domingo, 2 de agosto de 2015

Aula 06 – CONSELHOS GERAIS


3º Trimestre/2015

 
Texto Base:1Timóteo 5:17-22;6:9-10

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20:28).

 

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos acerca dos conselhos gerais de Paulo a Timóteo em relação aos membros da família cristã com os quais trabalhava. Paulo o orienta a lidar de forma sábia com as diferentes pessoas e grupos dentro da igreja. O cristianismo não é apenas uma coletânea de dogmas, mas sobretudo o cultivo de relacionamentos saudáveis. A maioria dos pastores enfrenta tensões na igreja por falta de habilidade de relacionar-se com pessoas. Timóteo é instruído a agir de forma criteriosa com os diferentes membros da comunidade, a fim de que a igreja de Deus empregue todo o seu potencial na obra, em vez de desperdiçar suas energias em conflitos internos.

I. O CUIDADO COM O REBANHO

Uma das tarefas de um pastor é corrigir as faltas de alguns membros da igreja. Para um pastor lograr êxito na repreensão aos membros da igreja, ele necessita de duas coisas: o conteúdo bíblico e a forma amorosa. Não basta exortar de acordo com a verdade; é preciso também exortar com amor. O pastor precisa ter tato e sensibilidade para lidar com pessoas de diversas faixas etárias.

1. Cuidado com os anciãos (1Tm 5:1).Não repreendas asperamente os anciãos, mas admoesta-os como a pais; aos jovens, como a irmãos”. Aqui, Paulo ensina a Timóteo a maneira correta de lidar com as pessoas mais velhas. Sendo jovem e, talvez, mais dinâmico, Timóteo poderia ser tentado a se tornar impaciente e ressentido com alguns homens idosos. Por isso a admoestação para ele não repreender a um homem idoso asperamente, mas exortá-lo como a um pai. Seria impróprio a ele, jovem, criticar tal pessoa com ataques verbais. Se o respeito com as pessoas idosas faz parte da cultura de muitos povos, entre o povo de Deus essa distinção deve ser ainda mais observada.

“... aos jovens, como a irmãos”. Havia ainda o perigo de Timóteo manifestar uma atitude de opressão em relação aos mais moços. Paulo o alerta a tratar os moços como a irmãos. Ele deveria ser exatamente como um deles, sem lhes mostrar atitudes autoritárias. A igreja é a família de Deus, e devemos olhar para as pessoas da nossa idade como irmãos e irmãs.

2. O cuidado com as mulheres idosas e viúvas (1Tm 5:2,3). “Às mulheres idosas, como a mães... Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas”. Aqui, Paulo orienta Timóteo que as mulheres idosas devem ser consideradas como mães e tratadas com a dignidade, o amor e o respeito devidos. E Paulo também dá a Timóteo algumas orientações para que ele pudesse resolver as questões das viúvas na igreja (1Tm 5:3-8). A igreja não pode negligenciar a assistência aos domésticos da fé, quando estes são necessitados, e ao mesmo tempo não assumir o papel da família, quando esta pode socorrê-los. O sustento financeiro pela igreja deve limitar-se às viúvas que são realmente necessitadas (1Tm 5:3,5,16), ou seja, aquelas que não têm dotes nem parentes para mantê-las. Havia um grande número de viúvas na igreja de Éfeso.

Deus proíbe que seu povo aflija os órfãos e as viúvas (Êx 22:22). Um magistrado que oprime as viúvas está sob o juízo divino (Dt 27:19). Os agricultores eram instruídos a reservar um décimo da sua produção para as viúvas e os órfãos, deixando a eles ainda uma parte da colheita (Dt 14:28,29). Os profetas de Deus denunciaram a nação por defraudar as viúvas (Is 1:17,23; Jr 7:5; Ez 22:7; Zc 7:10). Jesus demonstrou compaixão com a viúva de Naim (Lc 7:11,12) e enalteceu a oferta da viúva pobre (Mc 12:41,42), ao mesmo tempo que denunciou os escribas que devoravam as casas das viúvas e se escondiam atrás de uma pecaminosa ostentação religiosa (Mc 12:40). A igreja de Jerusalém nomeou sete homens cheios de sabedoria, cheios de fé e cheios do Espírito Santo para supervisionar a distribuição diária às viúvas (At 6:1-6). Mais tarde, Tiago afirma que uma das evidências da verdadeira religião é visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações (Tg 1:27).

3. Tratar as pessoas do sexo oposto com honra e pureza (5:2). “... às moças, como a irmãs, em toda a pureza”. Aqui, Paulo orienta a Timóteo que “pureza” deveria caracterizar toda a atitude dele em relação às jovens moças. Ele deveria não apenas evitar o que é pecaminoso, mas também se desviar dos atos de indiscrição e de todo comportamento com aparência de pecado. O pastor precisa respeitar as jovens da igreja, tratando-as com honra e pureza. Um pastor que olha para as jovens da igreja com lascívia é um desastre. Um líder cujos olhos são cheios de adultério é como um lobo entre as ovelhas. Muitos pastores têm caído na área moral, por se entregarem a desejos lascivos. O conselho de Paulo nunca foi tão urgente, atual e oportuno!

4. O cuidado com os ministros fiéis (1Tm 5:17). “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino”.

Os líderes que são fiéis ao Senhor e à igreja devem ser estimados e apoiados por todos os liderados. Paulo estabelece a regra de que os presbíteros que presidem bem devem ser merecedores de dobrados honorários. “Honorários” pode significar respeito, mas também inclui a ideia de reembolso financeiro (Mt 15:6). “Dobrados honorários” contêm as duas ideias. Antes de tudo, são merecedores de respeito do povo de Deus devido a seu trabalho, mas, se o seu tempo é integralmente dedicado a esse trabalho, também são merecedores de ajuda financeira. Os que se afadigam na palavra e no ensino são provavelmente aqueles que gastam tanto tempo na pregação e no ensino que não podem ter um emprego regular. Aos cristãos de Corinto ele fez observações idênticas, revelando seu zelo pela manutenção dos obreiros (1Co 9:6-10).

Os presbíteros fiéis em seu trabalho não deveriam ser apegados ao dinheiro - avarento (1Tm 3:3), mas eram dignos de receber honra e honorários. Com isso, Paulo considera que o pastorado é um ministério remunerado. Da mesma forma que nos dias do Antigo Testamento os sacerdotes eram sustentados a fim de se dedicarem à lei do Senhor (2Cr 31:4), também nos dias do Novo Testamento os pastores devem ser sustentados para que possam devotar-se à obra do evangelho.

II. O TRATO COM O PRESBITÉRIO

1. Acusação contra os presbíteros (1Tm 5:19). “Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas”. Por ocuparem uma posição de responsabilidade na igreja, os presbíteros se tornam o alvo principal de ataque de Satanás. Por essa razão, o Espírito Santo de Deus toma medidas para protegê-los de falsa acusação. É estabelecido o princípio de que nenhuma ação disciplinar ocorra contra um presbítero, a menos que a acusação seja confirmada por duas ou três testemunhas. Na realidade, esse mesmo princípio se aplica a uma ação disciplinar contra qualquer membro da igreja, mas é enfatizado aqui porque havia o risco de os presbíteros serem acusado injustamente. Mas, se o líder for realmente culpado precisa se arrepender, confessar, deixar os seus pecados e ser disciplinado (Pv 28:13). Encobrir os erros daqueles que pecaram não é solução, pois “Deus não tem o culpado por inocente” (Nm 14:18). Os presbíteros, ou pastores, estão sujeitos a pecar, por isso, precisam vigiar e orar ainda mais (Mt 26:41).

2. A repreensão aos presbíteros (1Tm 5:20).Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor”. Aqui, Paulo ensina a respeito da forma como aqueles que pecaram e tiveram suas faltas comprovadas por testemunhas, devem ser disciplinadas.

A lei já exigia que não se podia condenar ninguém com o testemunho de uma única pessoa (Dt 19:15). Porém, quando uma acusação contra um presbítero procedia de duas ou mais testemunhas e era verdadeira, e além disso o denunciado persistia no pecado, então o faltoso deveria ser corrigido na presença de todos.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, pecados públicos devem ser corrigidos publicamente para que haja temor, pois a disciplina visa não apenas a restaurar o faltoso, mas também a prevenir os demais membros do corpo a não caírem no mesmo laço. A igreja nunca pode dar ao mundo a ideia de que está tolerando o pecado. O pecado é maligníssimo. É como um fermento: um pouco leveda a massa toda. Um mau exemplo é devastador na igreja. É como uma laranja podre numa cesta de laranjas saudáveis. Contamina as demais!

Timóteo é exortado a não ter parcialidades na aplicação da disciplina (1Tm 5:21). A igreja de Deus não pode ter dois pesos e duas medidas. Não pode tratar alguns membros com rigor e outros com complacência. Não pode aplicar a uns o rigor da lei e a outros, regalias e privilégios.

Segundo Hernandes Dias Lopes, a vida do líder é a vida de sua liderança, mas os pecados do líder são os mestres do pecado. Os pecados do líder são mais graves, mais hipócritas e mais danosos que os pecados dos demais membros da igreja. São mais graves, porque o líder peca mesmo tendo maior conhecimento. São mais hipócritas, porque o líder convoca o povo a viver em santidade e, muitas vezes, pratica o pecado em secreto. E são mais danosos, porque, quando um líder cai, mais pessoas são atingidas. Daí, os líderes que têm práticas pecaminosas não devem ser ignorados. Na realidade, a posição que ocupam não é um atenuante, mas um agravante. Eles devem ser tratados com mais severidade, e na presença de toda a igreja (Mt 18:15-17), para que os demais presbíteros, ou pastores, também possam sentir-se cheios de temor piedoso de fazer o mal.

Todavia, ao tratar da disciplina na igreja local, há dois perigos a serem evitados. O primeiro é a prevenção ou preconceito, e o outro é a parcialidade ou o favoritismo. É fácil ter um preconceito contra alguém e assim prejulgar o caso com injustiça. Também é muito fácil mostrar parcialidade em relação a alguém por causa de sua riqueza, posição na comunidade ou personalidade. Assim, Paulo solenemente conjura Timóteo diante de Deus, e Cristo Jesus e também diante dos anjos eleitos, a obedecer a essas instruções sem julgar uma questão antes de todos os fatos serem conhecidos ou sem mostrar-se favorável a alguém simplesmente porque é amigo ou conhecido - “Conjuro-te, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que, sem prevenção, guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade” (1Tm 5:21). Portanto, cada caso deve ser julgado diante de Deus, e Cristo Jesus e também diante dos anjos. Os anjos são os observadores do mundo onde vivemos e eles devem ver justiça perfeita em questões de disciplina na igreja.

3. O cuidado com a saúde (1Tm 5:23). O apóstolo Paulo demonstra seu zelo pastoral ao preocupar-se com a saúde de Timóteo. O apóstolo escreve: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades. Não há dúvida de que este versículo se refere ao vinho de verdade, e não apenas ao suco de uva. Se não fosse vinho de verdade, não faria sentido o apóstolo enfatizar que se deve usar somente “um pouco”.

O conselho de Paulo - “não continues a beber somente água” - significa que Timóteo não deveria beber água sem “um pouco de vinho”. Paulo aconselha o uso de “um pouco de vinho por causa de seu “estômago” e de suas “frequentes enfermidades”. É claro que, aqui, Paulo refere-se apenas ao uso medicinal do vinho e jamais deve ser interpretado como desculpa a seu uso abusivo.

É muito comum o obreiro gastar todo o tempo cuidando do rebanho e esquecer-se de si mesmo. Timóteo era bastante cuidadoso com os outros, mas estava descuidando de si mesmo. Precisava dar atenção à sua saúde para poder cuidar da igreja. As pressões do ministério são enormes, e Timóteo estava no comando da maior igreja da época, a igreja de Éfeso. Éfeso era a capital da Ásia Menor, uma cidade complexa e com muitos desafios. Os falsos mestres perturbavam a igreja, e Timóteo precisava lidar com essas pressões que vinham de fora e também com as tensões que vinham de dentro da igreja. O desgaste emocional e os reflexos que esse desgaste tinham na saúde de Timóteo levaram Paulo a orientar o jovem pastor a cuidar de sua saúde.

Note que, embora Paulo, como apóstolo, sem dúvida tivesse o poder de curar todos os tipos de doenças, nem sempre o usava. Aqui, ele justifica o uso de remédios para doenças estomacais. Há momentos que a resposta de Deus, em relação à cura, é negativa, e, quando isso acontece, devemos aprender a lidar com a soberania divina. Mesmo homens de fé, como Moisés e Paulo, deixaram de ter suas orações atendidas (Dt 3:26; 2Co 12:8,9).

III. CONSELHOS GERAIS (1Tm 6:3-21)

No capítulo cinco, vimos como Paulo tratou a questão da ação social na igreja, especialmente no cuidado das viúvas que não tinham suporte financeiro da família. Também vimos como Paulo abordou a questão do sustento e disciplina. Agora veremos como Paulo orienta Timóteo a lidar com os falsos mestres e o cuidado que deve ter como pastor do rebanho. Também veremos os conselhos dados pelo apóstolo aos ricos.

1. Aos que não respeitam a sã doutrina (1Tm 6:3-5). “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro”.

Aqui, Paulo volta a atenção para aqueles que estariam dispostos a ensinar doutrinas novas e estranhas na igreja. São falsos mestres, aqueles que se desviam da sã doutrina, abandonam a verdade e desviam-se da fé, dividindo a igreja, motivados pela avareza. Eles trocam o evangelho por outro evangelho. Trocam o genuíno pelo espúrio, o verdadeiro pelo falso, o pão nutritivo da verdade pelo caldo mortífero da mentira (morte na panela: 2Rs 4:38-41). Por discordarem da sã doutrina, ensinam suas perniciosas heresias.

Os falsos mestres, por serem arrogantes e ignorantes, promovem divisões. Proclamam a si mesmos como os donos da verdade. Gostam de discutir. São obcecados por contendas de palavras. No entanto, são vazios, não entendem nada, são desprovidos da verdade e escravos da mentira.

Cinco resultados são apresentados: inveja (ressentir-se por causa dos dons dos outros); provocação (cultivar espírito de rivalidade e contenda); difamações (espalhar mentiras acerca de outras pessoas); suspeitas malignas (esquecer-se de que a comunhão se constrói com a confiança, e não com a suspeita); altercações sem fim (o fruto da irritação).

Esses falsos mestres são homens depravados e mentirosos. Além do mais, o vetor que governa sua vida é o lucro. Eles não estão interessados na salvação das pessoas, mas no dinheiro que elas possuem. Fazem da religião um negócio. Distorcem o evangelho e fazem dele um artigo comercial. Transformam o templo numa praça de negócio. Usam o púlpito ou a mídia como um balcão, e os crentes como consumidores. “Eles tornam a mais sagrada das vocações em um ofício de ganhar dinheiro”.

Esses falsos mestres nos lembra os pastores mercenários que posam como ministros cristãos, mas não tem amor real pela verdade. Também nos faz pensar no comércio que se tornou tão comum no cristianismo: a venda de indulgências, os bingos, os bazares beneficentes, as quermesses, etc. Há uma ordem clara de nos desviarmos de tais mestres ímpios: “Aparta-te dos tais” (1Tm 6:5 – ARC).

2. Aos que querem ser ricos (1Tm 6:9,10).Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Ser rico não é pecado, mas confiar nas riquezas, preferi-las à vida eterna é fatal para a vida espiritual de alguém. Assim, lutar por uma vida regalada nesta Terra, estar à busca de obtenção de riquezas, erigir isto como uma prioridade na vida é praticamente assinar a sua sentença de perdição.

A riqueza como fruto do trabalho e da providência divina é uma bênção. É Deus quem nos dá força para adquirirmos riqueza. Há muitas pessoas ricas e piedosas. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, o problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas carregá-lo no coração.

Paulo diz que o amor ao dinheiro é a fonte de todos os males. Nem todo o mal do universo surge do amor ao dinheiro, mas certamente é uma das grandes fontes de vários tipos de males. Por exemplo, o amor ao dinheiro produz inveja, briga, roubo, desonestidade, intemperança, esquecimento de Deus, egoísmo, desvios de conduta, etc.

É preciso destacar que o dinheiro não é raiz de todos os males. O dinheiro em si é uma bênção. Com ele suprimos nossas necessidades e servimos ao próximo. Com ele ajudamos os necessitados e cooperamos com a expansão do reino de Deus. O problema não é ter dinheiro no bolso, mas ter o dinheiro no coração. O problema não é possuirmos riquezas, mas as riquezas nos possuírem. O problema não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro.

3. Conselhos aos ricos (1Tm 6:17-19).Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna”.

Nos versículos anteriores Paulo escreveu de forma detalhada sobre aqueles que desejam ser ricos. Aqui, ele se refere aos ricos. Veja alguns conselhos que Timóteo deveria dar aos ricos:

a) Os ricos não deveriam ser orgulhosos (1Tm 6:17a). Essa é a tentação dos ricos. A posse do dinheiro pode levá-los a serem orgulhosos. O indivíduo pode pensar que ser rico significa ser mais competente, mais inteligente, melhor que os outros ou até mesmo mais amado por Deus. A pessoa pode ficar soberba porque tem muitas propriedades, porque conseguiu construir um colossal patrimônio. A soberba, porém, é a antessala da ruína. Um rico soberbo não compreendeu nem a vulnerabilidade da vida nem a instabilidade das riquezas.

b) Os ricos não deveriam depositar a sua esperança, literalmente, na instabilidade da riqueza (1Tm 6:17b). Confiar na instabilidade da riqueza é a mesma coisa que edificar sua casa na areia. Hoje há muitas pessoas desesperadas. Até ontem estavam confiantes de terem feito os melhores investimentos; agora, seus investimentos deram para trás. Aquela aplicação antes tão sólida de repente se torna vulnerável. Muitas pessoas perderam seus bens do dia para a noite. A Bíblia diz: “Porventura fitarás os teus olhos naquilo que é nada? Pois certamente a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23:5). Confiar no dinheiro é uma insanidade.

c) Os ricos deveriam confiar em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas usufruirmos (1Tm 17:c). Uma das grandes ciladas da riqueza é que é difícil tê-la sem confiar nela. E isso é uma forma de idolatria. É negar a verdade de que Deus é quem abundantemente nos dá todas as coisas para nossa satisfação. O dinheiro pode lhe dar roupas bonitas, mas não beleza. Pode lhe dar prazeres, mas não paz. Pode lhe dar aventuras, mas não felicidade. Pode lhe dar um carro blindado e segurança, mas não proteção real. Pode lhe dar uma casa, mas não uma família. Pode lhe dar remédios, mas não saúde. Pode lhe dar bajuladores, mas não amigos. Pode lhe dar satisfação sexual, mas não amor. Pode lhe dar um rico funeral, mas não vida eterna.

d) Os ricos devem dar daquilo que recebem de Deus (1Tm 6:18) – “que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis”. O rico é lembrado de que o dinheiro que ele possui não é dele. Ele o recebeu para ser administrado. Ele é responsável pelo uso do dinheiro para a glória de Deus e para o bem-estar de seu próximo. Ele deve usá-lo para as boas obras e ser generoso com os necessitados.

e) Os ricos devem fazer investimentos para a eternidade – “que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna”. Jesus disse que devemos ajuntar tesouros lá no céu, onde os ladrões, a traça e a ferrugem não podem destruí-los. A bolsa de valores do Céu jamais entra em colapso. As riquezas espirituais jamais podem ser roubadas. A Bíblia diz que onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração. Devemos buscar as coisas lá do alto. Devemos buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. Devemos buscar tesouros que sejam um sólido fundamento. Devemos nos apoderar da verdadeira vida.

O homem que só pensava em seus banquetes e em suas vestes, e deixou Lázaro faminto e chagado à sua porta, morreu sem ajuntar tesouros no Céu. Morreu e foi para o inferno, onde acabou atormentado nas chamas e não recebeu nem mesmo o alívio de uma gota de água (Lc 16:19-31).

O homem que se preparou apenas para esta vida e não fez nenhuma provisão para a sua alma foi chamado de louco (cf Lc 12:20,21).

Portanto, aquele que ajunta tesouros apenas para esta vida descobrirá que, no dia em que sua casa cair, no dia em que estiver atravessando a ponte que liga o tempo à eternidade, o dinheiro não poderá ajudá-lo a se apoderar da verdadeira vida. O crente sábio não entesoura para esta vida, mas para a futura (Mt 6:19-21).

CONCLUSÃO

Paulo conclui os seus conselhos gerais admoestando a seu amigo e colaborador a guardar o objeto que lhe foi confiado: “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado...” (1Tm 6:20a). O objeto entregue a Timóteo para ser protegido por ele é o santo Evangelho. Isto inclui, naturalmente, o que o apóstolo está escrevendo na carta de 1Timóteo: todas as ordens dadas a Timóteo e todo o ensino que esta epístola contém. Timóteo terá de dar conta a Deus quanto ao que fez com o “depósito”.

A fé cristã foi colocada nas mãos de Timóteo. Ele recebeu esse depósito e precisa transmiti-lo com fidelidade. Timóteo deve entregar o que recebeu, e não o que inventou. Deve transmitir o que recebeu, e não o que criou. Segundo Hernandes Dias Lopes, “o pregador não gera a mensagem, ele transmite a mensagem. Ele não é o dono da mensagem, é o servo da mensagem. O pregador é um despenseiro de Deus (Tt 1:7), e o que se requer do despenseiro é fidelidade. Ele não pode sonegar ao povo o evangelho que Deus a ele confiou nem acrescentar coisa alguma ao evangelho por ele recebido”.

Paulo finaliza sua admoestação dizendo: ”...tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém!” (1Tm 6:20b,21). Timóteo não deveria perder tempo com as futilidades dos falsos mestres. Não deveria envolver-se com falatórios inúteis e profanos e com as contradições do saber, pois os que assim procedem desviam-se da fé; antes, ele deveria manter-se firme e fiel na pregação do evangelho que lhe foi confiado. Da mesma forma que os hereges se afastam da verdade, o pastor deve afastar-se das heresias.

Concluo com as mesmas palavras de Paulo a Timóteo: A graça seja convosco” (1Tm 6:21b). É unicamente no poder dessa graça que Timóteo e a igreja são capazes de resistir os falsos mestres, afastar-se de sua influência. A graça é suficiente. Ela nos basta! Amém!

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 63. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Tito e Filemom – doutrina e vida, um binômio inseparável. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

1 Timóteo – o pastor, sua vida e sua obra. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

2 Timóteo – O testamento de Paulo à Igreja. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito. William Hendriksen.

As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais. Elinaldo Renovato de Lima. CPAD.

domingo, 26 de julho de 2015

Aula 05 - APOSTASIA, FIDELIDADE E DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO


3º Trimestre/2015

 

Texto BASE: 1Timóteo 4:1,2,5-8;12,16

 
“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm 4:1).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos das advertências do apóstolo Paulo a Timóteo acerca do perigo das falsas doutrinas e acerca do caráter e a obra do ministro num contexto de deletéria influência dos falsos mestres. Três pontos serão destacados: o perigo das falsas doutrinas, a fidelidade dos ministros e a diligência no ministério.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava com seus discípulos, em seu ministério terreno, falou-lhes acerca dos últimos tempos, ou do fim dos tempos, em que uma das características marcantes seria a falsidade, o engano, a mentira e a mistificação. Jesus sabia que sua igreja sofreria os ataques dos falsos mestres, ou falsos profetas, que apareceriam, vindos de fora, ou mesmo surgindo no seio da comunidade cristã. Naturalmente, Paulo tinha bastante ciência destas advertências de Jesus quanto aos "últimos tempos". Em sua carta a Timóteo, ele expressou sua preocupação com os falsos ensinadores, heréticos e astutos, na busca pelo domínio da mente dos que estavam na igreja em Éfeso. Era uma antevisão do que a Igreja está vivendo nos dias presentes, dias que antecedem a volta de Cristo.

I. A APOSTASIA DOS HOMENS

1. A apostasia.Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé”(1Tm 4:1a). O mesmo Espírito que havia inspirado Paulo a alertar os presbíteros de Éfeso acerca da chegada dos falsos mestres (At 20:29,30), agora leva Paulo a alertar Timóteo, pastor da igreja de Éfeso, de que esse tempo chegaria e o resultado seria a apostasia de alguns.

Apostasia deriva-se da expressão grega “apostásis”, que significa afastamento. Para o cristão, apostasia significa abandonar a fé cristã de forma consciente e premeditada. Então, para que haja apostasia é necessário que a pessoa tenha experimentado o novo nascimento, ou seja, que tenha certeza de sua salvação e aí, de forma consciente e deliberada, abandona a fé e passa a negar toda verdade por ela experimentada. É diferente daquela pessoa que vem para a Igreja, ou já nasce na Igreja, torna-se membro, porém, sem passar pela experiência da conversão e pelo fato da ausência de uma genuína doutrina bíblica em sua vida, e sem nenhuma experiência real de fé, vai para outra denominação, batiza-se novamente. Em casos como estes não se pode falar em apostasia; essa pessoa não tem qualquer noção do erro que está cometendo. O que ela precisa, na verdade, é de uma verdadeira conversão, ou de uma experiência real com Cristo.

Ninguém pode abandonar aquilo que nunca teve. Para que haja apostasia é necessário o abandono consciente e premeditado da fé. Crente salvo pode cometer apostasia; crente não salvo, não pode, pois ele não pode abandonar o que nunca teve.

No Antigo Testamento a apostasia era considerada adultério espiritual. Israel era chamado de “esposa de Jeová”. Sempre que Israel seguia a outros deuses, ou se curvava diante de ídolos, era acusado de apostasia. Esta foi, inclusive, a causa principal do cativeiro babilônico.

Diferença entre o apóstata, o crente desviado e o crente caído. Não fazemos diferença entre desviar-se e afastar-se da Igreja. Todavia, desviar-se não é a mesma coisa de uma queda acidental. Acidentalmente, num momento de descuido, de falta de vigilância, o crente pode pecar, cair. Isto não significa estar desviado. O que caiu pode seguir o conselho de João e levantar-se – “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo...Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”(1João 2:1 e 1:9). Aconteceu com Davi. Num momento de descuido, de falta de vigilância, ele pecou, porém, não foi necessário desviar-se, afastar-se, ou ser afastado do Trono. Davi reconheceu o seu pecado, confessando-o diante de Deus (Sl 51); foi perdoado e continuou sendo um homem de Deus (cf. 2Sm 11 e 12). Davi caiu, porém, não se desviou. Contudo, é possível começar a afastar-se, ou desviar-se logo após uma queda acidental, ou seja, após ter cometido um pecado, que precisa ser confessado e ele não quer confessar. Pode, ainda, afastar-se devido a uma tristeza, ou uma decepção. Todavia, isto nada tem a ver com a apostasia.

Pecar, por um momento de descuido, afastar-se da Igreja, ou desviar-se, quer seja porque tenha pecado, quer seja por ter sofrido uma decepção, quer seja por ter perdido o ânimo, por falta de oração, de alimento espiritual, nada tem a ver com o pecado imperdoável ou com apostasia.

O desviado pode, e deve voltar, mas para o apóstata não há retorno. Aconteceu com o rei Saul, com Judas Iscariotes, com Israel e com muitos outros. Pode, também, acontecer conosco. Muitos mestres torcem as Escrituras e vendem a alma ao Diabo, tentam introduzir o mundo na Igreja, sob a alegação de que esta não pode viver alheia à modernização – é a doutrina de Balaão. Tenhamos cuidado! A doutrina de Balaão continua a fazer estragos! Ela quer comprometer a Igreja, impregnando-a com a cultura e com os costumes do mundo (Rm 12:1).

2. Espíritos enganadores (1Tm 4:1). ”... dando ouvidos a espíritos enganadores...”. “Espíritos enganadores” é uma expressão usada em linguagem figurada para descrever os falsos mestres, tomados por maus espíritos, que enganam os menos cautelosos. Quem está por trás das heresias são os espíritos enganadores, os próprios demônios. O apóstolo Paulo sabia que se a igreja deixasse de verificar os seus ensinamentos correria sérios riscos à sua saúde espiritual. Os falsos mestres iriam distorcer com facilidade a verdade cristã. Esse perigo crítico viria de dentro da igreja. Os falsos ensinadores eram e ainda são uma ameaça à igreja. Os falsos mestres que promovem a apostasia engrossam as fileiras das seitas, e muitos estão infiltrados nas igrejas, lecionando nas cátedras dos seminários e subindo aos púlpitos para destilar seu veneno letal.

3. Doutrinas de demônios (1Tm 4:1b). “...dando ouvidos ... a doutrinas de demônios”. Doutrinas de demônios não significam ensinamentos sobre demônios, mas doutrinas inspiradas por demônios, ou que tem sua fonte no mundo demoníaco. Os falsos mestres são inspirados por demônios, assim como os apóstolos eram inspirados pelo Espírito de Deus. Satanás tem seus próprios ministros e suas próprias doutrinas. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador, atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as pessoas para o erro. Os falsos mestres são escravizadores dos homens e difamadores de Deus. Eles proíbem o que Deus ordena e escravizam pessoas, impondo a elas restrições que Deus nunca fez. Sem dúvida, os falsos mestres eram e continuam sendo uma ameaça para a igreja de Cristo. O líder precisa estar atendo e alertar suas ovelhas quanto às falsas doutrinas pregadas pelos falsos pregadores na atualidade.

II. A FIDELIDADE DOS MINISTROS

1. O bom ministro (1Tm 4:6a).Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo...”. Aqui, Paulo adverte a Timóteo sobre o dever de dar instruções aos cristãos da igreja de Éfeso acerca das coisas mencionados em 1Tm 4:1-5, agindo como um “bom ministro de Cristo”. A palavra “ministro”, usada por Paulo aqui, é diakonos, aquele que serve os convidados à mesa como um garçom. Somos mordomos de Deus, e o alimento que servimos a seu povo é a Palavra.

O bom ministro é aquele que serve a igreja, exortando, ensinando e discipulando as ovelhas do Senhor. O pastor precisa advertir o povo de Deus do perigo das falsas doutrinas e da apostasia religiosa. Hoje muitos pastores não gostam de combater as heresias. Outros não têm apreço pelo estudo das doutrinas da graça. Alguns dizem que a doutrina divide e que só deveríamos falar sobre aquilo que nos une. Mas o pastor precisa alertar a igreja sobre o perigo das heresias e sobre a influência perigosa dos falsos mestres. Expondo e alertando os irmãos sobre esses perigos é que ele se torna um bom ministro de Cristo. O bom ministro zela pela vida espiritual do rebanho do Senhor.

O bom ministro se alimenta da Palavra, depois alimenta o rebanho com a Palavra -“...alimentado com a palavra da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Tm 4:6b). Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, primeiro o pastor é um estudante que aprende a Palavra, depois é um mestre que ensina a Palavra. Primeiro ele se debruça sobre os livros, depois se levanta diante da congregação para ensinar. Só ensina bem quem aprende bem. Não podemos combater a heresia se não estivermos calçados com a sã doutrina. Não podemos combater o erro se não estivermos comprometidos com a verdade. Não podemos enfrentar as falsas doutrinas se não permanecermos na sã doutrina. Cabe ao ministro do evangelho combater a mentira e promover a verdade; denunciar as heresias e anunciar o evangelho; desmascarar as falsas doutrinas e colocar em relevo a sã doutrina.

2. Rejeitando as fábulas profanas (1Tm 4:7).Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade”. Segundo Hernandes Dias Lopes, “fábulas” aqui provavelmente corresponde a histórias míticas que foram forjadas sobre fatos do Antigo Testamento, mormente as genealogias, mais tarde transformadas em intricados sistemas filosóficos gnósticos. Os falsos mestres gostam de introduzir novidades estranhas às Escrituras em seus ensinos. Eles se apartam da verdade e preenchem esse espaço com esquisitices como fábulas profanas alimentadas por pessoas ensandecidas. Essas tradições apóstatas estão em oposição às Escrituras e as contradizem. Essa mesma advertência é feita a Tito (Tt 1:14) e repetida a Timóteo (1Tm 1:4; 2Tm 4:4).

O apostolo Paulo aconselha Timóteo a rejeitar as fábulas profanas e de velhas. Ele não deve combatê-las nem perder muito tempo com elas. Ao contrário, deve trata-las com desdém e desprezo. Timóteo é aconselhado a se exercitar na piedade, em vez de desperdiçar tempo com mitos e fábulas. Tal exercício envolve leitura e estudo da Bíblia, oração, meditação e testemunho. “É impossível tornar-se piedoso naturalmente, pois o sentido da corrente está contra nós”. É preciso exercício e esforço.

3. O exercício físico e a piedade (1Tm 4:7,8). “...exercita-te a ti mesmo em piedade. Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa...”. O sentido básico da palavra “piedade” é "reverência" e "respeito". O pastor é um homem que precisa ter reverência a Deus. A vida do pastor é a vida de seu ministério. Sua piedade pessoal é o fundamento de sua autoridade espiritual.

Em 1Tm 4:8 o apóstolo Paulo contrasta dois tipos de exercício: o exercício físico e o exercício da piedade. O exercício físico tem algum valor para o corpo, mas é limitado e de curta duração. A piedade, por outro lado, é boa para o espirito, a alma e o corpo do ser humano, e não é apenas por um tempo, mas para toda a eternidade. É claro que precisamos cuidar do corpo, e o exercício faz parte desse cuidado. O corpo é o templo do Espírito Santo que deve ser usado para sua glória (1Co 6:19,20) e também é instrumento para seu serviço (Rm 12:1,2). Contudo, os exercícios beneficiam o corpo apenas nesta vida, ao passo que o exercício da piedade é proveitoso hoje e na eternidade. Paulo não pede que Timóteo escolha entre um e outro. Devemos praticar ambos, mas nos concentrar na piedade. Mais que o cuidado com o corpo, o pastor precisa cuidar de seu caráter e de sua reputação. Pense nisso!

III. A DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO

1. O ensino prescritivo (1Tm 4:11).Manda estas coisas e ensina-as”. Paulo, aqui, determina que Timóteo não fraqueje na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que as heresias estavam se espalhando com certa facilidade, por meio dos "homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência" (1Tm 4:2). As "coisas" que foram ensinadas pelo apóstolo deveriam ser ministradas aos crentes de forma incisiva, sem condescendência com os falsos mestres e os falsos ensinos, que tinham origem nos "espíritos enganadores" e nas "doutrinas de demônios".

Concordo com o pr. Elinaldo Renovato, quando diz que nos tempos presentes o ensino tem sido negligenciado por muitos lideres de igrejas. Há uma supervalorização do louvor, do cântico, dos hinos, dos instrumentos musicais, em detrimento da pregação e do ensino da Palavra de Deus. Não é por acaso, que há uma geração fraca, “anêmica” e “raquítica” em relação aos conhecimentos e à prática da Palavra de Deus. Há muito falatório, muito barulho, muito grito e dramatização e pouco ensino fundamentado da doutrina sagrada. Já predomina uma cultura, no meio da igreja evangélica, de que “um culto maravilhoso” é aquele em que se apresenta “um cantor de fora”, ou um “pregador famoso, convidado para os eventos”. Ou um culto, em que haja manifestações gratuitas de emocionalismo infantil, como o famoso “re-té-té”, ou exibicionismo carnal, disfarçado de espiritualidade. Por isso, Paulo não diminui a ênfase no ensino da sã doutrina. Pelo contrário, ele disse: “Manda” e “ensina” as coisas que foram determinadas em sua carta.

2. O exemplo dos fiéis (1Tm 4:12).Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. Timóteo era jovem, tímido e doente. Por isso, algumas pessoas em Éfeso estavam inclinadas a desprezar sua liderança. Paulo, então, desafia o jovem pastor a não ficar desanimado, mas a se erguer como exemplo de maturidade espiritual para todos os fiéis. Não significa que Timóteo deveria se colocar em um pedestal e se considerar imune a críticas. Ao contrário, ele não deveria dar nenhum motivo para alguém condená-lo. Ser exemplo dos fiéis quer dizer que ele deveria evitar a possibilidade de críticas justificadas.

Em 1Tm 4:12, Paulo elenca cinco áreas em que Timóteo deveria ser exemplo: (*)

- Primeiro, na palavra. O líder espiritual não pode tropeçar na própria língua. Seu linguajar precisa ser puro, e suas palavras precisam ser verdadeiras e oportunas. O líder espiritual não pode ser um homem precipitado no falar. Não pode ser maledicente nem usar linguagem profana.

- Segundo, no procedimento. A vida do líder é a vida de sua liderança. A vida do líder precisa ser o avalista de suas palavras. Ele deve ser irrepreensível na conduta, em contraposição aos falsos mestres que professam conhecer Deus, mas o negam com suas obras (Tt 1:16). A vida do líder precisa ser consistente com a grandeza do ministério que ele exerce.

- Terceiro, no amor. O amor é o distintivo do cristão, a marca do líder, a evidência mais eloquente de que ele é nascido de novo e discípulo de Cristo. O líder cristão precisa ter profundo apego pessoal a seus irmãos e genuína preocupação com o seu próximo. Nunca será mordaz, nem ressentido, nem vingador; nunca se permitirá odiar; nunca se negará a perdoar. Só buscará o bem de seus semelhantes, não importa o que sejam nem como atuem com respeito a ele.

- Quarto, na fé. O líder espiritual precisa ter uma fé sem fingimento. Deve confiar em Deus e ser fiel a ele. A fé é a indestrutível fidelidade a Cristo, não importa o que isto lhe custe. É uma fidelidade a Cristo que desafia as circunstâncias.

- Quinto, na pureza. Éfeso era um centro de impureza sexual, e o jovem Timóteo enfrentava muitas tentações. Seu relacionamento com as mulheres da igreja deveria ser puro (1Tm 5:2). A palavra grega hagneia, traduzida por pureza, cobre, além da castidade em matéria de sexo, a inocência e a integridade de coração. Refere-se à pureza de ato e pensamento.

3. O cuidado que o ministro deve ter com o aprendizado (1Tm 4:13).Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá”. Paulo orienta a Timóteo que ele deveria se aplicar à leitura pública das Escrituras, à exortação e ao ensino da doutrina. Há uma ordem definida aqui. Antes de tudo, Paulo enfatiza a leitura pública da Palavra de Deus - uma prática iniciada nos tempos do Antigo Testamento (cf. Êx 24:7; Dt 31:11; Js 8:35; 2Rs 23:2,3; Ne 8:1-18) e continuada nas sinagogas (Lc 4:16; At 15:21; Cl 4:16; 1Ts 5:27). Isso era especialmente necessário naquela época, já que a distribuição das Escrituras era muito limitada. Poucas pessoas tinham a cópia das Escrituras Sagradas.

Depois de ler as Escrituras, Timóteo foi orientado a exortar os crentes, baseando-se no que tinha lido, por meio da pregação. Timóteo devia exortar, ou seja, advertir, aconselhar e incentivar seus ouvintes a respeito das grandes verdades da Palavra de Deus, ajudando-os a aplicar estas verdades em suas vidas diárias.

Ensinar refere-se ao treinamento na doutrina cristã. As pessoas precisam conhecer, entender e ser lembradas constantemente das grandes verdades da fé cristã.

Ler, explicar e aplicar o texto das Escrituras é a essência da pregação expositiva. Todavia, para “ensinar”, o pastor precisa gostar de aprender.

CONCLUSÃO

A apostasia já começou, temo-la visto a cada dia, a cada instante. Muitos, sem qualquer temor, tem trocado Jesus por tudo o que este mundo oferece, endurecendo seus corações às advertências e às palavras que o Espírito Santo tem colocado na boca dos seus servos, indiferentes a todas as advertências constantes das Escrituras. Havendo a apostasia, sabemos que é iminente o aparecimento do “homem do pecado” e, portanto, não nos cabe outra atitude senão vigiar.

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 63. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Tito e Filemom – doutrina e vida, um binômio inseparável. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

1 Timóteo – o pastor, sua vida e sua obra. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

2 Timóteo – O testamento de Paulo à Igreja. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito. William Hendriksen.

As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais. Elinaldo Renovato de Lima. CPAD.

(*) Hernandes Dias Lopes. 1Timóteo – o pastor, sua vida e sua obra.

domingo, 19 de julho de 2015

Aula 04 – PASTORES E DIÁCONOS


3º Trimestre/2015

Texto Base: 1Timóteo 3:1-4,8-13

 
“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar” (1Tm 3:2).

 

INTRODUÇÃO

Depois de tratar da correta postura de homens e mulheres no culto público, Paulo passa a falar sobre as qualificações da liderança da igreja. Em 1Tm 3:1-13, o apóstolo aborda os predicados dos bispos ou pastores e do diácono.

I. QUEM DESEJA O EPISCOPADO

1. “Excelente obra deseja”. Paulo diz que aqueles que aspiram ao episcopado excelente obra almejam (1Tm 3:1). Mas também é um trabalho árduo. Não é uma obra para gente preguiçosa, mas uma obra que exige todo esforço, todo empenho e todo zelo. As demandas internas e externas do rebanho são exaustivas, entre elas o cuidado para com as pessoas do rebanho, visita a enfermos, questões relacionadas a administração eclesiástica e o constante desafio de se dedicar à oração e ao ensino da Palavra de Deus. Diz o Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “De: Pastor A: Pastor”, que “ser ministro é viver constantemente sob pressão. O ministério é uma arena de lutas contra o poder das trevas e contra o poder da carne. Não há ministério sem lágrimas. Ser pastor é cruzar um deserto escaldante, em vez de pisar os tapetes aveludados da fama. Ser pastor é a arte de engolir sapos e vomitar diamantes. Ser pastor é estar disposto a investir a vida na vida dos outros sem receber o devido reconhecimento. Ser pastor é amar sem esperar a recompensa, é dar sem esperar receber de volta. Ser pastor é saber que o nosso galardão não nos é dado aqui, mas no céu”.

É bom ressaltar, ainda, que o episcopado não é uma plataforma de privilégios, mas um campo de trabalho árduo. É um chamado para o serviço, e não para o estrelato. O episcopado é mais serviço e menos status. É trabalho, mais do que honra. É dedicação da vida, do tempo, dos talentos e dos dons a Deus e a seu povo.

2. A chamada. Segundo Hernandes Dias Lopes, o episcopado, do ponto de vista divino, é um chamado, uma vocação, um ministério concedido pelo próprio Espírito Santo. Do ponto de vista humano, o episcopado pode ser desejado com legitimidade. O chamado divino, mediante a convicção interna, referendada pelo testemunho externo, atesta a legitimidade do ministério. Ninguém deve exercer a liderança sem ter convicção de que este é um chamado de Deus; por outro lado, ninguém deve fazê-lo sem uma profunda aspiração. Nenhuma pessoa deve exercer a liderança espiritual da igreja por constrangimento (1Pe 5:2).

Concordo com pr. Elinaldo Renovato quando diz que o episcopado não deve ser fruto de acordos e arranjos ministeriais, por amizade, família ou condição social ou financeira. Deve ser resultado de um relacionamento sério com Deus, o dono da obra. Paulo foi chamado desde o ventre (Gl 1:15). Nem todos são chamados assim. Mas quem é chamado, não só tem a convicção da chamada, mas apresenta um perfil que agrada a Deus. Não há uma única forma da chamada.

3. O preparo. O preparo de um pastor é contínuo, não termina quando conclui um seminário teológico, mas se dá durante toda a sua jornada. Em o Novo Testamento vemos que os apóstolos foram chamados, mas só foram enviados após algum tempo de aprendizado com Jesus (Mc 6:7; Mt 10:16; Lc 10:1). O exemplo de Paulo também é bem significativo. Ele foi chamado por Jesus, já possuía o conhecimento das Escrituras Sagradas, pois teve como professor o grande mestre Gamaliel (At 22:3), mas partiu para a Arábia e ali ficou três anos se preparando para exercer ser ministério junto aos gentios (Gl 1:17,18).

Ante a notoriedade que havia alcançado como perseguidor dos cristãos, ele não foi bem aceito entre os cristãos de Jerusalém. A perseguição tomou grandes proporções e o apóstolo acabou sendo enviado de volta para sua terra natal (At 9:30). De retorno a Tarso, Paulo ali não ficou. Dizem as Escrituras que partiu para a Arábia, como também retornou a Damasco (Gl 1:17), esteve quinze dias em Jerusalém (Gl 1:18), bem como esteve em partes da Síria e da Cilícia (Gl 1:20), fazendo, porém, de Tarso a sua “base”, já que ali estava a sua família. Ali teve mais tempo para refletir e meditar nas Escrituras Sagradas, tendo sido, no nosso modesto entendimento, neste período que o apóstolo alicerçou a sua fé, que teve a correta compreensão do significado de servir a Deus e de crer em Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador, retomando, assim, em Tarso, a sua rotina de estudos, só que agora não só de filosofia e de direito, mas das Escrituras à luz de todo o conhecimento que havia adquirido ao longo dos anos. Após dez anos, Paulo foi enviado pelo Espírito Santo para realizar a obra missionária efetivando o seu apostolado. Portanto, Deus chama, porém, o preparo cabe aos seus servos.

II. QUALIFICAÇÕES E ATRIBUIÇÕES DOS PASTORES (3:1-7)

1. Atribuições dos pastores (1Tm 3:1-7). Os que almejam o serviço do pastorado precisam compreender as qualificações ou atribuições que tal atividade exige. O líder e a igreja local precisam ver no aspirante ao ministério as qualificações exigidas na Palavra de Deus. No texto de 1Tm 3:1-7 o apóstolo Paulo apresenta uma lista de 15 qualificações exigidas para um homem ocupar o presbiterato ou o pastoado da igreja, e apenas uma se refere à habilidade de ensino. Observe que a maioria são qualificações morais e apenas uma está relacionada à habilidade intelectual. Na verdade, os requisitos para ocupar uma posição de liderança na igreja exigem mais excelência moral do que intelectual. As qualificações estão relacionadas com a personalidade, o caráter e o temperamento da pessoa. São uma espécie de catálogo de virtudes em contraposição ao catálogo de vícios descritos em 2Timóteo 3:2-5. No texto de 1Timóteo 3:1-7, vemos algumas qualificações, que podem ser resumidas num conjunto de indicações, que por sua vez podem ser divididas em três grupos:

1.1. Qualificações espirituais e ministeriais.

a) A primeira qualificação, como não poderia deixar de ser, é ter uma vida irrepreensível (1Tm 3:2). O retrato que Paulo traça do bispo é emoldurado pela irrepreensibilidade. John Stott corretamente diz que isso não quer dizer que os candidatos teriam de ser totalmente isentos de falhas e defeitos, pois nesse caso todos seriam desqualificados. A palavra empregada é anenkletos - “sem culpa, não passível de acusação” - e não anômos - “sem mácula”. O pastor ou presbítero não pode deixar brechas no seu escudo moral. Seu ofício é público e sua reputação pública precisa ser inquestionável.

b) Ser apto para ensinar (1Tm 3:2). Uma das tarefas mais importantes e essenciais de qualquer líder de igreja é ensinar as Escrituras aos membros da congregação. O pastor deve entender e ser capaz de transmitir as verdades profundas das Escrituras, como também lidar com aqueles falsos pregadores ou ensinadores que as tratam de maneira inadequada.

c) Ter bom testemunho diante da igreja e dos descrentes (1Tm 3:7). O pastor é um homem que deve ter bom testemunho na comunidade. Aqueles que estão de fora é uma referência aos não-cristãos. Sem  esse bom testemunho, ele se torna sujeito às acusações dos homens e opróbrio do diabo. Essas acusações podem vir tanto de cristãos como de não-cristãos. Quando Satanás captura homens em sua armadilha, ele os aprisiona para ridicularizar, escarnecer e desprezar.

d) Não deve ser neófito, inexperiente (1Tm 3:6). A maturidade espiritual é essencial para o exercício episcopal. Os novos convertidos podem tornar parte no ministério de Deus, mas não devem ser colocados em posições de liderança até que sejam firmemente enraizados na sua fé, com um modo de vida solidamente cristão e um conhecimento da Palavra de Deus. De outra forma, o novo crente, “ensoberbecendo-se, cairá na condenação do diabo”. O orgulho pode tornar aqueles que são imaturos suscetíveis à influência de pessoas inescrupulosas. A imaturidade é o portal da soberba, e a soberba é o solo escorregadio onde o diabo derruba muitos líderes.

1.2. Qualificações familiares. Ser irrepreensível como líder de sua família (1Tm 3:2,4; Tt 1:6). Nesta área, ele precisa ser irrepreensível em dois pontos vitais:

a) Marido de uma só mulher.Marido de uma só mulher” quer dizer marido fiel à sua esposa, ou seja, um homem livre de qualquer suspeita quanto à sua relação matrimonial, íntegro em sua conduta conjugal. Ele não pode ser um homem adúltero, mantendo relacionamentos extraconjugais; nem polígamo, casando-se com várias mulheres. Ele deve amar sua esposa “como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entgregou por ela” (Ef 5:25).

b) Irrepreensível como pai. O pastor precisa ser o sacerdote do seu lar, o líder espiritual da sua família. Deve criar seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor. Embora um pai não possa determinar a salvação de seus filhos, pode preparar o caminho do Senhor por intermédio da instrução da Palavra, da amorosa disciplina. Se o pastor não sabe governar a própria casa, como poderá governar a igreja de Deus?, pergunta o apóstolo Paulo (1Tm 3:4,5). Obviamente isso se aplica aos filhos que vivem com a família sob a autoridade do pai.

1.3. Qualificações morais. Convém, pois, que o bispo seja [...] honesto, hospitaleiro ...não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento” (1Tm 3:2,3).

a) Ser honesto, sincero, autêntico (3:2). A honestidade é indispensável ao líder, que deve se credenciar, como nenhum outro, para habitar no tabernáculo de Deus (cf. Sl:15).

b) Hospitalero (acolhedor), sabendo tratar bem as pesoas (3:2). A hospitalidade na igreja primitiva era uma necessidade vital para o avanço missionário da igreja. As hospedarias eram excessivamente caras, sofrivelmente sujas e notoriamente imorais. Sem hospitalidade os missionários itinerantes teriam sua atividade estancada. E mais, nos primeiros dois séculos da era cristã não havia templos, por isso, as igrejas reuniam-se em casas (Rm 16:5; 1Co 16:19; Fm 2). Hoje, esta prática está em desuso. As circunstâncias exigem que os pregadores itinerantes se hospedem em pousadas ou hotéis, e não mais em residências. Não por falta da liberalidade de irmãos, mas porque as circunstâncias favorecem a essa práxis. Todavia, quando a hospitalidade for estritamente necessária, a recomendação é clara: “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade” (Hb 13:1,2).

c) Não dado ao vinho – não usuário de bebidas alcoólicas (3:3). Um pastor não pode ser um beberrão. A embriaguez não combina com o ministério do pastoreio. O mesmo apóstolo que orientou Timóteo a beber um pouco de vinho por motivos terapêuticos (1Tm 5:23) agora declara que um pastor dado ao vinho não está apto para a liderança da igreja de Deus. Aliás, o obreiro deve ser pessoa que não se deixe dominar por qualquer vício, seja ele qual for, pois não pode, como qualquer crente, deixar-se dominar por coisa alguma (cf. 1Co 6:12).

d) Não espancador, ou seja, não violento, agressivo (3:3). Um pastor busca as ovelhas para apascentá--las, e não para golpeá-las. Um pastor não pode agredir as pessoas com palavras e atitudes. Não pode ser rude com as ovelhas. O pastor é alguém que atrai as pessoas por sua doçura e graça. As pessoas correm para ele na hora da aflição. Uma pessoa violenta agride, humilha e machuca os outros.

e) Não ser contencioso, briguento (3:2; 2Tm 2:24). Ele não insiste em seus próprios direitos, mas tem temperamento constante e agradável.

f) Ser sóbrio (3:2). Isto significa que a vida do pastor deve estar marcada pela moderação, por limites, sem nada extremo ou excessivo, com ausência de extravagâncias.

g) Deve ser simples, moderado (3:3). Em seu trabalho na igreja, o pastor precisa de graça, paciência e de espírito manso e conciliador.

h) Não ser ganancioso ou avarento, ou seja, amante do dinheiro (3:3; 6:5-10). O pastor deve ter uma atitude adequada para lidar com as finanças da igreja. Isto afeta o uso ético dos fundos da igreja e a administração de programas apropriados para arrecadação de dinheiro. Muitos possíveis líderes combinam o amor ao dinheiro com uma natureza contenciosa e acabam brigando na igreja por causa de assuntos financeiros. Uma pessoa assim não deve ser escolhida para liderar.

III. O DIACONATO (1Tm 3:8-13)

Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus”  (1Tm 3:13).

No início da Igreja, Satanás tentou impedir o seu avanço em pelo menos três táticas: primeiro, ele tentou suprimir a igreja por meio da perseguição - pela força das autoridades judaicas (Atos 4); segundo, tentou corrompê-la com a hipocrisia - através do casal Ananias e Safira (Atos 5); terceiro, ele promoveu dissensões internas (Atos 6:1) - ele tentou distrair seus líderes da oração e da pregação através de algumas viúvas murmuradoras, para expor a igreja a erros e ao mal. Se Satanás tivesse obtido sucesso em qualquer uma dessas tentativas, a nova comunidade de Jesus teria sido aniquilada em sua infância. Todavia, os apóstolos estavam alertas o suficiente para detectar “as ciladas do diabo”. Eles resolveram, então, designar “homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, para que cuidassem do sustento da igreja e do cuidado com os pobres, liberando os apóstolos para dedicação exclusiva a oração e ao ensino da Palavra de Deus. E assim, “crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6:7).

1. Os diáconos. A palavra “diácono” significa “aquele que serve”. O diácono – diákonos – é o servo que coopera com aqueles que se dedicam à oração e ao ministério da Palavra. Os primeiros diáconos foram nomeados assistentes dos apóstolos (At 6:1-7). Há dois ministérios na Igreja: a diaconia das mesas (At 6:2,3) – ação social – e a diaconia da Palavra – a pregação do Evangelho. O ministério das mesas não substitui o ministério da Palavra, nem o ministério da Palavra dispensa o ministério das mesas. Nenhum dos dois ministérios é superior ao outro. Ambos são ministérios cristãos que exigem pessoas espirituais, cheias do Espírito Santo, para exercê-los. A única diferença está na forma que cada ministério assume, exigindo dons e chamados diferentes.

2. Chamado para servir. Assim como os pastores, aqueles que almejam o diaconato precisam ter o desejo de servir a Deus e aos irmãos. Como foi dito acima, a obra dos doze apóstolos e a obra dos sete diáconos são igualmente chamados de diakonia (At 6:1,4 - “ministério” ou “serviço”). A primeira é o “ministério da Palavra” (At 6:4) ou o trabalho pastoral; a segunda, o “ministério junto às mesas” (At 6:2) ou o trabalho social. Ambos são ministérios cristãos, ou seja, meios de servir a Deus e ao seu povo.

3. Qualificações. As qualificações do diácono são semelhantes às dos pastores (cf. 1Tm 3 e Tito 1). Contudo, sua função é provavelmente um pouco diferente, uma vez que o diácono executa algumas das tarefas mais práticas da administração e manutenção de uma igreja. Vejamos algumas qualificações do diácono à luz de 1Tm 3:8-10.

3.1. Ter caráter Moral (1Tm 3:8 - ARA).Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância”.

O rev. Hernandes Dias Lopes, analisando o caráter moral dos diáconos, diz que eles devem ser:

a) respeitáveis (3:8a). Os diáconos precisam ser dignos de respeito, ter caráter impoluto, vida irrepreensível e conduta ilibada.

b) de uma só palavra (3:8b). Os diáconos precisam ser verdadeiros, íntegros em suas palavras e consistentes em sua vida. Não devem ser boateiros dados a mexericos. Não dizem uma coisa aqui e outra acolá. Não devem ser maledicentes nem jogam uma pessoa contra a outra. Suas palavras têm peso. Eles são absolutamente confiáveis no que dizem.

c) não inclinados a muito vinho (3:8c). Os diáconos devem ser cheios do Espírito Santo (At 6:3), e não cheios de vinho (Ef 5:18). Quem é governado pelo álcool não pode administrar a casa de Deus.

d) não cobiçosos de sórdida ganância (3:8d). Os diáconos lidam com as ofertas do povo de Deus e administram os recursos financeiros da igreja na assistência aos necessitados. Não podem ser como o Judas Iscariotes que roubava a bolsa (cf João 12:6). Não podem cobiçar o que devem repartir. Não podem desejar para si o que devem entregar para os outros.

3.2) Ter caráter espiritual (1Tm 3:9,10).Guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis”.

a) Íntegros na teologia da vida (3:9) -Guardando o mistério da fé em uma pura consciência”.  Aqui, o termo “mistério” significa “verdades outrora ocultas, mas agora reveladas por Deus”. Os diáconos precisam compreender a doutrina cristã, crer na doutrina cristã e viver a doutrina cristã. Sua vida, sua família e seu ministério precisam ser pautados pela Palavra de Deus.

b) provados e experimentados (Atos 6:10; 3:10). Atos 6:10 diz que os diáconos devem ser primeiramente provados. Isso significa que eles devem ser observados por algum tempo e talvez ganhar pequenas responsabilidades na igreja local. Depois de provarem ser confiáveis e fiéis, então podem receber responsabilidades maiores. Depois, exerçam o diaconato; ou simplesmente “sirvam” (1Tm 3:10 - ARC). Assim como no caso dos presbíteros, o destaque não é o cargo eclesiástico, mas o serviço para o Senhor e seu povo. Em qualquer lugar em que um homem for irrepreensível em sua vida pessoal e pública, terá permissão para servir como diácono (1Tm 3:10 – ARA).

3.3) Ter caráter familiar (1Tm 3:12) - “Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas”.

É satisfatório dizer que, como os pastores, os diáconos não devem ter nenhuma reprovação em sua vida conjugal. Eles devem governar bem seus filhos e a própria casa. Não conseguir isso é um defeito de caráter do cristão, segundo o Novo Testamento. Isso não significa que os homens devem ser déspotas e mandões, mas que seus filhos devem ser obedientes e testemunhem a verdade.

IV. SERVIÇO – RAZÃO DE SER DO MINISTÉRIO

A razão de ser do ministério é servir. Servir como Jesus serviu; servir como Paulo e Timóteo serviram. Aliás, todo cristão é chamado para ser servo de Deus. Como tal, sua atividade e missão deve ser contribuir com sua vida, seu testemunho e seu serviço para o engrandecimento do Reino de Deus.

1. O exemplo do Mestre. Paulo diz que Jesus assumiu a forma de servo, mais que isso, a forma de "escravo".

"... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz" (Fp 2:6-8).

A expressão "tomando a forma de servo", "significa aparecer em uma condição humilde e desprezível". Em sua forma de servo, Jesus demonstrou seu caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade, quando, na véspera de sua crucificação, tomou uma toalha e uma bacia com água e lavou os pés dos discípulos (João 13:4,5).

É bom enfatizar que o objetivo de Jesus Cristo nunca foi a de estabelecer uma hierarquia de poder temporal para a sua igreja, mas a de serviço, conforme demonstra sua resposta aos filhos de Zebedeu: “mas entre vós não será assim; antes, qualquer que, entre vós, quiser ser grande será vosso serviçal. E qualquer que, dentre vós, quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10:43-45).

2. O exemplo de Paulo. Paulo era um servo fiel. Ele não media esforço para servir. Ele cuidava das ovelhas do Senhor com ternura, como uma mãe que acarecia seus filhos - “antes, fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos” (1Ts 2:7). A ênfase da mãe é a gentileza e a ternura. Paulo era como uma mãe afetuosa cuidando do seu bebê. Ele demonstrou pelos seus filhos na fé amor intenso, cuidado constante, dedicação sem reserva, paciência triunfadora, provisão diária, afeto explícito, proteção vigilante e disciplina amorosa. Muitos obreiros lideram o povo de Deus com truculência e rigor despótico. São ditadores implacáveis, e não pastores amorosos. Esmagam as ovelhas com sua autoridade auto-imposta, em vez de conduzir o rebanho com a ternura de uma mãe. Pedro escreveu que o obreiro deve apascentar o rebanho do Senhor “tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância” (1Pe 5:2). E por falar em ganância, atualmente há muitos falsos obreiros que se aproveitam dos fiéis e da igreja para obter ganho financeiro. Isso é uma vergonha! Paulo exorta a Tito e a Timóteo que um dos requisitos para quem deseja ser pastor é não ser cobiçoso de torpe ganância (Tt 1:7; 1Tm 3:3).

3. O exemplo de Timóteo. Timóteo foi um dos líderes mais destacado da igreja primitiva. Não que fosse forte em todas as áreas. Ele era jovem, tímido e doente, mas foi cooperador de Paulo e o continuador de sua obra. Ele era um bom exemplo do que um ministro e missionário de Deus deve ser. O apóstolo Paulo nos fala de algumas características desse importante líder espiritual: (a) um estudante zeloso e obediente à Palavra de Deus (2Tm 3:15); (b) um servo perseverante e digno de Cristo (1Ts 3:2); (c) um homem de boa reputação (At 16:2); (d) amado e fiel (1Co 4:17); (e) com solicitude genuína pelo próximo (Fp 2:20); (f) fidedigno (2Tm 4:9,21) e; (g) dedicado a Paulo e ao evangelho (Fp 2:22; Rm 16:21).

Portanto, Timóteo foi um pastor exemplar, que demonstrou ter um caráter irrepreensível. Ele cuidou da Igreja com desvelo e não teve medo de se opor aos falsos mestres que estavam tentando seduzir os crentes em relação à salvação pela fé em Jesus. Precisamos, urgentemente, de homens de Deus como Timóteo. Oremos para que isso aconteça.

CONCLUSÃO

“Precisamos de pastores que amem a Deus mais do que seu sucesso pessoal. Precisamos de pastores que se afadiguem na Palavra e tragam alimento nutritivo para o povo. Precisamos de pastores que conheçam a intimidade de Deus pela oração e sejam exemplo de piedade para o rebanho. Precisamos de pastores que deem a vida pelo rebanho em vez de explorarem o rebanho. Precisamos de pastores que tenham coragem de dizer “não” quando todos estão dizendo “sim” e, dizer “sim”, quando a maioria diz “não”. Precisamos de pastores que não se dobrem ao pragmatismo nem vendam sua consciência por dinheiro ou sucesso. Precisamos de pastores fiéis e não de pastores populares. Precisamos de homens quebrantados e não de astros ensimesmados” (Rev. Hernandes Dias Lopes. De: Pastor a: Pastor”).

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 63. CPAD.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Tito e Filemom – doutrina e vida, um binômio inseparável. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

1 Timóteo – o pastor, sua vida e sua obra. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

2 Timóteo – O testamento de Paulo à Igreja. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito. William Hendriksen.

As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais. Elinaldo Renovato de Lima. CPAD.