Este é um blog evangelizador. Sua principal missão é divulgar o Evangelho genuíno de Jesus Cristo. Contém subsídios para Lições da Escola Bíblica Dominical, destinados a todos que se interessarem em otimizar suas aulas, concernentes aos tópicos propostos nas lições bíblicas da CPAD. "Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino”(Rm.12:7).
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Aula 02 – UM LIBERTADOR PARA ISRAEL
1º Trimestre/2014
Texto Básico: Êxodo 3:1-17; 5:1-5; 6:1,2
“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais:
Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Ex 3:14).
INTRODUÇÃO
Moisés figura junto
a Abraão e Davi como um dos três maiores personagens do Antigo Testamento.
Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande
homem de Deus. Nesta Aula, veremos a sua vocação e sua preparação graduada, dia
a dia, por Deus a fim de que se tornasse o líder do seu povo e o conduzisse
rumo à Terra Prometida. Deus vocaciona e chama líderes para sua obra, porém
aqueles que forem chamados precisam fazer a sua parte preparando-se. Se você
tem um chamado de Deus em sua vida, prepare-se. Faça a sua parte e deixe que o
Senhor faça a dEle. Moisés é preparado para se tornar o libertador (Êx 3:1-22).
I. MOISÉS – SUA
CHAMADA E SEU PREPARO (Êx 3:1-17)
1. Deus chama o seu
escolhido - “E agora, eis que o
clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com
que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que
tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Êx 3:9,10).
Quando Deus quer
realizar os seus desígnios Ele escolhe qualquer pessoa. Ele é o Criador e
administrador de todo o Universo, de todas as criaturas. Ele levantou Ciro (Is
45:1-5); Nabucodonosor (Dn 4:1-3); escolheu Moisés para libertar os
descendentes de Abraão no Egito. Não adianta resistir, Deus não aceita um “não”
por parte da pessoa que Ele designou para cumprir o seu propósito. Moisés resisti o
quanto pode ao chamado de Deus, mas acaba se rendendo. Ele torna-se uma referência ao seu povo Israel e à
humanidade. A ele é atribuída a autoria do Pentateuco, que é o compêndio
devocional basilar do povo judeu.
Moisés foi chamado
por Deus quando estava vivendo em Midiã, com o seu sogro Jetro. Ele chegara a
Midiã aos 40 anos, fugido do Egito, e agora, aos 80 anos, quando cuidava das
ovelhas do sogro, tem um encontro com Deus. Observe que Moisés era já idoso
quando foi escolhido. Aos 80 anos de idade muitas pessoas só pensam em se
aposentar e aproveitar os poucos anos que lhe restam sem se aborrecer. Mas aqui
reside um princípio divino: Deus não depende de nossa faixa etária para nos
convocar a ser úteis para Ele. Com certeza havia pessoas mais jovens e mais
dispostas a fazer o que Moisés faria, mas Deus escolheu Moisés para aquela missão.
Deus não apenas o escolheu para realizar tão grande obra, mas também o
convocou. Como Deus fez tudo de forma perfeita, Ele mesmo se encarregou de
falar com Moisés de modo sobrenatural e convincente. Esse é o nosso Deus.
Amado irmão, se Deus
te escolheu e te chamou para realizar sua Obra não adianta resistir, é você
quem Ele quer. Como Moisés, precisamos aprender que Deus pode fazer grandes
coisas sem utilizar ninguém, mas em diversas situações Ele se utiliza de
pessoas como eu e você, limitadas, para cumprir seus propósitos.
2. O preparo de Moisés (Êx 3:10-15). Deus se utiliza de diversos recursos para treinar
aqueles a quem escolheu. Com Moisés não foi diferente. Ele passou por pelo
menos três estágios em sua vida, onde fora colocado por Deus para exercer seu
ministério futuro como libertador, legislador e líder de um povo que deixaria
uma vida de escravidão para entrar em uma terra própria e se tornar uma nação.
- Em primeiro lugar,
Moisés foi criado em um lar piedoso,
pelo menos durante os primeiros cinco ou sete anos de sua vida. Neste ambiente,
aprendeu a ter não somente fé em Deus, mas também simpatia e amor por seu povo
oprimido. Joquebede, mãe de Moisés, inculcou-lhe de tal maneira, em sua
infância, as origens e tradições de seu povo, que todos os atrativos do palácio
pagão jamais puderam apagar aquelas primeiras impressões. Que mãe
impressionante!
- Em segundo lugar,
foi educado no palácio do Egito. O
Senhor preservou Moisés logo no seu nascimento, colocando-o sob a proteção da
filha de faraó, o qual ordenou a morte de todos os meninos hebreus
recém-nascidos (Êx 1:16). Pela providência divina, Moisés ficou sob os cuidados
de sua própria mãe (Êx 2:7-9), até ser recebido pela casa de faraó (Êx 2:10).
Ali recebeu a melhor educação que o maior e mais culto império daquele tempo
oferecia. A permanência no palácio não somente contribuiu para fazê-lo
“poderoso em suas palavras e obras” (At 7:22), mas também o livrou do espírito
covarde e servil de um escravo.
A filha do faraó que
o adotou como filho era possivelmente Hatchepsute que, segundo Eugene H.
Merrill, era esposa do faraó Tutmose II (1512-1504). Hatchepsute não tinha
filhos e desejava ardentemente ter um. Se, de fato, Moisés foi seu filho de
criação, há probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem Tutmose
III (sucessor de Tutmose II) - que era filho de uma concubina e tinha se casado
com sua meia-irmã, filha de Hatchepsute e Tutmose II - visto que Hatchepsute
não tinha filhos naturais. Isso significa que Moisés era um candidato a ser
Faraó, tendo apenas como obstáculo sua origem semítica. Parece-nos que houve
uma real animosidade entre Moisés e o Faraó Tutmose III. Isto fica claro em
virtude de Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a fugir para salvar
a vida. O fato de ter o próprio Faraó considerado a questão - que, em outra
situação, seria pouco relevante - sugere que este Faraó especificamente tinha
interesses pessoais em se livrar de Moisés.
Moisés teve uma
educação primorosa no palácio de Faraó. O texto bíblico de Atos 7:22 declara
que ele foi "instruído em toda a ciência dos egípcios". O
conhecimento adquirido por Moisés muito o ajudou como líder do seu povo,
profeta, escritor e legislador.
Assim como Deus
tinha um propósito definido ao chamar Moisés, Ele também tem um propósito
definido na vida de qualquer servo dEle. Porém, muitos não querem assumir um
compromisso com Deus e a sua obra. Você deseja assumir um compromisso com o
Todo-Poderoso?
- Em terceiro lugar,
Moisés adquiriu experiência no deserto.
O chamado de Moisés ocorreu em Midiã, durante os anos em que esteve exilado. De
acordo com Êxodo 2:11,12, aos 40 anos Moisés resolveu deixar o palácio e
visitar seu povo. Irado com a violência de um feitor de escravos do Egito,
matou-o e, por isso, teve que fugir, com medo da reação do faraó, provavelmente
Tutmose III, o qual ordenaria sua execução (Êx 2:15; At 7:29). Em Midiã, Moisés
experimentou o silêncio e a solidão do deserto através do qual guiaria Israel
em sua peregrinação de quarenta anos. Além disso, teve comunhão com Deus e
chegou a conhecê-lo pessoalmente. Ali aprendeu a confiar nele e não em sua
própria força.
Portanto, o preparo de Moisés durou muitos anos, cerca
de 80 anos, e mesmo que ele não o soubesse, Deus o estava preparando como
instrumento para uma grande missão.
3. O objetivo da chamada divina (Êx 3:8-10). Ao chamar Moisés, Deus foi bem enfático quanto ao seu
propósito: "Para que tires o meu povo do Egito" (Êx 3:10). Deus
desejava redimir o seu povo e organizá-lo como nação a fim de que todas as famílias
da terra fossem abençoadas. O Senhor precisava de um único homem, Moisés, para
redimir seu povo da escravidão. Na Nova Aliança, Deus também necessitava de um
único homem, porém este deveria ser perfeito. Então o Todo-Poderoso enviou seu
próprio Filho, Jesus Cristo. Jesus atendeu ao Pai, se fez homem e habitou entre
nós para nos libertar da escravidão do pecado (João 3:16). Glórias sejam dadas
a Deus pelo seu grande amor e misericórdia para conosco!
II. AS DESCULPAS DE MOISÉS E A SUA VOLTA PARA O EGITO
1. O receio de
Moisés e suas desculpas.
“Então, Moisés disse a Deus: Quem sou eu,
que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êx 3:11). Aquele
Moisés impulsivo e vigoroso, que queria resolver os problemas à sua maneira e
de imediato, já não existia mais. Após 40 anos na escola do deserto, ele havia
sido mudado e moldado pelo Senhor, e agora precisava crer não no seu potencial,
mas no Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
“Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos
de Israel?”. Aos seus próprios olhos,
Moisés não tinha capacidade de enfrentar Faraó. É provável que ele estivesse
pensando em seu passado, no crime que havia cometido, no prejuízo que teria se
retornasse ao Egito e alguém se lembrasse do que ele fizera. Mesmo se essa
possibilidade fosse remota, o certo é que Moisés não estava disposto a obedecer
à voz de Deus, e deixou claro que não era qualificado para falar com Faraó.
Moisés apresentou as
seguintes desculpas: (a) “Não sou capaz” (Êx 3:11); (b) “Não
tenho autoridade” (Êx 3:13); (c) “ Não crerão em mim” (Êx 4:1); (d) “Não sei
falar em público” (Êx 4:10); (e) “ Sinceramente, não quero ir, envia outro” (Êx
4:13). Em Sua grande paciência, Deus
proveu assistência para ele, com o envio de Arão (Êx 4:14), o qual fez o papel
de porta-voz de seu irmão (Êx 7:1). Desta vez, ele não teria mais alternativas
a não ser obedecer (Êx 4:13-17).
Quantos, ao serem
chamados pelo Senhor para alguma obra já não apresentaram uma lista vasta de
desculpas? Precisamos nos conscientizar de que Deus é o nosso Criador e Senhor.
Ele nos conhece melhor do que nós mesmos. As escusas de Moisés, assim como as
nossas, não vão impressionar o Senhor. Confie naquele que está chamando você e
não queira perder tempo com desculpas. Permita que Ele use seus dons e talentos
para que muitos sejam libertos da escravidão do pecado.
2. Deus concede poderes a Moisés. Deus não apenas convocou Moisés para aquela
empreitada, mas deu-lhe poderes específicos para que o representasse. Por cinco
vezes, conforme descrito acima, Moisés rejeita o chamado de Deus com alguns
argumentos. Mas, o Senhor, por cinco vezes, apresenta argumentos para Moisés
ir. Vejamos:
- “Eu serei contigo” (Êx 3:12). O Senhor estava mostrando que Moisés não estava sozinho
nesta missão. Jesus diz o mesmo a nós em Mateus 28:20.
- “Eu Sou O Que Sou” (Êx 3:14). O Senhor revelou seu nome sagrado a Moisés, a fim de
que o povo reconhecesse sua autoridade e sua pregação de libertação. Deuses
deveriam ter nomes e os do Egito tinham suas nomenclaturas, e o nome das
divindades geralmente espelhava alguma característica relacionada a um poder ou
a um hábito dentro da teologia daquele povo. O Deus de Abraão, de Isaque e Jacó
deveria ter um nome também. A expressão “o Deus de vossos pais” é muito
impessoal. Se Deus tem um nome, porque Moisés não poderia sabê-lo? A resposta
divina foi: “Diga aos filhos de Israel que o EU SOU está mandando você para
libertá-los. Lembre-os de que Sou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó”. Deus
deveria ser identificado como o Deus dos antepassados dos israelitas.
- “Eu te darei poder” (Êx 4:2-9). O Senhor capacitou Moisés a fazer sinais maravilhosos
para que o povo cresse em sua pregação. Moisés poderia transformar seu cajado
em uma serpente, poderia fazer sua mão ficar leprosa e depois voltar ao normal,
e transformar água em sangue.
- “ Eu serei a tua boca e te ensinarei o que falar” (Êx
4:11,12). Deus capacita Moisés a
falar as palavras corretas, assim, como hoje, o Espírito Santo nos ensina o que
devemos pregar (João 14:26).
- “Enviarei alguém para te ajudar” (Êx 4:13-17). Deus enviou Arão com Moisés para falar por ele, visto
que Moisés não estava crendo na Palavra do Senhor. Deus se irou e mandou Moisés
ir cumprir sua missão.
3. O retorno de Moisés. Após a contestação de suas desculpas, Moisés aceitou o
chamado de Deus e deu início a sua missão, retornando ao Egito. A morte do
Faraó (Êx 2:23-25) provavelmente Tutmose III, por volta de 1450 a.C.,
possibilitava a Moisés retornar ao Egito, pois as autoridades egípcias
encerravam todas as acusações pendentes, mesmo em casos de crime capital (Êx
4:19).
Submisso ao plano de
Deus, primeiro foi obter permissão de Jetro para ir embora e retornar ao Egito
(Êx 4:18). Não lhe apresentou todas as razões para a mudança, mas o motivo que
deu foi suficiente para obter aprovação. Jetro disse: “Vai em paz”. Deu
liberdade a Moisés e, assim, não pôs impedimento ao plano de Deus. Moisés
começou a viagem com sua mulher e dois filhos (Êx 4:20; cf. 18:3,4), embora
pareça que depois do episódio da circuncisão (Êx 4:24-26), ele os tenha mandado
de volta a Jetro (Êx 18:2) e prosseguido sozinho com Arão (Êx 4:29).
Deus instruíra o
rito da circuncisão para todos os filhos de Israel. Parece que Moisés se
circuncidou e executou o rito em seu primeiro filho. Mas, a reação de Zípora
(Êx 4:25,26) indica forte desaprovação do ato e insinua que Moisés havia
concordado em não circuncidar o segundo filho a fim de agradar a esposa. Mas
Deus exigia obediência, e forçou Zípora a aceitar o que parece ter sido extrema
aflição para o marido (Êx 4:24). A obediência trouxe cura para Moisés (Êx
4:26), mas o incidente ocasionou a volta de Zípora para a casa de seu pai (Êx
18:2).
Deus não faz acepção
de pessoas, e os grandes servos de Deus devem obedecer-lhe tanto como os
demais. Alguém disse: “Se Moisés tivesse se apresentado perante o povo
israelita sem haver circuncidado seu filho, sem haver cumprido o Antigo
Concerto, teria anulado sua influencia junto deles”.
Quando Moisés
retornava ao Egito, Arão uniu-se a ele no caminho; juntos, trouxeram aos
anciãos a promessa de livramento e lhes demonstraram os sinais. Acendeu-se a fé
entre os hebreus, e em pouco tempo outras pessoas de Israel receberam as
noticias (possivelmente em reuniões secretas) e se inclinaram perante Deus em
louvor e adoração (cf. Êx 4:27-31).
III. MOISÉS SE
APRESENTA A FARAÓ (Êx 5:1-5).
1. Moisés diante de
Faraó. Com intrepidez, Moisés e
Arão se apresentaram na sala de audiência de Faraó, provavelmente Amenotepe II,
e lhe comunicaram a exigência do Senhor: “Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma
festa no deserto”(Êx 5:1). Esta exigência aparece várias vezes (Êx
7:16; 8:1,20,21; 9:1,13; 10:3,4), embora Deus tenha avisado Moisés e Arão sobre
o que esperar do faraó: um coração endurecido (Êx 7:13).
Faraó respondeu com
arrogância: “Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei?” (Êx 5:2). Os faraós eram
vistos como filhos de “Rá”, o deus solar do Egito, de maneira que Faraó
se considerava um deus. Não tardou em comunicar a Moisés e a Arão que nem eles
nem Deus lhe inspiravam respeito algum. Escarneceu deles dizendo que a única
razão pela qual desejavam celebrar a festa era estar demasiado ociosos e
tornou mais pesado o trabalho dos hebreus, negando-lhes a palha necessária para
produzir tijolos (Êx 5:7). A palha era misturada com barro para deixar mais forte
os tijolos secos ao sol. Embora houvesse o trabalho extra de juntar a palha, o
número dos tijolos fabricados devia permanecer o mesmo (Êx 5:8). Esse tirano
estava determinado a minar a vontade do povo. Nem se dava conta de que não
podia ir contra Deus. Ele poderia ser cruel com o povo de Deus, mas as palavras
que ouvira não eram palavras de mentira (Êx 5:9).
Com frequência,
quando Deus começa a emancipar o homem do pecado, o efeito imediato é o aumento
de dificuldades. Assim, os primeiros feitos de Moisés só pioraram a situação,
pois Satanás não se dá por vencido sem lutar tenazmente.
2. A queixa dos israelitas (Êx 5:20-22). Os exatores do povo e seus oficiais executaram as
ordens de Faraó (Êx 5:10,11). Os escravos se espalharam por toda a terra do
Egito a colher restolho (Êx 5:12). Leo G. Cox disse que “restolho era a
parte inferior do talo das gramíneas”. Segundo ele, os exatores (Ex 5:13),
com medo de perderem o emprego, pressionavam duramente os oficias hebreus.
Quando a cota de tijolos não foi atingida, açoitavam os oficiais dos filhos de
Israel (Êx 5:14).
Os esforços de
Moisés e Arão tiveram efeito oposto ao esperado. O povo de Israel sentiu-se prejudicado pela intervenção
de Moisés junto a Faraó. Esta deve ter sido uma prova dura para Moisés. Ele estava
no Egito obedecendo à voz de Deus, falando com Faraó para que o povo fosse
liberto, e como consequência o rei ordena que os hebreus trabalhem mais. Era
nitidamente claro que a situação piorara. Não havia sinal externo de que Deus
começara uma libertação. Moisés estava confuso, então, faz um apelo desesperado
a Deus: “Por que me enviaste?” (Êx 5:22). Quando a fé está em
crescimento sempre há retrocessos. Deus frequentemente nos humilha antes de
mostrar seu braço forte. Deus cuida de cada movimento dos seus filhos
sofredores.
Bem disse Alexandre
Coelho: “Não é incomum que lideres se vejam na mesma situação de Moisés:
obedecem a Deus, mas não veem de imediato um fruto positivo de sua obediência.
O que devemos saber é que obedecer a Deus não é uma garantia de que as coisas
que se seguirão não serão alvo de investida de Satanás. Além disso, os lideres
devem entender que nem sempre o povo vai entender determinadas atitudes, mas
que se estamos agindo de forma correta e dentro da vontade de Deus, Ele vai se
responsabilizar por nos honrar no devido tempo”.
3. Deus promete livrar seu povo (Êx 6:1,2). A promessa de Deus para com Israel não foi esquecida
por Ele. A demora na libertação não significava renúncia da promessa. Deus
estava trabalhando em seus propósitos. Depois do encontro com Faraó e das
reclamações dos hebreus, Deus diz a Moisés: “Agora verás o que hei de fazer
a Faraó; porque, por mão poderosa, os deixará ir; sim, por mão poderosa, os
lançará de sua terra. Falou mais Deus a Moisés e disse: Eu sou o SENHOR”. O
valor da promessa estava no fato de Deus endossá-la: “Eu sou o Senhor”
(Ex 6:2). Para este grande livramento, o próprio Deus revelou o pleno
significado de Yahweh, “o Senhor”. Esta narrativa trata de uma renovação
das promessas a Moisés com maior destaque a um povo desanimado.
Deus ordenou que
Moisés renovasse a confiança dos israelitas. Ele tinha de lhes dizer que seriam
libertos da servidão egípcia, que Deus os resgataria com ação especial e
vigorosa e com juízos grandes (Ex 6:6) sobre os opressores. Israel seria o povo
especial de Deus e lhe daria a terra da promessa por herança (Ex 6:7,8). Estas
palavras tranquilizadoras foram apoiadas pela declaração: “Eu, o SENHOR”
(6:8).
A razão de Deus
libertar Israel era por causa da Sua Aliança (Ex 6:4,5). Esta Aliança foi feita
com Abraão, antes mesmo dos israelitas nascerem. Não foi baseada na bondade
deles, mas no amor de Deus (Dt 7:6-8). Que maravilhoso quadro da Aliança da
graça, feita com a Igreja de Cristo (Ef 1:4).
Lembre-se: as
promessas de Deus são inexoráveis. Às vezes parecem demorar, mas no devido
tempo, Deus cumpre suas promessas e honra a fé daqueles que confiam nEle.
CONCLUSÃO
Ainda hoje, Deus
continua levantando homens como Moisés e Arão com esta nobre função de ser
canal para o Seu agir no mundo, a fim de resgatar povos e nações das trevas e
opressão do pecado.
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Elaboração:
Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela
Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia
de Estudo Pentecostal.
Bíblia
de estudo – Aplicação Pessoal.
Revista
Ensinador Cristão – nº 57 – CPAD.
Eugene H. Merrill –
História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
Paul Hoff – O Pentateuco.
Ed. Vida.
Leo G. Cox - O Livro de Êxodo - Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Victor P. Hamilton - Manual
do Pentateuco. CPAD.
Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé
(Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
AULA 01 – O LIVRO DE ÊXODO E O CATIVEIRO DE ISRAEL NO EGITO
1º Trimestre/2014
Texto Básico: Êxodo 1:1-14
“E
José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente, vos visitará Deus, e
fareis transportar os meus ossos daqui” (Gn 50:25).
INTRODUÇÃO
Mais um ano letivo inicia-se. Com a graça de
Cristo romperemos os obstáculos e vitórias serão alcançadas. Neste 1º Trimestre
estudaremos o segundo livro das Escrituras Sagradas, Êxodo, cuja autoria é
atribuída a Moisés, homem de Deus. Êxodo significa
“partida”, “saída”. O livro descreve a libertação e saída dos israelitas do
Egito, a sua jornada até o Monte Sinai, e os eventos que ocorreram durante o
tempo em que permaneceram ali. Segundo Eugene H. Merrill, “o Êxodo é o evento teológico
mais expressivo do Antigo Testamento, porque mostra a magnificente ação de Deus
em favor de Seu povo, uma ação que os conduziu da escravidão à liberdade, da
fragmentação à unidade, de um povo com uma promessa - os hebreus - a uma nação
estabelecida – Israel” (1). No Egito, os
descendentes de Israel cresceram, passando de uma família de setenta pessoas
(cf. Gn 46:26,27) a uma nação de aproximadamente dois milhões de pessoas (com
base na estimativa de seiscentos mil varões com idade superior a 20 anos, Ex
12:37). A ênfase principal do livro de Gênesis estava na família de Abraão, mas
Êxodo concentra-se no desenvolvimento da nação de Israel.
O texto básico para esta Aula, o capítulo 1,
trata da origem de Moisés, o qual foi escolhido por Deus para trazer a
liberdade ao povo de Israel. Liberdade essa que tem sido acompanhada ao longo
da história da Igreja como um referencial de interpretação da história da
salvação. E isso não é sem motivo, pois não se pode imaginar um estudo sério da
Palavra de Deus sem que se examine a forma como Deus libertou o seu povo da
escravidão e o levou à Terra Prometida. Veremos ao longo deste trimestre, ao
estudarmos as lições propostas, que o Livro de Êxodo é o Livro da Redenção
efetuada pelo Senhor.
1. O LIVRO DE ÊXODO
1. Seu propósito. O
Livro de Êxodo
relata como a família escolhida em Gênesis veio a ser uma nação. Registra os
dois acontecimentos transcendentes da história de Israel: o livramento do Egito
e a entrega do pacto da lei no Sinai. O livramento do Egito possibilitava o
nascimento da nação; o pacto da lei modelava o caráter da nação a fim de que
fosse um povo santo.
O
livro descreve, em
parte, o desenvolvimento do antigo concerto com Abraão. As promessas que este
recebeu de Deus incluíam um território próprio, uma descendência numerosa que
chegaria a ser uma nação e bênção para todos os povos por meio de Abraão e sua
descendência. Primeiro, Deus multiplica seu povo no Egito; depois, o livra da
escravidão; e a seguir, o constitui uma nação.
Êxodo
é um livro de redenção.
A
narrativa da libertação do povo hebreu do jugo opressor dos egípcios, mediante
atos poderosos do Senhor, tornou-se central, não apenas no Pentateuco, mas por
toda a Escritura (Sl 103:6,7; Mq 6:4; 7:15; At 13:17; Hb 8:9; Jd 5). Por isso,
Êxodo tem sido designado de o Livro da
Redenção.
Êxodo
lança luz sobre o
caráter de Deus. No livramento de seu povo, vê-se que Ele é misericordioso
e poderoso. A lei revela que ele é Santo; o Tabernáculo revela que Ele é
acessível mediante sacrifício aceitável. (2)
2.
A escravidão (Ex 1:8-14). Os descendentes de
Abraão permaneceram no Egito por 430 anos (Ex 12:40,41). Após gozar um período
de sossego e prosperidade, eles foram subjugados ao estado de escravidão por um
faraó que não conhecia José (Ex 1:8). Isso pode indicar que esse novo rei não
soube que o Egito anteriormente passara por um período de extrema provação,
quando os alimentos se tornaram escassos, e que se não fosse pela
instrumentalidade de José, filho de Jacó, o Egito provavelmente não
subsistiria. A opressão dos egípcios contra os israelitas era tão grande que
Deus disse: “Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios” (Ex 3:8,
NTLH). A expressão “poder” mostra o
grau de opressão com que os egípcios trataram os hebreus, considerando-os como
se fossem nada, descartáveis. Somente Deus poderia resgatá-los e libertá-los do
jugo dos seus inimigos.
Dentre os motivos apresentados por Moisés
para a escravidão do povo israelita, encontram-se:
a) A multiplicação
dos filhos de Israel (Ex 1:7), em cumprimento à promessa de inumerável
descendência, resultado da providência de Deus (Gn 22:15-17).
b) O medo que faraó
tinha de um golpe político, caso os hebreus resolvessem entrar em aliança com
os inimigos da nação egípcia (Ex 1:9,10).
c) O uso de
mão-de-obra forçada, a fim de enfraquecer o moral da população hebraica e, ao
mesmo tempo, possibilitar a construção das suas cidades e pirâmides (Ex
1:11,14).
Independentemente de toda a hostilidade do
faraó contra a descendência de Abraão, Isaque e Jacó, os hebreus não pararam de
crescer e de fortalecer-se (Ex 1:12), porque isto era o desejo de Deus.
3.
Clamor por libertação. “E
aconteceu, depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos
de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram; e o seu clamor subiu a
Deus por causa de sua servidão” (Ex 2:23). Deus em seu infinito amor
revela-se atento à aflição do seu povo, que está no Egito. O clamor e o
sofrimento do seu povo motivam-no a agir. Deus ainda age assim conosco hoje. Os
momentos de dificuldades, as amarguras e as tribulações que experimentamos não
passam despercebidos por Ele (1Pe 3:12).
Deus ouve os clamores do seu povo, mas
espera até “a plenitude do tempo” para dar a vitória - “e atentou Deus para os filhos de Israel e conheceu-os Deus” (Ex
2:25). Deus salva quando põe Seu povo em liberdade, redimindo-o da escravidão.
Liberdade é, portanto, a evidência maior da salvação.
O rei, provavelmente Tutmosis III, que
decretou a escravidão falecera (Ex 2:23-25), mas seu sucessor, provavelmente Amenotepe
II, manteria aquele sistema. Durante o tempo de permanência de Moisés em Midiã,
o povo oprimido no Egito sentiu mais intensamente o peso esmagador da
escravidão. Os líderes do Egito tinham recorrido à servidão cruel para manter
os hebreus em sujeição, continuando a politica de matar os recém-nascidos do
sexo masculino. O povo de Israel começou a clamar a Deus, pedindo socorro.
Quando os israelitas se voltaram para Deus, Ele se voltou para eles (Ex
2:23-25). Até esse tempo, muitos tinham adorado aos deuses do Egito e
provavelmente os invocaram, buscando socorro e livramento.
Deus ouviu o “gemido” do povo e se “lembrou”
do “concerto” (Ex 2:24). Deus adiou a libertação de Israel até que Moisés e
Israel estivessem prontos. Moisés precisava das disciplinas do deserto, e
Israel precisava aumentar o desejo por liberdade. A escravidão continuada no
Egito uniu o povo de Israel no desejo por liberdade e na fé de que só Deus
podia livrá-lo.
À
semelhança do ato redentor de Deus no Egito, nosso Senhor Jesus Cristo:
- Fez-se homem, descendo do Céu para
resgatar a humanidade perdida (João 1:1; 3:13,16).
- Anulou o pesado jugo do pecado (Mt
11:28).
- Quebrou as cadeias da servidão (João
8:36).
- Pagou o preço devido da liberdade, por
meio do seu sacrifício na cruz do Calvário, como o Cordeiro de Deus (1Tm
2:5,6).
II. O NASCIMENTO DE MOISÉS
1. Os israelitas no Egito.
Moisés nasceu em um momento desfavorável aos descendentes de Jacó no Egito. Uma
nova dinastia, diferente daquela que José conhecera, assumiu o poder no Egito.
Em Êxodo 1:8, a historia nos mostra uma mudança no cenário politico do Egito
que traria muito sofrimento aos filhos de Israel. A dinastia dos hicsos reinou no Egito de
aproximadamente 1720 a.C. até 1570 a.C. Estes reis eram estrangeiros e foram
expulsos por este novo rei. Parece que a nova dinastia, a décima oitava, odiava
os povos associados com os reis anteriores, sobretudo os hebreus. O novo rei
desconhecia José e não se importava com o passado do Egito. Esquecer José
também significava esquecer Deus. Ao desconsiderar o povo de Deus Faraó fixou a
mente e o coração contra Jeová. É comum a recusa em se lembrar do passado
resultar em rebelião presente. Todo aquele que fixa o rosto contra Deus terá
dias infelizes. (3)
Homens maus buscam razões para justificar seus
caminhos diante de outros homens e a seus próprios olhos. Pelo que se depreende
do texto sagrado, no mínimo três razões foram engendradas pelo novo rei a fim
de oprimir o povo de Deus (cf. Ex 1:10,11):
(a) os israelitas,
como um grande grupo de pessoas, estava crescendo bastante. Faraó não percebeu
que se o povo de Israel estava crescendo, era um sinal claro da bênção de Deus.
(b) ele imaginou que
em um caso de guerra futura, os israelitas se associariam com os inimigos dos
egípcios. Só que não há evidências de Israel ter intenções bélicas, mas é
surpreendente o mal que o coração carnal pode ler nas intenções de outros
homens.
(c) ele também
entendeu que no caso de uma guerra, os israelitas sairiam do Egito (“suba da terra”). Se Faraó temia a
presença do povo de Israel no Egito, por que não o mandou sair em vez de
procurar destruí-lo? Possivelmente porque tinha medo que se tornasse uma nação
forte naquela região, ou, talvez, que trouxesse uma grande frustração aos
planos de expansão e de reformas estruturais de construção civil nacional.
A Bíblia declara que os pensamentos de Faraó
estavam relacionados a trazer prejuízo aos israelitas. Por isso, ele lhes impôs
pesadas e amargas tarefas com dura servidão (Ex 1:14). Os egípcios, os
“maiorais de tributos”, os faziam trabalhar desumanamente e, ao mesmo tempo, os
obrigava a lhes pagar exorbitantes tributos. A escravidão era muito cruenta. E
foi neste cenário que Moisés nasceu.
2.
Um bebê é salvo da morte. Considerando que Israel se
multiplicou, mesmo sob dura escravidão, o rei decidiu atacar o segredo da
força: os bebês do sexo masculino. A fim de evitar publicidade, ele se serviu
da cooperação das parteiras das hebreias (Ex 1:15) - Sifrá e Puá - para que
matassem os meninos ao nascerem. Talvez estas parteiras fossem egípcias
designadas exclusivamente às hebreias. As duas parteiras nomeadas eram
provavelmente chefes de uma instituição de parteiras, visto que duas não dariam
conta de todos os hebreus que haviam de nascer. Este plano acabaria com Israel como nação. Mas, Deus
novamente frustrou a intenção do rei. Estas parteiras temeram a Deus (Ex 1:17)
e não obedeceram à ordem do monarca.
Quando os ímpios lutam contra Deus, acabam
chegando às raias do desespero. O rei do Egito não sabia o que fazer. Por duas
vezes tentou reduzir a força de Israel e fracassou. Tinha de tomar medidas
drásticas. Era imperativo que abrisse o jogo e exigisse o extermínio dos
hebreus. Desta vez, não precisava somente da ajuda dos maiorais de tributos ou
das parteiras. Faraó encarregou todos os egípcios com a ordem de afogar os
bebês do sexo masculino (Ex 1:22). Isso significa que qualquer egípcio ou
egípcia poderia entrar nas casas dos israelitas, pará-los nas ruas ou em
qualquer lugar onde estivessem, pegar a criança recém-nascida, conferir-lhe o
sexo e, se fosse um menino, tomá-lo da sua mãe e ir direto ao Rio Nilo para
jogar o bebê, a fim de que ele se afogasse ou fosse devorado por crocodilos. Os
planos de Satanás eram cruéis, e deixavam um sinal claro do que ainda estava
por vir para os filhos de Jacó. Mas se Satanás tinha um plano de opressão,
escravidão e morte contra os hebreus, Deus também tinha um plano, mas de
livramento, libertação e de vida para o seu povo.
A Bíblia diz que um casal da tribo de Levi
teve um menino, e, não podendo mais escondê-lo, colocou-o em um cesto de
juncos, uma construção bem frágil para proteger uma criança. Aquele cesto
simples foi colocado na borda do rio, entre as plantas. E exatamente naquele
lugar a filha de Faraó, provavelmente Hatchepsute, foi se banhar, e vendo o
cesto, ordenou que uma de suas criadas fosse pegá-lo. A filha de Faraó se
compadeceu do menino, decidiu criá-lo e dessa forma Deus preservou a vida do
menino Moisés, usando a filha de Faraó para tal livramento. (4)
A graça de Deus está revelada na compaixão
mostrada pela filha de Faraó (Ex 2:6). Mesmo quando os homens maus fazem o pior
que podem, Deus, por seu gracioso poder, coloca boa vontade e amor tenro no
coração das pessoas que estão perto do tirano. Mal sabia o rei ímpio que Deus
estaca executando seu plano secretamente, mesmo quando parecia que o monarca
mundano estava tendo sucesso. Também é interessante notar que, para criar o
próprio filho, a mãe hebreia foi paga com parte do dinheiro de Faraó (Ex 2:9).
Este é outro exemplo de que a ira do homem é posta para louvar a Deus. (5)
3.
A mãe de Moisés (Ex 6:20). “E Anrão tomou por mulher a Joquebede, sua tia, e ela gerou-lhe a Arão e
a Moisés; e os anos da vida de Anrão foram cento e trinta e sete anos”.
Como se observa neste texto, o nome da mãe de Moisés era Joquebede. Ela
descendia de Levi, um dos irmãos de José. Ela e seu marido se encontram entre
os grandes heróis da fé, enumerados no capítulo 11 da Epístola aos Hebreus. A
fé de Joquebede é claramente ilustrada quando ela viu que o menino era formoso
e escondeu-o por três meses (Ex 2:2). Depois, ela o colocou em uma arca e a pôs
nos juncos à borda do rio (Ex 2:3). A fé sempre resulta em ação, mesmo quando a
ação é arriscada. Vivendo pela fé, Joquebede também mostrou inteligência. Ela
colocou o bebê num lugar do rio onde a princesa normalmente frequentava. Também
dispôs que a filha, Miriã, ficasse em um ponto estratégico para fazer a
pergunta certa no momento certo (Ex 2:4,7). Também foi ato de fé a mulher
hebreia entregar o filho nas mãos da princesa egípcia. Joquebede, como ocorreu
mais tarde com Ana e Maria, estava convencida de que seu filho era escolhido de
Deus e estava disposta a entregá-lo à providência divina.
4.
A filha de Faraó (Ex 2:5,6). “E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas
passeavam pela borda do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a
sua criada, e a tomou. E, abrindo-a, viu o menino, e eis que o menino chorava;
e moveu-se de compaixão dele e disse: Dos meninos dos hebreus é este”.
Segundo Eugene H. Merrill, a filha de faraó
que guardou o menino em vida chamava-se Hatchepsute, esposa do faraó Tutmose II
(1512 -1504 a.C). Tudo leva-nos a identificá-la como a ousada filha do Faraó
que resgatou Moisés. Somente ela dentre todas as demais mulheres de sua época seria
capaz de ir contra uma ordem do Faraó, bem diante dele. Ela devia estar no
início de sua adolescência, por volta de 1526 a.C., data do nascimento de
Moisés e, portanto, com condições de agir em favor de sua libertação.
Se o rei do Egito ordenara a morte dos
meninos hebreus, Deus graciosamente usaria a filha do Faraó para preservar em
vida o menino que seria, anos mais tarde, o libertador dos israelitas. Deus
pode utilizar pessoas que desconhecemos, e que nem mesmo tem o mesmo temor a
Deus que nós, para nos ajudar e fazer prosperar os planos divinos.
III. O ZELO PRECIPITADO DE MOISÉS E SUA
FUGA (Ex 2:11-22).
1. Moisés é levado ao palácio –
“E, sendo o menino já grande, ela o
trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou o seu nome Moisés e disse:
Porque das águas o tenho tirado” (Ex 2:10). Pela providência divina, Moisés
ficou sob os cuidados de sua mãe Joquebede (Ex 2:7-9), até ser recebido pela
casa de faraó (Ex 2:10). Deus tinha para Moisés um grande ministério. Todavia,
para que pudesse executá-lo, o Senhor preparou-lhe uma educação especial na
corte egípcia. Moisés passou sua juventude no palácio real. Como filho de uma
princesa egípcia, ele frequentou as mais renomadas escolas de educação
egípcias; ele foi preparado para ser um príncipe (At 7:22; Gn 41:45). Desta
feita, Moisés estava apto para liderar, conduzir e organizar o povo, durante e
depois de sua saída do Egito.
Deus escolhe pessoas capacitadas para fazer
a sua obra. Não há referência na Palavra de Deus que indique que Ele despreza
talentos pessoais ou a experiência adquirida por seus servos. Saulo era versado
em três línguas diferentes, e as utilizou para falar de Jesus em suas viagens
missionárias. Mateus era um cobrador de impostos, e utilizou seus conhecimentos
para escrever seu Evangelho. Daniel era um profeta, mas também era um
estadista. Portanto, entendo que Deus utiliza nossos recursos, conhecimentos
acadêmicos, talentos naturais, em prol do seu Reino. Como cristãos, somos
desafiados a usar nossos talentos pessoais em prol do Reino de Deus, e isso
inclui buscar uma formação sólida e coerente. (6)
2.
A fuga de Moisés (Ex 2:11-22). As injustiças que os
israelitas sofriam deram a Moisés um senso de missão. Quando tinha idade para
agir por conta própria, examinou pessoalmente a carga que seus irmãos
suportavam. Quando viu que um varão egípcio feria a um varão hebreu (Ex 2:11),
seu desejo de ajudar o povo veio à tona. Percebeu que tinha razão em punir o
malfeitor, ainda que soubesse que tal ação seria perigosa. Feriu ao egípcio (Ex
2:12), matando-o, depois de se certificar de que ninguém estava olhando. Moisés
não tinha autoridade do Egito para corrigir estes males, e Deus ainda não o
comissionara. Agindo por conta própria, entrou em dificuldades. (7)
No dia seguinte, quando tentou resolver uma
diferença entre dois hebreus, Moisés ficou sabendo que o assassinato do egípcio
fora descoberto (Ex 2:14). Também ficou sabendo que havia injustiça entre seus
irmãos. O povo que não apoiava o homem que queria ajudá-lo ainda não estava
preparado para ter um libertador. E Moisés, autodenominado maioral (ou
“príncipe”, ARA) e juiz também não estava preparado para ser o libertador.
Moisés teve de esperar o tempo de Deus para receber mais instruções de uma
Autoridade superior. O rei logo tomou conhecimento do que Moisés fizera, mas
ante de Faraó agir, Moisés fugiu
para a terra de Midiã (Ex 2:15), onde quarenta anos depois (At 7:30) seria
comissionado por Deus. (8)
Ele passou a próxima temporada de quarenta
anos auxiliando seu sogro a cuidar de ovelhas em uma região desértica, onde
aprendeu os caminhos do deserto, a forma como sobreviver nele, os tipos de
animais existentes na região e questões relacionadas ao clima. Eram questões
simples para quem tivera uma educação de ponta no Egito, mas foi dessa forma que
Deus preparou Moisés. A sabedoria dos egípcios ele já possuía. Ele precisava
agora aprender como viver fora da corte egípcia e a depender de Deus em uma
jornada que duraria anos. (9)
Dwight L. Moody comentou sabiamente que
“Moisés passou seus primeiros quarenta anos pensando que era alguém. Os
segundos quarenta anos, passou aprendendo que era um ninguém! Os últimos
quarenta anos ele os passou descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém”
(citado por Charles Swindoll). (10)
Que possamos aprender e apreender essa lição
de Deus.
CONCLUSÃO
A história do Êxodo de Israel tem figurado
por séculos na história dos hebreus e é acompanhada ao longo da história da
Igreja como um referencial de interpretação da história da salvação. E isso não
é sem motivo, pois não se pode imaginar um estudo sério da Palavra de Deus sem
que se examine o Pentateuco, e, mais precisamente, a forma como Deus libertou o
seu povo da escravidão e o levou à Terra Prometida (11). A libertação dos descendentes de
Abraão, Isaque e Jacó do Egito e a consequente migração em direção a Canaã, sob
a liderança de Moisés, foi marcada por muitos milagres, e resultou no
estabelecimento dos israelitas como uma nação em aliança com Deus, que era seu
próprio govenador teocrático.
É
evidente o paralelo entre o livramento dos escravos israelitas e o êxodo
espiritual efetuado pela obra e Pessoa de Jesus Cristo. O Egito vem a ser um
símbolo do mundo pecaminoso; os egípcios, símbolo de pecadores escravizados;
Moisés simboliza o redentor divino que livra seu povo mediante poder e Sangue e
o conduz à Terra Prometida. Somente Cristo, por meio de sua morte vicária,
poderia nos libertar da escravidão do pecado.
-------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de
Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências
Bibliográficas:
Bíblia de Estudo
Pentecostal.
Bíblia de estudo –
Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador
Cristão – nº 57 – CPAD.
Eugene H. Merrill – História de Israel no
Antigo Testamento. CPAD.
Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.
Comentário
Bíblico Beacon. CPAD.
Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco.
CPAD.
Alexandre Coelho e Silas Daniel – Uma jornada de Fé
(Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.
(1) Eugene
H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
(2) Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.
(3) Leo G.
Cox – O Livro de Êxodo. Comentário
Bíblico Beacon. CPAD
(4) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e
o Caminho à Terra Prometida). CPAD.
(5) Leo G. Cox – O
Livro de Êxodo. Comentário Bíblico
Beacon. CPAD.
(6) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e
o Caminho à Terra Prometida). CPAD.
(7) Leo G. Cox – O Livro de Êxodo. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
(8) Ibid.
(9) Alexandre Coelho – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e
o Caminho à Terra Prometida). CPAD.
(10) Ibid.
(11) Ibid.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
LIÇÕES BÍBLICAS CPAD - 1º TRIMESTRE DE 2014
No
1º Trimestre de 2014 estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o
tema: “Uma Jornada de Fé – A formação
do povo de Israel e sua herança espiritual”. As lições serão comentadas
pelo pastor e mestre Antônio Gilberto, e estão distribuídas sob os seguintes títulos:
Lição 1 – O livro de Êxodo e o Cativeiro de Israel
no Egito.
Lição 2 – Um Libertador para Israel.
Lição 3 – As Pragas Divinas e as Propostas
Ardilosas de Faraó.
Lição 4 – A Celebração da Primeira Páscoa.
Lição 5 – A Travessia do Mar Vermelho.
Lição 6 – A Peregrinação de Israel no Deserto até o
Sinai.
Lição 7 – Os Dez Mandamentos do SENHOR.
Lição 8 – Moisés - Sua Liderança e Seus
Auxiliares.
Lição 9 – Um Lugar de Adoração a DEUS no Deserto.
Lição 10 – As Leis Civis Entregues por Moisés aos
Israelitas.
Lição 11 – DEUS Escolheu Arão e Seus Filhos para o
Sacerdócio.
Lição 12 – A Consagração dos Sacerdotes.
Lição 13 – O Legado de Moisés.
UMA ANÁLISE PRELIMINAR
1. Introdução
Ao longo deste trimestre teremos a oportunidade ímpar de
estudar o livro de Êxodo. Segundo Eugene H. Merrill, o Êxodo é o evento
teológico mais expressivo do Antigo Testamento, porque mostra a magnificente
ação de Deus em favor de Seu povo, uma ação que os conduziu da escravidão à
liberdade, da fragmentação à unidade, de um povo com uma promessa - os hebreus
- à uma nação estabelecida – Israel.
Êxodo é uma palavra grega que significa “partida”,
“saída”. O livro descreve a libertação e saída dos israelitas do Egito, a sua
jornada até o Monte Sinai, e os eventos que ocorreram durante o tempo em que
permaneceram ali.
O patriarca Jacó havia levado a sua família para o
Egito, a fim de fugir da grande fome (Gn 46:1-27). Quando os hicsos invadiram o Egito e ganharam poder
político, os descendentes de Jacó foram forçados à escravidão (Ex 1:8,10). Os hicsos nunca foram numerosos, de modo que a
nação de Israel, em crescimento representava uma ameaça para eles (Ex 1:9).
Esta ameaça acabou fazendo com que os governantes hicsos escravizassem os hebreus. Quando, posteriormente,
os hicsos foram expulsos, todo o ódio que os
egípcios nativos sentiam pelos estrangeiros concentrou-se nos hebreus. Como os
egípcios também temiam que os israelitas se tornassem excessivamente numerosos,
tornaram a escravidão israelita mais dura (Ex 1:13), e tentaram controlar a
população matando os bebês do sexo masculino (cf Ex 1:17-20).
Apesar de tudo isso, os descendentes de Israel cresceram,
passando de uma família de setenta pessoas (cf Gn 46:26,27) a uma nação de aproximadamente
dois milhões de pessoas (com base na estimativa de seiscentos mil varões com
idade superior a 20 anos, Ex 12:37). A ênfase principal do livro de Gênesis
estava na família de Abraão, mas Êxodo concentra-se no desenvolvimento da nação
de Israel. (1)
2. O Tema principal do Livro de Êxodo (2)
O Tema principal do Livro de Êxodo é a
Redenção. A
libertação e a saída dos filhos de Israel da escravidão no Egito eram um tipo
de toda a redenção, e Moisés, que os liderou, era um tipo de Cristo.
3. Propósito e mensagem do livro (3)
O Livro de Êxodo relata como a família escolhida em
Gênesis veio a ser uma nação. Registra os dois acontecimentos transcendentes da
história de Israel: o livramento do Egito e a entrega do pacto da lei no Sinai.
O livramento do Egito possibilitava o nascimento da nação; o pacto da lei
modelava o caráter da nação a fim de que fosse um povo santo.
O Livro descreve, em parte, o desenvolvimento do antigo
concerto com Abraão. As promessas que este recebeu de Deus incluíam um
território próprio, uma descendência numerosa que chegaria a ser uma nação e
bênção para todos os povos por meio de Abraão e sua descendência. Primeiro,
Deus multiplica seu povo no Egito, depois, o livra da escravidão, e a seguir, o
constitui uma nação.
Êxodo é um Livro de redenção. O Redentor Javé não somente livra seu
povo da servidão egípcia mediante seu poder manifesto nas pragas, mas também o
redime por sangue, simbolizado no cordeiro pascoal. A Páscoa ocupa lugar
central na revelação de Deus a seu povo, tanto no Antigo Pacto como no Novo,
pois o cordeiro pascal é símbolo profético do sacrifício de Cristo. Por isso a
festa da páscoa converteu-se na comemoração de nossa redenção (Lc 22:7-20).
O Senhor provê para seu povo redimido tudo de que ele
necessita espiritualmente: os israelitas precisam de uma revelação do caráter
de Deus e da norma de conduta que ele exige; Ele lhes dá a lei, mas também faz
aliança com eles, estabelecendo uma relação incomparável e fazendo-os seu
especial tesouro. Os hebreus, acusados de pecado pela lei, necessitam de
purificação, e o Senhor lhes proporciona um sistema de sacrifícios. Necessitam
aproximar-se de Deus e prestar-lhe culto, e Deus lhes dá o tabernáculo e ordena
um sacerdócio. Tudo isso tem a finalidade divina de que sejam uma nação santa e
um reino de sacerdotes.
Êxodo lança luz sobre o caráter de Deus. No
livramento de seu povo, vê-se que Ele é misericordioso e poderoso. A lei revela
que ele é Santo; o Tabernáculo revela que Ele é acessível mediante sacrifício
aceitável.
É evidente o paralelo entre o livramento dos
escravos israelitas e um maior êxodo espiritual efetuado pela obra e Pessoa de
Jesus Cristo. O Egito vem a ser um símbolo do mundo pecaminoso; os egípcios,
símbolo de pecadores escravizados; Moisés simboliza o redentor divino que livra
seu povo mediante poder e Sangue e o conduz à Terra Prometida.
4. Estrutura do Livro de Êxodo (4)
Na história hebraica, o conteúdo do Livro de Êxodo
é representado por meio de três montanhas altas e um vale: o livramento do
Egito, a concessão da lei e a revelação do plano do Tabernáculo; o vale sombrio
é o episódio do bezerro de ouro. A estrutura do Livro é disposta assim:
I.
Israel é libertado (Ex 1.1—15.21)
a)
Deus suscita um líder (Ex 1—4).
b)
O conflito com Faraó (Ex 5 — 11).
c)
Israel sai do Egito (Ex 12.1—15.21).
II.
Israel vai para o Sinai (Ex 15.22—18.27)
a)
Provações no deserto (Ex 15.22—17.16).
b)
Jetro visita Moisés (Ex 18).
III.
Israel no Sinai (Ex 19 — 40)
a)
O pacto da lei (Ex 19 — 24).
b)
O pacto violado c renovado (Ex 31.18—34.35).
c)
O Tabernáculo (Ex 25.1—31.17; 35.1—40.38).
5. Uma análise superficial da 18ª
Dinastia do Egito (5)
Dinastias
do Egito
|
|
18ª
Dinastia (a.C.)
|
|
Amósis
|
1570-1546
|
Amenotepe
I
|
1546-1526
|
Tutmose
I
|
1526-1512
|
Ttmose
II
|
1512-1504
|
Hatchepsute
|
1503-1483
|
Tutmose
III
|
1504-1450
|
Amenotepe
II
|
1450-1425
|
Tutmose
IV
|
1425-1417
|
Amenotepe
III
|
1417-1370
|
Amenotepe
IV (Akhenaten)
|
1379-1362
|
Semenca
|
1364-1361
|
Tutankamon
|
1361-1352
|
Ai
|
1352-1348
|
Horembeb
|
1348-1320
|
19ª
Dinastia (a.C.)
|
|
Ramsés
I
|
1320-1318
|
Setos
I
|
1318-1304
|
Ramsés
II
|
1304-1236
|
Merneptah
|
1236-1223
|
Fonte: Eugene H.
Merrill – História de Israel no Antigo Testamento.CPAD
|
|
Eugene H. Merrill diz que, de acordo com a data
tradicional, a 18ª Dinastia forma o quadro da época em que o êxodo aconteceu.
A décima oitava dinastia foi fundada
por Amósis, o
responsável pela expulsão dos hicsos.
É bem provável ter sido ele o que está descrito em Êxodo como o novo rei que
não conhecia José (Êx 1:8). Isto não sugere que ele não tenha conhecido José
pessoalmente, mas apenas que sua benevolência não mais se estendia aos
descendentes de José - os hebreus. Ele havia, afinal, expulsado os hicsos, um povo bastante aparentado aos
hebreus, e pode ter ficado receoso de que a rápida multiplicação destes pudesse
se constituir numa séria ameaça ao seu recente governo e autoridade.
Ele ou seu sucessor, Amenotepe I (1546 - 1526), foi o
responsável pela política repressiva que se seguiu naqueles dias. Isto incluía
a redução dos hebreus à escravidão com trabalhos forçados em projetos de
construções públicas (Ex 1:11-14), um plano que foi igualmente implementado por
Amósis. Quando tal projeto fracassou, seguiu-se um decreto promulgando o
genocídio de todos os machos hebreus que nascessem (Êx 1:15,16). Esse decreto
pode ter sido emitido por Amenotepe ou, o que é mais provável, por Tutmose I.
Amenotepe foi sucedido por Tutmose I
(1526-1512), um plebeu que tinha se casado com a irmã do rei. Provavelmente foi
ele o autor do decreto que ordenou o infanticídio, pois enquanto Moisés estava
em iminente perigo de morrer, Arão, que havia nascido três anos antes (Ex 7:7),
parece ter estado isento. Não seria difícil admitir que o Faraó que promulgou
essa política deve ter subido ao trono após o nascimento de Arão e antes do
nascimento de Moisés. Nesse caso, a evidência bíblica aponta diretamente para
Tutmose I.
Tutmose II (1512-1504) casou-se com Hatchepsute, sua
meia-irmã mais velha. Ele morreu jovem sob circunstâncias bastante misteriosas.
Sentindo que se aproximava da morte, ordenou a nomeação de Tutmose III
(1504-1450) como seu co-regente e herdeiro. Esse governante que, sem dúvida,
foi o mais ilustre e poderoso dentre os que viveram no Novo Reino,
distinguiu-se de várias maneiras. Seus primeiros anos não foram muito
promissores - era filho de uma concubina e tinha se casado com sua meia-irmã,
filha de Hatchepsute e Tutmose II - mas por fim veio a obter notáveis vitórias
nas terras ao seu redor, que incluíram nada menos que 16 campanhas à Palestina.
Porém, os primeiros 20 anos de seu reino foram dominados por sua poderosa
madrasta, Hatchepsute. Embora proibida pela cultura de se tornar Faraó, ela de
fato agia como tal e, em todos os critérios, pode ser considerada a pessoa de
maior fascínio e influência da história egípcia. Sem dúvida, nos primeiros anos
de Tutmose III, foi Hatchepsute quem ditou as resoluções, um relacionamento que
decerto ele detestava, mas encontrava-se impotente para se opor. Somente após a
morte da madrasta, Tutmose III demonstrou toda repugnância que sentia por ela,
mandando extinguir toda e quaisquer inscrições ou monumentos em sua homenagem.
O quadro geral de Hatchepsute leva-nos a identificá-la como a ousada
filha do Faraó que resgatou Moisés. Somente ela dentre todas as demais mulheres
de sua época seria capaz de ir contra uma ordem do Faraó, bem diante dele.
Embora a data de seu nascimento seja desconhecida, ela provavelmente era vários
anos mais velha do que seu marido, Tutmose II, que morrera em 1504, bem próximo
de seus 30 anos. Ela devia estar no início de sua adolescência, por volta de
1526, data do nascimento de Moisés e, portanto, com condições de agir em favor
de sua libertação.
Tutmose III era menor de idade quando assumiu o
poder em 1504 e mais novo que Moisés. Se, de fato, Moisés foi filho de criação
de Hatchepsute, há probabilidade de haver ele sido uma forte ameaça ao jovem
Tutmose III, visto que Hatchepsute não tinha filhos naturais. Isso significa
que Moisés era um candidato a ser Faraó, tendo apenas como obstáculo sua origem
semítica. Parece-nos que houve uma real animosidade entre Moisés e o Faraó.
Isto fica claro em virtude de Moisés, após matar um egípcio, ter sido forçado a
fugir para salvar a vida. O fato de ter o próprio Faraó considerado a questão -
que, em outra situação, seria pouco relevante - sugere que este Faraó especificamente
tinha interesses pessoais em se livrar de Moisés. O exílio auto-imposto por
Moisés ocorreu em 1486, quando ele tinha 40 anos de idade (At 7:23). Tutmose
III já estava no poder havia 18 anos; e a idosa Hatchepsute, que faleceria três
anos mais tarde, não tinha mais condições de interditar a vontade de seu enteado/sobrinho.
Durante longos quarenta anos, Moisés permaneceu fugitivo do Egito,
tendo se abrigado entre os midianitas do Sinai e da Arábia. Uma das razões para
tão longo exílio foi justamente o fato de continuar a viver e reinar o Faraó de
quem Moisés havia escapado. Somente após sua morte, Moisés sentiu-se livre para
retornar ao Egito (Êx 2:23; 4:19). Tutmose III morreu em 1450 e foi sucedido
por seu filho Amenotepe II (1450-1425). Segundo os padrões cronológicos
aceitáveis nesta discussão, era este Amenotepe quem reinava na ocasião do Êxodo.
Antes de deixarmos Tutmose III, é essencial notarmos que o relato
bíblico requer um reinado de quase 40 anos para o Faraó que perseguiu a vida de
Moisés, porquanto o rei que morreu no fim dos anos do exílio de Moisés em Midiã
era claramente o mesmo que o havia ameaçado quase 40 anos antes. Dentre todos
os reis da 18ª Dinastia, somente Tutmose III teve um reino tão longo. De fato,
ele é o único governante que, em todo período durante o qual o Êxodo poderia
ter ocorrido, reinou tanto tempo - com exceção de Ramsés II (1304-1236). Mas
Ramsés, o Faraó preferido pela maioria dos estudiosos, é geralmente associado
ao Faraó do Êxodo, não ao Faraó cuja morte possibilitou o retorno de Moisés ao
Egito. Caso a morte de Ramsés houvesse trazido Moisés de volta ao Egito, o Êxodo
deveria ter ocorrido após 1236, uma data muito tarde para ser satisfatória.
6. Data do Êxodo
Não há dúvida alguma de que os israelitas saíram do
Egito no lapso compreendido entre 1450 e 1220 a.C. Israel já estava radicado em
Canaã no ano de 1220 a.C., pois um monumento levantado pelo Faraó Mereptá faz
alusão ao combate entre egípcios e
israelitas na Palestina, naquela data.
Evidência bíblica interna (6)
O ano de 1446 já foi proposto como a data do Êxodo.
Sobre esta base cronológica desenvolvemos nossa discussão a respeito dos reis hicsos, do Novo Império, e das narrativas de
José. Visto que a integridade de nossa posição depende exclusivamente de uma data
mais anterior, em vez de uma outra mais recente que tem sido defendida pela
maioria dos estudiosos, torna-se então vital que apresentemos uma defesa
contundente em favor da data mais antiga.
Há duas datas bíblicas principais que tocam diretamente a questão do Êxodo:
- A primeira delas se encontra em 1Reis 6:1, onde está escrito
que o Êxodo precedeu a fundação do Templo de Salomão em 480 anos. Levando em
consideração que Salomão deu início à construção do Templo em 966 a.C., podemos
concluir que o Êxodo aconteceu em 1446. Mas, por uma série de razões, essa data
é quase universalmente rejeitada em favor de uma data mais recente, mais ou
menos por volta do século XIII (1260). Para conciliar o fato a uma data mais
recente, a cifra 480 não deve ser considerada literalmente, mas deve ser vista
como uma forma misteriosa de descrever 12 gerações (sendo quarenta anos, como
dizem, uma geração ideal). Entretanto, visto que uma geração na verdade está
mais perto dos 25 anos, o período entre o Êxodo e as obras iniciais do Templo é
estimado em 300 (25 x 12) anos, o que sugere aproximadamente o ano 1266 para o Êxodo.
Se fosse possível comprovar que a antiga cronologia israelita (ou qualquer
outra) assim fazia os cálculos, e que 1Reis 6:1 é um exemplo da aplicação de tal
método, o caso pareceria estar solucionado. Infelizmente não há provas. A
inevitável conclusão é que uma redução de 480 para 300 anos, a fim de
satisfazer algumas conclusões subjetivas, torna-se um exemplo de apelação
indigno de qualquer historiador ou estudioso da Bíblia. Certamente o ônus da
prova recairá sobre os críticos que preterirem considerar os dados dos
historiadores bíblicos de forma não literal.
- A segunda prova em defesa do ano 1446 aparece em
uma mensagem do juiz Jefté aos seus inimigos amonitas. Jefté afirmou não
ter eles razão para qualquer hostilidade contra Israel, uma vez que durante os
300 anos após a vitória de Israel sobre Seom, os amonitas nunca haviam
contestado os direitos de Israel sobre a Transjordânia. Uma simples leitura
desse longo memorando (Jz 11:15-27) deixa claro que Jefté se referia ao período
da história de Israel pouco antes da conquista, que ocorreu cerca de 40 anos
após o Êxodo. A vitória de Israel sobre os amonitas ocorreu por volta de 1100
a.C., uma data largamente reconhecida. Neste caso, Jefté se referia a
acontecimentos que haviam ocorrido perto de 1400 a.C.
Está claro que o número 300 não pode representar gerações ideais,
com resultados satisfatórios (isto é, 300 não é divisível por 40). Logo, os
proponentes de uma data mais recente para o Êxodo são forçados a utilizar novos
métodos de cálculo. Tipicamente eles postulam a conquista em duas etapas,
afirmando que Jefté não se referia à conquista israelita como uma confederação
das 12 tribos, mas a uma anterior, uma ocupação "pré-êxodo" da
Transjordânia por uma tribo, ou tribos, que somente mais tarde associou-se
àquelas poucas tribos de Israel que possuíam a tradição do Êxodo. A conquista
da Transjordânia, segundo esta recriação da história do Antigo Testamento, precedeu
a conquista de Canaã por mais ou menos um século. Além disso, Jefté
inequivocamente referia-se aos conquistadores de Seom como os israelitas que
tinham saído do Egito (Jz 11:13,16). Portanto, a menos que se desconsidere a
própria evidência interna, a data de 1446 para o Êxodo permanece de pé.
Além dos dados cronológicos bastante específicos, o Antigo
Testamento fornece uma descrição suficiente do Êxodo e seu período antecedente,
confirmando uma data mais antiga para o evento. Já foi exposto que a história
de Moisés melhor se adapta às datas e circunstâncias da 18ª Dinastia do Egito.
Se aceitarmos a data mais recente para o Êxodo, a qual sempre está associada a
Ramsés II, será preciso desconsiderar todo o testemunho bíblico. Moisés não
voltou ao Egito até que aquele Faraó - que antes tentou tirar-lhe a vida -
estivesse morto. O retorno de Moisés da terra de Midiã foi postergado por
aproximadamente 40 anos; logo, o rei em questão deve ser alguém que reinou, no
mínimo, por este período de tempo. Na 19ª Dinastia, somente Ramsés II - que
reinou de 1304 a 1236 - satisfaz este requisito, porém ele não pode ser o Faraó
do Êxodo, porque este foi sucessor de um outro que havia tido um reinado de
longa duração.
A data mais recente exige
que Merneptah (1236-1223) tenha sido o rei durante a humilhação no Êxodo.
Porém, ainda que tal evento tivesse ocorrido em seu primeiro ano como Faraó, a
jornada de 40 anos no deserto dataria o início da conquista em 1196. Os juízes
de Israel devem então ser reunidos no período desde o início de sua
administração (cerca de 40 anos após do início da conquista - 1156) até a morte
de Sansão, o último juiz (com exceção de Samuel, que viveu também sob a
monarquia), por volta de 1084. Nenhuma manipulação das evidências consegue
espremer os longos anos do governo dos juízes em 70 ou 100 anos. Além disso, o
próprio Merneptah liderou uma campanha em Canaã no seu quinto ano (1231),
durante a qual ele afirmou ter encontrado e vencido Israel. Obviamente é
impossível que Israel, num espaço de apenas cinco anos, tivesse escapado do
Egito, parado no monte Sinai, peregrinado no deserto, conquistado Seom e Ogue,
entrado em Canaã e, finalmente, por lá ter se estabelecido. Os que advogam uma
data mais recente precisam desconsiderar todo método historiográfico, e
reinterpretar o único documento genuíno - o Antigo Testamento.
6. Data do Nascimento de Moisés (7)
Admitindo a data de 1446 a.C. para o Êxodo, podemos determinar a
data do nascimento de Moisés, um fato de elevada importância nesta conjuntura.
O Antigo Testamento informa que Moisés tinha a idade de 80 anos pouco antes do Êxodo
(Êx 7:7), e 120 anos na sua morte (Dt 34:7). Visto que sua morte ocorreu bem no
fim do período do deserto, podemos datá-la em 1406. Um simples cálculo então
fornece o ano 1526 para o seu nascimento. Por conseguinte, Moisés nasceu
no mesmo ano da morte do Faraó Amenotepe. É preciso enfatizar que não se pode
esperar uma absoluta precisão, mas nossas datas para a cronologia do Novo
Reinado, assim como todas as datas que usamos, são as mesmas utilizadas pelo Cambridge Ancient
History, uma
publicação lançada por estudiosos imparciais, reconhecidos academicamente como
autoridades da mais alta confiabilidade. Quaisquer ajustes nas datas que
aumentem ou diminuam alguns anos em nada afetarão as conclusões aqui propostas.
7. O Faraó do Êxodo (8)
Quando finalmente Moisés retornou ao Egito, ele e
seu irmão Arão começaram a negociar com o novo rei, Amenotepe II, a respeito de
uma permissão para Israel deixar o Egito com o propósito de adorar a Jeová e,
enfim, deixar o país definitivamente. Este poderoso rei conduziu uma campanha
em Canaã em seu terceiro ano (aprox. 1450) e uma outra em seu sétimo ano,
provavelmente em 1446, coincidindo com a tradicional data do Êxodo. Não é
difícil imaginar que a dizimação do exército de Faraó no mar de Juncos pode ter
ocorrido após essa sétima campanha e que, após tamanha desmoralização, um total
desinteresse por uma aventura imediata se abateu sobre o reino, especialmente
para o norte.
Nossa identificação de Amenotepe II como
o Faraó do Êxodo está baseada em duas outras considerações. Em primeiro
lugar, embora a maioria dos reis da 18ª Dinastia tenha estabelecido sua
principal residência em Tebas, bem ao sul dos israelitas no Delta, Amenotepe
morava em Mênfis e, aparentemente, reinou daquele local por um bom tempo. Isto
o colocava em grande proximidade com a terra de Gósen, fazendo-o bastante
acessível a Moisés e Arão. Em segundo lugar, evidências sugerem que o
governo de Amenotepe não passou para seu filho mais velho, mas para o caçula
Tutmose IV. Esta é uma informação subentendida na chamada "estela do
sonho", que foi encontrada na base da Grande Esfinge perto de Mênfis.
O texto, que
registra um sonho no qual Tutmose IV recebeu a promessa de que um dia viria a
ser rei, sugere, como diz um historiador, que o seu reino sucedeu
"mediante uma imprevista mudança no destino, como a morte prematura do
irmão mais velho". É claro que isto é praticamente impossível de se
provar, mas também não há como deixar de especular se tal morte prematura não
tenha ocorrido por intermédio do juízo de Jeová que, na décima praga, matou
todos os primogênitos do Egito que estavam sem a proteção do sangue da Páscoa, “...
desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até o primogênito do
cativo que estava no cárcere..." (Êx 12.29).
CONCLUSÃO
Deus não chamou o povo de Israel para
exercer um papel hegemônico e imperialista sobre as demais nações. A promessa
dEle a Abraão foi de que através da descendência do patriarca todas as famílias
da Terra seriam benditas (Gn 12:3). Justamente por isso, Deus disse a Moisés
que, uma vez que toda, a Terra era propriedade dEle, se os israelitas ouvissem
a sua divina voz e guardassem a sua aliança, eles seriam um reino de sacerdotes
e uma nação santa (Ex 19:5,6). Como se sabe, Israel não entendeu esse papel a
ser desempenhado e confundiu responsabilidade com privilégio,
representatividade com regalia e bondade divina com mérito pessoal. O resultado
foi o cativeiro e o desterro.
Não obstante a
falha do povo escolhido, Paulo diz que "tendo a Escritura previsto que
Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a
Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”(Gl 3:8). Todos os
que, pela fé, creem no Evangelho, são filhos de Deus e descendentes do crente
Abraão: “Não há mais diferença entre judeus e grego, entre escravo e homem
livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo. E se
vocês pertencem a Cristo, então vocês são de fato a descendência de Abraão e
herdeiros conforme a promessa" (Gl 3:28,29). Contudo é preciso
advertir, não significa privilégios, mas responsabilidades; não visa uma
teologia da substituição, mas um dever sacerdotal. Como afirma o apóstolo
Pedro: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que, em outro tempo, não éreis povo,
mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas,
agora, alcançastes misericórdia" (1Pe 2:9,10). (9)
-----
(1) Eugene H.
Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
(2) ibid
(3) Paul Hoff – O
Pentateuco. Ed. Vida.
(4) Ibid
(5) Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo
Testamento. CPAD.
(6) Ibid
(7) Ibid
(8) Ibid
(9)
Pr. César Moisés Carvalho - Ensinador Cristão. CPAD.
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