domingo, 23 de junho de 2019

Aula 13 – O SACERDÓCIO CELESTIAL – Subsídio


2º Trimestre/2019

Texto Base: Hebreus 9:11-15; Apocalipse 21:1-4

“Porque nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus” (Hb.7:26).
“Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito, porque, sendo Ele a Oferta e o Ofertante, garantiu-nos, no Calvário, uma salvação eficaz e eterna”.
Hebreus 9:11-15
11-Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
12-nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
13-Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne,
14-quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
15-E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
Apocalipse 21:1-4
1-E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2-E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
3-E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.
4-E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas.

INTRODUÇÃO

Pela graça de Deus, chegamos ao final de mais um trimestre letivo. Tivemos o privilégio de caminhar dentro do Tabernáculo e entender o processo de nossa salvação. De tudo o que estudamos até a presente Aula, podemos dizer que o Tabernáculo levítico é um tipo do “Tabernáculo Celestial”, e Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote desse Tabernáculo Celestial, em que a Sua Igreja é constituída de sacerdotes. O antigo santuário terreno, com seu complexo sistema de ritos, dera lugar a um novo santuário, o celestial, onde o próprio Jesus oficia como Sumo Sacerdote. Mas Ele não é apenas um Sumo Sacerdote, Ele é o Sumo Sacerdote-Rei, que está assentado à destra do Pai para interceder pelo seu povo (Rm.8:34).

I. O SACERDÓCIO CELESTIAL TEM UM ÚNICO SUMO SACERDOTE

No livro do Êxodo constam as instruções dadas por Deus a Moisés para a construção do Santuário (Êx.25:1-9). As recomendações dadas a Moisés, conforme expõe o registro sagrado, eram destinadas à construção de um santuário, onde Deus habitaria com eles (Êx.25:8). Essa era, portanto, a finalidade terrena do Tabernáculo móvel e era nesse Tabernáculo que tanto os sacerdotes como o sumo sacerdote exerciam seus ministérios. Todavia, foi no Santuário Celestial que Cristo entrou para oficiar, como Sumo Sacerdote, em nosso favor. Para o escritor aos Hebreus, esse Tabernáculo é o próprio Céu, que é chamado de "verdadeiro Tabernáculo" por pertencer a dimensão celestial.

1. Cristo: o Sumo Sacerdote da Nova Aliança

Os sacerdotes de Israel eram apenas sombras do nosso grande Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Algumas referências bíblicas nos dão uma compreensão da perfeição encontrada no caráter sacerdotal de Cristo:
a) Como Sacerdote, Cristo foi designado e escolhido por Deus Pai (Hb.5:5). Cristo foi constituído Sumo Sacerdote pelo Pai desde a eternidade. Realizou seu ministério de acordo com um propósito eterno. Todo sumo sacerdote procedia da tribo de Levi e da família de Arão; esse ministério era hereditário e sucessivo. Cristo, porém, não foi sacerdote da mesma ordem. Ele era da tribo de Judá. Por isso, não pertencia à classe sacerdotal levítica. Foi constituído sacerdote de uma ordem eterna, a ordem de Melquisedeque.
"Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei".
b) Como Sacerdote, Cristo foi consagrado com um juramento (Hb.7:20-21). O sacerdócio araônico foi instituído por lei divina; o sacerdócio de Cristo, por juramento divino. Uma lei pode ser anulada, um juramento dura para sempre. O sacerdócio de Cristo não vem de uma linhagem humana, mas do juramento divino. Os sacerdotes precisavam provar que pertenciam à tribo de Levi (Ne.7:63-65) e preencher os requisitos físicos e cerimoniais (Lv.21:16-24). O sacerdócio de Cristo, porém, foi estabelecido com base em sua obra vicária na cruz, em seu caráter impoluto e no juramento de Deus (Sl.110:4).
"E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque)".
c) O sacerdócio de Cristo está fundamentado numa Aliança superior (Hb.7:22) - “de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” (Hb.7:22).
Cristo é o fiador de uma Nova Aliança - a Aliança firmada em seu sangue. O termo “fiador” significa aquele que garante que os termos de um acordo serão cumpridos. Judá se dispôs a servir de fiador para Benjamim, a fim de garantir ao pai que o menino voltaria para casa em segurança (Gn.43:1-4). Paulo se dispôs a servir de fiador para o escravo Onésimo (Fm.18:19).
Jesus é o fiador da Nova Aliança no sentido de que Ele mesmo é a Garantia. Por meio de sua morte, sepultamento e ressurreição, Ele proveu uma base de justiça sobre a qual Deus pode cumprir os termos da Aliança. Seu eterno sacerdócio também está vitalmente ligado ao infalível cumprimento dos termos da Aliança. Como nosso representante diante de Deus, Ele cumpre perfeitamente os termos da lei em nosso nome. Jamais seríamos capazes, por conta própria, de cumprir esses termos; mas, uma vez que cremos nele, ele nos salvou e garantiu que nos guardará.
d) O sacerdócio de Cristo é demonstrado pela sua atividade permanente (Hb.7:23-25). Os sacerdotes da ordem levítica não eram apenas imperfeitos, mas também tinham seu ministério interrompido pela morte.
Nenhum sacerdote em Israel viveu para sempre. Uma geração de sacerdotes dava lugar à próxima geração. Enquanto novos sacerdotes entravam, os mais antigos estavam se aposentando ou morrendo. Permanecia o sacerdócio, mas não havia um sacerdote específico de quem se pudesse depender o tempo todo.
O ministério de Cristo, porém, é perfeito e dura para sempre, pois ele morreu pelos nossos pecados, venceu a morte, ressuscitou para a nossa justificação, voltou ao Céu e está à destra do Pai intercedendo por nós. Ele vive para sempre (Ap.1:18); isso quer dizer que, quando nos aproximamos de Deus por meio dele, ele está sempre presente, sempre à disposição e jamais se ausenta. Sua presença no Céu como representante do pecador é garantia de que ninguém que nele confia será rejeitado. É sempre bem-sucedida e permanente a sua intercessão em favor dos fracos e falhos pecadores. Sua morte vicária foi consumada na cruz, mas seu ministério sacerdotal continua no Céu. Ele é o Advogado, o Justo (1João 2:1). Nenhuma condenação prospera contra aquele que está em Cristo, pois ele morreu, ressuscitou e está à destra de Deus, de onde intercede por nós (Rm.8:1,34,35). Ele é o único Mediador - "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1Tm.2:5).
 "E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer; mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles".
e) O Seu oferecimento é perfeito e definitivo (Hb.7:26-28). Os sacerdotes levitas precisavam oferecer sacrifícios primeiro por si mesmos, pois eram pecadores. Mas Jesus é o sacerdote perfeito, santo, inculpável, separado dos pecadores. Ele é o sacerdote perfeito que não precisou oferecer oferta por si mesmo. Ele é a oferta perfeita e o ofertante perfeito. Nele, não havia pecado; ao contrário, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre”.

2. Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote no Céu

Atente para o seguinte texto sagrado:
“Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb.8:1,2).
Veja neste texto algumas preciosas características da superioridade do sumo sacerdócio de Cristo.
a) A dignidade superior da Pessoa de Cristo – “Ora, a suma do que temos dito é que temos um tal sumo sacerdote...”.
A expressão “sumo sacerdote tal” faz referência à dignidade de Cristo e a glória de Sua pessoa. Ele é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e mais sublime que os céus (Hb.7:26). Os sacerdotes da ordem levítica eram homens imperfeitos, realizando sacrifícios imperfeitos, em favor de homens imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito, ofereceu um sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar para sempre homens imperfeitos.
b) A dignidade superior da Posição de Cristo – “...que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade...”.
Na ordem levítica, um sacerdote não podia exercer a realeza nem o rei podia assumir o papel de sacerdote. Altar e trono estavam separados. Mas, Jesus, segundo a ordem de Melquisedeque, é tanto rei como sacerdote. Como Sacerdote, ele ofereceu a si mesmo na cruz, como o sacrifício perfeito; e, como Rei, ele foi exaltado, entronizado e está à destra da Majestade nos céus.
"Sentar-se" era frequentemente uma característica de honra ou autoridade no mundo antigo: um rei se sentava para receber seus súditos; uma corte se sentava, para julgar; e um professor sentava-se, para ensinar. O livro de Apocalipse, em particular, descreve Deus assentado no trono (Ap.4:2,10; 5:1,7,13; 6:16; 7:10,15; 19:4; 21:5), e Jesus como compartilhando esse trono (Ap.1:4,5; 3:21; 7:15-17; 12:5). O trono de Deus e o santuário (o verdadeiro tabernáculo) colocam o Rei e o Sumo Sacerdote juntos no mesmo lugar.
Portanto, Jesus não ministra no tabernáculo ou no templo, que são sombras terrenas da realidade celeste. Ele ministra na própria realidade celestial, na habitação do próprio Deus. Ele voltou aos Céu (Hb.4:14), foi feito mais alto do que os céus (Hb.7:26) e assentou-se à destra do trono da Majestade nos céus (Hb.8:1). Glórias sejam dadas a Ele!
c) A dignidade superior do Ministério de Cristo – “...ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”.
Os sacerdotes da tribo de Levi ministravam numa tenda feita pelo homem, um tabernáculo terreno, sombra do verdadeiro tabernáculo celestial, erigido por Deus, e não pelo homem (Hb.9:24). Deus deu a Moisés uma cópia do tabernáculo verdadeiro (Êx.25:9,40; 26:30). A cópia estava na terra; mas o verdadeiro tabernáculo está no Céu. O tabernáculo e o trono estão interligados.
O profeta Isaías diz que viu o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo (Is.6:1). Nenhum sacerdote jamais foi exaltado à destra de Deus nem se assentou no trono à mão direita de Deus Pai. Embora Jesus tenha consumado sua obra de redenção na cruz, continua como nosso Advogado junto ao Pai (1João 2:1). Do tabernáculo de Deus, no Céu, fluem bênçãos que ultrapassam quaisquer bênçãos do sistema sacrificial levítico.

3. O sacerdócio coletivo dos cristãos

Jesus é o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, e os cristãos são seus sacerdotes (1Pd.2:9; Ap.1:6; 5:10).
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real...” (1Pd.2:9).
“Aquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, poder e glória para todo o sempre. Amém” (Ap.1:5,6).
O Sacerdote Celestial está conosco; nEle somos o sacerdócio real, o Corpo de Cristo chamado para servir. No Sacerdócio Celestial de Cristo é que está fundamentado o sacerdócio universal dos crentes.
Note que todos os crentes são sacerdotes, e não uma só pessoa de uma tribo especifica. Na Nova Aliança não existe mais a figura do sacerdote, que, na Antiga Aliança, era o mediador entre o povo e Deus. O pastor não é sacerdote, ele é despenseiro; despenseiro é aquele que cuida da despensa. E dentro dessa despensa existem ovelhas (filhos de Deus – a igreja), e essas ovelhas tem dono, seu nome é Jesus Cristo, o nosso Sumo Pastor (1Pd.5:4).
Portanto, hoje, a mediação entre Deus e o ser humano não se aplica a nenhum indivíduo, senão ao próprio Cristo, que se constituiu Sumo Sacerdote do povo redimido. Na Nova Aliança, Cristo é o único mediador entre nós e o Pai Celeste (1Tm.2:5).

II. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DA IGREJA

Sacerdote é o que se coloca diante de Deus no lugar do homem, levando suas necessidades à presença dAquele que pode intervir miraculosamente na vida da raça humana.
A Igreja é o corpo de Cristo (1Co.12:27; Ef.4:12), e esta figura bíblica nos fala de que cabe à Igreja, na atual dispensação, iniciada com a subida de Cristo aos céus e a vinda do Espírito Santo para não deixar a Igreja órfã (Jo.14:18), continuar e ampliar as obras feitas por Jesus em Seu ministério terreno (Jo.14:12), de modo que a Igreja tem o dever de exercer os três ofícios que eram exercidos pelo Senhor Jesus. Assim, a Igreja é a portadora legítima e exclusiva dos ministérios profético, sacerdotal e real.

1. A Igreja, que é formada de sacerdotes, tem como Sumo Sacerdote o Senhor Jesus

Jesus é descrito nas Escrituras como o bom Pastor, o Pastor Supremo (João 10:11; 1Pd.5:4), Rei (Ap.19:16; Atos 2:29-36), Profeta (Dt.18:17-19; Atos 3:22-23; Lc.13:33), Mediador (Hb.8:6; 1Tm.2:5), Salvador (Ef.5:23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus desempenha no plano da salvação. Contudo, a mais completa descrição de Jesus com respeito a sua obra redentora seja a de Sumo Sacerdote (Hb.5:10).
“Sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.
O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, foi imolado. Agora, uma nova ordem perpétua foi inaugurada. Cristo é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ele morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou segundo as Escrituras (1Co.15:3). Sua morte não foi um acidente nem sua ressurreição foi uma surpresa. Ele está no Céu intercedendo por nós, por isso pode salvar-nos totalmente (Hb.7:25).
Como Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, Ele é maior que o sacerdócio do Antigo Testamento (Hb.4:14,15), porque está ligado a uma Nova Aliança (Hb.8:6-13) e ao culto do templo celestial (Hb.9:1-28).
Portanto, o sacerdócio de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque, é a consumação do sacerdócio levítico. Aquele era temporário e transitório, este é permanente e eterno; aquele era sombra, este é a realidade.

2. A Igreja foi chamada a exercer o sacerdócio

Pedro denominou a Igreja como sendo “o sacerdócio real” que tem como finalidade “anunciar as virtudes daquele que chamou a Igreja das trevas para a maravilhosa luz de Jesus” (1Pd.2:9), sendo corroborado por João que nos diz, no Apocalipse, que Jesus nos fez “reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai” (Ap.1:6); reis e sacerdotes que, a exemplo do próprio João, testificam da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo e de tudo o que têm visto (Ap.1:2). A Igreja deve exercer, na qualidade de corpo de Cristo, os ofícios sacerdotal, real e profético. 
Ocupar a função sacerdotal implica necessariamente em ministrar a Deus a favor dos homens. É verdade que todos têm acesso a Deus, através de Cristo Jesus, porém, é também verdade que a Bíblia nos exorta a orar uns pelos outros e fazer súplicas e intercessões por todos os homens. É um imperativo, um chamado, um dever, um privilégio.
Todavia, é válido ressaltar que o papel da Igreja não é o perdão dos pecados, muito menos a mediação entre Deus e os homens, como, equivocadamente, defendem alguns segmentos religiosos, como o catolicismo romano ou o mormonismo. O sacerdócio da Igreja não é o sumo sacerdócio, que é exclusivo de Cristo. Por isso, é falso o ensino a respeito do chamado “sacerdotalismo”, ou seja, a ideia de que, entre os fiéis, existem dois tipos de pessoas: os “sacerdotes”, estabelecidos para fazer a mediação entre Deus e os homens e os “leigos”, meros integrantes da Igreja.

3. Como sacerdotes, a Igreja deve exercer a Adoração, a Intercessão, a Santificação e o ensino da Palavra de Deus.

a) O exercício da Adoração. Cabe aos sacerdotes a responsabilidade pela oferta de sacrifícios, não mais sacrifícios pelo pecado, vez que Jesus removeu, com seu único sacrifício o pecado, mas de sacrifícios pacíficos ou “ofertas pacíficas”, que é o nosso “culto racional” (Rm.12:1), como também o nosso louvor (Os.14:2; Hb.13:15).
É importante que tenhamos uma liturgia apropriada e adequada em nossas reuniões, como também devemos ter uma vida de sincera, genuína e verdadeira adoração ao Senhor, para que não venhamos a ser reprovados como foram os filhos de Arão, que, por apresentarem fogo estranho perante o Senhor, foram mortos (Lv.10:1-3), algo que continua a ocorrer nos nossos dias (1Co.11:29,30), visto que, como a Igreja é um povo espiritual, a morte dos sacerdotes também é espiritual e não física, como se deu no caso de Nadabe e Abiú.
b) O exercício da Intercessão. “Interceder” significa “intervir a favor de alguém, pedir, rogar, suplicar”, palavra que vem do latim “intercedo”, cujo significado é “interpor-se, mediar”.  É tarefa da Igreja pôr-se entre cada membro seu e o Senhor, entre cada ser humano e o Senhor, pedindo o favor do Senhor para aquela pessoa em favor de quem se intercede, seja esta pessoa salva, ou não.
A Igreja é convocada para orar por si mesma (26:41; Lc.22:40), uns pelos outros (Tg.5:16), pela paz em Jerusalém (Sl.122:6), pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28), pelos ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18), como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens (1Tm.2:1).
Portanto, a intercessão é uma tarefa que incumbe à Igreja que se encontra nesta dimensão terrena. Aqueles que partiram para a eternidade não podem interceder por pessoa alguma que está sobre a face da Terra (Ec.9:10), pois não há comunicação entre mortos e vivos, como Jesus deixou bem claro ao nos contar a história do rico e de Lázaro (Lc.16:19-31). É falso, portanto, o ensino de que os crentes promovidos à glória possam interceder a favor dos salvos, como ensina, por exemplo, o catolicismo romano.
c) O exercício da Santificação. Os sacerdotes precisam ser santos (Lv.21:7). A Igreja é uma nação santa (1Pd.2:9) e, por isso, tudo quanto é levado até o altar tem de ser santo (Ag.2:12-15).
A Igreja precisa continuamente se santificar (Ap.22:11), devendo, para tanto, meditar de dia e de noite na Palavra de Deus, que a santifica (João 17:17), como, também, continuamente se deixar à disposição do Espírito Santo (2Ts.2:13; 1Pd.1:2), além de manter uma vida de oração (1Tm.4:5).
d) O exercício do ensino da Palavra. Cabe aos sacerdotes a instrução do povo de Deus (2Cr.17:7-9; Ed.7:6,10; Ne.8:7,8). Assim, toda a Igreja deve se dedicar ao ensino da Palavra (Cl.3:16), mas, especialmente, os pais em relação aos filhos (Dt.6:6-9) e os pastores e mestres nas igrejas locais (At.6:2,4; Ef.4:11; 1Tm.3:2).

III. O MAIOR E MAIS PERFEITO TABERNÁCULO

O Céu é o maior e o mais perfeito Tabernáculo. Cristo serviu e serve neste Tabernáculo. Ele é o Sumo Sacerdote eterno e perfeito.
“Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus” (Hb.9:24).
O Tabernáculo e o Templo terrenos eram sombras imperfeitas do verdadeiro e perfeito lugar de adoração: o Santuário Celestial (Hb.8:5). Os caminhos “antigos” do sacerdócio judeu não mais existem, eles foram substituídos por Jesus, que é o Caminho, a Verdade, e a Vida (João 14:6). Antes da vinda de Cristo, o sumo sacerdote só podia entrar em um lugar especial, o Santo dos Santos, para estar na presença de Deus. Hoje, através da oração, nós podemos entrar na sala do trono, no Céu, e um Dia nós viveremos eternamente na presença do Senhor.

1. O Santuário terrestre

O Santuário terrestre era transitório; foi feito por mãos humanas.
Os sacerdotes do santuário terrestre ministravam apenas as sombras ou imagens das coisas celestiais; Cristo ministrou a própria substância que lançava aquelas sombras - a vida e a luz eterna.
Os sacerdotes do santuário terrestre ofereciam o sangue de animais; Cristo ofereceu o próprio sangue.
Os sacerdotes do santuário terrestre entravam no santuário muitas vezes porque ofereciam o sangue de animais pelos pecados do povo; Cristo entrou de uma vez por todas porque ofereceu o seu próprio sangue.
O ministério dos sacerdotes do santuário terrestre era contínuo e insuficiente; o de Cristo foi único e obteve redenção eterna para nós.
Os sacrifícios do santuário terrestre eram isentos de mácula apenas física; Cristo entregou-se a si mesmo sem mancha a Deus, isento de toda mácula moral e espiritual. Ele não conheceu pecado. As bênçãos advindas por meio do santuário terrestre eram temporais; as que Cristo oferece são espirituais e eternas.

2. O Santuário Celestial

Este Santuário não foi feito por mãos humanas (Hb.8:2; 9:11). Neste santuário, Deus habitará para sempre com os seus filhos (Ap.21:3).
“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb.9:11).
Os sacerdotes da ordem de Levi entravam no santuário feito por Moisés, obra das mãos de homens, mas Cristo, o Sumo Sacerdote da ordem de Melquisedeque, entrou no Santuário Celestial, não feito por mãos humanas.
“Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb.8:1,2).
Por isso, o Santuário Celestial é infinitamente muito superior ao terreno, porque o Cristo exaltado é o Sumo Sacerdote desse santuário. Ele serve assumindo o seu lugar de direito como nosso Salvador e Mediador. Aliás, Ele é o único mediador entre Deus e o ser humano (1Tm.2:5). Nesse Santuário celeste, habita a plenitude da divindade.

3. O sacrifício perfeito de Cristo

Jesus claramente exerceu o papel de Sumo Sacerdote da Nova Aliança sobre a terra, quando ofereceu a si mesmo como o perfeito sacrifício por nossos pecados; mas, foi trazido à vida novamente para exercer a função de Sumo Sacerdote para sempre, servindo no Santuário Celeste, à mão direita de Deus Pai (Hb.8:1,2).
Os sacerdotes da ordem levítica eram homens imperfeitos, realizando sacrifícios imperfeitos, em favor de homens imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito, ofereceu um sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar para sempre homens imperfeitos.
Portanto, Jesus não é apenas o sacerdote perfeito, mas ofereceu o sacrifício perfeito e eterno. Ele é a própria oferta. Ele é o próprio sacrifício. Ele entregou a si mesmo, como oferta pelo nosso pecado. Sua oferta foi perfeita, completa e eficaz.
Resta afirmar, portanto, que, sendo Jesus Cristo o nosso Sumo Sacerdote, nunca haverá um tempo em que, ao nos aproximarmos de Deus, seremos rejeitados. Consequentemente, desviar-se de Cristo é uma consumada tolice, e a apostasia, a mais incontroversa loucura.
“porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados. mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus” (Hb.10:4,12).

CONCLUSÃO

O Tabernáculo mosaico findou-se. Agora temos um Santuário superior e irremovível, um sacrifício perfeito e uma salvação definitiva e perenal. Na Antiga Aliança, somente o sumo sacerdote podia entrar uma vez por ano no Santo dos Santos, mas nós, por causa do sangue de Cristo, podemos ter intrepidez para entrar livremente no Santo dos Santos, ou seja, na presença de Deus. A santidade de Deus não nos mantém do lado de fora. Podemos entrar porque a penalidade que merecíamos foi carregada por Cristo na cruz quando ele padeceu e morreu por nós. Existe acesso irrestrito a todo aquele que foi lavado no sangue de Cristo. Com a morte de Cristo, o Véu foi rasgado de alto a baixo, e o caminho para Deus foi aberto (Hb.10:20). Esse caminho é um novo e vivo caminho. Esse caminho não é um ritual, uma cerimônia ou uma liturgia, mas uma Pessoa. Esse caminho é Jesus (João 14:6). Glórias a Deus!
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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 78. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.
Leo G. Cox - O Livro de Êxodo - Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.
Elienai Cabral. O Tabernáculo – Símbolos da Obra redentora de Cristo. CPAD.
Alvin Sprecher. Estudo Devocional do Tabernáculo no Deserto. CPAD.
Abraão de Almeida. O Tabernáculo e a Igreja. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Hebreus – a superioridade de Cristo.


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