domingo, 15 de outubro de 2017

Aula 04 – SALVAÇÃO: O AMOR E A MISERICÓRDIA DE DEUS


4º Trimestre/2017

Texto Base: 1João 4:13-19

 'Vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia" (1Pd.2:10).

 
INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula a respeito do grande Amor e da Misericórdia de Deus no perfeito plano divino da Salvação, que é a culminação destes dois atributos de Deus, e somente é possível porque Ele amou a humanidade infinitamente a ponto de entregar seu Filho Jesus para morrer no lugar dela. Por méritos próprios, nenhum ser humano alcançaria a dádiva da Salvação, pois ela é, e continuará sendo, resultado da maravilhosa graça de Deus. Assim, por intermédio de sua misericórdia, Deus concedeu perdão ao pecador, fazendo deste seu filho por adoção, dando-lhe vida em abundância. E assim como o Pai nos amou e nos perdoou, nós como filhos seus, precisamos também amar e sermos misericordiosos, pois agindo com amor e misericórdia, estaremos glorificando o nome dEle.

I. O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS

1. Deus é amor. A Bíblia nos diz que "Deus é amor" (1João 4:8). Mas como podemos começar a entender essa verdade? Há várias passagens na Bíblia que nos dão a definição de Deus para o amor. O verso mais conhecido é João 3:16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Então, uma forma que Deus define amor é com o ato de dádiva; e a maior demonstração do amor de Deus pelo mundo foi quando Ele deu o seu Filho Unigênito para morrer, vicariamente, por toda a humanidade, “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esse é um amor incrível, porque somos nós que escolhemos permanecer separados de Deus através de nossos próprios pecados, mas é Deus quem conserta essa separação através de Seu grande sacrifício pessoal, e tudo que precisamos fazer é aceitar esse presente.

Outro verso excelente sobre o amor de Deus é encontrado em Romanos 5:8: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Assim como em João 3:16, não é mencionado nesse versículo nenhuma condição imposta por Deus para o Seu amor. Deus não diz: "assim que você colocar sua vida em ordem, eu vou amar você"; Ele também não diz: "sacrificarei meu Filho se você prometer me amar". Na verdade, encontramos justamente o contrário em Romanos 5:8. Deus quer que saibamos que Seu amor é incondicional, por isso Ele mandou Seu Filho, Jesus Cristo, para morrer por nós quando ainda éramos pecadores que não mereciam ser amados. Não tínhamos que arrumar nossas vidas, nem tínhamos que fazer promessas a Deus para que pudéssemos experimentar do Seu amor. Seu amor por nós tem sempre existido, e, por causa disso, Ele já deu e sacrificou tudo que era necessário muito tempo antes de percebermos que precisávamos de Seu infinito amor.

2. Deus é amor, mas a Salvação é Condicional. Cremos no livre arbítrio, ou seja, na liberdade de escolha dada por Deus ao homem. Para nós, a Salvação preparada por Deus destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Nesse “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11); “porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:3,4). Porém, cremos que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se que o homem permaneça em Jesus. Paulo falou da possibilidade do “irmão fraco”, perecer - “E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” (1Co.8:11). Portanto, cremos que a Salvação é extensiva a todos os homens, desde que creiam em Jesus e o aceitem como seu Salvador - “Quem crer e for batizado será salvo...” (Mc.16:16). Assim, para nós, as bênçãos que o ser humano recebe de Deus, incluindo a própria Salvação, precisam ser cuidadas e guardadas com muito temor, pois é possível perdê-las - “...guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap.3:11). Creia nisso!

3. Deus é amor, mas castiga o filho rebelde. A pior coisa para Deus é quando seu povo se afasta dele (Oséias 11:1,2). A pior coisa para Deus é quando o seu povo quer voltar para o Egito (Números 11). A pior coisa é quando o povo de Deus se recusa a converter-se (Oséias 11:5), e quando está “acostumado a desviar-se de Deus” (Oséias 11:7). Veja o exemplo de Israel. Israel não quis ouvir e se mostrou insuportável. E o que Deus fez com Israel? Quando lemos a profecia de Oséias (Os.11:5-7), vamos ver que Deus iria castigar o seu povo. Deus não aceitava a atitude rebelde do seu povo. Deus mandaria o rei da Assíria para castigar o seu povo. O rei da Assíria seria como um chicote nas mãos de Deus. Deus mandou o profeta Oséias a dizer:  

“Não voltará para a terra do Egito, mas a Assíria será seu rei, porque recusam converter-se. E cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e os devorará, por causa dos seus conselhos”.

Oséias profetizou sobre este castigo, e isso realmente aconteceu. O rei da Assíria chegou e levou em exílio uma grande parte do povo de Israel. Muitos morreram na guerra; muitos morreram por causa da fome; muitos morreram no cativeiro e; muitos morreram no exílio. Deus castigou o seu filho, mas Ele não o matou. Deus reagiu como está escrito em Provérbios 19:18: “Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar”.

Deus fala também sobre o castigo que dará ao seu filho, mas ele fala também sobre o seu amor, que prevalece:

“Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como Admá? Ou como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não virei com ira” (Os.11:8,9).  

Deus castigou enquanto tinha esperança, e alguns filhos foram assassinados, mas aqueles que voltaram, tremendo e se arrependendo, foram recebidos com graça e amor. Assim é Deus! Ele castiga aquele a quem muito ama, e quer que ele volte para Ele novamente. Cabe aqui a Parábola do Filho pródigo (Lc.15:11-32). Deus se revelou assim em Êxodo 34:7 e depois mais uma vez no Salmo 103:

“O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno; não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Pois quanto o céu se alteia em cima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem”.

Assim é Deus! Assim é o amor do nosso Pai celestial!

II. UM DEUS MISERICORDIOSO

1. O que é misericórdia? No plano vertical, ou seja, no plano de Deus em relação ao pecador, misericórdia significa a fidelidade de Deus mediante a aliança de amor estabelecida com a humanidade (Sl.89:28), apesar da infidelidade dela. O homem não tinha esperança de nada além da culpa do pecado. Ele era impotente para livrar-se do pecado porque não podia resistir às tentações do diabo, “mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm.5:8,9). Sob a nova aliança, Deus afirma: “Porque serei misericordioso para com as suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Hb.8:12).

Agradeçamos a Deus por sua misericórdia. Mas, lembremo-nos que ainda que agora tenhamos esperança através de sua misericórdia em Cristo, ainda podemos pecar. A misericórdia de Deus não é incondicional. Assim como mostrou misericórdia a Israel e depois tirou-a, por causa da desobediência do seu povo, ele nos promete o mesmo.

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb.10:26-31).

Conhecendo a misericórdia de Deus, bem como nossa fraqueza da carne, adverte-nos as Escrituras Sagradas: “... guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Judas 1:21); “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb.4:16).

No plano horizontal, ou seja, no plano humano em relação ao próximo, misericórdia significa lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. Misericórdia é ver uma pessoa sem alimento e lhe dar comida, é ver uma pessoa solitária e lhe fazer companhia; é atender às necessidades e não apenas senti-las; é mais do que sentir piedade por alguém. A palavra hebraica para misericórdia é “chesed”, que é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração.

O maior exemplo de amor e misericórdia foi demonstrado por Jesus. Ele declarou que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt.20:28). Ele curou os doentes, alimentou os famintos, abraçou as crianças, foi amigo dos pecadores, tocou os leprosos. Ele fez com que os solitários se sentissem amados. Ele consolou os aflitos, perdoou os que haviam caído em opróbrio.

O apóstolo Paulo disse que exercer misericórdia com os necessitados é uma graça que Deus nos dá em vez de um favor que fazemos às pessoas. Veja o testemunho que ele dá dos crentes da Macedônia com relação a este aspecto (2Co.8:1-5):

1. Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia;

2. como, em muita prova de tribulação, houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade.

3. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente,

4. pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.

5. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.

Este ato misericordioso dos irmãos da Macedônia é uma demonstração tangível daquilo que Paulo exortou em Gálatas 6:2: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”.

A misericórdia, portanto, não é uma virtude natural. Para realizamos tal ato precisamos amar com amor divino. Por natureza o homem é mau, cruel, insensível, egoísta, incapaz de exercer a misericórdia. Precisamos nascer de novo antes de sermos misericordiosos. Precisamos de um novo coração, antes de termos um coração misericordioso. Você tem ajudado seus irmãos a carregarem suas cargas ou você tem ainda acrescentado mais peso a elas?

2. O Pai da misericórdia. A Bíblia afirma que Deus é o Pai da misericórdia (2Co.1:3) – “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação”. Essa expressão “Pai de misericórdia” significa a fonte inesgotável de todas as misericórdias de que os crentes são e serão objeto. Observe que Deus precisa ser primeiro o Pai de Cristo, para que Ele possa ser “o Pai de misericórdia” para nós. A misericórdia de Deus precisa ver a justiça de Deus satisfeita. Um atributo de Deus não pode destruir o outro (Salmos 85:10). Deus não pode falhar em Sua própria justiça, mas ela precisa ser satisfeita por Cristo (Rm.3:26). Cristo tomou para si a nossa natureza, para morrer por nós (Hb.2:14,17), para que Deus pudesse ser nosso Pai, apesar dos nossos pecados, pois Ele puniu os nossos pecados em Cristo, nosso fiador (Hb.7:22). Deus, portanto, a partir do seu coração de misericórdia, encontrou um caminho para que Ele pudesse nos fazer o bem, e juntar a Sua misericórdia com a Sua justiça. Deus é santidade; nós somos uma massa de pecado e corrupção. Mas Cristo morreu por nós, e Deus é o Pai de misericórdias para todos aqueles que estão em Cristo. Como a justiça de Deus para o pecado foi satisfeita, o obstáculo é removido e a torrente de misericórdias de Deus flui livremente.

O Pai da misericórdia glorifica a Si mesmo ao mostrar misericórdia. Deus é misericordioso antes de sermos convertidos. Ele atrasa a Sua ira e não pune o pecador imediatamente. Deus é misericordioso no perdão de todos os pecados, na punição e na culpa, quando nós confiamos em Cristo. Deus é misericordioso na correção de alguns dos pecados dos Seus filhos (Hb.12:6). Ele é misericordioso na continuação das nossas bênçãos diárias. Se nós temos conforto, isto é misericórdia; se nós temos força, isto é misericórdia. As Suas misericórdias não falham, mas renovam-se cada manhã (Lm.3:22-23). Tudo que vem de Deus para os Seus filhos é mergulhado em misericórdia.

3. Misericórdia com o pecador. Misericórdia é um atributo moral de Deus, que o leva a não dar ao pecador o que ele merece. Merecemos o seu castigo, mas Ele nos dá sua graça imerecida - “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lm.3:22). Todas as misericórdias têm sua origem em Deus e só podem ser recebidas dele. A Bíblia fala da riqueza das misericórdias de Deus (Sl.5:7;69:16), da sua terna misericórdia (Tg.5:11) e da grandeza da sua misericórdia (Nm.14:19); também fala da multidão das suas misericórdias (Sl.51:1) – “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias”. A cada dia, a misericórdia de Deus pode ser experimentada, pois ela nunca acaba – “Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre” (Sl.136:1 - ARA).

As promessas de Deus são promessas de misericórdia. Sempre que um pecador se arrepende, independentemente de quantos ou quão maus os seus pecados possam ser, Deus irá esquecer-se de todos eles (1João 1:7). A Bíblia fala para a alma culpada: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is.55:7). Nós somos vingativos, rápidos para nos ofendermos e procurarmos vingança. Nossos pensamentos de misericórdia são pobres e estreitos, porque somos inclementes e sem piedade. Mas os pensamentos de Deus estão acima dos nossos pensamentos, e os Seus caminhos estão acima dos nossos caminhos (Is.55:7,8). A misericórdia de Deus é infinita!

Quando Deus é severo com pecadores, na Sua justiça, é por causa do erro deles. O Seu coração é misericordioso (Lm.3:33). Ele é bom em Si mesmo. Nós O provocamos para ser severo na justiça. Contudo, em Sua própria natureza, Ele “tem prazer na misericórdia” (Mq.7:18). Portanto, Ele será misericordioso com todo aquele que se arrepender dos seus pecados e se apossar de Cristo, através de uma fé verdadeira. Este é o nome pelo qual Deus quer ser conhecido: “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx.34:6).

III. AMOR, BONDADE E COMPAIXÃO NA VIDA DO SALVO

1. Amor como adoração a Deus. O principal mandamento bíblico é: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças” (Mc.12:30). Este não é apenas um preceito moral, mas um sentimento de profunda devoção de coração. Logo, mediante o amor divino, o salvo em Cristo é levado a demonstrar, em atitudes e palavras, o quanto ele ama a Deus, sabendo que isso só foi possível porque o Pai amou-o primeiro (1João 4:19).

Amar a Deus significa submeter-se à vontade do Senhor, fazer aquilo que Ele nos manda na sua Palavra; significa renunciar à vontade própria, ao ego, à sua individualidade para fazer aquilo que o Senhor determinou que fizéssemos. Não é possível amar a Deus sem observar a sua Palavra.

O pecador que rejeita a oferta da Salvação, por meio de Jesus Cristo, único e suficiente Salvador (João 14:6), por natureza, é considerado inimigo de Deus – “Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida”. Mas, por intermédio da reconciliação que Cristo operou na cruz, o próprio Deus tomou a iniciativa e capacitou o salvo a amá-lo – “Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1João 4:11,19). A primeira prova que temos de que alguém realmente se tornou um filho de Deus é o fato de que ele passou a amar a Deus, e amar a Deus é simples de ser verificado: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando” (João 15:14); “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, este é o que Me ama” (João 14:21a).

2. Amar ao próximo. O amor a Deus é pressuposto para que se tenha amor ao próximo. Quem ama a Deus, ama o próximo(1João 4:21). Não é possível amar o próximo sem que antes se ame a Deus. Vimos no tópico I deste estudo que Deus, nosso Pai, é amor. Ora, se Deus é amor, como pode gerar filhos que não tenham o mesmo amor? Somos filhos de Deus, e, como filhos, possuímos as características do nosso Pai celestial; assim sendo, naturalmente, devemos amar como Ele amou (2Pd.1:4; João 15:12); do contrário, não seremos considerados seus filhos. Jamais alguém que seja feito filho de Deus (João 1:12), que tenha sido gerado da água e do Espírito (João 3:5), que seja participante da natureza divina (2Pd.2:4), não tenha, pois, o amor divino.

O apóstolo Paulo afirma que “o amor de Cristo nos constrange" (2Co.5:14); nos constrange a amar o próximo (Mt.5:43-45; Ef.5:2; 1João 4:11), porque Cristo morreu por ele também (Rm.14:15; 1Co.8:11), e quando fazemos o bem a quem precisa fazemos ao próprio Senhor (Mt.25:40), isto é bem ensinado na famosa parábola do bom samaritano (Lc.10:30-37).

- Amar o próximo é assumir o lugar do outro. É sentir as necessidades alheias, tomar para si o sofrimento de alguém. É ver o próximo como gostamos que este nos veja. Mas como amar assim, se a natureza humana é, em si mesma, egoísta e interesseira? O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, no capítulo 5, versículo 5, diz que o amor de Deus é derramado em nosso coração. É esse amor de Deus a fonte do amor que nos habilita a amar uns aos outros.

- Amar o próximo não é somente dizer que o ama, mas demonstrar isso na prática – os atos falam mais alto do que as palavras. Por isso é que dizem que a pregação com a nossa vida, com os nossos atos, são mãos penetrantes do que as palavras. A Bíblia diz que devemos suportar uns aos outros - isso é o amor em prática, no sentido pleno. Suportar não significa concordar com os erros do outro, por exemplo, mas não excluir alguém de nosso convívio, de imediato e definitivamente, por ter praticado algo contra nós. Devemos suportar nosso próximo, mesmo sem gostar de sua atitude, sabendo que um dia iremos fazer alguma coisa contra aquela mesma pessoa e vamos querer que ela nos suporte.

- Amar o próximo é sentir compaixão por ele, ou seja, sentir a sua dor, como se fosse nossa e, assim, suprir as necessidades imediatas do nosso semelhante, lembrando que ele é tão imagem e semelhança de Deus quanto nós. O individualismo e o egoísmo têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos. Quem é o nosso próximo? É qualquer ser humano, como bem nos explicitou Jesus na parábola do bom samaritano (Lc.10:30-37), e este amor supera todo e qualquer preconceito, toda e qualquer barreira, toda e qualquer tradição.

- Amar o próximo não é apenas ajudar alguém do ponto-de-vista material, mas, sobretudo, levar este alguém a uma vida de comunhão com Deus, a um equilíbrio em todos os aspectos da sua vida. Medidas emergenciais são necessárias, como nos mostra a parábola do bom samaritano, mas é extremamente necessário que levemos o próximo a entender que deve, sobretudo, amar a Deus, para que também ame o próximo, como nós o amamos.

3. Amor como serviço diaconal. O mandamento de amar o próximo é antigo; ele é da Lei Mosaica - “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv.19:18). Mas, Jesus transformou este mandamento em novo mandamento no fato de que Ele realmente chamou as pessoas a vivê-lo. Sua vida toda o encarnou. “Quando Ele lavou os pés dos discípulos, Ele ensinou, na prática, um estilo de vida que deveria caracterizar seus discípulos (João 13:14), ou seja, o de um servir ao outro”.

A vida cristã é um sem-número de novos começos instigados pelo desafio sempre novo de amar uns aos outros como Cristo nos amou. É nossa missão quando lidamos com pessoas difíceis e impossíveis. Na verdade, a vida é difícil para todos, porém alguns têm mais dificuldade que outros. Não entendemos bem o porquê disso. Talvez Deus permita essa diferença para que haja oportunidade de crescimento espiritual no serviço diaconal do cristão. Assim expressou Paulo: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”(Gl.6:2). É na pratica do amor de alto preço que o mandamento se torna novo outra vez. O cristianismo experimental é sempre novo, conquanto o cristianismo doutrinário seja sempre antigo.

Aliviar os sofrimentos e as angústias de outras pessoas é serviço diaconal cristão. Muitas vezes podemos fazer muito com pouco. Esse tipo de serviço é também um testemunho de amor cristão. Provavelmente Tiago tenha falado que a fé sem as obras seja morta, nos exortando ao serviço para o bem comum. Ele disse: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”(Tg.4:17). E Jesus declarou o seguinte: “E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulos, em verdade vos digo, que de modo algum perderá sua recompensa”(Mt.10:42 ). Portanto, o serviço em favor do próximo, uma vida sacrificada em favor de quem está perto de nós, demonstra, na prática, a grandeza do amor de Deus.

Portanto, o amor como serviço diaconal é um dever e é coerente com o caráter de Deus. O cristão que passou pelo novo nascimento, que foi regenerado, justificado e santificado deve amar sem preconceito e incondicionalmente a todas as pessoas. É o que João exorta aos seus leitores: "Amados, se Deus assim nos amou, também devemos amar uns aos outros" (1João 4:11). Ele nos encoraja a amarmos à maneira de Deus, que entregou seu Filho à morte por amor. Aquele que não ama como Deus amor não pode ser considerado conhecedor de Deus – “...e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus; Aquele que não ama não conhece a Deus”(1João 4:7,8). Portanto, não há alternativa para nós, pois está escrito que, como filhos de Deus, temos de agir como Ele agiu. A Bíblia diz que se nós amamos uns aos outros Deus está em nós(1João 4:11).

CONCLUSÃO

“O amor e a misericórdia de Deus extrapolam a compreensão humana, pois ainda que se usem os melhores recursos linguísticos, estes não seriam capazes de descrever quão incomensuráveis são essas virtudes divinas. Nem mesmo o amor de uma mãe pelo seu filho é capaz de sobrepor o amor e a misericórdia de nosso Deus. Por isso, resta-nos expressar esse amor em nossa relação com cada criatura” (LBM.CPAD).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. Amor: o Fruto excenlente.PortalEBD_2005.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

domingo, 8 de outubro de 2017

Aula 03 – A SALVAÇÃO E O ADVENTO DO SALVADOR


4º Trimestre/2017

Texto Base: João 1:1-14

 "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade" (João 1:14).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito do nascimento de Jesus Cristo, o Unigênito Filho de Deus, que veio ao mundo com a sublime missão de salvar a humanidade perdida em seus delitos e pecados. O Seu nascimento foi o cumprimento da promessa de Deus logo após a queda do homem, no afã de restaurá-lo ao status quo da criação (Gn.3:15). Foi o maior acontecimento da história da humanidade. Sem esse acontecimento o ser humano estaria perdido para sempre. Deus moveu céus e terra para que, na plenitude do tempo, de acordo com Gálatas 4:4, Jesus, o próprio Deus encarnado, nascesse para trazer salvação a toda humanidade - “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

I. O ANUNCIO DO NASCIMENTO DO SALVADOR

1. No Antigo Testamento. O Nascimento de Jesus foi profetizado desde o Jardim do Éden (Gn.3:15). Os patriarcas apontaram para esse dia; os profetas descreveram esse momento. Todo o Antigo Testamento foi uma preparação para esse glorioso acontecimento. Através dos gregos, Deus deu ao mundo uma língua universal. Através dos romanos, Deus deu ao mundo uma lei universal. Através dos judeus, Deus deu ao mundo uma revelação sobrenatural. Agora, na plenitude dos tempos, Deus enviou o anjo Gabriel para comunicar o raiar desse glorioso dia.

O Antigo Testamento está repleto de profecias e vaticínios que apontam para o nascimento de Jesus, o Messias, como o Redentor. Entre os Salmos e profetas do Antigo Testamento há incontáveis profecias sobre como seria o Messias (Lc.24:44). No discurso proferido no Templo o apóstolo Pedro mostra que Jesus é o profeta que Deus levantaria para ser ouvido, conforme a profecia de Moisés (Atos 3:18-26). Aliás, a lei de Moisés, que Israel tinha que obedecer antes da época de Cristo, constantemente apontava para Jesus - "A lei nos serviu de aio para conduzir a Cristo" (Gl.3:24). Portanto, Jesus Cristo está presente em todo conteúdo das Escrituras Sagradas, história e instituições, de maneira direta e indireta. Ele é, assim, o cumprimento das profecias proferidas pelos profetas do Antigo Testamento. O próprio Jesus assim falou: “E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”(Lc.24:27). Portanto, toda beleza poética e profética do Antigo Testamento, remete, aponta e prefigura o advento da obra de Cristo.

“Do Antigo Testamento, Isaias foi um dos profetas mais específicos, profícuos e profundos sobre o Messias. Suas predições estão repletas de poesia arrebatadora que fluem da inspiração divina de um profeta culto que se colocou inteiramente à disposição do Senhor para, com detalhes, vaticinar o nascimento e a vida de Cristo. Suas profecias são tão abrangentes que o livro de Isaías é chamado de "o Evangelho do Antigo Testamento", pois descortina, diante do leitor, a Cristo e seu evangelho 700 anos antes de Ele nascer. O tema central de Isaias é o amor de Deus demonstrado no socorro ao seu povo através do sacrifício do Servo Sofredor, ou seja, a grande salvação de Deus, apesar da situação calamitosa do povo de Israel. Por isso, um dos principais objetivos de Isaias ao escrever era, dentre outros, anunciar a vinda do Messias, o único que seria capaz de tirar o povo do pecado e trazer completa libertação” (Claiton Ivan Pommerening. A Obra da Salvação. CPAD).

2. No Novo Testamento. Foi anunciado pelos anjos, não a autoridades dominantes - políticos ou religiosos -, mas a pessoas simples e humildes.

a)  Anunciado a Maria. O mesmo anjo Gabriel que há seis meses visitara Zacarias na Judeia agora é enviado por Deus a Maria, em Nazaré, na Galileia. Esse anjo que assiste diante de Deus é o mensageiro de Deus para comunicar o evento mais auspicioso e esperado da história. O anjo não é enviado a Roma, a sede do poder político; não é enviado a Jerusalém, a sede do poder religioso; não é enviado ao palácio do rei, para falar aos poderosos e aos ricos daquela época. Mas é enviado a uma jovem pobre, noiva de um homem pobre, numa cidade pobre, marcada pelo desprezo. Nazaré é a cidade natal de Maria, com uma população de apenas algumas centenas de pessoas. Nazaré era tão obscura que nunca é mencionada no Antigo Testamento nem na lista de Flavio Josefo das 56 cidades da Galileia. Nazaré tampouco é mencionada no Talmude, que lista 63 cidades. Hendriksen diz, com razão, “que o ventre que guardou o maior de todos os tesouros não foi o de uma princesa, mas de uma virgem comprometida a casar-se com um carpinteiro da aldeia de Nazaré, um pequeno vilarejo da Galileia, considerado por alguns com desdém (João 1:46)”.

O anjo Gabriel, que só aparece em Lucas capítulo 1 e em Daniel 8:16; 9:21, anuncia a Maria que ela conceberia um filho. Em Lucas 1:28 temos a saudação de Gabriel a Maria: “E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo”. Favorecida, ou agraciada, quer dizer que Deus a escolheu para ser o veículo por meio do qual traria o salvador ao mundo.

Em Lucas 1:29 encontramos a primeira reação de Maria ao anúncio do anjo. Ela perturbou-se muito e pôs-se a pensar no significado dessa saudação. Quando o sobrenatural toca no que é natural, produz perplexidade, produz temor. Não sei como você encararia um anjo que se apresentasse diante de você. Certamente a sua reação seria a mesma de Maria.

Em Lucas 1:30-33, Gabriel anuncia que Maria havia achado graça diante de Deus e que seria usada como instrumento divino para trazer ao mundo o Filho do Altíssimo. Que grande privilégio! Gabriel, então, descreve quem seria esse bebê que iria nascer: Seu nome seria Jesus; Seria chamado filho do Altíssimo; Seria alguém reconhecido como filho de Davi; Seria alguém da linhagem real; Seria alguém que reinaria para sempre - “O seu reinado não teria fim!”; Ele seria santo (Lc.1:35); aeria chamado Filho de Deus.

Em Lucas 1:34 vemos a reação de Maria: “Como será isto?”. Essa foi uma boa pergunta. E ela apresentou a razão para o questionamento: "Eu nunca tive relação sexual com homem algum. Como posso dar à luz?”. Então, em Lucas 1:35, Gabriel descreve como tudo aconteceria: O Espírito Santo teria papel fundamental, o poder do Deus Altíssimo a envolveria com a sua sombra e Maria ficaria grávida. Vemos, aqui, que o menino que nasceria era divino, Filho de Deus, no sentido de ser da mesma natureza divina de Deus. Ele não seria filho de José, noivo de Maria.

Portanto, o nascimento de Jesus foi independente de qualquer homem. A semente humana é pecaminosa. Nenhum homem pode procriar um ser que seja santo. Todos os homens são pecadores. Davi, o rei salmista, quando falou a respeito do seu próprio nascimento, disse: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl.51:5). Quando a pessoa nasce, já possui a contaminação pelo pecado, já nasce com o vírus do pecado. Então, para que Jesus nascesse, teve de ser gerado de Deus, por meio do Espírito Santo. Esse é o motivo por que dizemos que Ele foi gerado por obra e graça do divino Espírito Santo.

b) Anunciado aos pastores. Em Lucas 2:8-20 temos o relato do anúncio angelical do nascimento do Filho do Homem aos pastores. A beleza celestial revelada aos pastores mostra como Deus trata as pessoas de um modo diferente de nós. Aquela revelação celestial não foi feita aos reis ou imperadores da terra, não foi feita nos teatros dos grandes centros de então, nem nos palácios suntuosos dos Césares, nem dos Herodes, mas na campina de Belém onde estavam os pobres pastores. A eles Deus revelou a sua glória. Aquele momento tinha que ser revestido de glória celestial, pois a maior mensagem de todos os tempos estava sendo entregue: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc.2:10,11).

Quando os anjos anunciaram o nascimento do Salvador aos pastores, estes foram tomados de grande alegria e glória do Senhor (Lc.2:9), pois ao ouvirem palavras tão alentadoras e o coral de anjos cantando foram imediatamente à procura do Salvador (Lc.2:13-18). Segundo estudiosos, os pastores eram desprezados pela maioria da sociedade, porque, pelo trabalho que tinham, ficavam quase impedidos de observar a lei cerimonial. Eles não eram dignos de confiança e seus testemunhos não eram aceitos nos tribunais. Deus mobilizou seus anjos para anunciarem não a Herodes, não a César Augusto, mas aos pastores de Belém, as boas-novas de grande alegria: o nascimento de Jesus, o Messias, o Filho do Homem. O anjo também disse que eles não deviam temer. Estavam ali para trazer uma mensagem de grande alegria, pois o Salvador esperado durante milênios havia nascido em Belém. Era uma grande notícia que devia interessar a todos. Os pastores ficaram profundamente interessados. Como será que essa notícia seria recebida se fosse dada a Herodes ou a César? Como reagiriam à mensagem? Será que teriam ido até a manjedoura de Belém?

Em Lucas 2:12 os anjos dão o sinal para que os pastores encontrem Jesus: “Encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura”. Essa é a grande notícia divina. O Rei da glória se fez homem e humilhou-se nascendo em humilhação, identificando-se com os desprezados pela sociedade.

Em Lucas 2:14 a mensagem dos anjos ecoou pelas campinas, invadindo a noite de Belém. Eles louvaram a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem!”. A mensagem divina é de paz aos homens. O pecado trouxe inimizade, mas Jesus pode dar paz aos que creem. O homem não terá paz a não ser que tenha Cristo como seu Salvador.

Os pastores foram e viram tudo o que os anjos tinham anunciado. Ficaram maravilhados com o que viram e ouviram. Eles saíram anunciando a todos o que contemplaram (Lc.2:20). É maravilhoso quando o homem vai a Cristo e recebe a mensagem do amor divino. Ele é transformado e passa a anunciar aos outros o que Jesus representa para a sua vida. Você tem compartilhado sobre o que Jesus é para você? Ah! Precisamos mais do que nunca dar um testemunho mais vibrante da pessoa sublime e gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo necessita ouvir essa mensagem!

3. Jesus é visitado pelos magos do Oriente(Mt.2:11). Os magos foram procurar o “rei dos judeus” em Jerusalém (Mt.2:1,2), mas acabaram encontrando o menino em Belém, em uma casa, prova de que o casal se instalara naquela cidade, pelo menos neste período de menos de dois anos após o nascimento de Jesus. Tendo os magos visto a “estrela” no dia do nascimento de Jesus e até interpretarem o que isto significava e, por fim, resolvido viajar até Jerusalém para adorarem o “rei dos judeus”, decorreu um bom período, período este que é inferior a dois anos, diante da deliberação de Herodes de matar a todas as crianças de dois anos para baixo que haviam nascido em Belém. Nada havia de especial no menino Jesus, como se pode perceber, tanto que foi preciso que a “estrela” os guiasse, depois que sua sabedoria humana os conduzira, equivocadamente, a Jerusalém.

Ao chegarem à presença do menino Jesus O adoram e ofertaram-lhe dádivas - “E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra”. Notem que esses magos vieram do oriente, mas eles não adoraram a estrela, eles não adoraram os astros; quando eles chegaram não adoraram a Maria; eles se prostram diante de Jesus e O adoram, porque só Jesus é digno de ser adorado, porque só Jesus merece culto e a rendição completa do nosso coração, do nosso louvor e da gratidão do nosso coração. E ao adorarem o menino Jesus, eles reconheceram que Ele é Rei, Sacerdote e Profeta; por isso, entregaram para Ele ouro, incenso e mirra, dádivas que simbolizavam o tríplice ministério de Jesus, ou seja, de Rei (ouro), Sacerdote (incenso) e Profeta (mirra).

II. A CONCEPÇÃO DO SALVADOR

1. A concepção virginal. Maria concebeu, sem que conhecesse varão. Diz a Bíblia que o anjo Gabriel foi o enviado especial da parte de Deus à cidade de Nazaré, "a uma virgem", cujo nome era "Maria" (Lc.1:26,27). Naqueles tempos, a virgindade física de uma jovem era um valor de grande significado espiritual e moral (Is.62:5).

Isaias, setecentos anos antes de Cristo nascer, assim profetizou: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is.7:14). Larry Richards diz que a palavra hebraica “almah”, encontrada aqui, em Isaias 7:14, pode ser traduzida por “jovem não casada”; mas essa palavra foi traduzida para o grego como “parthenos”, que só pode significar virgem. A jovem não casada da profecia devia ser interpretada como uma ”mulher não casada e virgem”. Portanto, a concepção virginal é um dos maiores milagres das Escrituras Sagradas, pois, se fosse possível criar um feto usando apenas o óvulo de uma mulher, essa criança seria uma filha mulher, e não um filho homem. Apenas um homem pode dar o cromossomo que, junto com o da mulher, torna possível o nascimento de um filho do sexo masculino. Certamente, este cromossomo, com os outros que formaram a Pessoa teantrópica de Jesus (totalmente Deus e totalmente homem), foi dado pelo Espírito Santo.

O Deus Filho tornou-se humano por meio de uma concepção milagrosa, operada pelo Espírito Santo no ventre de Maria. Dentre muitas jovens ricas daquela época e de famílias que moravam em Jerusalém, Deus escolheu uma humilde e simples jovem da mais humilde e desprezível cidade dos termos de Israel, “porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1Sm.16:7).

Observemos bem que Jesus foi concebido em uma virgem, mas Maria não ficou virgem para sempre. A virgindade dela cessou com o nascimento de Jesus, assim como também a sua abstinência sexual em relação a seu marido, José. A Bíblia diz que José não a conheceu até que Jesus nasceu (Mt.1:25), sendo certo, também, que José e Maria tiveram filhos, como o dizem os moradores de Nazaré, a cidade onde Jesus foi criado (Mt.13:55; Mc.6:3).

Por que Jesus tinha que nascer de uma virgem? Porque o nosso Redentor, para expiar os nossos pecados e assim nos salvar, Ele teria que ser numa só Pessoa tanto Deus como Homem impecável. O apóstolo Paulo falando sobre a humanidade impecável de Jesus, diz: “porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb.7:26). O nascimento virginal de Jesus, portanto, satisfaz estas duas exigências: deidade e Homem impecável. Todavia, a única maneira de Ele nascer como homem era nascer de uma mulher; a única maneira de ele ser Homem impecável era ser concebido pelo Espírito Santo (Mt.1:20; cf. Hb.4:15) e; a única maneira de Ele ser deidade era ter Deus como seu Pai.

Jesus Cristo, portanto, nos é revelado como uma só Pessoa com duas naturezas: divina e humana, mas inculpável. Como humano, Jesus se compadece das fraquezas do ser humano (Hb.4:15,16); como o divino Filho de Deus, Ele tem poder para libertar o ser humano da escravidão do pecado e do poder de satanás (At.26:18; Cl.2:15; Hb.2:14,15; 7:25); como Ser Divino e também Homem impecável, Ele preenche os requisitos como sacrifício pelos pecados de cada um de nós; como Sumo Sacerdote, preenche os requisitos para interceder por todos os que por ele aproximam-se de Deus (Hb.2:9-18; 5:1-9;7:24-28;10:4-12).

Portanto, a concepção virginal de Jesus teve o propósito de fazê-lo entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado, e, por conseguinte, garantir a salvação de todo aquele que nele crer (João 3:16).

2. O nascimento do Salvador. O nascimento do Salvador é um evento emblemático e simbólico acerca do propósito que Ele veio realizar: salvar o mundo (João 3:16). Para isso, o Filho nasceu longe de casa, peregrinou para Belém sem acomodações adequadas, num ambiente inóspito e extremamente humilde (Lc.2:1-7). Deus usou César Augusto (Lc.2:1), o imperador romano, para a concretização dos seus planos. Deus, em sua soberania, o usou para publicar um decreto, fazendo o Messias nascer em Belém de Judá, na nação de Israel, para cumprir as profecias do Antigo Testamento.

O imperador César Augusto, que era reverenciado como divindade, foi usado pelo verdadeiro Deus para determinar a ida de José e Maria à cidade de Davi para registrarem-se – “Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade” (Lc.2:3). Nessa ocasião, como na eternidade havia sido planejado (Ap.13:8), Deus veio ao mundo, encarnado, nascendo exatamente em Belém, como já havia sido profetizado pelo profeta Miquéias: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq.5:2).

Belém era uma pequena vila, talvez com apenas uma hospedaria, e tinha recebido muitas pessoas de outros locais por causa do recenseamento. Estava lotada e, por isso, José e Maria não acharam lugar, e ficaram mesmo numa rude estrebaria, onde nasceu o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Salvador do mundo.

Segundo estudiosos, César Augusto com seu decreto objetivava arrecadar mais impostos, recrutar para o serviço militar e fazer a contagem dos povos conquistados para dimensionar a grandeza do seu império, porém, Deus o escolhera como um instrumento para realizar os planos eternos da salvação da humanidade. O decreto de César Augusto foi editado no tempo perfeito de Deus e de acordo com o seu perfeito plano de trazer seu Filho ao mundo.

Jesus nasceu numa simples manjedoura (Lc.2:7), com toda simplicidade incontestável (Lc.2:12). Como bem disse o Pr. Claiton Ivan Pommerening, “Jesus nasceu num contexto de pobreza, o que mostra sua humilhação e serviço aos desafortunados (Lc.4:18-21). O Filho de Deus cresceu numa família, o que mostra a importância que Deus dá à célula máter da sociedade (Lc.2:40). Assim, o ministério terreno de Jesus seria abrangente (Lc.2:49), mostrando que o Reino de Deus já havia chegado à Terra (Lc.10:9,11)”.

III. O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS

1. O Verbo de Deus (João 1:1) – “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. João inicia seu evangelho com esta solene verdade. Diz mais: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). João deixa claro que o Filho de Deus, que se encontrava no seio do Pai, foi concebido pelo Espírito Santo para habitar entre nós (Sl.2:7; Is.7:14; João 1:18;3:16).

Por que João denomina-o “Verbo de Deus”? Sendo Cristo o executivo do Pai, todas as coisas vieram à existência por intermédio dEle; sem Ele, nada do que é existiria. A expressão “no princípio” transporta-nos a Gêneses 1:1. Na criação, Jesus já atuava: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Portanto, o evangelista João aponta o “Verbo” como alguém que já existia desde a eternidade; não foi criado, mas gerado. Jesus “é imagem do Deus invisível o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Jesus assumiu sua humanidade para revelar-nos Deus e sermos conduzidos ao Pai.

2. A encarnação do "Verbo". A encarnação é uma verdade bendita e gloriosa, é o raiar do Sol da Justiça na escuridão da história humana. O verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1:14). Deus veio morar com o homem. Na verdade, a grande mensagem do Novo Testamento é que a vida se manifestou – “porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada” (1João 1:2). O eterno entrou no tempo e foi manifestado aos homens. O divino fez-se humano. Aquele a quem nem os céus dos céus podiam conter deitou numa manjedoura e foi enfaixado com panos. Ele comunicou-se com os homens, fazendo-se homem. O Criador do universo nasceu entre os homens. Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2Co.5:18). Deus revelou-se na criação (Rm.1:20), mas a criação, por si mesma, jamais seria capaz de contar a história do amor do Criador. Deus também se revelou de maneira mais plena nas Escrituras (2Tm.3:16,17), mas a revelação mais completa e absoluta de Deus deu-se em seu Filho, Jesus Cristo. Jesus disse: "Quem me vê a mim, vê o Pai" (João 14:9).

A encarnação de Cristo mostra algumas verdades que precisamos saber:

·    Mostra a eternidade de Cristo. Cristo, ao se encarnar, revela que Ele era pré-existente. Ele vivia em outro lugar antes de vir ao mundo. João antes de dizer que Ele se encarnou afirma que Ele já existia desde a eternidade e foi o Criador de tudo o que existe (João 1:1-3). A vida de Jesus não começa no ventre de Maria, e o próprio Cristo confirma isto (João 8:38,42,58; 17:5), e também Paulo (Fp.2:5-7). Portanto, Ele é eterno.

·    Mostra ao mundo quem é Deus. O homem jamais viu Deus, por isso Cristo aqui revelou o caráter de Deus (João 1:18). Os atos e palavras de Jesus foram os mesmos do Pai (João 5:19,30; 8:19,28,29). Quem quisesse conhecer a Deus O veria em Jesus (João 14:7-10), pois Ele era a expressão exata do Ser de Deus (Hb.1:1-3).

·    Mostra o supremo amor de Cristo. O ato da encarnação por parte de Cristo não foi uma obrigação, mas foi uma obra voluntária. Ele veio a terra para ser o sacrifício perfeito porque quis, Ele “Se” esvaziou. Não deixou de ser Deus, nem perdeu Seus poderes com este ato, mas se fez pobre para que fôssemos ricos (2Co.8:9). Tudo em Sua vida foi voluntário, até sua morte (Mc.10:45; João 6:51;10:15,17,18). Todo Seu ministério foi motivado por amor. Foi por amor que Ele, mesmo sabendo tudo o que ia acontecer consigo, aqui desceu e viveu Sua missão amando até o fim (João 13:1).

3. Por que o Verbo se fez “carne”? Observe alguns porquês da encarnação de Cristo e entenda esta necessidade.

a) Porque o ser humano nasce morto em pecado. Todos nascem em pecado, e assim em débito com Deus (Rm.3:23; 5:12; Ef.2:1-3), merecendo com isso o castigo pelo pecado, a morte eterna, que é o pagamento desta dívida (Rm.6:23a).

b) Porque não se pode ser salvo cumprindo rituais religiosos. Os esforços pessoais do ser humano de nada valem. Paulo passou boa parte de sua vida ensinando que a salvação não poderia ser alcançada cumprindo-se regras religiosas como a Lei de Moisés, por exemplo (Gl.cap.3-4). Por ter uma natureza pecaminosa (carnal) o ser humano não atinge as exigências de Deus (Rm.7:12-24;8:7,8).

c) Porque não se pode ser salvo praticando boas obras. Obras de pessoas pecadoras, mortas espiritualmente, são mortas também (Is.64:6). Só a graça de Deus proporciona a salvação (Ef.2:8-10), e esta graça veio com a encarnação de Cristo (João 1:17,18).

d) Porque Deus é amor. A encarnação de Cristo para morrer como inocente no lugar de criaturas pecadoras demonstra o grande amor de Deus. Este foi o motivo maior pelo qual Ele enviou Cristo ao mundo (João 3:16; Rm.8:39; 1Joao 4:19). Foi apenas por amor que Deus veio a terra, em Cristo se fez Emanuel (Deus conosco) (Mt.1:23). Na cruz foi concretizado esse amor.

Diante de tudo isso, podemos afirmar e acreditar quão importante foi a encarnação do Verbo de Deus. A salvação só foi realizada porque Cristo veio em carne (Ef.2:15: Cl.1:22; 1Pd.3:18;4:1). O caminho à presença de Deus foi aberto pela Sua carne (Hb.10:22). Foi por se encarnar que Ele pôde ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm.2:5).

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto, podemos afirmar que o advento de Jesus Cristo foi o acontecimento mais glorioso, mais espetacular na história da humanidade. Seu nascimento, sua morte e sua ressurreição foram os maiores acontecimentos do universo. Fomos alcançados pela graça de Deus, um favor imerecido, uma provisão salvífica maravilhosa e graciosa para nós. O Verbo da vida, Aquele que estava com o Pai, a Vida manifestada, Jesus, é a essência e o conteúdo da própria vida eterna. Jesus se fez homem, deixou parte da sua glória, se humilhou e se fez maldição por nós para que pudéssemos ter comunhão com o Pai e ter então direito legal à vida eterna. Conhecer a Cristo é ter a vida eterna (1João 1:2). A vida eterna não é apenas uma quantidade interminável de tempo no céu, mas um relacionamento estreito com Cristo a partir de agora e para sempre (1João 1:2; 5:20; João 17:3). Como homem perfeito, Jesus é o nosso exemplo em todas as esferas da vida, por isso, precisamos olhar para Ele e seguir sempre os seus passos. Olhemos firmemente para o Salvador e não permitamos que as dificuldades e tribulações da vida embacem os nossos olhos e nos leve a perder o alvo da vida cristã: Jesus, o Salvador.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação.CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Comentário Lucas – à Luz do Novo Testamento Grego. A.T. ROBERTSON. CPAD
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards
 Leon L. Morris. Lucas (Introdução e comentário). pg. 34.