“Pela fé, ofereceu
Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas
ofereceu o seu unigênito” (Hebreus 11:17).
Este texto de Hebreus 11:17 mostra a maior de todas as
provas que Abraão enfrentou. Pela fé, ele triunfou e pode nos ensinar a passar
pelas provas vitoriosamente. Deus prometeu um filho a Abraão e que faria dele
uma grande nação:
- Uma nação
diferente de todas as demais nações;
- Uma nação em que
Deus estaria presente para sempre;
- Uma nação de onde
viria o Messias, Cristo, que resgataria o homem da perdição do pecado e o
reconciliaria novamente com Deus.
Porém,
havia dois grandes problemas, humanamente falando:
1) O casal era muito
idoso: Abrão tinha 75 anos e Sara 65 anos de idade;
2) E o pior: Sara era
estéril. Gênesis 11:30 diz que Sara era estéril. Logo, Deus tinha que fazer um
milagre.
Para
Deus nada é impossível. Quando Ele promete, cumpre no tempo determinado por
Ele. E a promessa foi cumprida 25 anos depois, ou seja, quando Abraão tinha 100
anos e Sara 90 anos de idade. Veja o que o apóstolo Paulo diz a respeito de
Abraão em Romanos 4:19-21:
19.
E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido
(pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de
Sara;
20.
E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé,
dando glória a Deus;
21.
E estando certíssimo de que o que Ele tinha prometido também era poderoso para
o fazer.
Quando
Isaque nasceu, foi uma grande alegria para o lar de Abraão. Foi um grande e
notório milagre. Isaque era tratado com grande carinho e cuidado, como se fosse
a joia preciosa jamais encontrada.
Mas...
Agora
que Isaque já é um adolescente, Deus pede esse filho a Abraão em holocausto. Parecia
ser um paradoxo, um contrassenso. Isto pregava contra a lógica humana. Mas Deus
nunca precisou da lógica humana para realizar os seus planos. Abraão obedece
prontamente, sem questionar, por entender que Deus era poderoso para
ressuscitar seu filho, como está escrito em Hebreus 11:19: “Porque considerou
que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos...”.
Em
Gênesis 22:3-5 está escrito:
3.
Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou
consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o
holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado.
4.
Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe.
5.
Então disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até
lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.
Humanamente
falando, isso é inacreditável. Só uma fé inabalável faz com que o ser humano
aja dessa maneira. Sem fé, esse ato seria loucura, seria paranoia. Sem fé, o
gesto de Abraão seria um atentado criminoso. Sem fé, Abraão seria um carrasco
sem coração, e não um homem de Deus.
A
fé sempre é provada, para mostrar que ela é verdadeira, resiliente, que resiste
a todas as provas.
A
fé verdadeira não se enfraquece nas provas, mas torna-se ainda mais robusta e
combativa.
As
provas não só testam a fé, mas a revigoram. Os músculos exercitados tornam-se
mais fortes.
Deus
pede a Abraão seu filho amado, o melhor que ele tem. Deus pede tudo. Pede mais
do que sua vida. Pede seu amor. Pede seu filho em sacrifício.
Foi
um momento muito difícil, tribuloso, para Abraão.
O
apóstolo Paulo diz que as tribulações produzem paciência, e esta conduz a ricas
e profundas experiências.
Deus
provou Abraão não para envergonhá-lo ou derrotá-lo, mas para aprová-lo e
elevá-lo.
À
medida que subia o monte Moriá, Abraão estava seguro de que Deus proveria à sua
necessidade. E no momento em que ia imolar Isaque, Deus proveu o cordeiro, e
este tomou o lugar de Isaque: “Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de
si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e
o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho” (Gn.22:13).
Isso
nos ensina uma grande verdade: Deus proveu para nós o Cordeiro imaculado que
tira o pecado do mundo — Jesus — para que não morrêssemos eternamente. A pior
morte não é a física, e sim a morte eterna — a separação eterna de Deus.
Assim,
Abraão descobriu um novo nome para Deus: Jeová-Jiré
— “O Senhor proverá”. Jeová-Jiré nos ajuda a entender algumas verdades sobre a
provisão do Senhor:
Ø Primeiro: onde o Senhor
provê às nossas necessidades? Deus provê no lugar que Ele determina. Deus
determinou que Abraão fosse ao monte Moriá. Abraão estava no lugar em que Deus
mandou que estivesse. Do jeito que Deus mandou. Na hora que Deus mandou. Por
isso, Deus proveu para ele. A estrada da obediência termina na porta aberta da
provisão. Não temos o direito de esperar a provisão de Deus se não estivermos
no centro da vontade de dele.
Ø Segundo: quando o Senhor
provê? Exatamente quando temos a necessidade — nem antes, nem depois. No momento que Abraão ia imolar Isaque Deus
providenciou o cordeiro. Do ponto de vista humano, isso pode parecer muito
tarde, mas Deus nunca chega atrasado. O relógio de Deus não se atrasa.
-Aconteceu com os discípulos no mar da Galileia. Quando os discípulos
estavam passando por grandes tempestades, Jesus apareceu para socorrê-los,
embora na quarta vigília da noite; isto é, no tempo de Deus.
-Aconteceu com Ana, mãe de Samuel. Ela era estéril, mas Deus
proveu para ela no momento certo, porque Deus não queria que Ana somente fosse
mãe, mas a mãe do maior profeta de Israel.
-Aconteceu com José – filho de Jacó - no Egito. José
estava na prisão. Interpretou o sonho do copeiro-mor. O copeiro que foi
absorvido devia ter intercedido por José, mas não o fez. Por quê? Porque se José
tivesse saído daquela prisão no tempo que ele desejava, o máximo que teria
acontecido a ele seria continuar sendo escravo na casa de Potifá. Porém, Deus o
queria como governador da maior potência do mundo de então, o Egito.
-Aconteceu com Lázaro, irmão de Maria e Marta.
Se Jesus tivesse atendido o pedido de Maria e Marta, e curado Lázaro, ele só
seria mais um dentre aqueles que Jesus costumeiramente curava. Mas Jesus queria
muito mais: queria que todos soubessem que Ele era Deus. Queria que todos
soubessem que a vida só a Ele pertence. Queria que Deus fosse grandiosamente
glorificado naquele tão grande feito.
Ø Terceiro: a quem Deus provê?
A todos os que confiam n’Ele e obedecem às suas instruções. Quando você está
onde Deus o mandou estar, fazendo o que Deus o mandou fazer, então pode esperar
a provisão de Deus em sua vida. Quando a obra de Deus é feita do jeito que Ele
manda, nunca falta a sua provisão. O Senhor não tem obrigação de abençoar
minhas ideias e meus projetos, mas Deus é fiel para cumprir Suas promessas.
Ø Quarto: por que Deus
provê? Para a glória do Seu próprio nome. Deus foi glorificado no monte
Moriá porque Abraão e Isaque fizeram a vontade de Deus. Esse episódio foi uma
antecipação da expressão mais profunda e eloquente do amor de Deus por nós: a
entrega de seu Filho Unigênito para morrer em nosso lugar. Como nenhum outro
episódio, este aponta para o amor do Pai e o sacrifício de Jesus na cruz.
Assim
como Abraão, Deus não poupou seu próprio Filho (Hb.11:17; Rm.8:32). O apóstolo
Paulo diz que Deus não poupou seu próprio Filho, antes o entregou por todos nós
(Rm.8:32). Diz ainda, que Deus prova seu amor para conosco pelo fato de Cristo
ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm.5:8). No topo do calvário,
pela fé, contemplamos uma bandeira que tremula e proclama: "Deus
proverá". Ele providenciou para nós perdão e salvação.
Creia:
existe sempre um fim glorioso depois das provas de Deus. Ele não desperdiça nosso
sofrimento. Jó disse: “Mas Ele sabe o caminho por onde ando; provando-me,
sairei como o ouro” (Jó 23:10).
Deus
opera através das provações para aperfeiçoar a nossa fé. Está escrito: “sabendo
que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg.1:3). “Nisso
exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais
contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da
vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo,
redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1Pd.1:6,7).
Do
mesmo modo que o ouro precisa do fogo para ser refinado ou purificado, o
cristão passa pelas provações para que a sua fé “redunde em louvor, glória e
honra na revelação de Jesus Cristo”.
O
sofrimento é o meio através do qual a fé, testada no fogo da adversidade, pode
ser purificada e então fortalecida. Desta forma, a ideia não é a de que
provações determinam se uma pessoa tem fé ou não; as provações visam fortalecer
a fé que já existe em nós.
Resultados da fé
obediente de Abraão:
1) Ele recebeu a
aprovação de Deus (Gn.22:11,12). Porque Abraão obedeceu à vontade de Deus e
procurou agradá-lo, Deus lhe disse: “...Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me
aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois
agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o teu único filho”. Abraão
agora é um homem aprovado pelo céu.
2) Deus devolveu Isaque a
Abraão.
A Bíblia diz que Isaque foi morto figuradamente: “Porque considerou que Deus
era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também,
figuradamente, o recobrou” (Hb.11:19). Vemos aqui uma figura da ressurreição de
Cristo. Isaque morreu figuradamente (Hb.11:19). Seu retorno do Monte do sacrifício
representa a sua ressureição. Ele era um sacrifício vivo.
3) Abraão recebeu a
promessa de uma nação diferente de todas as outras nações da terra. Foi uma promessa sob
juramento: “e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o
SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras
te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas
dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade
dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste
à minha voz” (Gn.22;16-18).
No
monte Moriá, Abraão conheceu Deus como aquele que provê na hora da aflição; por
isso o chamou de Jeová-Jiré, o Senhor
proverá - "no monte do Senhor, se proverá" (Gn.22:14).
Deus
provê o que você precisa! Portanto, não precisa temer! Como está a sua fé? “Sem
fé é impossível agradar a Deus”. Sem fé, você não consegue passar pelas provas
vitoriosamente.
As
provas são inevitáveis em nossa jornada rumo à Terra Prometida - o Paraíso.
Você
crê em Deus a ponto de obedecer e colocar no altar o seu “Isaque” (perder
aquilo que você mais ama, mais gosta)?
Faça
hoje mesmo um pacto de obediência, assim como Abraão fez, independentemente das
circunstâncias.
Amém?
Luciano
de Paula Lourenço
(Adaptado
do Livro: “Quatro homens, um destino”, do Pr. Hernandes Dias Lopes).
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