terça-feira, 1 de abril de 2025

O VERBO QUE SE TORNOU EM CARNE

        2º Trimestre de 2025

SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 01

Texto Base: João 1.1-14

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

João 1:

1.No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2.Ele estava no princípio com Deus.

3.Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.

4.Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens.

5.E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6.Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7.Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

8.Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.

9.Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo,

10.a Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.

11.Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12.Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos

de Deus: aos que creem no seu nome,

13.Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

14.E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

INTRODUÇÃO

Neste 2º trimestre de 2025 estudaremos o Evangelho de João, que se destaca especialmente por centrar-se no ministério de Jesus. O tema geral do trimestre é: “E O VERBO SE FEZ CARNE - Jesus sob o olhar do Apóstolo do amor”.

Dentre os vários tópicos a serem estudados, discutiremos a divindade de Jesus, a obra transformadora do Espírito Santo, os milagres realizados pelo Mestre, crucificação, morte e ressurreição do Senhor.

Nesta primeira lição estudaremos sobre o seguinte tema: “o Verbo que se tornou em carne”. O Evangelho de João se inicia com uma das declarações mais sublimes das Escrituras: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Esta afirmação enfatiza a divindade e eternidade de Cristo, revelando que Ele não apenas estava presente na criação, mas também é o próprio Criador. João utiliza o termo grego Logos (Verbo) para descrever Jesus como a plena expressão de Deus ao mundo, Aquele que traz vida e luz à humanidade.

Nesta lição introdutória, exploraremos a estrutura do Evangelho de João, seu contexto teológico e suas ênfases principais, destacando como ele difere dos evangelhos sinóticos. Também analisaremos o impacto dessa revelação extraordinária: Deus se fez homem, habitou entre nós e nos revelou sua glória, cheia de graça e verdade (João 1:14).

I. O EVANGELHO DE JOÃO

1. Autoria e data

O Evangelho de João tem sido amplamente atribuído ao apóstolo João, um dos doze discípulos de Jesus e identificado como “o discípulo a quem Jesus amava” (João 21:20). A tradição cristã, desde os primeiros séculos, sustenta essa autoria, sendo corroborada por testemunhos dos Pais da Igreja, como Irineu de Lião (século II) e Clemente de Alexandria. Além disso, há forte evidência interna no próprio texto, especialmente no capítulo 21, onde o autor se refere a si mesmo de maneira indireta, indicando sua proximidade com Cristo e sua participação nos eventos narrados (João 21:24).

Quanto à data da escrita, a maioria dos estudiosos sugere um período entre 80 e 90 d.C. Diferente dos evangelhos sinóticos, que foram escritos anteriormente, João escreveu seu relato com uma abordagem mais reflexiva e teológica, destacando aspectos profundos da identidade divina de Jesus.

2. O propósito do Evangelho

O propósito do Evangelho de João não é apenas relatar os feitos de Cristo, mas estabelecer de maneira clara e inquestionável sua divindade. Isso se evidencia nos primeiros versículos, onde Jesus é descrito como o “Verbo Divino” (Logos), um conceito que aponta para sua existência eterna e sua função como a revelação suprema de Deus ao mundo (João 1:1). A afirmação “a Palavra que se fez carne” (João 1:14) é central para a cristologia joanina, pois destaca a encarnação de Cristo, demonstrando que o Deus eterno assumiu a natureza humana para redimir a humanidade.

Dessa forma, o Evangelho de João se distingue por sua profundidade teológica e seu propósito evangelístico, sendo um testemunho poderoso da divindade de Jesus e da salvação oferecida a todos os que nele creem.

“Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).

3. A Natureza de Jesus

O Evangelho de João apresenta uma das mais ricas exposições sobre a dupla natureza de Cristo – sua plena divindade e plena humanidade. Desde o primeiro versículo, João enfatiza a pré-existência e divindade de Jesus ao identificá-lo como o Verbo que estava com Deus e era Deus (João 1:1). No entanto, esse mesmo Verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1:14), revelando de forma inequívoca que Cristo assumiu a condição humana sem deixar de ser Deus.

Embora João tenha como ênfase principal a divindade de Cristo, ele também deixa claro que Jesus viveu como um verdadeiro ser humano. Em João 8:39,40, Jesus se refere a si mesmo como um homem que lhes dizia a verdade de Deus, mostrando sua identidade dentro da história humana. Além disso, João registra episódios que revelam aspectos genuinamente humanos de Jesus, como sua fadiga (João 4:6), sede (João 19:28), emoções (João 11:35), compaixão (João 6:5) e até sua morte física (João 19:30).

No entanto, a humanidade de Cristo não diminui sua divindade, mas a complementa no cumprimento do plano redentor. A morte expiatória de Jesus é um dos pontos centrais do Evangelho de João. João Batista já o apresenta como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29), antecipando seu sacrifício na cruz. A morte de Cristo não é um evento acidental ou apenas consequência da perseguição humana, mas parte essencial do plano divino para a salvação da humanidade. Como afirma João, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16), demonstrando que o sacrifício de Jesus é um ato voluntário de amor redentor.

Portanto, o Evangelho de João apresenta uma cristologia equilibrada, afirmando que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A sua divindade garante que Ele tem poder para salvar, enquanto a sua humanidade assegura que Ele pode se compadecer de nossas fraquezas e ser o mediador perfeito entre Deus e os homens (Hb.4:15; 1Tm.2:5). Essa compreensão é essencial para uma fé cristã sólida e bíblica.

Sinopse I – O EVANGELHO DE JOÃO

O Evangelho de João foi escrito pelo apóstolo João, conforme evidenciado no próprio texto (João 21:20,24) e nos testemunhos dos Pais da Igreja. Acredita-se que tenha sido redigido entre 80 e 90 d.C., com o objetivo de apresentar uma doutrina genuína sobre a divindade de Jesus Cristo. João utiliza expressões como “Verbo Divino” e “a Palavra que se fez carne” para destacar a identidade eterna e divina de Cristo.

Diferente dos evangelhos sinóticos, João tem uma abordagem mais teológica e evangelística, estruturando sua narrativa em torno de sinais miraculosos e discursos profundos de Jesus. O apóstolo destaca que sua intenção ao escrever é levar os leitores a crerem que Jesus é o Filho de Deus e, assim, receberem a vida eterna (João 20:31).

Embora o Evangelho de João enfatize fortemente a divindade de Cristo, ele também apresenta sua humanidade. Jesus é mostrado como um verdadeiro homem, que sentiu sede, cansaço, emoção e dor (João 4:6; 11:35; 19:28,30). Essa dupla natureza é essencial para a compreensão do plano da redenção, pois sua divindade lhe confere poder para salvar, enquanto sua humanidade o torna o sacrifício perfeito pelos pecados da humanidade. Assim, João revela um Cristo plenamente Deus e plenamente homem, que veio ao mundo para cumprir a obra da salvação.

II. JESUS, O VERBO DE DEUS

1. A revelação que ultrapassa o passado

O Evangelho de João se inicia com uma declaração grandiosa e profundamente teológica: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Ao redigir essa introdução, João provavelmente fez uma alusão intencional a Gênesis 1:1, onde está escrito: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. No entanto, enquanto Gênesis relata o início da criação do mundo, João aponta para a eternidade do Verbo (Logos), destacando que Ele já existia antes mesmo de todas as coisas serem criadas.

Essa afirmação revela três verdades fundamentais sobre o Verbo:

a)   Sua eternidade. O uso da expressão "no princípio" não significa um momento específico no tempo, mas sim a ideia de que o Verbo sempre existiu. Ele não foi criado, mas é eterno, sem começo nem fim, assim como Deus.

b)  Sua distinção dentro da Trindade. João declara que o Verbo estava “com Deus”, o que indica uma relação íntima e pessoal dentro da divindade. Isso aponta para a coexistência do Filho com o Pai desde a eternidade, revelando o mistério da Trindade.

c)   Sua divindade absoluta. A terceira afirmação, “o Verbo era Deus”, remove qualquer dúvida sobre a natureza do Verbo: Ele é da mesma essência de Deus. João não diz apenas que o Verbo estava com Deus, mas que Ele é Deus. Essa é uma das declarações mais poderosas sobre a divindade de Cristo em toda a Escritura.

O apóstolo João, ao descrever Jesus como o “Logos”, utiliza um termo que tinha grande significado tanto para os judeus quanto para os gregos. Para os judeus, o "Verbo" remetia à Palavra de Deus que criava e revelava (Sl.33:6; Is.55:11). Para os gregos, o Logos era o princípio racional que sustentava o universo. João revela que esse Verbo não é um conceito abstrato, mas uma pessoa real – Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Dessa forma, João apresenta Jesus como a revelação suprema de Deus, existente desde a eternidade e plenamente divino. Ele não apenas estava no princípio, mas transcende o tempo e a história, sendo o Criador de todas as coisas (João 1:3). Essa verdade central do Evangelho de João fundamenta a fé cristã e nos convida a reconhecer Jesus como o Deus eterno que veio ao mundo para trazer luz e vida à humanidade.

2. A natureza fundamental do Verbo

O apóstolo João, ao apresentar Jesus como o Verbo (Logos) de Deus, enfatiza sua eternidade e divindade. Assim como Deus é eterno, o Verbo também o é, pois Ele não teve princípio e jamais terá fim. Essa verdade é reforçada em Apocalipse 1:8, onde Jesus é descrito como “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”, um título que pertence exclusivamente a Deus. A sequência “que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” reafirma que Cristo não apenas existia no passado, mas continua existindo no presente e para toda a eternidade.

No Evangelho de João, essa natureza divina do Verbo é central. O evangelista faz questão de mostrar que Jesus não é meramente um mestre ou profeta, mas a Palavra Encarnada de Deus. Ao dizer que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14), João utiliza o termo grego (skenóō), que significa "armar tabernáculo" ou "habitar temporariamente", remetendo à presença de Deus no tabernáculo no Antigo Testamento. Isso revela que, em Cristo, Deus veio habitar de forma plena entre os homens.

A encarnação do Verbo é um dos maiores mistérios e fundamentos da fé cristã. Deus não apenas se revelou por meio de palavras ou sinais, mas se fez homem, assumindo a nossa natureza para nos redimir (Fp.2:6-8). Essa verdade é confirmada ao longo do Evangelho de João, onde Jesus é reconhecido como Deus por aqueles que creram n’Ele. Após a ressurreição, Tomé, diante de Cristo, exclama: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28), demonstrando o reconhecimento pleno de sua divindade.

Assim, João apresenta Jesus como o Verbo eterno e Todo-Poderoso, digno de adoração, pois Ele é Deus manifestado em carne. Sua existência transcende o tempo, sua natureza é divina, e sua missão é trazer salvação à humanidade. Reconhecê-lo como tal é essencial para a fé cristã e para a adoração verdadeira.

3. “No princípio era o Verbo” (João 1:1)

O primeiro versículo do Evangelho de João, “No princípio era o Verbo”, contém uma das declarações teológicas mais profundas sobre a identidade de Cristo. No original grego, a palavra traduzida como “Verbo” é “Logos”, termo que possui uma riqueza de significados tanto na cultura judaica quanto na filosofia grega.

Para os judeus, o Logos estava associado à Palavra de Deus, que era viva, criadora e reveladora. No Antigo Testamento, Deus criou todas as coisas por meio de sua Palavra: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus” (Sl.33:6). Além disso, a Palavra de Deus era instrumento de revelação e comunicação divina com seu povo (Is.55:11).

Para os gregos, especialmente dentro da filosofia estoica, o Logos representava o princípio racional que ordenava e sustentava o universo. Era visto como a "razão suprema" ou o "princípio divino" que dava sentido ao cosmos.

João, ao iniciar seu Evangelho, não apenas se apropria desse conceito, mas o ressignifica de maneira singular e cristocêntrica: o Logos não é uma força abstrata ou um princípio filosófico, mas uma pessoa real – Jesus Cristo. Ele não apenas expressa a verdade de Deus, mas Ele é a própria manifestação de Deus na história humana.

O apóstolo explica que esse “Verbo’ estava no princípio, revelando sua eternidade; estava com Deus, demonstrando sua distinção dentro da Trindade; e era Deus, afirmando sua plena divindade. João enfatiza que Jesus é a revelação suprema de Deus ao mundo: “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18).

Assim, Jesus Cristo é o Logos de Deus, a expressão visível do Deus invisível (Cl.1:15). Ele não apenas comunica a verdade de Deus, mas é a própria Verdade (João 14:6). Em Cristo, Deus se faz conhecido de maneira plena e acessível, trazendo luz e vida à humanidade. O Evangelho de João, portanto, apresenta o Verbo como a revelação definitiva do Pai, a encarnação da glória divina, e o meio pelo qual Deus se relaciona com os homens.

Sinopse II – JESUS, O VERBO DE DEUS

O apóstolo João inicia seu Evangelho apresentando Jesus como o Verbo (Logos) de Deus, destacando sua eternidade e divindade. Ao afirmar “No princípio era o Verbo” (João 1:1), João remete a Gênesis 1:1, enfatizando que o Verbo já existia antes da criação, sendo coeterno com Deus. Diferente da criação, que teve um início, o Verbo é eterno, estava com Deus e era Deus.

Essa revelação ultrapassa o tempo e a história, pois Jesus não apenas esteve no princípio, mas é o próprio Alfa e Ômega, o Princípio e o Fim (Ap.1:8). João reforça que Jesus é a Palavra Encarnada de Deus, aquele que veio ao mundo para manifestar plenamente a glória divina e habitar entre os homens (João 1:14). Ele não é apenas um mensageiro de Deus, mas o próprio Deus que se fez carne para redimir a humanidade.

O conceito de Logos, presente no grego do Novo Testamento, carrega a ideia de expressão e comunicação. Para os judeus, a Palavra de Deus era viva e poderosa, atuando na criação e revelação divina. Para os gregos, o Logos representava o princípio racional que sustentava o universo. João redefine esse conceito ao afirmar que o Logos não é uma força impessoal, mas uma pessoa real – Jesus Cristo, a suprema Revelação de Deus.

Dessa forma, Jesus é a expressão visível do Deus invisível (Cl.1:15), aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas e que se revelou ao mundo para trazer luz e vida. Seu papel como o Verbo de Deus é central para a fé cristã, pois Ele é a própria Verdade, a plena manifestação do Pai e o único caminho para a salvação (João 14:6).

III. A ENCARNAÇÃO DO VERBO

1. A manifestação do Verbo e a Luz do mundo

João, ao introduzir Jesus como o Verbo Eterno, também o apresenta como o Criador de todas as coisas, afirmando que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Essa declaração não apenas confirma a divindade de Cristo, mas também sua participação ativa na criação. Assim como Deus trouxe à existência o mundo por meio de sua Palavra (Gn.1:1-3), Jesus, o Verbo, é aquele por meio de quem toda a criação foi formada.

Em seguida, João estabelece um contraste fundamental entre luz e trevas. No Evangelho, a luz representa a vida e a verdade de Deus, enquanto as trevas simbolizam a obscuridade espiritual resultante do pecado e da alienação de Deus. João declara que “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:5), demonstrando que, embora Jesus tenha vindo para iluminar o mundo, muitos rejeitaram sua mensagem.

Para preparar o caminho do Messias, Deus enviou João Batista como testemunha da Luz (João 1:6-8). João Batista não era a luz, mas foi o precursor de Cristo, aquele que anunciava sua chegada e chamava as pessoas ao arrependimento. Sua missão era conduzir os corações à verdadeira Luz, que é Jesus, o Salvador do mundo.

Entretanto, a reação da humanidade à Luz foi marcada por rejeição. João afirma que Cristo veio para o que era seu, mas os seus não o receberam (João 1:11). Os homens, presos às trevas do pecado e endurecidos espiritualmente, preferiram rejeitar a Luz em vez de aceitá-la. Essa rejeição não foi apenas um ato humano, mas a consequência da cegueira espiritual que domina aqueles que estão afastados de Deus.

Contudo, aqueles que receberam a Luz de Cristo foram transformados. João destaca uma promessa maravilhosa: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). Isso significa que a encarnação do Verbo trouxe não apenas uma revelação divina, mas também a possibilidade de salvação e adoção espiritual para todos os que crerem em seu nome.

Portanto, Jesus não é apenas o Criador, mas também o Redentor, a Luz do mundo que veio dissipar as trevas do pecado. Seu convite continua ecoando: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Aqueles que o recebem experimentam uma nova identidade como filhos de Deus, sendo chamados das trevas para sua maravilhosa luz (1Pd.2:9).

2. O privilégio de nos tornarmos filhos de Deus

A declaração de João em João 1:12,13 é uma das mais sublimes promessas do Evangelho: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome”. Esse versículo revela um privilégio extraordinário concedido àqueles que aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

No Antigo Testamento, Israel era considerado o povo escolhido de Deus, mas com a vinda de Cristo, a graça salvadora foi estendida a toda a humanidade. Enquanto muitos judeus rejeitaram a salvação oferecida por meio do Messias, Deus, em seu infinito amor, abriu as portas da redenção para todos, independentemente de raça, etnia ou origem. Tanto judeus quanto gentios agora têm igual acesso à filiação divina, não pelo nascimento físico ou herança cultural, mas pela fé em Cristo Jesus.

João enfatiza que essa nova filiação não ocorre por descendência natural, vontade humana ou esforço próprio, mas é resultado da graça de Deus: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:13). Isso significa que não é pelo mérito, mas pela soberana obra regeneradora de Deus que nos tornamos seus filhos.

Essa verdade é reafirmada em 1João 3:1: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus”. Aqui, João exalta a imensidão do amor divino, que transforma pecadores em filhos legítimos do Senhor. Essa adoção espiritual confere uma nova identidade ao crente, garantindo acesso à presença de Deus, herança celestial e relacionamento íntimo com o Pai.

Portanto, ao crermos em Jesus, não apenas recebemos o perdão dos pecados e a salvação, mas somos adotados na família de Deus. Esse é um dos maiores privilégios da vida cristã: não somos apenas servos ou criaturas de Deus, mas seus filhos amados, herdeiros das promessas e participantes de sua glória eterna (Rm.8:16,17). Glórias sejam dadas a Deus pela Sua maravilhosa graça!

3. A manifestação e a habitação do Verbo

A declaração de João “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14) é uma das mais profundas e reveladoras verdades do Evangelho. Aqui, a eternidade toca o tempo, o transcendente se torna imanente, e Deus entra na história humana de forma definitiva. O apóstolo João não apresenta apenas um conceito teológico, mas uma realidade concreta: o Deus eterno se fez homem em Cristo Jesus.

A expressão “o Verbo se fez carne” significa que Deus não apenas se revelou, mas assumiu plenamente a natureza humana. Essa verdade contrasta com a mentalidade grega e filosófica da época, que considerava o mundo material inferior ou impuro. No entanto, João proclama que o próprio Logos eterno se tornou um de nós, assumindo um corpo físico, experimentando emoções, sofrimentos e limitações humanas, sem jamais perder sua divindade.

Outro aspecto relevante é a expressão “e habitou entre nós”. No original grego, a palavra usada para “habitou” (skenoo) significa literalmente “armar sua tenda” ou “tabernacular”. Essa linguagem remete ao Tabernáculo do Antigo Testamento, onde Deus habitava no meio do seu povo (Êx.25:8,9). Antes, a presença divina se manifestava em um santuário construído pelos israelitas; agora, em Jesus, Deus habita pessoalmente entre os homens.

Além disso, João enfatiza que nós contemplamos a sua glória (João 1:14), o que remete à Shekinah, a glória visível de Deus que enchia o Tabernáculo no deserto e, mais tarde, o Templo. Essa glória, agora, não é mais vista em uma nuvem ou coluna de fogo, mas na pessoa de Jesus Cristo, cheio de graça e verdade.

O apóstolo conclui essa revelação destacando que, enquanto Moisés deu a Lei, Jesus trouxe a graça e a verdade (João 1:17). A Lei revelava a justiça de Deus, mas Cristo revelou sua plenitude graciosa e salvadora. Em Jesus, Deus não está distante, mas acessível, visível e presente. Ele é a suprema revelação do Pai, e, por meio dele, podemos conhecer a Deus de maneira pessoal e íntima (João 1:18).

Portanto, a encarnação do Verbo não é apenas um evento histórico, mas o maior ato de amor e redenção da humanidade. Deus não apenas falou ao homem; Ele veio até nós, viveu entre nós e nos revelou plenamente sua glória e seu amor salvador.

Sinopse III – A ENCARNAÇÃO DO VERBO

O apóstolo João apresenta a encarnação do Verbo como o evento central da revelação de Deus à humanidade. Primeiramente, destaca que Jesus é a Luz do mundo, que veio dissipar as trevas do pecado, embora muitos tenham rejeitado essa Luz (João 1:4-12). No entanto, àqueles que a receberam, foi concedido o privilégio de se tornarem filhos de Deus, não por mérito próprio, mas pela fé no nome de Jesus (João 1:12,13).

Por fim, João afirma que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14), revelando que Deus não apenas visitou o mundo, mas escolheu viver entre os homens. A expressão “habitou” remete ao Tabernáculo do Antigo Testamento, onde Deus manifestava sua presença. Agora, em Cristo, essa presença divina é plenamente revelada, trazendo graça, verdade e salvação a todos os que creem. Assim, a encarnação do Verbo é a manifestação suprema do amor de Deus, proporcionando ao ser humano acesso direto ao Pai.

CONCLUSÃO

Nesta primeira lição, estudamos a grandiosa verdade de que o Verbo se tornou em carne. O Evangelho de João nos revela Jesus como o Logos eterno de Deus, que estava com o Pai desde o princípio e que, no tempo determinado, se fez homem para habitar entre nós. Ele não apenas veio ao mundo, mas manifestou a glória divina, trazendo a plenitude da graça e da verdade.

Vimos que João enfatiza tanto a divindade quanto a humanidade de Cristo, mostrando que Ele é o Criador, a Luz do mundo e o Redentor. Ao assumir a forma humana, Jesus revelou plenamente o caráter e o amor do Pai, oferecendo a todos a oportunidade de se tornarem filhos de Deus pela fé.

A encarnação do Verbo não é apenas um evento teológico, mas a maior demonstração do amor de Deus pela humanidade. Ele veio ao mundo para restaurar nossa comunhão com o Pai, iluminando aqueles que estavam em trevas e trazendo salvação e vida eterna.

Diante dessa revelação, nossa resposta deve ser de fé, adoração e compromisso com Cristo. Que possamos reconhecer a grandeza dessa verdade e permitir que a Luz do Verbo transforme nossas vidas, conduzindo-nos a um relacionamento mais profundo com Deus.

 

Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. CPAD.

Dicionário VINE.CPAD.

O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.

Pr. Hernandes Dias Lopes. João. HAGNOS.

2 comentários:

  1. Que bênção, o comentário desta lição. Deus te abençoe meu irmão!

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  2. Boa Noite e a Paz do Senhor. Que Deus te abençoe e continue a te usar no evangelismo e no ensino da Palavra de Deus.

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