domingo, 12 de fevereiro de 2017

Aula 08 - A BONDADE QUE CONFERE VIDA


1º Trimestre/2017

Texto Base: Mateus 5:20-26

"Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna"(1João 3:15).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos de mais uma virtude do Fruto do Espírito: a Bondade, que nada mais é que a prática do bem em favor de outrem. Vivemos em uma sociedade onde as pessoas acreditam, erroneamente, que ser bom é ser fraco; mas, tal virtude revela um caráter maduro e forte, leal a Deus e ao próximo. Jesus foi o maior exemplo de Bondade, e como discípulos Seus precisamos evidenciar nossa amabilidade por intermédio de ações e palavras. Não basta apenas dizer que somos bondosos, as pessoas precisam ver esse aspecto do Fruto do Espírito em nossas palavras e ações, no nosso dia a dia. É somente através de ações concretas que a Bondade torna-se evidente na vida do crente. Como ramos da videira verdadeira(João 15:1,4), inevitavelmente, temos de proceder como Cristo, que andou, neste mundo, fazendo o bem (At.10:38).

I. BONDADE: O FIRME COMPROMISSO PARA O BENEFÍCIO DOS OUTROS

1. A Bondade como Fruto do Espírito. Como uma das virtudes do Fruto do Espírito, podemos dizer que a bondade é uma qualidade gerada por Deus, nos corações daqueles que experimentaram o novo nascimento (João 3:3). Quem já experimentou a regeneração, em Jesus Cristo, é nova criatura e naturalmente inclinado a fazer o bem.

Na aula anterior estudamos sobre a Benignidade. É muito difícil diferenciar esta virtude da Bondade, por isso muitos estudiosos as consideram como frutos gêmeos. Certamente que, do ponto de vista espiritual, e bíblico, Benignidade e Bondade não são a mesma coisa; caso fosse, Paulo não teria colocado as duas expressões em Gálatas 5:22. Ele destacou como sendo duas virtudes distintas do “Fruto do Espírito”. São, no entanto, dois frutos gêmeos, e nós diríamos que são gêmeos univitelinos. Biologicamente, temos dois tipos de gêmeos: bivitelinos e univitelinos.

- Os gêmeos são bivitelinos quando, numa relação sexual, são fecundadas duas células femininas, ou dois óvulos, dando origem a dois zigotos distintos. Estes se desenvolverão de acordo com as fases normais da gestação, porém, cada um recebendo seu equipamento genético próprio. Nascerão duas crianças, mas poderão ser bastantes diferentes uma da outra, tal como aconteceu com Esaú e Jacó. Embora gêmeos, eram tão diferentes que até mesmo um cego poderia distingui-los. Para enganar Isaque, que já não enxergava mais, Rebeca teve que realizar uma “maquiagem” especial em Jacó (cf. Gênesis 27).

- Os gêmeos são univitelinos quando, numa relação sexual uma única célula feminina, ou óvulo, é fecundada e depois se divide em duas células. Estas vão se desenvolver de acordo com as fases normais da gestação, porém, mantendo-se iguais equipamentos genéticos, de tal forma que os gêmeos serão tão idênticos, sendo, às vezes, muito difícil a identificação de cada um; todavia, cada um terá sua personalidade própria, pois, de acordo com o que escreveu Jó, Deus pôs um sinal na mão de cada homem, não havendo qualquer possibilidade da existência de duas pessoas exatamente iguais. Coube à ciência provar, ou atestar esta verdade bíblica. Cientificamente não há qualquer possibilidade de se encontrar duas pessoas com as mesmas impressões digitais. Elas são diferentes mesmo sendo gêmeos univitelinos. Assim, mesmo os gêmeos univitelinos, embora, aparentemente iguais, são, contudo, diferentes nas suas impressões digitais.

Benignidade e Bondade, espiritualmente falando, são frutos gêmeos, porém, são gêmeos univitelinos, porque embora tenhamos que admitir que são dois, a identificação, na prática, de cada um é bastante difícil. Talvez, de imediato, não percebamos a diferença, mas não se deve preocupar, porque é semelhante a uma mãe, que no início da convivência entre os gêmeos só ela, com seu instinto materno, é capaz de perceber, de pronto, quem é quem entre os dois. Com o passar do tempo as pessoas que convivem com os gêmeos univitelinos Benignidade e Bondade vão se descobrindo as possíveis diferenças e também serão capazes de identificar cada um. Paulo, de pronto, entendeu as diferenças e relacionou-as como sendo duas virtudes do Fruto do Espírito. Eu e você também vamos entender. Enquanto isso, o importante é que vejam em nossas vidas a manifestação do Fruto do Espírito, seja de Benignidade, seja de Bondade. Elas serão anotadas, corretamente, e se manifestarão no julgamento diante do Tribunal de Cristo (2Co.5:10).

2. A Bondade de Deus. A Bondade faz parte da natureza de Deus. Ele nada faz com o objetivo de prejudicar o homem. Satanás, ao contrário, possui uma natureza má; ele não pode fazer o bem; tudo que ele faz resulta em maldade para o homem; ele é mau em si mesmo. Assim, sendo Deus bom por natureza, todos os homens são beneficiados pela sua Bondade. É o que afirma a Palavra de Deus: “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras... Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes”(Sl.145:9,16).

O Senhor Jesus confirmou o que Davi havia declarado, quando disse que Deus “é benigno até para com os ingratos e maus”(Lc.6:35); “...porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos”(Mt.5:45). É, pois, por sua Bondade, que Ele dispensa, dia a dia, o seu favor para toda a humanidade (Gn.8:22).

- A misericórdia é um dos aspectos de sua Bondade, por isto o profeta Jeremias diz: “As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim”(Lm.3:22).

- Paulo fala da bondade de Deus aos crentes de Tessalônica: “Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo desejo da sua bondade e a obra da fé com poder”(2Tes.1:11). 

- Davi falou da bondade de Deus: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade nem das minhas transgressões; mas, segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, por tua bondade, Senhor. Bom e reto é o Senhor; pelo que ensinará o caminho aos pecadores”(Sl.25:7,8).

- Os homens são convidados a louvar a Deus, pela sua bondade: “Louvai ao Senhor, porque ele é bom...Louvem ao Senhor pela sua bondade e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens!”(Sl.107:1,8); “Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os moradores da terra...Porque o Senhor é bom, e eterna, a sua misericórdia...”(Sl.100:1,5).

MESMO QUANDO DEUS CASTIGA É POR BONDADE.

É certo que as pessoas que não conhecem Deus, que não têm familiaridade com sua Palavra, têm dificuldades para entenderem que Deus é bom, quando ficam sabendo de algumas de suas ações, tal como o Dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra. A Bíblia nos mostra, muitas vezes, Deus, aparentemente tratando a humanidade no seu todo, e o homem, em particular, com muita dureza. É preciso, no entanto, entender que a Bíblia emprega o vocábulo bom de duas maneiras:

- Primeiro, um feito bom pode designar, em si mesmo um ato reto, honrado, nobre sob o ponto de vista ético e moral.

- Segundo, um feito bom pode ser representado por uma ação que, em si mesma, não é boa, mas que tem como objetivo beneficiar alguém, ou a própria pessoa. Suponha que eu veja uma pessoa distraída e que vai ser atropelada; instintivamente eu empurro, com violência, essa pessoa e ela é arremessada a alguns metros, cai e se machuca. Esta ação, em si mesma, não foi boa, pois, a pessoa se feriu um pouco na queda. Porém, eu salvei a sua vida, livrando-a de ser atropelada e morta por aquele caminhão. Aquela ação que, em si mesma, não era boa, tinha um objetivo bom, nobre; eu não agi com maldade. Assim aconteceu, e continua acontecendo com Deus em relação à humanidade e ao homem. A Palavra de Deus diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hb.12:5,6).

Uma criança, que está ou acaba de sofrer um processo corretivo, ouvir o pai lhe dizer que a ama, ela pode, no momento, duvidar dessa declaração de amor, porém, mais tarde poderá compreender que aquela correção foi um ato de amor e de bondade – “E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hb.12:11).

Deus é bom, por natureza; Ele não pode praticar uma ação que tenha por objetivo único prejudicar alguém.

Assim...

Quando Deus expulsou Adão do Paraíso e tomou providencias para que ele não comesse da “árvore da vida” (Gn.3:23,24), foi um ato de Sua Bondade. Se Adão, depois que pecou, comesse do fruto da “árvore da vida” não poderia morrer. Imagine uma pessoa com mais de cem anos, doente, sem poder morrer! Chega um momento em que a morte, se não for um alivio para a própria pessoa, será para seus familiares, ou para quem dela estiver cuidando. Portanto, não permitir que o homem, num corpo de pecado, se tornasse imortal, foi um ato de misericórdia exercido pela bondade de Deus.   

Quando Deus mandou o Dilúvio e destruiu toda a humanidade, poupando apenas Noé e sua família (cf. Gênesis cap. 6 e 7), foi um ato de Sua Bondade. Deus havia prometido que, da semente da mulher, nasceria o Redentor (Gn.3:15). Todavia, naquele momento da história, a Bíblia diz que “viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn.6:12). Contudo, ainda existia no meio da terra corrompida um homem justo, seu nome era Noé - “Noé era varão justo e reto em suas gerações. Noé andava com Deus” (Gn.6:9). Noé, porém, era um ser humano, vulnerável; tinha, como todos os outros, o livre arbítrio, ou o direito de fazer suas escolhas; ele podia, também, se corromper, pois Deus não pode impedir que o homem peque. Noé era livre, e podia pecar, prejudicando o Plano de Deus de prover na Pessoa de Seu Filho, nascendo como semente da mulher, aquele que seria o nosso Redentor. Então, por um ato de Bondade para comigo, para com você e para com toda a humanidade, Deus tinha que agir rápido, e agiu. Ao destruir toda humanidade, preservando um homem justo, Noé, e com sua descendência recomeçando a povoar a Terra, Deus deu uma prova de seu amor, de sua benignidade, de sua bondade.

É claro que nós conhecemos muitos e muitos outros exemplos em que, no agir de Deus, parece não haver bondade. Porém, um ato de bondade pode não parecer bom, em si mesmo, mas, seu objetivo será bom quando realizado para beneficiar alguém, ou a própria pessoa.

Lembre-se, Deus é bom por natureza. Ele não pode realizar uma ação que tenha por objetivo, apenas, causar prejuízo a alguém. Portanto, procure entender, primeiro, o trabalhar de Deus, antes de fazer mau juízo dele. Pense nisto! 

Indubitavelmente, a maior prova da bondade de Deus está no fato de Ele ter enviado seu Filho Unigênito para morrer por nós, homens pecadores e maus por natureza (João 3:16; Rm.5:8).

3. Um homem bondoso e uma mulher bondosa. O homem se torna filho de Deus no momento em que ocorre o Novo Nascimento, ou Regeneração. A partir desse instante o Espírito Santo passa a habitar no seu “coração” e começa a formação do seu Fruto, através do qual ele vai refazendo a imagem de Deus nesse novo ser humano. Após isto passamos a participar da natureza divina, a ter comunhão com Deus e, por isso, seu caráter nos é transmitido, motivo por que ficamos “cheios de toda a bondade” (Rm.15:14).

Se Deus é bom, seus filhos não podem ser maus. A Bíblia que revela a Bondade de Deus, também revela a Bondade de seus filhos, conforme escreveu Paulo: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros”(Rm.15:14).

O filho de Deus precisa ter o sentimento existente em seu Pai, por isto Paulo ensina: “E não nos cansemos de fazer o bem...enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”(Gl.6:9,10). Paulo acrescentou, ainda, àqueles a quem temos que fazer o bem: “...se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber...”(Rm.12:20).

O Senhor Jesus também afirmou: “...Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus...”(Mt.5:44,45). Isso é difícil? Para o homem natural é impossível, mas para aquele que tem as virtudes do Fruto do Espírito é possível. Só o homem que nasceu de novo é que pode viver a vida cristã.

Entretanto, nunca podemos nos esquecer de que a Bondade é resultado da ação do Espírito Santo em nossas vidas e que somente pode ser bom quem está ligado na videira verdadeira. Não pode haver evangelho completo se os crentes não fizerem o bem, se não praticarem boas obras, se não forem bons, pois ser bom é fazer o bem. Por isso, se a benignidade está vinculada à “benevolência”, a bondade está relacionada com a “beneficência”, “ato, prática ou virtude de fazer o bem, de beneficiar o próximo; fazer filantropia”.

Entretanto, devemos distinguir entre o homem bom e o homem que beneficia alguém. Nem sempre quem beneficia alguém é um homem bom, mas o homem bom sempre beneficia alguém.

Quem ama ao Senhor ama também o próximo, mas esse amor precisa ser manifesto em ações. Na Bíblia encontramos exemplos de homens e mulheres bondosos:

- No Antigo Testamento: Jó. Este servo de Deus não foi apenas paciente, mas também um exemplo significativo de benignidade e bondade - “Eu era o olho do cego e os pés do coxo; dos necessitados era pai e as causas de que não tinha conhecimento inquiria com diligência; e quebrava os queixais do perverso e dos seus dentes tirava a presa... O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante”(Jó 29:15,17; 31:32).

- No Novo Testamento: Dorcas. Esta bondosa mulher era uma discípula que usava do ofício de costureira para abençoar os pobres (At.9:36,39). O texto bíblico afirma que "ela estava cheia de boas obras e esmolas" (At.9:36). Suas ações em favor dos necessitados demonstravam a sua bondade e o seu amor e devoção a Deus. Por sua bondade, Dorcas foi abençoada por Deus.

- Jesus Cristo. Se bondade pode significar dar, ou fazer alguma coisa em beneficio de alguém, então, dentre tantos, o maior ato de bondade praticado por Jesus foi dar a sua própria vida em beneficio do homem. O amor é uma das expressões da bondade. Foi o Senhor Jesus quem afirmou – “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas... Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai”(João 10:11-18).

Portanto, não basta dizer que amamos, é preciso mostrar esse amor por meio de ações. O que você tem feito para demonstrar a sua bondade ao próximo?

II. SER BONDOSO É CUMPRIR O SEXTO MANDAMENTO: NÃO MATARÁS

1. Não matarás. Em Êxodo 20:13, temos uma ordem de Deus em favor da preservação da vida; é o Sexto Mandamento do Decálogo. Este Mandamento é imperativo: “Não matarás” (Êx.20:13; Dt.5:17). A ordenança divina é bem clara, de forma que até uma criança pode compreender. O homicídio doloso, pérfido, insulta a Deus, o doador da vida. A existência do ser humano é a Sua mais importante possessão. Por isso, o Senhor expressa Seu desejo de que ela seja honrada, respeitada e preservada. O povo da Nova Aliança, que faz a Igreja do Senhor Jesus, que vive em um contexto completamente diferente daquele vivido pelos fiéis da Antiga Aliança, deve lutar pela defesa da vida.

Na Nova Aliança o Sexto Mandamento inclui “pensamentos e palavras, ira e insultos”. Segundo o Rev. John Stott, "os escribas e fariseus estavam evidentemente procurando restringir a aplicação do Sexto Mandamento apenas ao ato do homicídio, isto é, ao derramamento de sangue humano, mas Jesus discordou deles. A verdadeira aplicação da proibição era muito mais ampla: incluía pensamentos e palavras, além de atos; cólera e insultos, além do homicídio". Foi o que Jesus disse em Mateus 5:21,22 – “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno”.

Percebe-se que Jesus condena o ódio vingativo, que deseja, de modo injusto, a morte doutra pessoa. “Raca” é um termo de desprezo que provavelmente significa “tolo”, “estúpido”. Chamar alguém de “louco”, com ira e desprezo, pode indicar um tipo de atitude de coração, conducente ao perigo do “fogo do inferno”.

Há, então, um aspecto existencial, isto é, relacionado com o mundo interior da pessoa. Mata-se alguém não só literalmente, mas também no coração. O apóstolo João diz que é homicida quem odeia a seu irmão (1João 3:15). O ódio é a evidência da perdição. O ódio é o campo onde brota a semente do assassinato. Quem odeia seu irmão é um assassino em potencial. O assassinato tem sua origem no ódio. Se alguém tem ódio de uma pessoa é como se a tivesse assassinado em seu coração. Jesus ensina que para Deus isto é tão errado e condenável como um assassinato.

Se a marca do salvo é o amor, o ódio que leva à morte não pode ser o seu distintivo. Uma pessoa salva busca a edificação do irmão e não sua morte. Logo, o assassino não tem vida eterna permanente em si. Isso não significa que o apóstolo esteja negando a possibilidade de arrependimento e perdão para um homicida nem esteja dizendo que um assassino não possa ser salvo; ele poderá ser salvo, desde que se arrependa de seus pecados, mude sua conduta e coloque sua confiança em Cristo.

É possível que haja crentes que frequentam regularmente a igreja e participam de suas atividades, mas tenham ódio de outras pessoas, quem sabe até mesmo dentro da própria igreja. Crentes que se reúnem em torno da mesa do Senhor, participam da Santa Ceia, mas com o coração carregado de ódio. Estas atitudes devem ser abandonadas pelos que pretendem ser fiéis a Jesus. Jesus exorta: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta” (Mt.5:23,24).

Que venhamos a amar o próximo, cuidar dele e preservar a sua vida, pois esta é a vontade de Deus para nós.

2. Ser bondoso é não matar o inocente indefeso. O valor da vida não depende dos anos acumulados, nem da capacidade física ou intelectual da pessoa. Antes, a vida é um bem pessoal intransferível e incalculável. Por isso, nenhum indivíduo, nenhuma organização ou sociedade, nenhum grupo de médicos e nem o próprio Estado secular podem arrogar a si o direito de legalizar a matança de seres indefesos ou classificar as pessoas, separando as que devem morrer das que podem viver. A vida pertence a Deus. Está escrito: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl.24:1); “...pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17:25). Desta feita, ninguém pode dizer que a “vida é minha, eu faço dela o que quero”.

O infanticídio é uma violação do Sexto Mandamento. Quando falamos contra o infanticídio, estamos também nos referindo ao aborto. Este ato perverso está inserido no Sexto Mandamento, pois é um atentado contra a vida de um indefeso, além de ser um ato contra Deus, que é o doador da vida (Is.45:12; Mt.10:28).

Nos Estados Unidos, o infanticídio é praticado principalmente com crianças que sobrevivem ao aborto. Aliás, o aborto é apenas a ponta de um "iceberg", cuja profundidade ninguém pode prever. Já se tornou evidente na história humana recente que assassinato de bebês antes de seu nascimento leva ao assassinato de criancinhas depois de nascidas. Infelizmente, isto é uma realidade em nossos dias. Um dos métodos aprovados de aborto é a histerectomia, em que o embrião é abortado com vida e morto depois de nascido por afogamento, fome ou corte do fluxo de oxigênio. Isso é uma clara transgressão do Sexto Mandamento. Certamente, aqueles que praticam tão brutal assassinato não ficarão impunes; pagarão aqui na Terra ou no Inferno, num sofrimento eterno (Ap.21:8).

3. O primeiro homicídio. Logo no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, encontramos o triste relato do primeiro homicídio depois da Queda (Gn.4:8-11). Caim matou seu irmão porque deixou seu coração ser dominado pela inveja e o ciúme. O apóstolo João diz: “Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1João 3:11,12).

- As obras de Caim eram más, porque seu coração era mau. Ele era do Maligno. Ele não conhecia a Deus nem cultuava a Deus, cultuava a si mesmo. Ele afrontava a Deus oferecendo uma oferta errada, da forma errada, com a motivação errada. Ele queria enganar a Deus e ganhar o status de adorador quando não passava de filho do maligno.

- A raiz do problema de Caim era a inveja. Ele se desgostou ao ver que Deus havia aceitado seu irmão e sua oferta, ao passo que ele mesmo e sua oferta foram rejeitados. Caim preferiu eliminar seu irmão a imitá-lo. A inveja de Caim o levou a tapar os olhos e os ouvidos para o aprendizado. Ele se endureceu no caminho da rebeldia. Não apenas sentiu inveja, mas consumou o seu pecado, levando o próprio irmão à morte. Ele não apenas odiou a seu irmão, mas o fez da forma mais sórdida. Odiou-o não pelo mal que Abel praticara, mas pelo bem; não pelos erros, mas pelas virtudes. O culto de Caim, longe de aproximá-lo de Deus, afastou-o ainda mais; o seu culto não passava de um arremedo, de uma máscara grotesca para esconder o coração invejoso e cheio de ódio.

- Deus deu a Caim a oportunidade para mudar de vida (Gn.4:7). Caim, porém, preferiu o caminho da rebeldia ao caminho da obediência. Longe de se arrepender, de tomar novo rumo, Caim deu mais um passo na direção do pecado. Não virou as costas para o pecado, virou as costas para Deus. A exortação de Deus produziu nele endurecimento, e não quebrantamento. Caim, em vez de cair em si e arrepender-se, irou-se sobremaneira; em vez de voltar-se para Deus, fugiu de Deus; em vez de imitar o exemplo de Abel, resolveu assassiná-lo.

- Caim não levou a sério a Palavra de Deus nem o juízo de Deus. Caim pensou que seus atos estivessem fora do alcance de Deus. Caim acabou colhendo o que plantou. Ele preferiu fugir de Deus a obedecê-lo, e foi sentenciado a ser um fugitivo e errante pela terra (Gn.4:12). O texto bíblico diz que o próprio Deus amaldiçoou Caim numa forma de punição pelo seu ato (Gn.4:15). Homem algum pode zombar de Deus, porque todo o pecado tem a sua recompensa (Gl.6:7).

III. SEJAMOS BONDOSOS E MISERICORDIOSOS

1. O conceito bíblico de misericórdia. Misericórdia é lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. Misericórdia é ver uma pessoa sem alimento e lhe dar comida, é ver uma pessoa solitária e lhe fazer companhia; é atender às necessidades e não apenas senti-las; é mais do que sentir piedade por alguém. A palavra hebraica para misericórdia é “chesed”, que é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração.

2. Servindo ao outro com amor. O maior exemplo de amor e misericórdia foi demonstrado por Jesus. Ele declarou que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt.20:28). Ele curou os doentes, alimentou os famintos, abraçou as crianças, foi amigo dos pecadores, tocou os leprosos; Ele fez com que os solitários se sentissem amados; Ele consolou os aflitos, perdoou os que haviam caído em opróbrio.

O apóstolo Paulo disse que exercer misericórdia com os necessitados é uma graça que Deus nos dá em vez de um favor que fazemos às pessoas. Veja o testemunho que ele dá dos crentes da Macedônia com relação a este aspecto (2Co.8:1-5):

1. Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia;

2. como, em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade.

3. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente,

4. pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.

5. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.

Este ato misericordioso dos irmãos da Macedônia é uma demonstração tangível daquilo que Paulo exortou em Gálatas 6:2 – “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”.

A misericórdia não é uma virtude natural. Para realizamos tal ato precisamos amar com amor divino. Por natureza o homem é mau, cruel, insensível, egoísta, incapaz de exercer a misericórdia. Precisamos nascer de novo antes de sermos misericordiosos. Precisamos de um novo coração, antes de termos um coração misericordioso. Você tem ajudado seus irmãos a carregarem suas cargas ou você tem ainda acrescentado mais peso a elas?

3. Devemos ser misericordiosos com aqueles que já estão feridos. Jesus não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega. É fácil bater em quem já está caído. É fácil pisar naqueles que já estão no chão. Os escribas arrastaram uma mulher e jogaram-na aos pés de Jesus. Eles queriam que ela fosse apedrejada. Mas Jesus em vez de condená-la, perdoou-a e restaurou-a. Na Parábola do Bom Samaritano, o samaritano pegou o judeu caído, ferido, parou, cuidou das suas feridas, colocou-o em sua cavagaldura, tratou dele (Lc.10:25-37); isso é misericórdia. Que não venhamos a agir como o sacerdote e o levita da referida parábola, mas que sejamos como aquele que acolhe e ajuda o ferido.

4. Devemos ser misericordiosos com aqueles que nos ofendem. Estêvão quando foi apedrejado, orou: “Senhor Jesus, não lhes imputes esse pecado” (At.7:60). A Bíblia diz que devemos abençoar os nossos inimigos e orar por eles. Se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer, se tiver sede, devemos dar-lhe de beber. O misericordioso perdoa as ofensas; ele não registra mágoas; ele não guarda rancor; ele não armazena ira; ele perdoa; ele vence o mal com o bem. Quem não perdoa, não pode ofertar, não pode adorar, não tem paz. Quem não perdoa, adoece, é flagelado e nunca pode receber perdão. “O juízo é sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia” (Tg.2:13).

5. Devemos ser misericordiosos com os necessitados. Paulo exortou os crentes da Galácia a fazerem o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé (Gl.6:10). Se você sabe que seu irmão está enfrentando alguma dificuldade e você pode ajudá-lo, ajude-o; não espere receber recompensa, faça por amor e bondade; a recompensa virá do Senhor quando recebermos os nossos galardões (Mt.10:41,42).

- Devemos acudir ao necessitado. No Salmo 41:1-3 Davi diz: “Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o Senhor o livra no dia do mal. O Senhor o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama”.

- Devemos ter uma terna compaixão pelos necessitados. A Bíblia diz: “se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is.58:10).

- Devemos ser liberais na contribuição. Deus diz: ”Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas cidades, na tua terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás as tuas mãos a teu irmão pobre; antes, lhe abrirás de todo a tua mão e lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade” (Dt.15:7-8).

Deus providenciou várias leis para cuidar dos pobres: nas colheitas não se podia apanhar o que caía no chão, era dos pobres. Paulo exorta os ricos: “…pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir” (1Tm.6:18).

CONCLUSÃO

Nenhum homem de Deus fará qualquer coisa, de forma consciente, com o objetivo de causar prejuízo a alguém. Somos filhos de Deus, logo devemos agir como ele age. Mesmo quando possa parecer não haver bondade em nossas ações, elas, certamente, estão sendo realizadas com amor e com bondade em relação ao nosso próximo, porque “...o fruto do Espírito é:...bondade...”. Que possamos demonstrar ao mundo e aos nossos irmãos a Bondade de Deus que um dia foi derramada em nossos corações.

---------

Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Benignidade e Bondade, o fruto gêmeo.PortalEBD_2005.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Aula 07 - BENIGNIDADE: UM ESCUDO PROTETOR CONTRA AS PORFIAS


1º Trimestre/2017

 
Texto Base: Colossenses 3:12-17

 
"Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo" (Ef. 4:32).

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre o Fruto do Espírito e as obras da carne, estudaremos, nesta Aula, mais um aspecto do Fruto do Espírito, a Benignidade; e mais um aspecto das obras da carne, a Porfia. Uma pessoa que tem comunhão com Deus é benigna, ou seja, tem prazer em fazer o bem, é cortês, é benevolente; é uma pessoa fina, educada, um bom caráter. Mas, um crente porfioso, conflituoso, rude, grosseiro, mal-educado, agressivo, “casca grossa”, não é benigno, também, não é uma pessoa de Deus, pois uma pessoa de Deus tem que ser benigna, porque “...o fruto do Espírito é ...benignidade...”.

I. A BENIGNIDADE FUNDAMENTA-SE NO AMOR

Ser Benigno significa ter prazer em fazer o bem, ter boa índole, ou um bom caráter, ser generoso, ser benevolente, ser terno, ser capaz de servir só por amor. A Benignidade é uma virtude que é parte da própria natureza de Deus. Ela faz parte de sua natureza, de forma que Deus sempre foi, que Deus é, e que Deus será, eternamente, Benigno. Ainda que a Bíblia Sagrada não dissesse, de forma direta, ou expressa, que Deus é benigno, nós, como criaturas suas, conhecendo a obra que ele criou e sabendo da forma que ele trata e cuida de sua obra, e conhecendo o significado da expressão benignidade, teríamos que admitir, por nós mesmos, que Deus é benigno. Se Deus não fosse benigno, Ele não seria misericordioso. Segundo a Bíblia, Ele é benigno porque sua misericórdia para conosco não depende de nossa fidelidade ou de nossa gratidão. O profeta Jeremias diz que “as misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim”(Lm.3:22). A Benignidade, portanto, fundamenta-se no amor.

1. O que é Benignidade?  A Benignidade é a disposição de fazer o bem. É ser misericordioso; significa benevolência, humanidade e bondade – “O homem benigno faz bem à sua própria alma...” (Pv.11:17). É uma das virtudes de Deus – “Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade é para sempre” (Salmo 136:1). O Salmo 136 repete esta verdade em todos os seus versículos; vinte e seis vezes ele diz: “... porque a sua benignidade é para sempre”.

No crente, essas características não são o resultado de uma boa formação acadêmica ou de uma educação familiar; é uma virtude do Fruto do Espírito. Na formação do Fruto do Espírito o caráter do homem vai sendo moldado e se tornando semelhante ao caráter de Deus, que é benigno. Para ser discípulo de Jesus é necessário ter benignidade – “Antes, sede uns para com os outros benignos...” (Ef.4:32).

O verdadeiro cristão, aquele que é filho de Deus, tem de ter a mesma disposição que Deus tem de fazer o bem ao ser humano. O crente tem de ser uma pessoa de boa índole, ou seja, alguém que, no seu interior, tem o desejo ardente, sincero e incondicional de buscar o bem do outro. Lembre-se que antes das pessoas olharem para Cristo, elas vão olhar para você, para suas atitudes e ações.

O crente benigno trata os outros como Deus os trata, com amor. Olha para os outros como Deus os olha. Trata-se de tarefa difícil, mas o cristianismo é compromisso de difícil execução. Devemos sempre lembrar que a Benignidade é um dom de Deus, produzido pelo Espírito, e o seu comportamento é o nosso modelo nesta caminhada, pois Ele é benigno. Ele, por exemplo, manda o sol e a chuva para justos e injustos (Mt.5:45). Não é justo este comportamento, mas é benigno. Sem o Espírito Santo, somos apenas justos, no sentido da justiça retributiva, nunca benignos. O que Jesus nos ensina é outro comportamento:

“E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo [...] Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem [...] sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”(Lc.6:33-36).

2. A Benignidade na prática. O evangelista Billy Graham disse que é muito fácil ser bondoso e gentil com quem nos trata bem, mas precisamos ser benignos com aqueles que erram, tropeçam e ainda nos tratam mal. Para isso, precisamos ser cheios do Espírito Santo (Ef.5:18). Veja alguns exemplos na Bíblia de pessoas que foram extremamente benignas.

a) Abraão. Foi um homem benigno. Um dia Abraão teve que se separar de Ló e deu-lhe a preferência da escolha. Um homem benigno abre mão de seus direitos, sofre o prejuízo, mas, põe fim à contenda – “E disse Abraão a Ló: ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastos e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gn.13:8,9).

Um homem benigno ama o seu próximo com o amor de Deus. Conforme escreveu Paulo, o amor de Deus “não busca os seus interesses” (1Co.13:5).

b) Jó. Este servo de Deus não foi apenas paciente, mas também um exemplo significativo de benignidade e bondade - “Eu era o olho do cego e os pés do coxo; dos necessitados era pai e as causas de que não tinha conhecimento inquiria com diligência; o estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante”(Jó 29:15,17; 31:32).

c) Davi. A benignidade fazia parte da sua própria natureza. Ele era um homem muito parecido com Deus (1Sm.13:14). Paulo, muito mais tarde faria menção desta semelhança entre Davi e Deus (cf. At.13:22). Um homem segundo o coração de Deus teria que ter, dentre as suas muitas virtudes, a benignidade.

Um homem benigno ama seu inimigo; Davi amou Saul, seu maior e grande inimigo. Davi poupou a vida de Saul; o homem benigno se compraz em fazer o bem. Saul não achou Davi, mas, Davi achou Saul – “Vieram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo, e eis que Saul estava deitado, dormindo dentro do lugar dos carros... e Abner e o povo estavam ao redor dele” (1Sm.26:7). Abner era o comandante do Exército. Saul estava muito bem protegido, mas Davi chegou onde ele estava. Totalmente indefeso, Davi tinha diante de si seu maior inimigo, o homem que o estava procurando para matá-lo. O ajudante de Davi pediu-lhe permissão para matar Saul – “Então, disse Abisai a Davi: Deus te entregou, hoje, nas mãos a teu inimigo...”. Davi era um homem de Deus e não se deixou levar pela mensagem do homem. Aquele era o desejo de Abisai, não era o de Deus. Abisai prosseguiu, dizendo: “...deixa-me, pois, agora, encravar com a lança de uma vez na terra, e não o ferirei segunda vez”(1Sm.26:8). Davi, por um momento, tinha diante de si a oportunidade de se livrar para sempre de seu grande inimigo e de tomar posse do Trono, pois ele já tinha sido ungido para ser rei no lugar de Saul. Porém, Davi era um homem benigno, e um homem benigno não estende sua mão contra o seu próximo, mesmo que esse próximo seja seu maior e mortal inimigo.

Um homem benigno não faz justiça com suas próprias mãos, mas, entrega sua causa a Deus, e espera nele; sabe honrar, respeitar e obedecer a seus superiores.

Um homem benigno que tem promessas de Deus espera, com paciência, pelo tempo de Deus.

Davi era um homem benigno - “... disse Davi a Abisai: nenhum dano lhe faças...”.

d) Estêvão. Mostrou na prática o que é ser benigno. Ao invés de desejar a morte de seus opressores, orou por eles enquanto estava sendo apedrejado até morrer (At.7:59,60) - “Senhor Jesus, não lhes imputes esse pecado” (At.7:60). O misericordioso perdoa as ofensas; ele não registra mágoas; ele não guarda rancor; ele não armazena ira; ele perdoa; ele vence o mal com o bem. Tiago afirma: “O juízo é sem misericórdia para aquele que não exerce misericórdia” (Tg.2:13).

e) Jesus, o maior exemplo de Benignidade. O maior ato de benignidade praticado por Jesus foi dar a sua própria vida em benefício do ser humano que estava destituído da sua glória (João 3:16). Ele se entregou por toda a humanidade, morrendo numa cruz para salvar o ser humano. Diz Tito: “Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”(Tito 3:4,5). O amor é uma das expressões da Sua benignidade. Foi o Senhor Jesus quem afirmou: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas... Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai”(João 10:11-18).

Antes de efetivar o seu maior ato de benignidade pela humanidade, Jesus realizou inúmeros atos de benignidade. Ele amou os ricos e os pobres e sempre ajudou a todos que foram até Ele.

- Jesus foi Benigno com as crianças. Certa feita Jesus se indignou quando viu que os discípulos afastaram as crianças em vez de introduzi-las a Ele - “Jesus, porém, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir os pequeninos a mim e não os impeçais, porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc.10:14). Esse é o único lugar nos evangelhos onde Jesus dirige sua indignação aos discípulos, exatamente quando eles demonstram preconceito com as crianças. É a única vez que o aborrecimento de Jesus se direcionou aos próprios discípulos, quando eles se tornaram estorvo em vez de bênção, quando eles levantaram muros em vez de construir pontes. A indignação de Jesus aconteceu concomitantemente com o seu amor. A razão pela qual Ele se indignou com os seus discípulos foi o seu amor profundo e compassivo para com os pequeninos. Uma ordem dupla reverte as atitudes dos discípulos: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis”.

- Jesus foi Benigno com os publicanos. Por serem os cobradores de impostos, eram odiados pelo povo, pois em geral, cobravam mais do que as pessoas deviam. Mas, Jesus fez questão de pousar na casa do publicano Zaqueu (Lc.19:1-10).

- Jesus foi Benigno com a mulher cananeia. Esta mulher tinha uma filha que estava miseravelmente endemoninhada (Mt.15:21-28). Ela caiu desesperadamente aos pés de Jesus suplicando sua misericórdia. Cristo nunca despediu ninguém que caísse a seus pés, coisa que uma coitada alma tremente pode fazer. Como ela era uma boa mulher, assim era uma boa mãe. Isto a fez vir até Cristo. A princípio, parece que Jesus não estava se importando com o clamor daquela mãe. Porém, o Mestre estava testando a fé daquela mulher. Jesus mesmo declarou: "Ó mulher, grande é a tua fé" (Mt.15:28).

- Jesus foi Benigno com o ladrão condenado. Na cruz, Jesus demonstrou benignidade ao atender o pedido de um salteador (Lc.23:42,43).

Jesus continua sendo Benigno com toda a humanidade. A sua Benignidade permanece para sempre, pois, ela faz parte da Sua própria natureza.

“Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua benignidade é para sempre” (Salmo 106:1).

Portanto, a Benignidade na prática é destacada quando:

- Além de não fazer o mal, praticamos o bem. Se você pensa que só de não fazer mal às pessoas, você já está fazendo muito bem ao mundo, você está enganado. O benigno é aquele que, cheio de bondade, se manifesta por meio de ações. Ele faz do mundo ao seu redor um lugar melhor, mais cheio de amor e misericórdia.

- Procuramos ver a necessidade do outro, antes mesmo que ele o peça. Você sempre ajuda as pessoas quando elas te pedem algo? Se sim, muito bem! Se não, precisa começar a fazê-lo. No entanto, quantos estão à nossa volta que talvez por vergonha, timidez, ou por qualquer outro motivo, não pede ajuda! Você está atento a essa realidade? A pessoa que tem a virtude da benignidade se antecipa à necessidade do próximo.

- Não desistimos das pessoas, mesmo as mais difíceis. Pode ser que tenha alguém que conviva com você que seja muito difícil de se lidar. Continue a praticar o bem com ela, seja amável, insista na amizade. Pense que talvez você seja também “uma pessoa difícil” para outros. Você não gostaria que alguém desistisse de você, não é? Sempre podemos ser melhores!

- Somos misericordiosos e não vingativos. A misericórdia vai além da justiça. Ou seja, pode até ser que a outra pessoa tenha feito algo de errado e “mereça” pagar pelo seu erro, mas o benigno não se deixa vencer pelo desejo de justiça, ao contrário, ele acredita e sabe que plantando o bem, um dia será possível também colher o bem.

II. A PORFIA FUNDAMENTA-SE NA INVEJA E NO ORGULHO

1. Porfia. Diferentemente da Benignidade, porfiar é discutir, disputar, polemizar, demonstrar superioridade ao outro. Traz a ideia de alguém que luta contra a pessoa com a finalidade de conseguir alguma coisa, como posição, promoção, bens, honra, reconhecimento. É a rivalidade por recompensa. Não por acaso, a porfia está fundamentada no orgulho e na inveja. É uma obra eminentemente da nossa velha natureza. Porfia é obra da carne (Gl.5:20). Quem tal coisa pratica e nada faz para subjugar esse pecado poderá perder a Salvação (Gl.5:21). Na Nova Aliança, Deus não admite que o seu povo se envolva em brigas, disputas e contendas, pois a Palavra de Deus assim nos adverte: “E ao servo do Senhor não convém contender” (2Tm.2:24). Já imaginou se este principio fosse respeitado à risca? Não haveria tanta divisão, desunião, porfias e disputas por poder dentro do orbe evangélico.

2. Evódia e Síntique. Eram duas irmãs valorosas que serviam a Deus na igreja de Filipos (Fp.4:2). Elas haviam se esforçado com Paulo no evangelho, mas agora estavam envolvidas em alguma porfia. Essas irmãs tinham nomes bonitos: Evódia significa “doce fragrância”; Síntique significa “boa sorte”. Mas elas estavam vivendo de maneira repreensível. Muitas pessoas haviam se tornadas crentes através de seus esforços (cf. Fp.4:3), mas a sua briga estava causando escândalo na igreja. Não temos detalhes da causa de sua discórdia (talvez seja bom assim), mas Paulo rogou a elas que acabassem de uma vez por todas com as diferenças. Como líder daquela igreja, Paulo não procurou saber quem estava com a razão, mas com amor e firmeza ordenou que elas parassem com tal atitude – “Rogo a Evódia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor” (Fp.4:2). O apóstolo emprega a palavra “rogo” duas vezes, para mostrar que essa exortação é dirigida a uma e a outra. Paulo as incentiva que “sintam o mesmo no Senhor”, querendo dizer que é impossível sermos unidos em todas as coisas da vida diária, mas quanto às coisas “no Senhor” é possível reprimir pequenas diferenças, a fim de que o Senhor possa ser magnificado e para que sua obra avance.

3. Miriã e Arão. Certa feita, Miriã e Arão, irmãos de Moisés, fizeram uma oposição perigosa à liderança de Moisés, servo do Senhor. Diz o texto sagrado que Miriã e Arão começaram a criticar Moisés porque ele havia se casado com uma mulher etíope - "Será que o Senhor tem falado apenas por meio de Moisés?", perguntaram. "Também não tem ele falado por meio de nós?". E o Senhor ouviu isso. Ora, Moisés era um homem muito paciente, mais do que qualquer outro que havia na terra. Imediatamente o Senhor disse a Moisés, a Arão e a Miriã: "Dirijam-se à Tenda da congregação, vocês três". E os três foram para lá. Então o Senhor desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, chamou Arão e Miriã. Os dois vieram à frente, e ele disse: "Ouçam as minhas palavras: Quando entre vocês há um profeta do Senhor, a ele me revelo em visões, em sonhos falo com ele. Não é assim, porém, com meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Com ele falo face a face, claramente, e não por enigmas; e ele vê a forma do Senhor. Por que não temeram criticar meu servo Moisés?". Então a ira do Senhor acendeu-se contra eles, e ele os deixou. Quando a nuvem se afastou da Tenda, Miriã estava leprosa; sua aparência era como a da neve. Arão voltou-se para Miriã, viu que ela estava com lepra e disse a Moisés: "Por favor, meu senhor, não nos castigue pelo pecado que tão tolamente cometemos” (cf. Nm.12:1-11).

Percebe-se que por trás da porfia havia outro sentimento, a inveja. Eles certamente desejavam a liderança do irmão. Um sentimento carnal traz consigo outros sentimentos, despertando o que há de pior em cada pessoa. Apesar de décadas de aprendizagem no deserto, Miriã não tinha se libertado completamente da influência do Egito, seu coração ainda era carnal. O orgulho, a inveja e a porfia ainda eram características de sua personalidade.

A Bíblia não nos conta exatamente o que aconteceu, mas sabemos que Miriã ficou ciumenta e orgulhosa. Argumenta ela: “... será que o Senhor também não tem falado por meio de nós?” (Nm.12:2). Parece que ela ficou fofocando no ouvido de Arão o tempo todo reclamando do seu irmão e da cunhada, a esposa de Moisés. E a tragédia foi que Arão, sendo um homem fraco, não a confrontou e nem a repreendeu. E isso é terrível!

Quantas vezes há crentes com inveja dos dons de outros membros na Igreja! Quantos crentes que se orgulham de seus próprios dons! Paulo nos exorta: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos” (Fp.2:3).

Deus se irou também contra Arão, mas foi Miriã que recebeu o maior castigo, ela ficou leprosa; talvez porque Miriã foi quem havia iniciado a insubordinação. Arão era de caráter fraco e facilmente se deixava convencer pelos outros. Assustado, ele pediu perdão a Moisés, e pediu misericórdia para que sua irmã fosse curada - “Por favor, meu senhor, não nos castigue pelo pecado que tão tolamente cometemos” (Nm.12:11). E a seguir, Moisés orou pela restauração de sua irmã. Embora curada, ela foi obrigada a passar sete dias em reclusão fora do arraial (a primeira menção de prisão como castigo entre os israelitas).

As consequências da inveja e da porfia foram terríveis para Miriã e para todo o povo, pois tiveram que ficar retidos, em um lugar, até que Miriã pudesse se ajuntar novamente à congregação - “...o povo não partiu enquanto ela não foi trazida de volta” (Nm.12:15). Deus foi misericordioso, mas manteve a disciplina. Como a insubordinação foi pública, todos foram envolvidos na humilhação e castigo que Miriã sofreu. Muitas vezes, por causa do pecado de uma só pessoa, a igreja não vai para frente, ela fica parada, porque quando um membro do corpo peca, todos são afetados. Paulo disse isso em Romanos 14:7: “Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si”. Somos um corpo e sofremos juntos com o pecado de um dos membros desse corpo (similitude com o pecado e Acã - Josué 7:1-26).

Depois deste incidente nós não sabemos mais a respeito de Miriã a não ser pela referência da sua morte (Nm.20:1). Parece que ela perdeu sua posição de liderança com seus irmãos e entre as mulheres na direção do louvor ao Senhor. Como é triste quando um líder pratica as obras da carne e cai do pedestal!

A biografia de Miriã nos faz lembrar sempre os perigos da inveja, da porfia e da ambição. Existem cristãos que gostam de se promover, mostrar seus dons de maneira orgulhosa ou criticar a liderança da Igreja. Isto é muito grave! Observe com tento as palavras de Moisés em Deuteronômio 24:9: “Lembrem-se do que o Senhor, o seu Deus, fez com Miriã no caminho, depois que vocês saíram do Egito”.

III. REVISTAMO-NOS DE BENIGNIDADE

1. Retirando as vestes velhas. Só evidenciamos verdadeira conversão quando retiramos de sobre nós as vestes velhas. O apóstolo Paulo exortou os crentes de Colossos a se despirem da velha natureza:

“5. Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;

6. por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência].

7.Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.

8. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.

9. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos” (Cl.3:5-9).

Devemos despojarmos das mortalhas da velha vida e deixá-las na sepultura, uma vez que:

- Nós morremos com Cristo (Cl.3:3a). Cristo não apenas morreu por nós (substituição), mas nós também morremos com Ele (identificação). Estávamos mais perto de Cristo do que os dois malfeitores que foram crucificados com Ele. Estávamos na cruz do centro. Na cruz, Cristo não apenas pagou a nossa dívida com Sua morte, mas também quebrou o poder do pecado em nossa vida. O apóstolo pergunta: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm.6:2).

- Nós vivemos com Cristo (Cl.3:4a). Cristo é a nossa vida. Paulo disse aos filipenses: “Para mim o viver é Cristo” (Fp.1:21). Aos gálatas, Paulo afirmou: “Não sou eu mais quem vive, mas é Cristo que vive em mim” (Gl.2:20). Algumas vezes dizemos de alguém: “a música é sua vida; o esporte é sua vida; fulano vive para trabalhar”. Os tais encontram a vida e tudo o que ela significa na música, nos esportes e no trabalho. Para o cristão, porém, Cristo é a vida; Jesus Cristo domina seu pensamento e preenche sua alma. A essência da vida eterna é conhecer a Cristo (João 17:3).

- Nós ressuscitamos com Cristo (Cl.3:1a). Nossa união com Cristo não é apenas em sua morte, mas também em sua ressurreição. Assim como ele ressuscitou, também ressuscitamos nele para vivermos em novidade de vida. O reinado da morte pelo pecado não tem poder mais sobre nós, uma vez que morremos e ressuscitamos com Cristo. É possível estar vivo e ainda viver na sepultura, porém, quando cremos em Cristo, Ele nos tira da sepultura e nos transporta para os lugares celestiais, onde está assentado à destra de Deus.

2. Colocando vestes novas. Paulo acabara de ordenar aos cristãos a despojar-se e despir-se das mortalhas do velho homem; agora, ordena-os a revestir-se das roupagens do novo homem. Exorta o apóstolo Paulo: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” (Cl.3:12).

"Revesti-vos". O verbo está no imperativo, mostrando que, de uma vez e para sempre, os cristãos deviam tomar como vestimenta as virtudes cristãs. O novo homem precisa exibir vestes novas, as vestes dos filhos do Rei. Vida cristã não é algo que construímos pelos nossos méritos e esforços, mas o resultado daquilo que Deus fez por nós em Cristo Jesus. Agora pertencemos à família de Deus e devemos viver nela de modo digno de Deus.

Paulo oferece uma lista de virtudes que devem ornar a vida do cristão: ”entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade”.  Observe que nesta lista está incluída a “Benignidade”, que é o Fruto do Espírito que estamos tratando nesta Aula.

Na tradução Almeida Revista Atualizada aparece a palavra “Bondade” no lugar de “Benignidade”. Ser bom é ser benevolente para os outros como Deus tem sido para nós. A bondade toma a iniciativa em responder generosamente às necessidades dos outros; ela é expressa em atitudes e atos; denota o espírito amigável e ajudador que procura suprir as necessidades dos outros mediante atos generosos.

Barnabé é chamado de homem bom; ele estava sempre investindo na vida das pessoas: investiu na vida de Paulo, dos cristãos pobres de Jerusalém e mais tarde na vida de João Marcos (cf. At.4:36,37; 15:37).

Uma demonstração clara de Benignidade, ou Bondade, pode ser vista, também, na vida de Isaque, o homem que cavava poços e os entregava aos seus contendores, porque não queria litigar com eles (cf. Gn.26:17- 25).

Lembre-se, o cristianismo é mais do que a mera aceitação de doutrinas ortodoxas; é principalmente um relacionamento correto com Deus e uns com os outros (Tg.1:27). Como filhos de Deus, precisamos nos revestir de vestes novas, ou seja, novas atitudes, a fim de anunciar ao mundo a Benignidade de Deus (1Pd.2.9). Sede, portanto, benignos!

3. Imitando a conduta de Paulo. O apóstolo Paulo tinha uma vida ilibada, e como líder, era um exemplo para os crentes de sua época. Sua maneira de viver era tão santa que ele desafiou os crentes a serem seus imitadores - “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1Co.11:1). Ser santo é ser separado do mundo para Deus. Assim como a cerimônia de casamento separa um homem e uma mulher um para o outro de modo exclusivo, a salvação separa o cristão exclusivamente para Jesus Cristo. E, da mesma forma que seria escandaloso ver uma mulher casada ou um homem casado correr para os braços de outra pessoa, também é um escândalo um cristão viver para o mundo ou para agradar a carne. Não podemos nos esquecer de que ser cristão é ser semelhante a Cristo.

Jesus deve ser o padrão para o nosso viver; Ele tinha uma vida social intensa: ia a casamentos (João 2:1-12), jantares na casa dos amigos (João 12:1-11), mas não se deixou seduzir pelas coisas desse mundo. Tirados do mundo mesmo estando geograficamente no mundo, somos propriedades exclusiva de Deus (1Pd.2:9). Fomos comprados por um alto preço e agora não somos de nós mesmos (1Co.6:19,20). Somos feitos santos aos olhos de Deus por causa do sacrifício de Cristo na cruz, ainda que a santidade seja um alvo progressivo da salvação. Portanto, assim como Paulo seguia o exemplo de Jesus, nós também precisamos também seguir o exemplo do Mestre e nos tornarmos semelhantes a Ele: Benigno.

CONCLUSÃO

Se realmente desejamos expressar um cristianismo vivo, autêntico, precisamos excluir do nosso meio as porfias, pois são obras da carne e maculam o corpo de Cristo. O único antídoto para não cairmos na cilada da Porfia é firmarmos um compromisso verdadeiro de imitar a Cristo em tudo, assim como fez Paulo. A Benignidade de Cristo é para ser imitada por nós, como pede o apóstolo:

“Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef.4:31-32; 6:1,2).

-------

Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Benignidade e Bondade, o fruto gêmeo.PortalEBD_2005.