segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Aula 04 – NÃO FARÁS IMAGENS DE ESCULTURA


1ºTrimestre/2015

 
Texto Básico: Êxodo 20:4-6; Dt 4:15-19

 
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1Co 10:14).

INTRODUÇÃO

"Não farás para ti imagem de escultura" (Ex 20:4; Dt 5:8). O Primeiro Mandamento de Deus no Sinai foi “não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3). E o Segundo Mandamento foi não fazer imagens de escultura e nem se encurvar a elas (Êx 20:4-6). A idolatria é um pecado grosseiro e afrontoso ao único e verdadeiro Deus. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos. Há formas de criaturas nos céus (anjos), na terra (animais, seres humanos) e nas águas (peixes e baleias), e nenhuma dessas formas poderia jamais representar Deus. Tentar reduzir Deus a uma figura conhecida era o mesmo que reduzir sua glória. Deus apresentou os motivos para esta proibição: “Ele é Deus zeloso”, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem. Está escrito: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de esculturas” (Is 42:8).

I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA

1. Ídolo e imagem. O ídolo é um objeto de culto visto pelos idólatras como tendo poderes sobrenaturais e a imagem é o representante do ídolo. Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico (Lv 17:7; 1Co 10:20).

Satanás, como “o deus deste século” (2Co 4:4), exerce vasto poder nesta presente era iníqua (ver 1João 5:19). Ele tem poder para produzir falsos milagres e de proporcionar às pessoas benefícios físico e materiais. Sem dúvida, esse poder contribui, às vezes, para a prosperidade dos ímpios (cf. Sl 10:2,6; 73:1-17).

Essa correlação entre a idolatria e os demônios vê-se mais claramente quando percebemos a estreita vinculação entre as práticas religiosas pagãs e o espiritismo, a magia negra, a leitura da sorte, a feitiçaria, a bruxaria, a necromancia, e coisas semelhantes (cf 2Rs 21:3-6; Is 8:19). Segundo as Escrituras Sagradas todas essas práticas ocultistas envolvem submissão e culto aos demônios.

Os ídolos sempre foram laços para o povo de Israel, a quem Deus elegeu como seu povo peculiar aqui na Terra. Em 1 e 2 Reis temos a revelação da infidelidade do povo de Deus. Encontram-se ali três categorias de reis que tiveram diferentes relações com as imagens:

a) reis maus, que não andaram no caminho do Senhor e apoiaram toda sorte de idolatria: Jeroboão (1Rs 12:31,32; 13:33); Roboão (1Rs 14:23); Zinri (1Rs 16:19); Onri (1Rs 16:25,26); Acabe (1Rs 16:30-33); Acazias (1Rs 22:52,53); Jorão (2Rs 3:1-3); Acazias (2Rs 8:27); Jeú (2Rs 10:18-31); Jeocaz (2Rs 13:1,2); Jeoás (2Rs 13:10,11); Jeroboão (2Rs 14:23,24); Peca (2Rs 15:27,28); Acaz (2Rs 16:1-3); Oséias (2Rs 17:1,2); Manasses (2Rs 21:1-3); Amom (2Rs 21:17-21).

b) reis bons, que andaram no caminho do Senhor, mas que, ao mesmo tempo, toleraram os lugares altos: Asa (1Rs 15:12-15); Josafá (1Rs 22:43,44); Joás (2Rs 12:3); Amazías (2Rs 14:1-4); Azarias (2Rs 15:1-4); Jotão (2Rs 15:32-35).

c) reis excelentes, que andaram no caminho do Senhor e derrubaram os lugares altos: Ezequias (2Rs 18:1-4) e Josias (2Rs 22:1,2; 2Cr 34:4).

Em todo esse período, o povo de Deus experimentou apenas dois reavivamentos: o primeiro ocorreu durante o reinado de Ezequias e o segundo, nos dias de Josias. Foram homens de muita coragem e de alto padrão espiritual; tanto Ezequias quanto Josias tiveram a visão de voltar ao Senhor e deixar para trás toda espécie de ídolos, inclusive os postes-ídolos e lugares altos que dominaram a vida diária por tantas gerações.

O salmo 96:5 afirma que todos os deuses dos povos não passam de ídolos e faz uma clara distinção entre os ídolos e Deus: o verdadeiro Deus fez os céus; os ídolos foram criados, mas nunca criaram nada. O verdadeiro Deus tem poder criativo, os ídolos não. Os ídolos foram criados e não criam, enquanto o verdadeiro Deus cria e nunca foi criado.

Uma nova dimensão na questão da idolatria abre-se nas palavras proféticas de Ezequiel, quando ele se refere aos ídolos dentro do coração (Ez 14:1-11). Estes já não são visíveis e estão ligados às atitudes do coração, mas desviam do Senhor e contaminam o pensamento humano tanto quanto os ídolos visíveis e tangíveis.

Hoje, no Brasil, é notória a prática de espiritualismo em diversos púlpitos. Prometem "carro", "casa", "emprego", "saúde", "dinheiro" e tantas outras falsas promessas em troca de dinheiro. Na ânsia de "tomar posse da bênção", as pessoas passam a cultuar uma série de objetos que nada têm a ver com o Evangelho. É o "galho de arruda", o "sal grosso", a "rosa ungida", as "sementes", o "carnê", enfim, a razão da fé deixa de ser Jesus para ser as tais imagens. Quando você se prostra diante de um ídolo, uma imagem de escultura, não importa quem, ou o que ela está representando, seja aonde for - em um templo, ao ar livre, em um centro de magia -, por traz desse ídolo, ou imagem, está um demônio.

É válido ressaltar que não há condenação para confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo (Êx 25:31-34) e no primeiro Templo (1Rs 6:18,29) haviam obras esculpidas. A tradição cristã nunca condenou o emprego de imagens para fins didáticos. Pela história eclesiástica, sabemos como as pinturas nas catacumbas serviram para a catequese e a meditação dos fiéis analfabetos. O problema surge quando essas imagens são desvinculadas da simplicidade da fé apostólica, tornando-se um instrumento de veneração ou até adoração. Já o pé de coelho, o anel mágico, a pirâmide esotérica, o cacto em frente da casa para dissipar os maus espíritos, o arco-íris, as pedras no balde em cima da cabeça e outros objetos ou práticas que recebem o apoio da crença popular são manifestações de desrespeito à santidade de Deus e ao Segundo Mandamento (Dt 18:10-12).

2. Idolatria. A palavra idolatria é formada por dois vocábulos gregos: eidolon = ídolo + latria = adoração, idolatria. Portanto, idolatria é adorar, venerar, ajoelhar–se diante de ídolos, fazer-lhes orações, prostrar-se diante deles e prestar-lhes culto.

Teologicamente, idolatria é tudo aquilo que, em nosso coração, tira a primazia de Deus. É idolatria, por exemplo, o excessivo apego que se tem a uma pessoa ou objeto (Cl 3:5).

A idolatria é obra da carne. Ao relacionar as obras da carne, Paulo coloca a idolatria no mesmo nível destas (Gl 5:20).

A idolatria é um pecado grosseiro e afrontoso ao único e verdadeiro Deus, porque: (a) lhe rouba a glória e consagra-a às obras que nada são; (b) ignora-lhe a eterna e inquestionável soberania; (c) zomba das reivindicações que Ele apresenta em Sua Palavra. O idólatra demonstra que não dá nenhuma importância à soberania divina (Sl 14:1).

O povo de Deus cometeu o pecado da idolatria repetidas vezes, ao longo de sua história no Antigo Testamento. Em Deuteronômio 27:15 vemos a função condenatória do Segundo Mandamento em sua forma mais radical. Quem quebrar este mandamento será maldito e abominável perante o Senhor, e o povo dirá amém. O mesmo povo que concordava com esta exigência do Senhor mais tarde caiu em grande idolatria. Outra passagem que se destaca é Deuteronômio 16:21,22, onde Javé adverte contra postes-ídolos e árvores ao lado do altar ou colunas que lhe são odiáveis (veja também Juízes 3:7,8). A adoração a esses fetiches nos lugares altos tornou-se a principal forma de idolatria em Israel.

Todos os profetas exortaram os israelitas a que se abstivessem da idolatria. Foi em consequência da idolatria que Israel e Judá foram expulsos de suas possessões e experimentaram o amargo cativeiro (2Rs 17:1-23; 2Cr 36:11-21).

Por que a idolatria era tão fascinante aos israelitas?

a) Porque as nações ao redor de Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus, ou seja, quanto mais deuses melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao invés de obedecer ao mandamento de Deus no sentido de se manter santo e separado delas.

b) Porque os deuses das nações vizinhas a Israel não exigiam nenhum tipo de obediência a padrões morais, como o Deus de Israel. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para isso prostitutas cultuais. Essa prática sem dúvida atraia muitos israelitas. Deus, por sua vez, exigia padrões morais para o seu povo, vida de consagração, adoração com reverência.

c) Porque acreditavam que os deuses da fertilidade prometiam o nascimento de filhos; os deuses do tempo (sol, lua, chuva etc.) prometiam as condições apropriadas para colheitas abundantes e os deuses da guerra prometiam proteção dos inimigos e a vitória nas batalhas. A promessa de tais benefícios fascinava os israelitas; daí, muitos se dispunham a servir aos ídolos, ou seja, aos demônios (cf Dt 32:17).

Se a idolatria era combatida com rigor no Antigo Testamento, não será diferente no Novo. No Concílio de Jerusalém, os apóstolos e anciãos, inspirados pelo Espírito Santo, recomendaram aos fiéis: “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes” (Atos 15:29). Em suas diversas epístolas, os apóstolos condenaram duramente o envolvimento dos cristãos com a idolatria (1Co 10:14; 1Pe 4:3).

O apóstolo Paulo advertiu a igreja de Corinto e adverte a igreja de hoje para não se envolver com a idolatria, como o povo de Israel no deserto. Ele diz: “Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para dançar (1Co 10:7).

II. AMEÇAS E PROMESSAS

1. O Deus zeloso.Porque eu, o SENHOR, teu Deus, sou Deus zeloso...” (Êx 20:5). Estas palavras devem ser interpretadas à luz do caráter de Deus. Deus é zeloso no sentido de ser exclusivista, não tolerando que seu povo preste culto a outros deuses. Como um marido, que ama a sua esposa, não permite que ela reparta seu amor com outros homens, Deus não tolera nenhum rival. Esse direito de exclusividade era algo inusitado na época e único na história das religiões, pois os cultos pagãos antigos eram tolerantes em relação a outros deuses.

2. As ameaças. “... que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Êx 20:5). As ameaças sobre as gerações daqueles que aborrecem Javé são para os descendentes que continuam envolvidos no pecado dos pais, as sucessivas gerações que aprenderam os pecados dos seus ancestrais e vivem ainda neles. Este princípio aparece outras vezes no Antigo Testamento além das duas passagens do Decálogo (Êx 34:7; Nm 14:18; Jr 32:18). Deus não castiga os filhos pelos pecados de seus pais, a não ser nos casos em que os filhos continuem nos pecados dos pais. Castiga os que o "aborrecem" e não os arrependidos. "A alma que pecar, essa morrerá"; "o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho" (Ez 18:20). Em vez disso, a maldade passa de geração a geração pela influência dos pais e quando chega a seu ponto culminante, Deus traz castigo sobre os pecadores (Gn 15:16; 2Reis 17:6-23; Mt 23:32-36).

"visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" - Os expositores da falaciosa doutrina da “maldição hereditária” costumam usar este texto para fundamentar a sua teoria. “Afirmam que, se alguém tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque alguém de sua família, no passado - não importa se avós, bisavós ou tataravós -, teve esse problema. Nesse caso, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao diabo. Uma vez descoberta tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família é desfeita. Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos mórmons”. “Tal pensamento não se sustenta biblicamente; é um erro crasso. A maldição está sobre quem continuar no pecado dos pais, sobre ‘aqueles que me aborrecem’, pontua com clareza o mandamento. Não é o que acontece com o cristão que ama a Deus. Se fomos alvejados pela graça de Deus ainda no tempo da nossa ignorância, quanto mais agora que somos reconciliados com ele? (Rm 5:8-10). Quando alguém se converte a Cristo, torna-se nova criatura: "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5;17)“ (Esequias Soares).

III. O CULTO VERDADEIRO

Em todo o culto verdadeiro, Deus é ao mesmo tempo o objeto do culto, o assunto do culto, e o poder do culto.

1. Adoração. De acordo com a Bíblia, a adoração está associada com a ideia de culto, reverência, veneração, por aquilo que Deus é: Santo, Justo, Amoroso, Soberano, Misericordioso, etc. Os dois principais verbos gregos para “adorar”, no Novo Testamento, são proskyneo, que significa “adorar” no sentido de prostrar-se; e latreuo, que significa “servir” a Deus.

Muitos têm se iludido achando que Deus se agrada se cumprirmos tão somente os deveres litúrgicos, ou seja, se rendermos a Deus um culto formal em alguma igreja. A essência do culto está na adoração ao Senhor, e nunca é demais enfatizarmos essa verdade, pois adoração vazia significa culto frio e sem propósito.

A adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive de nosso ser. É através da adoração que Deus é reconhecido como Senhor e o homem, como seu servo. Quando adoramos ao Senhor, em espírito e em verdade (João 4:23,24), trazemos o Senhor até ao local de adoração de uma forma especial.

O Senhor Jesus disse que Deus procura a estes adoradores e disse que estaria onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome (Mt 18:20). Assim sendo, quando nos reunimos em nome do Senhor, quando realmente O adoramos, Ele se faz presente de uma forma toda especial, ou seja, como companheiro, como intercessor, como Salvador.

2. Deus é espírito. De conformidade com a revelação de Cristo à mulher Samaritana, Deus é Espírito (João 4:24), sendo, portanto, invisível e imperceptível para os sentidos físicos (Jo 1:18). Cultuá-lo com a mediação de imagens é colocá-lo no mesmo nível das falsas divindades, uma afronta ao verdadeiro Deus.

Deus é Espírito infinito, sem fronteiras ou limites tanto quanto ao seu Ser como quanto aos seus atributos, e cada aspecto e elemento de sua natureza é infinito. Essa natureza infinita, em relação ao tempo, é chamada eternidade, e em relação ao espaço é chamada onipresença; em relação ao universo, ela implica tanto em transcendência como em imanência.

3. Deus é imanente e transcendente. Por transcendência de Deus se entende que Ele está separado de toda a sua criação como um Ser independente e auto-existente. Ele não está limitado pela natureza, mas existe infinitamente exaltado sobre ela. Até mesmo aquelas passagens das Escrituras que salientam suas manifestações temporais e locais dão ênfase à sua exaltação e onipotência como Ser externo ao mundo, como seu soberano Criador e Juiz (cf Is 40:12-17). Em Is 57:15 temos uma expressão da transcendência de Deus: “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo”, bem como sua imanência como Aquele que habita “também com o contrito e abatido de espírito”.

Por imanência de Deus se entende sua presença difundida e seu poder dentro de sua criação, ou seja, Deus não abandonou a criação e que dela participa ativamente, sendo companheiro do homem a cada instante de sua existência. Desta percepção da imanência de Deus, o homem pode compreender que Deus o ama e que tudo fez para resgatá-lo do pecado e do mal, chegando ao ponto de se humanizar e de morrer em nosso lugar na cruz do calvário, na pessoa de seu Filho. Por isso, a Bíblia mostra que o primeiro e maior mandamento de Deus para o homem é o de amarmos a Deus sobre todas as coisas, algo que decorrerá do fato de reconhecermos nosso estado de pecador e de nos arrependermos e nos chegarmos ao Senhor, através da pessoa de Jesus Cristo.

IV. AS IMAGENS E O CATOLICISMO ROMANO

1. Uma interpretação forçada. Para escapar da acusação de prática de idolatria por parte dos seus fiéis, a Igreja Católica Romana desenvolveu três argumentos básicos:

- Em primeiro lugar, diz que o texto de Êxodo 20:4-5 não era uma proibição absoluta, mas condicionada por circunstâncias em que vivia o povo de Israel, haja vista que o próprio Deus mandou que se confeccionassem imagens sagradas (Ex 25:17-22; 1Rs 6:23-29).

- Em segundo lugar, desenvolveu a teoria da pedagogia divina. D. Estevão Bettencourt resume assim a teoria: ...os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isto o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximar-se do Filho de Deus. Assim criaram a ideia de que: Nas igrejas as imagens tornaram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. É o que notam alguns escritores cristãos antigos: 'O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente'(S. Gregório de Nissa, Panegírico de S. Teodoro. p. 46,737d). O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados (São João Damasceno. De imaginibus 17 p. 94,1248c). (Diálogo Ecumênico. D. Estevão Bittencourt osb. Edições "Lúmen Christi”.1989. p.227-234).

- Em terceiro lugar, criou a teoria da distinção de devoção ou culto: dulia, devoção aos santos e anjos; hiperdulia, devoção a Maria e; latría, culto prestado a Deus.

2. Refutação Apologética. Deus proibiu seu povo de confeccionar e cultuar imagens, estátuas, etc, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira, ou outro material corruptível, um caráter religioso. Acreditavam, além do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa prática. O Deus Todo-poderoso instruiu seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração dos israelitas, que embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, servos exemplares, com todas as virtudes para "canonização" (os heróis da Bíblia), não foram pretextos para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto. Deus proibiu seu povo de fabricar imagens de escultura, de fundir imagens para cultuá-las (Êx 20:23 e 34:17).

Algumas imagens que Deus mandou confeccionar não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem serviam de modelo para reflexão ou conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Aliança; mandou confeccionar figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios (Ex 25:17-22; 1Rs 6:23-29), além de outros ornamentos (1Rs 7:23-28). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas, ou vistas como objeto de devoção ou adoração. Se os filhos de Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí-las. Foi isso o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (2Rs 18:4).

Quando analisamos esta questão na história da nação de Israel, o povo que recebeu os mandamentos de Deus e a preocupação dos judeus religiosos em manter-se fiéis até hoje, podemos entender que, apesar do Antigo Testamento proibir a confecção de imagens relativamente, no entanto a adoração ou culto a imagens era absolutamente proibido: “Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (Êx 20:4b).

Em algumas sinagogas do século III, e até hoje, encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais, entretanto, jamais veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel.

No Novo Testamento, não encontramos argumentos, nem evidências que justifique o culto, veneração ou a fabricação de imagens.

Considerando o segundo argumento apresentado pelo catolicismo romano de que um dos objetivos da Igreja é ensinar o povo a Bíblia através das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surge-nos algumas perguntas: Por que se faz culto a elas, se o objetivo é ensinar a Bíblia? Por que após passar dezenas de anos, com milhares de católicos alfabetizados, ainda insistem cultuar imagem? Se realmente a imagem fosse o livro daqueles que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados às imagens? Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? Onde está a base bíblica para esta teoria da pedagogia divina? Será que a encarnação do verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los? Cristianismo é a fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (João 3:16; Rm 5:8: Ef 2:8-9; 1Tm 2:5; Tt 2:11), é adoração exclusiva a Deus: “...ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4:11; Lc 4:8).

O principal de todos os mandamentos é: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás o Senhor leu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” (Mc 12:29-30; Mt 22:37). “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai cm espirito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus e Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em Espírito e em verdade” (João 4:23,24).

Finalmente, acerca da teoria de três tipos de devoção: a dulia, a hiperdulia e a latria, perguntamos: qual a diferença que pode haver entre a dulia, a hiperdulia? Qual a diferença das duas com a latria? A verdade é que os três termos se confundem. Os dois termos (dulia e hiperdulia) podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que não define coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem da Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião, ou de Jesus, sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa? Imagine um católico romano bem instruído que vai para o culto. Primeiramente ele pretende cultuar São João; dobra então seus joelhos diante da imagem de São João e pratica a dulia; depois, irá prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, do praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia; finalmente, com intenção de cultuar a Deus, ele começa a praticar a latria.

Não acreditamos que o povo católico romano saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse diferenciá-las, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, aproximadamente no ano 100 d.C., certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal pratica. No entanto nos adverte: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1João 5:21).

3. Maria é digna de admiração e honra? Claro que sim, tanto quanto outros santos da Bíblia por haverem cumprido com fé, obediência e humildade os encargos que Deus lhes confiou. Honrar a Maria significa reconhecer que a sua missão aqui na Terra foi uma das mais nobres e importantes, qual seja, a missão de carregar em seu ventre, alimentar com seu sangue, amamentar e criar o nosso Redentor. Todavia, não se deve dispensar a Maria honrarias superiores às que ela merece. Nada podemos fazer para aumentar a sua posição diante de Deus. Como justo juiz, Deus não dará a Maria nada mais nada menos do que ela merece, do que ela conquistou com sua fé, humildade e obediência. E o que ela mais desejou foi a sua salvação, ou seja, viver com Cristo na eternidade.

Foi exemplo de fé, obediência e humildade. Ao ser escolhida para nobre missão de ser a mãe de Jesus, de ser o veículo para que o Verbo se fizesse carne e habitasse entre nós, ela disse: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1:38). Não se envaideceu diante das declarações de sua prima Isabel, que lhe disse: "Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre". Tão logo ouviu estas palavras, dirigiu-se ao Senhor em oração: "A Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque atentou na humildade de sua serva, pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1:39-55).

Foi exemplo também de coragem. Ela não ficou a meditar se o seu casamento com José seria desfeito ou se José gostaria ou não; se iria compreender ou não a sua gravidez. Ela confiou no Senhor e na Sua Palavra.

Seguindo seu exemplo, sejamos submissos à Palavra de Deus e à Sua vontade, ainda que isso nos cause algumas dificuldades no meio em que vivemos. Que bom seria se todos dissessem: "Cumpra-se em mim, Senhor, segundo a tua palavra".

CONCLUSÃO

Tenhamos cuidado para não reproduzirmos falsas imagens que ousam representar Deus. Não há mente humana que possa reproduzi-lo. Que o nosso cuidado não seja apenas com os ídolos de escultura, mas igualmente em relação àqueles vivos, que cantam, pregam e formam público em nome de Deus. Vigiai!

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 61. CPAD.

Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

Hans Ulrich Reifler. A ética dos dez Mandamentos. Vida Nova.

Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

Leo G. Cox - O Livro de Êxodo - Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.

Esequias Saores. Os Dez Mandamentos – Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A LEI MOSAICA E SEU SIGNIFICADO ATUAL




 

 
 
Por: Samuel Rindlisbacher
 
Cristãos renascidos precisam obedecer à Lei de Moisés ou estão dispensados de cumpri-la?

Há algum tempo fomos questionados por que escrevemos tão pouco sobre o cumprimento dos Dez Mandamentos, que seria muito importante para receber a bênção de Deus. Perguntas assim confirmam a insegurança que existe entre os crentes em relação à observância da Lei de Moisés.

Na Igreja de Jesus surgem perguntas como: “Ainda devo guardar a Lei?” “Os Dez Mandamentos são obrigatórios?” “Devo guardar o domingo?”, etc. Existem muitas dúvidas em relação à Lei e nossa posição diante de suas exigências.

A Lei e a Graça

É da maior importância compreender o verdadeiro caráter e o objeto da lei moral, como nos é apresentada neste capítulo [Êx 20]. Existe uma tendência do homem para confundir os princípios da lei com graça, de sorte que nem a lei nem a graça podem ser perfeitamente compreendidas. A lei é despojada da sua austera e inflexível majestade, e a graça é privada de todos os seus atrativos divinos. As santas exigências de Deus ficam sem resposta, e as profundas e múltiplas necessidades do pecador permanecem insolúveis pelo sistema anômalo criado por aqueles que tentam confundir a lei com a graça. Com efeito, nunca podem confundir-se, visto que são tão distintas quanto o podem ser duas coisas. A lei mostra-nos o que o homem deveria ser; enquanto que a graça demonstra o que Deus é. Como poderão, pois, ser unidas num mesmo sistema? Como poderia o pecador ser salvo por meio de um sistema formado em parte pela lei e em parte pela graça? Impossível: ele tem de ser salvo por uma ou por outra. (página 203)

Em que consiste a Lei de Moisés?

Quando se faz referência à Lei de Moisés nas igrejas, geralmente está se falando dos Dez Mandamentos. Mas esse é um engano, pois cumprir a Lei Mosaica é muito mais: ela é composta de todo o código de leis formado por 613 disposições, ordens e proibições. Em hebraico a Lei é chamada de Torá, que pode significar lei como também instrução ou doutrina. O conteúdo da Torá são os cinco livros de Moisés, mas o termo Torá é aplicado igualmente ao Antigo Testamento como um todo.

Neste artigo usaremos o termo Torá para designar os cinco livros de Moisés, especialmente a compilação das leis mosaicas, as 613 disposições, ordens e proibições que mencionamos.

• A Lei pode ser dividida em Dez Mandamentos , que no hebraico são chamadas simplesmente de As Dez Palavras. Eles regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo.

• No código mosaico encontramos também o Livro da Aliança das Ordenanças Civis e Religiosas, que explica e expõe detalhadamente o significado dos Dez Mandamentos para Israel.

• O código mosaico ainda contém as leis cerimoniais, que regulavam o ministério no santuário do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Elas tratavam também da vida e do serviço dos sacerdotes.

Em conjunto, todas essas disposições, ordens e proibições formam a Lei Mosaica. No judaísmo ortodoxo, além dessas 613 ordenanças, há ainda as leis do Talmude, a transmissão oral dos preceitos religiosos e jurídicos compilados por escrito entre os séculos III-VI d.C. A Torá e o Talmude são o centro da devoção judaica.

Jesus Cristo e a Lei de Moisés

É interessante observar que Jesus posicionou-se claramente a favor do código legal mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Entretanto, Ele rejeitou com veemência as ordenanças humanas e as obrigações impostas apenas pela tradição judaica (compiladas, posteriormente, no Talmude), afirmando: “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que podereis aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes” (Mc 7.8-13).

Jesus defendeu firmemente a Palavra de Deus. Ele considerava o Pentateuco como realmente escrito por Moisés, inspirado por Deus e normativo para Sua própria vida e Seu ministério, pois afirmou: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5.18-19).

A quem foi dada a Lei de Moisés?

As passagens bíblicas seguintes documentam que a Lei de Moisés foi dada ao povo judeu, ou seja, a Israel:

“E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje vos proponho?” (Dt 4.8).

“Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!” (Sl 147.19-20).

“São estes os estatutos, juízos e leis que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela mão de Moisés” (Lv 26.46).

“São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4).

A Lei de Moisés foi entregue a Israel

A Lei fez de Israel algo especial, transformando-o em parâmetro para todos os outros povos. A Bíblia exprime essa verdade da seguinte maneira: “Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra” (Dt 7.6). Por conseqüência, o Israel do Antigo Testamento era a única nação cuja legislação, jurisdição e jurisprudência tinham sua origem na pessoa do Deus vivo.

Hoje não é essa a situação de Israel, pois o povo continua incrédulo e não está sob o governo do Messias. No futuro, quando Israel tiver se convertido a Jesus, a Lei divina será seguida por todo o povo judeu. O próprio Deus estabelecerá a teocracia como forma de governo, definirá a legislação e executará justiça em Israel. Sobre a situação vigente quando o Messias estiver reinando, a Bíblia diz: “Deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com equidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso” (Is 11.3-4).

A situação futura das nações será como descreve Isaías 2.3: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém”. Deus está preparando o cumprimento dessa profecia. Por isso, não devemos nos admirar quando todo o poder das trevas se levanta para atrapalhar, pois o que está em jogo é o domínio divino sobre o mundo, domínio que virá acompanhado de todas as suas abençoadas consequências! Quando o Senhor reinar, pecado será pecado, injustiça e mentira serão chamadas pelos seus nomes e acontecerá o que está escrito em Jeremias 25.30-31: “O Senhor lá do alto rugirá e da sua santa morada fará ouvir a sua voz; rugirá fortemente contra a sua malhada, com brados contra todos os moradores da terra, como o eia! dos que pisam as uvas. Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo contra toda a carne; os perversos entregará à espada, diz o Senhor”. A oração de Jesus também se cumprirá: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.9-10).

Até que ponto as nações têm o dever de seguir a Lei Mosaica?

Provérbios 29.18 diz a respeito: “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz”. Toda nação que seguir esse conselho se dará bem!

A Lei de Moisés foi entregue ao povo de Israel com a seguinte finalidade: “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida” (Pv 6.23). Deus queria que Israel fosse uma clara luz no meio da escuridão espiritual em que viviam os povos e um contraponto às trevas do pecado. Por essa razão Balaão, o profeta gentio, foi compelido a proclamar: “...eis que é povo que habita só e não será reputado entre as nações. Que boas são as tuas tendas, ó Jacó! Que boas são as tuas moradas, ó Israel!” (Nm 23.9; 24.5). Balaão reconheceu que Deus era com Israel, que Ele velava sobre esse povo, morava no meio dos israelitas e lhes dava segurança e estabelecia a ordem através da Lei.

Mesmo a meretriz Raabe, que vivia na cidade ímpia de Jericó, sentiu-se obrigada a declarar aos dois espias judeus: “Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes” (Js 2.9-11).

Quando a rainha de Sabá (atual Iêmen) visitou o rei Salomão, exclamou admirada: “Foi verdade a palavra que a teu respeito ouvi na minha terra e a respeito da tua sabedoria. Eu, contudo, não cria no que se falava, até que vim e vi com meus próprios olhos. Eis que não me contaram a metade da tua sabedoria; sobrepujas a fama que ouvi. Felizes os teus homens, felizes estes teus servos que estão sempre diante de ti e ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no seu trono como rei para o Senhor, teu Deus; porque o teu Deus ama a Israel para o estabelecer para sempre; por isso, te constituiu rei sobre ele, para executares juízo e justiça” (2 Cr 9.5-8).

O nome de Deus era conhecido muito além das fronteiras de Israel. As nações reconheciam que Israel era singular, admiravam seu maravilhoso Templo e vinham para louvar seu Deus. Assim era respondida a oração que Salomão fizera por ocasião da inauguração do Templo: “Também ao estrangeiro, que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome” (1 Rs 8.41-43).


Até que ponto, então, as nações do mundo têm o compromisso de obedecer à Lei de Moisés? Bem, na verdade ninguém tem a obrigação de cumprir lei alguma. Nenhuma nação é obrigada a se orientar pelo código de leis divinas. Mas quando, de livre e espontânea vontade, ela se sujeita às ordens de Deus, essa é a melhor escolha, com os melhores resultados práticos. Cada povo que segue as orientações do Senhor experimenta o que diz o Salmo 19.8-11: “Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis que o ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa”.

A História nos ensina que os povos que desprezaram as leis divinas de maneira consciente, que as pisotearam, cedo ou tarde desapareceram de cena. Basta pensar na ex-República Democrática Alemã ou na União Soviética, que não existem mais. Mas os povos que estabelecem sua legislação e fundamentam sua constituição sobre as leis divinas, mesmo que seja de maneira imperfeita, são povos abençoados. A Bíblia diz: “Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor!” (Sl 144.15).

Será que hoje vivemos estressados, emocionalmente doentes e desorientados porque deixamos de obedecer à Palavra de Deus? Será que os líderes da economia mundial e os políticos tomam tantas decisões equivocadas por negligenciarem a Palavra do Senhor? Será que hoje as pessoas andam insatisfeitas e infelizes porque desprezam as ordens divinas? Com toda a certeza, pois o desprezo pelos decretos divinos sempre acaba conduzindo à ruína – espiritual, emocional e financeira.

A Igreja de Jesus deve cumprir a Lei?

O Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5.23), validou toda a Lei Mosaica, inclusive as 613 disposições, ordens e proibições, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16.17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências.

O Senhor Jesus, porém, não apenas se ateve pessoalmente a toda a Lei de Moisés. Foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “...o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4).

Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei : “...eu sou santo...” e exige de nós: “...vós sereis santos...” (Lv 11.44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “...eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7.14).

A lei expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lO, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Além disso, a Lei é o fundamento que um dia norteará a sentença que receberemos quando nossa vida for julgada por Deus. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.

Lembremos que Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). O Filho de Deus está afirmando que veio a este mundo para cumprir a Lei com todas as suas 613 disposições, ordenanças e proibições. Ele realmente cumpriu todas elas, pelo que está escrito: “...o fim da lei é Cristo” (Rm 10.4). Ele conduziu a Lei ao seu final; ela está cumprida. Por que Ele o fez? Encontramos a resposta quando lemos o versículo inteiro: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Jesus cumpriu a Lei para todos, mas Sua obra é eficaz apenas para todo aquele que crê. Segundo a Bíblia, que tipo de fé é essa? É a fé que sabe...

...que pessoa alguma é capaz de cumprir a Lei e que ninguém consegue satisfazer as exigências divinas.

... que para isso o Filho de Deus, Jesus Cristo, veio ao mundo, cumprindo as exigências da Lei até nos mínimos detalhes.

...que Jesus Cristo tomou sobre Si, em meu lugar, o castigo da Lei, que é a morte.

Agora, talvez, muitos perguntem: Não estamos removendo a base que sustenta uma ética comprometida ao dizermos que a Lei não vale mais para os cristãos renascidos? Será que saberemos como nos comportar e o que é certo ou errado se dissermos que não é preciso cumprir a Lei de Moisés?

Jesus estabeleceu uma ética muito superior...

...à ética da Lei de Moisés. Ela exige: “Não adulterarás” (Êx 20.14). Mas Jesus disse: “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.28). A lei de Moisés impõe: “Não matarás” (Êx 20.13). Mas Jesus ensina: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44).

A ética estabelecida por Jesus Cristo supera tudo que já houve em matéria de lei moral e toda e qualquer possibilidade dentro da ética humana. Jesus exige que cumpramos normas diametralmente opostas ao nosso comportamento natural. Essa ética estabelecida por Jesus só pode ser seguida por pessoas que nasceram de novo, que entregaram todo o seu ser ao Senhor: “Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei” (Hb 10.16). A Bíblia diz, ainda, acerca dos renascidos: Deus “...nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co 3.6).

Curiosamente, Paulo escreveu essas palavras justamente à igreja que tinha mais problemas com ira, ciúme, imoralidade, libertinagem e impureza espiritual entre seus membros. Mas, ao admoestá-los, ele estava dizendo aos crentes de Corinto – e, por extensão, a todos nós – que é possível ter uma ética superior e viver segundo os elevados preceitos de Jesus quando nascemos de novo. Com isso os cristãos não estão rejeitando a ética da Lei de Moisés mas estabelecem uma ética muito superior, a ética do Espírito Santo, do qual a Bíblia diz: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).

Como, porém, colocamos isso em prática? Simplesmente vivendo um relacionamento íntimo e autêntico com Jesus Cristo. O que pensamos, o que falamos, o que fazemos ou deixamos de fazer deve ser determinado somente por Jesus: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus” (Cl 3.17). Na prática, devemos nos comportar como se tudo o que fizermos levasse a assinatura de Jesus. Somente quando nos entregarmos completamente ao Senhor Jesus poderemos produzir fruto espiritual. Quando submetermos nosso ser ao Senhor, o fruto do Espírito poderá crescer em nós em todos os seus nove aspectos. Talvez nós mesmos nem o percebamos, mas certamente as pessoas que nos cercam perceberão que o Espírito está frutificando em nós. Que seja assim na vida de todos nós! (Samuel Rindlisbacher - http://www.beth-shalom.com.br)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Aula 03 – NÃO TERÁS OUTROS DEUSES


1º Trimestre/2015

Texto Básico: Dt 5:6,7; 6:1-6

 
“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único Senhor” (Dt 6:4)

INTRODUÇÃO

A partir desta Aula estudaremos o Decálogo. Iniciaremos com o Primeiro Mandamento: "Não terás outros deuses diante de mim" (Éx 20:3; Dt 5:7). Este Mandamento vai além da proibição à idolatria; é contra o politeísmo em qualquer que seja as suas formas. Ele é o testemunho da singularidade e exclusividade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação. A versão literal deste Mandamento traz em si um problema no que se refere à tradução da expressão "diante de mim", que pode significar "ante minha face" ou "acima de mim". Em ambos os casos o resultado final é o mesmo: Deus não dará Sua glória a nenhum outro deus, ou Sua honra a imagens de escultura (Is 42:8). O que se postula neste Primeiro Mandamento é o fato de que nada menos do que a totalidade de nossas vidas deve estar sob o senhorio do “SENHOR, nosso Deus”, Ele “é o único SENHOR” (Dt 6:4).

I. A AUTORIDADE DA LEI

1. O preâmbulo ao Decálogo. O preâmbulo ao Decálogo expressa a soberania de Deus e o legítimo domínio sobre Seu povo, Israel: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" (Êx 20:2; Dt 5:6). Por que Deus começa os Dez Mandamentos com um preâmbulo? Antes de exigir deveres, antes de dar mandamentos, Deus liberta Seu povo. A primeira ação de Deus é libertação, salvação - só depois vêm as exigências.

2. O fundo histórico do Decálogo. O fundo histórico do Decálogo é uma dupla afirmação e autodeclaração divina: "Eu sou o Senhor teu Deus" e "Eu te tirei do Egito". A primeira afirmação é uma declaração da autoridade divina. A segunda é uma afirmação daquilo que Ele faz: "Eu sou o teu libertador", uma declaração da salvação divina. Em outras palavras: o fundo histórico dos Dez Mandamentos é o Evangelho.

3. Verdades da autodeclaração divina (1). Em hebraico se lê: "O Senhor, teu Deus, sou eu". A ênfase está no "sou eu". Javé significa "sou quem eu sou" (Êx 3:14). Cinco verdades, cinco atributos de Deus são revelados através desta autodeclaração divina:

a) Ele é o Deus e Senhor exclusivo (Josué 1:5). Ele é o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Início, o Absoluto, a Suprema Autoridade, que tudo ordena e exige. Isso traz luz ao homem perdido, que vive na obscuridade, sem o Senhor dos senhores.

b) Ele é o Deus pessoal: "Sou teu Deus". "Teu" é pronome possessivo. Deus está pronto a Se entregar totalmente, com toda abnegação divina, e faz isso através de Seu único Filho, Jesus Cristo, que Se entregou por nós. Por isso podemos dizer hoje: "Ele é meu Deus". Nosso Deus, e Salvador, é um ser pessoal.

c) Ele é o Deus de relações. Ele Se relaciona com aquilo que criou. Quer ser nosso amigo, deseja comunicar-se conosco, deseja contato: fala conosco e nos revela Sua vontade.

d) Ele é o Deus presente e constante, que deseja nossa comunhão. "Eu sou" significa que Ele é no presente, e mais, Ele é onipresente. Deus é o mesmo hoje e sempre (Hb 13:8); Ele não muda (Ml 3:6). Não é um Deus do passado, é um Deus presente nas aflições do dia a dia (Salmo 46).

e) Ele é o Deus fiel. Ele não muda de opinião ou propósito eterno, é fiel a Si mesmo e a Seu plano eterno para com os homens. "Sou quem sou". Os homens podem mudar de ideias, convicções ou propósitos; Deus não muda (Ml 3:6), Ele reina soberanamente sobre todos de maneira sublime e irrevogável.

4. As partes do Concerto: Deus e Israel (2).Eu Sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20:2; Dt 5:6). Estas Palavras são a fonte da Autoridade divina da Lei e o preâmbulo de todo o Decálogo; elas identificam as partes do Concerto do Sinai. É o termo legal de um pacto: de um lado, o próprio Deus, o autor do Concerto; de outro lado, Israel, o povo a quem Deus escolheu dentre todas as nações (Dt 4:37; 10:15).

Precisamos ouvir e acatar todas as Palavras de Deus, pois elas revelam sua perfeita vontade. Quando Deus fala, quer ser ouvido, deseja uma resposta de fé, compromisso, submissão, rendição e obediência.

- Precisamos atender a todas Suas palavras com a devida reverência e merecida submissão. Moisés tirou as sandálias dos pés ao aproximar-se de Deus (Êx 3:5,6). Isaías reconheceu seu estado humano de impureza (Is 6:5-8). Ezequiel caiu com o rosto em terra (Ez 1:28).

- Precisamos nos lembrar de todas Suas palavras. O que Deus fala merece ser lembrado porque Sua palavra não é vã; antes, é nossa vida (Dt 32:47). Precisamos crer em todas Suas palavras. Quando Deus fala, revela-se, comunica-se. Ele merece uma atenção e resposta do homem. Essa resposta só pode brotar da fé; se brotar da ignorância será uma ofensa a Deus. Precisamos amar todas Suas palavras. O salmista assim se expressou: "Oh! quanto amo a tua lei" (Sl 119:97).

- Precisamos ensinar Suas palavras a nossos filhos. Depois de ter dado a lei moral pela segunda vez, Deus Jeová adverte o povo escolhido a guardá-la em seus corações e a inculcá-la em seus filhos, e dela falar assentando em suas casas e andando pelo caminho, e ao deitar-se e ao levantar-se... (Dt 6:6-9).

- Precisamos obedecer às todas Suas palavras. O fim da lei é a obediência simples e incondicional; isso é visto claramente em Deuteronômio 6:1-25. A simples obediência aos mandamentos do Senhor traz a bênção divina sobre nós (Dt 28:13). As bênçãos decorrentes da obediência são prosperidade espiritual, física, doméstica, material (Dt 28:1-14: 7:12-26).

II. O PRIMEIRO MANDAMENTO

“Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3).

Êxodo 20:2 é a introdução deste mandamento – “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. Neste versículo é mostrado quem tirou Israel da servidão egípcia: O SENHOR. Visto que Ele os libertara e provara que era supremo, Ele exigia absoluta prioridade a Ele: “não terás outros deuses diante de mim”.

Deus proíbe o politeísmo que caracterizava todas as religiões do antigo Oriente Próximo. Israel não devia adorar, nem invocar nenhum dos deuses doutras nações. Deus lhe ordenou a temer e a servir somente a Ele (Dt 32:29; Js 24:14,15).

Para nós cristãos, este mandamento importa pelo menos três princípios:

Ø  A nossa adoração deve ser dirigida exclusivamente a Deus. Não deve haver jamais adoração ou oração a quaisquer “outros deuses”, espíritos ou pessoas falecidas, nem se permite buscar orientação e ajuda da parte deles (Lv 17:7; Dt 6:4; 1Co 10:19,20).

Ø  Devemos plenamente nos consagrar a Deus. Somente Deus, mediante sua vontade revelada e Palavra inspirada, pode guiar a nossa vida (Mt 4:4).

Ø  Nós cristãos devemos ter como propósito na vida: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todas as nossas forças, confiando nEle para nos conceder aquilo que é bom para a nossa vida (Mt 6:33; Fp 3:8; Cl 3:5).

1. A versão inibidora e crítica do primeiro mandamento no Antigo Testamento (3). "Não terás outros deuses diante de mim" atinge diretamente a idolatria. Quando Deus fez essa proibição, Seu povo estava envolvido com o bezerro de ouro (Êxodo 32).

Os ídolos são artifícios em forma de imagens: nada são, não têm nenhum préstimo, nada entendem, confundem-se, têm olhos e não veem, têm ouvidos e não escutam, têm lábios e não falam, têm cabeças e não pensam, têm braços que não se movimentam e pés que não andam; são deuses inúteis e sem vida, condenados ao ridículo. Repetidas vezes encontramos a loucura da idolatria em termos sarcásticos e enfáticos (Jr 2:26-28; 10:1-16; Is 40:18-20; 41:4-7; 44:9-20; Sl 115; 135).

Na versão crítica ou negativa, o Primeiro Mandamento contém a condenação explícita de qualquer forma de idolatria, seja visível ou invisível; além disso, alveja o ateísmo ("não precisamos de nenhum Deus", em vez de "necessitamos de Deus"), o politeísmo ("precisamos de muitos deuses", em vez de "precisamos somente de um Deus vivo e poderoso sobre todos") e o formalismo ("precisamos somente de uma religião formal", em vez de "precisamos de uma fé viva, que ama, teme e serve ao Senhor de todo coração, corpo, espírito e alma”).

As seguintes referências bíblicas mostram-nos ainda mais detalhadamente as implicações da versão inibidora do Primeiro Mandamento:

a) Êxodo 22:20 revela que sacrificar aos deuses, e não somente ao Senhor, leva à destruição. Novamente é enfatizada a exclusividade e singularidade de Deus Jeová. O sacrifício aos deuses é uma calamidade que aniquila. Deve-se tomar o mandamento do Senhor a sério, pois a simples inobservância conduz o homem imperdoavelmente à derrocada.

b) Êxodo 23:13 nos conscientiza de que não devemos nos lembrar do nome de outros deuses, nem usá-lo em nossa boca. Para o judeu, usar o nome de um indivíduo significa relacionar-se e identificar-se com tal pessoa. O que Deus exige aqui é uma radical separação cultural dos deuses pagãos.

c) Êxodo 34:13,14 refere-se às três espécies mais comuns de idolatria praticadas por Israel: altares, colunas e postes-ídolos. Essas formas visíveis tornaram-se uma prática comum no reino dividido (1 e 2 Reis). Por ser zeloso, Deus adverte o povo escolhido a não adorar esses deuses (Êx 34:14). O Senhor não se refere a um ciúme divino, mas ao testemunho da singularidade e exclusividade de Si mesmo. Em vez de adorar deuses falsos, é necessário derrubar os altares, quebrar as colunas e cortar os postes-ídolos. Isso aconteceu apenas duas vezes na história de Israel: no reinado de Ezequias (2Rs 18:1-4) e no de Josias (2Rs 22:1,2; 2Cr 34:4), e em ambos os casos o povo presenciou um avivamento espiritual.

d) Êxodo 34:15-17 mostra a relação entre os deuses fundidos e os casamentos mistos. Êxodo 34:16 emprega pela primeira vez a metáfora da prostituição espiritual com deuses pagãos como resultado de casamentos mistos. O casamento com um parceiro pagão leva-nos a quebrar, mais cedo ou mais tarde, o Primeiro Mandamento. Muitos jovens cristãos têm se desviado do Deus vivo e verdadeiro por causa de um namoro impuro ou um casamento misto.

Quando esquecemos a aliança do Senhor nosso Deus e negligenciamos a devoção diária, podemos ser levados a substituí-lo por alguma imagem esculpida ou por algo de que o Senhor nos proibiu (Dt 4:23). Apostasia, esquecimento ou mornidão espiritual são as doenças preponderantes deste século. Quando o Deus vivo e verdadeiro é olvidado, volta-se para a superstição, misticismo e os cultos esotéricos, que têm prosperado muito em nossos dias.

Repetidas vezes os profetas se levantam contra a idolatria do povo de Deus (Is 57:5-8; Jr 2:20,24; 3:6; Ez 6:1-14), condenando de forma específica a prostituição espiritual nos "lugares altos", em Israel e Judá. As trágicas consequências da desobediência ao Primeiro Mandamento foram: pestilência, morte, fome, rejeição, deportação, pragas e, pior, separação da comunhão com o Senhor.

Conforme Deuteronômio 11:16, existem quatro quedas consecutivas no caminho da idolatria: o engano do coração, o desviar-se, o servir a outros deuses e, finalmente, o prostrar-se diante deles. O dinheiro e o poder estão entre os "deuses" deste século. Mamom foi o único "deus" que o nosso Senhor chamou pelo nome. Muitos são os elementos produzidos por Mamom: o "deus" dinheiro, a competição, o "deus" televisão, o "deus" internet, o mercantilismo consumista, etc.

O problema hoje quanto à idolatria não se dá no campo do politeísmo, pois a maioria da população, ao menos no Brasil, não acredita nos deuses antigos. Mas se a questão for analisada do ponto de vista dos "deuses" que disputam a atenção da nossa mente e coração, então a coisa muda de figura. Portanto, o convite de Deus para o seu povo é o de amá-lo de todo coração, com toda a força do pensamento e de toda a alma. Ele é o único e eterno Deus das nossas vidas! Exigem-se vigilância e oração para evitar a queda. Feliz o homem que guarda seu coração no caminho do Senhor!

2. A versão inibidora e crítica do Primeiro Mandamento no Novo Testamento (4). Onde se encontra a versão proibitiva do Primeiro Mandamento no Novo Testamento? As referências que seguem não apenas provam sua validade irrevogável, pelas devidas reafirmações dentro dos ensinos de Jesus e dos apóstolos, mas também ampliam o conceito de idolatria, estendendo-o a qualquer objeto ou item, mesmo que invisível.

No Antigo Testamento, a feitiçaria era praticamente limitada a fetiches exteriores, visíveis, tais como deuses de madeira, pedra, bronze, prata, ouro, e a cartomantes, médiuns, etc. Já o Novo Testamento amplia a feitiçaria, incluindo deuses interiores invisíveis e não tangíveis, tais como imagem humana (Rm 1:18ss.), glutonaria (Fp 3:19), ambição, domínio, sabedoria humana, posição, atitudes, orgulho (problema coríntio), avareza (Cl 3:5) ou riqueza (Mt 6:24).

Daí, podemos concluir que quebrar o Primeiro Mandamento significa cultuar qualquer coisa visível ou invisível, exterior ou interior, pessoal ou impessoal. O apóstolo Paulo é até irônico ao escrever aos coríntios: "... sabemos que o ídolo de si mesmo nada é" (1Co 8:4). Com isto ele polemiza a questão, não querendo dizer que os ídolos não são uma realidade, mas que eles não possuem nenhuma divindade em si.

Na Carta aos Gálatas encontramos a versão crítica do Primeiro Mandamento, na passagem onde se diz que outrora, quando não conheciam a Deus, os gálatas haviam servido a deuses que por natureza não o são (Gl 4:8). No contexto, percebe-se que Paulo provavelmente se referia à astrologia, em que dias, meses, tempos e anos são observados conforme a constelação das estrelas (Gl 4:10).

Na primeira Epístola aos Coríntios a versão crítica do Primeiro Mandamento é mencionada por Paulo com grande abrangência. Paulo alude a esse mandamento várias vezes: o apóstolo ensina que o idólatra sofrerá dano maior do que o apedrejamento, pois não herdará o reino de Deus (1Co 6:9); revela a nulidade dos deuses falsos (1Co 8:4); associa a idolatria à comida, à bebida e ao divertimento religioso da forma como eram praticados no templo da deusa vênus, em Corinto (1Co 10:7); recomenda-nos a fugir da idolatria (1Co 10:14); e afirma, novamente, que o sacrificado ao ídolo não tem nenhum valor moral ou salvífico (1Co 10:19).

O capítulo 10, versículo 20, é a referência mais radical da Epístola de 1Coríntios: Paulo identifica o sacrifício aos ídolos com as oferendas aos demónios. Embora os ídolos em si não sejam necessariamente idênticos a demônios específicos, existe uma dimensão demoníaca na idolatria, isto é, Satanás, que age por trás e através da idolatria.

Finalmente, em 1Co 12:2 temos uma referência a ídolos mudos, isto é, deuses falsos que não falam, que não têm condições de expressar sua vontade, mas que mesmo assim, têm condições de "guiar", ainda que para o caminho errado. É o "guiar" do pensamento gentílico.

Efésios 5:5 repete o pensamento de 1Coríntios 6:9, isto é, que nenhum idólatra tem herança no reino de Cristo e de Deus. Paulo reafirma as consequências da não-observância do Primeiro Mandamento: nenhuma herança no reino de Cristo, exclusão de Seu amor, de Seu cuidado e da vida eterna.

A última palavra do apóstolo João aos cristãos da Ásia Menor foi uma advertência contra a quebra do Primeiro Mandamento: "guardai-vos dos ídolos" (1João 5:21). Este mandamento era tão importante e significativo para o apóstolo que a última frase da carta é uma afirmação de sua validade.

3. Forma positiva de obedecer ao Primeiro Mandamento (5). Dos Dez Mandamentos, oito foram formulados começando com o advérbio "não". Apenas o quarto e o quinto são positivos. A fórmula predominante no Decálogo é proibitiva. Mas é notável observar que no testemunho do Antigo Testamento encontramos repetidas vezes, e em forma explicativa, a versão positiva dos oito mandamentos formulados negativamente. Portanto, na interpretação e aprendizagem dos Dez Mandamentos precisamos sempre procurar sua versão construtiva e afirmativa.

Vejamos, então, algumas formas positivas de obedecer ao Primeiro Mandamento.

a) Confiar na suficiência de Deus. A versão positiva é evidente nesta frase: “Não terás outros deuses". Não temos motivos para querer outros deuses ou precisar deles. Se Deus nos é suficiente, confiamos e esperamos somente nEle. Se temos um problema para resolver, uma decisão a tomar, oramos, acreditando que Ele nos guia, como Pedro sugeriu: "... lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pe 5:7).

Para aquele que crê na suficiência de Deus, restam apenas palavras de gratidão e adoração. Salomão orou: "Ó Senhor Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti" (1Rs 8:23).

A crença na suficiência de Deus também caracteriza a oração do rei Ezequias relatada em 2Reis 19:15-19 e em Isaías 37:16-20. Nela, o rei Ezequias expressa sua total fé na suficiência, singularidade e exclusividade do Deus Javé: "Ó Senhor Deus de Israel, que está entronizado acima dos querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra" (2Rs 19:15; Is 37:16b).

b) Ser fiel a Deus. A fidelidade a Deus é outra forma positiva de obedecer ao Primeiro Mandamento. A história de Daniel mostra-nos o piedoso profeta na corte babilônica; em meio a tanta idolatria, superstição e desobediência, ele se manteve fiel a Deus mediante uma vida de oração. Três vezes ao dia ele dirigia o olhar pela janela aberta de seu quarto em direção ao templo em Jerusalém, lembrando o lugar da presença de Deus, e orava. Fidelidade, a despeito de superstição e de paganismo que circundava a babilônia. Quem é meu Senhor? Em quem eu confio? Diante de quem tremo? Estas são as perguntas de Daniel e de todo o Primeiro Mandamento. Nós afirmamos: Deus é nosso Senhor e ninguém mais, nenhum ser humano, nem Satanás, nenhuma religião, nenhuma superstição, nem o dinheiro, etc. Prestamos fidelidade somente ao Deus Jeová e ao Bendito Senhor Jesus Cristo que nos salvou.

c) Adorar ao Senhor. A adoração verdadeira é outra maneira legítima de cumprir o Primeiro Mandamento. Em vez de adorar ídolos, reverenciemos a Deus, e só a Ele. Cultivar conscientemente Sua adoração nos guarda do mal, da queda, da desobediência e da frustração espiritual. Onde há ingratidão, onde domina a crítica e o espírito de desobediência, o verdadeiro culto é rapidamente esquecido. O perfeito louvor é de suma importância para o desenvolvimento espiritual. Numa época em que a frieza espiritual predominava nos corações dos israelitas e os levitas desobedeciam a Deus, Elcana e Ana mantiveram viva sua fé por meio da adoração fiel. Todo ano eles subiam a "adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos em Siló" (1Sm 1:3), e Deus honrou a veneração deles com o nascimento do profeta Samuel, que chamou o povo de volta à obediência ao Primeiro Mandamento (1Sm 1:19; 2:21; 3:8).

CONCLUSÃO

Diante do exposto podemos afirmar que o Primeiro Mandamento é muito mais que uma simples apologia ao monoteísmo, mas diz essencialmente o que Jesus nos ensinou: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6:24).

Amém?

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 61. CPAD.

Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

Hans Ulrich Reifler. A ética dos dez Mandamentos. Vida Nova.

Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

Leo G. Cox - O Livro de Êxodo - Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.

(1) Hans Ulrich Reifler. A ética dos dez Mandamentos. Vida Nova.

(2) Ibidem.

(3) Ibidem.

(4) Ibidem.

(5) Ibidem.

Esequias Saores. Os Dez Mandamentos – Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD.