segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

A ORIGEM DA IGREJA

         1º Trimestre/2024

Subsídio para a Lição 01

Texto Base: Atos 2:1,2; 37,38

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At.2:38).

Atos 2:

1.Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

2.e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

37.Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos?

38.E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

INTRODUÇÃO

Com esta Aula damos início ao período letivo da EBD no ano de 2024. No primeiro trimestre estudaremos a respeito da doutrina da Igreja segundo a sua origem, natureza e missão neste mundo. Nesta primeira lição, trataremos da origem da Igreja. Procuraremos responder as seguintes questões: Como o povo de Deus é formado na Bíblia? Como a Igreja foi planejada por Deus? O que a Igreja é de fato? Para Paulo, a Igreja é a “coluna e firmeza da verdade” (1Tm.3:15); para Pedro, a “geração eleita” (1Pd.2:9); para nós, o que a Igreja é? Nesta lição, mostraremos o que a Bíblia, de fato, revela sobre a Igreja de Deus. Veremos que a ekklesia, a Igreja de Deus, longe de ser meramente uma associação de pessoas, é uma instituição divina.

I. O POVO DE DEUS NA BÍBLIA E NA HISTÓRIA

1. No Antigo Testamento

O povo de Deus no Antigo Testamento é primariamente representado pelos israelitas, descendentes de Abraão, a quem Deus escolheu como um povo especial para Si mesmo (Gn.12:1-3). A aliança feita com Abraão foi reafirmada com Moisés na forma da Lei (Torá) no Monte Sinai. Os israelitas foram chamados para obedecer a Deus, viver de acordo com Sua vontade e ser um testemunho às nações ao redor, exibindo a santidade e o amor de Deus. Ao longo do Antigo Testamento, vemos como o povo de Deus enfrentou desafios, rebeliões, castigos divinos e restaurações. Os profetas também desempenharam um papel crucial ao chamarem o povo de volta à fidelidade a Deus e anunciarem a vinda do Messias.

O termo hebraico "qahal" é frequentemente usado no Antigo Testamento para se referir ao ajuntamento, à congregação ou à Assembleia do povo de Deus. Ele descreve o povo de Israel reunido em diversos contextos, sejam eles de natureza cultual, social, política ou cúltica. A palavra "qahal" é usada em várias passagens para descrever o povo escolhido por Deus como uma comunidade unida. Essa reunião poderia ocorrer para a adoração a Deus, para receber instruções religiosas, para tomar decisões importantes, como nos aspectos políticos e legais, ou simplesmente como uma multidão reunida. Em Deuteronômio 4:10, Juízes 20:2, 1Samuel 17:47, 1Reis 8:22, 1Crônicas 13:2 e Neemias 5:7, o termo "qahal" é usado para descrever o povo de Israel reunido em diferentes situações. Isso mostra a ideia de um povo que se reúne, seja para adorar a Deus, tomar decisões coletivas ou simplesmente estar juntos como uma comunidade.

Portanto, o "qahal" no Antigo Testamento refere-se à assembleia ou congregação do povo de Israel, tanto em contextos religiosos quanto em situações sociais, políticas ou comunitárias. Essa assembleia representava a união e identidade do povo de Deus no Antigo Pacto.

2. No Novo Testamento

No Novo Testamento, o povo de Deus é expandido para incluir todos os que creem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Jesus veio não apenas para os judeus, mas para toda a humanidade (João 3:16). A Igreja é frequentemente retratada como o novo povo de Deus, formado por judeus e gentios que se unem em Cristo (Ef.2:14-22). Jesus Cristo inaugurou uma Nova Aliança através do Seu sacrifício na cruz, abrindo o caminho para a salvação e redenção de todos que creem Nele. O Espírito Santo é derramado sobre os crentes, capacitando-os a viverem vidas transformadas e a proclamarem o Evangelho em todo o mundo.

O termo grego "ekklesia" é frequentemente traduzido como "igreja" no Novo Testamento e se refere à assembleia dos crentes em Jesus Cristo. Essa palavra tem uma conotação diferente do termo hebraico "qahal" do Antigo Testamento, especialmente em relação à sua forma e função. Enquanto o "qahal" no Antigo Testamento se referia principalmente ao ajuntamento físico do povo de Israel, o termo "ekklesia" no Novo Testamento adquire um significado mais espiritual e abrangente; ele se refere à comunidade dos crentes em Cristo, independentemente de sua origem étnica, raça ou nacionalidade. A ênfase do termo "ekklesia" está na comunhão espiritual e no vínculo dos seguidores de Cristo, unidos pela fé nele.

Nos escritos do Novo Testamento, a "ekklesia" é frequentemente descrita como o Corpo de Cristo (1Co.12:27), a Noiva de Cristo (Ef.5:25-27), a comunidade dos santos (Atos 9:31), entre outras descrições. Ela é vista como um povo espiritual unido pelo sacrifício de Cristo e pelo poder do Espírito Santo, composto por todos os que creem Nele, independentemente de sua origem étnica ou nacionalidade.

Portanto, a "ekklesia" no contexto neotestamentário difere do termo "qahal" do Antigo Testamento, pois se refere não apenas a uma raça ou nação específica, mas a todos os crentes em Cristo, independentemente de sua origem étnica, unidos em uma comunidade espiritual pela fé em Jesus e redimidos pelo seu sangue.

3. Na história cristã

Ao longo da história cristã, a compreensão do povo de Deus continuou a evoluir. A Igreja passou por períodos de crescimento, perseguição, reformas e expansão global. O entendimento da identidade do povo de Deus, sua missão e propósito foi moldado por teólogos, líderes e eventos históricos.

A Reforma Protestante enfatizou a importância da fé pessoal em Jesus Cristo, a autoridade das Escrituras, a necessidade da evangelização e a centralidade da graça na salvação. Com a Reforma, a Igreja é vista como parte integrante do povo de Deus, convocada para viver em santidade, amor e serviço ao mundo.

Em resumo, para os cristãos evangélicos, o povo de Deus é um conceito dinâmico e abrangente que começa no Antigo Testamento com Israel, se expande para incluir todos os crentes em Jesus Cristo no Novo Testamento e continua a ser uma comunidade chamada para viver em adoração, serviço e testemunho ao redor do mundo ao longo da história cristã.

Historicamente, tem havido uma diferença de interpretação entre as tradições católica e protestante em relação à estrutura e à autoridade da Igreja. A visão católica tende a enfatizar a autoridade papal e a sucessão apostólica, incluindo a ideia de que a autoridade é transmitida através do papado, com o Papa sendo considerado o sucessor de Pedro, enquanto a visão protestante tende a enfatizar a autoridade das Escrituras e a autonomia das Igrejas locais.

Na tradição católica, acredita-se que o Papa, como sucessor de Pedro, detém autoridade suprema sobre a Igreja como um todo, enquanto os bispos em comunhão com ele exercem autoridade sobre suas dioceses individuais. Essa visão é baseada na interpretação de passagens bíblicas, incluindo a passagem de Mateus 16:18,19, onde Jesus diz a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". A tradição católica interpreta essa declaração como uma fundação para a autoridade papal. Só que a expressão “sobre esta pedra" está relacionada à resposta de Pedro, que disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. É sobre Cristo que a Igreja foi edificada e não sobre Pedro. Jesus afirmou que Ele próprio era a pedra (Mt.21:42). A afirmação de Jesus é uma interpretação veraz do Salmo 118:22. O próprio Pedro identifica Jesus como sendo a “pedra” (Atos 4:11,12; 1Pd.2:4-6). E mais: (a) Enquanto Pedro é mencionado na segunda pessoa (tu), a expressão “esta pedra" está na terceira pessoa; (b) Pedro (petros) é um substantivo masculino, enquanto pedra (petra), um feminino singular. Consequentemente, estas palavras não têm a mesma referência. Ainda que Jesus tivesse falado em aramaico, o original grego inspirado traz as distinções.

O interessante é que até as próprias autoridades teológicas católicas concordam que a referência bíblica em estudo não está relacionada a Pedro. O destaque aqui é para João Crisóstomo e Agostinho. Agostinho, em seu comentário sobre o evangelho de João, escreveu: “Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste, eu construirei minha Igreja. Esta Pedra é Cristo; e nesta fundação o próprio Pedro construiu". Assim, não existe fundamento bíblico nem subsidio histórico para consubstanciar a figura de Pedro como papa (Ef.2:20).

Por outro lado, a tradição protestante, especialmente após a Reforma do século XVI, enfatizou a autoridade suprema das Escrituras Sagradas (sola scriptura) e defendeu a ideia de que a Igreja é composta por crentes regenerados, unidos pela fé em Cristo e pela comunhão uns com os outros, não dependendo necessariamente de uma hierarquia eclesiástica centralizada. Jesus Cristo é o Sumo Pastor da Igreja.

A definição apresentada pela denominação pentecostal americana sobre a Igreja reflete uma compreensão teológica que enfatiza a visão da Igreja como o Corpo de Cristo, um conceito que também é encontrado nas Escrituras, especialmente no Novo Testamento. De acordo com essa visão, a Igreja é entendida como o Corpo de Cristo, um organismo espiritual vivo, composto por todos os crentes verdadeiros que estão em comunhão com Deus através do Espírito Santo. É considerada como a habitação de Deus, onde o Espírito Santo opera e reside entre os crentes.

A referência bíblica a essa compreensão da Igreja pode ser encontrada em várias passagens, como em Efésios 1:22,23, que fala sobre Cristo como a Cabeça sobre todas as coisas para a Igreja, que é o seu Corpo, e em Efésios 2:22, que menciona os crentes sendo edificados juntos para serem morada de Deus no Espírito. Além disso, a referência a "a igreja dos primogênitos, que estão inscritos no céu", em Hebreus 12:23, sugere a ideia de uma Assembleia Universal dos redimidos. Essa perspectiva pentecostal destaca a importância da presença e do poder do Espírito Santo na vida da Igreja e a inclusão de todos os crentes, regenerados, como parte integrante da Assembleia Universal dos redimidos, unidos por sua fé em Cristo e pelo trabalho do Espírito Santo em suas vidas.

A ênfase na Grande Comissão, que é a incumbência dada por Jesus Cristo aos seus discípulos para fazerem discípulos de todas as nações (Mt.28:18-20), destaca o papel missionário e evangelístico da Igreja na propagação do evangelho e no cumprimento do propósito de Deus na Terra.

É importante observar que diferentes tradições e denominações cristãs têm suas próprias ênfases teológicas e interpretações das Escrituras em relação à natureza e à missão da Igreja. Essas interpretações podem variar, mas todas buscam compreender e viver conforme os princípios fundamentais da fé cristã conforme encontrados nas Escrituras.

II. A IGREJA COMO CRIAÇÃO DIVINA

1. A Igreja como um ideal de Deus

Desde a eternidade, a Igreja estava no coração de Deus e foi idealizada por Ele. O texto de Efésios 1:4 destaca que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. Isso sugere que a eleição e o propósito da Igreja foram estabelecidos por Deus desde a eternidade, como parte de Seu plano redentor.

Além disso, o apóstolo Paulo, em sua Carta aos Efésios, faz referência a um "mistério" que foi revelado (Ef.3:3-6), e esse mistério é identificado como a Igreja. Isso implica que a ideia da Igreja como um Corpo de crentes de diferentes origens e culturas, unidos em Cristo, era algo oculto ou não completamente compreendido no passado, mas foi revelado por Deus através de Cristo.

A afirmação de que Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (Ef.5:25) ressalta o profundo amor de Cristo pela Igreja como sendo central em Sua obra redentora. Ele deu Sua vida para purificar e redimir a Igreja, demonstrando assim o amor sacrificial e redentor de Cristo pela comunidade dos crentes.

Portanto, de acordo com essa perspectiva cristã, a ideia da Igreja como um projeto divino, concebido na mente de Deus desde a eternidade e revelado por meio de Cristo, destaca a importância e a centralidade da igreja no plano redentor de Deus para a humanidade. A Igreja é vista como um corpo espiritual vivo, formado pela graça de Deus e pela obra salvífica de Cristo.

2. A Igreja como uma realidade concreta

A Igreja não permaneceu apenas como um ideal ou conceito abstrato de Deus. Ela se tornou uma realidade tangível e visível após a ascensão de Cristo e o derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes. O evento de Pentecostes é amplamente considerado como um momento crucial no estabelecimento e na manifestação visível da Igreja.

Após a ascensão de Jesus Cristo ao céu, os discípulos foram instruídos a aguardar a promessa do Espírito Santo (Atos 1:4,5). No dia de Pentecostes, conforme registrado em Atos 2, o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos reunidos em Jerusalém, capacitando-os de maneira poderosa. Isso resultou em uma manifestação visível e tangível da presença do Espírito Santo, acompanhada por sinais como línguas de fogo e a capacidade de falar em outras línguas. Este evento marcou o início da era da Igreja e é frequentemente considerado como o momento em que a Igreja foi energizada e capacitada pelo Espírito Santo para o seu ministério.

No discurso de Pedro durante o Pentecostes, ele expôs o evangelho de Jesus Cristo com poder e clareza, resultando na conversão de muitas pessoas naquele dia. O texto bíblico afirma que aproximadamente três mil pessoas foram acrescentadas à Igreja de Cristo após a pregação de Pedro (Atos 2:41). A partir desse momento, a Igreja começou a crescer à medida que o evangelho era pregado e o Espírito Santo agia no coração das pessoas.

Portanto, o Pentecostes é reconhecido como o momento em que a Igreja se tornou uma realidade tangível e visível, à medida que os discípulos foram capacitados pelo Espírito Santo para proclamar o evangelho e a comunidade dos crentes começou a se formar e a crescer. Esse evento é considerado fundamental na história da Igreja e na disseminação do evangelho.

3. A Igreja no Pentecostes

Depois do Pentecostes, Lucas destaca que “todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2:47). Esta passagem destaca o crescimento contínuo da Igreja logo após o evento do Pentecostes. Ela enfatiza que, diariamente, Deus acrescentava à Igreja aqueles que estavam sendo salvos. Isso evidencia o movimento dinâmico do Espírito Santo na construção e no crescimento da comunidade dos crentes após a descida do Espírito no Pentecostes. Este movimento foi um momento crucial, transformando a Igreja de uma ideia ou plano divino em uma realidade viva e ativa. A partir desse ponto, a Igreja começou a se expandir à medida que o evangelho era proclamado; as pessoas eram convertidas e se uniam à comunidade dos crentes em Jesus Cristo.

Portanto, o Pentecostes marcou o início de uma nova era na história da Igreja, onde o Espírito Santo capacitou os discípulos a testemunhar de Cristo e, como resultado, muitos foram salvos e adicionados à Igreja. Essa transformação não só tornou a Igreja uma realidade concreta, mas também demonstrou a obra contínua e soberana de Deus em reunir e edificar Sua Igreja. Assim, a passagem de Atos 2 e os eventos posteriores ressaltam o papel do Espírito Santo na formação e no crescimento da Igreja, tornando-a uma realidade tangível e viva, em cumprimento ao plano divino de Deus desde a eternidade.

III. A IGREJA COMO A COMUNIDADE DOS SALVOS

1. Regenerados pelo sangue de Cristo

O termo "regenerado" está ligado à ideia de nascimento espiritual, transformação ou renovação interior. É um ato do Espírito Santo que ocorre no coração e na vida daqueles que creem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

O "sangue de Cristo" representa o sacrifício de Jesus na cruz. De acordo com a Bíblia, o sangue derramado por Cristo é o meio pelo qual a redenção e o perdão dos pecados são alcançados. A morte de Jesus é considerada o pagamento pelo pecado e a reconciliação entre Deus e a humanidade.

Portanto, ser "regenerado pelo sangue de Cristo" significa que, através da obra redentora de Jesus Cristo na cruz, uma pessoa experimenta uma transformação espiritual, sendo purificada e reconciliada com Deus. Essa regeneração espiritual é vista como um processo de renascimento espiritual, no qual a pessoa é renovada interiormente e passa a viver uma nova vida em comunhão com Deus (2Co.5:17). Essa expressão reflete a compreensão cristã da obra salvífica de Cristo, onde Seu sacrifício é considerado o fundamento da salvação e da transformação espiritual daqueles que creem Nele.

É válido enfatizar que o ingresso de alguém à Igreja não se dá por adesão, mas pela conversão. Logo, a Igreja é uma comunidade formada por pessoas regeneradas que fizeram uma pública profissão de fé. E o arrependimento (gr. “metanoeo”) é o primeiro passo para o ingresso da pessoa na Igreja. No discurso de Pedro durante o evento do Pentecostes, ele instruiu as pessoas a se arrependerem e serem batizadas em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados (Atos 2:38). Essas palavras indicam o processo de ingresso na comunidade cristã da época e de sempre.

O arrependimento não se limita apenas a sentir remorso ou pesar por ações passadas, mas implica uma mudança de mente, um afastamento do pecado e uma volta para Deus. O batismo, então, é apresentado como uma expressão externa dessa mudança interna e é realizado em nome de Jesus Cristo, simbolizando a identificação com Ele e Sua mensagem. Essa compreensão é compartilhada por muitas denominações cristãs que consideram o batismo como um ato significativo de obediência e identificação com Cristo, sendo parte integrante do processo de início ou ingresso na comunidade da fé cristã. Na Bíblia, é frequentemente associado à ideia de conversão e transformação espiritual.

Portanto, a entrada na Igreja, entendida como a comunidade dos crentes em Cristo Jesus, envolve o arrependimento e o subsequente batismo em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados.

2. Selados pelo Espírito Santo

O evento de Pentecostes é frequentemente considerado o nascimento da Igreja Cristã, quando os discípulos receberam o Espírito Santo conforme relatado no livro de Atos no Novo Testamento. Esse evento é fundamental para a compreensão da origem da Igreja.

O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, faz referência à unidade daqueles que creem em Cristo, independentemente de sua origem étnica, social ou status. Ele enfatiza que, ao receberem o Espírito de Deus, todos os crentes são batizados em um único Espírito para formar um único corpo, que é a Igreja de Cristo (1Co.12:13) - “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”. Esta passagem ressalta a união dos crentes através do Espírito Santo. A imagem do batismo no Espírito não se refere necessariamente ao batismo de água, mas simboliza a incorporação espiritual dos crentes no Corpo de Cristo, que é a Igreja. A diversidade é reconhecida (judeus, gregos, escravos, livres), mas a unidade é estabelecida pela ação do Espírito Santo. Essa unidade na diversidade é um tema recorrente no ensinamento de Paulo sobre a Igreja, enfatizando que todos os crentes compartilham de uma mesma fé e são membros do mesmo corpo espiritual, tendo recebido o Espírito de Deus como selo da sua pertença a Cristo e à comunidade de fé.

3. O Batismo de Cristo e do Espírito

O apóstolo Pedro, que exortou os presentes no dia Pentecostes a se arrependerem, disse: “e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Assim, podemos afirmar que Cristo batizou os crentes com o Espírito Santo e com fogo, um batismo de capacitação (Atos 1:4), enquanto o Espírito os batizou no Corpo de Cristo, um batismo de iniciação, formando a Igreja (1Co.12:13).

-Em Atos 1:4, Jesus instruiu Seus discípulos a aguardarem a promessa do Pai, que seria o batismo no Espírito Santo. Essa promessa foi cumprida no dia de Pentecostes, conforme registrado em Atos 2, quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos de maneira poderosa, capacitando-os para testemunhar sobre Cristo e para o ministério que teriam pela frente. Essa interpretação sustenta que o batismo com o Espírito Santo e com fogo, mencionado por João Batista e associado a Jesus em Mateus 3:11, é uma capacitação espiritual para serviço e ministério.

-Em 1 Coríntios 12:13, o apóstolo Paulo fala sobre os crentes sendo batizados em um Espírito para formar um Corpo, a Igreja. Essa passagem enfatiza a unidade dos crentes através do Espírito Santo, identificando-os como membros do Corpo de Cristo, independentemente de sua origem étnica ou status social. Essa interpretação ressalta o aspecto de iniciação espiritual e a participação dos crentes na comunidade de fé, como membros do corpo de Cristo.

Enfim, essas passagens sugerem duas ênfases distintas do trabalho do Espírito Santo na vida dos crentes: uma relacionada à capacitação para o serviço e ministério, e outra relacionada à união e participação na Igreja. Ambas as dimensões são consideradas parte do papel transformador e unificador do Espírito Santo na vida daqueles que creem em Cristo.

CONCLUSÃO

Concluímos esta Lição afirmando que a Igreja, como estabelecida no Novo Testamento após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, tem suas raízes no plano divino. Sua fundação não se originou de ideias ou iniciativas humanas, mas surgiu pela vontade de Deus e foi consolidada quando os crentes foram unidos ao Corpo de Cristo pelo Espírito Santo.

É fundamental compreender que a Igreja não foi concebida por qualquer pessoa, mas enraizada no próprio Cristo, que é reconhecido como sua Cabeça. Essa realidade confere um significado especial e um privilégio notável em fazer parte desse Corpo espiritual.

A essência da Igreja reside na sua ligação com Cristo e na sua formação pelo desígnio divino, não sendo construída sobre teorias ou ideologias humanas. Portanto, fazer parte da Igreja, o Corpo de Cristo, é um privilégio incomparável (Ef.1:5), uma vez que esta comunhão é estabelecida pela vontade e plano soberano de Deus, com Cristo como seu fundamento e cabeça.

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Atos, A ação do Espirito Santo na vida da igreja.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Efésios, a noiva gloriosa de Cristo.

Pr. Elienai Cabral. A Igreja e Sua Missão. CPAD.

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