domingo, 5 de janeiro de 2014

Aula 02 – UM LIBERTADOR PARA ISRAEL

1º Trimestre/2014

Texto Básico: Êxodo 3:1-17; 5:1-5; 6:1,2

“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Ex 3:14).

INTRODUÇÃO

Moisés figura junto a Abraão e Davi como um dos três maiores personagens do Antigo Testamento. Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande homem de Deus. Nesta Aula, veremos a sua vocação e sua preparação graduada, dia a dia, por Deus a fim de que se tornasse o líder do seu povo e o conduzisse rumo à Terra Prometida. Deus vocaciona e chama líderes para sua obra, porém aqueles que forem chamados precisam fazer a sua parte preparando-se. Se você tem um chamado de Deus em sua vida, prepare-se. Faça a sua parte e deixe que o Senhor faça a dEle. Moisés é preparado para se tornar o libertador (Êx 3:1-22).
I. MOISÉS – SUA CHAMADA E SEU PREPARO (Êx 3:1-17)
1. Deus chama o seu escolhido -  “E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito (Êx 3:9,10).
Quando Deus quer realizar os seus desígnios Ele escolhe qualquer pessoa. Ele é o Criador e administrador de todo o Universo, de todas as criaturas. Ele levantou Ciro (Is 45:1-5); Nabucodonosor (Dn 4:1-3); escolheu Moisés para libertar os descendentes de Abraão no Egito. Não adianta resistir, Deus não aceita um “não” por parte da pessoa que Ele designou para cumprir o seu propósito. Moisés resisti o quanto pode ao chamado de Deus, mas acaba se rendendo. Ele torna-se uma referência ao seu povo Israel e à humanidade. A ele é atribuída a autoria do Pentateuco, que é o compêndio devocional basilar do povo judeu.
Moisés foi chamado por Deus quando estava vivendo em Midiã, com o seu sogro Jetro. Ele chegara a Midiã aos 40 anos, fugido do Egito, e agora, aos 80 anos, quando cuidava das ovelhas do sogro, tem um encontro com Deus. Observe que Moisés era já idoso quando foi escolhido. Aos 80 anos de idade muitas pessoas só pensam em se aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restam sem se aborrecer. Mas aqui reside um princípio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos convocar a ser úteis para Ele. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais dispostas a fazer o que Moisés faria, mas Deus escolheu Moisés para aquela missão. Deus não apenas o escolheu para realizar tão grande obra, mas também o convocou. Como Deus fez tudo de forma perfeita, Ele mesmo se encarregou de falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente. Esse é o nosso Deus.
Amado irmão, se Deus te escolheu e te chamou para realizar sua Obra não adianta resistir, é você quem Ele quer. Como Moisés, precisamos aprender que Deus pode fazer grandes coisas sem utilizar ninguém, mas em diversas situações Ele se utiliza de pessoas como eu e você, limitadas, para cumprir seus propósitos.
2. O preparo de Moisés (Êx 3:10-15). Deus se utiliza de diversos recursos para treinar aqueles a quem escolheu. Com Moisés não foi diferente. Ele passou por pelo menos três estágios em sua vida, onde fora colocado por Deus para exercer seu ministério futuro como libertador, legislador e líder de um povo que deixaria uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornar uma nação.
- Em primeiro lugar, Moisés foi criado em um lar piedoso, pelo menos durante os primeiros cinco ou sete anos de sua vida. Neste ambiente, aprendeu a ter não somente fé em Deus, mas também simpatia e amor por seu povo oprimido. Joquebede, mãe de Moisés, inculcou-lhe de tal maneira, em sua infância, as origens e tradições de seu povo, que todos os atrativos do palácio pagão jamais puderam apagar aquelas primeiras impressões. Que mãe impressionante!
- Em segundo lugar, foi educado no palácio do Egito. O Senhor preservou Moisés logo no seu nascimento, colocando-o sob a proteção da filha de faraó, o qual ordenou a morte de todos os meninos hebreus recém-nascidos (Êx 1:16). Pela providência divina, Moisés ficou sob os cuidados de sua própria mãe (Êx 2:7-9), até ser recebido pela casa de faraó (Êx 2:10). Ali recebeu a melhor educação que o maior e mais culto império daquele tempo oferecia. A permanência no palácio não somente contribuiu para fazê-lo “poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22), mas também o livrou do espírito covarde e servil de um escravo.
A filha do faraó que o adotou como filho era possivelmente Hatchepsute que, segundo Eugene H. Merrill, era esposa do faraó Tutmose II (1512-1504). Hatchepsute não tinha filhos e desejava ardentemente ter um. Se, de fato, Moisés foi seu filho de criação, há probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem Tutmose III (sucessor de Tutmose II) - que era filho de uma concubina e tinha se casado com sua meia-irmã, filha de Hatchepsute e Tutmose II - visto que Hatchepsute não tinha filhos naturais. Isso significa que Moisés era um candidato a ser Faraó, tendo apenas como obstáculo sua origem semítica. Parece-nos que houve uma real animosidade entre Moisés e o Faraó Tutmose III. Isto fica claro em virtude de Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a fugir para salvar a vida. O fato de ter o próprio Faraó considerado a questão - que, em outra situação, seria pouco relevante - sugere que este Faraó especificamente tinha interesses pessoais em se livrar de Moisés.
Moisés teve uma educação primorosa no palácio de Faraó. O texto bíblico de Atos 7:22 declara que ele foi "instruído em toda a ciência dos egípcios". O conhecimento adquirido por Moisés muito o ajudou como líder do seu povo, profeta, escritor e legislador.
Assim como Deus tinha um propósito definido ao chamar Moisés, Ele também tem um propósito definido na vida de qualquer servo dEle. Porém, muitos não querem assumir um compromisso com Deus e a sua obra. Você deseja assumir um compromisso com o Todo-Poderoso?
- Em terceiro lugar, Moisés adquiriu experiência no deserto. O chamado de Moisés ocorreu em Midiã, durante os anos em que esteve exilado. De acordo com Êxodo 2:11,12, aos 40 anos Moisés resolveu deixar o palácio e visitar seu povo. Irado com a violência de um feitor de escravos do Egito, matou-o e, por isso, teve que fugir, com medo da reação do faraó, provavelmente Tutmose III, o qual ordenaria sua execução (Êx 2:15; At 7:29). Em Midiã, Moisés experimentou o silêncio e a solidão do deserto através do qual guiaria Israel em sua peregrinação de quarenta anos. Além disso, teve comunhão com Deus e chegou a conhecê-lo pessoalmente. Ali aprendeu a confiar nele e não em sua própria força.
Portanto, o preparo de Moisés durou muitos anos, cerca de 80 anos, e mesmo que ele não o soubesse, Deus o estava preparando como instrumento para uma grande missão.
3. O objetivo da chamada divina (Êx 3:8-10). Ao chamar Moisés, Deus foi bem enfático quanto ao seu propósito: "Para que tires o meu povo do Egito" (Êx 3:10). Deus desejava redimir o seu povo e organizá-lo como nação a fim de que todas as famílias da terra fossem abençoadas. O Senhor precisava de um único homem, Moisés, para redimir seu povo da escravidão. Na Nova Aliança, Deus também necessitava de um único homem, porém este deveria ser perfeito. Então o Todo-Poderoso enviou seu próprio Filho, Jesus Cristo. Jesus atendeu ao Pai, se fez homem e habitou entre nós para nos libertar da escravidão do pecado (João 3:16). Glórias sejam dadas a Deus pelo seu grande amor e misericórdia para conosco!

II. AS DESCULPAS DE MOISÉS E A SUA VOLTA PARA O EGITO

1. O receio de Moisés e suas desculpas.Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êx 3:11). Aquele Moisés impulsivo e vigoroso, que queria resolver os problemas à sua maneira e de imediato, já não existia mais. Após 40 anos na escola do deserto, ele havia sido mudado e moldado pelo Senhor, e agora precisava crer não no seu potencial, mas no Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
“Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?”. Aos seus próprios olhos, Moisés não tinha capacidade de enfrentar Faraó. É provável que ele estivesse pensando em seu passado, no crime que havia cometido, no prejuízo que teria se retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. Mesmo se essa possibilidade fosse remota, o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer à voz de Deus, e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó.
Moisés apresentou as seguintes desculpas: (a) “Não sou capaz” (Êx 3:11); (b) “Não tenho autoridade” (Êx 3:13); (c) “ Não crerão em mim” (Êx 4:1); (d) “Não sei falar em público” (Êx 4:10); (e) “ Sinceramente, não quero ir, envia outro” (Êx 4:13).  Em Sua grande paciência, Deus proveu assistência para ele, com o envio de Arão (Êx 4:14), o qual fez o papel de porta-voz de seu irmão (Êx 7:1). Desta vez, ele não teria mais alternativas a não ser obedecer (Êx 4:13-17).
Quantos, ao serem chamados pelo Senhor para alguma obra já não apresentaram uma lista vasta de desculpas? Precisamos nos conscientizar de que Deus é o nosso Criador e Senhor. Ele nos conhece melhor do que nós mesmos. As escusas de Moisés, assim como as nossas, não vão impressionar o Senhor. Confie naquele que está chamando você e não queira perder tempo com desculpas. Permita que Ele use seus dons e talentos para que muitos sejam libertos da escravidão do pecado.
2. Deus concede poderes a Moisés. Deus não apenas convocou Moisés para aquela empreitada, mas deu-lhe poderes específicos para que o representasse. Por cinco vezes, conforme descrito acima, Moisés rejeita o chamado de Deus com alguns argumentos. Mas, o Senhor, por cinco vezes, apresenta argumentos para Moisés ir. Vejamos:
- “Eu serei contigo” (Êx 3:12). O Senhor estava mostrando que Moisés não estava sozinho nesta missão. Jesus diz o mesmo a nós em Mateus 28:20.
- “Eu Sou O Que Sou” (Êx 3:14). O Senhor revelou seu nome sagrado a Moisés, a fim de que o povo reconhecesse sua autoridade e sua pregação de libertação. Deuses deveriam ter nomes e os do Egito tinham suas nomenclaturas, e o nome das divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou a um hábito dentro da teologia daquele povo. O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó deveria ter um nome também. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito impessoal. Se Deus tem um nome, porque Moisés não poderia sabê-lo? A resposta divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SOU está mandando você para libertá-los. Lembre-os de que Sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Deus deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas.
- “Eu te darei poder” (Êx 4:2-9). O Senhor capacitou Moisés a fazer sinais maravilhosos para que o povo cresse em sua pregação. Moisés poderia transformar seu cajado em uma serpente, poderia fazer sua mão ficar leprosa e depois voltar ao normal, e transformar água em sangue.
- “ Eu serei a tua boca e te ensinarei o que falar” (Êx 4:11,12). Deus capacita Moisés a falar as palavras corretas, assim, como hoje, o Espírito Santo nos ensina o que devemos pregar (João 14:26).
- “Enviarei alguém para te ajudar” (Êx 4:13-17). Deus enviou Arão com Moisés para falar por ele, visto que Moisés não estava crendo na Palavra do Senhor. Deus se irou e mandou Moisés ir cumprir sua missão.
3. O retorno de Moisés. Após a contestação de suas desculpas, Moisés aceitou o chamado de Deus e deu início a sua missão, retornando ao Egito. A morte do Faraó (Êx 2:23-25) provavelmente Tutmose III, por volta de 1450 a.C., possibilitava a Moisés retornar ao Egito, pois as autoridades egípcias encerravam todas as acusações pendentes, mesmo em casos de crime capital (Êx 4:19).
Submisso ao plano de Deus, primeiro foi obter permissão de Jetro para ir embora e retornar ao Egito (Êx 4:18). Não lhe apresentou todas as razões para a mudança, mas o motivo que deu foi suficiente para obter aprovação. Jetro disse: “Vai em paz”. Deu liberdade a Moisés e, assim, não pôs impedimento ao plano de Deus. Moisés começou a viagem com sua mulher e dois filhos (Êx 4:20; cf. 18:3,4), embora pareça que depois do episódio da circuncisão (Êx 4:24-26), ele os tenha mandado de volta a Jetro (Êx 18:2) e prosseguido sozinho com Arão (Êx 4:29).
Deus instruíra o rito da circuncisão para todos os filhos de Israel. Parece que Moisés se circuncidou e executou o rito em seu primeiro filho. Mas, a reação de Zípora (Êx 4:25,26) indica forte desaprovação do ato e insinua que Moisés havia concordado em não circuncidar o segundo filho a fim de agradar a esposa. Mas Deus exigia obediência, e forçou Zípora a aceitar o que parece ter sido extrema aflição para o marido (Êx 4:24). A obediência trouxe cura para Moisés (Êx 4:26), mas o incidente ocasionou a volta de Zípora para a casa de seu pai (Êx 18:2).
Deus não faz acepção de pessoas, e os grandes servos de Deus devem obedecer-lhe tanto como os demais. Alguém disse: “Se Moisés tivesse se apresentado perante o povo israelita sem haver circuncidado seu filho, sem haver cumprido o Antigo Concerto, teria anulado sua influencia junto deles”.
Quando Moisés retornava ao Egito, Arão uniu-se a ele no caminho; juntos, trouxeram aos anciãos a promessa de livramento e lhes demonstraram os sinais. Acendeu-se a fé entre os hebreus, e em pouco tempo outras pessoas de Israel receberam as noticias (possivelmente em reuniões secretas) e se inclinaram perante Deus em louvor e adoração (cf. Êx 4:27-31).
III. MOISÉS SE APRESENTA A FARAÓ (Êx 5:1-5).
1. Moisés diante de Faraó. Com intrepidez, Moisés e Arão se apresentaram na sala de audiência de Faraó, provavelmente Amenotepe II, e lhe comunicaram a exigência do Senhor: “Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto”(Êx 5:1). Esta exigência aparece várias vezes (Êx 7:16; 8:1,20,21; 9:1,13; 10:3,4), embora Deus tenha avisado Moisés e Arão sobre o que esperar do faraó: um coração endurecido (Êx 7:13).
Faraó respondeu com arrogância: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?” (Êx 5:2). Os faraós eram vistos como filhos de “Rá”, o deus solar do Egito, de maneira que Faraó se considerava um deus. Não tardou em comunicar a Moisés e a Arão que nem eles nem Deus lhe inspiravam respeito algum. Escarneceu deles dizendo que a única razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar demasiado ociosos e tornou mais pesado o trabalho dos hebreus, negando-lhes a palha necessária para produzir tijolos (Êx 5:7). A palha era misturada com barro para deixar mais forte os tijolos secos ao sol. Embora houvesse o trabalho extra de juntar a palha, o número dos tijolos fabricados devia permanecer o mesmo (Êx 5:8). Esse tirano estava determinado a minar a vontade do povo. Nem se dava conta de que não podia ir contra Deus. Ele poderia ser cruel com o povo de Deus, mas as palavras que ouvira não eram palavras de mentira (Êx 5:9).
Com frequência, quando Deus começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento de dificuldades. Assim, os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação, pois Satanás não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
2. A queixa dos israelitas (Êx 5:20-22). Os exatores do povo e seus oficiais executaram as ordens de Faraó (Êx 5:10,11). Os escravos se espalharam por toda a terra do Egito a colher restolho (Êx 5:12). Leo G. Cox disse que “restolho era a parte inferior do talo das gramíneas”. Segundo ele, os exatores (Ex 5:13), com medo de perderem o emprego, pressionavam duramente os oficias hebreus. Quando a cota de tijolos não foi atingida, açoitavam os oficiais dos filhos de Israel (Êx 5:14).
Os esforços de Moisés e Arão tiveram efeito oposto ao esperado. O povo de Israel sentiu-se prejudicado pela intervenção de Moisés junto a Faraó. Esta deve ter sido uma prova dura para Moisés. Ele estava no Egito obedecendo à voz de Deus, falando com Faraó para que o povo fosse liberto, e como consequência o rei ordena que os hebreus trabalhem mais. Era nitidamente claro que a situação piorara. Não havia sinal externo de que Deus começara uma libertação. Moisés estava confuso, então, faz um apelo desesperado a Deus: “Por que me enviaste?” (Êx 5:22). Quando a fé está em crescimento sempre há retrocessos. Deus frequentemente nos humilha antes de mostrar seu braço forte. Deus cuida de cada movimento dos seus filhos sofredores.
Bem disse Alexandre Coelho: “Não é incomum que lideres se vejam na mesma situação de Moisés: obedecem a Deus, mas não veem de imediato um fruto positivo de sua obediência. O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que as coisas que se seguirão não serão alvo de investida de Satanás. Além disso, os lideres devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas atitudes, mas que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de Deus, Ele vai se responsabilizar por nos honrar no devido tempo”.
3. Deus promete livrar seu povo (Êx 6:1,2). A promessa de Deus para com Israel não foi esquecida por Ele. A demora na libertação não significava renúncia da promessa. Deus estava trabalhando em seus propósitos. Depois do encontro com Faraó e das reclamações dos hebreus, Deus diz a Moisés: “Agora verás o que hei de fazer a Faraó; porque, por mão poderosa, os deixará ir; sim, por mão poderosa, os lançará de sua terra. Falou mais Deus a Moisés e disse: Eu sou o SENHOR”. O valor da promessa estava no fato de Deus endossá-la: “Eu sou o Senhor” (Ex 6:2). Para este grande livramento, o próprio Deus revelou o pleno significado de Yahweh, “o Senhor”. Esta narrativa trata de uma renovação das promessas a Moisés com maior destaque a um povo desanimado.
Deus ordenou que Moisés renovasse a confiança dos israelitas. Ele tinha de lhes dizer que seriam libertos da servidão egípcia, que Deus os resgataria com ação especial e vigorosa e com juízos grandes (Ex 6:6) sobre os opressores. Israel seria o povo especial de Deus e lhe daria a terra da promessa por herança (Ex 6:7,8). Estas palavras tranquilizadoras foram apoiadas pela declaração: “Eu, o SENHOR” (6:8).
A razão de Deus libertar Israel era por causa da Sua Aliança (Ex 6:4,5). Esta Aliança foi feita com Abraão, antes mesmo dos israelitas nascerem. Não foi baseada na bondade deles, mas no amor de Deus (Dt 7:6-8). Que maravilhoso quadro da Aliança da graça, feita com a Igreja de Cristo (Ef 1:4).
Lembre-se: as promessas de Deus são inexoráveis. Às vezes parecem demorar, mas no devido tempo, Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiam nEle.

CONCLUSÃO

Ainda hoje, Deus continua levantando homens como Moisés e Arão com esta nobre função de ser canal para o Seu agir no mundo, a fim de resgatar povos e nações das trevas e opressão do pecado.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão – nº 57 – CPAD.
Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.
Leo G. Cox -  O Livro de Êxodo - Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.
Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.
Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

AULA 01 – O LIVRO DE ÊXODO E O CATIVEIRO DE ISRAEL NO EGITO


1º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Êxodo 1:1-14

 
“E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente, vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos daqui” (Gn 50:25).

INTRODUÇÃO

Mais um ano letivo inicia-se. Com a graça de Cristo romperemos os obstáculos e vitórias serão alcançadas. Neste 1º Trimestre estudaremos o segundo livro das Escrituras Sagradas, Êxodo, cuja autoria é atribuída a Moisés, homem de Deus. Êxodo significa “partida”, “saída”. O livro descreve a libertação e saída dos israelitas do Egito, a sua jornada até o Monte Sinai, e os eventos que ocorreram durante o tempo em que permaneceram ali. Segundo Eugene H. Merrill, “o Êxodo é o evento teológico mais expressivo do Antigo Testamento, porque mostra a magnificente ação de Deus em favor de Seu povo, uma ação que os conduziu da escravidão à liberdade, da fragmentação à unidade, de um povo com uma promessa - os hebreus - a uma nação estabelecida – Israel” (1). No Egito, os descendentes de Israel cresceram, passando de uma família de setenta pessoas (cf. Gn 46:26,27) a uma nação de aproximadamente dois milhões de pessoas (com base na estimativa de seiscentos mil varões com idade superior a 20 anos, Ex 12:37). A ênfase principal do livro de Gênesis estava na família de Abraão, mas Êxodo concentra-se no desenvolvimento da nação de Israel.

O texto básico para esta Aula, o capítulo 1, trata da origem de Moisés, o qual foi escolhido por Deus para trazer a liberdade ao povo de Israel. Liberdade essa que tem sido acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da salvação. E isso não é sem motivo, pois não se pode imaginar um estudo sério da Palavra de Deus sem que se examine a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida. Veremos ao longo deste trimestre, ao estudarmos as lições propostas, que o Livro de Êxodo é o Livro da Redenção efetuada pelo Senhor.

1. O LIVRO DE ÊXODO

1. Seu propósito. O Livro de Êxodo relata como a família escolhida em Gênesis veio a ser uma nação. Registra os dois acontecimentos transcendentes da história de Israel: o livramento do Egito e a entrega do pacto da lei no Sinai. O livramento do Egito possibilitava o nascimento da nação; o pacto da lei modelava o caráter da nação a fim de que fosse um povo santo.

O livro descreve, em parte, o desenvolvimento do antigo concerto com Abraão. As promessas que este recebeu de Deus incluíam um território próprio, uma descendência numerosa que chegaria a ser uma nação e bênção para todos os povos por meio de Abraão e sua descendência. Primeiro, Deus multiplica seu povo no Egito; depois, o livra da escravidão; e a seguir, o constitui uma nação.

Êxodo é um livro de redenção. A narrativa da libertação do povo hebreu do jugo opressor dos egípcios, mediante atos poderosos do Senhor, tornou-se central, não apenas no Pentateuco, mas por toda a Escritura (Sl 103:6,7; Mq 6:4; 7:15; At 13:17; Hb 8:9; Jd 5). Por isso, Êxodo tem sido designado de o Livro da Redenção.

Êxodo lança luz sobre o caráter de Deus. No livramento de seu povo, vê-se que Ele é misericordioso e poderoso. A lei revela que ele é Santo; o Tabernáculo revela que Ele é acessível mediante sacrifício aceitável. (2)

2. A escravidão (Ex 1:8-14). Os descendentes de Abraão permaneceram no Egito por 430 anos (Ex 12:40,41). Após gozar um período de sossego e prosperidade, eles foram subjugados ao estado de escravidão por um faraó que não conhecia José (Ex 1:8). Isso pode indicar que esse novo rei não soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema provação, quando os alimentos se tornaram escassos, e que se não fosse pela instrumentalidade de José, filho de Jacó, o Egito provavelmente não subsistiria. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Ex 3:8, NTLH). A expressão “poder” mostra o grau de opressão com que os egípcios trataram os hebreus, considerando-os como se fossem nada, descartáveis. Somente Deus poderia resgatá-los e libertá-los do jugo dos seus inimigos.

Dentre os motivos apresentados por Moisés para a escravidão do povo israelita, encontram-se:

a) A multiplicação dos filhos de Israel (Ex 1:7), em cumprimento à promessa de inumerável descendência, resultado da providência de Deus (Gn 22:15-17).

b) O medo que faraó tinha de um golpe político, caso os hebreus resolvessem entrar em aliança com os inimigos da nação egípcia (Ex 1:9,10).

c) O uso de mão-de-obra forçada, a fim de enfraquecer o moral da população hebraica e, ao mesmo tempo, possibilitar a construção das suas cidades e pirâmides (Ex 1:11,14).

Independentemente de toda a hostilidade do faraó contra a descendência de Abraão, Isaque e Jacó, os hebreus não pararam de crescer e de fortalecer-se (Ex 1:12), porque isto era o desejo de Deus.

3. Clamor por libertação.E aconteceu, depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa de sua servidão” (Ex 2:23). Deus em seu infinito amor revela-se atento à aflição do seu povo, que está no Egito. O clamor e o sofrimento do seu povo motivam-no a agir. Deus ainda age assim conosco hoje. Os momentos de dificuldades, as amarguras e as tribulações que experimentamos não passam despercebidos por Ele (1Pe 3:12).

Deus ouve os clamores do seu povo, mas espera até “a plenitude do tempo” para dar a vitória - “e atentou Deus para os filhos de Israel e conheceu-os Deus” (Ex 2:25). Deus salva quando põe Seu povo em liberdade, redimindo-o da escravidão. Liberdade é, portanto, a evidência maior da salvação.

O rei, provavelmente Tutmosis III, que decretou a escravidão falecera (Ex 2:23-25), mas seu sucessor, provavelmente Amenotepe II, manteria aquele sistema. Durante o tempo de permanência de Moisés em Midiã, o povo oprimido no Egito sentiu mais intensamente o peso esmagador da escravidão. Os líderes do Egito tinham recorrido à servidão cruel para manter os hebreus em sujeição, continuando a politica de matar os recém-nascidos do sexo masculino. O povo de Israel começou a clamar a Deus, pedindo socorro. Quando os israelitas se voltaram para Deus, Ele se voltou para eles (Ex 2:23-25). Até esse tempo, muitos tinham adorado aos deuses do Egito e provavelmente os invocaram, buscando socorro e livramento.

Deus ouviu o “gemido” do povo e se “lembrou” do “concerto” (Ex 2:24). Deus adiou a libertação de Israel até que Moisés e Israel estivessem prontos. Moisés precisava das disciplinas do deserto, e Israel precisava aumentar o desejo por liberdade. A escravidão continuada no Egito uniu o povo de Israel no desejo por liberdade e na fé de que só Deus podia livrá-lo.

À semelhança do ato redentor de Deus no Egito, nosso Senhor Jesus Cristo:

-       Fez-se homem, descendo do Céu para resgatar a humanidade perdida (João 1:1; 3:13,16).

-       Anulou o pesado jugo do pecado (Mt 11:28).

-       Quebrou as cadeias da servidão (João 8:36).

-       Pagou o preço devido da liberdade, por meio do seu sacrifício na cruz do Calvário, como o Cordeiro de Deus (1Tm 2:5,6).

II. O NASCIMENTO DE MOISÉS

1. Os israelitas no Egito. Moisés nasceu em um momento desfavorável aos descendentes de Jacó no Egito. Uma nova dinastia, diferente daquela que José conhecera, assumiu o poder no Egito. Em Êxodo 1:8, a historia nos mostra uma mudança no cenário politico do Egito que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. A dinastia dos hicsos reinou no Egito de aproximadamente 1720 a.C. até 1570 a.C. Estes reis eram estrangeiros e foram expulsos por este novo rei. Parece que a nova dinastia, a décima oitava, odiava os povos associados com os reis anteriores, sobretudo os hebreus. O novo rei desconhecia José e não se importava com o passado do Egito. Esquecer José também significava esquecer Deus. Ao desconsiderar o povo de Deus Faraó fixou a mente e o coração contra Jeová. É comum a recusa em se lembrar do passado resultar em rebelião presente. Todo aquele que fixa o rosto contra Deus terá dias infelizes. (3)

Homens maus buscam razões para justificar seus caminhos diante de outros homens e a seus próprios olhos. Pelo que se depreende do texto sagrado, no mínimo três razões foram engendradas pelo novo rei a fim de oprimir o povo de Deus (cf. Ex 1:10,11):

(a) os israelitas, como um grande grupo de pessoas, estava crescendo bastante. Faraó não percebeu que se o povo de Israel estava crescendo, era um sinal claro da bênção de Deus.

(b) ele imaginou que em um caso de guerra futura, os israelitas se associariam com os inimigos dos egípcios. Só que não há evidências de Israel ter intenções bélicas, mas é surpreendente o mal que o coração carnal pode ler nas intenções de outros homens.

(c) ele também entendeu que no caso de uma guerra, os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”). Se Faraó temia a presença do povo de Israel no Egito, por que não o mandou sair em vez de procurar destruí-lo? Possivelmente porque tinha medo que se tornasse uma nação forte naquela região, ou, talvez, que trouxesse uma grande frustração aos planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional.

A Bíblia declara que os pensamentos de Faraó estavam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. Por isso, ele lhes impôs pesadas e amargas tarefas com dura servidão (Ex 1:14). Os egípcios, os “maiorais de tributos”, os faziam trabalhar desumanamente e, ao mesmo tempo, os obrigava a lhes pagar exorbitantes tributos. A escravidão era muito cruenta. E foi neste cenário que Moisés nasceu.

2. Um bebê é salvo da morte. Considerando que Israel se multiplicou, mesmo sob dura escravidão, o rei decidiu atacar o segredo da força: os bebês do sexo masculino. A fim de evitar publicidade, ele se serviu da cooperação das parteiras das hebreias (Ex 1:15) - Sifrá e Puá - para que matassem os meninos ao nascerem. Talvez estas parteiras fossem egípcias designadas exclusivamente às hebreias. As duas parteiras nomeadas eram provavelmente chefes de uma instituição de parteiras, visto que duas não dariam conta de todos os hebreus que haviam de nascer. Este plano acabaria com Israel como nação. Mas, Deus novamente frustrou a intenção do rei. Estas parteiras temeram a Deus (Ex 1:17) e não obedeceram à ordem do monarca.

Quando os ímpios lutam contra Deus, acabam chegando às raias do desespero. O rei do Egito não sabia o que fazer. Por duas vezes tentou reduzir a força de Israel e fracassou. Tinha de tomar medidas drásticas. Era imperativo que abrisse o jogo e exigisse o extermínio dos hebreus. Desta vez, não precisava somente da ajuda dos maiorais de tributos ou das parteiras. Faraó encarregou todos os egípcios com a ordem de afogar os bebês do sexo masculino (Ex 1:22). Isso significa que qualquer egípcio ou egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas, pará-los nas ruas ou em qualquer lugar onde estivessem, pegar a criança recém-nascida, conferir-lhe o sexo e, se fosse um menino, tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para jogar o bebê, a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. Os planos de Satanás eram cruéis, e deixavam um sinal claro do que ainda estava por vir para os filhos de Jacó. Mas se Satanás tinha um plano de opressão, escravidão e morte contra os hebreus, Deus também tinha um plano, mas de livramento, libertação e de vida para o seu povo.

A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi teve um menino, e, não podendo mais escondê-lo, colocou-o em um cesto de juncos, uma construção bem frágil para proteger uma criança. Aquele cesto simples foi colocado na borda do rio, entre as plantas. E exatamente naquele lugar a filha de Faraó, provavelmente Hatchepsute, foi se banhar, e vendo o cesto, ordenou que uma de suas criadas fosse pegá-lo. A filha de Faraó se compadeceu do menino, decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do menino Moisés, usando a filha de Faraó para tal livramento. (4)

A graça de Deus está revelada na compaixão mostrada pela filha de Faraó (Ex 2:6). Mesmo quando os homens maus fazem o pior que podem, Deus, por seu gracioso poder, coloca boa vontade e amor tenro no coração das pessoas que estão perto do tirano. Mal sabia o rei ímpio que Deus estaca executando seu plano secretamente, mesmo quando parecia que o monarca mundano estava tendo sucesso. Também é interessante notar que, para criar o próprio filho, a mãe hebreia foi paga com parte do dinheiro de Faraó (Ex 2:9). Este é outro exemplo de que a ira do homem é posta para louvar a Deus. (5)

3. A mãe de Moisés (Ex 6:20).E Anrão tomou por mulher a Joquebede, sua tia, e ela gerou-lhe a Arão e a Moisés; e os anos da vida de Anrão foram cento e trinta e sete anos”. Como se observa neste texto, o nome da mãe de Moisés era Joquebede. Ela descendia de Levi, um dos irmãos de José. Ela e seu marido se encontram entre os grandes heróis da fé, enumerados no capítulo 11 da Epístola aos Hebreus. A fé de Joquebede é claramente ilustrada quando ela viu que o menino era formoso e escondeu-o por três meses (Ex 2:2). Depois, ela o colocou em uma arca e a pôs nos juncos à borda do rio (Ex 2:3). A fé sempre resulta em ação, mesmo quando a ação é arriscada. Vivendo pela fé, Joquebede também mostrou inteligência. Ela colocou o bebê num lugar do rio onde a princesa normalmente frequentava. Também dispôs que a filha, Miriã, ficasse em um ponto estratégico para fazer a pergunta certa no momento certo (Ex 2:4,7). Também foi ato de fé a mulher hebreia entregar o filho nas mãos da princesa egípcia. Joquebede, como ocorreu mais tarde com Ana e Maria, estava convencida de que seu filho era escolhido de Deus e estava disposta a entregá-lo à providência divina.

4. A filha de Faraó (Ex 2:5,6).E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam pela borda do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua criada, e a tomou. E, abrindo-a, viu o menino, e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele e disse: Dos meninos dos hebreus é este”.

Segundo Eugene H. Merrill, a filha de faraó que guardou o menino em vida chamava-se Hatchepsute, esposa do faraó Tutmose II (1512 -1504 a.C). Tudo leva-nos a identificá-la como a ousada filha do Faraó que resgatou Moisés. Somente ela dentre todas as demais mulheres de sua época seria capaz de ir contra uma ordem do Faraó, bem diante dele. Ela devia estar no início de sua adolescência, por volta de 1526 a.C., data do nascimento de Moisés e, portanto, com condições de agir em favor de sua libertação.

Se o rei do Egito ordenara a morte dos meninos hebreus, Deus graciosamente usaria a filha do Faraó para preservar em vida o menino que seria, anos mais tarde, o libertador dos israelitas. Deus pode utilizar pessoas que desconhecemos, e que nem mesmo tem o mesmo temor a Deus que nós, para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos.

III. O ZELO PRECIPITADO DE MOISÉS E SUA FUGA (Ex 2:11-22).

1. Moisés é levado ao palácio – “E, sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou o seu nome Moisés e disse: Porque das águas o tenho tirado” (Ex 2:10). Pela providência divina, Moisés ficou sob os cuidados de sua mãe Joquebede (Ex 2:7-9), até ser recebido pela casa de faraó (Ex 2:10). Deus tinha para Moisés um grande ministério. Todavia, para que pudesse executá-lo, o Senhor preparou-lhe uma educação especial na corte egípcia. Moisés passou sua juventude no palácio real. Como filho de uma princesa egípcia, ele frequentou as mais renomadas escolas de educação egípcias; ele foi preparado para ser um príncipe (At 7:22; Gn 41:45). Desta feita, Moisés estava apto para liderar, conduzir e organizar o povo, durante e depois de sua saída do Egito.

Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer a sua obra. Não há referência na Palavra de Deus que indique que Ele despreza talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Saulo era versado em três línguas diferentes, e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens missionárias. Mateus era um cobrador de impostos, e utilizou seus conhecimentos para escrever seu Evangelho. Daniel era um profeta, mas também era um estadista. Portanto, entendo que Deus utiliza nossos recursos, conhecimentos acadêmicos, talentos naturais, em prol do seu Reino. Como cristãos, somos desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus, e isso inclui buscar uma formação sólida e coerente. (6)

2. A fuga de Moisés (Ex 2:11-22). As injustiças que os israelitas sofriam deram a Moisés um senso de missão. Quando tinha idade para agir por conta própria, examinou pessoalmente a carga que seus irmãos suportavam. Quando viu que um varão egípcio feria a um varão hebreu (Ex 2:11), seu desejo de ajudar o povo veio à tona. Percebeu que tinha razão em punir o malfeitor, ainda que soubesse que tal ação seria perigosa. Feriu ao egípcio (Ex 2:12), matando-o, depois de se certificar de que ninguém estava olhando. Moisés não tinha autoridade do Egito para corrigir estes males, e Deus ainda não o comissionara. Agindo por conta própria, entrou em dificuldades. (7)

No dia seguinte, quando tentou resolver uma diferença entre dois hebreus, Moisés ficou sabendo que o assassinato do egípcio fora descoberto (Ex 2:14). Também ficou sabendo que havia injustiça entre seus irmãos. O povo que não apoiava o homem que queria ajudá-lo ainda não estava preparado para ter um libertador. E Moisés, autodenominado maioral (ou “príncipe”, ARA) e juiz também não estava preparado para ser o libertador. Moisés teve de esperar o tempo de Deus para receber mais instruções de uma Autoridade superior. O rei logo tomou conhecimento do que Moisés fizera, mas ante de Faraó agir, Moisés fugiu para a terra de Midiã (Ex 2:15), onde quarenta anos depois (At 7:30) seria comissionado por Deus. (8)

Ele passou a próxima temporada de quarenta anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica, onde aprendeu os caminhos do deserto, a forma como sobreviver nele, os tipos de animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. Eram questões simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito, mas foi dessa forma que Deus preparou Moisés. A sabedoria dos egípcios ele já possuía. Ele precisava agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma jornada que duraria anos. (9)

Dwight L. Moody comentou sabiamente que “Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. Os segundos quarenta anos, passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos quarenta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém” (citado por Charles Swindoll). (10)

Que possamos aprender e apreender essa lição de Deus.

CONCLUSÃO

A história do Êxodo de Israel tem figurado por séculos na história dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da salvação. E isso não é sem motivo, pois não se pode imaginar um estudo sério da Palavra de Deus sem que se examine o Pentateuco, e, mais precisamente, a forma como Deus libertou o seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida (11). A libertação dos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó do Egito e a consequente migração em direção a Canaã, sob a liderança de Moisés, foi marcada por muitos milagres, e resultou no estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus, que era seu próprio govenador teocrático.

É evidente o paralelo entre o livramento dos escravos israelitas e o êxodo espiritual efetuado pela obra e Pessoa de Jesus Cristo. O Egito vem a ser um símbolo do mundo pecaminoso; os egípcios, símbolo de pecadores escravizados; Moisés simboliza o redentor divino que livra seu povo mediante poder e Sangue e o conduz à Terra Prometida. Somente Cristo, por meio de sua morte vicária, poderia nos libertar da escravidão do pecado.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 57 – CPAD.

Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.

Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.

Alexandre Coelho e Silas Daniel – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

(1) Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

(2)  Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

(3) Leo G. Cox – O Livro de Êxodo. Comentário  Bíblico Beacon. CPAD

(4) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

(5)  Leo G. Cox – O Livro de Êxodo. Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.

(6) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

(7) Leo G. Cox – O Livro de Êxodo. Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.

(8) Ibid.

(9) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

(10) Ibid.

(11) Ibid.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD - 1º TRIMESTRE DE 2014


 

No 1º Trimestre de 2014 estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o tema: “Uma Jornada de Fé – A formação do povo de Israel e sua herança espiritual”. As lições serão comentadas pelo pastor e mestre Antônio Gilberto, e estão distribuídas sob os seguintes títulos:

Lição 1 – O livro de Êxodo e o Cativeiro de Israel no Egito.

Lição 2 – Um Libertador para Israel.

Lição 3 – As Pragas Divinas e as Propostas Ardilosas de Faraó.

Lição 4 – A Celebração da Primeira Páscoa.

Lição 5 – A Travessia do Mar Vermelho.

Lição 6 – A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai.

Lição 7 – Os Dez Mandamentos do SENHOR.

Lição 8 – Moisés - Sua Liderança e Seus Auxiliares.

Lição 9 – Um Lugar de Adoração a DEUS no Deserto.

Lição 10 – As Leis Civis Entregues por Moisés aos Israelitas.

Lição 11 – DEUS Escolheu Arão e Seus Filhos para o Sacerdócio.

Lição 12 – A Consagração dos Sacerdotes.

Lição 13 – O Legado de Moisés.


UMA ANÁLISE PRELIMINAR

1. Introdução

Ao longo deste trimestre teremos a oportunidade ímpar de estudar o livro de Êxodo. Segundo Eugene H. Merrill, o Êxodo é o evento teológico mais expressivo do Antigo Testamento, porque mostra a magnificente ação de Deus em favor de Seu povo, uma ação que os conduziu da escravidão à liberdade, da fragmentação à unidade, de um povo com uma promessa - os hebreus - à uma nação estabelecida – Israel.

Êxodo é uma palavra grega que significa “partida”, “saída”. O livro descreve a libertação e saída dos israelitas do Egito, a sua jornada até o Monte Sinai, e os eventos que ocorreram durante o tempo em que permaneceram ali.

O patriarca Jacó havia levado a sua família para o Egito, a fim de fugir da grande fome (Gn 46:1-27). Quando os hicsos invadiram o Egito e ganharam poder político, os descendentes de Jacó foram forçados à escravidão (Ex 1:8,10). Os hicsos nunca foram numerosos, de modo que a nação de Israel, em crescimento representava uma ameaça para eles (Ex 1:9). Esta ameaça acabou fazendo com que os governantes hicsos escravizassem os hebreus. Quando, posteriormente, os hicsos foram expulsos, todo o ódio que os egípcios nativos sentiam pelos estrangeiros concentrou-se nos hebreus. Como os egípcios também temiam que os israelitas se tornassem excessivamente numerosos, tornaram a escravidão israelita mais dura (Ex 1:13), e tentaram controlar a população matando os bebês do sexo masculino (cf Ex 1:17-20).

Apesar de tudo isso, os descendentes de Israel cresceram, passando de uma família de setenta pessoas (cf Gn 46:26,27) a uma nação de aproximadamente dois milhões de pessoas (com base na estimativa de seiscentos mil varões com idade superior a 20 anos, Ex 12:37). A ênfase principal do livro de Gênesis estava na família de Abraão, mas Êxodo concentra-se no desenvolvimento da nação de Israel. (1)

2. O Tema principal do Livro de Êxodo (2)

O Tema principal do Livro de Êxodo é a Redenção. A libertação e a saída dos filhos de Israel da escravidão no Egito eram um tipo de toda a redenção, e Moisés, que os liderou, era um tipo de Cristo.

3. Propósito e mensagem do livro (3)

O Livro de Êxodo relata como a família escolhida em Gênesis veio a ser uma nação. Registra os dois acontecimentos transcendentes da história de Israel: o livramento do Egito e a entrega do pacto da lei no Sinai. O livramento do Egito possibilitava o nascimento da nação; o pacto da lei modelava o caráter da nação a fim de que fosse um povo santo.

O Livro descreve, em parte, o desenvolvimento do antigo concerto com Abraão. As promessas que este recebeu de Deus incluíam um território próprio, uma descendência numerosa que chegaria a ser uma nação e bênção para todos os povos por meio de Abraão e sua descendência. Primeiro, Deus multiplica seu povo no Egito, depois, o livra da escravidão, e a seguir, o constitui uma nação.

Êxodo é um Livro de redenção. O Redentor Javé não somente livra seu povo da servidão egípcia mediante seu poder manifesto nas pragas, mas também o redime por sangue, simbolizado no cordeiro pascoal. A Páscoa ocupa lugar central na revelação de Deus a seu povo, tanto no Antigo Pacto como no Novo, pois o cordeiro pascal é símbolo profético do sacrifício de Cristo. Por isso a festa da páscoa converteu-se na comemoração de nossa redenção (Lc 22:7-20).

O Senhor provê para seu povo redimido tudo de que ele necessita espiritualmente: os israelitas precisam de uma revelação do caráter de Deus e da norma de conduta que ele exige; Ele lhes dá a lei, mas também faz aliança com eles, estabelecendo uma relação incomparável e fazendo-os seu especial tesouro. Os hebreus, acusados de pecado pela lei, necessitam de purificação, e o Senhor lhes proporciona um sistema de sacrifícios. Necessitam aproximar-se de Deus e prestar-lhe culto, e Deus lhes dá o tabernáculo e ordena um sacerdócio. Tudo isso tem a finalidade divina de que sejam uma nação santa e um reino de sacerdotes.

Êxodo lança luz sobre o caráter de Deus. No livramento de seu povo, vê-se que Ele é misericordioso e poderoso. A lei revela que ele é Santo; o Tabernáculo revela que Ele é acessível mediante sacrifício aceitável.

É evidente o paralelo entre o livramento dos escravos israelitas e um maior êxodo espiritual efetuado pela obra e Pessoa de Jesus Cristo. O Egito vem a ser um símbolo do mundo pecaminoso; os egípcios, símbolo de pecadores escravizados; Moisés simboliza o redentor divino que livra seu povo mediante poder e Sangue e o conduz à Terra Prometida.

4. Estrutura do Livro de Êxodo (4)

Na história hebraica, o conteúdo do Livro de Êxodo é representado por meio de três montanhas altas e um vale: o livramento do Egito, a concessão da lei e a revelação do plano do Tabernáculo; o vale sombrio é o episódio do bezerro de ouro. A estrutura do Livro é disposta assim:

I. Israel é libertado (Ex 1.1—15.21)

a) Deus suscita um líder (Ex 1—4).

b) O conflito com Faraó (Ex 5 — 11).

c) Israel sai do Egito (Ex 12.1—15.21).

II. Israel vai para o Sinai (Ex 15.22—18.27)

a) Provações no deserto (Ex 15.22—17.16).

b) Jetro visita Moisés (Ex 18).

III. Israel no Sinai (Ex 19 — 40)

a) O pacto da lei (Ex 19 — 24).

b) O pacto violado c renovado (Ex 31.18—34.35).

c) O Tabernáculo (Ex 25.1—31.17; 35.1—40.38).

5. Uma análise superficial da 18ª Dinastia do Egito (5)

Dinastias do Egito
18ª Dinastia (a.C.)
Amósis
1570-1546
Amenotepe I
1546-1526
Tutmose I
1526-1512
Ttmose II
1512-1504
Hatchepsute
1503-1483
Tutmose III
1504-1450
Amenotepe II
1450-1425
Tutmose IV
1425-1417
Amenotepe III
1417-1370
Amenotepe IV (Akhenaten)
1379-1362
Semenca
1364-1361
Tutankamon
1361-1352
Ai
1352-1348
Horembeb
1348-1320
19ª Dinastia (a.C.)
Ramsés I
1320-1318
Setos I
1318-1304
Ramsés II
1304-1236
Merneptah
1236-1223
Fonte: Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento.CPAD

Eugene H. Merrill diz que, de acordo com a data tradicional, a 18ª Dinastia forma o quadro da época em que o êxodo aconteceu.

A décima oitava dinastia foi fundada por Amósis, o responsável pela expulsão dos hicsos. É bem provável ter sido ele o que está descrito em Êxodo como o novo rei que não conhecia José (Êx 1:8). Isto não sugere que ele não tenha conhecido José pessoalmente, mas apenas que sua benevolência não mais se estendia aos descendentes de José - os hebreus. Ele havia, afinal, expulsado os hicsos, um povo bastante aparentado aos hebreus, e pode ter ficado receoso de que a rápida multiplicação destes pudesse se constituir numa séria ameaça ao seu recente governo e autoridade.

Ele ou seu sucessor, Amenotepe I (1546 - 1526), foi o responsável pela política repressiva que se seguiu naqueles dias. Isto incluía a redução dos hebreus à escravidão com trabalhos forçados em projetos de construções públicas (Ex 1:11-14), um plano que foi igualmente implementado por Amósis. Quando tal projeto fracassou, seguiu-se um decreto promulgando o genocídio de todos os machos hebreus que nascessem (Êx 1:15,16). Esse decreto pode ter sido emitido por Amenotepe ou, o que é mais provável, por Tutmose I.

Amenotepe foi sucedido por Tutmose I (1526-1512), um plebeu que tinha se casado com a irmã do rei. Provavelmente foi ele o autor do decreto que ordenou o infanticídio, pois enquanto Moisés estava em iminente perigo de morrer, Arão, que havia nascido três anos antes (Ex 7:7), parece ter estado isento. Não seria difícil admitir que o Faraó que promulgou essa política deve ter subido ao trono após o nascimento de Arão e antes do nascimento de Moisés. Nesse caso, a evidência bíblica aponta diretamente para Tutmose I.

Tutmose II (1512-1504) casou-se com Hatchepsute, sua meia-irmã mais velha. Ele morreu jovem sob circunstâncias bastante misteriosas. Sentindo que se aproximava da morte, ordenou a nomeação de Tutmose III (1504-1450) como seu co-regente e herdeiro. Esse governante que, sem dúvida, foi o mais ilustre e poderoso dentre os que viveram no Novo Reino, distinguiu-se de várias maneiras. Seus primeiros anos não foram muito promissores - era filho de uma concubina e tinha se casado com sua meia-irmã, filha de Hatchepsute e Tutmose II - mas por fim veio a obter notáveis vitórias nas terras ao seu redor, que incluíram nada menos que 16 campanhas à Palestina. Porém, os primeiros 20 anos de seu reino foram dominados por sua poderosa madrasta, Hatchepsute. Embora proibida pela cultura de se tornar Faraó, ela de fato agia como tal e, em todos os critérios, pode ser considerada a pessoa de maior fascínio e influência da história egípcia. Sem dúvida, nos primeiros anos de Tutmose III, foi Hatchepsute quem ditou as resoluções, um relacionamento que decerto ele detestava, mas encontrava-se impotente para se opor. Somente após a morte da madrasta, Tutmose III demonstrou toda repugnância que sentia por ela, mandando extinguir toda e quaisquer inscrições ou monumentos em sua homenagem.

O quadro geral de Hatchepsute leva-nos a identificá-la como a ousada filha do Faraó que resgatou Moisés. Somente ela dentre todas as demais mulheres de sua época seria capaz de ir contra uma ordem do Faraó, bem diante dele. Embora a data de seu nascimento seja desconhecida, ela provavelmente era vários anos mais velha do que seu marido, Tutmose II, que morrera em 1504, bem próximo de seus 30 anos. Ela devia estar no início de sua adolescência, por volta de 1526, data do nascimento de Moisés e, portanto, com condições de agir em favor de sua libertação.

Tutmose III era menor de idade quando assumiu o poder em 1504 e mais novo que Moisés. Se, de fato, Moisés foi filho de criação de Hatchepsute, há probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem Tutmose III, visto que Hatchepsute não tinha filhos naturais. Isso significa que Moisés era um candidato a ser Faraó, tendo apenas como obstáculo sua origem semítica. Parece-nos que houve uma real animosidade entre Moisés e o Faraó. Isto fica claro em virtude de Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a fugir para salvar a vida. O fato de ter o próprio Faraó considerado a questão - que, em outra situação, seria pouco relevante - sugere que este Faraó especificamente tinha interesses pessoais em se livrar de Moisés. O exílio auto-imposto por Moisés ocorreu em 1486, quando ele tinha 40 anos de idade (At 7:23). Tutmose III já estava no poder havia 18 anos; e a idosa Hatchepsute, que faleceria três anos mais tarde, não tinha mais condições de interditar a vontade de seu enteado/sobrinho.

Durante longos quarenta anos, Moisés permaneceu fugitivo do Egito, tendo se abrigado entre os midianitas do Sinai e da Arábia. Uma das razões para tão longo exílio foi justamente o fato de continuar a viver e reinar o Faraó de quem Moisés havia escapado. Somente após sua morte, Moisés sentiu-se livre para retornar ao Egito (Êx 2:23; 4:19). Tutmose III morreu em 1450 e foi sucedido por seu filho Amenotepe II (1450-1425). Segundo os padrões cronológicos aceitáveis nesta discussão, era este Amenotepe quem reinava na ocasião do Êxodo.

Antes de deixarmos Tutmose III, é essencial notarmos que o relato bíblico requer um reinado de quase 40 anos para o Faraó que perseguiu a vida de Moisés, porquanto o rei que morreu no fim dos anos do exílio de Moisés em Midiã era claramente o mesmo que o havia ameaçado quase 40 anos antes. Dentre todos os reis da 18ª Dinastia, somente Tutmose III teve um reino tão longo. De fato, ele é o único governante que, em todo período durante o qual o Êxodo poderia ter ocorrido, reinou tanto tempo - com exceção de Ramsés II (1304-1236). Mas Ramsés, o Faraó preferido pela maioria dos estudiosos, é geralmente associado ao Faraó do Êxodo, não ao Faraó cuja morte possibilitou o retorno de Moisés ao Egito. Caso a morte de Ramsés houvesse trazido Moisés de volta ao Egito, o Êxodo deveria ter ocorrido após 1236, uma data muito tarde para ser satisfatória.

6. Data do Êxodo

Não há dúvida alguma de que os israelitas saíram do Egito no lapso compreendido entre 1450 e 1220 a.C. Israel já estava radicado em Canaã no ano de 1220 a.C., pois um monumento levantado pelo Faraó Mereptá faz alusão ao combate entre egípcios  e israelitas na Palestina, naquela data.

Evidência bíblica interna (6)

O ano de 1446 já foi proposto como a data do Êxodo. Sobre esta base cronológica desenvolvemos nossa discussão a respeito dos reis hicsos, do Novo Império, e das narrativas de José. Visto que a integridade de nossa posição depende exclusivamente de uma data mais anterior, em vez de uma outra mais recente que tem sido defendida pela maioria dos estudiosos, torna-se então vital que apresentemos uma defesa contundente em favor da data mais antiga.

Há duas datas bíblicas principais que tocam diretamente a questão do Êxodo:

- A primeira delas se encontra em 1Reis 6:1, onde está escrito que o Êxodo precedeu a fundação do Templo de Salomão em 480 anos. Levando em consideração que Salomão deu início à construção do Templo em 966 a.C., podemos concluir que o Êxodo aconteceu em 1446. Mas, por uma série de razões, essa data é quase universalmente rejeitada em favor de uma data mais recente, mais ou menos por volta do século XIII (1260). Para conciliar o fato a uma data mais recente, a cifra 480 não deve ser considerada literalmente, mas deve ser vista como uma forma misteriosa de descrever 12 gerações (sendo quarenta anos, como dizem, uma geração ideal). Entretanto, visto que uma geração na verdade está mais perto dos 25 anos, o período entre o Êxodo e as obras iniciais do Templo é estimado em 300 (25 x 12) anos, o que sugere aproximadamente o ano 1266 para o Êxodo. Se fosse possível comprovar que a antiga cronologia israelita (ou qualquer outra) assim fazia os cálculos, e que 1Reis 6:1 é um exemplo da aplicação de tal método, o caso pareceria estar solucionado. Infelizmente não há provas. A inevitável conclusão é que uma redução de 480 para 300 anos, a fim de satisfazer algumas conclusões subjetivas, torna-se um exemplo de apelação indigno de qualquer historiador ou estudioso da Bíblia. Certamente o ônus da prova recairá sobre os críticos que preterirem considerar os dados dos historiadores bíblicos de forma não literal.

- A segunda prova em defesa do ano 1446 aparece em uma mensagem do juiz Jefté aos seus inimigos amonitas. Jefté afirmou não ter eles razão para qualquer hostilidade contra Israel, uma vez que durante os 300 anos após a vitória de Israel sobre Seom, os amonitas nunca haviam contestado os direitos de Israel sobre a Transjordânia. Uma simples leitura desse longo memorando (Jz 11:15-27) deixa claro que Jefté se referia ao período da história de Israel pouco antes da conquista, que ocorreu cerca de 40 anos após o Êxodo. A vitória de Israel sobre os amonitas ocorreu por volta de 1100 a.C., uma data largamente reconhecida. Neste caso, Jefté se referia a acontecimentos que haviam ocorrido perto de 1400 a.C.

Está claro que o número 300 não pode representar gerações ideais, com resultados satisfatórios (isto é, 300 não é divisível por 40). Logo, os proponentes de uma data mais recente para o Êxodo são forçados a utilizar novos métodos de cálculo. Tipicamente eles postulam a conquista em duas etapas, afirmando que Jefté não se referia à conquista israelita como uma confederação das 12 tribos, mas a uma anterior, uma ocupação "pré-êxodo" da Transjordânia por uma tribo, ou tribos, que somente mais tarde associou-se àquelas poucas tribos de Israel que possuíam a tradição do Êxodo. A conquista da Transjordânia, segundo esta recriação da história do Antigo Testamento, precedeu a conquista de Canaã por mais ou menos um século. Além disso, Jefté inequivocamente referia-se aos conquistadores de Seom como os israelitas que tinham saído do Egito (Jz 11:13,16). Portanto, a menos que se desconsidere a própria evidência interna, a data de 1446 para o Êxodo permanece de pé.

Além dos dados cronológicos bastante específicos, o Antigo Testamento fornece uma descrição suficiente do Êxodo e seu período antecedente, confirmando uma data mais antiga para o evento. Já foi exposto que a história de Moisés melhor se adapta às datas e circunstâncias da 18ª Dinastia do Egito. Se aceitarmos a data mais recente para o Êxodo, a qual sempre está associada a Ramsés II, será preciso desconsiderar todo o testemunho bíblico. Moisés não voltou ao Egito até que aquele Faraó - que antes tentou tirar-lhe a vida - estivesse morto. O retorno de Moisés da terra de Midiã foi postergado por aproximadamente 40 anos; logo, o rei em questão deve ser alguém que reinou, no mínimo, por este período de tempo. Na 19ª Dinastia, somente Ramsés II - que reinou de 1304 a 1236 - satisfaz este requisito, porém ele não pode ser o Faraó do Êxodo, porque este foi sucessor de um outro que havia tido um reinado de longa duração.

A data mais recente exige que Merneptah (1236-1223) tenha sido o rei durante a humilhação no Êxodo. Porém, ainda que tal evento tivesse ocorrido em seu primeiro ano como Faraó, a jornada de 40 anos no deserto dataria o início da conquista em 1196. Os juízes de Israel devem então ser reunidos no período desde o início de sua administração (cerca de 40 anos após do início da conquista - 1156) até a morte de Sansão, o último juiz (com exceção de Samuel, que viveu também sob a monarquia), por volta de 1084. Nenhuma manipulação das evidências consegue espremer os longos anos do governo dos juízes em 70 ou 100 anos. Além disso, o próprio Merneptah liderou uma campanha em Canaã no seu quinto ano (1231), durante a qual ele afirmou ter encontrado e vencido Israel. Obviamente é impossível que Israel, num espaço de apenas cinco anos, tivesse escapado do Egito, parado no monte Sinai, peregrinado no deserto, conquistado Seom e Ogue, entrado em Canaã e, finalmente, por lá ter se estabelecido. Os que advogam uma data mais recente precisam desconsiderar todo método historiográfico, e reinterpretar o único documento genuíno - o Antigo Testamento.

6. Data do Nascimento de Moisés (7)

Admitindo a data de 1446 a.C. para o Êxodo, podemos determinar a data do nascimento de Moisés, um fato de elevada importância nesta conjuntura. O Antigo Testamento informa que Moisés tinha a idade de 80 anos pouco antes do Êxodo (Êx 7:7), e 120 anos na sua morte (Dt 34:7). Visto que sua morte ocorreu bem no fim do período do deserto, podemos datá-la em 1406. Um simples cálculo então fornece o ano 1526 para o seu nascimento. Por conseguinte, Moisés nasceu no mesmo ano da morte do Faraó Amenotepe. É preciso enfatizar que não se pode esperar uma absoluta precisão, mas nossas datas para a cronologia do Novo Reinado, assim como todas as datas que usamos, são as mesmas utilizadas pelo Cambridge Ancient History, uma publicação lançada por estudiosos imparciais, reconhecidos academicamente como autoridades da mais alta confiabilidade. Quaisquer ajustes nas datas que aumentem ou diminuam alguns anos em nada afetarão as conclusões aqui propostas.

7. O Faraó do Êxodo (8)

Quando finalmente Moisés retornou ao Egito, ele e seu irmão Arão começaram a negociar com o novo rei, Amenotepe II, a respeito de uma permissão para Israel deixar o Egito com o propósito de adorar a Jeová e, enfim, deixar o país definitivamente. Este poderoso rei conduziu uma campanha em Canaã em seu terceiro ano (aprox. 1450) e uma outra em seu sétimo ano, provavelmente em 1446, coincidindo com a tradicional data do Êxodo. Não é difícil imaginar que a dizimação do exército de Faraó no mar de Juncos pode ter ocorrido após essa sétima campanha e que, após tamanha desmoralização, um total desinteresse por uma aventura imediata se abateu sobre o reino, especialmente para o norte.

Nossa identificação de Amenotepe II como o Faraó do Êxodo está baseada em duas outras considerações. Em primeiro lugar, embora a maioria dos reis da 18ª Dinastia tenha estabelecido sua principal residência em Tebas, bem ao sul dos israelitas no Delta, Amenotepe morava em Mênfis e, aparentemente, reinou daquele local por um bom tempo. Isto o colocava em grande proximidade com a terra de Gósen, fazendo-o bastante acessível a Moisés e Arão. Em segundo lugar, evidências sugerem que o governo de Amenotepe não passou para seu filho mais velho, mas para o caçula Tutmose IV. Esta é uma informação subentendida na chamada "estela do sonho", que foi encontrada na base da Grande Esfinge perto de Mênfis.

O texto, que registra um sonho no qual Tutmose IV recebeu a promessa de que um dia viria a ser rei, sugere, como diz um historiador, que o seu reino sucedeu "mediante uma imprevista mudança no destino, como a morte prematura do irmão mais velho". É claro que isto é praticamente impossível de se provar, mas também não há como deixar de especular se tal morte prematura não tenha ocorrido por intermédio do juízo de Jeová que, na décima praga, matou todos os primogênitos do Egito que estavam sem a proteção do sangue da Páscoa, “... desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere..." (Êx 12.29).

CONCLUSÃO


Deus não chamou o povo de Israel para exercer um papel hegemônico e imperialista sobre as demais nações. A promessa dEle a Abraão foi de que através da descendência do patriarca todas as famílias da Terra seriam benditas (Gn 12:3). Justamente por isso, Deus disse a Moisés que, uma vez que toda, a Terra era propriedade dEle, se os israelitas ouvissem a sua divina voz e guardassem a sua aliança, eles seriam um reino de sacerdotes e uma nação santa (Ex 19:5,6). Como se sabe, Israel não entendeu esse papel a ser desempenhado e confundiu responsabilidade com privilégio, representatividade com regalia e bondade divina com mérito pessoal. O resultado foi o cativeiro e o desterro.

Não obstante a falha do povo escolhido, Paulo diz que "tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”(Gl 3:8). Todos os que, pela fé, creem no Evangelho, são filhos de Deus e descendentes do crente Abraão: “Não há mais diferença entre judeus e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo. E se vocês pertencem a Cristo, então vocês são de fato a descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa" (Gl 3:28,29). Contudo é preciso advertir, não significa privilégios, mas responsabilidades; não visa uma teologia da substituição, mas um dever sacerdotal. Como afirma o apóstolo Pedro: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia" (1Pe 2:9,10). (9)

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(1)  Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

(2) ibid

(3)  Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

(4) Ibid

(5) Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

(6) Ibid

(7) Ibid

(8) Ibid

(9) Pr. César Moisés Carvalho - Ensinador Cristão. CPAD.