3º Trimestres de 2026
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 11
Texto Base: Atos 27:9-15, 21-26
"Mas, agora,
vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de
vós, mas somente o navio" (Atos 27:22).
Atos 27:
9.Passado muito tempo, e sendo já perigosa a
navegação, pois também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava,
10.dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de
ser incômoda e com muito dano, não só para o navio e a carga, mas também para a
nossa vida.
11.Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre
do que no que dizia Paulo.
12.E, como aquele porto não era cômodo para
invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se
podiam chegar a Fenice, que é um porto de Creta que olha para a banda do vento
da África e do Coro, e invernar ali.
13.E, soprando o vento sul brandamente, lhes
pareceu terem já o que desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto
costeando Creta.
14.Mas, não muito depois, deu nela um pé de vento,
chamado Euroaquilão.
15.E, sendo o navio arrebatado e não podendo
navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa.
21.Havendo já muito que se não comia, então, Paulo,
pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me
ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta
perdição.
22.Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom
ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio.
23.Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de
quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo,
24.dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas
apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.
25.Portanto, ó varões, tende bom ânimo! Porque
creio em Deus que há de acontecer assim como a mim me foi dito.
26.É, contudo, necessário irmos dar numa ilha.
INTRODUÇÃO
A viagem de Paulo para Roma, narrada em Atos 27, é
uma das descrições mais detalhadas e impressionantes de toda a Bíblia sobre a
atuação da providência de Deus em meio às adversidades. Mais do que o relato de
um naufrágio, o capítulo revela que o Senhor permanece soberano sobre a
história, governa as forças da natureza e cumpre fielmente as promessas que faz
aos seus servos. Quando os recursos humanos se esgotam e toda esperança parece
perdida, Deus continua dirigindo os acontecimentos para a realização de seus
propósitos.
Nesta Lição, acompanharemos a dramática travessia
de Paulo rumo a Roma, marcada por decisões precipitadas, ventos contrários, uma
violenta tempestade e o naufrágio da embarcação. Embora viajasse como
prisioneiro, o apóstolo demonstra serenidade, discernimento e fé inabalável,
tornando-se instrumento de encorajamento e preservação para todos os que
estavam a bordo. Seu exemplo nos ensina que a presença de Deus não nos isenta
das tempestades da vida, mas nos sustenta em meio a elas.
Ao estudarmos Atos 27, aprenderemos que a segurança
do cristão não está na ausência de crises, mas na certeza da presença do Senhor
e na confiança em Suas promessas. Quando tudo parece fora de controle, Deus
continua no comando, transforma adversidades em oportunidades para manifestar
Sua glória e conduz Seu povo, com fidelidade, ao cumprimento de Seus
propósitos. Assim, somos desafiados a confiar não na estabilidade das
circunstâncias, mas naquele que governa os mares, dirige a história e jamais
deixa de cumprir aquilo que prometeu (Is.43:2; Hb.10:23).
I – A TEMPESTADE QUE SURGE NA
VIAGEM
1. A decisão precipitada de
navegar apesar da advertência de Paulo (Atos 27:9-12)
9.Passado muito tempo, e sendo já perigosa a
navegação, pois também o jejum já tinha passado, Paulo os admoestava,
10.dizendo-lhes: Varões, vejo que a navegação há de
ser incômoda e com muito dano, não só para o navio e a carga, mas também para a
nossa vida.
11.Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre
do que no que dizia Paulo.
12.E, como aquele porto não era cômodo para
invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se
podiam chegar a Fenice, que é um porto de Creta que olha para a banda do vento
da África e do Coro, e invernar ali.
A viagem de Paulo para Roma marca
o início de um dos relatos mais ricos de Atos sobre a providência de Deus em
meio às adversidades. Lucas, testemunha ocular da viagem (Atos 27:1), descreve
com precisão os acontecimentos, revelando que a soberania divina não elimina as
dificuldades da caminhada, mas conduz seus servos com segurança até o
cumprimento de seus propósitos.
Ao chegarem ao porto de Bons Portos, em Creta, a
navegação já havia se tornado perigosa, pois o período após o Dia da Expiação
(Yom Kippur), celebrado entre setembro e outubro, inaugurava a estação das
tempestades no mar Mediterrâneo (Atos 27:9). Navegador experiente, Paulo
percebeu os riscos e advertiu que prosseguir viagem resultaria em grandes perdas
para a carga, para o navio e até para a vida dos passageiros (Atos 27:10). Sua
advertência baseava-se tanto em sua ampla experiência marítima — ele já havia
sofrido três naufrágios (2Co.11:25) — quanto em seu discernimento espiritual.
Entretanto, o centurião Júlio preferiu confiar na
opinião do piloto, do proprietário do navio e da maioria da tripulação,
julgando que a experiência técnica oferecia maior segurança do que a palavra de
Paulo (Atos 27:11,12). Essa decisão ilustra um princípio recorrente nas Escrituras:
nem sempre a maioria está com a razão, nem toda decisão aparentemente lógica
corresponde à vontade de Deus. A Bíblia afirma que "há caminho que ao
homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pv.14:12).
Pouco depois, um vento favorável levou a tripulação
a acreditar que havia tomado a decisão correta (Atos 27:13). Contudo, essa
impressão durou pouco. Logo sobreveio o violento vento Euroaquilão, colocando toda a embarcação em grave perigo (Atos
27:14). O episódio ensina que circunstâncias aparentemente favoráveis nem
sempre representam a aprovação de Deus; muitas vezes, apenas precedem grandes
provações.
Há uma importante
lição espiritual nesse relato. O fato de Paulo estar cumprindo a vontade de
Deus não o livrou da tempestade. O próprio Senhor já lhe havia prometido que
testemunharia em Roma (Atos 23:11), mas isso não significava uma viagem
tranquila. Deus não prometeu ausência de tempestades, e sim Sua presença
durante elas. A fidelidade divina permanece inabalável, mesmo quando os ventos
são contrários.
Essa passagem também evidencia o valor da
sensibilidade espiritual. O conhecimento técnico é importante, mas jamais deve
substituir a direção de Deus. Quando decisões são tomadas ignorando a vontade
do Senhor, as consequências podem ser dolorosas. Em contrapartida, aqueles que
aprendem a ouvir a voz de Deus encontram segurança mesmo nas circunstâncias
mais difíceis (Sl.32:8; Tg.1:5).
Assim, Atos 27 nos ensina que o sucesso da jornada
cristã não depende apenas de competência humana, mas da submissão à direção do
Senhor. A tempestade que se seguiria não impediria o cumprimento do plano
divino, pois Deus continuava governando o mar, o navio e a vida de seus servos.
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O que aprendemos neste item I.1 Aprendemos que a vontade de Deus nem sempre nos
livra das tempestades, mas sempre nos conduz através delas. Paulo discerniu
corretamente o perigo e advertiu a tripulação, porém sua orientação foi
desprezada em favor da opinião da maioria e da confiança na experiência
humana. O episódio nos ensina que a verdadeira segurança
não está apenas na lógica, na técnica ou no consenso, mas na obediência à
direção de Deus. Quando confiamos na Palavra do Senhor, podemos enfrentar
qualquer tempestade com a certeza de que Sua soberania cumprirá todos os seus
propósitos (Atos 23:11; Romanos 8:28). |
2. A fragilidade humana diante
das forças da natureza (Atos 27:13-17)
13.Soprando brandamente o vento sul, e pensando
eles ter alcançado o que desejavam, levantaram âncora e foram costeando mais de
perto a ilha de Creta.
14.Entretanto, não muito depois, desencadeou-se, do
lado da ilha, um tufão de vento, chamado Euroaquilão;
15.e, sendo o navio arrastado com violência, sem
poder resistir ao vento, cessamos a manobra e nos fomos deixando levar.
16.Passando sob a proteção de uma ilhota chamada
Cauda, a custo conseguimos recolher o bote;
17.e, levantando este, usaram de todos os meios
para cingir o navio, e, temendo que dessem na Sirte, arriaram os aparelhos, e
foram ao léu.
Após ignorarem a advertência de
Paulo, a tripulação acreditou ter tomado a decisão correta. Um vento brando
soprava do sul, criando a impressão de que as condições eram favoráveis para
alcançar o porto de Fenice (Atos 27:13). Contudo, essa sensação de segurança
durou pouco. Logo surgiu o Euroaquilão (ou Euraquilão), um violento vento
nordeste típico do Mediterrâneo, que transformou o mar em um cenário de extremo
perigo (Atos 27:14). O navio perdeu completamente o controle, sendo arrastado
pelas ondas sem que marinheiros experientes pudessem dominá-lo (Atos 27:15).
Lucas descreve, como testemunha ocular, os esforços
desesperados da tripulação para salvar a embarcação. Aproveitando a proteção da
pequena ilha de Cauda, conseguiram içar o bote salva-vidas, reforçaram o casco
do navio com cabos e baixaram as velas para reduzir a velocidade, temendo ser
lançados sobre os bancos de areia da Grande Sirte, região conhecida pelos
inúmeros naufrágios (Atos 27:16,17). Apesar de toda a habilidade náutica
empregada, os recursos humanos mostraram-se insuficientes diante da força da
natureza.
Esse episódio
revela uma importante verdade espiritual: há limites para a capacidade humana.
A experiência dos marinheiros, a autoridade do centurião e a robustez do navio
não puderam impedir a tempestade. Quando Deus permite determinadas crises, o
ser humano percebe que não controla todas as circunstâncias da vida. As
Escrituras lembram que "o cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do
Senhor vem a vitória" (Pv.21:31) e que "se o Senhor não guardar a
cidade, em vão vigia a sentinela" (Sl.127:1).
A tempestade também ensina que nem toda
tranquilidade inicial é sinal da aprovação de Deus. O vento favorável deu uma
falsa impressão de segurança, mas escondia um grande perigo. Da mesma forma,
decisões tomadas sem buscar a direção do Senhor podem parecer acertadas no
começo, mas produzir consequências dolorosas. Por isso, a Palavra nos orienta a
confiar no Senhor de todo o coração e não apenas em nosso próprio entendimento
(Pv.3:5,6).
Por outro lado, quando o navio ficou completamente
à deriva, Deus não havia perdido o controle da situação. O leme escapou das
mãos dos homens, mas jamais saiu das mãos do Senhor. A tempestade não anulou a
promessa feita a Paulo de que ele testemunharia em Roma (Atos 23:11). Antes,
tornou-se o cenário em que a fidelidade de Deus seria ainda mais evidente.
Assim, Atos 27 nos ensina que as crises têm o poder
de revelar nossa fragilidade, mas também de fortalecer nossa confiança na
soberania de Deus. Quando os recursos humanos se esgotam, a graça divina
continua suficiente para sustentar aqueles que permanecem firmes em suas
promessas (2Co.12:9).
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O que aprendemos neste item I.2 Aprendemos que a autoconfiança e a experiência
humana possuem limites diante das circunstâncias da vida. A aparente
tranquilidade pode ser enganosa, mas Deus conhece o futuro e sempre orienta
seus servos pelo caminho seguro. As tempestades revelam nossa dependência do
Senhor e nos ensinam que, mesmo quando perdemos o controle da situação, Deus
continua governando todas as coisas. A verdadeira segurança não está na força
humana, mas na fidelidade daquele que dirige a história e cumpre
infalivelmente suas promessas (Provérbios 3:5,6; Atos 23:11). |
3. A perda da esperança diante
da adversidade (Atos 27:18-20)
“18.Andando nós
agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte, aliviaram o navio.
19.E, ao terceiro dia,
nós mesmos, com as próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio.
20.E, não aparecendo,
havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena
tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.
À medida que a
tempestade se intensificava, a situação tornou-se desesperadora. Durante vários
dias, os ventos impetuosos e as ondas violentas impediam qualquer controle da
embarcação. Na tentativa de evitar o naufrágio, a tripulação começou a lançar
ao mar a carga do navio e, depois, parte dos próprios equipamentos de navegação
(Atos 27:18,19). Essas medidas demonstram que todos os recursos humanos haviam
sido empregados, mas nenhum deles foi suficiente para vencer a força da
tempestade.
Lucas
registra que, por muitos dias, nem o sol nem as estrelas apareceram,
impossibilitando a orientação dos navegadores, que dependiam dos astros para
determinar a rota no mar Mediterrâneo (Atos 27:20). Cercados por ventos
incessantes e sem qualquer referência de direção, "toda a esperança de
salvamento foi tirada". A situação era humanamente irreversível.
Esse
episódio revela como a autoconfiança humana pode ser rapidamente substituída
pelo desespero. Aqueles que, pouco antes, confiaram apenas na experiência do
piloto e na capacidade da embarcação agora reconheciam sua completa impotência
diante da tempestade. As perdas materiais tornaram-se inevitáveis, pois
preservar a vida passou a ser mais importante que preservar os bens. Essa
realidade confirma o ensino de Jesus de que nenhuma riqueza pode substituir o
valor da vida (Mt.16:26).
Há também uma importante lição espiritual. A
decisão de ignorar a advertência de Paulo trouxe consequências dolorosas.
Embora a tempestade não tenha sido causada diretamente por um pecado moral, ela
foi agravada por uma escolha precipitada que desprezou a orientação recebida.
As Escrituras alertam que há caminhos que parecem corretos aos olhos humanos,
mas conduzem à destruição (Pv.14:12). A desobediência à direção de Deus
frequentemente produz perdas que poderiam ser evitadas.
Entretanto,
o texto não termina no desespero. Quando toda esperança humana desaparece,
começa a manifestar-se a esperança que vem de Deus. O Senhor não havia
abandonado Paulo nem os demais passageiros. Pelo contrário, estava preparando o
momento de revelar sua soberania e fidelidade. Em breve, Deus enviaria sua
palavra de encorajamento por meio do apóstolo, mostrando que a segurança dos
seus servos não depende das circunstâncias, mas das promessas divinas (Atos
27:21-25).
Assim,
Atos 27 ensina que, mesmo quando os recursos humanos se esgotam e a esperança
parece desaparecer, Deus continua presente. Sua misericórdia se renova a cada
manhã (Lm.3:22,23), e Ele permanece como socorro seguro para aqueles que nele
confiam (Sl.46:1; Sl.121:1,2). As maiores crises da vida podem tornar-se o
cenário onde a fidelidade do Senhor se manifesta de maneira mais evidente.
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O
que aprendemos neste item I.3 Aprendemos
que as crises revelam os limites da capacidade humana e podem levar ao
esgotamento da esperança quando confiamos apenas em nossos próprios recursos.
Contudo, quando toda solução humana desaparece, Deus continua soberano e fiel
às suas promessas. O
Senhor transforma momentos de desespero em oportunidades para demonstrar seu
poder e renovar a esperança daqueles que confiam nele. A
verdadeira segurança não está nos bens, na experiência ou na força humana,
mas na presença constante de Deus, que jamais abandona os seus (Lamentações
3:22,23; Salmo 121:1,2). |
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Perguntas
de Revisão e Fixação Tópico
I: A TEMPESTADE QUE SURGE NA VIAGEM 1. Por que o centurião e a tripulação decidiram
prosseguir a viagem, apesar da advertência de Paulo, e qual foi a
consequência dessa decisão? Resposta: Porque confiaram mais na experiência do
piloto, do mestre do navio e na opinião da maioria do que na advertência de
Paulo (Atos 27:11,12). Como consequência, enfrentaram uma violenta tempestade
(Euroaquilão), perderam o controle da embarcação, sofreram grandes prejuízos
materiais e chegaram a perder toda a esperança de salvamento (Atos 27:14-20). 2. O que a tempestade de Atos 27 ensina sobre os limites
da capacidade humana e a soberania de Deus? Resposta: Ensina que, por mais experientes e
preparados que sejam os homens, existem situações que fogem completamente ao
seu controle. Quando a tripulação perdeu o domínio do navio, ficou evidente
que somente Deus continuava no controle da situação. A tempestade revelou a
fragilidade humana, mas também a soberania do Senhor, que cumpriria sua
promessa de levar Paulo a Roma (Atos 23:11; 27:15-20). 3. Qual é a principal lição espiritual do primeiro
tópico da lição para a vida cristã? Resposta: A principal lição é que devemos confiar na
direção de Deus acima da lógica humana, das circunstâncias favoráveis e da
opinião da maioria. A obediência à Palavra do Senhor nos preserva de muitos
sofrimentos, e, mesmo quando enfrentamos tempestades, podemos descansar na
certeza de que Deus permanece no controle e jamais deixa de cumprir suas
promessas (Pv.3:5,6; Pv.14:12; Atos 27:10-12). |
II – A INTERVENÇÃO DE DEUS NA
HORA DO DESESPERO
1. A palavra de encorajamento
de Paulo (Atos 27:21-26)
21.Havendo
todos estado muito tempo sem comer, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse:
Senhores, na verdade, era preciso terem-me atendido e não partir de Creta, para
evitar este dano e perda.
22.Mas,
já agora, vos aconselho bom ânimo, porque nenhuma vida se perderá de entre vós,
mas somente o navio.
23.Porque,
esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve
comigo,
24.dizendo:
Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por
sua graça, te deu todos quantos navegam contigo.
25.Portanto,
senhores, tende bom ânimo! Pois eu confio em Deus que sucederá do modo por que
me foi dito.
26.Porém
é necessário que vamos dar a uma ilha.
Depois de quatorze dias
enfrentando uma tempestade incessante, sem ver o sol nem as estrelas, a
situação no navio era de completo desespero. A tripulação havia esgotado todos
os recursos humanos para salvar a embarcação: recolheram o bote salva-vidas,
reforçaram o casco com cabos, reduziram as velas, lançaram a carga ao mar e até
descartaram parte dos equipamentos do navio (Atos 27:16-20). Mesmo assim, nada
foi suficiente para impedir que toda esperança de sobrevivência desaparecesse.
É
justamente nesse momento que Paulo se levanta como verdadeiro líder espiritual.
Embora fosse apenas um prisioneiro, demonstra uma confiança que ninguém mais
possuía. Sua autoridade não vinha de sua posição social, mas de sua comunhão
com Deus. Enquanto todos eram dominados pelo medo, Paulo transmite esperança
baseada na Palavra do Senhor.
Primeiramente,
o apóstolo recorda que sua advertência inicial havia sido ignorada (Atos
27:21). Seu objetivo, porém, não era condenar os companheiros de viagem, mas
prepará-los para confiar na mensagem que agora lhes transmitiria da parte de
Deus. Em seguida, dirige-lhes uma palavra de encorajamento: "Agora,
porém, exorto-vos a ter bom ânimo" (Atos 27:22). A razão dessa
confiança não estava na melhora das condições do mar, mas na revelação recebida
do Senhor.
Durante
a noite, um anjo de Deus apareceu a Paulo, confirmando duas importantes
promessas. A primeira era que ele certamente compareceria diante de César,
conforme Deus já lhe havia prometido anteriormente (Atos 23:11; 27:24). A
segunda era que, por causa dessa promessa, Deus preservaria a vida de todos os
que viajavam com ele (Atos 27:24). O navio seria perdido, mas nenhuma vida se
perderia (Atos 27:22).
A declaração de Paulo revela o fundamento da
verdadeira fé: "Porque eu creio em Deus, que há de acontecer assim como
me foi dito" (Atos 27:25). Sua confiança não estava nas
circunstâncias, que permaneciam desfavoráveis, nem na capacidade da tripulação,
mas na fidelidade daquele que havia feito a promessa. Paulo ensina que a fé
bíblica não ignora a realidade das dificuldades; ela descansa na certeza de que
Deus sempre cumpre aquilo que promete (Nm.23:19; Hb.10:23).
Entretanto,
Deus não prometeu livrá-los de toda dificuldade. Antes de chegarem ao destino,
ainda enfrentariam o naufrágio e seriam lançados em uma ilha (Atos 27:26). Isso
demonstra que a providência divina nem sempre elimina as crises, mas conduz
seus filhos com segurança através delas. O Senhor preserva seus servos até que
seus propósitos sejam plenamente cumpridos.
Esse
episódio também evidencia como Deus usa pessoas cheias do Espírito para
fortalecer aqueles que perderam a esperança. Em meio ao caos, Paulo tornou-se
instrumento de paz, esperança e direção. Sua presença no navio beneficiou não
apenas sua própria vida, mas também a de todos os 276 passageiros (Atos 27:37),
mostrando que um servo fiel pode ser bênção para muitos, mesmo nas
circunstâncias mais adversas.
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O que aprendemos
neste item II.1 Aprendemos
que, quando os recursos humanos se esgotam e a esperança parece desaparecer,
Deus continua falando e cumprindo suas promessas. A confiança de Paulo não
estava na ausência da tempestade, mas na fidelidade do Senhor. O
cristão enfrenta as crises com coragem porque sabe que Deus permanece no
controle da história e jamais abandona aqueles que lhe pertencem. A
verdadeira esperança nasce da certeza de que Deus é fiel para cumprir tudo o
que prometeu, ainda que o caminho até o cumprimento de suas promessas passe
por tempestades e naufrágios (Atos 27:25; Hebreus 10:23). |
2. A promessa de Deus em meio à
crise (Atos 27:23,24)
23.Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem
sirvo, esteve comigo,
24.dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas apresentado a César, e
eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.
Quando toda esperança
humana havia desaparecido e a morte parecia inevitável, Deus interveio de
maneira sobrenatural. Durante a noite, um anjo do Senhor apareceu a Paulo com
uma mensagem de encorajamento e segurança:
"Paulo, não
temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua graça,
te deu todos quantos navegam contigo" (Atos 27:24).
A
promessa divina não eliminava a tempestade, mas garantia que ela não impediria
o cumprimento do propósito de Deus.
Essa
intervenção confirma um importante princípio bíblico: as promessas de Deus
permanecem firmes, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizê-las. Anos
antes, o Senhor já havia revelado a Paulo que ele testemunharia em Roma (Atos
23:11). Agora, em meio ao maior perigo de sua viagem, Deus reafirma essa
promessa. O cumprimento dos planos divinos não depende da estabilidade das
circunstâncias, mas da fidelidade daquele que prometeu (Nm.23:19; Hb.10:23).
Ao
relatar a experiência, Paulo faz uma declaração profundamente significativa:
"Esta noite esteve comigo um anjo do Deus de quem eu sou e a quem
sirvo" (Atos 27:23). Nessas palavras, ele revela duas verdades
fundamentais da vida cristã:
- Primeiramente,
Paulo reconhece sua identidade: ele pertence a Deus. Sua vida não lhe
pertencia mais, pois havia sido alcançado e comprado pelo sangue de Cristo
(1Co.6:19,20).
- Em segundo lugar,
ele reafirma sua missão: servir ao Senhor. Mesmo preso e em meio à
tempestade, Paulo não deixou de ser servo de Deus nem perdeu de vista seu
chamado.
Outro
aspecto marcante é que a promessa alcançou não apenas Paulo, mas também todos
os que viajavam com ele. Deus preservaria a vida dos 276 passageiros por causa
de seu propósito para o apóstolo (Atos 27:37). Esse fato demonstra que, muitas
vezes, a presença de um servo fiel traz bênçãos e livramento para aqueles que
estão ao seu redor. A fidelidade de Deus aos seus servos torna-se também
instrumento de misericórdia para outras pessoas.
É
importante observar que Deus prometeu salvar as vidas, mas não o navio (Atos
27:22). Em algumas ocasiões, o Senhor preserva aquilo que é essencial, mesmo
permitindo perdas materiais. A embarcação seria destruída, porém a missão de
Paulo e a vida dos passageiros seriam preservadas. Isso nos ensina que Deus
distingue o que é passageiro daquilo que possui valor eterno.
Assim, a
promessa divina em Atos 27 não foi apenas uma garantia de sobrevivência, mas
uma confirmação de que Deus governa todas as circunstâncias e conduz a história
segundo sua perfeita vontade. A tempestade não anulou a promessa; tornou-se o
cenário em que a fidelidade de Deus seria plenamente demonstrada.
|
O que aprendemos
neste item II.2 Aprendemos
que as promessas de Deus permanecem inabaláveis, mesmo quando tudo parece
perdido. A fidelidade do Senhor não depende das circunstâncias favoráveis,
mas do seu caráter imutável. Como Paulo, devemos viver conscientes de que
pertencemos a Deus e fomos chamados para servi-lo. Quando
confiamos em suas promessas, enfrentamos as crises com esperança, certos de
que nenhum plano divino pode ser frustrado e de que Deus preserva seus servos
até o cumprimento de sua vontade (Atos 23:11; Atos 27:23,24; Hebreus 10:23). |
3. A fé e a liderança
espiritual de Paulo (Atos 27:33-36)
33.Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos
que se alimentassem, dizendo: Hoje, é o décimo quarto dia em que, esperando,
estais sem comer, nada tendo provado.
34.Portanto, exorto-vos a que comais alguma
coisa, pois é para a vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de
qualquer de vós.
35.E, havendo dito isto, tomando o pão, deu
graças a Deus na presença de todos e, partindo-o, começou a comer.
36.E, tendo já todos bom ânimo, puseram-se
também a comer.
À medida que a
tempestade se aproximava do fim, a situação continuava extremamente crítica.
Após quatorze dias à deriva, os marinheiros perceberam que estavam próximos da
terra, fizeram sondagens para medir a profundidade do mar e, temendo que o
navio se chocasse contra os rochedos, lançaram quatro âncoras da popa,
aguardando ansiosamente o amanhecer (Atos 27:27-29). O medo ainda dominava a
tripulação.
Nesse
momento, alguns marinheiros tentaram abandonar o navio no bote salva-vidas,
fingindo que iriam lançar âncoras pela proa (Atos 27:30). Percebendo a intenção
deles, Paulo alertou o centurião Júlio: "Se estes não permanecerem no
navio, vós não podereis salvar-vos" (Atos 27:31). Embora Deus já tivesse
prometido preservar a vida de todos (Atos 27:22-24), essa promessa não
dispensava a responsabilidade humana. A providência divina opera juntamente com
a obediência e a prudência. Imediatamente, os soldados cortaram os cabos do
bote, impedindo a fuga (Atos 27:32).
Ao
amanhecer, Paulo demonstrou mais uma vez sua extraordinária liderança
espiritual. Percebendo que todos estavam enfraquecidos após duas semanas sem
alimentação adequada, exortou-os a comer, afirmando que isso era necessário
para sua sobrevivência: "Hoje é o décimo quarto dia em que, esperando,
estais sem comer..., portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois disto
depende a vossa segurança" (Atos 27:33,34).
Antes
de alimentar-se, Paulo tomou o pão, deu graças a Deus na presença de todos e
começou a comer (Atos 27:35). Esse gesto revela sua profunda confiança no
Senhor. Mesmo cercado por soldados, marinheiros e prisioneiros pagãos, ele não
teve receio de testemunhar publicamente sua fé. Sua atitude lembra a prática de
Jesus ao dar graças antes de repartir o pão (Mt.14:19; Lc.22:19), demonstrando
que a gratidão deve permanecer mesmo em tempos de crise.
O
exemplo de Paulo produziu um efeito imediato: "Todos cobraram ânimo e
também eles comeram" (Atos 27:36). A confiança de um único servo de Deus
fortaleceu toda a tripulação. Depois de se alimentarem, lançaram o restante da
carga de trigo ao mar para aliviar o navio (Atos 27:38), preparando-se para a
etapa final da viagem.
Esse
episódio destaca uma das mais belas características da liderança cristã: o
verdadeiro líder inspira confiança porque confia primeiro em Deus. Embora fosse
prisioneiro, Paulo tornou-se a principal referência para todos a bordo.
Enquanto o piloto, os marinheiros e o centurião haviam perdido o controle da
situação, o apóstolo permaneceu firme porque sua segurança estava fundamentada
na Palavra de Deus, e não nas circunstâncias.
Além
disso, Atos 27 mostra que a fé genuína não é passiva nem irresponsável. Paulo
confiava plenamente na promessa divina, mas também agia com sabedoria prática.
Ele advertiu contra a continuação da viagem (Atos 27:10), impediu a fuga dos
marinheiros (Atos 27:31), incentivou a alimentação da tripulação (Atos 27:33,34)
e deu graças a Deus antes da refeição (Atos 27:35). Sua espiritualidade
caminhava lado a lado com discernimento, responsabilidade e ação.
Assim, a
narrativa ensina que Deus usa homens e mulheres de fé para transmitir esperança
em meio ao caos. A verdadeira liderança cristã nasce da comunhão com Deus e se
manifesta em atitudes de coragem, equilíbrio, serviço e confiança nas promessas
divinas.
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O que aprendemos
neste item II.3 Aprendemos
que a fé verdadeira produz uma liderança equilibrada, que une confiança em
Deus, sabedoria prática e responsabilidade. Paulo não apenas creu nas
promessas do Senhor, mas também tomou decisões prudentes e encorajou os que
estavam ao seu redor. O
cristão maduro enfrenta as crises com serenidade, influencia positivamente
outras pessoas e testemunha sua confiança em Deus por meio de suas atitudes.
Quem vive firmado na Palavra do Senhor torna-se instrumento de esperança e
encorajamento, mesmo nas circunstâncias mais difíceis (Atos 27:31-36; Tiago
2:17; Hebreus 10:23). |
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Perguntas
de Revisão e Fixação Tópico
II: A INTERVENÇÃO DE DEUS NA HORA DO DESESPERO 1. Qual foi a
mensagem do anjo de Deus a Paulo durante a tempestade, e o que ela revela
sobre as promessas divinas? Resposta: O anjo disse a
Paulo que ele não deveria temer, pois compareceria diante de César, e que
Deus preservaria a vida de todos os que estavam no navio com ele (Atos 27:23,24).
Essa mensagem revela que as promessas de Deus não dependem das circunstâncias,
mas da fidelidade daquele que as faz (Hb.10:23; Nm.23:19). 2. Como Paulo
demonstrou fé e liderança espiritual durante a tempestade? Resposta: Paulo manteve-se
firme na confiança em Deus, encorajou os passageiros a terem bom ânimo (Atos
27:22,25), impediu a fuga dos marinheiros (Atos 27:31,32), incentivou todos a
se alimentarem (Atos 27:33,34) e deu graças a Deus publicamente antes da
refeição (Atos 27:35). Sua liderança foi marcada pela fé, equilíbrio,
prudência e confiança nas promessas do Senhor. 3. Que importante
lição espiritual aprendemos sobre a intervenção de Deus nas crises da vida? Resposta: Aprendemos que Deus
nem sempre remove imediatamente a tempestade, mas nunca abandona os seus
durante a provação. Ele fortalece a fé, dirige seus servos por meio de sua
Palavra e cumpre fielmente seus propósitos. Quando os recursos humanos se
esgotam, a intervenção divina renova a esperança e conduz seus filhos em
segurança até o cumprimento de sua vontade (Atos 27:22-25; Sl.34:19; Lm.3:22,23). |
III – A PROVIDÊNCIA DIVINA NO
NAUFRÁFIO (Atos 27:39-44;28:1-10)
1. O cuidado de Deus
preservando vidas (Atos 27:39-41)
39.E, sendo já dia,
não reconheceram a terra; enxergaram, porém, uma enseada que tinha praia e
consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio.
40.Levantando as
âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando
a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia.
41.Dando, porém, num
lugar de dois mares, encalharam ali o navio; e, fixa a proa, ficou imóvel, mas
a popa abria-se com a força das ondas.
Ao amanhecer, os
tripulantes avistaram uma enseada com praia, mas não reconheceram que se
tratava da ilha de Malta (Atos 27:39). Decidiram, então, conduzir o navio até a
costa na tentativa de salvá-lo. Cortaram as âncoras, soltaram as amarras dos
lemes, içaram a vela de proa e seguiram em direção à praia (Atos 27:40).
Entretanto, antes de alcançarem a terra firme, a embarcação encalhou em um
banco de areia. A proa ficou presa, enquanto a popa era violentamente golpeada
pelas ondas, até que o navio começou a se despedaçar (Atos 27:41).
Humanamente
falando, tudo parecia perdido. Contudo, exatamente no momento em que o navio se
destruía, cumpria-se a promessa que Deus havia feito a Paulo: nenhuma vida
seria perdida (Atos 27:22-24). A embarcação foi destruída, mas todos os 276
passageiros chegaram em segurança à praia, alguns nadando e outros agarrados a
tábuas e destroços do navio (Atos 27:44).
Esse
episódio ensina que a providência de Deus nem sempre preserva os bens
materiais, mas sempre cumpre seus propósitos eternos. O navio era apenas o
instrumento da viagem; as vidas eram o verdadeiro objeto do cuidado divino.
Deus permitiu a perda da embarcação, mas preservou aquilo que tinha maior
valor. Muitas vezes, o Senhor permite que certos recursos desapareçam para
mostrar que nossa segurança não está nas coisas que possuímos, mas na sua
presença e fidelidade (Sl.46:1; Hb.13:5).
O naufrágio possui uma importante lição
espiritual. O navio, que resistiu durante dias em alto-mar, foi destruído
justamente quando se aproximava da terra. Isso nos lembra que a vida cristã
exige vigilância constante. Muitas vezes, os maiores perigos surgem quando
pensamos que a crise já terminou. A Palavra de Deus nos adverte: "Aquele,
pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (1Co.10:12). Nossa
confiança deve permanecer em Deus do início ao fim da caminhada.
Por fim,
a chegada segura de todos à praia comprova a absoluta fidelidade do Senhor.
Nenhuma de suas promessas falhou. O Deus que prometeu preservar Paulo e seus
companheiros cumpriu integralmente sua palavra. Como afirma o profeta Isaías:
"Quando passares pelas águas, eu serei contigo" (Is.43:2). Deus não
prometeu ausência de tempestades, mas garantiu sua presença durante elas.
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O que aprendemos
neste item III.1 Aprendemos
que a providência divina governa todas as circunstâncias da vida. Deus pode
permitir perdas materiais e momentos de grande sofrimento, mas jamais
abandona aqueles que confiam nele. Sua fidelidade preserva seus filhos e
conduz cada acontecimento para o cumprimento de seus propósitos. A
verdadeira segurança não está no "navio" das nossas circunstâncias,
mas no Senhor, que dirige nossa vida com sabedoria e nunca deixa de cumprir
as suas promessas (Atos 27:44; Salmo 33:18-19; Isaías 43:2). |
2. A soberania divina acima das
decisões humanas (Atos 27:42-44)
42.Então, a ideia dos
soldados foi que matassem os presos para que nenhum fugisse, escapando a nado.
43.Mas o centurião,
querendo salvar a Paulo, lhes estorvou este intento; e mandou que os que
pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar e se salvassem em terra;
44.e os demais, uns em
tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à
terra, a salvo.
No momento mais crítico
do naufrágio, quando o navio já estava se desfazendo, surgiu uma nova ameaça.
Os soldados romanos decidiram matar todos os prisioneiros para impedir qualquer
tentativa de fuga (Atos 27:42). Essa atitude estava de acordo com a disciplina
militar romana, segundo a qual o guarda respondia com a própria vida caso um
prisioneiro escapasse (cf. Atos 12:19; 16:27). Assim, movidos pelo temor das
consequências, os soldados preferiram eliminar os presos antes que corressem o
risco de perdê-los.
Entretanto,
Deus já havia declarado, por meio do anjo, que nenhuma vida seria perdida (Atos
27:22-24). O plano dos soldados não poderia prevalecer contra a Palavra do
Senhor. Nesse momento, a providência divina manifestou-se por intermédio do
centurião Júlio. Desejando preservar Paulo, a quem aprendera a respeitar
durante a viagem, ele impediu a execução dos prisioneiros e ordenou que os que
sabiam nadar se lançassem primeiro ao mar, enquanto os demais alcançariam a
praia apoiando-se em tábuas e destroços do navio (Atos 27:43,44).
É
significativo observar que Deus utilizou um oficial romano, e não um judeu ou
um cristão, para cumprir seu propósito. Júlio talvez não tivesse plena
consciência de que estava sendo instrumento da providência divina, mas sua
decisão estava subordinada ao plano soberano de Deus. Isso confirma que o
Senhor governa sobre reis, governantes e autoridades, dirigindo-lhes o coração
conforme a sua vontade (Pv.21:1; Dn.2:21).
A
atitude dos soldados revela também a incoerência do coração humano. Depois de
terem sido beneficiados pela liderança, pelo encorajamento e pelas palavras de
esperança de Paulo durante a tempestade (Atos 27:21-36), estavam dispostos a
matá-lo juntamente com os demais prisioneiros. Como observa Simon Kistemaker,
tratava-se de um ato de profunda ingratidão. Entretanto, a maldade dos homens
não foi capaz de frustrar os desígnios de Deus. A Escritura afirma que "o
Senhor desfaz o conselho das nações e anula os intentos dos povos; o conselho
do Senhor permanece para sempre" (Sl.33:10,11).
Esse
episódio demonstra que a soberania divina está acima das circunstâncias
naturais, das decisões humanas e das intenções perversas. A tempestade, o
naufrágio, o plano dos soldados e a intervenção do centurião não eram
acontecimentos isolados ou fora de controle; todos faziam parte do caminho pelo
qual Deus conduzia Paulo ao cumprimento da promessa feita anteriormente: "Importa
que também em Roma dês testemunho de mim" (Atos 23:11).
Assim,
Atos 27 nos ensina que nenhuma força humana pode impedir a realização dos
propósitos de Deus. Quando o Senhor determina algo, Ele governa circunstâncias,
pessoas e acontecimentos para cumprir fielmente sua vontade (Is.46:9-10; Rm.8:28).
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O que aprendemos
neste item III.2 Aprendemos
que a soberania de Deus está acima dos planos, interesses e decisões humanas.
Mesmo quando pessoas agem movidas pelo medo, pela injustiça ou pela maldade,
o Senhor continua dirigindo a história e cumprindo suas promessas. Deus
pode usar até autoridades que não o conhecem para proteger seus servos e
realizar seus propósitos. Por isso, o cristão pode enfrentar qualquer
circunstância com confiança, sabendo que nenhum plano humano é capaz de
frustrar a vontade daquele que governa todas as coisas (Atos 27:42-44;
Provérbios 21:1; Salmo 33:10-11). |
3. Um acolhimento amoroso (Atos
28:1-10)
1.Havendo escapado,
então, souberam que a ilha se chamava Malta.
2.E os bárbaros usaram
conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande fogueira, nos
recolheram a todos por causa da chuva que caía e por causa do frio.
3.E, havendo Paulo
ajuntado uma quantidade de vides e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do
calor, lhe acometeu a mão.
4.E os bárbaros,
vendo-lhe a víbora pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este
homem é homicida, visto como, escapando do mar, a Justiça não o deixa viver.
5.Mas, sacudindo ele a
víbora no fogo, não padeceu nenhum mal.
6.E eles esperavam que
viesse a inchar ou a cair morto de repente; mas tendo esperado já muito e vendo
que nenhum incômodo lhe sobrevinha, mudando de parecer, diziam que era um deus.
7.E ali, próximo
daquele mesmo lugar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha,
por nome Públio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por três dias.
8.Aconteceu estar de
cama enfermo de febres e disenteria o pai de Públio, que Paulo foi ver, e, havendo
orado, pôs as mãos sobre ele e o curou.
9.Feito, pois, isto,
vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades e sararam,
10.os quais nos
distinguiram também com muitas honras; e, havendo de navegar, nos proveram das
coisas necessárias.
Ao chegarem em
segurança à ilha de Malta, confirmou-se integralmente a promessa feita por Deus
a Paulo: nenhuma das 276 pessoas havia perecido (Atos 27:44; 28:1). O naufrágio
marcou o fim da tempestade, mas também o início de uma nova etapa do propósito
divino. Aquilo que parecia ser um desastre revelou-se um instrumento da
providência de Deus para levar o Evangelho a um povo que ainda não conhecia o
Senhor.
Lucas
registra que os habitantes da ilha demonstraram "não pequena
humanidade" para com os náufragos (Atos 28:2). Embora chamados de
"bárbaros" — expressão que, no contexto, significava apenas que não
falavam grego, e não que fossem pessoas selvagens —, eles receberam os
sobreviventes com bondade, acenderam uma grande fogueira e acolheram todos com
hospitalidade, protegendo-os da chuva e do frio. Esse gesto evidencia que Deus
pode manifestar sua graça e cuidado por meio de pessoas que sequer conhecem
plenamente seus propósitos (Pv.21:1).
Mesmo
sendo apóstolo e prisioneiro ilustre, Paulo não se colocou acima dos demais.
Enquanto muitos descansavam após o naufrágio, ele recolheu gravetos para manter
a fogueira acesa (Atos 28:3). Sua atitude revela humildade e espírito de
serviço. A verdadeira liderança cristã não consiste em ocupar posições de
destaque, mas em servir com disposição, seguindo o exemplo de Cristo, que
declarou: "o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para
servir" (Mc.10:45). Nenhuma tarefa é insignificante para quem possui a
mente de Cristo (Fp.2:5-8).
Durante
esse serviço humilde, uma víbora, fugindo do calor da fogueira, prendeu-se à
mão de Paulo (Atos 28:3). Os habitantes da ilha interpretaram imediatamente o
ocorrido segundo suas crenças supersticiosas. Julgaram que Paulo era um
homicida e que a "Justiça" (uma referência à deusa grega Dice)
finalmente o alcançara (Atos 28:4). Entretanto, quando o apóstolo sacudiu a
serpente no fogo e permaneceu completamente ileso, mudaram radicalmente de
opinião, passando a considerá-lo um deus (Atos 28:5,6).
Lucas evidencia, mais uma vez, a instabilidade
dos julgamentos humanos. Em poucos instantes, Paulo passou de
"assassino" a "divindade". Situação semelhante havia
ocorrido em Listra, onde primeiro foi adorado como um deus e, pouco depois,
apedrejado como criminoso (Atos 14:11-19). Esse contraste ensina que o servo de
Deus não deve fundamentar sua identidade nem nos elogios nem nas críticas das
pessoas, mas na aprovação do Senhor (Gl.1:10).
Além
disso, o episódio corrige uma compreensão equivocada muito comum em todas as
épocas: a ideia de que todo sofrimento é consequência direta de algum pecado
específico, ou de que toda prosperidade é sinal inequívoco do favor divino. A
Bíblia mostra que os justos também enfrentam provações (Jó 1,2; João 9:1-3; Sl.34:19),
e que Deus pode utilizar as dificuldades para cumprir seus propósitos
soberanos.
A
permanência de Paulo em Malta revelou-se parte do plano de Deus. O pai de
Públio, principal autoridade da ilha, encontrava-se enfermo com febre e
disenteria. Paulo entrou em seu quarto, orou, impôs-lhe as mãos e Deus o curou
(Atos 28:8). A notícia espalhou-se rapidamente, e muitos outros enfermos vieram
ao encontro do apóstolo, sendo igualmente curados (Atos 28:9). Assim, Deus
transformou um naufrágio em oportunidade para manifestar seu poder, sua
misericórdia e abrir portas para o testemunho do Evangelho.
Ao
final da permanência na ilha, os malteses expressaram sua gratidão honrando
Paulo e seus companheiros com muitas demonstrações de apreço e providenciando
tudo o que era necessário para a continuação da viagem até Roma (Atos 28:10).
Aquilo que começou com uma tempestade terminou com provisão, honra e
confirmação da fidelidade de Deus.
Este
episódio demonstra que a providência divina governa todas as circunstâncias. O
Senhor utilizou a tempestade, o naufrágio, a hospitalidade dos malteses, a
mordida da serpente e as curas realizadas na ilha para cumprir seus propósitos.
Nada aconteceu por acaso. Como afirma a Escritura: "Sabemos que todas as
coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm.8:28).
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O que aprendemos
neste item III.3 Aprendemos
que Deus transforma crises em oportunidades para cumprir seus propósitos. A
tempestade que parecia representar derrota tornou-se o caminho pelo qual o
Evangelho alcançou a ilha de Malta. Também
aprendemos que o verdadeiro servo de Deus lidera servindo, permanece humilde
em qualquer circunstância e não se deixa abalar pelos julgamentos humanos.
Quando confiamos na providência do Senhor, descobrimos que Ele continua
dirigindo nossa vida, usando até as adversidades para manifestar sua graça,
cumprir suas promessas e glorificar o seu nome (Atos 28:1-10; Romanos 8:28;
Salmo 34:19). |
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Perguntas
de revisão e fixação Tópico
III: A PROVIDÊNCIA DIVINA NO NAUFRÁGIO (Atos 27:39-44; 28:1-10) 1. Como a soberania de Deus foi demonstrada durante o
naufrágio e na chegada à ilha de Malta? Resposta: Deus cumpriu integralmente a promessa feita
a Paulo de que nenhuma das 276 pessoas perderia a vida (Atos 27:22-24,44).
Mesmo com a destruição do navio, todos chegaram em segurança à ilha de Malta,
mostrando que a providência divina está acima das forças da natureza, das
decisões humanas e das circunstâncias adversas. 2. O que a atitude de Paulo em Malta nos ensina sobre a
verdadeira liderança cristã? Resposta: Mesmo sendo apóstolo e prisioneiro, Paulo
serviu humildemente, recolhendo gravetos para manter a fogueira acesa (Atos
28:3). Seu exemplo ensina que a verdadeira liderança cristã se manifesta no
serviço, seguindo o modelo de Cristo, que veio para servir e não para ser
servido (Marcos 10:45). 3. Qual lição espiritual aprendemos com a mordida da
víbora e as curas realizadas em Malta? Resposta: A mordida da serpente não impediu o
cumprimento dos propósitos de Deus, e as curas realizadas por Paulo
demonstraram que o Senhor transforma adversidades em oportunidades para
manifestar seu poder e alcançar vidas (Atos 28:3-10). Aprendemos que nenhuma
circunstância pode frustrar os planos de Deus para aqueles que lhe pertencem
(Romanos 8:28). |
CONCLUSÃO
A
narrativa de Atos 27 e o início de Atos 28 nos ensinam que a vida cristã não
está isenta de tempestades, mas está firmada nas promessas infalíveis de Deus.
Paulo enfrentou ventos contrários, decisões humanas equivocadas, um violento
naufrágio e inúmeras dificuldades. Entretanto, em cada etapa da viagem, ficou
evidente que o Senhor permanecia no controle, conduzindo seu servo segundo o
propósito estabelecido (Atos 23:11).
Esta
lição nos mostra que a segurança do crente não está na ausência de crises, mas
na presença constante de Deus. Quando os recursos humanos se esgotam, a Palavra
do Senhor continua produzindo esperança; quando o medo domina, a fé fortalece;
quando tudo parece perdido, a providência divina abre novos caminhos. O mesmo
Deus que prometeu preservar Paulo cumpriu fielmente sua palavra, confirmando
que nenhuma promessa divina falha (Nm.23:19; Hb.10:23).
Além
disso, aprendemos que Deus deseja usar seus servos como instrumentos de
esperança em meio ao desespero. Enquanto todos perderam a confiança, Paulo
permaneceu firme, encorajou os companheiros de viagem, apontou para a
fidelidade de Deus e serviu humildemente até chegar a Malta. Sua vida demonstra
que quem confia no Senhor torna-se fonte de ânimo, direção e testemunho para os
que o cercam.
Assim,
sejamos fortalecidos pela certeza de que as tempestades não anulam os planos de
Deus. Elas podem até destruir o "navio", mas jamais impedirão o
cumprimento das promessas do Senhor. Aquele que governa os ventos e o mar
continua conduzindo a vida dos seus filhos. Por isso, em qualquer circunstância,
podemos permanecer firmes, confiantes e esperançosos, certos de que "até
aqui nos ajudou o Senhor" (1Sm.7:12) e de que "aquele que começou boa
obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus" (Fp.1:6).
Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível em: https://luloure.blogspot.com/
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e
Grego. CPAD
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Pr. Hernandes Dias Lopes. Atos - A ação do Espírito
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Bíblico Wyclife. CPAD.
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