domingo, 3 de maio de 2015

Aula 06 – MULHERES QUE AJUDARAM JESUS


2ºTrimestre/2015

Texto Base: Lucas 8:1-3

 
“E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades... e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc 8:2,3).

 

 

INTRODUÇÃO

 

Lucas 8:1-3 descreve que um grupo de mulheres, de forma desinteressada, ajudou Jesus em seu ministério evangelístico. É muito possível que a hostilidade cada vez maior da parte da instituição das sinagogas tivesse levado Jesus a concentrar-se em pregar e ensinar ao ar livre (Lc 8:1). Nessa ocasião, foi acompanhado pelos Doze e por algumas mulheres as quais curara. Lucas cita o nome de algumas delas, mas ele mesmo diz que havia muitas outras, que lhe prestavam assistência com os seus bens (Lc 8:3). Estas mulheres correspondiam em amor e gratidão aquilo que Jesus fizera para elas (cf. Mc 15:40,41). Elas não se sentiram constrangidas a renunciar os seus bens para servir ao Senhor. O fato de um grupo e mulheres serem citadas como seguidoras de Jesus mostra que a missão do Filho do Homem não se limitou aos excluídos economicamente, mas também àquelas pessoas que haviam sido excluídas socialmente.

I. JESUS, JUDAÍSMO E AS MULHERES

1. A presença feminina no ministério de Jesus.. As mulheres sempre estiveram ao lado do Senhor Jesus. Desde o seu nascimento, elas o acompanhavam. Quando Ele foi apresentado no templo, a Bíblia relata que ali estava a profetisa Ana, segundo registro de Lucas 2:36-38.

Elas o serviam: “Então Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pós de Jesus e enxugou-lhe com os cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12:3).

Elas contribuíam com suas ofertas: “… e também o seguiam algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc 8:2-3).

Elas estavam presentes na sua morte e também na sua ressurreição - Mateus 27:55,56 relata: “Estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José e mãe dos filhos de Zebedeu”.

Foi a uma mulher que Jesus apareceu pela primeira vez após a ressurreição: “Disse-lhe Jesus: Maria. Ela, voltando-se, disse-lhe: Mestre... Maria foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor” (João 20:15-18).

Portanto, a presença feminina no ministério de Jesus é indubitável.

2. Jesus valorizou as mulheres. Os rabinos recusavam-se a ensinar as mulheres, e geralmente lhes atribuíam um lugar de inferioridade. Nos cultos da sinagoga só os homens tinham permissão de participar plenamente. Nem mesmo lhe era permitido aparecer em público descoberta, sendo dessa forma impossível ver a sua fisionomia. A mulher não tinha voz nem rosto. Até hoje, a tradição rabínica não permite que as mulheres se "apossem" de um rolo da Torá (Livro da Lei) para orarem junto ao lugar mais sagrado para o judaísmo - o Muro das Lamentações. Todavia, Jesus veio para mudar tudo isso. Na verdade, Jesus promoveu uma verdadeira inversão de valores naqueles dias. O objeto passou a ser sujeito. Ele livremente admitia as mulheres à comunhão e aceitava o serviço delas, como se vê no registro de Lucas 8:1-3. Aqui, Lucas quis mostrar que o cristianismo rompeu com a prática do judaísmo, que afastava as mulheres dos assuntos religiosos.

João 4:5-42 descreve o diálogo de Jesus com a mulher samaritana. Ela era uma pessoa que tinha tudo para ser relegada ao desprezo. Além de pagã, essa mulher (inimiga dos judeus) tinha uma vida totalmente desregrada. Ao acolher a samaritana, naquelas condições, Jesus abriu caminho para que ela pregasse o seu Evangelho ao povo a que ela pertencia, o que pode ser visto em João 4:26-29 - “Deixou, pois, a mulher o seu cântaro e foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde e vê um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o Cristo? Saíram, pois, da cidade e foram com ter com ele”. É interessante constatarmos que as pessoas que são libertas, que são salvas por Jesus, transformam-se em seguidoras dEle; em proclamadoras do reino de Deus, usando os recursos que tem em suas mãos. Você se sente liberto por Jesus? Você tem seguido a Jesus de forma secreta ou pública? Está comprometida com a expansão do reino de Deus?

II. MULHERES COM DISPOSIÇÃO PARA OBEDECER

1. Maria, a mãe do Salvador. Ser a mãe do Salvador era o desejo de qualquer mulher israelita. O povo esperava um Messias da linhagem de Davi, porém um Messias ditatorial, guerreiro, libertador, déspota, invencível, mas nunca jamais imaginaram vir o Messias de alguma cidade da Galiléia, a Galiléia dos Gentios (Mt 4:15), principalmente de uma família pobre de Nazaré. O povo de Jerusalém desdenhava os judeus da Galiléia e dizia que eles não eram puros, em virtude do seu contato com os gentios. Eles especialmente desprezavam os habitantes de Nazaré (João 1:45,46), mas Deus, em sua graça, escolheu uma jovem pobre, da pequena cidade de Nazaré, na pobre região da Galiléia, para ser a mãe do Messias prometido. Essa escolha teve sua origem na graça de Deus e não em qualquer mérito dela. Deus não chama as pessoas porque são especiais, mas elas se tornam especiais porque Deus as chama.

Quando o anjo aparece a Maria, pela primeira vez, quando da escolha para ser a mãe do Salvador ele diz: “...Salve, agraciada; o Senhor é contigo” (Lc 1:28). Agraciada significa favorecida, não merecedora, pois graça significa favor não merecido. Observe, também, que a mensagem do anjo estava na criança, e não em Maria. O Filho seria grande, não ela (Lc 1:31-33). O nome da criança resumia o propósito do seu nascimento. Ele seria o Salvador do mundo (Lc 1:31; Mt 1:21). O anjo revela a Maria que a concepção seria um milagre. Disse-lhe o anjo: “Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc 1:35).

De todos os úteros da terra, o útero de Maria foi escolhido para ser o ninho que ternamente acalentaria o Filho de Deus feito homem. A serva de Deus, Maria, se apresenta, bate continência ao Senhor dos Exércitos e se coloca às suas ordens: “Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38). Ela se entrega por completo, sem reservas ao Senhor. Ela está pronta a obedecer e oferecer sua vida, seu ventre, sua alma, seus sonhos ao Senhor. Ela está disponível para Deus. Ela está pronta a sofrer riscos, a desistir dos seus anseios em favor dos propósitos de Deus. Ela está pronta a ser uma sócia de Deus, não uma igual com Deus, mas uma serva. Ela diz: “cumpra-se em mim conforme a tua palavra”. Estes termos mostram que ela estava disponível para Deus.

Maria arriscou tremendo reveses em sua vida quando se propôs em fazer a vontade de Deus: ser a Mãe do Salvador do mundo, o Messias.

- Risco de censuras do povo. Ao aparecer grávida na cidade de Nazaré Maria estava exposta às mais aviltantes censuras, haja vista que o anjo apareceu somente a ela, e não ao povo de um modo geral. Imagine explicar uma gravidez, não explicável, para sua família! Maria passou um tempo da sua vida sob uma nuvem de suspeita por parte da família e dos vizinhos.

- Risco de ser abandonada pelo seu noivo, José, por não acreditar em sua gravidez milagrosa. Já que assumiu o compromisso de obedecer a Deus, como enfrentar o homem que amava e lhe dizer que estava grávida e que ele não seria o pai? Certamente, não foi fácil! Mas ela estava disposta a sofrer o desprezo e a solidão. Na verdade, José não acreditou em Maria, pois resolveu abandoná-la (Mt 1:19). Mas, o anjo apareceu para ele e lhe contou a verdade e ele creu na mensagem do anjo e nas palavras de Maria (Mt 1:20). A Bíblia não registra nenhuma palavra direta de José. Ele simplesmente obedeceu.

- Risco de ser apedrejada em público. O risco de Maria ser apedrejada era enorme, pois esse era o castigo para uma mulher adúltera. Como ela já estava comprometida com José (Mt 1:19), ele poderia, com base nos ditames da Lei Mosaica, mandar apedrejá-la. A Lei era enfática: “Se houver moça virgem desposada e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela, trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis até que morram: a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo. Assim exterminarás o mal do meio de ti” (Dt 22:23,24). Percebe-se que Maria dispôs-se a pagar um alto preço por sua obediência ao projeto de Deus. Maria era uma jovem pobre, agora grávida, com o risco de ser abandonada pelo noivo e apedrejada pelo povo. Mas ela não abre mão de ir até o fim, de lutar até a morte, de sofrer todas as estigmatizações possíveis para cumprir o projeto de Deus.

2. Isabel, a mãe do precursor. Em uma sociedade como a israelita, em que o valor de uma mulher era largamente medido por sua capacidade de gerar filhos, não ter um filho frequentemente levava ao sofrimento pessoal e à vergonha pública. Para Isabel, avançar em idade sem ter filhos foi doloroso e solitário, mas ela permaneceu fiel a Deus.

Em Lucas 1:6 lemos o seguinte a respeito de Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor. Eles estavam em comunhão com Deus”. Eles oravam constantemente por um filho, e a oração desse casal foi ouvida. Disse o anjo a Zacarias: - “Isabel tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João” (Lc 1:13). Quando o seu bebê nasceu Isabel insistiu em dar-lhe o nome ordenado por Deus: João. Ao concordar, Zacarias voltou a falar, e todos na cidade se perguntaram o que aquela criança tão especial se tornaria. Isabel sussurrava seu louvor a Deus ao cuidar do presente que recebera dEle. As coisas aconteceram muito melhor do que ela poderia planejar.

Assim como Maria, Isabel foi uma mulher muito especial. Ela não mostrou dúvida alguma sobre a capacidade que Deus tem de cumprir as suas promessas. Ela foi obediente e sua obediência foi recompensada.

Nós também precisamos nos lembrar de que Deus está no controle de todas as situações. Quando você parou pela ultima vez para reconhecer a providencia de Deus nos acontecimentos de sua vida?

III. MULHERES COM DISPOSIÇÃO PARA SERVIR

1. Mulheres servas. As mulheres aparecem com frequência no Evangelho de Lucas a serviço do Mestre. O próprio texto base desta Aula (Lc 8:1-3) demonstra isso, tendo como principal destaque Maria Madalena. Elas serviam ao Senhor com pleno amor, devoção e como expressão de gratidão. Mas quero aqui destacar uma mulher que serviu ao Senhor com aquilo que ela mais sabia e podia fazer. Estou falando da sogra de Pedro. Certa feita, Jesus foi à casa de Pedro e chegando lá estava a sogra de Pedro com febre. Jesus expulsou a febre como se fosse um espírito maligno (Lc 4:38,39). E qual foi o resultado de uma vida livre do mal? A sogra de Pedro se levantou e começou a servi-los. Ela serviu a Jesus e aos que estavam com Ele. Essa mulher, certamente idosa, se dispôs a servir a Jesus servindo os outros. Ela se tornou um exemplo para nós. Quando queremos servir e trabalhar por Jesus, sem dúvida temos que agir de modo prático, e a prática é ajudar os outros; é participar do projeto de Jesus de anunciar as boas-novas de libertação, mesmo sem estar na linha de frente anunciando o evangelho.

A sogra de Pedro passou imediatamente a servi-los quando foi curada. Com o que sabia fazer ela serviu. Você tem colocado diante do Senhor os seus dons, as suas habilidades e capacidades para ajudar a proclamar as boas-novas do reino? Você não precisa ser um missionário, um pastor ou um professor de teologia. Não! Com o que Deus lhe tem dado você pode servir. Ele quer que você multiplique os talentos que lhe concedeu! É isso que deve acontecer com a vida de cada um que é tocado pela mão poderosa de Jesus.

2. Mulheres abnegadas. É difícil destacar uma só mulher que não serviu ao Senhor de forma desinteressada. A abnegação era uma característica marcante nas mulheres que serviam ao Senhor Jesus. Mas quero aqui destacar a atitude de mulher, que é registrado apenas por Lucas: trata-se da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus por ocasião de uma refeição na casa de um fariseu chamado de Simão (Lc 7:36-50). Uma refeição tal qual aquela que Jesus estava participando não era particular. As pessoas podiam entrar e ver o que estava acontecendo. Entretanto, uma prostituta não seria benvinda na casa de Simão, de modo que exigia coragem chegar até lá. A mulher levou um vaso de alabastro com unguento. Muitas mulheres judias usavam um pequeno frasco de perfume em um cordão ao redor do pescoço. Este vaso com unguento deve ter sido um grande valor para esta mulher.

Embora a mulher não fosse uma convidada, ainda assim ela entrou na casa e ajoelhou-se por detrás de Jesus, aos seus pés. As pessoas estavam reclinadas para comer, de modo que a mulher ungiu os pés de Jesus sem aproximar-se da mesa. Ela começou a chorar, e a regar-lhe os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. Esta mulher compreendeu que Jesus era muito especial. Talvez ela, como uma pecadora, tivesse vindo a Jesus com grande tristeza pelos seus pecados. Ela pode ter vindo a Jesus agradecida por ter sido perdoada, e por isto ofereceu a Ele o seu unguento caro, o melhor que ela tinha. Foi um ato de sacrifício. Lavar os pés de Jesus era um sinal de profunda humildade – este era o trabalho de um escravo. É uma conjectura razoável que Jesus fizera esta mulher voltar-se dos seus caminhos pecaminosos, e que tudo isto era a expressão do amor e da gratidão dela. A gratidão é um sinal da conversão. Você é grato a Deus por sua salvação?

Algumas deduções são possíveis a partir desse texto (extraído do livro: Lucas – o Evangelho de Jesus, o Filho do Homem – pg.79/80):

1. A mulher pecadora era “cobiçada” pelos homens, mas não se sentia amada por Deus. Não há dúvida de que essa mulher, sempre disponível para os homens, sendo cobiçada por eles, não se sentia uma mulher amada. É somente quando ela encontra o Senhor Jesus que ela de fato vai saber o que é se sentir realmente amada. Jesus fez com que a mulher pecadora se sentisse perdoada por Deus.

2. A mulher pecadora levava consigo um frasco de perfume, mas não conseguia encobrir o fedor do seu passado. O fariseu que convidou Jesus, ao observar a cena da mulher ungindo o Senhor, pensou: “Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora”. Pela lei, aquela mulher de fato era uma pecadora! O fariseu e todos os presentes ali sabiam disso. Parece que aquela mulher fedia a pecado. Foi somente quando teve o contado com o Mestre que o seu pecado e consequentemente o seu passado foram esquecidos diante de Deus. Agora ela não fedia mais a pecado, mas tornara-se o bom perfume de Cristo (2Co 2.15).

3. A mulher pecadora vendia o seu corpo, mas não conseguia comprar a paz. O que de fato essa mulher procurava e buscava com intensidade era encontrar a paz! Ela tinha os homens à sua volta, ganhava dinheiro com seu corpo, mas não conseguia encontrar a paz. Jesus mostra-lhe que ser amada por Deus e perdoada por Ele é o que importa. A paz vem quando o perdão de Deus é derramado em seu coração.

4. A mulher pecadora aprendeu que a Lei condena, mas a graça perdoa. A Lei puniu aquela mulher, a graça a perdoou! A Lei a excluía, a graça a abraçou! A Lei foi dada através de Moisés, a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo (João 1.17).

IV. MULHERES COM DISPOSIÇÃO PARA OFERTAR

A imagem de mulheres viajando com Jesus e seus discípulos deve ter sido completamente atípica para os rabinos. Estes se recusavam a ensinar mulheres, porque elas geralmente eram consideradas inferiores. Jesus, entretanto, elevou as mulheres de uma condição de degradação e servidão à comunhão e ao serviço a Deus. Ao permitir que estas mulheres viajassem com Ele, Jesus estava mostrando que todas as pessoas são iguais diante de Deus. Estas mulheres apoiavam o ministério de Jesus com o seu próprio dinheiro. Elas tinham uma grande dívida para com Ele porque algumas haviam sido curadas de espíritos malignos e outras de enfermidades.

Lucas destacou três mulheres: Maria Madalena – da qual Jesus tinha expulsado sete demônios; Joana - esposa de Cuza, que era procurador de Herodes (ou administrador). Este homem, que é mencionado somente em Lucas 8:3, pode ter estado encarregado de uma propriedade de Herodes Antipas. Joana é também mencionada em Lucas 24:10 como uma das mulheres que, juntamente com Maria Madalena, avisou aos discípulos da ressurreição de Jesus; Suzana - que não é mencionada em nenhuma outra parte das Escrituras, e nada se sabe a seu respeito. Talvez Lucas tenha destacado estas três mulheres porque elas podem ter sido conhecidas dos seus leitores. Todas estas mulheres serviam a Jesus com seus bens, com suas ofertas.

Além destas mulheres havia muitas outras que, com os seus próprios recursos, ajudavam Jesus e os seus discípulos. Isto nos dá uma ideia de como Jesus e seus discípulos tinham suas necessidades satisfeitas. João 13:29 revela que Jesus e os discípulos tinham um fundo comunitário (uma bolsa) com que compravam comida e davam aos pobres, e que Judas Iscariotes era o tesoureiro. Essa passagem fala da origem deste fundo. Pessoas como as mulheres listadas aqui davam dinheiro a Jesus e aos discípulos por gratidão pelo que Jesus tinha feito a elas. Chamamos isso de gratidão demonstrada. Gratidão demonstrada com atitudes. Como você tem demonstrado sua gratidão pelos benéficos que Ele tem feito por você? Há algum bem maior que a Salvação? Creio que não!

CONCLUSÃO

Não há como negar: Jesus valorizou a mulher como homem algum jamais o fez. Ela deixou de ser objeto para ser sujeito. Lucas nos mostra que as mulheres tiveram uma participação expressiva na implantação do Reino de Deus. Na igreja primitiva, o ministério das mulheres foi amplamente fortalecido. Elas eram dedicadas à obra de Deus e exerciam seus ministérios com o apoio das lideranças da época. A relação é extensa e inclui, entre outras, Febe (Rm 16:1-2), Lóide e Eunice (2Tm 1:5), Maria, mãe de João Marcos (At 12:12); Priscila que juntamente com o esposo, Áquila, passou a doutrina para várias outras pessoas, inclusive para um intelectual e culto homem de Alexandria chamado Apolo (At 18:26); Lídia (Atos 16), a primeira pessoa convertida na Europa. A sua casa foi o primeiro local de reuniões das igrejas na Europa. Todas essas mulheres atuavam nas áreas de ensino, na evangelização, intercessão e contribuição financeira, com amor e dedicação. São exemplos que ficam para sempre e nos quais podemos nos espelhar para servir a Deus.

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 62. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

John Vernon McGee. Através da Bíblia – Lucas. RTM.

Leon L. Morris. Lucas (Introdução e Comentário). VIDA NOVA.

 

 

 

 

domingo, 26 de abril de 2015

Aula 05 – JESUS ESCOLHE OS SEUS DISCÍPULOS


2º Trimestre/2015

 
Texto Base: Lucas 14:25-35

 

“E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14:27)

 

INTRODUÇÃO

A escolha dos doze homens para atuar como apóstolos de Jesus foi um acontecimento central no ministério de Jesus. A escolha foi feita após uma noite inteira em oração (Lc 6:12-16). Ao amanhecer, Jesus chamou a si os seus discípulos. Jesus orava a noite toda antes de tomar uma decisão importante como essa. Ora, se Jesus, sendo o perfeito Filho de Deus, passou uma noite toda em oração ao Pai, para tomar uma importante decisão, quanto mais nós, com nossas fraquezas e nossos fracassos, precisamos orar muito e cultivar uma íntima comunhão com nosso Pai celestial.

Um discípulo era um aprendiz, um estudante. Segundo Leon L. Morris, “no século I, o estudante não estudava simplesmente uma matéria; estudava com um mestre. Há um elemento de ligação pessoal no ‘discípulo’ que falta no ‘estudante’. Do grupo maior de adeptos, Jesus escolheu doze. A esses doze Jesus deu o nome de apóstolos; o termo é derivado do verbo ‘enviar’ e significa ‘uma pessoa enviada’, ‘um mensageiro’”.

A lista dos escolhidos por Jesus para ser apóstolos não é muito impressionante do nosso ponto de vista. A maioria deles deixou pouquíssimas marcas na história da igreja. Jesus escolheu quatro pescadores (Pedro, André, Tiago e João); um coletor de impostos (Mateus); um nacionalista extremado (Simão Zelote); Filipe, que às vezes parecia muito difícil de entender as coisas (João 6:5-7; 12:21-22; 14:8-9); Tomé, que em geral parecia pessimista (João 11:16; 14:5; 20:24-29); Judas, que o traiu, e; três outros, a respeito de quem simplesmente não sabemos coisa alguma. É óbvio que Jesus não levava em conta o sucesso do mundo, a inteligência, etc., como critério importante para ser útil a ele. Jesus preferia operar, naqueles tempos como também agora, através de pessoas perfeitamente comuns.

Os escolhidos foram as pedras fundamentais da Igreja, e sua mensagem encontra-se nos escritos do Novo Testamento, como testemunho original e fundamental do evangelho de Cristo, válido para todas as épocas. O Evangelho concedido a esses escolhidos por Cristo, mediante o Espírito Santo, é a fonte permanente de vida, verdade e orientação à igreja. Isso prova que as escolhas de Deus são muito diferentes daquelas feitas pelos homens. Afinal, Ele olha para o interior das pessoas e não para as aparências, como nós fazemos.

I. O MESTRE

A ênfase que Jesus deu ao ensino ressalta do fato de em geral ser ele reconhecido como Mestre. Ele foi mesmo chamado Mestre, Professor ou Rabi; e tudo isto, traz em seu bojo a mesma ideia geral expressa por Nicodemos quando disse: "Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus" (João 3:2). Jesus a si mesmo se chamava Mestre, dizendo: "Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou" (João 13:13).

1. Seu ensino. Jesus foi o maior Mestre que já viveu. Sua missão era instruir aos outros como conhecer a Deus. Sua mensagem principal era que Deus queria nos amar e nos conhecer. Ele ensinava enquanto andava com os seus seguidores. Ele ensinava em qualquer lugar e a toda hora — no Templo, nas sinagogas, no monte, nas praias, na estrada, junto ao poço, nas casas, em reuniões sociais, em pú­blico e em particular. Ele ensinava em sermões, mas preferia usar uma história ou uma parábola. Ma­teus diz: "Andava Jesus por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, e proclamando as boas-novas do reino..." (Mt 4:23). Toda a obra de Jesus estava envolvida em atmosfera didática, e não tanto num ar de preleções ardentes, pois observamos que os ouvintes se sentiam à vontade para lhe fazer perguntas, e ele, por sua vez, lhes propunha questões e problemas. “As pessoas ficavam maravilhadas com o ensino de Jesus (Lc 4:22), porque Ele as ensinava com autoridade, e não apenas reproduzia os que os outros disseram. A natureza do seu ensino era diferente – era de origem divina (João 7:16)”.

a) O seu ensino é acessível a todo povo. Ao contrário dos “sabichões” da sua época e dos nossos dias, não queria demonstrar conhecimento, mas tinha por missão fazer com que Deus fosse compreendido pelo povo. Utilizando-se de circunstâncias da vida de seus ouvintes, permitia-lhes enxergar as “coisas de cima”, as realidades espirituais que, se fossem ensinadas em sua profundidade e dificuldade, estariam acima da capacidade de qualquer doutor, como Jesus deixou claro em seu diálogo com o “mestre de Israel” Nicodemos (João 3:9-12).

b) O seu ensino tem uma linguagem acessível, universal. Nunca Jesus fez uso de histórias fantasiosas, de coisas complexas, de enigmas que exigissem capacidade invulgar para decifrá-los. Ele ensinava por Parábolas, ou seja, Ele revelava verdades desconhecidas com base em verdades e fatos conhecidos; eram histórias retiradas do cotidiano, do dia-a-dia dos seus contemporâneos, cuja profundidade é mostrada com elementos absolutamente triviais e simples. Ele usava figuras, ou pessoas que todo povo conhecia, tal como a figura de um Semeador que saiu a semear; da Semente que caiu na boa ou na terra ruim; de um Pastor que perdeu uma ovelha; de um Filho que abandonou a casa de seu pai; de uma Moeda perdida por uma mulher; de um Vestido novo que não podia ser remendado com pano velho; de um Pescador jogando sua rede para pescar; de um Construtor que construiu sua casa sobre a areia. Eram dezenas de historias e de figuras sobejamente conhecidas. Isto é uma eloquente demonstração da “simplicidade que há em Cristo” (2Co 11:3).

Ao contemplarmos este modelo de ensino de Jesus, devemos sempre lembrar que na igreja o ministério do ensino deve ser exercido com simplicidade, pois não será a complicação, a erudição excessiva que conferirá profundidade ao ensino, e as parábolas são a prova disto. A mensagem do Evangelho é para todo o mundo, para toda a criatura (Mc 16:15) e, por isso, temos de usar de uma linguagem facilmente acessível, universal, como eram as parábolas.

c) O Seu ensino é completo, ou seja, não se pode acrescentar coisa alguma ao que Ele ensinou. O que foi ensinado e registrado nas Escrituras não pode mais ser acrescido nem tampouco diminuído. Tanto assim é que o Espírito Santo tem por tarefa tão somente nos fazer lembrar o que foi ensinado pelo Senhor Jesus (João 14:26; 16:13-15) - ou seja, não ensina coisas novas -, mas tão somente nos revela o que foi ensinado. Por isso, não podemos permitir “novos ensinos”, “novas doutrinas”, inovações que nada mais são que “doutrinas de homens” (Cl 2:22) ou “doutrinas de demônios” (1Tm 4:1), trazidos por pessoas que querem nos desviar do verdadeiro e único Mestre: Jesus Cristo. Por isso, não podemos crer nestas invenções, uma das principais características dos dias que antecedem à vinda do Senhor (Mt 24:4,5,11,23-26).

2. Jesus ensinava pelo exemplo. O exemplo é essencial para que o ensino tenha eficácia, e Jesus foi, em todos os aspectos, um exemplo como Mestre, demonstrando na prática as verdades que anunciava. Quando lavou os pés dos discípulos, demonstrou a grandeza do serviço humilde, pois apenas os escravos lavavam os pés daqueles que chegavam de viagem nas estradas poeirentas da Palestina. Quando confrontado por seus inimigos em relação ao pagamento de tributos, pegou uma moeda e deu-lhes uma lição importante acerca do respeito ao Estado.

Quando vemos os preciosos ensinamentos de Jesus no sermão do monte, vemos que Ele demonstrou o verdadeiro e profundo sentido da lei e dos profetas, mas, antes mesmo de anunciar tais lições, fez questão de afirmar que havia vindo para cumprir a lei (Mt 5:17). Diante desta afirmativa, não havia como Seus ouvintes deixarem de vincular o que ensinava com o que Jesus vivia e, ao término do discurso, puderam compreender que Jesus dava exemplo, vivia o que ensinava (1Pe 2:21-24), daí porque Seu ensino era “com autoridade”.

Assim falai, assim procedei (Tg 2:12). Na escola secular, o professor pode ser um mero transmissor de conhecimentos. Na igreja é diferente: o professor tem que ser didático e exemplar. Ensinar não é passar conhecimento simplesmente por meio de uma aula expositiva. É muito mais do que isso. Uma lição fica completa quando existe coerência entre o que é “falado” e o que é “vivido”. César Moisés Carvalho, pedagogo e autor do livro Marketing para a Escola Dominical, editada pela CPAD, disse certa vez que o problema de muitos cristãos de nossos dias não é a ortodoxia – saber fazer o que é certo à luz da Bíblia -, e sim a ortopraxia – viver aquilo que sabemos ser o certo à luz da Bíblia. Aqui reside um dos maiores desafios para os que se dedicam ao ensino.

II. O CHAMADO

A expressão "segue-me" é o principal termo para descrever o chamado para o discipulado (Mc 2:14; 8:34; 10:21). Jesus não chamou os discípulos para prioritariamente fazerem um trabalho, mas para um relacionamento. Ir a Cristo, seguir a Cristo, estar com Cristo é mais importante do que fazer a obra de Cristo. Jesus está mais interessado em quem nós somos do que no que fazemos. Relacionamento precede o desempenho. A vida com Cristo precede o trabalho para Cristo. Santidade pessoal precede ministério cristão. Primeiro damos ao Senhor o nosso coração, depois consagramos a Ele tudo o que temos. Inverter esta ordem é o mesmo que trocar a raiz pelo fruto, a causa pelo efeito.

1. Jesus chama cooperadores para fazer a sua obra (1). Os evangelhos registram três ocasiões em que os discípulos foram chamados:

a) A chamada para a salvação. Essa chamada aconteceu na Judeia e está registrada em João 1:35-51. Jesus chamou André e Pedro e estes deixaram as fileiras de João Batista e o seguiram. Mas nessa ocasião, eles ainda voltaram para a Galileia e continuaram com sua atividade pesqueira.

b) A chamada para o discipulado. Essa ocasião é descrita em Marcos 1:16-20, no Mar da Galileia, quando Jesus chamou Pedro e André, Tiago e João para segui-lo. Esse é o chamado para o discipulado. Eles seriam treinados para serem pescadores de homens. Contudo, somos informados em Lucas 5:1-11, que eles ainda voltaram à pescaria no Mar da Galileia. Foi nessa ocasião que Pedro disse para Jesus: "Senhor, afasta-te de mim, porque eu sou pecador". Em outras palavras, estava pedindo para Jesus desistir dele e buscar alguém mais adequado para a grande missão. Mas Jesus não desistiu de Pedro.

c) A chamada para o apostolado. Esse chamado está registrado em Marcos 3:13-21, quando Jesus separou dentre seus discípulos, doze apóstolos para estarem com Ele e para os enviar a pregar e expulsar demônios. Esse foi o chamado para o apostolado.

2. Jesus chama para o seu trabalho pessoas ocupadas (2). Pessoas escolhidas por Deus para uma missão especial normalmente não são pessoas desocupadas e ociosas. O trabalho de Deus exige energia e disposição. O Senhor chamou a Moisés quando ele estava pastoreando as ovelhas no Sinai (Ex 3:1-14). Chamou a Gideão, quando estava malhando trigo no lagar (Jz 6:11). Chamou a Amós quando estava nos campos de Tecoa cuidando do gado (Am 7:14,15). Tirou Davi detrás das ovelhas para colocá-lo no palácio (Sl 78:70-72). Jesus chamou Pedro e André, Tiago e João quando estavam pescando e consertando as suas redes (Mc 1:16,19).

3. Jesus chama para o seu trabalho pessoas humildes (3). Jesus não foi buscar seus discípulos entre os estudantes de teologia das escolas rabínicas nem dentre a elite sacerdotal. Nem mesmo chamou aqueles de refinado saber, ou possuidores de riquezas, mas recrutou-os das classes operárias, no meio dos pescadores. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios (1Co 1:26,27).

Os primeiros discípulos de Jesus não tinham riquezas, fama nem poder. Isso prova que o Reino de Deus não depende dessas coisas. A causa de Cristo avança não por força nem por poder, mas pelo Espírito Santo (Zc 4:6). A igreja que começou com poucos pescadores e espalhou-se pelo mundo, só poderia ter sido fundada pelo próprio Deus.

4. O custo do discipulado. Jesus deixa bem claro quais são as implicações envolvidas na vida daqueles que aceitam o chamado para ser seu discípulo. Em Lucas 14:25-27 encontramos Jesus sendo seguido por numerosa multidão. Então, Ele repetiu o que já tinha mencionado em Lucas 9:23-25: “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc 14:27). Nessas palavras temos o ápice, a consequência de tudo o que veio antes e de tudo o que viria depois, pois em Lucas 14:33 Jesus afirma: “Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”. O que Jesus quis dizer é que como discípulos Seus, nós entregamos a Ele a “escritura” de tudo o que possuímos. Deste momento em diante vivemos conscientes de que somos mordomos do Senhor, e que tudo o que possuímos pertence a Ele.

Temos que renunciar inclusive o inchaço do orgulho, a sede de competição, a busca pelos interesses próprios, a segurança representada pelas posses, pela profissão e pela família, incluindo a própria vida (Lc 14:26), isto é, pelo estilo de vida comprometido com os valores terrenos e passageiros. Se temos que renunciar a tudo, então o que é que sobra? Sobra a cruz, ou seja, a disponibilidade para seguir a Jesus até à morte pela causa da justiça (Lc 14:27). Não sobra nem a boa fama, pois a cruz era a sentença para os que ousavam subverter a ordem criada pelo Império Romano. Jesus morreu como um criminoso.

Essas palavras são duras? Claro que são. Mas esse é o evangelho verdadeiro. Não é esse o evangelho que temos ouvido e visto pelos meios de comunicação, que promete “mundos e fundos” que Jesus nunca prometeu aos seus seguidores. O evangelho verdadeiro exige renúncia!

Você está atrás das bênçãos e das vantagens que esses benefícios efêmeros lhe oferecem? Ou está disposto a tomar a sua cruz? Está disposto a sofrer e morrer pelo evangelho, pelo Senhor Jesus? Você está disposto a seguir a Jesus? Está disposto a continuar seguindo-o? Fez todos os cálculos? Tem assumido o compromisso com Ele? O que Jesus estabelece como requisito para qualquer um de nós sermos seus discípulos é a disposição de renunciarmos a tudo, inclusive a nós mesmos (Lc 9:23,24; 14:27,33). Você está disposto?

Jesus cita duas parábolas para conscientizar sobre o custo de segui-lo (Lc 14:28-32). Na primeira parábola, Jesus diz: “Senta-te e calcula se podes pagar o preço de Me seguir”. Na segunda, diz: “Senta-te e calcula se pode pagar o preço de recusar Minhas exigências”. A lição fica clara. Jesus não deseja seguidores que se precipitam para o discipulado sem pensar naquilo que está envolvido. E fica claro quanto ao custo. O homem ou a mulher que vier a Ele deve renunciar a tudo quanto tem; deve considerar tudo como perda por amor a Ele, de modo que possa entrar na experiência gratificante do discipulado vigoroso. (5)

III. O TREINAMENTO

Os que são chamados à salvação são também convocados para um treinamento a fim de alcançar outros. Disse Jesus: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens" (Mt 4:19). Observe que o tempo do verbo fazer está no futuro. Seguir a Cristo ainda não é ser enviado; isto vem depois. Jesus chama os discípulos para a obra, mas antes os prepara para a obra. É Jesus quem os faz pescadores de homens. Ele é quem os ensina, os equipa, os prepara e os capacita para o trabalho. Eles deixam as redes encorajados pela promessa do Senhor de treiná-los para uma tarefa muito superior à que estavam engajados.

Aqueles discípulos frequentaram a melhor escola do mundo, com o maior mestre do mundo, sobre o mais importante assunto do mundo. O ensino de Jesus não era limitado a uma sala de aula. Ele não era um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno. Não era um mestre de banalidades, mas o Salvador do mundo. Ele não apenas transmitia informações, mas transformava vidas.

Nessa preparação Jesus andou com os discípulos, comeu com eles, socorreu-os nas suas aflições, exortou-os nas suas dúvidas, encorajou-os em suas fraquezas. Jesus não apenas os treinou com palavras, mas, sobretudo, com exemplo. O exemplo não é uma forma de ensinar, mas a única eficaz.

Simão, o inconstante e covarde, haveria de tornar-se um intrépido apóstolo. João, o filho do trovão, haveria de ser o discípulo amado. Aqueles iletrados pescadores haveriam de revolucionar o mundo. O vaso é de barro, mas o poder é de Deus. Os instrumentos são frágeis, mas a mensagem é poderosa. Os pescadores são limitados, mas a pesca será gloriosa. (4)

IV. A MISSÃO

1. Pregar e ensinar. Jesus não chamou os discípulos para o ócio, mas para o serviço. Chamou-os para um trabalho, um glorioso trabalho: serem pescadores de homens (Mt 4:19). Chamar os pecadores ao arrependimento e oferecer a eles o dom da vida eterna é a mais sublime missão que podemos ocupar na vida.

A mensagem que os discípulos foram desafiados a pregar, não estava baseada em contos humanos, ou em personalidades importantes que a humanidade já teve, mas sim, exclusivamente, baseada no que viram e ouviram de Seu Mestre. Teriam autoridade para falar do perdão, conforme o modelo de perdão que viram n'Ele. Teriam condições de pregar sobre o amor, porque conviveram com quem era o Amor em Pessoa (1João 4:8). Teriam liberdade para desafiar as pessoas a entregar suas próprias vidas pelo Evangelho, com base nas atitudes altruístas de quem deu Sua própria vida por nós (1Co 15:3). Tratava-se verdadeiramente de uma mensagem “cristocêntrica” (centrada na Pessoa e no caráter de Cristo). E é exatamente disso que a humanidade necessita ouvir.

Ganhar almas é o maior negócio deste mundo, o maior investimento. É o mais importante e mais urgente trabalho que se pode fazer no mundo. Pescar pessoas é arrebatá-los do fogo; é tirá-los das trevas para a luz, da casa do valente para a liberdade, do reino das trevas para o reino da luz, da potestade de Satanás para Deus. Engajar-se nesse projeto deve ser a maior aspiração da nossa vida, o maior projeto da nossa história. Quem ganha almas é sábio (Pv 11:30). Quem a muitos conduz à justiça brilhará como as estrelas no firmamento (Dn 12:3).

2. Libertar e curar. A cura divina, tanto para a alma como para o corpo, é uma promessa advinda de Deus (Mt 8:16,17). A Bíblia Sagrada, tanto no Antigo como no Novo Testamento, mostram manifestações de Deus em cumprimento a esta promessa divina. Cristo, em seu ministério terreno, atuou na vida das pessoas curando suas enfermidades (Mt 4:23; 8:16,17). O Senhor também estendeu o ministério da cura divina aos seus seguidores (Mc 16:16-18; Lc 9:2; Mt 10:8). O cumprimento dessa promessa de Jesus é testificado no livro de Atos (At 3:6-10; 14:8-10).

Não se pode deixar de valorizar a cura divina nesta caminhada da Igreja, porém, deve ter como meta a glorificação a Deus (Mt 28:19,20), jamais a promoção humana. Portanto, aqueles que pregam a cura divina não podem esquecer que o maior milagre continua sendo o perdão dos pecados (Mc 2:10-12). Além disso, é bom saber que nem todos são curados. Há exemplo na Bíblia em que apenas uma pessoa, em meio a uma multidão, recebeu essa dádiva, como é o caso do paralítico do tanque de Betesta(João 5:1-8). Isto porque a cura é um ato eminentemente divino e Deus cura a quem e quando lhe apraz.

CONCLUSÃO

Jesus chamou doze homens para estarem com Ele. E não os chamou para um trabalho burocrático ou apenas para uma posição de liderança, mas, sobretudo para um trabalho de ganhar almas, de buscar os perdidos, de arrancar pessoas da morte para a vida. Ganhar almas e vidas para Cristo foi a sublime vocação desses primeiros discípulos.

Lucas relaciona os doze nomes destacando que Judas Iscariotes se tornou traidor (Lc 6:16). Vemos que até mesmo entre os escolhidos para continuar a obra de Jesus havia alguém que iria traí-lo e à sua missão. Devemos, portanto, estar conscientes de nossas convicções pessoais, e ver se estamos dando continuidade ao ministério que Jesus nos delegou ou se o estamos traindo, como Judas fez, em troca de bens circunstanciais. Os rótulos e as aparências não adiantam. Cuidemos para que não ajamos como Judas agiu!

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 62. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Lucas (Introdução e Comentário). Leon L. Morris. VIDA NOVA.

Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

John Vernon McGee. Através da Bíblia – Lucas. RTM.

(1) Hernandes Dias Lopes. Marcos, o Evangelho dos milagres. Hagnos.

(2) Ibidem

(3) Ibidem.

(4) Ibidem.

(5) Leon L. Morris. Lucas (Introdução e Comentário). VIDA NOVA.

domingo, 19 de abril de 2015

Aula 04 – A TENTAÇÃO DE JESUS


2º Trimestre/2015

Texto Base: Lucas 4:1-13

 
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos sobre a tentação que Jesus passou no deserto da Judéia após o batismo no rio Jordão. Veremos a sutileza do Diabo em tentar o Filho do Homem em um momento de extrema carência e necessidade física, e como o Filho do Homem o derrotou ao dizer “não” a cada uma de suas propostas. É importante registrarmos que esse teste a que Jesus foi submetido visava enfatizar a Sua humanidade. Como nosso Salvador e Sumo Sacerdote, Ele teve que experimentar as nossas experiências para vencê-las e nos dar condições de vencê-las também. Lucas destaca que Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo Espírito Santo, no deserto (Lc 4:1). Nesse ponto encontramos uma diferença importante. Uma pessoa cheia do Espírito Santo é alguém que está completamente vazia de si mesma. Quanto menos temos do nosso "eu" ocupando lugares e dirigindo a própria vida, mais teremos do Espírito Santo e mais daremos liberdade para que nos dirija e nos capacite contra as investidas do diabo.

I. A REALIDADE DA TENTAÇÃO

1. Uma realidade humana. Tentação é o estímulo externo ou interno que impulsiona o ser humano à prática do pecado. É a investida do diabo contra os cristãos. Ela é inerente à carne – “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana” (1Co 10:13a). Ela tem influência destrutiva, mas fiel é Deus que dá o escape para suportar a tentação. Quando a tentação é consumada, a consequência é o pecado (sua prática destitui o homem da comunhão com o Eterno) e a sua continuidade é punida com o castigo eterno. A tentação é comum a todos os servos, todos são tentados no dia-a-dia. É-nos garantido pelo Senhor, que todas elas são suportáveis; nenhuma tentação é superior às nossas forças (1Co 10:13).

2. A diferença entre Tentação e Provação.

a) Tentação. Pode ser definida como aquele impulso inicial que a pessoa sente para cometer pecados (Rm 7:18,19). É procurar seduzir alguém para o pecado, persuadir a tomar um caminho errado. É de origem satânica e carnal (Mt 4:1, João 13:2, Tg 1:14). Seu objetivo é fazer o crente abandonar a vontade de Deus. Visa sempre o mal (tirar-nos da dependência de Deus - Mt 4:3-6,8,9).  Não é pecado em si, pois Jesus foi tentado em tudo (Hb 4:15).

b) Provação. Significa "por alguém à prova", submeter a um teste. É de origem divina. Veja o caso de Abraão (Gn 22:1). Visa fortalecer a pessoa e não derrubar (Leia 2Cr 32:31, Hb 11:17-19). Recompensa dos que são provados e aprovados: “Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg. 1:12 ).

3. A tentação em si não é pecado. A tentação em si não é pecado, mas quando o homem cede à tentação então ele peca. Deus nunca usa este instrumento chamado tentação, visto que o objetivo da tentação é levar o homem ao pecado. Por isto, diz a Palavra de Deus: “Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg 1:13). Quando uma tradução diz que Deus tentou alguém, na verdade trata-se de uma prova, e não uma tentação no sentido de induzir o homem ao pecado. Diz a Bíblia Sagrada: “Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1:14,15). E Deus não permite a Satanás tentar alguém acima de suas próprias forças e Ele sempre nos dá o escape – “...fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar” (1Co 10:13b).

4. O agente da tentação. Satanás é o agente principal da tentação. Esse é o seu principal trabalho desde a formação do homem e da mulher. O trabalho que mais o agrada é desviar o crente das disciplinas da vida cristã. A Bíblia diz: "Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo" (1Jo 3:8).

5. Vencendo a tentação. Ao voltar do Jordão onde foi batizado, Jesus foi guiado pelo Espírito Santo ao deserto, provavelmente o da Judéia, na costa ocidental do mar Morto. Ali Ele foi tentado durante quarenta dias pelo Diabo – dias nos quais o Senhor nada comeu. Ao fim desses dias surgiu a tentação tripla com que estamos mais familiarizados. As tentações ocorreram em três lugares diferentes: no deserto, numa montanha e no templo em Jerusalém. E Ele venceu todas.

Jesus, o homem perfeito, venceu a sedução do pecado com oração, com a Palavra e por andar no Espírito. Todos os que estão em Cristo podem sim, também, vencer a tentação (1Co 10:13).

A vitória de Jesus sobre a tentação é também a nossa vitória.

Alguns dizem que, como Deus, Jesus não poderia pecar, mas, como homem, poderia. Mas Ele continua sem Deus e Homem, e é inconcebível que Ele pudesse pecar hoje. O propósito da tentação não foi ver se Ele pecaria, mas provar que Ele não poderia pecar. Somente um Homem santo, sem pecado, poderia ser nosso Redentor.

II. A TENTAÇÃO DE SER SACIADO

1. A sutileza do Diabo - "... e, naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão” (Lc 4:2,3).

A verdadeira humanidade de Jesus é refletida pelas palavras “teve fome”. Esse foi o alvo da primeira tentação: a tentação de ser saciado. Satanás sugeriu que o Senhor deveria usar seu poder divino para satisfazer a fome física. A sutileza da tentação foi que o ato em si era perfeitamente legítimo. Mas o erro estaria em Jesus obedecer a Satanás.

O diabo é um mestre das coisas aparentemente lógicas. Jesus estava faminto; ele tinha poder para transformar as pedras em pão. O diabo simplesmente sugeriu que ele tirasse vantagem de seu privilégio especial para prover sua necessidade imediata.

Era verdade que Jesus necessitava de alimento para sobreviver. Mas a questão era como ele o obteria. Lembre-se de que foi Deus quem o conduziu a um deserto sem alimento. O diabo aconselhou Jesus a agir independentemente e encontrar seus próprios meios para suprir sua necessidade.

Confiará ele no Pai ou se alimentará a seu próprio modo? Há aqui, também, uma questão mais básica: Como Jesus usará suas aptidões? A tentação era ressaltar demais os privilégios de sua divindade e minimizar as responsabilidades de sua humanidade. E isto era crucial, porque o plano de Deus era que Jesus enfrentasse a tentação na área de sua humanidade, usando somente os recursos que todos nós temos à nossa disposição.

2. A resposta de Jesus - "E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus” (Lc 4:4).

Mais importante que a satisfação do apetite físico é a obediência à Palavra de Deus.  Alguém disse que “o segredo total de força no conflito é o uso da palavra de Deus da maneira certa”.

Jesus usou um meio que nós também podemos empregar para superar a tentação: a Palavra de Deus. A passagem que ele citou foi a mais adequada naquela situação. No contexto, os israelitas tinham aprendido durante seus 40 anos no deserto que eles deveriam esperar e confiar no Senhor para conseguir alimento, e não tentar conceber seus próprios esquemas para se sustentarem.

3. Lições práticas:

a) O diabo ataca as nossas fraquezas. Ele não se acanha em provar nossas áreas mais vulneráveis. Depois de jejuar 40 dias, Jesus estava faminto. Daí, a tentação de fazer alimento de uma maneira não autorizada. Satanás escolhe justamente aquela tentação à qual somos mais vulneráveis no momento. De fato, as tentações são frequentemente ligadas a sofrimento ou desejos físicos.

b) Precisamos confiar em Deus. Depois de 40 dias de jejum total, indubitavelmente, Jesus precisava de alimento. Ele encontrava-se debilitado fisicamente. Todo o seu organismo exigia ser saciado de pão e água. Porém, mais do que isso, precisava fazer a vontade do Pai. É sempre certo fazer o certo e sempre errado fazer o errado. Deus proverá o que ele achar melhor; meu dever é obedecer-lhe. É melhor morrer de fome do que desagradar ao Senhor.

III. A TENTAÇÃO DE SER CELEBRADO

1. O príncipe deste mundo. “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lc 4:5-7).

Não levou muito tempo para Satanás mostrar tudo o que ele tem para oferecer. Não foi o mundo em si, mas os reinos deste mundo que ele ofereceu. Por causa do pecado do homem, Satanás se tornou “o príncipe” deste mundo (João 12:31; 14:30; 16:11), “o deus deste século” (2Co 4:4) e “o príncipe da potestade do ar” (Ef 2:2). Deus propôs que “o reino do mundo” um dia se tornará do “nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap 11:15). Deus Pai prometeu o reinado ao Filho depois de seu sofrimento (Hb 2:8,9). Assim, Satanás estava oferecendo a Cristo o que certamente seria dele. O Diabo ofereceu um atalho: a coroa sem a cruz. Mas não poderia ter qualquer atalho ao trono. A cruz precisava vir primeiro. Nos conselhos de Deus, o Senhor Jesus tinha de sofrer antes que pudesse entrar na gloria. Ele não poderia conseguir um fim legítimo por um meio errado. Em nenhuma circunstância ele adoraria o Diabo fosse qual fosse o prêmio.

2. A resposta de Jesus - "E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4:8). Aqui, o Senhor cita Deuteronômio 6:13 para mostrar que, como homem, ele deveria adorar e servir somente a Deus.

Como bem disse o pr. José Gonçalves, “o Diabo sabe que o desejo de ser celebrado, de ser chamado ‘senhor’, é algo que fascina os homens. Satanás sabia que derrubaria Adão se o convencesse de que ele poderia se tornar poderoso ao adquirir conhecimento. Adão acreditou que até mesmo poderia ser como Deus (Gn 3:5)”. Adão acreditou na tese do Diabo e caiu. “O Diabo por certo acreditava que o mesmo aconteceria com Jesus, o Filho do Homem. Mas Jesus não se dobrou diante de Satanás. Por certo muitos estão exercitando poder e domino neste mundo, mas provavelmente também estão se curvando diante de Satanás”, afirma Jose Gonçalves.

3. Lições práticas:

a) Satanás paga o que for necessário. O diabo ofereceu tudo para "comprar" Jesus. Se houver um preço pelo qual você desobedecerá a Deus, pode esperar que o diabo virá pagá-lo. Mas, a Palavra de Deus exorta: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26).

b) O diabo oferece atalhos. Ele oferece o mais fácil, o mais decisivo caminho ao poder e à vitória. Jesus recusou o atalho. Ele ganharia os reinos pelo modo que o Pai tinha determinado. Hoje Satanás tenta as igrejas a usar atalhos para ganhar poder e converter pessoas. O caminho de Deus é converter ensinando o evangelho (Rm 1:16). Exatamente como ele tentou Jesus para corromper sua missão e ganhar poder através de meios carnais, assim ele tenta nestes últimos dias da Igreja.

IV. A TENTAÇÃO DE SER NOTADO

1. A artimanha do inimigo. A terceira tentação de Jesus está localizada em Jerusalém. Jesus é convidado a lançar-se do pináculo do templo – “Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem e que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra” (Lc 4:9-11).

Jesus tinha replicado à tentação anterior dizendo que confiava em cada palavra do Senhor. Aqui Satanás está dizendo: "Bem, se confia tanto em Deus, então experimenta-o. Verifica o sistema e vê se ele realmente cuidará de ti". E ele confirmou a tentação com um trecho das Escrituras, o Salmo 91:11,12, para assegurar Jesus que Ele ficaria bastante seguro. Satanás, porém, empregou erroneamente a Bíblia. Ele torceu um texto para servir um propósito. Talvez Satanás estivesse tentando Jesus a apresentar-se como Messias ao fazer uma sensacional acrobacia. Malaquias predisse que o Messias viria de repente ao seu templo (Ml 3:1). Aqui, então, chegou a oportunidade para Jesus obter fama e notoriedade como o Libertador prometido sem ir ao Calvário. Jesus, porém, rejeita esta tentação, conforme fizera com as outras duas, ao apelar para o significado verdadeiro da Bíblia – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor, teu Deus” (Dt 6:16). Não cabe ao homem submeter Deus ao teste, nem sequer quando o homem é o próprio Filho de Deus encarnado.

2. Lições práticas:

a) O diabo cita a Escritura; ele põe como isca no seu anzol os versículos da Bíblia. Há muitas pessoas que frequentemente aceitam qualquer ensinamento bíblico fora do contexto. Mas cuidado! O mesmo diabo que pode disfarçar-se como um anjo celestial (2Co 11:13-15) pode, certamente, deturpar as Escrituras para seus próprios propósitos. O diabo fez três enganos:

- Primeiro, não utilizou todas as Escrituras. Jesus replicou com: "Também está escrito". A verdade é a soma de tudo o que Deus diz; por isso precisamos estudar todos os ensinamentos das Escrituras a respeito de um determinado assunto para conhecer verdadeiramente a vontade de Deus.

- Segundo, ele tomou a passagem fora do contexto. O Salmo 91, no contexto, conforta o homem que confia e depende do Senhor; ao homem que sente necessidade de testar o Senhor nada é prometido aqui.

- Terceiro, Satanás usou uma passagem figurada literalmente. No contexto, o ponto não era uma proteção física, mas uma proteção espiritual.

b) Satanás é versátil. Jesus venceu em uma área, então o diabo se mudou para outra. Temos que estar sempre em guarda – “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pedro 5:8).

V. ELEMENTOS IMPORTANTES PARA VENCERMOS A TENTAÇÃO

a) Vigiar e orar. A advertência é do próprio Cristo: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26:41).

A parte que se refere à vigilância é negligenciada por uma porcentagem elevada do povo de Deus.  O estar atento, nos resguarda de cairmos nas ciladas do maligno.

O apóstolo Paulo recomenda em 1Tessalonicences 5:17: "Orai sem cessar." Isso significa ter a mente ligada a Deus 24 horas. Consultá-lo sempre que precisar tomar uma decisão ou resolver alguma questão. Ter uma atitude de oração é perguntar a Deus o que Ele quer nos ensinar com tal circunstância; tentar imaginar o que Jesus diria a nós em determinada situação e pedir sempre a Deus que Ele seja a nossa força.

b) Não dar ouvidos a quem duvida da Palavra de Deus. Gênesis 3:1: "Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?".

A cena relata o encontro da serpente (Satanás) com Eva. O que interessa aqui, propriamente, não é o diálogo, mas a razão pela qual Eva estava dando ouvidos àquela serpente. Creio que talvez possa ter surgido uma dúvida no coração dela quanto ao que Deus havia ordenado. Talvez tenha duvidado da palavra de Deus. Talvez estivesse curiosa para saber se haveria algo por trás da ordem que Ele lhes dera. Eva abriu espaço para que houvesse uma conversa, mesmo após a serpente ter colocado em dúvida a ordem divina.

c) Esquecer o passado. Filipenses 3:13,14: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim. Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus".

Paulo nos aconselha a esquecer o passado. Creio realmente que essa seja uma poderosa arma, pois se olharmos para trás, veremos o inimigo de Deus com dedo acusador pronto para nos fazer cair novamente. Esqueça o passado, aprenda com os erros, apegue-se às promessas de Deus e siga em frente, confiante que Ele será sua força contra qualquer tentação que atravessar seu caminho.

Satanás quer que nos desviemos do nosso alvo, que é a vida eterna ao lado de Jesus. Portanto, é extremamente importante que a nossa vida e comportamento esteja focada nas verdades bíblicas. Depositemos nas mãos de Deus todas as nossas esperanças. Se nós olharmos para trás, veremos Satanás nos acusando dos erros do passado e fazendo de tudo para nós cairmos novamente; mas, se olharmos para frente, veremos o Filho de Deus de braços abertos, pronto para nos receber como estamos.

d) Alimentar a mente com coisas boas. Filipenses 4:8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”.

A lição que podemos tirar aqui é em relação ao conteúdo com que temos preenchido nossa mente. Com quem estamos conversando? A quem você tem dado ouvidos? Que músicas você tem escutado? Que tipo de literatura tem tomado seu tempo? O que seus olhos têm assistido? Do que e com que você está alimentando sua mente? Essas são perguntas que você deve refletir em seu íntimo.

CONCLUSÃO

As três tentações de Jesus giram em torno de três das mais fortes atividades da existência humana: apetite físico, desejo de adquirir poder e possessões e vontade de ter reconhecimento público. Quantas vezes os crentes são tentados a escolher um caminho de conforto e tranquilidade, procurar um lugar proeminente no mundo e ganhar elencada posição na Igreja!

Nesta batalha entre os dois leões (1Pedro 5:8; Ap 5:5), Jesus foi vitorioso. E ele fez isso do mesmo modo que nós temos que fazer: confiou em Deus (1João 5:4; Ef 6:16); usou as Escrituras (1João 2:14; Cl 3:16); resistiu ao diabo (Tg 4:7; 1Pedro 5:9). O ponto crucial é este: Jesus nunca fez o que ele sabia que não era certo. Que Deus nos ajude a seguir seus passos (1Pedro 2:21).

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 62. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Lucas (Introdução e Comentário). Leon L. Morris. VIDA NOVA.

Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

John Vernon McGee. Através da Bíblia – Lucas. RTM.