos dá a vida plena. É o pão do banquete celeste.
f) “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Essas palavras nos levam a pensar que não temos o direito de pedir perdão se nós mesmos não estamos dispostos a perdoar. O perdão de Deus para nós é proporcional ao perdão que concedemos aos outros. A questão é séria! Nenhuma igreja ou comunidade se mantém unida sem o perdão, porque viver juntos sempre traz mal-entendidos, atritos, conflitos e ofensas e, mais do que nunca, o perdão mútuo é necessário. Por isso, a pessoa que ora o ”Pai Nosso“ não precisa ser apenas criatura de Deus, mas uma criatura redimida (perdoada) por Deus. Redimida pela cruz, no sangue do Cordeiro ela não apenas deve ter encontrado anulação dos pecados do passado, mas também a libertação da sua natureza não reconciliável.
O apóstolo Paulo disse em Romanos 5:6-11 que Deus nos amou quando éramos ainda pecadores. Quando éramos seus inimigos, Deus nos reconciliou com Ele. E ainda afirmou depois, em Efésisos 4:32: “Antes sede uns para como os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”. Precisamos nos perdoar mutuamente, porque Cristo já nos perdoou. O perdão de Deus foi concedido quando nos convertemos e nos incentiva a perdoarmos uns aos outros. Só o perdão compartilhado pode garantir a continuidade da vida comunitária.
Portanto, na oração devemos ter consciência de que nossa vida com Deus depende de nosso comportamento com o próximo, razão pela qual não podemos jamais querer ter comunhão com Deus se não a tivermos com os demais homens (Mt 5:23-25). Jamais nos esqueçamos de que nada podemos dever aos homens senão o amor(Rm 13:8).
g) “E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal”. Nesta parte da oração, Jesus lembra-nos do compromisso divino de nos livrar do mal enquanto vivemos neste mundo de aflições e que está imerso no maligno (1João 5:19), compromisso este que foi ratificado e reiterado pelo próprio Senhor em sua oração sacerdotal (João 17:15). Este compromisso é a certeza que o cristão tem de que o mal não lhe tocará (1João 5:18), nem que o inferno prevalecerá contra a igreja (Mt 16:18). Isto não quer, em absoluto, dizer que o crente sincero nunca terá dificuldades ou lutas, nem que não poderá sofrer. Deus prometeu a vitória e somente há vitória após uma luta, de forma que a promessa de vitória é uma indireta declaração de que haverá lutas na vida do cristão, o que, aliás, foi explicitado pelo próprio Senhor(João 15:33).
Mas a que tentação Jesus se referiu? A todo tipo de tentação, mas talvez, principalmente, a de abandonar o evangelho de Cristo em troca das sugestões de Satanás: abundância, riqueza, poder e prestígio(Lc 4:1-13). Esse abandono pode ser motivado pela ganância, mas também pelo desânimo, pelo medo e pela insegurança. Judas foi tentado, caiu e abandonou definitivamente o plano de Deus(Lc 22:3-6,47,48). Pedro foi tentado, caiu, mas se arrependeu(Lc 22:54-62). Esse é o pedido mais importante: que Deus nos poupe de o trairmos, de o negarmos, pois assim trairíamos e negaríamos a nós mesmos e a todos aqueles que lutam para que o reino venha.
h) “porque teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém”. A oração-modelo termina com uma expressão de adoração, parte indispensável em qualquer oração. É através da oração que expressamos nosso amor ao Senhor, que lhe rendemos a glória que só a Ele é devida. Lamentavelmente, nos nossos dias, oração tem significado apenas um petitório. Somente pedimos, pedimos, pedimos e, para finalizar, pedimos. Nem sempre nos lembramos de agradecer ao que Deus nos fez, que dirá adorá-lO, render-Lhe glória e louvor. É fundamental que a nossa oração, pelo menos, tenha uma parte de adoração. É preciso que louvemos e glorifiquemos a Deus em nossas orações.
Portanto, essa oração que Jesus ensinou não pode ser feita como uma reza, mas deve expressar a verdade do nosso coração. Como vai a sua vida de oração? Você tem se dirigido a Deus, desfrutando da intimidade que Jesus nos proporcionou com o Pai?
“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Amém!”(2Co 13:13).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aula 02 - A ORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

Texto Base: 1Rs 18:31-39

“Então, os sacerdotes e os levitas se levantaram e abençoaram o povo; e a sua voz foi ouvida, porque a sua oração chegou até à sua santa habitação, aos céus” (2Cr 30:27)

INTRODUÇÃO
A oração sempre foi uma prática das pessoas que possuem intimidade com o Eterno Deus. No Antigo Testamento, grandes homens de Deus se apresentaram como intercessores perante Deus, em nome do povo de Israel. Nesta função eles manifestaram uma incrível coragem e persistência. Como exemplo, citamos: Abraão, Jacó, Moisés, Jó, Davi, Neemias, Samuel, Elias, Eliseu, Jeremias, Daniel, e todos os demais patriarcas e profetas clássicos ou não. Esses homens falavam com Deus como se fala com um amigo, porque Deus, de fato, assim o é. Em todos os livros da Bíblia do Antigo Testamento notamos como a oração foi tão grandiosamente praticada por esses homens; seus exemplos nos servem de incentivo a nos dedicarmos a esta função tão sublime e tão necessária para que a igreja cresça espiritualmente e mantenha plena comunhão com Deus. O livro de Salmos, por exemplo, é o livro de orações do Antigo Testamento, abrangendo todo tipo de oração - louvor, súplica, intercessão e ação de graças -, e continua a ser um referencial modelo fundamental para a Igreja. Poéticos que são, os Salmos traduzem, com inspiração divina, a linguagem da alma em busca de seu Criador. Segundo Myer Pearman, até hoje não foi achada linguagem melhor para que nós nos expressemos diante de Deus.
I. A ORAÇÃO NO PENTATEUCO
1. A oração durante o êxodo de Israel. O êxodo de Israel foi marcado por vários acontecimentos sobrenaturais, a maioria motivada pelas orações dos descendentes de Jacó. Foram quatrocentos e trinta anos no Egito(Ex 12:40), tendo ficado a maior parte do tempo na escravidão. Deus avisara a Abrão que seus descendentes seguiriam para o Egito e seriam oprimidos por quatro séculos, numa cifra arredondada dos 430 anos que realmente foram passados ali(Ex 12:40,41; Gl 3:17). O capítulo 3 verso 7 de Êxodo mostra que o clamor do povo descendente de Jacó chegou até aos Céus, e Deus conhecendo as suas dores ouviu o seu clamor por causa dos seus exatores.
Assim como Deus estava atento ao sofrimento do seu povo no Egito, Ele também conhece as aflições de todos os outros seus servos. Ele ouve o clamor dos aflitos e dos oprimidos. Em tais ocasiões, os santos precisam clamar a Deus para que Ele intervenha com misericórdia em seu favor. Quer nossa opressão provenha das circunstancias, das pessoas, de Satanás, do pecado, ou do mundo, o consolo, graça e ajuda de Deus são plenamente suficientes para satisfazer todas as nossas necessidades (Rm 8:32). No tempo certo, Deus nos livrará(Gn 15:13).
2. A gratidão de Israel a Deus. Quando Deus manifesta-se através de sinais e bênçãos para o seu povo, naturalmente, em forma de gratidão, devemos manifestar atitudes em louvor àquele que tudo pode. Mas, é bom ressaltar que Deus merece o nosso louvor e adoração com temor e tremor, pelo que Ele é, e não apenas pelo que Ele faz. A derrota dos inimigos do povo de Israel quando da atravessia no Mar Vermelho foi um grande motivo de alegria e tremenda gratidão a Deus. O povo recém-saído do Egito, ainda não conhecia o seu Senhor de perto, e aquele feito foi motivo de grande alegria e gratidão a Deus. Moisés demonstrou isso através de um lindo cântico(ler Êxodo 15:1-18). Este cântico é um hino de louvor e ações de graças a Deus por sua majestade, por seu poderio nas batalhas e pela sua fidelidade ao seu povo. O que é mais natural que cantar canções de louvor quando Deus concede tremendas libertações? Depois de um período de forte opressão e uma noite escura de desespero, dar-se conta de que a vitória de repente veio é fato que traz ondas de alegria ao coração. O livramento dos israelitas das mãos dos egípcios prefigura e profetiza a vitória do povo de Deus sobre Satanás e do anticristo nos últimos dias; daí, um dos cânticos dos remidos ser chamado o “cântico de Moisés”(Ap 15:3).
A igreja tem um motivo imensurável para demonstrar gratidão a Deus: a gloriosa salvação. Pela graça de Deus somos salvos(Ef 2:8), e isto deve ser motivo de gratidão a Deus, pois estávamos todos perdidos para sempre e destituídos da Sua glória(Rm 6:23) - “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”(João 1:12). Antes, destituídos; agora somos filhos de Deus, porque o aceitamos como nosso Senhor e Salvador. Temos agora vida eterna(1João 5:11). É ou não é motivo de gratidão ao nosso Deus? Reconhecendo isso, devemos, pois, dar-lhes glórias e louvor por tão grande bênção.
O apóstolo Paulo, em Efésios 1:3-14, exteriorizou sua gratidão a Deus pela benção da salvação. Nestes versículos, o apóstolo ergue a voz num magnífico hino de louvor, atingindo talvez os mais elevados níveis de adoração do Novo Testamento. Aqui se percebe um coração que transborda de gratidão a Deus pelas bênçãos da salvação.
3. O esquecimento e a ingratidão de Israel. Deus tirara Israel do Egito com mão forte e poderosa. Realizara tantos milagres e providências em sua vida e o engrandecera aos olhos das nações. Mas, Israel em vez de agradar a Deus rebelou-se contra Ele. Por essa razão, os profetas condenaram-lhe a ingratidão e a deslealdade (Jr 16.10-12). Embora escolhido por Deus e, de livre e espontânea vontade, tenha aceitado viver conforme os preceitos provenientes do Senhor, Israel cedo fracassou neste seu propósito, tendo, a partir da primeira geração adulta do êxodo, aquela mesma que havia firmado o compromisso com o Senhor no monte Sinai, deixado de observar o pacto, endurecendo o seu coração continuadamente, ao longo da história, porquanto se mostrara um povo obstinado (Ex.32:9; Dt.9:6; Ez.3:7), e por causa dessa obstinação, Israel sofreu progressivas sanções da parte do Senhor, pois Deus corrige a quem ama e castiga a quem quer bem (Hb.12:5-12), numa escalada já prevista na lei de Moisés (Dt.28:15-68), escalada esta que foi rigorosamente cumprida por Deus que chegou a tirar o povo da própria Terra Prometida para Babilônia (2Cr.36:15-21), sem falar na integral destruição das dez tribos do Norte (Efraim, Manassés, Ruben, Gade, Issacar, Zebulom, Naftali, Aser, Simeão e Dã (cf. 2Rs.17).
No entanto, apesar de todos estes pecados, em Israel sempre houve um remanescente fiel, ou seja, pessoas que, ainda que anônimas e despidas de poder político, social ou econômico, serviam a Deus com sinceridade, cumprindo a sua Palavra. Isto nos mostra, também, que, embora Deus tivesse um compromisso com a nação de Israel, com a qual firmara um pacto (todo o povo o firmou, dizem as Escrituras – Ex.19:8), não devemos nos esquecer que a resposta que se deu ao chamado divino foi de cada indivíduo, tanto assim é que, embora a geração adulta do êxodo tenha perecido no deserto, isto não ocorreu com Josué e Calebe, que ingressaram na Terra Prometida, embora pertencessem àquela geração. E por quê? Por um simples motivo, porque creram em Deus e nas suas promessas, ao contrário do restante, que se manteve incrédulo (Nm.14:24; Dt.1:36,38; Hb.3:19). Este remanescente fiel, que sempre existiu em cada geração, é o que constitui o verdadeiro e genuíno Israel.
II. A ORAÇÃO E OS PROFETAS
1. A oração como fator decisivo no ministério profético. No Antigo Testamento, a oração era o elo entre o profeta e Deus. Várias são os exemplos de profetas, cujas orações foram decisivas para a mudança de determinadas situações, em sua maioria relacionada com a nação de Israel. Citarei para ilustrar este item a oração decisiva de Neemias, exarada em Neemias 1:1-11. Deste exemplo podemos aprender como a oração pode tornar-se um fator decisivo em nossa vida e na vida de um povo.
Neemias, cujo nome quer dizer “Jeová conforta”, copeiro do rei persa(Ne 1:11), Artaxerxes, era um homem religioso e devoto que passava muito tempo em oração e que também era muito leal às tradições de seu povo. No entanto, o seu fervoroso interesse pela situação de Jerusalém e o seu desejo de participar pessoalmente da restauração da cidade parecem ter ocorrido acidentalmente. Um grupo de peregrino de Jerusalém, liderado por um certo Hanani(Ne 1:2), que talvez fosse irmão de Neemias, trouxe tristes notícias sobre a situação da cidade: “Os restantes”, disseram, “estão em grande miséria e desprezo; e o muro... fendido, e as suas portas, queimadas a fogo”(Ne 1:3). Estas notícias trouxeram grande tristeza ao coração de Neemias e um sentido maior da sua própria responsabilidade de encontrar uma maneira pela qual ele pudesse levar alívio aos seus conterrâneos aflitos. Nesta ocasião, ele se punha diante de Deus e profere a oração descrita em Ne 1:4-11, que, certamente, mudaria a história de Israel - “... Tendo eu ouvido estas palavras, sentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e continuei a jejuar e orar perante o Deus do céu...” (Ne 1:4). Na oração que Neemias fez nesta ocasião, provavelmente proferida na intimidade de seu alojamento, temos uma idéia da sinceridade e da devoção desse homem de Deus.
Ao analisarmos a experiência da oração de Neemias chegamos a algumas conclusões que servem de lições práticas para nossa vida:
Em primeiro lugar, a oração deve proceder do conhecimento de uma necessidade especifica (Ne 1:1-4). Muitas de nossas orações são vagas, vazias. São apenas pedidos a Deus que abençoe a alguém ou a nós mesmos. Quando oramos por alguém geralmente não procuramos saber a real situação e necessidade da pessoa. Quando quisermos orar por alguém devemos entender que devemos nos concentrar numa luta por aquela pessoa. A oração é uma guerra. O relato de Hanani era um relato preocupante. E o conhecimento das condições daquelas pessoas leva Neemias a orar. Ele passa dias orando e jejuando. Ele não soltou apenas algumas palavras. Ele lutou em oração.
Em segundo lugar, a oração deve ser fruto de reverência a Deus (Ne 1:5). Neemias começa sua oração exaltando ao Senhor: “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível...”. Ele focaliza sua oração sobre a grandeza daquele de quem se aproxima. Ele está diante da majestade do Senhor, reconhece e declara isso. Quanto mais ele declara a grandeza do Senhor, menor se torna seu problema.
Em terceiro lugar, a oração deve ser fruto de um coração arrependido (Ne 1:6-7). Neemias reconhece que é um pecador. Ele não está ali para fazer nem uma exigência a Deus. Ele não diz que tem algum direito. Ele não está em uma posição de colocar Deus contra a parede. Ele se confessa um pecador.
Em quarto lugar, a oração deve se basear numa aliança com Deus (Ne 1:8-9). Muitas de nossas orações são ocasionais, descompromissadas. A oração de Neemias demonstra que ele conhecia as promessas do Senhor, ele conhecia a Palavra de Deus. Demonstra também como a Palavra controlava sua vida.
Em quinto lugar, a oração deve também louvar a Deus (Ne 1:10). Muitas pessoas oram, mas só pedem. Pedir é muito importante, mas não esqueça de agradecer a Deus, reconhecendo que ele tem agido na sua vida.
Em sexto lugar, a oração deve ser perseverante (Ne 1:11). Suas palavras finais neste texto revelam que ele seguirá orando. Na continuação do texto chegamos à conclusão que ele orou quatro meses até que a resposta viesse. Ele poderia orar uma ou duas vezes e depois deixar tudo como estava, mas ele continuou orando. Muitas vezes começamos a orar e depois não perseveramos, mas Jesus nos ensinou através da parábola do amigo importuno (Lc 11:5-8) que a oração deve ser perseverante.
2. O profeta Elias. Israel vivia, nos dias de Elias, uma verdadeira “apostasia nacional”, pois todo o país estava se enveredando pelo culto a Baal. O próprio Deus diria a Elias, pouco depois, que apenas sete mil pessoas não haviam dobrado seus joelhos a Baal nem o haviam beijado, um número bem diminuto frente a uma população que deveria ser bem maior (1Rs 19:18). Diante da apostasia reinante, Elias resolveu fazer um desafio ao povo de Israel: o Deus verdadeiro deveria responder com fogo a aceitação do sacrifício que Lhe fosse dado. No momento do desafio, os profetas de Baal e de Asera, num total de oitocentos e cinqüenta (1Rs.18:19), tentaram, durante toda a manhã, resposta de seus deuses para o sacrifício, sem resultado.
Elias, então, depois que havia deixado tempo suficiente para que Baal respondesse ao sacrifício, oferece o seu diante de Deus. Como Deus não é Deus de confusão (1Co 14:33), reparou o altar, que estava quebrado, bem como pôs água abundante para que não houvesse qualquer dúvida de que era Deus quem iria operar. Este cuidado do profeta é um exemplo a seguirmos na atualidade: a operação de Deus é algo de que devemos ter certeza e convicção. Por isso, nada deve ser feito sem a devida preparação espiritual, a devida santificação (o reparo do altar), como também tudo deve ser feito às claras diante do povo, com transparência, decência e ordem (1Co 14:40). Quantos altares desmantelados na atualidade têm buscado o “fogo divino” e, como Deus não opera em lugares assim, recorrem a subterfúgios, a astuciosos estratagemas para impressionar o povo. Entretanto, não nos iludamos, Deus não é Deus de confusão.
Mas, além de ter reparado o altar e não deixado margem a qualquer dúvida, Elias fez uma oração. Ele não “determinou” coisa alguma a Deus, pois sua “determinação” é a disposição firme de servir a Deus, não qualquer exigência que devesse ser feita, como muitos iludidos atrevem-se a fazer em os nossos dias. Elias fez uma oração, um pedido a Deus, reconhecendo a Sua soberania, o Seu senhorio. Relembrou ao povo, que o escutava, que Deus era o Deus do pacto feito com os patriarcas, o Deus que havia formado a nação de Israel e que ele, Elias, era tão somente um servo dEle. Mal acabou a oração, o Senhor consumiu tudo com o fogo e o povo não teve mais dúvida alguma: só o Senhor é Deus! (1Rs 18:36-39).
3. O profeta Eliseu. Eliseu foi o sucessor do profeta Elias. Mas, para ser o sucessor deste grande homem de Deus, Eliseu pediu para ser “sucessor legítimo”, isto é, pediu por uma porção dobrada do espírito de Elias – “... E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim”(2Rs 2:9). De acordo com o costume da época, o filho primogênito recebia uma porção dobrada da herança do pai(vide Dt 21:17). Eliseu pedia para ser o sucessor de Elias, ou seu herdeiro, aquele que poderia continuar o trabalho daquele homem de Deus como líder dos profetas. Mas a decisão de conceder aquele pedido pertencia ao Senhor. Elias somente lhe disse como poderia saber se seu desejo fora concedido.
Deus atendeu ao pedido de Eliseu porque os seus motivos eram puros. Seu principal objetivo não era ser melhor ou mais poderoso que Elias, mas realizar mais para o Senhor. Se nossos motivos forem honestos, não precisamos ter medo de pedir grandes coisas a Deus. Quando pedimos ao Senhor grande poder ou capacidade, é necessário que examinemos nossos desejos e livremo-nos de qualquer egoísmo que encontramos. Se desejarmos obter a ajuda do Espírito Santo, devemos estar prontos para pedir isso.
“Tanto Elias como Eliseu concentraram seus esforços nas necessidades específicas do povo que estava ao seu redor. O impetuoso Elias confrontou e expôs a idolatria, ajudando a criar uma atmosfera onde o povo pudesse adorar a Deus livre e publicamente. Eliseu então agiu com a finalidade de demonstrar a poderosa natureza de Deus, ainda que cuidadosa, para todos aqueles que vieram a Ele em busca de ajuda. Ele passou mais tempo cuidando compassivamente do povo do que em conflitos contra o mal. A Bíblia registra 18 encontros entre Eliseu e as pessoas necessitadas. Eliseu teve uma visão mais ampla e de maior alcance na vida do que a maioria das pessoas, porque reconheceu que em Deus havia mais bênçãos a favor da vida. Ele sabia que tudo o que somos e temos vem de Deus. Os milagres que aconteceram durante o ministério de Eliseu colocaram as pessoas em contato com o Deus pessoal e Todo-poderoso. Elias teria se orgulhado do trabalho de seu substituto”(Bíblia de Estudo Pentecostal).
O ministério de Eliseu durou mais de 50 anos e teve um grande impacto sobre quatro nações: Israel, Judá, Moabe e Síria. Foi um homem íntegro que não tentou enriquecer-se à custa dos outros. Sua vida de oração permitiu que tivesse uma profunda e ampla visão do mundo, algo que só os que estão em plena comunhão com Deus podem usufruir (2Rs 6:8-23).
III. OS LIVROS POÉTICOS E A ORAÇÃO
1. Jó.
O livro de Jó apresenta uma estrutura singular. Inicia-se a narrativa com a apresentação do patriarca, desde seu caráter até seu patrimônio e família. Em seguida, é apresentado o próprio testemunho de Deus a respeito dele, feito ao adversário que, enigmaticamente, é visto prestando contas ao Senhor. Ante este testemunho, há um desafio feito pelo inimigo, aceito por Deus. Começa, então, a provação de Jó, que, sem causa, perde seu patrimônio e seus filhos, mas, mesmo assim, retém sua sinceridade.
Há novo diálogo entre o Senhor e o adversário, que resulta na permissão de retirada da saúde do patriarca, que, assim, é acometido de terrível enfermidade.
Segue-se, então, a parte poética do livro, composto de discursos entre Jó e seus quatro "amigos", que vêm à presença do patriarca com o intuito de fazê-lo confessar seus pecados, pois, para eles, Deus somente castiga o pecador, jamais permitindo que o justo venha a sofrer, numa indicação clara que a chamada "teologia da prosperidade", tão em voga nos nossos dias, tem sua origem desde os primórdios da história da humanidade.
Após o debate entre Jó e seus três "amigos", surge na discussão o jovem e também enigmático Eliú, ao qual Jó não responde, cujo discurso procura demonstrar, sobretudo, a soberania de Deus.
Em seguida, ingressa-se na parte final da discussão, com o diálogo entre Jó e Deus, onde o Senhor afirma a justiça de Seu ato de provação a Deus e a Sua soberania para fazê-lo.
No final, Jó é restaurado, enquanto orava pelos seus amigos, recebendo em dobro tudo quanto antes possuía e, ainda, vivendo mais 120 anos após sua restauração.
Em Jó, temos a certeza de que a integridade e sinceridade no servir a Deus não depende das circunstâncias que cercam o homem na sua vida terrena, bem como de que Deus está, sempre, no controle de todas as coisas, de forma que não podemos, de forma alguma, pelas aparências julgarmos a espiritualidade de alguém. Antes, pelos resultados de seus atos é que poderemos tirar alguma conclusão a respeito.
2. Salmos. Os Salmos são uma coletânea de hinos e poemas que foram reunidos, na sua atual estrutura, após o cativeiro da Babilônia, muito provavelmente por Esdras ou no seu tempo.
Uma prova de que os Salmos são uma coletânea é o fato de terem vários autores. Nem todos os salmos têm a autoria indicada, mas boa parte deles indica quem é seu autor. São 101 os salmos que têm indicação de autor. A maior parte dos salmos é atribuída a Davi, num total de 74. Depois de Davi, o maior número de salmos é atribuído a Asafe e a seus cantores, num total de 12(Sl 50, 73-83) bem como aos filhos de Coré, num total de 11(Sl 42-49, 84 e 87). Um é atribuído a Moisés(Sl 90), outro a Hemã(Sl 88), outro, ainda, a Etã (Sl 89) e dois a Salomão(Sl 72 e 127). Quarenta e oito salmos não têm indicação de autoria.
A temática dos Salmos diz respeito ao relacionamento do homem para com Deus. Se no livro de Provérbios, a ênfase do autor é dar conselhos práticos para que o homem possa conviver com seus semelhantes de maneira que agrade a Deus, nos Salmos há a preocupação de expressar toda a riqueza sentimental e emocional do relacionamento entre o homem e o seu Deus. É esta busca de expressão sentimental-emocional-afetiva do relacionamento entre Deus e o homem que torna os Salmos um dos pontos altos das Escrituras e que os tornaram tão populares e tão apreciados em todo o mundo, independentemente de credo, cultura ou época.
3. A experiência de Asafe. O salmista Asafe dizia não desejar ninguém senão a Deus (Sl.73:25). Ele, que quase havia se desviado dos caminhos do Senhor por ter deixado de buscar a presença do Senhor onde Ele estava, isto é, no santuário, agora admitia que não deveria desejar nada mais do que a Deus, tanto no céu quanto na terra. Este desejo de ter a Deus e a mais ninguém é que o levava a se aproximar de Deus e achar isto bom (Sl 73:28).
Não se busca a Deus se não se sentir atraído por Deus, se não se deixar atrair pelo Senhor, ou seja, se não tiver amor a Deus. O amor a Deus é o único elemento a impulsionar o cristão a ir ao encontro do Senhor. Esta busca de Deus é que constrói a comunhão com o Pai e com o Filho, que estabelece a disciplina da vida com Deus.
CONCLUSÃO
Que as orações impetradas pelos grandes personagens de Deus no Antigo Testamento nos estimulem cada dia mais a desempenhar tão sublime função, pois é através dela que o crente aprimora seu relacionamento com Deus e absorve o caráter de Cristo em sua vida. A oração e o estudo da Palavra de Deus de forma devocional e contínua produzirá no crente firmeza inabalável diante de qualquer vendaval de tribulações e de vorazes doutrinas ludibriadores e antibíblicas.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
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Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de Estudo das Profecias. O novo dicionário da Bíblia. Revista Ensinador Cristão – CPAD nº 44. Guia do leitor da Bíblia. A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck. Comentário Bíblico Beacon – CPAD. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Através da Bíblia – Lucas – John Vernon McGee.