domingo, 14 de janeiro de 2018

Aula 03 – A SUPERIORIDADE DE JESUS EM RELAÇÃO A MOISÉS


1º Trimestre/2018


Texto Base: Hb.3:1-19

"Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou" (Hb.3:3).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da superioridade de Jesus em relação a Moisés quanto à tarefa, à autoridade e o discurso, que o autor da Epístola aos Hebreus faz questão de relatar aos destinatários da Epístola. A superioridade de Jesus em relação a qualquer ser humano ou dos anjos é tão óbvia que, certamente, seria dispensável falar sobre esse assunto. De imediato, podemos dizer que Jesus foi o criador de todos as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis (Gn.1:26; João 1:3; Cl.1:16). Portanto, o contraste entre Moisés e Cristo é bem definido: Moisés é visto como um administrador da casa, Jesus como Edificador; Moisés é retratado como servo, Jesus como Filho; Moisés foi enviado em uma missão terrena, Jesus numa missão celestial, eterna. Na Antiga Aliança, Moisés é considerado um grande profeta pelos israelitas, mas, na Nova Aliança, Jesus é superior a Moisés, pois encarnou-se tomando a forma humana, ou seja, tornou-se o Emanuel - “Deus entre nós” -, concedendo a gloriosa e eterna salvação para todos os que nEle creem.

I. UMA TAREFA SUPERIOR

1. Uma vocação superior. “Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial...” (Hb.3:1). O ator dirige estas palavras aos destinatários da Epístola, a quem chama afetuosamente de irmãos santos; o autor afirma que eles não foram apenas um povo nômade pelo deserto escaldante à procura da Terra Prometida, mas herdeiros de uma vocação superior, a celestial.

A vocação celestial está em contraste com a vocação terrena de Israel. Os santos do Antigo Testamento foram chamados para bênçãos materiais na terra prometida (embora eles também tivessem a esperança celestial). Na era da Igreja, os cristãos são chamados para as bênçãos espirituais no céu agora e para uma herança celestial no futuro. Os destinatários da Epístola não deveriam ter dúvida alguma de que Jesus, como Aquele que os conduzia ao destino eterno, era em tudo superior a Moisés, a quem coube a missão de conduzir o povo à Canaã terrena.

2. Uma missão superior. “[...] considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb.3:1). Observe que o autor usa a palavra apóstolo em relação a Jesus. A palavra apóstolo se refere a alguém que é comissionado como um representante autorizado. Segundo o antigo concerto, Moisés era o apóstolo, isto é, o enviado por Deus, com a sua autoridade, para uma missão especial: conduzir o povo de Deus à Terra Prometida; todavia, a missão de Jesus é muito superior: conduzir o povo de Deus da Nova Aliança (Igreja) à Canaã celestial. A missão mosaica era daqui, ou seja, a Canaã terrena, porém, a missão de Jesus possuía uma vocação celestial. Portanto, uma missão muito superior.

Deus enviou Jesus à Terra como um Mensageiro. Ele veio, entregando a mensagem de Deus para as pessoas. Confessando-o como Apóstolo, queremos dizer que ele representa Deus para nós. Ele é o Apóstolo da nossa confissão, alguém com autoridade na missão de nos conduzir ao destino eterno.

3. Uma mediação superior. “[...] considerai a Jesus Cristo... sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb.3:1). Depois de afirmar que Jesus era "o Apóstolo", o autor também diz que Ele é o "Sumo Sacerdote da nossa confissão". Após cumprir a sua missão como Apóstolo de Deus, Jesus voltou ao Céu como o nosso Sumo Sacerdote. Ele veio entregando a mensagem de Deus para as pessoas, e retornou levando as pessoas de volta a Deus. Jesus agora serve como o mediador entre as pessoas e Deus (1Tm.2:5). Portanto, a mediação de Jesus é em tudo superior ao sistema mosaico e levítico. Cristo é o mediador da nossa confissão. Ao confessá-lo como Sumo Sacerdote, dizemos que ele nos representa diante de Deus.

É somente através de Jesus Cristo que podemos aproximar-nos de Deus (Hb.7:25), confiando na sua morte expiatória para nos remir dos nossos pecados, e orando com fé, pedindo forças e misericórdia divinas para nos ajudar em todas as nossas necessidades. Não dedemos permitir que criatura alguma usurpe o lugar de Cristo em nossa vida, dirigindo-se-lhe orações. Por que? “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm.2:5).

 II. UMA AUTORIDADE SUPERIOR

“Hebreus destaca o Senhor Jesus como o construtor da Nova Aliança; o Filho amado de Deus; o ministro excelente da Igreja de Deus”.

1. Construtor, não apenas administrador. “Sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa” (Hb.3:2). Há um aspecto no qual Cristo era reconhecidamente similar a Moisés. Ele foi fiel a Deus, assim como também o era Moisés em toda a casa de Deus. A casa, aqui, não significa apenas o tabernáculo, mas também toda a esfera onde Moisés representou os interesses de Deus; essa casa é Israel, o povo de Deus no Antigo Testamento. Mas aí acaba a semelhança. Em todos os outros aspectos, há uma superioridade indiscutível:

- Primeiro, o Senhor Jesus era o Construtor da casa de Deus. O Senhor Jesus é digno de tanto maior glória do que Moisés, assim como o construtor de uma casa tem mais honra do que a própria casa. O Senhor Jesus era o construtor da casa de Deus, Moisés era apenas parte da casa.

- Segundo, Jesus é superior porque é Deus – “Porque ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” (Hb.3:3). Toda casa deve ter um construtor. Aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus. De João 1:3, Colossenses 1:16 e Hebreus 1:2,10, sabemos que o Senhor Jesus foi agente ativo na criação. A conclusão é inevitável: Jesus Cristo é Deus.

- Terceiro, Jesus Cristo é superior como Filho. Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo (Nm.12:7), apontando aos homens o Messias que viria. Ele era testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas, isto é, as boas-novas da salvação em Cristo. Foi por isso que Jesus disse uma vez: “Porque, se, de fato crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito” (João 5:46). Em seu discurso aos discípulos no caminho de Emaús, Jesus “começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc.24:27).

2. O perigo de ver, mas não crer. "[...] E viram, por quarenta anos, as minhas obras" (Hb.3:9). Os destinatários da Epístola aos Hebreus conheciam bem a história de Israel. A geração que deixou o Egito tinha testemunhado milagres espantosos, contudo tinha perdido a fé em Deus. Eles estavam prestes a entrar na Terra prometida, mas ficaram com medo do relatório dos espias, que falava de cidades muradas e homens gigantes. Naquele ponto, eles rebelaram-se, endurecendo os seus corações, recusando-se a confiar que Deus os ajudaria a tomar a terra que Ele lhes havia prometido (Nm.13:26-14:38). A incredulidade deles os impediu de receber as recompensas e bênçãos que Deus tinha para eles. Embora Deus os tivesse resgatado miraculosamente do Egito e tivesse demonstrado o poder e o cuidado que Ele dedica ao seu povo, esse povo desobedeceu a Deus. Não somente naquele momento, mas durante todos os quarenta anos de peregrinação no deserto, o povo constantemente testava a paciência de Deus. Ele continuava a operar milagres em favor deles; eles continuavam a endurecer os seus corações contra Ele.

Os destinatários originais da Epístola aos Hebreus estavam prestes a abandonar a Cristo e retornar ao judaísmo. O texto de Hb.3:9 os lembrava das consequências de endurecer os seus corações contra Deus, usando o exemplo de seus ancestrais. Esperava-se que estes cristãos aprendessem com os erros de seus antepassados. Os crentes são advertidos: “Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação” (Hb.3:15). Corações endurecidos pode ser o resultado da desobediência, da rebelião, da falta de confiança, da negligencia em relação à adoração, da recusa a se sujeitar, e da ingratidão pelo que Deus tem feito por nós.

3. O perigo de começar, mas não terminar.Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso” (Hb.3:10,11).

Neste texto o autor mostra o perigo de começar bem, mas não chegar; de andar, mas se desviar. O povo de Israel havia começado bem, mas terminado mal. Milhares não entraram no repouso do Senhor. É bom saber que Deus não ignora o pecado; o Senhor age contra Israel e o pune. Deus indignou-se porque Israel sempre errava em seu coração. O povo continuamente se desviava de Deus em suas atitudes, pensamentos e crenças. Se os corações do povo tivessem honrado a Deus, eles teriam confiado em Deus e entrado na Terra Prometida. Mas a sua rebelião levou ao castigo. Os israelitas perderam a chance de entrar na Terra Prometida quando Deus disse: “Não entrarão no meu repouso”.

Para o povo de Israel, o repouso era a Terra Prometida. Para nós cristãos, o repouso significa a nossa futura vida eterna com Cristo (Hb.4:8-11). Infelizmente, muitos cristãos começaram bem, mas correm o risco de caírem e perderem a fé. Precisamos aprender com o poro de Israel, no passado. Deus exige de nós fé e fidelidade. O Espírito Santo nos adverte que Deus não continuará a insistir conosco indefinitivamente se endurecermos os nossos corações por rebeldia. Existe um ponto do qual não há retorno (Hb.3:10). Deus adverte claramente em Provérbios 29:1 “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura”. Pense nisso!

III. UM DISCURSO SUPERIOR

1. O perigo de ouvir, mas não atender. “Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação, no dia da tentação no deserto, onde vossos pais me tentaram, me provaram e viram, por quarenta anos, as minhas obras. Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso” (Hb.3:7-11).

Aqui, o autor insere uma severa advertência contra o endurecer do coração. Esse fenômeno aconteceu com Israel no deserto e poderá acontecer de novo. Seguindo a redação da Septuaginta (tradução grega da Bíblia Hebraica), o autor cita o Salmo 95:7-11. Assim, o Espírito Santo ainda fala por meio deste salmo, como fez quando o inspirou pela primeira vez: “hoje, se ouvires a sua voz”. Mas, há o grande perigo de ouvir e não atender, como aconteceu com o povo de Deus no Antigo Testamento, e era isto que o autor de Hebreus estava querendo alertar os destinatários da Epístola.

Toda vez que Deus fala, devemos estar prontos para ouvi-lo. Duvidar de sua Palavra é chamá-lo de mentiroso e, consequentemente, enfrentar sua ira.

Com Israel, no deserto, houve um deprimente registro de reclamações, cobiça, idolatria, descrença e rebelião. Em Refidim, por exemplo, o povo se queixou da falta de água e duvidou da presença de Deus em seu meio (Ex.17:1-17). No deserto de Parã, quando os espias descrentes retornaram com um relato pernicioso de desanimo e dúvidas (Nm.13:25-29), o povo decidiu que deveria voltar para o Egito, o país de sua escravidão (Nm.14:4). Deus ficou tão indignado que decretou que o povo deveria vagar quarenta anos pelo deserto (Nm.14:33,34). Dentre todos os soldados que saíram do Egito, de vinte anos para cima, apenas dois entrariam na terra de Canaã: Josué e Calebe (Nm.14:28-30). É significativo que assim como Israel passou quarenta anos no deserto, o Espirito Santo lidou com a nação de Israel por cerca de quarenta anos após a morte de Cristo. A nação endureceu seu coração contra a mensagem de Cristo. Consequentemente, em 70 d.C., Jerusalém foi destruída, e o povo espalhado entre as nações gentias.

- “Por isso, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram em seu coração e não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso”(Hb.3:10). O grande desagrado de Deus com Israel no deserto trouxe este anúncio severo. Deus acusou Israel de eterna propensão a se afastar dele e de ignorância voluntária de seus caminhos. Em sua ira, ele jurou que não entrariam em seu descanso, ou seja, na terra de Canaã.

Hoje, milhares de cristãos passam por uma perigosa onda de indisciplina. Por isso, eles correm o grande perigo de ouvir, mas não atender ao apelo; o perigo de ver, mas não crer na revelação; o perigo de começar, mas não terminar a jornada.

A voz de Deus, nos dias de hoje, ainda é bastante audível, e essencial, dirigida ao povo da nova Aliança: “se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração”. É um apelo que Deus faz ao seu povo, porque muitas vezes demonstra ser tardio para ouvir. A advertência é clara: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb.3:12,13).

3. Um coração mau e infiel. Outra advertência é dada pelo Espírito Santo através do escritor da Epístola aos Hebreus, para que neles não houvesse um coração mau e infiel, que viesse afastá-los do Deus vivo:

Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb.3:12).

O verbo afastar, no texto, é “apostenai” (gr.), palavra que dá origem ao termo apostasia. No versículo seguinte vem um conselho divino:

Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb.3:13).

Muitos, por falta de orientação e advertência/exortação, endurecem o coração para Deus, desviam-se e até negam a fé, aceitando falsas doutrinas e envolvendo-se em práticas extra-bíblicas, semelhantes às do espiritismo, incluindo “regressão espiritual” e outras invencionices [LBM. 3º trimestre_2001].

4. Como nos tornamos participantes de Cristo – “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (Hb.3:14). O texto nos mostra como nos tornamos participantes de Cristo: “se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim”. Essa afirmação é corroborada pelo que Jesus asseverou: “..., mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt.10:22). A pessoa só alcança a salvação plena quando aceita a Cristo como Salvador e permanece em santidade, até a “redenção do nosso corpo” (Rm.8:23b). Se por um lado é difícil iniciar a carreira cristã, mais difícil ainda é continuar e terminá-la. Porém, todas as promessas futuras na eternidade estão reservadas para os vencedores, os que completam a carreira, como diz o apóstolo Paulo em 2Tm.4:7 [LBM. 3º trimestre_2001].

CONCLUSÃO

“A superioridade de Jesus em relação a Moisés é incontestável. Moisés era homem imperfeito e falho, mesmo tendo de Deus uma missão tão grande. Jesus, nosso Salvador, mesmo na condição humana, em face de sua missão salvífica, “em tudo foi tentado, mas sem pecado”. Nós, cristãos, precisamos honrar a Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote da nossa confissão” [LBM. 3º trimestre_2001].

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 73. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

 

domingo, 7 de janeiro de 2018

Aula 02 – UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA


1º Trimestre/2018

Texto Base: Hebreus 2:1-18

"Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram" (Hb.2:3).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Salvação Grandiosa tão fortemente recomendada em Hebreus 2:1-18. Exorta o escritor aos Hebreus: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” (Hb.2:3). O autor da Epístola observa que havia entre os destinatários uma certa letargia e negligência diante de uma verdade de suma importância como é a Salvação. Nota-se uma firme advertência aos destinatários, de retorno às verdades anteriormente ouvidas e que haviam sido esquecidas. Se os que violavam a lei mosaica eram punidos, qual seria o destino dos que negligenciam o evangelho? Pela lei, vem o conhecimento do pecado; pelo evangelho, o conhecimento da Salvação. Negligenciar tão grande Salvação é mais sério do que transgredir a lei mosaica. A lei foi dada por Deus a Moisés por meio dos anjos, e depois ao povo. Mas o evangelho foi dado diretamente pelo próprio Senhor Jesus e, além disso, foi confirmado aos primeiros cristãos pelos apóstolos e por outros que ouviram o Salvador. Na redenção da humanidade, o Pai planejou a Salvação, no Céu (João 3:16; Gl.4:4,5); o Filho consumou-a, na Terra (João 17:4,5; 19:30) e; o Espírito Santo realiza e aplica essa tão grande Salvação à pessoa humana (João 16:8-11; Tt.3:5).

I. UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA

Por que a Salvação é grandiosa? João 3:16 explica claramente o porquê de ela ser tão grandiosa: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Explicando melhor:

1. A Salvação é grandiosa por causa da sua Procedência - “Por que Deus amou...”. A Salvação procede do coração de Deus, do seu íntimo. O Criador do universo - o Senhor dos céus e da terra - o Deus eterno - colocou o seu coração em nós - e nos amou desde a fundação do mundo. Deus nos amou não por causa dos nossos méritos, mas Deus nos amou apesar dos nossos deméritos.

2. A Salvação é grandiosa por causa do seu Alcance. Diz o texto sagrado: “por que Deus amou o mundo…”. Deus ama a todos indistintamente. Deus não faz acepção de pessoas. Deus ama o pobre, o rico, o analfabeto, o doutor, o homem do campo e da cidade, o religioso e o não religioso. O amor de Deus não tem a sua causa em nós, tem a sua causa em seu próprio coração amoroso.

3. A Salvação é grandiosa por causa de sua Intensidade. Diz o texto sagado: “porque Deus amou o mundo de tal…”. Deus não amou o mundo de uma maneira pequena, limitada. Deus amou o mundo ao ponto de se dar por nós, de se sacrificar por nós. Observe o que a Bíblia diz: “mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm.5:8); “nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”(1João 4:10). O apóstolo Paulo diz que Deus não poupou o seu próprio Filho, antes por todos nós o entregou (Rm.8:32). Essa é a grandeza, esta é a intensidade do amor de Deus por você e por mim.

4. A Salvação é grandiosa por causa do seu Sacrifício. Também, a Salvação é grandiosa por causa do sacrifício de Cristo. O texto sagrado prossegue dizendo: “por que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito…”. Deus não amou você a ponto de dar ouro e prata. Deus não amou você a ponto de dar as riquezas das entranhas da terra. Deus não amou a você a ponto de dar um anjo. Deus amou a você de tal maneira que deu o seu Filho, o seu Filho unigênito. E deu para vir ao mundo e se esvaziar de sua glória. E deu para entrar neste mundo e vestir pele humano, e aqui ser humilhado, ser esbofeteado, ser pregado na cruz. Deus jamais retrocedeu neste amor imenso, eterno, imutável, sacrifical, incondicional a nós, nesta dádiva do seu próprio Filho.

5. A Salvação é grandiosa por causa da sua Oportunidade. O texto sagrado prossegue e diz: “porque Deus amou......para que todo aquele que nele crer...”. Deus providenciou a Salvação, e oferece esta Salvação: não àqueles que são religiosos; não àqueles que são sinceros; não àqueles que praticam boas obras; não àqueles que fazem penitências e sacrifícios. Diz o texto sagrado que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho para todo aquele que nele crer”. A condição única para nós sermos salvos, para nós obtermos a vida eterna, para nós irmos para o Céu, para que o nosso nome seja escrito no livro da vida é que creiamos em Jesus Cristo. Não há outro caminho; não há outra alternativa; não há outra porta; não há outra possibilidade para nós sermos salvo.

6. A Salvação é grandiosa por causa do seu Livramento. Prossegue o texto sagrado: “porque deus amou o mundo de tal maneira...não pereça”. Jesus estar nos alertando acerca de um perigo enorme: perecer eternamente. O que é perecer neste texto? Não é apenas morrer fisicamente; não é apenas, como muitos imaginam, serem extintos, não. Jesus fala de uma condenação eterna, de trevas exteriores, de banimento para sempre da presença de Deus. Jesus fala de uma condenação eterna. Jesus fala de um fogo que não se paga, de um bicho que não para de roer. Jesus fala de choro e ranger de dentes. Jesus fala de inferno, de condenação para sempre. Aquele que não crer vai perecer. Cristo não morreu na cruz para que os incrédulos sejam salvos, para aqueles que se rebelam contra a graça de Deus sejam salvos, mas Cristo morreu na cruz para que todo aquele que nele crê não pereça.

7. A Salvação é grandiosa por causa da Oferta que Deus oferece: “a vida eterna”. O texto sagrado termina dizendo: “porque Deus amou o mundo...tenha a vida eterna”. O que é a vida eterna? Não é apenas uma vida que nunca vai acabar, porque aqueles que vão para o inferno também nunca vão cessar de existir, com tormento. Vida eterna é muito mais que uma vida que nunca vai acabar: é uma qualidade superlativa excelente de vida, de santidade, de contentamento, de alegria, de pureza, que nunca vai terminar; é quando Deus vai enxugar de nossos olhos toda lágrima; é quando não haverá mais dor; é quando não haverá mais luta; é quando não haverá mais tristeza; é quando não haverá mais despedida; é quando não haverá mais velhice; é quando não haverá mais tropeço; é quando não haverá mais cortejo fúnebre; é quando não haverá mais cansaço; é quando estaremos com Deus e para Deus eternamente. Sem dúvida, a Salvação em Cristo é de uma grandeza sem par! Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande Salvação?

II. UMA SALVAÇÃO NECESSÁRIA

Deus previu tudo que aconteceria na queda do homem e planejou exatamente a Salvação necessária antes da fundação da terra. Antes do primeiro pecado cometido no universo; antes da terrível crise provocada pelo homem rebelde, que fora feito à imagem e semelhança da Divindade, o Senhor planejou e proveu um meio de fuga das armadilhas e condenação do pecado. Nosso Deus não foi pego de surpresa. Ele já sabia que a queda aconteceria e pré-ordenou o plano perfeito para resgate do homem.

O plano de salvação de Deus é tão simples que o menor entre os filhos dos homens tem total condição de entendê-lo o bastante para se tornar participante dele, experimentando assim seu poder transformador. Ao mesmo tempo é tão profundo que nenhuma imperfeição jamais foi descoberta nele. De fato, os que o conhecem melhor ficam continuamente espantados com a ideia de que um e apenas um plano de Salvação seja necessário para satisfazer inúmeras carências espirituais em meio às variações quase ilimitadas das necessidades dos homens em cada etnia, cultura e situação entre as nações do mundo.

1. Por intermédio da humanização do Redentor. O ponto nevrálgico do plano de Salvação de Deus se concentra no cargo e função de um mediador, ou seja, alguém que pudesse colocar-se entre um Deus ofendido e uma criatura pecadora e sem esperança, o homem. Esta é a posição que Cristo veio preencher em seu sacrifício substitutivo - “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm.2:5). Esta é a razão para a encarnação da Segunda Pessoa da divindade. A fim de ser o mediador para Deus, Ele deve ser Deus; a fim de representar a humanidade, Ele deve ser homem. A penalidade pelos pecados humanos, que precisava ser cancelada para que o homem pudesse ter comunhão com Deus, era a morte. Tendo em vista que Ele é Deus, não poder morrer, então, Jesus precisava ter um corpo (o espírito não morre); por isso, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14).

Jesus, embora sendo Deus, aceitou se esvaziar e tornar-se homem como todos nós. Mesmo nunca deixando de ser totalmente Deus, foi tentado, sofreu, aprendeu e morreu. Em sua missão, caminhou ao lado dos pobres, restabeleceu a dignidade dos excluídos, e para resgatar escravos, enfrentou os processos geradores da morte. É certo que Jesus não buscava reconciliar Deus com os homens, mas nos reconciliar com o Deus Pai.

A humanização de Jesus foi completa, pois, se assim não fosse, não haveria como desempenhar a Sua função salvadora, porque “…visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo, e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, Ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão, pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados…” (Hb.2:14-18).

2. Por meio do sofrimento do Redentor. Era muito difícil para os discípulos, como os judeus até o dia de hoje, aceitarem a ideia de um Messias sofredor, que viesse a morrer. Para eles, o Messias seria o libertador de Israel, um guerreiro vitorioso, que mataria os inimigos e não que seria morto por eles. A rejeição de um Messias sofredor é tanta que nos chamados “cânticos do Servo”, passagens do profeta Isaías a respeito do “Servo do Senhor”, os comentários feitos pelos escribas em aramaico (os chamados “Targuns”), continham expressões e ensinamentos em que os sofrimentos mencionados nas referidas passagens eram transferidos aos inimigos de Israel, numa clara distorção do texto sagrado. Não nos esqueçamos, ademais, que eram estes “targuns” que compunham as pregações e explanações ao povo nas sinagogas, visto que poucos conheciam o hebraico do texto bíblico.

Assim, o fato de os discípulos não entenderem o que Jesus lhes dizia estava vinculada a esta ideia arraigada que tinham de que o Messias seria guerreiro vencedor, o Rei de Israel, de modo que a não compreensão dos discípulos era fruto da sua incredulidade, de sua recusa em abandonar os ensinamentos tradicionais pelo que Jesus lhes dizia. Não será por outro motivo que Jesus, já ressurreto, disse aos discípulos no caminho de Emaús que eles eram néscios e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram (Lc.24:25). Os discípulos agiram conforme a multidão que ouvira as parábolas do reino (Mt.13:13-15). Eles somente haveriam de compreender o que aconteceu, após os fatos, quando explicado pelo próprio Jesus, que lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras (Lc.24:45). As coisas espirituais discernem-se espiritualmente, não há outro modo de se entender as Escrituras Sagradas (1Co.2:12-16).

A Bíblia, que é a verdade, mostra claramente que os discípulos não entenderam o que Jesus lhes disse, mas também faz questão de mostrar que Jesus sempre declarou aos Seus discípulos que haveria de morrer e de ressuscitar. Não é sem propósito que, na cruz, uma das palavras que a multidão mais repetia em seus desafios e impropérios era o dito de Jesus de que, em três dias, derribaria e reconstruiria o templo (Mc.15:29,30), palavras que, só depois, os discípulos souberam que se referia à Sua morte e ressurreição (João 2:20,21).

Assim, durante o Seu ministério público, Jesus, mais de uma vez, disse claramente que morreria e ressuscitaria, algo que não foi compreendido pelos discípulos, mas que era de conhecimento de todos, tanto que os sacerdotes, após a morte de Jesus, sabendo destes ditos do Senhor, quiseram tomar precaução com relação ao Seu corpo (Mt.27:62,63).

Não era fácil convencer um judeu do primeiro século da ideia de um Messias sofredor, mesmo para os discípulos de Jesus. Como, então, assegurar que Jesus era superior aos anjos se Ele morrera em uma cruz? O autor de Hebreus usa o Salmo 8 para explicar esse aparente paradoxo (cf. Hb.2:4-9). Embora não tenhamos visto cumprido o que o salmista escreveu no Salmo 8, nós vemos Jesus. As palavras do salmo 8, que foram anteriormente aplicadas apenas aos homens, em Hebreus 2:7-9 são aplicadas ao Messias. Jesus tornou-se homem, feito um pouco menor do que os anjos. Ele foi o único que viveu a vida humana como planejada: sem pecado e em perfeita comunhão com Deus. Antes de Cristo, as palavras do Salmo 8 não tinham sido totalmente cumpridas em Cristo. Jesus não foi feito um pouco menor do que os anjos em sua categoria ou posição, mas Ele é descrito desta forma porque se tornou parte do mundo físico, isto é, enquanto vivia os limites da condição humana e experimentou o sofrimento advindo desse estado de humilhação.

Jesus, porém, é superior aos anjos em sua missão redentora. Os anjos, por um lado, são servos, sua missão para o homem como “espíritos ministradores” é "servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14). O Filho, por outro lado, é o Salvador; sua missão para o homem como “o Príncipe da salvação deles” (Hb.2:10) é “salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus” (Hb.7:25). Entretanto, como Salvador, a missão redentora do Filho envolvia tanto a humilhação como a glória. Toda nossa salvação se tornou possível mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo Jesus. Vindo a plenitude dos tempos, Jesus veio ao mundo (Gl.4:4) e, durante o Seu ministério terreno, deixou bem claro aos discípulos que era necessário cumprir o que havia sido profetizado, ou seja, de que Ele deveria morrer no lugar dos pecadores.

3. Por intermédio da glorificação do Redentor. Na mente do autor da Epístola, Cristo não sofreu para ser glorificado, mas Ele foi glorificado porque sofreu. Por causa da vida perfeita de Cristo e de seu sacrifício pelos pecadores, Ele está agora coroado de glória e de honra. Cristo é digno de receber estas recompensas porque Ele sofreu a paixão da morte por nós.

“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb.2:9).

 Os crentes destinatários da Epístola estavam desanimados por causa das perseguições e sofrimentos, e estas palavras do autor serviram de ânimo e consolo, não somente para eles, mas para todos os cristãos depois deles.

Por meio de uma explicação adicional sobre esta morte, o escritor aos Hebreus elaborou a sua frase: “Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb.2:9). Jesus viveu e morreu fisicamente. Jesus morreu por todos em todo o mundo, mas nem todos serão salvos. A única maneira de as pessoas serem salvas e de receberem o galardão de Deus é crerem “no Senhor Jesus Cristo” (At.16:31).

III. UMA SALVAÇÃO EFICAZ

1. Vitória sobre o Diabo. Segundo o autor da Epístola aos Hebreus, para que a salvação se efetivasse, o Salvador precisava sofrer e morrer pelo ser humano. Somente por meio da morte na cruz, o Diabo, arqui-inimigo do ser humano, seria derrotado (Hb.2:14) - “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”.

O pecado e a morte estão interligados: o pecado resulta na morte. Somente aniquilando primeiro o poder do pecado é que Cristo poderia então aniquilar o poder da morte. Ele realizou ambos através de sua morte e ressurreição. Através destes atos, Cristo deu o golpe final tanto em Satanás, quanto na morte. Embora Satanás ainda possua grande poder sobre este mundo, ele está mortalmente ferido. Deus permite que Satanás trabalhe, mas o limita (veja Jó 1:12; 2:6; Ef.4:27; 6:11; 1Tm.3:7; Tg.4:7; 1Pd.5:8,9). Satanás ainda está operando, mas um dia ele será, finalmente, destruído – “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (cf. Ap.20:10).

Você quer ter vitória sobre o diabo e seus anjos? Ela advém do uso da Palavra do Senhor, que é a única arma ofensiva da armadura de Deus descrita em Ef.6:10-18. Somente podemos atacar o diabo e suas hostes espirituais nos utilizando das Escrituras. Jesus assim fez e foi vitorioso. Mesmo no momento mais crucial de Sua vida terrena, quando Se sentiu abandonado pelo Pai, Jesus recorreu à Palavra de Deus, pois a expressão "Deus meu, Deus meu, por que Me desamparaste?", cantada em hebraico (tanto que o povo não a compreendeu), nada mais era que a recitação do Salmo 22. Até neste instante, Jesus não deixou de persistir fazendo a vontade de Deus, recorrendo, na inédita solidão, à Bíblia Sagrada, um exemplo que não podemos deixar de seguir.

Além das Escrituras, deve o cristão, para vencer as hostes espirituais da maldade, revestir-se de toda a armadura de Deus - "para que possa revestir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes"(Ef.6:13b). Resumidamente, esta armadura envolve: 

a) o Cinto da verdade. Quando o cristão pratica a verdade, vive uma vida em verdade, naturalmente afugenta o diabo, que é o pai da mentira (João 8:44). Ademais, a verdade é a Palavra de Deus (João 17:17) e, portanto, quando adotamos a verdade como critério de nossas vidas, estaremos nos utilizando das Escrituras e, por conseguinte, afugentando o adversário.

b) a Couraça da justiça. O cristão é justificado pela fé e passa a ter paz com Deus. O pecado é iniquidade (1João 3:4), e uma vida de justiça é uma vida de equidade (Fp.4:5), fruto de uma vida de comunhão com Deus. O Senhor conhece o caminho dos justos(Sl.1:6), e a prática da justiça, que é o contrário da prática da iniquidade, faz-nos livres do poder do mal e nos permitirá entrar no reino de Deus(Mt.5:20). A iniquidade, isto é, a injustiça é algo próprio e peculiar ao diabo (Ez.28:15,18).

c) calçados da preparação do Evangelho da paz. O cristão anda de acordo com as Escrituras, de acordo com a proposta das boas novas trazidas ao mundo por Cristo Jesus. Ele está preparado para pôr em prática aquilo que foi anunciado pelo Senhor e está em perfeita paz com o seu Senhor, justificado que foi pela fé. O crente é receptor da paz de Cristo(João 14:27) e a transmite aos outros, pois é um pacificador(Mt.5:9). Anuncia a salvação em Jesus (Mc.16:15,20) e, assim fazendo, afugenta o diabo, porquanto é um divulgador da verdade do evangelho, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16,17). Com estes calçados, o cristão entra pela porta estreita, que o conduz à vida eterna(Mt.7:13,14).

d) o Escudo da fé. Se confiarmos em Deus, se a Ele entregarmos a nossa vida(Sl.37:3,5), certamente não daremos lugar ao diabo para operar em nossa vida. Quando temos fé em Deus, confiamos na Sua Palavra, a dúvida não encontrará espaço em nossas vidas e, portanto, saberemos afugentar os dardos inflamados do inimigo. É por isso que a Bíblia nos diz que a justiça de Deus se descobre de fé em fé e que o justo viverá da fé (Rm.1:17). A fé é o combustível do veículo do crente na estrada que nos conduz ao céu.

e) o Capacete da salvação. A nossa mente deve estar envolvida com a ideia da salvação. Devemos tudo fazer levando em conta qual o benefício disto para que alcancemos a redenção, a glorificação do nosso corpo. Em nossa mente, nunca devemos perder de vista que temos um objetivo, um alvo(Fp.3:11-14), que é o de perseverar até o fim para que completemos o processo de salvação de nossas almas(Mt.24:13).

f) a Espada do Espírito. A Palavra de Deus é a arma ofensiva nos embates contra o diabo e seus anjos. Foi com a Palavra que Jesus afugentou o adversário. Esta armadura de Deus, entretanto, para que possa funcionar deverá ser acompanhada de vigilância e oração(Ef.6:18). Assim como o soldado tem de estar em boa forma física para que possa, com sucesso, desempenhar suas funções, principalmente os armamentos que estão à sua disposição, o cristão, para vencer a tentação contra o diabo e seus anjos, há de estar em boa forma espiritual, e a boa forma espiritual vem pela oração contínua e sem cessar. Um crente que não ora é como um soldado que está mal fisicamente falando: corre sério risco de ser abatido na peleja. 

2. Vitória sobre a morte. A morte é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn.2:15-17; 3:19; Rm.5:12). É o pagamento indesejado que recebemos por ter pecado (Rm.6:23). É o fim para o qual caminhamos a passos largos (Ec.12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem em nosso encalço para, no inevitável dia do encontro, nos deixar prostrados (Lc.12:20). É o último inimigo a ser aniquilado (1Co.15:26). É a arma poderosa usada por Satanás para manter os homens debaixo do jugo do medo (Hb.2:15). Contudo, para o verdadeiro cristão, a morte é “lucro”. Sabe por quê? Porque Jesus venceu a morte. Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: ”Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp.1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp.1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor - “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor”(2Co.5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor (2Co.5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso. Caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente. Os homens continuam a morrer, mas os que o recebem como Salvador tem a vida eterna, pois a morte não tem mais domínio sobre eles.

3. Vitória sobre a tentação. Jesus tornou-se semelhante a nós em tudo (Hb.2:17), exceto na natureza pecaminosa – Jesus nunca compartilhou esta parte da humanidade (Hb.4:15;7:26). Somente desta forma Ele poderia oferecer um sacrifício para expiar os pecados do povo (Hb.2:17). Este sacrifício foi a sua vida.

“Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Hb.2:17).

Por ter assumido a natureza humana, e se identificado com os homens nos seus limites, Ele sabe o que é ser tentado e por essa razão está pronto a ajudá-los.

Para vencermos a tentação oriunda do diabo, é preciso que nos valhamos da Palavra de Deus. Jesus nos mostrou que as Escrituras são a principal arma contra o diabo. É assim que devemos resistir-lhe e, certamente, quando resistimos ao diabo, ele foge de nós (Tg.4:7).

Um dos principais fatores da queda do primeiro casal foi a falta de convicção e de conhecimento da Palavra de Deus por parte de Eva que, inclusive, acrescentou à proibição divina de não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, a de não tocar naquele fruto, algo que não se encontrava na determinação de Deus. Isto nos mostra, claramente, que, ao contrário do que parece, a presença de mandamentos e de preceitos humanos, além dos contidos nas Escrituras, é um fator que facilita a operação satânica. Vejamos o exemplo dos fariseus, relatado pelo próprio Senhor, que mostra que a existência de mandamentos humanos em nada ajuda a preservação da santidade e da força espiritual, mas, bem ao contrário, é um fator que propicia a tentação, pois, assim fazendo, a pessoa poderá achar que tem condições de, por si só, sem Deus, alcançar a salvação, o que é absolutamente impossível ao homem.

CONCLUSÃO

A Salvação é oferecida ao homem como uma bênção grandiosa, e de forma gratuita. Porém, para Deus ela teve um preço, um altíssimo preço. Ela custou a vida de Seu único Filho, Jesus. Cristo feriu a cabeça da "Serpente" provendo a solução definitiva para o estado caído do ser humano. A peçonha do pecado que Satanás tentou passar à humanidade foi aniquilada pela morte redentora de Cristo. O Criador deseja que todo ser humano seja salvo (1Tm.2:3,4), apesar da condição de rebelado, de pecador e de inimigo de Deus. Qualquer pecador pode ser salvo aqui e agora, basta apenas arrepender-se de seus pecados e crer na suficiência da graça manifestada em Cristo Jesus (Rm.10:8-10).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 73. CPAD.
Pr. Caramuru Afonso Francisco. A Promessa da Salvação. PortalEBD_2007.
Pr. Antônio Gilberto. Soteriologia – a Doutrina da Salvação. CPAD.
Pr. Caramuru Afonso Francisco. Vitória nas Tentações. PortalEBD.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

LIÇÕES BÍBLICAS - 1° TRIMESTRE DE 2018


No 1º Trimestre letivo de 2018, estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o tema: “A Supremacia de Cristo – Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus”. As lições serão comentadas pelo Pr. José Gonçalves, e estão distribuídas sob os seguintes temas:

Lição 1 - A Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo.

Lição 2 - Uma Salvação Grandiosa.

Lição 3 - A Superioridade de Jesus em relação a Moisés.

Lição 4 - Jesus é Superior a Josué - O meio de entrar no Repouso de Deus.

Lição 5 - Cristo é Superior a Arão e à Ordem Levítica.

Lição 6 - Perseverança e Fé em Tempo de Apostasia.

Lição 7 - Jesus - Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior.

Lição 8 - Uma Aliança Superior.

Lição 9 - Contrastes na Adoração da Antiga e Nova Aliança.

Lição 10 - Dádiva, Privilégios e Responsabilidades na Nova Aliança.

Lição 11 - Os Gigantes da Fé e o seu Legado para a Igreja.

Lição 12 - Exortações Finais na Grande Maratona da Fé.

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A Epístola aos Hebreus enfoca, entre outros assuntos importantes, “A Supremacia de Cristo”. Hebreus compara Jesus Cristo com o Antigo Pacto, e o apresenta como o cumprimento de todas as promessas messiânicas. Tal comparação visa demonstrar a supremacia de Cristo sobre tudo quanto o Antigo Testamento tem a oferecer. O tema que percorre a Epístola do princípio ao fim é: “Jesus Cristo é superior a....”. Sua superioridade é destacada de forma magistral: excede a Moisés, Josué, Arão, Melquisedeque, os profetas e os anjos. Ele é descrito como o Criador de todas as coisas, resplendor da glória e imagem de Deus; Aquele que tudo sustém com o seu poder, que nos purificou de todo o pecado e está assentado à destra de Deus. Ademais disso, a mensagem de Hebreus é que Jesus é o melhor, supremo e suficiente Salvador.

A Epístola aos Hebreus é singular no Novo Testamento por muitas razões. Ela é claramente endereçada à Itália ou escrita lá (Hb.13:24) para um grupo específico, provavelmente cristãos hebreus. Se a Itália é o destino desta Epístola, a perseguição sangrenta de Nero (64 d.C.) faz ela retroceder para, o mais tardar, meados de 64. É bastante provável que Hebreus tenha sido escrita entre 63 e 65 d.C.  Presume-se que originalmente Hebreus se dirigia a uma pequena igreja que se reunia numa casa e, portanto, não tinha vínculo com uma congregação grande e famosa que mantivesse viva a tradição de sua origem e destino.

Na seção doutrinária de Hb.1:4-10:18, o autor mostra como Jesus é superior aos anjos (Hb.1:4-2:18), aos líderes religiosos (Hb.3:1-4:13) e sacerdotes (Hb.4:14-7:28). O autor exorta aos seus destinatários a apegarem-se à sua nova fé, a encorajarem-se uns aos outros e aguardarem ansiosamente a volta de Cristo (Hb.10:19-25). São advertidos das consequências de rejeitar o sacrifício de Cristo (Hb.10:26-31) e lembrados das recompensas da fidelidade (Hb.10:32-39).

O autor explica como viver pela fé, citando exemplos de homens e mulheres fiéis na história de Israel (Hb.11:1-40), encorajando-os e exortando-os quanto ao cotidiano cristão (Hb.12:1-17). O autor conclui com exortações morais (Hb.13:1-17), um pedido de oração (Hb.13:18,19), uma bênção e saudações (Hb.13:20-25).

De modo geral, Hebreus trata da fantástica batalha que ocorre ao se trocar um sistema religioso por outro. Há a violenta ruptura dos antigos laços, os estresses e as tensões do afastamento e as enormes pressões exercidas sobre o renegado para voltar.

A Epístola foi escrita para o povo de origem judaica. Esses hebreus tinham ouvido o evangelho pregado pelos apóstolos e os outros durante a primeira fase da Igreja e tinham visto os poderosos milagres do Espírito Santo que confirmavam a mensagem. Eles tinham respondido às boas-novas de uma das três maneiras:

Ø  Alguns creram no Senhor Jesus e foram genuinamente convertidos.

Ø  Ouros professaram que se tornaram cristãos, foram batizados e assumiram seus postos nas igrejas locais. Contudo, nunca nasceram de novo pelo Espírito Santo de Deus.

Ø  Outros ainda, indiferentes, rejeitaram a mensagem da salvação.

Esta Epístola trata dos dois primeiros casos: os hebreus verdadeiramente salvos e os que nada tinham além de uma fachada de cristianismo. Quando um judeu deixava a fé de seus antepassados, era visto como vira-casaca e um apóstata, e muitas vezes era punido com uma ou mais das penas seguintes:

·        Privação do direito de herança pela família.

·        Excomunhão da congregação de Israel.

·        Perda de emprego.

·        Perda de bens.

·        Tormento mental e tortura física.

·        Ridicularização pública.

·        Prisão.

·        Martírio.

É evidente que sempre havia uma rota de fuga. Se esse judeu renunciasse a Cristo e voltasse ao judaísmo, seria poupado de novas perseguições. Como se lê nas entrelinhas desta Epístola, podemos detectar alguns fortes argumentos usados para persuadi-lo a retornar à antiga fé:

·        O rico patrimônio dos profetas.

·        O proeminente ministério dos anjos na história do antigo povo de Deus.

·        A associação com Moisés, o ilustre legislador.

·        Laços nacionais com Josué, o brilhante comandante militar.

·        A glória do sacerdócio de Arão.

·        O sagrado santuário que Deus escolheu para nele habitar entre seu povo.

·        A aliança da lei concedida por Deus por meio de Moisés.

·        Os utensílios divinamente escolhidos no santuário e o magnífico véu.

·        Os serviços no santuário, especialmente o ritual do grande dia da Expiação (Yom Kippur, o mais importante dia do calendário judaico).

Podemos praticamente ouvir os judeus do século I apresentando todas essas glórias de sua antiga e ritualística religião e depois perguntando com desdém: "O que vocês, cristãos, têm? Nós temos tudo isso. O que vocês têm? Nada senão uma simples sala, uma mesa e pão e vinho sobre a mesa! Vocês querem dizer que deixaram tudo aquilo por isso?".

A Epístola aos Hebreus é realmente uma resposta à pergunta: "O que vocês têm?". Em uma palavra, a resposta é Cristo. Em Cristo, temos:

·        Aquele que é maior do que os profetas.

·        Aquele que é maior do que os anjos.

·        Aquele que é maior do que Moisés.

·        Aquele que é maior do que Josué.

·        Aquele cujo sacerdócio é superior ao de Arão.

·        Aquele que serve em melhor santuário.

·        Aquele que apresentou melhor aliança.

·        Aquele cuja oferta de si, feita uma vez por todas, é superior aos repetidos sacrifícios de bois e cabritos.

Assim como as estrelas perdem o brilho diante da glória maior do sol, também os tipos e a intangibilidade do judaísmo tornam-se insignificantes diante da glória superior da pessoa e da obra de Jesus.

Havia ainda o problema da perseguição. Os que professavam ser seguidores do Senhor Jesus enfrentavam oposição amarga e fanática. Para os verdadeiros cristãos, isso poderia conduzir ao desalento e desespero. Eles, portanto, precisavam ser encorajados a ter fé nas promessas de Deus, precisavam de perseverança em vista do futuro galardão.

Para os que eram apenas cristãos nominais, havia o perigo da apostasia. Após professar ter recebido Cristo, eles poderiam renunciar a ele completamente e retornar à religião ritualística. Isso era tão ruim quanto pisotear o Filho de Deus, profanando seu sangue e insultando o Espírito Santo. Para esse pecado intencional, não havia arrependimento ou perdão. Contra esse pecado, há repetidas advertências:

·    Em Hb.2:1, ele é descrito como desviar-se da mensagem de Cristo.

·    Em Hb.3:7-19, é o pecado da provocação, ou de endurecer o coração.

·    Em Hb.6:6, é o cair ou cometer apostasia.

·    Em Hb.10:25, é deixar de congregar-se.

·    Em Hb.10:26, é o pecado deliberado ou voluntário.

·    Em Hb.12:16, é mencionada a venda do direito de primogenitura por uma simples refeição.

·    Em Hb.12:25, é chamado recusa em ouvir aquele que está falando do céu.

Mas todas essas advertências referem-se aos diferentes aspectos do mesmo pecado: a apostasia.

A mensagem de Hebreus, portanto, é oportuna hoje como foi no primeiro século da Igreja. Precisamos ser constantemente lembrados dos privilégios e das bênçãos eternas que são nossas em Cristo. Necessitamos de coragem para perseverar, apesar da oposição e das dificuldades. E todos os que professam ser cristãos precisam ser alertados contra o retorno à religião de cerimoniais depois de ter provado e visto que o Senhor é Bom.

A mensagem de Hebreus foi importante para os judeus cristãos, e também é importante para nós hoje. À semelhança deles, precisamos perceber que Cristo é o nosso grande Sumo Sacerdote, Aquele para quem apontavam todo o rito e cerimoniais do judaísmo.

Independentemente do que você esteja considerando como enfoque mais importante na vida, saiba que Cristo é superior a tudo no universo. Ele é a revelação perfeita de Deus, o sacrifício final e completo pelo pecado, o mediador compassivo e compreensivo, e o único caminho para a vida eterna.

Que, neste trimestre, tenhamos plena  compreensão da realidade que a Epístola aos Hebreus nos transmite, e que possamos enxergar sem nenhum bloqueio a supremacia de Cristo, a história e a vida sob a perspectiva de Deus.

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Ev. Luciano de Paula Lourenço