domingo, 12 de julho de 2020

Aula 03 – O DESPERTAMENTO RENOVA O ALTAR


3º Trimestre/2020
EDIÇÃO ESPECIAL
Texto Base: Ed 3:2-5, 10-13
“Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele. E reparou o altar do Senhor, que estava quebrado” (1Rs.18:30).
Esdras 3:
2.E levantou-se Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos, os sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos, e edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na lei de Moisés, o homem de Deus.
3.E firmaram o altar sobre as suas bases, porque o terror estava sobre eles, por causa dos povos das terras, e ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor, holocaustos de manhã e de tarde.
4.E celebraram a festa dos tabernáculos como está escrito; ofereceram holocaustos de dia em dia, por ordem, conforme ao rito, cada coisa no seu dia.
5.E depois disto o holocausto contínuo, e os das luas novas e de todas as solenidades consagradas ao Senhor, como também de qualquer que oferecia oferta voluntária ao Senhor.
10.Quando, pois, os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, então apresentaram-se os sacerdotes, já revestidos e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com saltérios, para louvarem ao Senhor, conforme à instituição de Davi, rei de Israel.
11.E cantavam a revezes, louvando e celebrando ao Senhor: porque é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com grande júbilo, quando louvaram ao Senhor, pela fundação da casa do Senhor.
12.Porém muitos dos sacerdotes, e levitas e chefes dos pais, já velhos, que viram a primeira casa, sobre o seu fundamento, vendo perante os seus olhos esta casa, choraram em altas vozes; mas muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria.
13.De maneira que discernia o povo as vozes de alegria das vozes do choro do povo; porque o povo jubilou com tão grande júbilo que as vozes se ouviam de mui longe.

INTRODUÇÃO

O despertamento espiritual é uma necessidade fundamental na vida do crente ao longo de sua existência; desta feita, cada servo de Deus precisa estar sempre em estado de renovação espiritual, pois, como nos ensina o apóstolo Paulo, o homem interior deve se renovar dia-a-dia (2Co.4:16), sendo certo que o profeta Habacuque já afirmara que a obra do Senhor precisava ser avivada continuadamente ao longo dos anos (Hc.3:2). Todavia, não há como se ter um despertamento espiritual se não se voltar para o Senhor; mas para isto, primeiramente é necessário renovar o Altar de culto e adoração ao Senhor.
Aqueles que foram despertados para restaurar a nação de Israel, sofreram grande pressão dos povos inimigos circunvizinhos, e isto desanimou os líderes judaicos, com reflexo destrutivo na vida espiritual do povo; houve uma descrença nas coisas sagradas e um mornidão espiritual. A Bíblia diz: “O terror estava sobre eles por causa dos povos da terra” (Ed.3:3). O Altar estava quebrado, e não há como existir um despertamento espiritual sem, primeiramente, renovar o Altar de culto e adoração a Deus. Para tanto, os líderes ativaram o Altar que estava destruído e oferece nele sacrifícios de acordo com que prescrevia a Lei de Moisés. Deus se agradou disso e renovou a sua presença no meio deles. Não há como Deus está presente no meio do seu povo sem a renovação do Altar.
Os inimigos vendo este despertamento espiritual no meio do povo, temeram; pois sabiam que Deus estava com o seu povo, logo os seus projetos de terror não se sustentaram – “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm.8:31).
Às vezes, encontramo-nos nas mesmas condições. Há dificuldades por todos os lados, avizinham-se tribulações e as angústias estão sempre presentes; no entanto, quando erguemos o Altar de culto e adoração ao Senhor, Ele opera em nossa vida, e quando os tempos difíceis chegarem suportaremos sem esmaecer a fé. É hora de levantar o Altar!

I. O DESPERTAMENTO CONDUZ O HOMEM AO ALTAR

Uma renovação torna-se urgente: quando os crentes estão desanimados, enfraquecidos e desunidos; quando as potestades do mal parecem prevalecer contra o povo de Deus, intimidando-o e fazendo-o paralisar a obra de Deus; quando faltam líderes comprometidos com Deus que ousam desafiar e conduzir o povo a uma reação para realizar a Obra de Deus.

1. Os judeus sentiam a necessidade do acesso a Deus que o Altar lhes proporcionava

A pressão dos inimigos era grande sobre os líderes judaicos, por isso apressaram em renovar o Altar de culto e adoração a Deus, pois eram cônscios de que sem a presença do Senhor eles não prevaleceriam sobre os terroristas. A Bíblia diz que “o terror estava sobre eles por causa dos povos da terra” (Ed.3:3). Por isso mesmo, o povo sentia que precisava do acesso a Deus, através do altar. Está escrito que aonde o culto verdadeiro ao Senhor é praticado Ele se faz presente (Ex.29:43; Mt.18:20) - “Este será o holocausto contínuo… perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali” (Êx.29:43).
Portanto, diante desse quadro tribuloso, mais importante que construir o Templo era restabelecer a verdadeira adoração a Deus, representada pela edificação do Altar. A resposta ao medo que sentiam dos povos das terras (Ed.3:3) não era em temos de armas ou de fortalezas, mas sim em colocar Deus em primeiro lugar, reparando o Seu Altar, até mesmo antes de providenciar casas para as suas famílias.
Os judeus naqueles dias trabalhosos almejavam mais do que nunca da presença do Senhor, mais isto só viria através do culto verdadeiro que se daria perante o Altar.  De acordo com as Escrituras Sagradas, o Altar era um lugar aonde os sacrifícios e holocaustos de animais eram oferecidos, conforme Deus tinha determinado a Moisés e Arão; era o local aonde se realizava a comunhão dos fiéis com o Senhor. Por isso, o Altar era tão considerado e reverenciado.
E o texto sagrado diz que eles “firmaram o altar sobre as suas bases...” (Ed.3:3). Isto significa que eles colocaram o Altar no seu lugar. Sob a liderança de Jesua, o líder religioso, e de Zorobabel (Ed.3:2), edificaram o Altar e ofereceram holocaustos, conforme prescrevia a Lei de Moisés (Ed.3:2). A intenção era honrar a Deus e, por meio disso, buscar proteção contra os inimigos. Depois disso, iniciaram os preparativos para a construção do Templo, contando com a ajuda dos sidônios e tírios (Ed..3:7).
Com a renovação do Altar, sacrifícios regulares eram oferecidos nas épocas indicadas – as luas novas (Ed.3:5). Todas as festas foram restabelecidas, começando com a Festa dos Tabernáculos, no décimo quinto dia do sétimo mês, estritamente de acordo com os requisitos da Lei de Moisés.

2. Todos os despertamentos genuínos começam com a restauração do Altar

Temos na Bíblia vários exemplos, mas vamos aqui apresentar apenas quatro. Ao se falar em “avivamento”, se está a falar em “tornar à vida”, a “intensificar a vida” e todos sabemos que a fonte da vida é Deus, como, aliás, disse o Senhor Jesus à mulher samaritana (João 4:7-14).
a) O Avivamento que ocorreu na época do profeta Elias, no reino do Norte, nos dias tenebrosos de Acabe e Jezabel. O profeta, impelido pelo Espírito de Deus, faz um desafio aos profetas de Baal e Asera, e leva o povo a se decidir por Deus após o Senhor ter respondido com fogo à oração do Seu servo (1Rs.18:20-40). No entanto, tamanha demonstração de poder, que pôs fim à oscilação do povo entre Deus e Baal, só foi possível depois que o profeta reparou o Altar (1Rs.18:30-32), e, com este gesto, relembrou o povo de que não se pode ter fogo do céu, demonstração do poder de Deus, sem que antes observemos os mandamentos, sem que antes venhamos pôr nossas vidas de acordo com a Palavra de Deus. Não há fogo sem que antes nos ponhamos sob os ditames da Palavra de Deus!
b) O avivamento que ocorreu na época de Ezequias, fiel rei de Judá. No primeiro ano de seu reinado, Ezequias levou o povo à purificação do Templo, à extinção de todos os altares edificados aos deuses pagãos. Esse avivamento levou o povo, que estava desviado, novamente aos pés do Senhor. O povo purificou o Templo, extinguiu todos os altares edificados aos deuses pagãos. Buscaram o Senhor com fervor, temor e tremor.
O Avivamento levou à reparação do Altar. Quando os sacerdotes sacrificavam sobre o Altar santificado, começou um novo cântico na casa de Deus (2Cr.29:27,28). A observância da Palavra de Deus, seu estudo prévio e sua aplicação foram os principais responsáveis pela renovação espiritual que se seguiu (2Cr.29).
“E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com alaúdes e com harpas, conforme o mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã, porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas” (2Cr.29:25).
“e Ezequias e todo o povo se alegraram por causa daquilo que Deus tinha preparado para o povo” (2Cr.29:36).
c) O Avivamento que ocorreu na época do fiel rei Josias, rei de Judá. À época desse fiel rei ocorreu um vigoroso avivamento, um dos mais impressionantes da história de Judá. Josias incentivou o povo a retornar à Palavra de Deus.
Josias, ao encontrar a Palavra de Deus, que se achava perdida na Casa do Senhor (2Cr.34:15), humilhou-se diante de Deus e impediu que, nos seus dias, o juízo inevitável de Deus sobre o povo, por causa de sua desobediência, viesse a acontecer (2Cr.34:24-28). Josias voltou-se para Deus e teve uma obra de grande envergadura, tendo, inclusive, destruído os “intocáveis” bezerros de ouro construídos por Jeroboão, porque ouviu a Palavra de Deus, porque quis saber o que estava naquele Livro Sagrado que fora achado na casa de Deus. Foi isto que o impulsionou a abolir a idolatria, a levar o povo a observar a Lei do Senhor (2Cr 34:29-33).  Enquanto a Palavra de Deus não for achada, lida e crida, não poderá haver avivamento na Casa do Senhor.
d) O Avivamento que ocorreu na época de Esdras e Neemias, quando o povo voltou do cativeiro. Os capítulos 8 a 10 de Neemias descrevem um dos maiores avivamentos do Antigo Testamento. Tal avivamento só foi possível porque houve o ensino e a compreensão da Lei do Deus Jeová. Aliás, a restauração da autoridade da Palavra de Deus sobre o povo foi a maior reforma que Neemias implementou em Jerusalém; sem essa restauração, Jerusalém seria absolutamente vulnerável. O povo se ajuntou na praça para ouvir a exposição da Palavra de Deus (Ne.8:1):
 E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel”.
Uma das principais evidências de um avivamento bíblico entre o povo de Deus é a grande fome de ouvir, ler e estudar a Palavra de Deus.  No primeiro dia do sétimo mês, todo o povo se reuniu para uma convocação solene - a Festa das Trombetas -, que simbolizava o ajuntamento de Israel dentre as nações gentílicas. Esdras subiu numa plataforma especialmente construída para a ocasião e, ao lado de treze levitas, leu por várias horas o que havia no Livro da Lei de Moisés. O povo demonstrou profundo respeito pela Palavra de Deus (ler Ne.8:5,6) à medida que os levitas, mencionados no versículo 7 do capitulo 8, forneciam explicações sobre o que estava sendo dito (Ne 8:8). Uma vez que o aramaico substituiu o hebraico após o cativeiro, era necessário explicar ao povo muitas palavras hebraicas presentes nas Escrituras.
De pé sobre um púlpito de madeira, durante sete dias, seis horas por dia, Esdras leu o livro da Lei (8:3,18). O povo permaneceu desde a alva até ao meio-dia, sem sair do lugar (Ne.8:7), com os ouvidos atentos. Não havia dispersão, distração nem enfado. Eles estavam atentos não apenas ao pregador, mas sobretudo ao livro da Lei. Não havia esnobismo nem tietagem, mas fome da Palavra. Eles queriam Pão do Céu, a Verdade de Deus. Só o Pão nutritivo da Verdade pode saciar a fome daqueles que anseiam por Deus.
Lamentavelmente, em nossos dias, vivemos a predominância de uma concepção sem qualquer base bíblica, qual seja, a de que avivamento se confunde com prevalência de manifestações sobrenaturais e que o crente avivado é aquele que participa de tais ambientes, onde pouco ou nenhum espaço é dado ao ensino da Palavra de Deus. No entanto, quando abrimos a Bíblia Sagrada, não vemos um só caso de avivamento que não esteja centrado, baseado, fundamentado no ensino das Escrituras Sagradas.
Note que todos os principais avivamentos ocorridos no Antigo Testamento, no meio do povo de Israel, estavam diretamente ligados à doutrina, ao ensino da Palavra de Deus. Jamais pode haver avivamento sem que haja doutrina, sem que haja um retorno ao estudo sistemático da Palavra de Deus. Hoje, o povo de Deus da Nova Aliança, necessita de um profundo e urgente avivamento.  Necessita de um retorno aos princípios norteadores da Palavra de Deus. Sem avivamento, a tendência é a decadência espiritual e a secularização da Igreja. Jesus se preocupa com o seu povo; Ele quer ver a sua Igreja avivada; Ele quer sua Igreja fervorosa, unida a Ele, de forma consciente e decidida. Portanto, avivamento sem o ensino e a prática das Escrituras Sagradas é apenas movimento passageiro infrutífero.

II. CRISTO, O CENTRO DA NOSSA COMUNHÃO COM DEUS.

Na Nova Aliança, a adoração do povo de Deus é rigidamente cristocêntrica. Não temos mais o Altar como nosso ponto central de culto a Deus como no Antigo Testamento. Cristo, agora, é o centro de nossa comunhão com Deus.
Na Antiga Aliança, sobre o Altar do culto levítico eram oferecidas as ofertas que seriam queimadas. Os sacrifícios de holocaustos eram queimados continuamente, significando que a comunhão com Deus é contínua, e o centro dessa comunhão com Deus era o Altar de sacrifício. Quando a oferta para o holocausto era consumida pelo fogo a fumaça exalava um cheiro especial que subia para os ares. O animal sacrificado era totalmente queimado no Altar e a gordura queimada exalava um cheiro que agradava a Deus; era um "cheiro suave, uma oferta queimada ao SENHOR" (Êx.29:18).
Por causa da regularidade e frequência com que aconteciam os sacrifícios de holocaustos, eles eram chamados de "holocausto contínuo" (Êx.29:42). Um animal limpo e sem defeito era oferecido ali em substituição ao pecador. Do mesmo modo como se tomava o sacrifício e colocava-o sobre o Altar, Jesus também foi levantado, tipologicamente, no Altar do Calvário, para redimir a nossa alma (ver João 3:14,15; 12:32,33; Ef.5:2; 1Co.5:7).
No Altar de holocaustos se formou a primeira imagem a respeito da necessidade de redenção dos pecadores. No tempo determinado, Cristo Jesus foi sacrificado no Altar do sacrifício, o Calvário, e o seu sangue foi derramado para apagar os pecados de toda humanidade. Foi um sacrifício perfeito e irrepetível.  Ele se ofereceu a Si mesmo, de forma irrepetível, para nos conceder perdão, redenção, reconciliação, comunhão e eterna salvação.

1. O Altar do Holocausto era uma imagem do Calvário

Já deu para entender que o Altar do holocausto simboliza a cruz do Calvário, lugar onde Cristo, vicariamente, foi crucificado (Hb.9:12-14;25-28;10:10-14). O que precisava ser realizado Jesus já realizou; agora, basta apenas apresentar-se a Ele como um pecador perdido, reconhecer nossa culpa, confessar nossos pecados, crendo que "Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1João 1:9).

a) No Altar do Holocausto – na Cruz - Deus proveu um Cordeiro imaculado uma vez para sempre em nosso lugar

No Altar dos Holocaustos, as vítimas inocentes eram sacrificadas no lugar dos pecadores. Assim como Deus proveu um cordeiro para substituir Isaque no monte do sacrifício, Ele enviou seu Filho para nos substituir na cruz do Calvário. Jesus, o Cordeiro de Deus, assumiu o castigo que era nosso. Ele tomou sobre si a nossa condenação. O Cordeiro de Deus morreu por nós. Na cruz, Deus materializou o Seu grande amor por toda a humanidade. Afirma Paulo:
“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm.5:6).
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8).
Portanto, a cruz de Cristo não foi um acidente, mas um apontamento de Deus desde a eternidade. Ele foi morto desde a fundação do mundo. Ele nasceu para ser o nosso substituto, representante e fiador. A cruz, sempre esteve incrustrada no coração de Deus, sempre esteve diante dos olhos de Cristo. Ele jamais recuou da cruz. Ele marchou para ela como um rei caminha para a sua coroação.
Portanto, o Amor de Deus não é apenas um sentimento, é uma ação. Não consiste apenas em palavras, é uma dádiva. Não é uma dádiva qualquer, mas uma dádiva de Si mesmo. Deus deu seu Filho; Ele deu tudo, deu a Si mesmo. Deus não amou aqueles que nutriam amor por Ele, mas aqueles que lhe viraram as costas para Ele. Deus amou aqueles que eram inimigos.
Cristo morreu no momento determinado por Deus e de acordo com seu eterno propósito (João 8:20;12:27;17:1;Gl.4:4;Hb.9:26). Não há como medir o amor de Deus; João disse: “Deus amou o mundo de tal maneira...” (João 3:16).

b) No Altar do Holocausto – na Cruz - o sacrifício do Cordeiro Imaculado trouxe-nos Reconciliação com Deus

O sacrifício de Jesus Cristo foi único e definitivo para a nossa reconciliação com Deus (Ef.2:16). Jesus, o Cordeiro de Deus, é o autor e consumador da nossa fé (Hb.12:2). Sem Ele estaríamos perdidos, longe de Deus e condenados para sempre ao inferno. Temos um Deus que nos ama e que não negou dar o seu Unigênito para que tivéssemos Paz com Deus, Paz de Deus e vida eterna.
“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef.2:14-16).

c) No Altar do Holocausto – na Cruz - o perfeito sacrifício do Cordeiro de Deus trouxe-nos Justificação

Na cruz, Cristo cumpriu a nossa pena, justificando-nos perante o Pai. Ele nos libertou da lei do pecado. Uma vez livres e justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm.5:1). Uma vez livre e justificado a culpa do homem é transferida para Jesus, que já a pagou através de Seu sacrifício expiatório da cruz, e pode cobrir o homem com sua justiça. É por isto que Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é”.
Portanto, o homem justificado não é um homem “reformado”, mas, é um novo homem (2Co.5:17). Este novo homem é visto por Deus como se nunca tivesse pecado. A Justificação não deixa resíduos dos pecados dantes cometidos, isto por causa daquele “que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus” (2Co.5:21).

d) No Altar do Holocausto – na Cruz – o sacrifício de Jesus Cristo trouxe-nos gloriosa Esperança

A esperança é um dos pilares da vida cristã. Em 1Pedro 1:3-4 está escrito:
“bendito seja o Deus e pai de nosso senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós”.
Isto quer dizer que:
  • Além de termos esperança de dias melhores;
  • Além de termos esperança de que Deus vai responder nossas orações;
  • Além de termos esperança de que Deus vai abrir portas em várias questões da vida, nós temos a esperança que um dia todo o sofrimento, toda dor, todo mal, vai ser debelado para sempre, e sempre e sempre.
Portanto, a nossa esperança é superlativa porque a cruz de Cristo nos proporcionou esta preciosa promessa. Em Romanos 8:24 o aposto Paulo se expressa de modo claro e convincente: “porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará?".
Quando o crente é convicto de sua fé ele não titubeia, mas põe a sua confiança, a sua esperança só em Deus. Paulo disse perante o governador Félix:
“tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos”.
Um dia todos nós morreremos, caso o Senhor Jesus não venha antes disso, mas, temos a esperança que ressuscitaremos e viveremos com Ele para sempre – é sem dúvida a nossa maior esperança.

2. A morte de Jesus enseja-nos sete verdades que devemos compreender e valorizar

a) A morte de Jesus foi Amorosa. Ela revela o supremo amor de Deus por todos nós – “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8).
b) A morte de Jesus foi Expiatória. Ela foi a oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave – “e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Ef.5:2).
c) A morte de Jesus foi Vicária. Jesus morreu por nós – “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”(2Co.5:15).
d) A morte de Jesus foi Substitutiva. Jesus, que não co­nheceu pecado, o fez pecado por nós - “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co.5:21).
e) A morte de Jesus foi Propiciatória. Ela satisfez a Deus que tinha sido ofendido pelo pecado do ho­mem – “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus” (Rm.3:24-25).
f) A morte de Jesus foi Redentora. Jesus nos resgatou, nos re­miu, nos comprou com Seu próprio sangue - “o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu Tempo” (1Tm.2:6);o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt.2:14).
g) A morte de Jesus foi Triunfante. Jesus foi vitorioso sobre todos os poderes cósmi­cos - bons ou maus -, triunfando sobre eles na cruz – “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl.2:15).

3. Toda a Trindade atuou ativamente na morte expiatória de Jesus:

a) O Deus Pai. A morte de Jesus Cristo na cruz não foi um acidente, foi uma agenda estabelecida por Deus. Na mente de Deus, nos decretos de Deus, o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo (Ef.3:6-9). Na verdade, como eu já disse, a cruz sempre esteve incrustada na mente de Deus, em Seu coração amoroso; Ele participou diretamente do drama do Gólgota (2Co.5:19). Portanto, a cruz de Cristo além de ser um fato já planejado na eternidade, expressa para você e para mim o gesto do maior amor de Deus por nós (João 3:16).  Portanto, não foram os judeus nem os romanos que crucificaram Jesus na Cruz, foi o próprio Deus Pai. Se você ainda tem dúvida do amor de Deus, entenda que não há possibilidade de nós expressarmos de forma mais eloquente e mais profunda o amor de Deus por nós do que a manifestação da cruz. Ali aconteceu o maior de todos os sacrifícios.
b) O Deus Filho.  Ele entregou-se a si mesmo em oferta e sacrifício (Ef.5:2; Hb.9:14). O Filho de Deus deixou o Céu, deixou a companhia dos anjos, deixou a glória do Pai, e veio e se humilhou, se fez servo; foi perseguido, foi preso, foi insultado, foi cuspido, foi zombado, foi escarnecido, foi pregado na cruz. Ele nasceu para ser o nosso substituto, nosso representante, nosso fiador. Jesus Cristo jamais recuou diante dessa cruz. Ele caminhou resoluto para ela como um rei caminha para sua coroação. Sobre a Cruz Ele levou os nossos pecados (1Pd.2:24) e nos reconciliou com Deus. Com a morte de Jesus, ativou-se o contato da criatura com o Criador que fora quebrado no Éden e se tornou visível a ação de Deus na vida dos homens, de maneira que o céu, que parecia ser inatingível, tornou-se acessível aos homens por meio de Cristo Jesus. A morte de Jesus na cruz, que seria uma vitória do diabo, na verdade representou a própria derrota de Satanás.
c) O Deus Espírito Santo. O escritor de Hebreus afirma que Cristo, pelo Espírito eterno, se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus” (cf. Hb.9:14). Portanto, o Espírito Santo teve participação fundamental na caminhada de Jesus até à Cruz, removendo todos os osbstáculos que se levantaram para impedir que Jesus atingisse o alvo proposto, que era morrer pela humanidade e reconciliar o homem novamente com Deus.

III. CUIDADO COM AS IMITAÇÕES

Devemos observar nas próprias Escrituras quais são as características de um Avivamento, até para que não nos deixemos enganar pelos “falsos avivamentos”, manifestações espirituais espúrias e que nada mais são que falsificações e imitações do inimigo de nossas almas, verdadeiros “ventos de doutrinas” que estão a aumentar em número, mormente agora quando se aproxima o Dia da glorificação da Igreja.
Vejamos as características do verdadeiro despertamento espiritual:
a) A perseverança na Palavra de Deus. No princípio da Igreja houve a conversão de quase três mil almas sob o impacto da operação poderosa do Espírito Santo na vida dos discípulos batizados com o Espírito Santo, levando-os a “receber de bom grado a Palavra” (At.2:41). Este é o primeiro ponto descrito nas Escrituras, pois todo avivamento começa pelo “recebimento da Palavra”, que, então, leva ao batismo nas águas, um sinal público que se dá da transformação interior já ocorrida.
Desde o Antigo Testamento, como já falamos anteriormente, os momentos de avivamento do povo de Deus são caracterizados por uma busca da Lei do Senhor, por uma renovação no interesse e na observância das Escrituras. Todo e qualquer movimento que menosprezar a Palavra de Deus, que não der espaço ao estudo e ao ensino da Palavra, não é um verdadeiro avivamento espiritual, mas um movimento místico, que se misturará facilmente com manifestações sobrenaturais de procedência maligna.
b) A perseverança na comunhão (At.2:42). O avivamento espiritual é um movimento que dá aos crentes a consciência de que são um único corpo, cuja cabeça é Cristo, e que devem viver em união, sem qualquer distinção ou discriminação de espécie alguma. O avivamento da rua Azusa causou espanto e críticas por parte da sociedade norte-americana porque pôde reunir, em uma só comunidade, brancos e negros, numa sociedade fortemente racista e segregacionista como eram os Estados Unidos do início do século XX. Um verdadeiro e genuíno avivamento não faz distinção de etnia alguma, reconhecendo que, para Deus, não há acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34). Por isso, na igreja primitiva, “todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (At.2:44). Desta feita, não se pode aceitar como avivamento genuíno e autêntico aquele que é gerado em “encontros secretos”, aonde somente algumas poucas pessoas têm acesso para receber uma “unção” sobre a qual estão proibidos de revelar. Isto não é o avivamento verdadeiro.
c) A perseverança nas orações. Uma igreja avivada não cessa de orar, faz contínua oração. Não podemos concordar com “avivamentos” que têm barulho, cânticos intermináveis, emoção, mas que não levam os crentes a orar ou a buscar a face do Senhor fora do “transe”. A história dos avivamentos mostra que sempre o povo foi levado a buscar ao Senhor, a orar, a jejuar e a adorá-lo na beleza da Sua santidade.
d) O temor a Deus (At.2:43). Um verdadeiro avivamento não produz bagunça ou anarquia. É um ambiente de ordem e de decência, onde o nome do Senhor é glorificado e onde os incrédulos, ao invés de se escandalizarem, sentem a presença do Senhor. Um avivamento traz ao povo uma devida reverência às coisas de Deus, um respeito a tudo o que se relaciona com o culto.
e) O louvor a Deus(At.2:47). Um avivamento exalta o nome de Deus, coloca-o acima de tudo e de todas as coisas. Quando falamos em louvor, falamos em exaltação de Deus, em cânticos, hinos e salmos que enalteçam o Senhor e não o homem, que trazem enlevo à alma e ao espírito, e, por conseguinte, não agridem o corpo, nem promovam qualquer sentimento carnal. “Avivamentos” feitos com base em “louvorzões”, vigilhões, que suprimem a Palavra do Senhor, que promovam emoção efêmera, que agitem as pessoas e que se utilizem de ritmos criados para louvor ao diabo ou a seus agentes, que privilegiem o “eu” do crente em detrimento do Senhor, nunca podem ser verdadeiros e autênticos avivamentos.
f) O crescimento da Igreja. O avivamento do povo de Deus faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus (Mt.5:16) e, por causa disto, muitos são constrangidos pelo Espírito Santo e convencidos do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), convertendo-se a Jesus Cristo. Por isso, os avivamentos sempre fizeram as igrejas locais crescer numericamente, mas o crescimento quantitativo é decorrência do crescimento qualitativo. Crescimento numérico sem que, antes, tenha havido avivamento, não é crescimento, é “inchamento”, cujos efeitos são altamente prejudiciais à obra de Deus, como aconteceu com a Igreja a partir do Edito de Milão, em 315, que deu origem a Igreja católica romana, que abriu as portas ao paganismo e, consequentemente, ao desvio espiritual.

CONCLUSÃO

Diante de tudo o que estudamos aqui, concluímos que a única maneira de nos despertarmos espiritualmente é renovando o Altar de culto e adoração a Deus. Para chegar a este padrão espiritual, somente o ensino sistemático da Palavra de Deus pode proporcionar isso. Infelizmente, vivemos dias difíceis, dias em que vivemos o abandono da sã doutrina; muitos, dentre os crentes se dizem ser, como nos afirmam as Escrituras, terão comichões nos ouvidos e não sofrerão mais a sã doutrina (2Tm.4:3), ou seja, não quererão se dobrar aos ensinos da Palavra de Deus, e o distorcerão, a fim de poderem praticar os seus pecados, construindo para si doutores que justifiquem seus pecados e iniquidades. São dias difíceis, mas nós, que conhecemos a Palavra de Deus, que fomos ensinados na boa doutrina, sabendo que estas coisas iriam mesmo acontecer, só devemos ser cautelosos e, sobretudo, submissos aos ensinos do Senhor, pois, como aprendemos, os ensinos da Palavra de Deus são essenciais à vida cristã.
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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
(1) Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.
Hernandes Dias Lopes. Daniel - Um homem amado do Céu. Hagnos.
Hernandes Dias Lopes. Neemias – O líder que restaurou uma nação.
C. E. Demaray. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Aula 03 - ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO - Vídeo-slide

domingo, 5 de julho de 2020

Aula 02 - DESPERTAMENTO ESPIRITUAL - UM MILAGRE


3º Trimestre/2020
Texto Base: Ed.1:1-7; Ne. 1:1-4
“E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm.13:11).
Esdras 1:
1.No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias) despertou o Senhor o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:
2.Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus dos céus me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá.
3.Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém.
4.E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a casa do Senhor, que habita em Jerusalém.
5.Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.
6.E todos os que habitavam nos arredores lhes confortaram as mãos com vasos de prata, com ouro, com fazenda, e com gados, e com coisas preciosas, afora tudo o que voluntariamente se deu.
7.Também o rei Ciro, tirou os vasos da casa do Senhor, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém, e que tinha posto na casa de seus deuses.
Neemias 1:
1.As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susā, a fortaleza,
2.Que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém.
3.E disseram-me: Os restantes, que restaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém fendido, e as suas portas queimadas a fogo.
4.E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.
INTRODUÇÃO
Deus despertou o rei Ciro para implementar uma política de retorno dos exilados; os judeus podiam voltar para sua terra, reerguer os muros de Jerusalém e reconstruir o Santo Templo. No entanto, o povo já tinha acomodada a nova vida na Babilônia e não pensava mais em desfazer sua vida estruturada, e ainda caminhar muitos dias, correndo tremendo perigo, para uma terra totalmente desolada. Não era fácil convencer o povo que era da vontade de Deus o seu retorno à Terra Prometida. Era necessário um milagre de Deus para que o despertamento espiritual ocorresse. Somente o Espirito Santo poderia levantar pessoas necessárias ao desempenho de semelhante tarefa. Foi exatamente isso o que aconteceu. O Senhor suscitou homens que não se prendiam às coisas efêmeras desta vida, e cuja visão estava na redenção da linhagem de Israel. É de um despertamento semelhante que tanto precisamos nesses tempos difíceis!
I. O DESPERTAMENTO ESPIRITUAL EMANA DO PRÓPRIO DEUS
Como já dissemos na Aula anterior, todo despertamento espiritual emana do próprio Deus. Quando alguém é despertado para fazer a Obra de Deus, este despertamento atinge vários aspectos: a oração, a evangelização, a contribuição financeira, o estudo sistemático da Palavra de Deus, etc.
Em Esdras, capitulo 1, o escritor sagrado assinala claramente que o Senhor moveu o coração de Ciro para que ele permitisse o regresso dos judeus à sua pátria. A vida moral e espiritual de Daniel refletia como feixe de luz sobre o povo da Babilônia, todavia, não foi o padrão moral e espiritual de Daniel que produziu o milagre do despertamento no recém-conquistador persa, foi o próprio Deus; é o que afirma o texto sagrado: “No primeiro ano de Ciro despertou o Senhor o espírito de Ciro” (Ed.1:1). O personagem máximo da restauração de Jerusalém, portanto, não foi Ciro, Zorobabel, Esdras nem Daniel, mas, sim, Deus.
Ciro, após conquistar de forma espetacular o poderoso império Babilônico, um dos seus primeiros atos foi reverter a política babilônica e deportar povos conquistados de suas pátrias. Acomodando-se a religião dos judeus, o monarca persa afirmou que ele estava comissionado por Jeová, o Deus dos céus para construir um templo em Jerusalém. Ele demonstrou assim verdadeira generosidade, ao conceder não só a permissão para o regresso, mas também ajuda material, além de insistir com os vizinhos a prestar sua colaboração.
Ciro emitiu um decreto liberando qualquer judeu que desejasse retornar à terra de Israel. O decreto também permitiu contribuições financeiras para a reconstrução do Templo de Jerusalém (Ed.1:1-4). Deus despertou muitos cativos a retornar e estimulou todos a colaborarem generosamente. O próprio Ciro contribuiu com os utensílios de prata e ouro que Nabucodonosor retirara do primeiro Templo (Ed.1:5-11). Só Deus podia fazer um milagre desse tipo.
Esdras então prepara uma lista detalhada daqueles que preferiram retornar: cerca de 42.360 judeus, que trouxeram juntos 7.337 servos e cantores (Ed.2:1-70). Essa honrosa posição genealógica, mais tarde, muniu os descendentes do primeiro grupo a retornar a Judá com uma histórica reivindicação tanto para a fama quanto para a pureza racial.
II. AS FINALIDADES DO DESPERTAMENTO
“Cada despertamento tem por objetivo principal a salvação e restauração da pessoa humana. Encontramos sempre estes dois polos: a graça e o pecado. O Espírito Santo está sempre pronto para convencer o mundo sobre o pecado, a justiça e o juízo” (João 16:8,9)”.
1. A restauração nacional de Israel
Devido à forte idolatria, a injustiça social e a degradação moral, Deus puniu severamente o Seu povo. Ele suscitou nações poderosas para ser a “vara” da punição, como, por exemplo, Assíria e Babilônia. Essas nações foram governadas por déspotas que não evitavam nenhum esforço brutal para aniquilar qualquer nação que não se rendesse, de forma incondicional, aos seus ditames, como foram, por exemplos, Tiglate Pileser III (745-727 a.C.) e Nabucodonosor.
Na época do rei Oséias a nação de Israel (as dez tribos do Norte) foi invadida pela Assíria, sob o comando de Salmaneser V(filho de Tiglate-Pileser). Oséias foi preso e Samaria foi sitiada por três anos, antes de finalmente sucumbir em 722 a.C. (2Rs.17:5,6); e no cerco, multidões pereceram miseravelmente de fome e de enfermidades bem como pela espada. Caiu a cidade de Samaria com a nação, e o humilhado remanescente das dez tribos foi levado cativo e espalhado entre as províncias do domínio assírio. Em seu lugar foram colocados outros povos, dando origem ao povo “samaritano”; era a política usual do rei da Assíria aos povos conquistados. Nunca mais a nação de Israel – reino do Norte – voltou do cativeiro.
A destruição que abateu o reino do Norte foi um juízo direto do Céu e uma mensagem clara ao reino de Judá, que fora poupado. Os assírios foram meramente o instrumento de que Deus se serviu para realizar o seu propósito. Por intermédio de Isaías, que começou a profetizar pouco antes da queda de Samaria, o Senhor se referiu aos assírios como "a vara da minha ira".  Disse Ele: "Ai da Assíria, a vara da minha ira! Porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos" (Is.10:5).
A queda de Samaria e a deportação de sua população foram o claro resultado dos pecados cometidos contra o Deus Jeová (2Rs.17:7). O povo de Deus tornou-se infiel para com o Senhor que os livrara do Egito, adorando e servindo a outros deuses (2Rs.17:15-17). E fizeram isto apesar dos constantes avisos dos profetas de Deus de que tal atitude consistia em grave traição. O resultado inevitável foi o julgamento de Deus, um juízo que se manifestou na forma de exílio, expulsando os israelitas de sua Terra Prometida.
Apesar da forte punição de Deus às 10 tribos do Norte, por causa das suas transgressões, o reino de Judá não se humilhou perante o seu Deus. Embora o povo de Judá tenha visto seus irmãos do Norte serem levados ao desterro, não levou isso em consideração, e optou em pecar contra Deus (2Rs.17:19) - “Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera”. O rei Ezequias e o rei Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação para Deus.
Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta. Então, também, Deus teve que punir o reino de Judá. O instrumento de punição agora seria o impiedoso rei da Babilônia, Nabucodonosor. Por volta do 19º ano de Nabucodonosor, em 586 a.C., Jerusalém foi destruída no seu terceiro sítio. Tanto as muralhas da cidade quanto o templo de Jerusalém (cuja construção era atribuída ao rei Salomão e que por isso era chamado de o Templo de Salomão) foram destruídos. O resto da cidade ficou em ruínas durante pouco mais de um século até a reconstrução da cidade por autorização do rei da Persa, Ciro. O rei Nabucodonosor enviou muitos judeus para o cativeiro, mas não foram espalhados, e a terra não foi repovoada; era uma política mais complacente do que a do déspota da Assíria.
Após setenta anos no cativeiro, Deus resolve restaurar a nação de Israel. E para isso Ele preparou o rei Ciro, o grande dominador do novel império medo-persa, para dar início a este grande empreendimento.
Daniel, ciente da profecia de Jeremias, segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, ele pediu a Deus para intervir (Dn.9:2,18b,19). As orações de Daniel foram respondidas prontamente. Em 538 a. C., Ciro fez uma grande proclamação, registrada no final de 2Crônicas: 
“Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o senhor, seu Deus, seja com ele” (2Cr.36:23; Ed 1:2,3). 
Começava, assim, a restauração nacional do povo israelita. Ciro, apesar de ser pagão e rei de uma nação idólatra, foi despertado por Deus (Ed.1:1), o qual incutiu a Sua vontade no seu espírito, dominado pelas tradições e pela idolatria, a fim de que cumprisse os Seus desígnios relativos ao povo de Israel. O salmo 126 é um cântico de louvor a Deus porque fez retirar do cativeiro o seu povo. Cumpriu-se, desse modo, a predição feita pelo profeta Isaías há, aproximadamente, 160 anos antes acerca de Ciro, o ungido do Senhor (Is.44:28; 45:1-6).
Entretanto, a maioria dos judeus da dispersão preferiu permanecer em suas casas, especialmente os que moravam em Babilônia, mas aqueles que tinham seus olhos voltados para o propósito eterno de Deus viram no cativeiro um instrumento de correção. E o retorno à pátria era o sinal de que ainda tinham um papel redentor a desempenhar.
2. A restauração espiritual de Israel
Em primeiro lugar, o que é um despertamento espiritual? Antes de mais nada é um retorno à vontade de Deus. Todas as vezes que os crentes voltam aos princípios das Sagradas Escrituras, dá-se um despertamento espiritual. Foi assim no tempo de Josias e na época de Esdras, e o mesmo se verifica quando o povo de Deus, hoje, predispõe-se a executar as tarefas que o Senhor lhe entrega.
No sexto ano do cativeiro, 592 a.C. (nesta época, Jerusalém ainda não havia sido destruída), Ezequiel estava em sua própria casa, na Babilônia, justamente com um concilio de anciãos de Judá, quando repentinamente o Senhor conduziu-o em visão até Jerusalém, onde ele testemunhou uma série de abominações cometidas pelos líderes de Judá no santo Templo de Deus (Ezequiel cap. 8). O resultado foi a partida dos querubins e da glória de Deus do Templo, ficando suspensos sobre o monte das Oliveiras. Isto significava que a aniquilação da cidade estava próxima. Mas, antes que a glória de Deus se afastasse do santo Templo, o profeta ouviu a mesma promessa que todos os seus antecessores ouviram: o povo de Deus passaria por um amargo cativeiro e escravidão por causa de seus pecados, mas Ele mesmo iria dar-lhes um coração novo, para que verdadeiramente o adorassem e servissem, de modo que retornariam para sua terra. Foi o próprio Deus quem disse que haveria uma renovação espiritual do povo de Israel (Ez.11:17-20):
17.Portanto, dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Hei de ajuntar-vos do meio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel.
18.E virão ali e tirarão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
19.E lhe darei um mesmo coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne;
20.para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
Os setenta anos de cativeiro se passaram e chega o tempo de restauração nacional e espiritual do povo judeu. Todavia, nem todos os judeus foram despertados. Veja o verso 5 do capítulo 1 de Esdras: “Todos aqueles cujo espírito Deus despertara”. Isto nos faz entender que a maioria dos deportados para a Babilônia preferiu ficar na terra do seu cativeiro. Como bem diz o pr. Eurico Bergstén, “Deus quer usar o homem como seu instrumento; todavia, só são usados aqueles que cooperam com Deus, aqueles que seguem a orientação divina por livre arbítrio. O homem é livre para obedecer ou não a orientação divina. Por isso, nem todos os que experimentam um despertamento adquirem o mesmo progresso espiritual, porque não abrem igualmente seu coração para Deus, a fim de obedecer à risca a orientação divina (Pv.23:26, Dt.6:5)”.
Os exilados haviam sido assentados em uma região própria, encontrado emprego e, geralmente, viviam vidas confortáveis. Naquela época, como agora, a prosperidade entorpeceu a paixão de muitos do povo escolhido pela luta da Terra Prometida. Contudo, lembremo-nos do que o texto diz: “Aqueles cujo espirito Deus despertara, retornaram”. Os outros que não foram despertados os apoiaram com doações (Ed.1:4). E o Talmude Babilônico, um dos dois mais importantes conjuntos de estudos judaicos da Lei do Antigo Testamento, foi desenvolvido pela comunidade judaica na Babilônia. Podemos dizer que isso também foi um despertamento espiritual? Eles não foram despertados para retornar a sua Terra Prometida, mas foram despertados para contribuir financeiramente para Obra de Deus e ler as Escrituras Sagradas.
Na nossa esfera de atuação espiritual, ou seja, na Nova Aliança, nem todos são chamados a uma missão especial; nem todos são batizados com o Espírito Santo; nem todos são revestidos de dons espirituais e ministeriais na Seara do Mestre. Contudo, Deus tem um plano para cada um no Seu reino. Ele tem um lugar para cada servo Seu, para cada pessoa. Portanto, não sejamos críticos quanto aqueles que não podem ocupar uma determinada posição eclesiástica na Igreja, ou que não possui talento que o eleve a um degrau de maior evidência. Não sejamos críticos quanto aos que não podem ser chamado à mesma posição em que o outro se encontra. Deus usa instrumentos para cooperarem com Ele, mas o autor do despertamento é Ele mesmo. Está escrito: “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus quem opera tudo em todos” (1Co.2:6).
Como bem diz o Pr. Eurico Bergstén: “O despertamento é um mistério. As coisas humanas podem ser explicadas, previstas e calculadas. Mas a operação do Espírito Santo é diferente. Jesus disse: ‘O vento assopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do espírito’ (João 3:8). Nós, na verdade, podemos ver o resultado do despertamento, e até mesmo sentir a operação das virtudes do século futuro” (Hb.6:5). Mas na verdade nada sabemos e nada entendemos do poder de Deus’” (LBM).
III. DEUS CUMPRE AS SUAS PROMESSAS
1. A fidelidade de Deus em suas promessas
Deus é fiel em cumprir Suas promessas dadas ao seu povo, porque Ele é justo (Ne.9:8). Ele nunca deixa de cumprir suas promessas, mesmo que as circunstâncias preguem o contrário. Ele não depende da lógica humana e nem das circunstâncias para cumprir aquilo que prometeu realizar. Ele não mente (Dt.23:19) - “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala e deixa de agir? Acaso promete e deixa de cumprir?” (Nm.23:19). Ele não falha - “De todas as boas promessas do ­Senhor à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram” (Josué 21:45).
“Paulo demonstra que a ‘promessa de Deus’ tem a qualidade de uma aliança, porque cada palavra de Deus é segura e certa, livre do legalismo e da dependência do esforço do homem (por exemplo, Rm.4.13-16; Gl.3.16 18; cf. Hb.11.40)" (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro. CPAD, 2006, p.1611).
Com relação ao povo judeu exilado, Deus tinha feito uma promessa pela boca do profeta Jeremias:
“Porque assim diz o Senhor: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar (Jr.29:10).
Deus despertou o rei Ciro para que essa promessa fosse cumprida. Foi proclamado um pregão autorizando os judeus a retornar a Judá e reconstruir o Templo em Jerusalém. Além disso, Ciro ordenou aos países vizinhos que contribuíssem generosamente com o remanescente que retornava a Israel. Não importa o instrumento, Deus cumpre literalmente a Sua Palavra proferida; e foi isto que ocorreu com o povo judeu. Jeremias profetizou:
“Assim, pois, diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, acerca dos utensílios que ficaram na Casa do Senhor, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém: À Babilônia serão levados e ali ficarão até ao dia em que os visitar, diz o Senhor. Então, os farei subir e os tornarei a trazer a este lugar” (Jr.27:21,22).
Futuramente, Deus trará de volta todos os judeus exilados, inclusive os descendentes das doze tribos que não sabemos onde estão. Foi Deus quem falou:
“Porque eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei tornar do cativeiro o meu povo de Israel e de Judá, diz o Senhor; e torná-los-ei a trazer à terra que dei a seus pais, e a possuirão”(Jr.30:3).
Jeremias profetizou que os exilados voltariam à sua pátria e possuiriam a Terra Prometida. A promessa foi feita tanto com relação ao reino do Norte (Israel, que fora dispersa em 722 a.C., quando os assírios levaram cativos as dez tribos de Israel) quanto com relação ao reino do Sul (Judá).
Deus já havia predito, desde a época de Moisés, que se Israel não O obedecesse, seria disperso entre todas as nações (Dt.28:15,34). Mas, o Senhor também predisse que tornaria a congregar o Seu povo, transferindo-o de entre as nações da terra para a sua terra de origem (Dt.30:3; Is.11:11-16; Ez.36:8,24; 37:11,12; 38:8).
“E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra” (Ez.36:24).
“Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel; eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados.
Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Jeová: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel” (Ez.37:11,12).
Deus cumpre suas promessas. Estamos numa relação pactual com Deus. Ele prometeu ser o nosso Deus e o Deus dos nossos filhos para sempre. Deus prometeu a Abraão e sua descendência bênçãos pessoais, nacionais e universais. Ele "é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos" (Dt.7:9). Mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar a Si mesmo. "Sim, Senhor Deus, tuas palavras são verdade" (2Sm.7:28).
Ele nos prometeu a vida eterna - “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” (1João 2:25). Portanto, “apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel” (Hb.10:23).
2. Deus renova as suas promessas de bênçãos
Para alcançar as promessas de Deus é preciso estar dentro dos pré-requisitos estabelecidos na Palavra de Deus, sendo uma delas, a obediência à sua Palavra. Quando o povo de Deus resolve voltar-se para Deus e se humilhar perante Ele e o buscar de todo o coração, então, com certeza, Deus renova as suas promessas de bênçãos. Está escrito:
“e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra“(2Cr.7:14).
a) “Se humilhar”. Deus aceita o coração quebrantado, que se vê na dependência dEle para receber o perdão de seus pecados e manter a comunhão. Pessoas com coração altivo não são aceitas pelo Senhor. Quando se imaginava que bastava a pessoa apresentar-se ao Senhor com animais para serem mortos, Deus usa o salmista e diz: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”(Sl.51:17). Portanto, o povo de Deus deve reconhecer as suas faltas, manifestar tristeza pelo seu pecado e renovar seu compromisso de fazer a vontade de Deus. Humilharmo-nos diante de Deus e da sua Palavra importa em reconhecer nossa pobreza espiritual(2Cr.11:16; 15:12,13,15; 34:15-19; Sl.51:17; Mt.5:3).
b) “Orar”. O povo de Deus deve clamar com fervor, pedindo-lhe misericórdia. Deve depender totalmente dele e confiar nele para a sua intervenção. A oração deve ser fervente e perseverante até Deus responder do Céu (cf.Lc.11:1-13;18:1-8; Tg.5:17,18).
c) “Buscar a minha face”. Infelizmente, muitas pessoas não buscam o Senhor em oração. Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano, e nela mostrou a possibilidade de uma pessoa orar, mas não buscando ao Senhor: “O fariseu, estando em pé, orava consigo...”(Lc.18:11). O fariseu não estava orando a Deus: ele orava de si para si mesmo. E esse é o tipo de oração hipócrita. Sua oração não ia além do templo, não chegava à presença de Deus. Sabe por quê? Porque se tratava de uma oração vazia, egoísta, vaidosa, hipócrita, cheia de arrogância, exaltação e pedantismo religioso. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a oração feita com arrogância.
O publicano, pelo contrário, via muito bem a si mesmo e só tinha olhos para os seus pecados. Não tinha nenhuma pretensão, mas apenas a convicção de que era pecador. Esse homem humilde e convicto do seu estado de pecador estava arrependido diante de Deus. Seu único pedido era por piedade, ou seja, por perdão. E Deus ouviu o pecador arrependido e o perdoou. O publicano saiu do Templo perdoado e justificado.
Portanto, o povo de Deus deve, com dedicação, humildade, temor e tremor buscar a Deus de todo o coração e ansiar pelo seu perdão, pela sua presença e pela renovação de suas promessas de bênçãos.
d) “E se converter dos seus maus caminhos”. A oração exige de nós que tornemos a fazer aquilo que agrada a Deus. O povo deve se arrepender com sinceridade, abandonar pecados específicos e todas as formas de idolatria, renunciar o mundanismo e chegar-se a Deus; pedindo misericórdia, perdão e purificação (2Cr.29:6-11; 2Rs.17:13; Jr.25:5; Zc.1:4; Hb.4:16).
Orar é importante, como também ter um coração quebrantado e buscar a face do Senhor, mas não podemos permanecer no pecado. É preciso ter uma atitude de conversão, de mudar de caminho, de não cometer os erros que vimos fazendo. Somente assim haverá uma renovação das promessas de bênçãos e Deus. Pense nisso!
IV. O DESPERTAMENTO TORNA OS HOMENS OBEDIENTES À PALAVRA
Um dos resultados do despertamento é a obediência dos homens a Deus e à Sua Palavra. Depois que houve o despertamento no retorno do exílio babilônico, não houve a introdução de qualquer mistura de cultos pagãos entre o povo de Deus.
Estes foram os benefícios do cativeiro babilônico:
1. Cura da idolatria
Este foi um dos grandes benefícios espirituais de Israel durante o cativeiro. Com o transcorrer dos dias no exílio, a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles. Na verdade, engendrou um despertar antagônico com relação a idolatria, por suas associações de caráter nacional (ver Sl.137), bem como por suas profundas convicções, nascidas da grandeza e divindade de sua antiga religião, que não podia se comparar com a dos babilônios. Eles amavam intensamente o seu culto, sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que Jeová era o Senhor de toda a Terra. Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus Jeová perante os babilônios, e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral.
2. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram
O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas – lugar de reunião e adoração – Mt.4:23) e, portanto, quando enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.
3. Em Jerusalém, o culto, conforme os ritos da Lei, foi restabelecido (Ne.12:43).
“E sacrificaram, no mesmo dia, grandes sacrifícios e se alegraram, porque Deus os alegrara com grande alegria; e até as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que a alegria de Jerusalém se ouviu até de longe”.
Quando o povo retornou do cativeiro, o despertamento espiritual levou-o a oferecer a Deus o verdadeiro culto, conforme Deus exigia. O texto sagrado de Neemias afirma que ao chegarem no Templo, ofereceram “grandes sacrifícios” em meio a ruidosas manifestações de júbilo (Ne.12:43).
O sistema sacrificial da Lei era apenas uma sombra do que Jesus iria realizar no futuro, através de Sua morte na cruz. Deus Pai enviou Seu Filho Jesus para ser o sacrifício pelo pecado. Obedecendo à vontade do Pai, Cristo entregou Seu corpo como uma oferta definitiva, permitindo que o pecado do homem fosse removido (Hb.10:5-10). Assim, Deus revogou o primeiro sacrifício, que dependia da morte de animais, para estabelecer o segundo sacrifício, que dependia da morte de Cristo.
  • Na Antiga Aliança, centenas de sacerdotes levitas ofereciam, continuamente, sacrifícios que “nunca jamais podem remover [apagar completamente] pecados” (Hb.10:11); mas o sacrifício de Cristo removeu os pecados, de uma vez por todas.
  • Os sacerdotes araônicos ofereciam sacrifícios pelo pecado, dia após dia; Cristo sacrificou-se uma só vez.
  • Os sacerdotes araônicos sacrificavam animais; Cristo ofereceu a si mesmo.
  • Os sacrifícios dos levitas apenas cobriam o pecado; o sacrifício de Cristo removeu o pecado.
  • Os sacrifícios dos levitas cessaram; o sacrifício de Cristo tem eficácia eterna.
Assim, Cristo está agora assentado “à destra de Deus” (Hb.10:12; cf.Hb.1:3;8:1;12:2), o que demonstra que Ele completou Sua obra, obedientemente, e foi exaltado a uma posição de poder e honra.
Na Nova Aliança, não precisamos mais oferecer sacrifícios de animais ao Senhor. Todavia, devemos apresentar-nos a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável que é o nosso culto racional (Rm.12:1).
4. Em Jerusalém, o ensino da Palavra de Deus estava no pedestal (Ne.8:2,3)
O despertamento dado pelo Espírito Santo faz com que os crentes desejem intensamente ler e estudar a Palavra de Deus:
“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação [...] E leu nela [...] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne.8:2,3).
Os capítulos 8 a 10 de Neemias descrevem um dos maiores despertamentos espiritual do Antigo Testamento e apontam vários instrumentos fundamentais para um avivamento e renovação espirituais; são eles: a Palavra de Deus (Ne.8:1-8), a oração (Ne.8:6), a confissão de pecados (Ne.cap.9), um coração quebrantado e contrito (Ne.8:9), renúncia às práticas pecaminosas da sociedade contemporânea (Ne.9:2) e renovação do compromisso de andar segundo a vontade de Deus e de fazer da Palavra de Deus a nossa regra de fé e prática (Ne.10:29).
Ressalte-se que não há possibilidade alguma de despertamento espiritual sem que se tenha o devido cuidado e a prioridade no ensino da Palavra de Deus. Os avivamentos ocorridos no Antigo e no Novo Testamento, bem como ao longo da história da Igreja, só tiveram resultados duradouros quando começaram e prosseguiram sob o ensino da Palavra de Deus.
Lamentavelmente, em nossos dias, vivemos a predominância de uma concepção sem qualquer base bíblica, qual seja, a de que avivamento se confunde com prevalência de manifestações sobrenaturais e que o crente avivado é aquele que participa de tais ambientes, onde pouco ou nenhum espaço é dado ao ensino da Palavra de Deus. No entanto, quando abrimos a Bíblia Sagrada, não vemos um só caso de avivamento que não esteja centrado, baseado, fundamentado no ensino das Escrituras. Portanto, Avivamento sem o ensino e a prática das Escrituras Sagradas é apenas movimento passageiro que não dá frutos.
Quando Esdras leu e explicou as Escrituras Sagradas ao povo, que estava em profunda reverência perante o púlpito levantado para este fim, houve muita alegria profundo compromisso de mudança de comportamento e de caráter. Veja o que o texto sagrado diz (Ne.8:1-9):
“E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.
E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, assim de homens como de mulheres e de todos os sábios para ouvirem, no primeiro dia do sétimo mês.
E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei.
E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim [...].
E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! —, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra.
E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaseias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaías, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto.
E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.
E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei”.
Há uma profunda conexão ente o ensino fiel das Escrituras Sagradas e o despertamento espiritual. Sempre que a Palavra de Deus é exposta com poder há uma profunda manifestação do Espírito Santo, gerando despertamento espiritual na vida do povo.
5. Houve uma busca maior pela santidade: os sacerdotes e o povo se purificaram
“E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo...”(Ne.12:30).
a) Os sacerdotes se purificaram. Note que os sacerdotes são citados primeiro na ordem de purificação. Isto não é de se estranhar, pois aqueles que ministram no santuário devem ser realmente os primeiros a estarem purificados diante de Deus. Ser um ministro não significa ter isenção de falhas. Por isso, é necessário que aqueles que estão à frente ao rebanho sejam sempre os primeiros a estarem diante de Deus puros, sem mácula, a fim de que, com seu exemplo de vida, possam ter autoridade para exortar o rebanho. Lembremo-nos de que há líderes que tem autoridade e a utilizam por força da função que possuem, mas seu exemplo de vida deixa a desejar; e há aqueles que possuem autoridade e a utilizam de forma correta porque sua vida tornou-se um referencial com base no exemplo que transmitem.
b) O povo se purificou. Além dos sacerdotes, o povo também se purificou para festejar ao Senhor. A liderança deu o exemplo de sujeição a Deus e o povo fez também a sua parte. Se por um lado os sacerdotes fizeram os rituais prescritos na Lei de Moisés para se purificarem, o povo entendeu que a purificação não deveria estar circunscrita ao campo sacerdotal, mas que individualmente, cada um dos habitantes de Jerusalém era responsável por sua própria purificação, para apresentarem-se diante do Senhor. Até as mulheres e crianças, que não eram contadas entre os homens, participaram da celebração (Ne.12:43). Deus não fez distinção entre quem era contado pelos homens e quem não era. Ele derramou a alegria em todos, pois todos estavam participando daquela celebração em nome dEle.
Os sacerdotes e os levitas se purificaram e purificaram o povo. Isso nos dá uma lição: devemos chegar diante de Deus com vidas limpas e levantar mãos santas. Jamais poderá haver louvor e adoração se não houver dedicação de vidas ao Senhor. Somos uma nação de levitas e sacerdotes chamados para a adoração (1Pd.2:9), por isso devemos ter uma vida purificada. O apóstolo Paulo assim nos exorta: "Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" (2Co.7:1).
A santificação é parte integrante da vida cristã, e o cristão que não deseja a santificação está perdendo o temor a Deus. Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo - “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...”(1Tes.4:3).
6. A revelação do remanescente fiel
O cativeiro revelou um remanescente fiel, preservado de modo sobrenatural por Deus, para que retornassem a Jerusalém. Esse remanescente fiel não foi absorvido no meio da terra do seu cativeiro, como havia sucedido a outros povos conquistados. Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir, preservar e editar antigas narrações. Por conseguinte, podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do cristianismo, uma vez que forneceu, por meio desta preservação literária, ao povo da nova aliança – a Igreja de Cristo -, sua mensagem, a saber, o Antigo Testamento.
CONCLUSÃO
Para que tenhamos um verdadeiro despertamento espiritual, para que nos santifiquemos e nos tornemos fortes espiritualmente, é mister que sejamos iluminados e a única luz que existe é a Palavra de Deus (Sl.119:105). Portanto, se quisermos igrejas avivadas, comecemos pela Palavra de Deus. Sem ela, não pode haver avivamento.  
Qualquer movimento espiritual que dispense o estudo das Escrituras, que dispense a meditação na Palavra do Senhor, que se faça de reuniões onde há muita oração, muito louvor, muito sobrenaturalismo, muito “reteté” e nenhuma ou pouquíssima exposição da Palavra de Deus é algo que não tem origem em Deus e que não pode produzir vida espiritual alguma.
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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
(1) Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.
Hernandes Dias Lopes. Daniel - Um homem amado do Céu. Hagnos.
Hernandes Dias Lopes. Neemias – O líder que restaurou uma nação.