segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Aula 12 – OS PECADOS DE OMISSAO E DE OPRESSÃO


3º Trimestre_2014

 
Texto Base: Tiago 4:17; 5:1-6

 
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado” (Tg 4:17)

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos a respeito dos pecados de omissão e de opressão. Veremos a contundente reprimenda de Tiago à opressão dos ricos contra os pobres. Segundo Tiago, os ricos exploravam os pobres (Tg 2:5,6). No ambiente de Tiago, podemos pensar particularmente em senhores de terras judeus da região palestina, que possuíam grandes áreas e estavam preocupados somente com o lucro que poderiam obter de suas terras. Tiago ousa anunciar a condenação desses ricos proprietários de terras (Tg 5:1) e justifica tal condenação com base no acúmulo egoísta de riquezas (Tg 5:2,3), na fraude contra os que trabalhavam para eles (Tg 5:4), na vida autoindulgente que levavam (Tg 5:5) e na opressão que mantinham contra “o justo” (Tg 5:6).

Qual o propósito de Tiago pregar esta mensagem de denúncia contra não-cristãos, numa Epístola endereçada à Igreja? Por dois propósitos principais: Primeiro, para que os fiéis, ouvindo sobre o miserável fim dos ricos, não invejem sua fortuna; Segundo, para que os fiéis, sabendo que Deus será o vingador dos males que sofreram, possam com calma e resignação suportá-los. Seguramente, esta mensagem de Tiago é, também, para os dias de hoje.

I. O PECADO DE OMISSÃO (Tg 4:17).

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

1. A realidade do pecado. Um Dia o ser humano resolveu voluntariamente desobedecer a Deus (Gn 3:1-24). Então, o pecado tornou-se uma realidade fatal. Ao pecar, o homem tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn 4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef 1:4; Ap 13:8). Este plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem (Gn 3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo (João 1:29;Gl 4:4,5).

O pecado foi uma atitude do homem contra o propósito para ele estabelecido por Deus. Deus havia determinado a obediência à Sua Palavra, às Suas ordens, mas o homem, dotado que era de liberdade, não observou a ordem dada por Deus e, por conseguinte, o homem desviou-se do critério estabelecido pelo Senhor e o resultado disto foi o fracasso espiritual, a separação entre Deus e o homem, pois o que faz divisão entre Deus e o homem é, precisamente, o pecado (Is.59:2).

Este sentido do pecado, aliás, fica realçado pela terminologia que as Escrituras utilizam para se referir ao pecado, a saber:

a) transgressão (Hb 2:2) – o pecado é uma transgressão, ou seja, é um desvio de uma norma estabelecida por Deus ao homem.

b) impiedade (Rm 1:18) – o pecado é impiedade, ou seja, uma demonstração de falta de amor e de piedade para com Deus. Jesus mesmo disse que amar a Deus é, sobretudo, obedecer a Deus (Jo.15:14).

c) injustiça (Rm 1:18) – o pecado é injustiça, ou seja, um procedimento contrário à justiça. Ora, a Bíblia diz que Deus é nossa justiça (Jr.33:16), de modo que o pecado é uma ofensa contra o Senhor.

d) desobediência (Hb 2:2) – o pecado é desobediência, insubmissão, rebelião contra o Senhor. É o contrário à obediência.

e) iniquidade (1João 5:17) – o pecado é o contrário à equidade, à justiça distributiva. O pecado é uma atitude que contraria a ordem estabelecida por Deus, que foge aos parâmetros estatuídos pelo Senhor.

Percebemos, portanto, que o pecado não é uma ilusão, como se tem dito ultimamente, nem tampouco uma invenção proveniente de uma tradição religiosa, mas uma pura realidade. O pecado é um gesto de rebelião contra Deus, o mau exercício da liberdade de que o homem foi dotado quando de sua criação.

2. O pecado de comissão (Gn 3:17-19). A partir da realidade do pecado, algumas formas de pecados podem ser verificadas nas Escrituras. Uma delas é o pecado da comissão, ou seja, realizar aquilo que é expressamente condenado por Deus. A pessoa sabe que é proibido, mesmo assim comete o pecado.

Conhecimento implica em responsabilidade. As pessoas conhecem a vontade de Deus, mas deliberadamente a desobedecem. Nosso pecado torna-se mais grave, mais hipócrita e mais danoso do que o pecado de um incrédulo ou ateu. Mais grave porque pecamos contra um maior conhecimento. Mais hipócrita porque declaramos que cremos, mas desobedecemos. O apóstolo Pedro diz: "Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2Pe 2:21).

Por que as pessoas que conhecem a vontade de Deus, deliberadamente a desobedecem?

Em primeiro lugar, por orgulho. O homem gosta de considerar-se o dono do seu próprio destino, o capitão da sua própria alma. Os gentios, como todos sabemos, são o resultado da comunidade pós-diluviana que se instalou em Babel e que, ali, se rebelou contra Deus. Ora, todos eles tinham, naquela comunidade, pleno conhecimento de Deus, tanto que resolveram construir “…uma torre cujo cume toque nos céus, e nos façamos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Gn 11:4b). Isto é uma clara demonstração de que tinham conhecimento de que havia um Deus no céu e que pretendiam construir uma vida independente de Deus.

Em segundo lugar, pela ignorância da natureza da vontade de Deus. Muitas pessoas têm medo da vontade de Deus. Pensam que Deus vai fazê-las miseráveis e infelizes. Mas a infelicidade reina onde o homem está fora da vontade de Deus. O lugar mais seguro para uma pessoa estar é no centro da vontade de Deus.

O que acontece àqueles que deliberadamente desobedecem a vontade de Deus? Eles são disciplinados por Deus até se submeterem (Hb 12:5-11). Eles perdem recompensas espirituais (1Co 9:24-27). Enfim, eles sofrerão consequências sérias na vinda do Senhor (Cl 3:22-25).

3. O pecado de omissão (Tg 4:17).Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

Tiago diz que quem sabe fazer o bem e o não faz comete pecado. O que seria o “bem” aqui? Que pecado de omissão é este? É não levarmos Deus em consideração. “Fazer o bem” significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dEle a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. É evidente que o princípio tem uma aplicação mais ampla. Em todas as áreas da vida, temos a responsabilidade de fazer o bem sempre que surge a oportunidade. Se sabemos o que é certo, temos a obrigação de viver de acordo com esse conhecimento. A negligência é pecado contra Deus, nosso próximo e nós mesmos.

II. O PECADO DE ADQUIRIR BENS À CUSTA DA EXPLORAÇÃO ALHEIA (Tg 5:1-3)

O Rev. Hernandes Dias Lopes disse: “O dinheiro é o maior deus deste mundo. Por ele as pessoas roubam, mentem, corrompem, casam-se, divorciam-se, matam e morrem. O dinheiro é mais do que uma moeda, ele é um espírito, um deus, ele é Mamom. Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro. Ele é o mais poderoso dono de escravos do mundo. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. Não é pecado ser rico. A riqueza é uma bênção. Davi disse que riquezas e glórias vêm de Deus (1Cr 29:12). Moisés disse que é Deus quem nos dá sabedoria para adquirirmos riqueza (Dt 8:18)”. O problema é colocar o coração na riqueza (Sl 62:10). A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro (1Tm 6:10).

1. O julgamento divino sobre os comerciantes ricos (Tg 5:1). “Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir”.

Tiago conclama os ricos a chorar, lamentando pelas desventuras que estavam prestes a lhes sobrevir. As palavras “chorai e pranteai” eram frequentemente usadas no Antigo Testamento pelos profetas para descrever a reação dos ímpios quando o Dia do Senhor (o dia do juízo de Deus) chegasse (veja Is 13:6; 15:3; Am 8:3).

Em breve, os ricos iníquos se encontrariam com Deus e se encheriam de vergonha e remorso. Veriam que tinham sido mordomos infiéis e chorariam pelas oportunidades perdidas. Lamentariam a cobiça e o egoísmo. Seriam convencidos das injustiças que haviam cometido contra seus empregados. Veriam a pecaminosidade de ter buscado segurança nos bens materiais, e não no Senhor. E derramariam lágrimas amargas pelo modo desenfreado com que haviam satisfeito todos os seus desejos. O alvo aqui são todos os ricos, crentes ou descrentes, que conduzem os seus negócios de maneira desonesta e opressora contra os menos favorecidos.

2. O mal que virá (Tg 5:2).As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça”.

Não atentando para a brevidade da vida e a transitoriedade dos bens materiais, os ricos orgulham-se e confiam na quantidade de bens que possuem (Jr 9:23; 1Tm 6:9,17). Tiago diz que a instabilidade das riquezas é a advertência mais evidente das “misérias” futuras dos ricos. As riquezas que estão “apodrecidas” e as roupas que se transformam em farrapos indicam a transitoriedade da vida. O seu dinheiro, a sua segurança e o seu luxo são equivalentes a coisas apodrecidas porque não lhes servirão para nada na eternidade.

Nada daquilo que é material permanecerá para sempre neste mundo. As sementes da morte estão presentes em tudo aquilo que está neste mundo. É uma grande tolice pensar que a riqueza possa trazer estabilidade permanente. Assim diz o apóstolo Paulo: "Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos" (1Tm 6:17). Além disso, a vida é passageira: "Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece" (Tg 4:14) e não podemos levar nada desta vida: "Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar" (1Tm 6:7). Jesus disse para o rico insensato: “insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"(Lc 12:20).

3. A corrosão das riquezas e o juízo divino (Tg 5:3). “O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias”.

Não há nenhum pecado em ser previdente, fazer investimentos, prover para si, para a família e para ajudar outros (2Co 12:14; 1Tm 5:8; Mt 25:27). Mas é pecaminoso acumular o que não é nosso. Os ricos referidos por Tiago ajuntavam o que deviam pagar aos trabalhadores. Anos depois, os romanos saquearam todos os seus bens e suas riquezas foram espoliadas. É uma grande tragédia uma pessoa ajuntar tesouros para os últimos dias e não ajuntar tesouros no Céu. Confiar na provisão e não no Provedor é um pecado. Quem assim age, vive corno se nossa pátria fosse a terra e não o Céu (Lc 12:15-21). Confiar na instabilidade da riqueza ou na transitoriedade da vida é tolice (Tg 4:14; 1Tm 6:17). A vida de um homem não consiste na quantidade de bens que ele possui (Lc 12:15).

III. O ESCASSO SALÁRIO DOS TRABALHADORES “CLAMA” A DEUS (Tg 5:4-6)

1. O clamor do salário dos trabalhadores (Tg 5:4). “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos”.

Aqui, Tiago condena a aquisição de riquezas obtidas pela retenção de salários. Os trabalhadores que ceifaram os campos foram privados do pagamento a que tinham direito. Mesmo que esses ceifeiros reclamassem, dificilmente seriam indenizados, pois não tinham quem defendesse sua causa com sucesso. Seus clamores, no entanto, chegaram aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Aquele que comanda as hostes no Céu defende o povo oprimido na Terra. O Senhor Deus Onipotente o socorrerá e vingará. Assim, a Bíblia condena não apenas o acúmulo de bens, mas também o enriquecimento por meios desonestos.

2. A regalia dos ricos que não temem a Deus cessará (Tg 5:5). “Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança”.

O que Tiago está condenando aqui é quando, nos nossos negócios, no tratamento com as demais pessoas, nós cristãos vivemos como pessoas do mundo na hora de fazer relacionamentos financeiros com as pessoas, na hora de olhar para vida e ver que o alvo da vida é simplesmente viver nos prazeres, viver regaladamente, engordar o coração, acumular riquezas. Tiago diz que estas riquezas serão testemunhas no Dia do juízo contra nós. Elas se levantarão no Dia do juízo como testemunha de acusação. Ele diz que essas pessoas estão engordando o coração para o dia de matança. Eles estão lá se banqueteando, mas na verdade, na linguagem do brasileiro, estão cevando um boi. Cevar um boi é engordá-lo. Você pega um boi e dá comida pra ele, então ele vai engordando, vai ficando cada vez mais gordo e ele diz: puxa, o meu patrão gosta muito de mim porque está me dando tanta comida! Só que o patrão está esperando o dia em que ele vai degolar o boi. Então, a figura aqui é do rico tendo o seu coração engordando para o dia da matança, aquele Dia em que Deus vai executá-lo. Deus está cevando o mundano. Ele está engordando os ímpios para aquele Dia, em que finalmente ele vai fazer justiça e juízo neste mundo.

3. O pobre não resiste à opressão do rico (Tg 5:6). “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu”.

Aqui, Tiago acusa os ricos de haverem condenado e matado o justo, sem que ele tivesse resistido a eles. É bem provável que as pessoas pobres que não podiam pagar as suas dívidas fossem lançadas na prisão ou forçadas a vender todas as suas posses. Sem meios de sustento, e sem oportunidades até mesmo para trabalhar para pagar suas dívidas, essas pessoas pobres e suas famílias frequentemente morriam de fome. Deus também considerava isto um assassinato. O pobre não tinha como resistir. O seu único recurso contra os ricos iníquos era clamar a Deus.

CONCLUSÃO

Deus não está alheio às injustiças que acontecem e, conforme assevera Tiago, aqueles que praticam maldades contra inocentes, que oprimem os outros, que promovem injustiças, receberão a sua paga inexoravelmente (Tg 5:1), ou ainda aqui na Terra ou na eternidade, caso não se arrependam dos seus nefandos atos.

Prezado irmão, se você está sofrendo alguma injustiça na sua vida, lembre-se: Deus não está blindado em um canto do Universo, surdo e cego, sem atentar para a sua causa. Não! Ele simpatiza com a sua causa. Ele não suporta a injustiça, e Ele sabe muito bem tudo o que você está passando. O Senhor dos Exércitos, isto é, aquele que peleja por nós, está ouvindo o seu clamor (Tg 5:4b). (1)

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

(1) Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aula 11 – O JULGAMENTO E A SOBERANIA PERTENCEM A DEUS


3º Trimestre/2014

 
Texto Base: Tiago 4:11-17

 
“Há só um Legislador e um Juiz, que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?” (Tg 4:12)

 

INTRODUÇÃO

Há duas questões essenciais que fazem parte do nosso cotidiano: o perigo de se fazer julgamento indevido contra pessoas e a capacidade de reconhecer os atos de Deus em nossos planos. Quem nunca emitiu um juízo de valor sobre uma atitude ou sobre a vida de outra pessoa? E quem nunca fez planos pessoais sem se lembrar de Deus? É sobre isto que trataremos nesta Aula.

I. O PERIGO DE COLOCAR-SE COMO JUIZ (Tg 4:11,12)

Tiago, mais uma vez, aborda a questão da fala e o cuidado com aquilo que falamos. Sabemos que é possível falar com as pessoas exortando-as, aconselhando-as e ensinando-as a serem melhores e estarem mais próximas de Deus. Mas também é possível falar mal das pessoas e atrair para si um duro julgamento.

1. A ofensa gratuita. É interessante que logo após a condenação do mundanismo (Tg 4:1-10), tratado na Aula 10, Tiago passa para os relacionamentos apropriados entre os crentes. Ele entra logo na questão da maledicência: declarar guerra contra os irmãos, usando a língua para falar mal uns dos outros. Para conseguir os nossos interesses, nós frequentemente julgamos os irmãos, falamos mal dos irmãos, porque queremos destruir sua reputação, sua eficácia, sua importância, para que assumamos o seu lugar, para que tenhamos alguma vantagem. Isto é tipo do mundanismo, a maledicência que nos torna juízes dos irmãos.

Falar mal é algo que pode ser feito de várias maneiras. Nós podemos falar a verdade sobre uma pessoa e ainda assim sermos desagradáveis, ou podemos espalhar mexericos que os outros não precisariam ficar sabendo. Podemos estar questionando a autoridade de alguém, ou anulando as suas boas obras por meio de calúnias. Isto, obviamente, destrói a harmonia entre os crentes (veja 2Co 12:20; 1Pe 2:1).

Segundo o pr. Eliezer de lira, “algumas pessoas parecem ter satisfação em destilar palavras que machucam. O que ganham com isso? Um ambiente incendiado por insinuações maldosas, onde elas mesmas passam a maior parte das suas vidas sofrendo e levando outros a sofrerem. Devemos evitar as ofensas e as agressões gratuitas, pois o “irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio” (Pv 18:19). As ofensas só trazem angústias, tristezas e desgraças”.

2. Falar mal dos outros e ser juiz da lei (Tg 4:11). “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz”.

De acordo com a lei régia do amor, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. Falar mal do irmão, ou julgar sem motivo, é opor-se a essa lei como se não tivesse valor. Transgredir a lei deliberadamente é uma forma de desrespeito e desprezo. Equivale a dizer que a lei não é boa nem digna de obediência.

Tiago, aqui, está tratando da lei real – a lei que liberta ou condena, a lei que deve ser observada. Ele diz que a lei está sendo atacada. O problema especifico que está sendo confrontado infringe o nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex  20:16). Ele também infringe a lei mais fundamental de Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39). Jesus designou este mandamento como sendo o segundo maior mandamento (Mc 12:31). Se um crente fala contra outro crente, ele fala mal da lei e julga a lei, porque não está mostrando amor e não está tratando os outros como gostaria de ser tratado. A sua desobediência mostra desrespeito pela lei, pois ele está julgando a sua legitimidade. Ao fazer isto, ele está se colocando acima de Deus. Quando julgamos os outros desta maneira difamadora, estamos claramente deixando de nos submeter a Deus.

3. O autêntico Legislador e Juiz pode salvar e destruir (Tg 4:12).Há só um Legislador e um Juiz, que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?”.

Há um só legislador (a origem da lei) e um Juiz (que faz a lei vigorar). Nós, que somos responsáveis diante da lei de Deus, não podemos nos colocar no lugar de Deus. Deus recompensa aqueles que obedecem à lei e destrói aqueles que a desobedecem. Disse Jesus: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10:28). Quem critica seu irmão e fala mal dele vai ter de acertar as contas com Deus, pois na prática está se colocando no lugar dEle. Portanto, Tiago remove qualquer direito que pudéssemos reivindicar de criticar o nosso próximo. Por trás do espírito de crítica, está uma atitude que usurpa a autoridade de Deus e que está repleta de orgulho. Não deve haver críticas ásperas e severas no corpo de Cristo.

Podemos pensar que simplesmente criticar um membro da igreja ou espalhar um mexerico pouco interessante não seja algo tão grave – especialmente em comparação com outros pecados. Mas a Bíblia vê isto como um pecado de suma gravidade, porque infringe a lei do amor e tenta usurpar a autoridade de Deus. Como estudamos na Aula 08 (Tg 3:1-12), a língua é um instrumento de pecado mortal. Não ousemos minimizar o perigo que ela representa.

Todavia, é bom ressaltar que Tiago 4:12 não proíbe a ação adequada de uma igreja contra um membro que está agindo em flagrante desobediência a Deus. Ele, como pastor principal em Jerusalém, sabia que a igreja tem o dever de agir de forma sistemática e direta em alguns momentos. Ananias e Safira foram julgados duramente por Deus, por intermédio de Pedro, e Paulo ordenou a exclusão do crente coríntio que tinha relações sexuais com a mulher do próprio pai (1Co 5:6). Há situações em que a igreja precisa ser enfática na forma como administra os erros de seus membros, sob pena de se igualar ao mundo. Claro que a disciplina sempre deve ter os objetivos de corrigir e reabilitar. Não podemos lançar no mundo uma pessoa que Jesus salvou, mas não podemos também compactuar com um pecado cometido, como se nada de errado houvesse ocorrido.

É claro que não é sobre esse tipo de julgamento que Tiago está falando. Na verdade, ele está preocupado com as palavras críticas que condenam ou julgam as ações dos outros e a sua posição perante Deus. Ele está confrontando as pessoas que poderiam ser tentadas a se colocar como cães de guarda, vigiando os outros crentes. Como você reagiria se soubesse que seu nome foi citado em uma conversa, sendo mal falado ou tendo sua imagem denegrida de forma indevida e injusta? Da mesma forma que você gostaria de ser tratado, deve igualmente tratar o seu próximo.

II. A BREVIDADE DA VIDA E A NECESSIDADE DO RECONHECIMENTO DA SOBERANIA DIVINA (Tg 4:13-15)

1. Planos meramente humanos (TG 4:13).Eia, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros”.

Tiago condena a atitude pecaminosa de quem planeja com presunção e autoconfiança sem levar em conta a vontade de Deus. Ele descreve um homem de negócios que traçou um plano completo para o futuro. Observe os detalhes. Ele considera o tempo (hoje ou amanhã); as pessoas envolvidas (nós); o lugar (cidade tal); a duração (passaremos um ano); a atividade (negociaremos) e o resultado esperado (teremos lucro). O que ficou faltando? Em nenhum momento ele pensa em Deus. Precisamos fazer planos para o futuro, mas se levarmos em consideração apenas a nossa vontade, estaremos pecando. 

2. A incerteza e a brevidade da vida (TG 4:14).Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece”.

Não é correto planejar como se o amanhã fosse certo. “Não digas [...] amanhã” (Pv 3:28). Não sabemos o que o dia de amanhã nos reserva.

- A incerteza da vida. O sábio escritor do livro de Provérbios, referindo-se à incerteza e a brevidade da vida disse: "Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que produzirá o dia" Pv 27:1). Esses negociantes estavam fazendo planos seguros para um ano, enquanto não podiam ter garantia de um dia sequer. Eles diziam: nós iremos, nós permaneceremos, nós compraremos e teremos lucro (Tg 4:13). Essa postura é a mesma que Jesus reprovou na parábola do rico insensato em Lucas 12:16-21. Aquele que pensa que pode administrar o seu futuro é tolo. A vida não é incerta para Deus, mas é incerta para nós. Somente quando estamos dentro da vontade de Deus é que podemos ter confiança no futuro.

- A brevidade da vida. A Bíblia tem muito a dizer sobre a brevidade da vida e a necessidade de nos prepararmos para a eternidade. Embora a maioria de nós viva como se fosse indestrutível, precisamos de uma nova consciência do fato de que a morte se acerca rapidamente para todos nós. A Bíblia tem muitas advertências sobre como devemos nos preparar para encontrar a Deus. O rico, com toda a sua fortuna, não consegue obter o perdão da sentença de morte que pende sobre todos os homens. O pobre não consegue mendigar nem um só dia extra de vida da "Dona Morte" que persegue todos os homens, do berço à sepultura. Tiago compara a duração da vida com um vapor (neblina): "O que é a tua vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece” (Tiago 4:14b).

O livro de Jó revela de forma clara a brevidade da vida: a) "Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão...” (Jó 7:6); b) “... nossos dias sobre a terra são uma sombra" (Jó 8:9); c) “... os meus dias são mais velozes do que um corredor" (Jó 9:25); d) "O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e cheio de inquietação. Nasce como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece" (Jó 14:1,2).

Moisés diz: “... acabam-se os nossos anos como um suspiro... pois passa rapidamente, e nós voamos" (Sl 90:9,10).

Na primeira epístola de Pedro, lemos: “... toda a carne é como erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou- se a erva, e caiu a sua flor" (1Pe 1:24). Aqui, Pedro alerta sobre a brevidade da vida neste mundo.

O homem parece ter tanto poder na terra, de repente fica velho ou morre, e passa tudo. A carne, o valor humano, é tão fraca como a flor do campo.

Porque a vida é breve não podemos desperdiçá-la nem vivê-la na contramão da vontade de Deus. Há cristãos em demasia que tentam ignorar a ideia da morte e de ter que, um dia, passar pelo juízo final de Cristo para prestar contas de como passaram os seus dias aqui na terra. Ponha a mão sobre o coração e sinta-o bater. Ele está dizendo: "Depressa! Depressa! Depressa!". Somente alguns breves anos, no máximo.

3. O modo bíblico de abordar o futuro (Tg 4:15).Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo”.

Não é pecado planejar o futuro. Não é pecado fazer planos. Pecado é fazer planos, planejar o futuro sem levar Deus em consideração. O que Tiago 4:15 condena é a atitude daqueles irmãos empresários que fazem planos de expandir os seus negócios, abrir filiais, ganhar muito dinheiro, aumentar o número de empregado, e não levar em consideração que só farão isto se Deus quiser, se Deus permitir. Eles deveriam dizer: “se Deus quiser, se Deus permitir nós faremos isto e faremos aquilo”.

Quando nós fazemos planos para o futuro como se Deus não existisse, como se não dependesse de Sua mercê e da Sua graça a realização desses planos, estamos praticando puro mundanismo. Tiago diz assim: “o que é a vida de vocês? É como um vapor que hoje existe e amanhã não existe mais”. Isto nos lembra da parábola que o Senhor contou do rico insensato, que não mais tinha onde guardar os seus tesouros e disse: eu vou destruir todos os meus armazéns e vou construir outros maiores. E aí vou dizer a minha alma: tens à tua disposição bens para todo o futuro. Portanto, come e bebe e regala-te. E Deus lhe disse: louco, esta noite pedirão a tua alma, o que tens preparado para quem será? (Lc 12:20).

Portanto, os crentes não podem viver de uma forma independente de Deus; os nossos planos não podem ignorá-lo. Devemos fazer planos, mas devemos reconhecer a vontade superior de Deus e a soberania divina. Isto significa mais do que simplesmente dizer: “Se Deus quiser” - quando falarmos a respeito dos planos futuros -, porque isto também pode perder o significado. Isto significa planejar com Deus ao fazermos os nossos planos. Os nossos planos devem ser avaliados pelos padrões e objetivos de Deus, e nós devemos orar por eles quando estivermos ouvindo o conselho de Deus. Esta forma de planejar agrada a Deus. No livro de Atos, o apóstolo Paulo declara: “Se Deus quiser, voltarei para vós outros” (At 18:21); e em 1Corintios 4:19, escreve: “Em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser”.

É assim que devemos exercer a nossa fé, na dependência total de Deus, levando-o em consideração em todos os aspectos de nossa vida.

III. OS PECADOS DA ARROGÂNCIA E DA AUTOSSUFICIÊNCIA (Tg 4:16,17)

Mas, agora, vos gloriais em vossas presunções; toda glória tal como esta é maligna. Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

 

1. Gloriar-se nas presunções (Tg 4:16a). “Mas, agora, vos gloriais em vossas presunções...”.

Os cristãos estavam se vangloriando de seus planos pretenciosos para o futuro. Mostravam-se arrogantes na certeza de que nada poderia interferir no cronograma estabelecido. Agiam como se fossem senhores do próprio destino. Isto é presunção.

Presunção é assegurar a nós mesmos que o tempo está do nosso lado e à nossa disposição.

Presunção é fazer os nossos planos como se estivéssemos no total controle do futuro.

Presunção é viver como se nossa vida não dependesse de Deus.

Jamais podemos deixar de fora o Senhor do curso de nossa vida. Qualquer tentativa para achar segurança longe de Deus é uma ilusão. O homem não pode controlar os eventos futuros. Ele não tem sabedoria para ver o futuro nem poder para controlar o futuro. A presunção do homem apenas tenta esconder a sua fragilidade. Somos pó e cinza (Gn 18:27; Jó 30:19). A presunção, portanto, é pecado, é fazer-se de Deus.

2. A malignidade do orgulho das presunções (Tg 4:16b). A gravidade da presunção e da arrogância humana pode ser comprovada na segunda parte do versículo dezesseis: “toda glória tal como esta é maligna”.

O orgulho da presunção envolve tomar em nossas próprias mãos a decisão de planejar e comandar a vida à parte de Deus. Também envolve uma declarada desobediência ao conhecido propósito de Deus (Tg 4:17).

A presunção atinge várias áreas:

- toca a vida - hoje, amanhã, um ano;

- toca as escolhas - "... hoje ou amanhã iremos... passaremos um ano, negociaremos e ganharemos”;

- toca a habilidade - "negociaremos e ganharemos".

Obviamente, Tiago não está combatendo a questão do planejamento, mas combatendo o planejamento sem levar Deus em consideração. É claro que a vida é feita de nossas escolhas. Precisamos ter alvos, planos, sonhos, mas não presunção.

Como nós podemos nos proteger da presunção?

- Em primeiro lugar, tendo consciência da nossa ignorância: "No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã" (Tg 4:14).

- Em segundo lugar, tendo consciência da nossa fragilidade: "Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece" (Tg 4:14).

- Em terceiro lugar, tendo consciência da nossa total dependência de Deus: “Em lugar disso, devíeis dizer: se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo" (Tg 4:15).

Podemos afirmar que a vida humana está em certo aspecto sob o controle humano. Precisamos tomar decisões e somos um produto das decisões que fazemos na vida: quem queremos ser, com quem andamos, com quem nos casamos, o que fazemos. Por outro lado, a vida humana, não está em nosso controle. Nós não conhecemos o nosso futuro nem sabemos o que é melhor para nós. Devemos procurar saber qual é o desejo de Deus para a nossa vida. A verdade incontestável é que a vida humana está sob o controle divino. Se Deus quiser iremos, compraremos, ganharemos.

3. Faça o bem (Tg 4:17). “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando”.

Neste contexto, fazer o bem significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dele a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. É evidente que o princípio tem uma aplicação mais ampla. Em todas as áreas da vida, temos a responsabilidade de fazer o bem sempre que surge a oportunidade. Se sabemos o que é certo, temos a obrigação de viver de acordo com esse conhecimento. A negligência é pecado contra Deus, nosso próximo e nós mesmos. Tiago recomenda que não sejamos somente ouvintes, mas praticantes da Palavra (Tg 1:22). Se ouvimos, entendemos, compreendemos e podemos fazer o que deve ser feito, mas não o fazemos, estamos em pecado. Deus condena o pecado da omissão!

CONCLUSÃO

Aprendemos com Tiago sobre real perigo de abrirmos a nossa boca para falar mal de outra pessoa. Quem assim procede está indo de encontro à lei real, a lei do amor. Quem critica seu irmão e fala mal dele vai ter de acertar as contas com Deus, pois na prática está se colocando no lugar dEle.

Aprendemos, também, sobre a realidade do fato de que não podemos controlar a nossa própria vida sem levar Deus em consideração. Tiago, de forma direta, nos desafia a incluir Deus em nossos planos, e de forma indireta nos ensina que isso implica a busca pela vontade de Deus em nossas vidas. Quando fizermos planos, eles devem estar coadunados com a soberana vontade de Deus. Deus não é contra fazermos planos, mas orienta-nos a que os apresentemos a Ele. Façamos projetos e invistamos neles dentro de nossas possibilidades, mas nunca nos esqueçamos de que nossa vida é muito breve, que não temos controle sobre ela, e que Deus tem sempre planos melhores do que os nossos (Jr 29:11). Lembremos de que a nossa obediência a Deus hoje pode garantir a orientação divina no futuro. Amém?

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

 

domingo, 7 de setembro de 2014

NOSSA PÁTRIA PRECISA VER CRISTO EM NÓS


 



 

 

Por: Caramuru Afonso Francisco

 
O Brasil comemora, neste 7 de setembro de 2014, 192 anos de sua independência, proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, pelo então Príncipe-Regente do Brasil, D. Pedro, que viria a ser o nosso primeiro Imperador.

Aquele gesto do príncipe e herdeiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves era uma resposta às exigências das Cortes de Lisboa que tinham por objetivo reduzir o Brasil a uma mera condição de colônia, reeditando o sistema que havia perdurado desde 1500 até 1808, quando o rei de Portugal mudara a sede do reino para o Brasil, fugindo que estava de Napoleão Bonaparte.

O Brasil já era um Reino desde 1815 e as exigências das Cortes de Lisboa representavam um retrocesso inadmissível, que acabou levando o Brasil a declarar a sua independência de Portugal, surgindo, então, um novo país.

Este episódio que dá início à vida independente de nosso país é elucidativo, pois nos mostra que não podemos permitir que o Brasil, na sequência de sua história, tenha retrocessos, ande para trás, retorne a condições que já foram superadas e ultrapassadas.

192 anos depois, vivemos um momento extremamente delicado em nosso país, momento decisivo mesmo, em que o Brasil deverá definir se quer continuar prosseguindo como uma nação livre, democrática, onde têm lugar as liberdades públicas, entre elas a liberdade religiosa, ou se vamos retroceder neste ambiente, acabando por consolidar a instauração, aqui, de um regime político contrário à liberdade e à verdade que, como sabemos, é Cristo Jesus (Jo.14:6).

O fato é que estamos vendo, a olhos vistos, a implantação de um projeto de poder anticristão que se consolida cada vez mais, dentro dos ditames de um movimento internacional, que já tem demonstrado sua ideologia em países como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Quando o Brasil se tornou independente, havia uma religião oficial e os demais cultos eram somente permitidos em caráter privado, sendo proibida até a construção de templos que não fossem católicos romanos.

Com a República, o Estado se tornou laico e a evangelização do país, que se iniciara já timidamente durante o último quartel do século XIX, atingiu níveis impressionantes, a ponto de as estatísticas dizerem que hoje cerca de um quarto dos brasileiros se declare evangélico.

Entretanto, nos últimos anos, temos visto que segmentos que detêm parcela considerável do poder político, enquanto proclamem serem adeptos da liberdade religiosa, estão, na verdade, solapando os valores cristãos que formaram a nação brasileira e, o que é muito triste, com a conivência (remunerada ou não…) de diversas lideranças que cristãs se dizem ser.

Nosso país está a serviço de um amplo movimento anticristão internacional e, mais do que nunca, a Igreja precisa orar pelo nosso país, para que não sejamos submersos por este movimento, de múltiplas faces, que nos leva para o campo contrário a Deus e à Sua vontade.

Os valores cristãos têm sido violentamente perseguidos em nosso país e as instituições cada vez mais são postas contra eles e contra a Igreja em geral. Querem, a todo custo, levar novamente a pregação do Evangelho para os ambientes privados, como ocorria na época do Império, ainda que tais ambientes sejam templos, algo que não podia haver no século XIX.

Há um nítido cerceamento por parte dos que têm o poder de tudo quanto diga respeito à pregação do Evangelho e dos valores baseados na Palavra de Deus.

Enquanto isso, o país assiste a um agravamento das condições de vida, com número de homicídios muito superior ao de países em guerra (são mais de 50 mil mortes violentas por ano e mais de 42 mil mortes no trânsito por ano), aumento enorme do tráfico de drogas e do número de quimiodependentes, com reflexos evidentes na própria estruturação da família brasileira, sem falar na corrupção generalizada que gera um descrédito na política e nas instituições, a agravar ainda mais esse triste e trágico quadro.

Todo este estado de coisas exige dos cristãos uma postura. A primeira, de cunho espiritual, pois sabemos que é Deus que muda os tempos e as horas, quem estabelece e quem remove os governantes (Dn.2:21). Sendo assim, devemos orar a Deus para que os nossos governantes não se rebelem contra o Senhor e os valores por Ele insculpidos na Sua Palavra, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, com toda piedade e honestidade (I Tm.2:1-3).

Entretanto, para que oremos neste sentido e sejamos ouvidos, faz-se mister que, antes, sejamos tementes a Deus (Jo.9:31), que sejamos os primeiros cumpridores da Palavra de Deus, mantendo uma vida de santificação e um testemunho que nos faça luz do mundo e sal da terra (Mt.5:13-16).

O que tem faltado ao Brasil, decididamente, são servos de Cristo Jesus dignos deste nome, que se guardem da corrupção do mundo e que estejam, com suas vidas, a levar o nome de Jesus para a sociedade, demonstrando, com seus atos, uma fé autêntica e verdadeira, cunhada nos valores cristãos e que leve outros a crer em Jesus e a tê-l’O como único Senhor e Salvador das suas almas.

A degeneração da sociedade brasileira tem sido acompanhada de uma degeneração daqueles que cristãos se dizem ser, que também, em troca de favores e vantagens, muitas vezes mínimas e ilusórias, têm deixado de lado a defesa da fé e uma vida condizente com a Palavra de Deus.

Precisamos nos santificar, nos humilhar debaixo da potente mão de Deus, sentir as nossas misérias (Tg.4:9,10: I Pe.5:6), passar a termos uma vida condizente com as Escrituras Sagradas, com a vontade de Deus e, assim, nossas orações serão ouvidas pelo Senhor, que mudará este quadro tão difícil por que passa o nosso país.

Além desta providência espiritual, também precisamos tomar providências no campo material, não permitindo que os inimigos de Cristo ocupem postos de mando em nosso país.

Vivemos num regime democrático e, portanto, podemos nos manifestar livremente com relação às ações dos governantes, pois somos cidadãos.

Não só no momento do voto mas durante todo o mandato dos que são eleitos temos o legítimo direito de reivindicar, manifestar nossa opinião e persuadir os governantes nas suas tomadas de decisão.

O cidadão dos céus, como é chamado o salvo como descrito no Salmo 15, notabiliza-se por uma conduta na terra. Herdará, sim, as mansões celestiais, mas seu caráter de santidade é demonstrado pelas suas atitudes neste mundo.

Uma das características do cidadão dos céus é desprezar o réprobo e honrar os que temem o Senhor (Sl.15:4).

Assim, além de termos uma vida sincera diante de Deus e orarmos para que nossos governantes sigam os valores constantes das Escrituras Sagradas, é importantíssimo que não honremos senão os tementes a Deus e desprezemos os réprobos.

Deste modo, na hora do voto e no dia-a-dia do exercício dos mandatos, o salvo em Cristo Jesus, a Igreja deve desprezar o réprobo, ou seja, aquele que rejeita a Palavra de Deus, que insiste em governar contra os ditames da sã doutrina, não lhe dando o voto e sempre procurando manifestar-se de modo a que tais decisões erradas nunca sejam adotadas em nosso país.

Infelizmente, porém, não são poucos os que cristãos se dizem ser que têm prestigiado o réprobo por causa de favores e vantagens que receberam ou esperam receber, trocando, assim, a bênção divina por um prato de lentilhas, agindo, portanto, como o profano e fornicário Esaú (Hb.12:16).

Não podemos agir deste modo, pois estaremos a consentir com este descalabro por que passa “nossa mãe gentil”, nossa “Pátria amada” e, assim, seremos tão culpados quanto aqueles que estão a levar nosso país para este rumo de desmantelamento e de barbárie (Rm.1:32).

Não podemos permitir, como fez o Príncipe-Regente às margens do Ipiranga, que o Brasil retroceda e caia, novamente, nas trevas espirituais do passado, onde os verdadeiros e autênticos servos de Deus apenas usavam de lugares privados, entre quatro paredes, para louvar e bendizer ao Senhor.

O Brasil precisa de Cristo, é urgente, pois estamos a nos desmontar como sociedade civilizada, mas, para que o Brasil contemple Cristo, é absolutamente necessário que veja Cristo em nós, bem como que, cientes dos graves problemas de nossa nação, esforcemo-nos para debelá-los, confiando em Deus e fazendo a nossa parte.

Um lúcido diagnóstico do Brasil: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/09/04/eleicao-e-teatro-querem-solucoes-para-o-brasil-ok/

Caramuru Afonso Francisco é evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br).