1º Trimestre de 2026
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 09
Texto base: Joao 3:1-8
“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te
digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João
3:3).
João 3:
1.E
havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2.Este
foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo
de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for
com ele.
3.Jesus
respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer
de novo não pode ver o Reino de Deus.
4.Disse-lhe
Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a
entrar no ventre de sua mãe e nascer?
5.Jesus
respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e
do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
6.O
que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7.Não
te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8.O
vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para
onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
INTRODUÇÃO
Dando
prosseguimento ao estudo da Santíssima Trindade, esta Lição destaca uma das
obras mais profundas e indispensáveis do Espírito Santo: a Regeneração. Trata-se do ato soberano
e sobrenatural pelo qual Deus transforma o pecador espiritualmente morto em uma
nova criatura em Cristo, mediante o sacrifício redentor de Jesus na cruz do
Calvário (2Co.5:17).
A
regeneração é uma obra exclusiva do
Espírito Santo no processo da salvação. Por meio dela, o ser humano é
gerado espiritualmente por Deus, tornando-se Seu filho por adoção e
participante da natureza divina (João 1:12; 2Pd.1:4). Não se trata de uma
reforma moral, nem de uma mudança exterior de comportamento, mas de uma
transformação interior, profunda e espiritual, operada no coração do pecador.
Essa
experiência é absolutamente necessária para a entrada no Reino de Deus,
conforme ensinou o próprio Jesus: “Quem não nascer de novo não pode ver o Reino
de Deus” (João 3:3). Na regeneração, Deus concede ao crente um novo coração e um novo espírito
(Ez.36:26), restaurando sua comunhão com o Criador e garantindo-lhe a esperança
da vida eterna.
Nesta
Lição, estudaremos a regeneração como uma obra trinitária — planejada pelo Pai, fundamentada na obra do
Filho e aplicada eficazmente pelo Espírito Santo —, sua natureza espiritual e
os sinais visíveis dessa nova vida na experiência diária do crente. Assim,
compreenderemos que a regeneração é o ponto de partida da vida cristã autêntica
e da caminhada em santidade diante de Deus.
I – REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA
1. A doutrina bíblica da Regeneração
Jesus
declarou de forma categórica: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o
Reino de Deus” (João 3:3). A expressão “nascer de novo” traduz o verbo grego gennēthē
(gerar, nascer) unido ao advérbio anōthen, que pode significar “do alto”, “de
cima” ou “novamente”. O sentido principal no contexto é um nascimento que
procede de Deus, não um mero recomeço moral ou religioso. Assim, a regeneração
não é reforma do velho homem, mas uma nova origem espiritual, concedida por
Deus.
Veja
alguns pontos complementares:
a) A natureza
espiritual da regeneração. No diálogo com Nicodemos, Jesus esclarece que esse
nascimento não é físico: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido
do Espírito é espírito” (João 3:6). Portanto, a regeneração:
- Não ocorre por
linhagem natural ou esforço humano (João 1:12,13);
- Não é
ritualística ou externa;
- É uma obra
sobrenatural do Espírito Santo, que concede vida espiritual a quem estava
morto em delitos e pecados (Efésios 2:1).
b) A regeneração como
obra do Espírito Santo. O apóstolo Paulo afirma que Deus nos salvou: “pela lavagem
da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5b). A palavra grega “palingenesia”
(regeneração) significa literalmente “novo nascimento” ou “novo começo”. Ela
descreve a ação soberana do Espírito Santo que:
- Lava o pecador da
culpa do pecado;
- Renova
interiormente sua natureza;
- Produz vida onde
antes havia morte espiritual.
Essa
obra não é gradual no seu início, mas instantânea, ocorrendo no momento da
conversão genuína.
c) O resultado da
regeneração na vida do crente. A regeneração produz uma transformação real e
visível: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17). Entre os frutos dessa
nova vida estão:
- Um novo coração e
novas inclinações espirituais (Ez.36:26);
- Desejo de
obedecer a Deus;
- Capacidade de
compreender as coisas espirituais (1Co.2:14);
- Início de uma
vida de santificação progressiva.
d) A necessidade
absoluta da regeneração. A regeneração não é opcional, mas essencial para a
salvação. Sem ela:
- Não se entra no
Reino de Deus (João 3:5);
- Não há comunhão
verdadeira com Deus;
- Não existe vida
espiritual genuína.
Por
isso, a doutrina da regeneração ocupa lugar central na soteriologia bíblica,
revelando que a salvação é, do início ao fim, uma obra da graça divina operada
pelo Espírito Santo.
|
Síntese do item – “A doutrina
bíblica da Regeneração” A
Regeneração é a obra sobrenatural do Espírito Santo pela qual o pecador
recebe uma nova vida espiritual. Jesus ensinou que esse processo é descrito
como “nascer de novo” ou “nascer do alto” (João 3:3,5), indicando uma origem
divina, e não humana. Trata-se de um renascimento espiritual, necessário para
entrar no Reino de Deus. Paulo
confirma essa verdade ao afirmar que a salvação ocorre “pela lavagem da
regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5), destacando que essa
transformação é interior e espiritual. Na Regeneração, o indivíduo torna-se
uma nova criatura em Cristo (2Coríntios 5:17), passando da morte espiritual
para a vida, resultado direto da ação graciosa de Deus e inseparável da
conversão genuína. Aplicação prática
👉 Em
suma, a Regeneração não é uma melhoria moral, mas uma nova criação
espiritual que transforma o coração, redefine a identidade do crente e
fundamenta toda a vida cristã autêntica. |
2. A Regeneração como exigência de Jesus
O
Novo Nascimento é a mais importante e a mais urgente necessidade da vida de um
ser humano.
- Você pode ser uma
pessoa rica, culta, respeitável e religiosa como Nicodemos, mas, se não
nascer de novo, estará perdido.
- Você pode ser uma
pessoa zelosa, conservadora e observadora dos preceitos religiosos como
Nicodemos, mas, se não nascer de novo, não haverá esperança para sua alma.
- Você pode
praticar muitas boas obras, dar esmolas, ter uma vida bonita e até fazer
orações que são ouvidas no céu como Cornélio fazia, mas, se não nascer de
novo, não poderá entrar no reio de Deus.
Por que o ser humano precisa ser regenerado? Segundo o Rev.
Hernandes Dias Lopes (adaptado do Livro: “João, as glórias do Filho de Deus”):
a) Porque a inclinação
do seu coração é contra Deus. A inclinação da carne do ser humano é
inimizade contra Deus. Sua natureza é pecaminosa e totalmente caída. Os maus
desígnios vêm do seu coração, mas não o desejo de ser salvo. O ser humano não
pode mudar a si mesmo. Ele está cego para as coisas de Deus, insensível como um
morto à voz do Espírito Santo. Se a pessoa for deixada à própria sorte,
perecerá. Da mesma forma que um ser humano jamais é o autor da sua existência,
assim também nenhum ser humano pode dar vida à própria alma. Sem o Novo
Nascimento, ninguém pode chegar ao Céu. Você pode entrar no Céu sem dinheiro,
sem fama, sem cultura e até sem religião, mas jamais sem o Novo Nascimento.
b) Porque sem o Novo
Nascimento ninguém pode ver o Reino de Deus nem pode entrar nesse Reino (Joao
3:3,5).
Para entrar no Reino de Deus é necessário o toque regenerador do Espírito
Santo. Não se entra no Reino de Deus apenas fazendo boas obras. Se Nicodemos,
com seus conhecimentos, talentos, entendimento, posição e integridade, não
podia entrar no Reino prometido em virtude de sua posição e obras, que
esperança há para alguém que procura salvação por essas vias? Mesmo para um
Nicodemos deve haver uma transformação radical, a geração de uma nova vida. Não
se trata do conserto de uma parte, mas da renovação de toda a natureza.
c) Porque uma fé intelectual
ou emocional é insuficiente para pessoa entrar no Reino de Deus. Muitos foram
atraídos a Jesus com uma fé apenas intelectual ou emocional ao observarem seus
prodígios. Nicodemos também ficou impressionado com os sinais que Jesus fazia.
Isso o levou a reconhecer que Jesus era vindo de Deus e que Deus estava com
Ele. Mas essa fé não é suficiente para salvar sua alma. Crer em milagres não é
o bastante para levar você para o Céu. Quando Nicodemos se aproximou de Jesus
tecendo-lhe os mais altos elogios, Jesus desviou o assunto para a necessidade
urgente de Nicodemos nascer de novo. Jesus não estava interessado em discutir
seus milagres, que tinham como resultado apenas uma fé superficial. Pelo
contrário, Ele foi direto ao ponto culminante, mostrando a Nicodemos a
necessidade da transformação de seu coração por intermédio do Novo Nascimento.
d) Porque o Novo
Nascimento é uma ordem expressa de Jesus (João 3:7). Jesus é categórico:
“Necessário vos é nascer de novo”. Lá no Céu, a pessoa não entrará por ser membro
da Assembleia de Deus, presbiteriano, batista ou católico. Lá no Céu, só
entrarão aqueles que nasceram de novo, aqueles que foram remidos e lavados no
sangue do Cordeiro.
-Sem
o Novo Nascimento, a vida é vã, a esperança é vã e a religião é vã.
-Sem
o Novo Nascimento, Deus estará contra a pessoa no dia do juízo.
-Sem
o Novo Nascimento, a Palavra de Deus condenará a pessoa no Dia final.
-Sem
o Novo Nascimento, o Céu estará de portas fechadas para aqueles que rejeitarem
essa importante decisão.
Jesus
disse que, se alguém não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus (Joao
3:3). Jesus é enfático: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). Pelo
nascimento natural, as pessoas tornam-se membros de uma família terrena; para
que elas se tornem membros da família de Deus, para receberem a natureza
espiritual, que é o único meio de ser admitido em seu reino, faz-se necessário
um nascimento "do alto”, do Espírito Santo.
Portanto,
Sem a regeneração, a vida espiritual permanece morta, a esperança é ilusória e
o destino eterno está comprometido.
|
Síntese do item –
“A Regeneração como Exigência de Jesus” Jesus apresenta o Novo Nascimento como uma exigência absoluta,
inegociável e universal para a entrada no Reino de Deus (João 3:3,5,7). Não
se trata de melhoria moral, reforma religiosa ou mérito humano, mas de uma
obra espiritual realizada pelo Espírito Santo. A experiência de Nicodemos demonstra que posição social, cultura,
religiosidade e boas obras não substituem a regeneração. Mesmo pessoas
sinceras, piedosas e admiradas, como Nicodemos e Cornélio (Atos 10),
necessitam nascer de novo para serem reconciliadas com Deus. Sem a regeneração, a vida espiritual permanece morta, a esperança é
ilusória e o destino eterno está comprometido. Por isso, Jesus afirma com
autoridade divina: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). Aplicação Prática
👉 Conclusão prática: O Novo Nascimento não é opcional, nem simbólico — é essencial.
Aceitar essa verdade e responder ao chamado de Cristo é a decisão mais
importante da vida, pois dela depende nossa comunhão com Deus hoje e nossa
eternidade com Ele amanhã. |
3. O Pai como o autor da salvação
Podemos
compreender este item destacando, de forma didática, o papel soberano e amoroso
do Pai na obra da regeneração. Vejamos, então:
a) A salvação nasce no
plano eterno do Pai. A regeneração não é um evento improvisado,
mas faz parte do decreto eterno de Deus. Paulo afirma que fomos escolhidos
“antes da fundação do mundo” e predestinados “para adoção de filhos” (Efésios
1:4,5). Isso revela que o Pai é o iniciador da salvação, planejando-a
soberanamente antes mesmo da existência humana. A nova vida em Cristo tem
origem no propósito eterno do Pai.
b) O amor do Pai como
motivação da redenção. O plano salvífico do Pai é movido por amor, não por
necessidade ou mérito humano. João declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). A iniciativa da salvação parte do
coração amoroso do Pai, que deseja reconciliar consigo os pecadores. Esse amor
é gratuito, gracioso e redentor.
c) A graça soberana
acima dos méritos humanos. A regeneração não é resultado da vontade humana, esforço
religioso ou linhagem natural. João ensina que os filhos de Deus “não nasceram
do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (João
1:13). Paulo reforça que a salvação é “pela graça, mediante a fé”, e não por
obras (Efésios 2:8,9). Assim, o Pai é exaltado como o autor da salvação, e toda
a glória pertence a Ele.
d) O Pai como a fonte
da nova vida. Tiago
afirma que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tiago 1:17) e que
Deus “nos gerou pela palavra da verdade” (Tiago 1:18). A regeneração é descrita
como um novo nascimento concedido pelo Pai, que gera espiritualmente o pecador
para uma nova vida em Cristo. Ele não apenas planeja a salvação, mas concede a
vida espiritual que dela resulta.
e) Implicações
teológicas e espirituais. Reconhecer o Pai como o autor da salvação preserva a
doutrina da graça e evita qualquer forma de vanglória humana. A regeneração é
um ato soberano de Deus, que exalta Sua bondade, justiça e misericórdia. Essa
compreensão fortalece a fé do crente, trazendo segurança, gratidão e reverência
diante de Deus.
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Síntese do item – “O
Pai como o Autor da Salvação” O
Pai é a fonte, o iniciador e o autor da regeneração. Seu plano eterno, Seu
amor gracioso e Sua vontade soberana dão origem à nova vida em Cristo. A
salvação começa em Deus, é realizada por Deus e resulta na glória de Deus. Aplicação Prática Essa
verdade nos conduz à humildade, à gratidão e à confiança.
👉
Em resumo:
reconhecer o Pai como o autor da salvação nos conduz a uma vida marcada por
humildade, gratidão, segurança espiritual e compromisso com o Reino de Deus. |
4. O Espírito como Agente da Regeneração
A
Regeneração não nasce da iniciativa humana, mas da misericórdia soberana de
Deus: “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua
misericórdia, nos salvou, mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito
Santo” (Tt.3:5). O pecador, morto espiritualmente, é incapaz de gerar em si
mesmo a nova vida; por isso, a ação regeneradora depende exclusivamente da
graça divina operada pelo Espírito.
Veja
alguns pontos correlatos ao item:
a) A atuação
trinitária na Regeneração. A Bíblia apresenta a Regeneração como uma obra plenamente
trinitária:
- O Pai a planejou
na eternidade (Ef.1:4);
- O Filho a tornou
possível por meio de sua obra redentora (Ef.1:7);
- O Espírito Santo
a aplica de modo eficaz no coração do pecador (João 16:8).
Assim,
o Espírito não age isoladamente, mas em perfeita harmonia com o plano do Pai e
a obra consumada do Filho.
b) O novo nascimento
operado pelo Espírito. Jesus foi claro ao afirmar: “O que é nascido da carne é
carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). Essa declaração
mostra que a regeneração é uma obra espiritual, não física nem moral. Trata-se
de uma nova origem, um nascimento “do alto”, no qual o Espírito Santo comunica
vida espiritual àquele que estava morto em seus delitos e pecados (Ef.2:1).
c) Transformação
interior e mudança visível. Onde o Espírito opera a regeneração, há
transformação real. Essa mudança interior se manifesta exteriormente por meio
de uma nova conduta e de novos desejos espirituais. Paulo ensina que o fruto do
Espírito evidencia essa nova vida (Gl.5:22). O regenerado passa a demonstrar
amor, alegria, paz, domínio próprio e outras virtudes que refletem a obra
contínua do Espírito em seu interior.
d) A Regeneração como
início de uma nova vida em Cristo. A ação regeneradora do Espírito não é apenas
um evento pontual, mas o início de uma caminhada cristã. A partir do novo
nascimento, o Espírito passa a habitar no crente, guiando-o, santificando-o e
capacitando-o para viver segundo a vontade de Deus (Rm.8:10,14). A regeneração
é, portanto, a porta de entrada para a vida cristã autêntica.
Enfim, o Espírito Santo é o Agente eficaz da
Regeneração. Ele convence do pecado, gera a nova vida espiritual e inicia no
crente um processo contínuo de transformação. Essa obra gloriosa confirma que a
salvação é inteiramente pela graça e que a regeneração é um milagre espiritual
realizado pelo próprio Deus no coração humano.
|
Síntese do item – “O
Espírito como Agente da Regeneração” A
Regeneração é uma obra essencialmente divina, realizada no coração do pecador
pelo Espírito Santo. Embora seja planejada pelo Pai e tornada possível pela
obra redentora do Filho, é o Espírito quem aplica eficazmente essa salvação,
produzindo o novo nascimento (João 3:6). Trata-se de um ato sobrenatural da
graça de Deus, no qual o Espírito convence do pecado, gera vida espiritual e transforma
a natureza interior do ser humano (João 16:8). Essa nova vida se evidencia
por uma mudança real e contínua, manifestada no Fruto do Espírito (Gálatas
5:22), confirmando que houve, de fato, uma transformação espiritual operada
por Deus. Aplicação Prática
👉
Em suma, a
regeneração nos chama a uma vida de gratidão, santidade e testemunho, vivendo
como novas criaturas que refletem a obra viva e contínua do Espírito Santo em
nós. |
II – A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENRAÇÃO
1. Uma transformação interior
Nicodemos,
embora fosse mestre em Israel, revelou uma compreensão limitada ao plano
natural quando perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (João 3:4).
Sua dificuldade ilustra a verdade bíblica de que o homem natural não compreende
as coisas espirituais: “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de
Deus” (1Co.2:14). A mente não regenerada está condicionada à lógica humana e
incapaz de discernir a obra sobrenatural de Deus.
Veja o
desdobramento deste item:
a) A insuficiência da
religiosidade e do mérito humano. Nicodemos representava o melhor da religião
judaica: zelo, conhecimento da Lei e boa reputação. Contudo, Jesus mostrou que
nada disso é suficiente para entrar no Reino de Deus. Paulo afirma que Israel
buscava estabelecer a própria justiça, ignorando a justiça que vem de Deus
(Rm.10:3). A regeneração não é resultado de esforço moral, tradição religiosa
ou boas obras, mas da intervenção soberana de Deus no interior do homem.
b) O Novo Nascimento
como obra do Espírito. Jesus esclarece que o novo nascimento não é físico, mas
espiritual: “quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de
Deus” (João 3:5). Trata-se de uma obra realizada pelo Espírito Santo no mais
profundo do ser humano, promovendo vida onde havia morte espiritual (Ef.2:1).
Não é uma reforma exterior, mas uma recriação interior.
c) Uma transformação
de dentro para fora. A
regeneração não consiste em um mero ajuste de comportamento, mas em uma mudança
radical da natureza espiritual do homem. Deus não melhora o velho homem; Ele
gera uma nova vida (2Co.5:17). Essa transformação interior resulta em uma nova
disposição para Deus, novos desejos e uma nova orientação de vida, evidenciando
que a salvação é, essencialmente, uma obra do Espírito Santo.
Síntese do item – “Uma transformação interior”
A regeneração é uma transformação
espiritual profunda e interior, realizada exclusivamente pelo Espírito Santo.
Ela não depende de religiosidade, méritos ou obras humanas, mas da ação
soberana de Deus que concede nova vida ao pecador. O novo nascimento é
indispensável para ver e entrar no Reino de Deus. Aplicação prática
Este ensino nos leva a examinar se nossa
fé está fundamentada apenas em práticas religiosas ou em uma verdadeira
experiência de novo nascimento. Devemos depender totalmente da graça de Deus
e permitir que o Espírito Santo transforme nosso interior diariamente. Além
disso, somos chamados a anunciar que o Evangelho não é um convite à melhoria
moral, mas à regeneração espiritual que só Cristo pode conceder. |
2. Uma obra soberana do Espírito Santo
Jesus
afirma de forma categórica: “Aquele que não nascer da água e do Espírito não
pode entrar no Reino de Deus” (João 3:5). A expressão “água” está associada à
purificação espiritual prometida por Deus (Ez.36:25-27; Ef.5:26), enquanto
“Espírito” aponta para a ação regeneradora e vivificadora do Espírito Santo.
Não se trata de um rito externo, mas de uma obra interior que limpa o pecado e
gera nova vida espiritual. Essa transformação é indispensável para a comunhão
com Deus.
Veja
alguns pontos correlatos ao item:
a) A incapacidade da
carne e a suficiência do Espírito. Jesus esclarece: “O que é nascido da carne é
carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). A natureza humana
caída é incapaz de produzir vida espiritual por si mesma (Rm.8:7,8). Nenhum
esforço moral, religioso ou intelectual pode gerar regeneração. Somente o
Espírito Santo pode realizar essa obra, pois Ele é quem comunica a vida divina
ao pecador morto espiritualmente (Ef.2:1).
b) A soberania do
Espírito na regeneração. Ao comparar o Espírito ao vento, Jesus declara: “O vento
assopra onde quer” (João 3:8). Essa metáfora ensina que a atuação do Espírito é
soberana, livre e independente da vontade humana. Assim como o vento não pode
ser controlado, o Espírito Santo age conforme a vontade de Deus, realizando a
regeneração no tempo e na forma determinados por Ele (1Co.2:11,12). O novo
nascimento é, portanto, um ato da graça soberana de Deus.
c) O resultado visível
da obra regeneradora. Embora a regeneração seja uma obra interior e invisível,
seus efeitos tornam-se evidentes na vida do crente. Paulo afirma: “Se alguém
está em Cristo, é nova criatura” (2Co.5:17). O regenerado recebe um novo
coração e um novo espírito (Ez.36:26,27), passando a viver segundo essa nova
natureza espiritual, manifestando frutos que evidenciam a atuação contínua do Espírito
Santo em sua vida.
Em suma, a regeneração é uma obra
soberana, espiritual e eficaz do Espírito Santo, que purifica o pecador do
pecado, concede nova vida espiritual e o capacita a viver segundo a vontade de
Deus. Ela não é produzida pela carne, nem controlada por esforços humanos, mas
realizada exclusivamente pela graça divina.
|
Síntese do item – “Uma Obra soberana do
Espírito Santo” A Regeneração é uma obra soberana e
exclusiva do Espírito Santo, indispensável para a entrada no Reino de Deus
(João 3:5). Jesus ensina que nascer “da água e do Espírito” significa ser
purificado do pecado e interiormente renovado, algo que a natureza humana (“a
carne”) é incapaz de produzir. Assim como o vento sopra livremente, o
Espírito age segundo a sua vontade soberana (João 3:8), realizando uma
transformação profunda no coração do pecador. Essa obra resulta em uma nova
criação em Cristo (2Co.5:17), na qual o crente recebe um novo coração e passa
a viver segundo a nova natureza espiritual concedida por Deus (Ez.36:26,27). Aplicação prática 1.
Reconhecer nossa total dependência do
Espírito Santo. A salvação não
é fruto de esforço humano, mérito ou religiosidade, mas da ação soberana do
Espírito. Isso nos conduz à humildade e à gratidão diante de Deus. 2.
Viver coerentemente com a nova natureza
recebida. Quem foi
regenerado deve demonstrar essa nova vida por meio de atitudes transformadas,
abandono do pecado e compromisso com a santidade (Gl.5:16). 3.
Buscar sensibilidade espiritual e
submissão à vontade de Deus. Assim como o Espírito age soberanamente, o crente é chamado a andar
em obediência, permitindo que Ele governe pensamentos, decisões e
comportamentos. 4.
Anunciar a necessidade do novo nascimento. A Igreja deve proclamar com clareza que
não há Reino de Deus sem regeneração, chamando pecadores ao arrependimento e
à fé em Cristo. 👉 Em suma: a regeneração
nos lembra que a vida cristã começa com um milagre divino e deve ser vivida
diariamente na dependência do Espírito Santo, que nos transforma de dentro
para fora. |
3. Uma nova vida e nova conduta
Jesus
estabelece uma distinção fundamental: “O que é nascido da carne é carne, e o
que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). A “carne”, no sentido
bíblico, representa a natureza humana caída, dominada pelo pecado e incapaz de
produzir vida espiritual (Rm.8:7,8). Nenhum esforço moral, religioso ou
intelectual pode gerar comunhão com Deus. Somente o Espírito Santo pode
produzir vida espiritual verdadeira (1Co.2:14).
Veja
alguns pontos complementares:
a) Os frutos da carne
versus o fruto do Espírito. A Escritura mostra que a carne produz obras
que evidenciam a velha natureza: “As obras da carne são manifestas…”
(Gl.5:19-21). Essas obras revelam escravidão espiritual e separação de Deus. Em
contraste, aquele que nasce do Espírito passa a manifestar uma nova realidade
interior: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz…” (Gl.5:22). A
regeneração não apenas perdoa o pecado, mas implanta uma nova fonte de vida que
passa a produzir frutos espirituais visíveis.
b) Uma nova condição
espiritual. Paulo
ensina que os que vivem segundo a carne se inclinam para as coisas da carne,
mas os que vivem segundo o Espírito se inclinam para as coisas do Espírito
(Rm.8:5). O novo nascimento muda a posição espiritual do crente: ele deixa de
estar “em Adão” e passa a estar “em Cristo” (2Co.5:17). Essa nova condição
implica uma nova identidade: o regenerado não é apenas alguém que mudou de
comportamento, mas alguém que recebeu uma nova natureza espiritual.
c) Renovação da mente
e transformação contínua. A nova vida em Cristo exige uma renovação constante da
mente: “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento” (Ef.4:23). A
regeneração inicia uma transformação interior que se reflete na maneira de
pensar, decidir e agir. O Espírito Santo passa a orientar os valores, desejos e
escolhas do crente, conduzindo-o a uma vida que glorifica a Deus (Rm.12:2).
d) Evidências práticas
da regeneração genuína. A nova vida gerada pelo Espírito se manifesta em atitudes
concretas:
- Prática da
justiça (Rm.6:4);
- Amor fraternal
(1João 3:14);
- Desejo pela
Palavra de Deus (1Pe.2:2);
- Obediência a
Cristo (1João 2:3-5).
Essas
evidências não são a causa da regeneração, mas o seu resultado natural. Onde há
novo nascimento, há nova conduta.
Em suma, a regeneração produz uma nova vida
interior, que inevitavelmente se expressa em uma nova maneira de viver. O que
nasce da carne permanece preso ao pecado; o que nasce do Espírito vive para
Deus. Assim, a verdadeira fé cristã não se resume a uma confissão verbal, mas
se evidencia em uma vida transformada pelo poder do Espírito Santo.
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Síntese do item – “Uma nova vida e uma
nova conduta” A regeneração produz uma nova vida
espiritual, totalmente distinta da antiga condição dominada pela carne. Jesus
ensina que a carne não pode gerar vida espiritual (João 3:6); ela permanece
sujeita ao pecado e às obras da natureza caída (Gl.5:19–21; Rm.8:5). Somente
o Espírito Santo gera vida nova, manifestada por frutos espirituais
(Gl.5:22). O crente regenerado passa por uma
renovação interior, recebendo uma nova mentalidade e uma nova disposição para
viver segundo Deus (Ef.4:23). Essa nova vida se evidencia em uma nova
conduta, marcada pela prática da justiça, pelo amor fraternal, pelo desejo
pela Palavra de Deus e pela obediência a Cristo (Rm.6:4; 1Jo.3:9). Assim, a
regeneração não é apenas uma mudança de posição diante de Deus, mas uma
transformação que se reflete no viver diário. Aplicação prática 1.
Examine sua vida espiritual – A regeneração verdadeira se manifesta
em frutos visíveis. Pergunte-se: minha vida revela uma nova mentalidade e
novos desejos espirituais? 2.
Abandone as obras da carne – O cristão regenerado não vive mais sob
o domínio do pecado, mas busca mortificar diariamente a velha natureza (Gl.5:16). 3.
Cultive os frutos do Espírito – Amor, alegria, paz, longanimidade e
domínio próprio devem crescer continuamente na vida do salvo (Gl.5:22,23). 4.
Viva em obediência prática – A nova vida em Cristo se expressa em
atitudes concretas: justiça, santidade, comunhão e fidelidade à Palavra. 5.
Testemunhe essa nova vida – Uma conduta transformada glorifica a
Deus e serve como testemunho vivo do poder regenerador do Espírito Santo. 👉 Em resumo: quem nasceu do
Espírito vive de modo diferente, porque recebeu uma nova vida que se reflete
em uma nova conduta para a glória de Deus. |
III – SINAIS DO NOVO NASCIMENTO
1. A justificação pela fé
A
justificação é um ato jurídico e
gracioso de Deus pelo qual o pecador arrependido é declarado justo
diante d’Ele, não por obras ou méritos pessoais, mas exclusivamente pela obra
redentora de Cristo (Rm.3:24,28). O verbo “justificar” (gr. dikaióō)
significa “declarar justo”, e não “tornar justo” por esforço humano. Assim, a
justificação muda a posição legal
do pecador diante de Deus - “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são
perdoadas, e cujos pecados são cobertos” (Rm.4:7,8).
Veja
alguns pontos correlatos ao item:
a) A base da
justificação: a obra de Cristo. A justificação tem como fundamento exclusivo o
sacrifício expiatório de Jesus no Calvário. Foi ali que Cristo satisfez
plenamente a justiça divina, pagando o preço do pecado (Is.53:5; Rm.5:9). Por
isso, Deus é justo ao justificar o pecador que crê (Rm.3:26). Não há
contradição entre a justiça e a graça; ambas se encontram na cruz.
b) O meio da
justificação: a fé. A
Escritura é enfática ao afirmar que a justificação é recebida somente pela
fé, e não pelas obras da Lei:
Ø “Concluímos, pois, que
o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm.3:28).
Ø “Sabendo que o homem
não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl.2:16).
A
fé, portanto, não é mérito humano, mas o instrumento pelo qual o pecador se
apropria da graça de Deus revelada em Cristo (Rm.3:22).
c) A atuação do
Espírito Santo na justificação. A justificação não ocorre isoladamente da obra
do Espírito Santo. É Ele quem convence o pecador do pecado, da justiça e do
juízo (João 16:8), conduzindo-o ao arrependimento e à fé salvadora. Assim, a
justificação é um sinal claro do Novo Nascimento, pois resulta de uma obra
interior realizada pelo Espírito no coração do pecador.
d) Os resultados da
justificação pela fé. A justificação produz efeitos espirituais profundos e
imediatos na vida do crente:
- Paz com Deus – o conflito
causado pelo pecado é removido (Rm.5:1);
- Fim da condenação – não há mais
culpa diante de Deus (Rm.8:1);
- Adoção como
filhos
– o justificado é recebido na família de Deus (João 1:12; Gl.4:5);
- Novo
relacionamento com Deus – agora baseado na graça e não no medo.
Em suma, a justificação pela fé é um dos
sinais mais evidentes do novo nascimento. Ela marca a transição do pecador
condenado para o filho reconciliado, do estado de culpa para a posição de
aceitação diante de Deus. Essa verdade sustenta a segurança da salvação e
glorifica plenamente a obra de Cristo.
“Justificados, pois,
pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm.5:1).
|
Síntese do item – “A justificação pela
fé” A justificação pela fé é um dos
principais sinais do Novo Nascimento. Por meio da fé em Jesus Cristo, o
pecador é declarado justo diante de Deus, não com base em méritos pessoais,
mas exclusivamente na obra redentora realizada no Calvário (Rm.3:24,28). Justificar não é apenas perdoar, mas
absolver plenamente da culpa, da condenação e da punição do pecado
(Rm.4:7,8). Essa justiça é recebida pela fé, como resposta à graça divina
manifestada em Cristo (Rm.3:22; Gl.2:16). O Espírito Santo atua conduzindo o
pecador ao arrependimento e à fé salvadora (Jo.16:8), e os efeitos dessa
justificação são claros: paz com Deus (Rm.5:1) e adoção como filhos na
família divina (Jo.1:12). Aplicação prática 1.
Devemos viver com gratidão e humildade, reconhecendo que nossa
salvação é totalmente pela graça, não por obras. 2.
A justificação nos chama a desfrutar da paz com Deus, abandonando a
culpa e a condenação do passado. 3.
Como filhos adotivos, somos desafiados a viver de modo coerente com
essa nova identidade, refletindo fé, obediência e confiança em Cristo. 4.
Essa verdade também nos motiva a anunciar o Evangelho, pois somente
pela fé em Jesus o ser humano pode ser justificado diante de Deus. |
2. A vida de Santificação
A
santificação não é a causa da salvação, mas o seu resultado inevitável. No
momento da conversão, o pecador é simultaneamente justificado, regenerado e adotado como filho de Deus (At.13:39; Jo.5:24;
Rm.8:15). A partir desse novo nascimento, inicia-se uma nova caminhada
espiritual, marcada por uma vida separada do pecado e dedicada a Deus. A
santificação, portanto, é a evidência prática de que houve regeneração genuína.
Veja
alguns pontos correlatos ao item:
a) Santificação
posicional: uma nova condição diante de Deus. A Escritura ensina que
o crente já foi santificado em Cristo de maneira posicional. Isso
significa que, pela obra redentora de Jesus, ele foi separado para Deus e
declarado santo em sua nova posição espiritual (1Co.1:2; 6:11). Essa santidade
não depende do desempenho humano, mas da união do crente com Cristo. Em Cristo,
o salvo já pertence a Deus e não mais ao domínio do pecado (Rm.6:11).
b) Santificação
progressiva: um processo contínuo. Além do aspecto posicional, a santificação
também é progressiva, desenvolvendo-se ao longo da vida cristã. O
apóstolo Paulo afirma que somos transformados “de glória em glória” à imagem de
Cristo, pelo Espírito do Senhor (2Co.3:18). Esse processo envolve crescimento
espiritual, amadurecimento na fé e conformação contínua ao caráter de Cristo
(1Pd.1:15,16).
c) A atuação do
Espírito Santo na santificação. A santificação é uma obra cooperativa, na qual
o Espírito Santo atua de forma decisiva, capacitando o crente a viver segundo a
vontade de Deus. É Ele quem mortifica as obras da carne e produz uma vida
segundo o Espírito (Rm.8:13; 1Ts.4:3,4). O crente, agora liberto do domínio do
pecado, passa a viver em obediência consciente, guiado pela Palavra e pela ação
do Espírito.
d) Evidências práticas
de uma vida santificada. A nova vida recebida na regeneração se manifesta de forma
visível:
- Renúncia ao
pecado e às práticas antigas (Ef.4:22);
- Prática da
justiça e da santidade (Ef.4:24);
- Compromisso com
uma vida de obediência e comunhão com Deus (Rm.6:11).
A
santificação não é perfeição sem pecado, mas uma vida direcionada para agradar
a Deus, com crescente sensibilidade ao pecado e desejo sincero de viver em
santidade.
|
Síntese do item – “A vida de
Santificação” A santificação é a evidência contínua do
Novo Nascimento. No momento da salvação, o crente é simultaneamente
regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At.13:39; Jo.5:24;
Rm.8:15). A partir dessa nova posição espiritual, inicia-se um processo
progressivo de santificação, que se estende por toda a vida cristã até a
glorificação final (2Co.3:18). Biblicamente, a santificação possui duas
dimensões complementares: ·
Posicional, na qual o crente já foi separado para
Deus em Cristo (1Co.6:11); ·
Progressiva, que envolve crescimento espiritual,
maturidade e conformidade contínua à imagem de Cristo (1Pd.1:15,16). Essa nova vida se manifesta de forma
prática por meio da renúncia ao pecado, da obediência à Palavra e de uma
conduta marcada pela justiça e pela santidade (Rm.6:11; Ef.4:24). O crente
deixa de viver dominado pela carne e passa a andar segundo o Espírito
(1Ts.4:3,4). Aplicação prática 1.
Viver coerentemente com a nova identidade. O crente regenerado deve lembrar-se
diariamente de que não pertence mais ao pecado, mas a Deus. Sua conduta deve
refletir essa nova posição em Cristo (Rm.6:11). 2.
Buscar crescimento espiritual contínuo. A santificação não é automática. Ela
exige comunhão com Deus, leitura da Palavra, oração e submissão à direção do
Espírito Santo (Gl.5:16). 3.
Renunciar ao pecado e praticar a justiça. A vida santa se evidencia por escolhas
diárias: abandonar práticas pecaminosas e cultivar atitudes que glorifiquem a
Deus (Ef.4:24). 4.
Ter Cristo como modelo supremo. O alvo da santificação é tornar-se
semelhante a Cristo. Quanto mais o crente contempla o Senhor, mais é
transformado à Sua imagem (2Co.3:18). 👉 Em resumo, a vida de
santificação confirma a realidade do Novo Nascimento. Não se trata de
perfeição imediata, mas de um compromisso diário de viver separado do pecado
e consagrado a Deus, até o dia em que seremos plenamente glorificados em
Cristo. |
3. Fruto do Espírito
O
apóstolo Paulo ensina que o fruto do
Espírito é uma consequência natural da vida regenerada: “Mas o fruto do
Espírito é amor, alegria, paz…” (Gl.5:22,23). Diferente dos dons espirituais,
que são concedidos conforme a vontade do Espírito (1Co.12:11), o fruto é produzido em todos os que nasceram
de novo, como evidência de que o Espírito Santo habita no crente (Rm.8:9). Jesus
afirmou que a verdadeira identidade espiritual é reconhecida pelos frutos: “Por
seus frutos os conhecereis” (Mt.7:16). Assim, o fruto do Espírito não é
opcional, mas um sinal indispensável da regeneração genuína.
Veja
alguns pontos complementares:
a) Fruto do Espírito
versus obras da carne. Paulo estabelece um contraste claro entre as obras da
carne (Gl.5:19-21) e o fruto do Espírito (Gl.5:22,23). Antes da
regeneração, o ser humano é dominado pela natureza pecaminosa (Rm.8:5),
produzindo atitudes que desagradam a Deus. Após o Novo Nascimento, ocorre uma
mudança de domínio: o crente passa a andar “segundo o Espírito” (Gl.5:16), e
essa nova direção espiritual se manifesta por meio de virtudes que refletem o
caráter de Cristo. O fruto não é resultado de esforço humano isolado, mas da
ação contínua do Espírito na vida daquele que se submete à sua direção.
b) O caráter cristão
moldado pelo Espírito. O fruto do Espírito descreve o caráter cristão em formação. Amor, alegria, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança revelam a transformação
interior que Deus opera no regenerado (Ef.2:10). Essas virtudes não surgem de
forma instantânea ou perfeita, mas são desenvolvidas progressivamente à medida
que o crente cresce espiritualmente (Lc.6:40; 2Co.3:18). O fruto, portanto,
aponta para um processo contínuo de amadurecimento espiritual.
c) Um testemunho
visível da nova vida em Cristo. O fruto do Espírito não se limita à esfera
interior; ele se expressa de maneira prática nas palavras, atitudes e reações diárias do cristão (Mt.5:16). Quem
nasceu de novo passa a refletir, ainda que imperfeitamente, a vida de Cristo no
convívio familiar, na igreja e na sociedade. Essa evidência não deve ser
esporádica, mas constante, confirmando que a nova vida recebida em Cristo é
real e atuante (Rm.6:4).
Enfim, o fruto do Espírito é a prova visível da regeneração,
demonstrando que o Espírito Santo habita e governa a vida do crente. Onde há
Novo Nascimento, há transformação de caráter; onde o Espírito atua, há frutos
que glorificam a Deus e testemunham da obra salvadora de Cristo.
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Síntese do item – “Fruto do Espírito” O fruto do Espírito é a evidência visível
e contínua da regeneração operada pelo Espírito Santo na vida do crente
(Gl.5:22,23). Diferente dos dons espirituais, que são concedidos conforme a
vontade de Deus para o serviço, o fruto refere-se ao caráter cristão formado
interiormente. Ele revela a nova natureza recebida no Novo Nascimento
(2Co.5:17) e manifesta, de maneira prática, a vida segundo o Espírito, em
contraste com as obras da carne (Gl.5:19–21; Rm.8:5). Essas virtudes — amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio —
não são produzidas pelo esforço humano, mas pelo agir contínuo do Espírito
naqueles que vivem em comunhão com Deus. Assim, o fruto do Espírito confirma
a autenticidade da fé e demonstra que o crente está sendo moldado à imagem de
Cristo (Lc.6:40; Mt.7:16). Aplicação prática 1.
Exame espiritual diário. O crente deve avaliar constantemente se suas atitudes, palavras e
reações refletem o fruto do Espírito, e não as obras da carne (2Co 13:5). 2.
Vida de dependência do Espírito. Produzir fruto exige permanecer em Cristo e andar
no Espírito (Jo.15:4,5; Gl.5:16), buscando direção e sensibilidade espiritual
em todas as áreas da vida. 3.
Testemunho cristão no cotidiano. O fruto do Espírito torna o cristão um testemunho
vivo da graça de Deus no lar, na igreja e na sociedade (Mt.5:16). 4.
Crescimento contínuo no caráter. O fruto não é ocasional, mas progressivo. Devemos
permitir que o Espírito continue nos transformando até que o caráter de
Cristo seja cada vez mais evidente em nós (2Co.3:18). 👉 Em resumo: quem nasceu de novo
manifesta, de forma prática e constante, o caráter de Cristo. O fruto do
Espírito não é opcional, mas uma marca essencial da vida regenerada. |
CONCLUSÃO
Concluímos
esta lição afirmando, à luz das Escrituras, que a Regeneração é uma obra
indispensável, sobrenatural e exclusivamente divina, realizada pelo Espírito
Santo no coração do pecador. Não se trata de reforma moral, religiosidade ou
esforço humano, mas de um Novo Nascimento operado “do alto”, que transforma o
ser humano em uma nova criatura em Cristo (João 3:3; 2Co.5:17).
Vimos
que a Regeneração é uma obra trinitária: o Pai a planeja em sua soberana graça,
o Filho a torna possível por meio de sua morte e ressurreição, e o Espírito
Santo a aplica eficazmente ao coração do pecador, convencendo-o do pecado e
gerando nele nova vida espiritual (Ef.1:4–7; João 16:8). Essa obra é
espiritual, interior e soberana, não controlada pela vontade humana, mas
realizada segundo o querer de Deus (João 3:8).
Aprendemos
também que o Novo Nascimento produz sinais visíveis na vida do crente: a
justificação pela fé, uma vida contínua de santificação e a manifestação do
fruto do Espírito. Onde há regeneração genuína, há mudança de natureza, nova
conduta, novo amor pela justiça e crescente semelhança com Cristo (Rm.6:4;
Gl.5:22,23).
Assim,
esta lição nos chama a uma reflexão séria e pessoal: não basta professar fé, é
necessário nascer de novo. E, para os que já foram regenerados, fica o
compromisso de viver de modo coerente com essa nova vida, andando no Espírito,
glorificando a Deus e evidenciando, diariamente, a transformação que Ele operou
em nós.
Que
o Espírito Santo, o Regenerador, continue operando em nossos corações,
confirmando a nossa salvação e conduzindo-nos até a glorificação final, para
louvor da glória de Deus.
Luciano de Paula
Lourenço
– EBD/IEADTC
Disponível
em: https://luloure.blogspot.com/
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