terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aula 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTCRISTO


4º Trimestre/2014

 
Texto Base: Daniel 11:1-3,21-23,31,36

 
 

“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3)

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 11 de Daniel, o qual traz uma profecia que abrange os dois últimos Impérios: o Medo-Persa e o Grego. Neste capítulo Deus revela a Daniel eventos proféticos que se cumpriram no período interbíblico, ou seja, aquele período entre o Antigo e o Novo Testamentos. Mas também Deus revela a Daniel os grandes conflitos pelos quais passarão o povo de Israel até a vinda gloriosa de Jesus Cristo. A revelação maior da profecia de Daniel capítulo 11 diz respeito ao personagem histórico Antíoco Epifânio IV. Pelo caráter traiçoeiro, cruel, astuto e enganador desse déspota, e pelo seu desprezo às coisas sagradas, é que muitos estudiosos o colocam como o tipo mais emblemático do Anticristo descrito no Novo Testamento (Mt 24:15; 2Ts 2:3-12; Ap 13).

A primeira parte das profecias de Daniel, isto é, Dn 11:2b-35, refere-se a fatos que já se cumpriram na história, concentrando-se principalmente nos acontecimentos na Pérsia e na Grécia. Essas profecias cumpriram-se de forma literal e muitíssimo detalhadas na história, causando grande impacto e espanto entre muitos historiadores. A última parte de Daniel 11, do versículo 36 em diante, passa para o “tempo do fim”, haja vista os fatos narrados não terem ações correspondentes ao longo da história. A partir do versículo 36, os relatos dizem respeito às ações do Anticristo que virá.

I. PREDIÇÕES PROFÉTICAS CUMPRIDAS COM EXATIDÃO (Dn 11:2-20)

1. A revelação sobre o fim do Império Medo-Persa (Dn 11:2). “E, agora, te declararei a verdade: Eis que ainda três reis estarão na Pérsia, e o quarto será cumulado de grandes riquezas mais do que todos; e, esforçando-se com as suas riquezas, agitará todos contra o reino da Grécia”.

Aqui, Daniel fala sobre quatro reis persas. Embora doze reis persas tivessem reinado, Daniel fica sabendo que três reis sucederão a Dario, o medo, antes que se levantasse um quarto rei de grande prosperidade. Segundo o estudioso Arno Clemens Gaebelein(influente ministro evangélico metodista estadunidense - 1861-1945), os três reis foram Assuero (530-522 a.C), Artaxerxes (522 a.C) e Dario (522-486 a.C), conhecidos na história secular como Cambises, Pseudo-Smirdes(considerado um impostor) e Dario Histapais (não Dario o Medo). O quarto rei foi Xerxes (486- 465 a.C), chamado de Assuero (marido de Ester, Et 1:1), que como nos conta a história, era imensamente rico (Et 1:4). Usou sua fortuna para formar e manter um imenso exército, com o qual atacou a Grécia. A invasão da Grécia aconteceu em 480 a. C. Veja Esdras 4:5-24.

Segundo Comentário Bíblico Beacon, Xerxes ou Assuero, reuniu uma gigantesca força de infantaria, cavalaria, carros de guerra e navios. Estima-se que cerca de cinco milhões de homens se engajaram nessa guerra. Apesar desse imenso poderio bélico, os valentes gregos os venceram nas batalhas cruciais de Termópilas e Salamina. Embora outras campanhas militares tenham acontecido, nenhuma se igualou a essa e o poder da Pérsia declinou até sua derrota final sob Dario III.

2. Um rei valente (Dn 11:3).Depois, se levantará um rei valente, que reinará com grande domínio e fará o que lhe aprouver”.

Neste versículo o Império Greco-Macedônio entra em cena. Observe que o império Grego não é mais representado como nas composições anteriores descritas por Daniel: (a) "Cobre" (Dn 2:32); (b) "Metal'' (Dn 2:39); (c) "Leopardo" (Dn 7:6); (d) "Bode peludo" (Dn 8:20,21). Agora, no presente versículo, este reino tem sua representação na pessoa de um "rei valente" que reinaria com grande domínio. Este rei valente foi Alexandre Magno, ele realmente tomou o Império Medo-Persa, e reinou com grande poder (Dn 8:3,4).

O pr. Severino Pedro da Silva narra em seu livro que “Alexandre foi, de fato, um guerreiro habilidoso, porém, tudo quanto fez e conquistou foi derramando sangue (dos outros) e pela espada. Ele foi a antítese do verdadeiro Cristo, que tudo quanto fez e conquistou foi derramando o seu próprio sangue, e manifestando seu grande amor”. Ele mostra o quadro antitético do caráter de Alexandre ao comparar com o caráter de Cristo, da seguinte maneira:

“Jesus e Alexandre morreram aos trinta e três anos. Um deles viveu para si mesmo, o outro por mim e por você. O grego morreu num trono; o Judeu morreu numa cruz. A vida de um foi triunfante (aparentemente); a do outro, uma derrota (aparentemente). Um deles comandou imensos exércitos armados, o outro teve apenas um pequeno grupo, desarmado. Um derramou o sangue alheio sem piedade, o outro derramou o seu próprio sangue, e o derramou por amor ao mundo. Alexandre conquistou o mundo em vida; Jesus perdeu a sua vida para ganhar vida para seus seguidores. Um morreu na Babilônia, o outro no Calvário em Jerusalém. Um conquistou tudo para si, e o outro a si mesmo se deu. Alexandre, enquanto viveu, conquistou todos os tronos; Jesus, na morte e na vida, conquistou o Trono de Glória. Um deles sendo servo se fez deus; o outro sendo Deus se fez servo (Fp 2:6-7). Um deles ganhou um grande nome: Alexandre! O outro "um nome que é sobre todo o nome": JESUS! Um deles viveu para se gloriar; o outro para abençoar. Quando o grego morreu, seu trono, conquistado pela espada, ruiu para sempre. Jesus, quando morreu ganhou o trono que permanece para sempre (Sl 93:2)”.

3. A divisão do reino entre quatro generais (Dn 11:4-20). “Mas, estando ele em pé, o seu reino será quebrado e será repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros” (Dn 11:4).

"O seu reino será quebrado". Isto aconteceu realmente como diz a profecia em foco. Alexandre reinou com grande poder; ele foi chamado de Magno, mas morreu prematuramente aos trinta e três anos de idade. Ele conquistou o mundo em dez anos; morreu aos 33 anos de idade, na Babilônia. Conforme estudiosos, afogou-se na própria bebedeira e vaidade. O “chifre” ilustre foi realmente "quebrado", como vaticinara o profeta do Senhor: “E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu” (Dn 8:8).

Depois de sua morte o império de Alexandre foi dividido em quatro partes (“quatro ventos”), depois da batalha de Ipso, em 301 a.C. A sua posteridade (família) não recebeu o reino, e sim seus quatro generais de exércitos: a) Ptolomeu; b) Seleuco; c) Lisímaco; d) Cassandro. As quatro regiões de que fala o texto divino foram: a) O Egito (região Sul); b) A Síria (região Norte); c) A Macedónia (região Oeste); d) A Ásia Menor.

Os generais de Alexandre Magno reinaram também com grande autoridade, mas nenhum deles chegou à sua glória e magnitude; também não eram de sua família; cumprindo-se, assim, a profecia: "... seu reino será repartido... mas não para a sua posteridade". Esse acontecimento sobre seu reino, o próprio Alexandre já o previu em vida como ele mesmo declarou ao seu biógrafo: "Ainda em vida, Alexandre predisse que seus amigos lhe fariam um cruento funeral". Cumpriu-se o vaticínio. Alexandre não deixou sucessor direto ao trono (pr. Severino Pedro da Silva – Daniel – versículo por versículo. CPAD).

II. O CARÁTER PERVERSO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO (Dn 11:21-35)

1. Antíoco Epifânio foi um rei perverso e bestial. “Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino com engano” (Dn 11:21).

O “homem vil” referido neste texto refere-se a Antíoco Epifânio IV, que chegou ao poder por volta de 175 a.C, aos 40 anos de idade, e reinou onze anos, até sua morte, em 164 a.C. Foi o grande perseguidor dos judeus na terra de Israel. No seu governo começou a revolta dos Macabeus.

Ele usurpou o trono que por direito pertencia a Demétrio, o jovem filho de Seleuco IV. Antíoco (a “ponta muito pequena” de Dn 8:9-14,23-25) levou a efeito várias campanhas contra o Egito. Assassinou o “príncipe do concerto” (uma profecia sobre o assassinato do sumo sacerdote Onias, em 170 a.C., Dn 11:22). Seus tratados com outras nações eram eivados de intriga e engano. Atacava de improviso cidades ricas em tempo de paz (ver Dn 11:24). Seus ataques contra o Egito foram bem-sucedidos porque os que deviam ajudar o Egito não o fizeram, e Antíoco regressou à Síria com grandes riquezas (veja Dn 11:25-28).

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Osvaldo Litz, diz que Antíoco Epifânio passou quatorze anos em Roma, em contato com as imoralidades e extravagâncias dos romanos. Ali moldou seu caráter pervertido. Ele deu a si o título de Antíoco Epifânio (ilustre), mas o povo chamava-o Antíoco Epimanes (louco). Certamente, este monarca Seleuca foi, em sua geração, uma figura do verdadeiro Anticristo, “... o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3).

2. Antíoco Epifânio invadiu Jerusalém (Dn 11:28). “Então, tornará para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será contra o santo concerto; e fará o que lhe aprouver e tornará para a sua terra”.

Antíoco Epifânio IV nutria um grande ódio dos judeus e da santa lei de Deus. Estava convicto de que a língua e a cultura grega eram superiores a qualquer outra língua e cultura, e também odiava os judeus porque a religião deles era exclusivista. Cerca de 168 a.C., invadiu o Egito outra vez, mas os “navios de Quitim”(Dn 11:30, isto é, Chipre) comandados pelo cônsul romano Laenas derrotaram-no, e ele retirou-se para o seu país. Ele, então, procurou vingar-se da sua frustração, opondo-se aos judeus, embora alguns destes o apoiassem. Esses judeus apóstatas convidaram Antíoco a introduzir entre eles a cultura e a religião gregas (Dn 11:30).

Antioco marchou contra Jerusalém, profanou o templo e fez cessar os sacrifícios diários requeridos pela lei de Deus (Dn 11:31). Ele levantou um altar pagão no templo, colocou no lugar santo uma imagem do deus grego, Zeus, e mandou sacrificar um porco no altar e borrifar o sangue no templo. Esse altar a Zeus é “a abominação desoladora” de Dn 11:31, que prefigura outra abominação que, segundo Jesus profetizou, ocorrerá no período do Anticristo, quando ele quebrará o concerto firmado com Israel, na segunda metade da septuagésima semana de Daniel.

Antioco Epifânio seduziu os judeus apóstatas (Dn 11: 31b,32), contudo, aqueles que conheciam a Deus eram fortes e ativos (Dn 11:32) e não cederam nem à sedução nem à violência. Homens com percepção espiritual circulavam entre o povo ensinando as Escrituras (Dn 11:33). Continuaram pregando, mesmo sob perseguição e morte (Dn 11:33-35). Muitos desses sábios morreram, mas aqueles que sobreviveram permaneceram puros até o fim.

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “Deus sempre teve um remanescente fiel entre os judeus nos tempos do Antigo Testamento (ver 1Rs 19:18). Agora, Deus também tinha um remanescente que permanecia leal e fiel a Ele. Um grupo de judeus, liderados pelo sacerdote Matatias, resistiu às ordens sacrílegas de Antíoco Epifânio e começou uma guerra de resistência, chamada a guerra dos macabeus (Dn 11:32-35). O líder do movimento contra Antíoco foi um ancião sacerdote chamado Matatias. O fiel sacerdote não só se recusou a obedecer à ordem de oferecer sacrifícios a um deus pagão, mas também matou o emissário real e destruiu o altar pagão. Seguidamente, Matatias e seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas organizavam uma guerra de guerrilhas que começou a causar sérios estragos entre as forças de Antíoco. Em dezembro do ano 165 a. C., o exército dos macabeus marchou triunfante pelas ruas de Jerusalém. Em 25 de dezembro daquele ano, o templo foi purificado e restaurado o culto a Deus Jeová”. Até o dia de hoje a Festa da Dedicação ou Hanukkah é observada pelos judeus, comemorando esse evento. Jesus esteve durante essa festa, em Jerusalém – “E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno” (João 10:22).

3. Antíoco Epifânio era cruel (Dn 11:31-35). Ao invadir Jerusalém, Antíoco Epifânio desrespeitou, sem nenhuma inquietação de consciência, os valores morais, éticos e higiênicos tão importantes no povo judeu. Estabeleceu regulamentações contra a circuncisão, a observação do sábado, e outras práticas dietéticas do povo de Israel. O versículo 31 fala da "abominação desoladora", quando construiu um altar a Zeus, deus pagão, sobre o altar dos holocaustos no templo. Ele era um déspota sem par em sua época.

III. ANTÍOCO EPIFÂNIO, TIPO DO ANTICRISTO

1. O “homem vil” que chega ao poder.Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito” (Dn 11:36).

As profecias de Daniel 11:21-35 referem-se ao “homem vil” (11:21), tipo do Anticristo, Antíoco Epifânio IV. Já as profecias de Daniel 11:36-45 não se enquadram no caso de Antíoco. A menção do “fim do tempo” (Dn 11:35,40) indica que esta profecia tem a ver com um futuro distante, a saber, fim dos tempos, e com o personagem a quem Antíoco tipifica, a saber, o Anticristo (Dn 7:8; 9:27), futuro ditador mundial.

Conforme Daniel 11:36, o Anticristo é a antítese do verdadeiro Cristo; Jesus é Justo, ele será o iníquo; Jesus, ao entrar no mundo, disse ao Pai: "Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10:9), o presente texto diz que o Anticristo "fará conforme a sua vontade". O Senhor Jesus é o Filho de Deus; ele será "o filho da perdição" (2Ts 2:3).

Daniel 11:36 fala-nos também que esse homem vil blasfemará dos "poderes superiores" – “se engrandecerá sobre todo deus” - e ridicularizará a própria existência de Deus - “contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis ", isto é, abrirá a sua boca em blasfêmia contra Deus e seu tabernáculo. Ele não terá consideração para com as tradições e preceitos familiares (Dn 11:37). Ele não terá respeito à família por ter sido estabelecida por Deus (2Ts 2:4).

2. O futuro governante mundial no “tempo do fim”.E, no fim do tempo, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte o acometerá com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e entrará nas terras, e as inundará, e passará” (Dn 11:40).

A expressão “fim do tempo” se refere a uma época escatológica, isto é, aponta para um tempo futuro. Se Antíoco Epifânio demonstrou características de crueldade e destruição contra Israel, no futuro, surgirá outro governante mundial, que promoverá grandes males ao povo de Israel e ao mundo, até que Jesus Cristo, em sua vinda pessoal, desça para desfazer o poder desse personagem, o Anticristo.

O Anticristo será um homem comum, nascido de mulher. Mas será revestido de poder satânico, e terá uma capacitação demoníaca extraordinária (Ap 13:2,4), de modo que exercerá poderosa influência sobre toda a humanidade. Ele é chamado na Bíblia de a Besta (Ap 13:1), o homem do pecado e filho da perdição (2Ts 2:3), assolador (Dn 9:27), designações que bem retratam o seu caráter iníquo.

O que foi feito por Antíoco Epifânio em suas atrocidades contra os judeus fiéis a Deus, durante o seu reinado de trevas, que, de um certo modo, “pisou” o povo de Deus, muito mais ainda será feito pelo Anticristo durante o período da Grande Tribulação que virá.

O Anticristo será um governante ditador, cruel, que se proclamará maior do que Deus, e que falará “coisas incríveis” (blasfêmias) contra o Deus de Israel. O Anticristo prosperará por algum tempo, mas logo haverá batalhas com o “rei do Sul” e o “rei do Norte” (Dn 11:40), batalhas essas que culminarão com a do Armagedom, onde ele será aniquilado pela espada que sai da boca de Cristo (isto é, por sua Palavra) e lançado para sempre no lago de fogo (Ap 19:20).

3. Precisão profética. Tendo em vista a espantosa precisão profética dos fatos exarados no capítulo 11 de Daniel, e querendo desfazer a veracidade das profecias bíblicas, muitos têm julgado este capítulo 11 uma história escrita depois dos acontecimentos nele narrados. Mas Deus, que está entronizado no mais alto e sublime trono, e estava presente no início do tempo, e estará presente quando o tempo não mais existir, pode certamente declarar, com a devida precisão e exatidão, “as coisas futuras, e as que ainda hão de vir” (Is 44:7). Ele não somente é Deus de perto, mas também é Deus de longe (Jr 23:23). Glórias sejam dadas a Deus, eternamente!

CONCLUSÃO

Chegará o Dia, que está muito breve, que o “tipo” não mais se manifestará, mas, sim, o próprio Anticristo, "o homem da iniquidade, o filho da perdição" (2Ts 2:3). A apostasia nunca foi tão acentuada como estamos vendo hoje, em todos os países em que antes o cristianismo autêntico era praticado. E o grau de intensidade da apostasia será ainda mais elevado não muito distante dos nossos dias. Sejamos, pois, vigilantes e discernentes do tempo para o que brevemente irá acontecer. A igreja não espera o Anticristo; espera, sim, desejosa, a vinda de Jesus Cristo. Vem, Senhor Jesus!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Aula 11 - O HOMEM VESTIDO DE LINHO


4º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Dn 10:1-6,9,10,14

 
“E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz” (Dn 10:5).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 10 de Daniel. Conquanto não tenhamos a descrição de uma visão profética específica, as circunstâncias mencionadas por Daniel no capítulo 10 trazem-nos importantes revelações e ensinos a respeito do mundo espiritual, tendo sido este o propósito do Espírito Santo ao inspirar o profeta para registrá-las, a fim de que aprendamos que os desígnios divinos, embora soberanos, enfrentam sempre oposição das hostes espirituais da maldade, cuja realidade jamais pode ser menosprezada pelos servos do Senhor que, como disse o apóstolo Paulo, vivem em constante luta contra elas (Ef 6:12). É importante frisar que os capítulos 10 a 12 são sequenciais e estão no mesmo contexto, fazendo parte da mesma visão. Poderíamos dizer que o capítulo 10 é a introdução da visão, o capítulo 11 o desenvolvimento da visão e o capítulo 12 o fecho da visão. O capítulo dez retrata o envio de um emissário celestial, conhecido como o homem vestido de linho, que trouxe uma mensagem a Daniel acerca do futuro das nações e do povo de Israel. Neste capítulo, os anjos aparecem com uma missão específica em relação ao desenrolar da história revelada em visão a Daniel. Os seres espirituais são enviados da parte de Deus para auxiliar o profeta concernente a interpretação de algo que Daniel buscava compreender. Os acontecimentos ali registrados ocorreram no terceiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia (534 a.C.). Neste terceiro ano do rei Ciro, Daniel já não se encontrava mais prestando serviço ao rei Ciro, já se encontrava “aposentado”, ante a sua idade bem avançada, pois, em Dn 1:21 está registrado que Daniel serviu ao rei Ciro até o seu primeiro ano, de modo que já fazia dois anos que Daniel se encontrava inativo.

I. UMA VISÃO CELESTIAL (Dn 10:1-3)

1. “Foi revelada uma palavra a Daniel” (Dn 10:1). Foram reveladas a Daniel coisas extraordinárias acerca do seu povo e acerca de coisas futuras, não apenas concernentes a Israel, mas abrangentes a todo o mundo. Porém, nos capítulos 10, 11 e 12, toda a revelação fala de fatos que acontecerão "nos últimos dias" - “No ano terceiro de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel... e trata de uma guerra prolongada”. Deus é Onisciente, Ele sabe todas as coisas, Ele tem conhecimento total do futuro. Nada está escondido aos seus olhos (Lc 12:2). As figuras de linguagem utilizadas por Deus para ilustrar as revelações eram extremamente fiéis ao que Deus queria revelar.

2. Daniel um homem de oração. Indiscutivelmente, Daniel é um dos modelos de vida devocional mais importante da Bíblia. Ele soube conciliar sua atividade palaciana com a sua vida devocional. No exílio, mesmo servindo a reis pagãos, Daniel não se descuidou de estar em oração, três vezes por dia (Dn 6:3). Ele não estava em Jerusalém para adorar ao Senhor no Templo, mas fazia do seu quarto de dormir o seu altar de adoração e serviço a Deus através da oração. Foi desse modo que ele teve as grandes revelações dos desígnios de Deus para o seu povo.

Certa feita, ele orou com seus amigos, e os “sábios” da babilônia foram poupados da morte (Dn 2:17,18); ele orou com as janelas abertas para Jerusalém, e Deus o livrou da cova dos leões (Dn 6:10); ele orou confessando seu pecado e os pecados do seu povo, pedindo a restauração do cativeiro babilônico (Dn 9:3); agora, ele ora novamente em favor de sua nação (Dn 10:1-3). Daniel sabia o quanto Deus é poderoso e que no tempo certo Ele agiria em favor do seu povo.

A oração é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus; é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do Senhor; é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de Deus.

Nas páginas das Escrituras Sagradas, veremos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus. Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. Eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia-a-dia.

Como bem afirmou Paulo, a oração é indispensável para que vençamos as hostes espirituais da maldade, pois é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente a armadura de Deus (Ef 6:13-18).

Como está a nossa vida de oração? Cultivamo-la diariamente? Ou já nos conformamos com o presente século? Quando oramos expressamos as seguintes verdades:

a) reconhecemos a soberania de Deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração.

b) reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de Deus e que, sem Ele, nada podemos fazer.

c) revelamos nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em Deus e não em qualquer outro ser.

d) revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de Deus expressa em sua palavra, que quer que oremos sem cessar (1Ts 5:17).

3. A tristeza de Daniel.Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas completas” (Dn 10:2).

Embora Daniel fosse um homem “muito amado” (Dn 10:19) por Deus, que tinha “um espírito excelente” (Dn 5:12), e que tinha à sua disposição as bênçãos do Céu, em alguns momentos de sua jornada ele sentiu tristeza, muita tristeza. Quando as nossas expectativas são frustradas elas nos trazem tristezas mil e, muitas vezes, depressões. Se não estivermos no sobrenatural de Deus, e se não for a Sua misericórdia em nos acudir, sucumbiremos. Quando as feridas são fortes demais, só o “óleo de Gileade” (Jr 8:22) pode aliviar.

Daniel 10:2 diz que Daniel esteve triste por 21 dias. Não se sabe o motivo real de sua tristeza. Sabe-se, porém, que estes momentos não o fizeram murmurar e nem blasfemar de Deus; ele fez o que qualquer servo autêntico faria: buscar a Deus em oração. As adversidades e tristezas desta vida não podem nos impedir de orar e prosseguir em nossa caminhada.

Talvez um dos motivos da tristeza de Daniel tenha sido o fato de que a obra de reconstrução do Templo havia sido interrompida (Ed 4:4,5,23,24). Era o terceiro ano do reinado de Ciro. À época, Daniel era um homem muito idoso. Ele orou, chorou e jejuou pela libertação do cativeiro. Agora, o povo está em Jerusalém, mas sob fogo cruzado. A oposição dos samaritanos interrompeu a construção do templo. O povo voltou, mas a restauração plena ainda não aconteceu. Daniel, contudo, mesmo distante, aflige sua alma e chora pelo povo.

II. A VISÃO DO HOMEM VESTIDO DE LINHO (Dn 10:4,8)

4. E, no dia vinte e quatro do primeiro mês, eu estava à borda do grande rio Hidéquel;

5. E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz.

6. E o seu corpo era como turquesa, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos, como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés, como cor de bronze açacalado; e a voz das suas palavras, como a voz de uma multidão.

7. E só eu, Daniel, vi aquela visão; os homens que estavam comigo não a viram; não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se.

8. Fiquei, pois, eu só e vi esta grande visão, e não ficou força em mim; e transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma.

1. Um “homem vestido de linho” (Dn 10:5). As descrições do “homem vestido de linho” são magníficas e muito parecidas com a aparição gloriosa de Jesus a João, na ilha de Patmos (Ap 1:12-20): sua vestimenta (v. 5); seu corpo (v. 6); seu rosto (v. 6); seus olhos (v. 6); seus braços (v. 6); seus pés (v. 6) e sua voz (v. 6).

Em Apocalipse, Jesus é visto vestido até os pés de um vestido comprido. Era uma vestimenta talar, usada exclusivamente pelos sacerdotes e juízes no desempenho de suas funções. É isso realmente a dupla função de Jesus Cristo (Hb 3:1; 2Tm 4:8). O cinto de ouro cingido à altura do peito era também usado pelos sacerdotes quando ministravam no santuário; e estava à altura do peito e não nos rins, para ajustar as vestes, de modo a facilitar os movimentos; é símbolo de dignidade e majestade, coisas que são inerentes ao Filho de Deus, tanto no passado como no presente. Na Dispensação a Graça, Cristo é o nosso Sumo Sacerdote perfeito para sempre (Hb 7:28).

2. A reação de Daniel diante da visão (Dn 10:7-12). Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Daniel, diante do esplendor do anjo, reage de três formas diferentes.

Em primeiro lugar, ele tem claro discernimento (v.7). Apenas Daniel conseguiu discernir a voz do anjo. Os outros ouviram, temeram e fugiram, mas apenas Daniel compreendeu. Foi assim também com Saulo de Tarso no caminho de Damasco (At 9:7; 22:9). Apenas aqueles que vivem na intimidade de Deus discernem a voz de Deus.

Em segundo lugar, ele passou por profundo quebrantamento (v.8). Quando Daniel ficou sozinho diante do ser celestial, seu corpo enfraqueceu. Daniel cai prostrado diante do fulgor do anjo. Diante da manifestação da glória de Deus os homens se prostram e se humilham. A glória de Deus é demais para o frágil ser humano suportar.

Em terceiro lugar, Daniel experimentou gloriosa consolação (v.12). O Daniel que está prostrado ouve, agora, palavras doces e encorajadoras. Ouve que é amado no céu (v.11). Toma conhecimento que suas orações foram ouvidas (v.12). Ouve que Deus aciona seus anjos para atender seus filhos quando esses se põem de joelhos em oração (v.12b). Por isso, Daniel não devia ter medo (v.12).

3. “Eis que uma mão me tocou” (Dn 10:10). A visão provocou um efeito extraordinário em Daniel. Ele não teve forças físicas para se manter em pé e caiu adormecido pela glória do "homem vestido de linho". A mesma experiência que João teve na Ilha de Patmos com a visão do Cristo glorificado (Ap 1:17,18) foi experimentada por Daniel junto ao rio Hidekel, ou seja, o rio Tigre. Daniel, então, foi tocado pelo anjo de Deus e reergueu-se de seu desmaio, e foi confortado.

A Bíblia mostra-nos que os anjos são seres espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (o espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14).

Sobre os anjos, o que podemos tirar de ensino neste capítulo 10 é o seguinte:

a) Os anjos são enviados a favor daqueles que servem a Deus (Dn 10:12).

b) Os poderes demoníacos podem influenciar nações (Dn 10:20,21).

c) Os anjos do Senhor pelejam pelo seu povo (Dn 10:13,20,21).

d) Atrás da história humana existem inteligências sobrenaturais, boas e más, em conflito (Dn 10:12,13,20,21).

III. DANIEL É CONFORTADO POR UM ANJO (Dn 10:10-19)

1. Daniel é confortado por um anjo Dn 10:18,19).E aquele, que tinha aparência de um homem, tocou-me outra vez e me confortou. E disse: Não temas, homem muito amado! Paz seja contigo! Anima-te, sim, anima-te! E, falando ele comigo, fiquei fortalecido e disse: Fala, meu senhor, porque me confortaste”.

Segundo Hernandes Dias Lopes, Daniel recebeu três toques confortadores de Deus:

Em primeiro lugar, recebe o toque para se levantar (Dn 10:10-14). O anjo do Senhor toca em Daniel. Ele estava prostrado com o rosto em terra e enfraquecido. Deus o levanta por meio de Sua voz e de Seu toque. Mas o que pode levantar esse homem? Saber que é amado no céu (Dn 10:11); saber que os céus se movem em resposta a suas orações (10:12); saber que o futuro está nas mãos de Deus (10:14).

Em segundo lugar, recebe o toque para abrir a boca e falar (Dn 10:16,17). Daniel é tocado nos lábios como Isaías. Quando é tocado, ele sente dores (como de parto). Ele se sente fraco e desfalecido. Apenas aqueles que se quebrantam diante de Deus têm poder para falar diante dos homens. Daniel está extasiado diante do fulgor da revelação do anjo que o tocou (10:17). Apenas podem falar com poder aos homens, aqueles que ficam em silêncio diante de Deus.

Em terceiro lugar, recebe o toque para ser fortalecido (Dn 10:18-21). O anjo de Deus toca Daniel agora para o fortalecer. O anjo lhe diz: "Não temas" (10:19). O anjo reafirma que ele é amado no céu (10:19). O anjo ministra paz àquele que está aturdido por causa do fulgor da revelação. Duplamente o anjo lhe encoraja: "Sê forte, e tem bom ânimo".

2. O conflito entre o Arcanjo Miguel e o príncipe do reino da Pérsia (Dn 10:13).O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim”. Com relação a este texto faremos três considerações importantes.

Primeiro, quem é este príncipe da Pérsia? Certamente, não era um potentado humano, mas um ser demoníaco (um anjo satânico que influenciava os reis da Pérsia). Enquanto Daniel orava e jejuava, estava sendo travada uma batalha espiritual de grande magnitude. O “príncipe da Pérsia” estava impedindo que Daniel recebesse do anjo a mensagem de Deus. Por causa desse conflito, Daniel teve que esperar vinte e um dias para receber a revelação. Só foi derrotado quando Miguel, o príncipe de Israel (Dn 10:21), chegou para ajudar o anjo mensageiro. Os poderes satânicos queriam impedir o recebimento da revelação, mas o príncipe angelical de Israel (Dn 12:1) demonstrou sua superioridade. Esse incidente nos dá um vislumbre das batalhas invisíveis que são travadas na esfera espiritual a nosso favor (cf. Ap 12:7-12). Note que Deus já tinha respondido a oração de Daniel, mas que a ação satânica retardou a resposta da mensagem por vinte e um dias. Tendo em vista que Satanás sempre quer impedir nossas orações – “porque não ignoramos os seus ardis” (2Co 2:11) -, o crente deve perseverar na oração (cf. Lc 18:1-8).

Segundo, o personagem de Dn 10:10-13, a meu ver, não poderia ser o Senhor Jesus, pois: (a) Ele é enviado como portador de uma mensagem (v.11), tal como Gabriel anteriormente (Dn 9:21,22); (b) O personagem é impedido pelo príncipe da Pérsia, que, no caso, é um ser demoníaco. O texto diz que o mensageiro não conseguiu passar e necessitou da ajuda do Arcanjo Miguel (v.13). Fica difícil acreditar o Senhor Jesus sendo impedido por uma criatura qualquer, e mais difícil ainda é imaginar Jesus não conseguindo “furar” o bloqueio e necessitando da ajuda de um outro ser para vencer. Assim sendo, conclui-se que o referido personagem é um ser angelical, provavelmente Gabriel, que é enviado para trazer a interpretação da visão que Daniel teve. Percebe-se, entretanto, que existe um espaço entre os versículos 9 e 10. Na tradução Almeida Revista e Corrigida bem como na Tradução Almeida Contemporânea (Bíblia thompson), o versículo 17 diz: “Como, pois, pode o servo deste meu senhor falar com aquele meu senhor?”; o que dá a entender mais nitidamente a existência de dois personagens distintos.

Terceiro, cumpre-nos aqui, também, desfazer um falso ensino, formulado pelos sabatistas e pelos “Testemunhas de Jeová”, segundo os quais Miguel é, na verdade, Jesus. Trata-se de mais um sutil engano do adversário de nossas almas que, ao defender esta tese, procura negar a divindade de Cristo. Miguel é um arcanjo, é um anjo e, portanto, uma criatura. Pode ter uma posição excelente no céu e não se pode sequer deixar de reconhecer que é possível que tal posição tenha ganhado proeminência maior após a queda de Lúcifer, no entanto, Miguel não é Jesus. Miguel foi criado, Jesus é criador; Miguel não ousou repreender Satanás, Jesus feriu a cabeça do diabo, ao vencer a morte e o inferno na cruz do Calvário; Miguel é príncipe de Israel, Jesus é o Rei de Israel, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Miguel se levantará, na Grande Tribulação, pelos filhos de Israel, mas Jesus libertará Israel e porá fim a Grande Tribulação, na batalha do Armagedom. Portanto, Jesus e Miguel jamais poderiam ser a mesma pessoa.

3. A hostilidade espiritual contra o povo de Deus. O capítulo 10 de Daniel esclarece que não eram apenas os desencorajadores ou os samaritanos que se opunham à obra de Deus, nem mesmo os reis persas que atenderam aos samaritanos, mas, sobretudo, os anjos caídos (Dn 10:13,20).

A revelação dada a Daniel foi feita dentro do período do Império Medo-persa, mas logo este império passaria, e outro império haveria de surgir, suplantando o Medo-persa, que era o Império Grego (Dn 10:20). O anjo revela a Daniel que "o príncipe da Grécia", na figura de um dos espíritos satânicos, também se levantaria para se opor ao povo de Deus num tempo bem próximo daquele que ele, Daniel, estava vivendo.

O inimigo tem usado todas as armas e inúmeros estratagemas, em todas as épocas, para destruir a nação de Israel, mas Deus tem uma aliança inalterável com Israel e a cumprirá, porque Ele é imutável e cumpre suas promessas.

Quanto à igreja de Cristo, os mesmos espíritos do mal operam e hostilizam a igreja e aos crentes em particular. Há resistência espiritual às nossas orações. Quando oramos entramos em batalha contra as potestades do mal. Portanto, nossa principal luta não é contra o desânimo nem contra os homens, “não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6:12). O apóstolo Paulo diz que os homens não creem porque o príncipe deste mundo cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4:4).

CONCLUSÃO

A grande lição que aprendemos com Daniel capítulo 10 é que no mundo temos uma guerra espiritual sobre as nossas cabeças. Trata-se de uma guerra invisível, e para termos vitória contra as hostes infernais da maldade precisamos usar as armas apropriadas. Nesse conflito precisamos nos entregar à oração, ao jejum, ao pranto e ao quebrantamento. “Como Daniel, precisamos entender que há poder de Deus liberado por meio da oração. Precisamos continuar orando, mesmo que a resposta demore a chegar até nós, a despeito de já ter sido deferida no céu”.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Aula 10 – AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL


4º Trimestre/2014

Texto Base: Dn 9:20-27

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos santos” (Dn 9:24).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos uma das mais impressionantes e controvérsias profecias registradas nas Escrituras Sagradas, as “Setenta Semanas de Daniel” (Dn 9:24-27). Infelizmente é uma das passagens mais mal-entendidas no Antigo Testamento. Somos cônscios que ela é a profecia-chave da escatologia bíblica. Nela, vemos um panorama que facilita a compreensão dos acontecimentos sobre o fim dos tempos. Já sabemos que esta profecia se cumpriu até a 69ª semana, ou seja, falta apenas uma semana para que seja integralmente cumprida, uma vez que a contagem das semanas parou quando da rejeição de Jesus por Israel. O anjo Gabriel disse ao profeta Daniel que “… setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade...” (Dn 9:24). Portanto, as “setenta semanas” estão relacionadas, diretamente, com a nação de Israel (“o teu povo”) e com Jerusalém (“a tua santa cidade”).

I. DANIEL INTERCEDE A DEUS PELO SEU POVO (Dn 9:3-19)

1. O tempo da Profecia de Jeremias (Dn 9:1,2). “no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos” (Dn 9:2).

“... era de setenta anos”. Daniel analisou as profecias do profeta Jeremias e descobriu que o mesmo profetizara que a restauração de Israel começaria dentro de setenta anos (cf. Jr 25:11,12; 29:10-14). E os setenta anos de cativeiro do povo judeu estavam quase no fim, e não havia indício do retorno e da restauração prometidos. Daniel, portanto, ficou muito aflito. E, então, ele orou a Deus, pedindo-lhe o cumprimento literal da promessa ao seu povo e que, por fim, Ele restaurasse o reino a Israel.

Por que 70 anos de cativeiro? Segundo o pr. Severino Pedro da Silva, Setenta anos de cativeiro sobre a nação foi para ‘que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da desolação repousaram, até que os setenta anos se cumpriram’ (2Cr 36:21). Deus ordenou a Israel, no deserto, que trabalhasse seis dias em sete e, semelhantemente, seis anos em sete. (ver Ex 20:9,10; Lv 25:1-7). A guarda do sábado à risca foi observada por Israel logo no deserto, e um homem foi morto porque apanhou lenha no sábado (cf. Nm 15:32-36).

A segunda ordem de Deus para que se guardasse o ano sabático só entraria em vigor com a entrada da nação na terra prometida (ver Lv 25:2-4). Durante esse ano (de repouso), a terra não era lavrada, o fruto era livre e a confiança do povo em Deus era provada. Aprendemos de Deuteronômio 31:10-13 que esse ano era empregado para dar instrução religiosa ao povo. Durante os 490 anos da monarquia, essa lei não foi observada, como devia ter sido por 70 vezes. Por isso, foram dados ao povo 70 anos de cativeiro (ver 2Cr 36:21).

2. A confissão dos pecados de um povo (Dn 9:3-11,20). “E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza. E orei ao Senhor meu Deus e confessei, e disse… (Dn 9:3,4).

"... e confessei, e disse". O texto em foco mostra Daniel assumindo a posição de sacerdote (ainda que não o fosse) e fazendo confissão. A confissão é a expressão pública da fé. Enquanto o testemunho se dirige aos homens, a confissão dirige-se a Deus, num movimento espontâneo de gratidão e louvor.

Daniel deseja ardentemente ver o seu povo perdoado e a cidade de Jerusalém, principalmente o templo do Senhor reedificados. Por isso, ele começou a interceder, de todo coração, “com oração, e rogos, e jejum, e pano de saco, e cinza”. A oração na vida de Daniel era um costume regular. Ele, costumeiramente, orava três vezes ao dia (Dn 6:10).

Daniel começou a orar, com intercessão, reconhecendo a grandeza de Deus, o seu amor e sua misericórdia para com aqueles que o amam e o obedecem (Dn 9:4). A seguir, fez confissão do pecado, identificando-se com o povo de Israel que pecara contra Deus e se rebelara contra Ele (Dn 9:5-16). Pediu a restauração de Jerusalém, não por causa de qualquer mérito seu, ou de Israel, mas “por amor do Senhor” (Dn 9:17-19). Então chegou Gabriel, um embaixador da corte celestial, com a resposta e mais promessas para o povo de Deus. Quando Deus respondeu, demonstrou sua grande misericórdia e compaixão amorosa como o Deus que, realmente, cumpre as suas promessas.

3. Daniel reconheceu a justiça de Deus (Dn 9:7,16). “A ti, ó Senhor, pertence a justiça...” (Dn 9:7).

Comentando este versículo, o pr. Elienai Cabral diz que “em relação aos homens, toda justiça é relativa, porque nossas justiças são como trapos de imundícia (Is 64:6). Porém, em relação à natureza divina, a justiça de Deus faz parte da sua essência, isto é, a justiça é a maneira pela qual sua essência é expressa para com o mundo. A santidade é sua essência, por isso, a justiça é a retidão da natureza divina que o revela como um Deus justo. Deus é o que ele é, e não precisa ser nem se esforçar. Quando Daniel confessa e declara que a ‘justiça pertence a Deus’ está, de fato, proclamando a perfeição dessas qualidades morais como intrínsecas a Deus. No caso da oração de confissão de Daniel sobre o seu povo, mesmo que não pudesse entender totalmente a manifestação da justiça de Deus contra sua gente permitindo sua humilhação e extradição, Daniel sabia que a justiça de Deus é perfeita. Ele mesmo diz: ‘A ti, Senhor, pertence a justiça’".

II. DEUS REVELA O FUTURO DO SEU POVO (Dn 9:24-27).

1. As setenta semanas (Dn 9:24).Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo...”.

Quando Daniel recebeu a profecia das 70 Semanas (Dn 9:20-27) seu povo estava cativo na Babilônia. Nabucodonosor tinha desolado totalmente a cidade de Jerusalém (2Cr 36:17-21). Segundo as profecias essa desolação deveria durar setenta anos (2Cr 36:21; Jr 25:11; Dn 9:1,2).

Ao ler as Escrituras, especialmente o livro de Jeremias, Daniel descobre que o tempo do cativeiro havia chegado ao fim (Dn 9:2). Apesar disso, muitos dentre o povo estavam acostumadas com a Babilônia. Do mesmo modo, em nossos dias muitos que se dizem cristãos estão acostumados e conformados com o mundo, entretanto, a nossa pátria está nos céus; devemos, pois, clamar pela volta de Jesus.

Apesar da apatia dos judeus, Daniel sabia das promessas do Senhor. Ele desejava a restauração da sua nação, por isso, ele começou orar, e na sua súplica pela restauração da nação podemos notar que ele desejava: o perdão pelas transgressões de Israel; pede para que cessasse a ira e o furor do Senhor sobre Jerusalém e sobre o templo; pede o cumprimento da profecia com a libertação do cativeiro; o retorno para Canaã e o restabelecimento do culto.

Deus ouviu a oração de Daniel, mas o Senhor sabia que não bastaria apenas o retorno do cativeiro para que o problema de Israel fosse resolvido. A nação precisava ser purificada dos seus pecados, ser plenamente e definitivamente restaurada. Ao receber a resposta de sua oração, o anjo Gabriel trouxe-lhe novas revelações sobre as 70 semanas. Disse-lhe o anjo: Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos santos” Dn 9:24).

Esta profecia não tem nenhuma relação com os 70 anos do cativeiro babilônico, que já se cumpriram. Esta profecia acrescenta 490 anos de desolação sobre Israel.

A palavra hebraica traduzida por semanas, em Dn 9:24, é shabua, que significa sete. Portanto, a tradução literal deste texto seria: "setenta setes estão determinados...". Para os judeus uma semana poderia ser "uma semana de dias" (Dn 10:2,3), ou "uma semana de anos”. No caso aqui, sem dúvida, semana de anos. Há uma profecia, que nada tem a ver com as setenta semanas, mas serve para esclarecer esta questão. Trata-se da profecia do exílio proclamada pelo profeta Ezequiel: "Porque eu te dei os anos da sua iniquidade, segundo o número dos dias... Quarenta dias te dei, cada dia por um ano..."(Ez 4:5,7). Notamos aqui que cada dia representa um ano. Se uma semana tem sete dias, então uma semana de anos tem sete anos. Portanto, as setenta semanas compreendem um período de 490 anos (setenta semanas de sete, ou seja, 70 x 7 = 490).

As setenta semanas foram divididas em três períodos. Vejamos, resumidamente, uma análise desses períodos.

a) Primeiro período.  “... desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém... sete semanas...” (Dn 9:25). Aqui está o ponto de partida para a contagem das setenta semanas: “a saída da ordem”. São encontradas duas ordens nesse tempo do cativeiro: a primeira foi promulgada por Ciro, rei dos persas, e a segunda por Artaxerxes Longímano. Examinando Esdras 1:2,3, fica esclarecido que a primeira “ordem”, dada por Ciro, não foi para “restaurar e para edificar Jerusalém”, e sim, para edificar o Templo. É evidente que a “ordem” referida por Gabriel não é a de Ciro, e sim a de Artaxerxes, que a promulgou no dia 14 do mês de Nisã (março/abril) do ano 445 a.C. Neemias registra o dia no qual essa ordem foi dada: "No mês de Nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes..."(Ne 2:1). Segundo historiadores, o rei Artaxerxes subiu ao trono em 465 a.C. Desta feita, seu vigésimo ano é 445 a.C. Nesta mesma data iniciou-se a contagem do primeiro período, e terminou aproximadamente no ano 396 a.C., o que é relativo a 49 anos (7 semanas de anos).

b) Segundo período. “... sessenta e duas semanas...” (Dn 9:25). O primeiro período que começou no ano 445 a.C, terminou em 396 a.C. A partir daí se iniciaria um novo período que cobriria um lapso de tempo de 434 anos (62x7), dando sequência ao primeiro que foi de 49 anos. O segundo período que é o das "sessenta e duas semanas" está ligado ao primeiro que, juntos, somam 483 anos, tempo esse em que “as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (Dn 9:25). Esses tempos sombrios marcam as atrocidades sofridas por Israel debaixo do poder dos monarcas selêucidas, e do domínio romano. Dentro deste período de 69 semanas (483 anos), um fato notável deveria acontecer: o nascimento do Messias, o Príncipe, e só depois da morte do Messias é que viria o terceiro período: Uma Semana. É realmente impressionante observar que desde o decreto para a restauração até a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt 21:1-10) passaram-se exatamente 69 semanas ou 483 anos (isto é, 69 x 7 = 483).

Para encontrar o final das sessenta e nove semanas, temos que reduzi-las a dias. São 69 semanas de 7 anos cada uma, e cada ano tem 360 dias (ano judaico), então, a equação à qual chegamos é 69 x 7 x 360 = 173.880 dias. Começando com 14 de março (mês de nisã) de 445 a.C. – data do decreto do rei Artaxerxes -, este total nos leva até 6 de abril de 32 a.D., a data em que Jesus entrou em Jerusalém. Este dia é aquele profetizado no Salmo 118:24-26, que apontava para a entrada triunfal de Jesus, quando os judeus clamavam "Bendito é o rei que vem em nome do Senhor"(Lc 19:38; Sl 118:26).

c) Terceiro período. A profecia menciona 70 semanas, isto é, 490 anos, mas somente 483 (69 x7) anos foram cumpridos. Resta ainda 7 anos (490 - 483 = 7), e este período restante é a septuagésima semana de Daniel, que se cumprirá na Grande Tribulação, sobre a qual a profecia diz: “E ele (o Anticristo] firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Dn 9:27). Confrontando esta passagem com a profecia de Jesus constante de Mateus 24:15-21, fica provado que a septuagésima semana representa o tempo total da Grande Tribulação: sete anos.

Se esta última semana ainda não se cumpriu, então é porque há um intervalo entre a 69ª e a 70ª semanas. Porque os judeus rejeitaram o seu Rei (Lc 19:42), as bênçãos do reino Messiânico que deveria trazer a paz, ficaram adiadas para o futuro (Is 9:6,7; Zc 9:9,10).

Deve-se notar que a profecia é clara em afirmar que antes da septuagésima semana "haverá guerra; desolações são determinadas"(Dn 9:26). Isso deixa claro que a septuagésima semana ainda não se cumpriu, pois até agora Israel continua buscando a paz (Sl 122:6-9; Jr 23:5,6; Lc 19:42). A paz só virá quando Jesus, o Príncipe da Paz, retornar com poder e glória (Mt 24:29-31).

2. O intervalo entre a 69ª e a 70ª semana de Daniel (Dn 9:26). “E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações”.

Notamos uma pausa após o segundo período, ou seja, a contagem é interrompida faltando uma semana. A pausa acontece devido a morte do Messias: “será morto o Ungido e já não estará”. Esta pausa é de tempo indeterminado e corresponde a era da Igreja.

Observe que dois eventos deveriam acontecer após a 69ª semana: a morte do Messias e a destruição de Jerusalém. A história mostra que a destruição de Jerusalém - realizada pelo “povo de um príncipe que há de vir” -, liderada pelo general romano Tito, ocorreu no ano 70 a.D. Portanto, o segundo evento aconteceu quase 40 anos depois do primeiro (a morte do Messias).

Há um detalhe interessante que deve ser observado: a profecia coloca a destruição de Jerusalém depois da 69ª semana, bem como a coloca antes da 70ª semana. Com essa evidência, observamos que a septuagésima semana não segue imediatamente à sexagésima nona. Há pelo menos um intervalo de 38 anos (entre a morte de Cristo em 32 a.D. e a destruição de Jerusalém em 70 a.D.); e se há um intervalo de 38 anos, pode então haver um intervalo ainda maior. O período deste intervalo nós não sabemos quanto tempo durará, mas fica evidente que há esse intervalo de tempo entre as semanas. Até agora esse intervalo tem durado quase dois mil anos. É o período da dispensação da graça mencionada por Paulo (Ef 3:2,3), ou a dispensação do mistério (Ef 3:2,3; Rm 16:25; Cl 4:3), ou período dos gentios (Ef 3:5,6; Rm 11:25; Lc 21:24; Ap 11:2). Terminando esse tempo, Deus voltará a tratar com Israel, na última das setenta semanas.

É digno de nota ressaltar que a profecia de Daniel não menciona a Igreja, mas fala apenas do povo de Israel. Isso ocorre porque a Igreja era um mistério oculto em Deus (Ef 3:9; Rm 16:25), que veio a revelar-se neste período de intervalo entre as 69ª e 70ª semanas de Daniel.

3. A profecia é exclusivamente para Israel. O texto de Daniel 9:24 é muito claro: a profecia se refere à nação de Israel, o povo de Daniel, e tem relação com a cidade de Jerusalém.

Os amilenistas e pós-milenistas interpretam que a septuagésima semana se cumpriu nos dias anteriores à destruição de Jerusalém ocorrida no ano 70 de nossa era, ou então interpretam-na espiritualmente, dizendo que ela se cumpriu na 1ª vinda de Jesus. Mas, conforme declara a profecia, as 70 semanas foram dadas: “... para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o santo dos santos"(Dn 9:24). Todas estas benções têm relação com Israel sobre quem vieram as 70 semanas. É claro que nenhuma dessas bênçãos se cumpriu ainda.

Quando o Príncipe, mencionado em Daniel 9:25, o Messias, veio a Israel, Ele foi rejeitado (João 1:11; Lc 19:14), e Israel tornou-se ainda mais o alvo dos castigos divinos. Também, a iniquidade de Israel não foi expiada, pois somente o será quando esta nação reconhecer que o Jesus que eles rejeitaram é o Messias prometido, e isso só acontecerá no futuro, quando Jesus voltar (Zc 12:10; Mt 24:30; Rm 11:25-27; Lc 19:15).

Portanto, cremos que a última semana (a septuagésima) ainda não se cumpriu. Isto estabelece um intervalo de tempo entre a 69ª e a 70ª semana de Daniel.

4. Os três príncipes são mencionados na profecia (Dn 9:25,26). Na verdade, estes versículos referem-se a dois príncipes, e não três - “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe...” (Dn 9:25); “...e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário...” (Dn 9:26); “...E ele firmará um concerto com muitos por uma semana...” (Dn 9:27).

O primeiro “príncipe” tem o seu nome escrito com "P" maiúsculo, enquanto que o segundo está com "p" minúsculo. No versículo 25, o "Príncipe" escrito com "P" maiúsculo é chamado, também, o Messias. No versículo 27, o "príncipe" escrito com "p" minúsculo, é chamado "ele", que fará um concerto com muitos por uma semana. Certamente, o segundo príncipe (“ele”) refere-se ao Anticristo; a besta referida no Apocalipse; o chifre pequeno referido no capítulo 7:8 de Daniel. O primeiro Príncipe (é Cristo) aparecerá dentro das 69 semanas; o segundo, porém, só na septuagésima semana de anos.

Observe bem a frase: "e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário". Este texto não diz que "o príncipe" destruiria a cidade, e sim, o "seu povo". Essa profecia se refere ao "povo romano", liderado por Tito, filho do imperador Vespasiano, que destruiu a cidade de Jerusalém e o Templo no ano 70 d.C.

Portanto, o "príncipe", o Anticristo, ainda virá, e surgirá na "última semana" da profecia de Daniel, não para destruir a cidade e o santuário, mas para profaná-lo (ver 2Ts 2:4).

III. OS PROPÓSITOS DA SEPTUAGÉSSIMA SEMANA (Dn 9:27)

“E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador”.

1. Revelar o homem do pecado (2Ts 2:3). Daniel 9:27 começa com o pronome "ele”. Que personagem será esse? O apóstolo Paulo o identifica como o “o homem do pecado”. É também identificado como "o rei de cara feroz"; "o chifre pequeno" que surgirá do “animal terrível e espantoso", representando o império romano. De alguma nação aonde predominava o império romano surgirá "o príncipe” que “firmará um concerto com muitos por uma semana“ (Dn 7:24,25). Esse personagem é, também, identificado na linguagem do Novo Testamento como "o Anticristo" (1João 2:18; 4:3) e como "a Besta que saiu do mar"(Ap 13:1). O personagem é apresentado numa linguagem figurada mas a sua existência será literal. Ele será um líder mundial que chamará a atenção das nações da terra pela inteligência que demonstrará na diplomacia e na astúcia política.

Bem no início do seu governo fará um concerto com Israel por sete anos (Dn 9:27). Mas passados três anos e meio, ele romperá o concerto feito com Israel, e assentará no Templo para ser adorado como deus (2Ts 2:4). Também, estará em ação o falso profeta, assessor imediato do Anticristo, e será decretada a obrigatoriedade de todos adorarem o Anticristo (Ap 13:12), sob pena de morte (Ap 13:15). Os judeus, também, serão obrigados a adorar o Anticristo, mas como, certamente, muitos se recusarão a fazê-lo, ele mostrará a sua autoridade e força, e começará o que na profecia de Jeremias é chamado de o “tempo de angústia para Jacó” (Jr 30:7).

2. Revelar o tempo da Grande Tribulação (Mt 24:15,21). Com base no que foi exposto nos itens anteriores, conclui-se que a septuagésima semana refere-se ao período da Grande Tribulação (Mt 24:21), que há de vir sobre o mundo (Ap 3:10), e de forma toda especial sobre o povo de Israel, para que se cumpra o restante da profecia de Daniel (Dn 12:1-4).

É nesse período que o povo de Israel, através do sofrimento, será purificado dos seus pecados. Então cumprir-se-á a profecia de Daniel: “... para fazer cessar a transgressão, para dar um fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o santo dos santos"(Dn 9:24).

A profecia de Daniel diz que o "príncipe, que há de vir" (Dn 9:26) fará um pacto com Israel por sete anos (Dn 9:27). Talvez, o pacto tenha como objetivo a garantia da liberdade de construir o Templo e cultuar a Deus. Os judeus que rejeitaram a Jesus (João 1:11), aceitarão o Anticristo (João 5:43).

Depois de três anos e meio, o Anticristo romperá o pacto. Ele profanará o Templo, ao assentar-se nele para ser adorado como Deus (2Ts 2:4). Israel não aceitará a imposição de adorar a outro, senão a Jeová. Ele, então, perseguirá impiedosamente os judeus. Os sofrimentos serão tremendos. Jesus, ao falar destes acontecimentos, aconselha os judeus que estiverem morando em Israel a fugirem para as montanhas (Mtr 24:16). Esta fuga está profeticamente descrita em Apocalipse 12:14: “... e foram dadas à mulher (Israel) as duas asas da grande águia, para que voasse até o deserto, ao seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”.

É nesse período que Israel sofrerá "dores de parto" (Is 66:8), a fim de que o remanescente fiel seja gerado. A nação de Israel será perseguida, mas Deus lhe preparará um caminho de fuga -E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias”(Ap 12:6).

3. Revelar a vitória gloriosa do Messias. Jesus Cristo, o Messias prometido, se revelará de modo especial na sua vinda pessoal e visível sobre o Monte das Oliveiras (Zc 9:9,10). Ele aparecerá em grande glória, acompanhado dos exércitos celestiais (Ap 19:11-14). Cumprir-se-ão as palavras da Bíblia: “Eis que vem com as nuvens, todo olho o verá” (Ap 1:7). Ele virá e instalará um reino de paz e harmonia no mundo, desfazendo por completo o Anticristo, o falso profeta e o próprio Diabo (Ap 19:19-21). Jesus virá acompanhado de sua Igreja, com todos os salvos de todos os tempos. A Noiva, após participar das Bodas do Cordeiro (Ap 19:9), aparecerá, agora, como a esposa de Cristo (Ap 21:9).

No momento em que Jesus aparecer em glória, Israel estará no auge do sofrimento. Jerusalém encontrar-se-á sob o domínio de muitos exércitos, desejosos de sua destruição. Mas a vinda de Cristo em glória reverterá a situação. Acontecerá algo novo. O Espirito Santo será derramado sobre os judeus, conforme está escrito: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12:10)

A nação de Israel tomará consciência de que aquele Jesus que está vindo em glória é o Messias, o qual seus predecessores rejeitaram e crucificaram. Então, lamentar-se-ão.

No momento da vinda de Jesus em glória, cumprir-se-á a segunda parte da conhecida profecia acerca do “vale de ossos secos” registrada em Ezequiel 37. A primeira parte desta profecia cumpriu-se, quando da restauração nacional de Israel, a partir de 1948. Os ossos se uniram, e Deus sobre eles pôs nervos, carne, pele (Ez 37:5-8). O mundo viu com espanto um povo espalhado pelo planeta tornar-se uma nação temida e respeitada em todas as áreas científicas. Mas a Bíblia Sagrada diz que, no primeiro momento, não havia neles espírito (Ez 37:8), isto é, Israel ainda não havia se reconciliado com o Senhor. A restauração era apenas a da vida nacional. A segunda parte da profecia cumprir-se-á na vinda de Jesus em glória, pois o Espirito de Deus será derramado sobre eles, e viverão, e por-se-ão de pé um exército extremamente grande (Ez 37:10).

Neste tempo será cumprido o tempo determinado por Deus: “para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna...” (Dn 9:24). Findarão, então, as setenta semanas de Daniel. Desta feita, a visão e a profecia estarão seladas (Dn 9:24). Jesus, então, instalará o Milênio. Israel, agora restaurado, governará com Cristo por mil anos (Ap 20:2,5); será a nação líder, tanto política como espiritualmente. Amém!!

CONCLUSÃO

Muitos, hoje, que se dizem teólogos negam as profecias de Daniel e preferem alegorizar as revelações de Deus dadas ao seu servo “muito amado” (Dn 10:11,19). Entretanto, a igreja não pode se deixar levar pelo engano de falsos mestres que rejeitam as verdades futuras estabelecidas pelo Senhor.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal – pg.1258.