domingo, 5 de abril de 2020

Aula 02 – A SUBLIMIDADE DAS BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS EM CRISTO


2º Trimestre/2020
Texto Base: Efésios 1:3,4,9-14
12/04/2020
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef.1:3).
Efésios 1:
3.Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,
4.como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,
9.descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
10.de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
11.nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,
12.com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;
13.em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
14.o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre “a Igreja Eleita”, trataremos nesta Aula a respeito da “Sublimidade das Bênçãos Espirituais em Cristo”. Em Sua soberania e vontade, nos refolhos da eternidade, Deus planejou eleger um povo e adorná-lo com ricas bênçãos, bênçãos essas de durabilidades eternas (Ef.1:3) - “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. Todas essas riquezas vêm pela graça de Deus e são para a glória de Deus. A maior de todas as bênçãos é a plenitude da nossa redenção, que se dará na glorificação, que se concretizará quando Cristo voltar para levar a Sua Igreja à pátria celestial (João 14:3). Qual a garantia disso? O próprio Espírito Santo é o penhor ou garantia da toda a nossa herança (Ef.1:13,14). Como Selo Ele nos mantém unidos a Cristo para o Dia da nossa premiação no Tribunal de Cristo; como Penhor Ele garante que a nossa herança plena será preservada.
Portanto, as bênçãos do crente estão nas regiões celestiais, literalmente “nos céus”. Em vez de serem bênçãos materiais terrenas, são bênçãos espirituais nas regiões celestiais. E para o crente receber essas bênçãos é preciso estar unido a Cristo pela fé. A partir do momento em que o homem está em Cristo, ele se torna possuidor de todas elas. Estar em Cristo é participar de tudo o que Cristo fez, de tudo o que Ele é.

I. A NOVA POSIÇÃO EM CRISTO

Neste primeiro tópico trataremos de nossa posição em Cristo Jesus, que desfrutamos diante de Deus. Antes, perdidos; agora, salvos pela morte vicária de Jesus Cristo. Antes, destituídos da glória de Deus; agora, reconciliados com Deus. Antes, sem nenhum benefício espiritual; agora, cheios de bênçãos espirituais em Cristo nos lugares celestiais. Antes, escravos no pecado; agora, libertos do poder do pecado e selados pelo Espírito Santo.

1. A Doxologia

Após a sua saudação cristã – “graça e paz”, tratada na Aula anterior -, à Igreja de Cristo em Éfeso, Paulo apresenta uma lista de “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. Antes, porém, ele expõe uma bela doxologia de exaltação a Deus Pai, demonstrando que a vida cristã só tem sentido se tivermos sempre uma atitude de reconhecimento e ação de graça ao Doador de todas as bênçãos.
Paulo começa com a frase: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef.1:3). Aqui, Paulo volta sua atenção para Deus, e não propriamente para a Igreja, uma vez que tudo é dEle, tudo vem por meio dEle e tudo é para Ele (Rm.11:36). Todos nós devemos ser cônscios de que tudo que temos é para louvor e glória do glorioso nome do Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
O que Deus tem feito para que O louvemos de coração? A essa pergunta se responde da seguinte forma: “Ele nos tem abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo”. Todos os crentes são benditos quando recebem as bênçãos dos céus; Deus é bendito quando é louvado por tudo o que gratuitamente confere aos seus santos, não somente a estes, mas a todos os indivíduos abençoados por Deus através de Sua graça comum.
Só o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é digno de ser bendito, porque somente Ele é o perfeito doador de bênçãos, que nos dá “para louvor de sua glória” (Ef.1:6). Por três vezes, no primeiro capítulo de Efésios, Paulo enfatiza que a finalidade de todas as coisas realizadas por Deus para nós é o “louvor da sua glória” (Ef.1:6,12,14), é como se fosse o refrão desta doxologia. A finalidade de tudo o que Deus fez, está fazendo e fará é o louvor de Sua glória.

2. As bênçãos espirituais

O apóstolo Paulo, a despeito de sua fatídica e dolorosa situação como prisioneiro em Roma, e longe de colocá-la sob holofotes, ele eleva seus pensamentos às alturas excelsas e apresenta à igreja de Éfeso as gloriosas bênçãos espirituais que temos nas regiões celestes (Ef.1:3-14).
Percebe-se que as suas palavras, nos textos de Efésios 1:3-14, fluem de sua boca numa sequência como se fosse uma torrente contínua; ele não faz pausa para tomar fôlego, nem pontua as frases com pontos finais. Paulo não olha para as circunstâncias adversas, e sim para as bênçãos que Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo tem preparado para todos nós em Cristo Jesus nas regiões celestiais.
Três verdades devemos levar em consideração:
a) A fonte das bênçãos. Deus, o Pai, é a fonte de nossas bênçãos; é Ele quem nos enche de todas as bênçãos em Jesus Cristo. Ele é o dono do Universo, e nós somos seus filhos e herdeiros – “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef.1:3).
b) A natureza das bênçãos. Paulo enfatiza que as bênçãos que Deus nos dá em Cristo são espirituais. Provavelmente, a intenção de Paulo é contrastar com as bênçãos do povo de Deus do Antigo Testamento, bênçãos essas prometidas por Deus, em grande parte, materiais (cf. Dt.28:1-13).
É verdade que Jesus prometeu aos seus seguidores algumas bênçãos materiais, pois os proibiu de ficar ansiosos quanto a comida, bebida e roupas, e assegurou-lhes que o Pai celestial supriria suas necessidades se eles colocassem os interesses do reino de Deus e da sua justiça em primeiro lugar; mas, na Nova Aliança, as bênçãos prometidas ao povo de Deus, são eminentemente espirituais. Estas são mais importantes do que aquelas, porque não se corrompem; por isso, Jesus fez a seguinte exortação: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” (Mt.6:19,20).
c) A esfera de fruição das bênçãos. Afirma o apóstolo: “Nas regiões celestiais em Cristo”. Esta frase só aparece em Efésios. Como compreender este ensino? Russell Shedd é de opinião que, em combinação com Ef.1:20, Paulo quer chamar nossa atenção para a realidade de que, quando estamos em Cristo, já estamos como que tirados deste mundo. O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Curtis Vaughan, diz que a expressão "regiões celestiais" neste texto não se refere a uma localização física, mas a uma esfera de realidade espiritual à qual o crente foi elevado em Cristo, o que quer dizer se tratar não do Céu futuro, mas do céu que existe no cristão e em torno dele no presente. Os crentes, na realidade, pertencem a dois mundos (Fp.3:20): na perspectiva temporal, pertencem à terra; mas, espiritualmente, vivem em comunhão com Cristo e, por conseguinte, pertencem à esfera celestial.
As pessoas não convertidas estão interessadas primariamente nas coisas terrenas, porque esse é o lugar em que vivem; elas são filhas deste mundo (Lc.16:8). Mas, a vida do cristão está centrada no Céu (Cl.3:1); sua cidadania encontra-se no Céu (Fp.3:20); sua morada está no Céu (João 14:2,3); seu nome está escrito no Céu (Lc.10:20); seu Pai está no Céu (Mt.6:9).

3. A nova condição

“Em Cristo” (Ef.1:3). Esta é a nova condição do novo povo eleito por Deus; é a esfera em que este povo vive, e nela recebem todas as bênçãos (Ef.1:3). Está em Cristo é uma posição de intimidade com Ele, de um relacionamento íntimo com Ele; com a intimidade de uma vida transformada, de uma vida resgatada, salva; uma vida em que Cristo é realmente Senhor de nossa vida, aquele a quem já nos entregamos definitivamente de todo o coração. Aos crentes Colossenses, Paulo faz a seguinte exortação, que se aplica a todos nós:
1.Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
2.Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra;
3.porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4.Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em Glória” (Cl.3:1).
Portanto, a vida do crente que está em Cristo é o oposto da vida “em Adão”, escravizada pelo pecado (Rm.5:11-15), em que a natureza carnal atrai a pessoa a um materialismo mórbido e ao um orbe moralmente degradante (Gl.5:19-21).
Nas palavras de Russell P.Shedd, a expressão “em Cristo” tem a ideia de representação, uma representação total de nossa vida. Não devemos nos esquecer também de que estar “em Cristo” quer dizer estar no Espírito e ter o Espírito Santo em nós, unindo-nos a Cristo, e uns aos outros no Seu Corpo, a Igreja.
A expressão “em Cristo”, em Efésios, Paulo enfatiza não menos de seis vezes nos primeiros catorze versículos do capítulo primeiro: os crentes são fiéis em Cristo (Ef.1:1); escolhidos nele (Ef.1:4); recebem a graça nele (Ef.1:6); têm a redenção nele (Ef.1:7); são feitos herança nele (Ef.1:11); são selados nele (Ef.1:13) e assim por diante. Como bem afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a vida do cristão está erguida acima das coisas passageiras; ele está no mundo, mas também está no Céu, pois não é limitado pelas coisas materiais que se esvaecem. 

II. UMA VIDA CRISTOCÊNTRICA

A vida do crente é determinada por uma relação vital e redentiva entre ele e Cristo. Todas as atitudes, ações e decisões de um crente em Cristo devem estar subordinados aos ditames de nosso Senhor. Ele é a figura central da Igreja; é o ponto focal do povo de Deus. Portanto, a mente e o coração de todos que fazem a Igreja devem estar centralizados n’Ele. Viver uma vida fora da órbita de Cristo é um grande perigo para a alma, pois poderá ser catapultada para uma escuridão sem fim na eternidade sem Deus.

1. A revelação do mistério

“descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef.1:9,10).
Paulo ao escrever a Epístola de Efésios chama a atenção dos crentes para um grande “mistério”, mistério esse não no sentido de algo que não tem explicação, mas a respeito de uma verdade maravilhosa não conhecida até então. Esse “ministério”, que é o tema dominante da Epístola, é a eleição da Igreja, o novo povo de Deus, constituído de judeus e gentios, que estariam lado a lado formando o Corpo de Cristo, a Igreja. Deus está formando este novo povo para que todos os seus constituintes sejam Seus santos (Ef.1:1), Seu povo santo especial (1Pd.2:9,10). Deus nos escolheu em Cristo “para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele” (Ef.1:4). A única evidência da eleição é uma vida santa.
No presente momento os eleitos estão assentados em Cristo nos lugares celestiais; no futuro, vão compartilhar da sua glória como Cabeça de todas as coisas. À Igreja de Éfeso estava sendo revelado este grande mistério, que estava no coração de Deus desde a eternidade; eles, agora, eram partícipes do Corpo de Cristo, a Igreja, o povo de Deus da Nova Aliança; agora, “todos quantos o [Jesus Cristo] receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (João 1:12).

2. A plenitude dos tempos

Deus fez mais do que nos escolher em Cristo em uma eternidade passada e dar-nos a condição de filhos agora, como um bem presente; Ele também nos “revelou o mistério da sua vontade” para o futuro, isto é, “o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo [...] na dispensação da plenitude dos tempos” (Ef.1:10).
Segundo John Stott, “na dispensação da plenitude dos tempos”, quando o tempo se fundir com a eternidade novamente, o plano de Deus é “fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas”. Cristo já é a Cabeça de seu Corpo, a Igreja, mas um Dia “todas as coisas” reconhecerão sua liderança. No momento ainda há discórdia no universo, mas na plenitude dos tempos, a discórdia cessará, e a unidade pela qual ansiamos existirá sob a liderança de Jesus Cristo.
O propósito de Deus é o de estabelecer uma nova ordem, uma nova criação. Nessa nova ordem, o universo de Deus, no qual o pecado introduziu a desordem e a confusão, será restaurado à sua primitiva harmonia e unidade sob a supremacia de Jesus Cristo.
A expressão em Efésios 1:10 “de tornar a congregar em Cristo”(ARC) ou “de fazer convergir”(ARA), traduzindo do original grego, literalmente significa “debaixo de uma só cabeça”. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz este texto da seguinte maneira: “Esse plano é unir, no tempo certo, debaixo da autoridade de Cristo, tudo o que existe no céu e na terra”. Vendo esta perfeição do futuro, devemos ser estimulados a viver aqui como se já estivéssemos lá (Rm.13:11-14).
É bom deixar claro que Ef.1:10 não trata de salvação universal no futuro, como muitos erroneamente interpretam o texto. Muitos torcem o texto para sugerir que no fim todas as coisas e todas as pessoas serão restauradas e reconciliadas em Cristo; porém, essa falaciosa teoria é totalmente estranha ao referido texto. Aqui, Paulo fala de “domínio universal”, e não de salvação universal. Atente bem a siso!

3. Louvor da sua glória

“nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo” (Ef.1:11,12).
A Igreja – constituída de judeus e gentios -  é a eleita de Deus em Cristo (Ef.1:4; 1Ts.1:7); e, aqui neste texto, Paulo enfatiza que o propósito dessa eleição é para louvor da Sua glória, e que todas “as bênçãos nas regiões celestiais” são destinadas a este povo. Nas palavras de John Stott, nos tornamos povo ou propriedade de Deus não por acaso nem por escolha (ou seja, por nossa escolha). Pelo contrário, foi pela própria vontade soberana e pela bondade de Deus.
Por que Deus nos fez Seu povo? “Para o louvor da sua glória” (Ef.1:12). Como explicar melhor isto? No entendimento de John Stott, a glória de Deus é a revelação dEle, e a glória de Sua graça é a revelação que Ele faz de Si mesmo como um Deus gracioso. Viver para o louvor da glória de Sua graça é adorá-lo por meio de palavras e ações, como o Deus gracioso que Ele é, e fazer com que outras pessoas o vejam e o louvem também. Essa foi a vontade de Deus para Israel nos dias do Antigo Testamento, e é também seu propósito para o povo da Nova Aliança.
Portanto, somos a herança de Deus por causa da Sua vontade (Ef.1:5,9,11) e para louvor de Sua glória (Ef.1:5,6,12,14). O alvo de Deus é que a Sua glória (revelação de Deus) venha a ser conhecida por meio do Seu povo, o povo de Deus da Nova Aliança.

III. O ESPÍRITO SANTO, PENHOR DA NOSSA HERANÇA

Em Cristo, temos uma linda herança (1Pd.1:1-4) e também somos a herança de Deus. Veja que no texto Paulo se refere a Igreja como herança e propriedade de Deus - “fomos feitos herança”(Ef.1:9). No Antigo Testamento, estas palavras eram aplicadas exclusivamente ao povo de Israel, mas agora são aplicadas ao novo povo de Deus, o povo da Nova Aliança, a Igreja eleita, cujo denominador comum é estar em Cristo.
Aqueles que são porção de Deus têm sua herança nEle. Somos valiosos nEle. Somos a herança de Deus, o Corpo de Cristo, o Seu Edifício, a Sua Noiva, a Menina dos olhos de Deus, a Delícia de Deus. Somos os santos de Deus (Ef.1:1), a herança de Deus (Ef.1:11) e a possessão de Deus (Ef.1:14).
Quando o indivíduo se converte a Cristo ele recebe o Espírito Santo e é batizado por Ele (1Co.12:13), ou seja, esse indivíduo é mergulhado na Igreja, tornando-se assim eleito e predestinado à salvação. O Espírito Santo nos dá a certeza de que Deus está ativo em nós; é o Santo Espírito da promessa (Ef.1:13), citado pelos profetas do Antigo Testamento (Ez.36:27; Jl.2:28) e prometido por Jesus a Seu povo (João 14:16,17; Lc.24:49; Atos 1:4,5; 2:33,38,39).
A seguir, veja duas imagens que o apóstolo Paulo utiliza para sublimar a significação do Espírito Santo em nossa vida.

1. O Espírito Santo é o Selo da Igreja

“...e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef.1:13).
O Espírito Santo é a marca distintiva do cristão (2Co.1:21,22; Ef.4:30). A presença dEle na Igreja é a prova de que esse povo pertence a Deus.
“Mas o que nos confirma convosco em Cristo e o que nos ungiu é Deus, o qual também nos selou...” (2Co.1:21,22).
“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef.4:30).
Dois aspectos importantes merecem destaque:
a) O Selo com o Espírito Santo fala de propriedade. No mundo antigo, o selo representava o símbolo pessoal do proprietário. O gado, e até mesmo os escravos, eram marcados com um selo pelos seus donos, a fim de indicar a quem pertenciam. Deus pôs o Seu selo em nós porque nos comprou para sermos sua propriedade exclusiva (1Co.6:19,20; 1Pd.2:9). Deus colocou o Seu Espírito dentro do Seu povo para marcá-lo como Sua propriedade exclusiva (2Tm.2:19).
“Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2Tm.2:19).
b) O Selo com o Espírito Santo fala de segurança. A Bíblia tem várias ilustrações desse uso. Quando o rei Dario selou a boca da cova dos leões, Daniel não tinha condições de sair (Dn.6:17). No tempo em que Ester era rainha, o rei usou seu anel para selar suas cartas e documentos; e, uma vez feito isso, ninguém podia alterar o conteúdo (Et.8:8). Pilatos fez a mesma coisa quando ordenou que os soldados guardassem “o sepulcro como bem vos parecer”; e eles selaram a pedra do túmulo (Mt.27:65,66). Assim o crente pertence a Deus. O Espírito Santo foi-nos dado para estar para sempre conosco. Ele jamais nos deixará (João 14:16).

2. O Espírito Santo é o Penhor da nossa herança

“o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória” (Ef.1:14).
Quando estamos em Cristo, Deus não nos dá o Espírito somente como Selo; Ele é também o Penhor. Penhor é aquilo que é dado como garantia. Quando Deus nos deu o Espírito Santo, Ele estava se comprometendo a dar-nos toda a herança reservada para Seus filhos.
A Palavra grega para “penhor” é arrabõn, de origem semítica, cujo sentido original vem do meio comercial, quando uma pessoa comprovava algo e dava uma garantia em dinheiro como espécie de “entrada”, “sinal” ou “primeira prestação” (leia Gn.38:17). Portanto, a palavra penhor, garantia, representa a primeira parcela de um pagamento, a garantia de que o pagamento integral será efetuado.
Nos tempos do apóstolo Paulo os comerciantes usavam penhores com três finalidades: como pagamento adiantado, "entrada" que fechava um negócio; representava um compromisso de pagamento, e era uma amostra do que haveria de vir.
Imagine que você esteja querendo comprar um carro. O penhor seria a entrada que você paga, fechando o negócio; representaria também o compromisso de pagar o carro; e seria uma amostra do que seguiria – as parcelas restantes do dinheiro. De maneira semelhante, o Espírito Santo é o Penhor de que Deus nos comprou, a garantia. Sua presença em nós mostra o compromisso que Deus assumiu de nos redimir completamente. Talvez o melhor de tudo, a presença do Espírito Santo, vivendo em união conosco, nos dá um gosto antecipado, uma amostra de nossa herança, da nossa vida futura na presença de Deus. O Espírito Santo é o primeiro pagamento que garante aos filhos de Deus que Ele terminará sua obra em nós, levando-nos para a Sua glória (Rm.8:18-23; 1João 3:1-3).
“Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:1-3).
A palavra “penhor”, como “garantia”, também foi usada no grego para falar de “aliança de noivado, de compromisso”; é a garantia de que a promessa de fidelidade será guardada. Nossa relação com Deus é uma relação de amor. Jesus é o Noivo, e a sua Igreja é a Noiva.
É bom ressaltar o seguinte: “Uma aliança de noivado promete um casamento, mas não é parte desse casamento. A primeira prestação de uma compra de um objeto ou imóvel é mais do que uma garantia de pagamento; é, em si, a primeira parcela do preço total dessa compra. Assim é com o Espírito Santo; ao entregá-lo a nós, Deus não está apenas nos prometendo a herança final, mas, na verdade, está nos dando uma prévia dela” (John Stott).
Em resumo, podemos dizer que quando somos batizados no corpo de Cristo (1Co.12:13), o Espírito entra em nossas vidas e nos sela através da Sua presença. Ele é a garantia de Deus, dando-nos certeza de que nossa herança virá.

CONCLUSÃO

Através de Jesus Cristo, recebemos todas a bênçãos espirituais: fomos eleitos para receber a salvação, perdoados e depois adotados como seus filhos, recebemos os dons do Espirito Santo, o poder de fazer a vontade divina e a esperança da vida eterna com Cristo. Como temos um intimo relacionamento com Ele, podemos gozar agora dessas bênçãos nas “regiões celestiais”; estas “regiões celestiais” mostram que essas bênçãos são eternas e atemporais, elas vêm do Reino espiritual de Cristo. Cada bênção é concedida às pessoas que estão “em Cristo”. Tudo foi feito, é feito e será feito para “o louvor da sua glória” (Ef.1:6,12,14). Amém!
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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Pr. Douglas Baptista. A IGREJA ELEITA. Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Efésios. Igreja, a noiva gloriosa de Cristo.
SHEDD, Russel. Epístolas da Prisão: uma análise. São Paulo: Edições Vida Nova,
2005, p. 15.
STOTT, John. A Mensagem de Efésios. São Paulo: ABU Editora, 2007.
STOTT, John. Lendo Efésios.
GRAHAM, Billy. O Espírito Santo. Vida Nova, São Paulo, SP. 1983.


terça-feira, 31 de março de 2020

Aula 01 - CARTA AOS EFÉSIOS – SAUDAÇÃO AOS DESTINATÁRIOS


2º Trimestre/2020
Texto Base: Ef.1:1,2; Atos 19:1-7
05/04/2020
“A vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (Ef.1:2).

Efésios 1:
1.Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus:
2.a vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.
Atos 19:
1.E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos,
2.disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.
3.Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João.
4.Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.
5.E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.
6.E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam.
7.Estes eram, ao todo, uns doze varões.

INTRODUÇÃO

Estamos iniciando mais um trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical, esta que é a mais icônica instituição discipuladora, ao longo de sua existência, de forma contínua, das Assembleias de Deus no Brasil, quiçá, do mundo; milhões de pessoas foram e estão sendo beneficiadas espiritualmente e moldado o seu caráter nos padrões que o Espírito Santo requer ao um verdadeiro cristão. Sem dúvida, a EBD tem cumprido cabalmente a grande comissão estabelecida por Jesus Cristo, antes de Sua ascensão, e que foi registrada por Mateus – “Portanto, ide, ensinai todas as nações [...]; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado[...]” (Mt.28:19,20). Como bem diz o Pr. Caramuru Afonso Francisco, “A EBD é a igreja reunida, ensinando enquanto evangeliza, e evangelizando enquanto ensina”.
Neste Trimestre letivo trataremos do seguinte tema: “A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e selada com o Espírito Santo da Promessa”. Teremos como base a Epístola aos Efésios, esta que é considerada pelos estudiosos da Bíblia como uma síntese de todo o cristianismo. As principais doutrinas básicas da Igreja de Cristo estão contidas neste inspirado compêndio doutrinário, como a que estudaremos neste trimestre letivo – a Eleição da Igreja. Nesta obra prima, Paulo é contundente e claro em suas palavras: a Igreja, o povo de Deus da Nova Aliança, é a Eleita de Deus em Cristo Jesus. Enfim, Efésios é uma combinação da doutrina cristã (capítulos 1 a 3) com o dever cristão (capítulos 4 a 6).
Devo acreditar que os estudos deste trimestre nos trarão revelações espirituais que devem conduzir-nos à verdadeira adoração, gratidão, e maior maturidade cristã e espiritual. Nesta primeira Aula trataremos dos aspectos introdutórios da Epístola, tais como: autoria, data que foi escrita, os destinatários, propósito e mensagem.

CAPA DO TRIMESTRE

A capa do trimestre traz um rolo selado, sendo este selo vermelho com uma figura de um leão coroado, a nos mostrar que a escolha divina foi de salvar o ser humano pelo sangue de Jesus, o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi (Ap.5:5), bem como que, por meio de Cristo, passamos a ser propriedade do Senhor (1Co.1:30), sendo, por isso, selados pelo Espírito Santo, algo que também é afirmado pelo apóstolo nesta Epístola aos efésios (Ef.1:13).
Além da cor vermelha do selo, há, também a coroa de espinhos, a nos lembrar o sacrifício de Cristo, que tomou o lugar do pecador, para satisfazer a justiça divina e, deste modo, permitir que passasse a existir um povo de Deus na face da Terra, que se aproxima de Deus pelo derramamento do sangue de Cristo (Ef.2:13). Na carta aos Efésios é dito claramente que a redenção do homem vem pelo sangue de Jesus (Ef.1:7) (Fonte: PortalEBD).

DIVISÃO EM BLOCOS

O trimestre está dividido em três blocos, a saber:
-Primeiro bloco (Lição 01). Neste bloco é feita a apresentação da Epístola como também uma análise das saudações iniciais, com a identificação do remetente e dos destinatários.
-Segundo bloco (Lições 2 a 10). As lições deste bloco dizem respeito à parte doutrinária da Epístola, onde são registrados os ensinamentos relacionados com o que significa ser Igreja, as bênçãos de que é alvo, o significado da salvação, a natureza da Igreja, além da oração que Paulo faz em favor da Igreja.
-Terceiro bloco (Lições 11 a 13). As lições deste bloco dizem respeito à parte prática da Epístola, onde é registrada a conduta que devem ter os salvos em Cristo Jesus em sua peregrinação terrena (Fonte: PortalEBD).

I. AUTORIA E DATA

1. Autoria

Sem dúvida, esta Epístola reclama a autoria paulina de forma explícita (Ef.1:1; 3:1). Praticamente todos os eruditos, desde o primeiro século, apontam o apóstolo Paulo como o autor de Efésios. Já no segundo século depois de Cristo, os pais da igreja atribuíram esta Epístola a Paulo de Tarso. Inácio de Antioquia (martirizado em 115 d.C.) conhecia a Epístola aos Efésios e atribuía a sua autoria ao apóstolo dos gentios, que também é sustentada por outros líderes cristãos do segundo século, incluindo Irineu de Lyon, Clemente de Alexandria e Tertuliano de Cartago. O próprio apóstolo se apresenta como o remetente de Efésios - “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef.1:1).
Muitas expressões que são comuns em outras Epístolas de sua autoria são encontradas com frequência em Efésio. A linguagem e o estilo de Efésios são diferentes em alguns aspectos quando comparadas com outras epístolas/cartas de Paulo; ainda assim, parecem-se tanto com Paulo que mesmo se a Epístola não tivesse o seu nome, seria difícil imaginar que a Igreja creditasse sua autoria a qualquer outra pessoa.

2. A assinatura apostólica

O Novo Testamento contém 13(treze) Epístolas/Cartas escritas pelo apóstolo Paulo, e em todas elas o autor deixou a sua assinatura. Efésios, em alguns sentidos, é uma Epístola típica de Paulo: contém a saudação, as ações de graça, o desenvolvimento da doutrina seguida de sua aplicação e as saudações finais. Por duas vezes, o autor diz que se chama Paulo (Ef.1:1; 3:1), e o conteúdo é tão parecido com o da Epístola aos Colossenses (em alguns aspectos) que dá a entender que ambas devem ter sido escritas quase ao mesmo tempo. Portanto, a estrutura de Efésios é tipicamente paulina e a sua assinatura apostólica é assaz perceptível e inconfundível.
O pastor Douglas Baptista chama a nossa atenção para uma curiosidade na saudação da Epístola aos Efésios, o que ocorre em todas as demais epístolas paulinas: “a identificação pelo seu nome romano, Paulo, e nunca pelo nome judeu, Saulo, provavelmente por considerar que Paulo era mais apropriado para evangelizar o mundo gentílico (Rm.11:13). Outro detalhe relevante é que, em sete das suas Epístolas (1Coríntios; 2Cocoríntios; Gálatas; Efésios; Colossenses; 1Timóteo e 2Timóteo), Paulo reivindica explicitamente a sua autoridade apostólica com a ressalva: ‘pela vontade de Deus’. Isso significa que o seu chamado e apostolado ‘não era da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos’ (Gl.1:1)” (Douglas Baptista. A Igreja eleita).

3. Uma Epístola da prisão

Pelo que se percebe pelos próprios escritos de Paulo, ele escreveu 05(cinco) Epístolas na prisão: sendo 04 (quatro) por ocasião da primeira prisão e 01(uma) por ocasião da segunda prisão em Roma, sendo esta a última que ele escreveu, na antessala do martírio.
Paulo foi preso várias vezes. O Livro de Atos revela sua prisão em Filipos, em Jerusalém, em Cesaréia e em Roma. Paulo ficou preso boa parte da sua atividade apostólica. Ele podia estar encarcerado, mas a Palavra de Deus não estava algemada, como ele mesmo afirmou: “pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está Presa” (2Tm2:9). Ele era um embaixador em cadeias; jamais se sentiu prisioneiro de homens, mas sempre prisioneiro de Cristo.
Epístolas da Primeira Prisão, em Roma: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom
Depois de três meses que estava na Grécia, o apóstolo resolveu voltar à Judeia. Nesse contexto houve uma revolta popular em Jerusalém que culminou na prisão de Paulo em Cesareia por dois anos (Atos 20:1-24:27). Por ser cidadão romano, Paulo solicitou uma audiência com o imperador.
Após apelar para o tribunal de César, o apóstolo foi conduzido a Roma, onde permaneceu em prisão domiciliar por dois anos inteiros (Atos 28:30). A julgar pelas condições favoráveis na casa alugada para esse fim, tais como: ausência de restrições para receber visitas e o não cerceamento da liberdade para escrever e ensinar (Atos 28:31), ratifica-se que a prisão em Roma foi o local de redação das chamadas “Epístolas da Prisão”.
Foi durante esse cárcere em Roma que provavelmente Paulo escreveu as Epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a Carta a Filemom. Por isso, estas são chamadas de “epístolas da prisão”. Alguns comentaristas sugerem que pelo menos uma dessas Epístolas talvez tenha sido escrita durante o tempo de prisão em Cesareia.
Epístola da Segunda Prisão, em Roma: 2Timóteo
O texto bíblico não explica exatamente o que aconteceu com Paulo após sua primeira prisão em Roma, registrada no final do livro de Atos dos Apóstolos. Provavelmente, ele foi libertado e talvez tenha saído numa nova viagem missionária; é possível que ele tenha conseguido chegar até a Espanha e depois visitado as cidades da região do mar Egeu (cf. Rm.15:24; 1Tm.1:3; Tito 1:5; 3:12). Caso isto esteja correto, então é possível que as chamadas epístolas pastorais (1Timóteo, Tito e 2Timóteo) tenham sido escritas durante esse período final de seu ministério.
Primeiramente, ele teria escrito as Epístolas de 1Timóteo e Tito; depois, já encarcerado novamente em Roma, na metade da década de 60 d.C., conforme afirma a tradição, ele teria escrito a Epístola de 2Timóteo, pouco antes de ser executado (cf.2Tm.4:6-18). Certo é que, depois de enxergar tamanha dedicação do apóstolo à causa do Evangelho, facilmente podemos entender a conclusão que ele próprio fez acerca de sua vida e ministério, ao dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé” (2Tm.4:7).
Este grande bandeirante do Evangelho, escreveu estas Epístolas de sua prisão em Roma; mas, antes de chegar à capital do império, Paulo já tinha passado por provas e tribulações terríveis: ele tinha sido perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém e esquecido em Tarso; já tinha sido apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica, enxotado de Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto; já tinha sido fustigado três vezes com varas pelos romanos e recebido 195 açoites dos judeus (2Co.11:24,25); enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém e acusado em Cesareia; enfrentou um naufrágio avassalador ao dirigir-se a Roma e foi picado por uma cobra altamente venenosa em Malta.
O velho apóstolo chegou a Roma preso e algemado. Ficou sendo vigiado pela guarda pretoriana - a guarda de elite do palácio imperial composta de 16 mil soldados de escol. A despeito disso, encorajou os crentes de Roma e escreveu epístolas/cartas às igrejas das províncias da Macedônia e da Ásia Menor. Apesar de estar preso em Roma, ele não se considerava prisioneiro de César, mas prisioneiro de Cristo Jesus (Ef.3:1), prisioneiro no Senhor (Ef.4:1) e embaixador em cadeias (Ef.6:20).
Como bem afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a vida de Paulo foi um milagre; seu sofrimento, um monumento; suas cicatrizes, seu vibrante testemunho. Ele foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado; mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao Céu um tributo de louvor ao Senhor: "eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia" (2Tm.1:12).
Em Roma, na antessala do martírio, de forma imperturbável, impressionante e com alegria na alma, Paulo ergue ao Céu sua última doxologia: “combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé; desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos aqueles que amarem a sua vinda” (2Tm.4:7,8). "a Ele [o Senhor Jesus Cristo], glória pelos séculos dos séculos. Amém" (2Tm.4:18b).
Paulo tombou na terra, pelo martírio, mas ergueu-se no Céu para receber a recompensa, como o mais vitorioso e destacado bandeirante da fé. Glórias sejam dadas a Jesus Cristo!

4. Data

Conforme está registrado no Livro de Atos, Paulo realizou três viagens missionárias. Após estas viagens e ter implantado várias igrejas por onde passou, principalmente na Ásia e na Macedônia, ele foi preso em Cesareia por um período de dois anos, entre 58 e 60 d.C. (Atos 24:27).
Em razão de as datas serem aproximadas, a estimativa da chegada de Paulo em Roma fica entre 60 e 62 d.C. Partindo dessa premissa, a data provável da escrita aos Efésios ocorreu por volta dos anos 61 e 62 d.C. Tíquico foi o portador das Epístolas aos Efésios e aos Colossenses, que, possivelmente, foram despachadas na mesma ocasião que a carta a Filemom (Ef.6:21,22; Cl.4:7-9).

5. Contexto e Tema

a) Contexto. John Stott afirmou:
-Efésios é uma síntese maravilhosamente concisa, mas abrangente, das boas-novas e suas implicações. Ninguém pode ler Efésios sem ser levado a se maravilhar e adorar, e desafiado a levar uma vida de santidade e fidelidade. A Epístola concentra-se no que Deus fez por meio da obra de Jesus Cristo e o que Ele faz por meio do Seu Espírito, hoje, para edificar sua ‘nova sociedade’ em meio à ‘velha sociedade’.
-Efésios conta como Jesus Cristo derramou Seu sangue em uma morte sacrificial pelo pecado, foi ressuscitado da morte pelo poder de Deus e exaltado, acima de tudo que competia com Ele, ao lugar supremo, tanto no universo como na Igreja. Mais do que isso, nós, que estamos ‘em Cristo’, unidos a Ele pela fé, compartilhamos esses grandes eventos. Fomos ressuscitados da morte espiritual, exaltados ao Céu e lá nos assentaremos com Ele. Também fomos reconciliados com Deus e uns com os outros. Consequentemente, por meio de Cristo e em Cristo, somos a nova sociedade de Deus, a nova humanidade singular que Ele está criando, a qual inclui judeus e gentios em igualdade de condições. Somos a família de Deus Pai, o Corpo de Jesus Cristo, seu Filho, e o Templo ou morada do Espírito Santo.
Portanto, devemos demonstrar clara e visivelmente a realidade desta novidade que Deus fez: em primeiro lugar, pela unidade e diversidade de nossa vida comum; segundo, pela pureza e pelo amor de nossa conduta diária; em seguida, pela submissão mútua e cuidado de nossos relacionamentos em casa; e, por último, pela estabilidade na luta contra os principados e potestades do mal. Então, na plenitude do tempo, o propósito de unificação de Deus será completo sob a liderança de Jesus Cristo” (John Stott. Lendo Efésios).
b) Tema. Os grandes temas da fé cristã adornam a coroa de Efésios. Os capítulos mais destacados da soteriologia e da eclesiologia podem ser encontrados nessa obra-prima. Contudo, o foco de Efésios é o “mistério”, dantes guardados no coração de Deus, e que agora fora revelado.
A verdade sublime que compõe o tema da Epístola aos Efésios é o anúncio de que os crentes, tanto judeus como gentios, formam agora uma unidade em Cristo Jesus; são membros lado a lado da mesma Igreja, o Corpo de Cristo. No presente momento estão assentados em Cristo nos lugares celestiais; no futuro, vão compartilhar da Sua glória como Cabeça de todas as coisas.
O tema central, portanto, da Epístola é: “a nova sociedade de Deus”. Eu diria: “A Igreja, o novo povo eleito de Deus”. Enfim, em Efésios, a Igreja é:
  • A nova humanidade de Deus, uma colônia onde o Senhor da história estabeleceu uma amostra da unidade e dignidade renovada da raça humana (Ef.1:10-14; 2:11-22: 3:6,9-11; 4:1-6:9).
  • Uma comunidade onde o poder de Deus de reconciliar as pessoas a si próprio é experimentado e compartilhado através de relacionamentos transformados (Ef.2:1-10; 4:1-16; 4:32-5:2; 5:22-6:9).
  • Um novo templo, uma construção feita de pessoas, fundada na revelação segura do que Deus tem feito na história (Ef.2:19-22; 3:17-19).
  • Um organismo onde o poder e a autoridade são exercidos segundo o padrão de Cristo (Ef.1:22; 5:25-27), e a sua mordomia é uma maneira de servi-lo (Ef.4:11-16; 5:22-6:9).
  • Um posto avançado num mundo tenebroso (Ef.5:3-17), buscando o dia da redenção final.
  • Acima de tudo, a Igreja é a Noiva que se prepara para a chegada do seu amado esposo (Ef.5:22-32).

II. DESTINATÁRIOS

1. Destinatários

Alguns eruditos consideram Efésios uma Epístola circular dirigida às igrejas da Ásia, e não apenas uma Epístola dirigida particularmente à Igreja de Éfeso, uma vez que Paulo não trata ali de problemas locais como o faz nas outras epístolas. Mesmo que isso seja um fato, isso em nada deslustra a integridade e a pertinência de sua mensagem.
Efésios também é considerada uma Epístola gêmea de Colossenses. Escritas do mesmo local, no mesmo período e levadas às igrejas pelo mesmo portador, Tíquico, ambas tratam basicamente das mesmas coisas.
Primeiramente, a Epístola é endereçada “aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef.1:1). “Santos e fiéis em Cristo Jesus”, que excelente reputação! O que seria necessário para que outrem nos caracterizassem como um santo e fiel seguidor de Cristo Jesus? Certamente, manter-nos firmes em nossa fé, continuamente. Agindo assim, ficaremos conhecidos com santo e fiel seguidor do Senhor Jesus Cristo, como os cristãos de Éfeso.
a)    “Aos santos”. A palavra “santo” não quer dizer uma pessoa que não peca. Também não são pessoas mortas canonizadas, mas pessoas vivas separadas por Deus para viver uma vida diferente; são pessoas que foram separadas do mundo por Deus. A palavra grega hagioi, "santos", quer dizer separados, é um nome que se aplica no Novo Testamento a todos os que são nascidos de novo, “novas criaturas” (2Co.5:17).
Basicamente a palavra se refere à posição do crente “em Cristo”, mais do que ao que ele é em si mesmo. Em Cristo todos os crentes são “santos”, mesmo quando não se comportam de maneira santa. Por exemplo, Paulo chama os crentes de Corinto de santos (1Co.1:2), porém, pelo que há nessa Epístola fica evidente que a vida deles não era rigorosamente santa. Entretanto, a vontade de Deus é que a vida prática do crente seja condizente com a sua posição em Cristo: “santos” de vida santa.
Segundo Russell P. Shedd:
-“Nos dias do Antigo Testamento, o tabernáculo, o templo, o sábado e o próprio povo eram santos por ser consagrados, separados para o serviço de Deus. Uma pessoa não é "santa" nesse sentido por mérito pessoal; ela é alguém separada por Deus e, por conseguinte, é chamada a viver em santidade.
-“No Novo Testamento, através do Espírito de santificação, santo é ‘alguém separado para pertencer exclusivamente a Deus’, são os nascidos de novo. Paulo envia a Epístola aos Efésios com a pressuposição de que os seus leitores são pessoas realmente convertidas e separadas para o reino de Cristo”.
b)    Aos “fiéis em Cristo Jesus”. “Fiéis”, aqui, significa “aqueles que se comprometeram com Cristo, que aceitaram o convite de sair do mundo perdido para o reino do Filho do seu amor”; em outras palavras: significa aqueles que creem, sendo, portanto, uma descrição dos cristãos verdadeiros. Esse comportamento dos cristãos de Éfeso é uma decisão definitiva e clara; é uma mudança de posição, não geográfica, mas mental, quanto a quem é Jesus Cristo e quanto a todos os outros senhorios do mundo, inclusive o de César. Dando esse passo, tornam-se fiéis. A palavra “fiéis” também carrega a ideia de fidelidade: eles não apenas deram aquele passo, quando se batizaram e se identificaram com Cristo, mas continuavam se identificando permanentemente. É verdade que os crentes também devem ser fiéis no sentido de fidedignidade, ou seja, devem ser merecedores de confiança. Porém, a ideia principal é que são pessoas que aceitaram Cristo Jesus como o seu único Senhor e Salvador.

2. Breve painel da Cidade de Éfeso.

a) A Cidade de Éfeso. A cidade de Éfeso era uma das cinco maiores cidades do Império Romano, ao lado de Roma, Corinto, Antioquia e Alexandria. Era um importante centro comercial, político e religioso de toda a Ásia Menor. Nesta cidade estava situado o templo dedicado ao ídolo grego Ártemis (Diana para os romanos) - “Então, o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse: Varões efésios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana e da imagem que desceu de Júpiter?” (Atos 19:35).
Éfeso abrangia uma extensa área, ela ficava localizada no território da Lídia entre as cidades antigas de Esmirna e Mileto. Era uma cidade portuária cujo Porto desaguava no mar Egeu. Por causa dessas boas instalações portuárias e das várias estradas que ligavam a cidade ao vasto Império Romano, Éfeso alcançou a posição de grande metrópole com cerca de 500 mil habitantes; era a sede do procônsul romano e da confederação de cidades da Ásia Menor.
b) A religiosidade em Éfeso. Esta cidade foi o centro de culto ao ídolo “Diana”, a chamada deusa da fertilidade, cujo templo, localizado a cerca de 1.600 metros da cidade, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo e constituía o principal motivo de orgulho para Éfeso. Quatro vezes maior do que o Partenon de Atenas, o templo de Éfeso levou, segundo a tradição, 220 anos para ser construído. Corria, na época, um dito popular de que "o Sol nada via mais belo no seu trajeto do que o templo de Diana”.
No argumento do Pr. Douglas Baptista, “o livro de Atos informa que a imagem adorada no templo havia ‘caído do céu’ (Atos 19:35). Provavelmente algum meteorito fora recolhido e talhado para moldar a imagem. Essa crendice sinaliza que a religiosidade dos efésios era permeada de superstições. O cortejo do templo, que abrangia sacerdotes, sacerdotisas, assistentes e escravos eunucos que cultuavam por meio de atos sexuais, indica o nível de depravação e imoralidade daquela cidade.
A maior fonte de renda da cidade era o comércio de nichos de prata do ídolo Diana, que eram comercializados no templo. A prostituição, a pornografia e as artes mágicas também auferiam lucros financeiros. Sendo o centro de vários outros cultos pagãos, inclusive o culto aos imperadores romanos deificados, a cidade era conhecida como arch paganismi, que quer dizer ‘o cúmulo do paganismo’”.
O culto idólatra também era estimulado pela crença e pela prática do ocultismo referendado por inúmeros livros de artes mágicas, encantamentos, amuletos, sacrilégios e feitiços. O temor dos fenômenos sobrenaturais ou supranormais, mantinha a cidade espiritualmente cega e escravizada. Com a mensagem do Evangelho, muitos dos que receberam a Cristo ‘trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de todos’ (Atos 19:18,19).
John Stott ressalta que o fato de os recém-convertidos estarem dispostos a jogar seus livros no fogo, em vez de converterem o seu valor em dinheiro, vendendo-os, era uma evidência notável da sinceridade de suas conversões, era um sinal claro de que o povo de Éfeso estava desistindo da magia e abraçando o Evangelho de Jesus Cristo. Esse exemplo levou a outras conversões, pois “assim a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (Atos 19:20).
Segundo alguns estudiosos, o valor total daqueles livros correspondia a cinquenta mil denários, ou seja, a 150 anos de salário de um trabalhador comum, levando em consideração que o salário de um trabalhador era de um denário por dia.
Somente o Evangelho tem o poder de mudar o caráter do ser humano, a sua cultura pervertida, a sua religiosidade infame, fazendo com que esse ser humano seja santo e fiel em Cristo Jesus.
Segundo Simon Kistemaker:
“Éfeso se tornou a depositaria da literatura sagrada que formou o cânone do Novo Testamento. Durante o tempo em que Paulo viveu em Éfeso, ele escreveu suas Epístolas aos Coríntios. Quando Paulo ficou em prisão domiciliar em Roma, ele enviou sua carta aos Efésios. Nos anos posteriores, quando Timóteo era pastor em Éfeso, Paulo despachou as duas epístolas que levam o nome de Timóteo. Algumas décadas mais tarde, o apóstolo João compôs seu Evangelho e suas três epístolas de Éfeso. De certa maneira, pode-se dizer que assim como o Antigo Testamento fora confiado aos judeus (Rm.3:2), da mesma forma os efésios se tornaram os guardiães do Novo Testamento” (KISTEMAKER, Simon. Atos. Vol.2).

3. A Igreja em Éfeso

O apóstolo Paulo visitou Éfeso pela primeira vez em sua segunda viagem missionária (Atos 18:19-21). Ela foi a igreja que João pastoreava quando foi desterrado para a solitária Ilha de Patmos, segundo a tradição Cristã dos primeiros séculos.
Na terceira viagem missionária, Paulo permaneceu nessa cidade por quase três anos (Atos 20:31). Ao chegar em Éfeso, ele encontrou doze discípulos, os quais batizou nas águas e conduziu-os a receber o batismo com o Espírito Santo (Atos 19:5-7). Em seguida, evangelizou os judeus na sinagoga por um espaço de três meses (Atos 19:8); e como alguns judeus resistiram ao Evangelho, ele se dedicou a pregar e a ensinar aos gentios num salão alugado na escola de Tirano (Atos 19:9). Ali, ele plantou uma pujante igreja, que se tornou influenciadora em todos os rincões da Ásia Menor.
Em Éfeso, Deus usou Paulo poderosamente. A Bíblia diz que até os lenços e aventais do apóstolo foram usados para curar os enfermos e expulsar os demônios (cf. Atos 19:12); e, assim, a Igreja crescia geometricamente. Mais tarde Paulo encontrou-se novamente com os anciãos da Igreja em Éfeso na cidade de Mileto (Atos 20:16-38).
A Igreja de Éfeso tem dois endereços: ela é cidadã do mundo (está em Éfeso) e cidadã do Céu (está em Cristo). O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que toda a vida do cristão deve estar em Cristo Jesus; como a raiz enterrada na terra, o ramo ligado à videira, como o peixe está no mar e o pássaro, no ar, também o lugar da vida do cristão é em Cristo Jesus.
A Igreja de Éfeso foi muito bem estabelecida na doutrina apostólica. Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. Paulo disse: “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de deus”(Atos 20:27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era bastante espiritual; porém, as severas advertências de Jesus às sete igrejas da Ásia Menor começaram exatamente pela Igreja em Éfeso (cf.Ap.2:1-7).
1.Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
2.Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;
3.e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.
4.Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.
5.Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
6.Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.
7.Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus.
Esta era a situação da Igreja de Éfeso logo depois da morte dos apóstolos. Jesus exortou os crentes dessa igreja a atentar para o que “o Espírito diz às igrejas” (Ap.2:7). Em seguida, o vencedor recebe uma promessa. Quem é este vencedor? Será uma pessoa superdotada ou alguém muito diferente? Não; o vencedor é aquele que ouve e coloca em prática a Palavra de Deus. Afirma o apóstolo Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”(Tg.1:22). Quando ouvimos o que o Espírito Santo fala através da Palavra de Deus, nos tornamos vencedores -“... Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (Ap.2:7).
Em Éfeso, portanto, o vencedor seria aquele que demonstrasse autenticidade de sua fé ao se arrepender por haver abandonado o primeiro amor. Quem assim procedesse, poderia se alimentar “da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”.
O fato de a pessoa ser vencedora comprova a realidade de sua experiência de conversão. As pessoas são salvas única e exclusivamente pela graça mediante a fé em Cristo. Todos os salvos se alimentarão “da árvore da vida”, ou seja, entrarão na plenitude da vida eterna celestial.

4. A Saudação Epistolar (Ef.1:2)

Esta era a saudação costumeira de Paulo a todas as igrejas: “a vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo”.
“Graça e Paz”, estas eram as palavras usuais de destaque em suas saudações. Na tradição judaica usava-se apenas a palavra “paz” (shalom, no hebraico), mas Paulo por inspiração divina adicionou a palavra “graça” a já conhecida “paz” e deu a saudação cristã um sentido muito especial: “graça e paz”. Os crentes em Cristo têm agora a “paz” da parte de Deus Pai, mas obtiveram a “graça” por Jesus Cristo.
Nesta saudação de Paulo, cada palavra é carregada de significado espiritual, diferentemente das saudações vazias de hoje.
- “Graça”. É o favor de Deus para nossa vida diária. Os leitores da Epístola já haviam sido salvos pela graça de Deus, seu favor imerecido para com os perdidos; porém, agora precisavam da força vinda de Deus para poder enfrentar os problemas, provações e tristezas da vida. Isto é o que o apóstolo lhes deseja aqui.
- “Paz”. Esta “paz” descreve um espírito tranquilo em todas as circunstâncias transitórias da vida. Os “santos” de Éfeso experimentaram “paz” com Deus quando foram convertidos; porém careciam da “paz” de Deus no dia-a-dia, isto é, repouso calmo e seguro que independe das circunstâncias e resulta do hábito de levar tudo a Deus em oração (Fp.4:6,7).
William Macdonald afirma que “que em primeiro lugar vem a ‘graça’ e depois a ‘paz’. A ordem é sempre essa. Só depois que a ‘graça’ trata do problema do pecado é que pode haver ‘paz’; e é somente através da força imerecida, que Deus dá diariamente, que o crente experimenta ‘paz’, perfeita ‘paz’, em todas as vicissitudes da vida”.
- “Da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo”. O apóstolo Paulo não hesitou em colocar o Senhor Jesus no mesmo pé de igualdade com Deus Pai; ele honrou o Filho da mesma forma que honrou o Pai. E todo crente deve fazer o mesmo (João 5:23) – “para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou”.
Na observação inteligível de William Macdonald, o título completo do nosso Salvador é: “Senhor Jesus Cristo”.
  • Como “Senhor”, Ele é o nosso mestre absoluto, com autoridade sobre tudo o que somos e temos.
  • Como “Jesus”, Ele é o nosso Salvador que nos livrou do pecado.
  • Como “Cristo”, Ele é o nosso Profeta, Sacerdote e Rei divinamente ungido.
Que nome precioso é o de nosso “Senhor Jesus Cristo”! Aos crentes de Filipos Paulo profere esta linda doxologia:
“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp.2:9-11).

III. PROPÓSITO E MENSAGEM DA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

1. O Propósito

Analisando com cuidado o seu conteúdo percebe-se que o propósito da Epístola foi dar aos crentes da Igreja de Éfeso e das igrejas circunvizinhas ensinos profundos sobre como manter a unidade do Corpo de Cristo e adverti-los a respeito do propósito da Igreja. Paulo sentia-se enormemente responsável pela saúde espiritual das igrejas locais que tinha fundado, e como naquele momento estava preso, a sua preocupação o motivou a escrever cartas e a enviar outros mestres e líderes para ajudar os cristãos e fortalecê-los na sua fé em Cristo.
Nas palavras de despedida de Paulo aos anciãos de Éfeso, no final de sua terceira viagem missionária, ele os incentivou a permanecerem alertas contra os falsos mestres (Atos 20:28-31). Paulo sabia que os novos crentes, como ovelhinhas, seriam presas fáceis para os falsos mestres e pregadores ambiciosos, que destruiriam o rebanho. Desta feita, Paulo escreveu esta Epístola para fortalecer e amadurecer os seus irmãos e irmãs cristãos na fé, explicando o objetivo da Igreja e convocando os crentes à sã doutrina e a uma vida santificada.
Hoje, muitos cristãos aceitam a fé em Cristo e a sua igreja como algo natural. Mas, com o passar do tempo, eles começam a criticar os seus irmãos na fé, os cultos de adoração, e os líderes da igreja local, e frequentemente se tornam suscetíveis às falsas doutrinas. Ao ler Efésios, devemos examinar as nossas atitudes à luz da descrição que Paulo faz da igreja, o corpo de Cristo, e consideremos como poderíamos incentivar e fortalecer outros irmãos na fé.

2. A Mensagem

Alguém disse que a Epístola aos Efésios alcança um campo mais vasto do que qualquer outra Epístola do Novo Testamento, com exceção, talvez, da Epístola aos Romanos. Ela abrange os judeus e os gentios, o céu e a terra, o passado, o presente e os tempos futuros. A sua mensagem principal é apresentar a Igreja como o Corpo de Cristo; é mostrar o que Deus fez por meio de Jesus Cristo e que continua fazendo pelo Seu Espirito Santo ainda hoje, a fim de edificar uma nova sociedade – a Igreja.
Depois de uma calorosa saudação (Ef.1:1,2), Paulo afirma a natureza da Igreja: o fato glorioso de que aqueles que creem em Cristo foram banhados com a bondade de Deus (Ef.1:3-8), escolhidos para participar da grandeza de Cristo (Ef.1:9-12), marcados com o Espírito Santo (Ef.1:13,14), cheios do poder do Espírito (Ef.1:15-23), libertados da maldição e da escravidão do pecado (Ef.2:1-10), e trazidos para perto de Deus (Ef.2:11-18). Como se dominado pela emoção ao se lembrar de tudo o que Deus fez, Paulo desafia os efésios a viverem próximos a Cristo, e inicia espontaneamente uma oração (Ef.3:14-21).
A seguir, Paulo volta a sua atenção às implicações de fazer parte do Corpo de Cristo, a Igreja. Os crentes devem ter unidade no seu comprometimento com Cristo e no uso dos dons espirituais ((Ef.4:1-16). Eles devem ter os padrões morais mais elevados (Ef.4:17-6:9). Para o indivíduo, isto significa rejeitar as práticas pagãs (Ef.4:17-5:20); para a família, significa a submissão e o amor mútuos (Ef.5:21-6:9).
A seguir, Paulo os lembra de que a igreja está em uma batalha constante contra as forças das trevas, e que eles devem usar todas as armas espirituais que estiverem à sua disposição (Ef.6:10-17).
Ele conclui pedindo as suas orações, dando uma missão a Tíquico, e proferindo uma bênção (Ef.6:18-24).
“Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios e o que eu faço, Tíquico, irmão amado e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo, o qual vos enviei para o mesmo fim, para que saibais do nosso estado, e ele console os vossos corações. Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo. A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef.6:21-24).

CONCLUSÃO

Concluímos esta Aula inicial afirmando que a Epístola de Éfeso é uma magnifica combinação de doutrina e dever cristãos, fé e vida cristãs, o que Deus fez por meio de Cristo e o que devemos ser e fazer em consequência disso. “Suas exortações nos impelem a viver em santidade e, alicerçados em Cristo – a Cabeça da Igreja (Ef.1:22) -, a batalhar contra as forças das trevas”. Lembrando que: “há um só corpo e um só Espírito...; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef.4:4-6).
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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Pr. Douglas Baptista. A IGREJA ELEITA. Redimida pelo Sangue de Cristo e Selada com o Espírito Santo. CPAD.
Pr. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Efésios. Igreja, a noiva gloriosa de Cristo.
SHEDD, Russel. Epístolas da Prisão: uma análise. São Paulo: Edições Vida Nova,
2005, p. 15.
STOTT, John. A Mensagem de Efésios. São Paulo: ABU Editora, 2007.
STOTT, John. Lendo Efésios.