3º Trimestre de
2026
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 02
Texto Base: Atos
13:44-52
“Porque o Senhor
assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação
até aos confins da terra” (Atos 13:47).
Atos 13:44-52
44.E, no sábado seguinte, ajuntou-se
quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus.
45.Então, os judeus, vendo a multidão,
encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia.
46.Mas Paulo e Barnabé, usando de
ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de
Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis
que nos voltamos para os gentios.
47.Porque o Senhor assim no-lo mandou:
Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da
terra.
48.E os gentios, ouvindo isto,
alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam
ordenados para a vida eterna.
49.E a palavra do Senhor se divulgava
por toda aquela província.
50.Mas os judeus incitaram algumas
mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram
perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus limites.
51.Sacudindo, porém, contra eles o pó
dos pés, partiram para Icônio.
52.E os discípulos estavam cheios de
alegria e do Espírito Santo.
INTRODUÇÃO
Após o chamado missionário de Paulo e
Barnabé na igreja de Antioquia, a narrativa de Atos avança para um novo e
decisivo momento da história da Igreja: a abertura da porta da fé aos gentios.
A Primeira Viagem Missionária marca o início de uma expansão mais ampla e
organizada do Evangelho, demonstrando que a salvação oferecida por Cristo não
estava restrita ao povo judeu, mas destinava-se a todas as nações.
Os capítulos 13 e 14 de Atos registram
essa extraordinária jornada missionária, realizada sob a direção do Espírito
Santo. Enviados pela igreja de Antioquia e acompanhados inicialmente por João
Marcos, Paulo e Barnabé percorreram diversas regiões do mundo romano,
anunciando o Evangelho em Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe.
Em cada cidade, enfrentaram desafios, oposição e perseguições, mas também
testemunharam a poderosa ação de Deus transformando vidas e formando novas
comunidades cristãs.
Essa viagem revelou uma importante
mudança no desenvolvimento da Igreja Primitiva. Embora Paulo e Barnabé
continuassem anunciando a mensagem primeiramente aos judeus, a crescente
rejeição por parte de muitos deles abriu caminho para que os gentios recebessem
o Evangelho com alegria e fé. Cumpriam-se, assim, as promessas divinas de que
todas as famílias da terra seriam alcançadas pela salvação em Cristo.
O tema desta lição destaca exatamente
esse momento histórico em que a porta da fé foi aberta aos povos gentílicos.
Veremos como Deus dirigiu seus servos, confirmou a pregação da Palavra com
sinais e maravilhas e estabeleceu igrejas entre pessoas que antes estavam
distantes das promessas da aliança. Aprenderemos também que a expansão do
Evangelho ocorreu em meio a grandes desafios, mostrando que nenhuma oposição
pode impedir o avanço do propósito de Deus.
Assim, esta lição nos ensina que a
salvação é universal em seu alcance, embora pessoal em sua aceitação. A mesma
porta da fé que se abriu aos gentios continua aberta hoje para todos os que
creem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
I - A MISSÃO EM
CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA ABERTA ENTRE OS GENTIOS
1. O envio
missionário e o avanço da Palavra
“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo:
Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então,
jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. E assim estes,
enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”
(Atos 13:2-4).
A Primeira Viagem Missionária de Paulo
e Barnabé marca o início de uma nova etapa na expansão do Evangelho. Lucas faz
questão de destacar que essa obra não nasceu de um projeto humano, mas da
iniciativa do próprio Deus. O Espírito Santo chamou, separou e enviou seus
servos para uma missão específica (At.13:2-4), demonstrando que a evangelização
dos povos faz parte do plano divino para a humanidade.
Após serem enviados pela igreja de
Antioquia, Paulo e Barnabé seguiram para Selêucia e, dali, navegaram para
Chipre, ilha localizada no mar Mediterrâneo e terra natal de Barnabé. A escolha
de Chipre não foi aleatória. Além dos vínculos pessoais de Barnabé com a
região, já existiam ali sementes do Evangelho lançadas anteriormente por
cristãos dispersos após a perseguição que se seguiu à morte de Estêvão
(At.11:19). Deus estava preparando o caminho para uma colheita espiritual mais
ampla.
Ao chegarem a Salamina, os missionários
anunciaram a Palavra de Deus nas sinagogas judaicas (At.13:5). Essa prática se
tornaria uma característica do ministério de Paulo. Sempre que possível, ele
iniciava sua pregação entre os judeus, cumprindo o princípio expresso em
Romanos 1:16: “primeiro os judeus e também os gentios”. Contudo, o objetivo
final era que a mensagem alcançasse todos os povos, sem distinção.
Lucas também registra a presença de
João Marcos como cooperador da equipe missionária. Isso nos ensina que a obra
de Deus não é realizada por indivíduos isolados, mas por pessoas que trabalham
em unidade, servindo segundo seus dons e chamados. A missão cristã é uma tarefa
coletiva, na qual cada servo possui uma contribuição importante.
Ao percorrerem toda a ilha até chegarem
a Pafos (At.13:6), Paulo e Barnabé demonstraram perseverança e compromisso com
a missão recebida. Eles não aguardaram que as pessoas viessem até eles; foram
ao encontro daqueles que precisavam ouvir a mensagem da salvação. Esse
movimento revela uma das marcas da Igreja missionária: levar o Evangelho onde
as pessoas estão.
O avanço da Palavra em Chipre mostra
que Deus abre portas quando seus servos obedecem à sua direção. A missão
prospera quando a Igreja permanece fiel às Escrituras, sensível à voz do
Espírito Santo e comprometida com a proclamação do Evangelho. A obra
missionária continua sendo, acima de tudo, uma parceria entre Deus e sua
Igreja, na qual o Senhor dirige e seus servos obedecem.
Assim, a experiência de Paulo e Barnabé
nos ensina que a evangelização eficaz nasce da iniciativa divina, é conduzida
pelo Espírito Santo e requer disposição para seguir a direção de Deus, mesmo
diante dos desafios e incertezas da jornada.
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O que aprendemos neste item? Aprendemos que a obra missionária tem
sua origem em Deus. Foi o Espírito Santo quem chamou, separou e enviou Paulo
e Barnabé para anunciar o Evangelho, mostrando que a missão não é uma
iniciativa humana, mas um propósito divino. Também aprendemos que a expansão do
Evangelho exige obediência e disposição para seguir a direção de Deus. Paulo
e Barnabé deixaram Antioquia e avançaram para novos territórios porque
confiaram na orientação do Espírito Santo. O crescimento da obra de Deus
acontece quando a Igreja permanece fiel à Palavra, trabalha em unidade e está
comprometida em levar a mensagem de Cristo a todos os povos. A missão avança
porque Deus continua abrindo portas para a proclamação do Evangelho. |
2. O confronto com
as trevas e a vitória do Evangelho (Atos 13:6-8)
“E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu,
mágico, falso profeta, chamado Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio
Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito
ouvir a palavra de Deus. Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim
se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul” (Atos 13:6-8).
Ao atravessarem toda a ilha de Chipre,
Paulo e Barnabé chegaram a Pafos, a capital romana da província. A cidade era
conhecida por sua influência política e por sua intensa idolatria. Ali se
encontrava um famoso templo dedicado à deusa Afrodite, tornando Pafos um
importante centro religioso pagão. Foi nesse ambiente de superstição, imoralidade
e engano espiritual que o Evangelho enfrentou sua primeira grande oposição na
missão aos gentios.
Lucas relata que o procônsul Sérgio
Paulo, homem prudente e inteligente, desejava ouvir a Palavra de Deus (At.13:7).
Essa disposição demonstra que Deus já estava preparando corações para receber o
Evangelho. Entretanto, quando a verdade começou a ser anunciada, surgiu a
resistência. Elimas, também chamado Barjesus, um mágico e falso profeta judeu,
procurou impedir que o governador romano aceitasse a mensagem da salvação.
Esse episódio revela uma importante
realidade espiritual: sempre que o Evangelho avança, as forças das trevas
procuram se opor à obra de Deus. O inimigo sabe que a pregação da Palavra
transforma vidas e liberta pessoas do engano. Por isso, tenta criar obstáculos,
dúvidas e resistências para impedir que os pecadores cheguem ao conhecimento da
verdade.
Diante daquela situação, Paulo, cheio
do Espírito Santo, discerniu a verdadeira natureza da oposição e repreendeu
Elimas com firmeza:
“Ó filho do diabo,
cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não
cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? Eis aí, pois, agora, contra
ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo
instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava
a quem o guiasse pela mão” (Atos 13:10,11).
O apóstolo não agiu por impulso
pessoal, mas sob a direção do Espírito Santo. O juízo divino foi imediato: o
mágico ficou temporariamente cego. Aquele que procurava impedir que outros
vissem a luz da verdade passou a experimentar fisicamente a própria escuridão
espiritual em que vivia.
O resultado foi extraordinário. Ao
testemunhar aquele acontecimento, Sérgio Paulo creu no Evangelho, maravilhado
não apenas com o milagre realizado, mas principalmente com a doutrina do Senhor
(At.13:12). O sinal confirmou a mensagem pregada e demonstrou a superioridade
do poder de Deus sobre toda forma de engano espiritual.
Esse acontecimento marca um momento
importante na expansão missionária. O Evangelho venceu a oposição, alcançou uma
autoridade romana e demonstrou que nenhuma barreira espiritual pode impedir o
avanço da obra de Deus. Onde a luz de Cristo brilha, as trevas são vencidas. O
poder do Espírito Santo continua sendo maior do que qualquer resistência humana
ou espiritual.
A experiência de Pafos nos ensina que a
missão cristã envolve confronto espiritual. Contudo, também nos assegura que
Deus continua sustentando seus servos e confirmando sua Palavra. Quando a
Igreja permanece fiel ao Evangelho e dependente do Espírito Santo, a verdade
prevalece e vidas são transformadas para a glória de Deus.
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O que aprendemos neste item? Aprendemos que a proclamação do
Evangelho frequentemente enfrenta oposição espiritual. Assim como Elimas
tentou impedir Sérgio Paulo de crer, ainda hoje existem forças que procuram
afastar as pessoas da verdade de Deus. Também aprendemos que o Espírito
Santo capacita os servos de Deus para enfrentar essas resistências com
discernimento, autoridade e firmeza. O poder de Deus é sempre superior ao
poder das trevas. Vemos, por fim, que quando o
Evangelho é anunciado com fidelidade, vidas são alcançadas e transformadas. A
conversão de Sérgio Paulo demonstra que ninguém está fora do alcance da graça
de Deus, e que a luz de Cristo continua triunfando sobre toda forma de engano
e escuridão espiritual. |
3. Confiando no
poder transformador do Evangelho (Atos 13:9-12)
“Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e
fixando os olhos nele, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de
toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos
caminhos do Senhor? Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás
cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas
caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão. Então,
o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do
Senhor” (Atos 13:9-12).
O episódio ocorrido em Pafos demonstra de
maneira clara o poder transformador do Evangelho. Diante da mesma mensagem
pregada por Paulo e Barnabé, duas reações completamente diferentes surgiram. De
um lado estava Sérgio Paulo, o procônsul romano, que demonstrou interesse
sincero em ouvir a Palavra de Deus. Do outro lado estava Elimas, o mágico, que
procurou resistir à verdade e impedir que o governador aceitasse a mensagem do
Evangelho.
Esse contraste revela uma importante
realidade espiritual: o Evangelho sempre exige uma resposta. Alguns recebem a
mensagem com fé e humildade; outros resistem à sua influência por causa de
interesses pessoais, orgulho ou apego ao pecado. Elimas percebeu que, caso
Sérgio Paulo aceitasse a Cristo, sua influência e seus interesses seriam
ameaçados. Por isso, procurou afastá-lo da fé, tornando-se um instrumento de
oposição à obra de Deus.
Lucas destaca que Paulo estava cheio do
Espírito Santo quando confrontou Elimas (At.13:9). Enquanto o apóstolo era
guiado pela verdade divina, o mágico vivia dominado pelo engano espiritual. O
confronto não ocorreu entre dois homens apenas, mas entre a verdade do
Evangelho e as forças que procuravam impedir seu avanço. Por essa razão, Paulo
denunciou a verdadeira condição espiritual de Elimas, chamando-o de “filho do
diabo” e “inimigo de toda justiça” (At.13:10).
O juízo temporário de cegueira que caiu
sobre Elimas serviu como confirmação da autoridade divina que acompanhava a
mensagem pregada. Curiosamente, Paulo, que anos antes havia sido
temporariamente cegado no caminho de Damasco para reconhecer a verdade de
Cristo, agora vê Deus usar um sinal semelhante para confrontar alguém que
lutava contra essa mesma verdade. O objetivo não era apenas punir, mas
demonstrar que ninguém pode impedir o avanço dos propósitos de Deus.
O resultado foi a conversão de Sérgio
Paulo. Ao testemunhar aqueles acontecimentos e ouvir a doutrina do Senhor, ele
creu no Evangelho (At.13:12). Lucas deixa claro que o governador ficou
impressionado não apenas com o milagre, mas principalmente com a mensagem de
Cristo. O sinal confirmou a Palavra, mas foi a verdade do Evangelho que
produziu fé em seu coração.
Esse episódio também marca uma
importante transição no livro de Atos. A partir daqui, Lucas passa a utilizar
predominantemente o nome Paulo, forma greco-romana pela qual o apóstolo era
conhecido entre os gentios. Além disso, Paulo assume posição de maior destaque
na narrativa missionária, tornando-se o principal instrumento de Deus na
evangelização do mundo gentílico.
A conversão de um alto oficial romano
em um ambiente profundamente pagão demonstra que o Evangelho possui poder para
alcançar qualquer pessoa, independentemente de sua posição social, influência
ou contexto cultural. Nenhuma barreira é grande demais para a graça de Deus.
Quando a Palavra é anunciada sob a direção do Espírito Santo, vidas são
transformadas e o Reino de Deus avança.
Assim, Pafos nos ensina a confiar no
poder do Evangelho. Mesmo diante da oposição, da incredulidade ou das trevas
espirituais, a mensagem de Cristo continua sendo o poder de Deus para a
salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16).
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O que aprendemos neste item? Aprendemos que o Evangelho produz
diferentes reações nas pessoas: alguns o recebem com fé, enquanto outros
resistem por causa de seus interesses, preconceitos ou incredulidade. Também aprendemos que nenhuma
oposição é capaz de impedir os propósitos de Deus. O Espírito Santo fortalece
seus servos e confirma a verdade do Evangelho, fazendo prevalecer a luz sobre
as trevas. Enfim, vemos que o Evangelho possui
poder para transformar qualquer vida. A conversão de Sérgio Paulo demonstra
que a graça de Deus alcança pessoas de todas as classes sociais e que a
mensagem de Cristo continua sendo eficaz para salvar e transformar aqueles
que creem. |
II - A MISSÃO EM
ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O EVANGELHO QUE ILUMINA
1. A exposição
apostólica que revela Cristo nas Escrituras (Atos 13:16-43)
“E, levantando-se Paulo e pedindo silêncio com a mão, disse: Varões
israelitas e os que temeis a Deus, ouvi:” (Atos 13:16).
Ao chegarem a Antioquia da Pisídia,
Paulo e Barnabé seguiram a prática habitual de anunciar o Evangelho
primeiramente na sinagoga judaica. Após a leitura das Escrituras, Paulo recebeu
a oportunidade de falar ao povo e apresentou uma das mais importantes mensagens
registradas no livro de Atos. Seu sermão demonstra que toda a história da
redenção encontra seu cumprimento em Jesus Cristo.
Paulo iniciou sua exposição relembrando
os grandes atos de Deus na história de Israel. Falou da escolha dos patriarcas,
da libertação do Egito, da conquista da Terra Prometida, do período dos juízes
e da monarquia israelita. Ao fazer esse resumo histórico, seu objetivo não era
apenas recordar fatos do passado, mas mostrar que Deus conduziu toda a história
com um propósito: preparar a vinda do Messias prometido.
Em seguida, Paulo apresenta Jesus como
o cumprimento das promessas feitas a Israel. Ele declara que Cristo é o
descendente prometido de Davi e o Salvador enviado por Deus (At.13:23). Também
destaca que João Batista preparou o caminho para sua manifestação, cumprindo o
papel profético que lhe havia sido confiado.
O centro da mensagem apostólica está na
morte e ressurreição de Jesus. Paulo explica que, embora os líderes judeus
tenham rejeitado Cristo e o condenado à morte, essa rejeição não anulou o plano
divino. Pelo contrário, os acontecimentos da cruz cumpriram exatamente o que
havia sido anunciado pelos profetas. A ressurreição de Cristo tornou-se a prova
definitiva de que Ele é o Filho de Deus e o Salvador prometido nas Escrituras.
Paulo também proclama uma das verdades
centrais do Evangelho: a justificação pela fé. Ele ensina que, por meio de
Jesus, o perdão dos pecados é oferecido a todos os que creem, algo que a Lei de
Moisés não podia realizar plenamente (At.13:38,39). Essa mensagem representava
uma nova esperança não apenas para os judeus, mas também para os gentios que
buscavam a Deus.
Ao concluir seu sermão, Paulo faz um
apelo solene para que seus ouvintes não rejeitem a graça divina. A resposta foi
imediata. Muitos ouviram com interesse e desejaram conhecer mais sobre a
mensagem anunciada. Enquanto alguns judeus permaneceram resistentes, numerosos
gentios receberam a Palavra com entusiasmo e pediram que os missionários
voltassem a ensinar no sábado seguinte. E assim, "quase toda a
cidade" se reúne para ouvir a Palavra (Atos 13:44), revelando uma abertura
extraordinária ao Evangelho. Nenhum milagre é relatado na cidade, mas a Palavra
de Deus foi pregada com fidelidade e poder, e uma cidade inteira foi despertada
a ouvir a mensagem do evangelho.
Esse episódio demonstra o poder das
Escrituras quando são corretamente interpretadas à luz de Cristo. Paulo não
pregou opiniões pessoais nem mensagens centradas no homem; ele revelou Jesus em
toda a história bíblica. Seu exemplo nos ensina que a verdadeira pregação
cristã deve ter Cristo como centro, mostrando que toda a Bíblia aponta para a
obra redentora realizada por Ele.
A experiência em Antioquia da Pisídia
também revela que o Evangelho continua atraindo aqueles que têm sede da
verdade. Quando Cristo é anunciado com fidelidade, vidas são alcançadas,
corações são despertados e a porta da fé permanece aberta para todos os que
desejam crer.
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O que aprendemos neste item? Aprendemos que toda a Bíblia aponta
para Jesus Cristo. Paulo mostrou que a história de Israel, as promessas
feitas aos patriarcas, os profetas e a linhagem de Davi encontram seu
cumprimento perfeito na pessoa e na obra de Cristo. Também aprendemos que a mensagem
central do Evangelho é a morte, a ressurreição e a justificação pela fé em
Jesus. A salvação não é alcançada pelas obras da Lei, mas pela graça de Deus
recebida mediante a fé. Finalmente, vemos que quando Cristo é
anunciado fielmente, as pessoas são confrontadas com uma decisão: aceitar ou
rejeitar o Evangelho. Aqueles que recebem a mensagem com fé encontram perdão,
salvação e nova vida em Cristo. |
2. A rejeição dos
judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (Atos 13:44,45)
“E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra
de Deus. Então, os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e,
blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia” (Atos 13:44,45).
Após a impactante mensagem pregada por
Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia, a repercussão foi extraordinária. No
sábado seguinte, quase toda a cidade reuniu-se para ouvir a Palavra de Deus
(At.13:44). O interesse da população demonstrava que o Evangelho estava
despertando corações e alcançando pessoas além dos limites da comunidade
judaica.
Entretanto, aquilo que deveria produzir
alegria entre muitos dos judeus acabou despertando inveja e oposição. Lucas
registra que, ao verem as multidões reunidas para ouvir Paulo e Barnabé, alguns
judeus encheram-se de ciúmes e começaram a contradizer e blasfemar contra a
mensagem anunciada (At.13:45). Em vez de se alegrarem porque pessoas estavam
sendo conduzidas à salvação, permitiram que o orgulho e a rivalidade dominassem
seus corações.
Esse episódio revela uma importante
verdade espiritual: o Evangelho produz diferentes reações nas pessoas. A mesma
mensagem que leva alguns ao arrependimento e à fé pode levar outros à
resistência e ao endurecimento. Como escreveu o apóstolo Paulo, a mensagem de
Cristo é “cheiro de vida para vida” para os que creem, mas “cheiro de morte
para morte” para os que a rejeitam (2Co.2:15,16).
A rejeição dos judeus não foi apenas
uma discordância intelectual. Ela representava a recusa em aceitar que Jesus
era o Messias prometido e que a salvação estava sendo oferecida igualmente aos
gentios. Muitos não conseguiam admitir que Deus estava ampliando seu plano
redentor para alcançar todos os povos sem distinção.
Essa situação causava profunda tristeza
ao apóstolo Paulo. Em suas cartas, especialmente em Romanos 9:1-3, ele expressa
sua grande dor ao ver que muitos de seus compatriotas rejeitavam a Cristo.
Paulo amava seu povo e desejava ardentemente sua salvação. Sua decisão de
anunciar o Evangelho aos gentios não nasceu de ressentimento, mas da
constatação de que muitos judeus estavam rejeitando deliberadamente a mensagem
da vida eterna.
Diante dessa resistência, Paulo e
Barnabé responderam com coragem e clareza: “Era mister que a vós se vos
pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais [...] eis que
nos voltamos para os gentios” (At.13:46). Essa declaração não significava o
abandono definitivo dos judeus, mas marcava uma nova fase da missão cristã, na
qual os gentios passariam a ocupar posição de destaque na expansão do
Evangelho.
O que parecia uma derrota
transformou-se em oportunidade para o avanço do Reino de Deus. A rejeição de
alguns abriu caminho para que muitos outros ouvissem a mensagem da salvação.
Assim, cumpria-se o propósito anunciado pelos profetas: Deus faria de seu povo
uma luz para as nações, levando a salvação até os confins da terra (Is.49:6;
At.13:47).
Esse episódio nos ensina que nenhuma
resistência humana pode impedir os planos de Deus. Quando alguns rejeitam o
Evangelho, o Senhor continua abrindo portas para que outros o recebam. A missão
da Igreja é proclamar fielmente a mensagem de Cristo, deixando os resultados nas
mãos de Deus.
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O que aprendemos neste item? Aprendemos
que o Evangelho produz diferentes reações: alguns o recebem com fé e alegria,
enquanto outros o rejeitam por orgulho, incredulidade ou interesses pessoais. Também
aprendemos que Paulo amava profundamente seu povo e sofria ao vê-lo rejeitar
a Cristo. Seu exemplo nos ensina a evangelizar com amor, mesmo quando
enfrentamos resistência ou rejeição. Vemos,
enfim, que os propósitos de Deus não podem ser impedidos. A rejeição de
alguns judeus abriu caminho para que muitos gentios recebessem a mensagem da
salvação, demonstrando que o Evangelho continua avançando para alcançar todos
os povos. |
3. A porta da fé
aberta aos gentios pela graça de Deus (Atos 13:46-49)
“Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós
se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos
não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios. Porque
o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de
salvação até aos confins da terra. E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e
glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para
a vida eterna. E a palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província”
(Atos 13:46-49).
A rejeição de muitos judeus à mensagem
de Cristo não impediu o avanço do plano de Deus. Pelo contrário, tornou ainda
mais evidente aquilo que o Senhor já havia determinado desde o princípio: o
Evangelho seria anunciado a todas as nações. Diante da resistência dos líderes
judeus, Paulo e Barnabé declararam com ousadia que continuariam sua missão
entre os gentios, cumprindo o propósito divino revelado nas Escrituras (At.13:46,47).
A reação dos gentios foi completamente
diferente. Lucas registra que eles se alegraram, glorificaram a Palavra do
Senhor e receberam a mensagem com fé (At.13:48). Aqueles que durante séculos
haviam sido considerados estrangeiros às promessas da aliança agora ouviam que
a salvação também lhes era oferecida por meio de Jesus Cristo. A porta da fé
estava sendo aberta de forma ampla e definitiva aos povos gentílicos.
O texto mostra que a salvação é obra da
graça de Deus, mas também exige uma resposta de fé por parte do ser humano. A
mensagem do Evangelho foi anunciada a todos, porém somente aqueles que a
receberam com fé experimentaram seus benefícios. Enquanto muitos judeus
rejeitaram a Palavra, numerosos gentios a acolheram com alegria e tornaram-se
discípulos de Cristo.
Esse acontecimento representa o
cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Deus havia prometido que seu
Servo seria “luz para os gentios” e levaria a salvação até os confins da terra
(Is.49:6). Em Jesus Cristo, essa promessa começou a se cumprir de maneira
visível. A salvação não estava limitada a um povo ou nação, mas destinava-se a
todos os que cressem.
A oposição, entretanto, não cessou.
Inconformados com o crescimento da obra, os judeus influenciaram pessoas
importantes da cidade e promoveram perseguição contra Paulo e Barnabé,
expulsando-os daquela região (At.13:50). Todavia, mesmo diante da perseguição,
o Evangelho continuou produzindo frutos. Os missionários partiram para novos
campos de trabalho, mas os discípulos que permaneceram em Antioquia da Pisídia
não ficaram desanimados.
Lucas registra um detalhe precioso: “os
discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (At.13:52). Embora
fossem convertidos recentes e tivessem perdido a presença dos missionários que
os haviam discipulado, eles permaneceram firmes na fé. O Espírito Santo supriu
suas necessidades espirituais, fortaleceu seus corações e produziu neles a
alegria que caracteriza a vida cristã.
Esse episódio nos ensina que a obra de
Deus não depende exclusivamente de líderes humanos. Os servos podem partir, mas
o Espírito Santo permanece com a Igreja, fortalecendo os crentes e sustentando
sua caminhada. Onde o Evangelho cria raízes, Deus continua operando e
produzindo crescimento espiritual.
A experiência de Antioquia da Pisídia
também nos lembra que portas continuam sendo abertas pela graça de Deus. Quando
alguns rejeitam a mensagem, outros estão prontos para recebê-la. O papel da
Igreja é permanecer fiel à missão, anunciando Cristo com coragem, confiando que
o Senhor continua chamando pessoas para a salvação e edificando sua Igreja em
todas as nações.
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O que aprendemos neste item? Aprendemos que a salvação oferecida
por Cristo é destinada a todos os povos. Quando muitos judeus rejeitaram o
Evangelho, numerosos gentios o receberam com alegria e fé, demonstrando que a
graça de Deus alcança todas as nações. Também aprendemos que a oposição não
pode impedir o avanço da obra de Deus. Mesmo enfrentando perseguição e
expulsão, Paulo e Barnabé continuaram anunciando o Evangelho em outros
lugares. Vemos, também, que o Espírito Santo
fortalece os crentes e produz alegria mesmo em tempos difíceis. A permanência
dos discípulos em Antioquia da Pisídia mostra que Deus sustenta sua Igreja e
continua abrindo portas para a propagação do Evangelho. |
III - A MISSÃO EM
ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ QUE PERSEVERA
1. Icônio: o
testemunho ousado que enfrenta oposição (Atos 14:1-7)
“Em
Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga judaica e falaram de tal
modo, que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (Atos
14:1).
Após serem expulsos de Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé
seguiram para Icônio, cerca de 145 km ao leste de Antioquia. Icônio era um importante
centro comercial da região da Galácia. Localizada em uma rota estratégica do
Império Romano, a cidade oferecia amplas oportunidades para a propagação do
Evangelho. Mais uma vez, os missionários iniciaram seu trabalho na sinagoga
judaica, seguindo o princípio de anunciar primeiro a mensagem aos judeus e, em
seguida, aos gentios.
Lucas registra que eles falaram "de tal modo" que uma
grande multidão de judeus e gregos creu no Senhor (At.14:1). Essa expressão
revela que a eficácia da pregação não estava na eloquência humana, mas na ação
do Espírito Santo por meio de servos comprometidos com a Palavra de Deus. O
Evangelho era apresentado com clareza, convicção e poder, produzindo resultados
significativos.
Entretanto, onde o Evangelho avança, a oposição também surge. Os
judeus incrédulos passaram a influenciar os gentios e a levantar resistência
contra os missionários e os novos convertidos (At.14:2). O mesmo Evangelho que
unia aqueles que criam também expunha a incredulidade daqueles que rejeitavam a
verdade. Assim, a cidade ficou dividida: alguns apoiavam os apóstolos, enquanto
outros se alinhavam com seus opositores (At.14:4).
Apesar da crescente hostilidade, Paulo e Barnabé não abandonaram
imediatamente o campo missionário. Lucas informa que eles permaneceram ali por
bastante tempo, pregando com ousadia e confiança no Senhor (At.14:3). Deus
confirmou a mensagem da sua graça por meio de sinais e prodígios realizados
pelas mãos dos missionários. Esses milagres não substituíam a pregação, mas
serviam para confirmar a autenticidade da mensagem anunciada. O centro da
missão continuava sendo o Evangelho de Cristo.
Quando a perseguição se intensificou e surgiu um plano para
maltratá-los e apedrejá-los, Paulo e Barnabé decidiram partir para Listra e
Derbe (At.14:5,6). Essa atitude não demonstrou medo nem falta de fé, mas
prudência espiritual. Os servos de Deus não são chamados a buscar o sofrimento
desnecessariamente, mas a agir com sabedoria para preservar a vida e continuar
cumprindo sua missão.
A Bíblia ensina que fé e prudência caminham juntas. Confiar em
Deus não significa ignorar os perigos ou agir de maneira imprudente. O próprio
Senhor concede discernimento para que seus servos saibam quando permanecer e
quando mudar de estratégia. Paulo e Barnabé compreenderam que sua permanência
em Icônio poderia comprometer a continuidade da obra missionária. Por isso,
mudaram de rota sem abandonar o propósito.
Esse episódio demonstra que a oposição não é sinal de fracasso,
mas frequentemente acompanha o avanço do Evangelho. A fidelidade dos
missionários em meio às dificuldades revela que o sucesso da obra de Deus não é
medido pela ausência de perseguições, mas pela perseverança em cumprir a
vontade do Senhor.
Assim, Icônio nos ensina que a Igreja deve proclamar a verdade com
coragem, permanecer firme diante da oposição e agir com sabedoria diante dos
desafios. O Evangelho continua avançando quando seus servos unem ousadia
espiritual e prudência cristã.
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O que
aprendemos neste item? Aprendemos que a pregação fiel do Evangelho produz tanto
conversões quanto oposição. Enquanto muitos creram na mensagem anunciada por
Paulo e Barnabé, outros resistiram e tentaram impedir o avanço da obra de
Deus. Também aprendemos que Deus confirma sua Palavra e fortalece seus
servos em meio às dificuldades. Os sinais e prodígios realizados em Icônio
mostraram que o Senhor estava sustentando a missão e autenticando a mensagem
pregada. Vemos, também, que a verdadeira fé não exclui a prudência. Paulo
e Barnabé confiaram em Deus, mas também agiram com sabedoria ao deixarem a
cidade quando suas vidas estavam ameaçadas. A obra de Deus deve ser realizada
com coragem, discernimento e dependência do Senhor. |
2. Listra:
milagres, confusão religiosa e sofrimento por Cristo (Atos 14:8-20)
“E estava
assentado em Listra certo varão leso dos pés, coxo desde o seu nascimento, o
qual nunca tinha andado. Este ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e
vendo que tinha fé para ser curado, disse em voz alta: Levanta-te direito sobre
teus pés. E ele saltou e andou” (Atos 14:8-10).
Ao chegarem a Listra, cidade predominantemente gentílica e marcada
por fortes influências pagãs, Paulo e Barnabé encontraram um cenário bem
diferente daquele das sinagogas judaicas. Ali, Deus realizou um grande milagre
por intermédio de Paulo. Um homem que era paralítico de nascença, ao ouvir a
mensagem do Evangelho e demonstrar fé, foi curado instantaneamente e começou a
andar (At.14:8-10). Esse milagre confirmou o poder de Deus e abriu uma
oportunidade para a proclamação da mensagem de Cristo.
Entretanto, a reação da multidão revelou a profunda ignorância
espiritual que dominava aquela região. Em vez de reconhecerem a ação do Deus
verdadeiro, os habitantes de Listra concluíram que os deuses haviam descido em
forma humana. Chamaram Barnabé de Júpiter (Zeus) e Paulo de Mercúrio (Hermes),
porque este era o principal orador (At.14:11,12). Influenciados por suas
crenças pagãs e tradições locais, prepararam sacrifícios para homenagear os
missionários como divindades.
A atitude de Paulo e Barnabé diante dessa situação revela uma
importante lição sobre humildade e fidelidade a Deus. Eles rasgaram suas
vestes, sinal de profunda indignação, e correram para o meio da multidão,
declarando que eram apenas homens sujeitos às mesmas limitações humanas (At.14:14,15).
Em vez de aceitarem a honra indevida, direcionaram toda a atenção para o Deus
vivo e verdadeiro, Criador dos céus, da terra e do mar.
O sermão de Paulo em Listra demonstra grande sabedoria
missionária. Diferentemente de Antioquia da Pisídia, onde falou a judeus
familiarizados com as Escrituras, aqui ele adapta sua abordagem ao contexto
gentílico. Em vez de começar pela história de Israel, parte das evidências da
criação e da providência divina, mostrando que Deus sempre testemunhou de si
mesmo por meio da natureza, das chuvas, das colheitas e das bênçãos concedidas
à humanidade (At.14:15-17). A mensagem era a mesma, mas a forma de apresentá-la
foi ajustada ao público ouvinte.
Todavia, a mesma multidão que momentos antes queria adorá-los foi
facilmente manipulada por opositores vindos de Antioquia da Pisídia e Icônio.
Judeus hostis chegaram à cidade, convenceram o povo contra Paulo e provocaram um
violento apedrejamento (At.14:19). A mudança repentina de atitude demonstra
como a fé baseada apenas na emoção ou no entusiasmo superficial pode ser
instável e vulnerável à influência de terceiros.
Paulo foi brutalmente agredido, arrastado para fora da cidade e
dado como morto. Contudo, pela providência de Deus, levantou-se e continuou sua
missão. No dia seguinte, seguiu para Derbe com Barnabé, prosseguindo na obra
evangelística (At.14:20). O apóstolo não permitiu que a perseguição
interrompesse seu compromisso com Cristo. Sua perseverança tornou-se um
poderoso testemunho de fé e dedicação ao Reino de Deus.
A experiência de Listra revela uma importante realidade da obra
missionária: milagres podem abrir portas para o Evangelho, mas também podem
atrair oposição. O verdadeiro sucesso da missão não está apenas nos sinais
realizados, mas na fidelidade em proclamar Cristo, mesmo quando isso implica
sofrimento e perseguição.
Assim, Listra nos ensina que o servo de Deus deve rejeitar toda
glória que pertence ao Senhor, adaptar a comunicação da mensagem sem alterar
sua essência e permanecer fiel a Cristo, mesmo diante das maiores adversidades.
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O que
aprendemos neste item? Aprendemos que os milagres devem conduzir as pessoas a Deus, e
não à exaltação dos instrumentos usados por Ele. Paulo e Barnabé recusaram a
adoração da multidão e direcionaram toda a glória ao Senhor. Também aprendemos que a mensagem do Evangelho é imutável, mas
sua apresentação pode ser adaptada ao contexto dos ouvintes. Paulo soube
comunicar a mesma verdade tanto aos judeus quanto aos gentios, utilizando
pontos de contato adequados para cada público. Enfim, vemos que a obra de Deus envolve não apenas vitórias e
milagres, mas também oposição e sofrimento. Mesmo após ser apedrejado, Paulo
perseverou em sua missão, demonstrando que a fidelidade a Cristo deve
permanecer firme em qualquer circunstância. |
3. Derbe: frutos que
brotam da perseverança (Atos 14:20,21)
“Rodeando-o,
porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu,
com Barnabé, para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito
muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia” (Atos 14:20,21).
Após sofrer o violento apedrejamento em Listra, Paulo poderia ter
considerado encerrada sua missão naquela região. Contudo, fortalecido pela
graça de Deus, levantou-se e continuou sua jornada missionária. No dia
seguinte, juntamente com Barnabé, partiu para Derbe, demonstrando que as
perseguições não eram capazes de deter a expansão do Evangelho nem enfraquecer
seu compromisso com o chamado divino.
Derbe foi a última cidade alcançada por Paulo e Barnabé durante a
primeira etapa de sua viagem missionária. Diferentemente das cidades
anteriores, Lucas não registra grandes perseguições, conflitos ou milagres
extraordinários ocorridos ali. O destaque é dado ao resultado da pregação:
“anunciaram o evangelho naquela cidade e fizeram muitos discípulos” (At.14:21).
Isso nos ensina que o verdadeiro sucesso da obra missionária não é medido
apenas por sinais extraordinários, mas principalmente pela formação de
discípulos comprometidos com Cristo.
A experiência em Derbe demonstra que a perseverança produz frutos.
Paulo chegou à cidade trazendo no corpo as marcas da perseguição sofrida em
Listra, mas não permitiu que as feridas interrompessem sua missão. Em vez de
desistir, continuou anunciando o Evangelho e viu muitas vidas serem alcançadas
pela graça de Deus. O sofrimento não anulou sua vocação; ao contrário, tornou
seu testemunho ainda mais poderoso.
Outro aspecto importante é que Lucas destaca não apenas a
evangelização, mas também o discipulado. O objetivo dos missionários não era
simplesmente obter decisões momentâneas, mas formar seguidores de Jesus
firmados na fé. A missão cristã não termina quando alguém aceita o Evangelho;
ela continua por meio do ensino, do acompanhamento e do fortalecimento
espiritual dos novos convertidos.
A perseverança de Paulo e Barnabé revela que a obra de Deus exige
constância e fidelidade. Muitas vezes, os maiores resultados não surgem nos
momentos de maior visibilidade, mas após períodos de luta, sacrifício e
resistência. Derbe tornou-se um testemunho de que Deus honra aqueles que
permanecem fiéis ao seu chamado.
Esse episódio também nos ensina que o crescimento do Reino de Deus
não depende das circunstâncias favoráveis. Mesmo após perseguições, rejeições e
sofrimentos, o Evangelho continuou produzindo frutos. Quando a Igreja persevera
na missão, Deus continua salvando vidas, edificando discípulos e expandindo seu
Reino.
Assim, Derbe representa a colheita que nasce da perseverança. A
fidelidade de Paulo e Barnabé em meio às adversidades resultou em vidas
transformadas e em uma comunidade de discípulos fortalecida na fé. O mesmo Deus
continua operando hoje por meio daqueles que permanecem firmes em sua vocação e
não desistem diante das dificuldades.
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O que
aprendemos neste item? Aprendemos que a perseverança é indispensável para quem deseja
cumprir o chamado de Deus. Mesmo depois de sofrer perseguição e
apedrejamento, Paulo não desistiu da missão, mas continuou anunciando o
Evangelho. Também aprendemos que o verdadeiro êxito da obra missionária não
está apenas em grandes eventos ou milagres, mas na formação de discípulos
comprometidos com Cristo. Em Derbe, muitos foram alcançados e discipulados na
fé. Por fim, vemos que Deus produz frutos duradouros por meio
daqueles que permanecem fiéis. As dificuldades não podem impedir o avanço do
Evangelho quando os servos de Deus continuam confiando em sua graça e
obedecendo ao seu chamado. |
4. Coragem e zelo
pela Igreja (Atos 14:21-23)
Após anunciarem o Evangelho em Derbe e fazerem muitos discípulos,
Paulo e Barnabé poderiam ter escolhido o caminho mais seguro para retornar a
Antioquia da Síria. Em vez disso, decidiram voltar exatamente pelas cidades onde
haviam enfrentado perseguição — Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia - e
fizeram isso por quatro razões:
a)
Fortalecer a alma dos discípulos (Atos 14:22). Paulo e
Barnabé não se limitaram a evangelizar; também cuidaram espiritualmente
daqueles que haviam crido. Os novos convertidos viviam em ambientes pagãos e
hostis e precisavam de encorajamento para perseverar. A missão cristã envolve
tanto a proclamação do Evangelho quanto o cuidado contínuo com os discípulos.
Evangelizar sem fortalecer os convertidos produz fé frágil; fortalecer sem
evangelizar interrompe a expansão do Reino. A Igreja deve fazer as duas coisas.
b)
Exortar os discípulos a permanecer firmes na
fé (Atos 14:22). Os missionários “exortavam-nos a permanecer firmes na fé”. A
perseverança cristã não acontece automaticamente; ela precisa ser alimentada
pelo ensino da Palavra, pela comunhão e pelo encorajamento espiritual. Paulo
sabia que perseguições, tentações e falsos ensinos poderiam desanimar os
crentes ou desviá-los da verdade. Por isso, o discipulado ocupa lugar central
na vida da Igreja. Crentes firmes na fé são crentes instruídos, acompanhados e
encorajados.
c)
Ensinar uma visão realista da vida cristã
(Atos 14:22). Paulo falou com realismo pastoral: “por muitas tribulações nos
importa entrar no Reino de Deus”. A vida cristã não é isenta de sofrimento.
Seguir a Cristo não significa ausência de lutas, mas presença de Deus no meio
delas. As tribulações não são necessariamente sinal do abandono divino;
frequentemente são instrumentos de amadurecimento, purificação e fortalecimento
da fé. O Evangelho não promete um caminho sem cruz, mas promete a companhia do
Senhor até o fim.
d)
Estabelecer liderança local nas igrejas (Atos
14:23). Além de fortalecer os discípulos, Paulo e Barnabé organizaram as
igrejas, constituindo presbíteros em cada comunidade. Isso mostra que a Igreja
é um organismo espiritual e também uma comunidade que precisa de liderança
madura, reconhecida e responsável pelo cuidado do rebanho. A escolha desses
líderes foi acompanhada de oração e jejum, evidenciando dependência de Deus e
seriedade no processo. Os presbíteros deveriam ensinar a verdade, proteger a
igreja de falsos ensinos e pastorear o povo de Deus com fidelidade.
Ao final, Paulo e Barnabé “os encomendaram ao Senhor em quem haviam
crido” (At.14:23). Depois de evangelizar, discipular e organizar as igrejas,
confiaram aquelas comunidades ao cuidado do próprio Deus.
Essa decisão tomada pelos missionários revela coragem missionária
e profundo cuidado pastoral. O objetivo principal não era evitar riscos, mas
fortalecer as igrejas recém-formadas.
Assim, Atos 14:21-23 mostra que a missão não termina com a
conversão inicial. Evangelização, discipulado, perseverança nas tribulações e
estabelecimento de liderança bíblica fazem parte do mesmo processo de
consolidação da Igreja
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O que
aprendemos neste item? Aprendemos que a missão não termina quando pessoas se convertem.
É necessário fortalecer os discípulos, ensiná-los a permanecer firmes na fé e
prepará-los para enfrentar tribulações com maturidade espiritual. Também aprendemos que a vida cristã envolve perseverança em meio
às dificuldades. Paulo não escondeu as lutas; ensinou que entramos no Reino
de Deus através de muitas tribulações, confiando na presença e no sustento do
Senhor. Igrejas saudáveis precisam de liderança espiritual estabelecida
com oração, jejum e dependência de Deus. Evangelização, discipulado e
organização da igreja caminham juntos no crescimento do Reino de Deus. |
CONCLUSÃO
A Primeira Viagem Missionária de Paulo e Barnabé marcou um momento
decisivo na história da Igreja. Por meio da direção do Espírito Santo, a porta
da fé foi amplamente aberta aos gentios, demonstrando que a salvação em Cristo
não está restrita a um povo ou nação, mas é oferecida a todos os que creem. O Evangelho
ultrapassou barreiras étnicas, culturais e religiosas, cumprindo o propósito de
Deus de alcançar todas as famílias da terra.
Ao longo da jornada por Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio,
Listra e Derbe, aprendemos que a expansão do Reino de Deus ocorre mediante a
pregação fiel da Palavra, a ação poderosa do Espírito Santo e a perseverança
dos servos de Deus. Vimos também que o avanço do Evangelho frequentemente é
acompanhado por oposição, perseguição e sofrimento. Contudo, nenhuma dessas
adversidades foi capaz de impedir a obra divina.
A experiência de Paulo e Barnabé nos ensina que a missão não
consiste apenas em anunciar Cristo, mas também em formar discípulos, fortalecer
os crentes, estabelecer igrejas e preparar líderes para a continuidade da obra.
A evangelização e o discipulado caminham juntos no cumprimento da Grande
Comissão.
Esta lição nos desafia a confiar no poder transformador do
Evangelho, a permanecer firmes diante das dificuldades e a participar
ativamente da missão que Cristo confiou à sua Igreja. Assim como a porta da fé
foi aberta aos gentios no primeiro século, Deus continua abrindo portas em
nossos dias para que o Evangelho alcance aqueles que ainda não conhecem a
Cristo. Cabe à Igreja responder com obediência, coragem e fidelidade,
proclamando a mensagem da salvação até os confins da terra. (At.13:47; Mt.28:19,20).
Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível em: https://luloure.blogspot.com/
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Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e
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