domingo, 15 de janeiro de 2017

Aula 04 - ALEGRIA, FRUTO DO ESPÍRITO; INVEJA HÁBITO DA VELHA NATUREZA


1º Trimestre/2017

Texto Base: João 16:20-24

"Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos" (Fp.4:4).


INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre as Obras da Carne e o Fruto do Espírito, estudaremos, a partir desta Aula, as virtudes do Fruto do Espírito. Nesta Aula, estudaremos a Alegria, virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja, obra da carne. A Alegria, aqui, nada tem a ver com a ideia mundana de emoção alegre, efêmera, que está presente nos bares, nas casas de festas, nos shows deste mundo. Do grego “chara”, a Alegria (ou gozo) é uma confiança festiva independentemente das circunstâncias adversas. A Inveja é o contraponto à felicidade alheia. A pessoa invejosa não se contenta em ver o outro se desenvolver, obter sucesso e respeito pela atividade reconhecidamente exitosa pelos seus pares. Completamente oposta à Alegria, a Inveja só traz incertezas, falta de esperança, desajuste emocional e espiritual. Portanto, há um claro contraste entre a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, e a Inveja como elemento da Velha Natureza. Veja, a seguir, um quadro demonstrativo, extraído da Revista Ensinador Cristão:

ALEGRIA
INVEJA
- É um estado de graça e bem-estar espiritual.
- É um estado de desgraça e mal-estar espiritual.
- Sua fonte é Deus.
- Sua fonte é o Diabo e o “ego”.
- Está interligada à nossa comunhão com Deus.
- Está interligada com a ruptura de nosso relacionamento com Deus.
- Nos estimula a ter bom ânimo.
- Nos estimula a ter um ânimo dobre.
- Nos estimula a servir a Deus e ao próximo.
- Nos estimula a servir aos nossos próprios interesses.
- Há felicidade em ver o outro bem-sucedido.
- Há ódio e amargura em ver o próximo bem-sucedido.
- É um sentido nobre.
- É um sentimento perverso.

I. ALEGRIA, FELICIDADE INTERIOR

O crente salvo tem a verdadeira Alegria dentro de si, pois “...o Fruto do Espírito é: ...Alegria [gozo]...”. Esta alegria gerada pela ação do Espírito Santo, fará sempre, independente das circunstâncias externas e adversas, com que o crente possa fazer suas as palavras de Maria: “...a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc.1:46,47).

1. A Alegria do Senhor. A Alegria, como Fruto do Espírito, não está relacionada às circunstâncias e não depende dos bens materiais. Foi o que Paulo quis dizer quando escreveu aos Filipenses: “alegrai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Fp.4:4). Veja que o apóstolo Paulo nos ensina que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, independe das circunstâncias externas. Paulo diz: “alegrai-vos sempre”. Paulo quer dizer que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito Santo, é ultracircunstancial. Porque está alegre, estar feliz quando tudo está bem, até o ateu consegue. O desafio é ser a pessoa feliz apesar das circunstâncias adversas. Isto porque a Alegria do cristão não é apenas a presença de coisas boas ou ausência de coisas ruins. Veja que o apostolo Paulo quando escreveu a Epístola aos Filipenses não estava hospedado num hotel de luxo em Roma, mas numa prisão, algemado, no corredor da morte, na antessala do martírio, com o pé na sepultura, com a cabeça debaixo da espada de Roma.

O apóstolo Paulo diz, ainda, neste texto de Fp.4:4, que a Alegria, como virtude do Fruto do Espírito, não é um sentimento, é uma Pessoa; a Alegria do cristão é Jesus. Por isso Paulo diz assim: “alegrai-vos... no Senhor”. Quem tem Jesus, experimenta essa verdadeira Alegria. Quem não tem Jesus, pode ter momentos de alegria, mas não a Alegria verdadeira. Se você tem Jesus você é uma pessoa feliz, se você não tem Jesus você não é uma pessoa feliz. Neemias declarou: “a Alegria do Senhor é a nossa força” (Ne.8:10).

Todavia, você não precisa ser um bom entendedor da alma humana para perceber um fato: nem todos os crentes em Cristo Jesus estão desfrutando desta Alegria genuína, verdadeira, profunda, que o apóstolo Pedro diz ser “indizível e cheia de glória” (1Pd.1:8). Basta você olhar para o semblante de alguns crentes, conversar com eles, observar a conversa deles, você notará uma auréola de tristeza em seus rostos. E a pergunta é: o que esta acontecendo? E a resposta, talvez, possa ser clareada com o fato narrado em 1Samuel 30, lembram-se? A Alegria de Davi foi roubada.

Quando Davi chegou à cidade de Ziclagle, viu a cidade saqueada, queimada, ferida. E diz a Bíblia que os amalequitas levaram consigo os seus filhos, suas filhas, mulheres. E quando Davi viu aquela cena ele chorou até não ter mais força para chorar. Ele muito se angustiou. Seus companheiros de batalha queriam matá-lo. Mas diz a Bíblia que ele se reanimou no Senhor seu Deus e fez uma oração com apenas duas perguntas: “perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei?”. E Deus disse a Davi: persegue o inimigo Davi porque tudo o que ele tomou de você, você vai trazer de volta! Em outras palavras, talvez você teve sua alegria saqueada, roubada, espoliado, mas hoje você pode tomar de volta aquilo que foi roubado de você, espoliado de você.

A orientação de Paulo é que, todos os nossos problemas, todas as nossas dificuldades e necessidades, devem ser colocados diante de Deus em oração: “... em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração...” (Fp.4:6b). Portanto, a oração é o nosso canal natural de comunicação com Deus. Através dela, nós devemos abrir o coração diante d'Ele, com relação a todo tipo de desconforto e necessidade, apresentando minuciosamente a Ele, cada questão, de todas as que nos perturbam a alma.

Deus quer que você seja muito feliz, abundantemente feliz, superlativamente feliz, eternamente feliz! Portanto, “alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos”. Lembre-se, a maior Alegria do crente está no fato de que seu nome já foi escrito no Livro da Vida e que Jesus em breve voltará.

2. A fonte da nossa Alegria. A Alegria, que é Fruto do Espírito Santo, tem sua origem em Deus, e é Deus quem a coloca em nosso coração (Sl.4:7) e, por isso, não depende dos fatos que ocorrem à nossa volta, das circunstâncias, nem se abala com o que pode acontecer conosco, pois esta Alegria é o próprio Deus que habita em nós (Sl.43:4). É um verdadeiro óleo com o qual somos ungidos pelo Senhor (Sl.45:7). Jesus veio trazer esta Alegria, este óleo de gozo para substituir a nossa tristeza do tempo em que vivíamos em pecado (Is.61:3). Mas que operações divinas trazem Alegria ao homem? Cito apenas três:

a) A Salvação. A salvação gera no crente uma Alegria espiritual permanente, que não se acaba e que só tende a aumentar, assim como a nossa vida com Cristo, que, sendo uma vida, impõe um crescimento contínuo. A forte impressão de prazer trazida pela regeneração, pelo novo nascimento tem de aumentar a cada passo de nossa comunhão com Cristo, pois, se buscarmos mais a Deus, certamente seremos cada vez mais ungidos com o “óleo da alegria”, ou seja, teremos cada vez mais intensa comunhão com o Senhor, numa proximidade com Deus (Tg.4:8a), que só nos fará aumentar esta Alegria. Davi quando sentiu que não mais tinha comunhão com Deus, porque pecara contra Ele, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). Nenhum crente salvo pode viver sem esta Alegria. Ela é o fim de nossa fé – “obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pd.1:9).

b) A presença de Deus. A Alegria é a bandeira que tremula na torre do palácio quando o rei está presente. A presença de Deus é um elemento que aumenta ainda mais a Alegria do salvo. Quando o crente mantém uma vida devocional intensa, quando mantém uma vida de oração, uma vida de meditação na Palavra do Senhor, naturalmente que ganha maior intimidade com Deus, intimidade esta que é uma necessidade na nossa vida espiritual (Mt.6:6-8).

Sejam quais forem as circunstâncias externas que possam nos fazer sofrer, sentir tristeza, e até chorar, pelo Fruto do Espírito formado em nós, tem que emanar Alegria capaz de inundar nossa alma, pois “...na presença do Senhor há abundância de alegria...” (Sl.16:11). O próprio Deus é a fonte de toda a Alegria (Lc.1:47; Fp.4:4).

c) A bênção de Deus. No Salmo 126:3 está escrito: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres”. Quando recebemos bênçãos de Deus é motivo de Alegria. Diante daquilo que Deus nos tem feito, somos gratos e a manifestação mais propícia para o sentimento de gratidão é a Alegria. Quem é grato é alegre. O Louvor, que é uma expressão de Alegria, é filho da gratidão.

II. OS RESULTADOS DA ALEGRIA DO ESPÍRITO

1. Rosto radiante – “O coração alegre aformoseia o rosto...” (Pv.15:13). A Alegria, como Fruto do Espírito, é uma Alegria interna, que opera na alma e que mantém estreita comunhão com Deus e que faz com que um crente salvo, ainda que tenha um semblante sério, que seja introvertido, de pouco riso, e até “carrancudo”, se torne uma pessoa agradável, que irradia felicidade, uma bênção para quem convive com ele.

2. Cântico de Alegria. O louvor é resultado da Alegria espiritual. Afirma o apóstolo Tiago: “Está alguém contente? Cante louvores” (Tg.5:13b). O louvor provém de Deus (Rm.2:29) e só será apropriado e destinado ao Senhor por um homem que tenha alegria espiritual. Quem está alegre, louva ao Senhor, como nos provam vários exemplos bíblicos, como Davi, Maria, Jesus, Paulo e Silas, entre tantos outros.

O louvor é uma expressão de alegria espiritual, é consequência de uma vida de comunhão com Deus. Costumeiramente, nas Escrituras Sagradas, as expressões de alegria se fazem acompanhar de louvores (cf. 1Sm.18:6; 1Rs.1:40; 1Cr.15:16; 2Cr.23:18; 2Cr.29:30; 2Cr.30:21; Ne.12:27; Sl.59:16; Sl.100:2; Is.30:29; Jr.33:11). Por isso, o verdadeiro louvor é aquele que, em sua melodia e letra, exaltam a Deus, têm a Deus como centro e não buscam a agitação do corpo, pois é o resultado da Alegria espiritual, uma das qualidades do Fruto do Espírito que estão diretamente ligados ao relacionamento entre Deus e o homem.

3) Força divina. “...não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força” (Ne.8:10). Na vida de um verdadeiro crente só o pecado será capaz de roubar a Alegria de sua alma, visto que a Palavra de Deus diz, que “... o fruto do Espírito é: Alegria...”. Paulo escrevendo aos crentes de coríntios, declara: “Como contristados, mas sempre alegres...” (2Co.6:10). Contristados e Alegres, parece contradição. Contristar significa estar muito triste, aflito. Nesta condição, como pode alguém estar alegre? Para o homem sem Deus não pode, mas, para o crente fiel, pode. Ele pode estar “contristado”, no corpo, mas, alegre, no espírito.

No tempo de Neemias, literalmente, ninguém podia estar triste na presença do Rei (Ne.2:1). Mas, naquele dia, Neemias estava triste! - “E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira” (Ne.2:2). Neemias tinha razão em temer! Um copeiro com um problema tão grande capaz de refletir, negativamente, no seu próprio semblante, podia ser uma ameaça à vida do próprio rei. Eram poucas as pessoas de confiança que podiam ficar, a sós, com o rei. Neemias era uma delas. Podia perder não apenas o cargo, como também a própria vida. Assim, o homem de Deus, mesmo que esteja com “o coração sangrando”, quando ministra diante do Altar, e principalmente aos pecadores, eles precisam ver o seu rosto brilhar. Neemias conseguiu reverter o seu estado de tristeza em alegria. A Alegria do Senhor converteu-se em força na vida de Neemias e deu-lhe coragem para reconstruir Jerusalém. E assim, também, a Alegria, que é resultado da força divina, nos encoraja prosseguir em nossa difícil jornada.

III. INVEJA, O DESGOSTO PELA FELICIDADE ALHEIA

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv.14:30).

1. Definição. A Inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

2. Inveja, fruto da Velha Natureza. A Inveja é um sentimento negativo que pertence à natureza adâmica. Esse sentimento perverso tem a sua origem em Satanás, pois ele tentou usurpar os atributos divinos (Is.14:12-20). Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso, porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno (Ap.20:10). O apóstolo Paulo, também, diz que quem tem este sentimento da carne não herdará o reino de Deus (cf.Gl.5:21). Infelizmente, muitos crentes ainda se deixam dominar por esse sentimento e acabam prejudicando a Igreja do Senhor e impedindo até que algumas pessoas se convertam.

A Inveja é um sentimento ambicioso que não permite a pessoa vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele. A Inveja é um pecado grave; faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl.5:19-21; é o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv.14:30).

A excelência, o triunfo e o sucesso motivam a inveja. Ninguém inveja um miserável ou um mendigo; inveja, sim, conquistas, reconhecimento, bens materiais, riquezas, família estruturada, casamento feliz, amizades. É possível invejar um bom carro, um corpo lindo, uma casa maravilhosa, uma saúde de ferro, um cargo alto na hierarquia, um bom marido, uma boa esposa, uma mulher inteligente, o carisma de certas pessoas, etc.

Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. As conquistas devem inspirar-nos. O sucesso do outro deve sacudir nosso conformismo e estimular-nos a ser melhores a cada dia, olhando para Jesus, autor e consumador da fé (Hb.12:2a). Seja um eterno admirador dEle!

Você está descontente porque não tem o que deseja? Aprenda com o apóstolo Paulo a confiar nas promessas de Deus e no poder de Cristo (veja Fp.4:11). Paulo se concentrava no que deveria fazer e não no que achava que deveria ter. Paulo tinha as prioridades corretas e era grato por tudo o que Deus lhe dera. Ele havia se separado do que não era essencial, para que pudesse se concentrar no que é eterno.

Se você sempre quer mais, peça que Deus remova esse desejo e lhe ensine o contentamento em cada circunstância. Ele suprirá todas as suas necessidades, mas de uma maneira que Ele sabe o que é melhor para você. Em vez de pensar no que não temos, devemos agradecer a Deus pelo que Ele nos deu, e nos esforçar para ficar satisfeitos. Afinal, o nosso bem mais importante é gratuito e está disponível a todos: a vida eterna, que só é dada por Cristo.

3. Os efeitos da Inveja. A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição.

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

A Inveja pode levar a outros pecados como adultério e assassinato. Na Bíblia Sagrada vemos relatos de alguns casos de homens e mulheres que se deixaram levar pela inveja.

- Caim matou seu irmão Abel (Gn.4:5), apesar da advertência de Deus. Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn.4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender o próximo.

- Raquel, mencionada em Gênesis 30:1, teve inveja de sua irmã, Lia, pois esta tinha filhos, e disse a seu marido, Jacó: Dá-me filhos, senão morro. Pessoas morrem espiritualmente por esse sentimento.

- Em Atos 7.9 está escrito que os irmãos de José, movidos de inveja, venderam-no para o Egito. A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele. Mas, será que eles tinham paz? A história mostra que não. O invejoso não tem paz. O texto de Provérbios 14:30 afirma que a inveja é a podridão dos ossos. Ela mata o seu algoz aos poucos. O invejoso passa o tempo opinando sobre o que o outro tem e julgando, em vez de buscar alcançar seus objetivos.

- Saul, embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, demonstrou-se depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular desviou-se dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja. De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: autoestima baixa, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. Mas a pior consequência é o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

- Jesus Cristo foi preso e levado a Pilatos por inveja dos sacerdotes (Mt.27:18).

A inveja é obra da carne (cf. Gl.5:21) e somente encontra guarida nos corações daqueles que ainda são dominados pela velha natureza e não pelo Espírito Santo.

CONCLUSÃO

Existem muitos buscando alegria nas coisas do mundo, e da terra, e esta é uma alegria passageira, e por ela, muitos estão pagando um preço tão elevado, que pode lhes custar uma eternidade, sem Deus. Existem outros “fabricando” alegria artificial, por não saberem ou por não quererem pagar “o preço” para obtenção da verdadeira Alegria, como Fruto do Espírito. O segredo da felicidade está em termos comunhão com Deus, por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Que a Alegria, como Fruto do Espírito, seja derramada em nossos corações, mesmo enfrentando lutas e tribulações e que jamais venhamos permitir que a Inveja tenha lugar em nossos corações.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Antônio Gilberto. O Fruto do Espírito. CPAD.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. Alegria: Fruto da Graça.PortalEBD_2005.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Aula 03 - O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE


1º Trimestre/2017

Texto Base: Lucas 6:39- 49

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mt.26:41)

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INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o perigo das obras da carne. Qual o maior perigo? A resposta está no final do versículo 21 do capítulo 5 de Gálatas: ”... os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”. Isto significa que aqueles que praticam as obras da carne não receberão o prêmio de um lar eterno com Deus. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e modificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo. A oração e a vigilância são armas fundamentais que o crente tem que usar na luta diária contra as obras da carne. Todos nós estamos sujeitos a cairmos em tentação, mas se nos esforçarmos e dermos lugar ao Espírito Santo em nossas vidas, e deixar que Ele nos controle plenamente, dificilmente as obras da carne terão chance de se sobressair.

I. A VIDA CONDUZIDA PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

Nos é dito em Tiago 1:15, que a concupiscência ou os desejos ilícitos produzem o pecado. De acordo com 1João 2:15,16 todos os desejos pecaminosos são classificados em três categorias. Enquanto Eva estava diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela se deparou com estas três tentações: a concupiscência da carne - "a árvore boa para comer"; a concupiscência dos olhos - "a árvore agradável aos olhos"; a soberba da vida - "a árvore desejável para dar entendimento".

1. A Concupiscência da Carne. A concupiscência da carne simboliza a vida dominada pelos desejos, com pouco respeito por nós mesmos e por outras pessoas, a ponto de usá-las como coisas. Refere-se a qualquer desejo que incita alguém a alimentar a natureza sensual da carne (imoralidade, embriaguez, glutonaria, etc.). O fruto deu "água na boca" de Eva, mesmo sendo ele um fruto proibido. Nossos desejos e vontades devem ser controlados pelo Espírito Santo, pois os desejos da velha natureza são impuros e nos conduzem à morte espiritual.

2. A vida guiada pela Concupiscência da Carne. A “Carne” é a nossa natureza caída. São os impulsos e os desejos que gritam para serem satisfeitos. Segundo Augustus Nicodemus, “a ‘carne’ refere-se aos desejos impuros, que incluem todos os pensamentos, palavras e ações não puros: fornicação, adultério, estupro, incesto, sodomia e demais desejos não naturais, quer à intemperança no comer e no beber, motins, arruaças e farras, bem como todos os prazeres sensuais da vida, que gratificam a mente carnal e pelos quais a alma é destruída e o corpo, desonrado”.

Vivemos em uma sociedade hedonista, onde a busca pelo prazer tem feito com que muitos sejam dominados por desejos malignos, praticando, sem qualquer pudor, toda a sorte de impureza, e tudo em nome do prazer e da liberdade. Portanto, uma vida guiada pela concupiscência da carne é uma vida separada de Deus, cujo fim, se permanecer assim, será a perdição eterna.

3. A vida conduzida pela Concupiscência dos Olhos. A concupiscência dos olhos são as tentações que nos atacam de fora para dentro. É a tendência a deixar-se cativar pela exibição externa das coisas, sem investigar os seus valores reais. Refere-se à cobiça ou desejo descontrolado por coisas atraentes aos olhos, mas proibidas por Deus, inclusive o desejo de olhar para o que dá prazer pecaminoso. Os olhos são a lâmpada do corpo e as janelas da alma. Por eles entram os desejos.

Eva caiu porque viu o fruto proibido. viu as campinas do Jordão e foi armando suas tendas para as bandas de Sodoma. Siquém viu Diná e a seduziu. A mulher de Potifar viu José e tentou deitar-se com ele. Acã viu a capa babilônica e arruinou-se. Davi viu Bate-Seba e adulterou com ela e a espada não se apartou da sua casa.

Cuidado com os seus olhos! Se eles o fazem tropeçar, arranque-os, porque é melhor você entrar no Céu caolho do que todo o seu corpo ser lançado no inferno (Mt.5:29).

Nesta era pós-moderna, a concupiscência dos olhos inclui o desejo de divertir-se contemplando pornografia, violência, impiedade e imoralidade no teatro, na televisão, na internet (principalmente), no cinema, ou em periódicos. Longe de Deus e sem o controle do Espírito Santo, o homem manifesta seus desejos mais perversos, trazendo sérios prejuízos para os relacionamentos. Quando o homem se torna insensível à voz de Deus e ao Espírito Santo, sendo governado apenas por seus instintos, torna-se semelhante aos animais. Lucas 11:34 diz: “A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso”.

O crente não pode se deixar seduzir pelos prazeres deste mundo (1João 2:15-17). Uma vida conduzida pela concupiscência dos olhos é uma vida sem o domínio do Espírito Santo, logo uma vida que corre grande perigo de perder a Salvação, a vida eterna com Deus.

II. A DEGRADAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO

O homem sem Deus, dotado de uma natureza pecaminosa, outra coisa não faz senão desobedecer ao Senhor e satisfazer aos desejos da carne, praticando atitudes e ações que revelam um sentimento de autossuficiência e de egoísmo (são “amantes de si mesmos”, cf. 2Tm.3:2), que levam a um caráter altamente reprovável, despido de auto-direcionamento (não segue a sua vontade, mas o curso deste mundo – Rm.7:15; Ef.2:2), de cooperatividade (não leva em conta o próximo, mas única e exclusivamente a si próprio, aos seus deleites – Lc.8:14, 1Tm.5:16; Tg.4:1) e de auto-transcendência (são cegos e não reconhecem a Deus como o Senhor de todas as coisas – Mt.15:14; João 9:41; Rm.2:17-29). Portanto, o cristão que se engoda nas obras da carne e não se esforça para sair delas, desmoraliza o seu caráter.

1. O Caráter. O caráter é elemento da personalidade do ser humano que não é inato e pode ser mudado. Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua existência.

2. O Caráter moldado pelo Espírito. Um caráter moldado pelo Espírito Santo é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardes: “Ao anjo da Igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap.3:1). Não adianta apenas dizer que é crente, é preciso evidenciar o nosso caráter cristão mediante as nossas ações (Mt.5:16).

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o Templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl.137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé inquebrável no Deus vivo.

Concordo com o Pr. Osiel Gomes, quando diz que “muitos se dizem crentes, mas suas ações demonstram que nunca tiveram um encontro real com o Salvador. Muitos estão na igreja, mas ainda não foram realmente transformados por Jesus, pois quem está em Cristo é uma nova criatura e como tal procura andar em novidade de vida, pois já se despiu do velho homem, da natureza adâmica (2Co.5:17). Crentes que vivem causando escândalos, divisões, rebeldias, jamais experimentaram o novo nascimento”.

3. Ataques ao seu Caráter. Na nossa jornada temos que lutar contra três inimigos que farão de tudo para macular o nosso caráter: a carne, o Diabo e o mundo. Para enfrentar e vencer esses inimigos é necessário ter uma vida de comunhão com o Pai. É necessário orar, ler e estudar a Palavra de Deus. Sem a leitura da Bíblia e a oração não conseguiremos vencer a concupiscência da carne.

O caráter de Daniel e de seus amigos, na Babilônia, foi atacado. O caráter deles foi colocado à prova diante da determinação do rei Nabucodonosor. Veja o que diz Daniel 1:5-8: “E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”. Aqui, mostra que o maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos:

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso, a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: Bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. UMA VIDA QUE NÃO AGRADA A DEUS

“O propósito do cristão deve ser viver uma vida que agrada a Deus, caso contrário, não tem valor algum professar a fé cristã”.

1. Viver segundo a carne.Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”(Rm.8:8). Os que estão na carne não podem agradar a Deus, porque a única maneira de agradá-lo é submeter-se e obedecer à sua Lei, à Sua Palavra, à Sua vontade. As obras da carne e o Fruto do Espirito são mutualmente exclusivos. Quem pratica as obras da carne jamais produzirão Fruto do Espirito, pois quem pratica as obras da carne não está ligado à videira, que é Cristo. Portanto, é impossível obedecer à carne e ao Espírito ao mesmo tempo (Rm.8:7,8; Gl.5:17,18). Se alguém deixa de resistir, pelo poder do Espírito Santo, a seus desejos pecaminosos e, pelo contrário, passa a viver segundo a carne (Rm.8:13), torna-se inimigo de Deus (Rm.8:7; Tg.4:4), e a morte espiritual e eterna o aguarda (Rm.8:13).

Portanto, quais são os nossos objetivos na vida? Quais têm sido as nossas intenções?
Por que e para que estamos a praticar estes ou aqueles atos? Isto nos mostra se andamos segundo a carne ou segundo o Espírito. O justificado pela fé em Cristo Jesus age sempre por motivos e propósitos que estão de acordo com a vontade de Deus, que nos mantêm separados do pecado e que, por isso, não nos impede de prosseguir na nossa comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo é contundente quando diz que a “inclinação da carne” é inimizade contra Deus e os que são segundo a carne não podem agradar a Deus (Rm.8:7,8). Temos aqui uma contundente declaração das Escrituras que desmente todo e qualquer movimento de tolerância e convivência com o pecado, movimentos estes que, lamentavelmente, estão presentes e em número cada vez maior no meio do segmento dito evangélico. Quantos não estão a dizer que “Deus só quer o coração”? Quantos não têm procurado se basear em “doutores conforme as suas próprias concupiscências” (cf. 2Tm.4:3) para justificar as suas condutas pecaminosas e a prática da iniquidade? Os dias de hoje são difíceis e não são poucos os que têm se esforçado em encontrar guarida para as suas “inclinações da carne”, mas o Senhor, na Sua Palavra, é bem claro, é claríssimo: “os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm.8:8).

2. Vivendo como espinheiro. Os ramos que não produzem frutos são arrancados (João 15:2). O propósito do ramo é dar fruto. Se o ramo não dá fruto, não tem valor para o lavrador, por isso ele o tira. Exemplo triste deste tipo de julgamento é encontrado na história da nação israelita. Deus Pai, o Lavrador, no passado plantou uma vinha – “ E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre e também constituiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas...a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel...”(Is.5:2-7).

Deus não apenas plantou, como também dotou-a de todas as condições para que nela houvesse colheitas abundantes das melhores uvas da terra. Porém, Israel falhou! Produziu uvas bravas! A vinha foi rejeitada - “A gora, pois, vos farei saber o que hei de fazer à minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cevada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuvas sobre ela” (Is.5:5,6). Israel pagou e continua pagando o preço de sua desobediência.

A Igreja, hoje, é nova Vinha do Senhor. Como Igreja ela não será rejeitada. Porém, cada crente, em particular, é advertido sobre a necessidade de produzir frutos, e frutos bons – “todo ramo em mim que não dá fruto, a tira... Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto...”.

Quem vive segundo a carne se torna um espinheiro, inútil para Deus e para a Igreja. Israel foi rejeitado porque não deu os frutos que Deus esperava de sua vinha. Israel tornou-se um espinheiro. Certamente que o Espírito Santo não deseja que aconteça o mesmo conosco.

3. Uma vida infrutífera. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se produza o Fruto do Espírito. Cristo é a Videira e Deus é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora (João 15:6).

Na Parábola da Figueira estéril, o Senhor Jesus disse que “...um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará; e, se não, depois a mandarás cortar” (Lc.13:6-9).

Embora a figueira estivesse na vinha, ela não tinha outro propósito a não ser dar fruto. Visto que a figueira era infrutífera, não teria o direito de existir. É fruto que o dono da vinha procura. Não folhas. As folhas dão beleza à árvore, mas, não alimentam. Quem tem fome, precisa de fruto.

Certa feita, a caminho de Jerusalém, Jesus teve fome – “E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente” (Mt.21:18,19). Era uma árvore bonita, tinha aparência, pois, estava carregada de folhas. Porém, foi amaldiçoada porque não tinha fruto. Não basta ter aparência, é preciso ter fruto. Através de uma vida frutífera glorificamos a Deus e testificamos que somos discípulos de Jesus – “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Mt.7:8).

Dar muito fruto deve ser o ideal bíblico desejado por todos os salvos. Isto é possível, pois, somos como “...a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem; e tudo quanto fizer prosperará” (Sl.1:3). Estar em Cristo é a condição. Jesus disse: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muitos frutos. Porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). Não basta estar perto de Cristo, e muito menos longe. Faz-se necessário estar ligado a Ele, ser parte do seu próprio Corpo, para que possa receber da sua seiva (Espírito Santo) e assim dar muitos frutos.

CONCLUSÃO

A Carne é mais que sensualidade, é mais que luxúria sensual, é o homem vivendo no nível terreno e material, separado de qualquer contato com o espiritual ou o sobrenatural. Os que são dominados pela Carne buscam agradar a Carne e praticar suas obras (Gl.5:19-21). O resultado óbvio é que os que estão na Carne não podem agradar a Deus, serão excluídos da Videira e, por conseguinte, cortados e lançados para serem queimados, ou seja, excluídos para sempre da presença de Deus.

Que Deus possa nos abençoar e que saibamos, precisamente, viver em santidade, sendo Árvore frutífera para Deus até o instante da nossa glorificação.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Aula 02 - O PROPÓSITO DO FRUTO DO ESPÍRITO


1º Trimestre/2017

Texto Base: Mateus 7:13-20

"Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Mt.3.8)

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o propósito do Fruto do Espírito, que é provar a verdadeira espiritualidade da pessoa convertida. O Fruto do Espírito representa o que o homem é, fala do seu tempo andando com Deus. A sua formação requer uma vida de entrega nas mãos do Senhor, vida no Altar, vida de renúncia, de consagração, vida de dedicação à Obra de Deus, vida cheia do conhecimento de Sua Palavra.

Quando o ser humano recebe Jesus Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, e mantém uma comunhão intensa com Ele, o Espírito Santo gera nessa pessoa virtudes que refletem o caráter de Deus, que o apóstolo Paulo chama de Fruto do Espírito. O Fruto é gerado na medida em que o Espírito Santo vai transmitindo, ou gravando, no caráter do homem virtudes existentes em Deus, das quais Paulo relacionou nove em Gálatas 5:22, a saber: "amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio". Na verdade essas virtudes constituem o propósito e o alvo de Deus para os crentes quando nos permitimos ao controle irrestrito do Espírito Santo. É o próprio Espírito Santo quem produz em nós essas virtudes. Elas são a maravilhosa descrição do Caráter de Cristo que devemos adquirir dia a dia pelo estudo da Palavra de Deus e comunhão devocional com o Senhor. Somente quando tais virtudes tornam-se perceptíveis em nossas vidas podemos entender o que é ser um cristão cheio do Espírito Santo.

Se dermos lugar ao Espírito Santo e santificarmos nossas vidas, as pessoas verão que Deus está em nossas vidas, pois pelos frutos somos conhecidos. Aliás, um dos propósitos do Fruto do Espirito é nos identificar. Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, o crente verdadeiro é reconhecido por suas ações. O Fruto também revela a nossa comunhão e o quanto temos aprendido do Senhor.

I. A VIDA CONTROLADA PELO ESPÍRITO SANTO

1. É uma vida frutífera. Quando o crente não se submete em tudo ao controle do Espírito Santo, ele não consegue resistir e neutralizar os desejos da natureza pecaminosa. Mas quando o Espírito tem esse controle, o crente torna-se igual um solo fértil para o Espírito produzir o seu bendito Fruto descrito em Gálatas 5:22. Somente pelo poder do Espírito o crente consegue sempre vencer os desejos, a cobiça e as inclinações da carne e viver uma vida frutífera.

Um aspecto importante que observamos na botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico, é o resultado de todo um ciclo vital. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. Portanto, como se vê, o Fruto é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do Fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação deste Fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que vamos, demos fruto e o nosso fruto permaneça (João 15:16).

Somos de Cristo para que demos frutos para Deus (Rm.7:4). Quem não dá Fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele (João 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha (Lc.13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor (Mt.21:18-22; Mc.11:12-14). Aliás, é esta a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do seu povo.

Certa feita, Jesus estava com fome e se dirigiu até uma figueira para colher dela frutos. Mateus nos informa que a figueira estava situada à beira do caminho (Mt.21:19). Uma posição estratégica para os que gostam de ser vistos, admirados e elogiados pelos que passam pelas estradas da vida. Aquela figueira era uma árvore frondosa - uma figueira com muitas folhas. Folhas agradam os olhos, mas não servem de alimento. Jesus estava com fome. Jesus era israelita, nasceu e cresceu em Israel, logo Ele sabia que não acharia fruto naquela figueira (cf. Mc.11:13). Mesmo assim “foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando-se a ela não achou senão folhas”. Não achou frutos porque não era tempo de figo. Porém, não gostou de não ter achado e amaldiçoou a figueira - “E Jesus, falando, disse à figueira; nunca mais coma alguém fruto de ti” (Mc.11:14). E eles passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoastes, se secou”(Mc.11:20,21).

Pode parecer estranho o fato de Jesus ter amaldiçoado a figueira por não achar nela fruto - ele sabia “que não era tempo de figos”. O que nos parece é que o Senhor Jesus quis usar aquela figueira para ministrar Lições ao Seu povo.

Lição 1: O Senhor procura frutos, e não folhas (Mt.21:19). O Senhor não se impressiona com nossa “bela folhagem”, com nossa aparência pessoal. Não basta ter aparência; não basta estar à beira do caminho para ser visto, admirado, elogiado. Sem frutos a figueira secará.

Lição 2: Na vida espiritual todo tempo é tempo de dar frutos. Não existe uma Estação própria, um tempo apropriado. O Senhor Jesus se julga no direito de procurar frutos em nós, em todo o tempo.

- Crente tem que dar frutos na Primavera. A Primavera, na vida espiritual, é aquele período quando tudo são flores, quando a temperatura é amena, quando o céu é azul, quando os dias são claros e belos. É quando o crente está em “Elim”, onde existe sombra e água fresca - “... e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras...”( Êx.15:27). Se você, meu irmão, está em “Elim”, e se é primavera na sua vida espiritual, aproveite este tempo para dar muitos frutos para o Senhor.

- Crente tem que dar frutos no Verão. O Verão, na vida espiritual, é aquele período de intenso calor, quando a “areia do deserto” queima nossos pés e o sol abrasa nossas cabeças, quando a água fica racionada, e, às vezes, a própria energia. É aquele período em que de repente o tempo muda e desabam violentos temporais, provocando inundações, vendavais, estragos, prejuízos.

Foi nesta estação em que, de um momento para outro, José foi lançado na prisão, os três hebreus jogados na fornalha de fogo, João exilado em Pátmos. Era verão espiritual em suas vidas, mas, José deu frutos na prisão, os três hebreus deram frutos na fornalha, João deu frutos em Pátmos. Nós, também, podemos dar frutos em nosso verão espiritual.

- Crente tem que dar fruto no Outono. O Outono, na vida espiritual, é aquele período em que a beleza da vida fica ofuscada, as folhas caem, as árvores parecem secas, sem vida. O ânimo fica abatido. Mesmo nesse período de abatimento, frustrações, desânimo, o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

- Crente tem que dar fruto no Inverno. O Inverno, na vida espiritual, é aquele período de frieza, quando os dias tornam-se ofuscados, cinzentos. Ser crente no inverno espiritual não é fácil, mas é possível desde que estreitemos nossa comunhão com Deus e deixemos que o calor do Espírito Santo aqueça nossa alma. Mesmo no Inverno o crente precisa produzir frutos para o Senhor.

Aquele mesmo Senhor que procurou figo naquela figueira, sabendo que não era tempo de figo, também procura fruto em nossa vida porque, para Deus, todo tempo é tempo de produzir frutos. Pense nisso!

2. É uma vida que externa santidade. Nós não fomos salvos para somente frequentarmos a congregação, mas para revelar Cristo ao mundo por intermédio de um viver santo, justo, em meio a uma sociedade comprometida pelo pecado (Fp.2:15).

Ser Santo é uma exigência de Deus – “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala a toda a Congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:1,2). Não é uma exigência do Antigo Testamento e nem é somente para Israel. A mesma exigência foi reafirmada no Novo Testamento e em relação à Igreja: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”(1Pd.1:15-16).

O crente verdadeiro, sincero, genuíno é alguém que se preocupa, a todo instante, em agradar a Deus e, por isso, distancia-se do pecado, do mal e se aproxima de Deus. Tudo faz em suas tarefas diárias para agradar a Deus.

3. É uma vida produtiva. O Senhor Jesus Cristo afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (João 15:8). Dar fruto... dar “muito fruto” é uma condição imposta por Jesus para aquele que quiser ser seu discípulo. Deus não pede o que não temos para dar e que Deus não exige o que não podemos fazer. Assim, se o Senhor Jesus exigiu como condição o dar muito fruto para poder ser seu discípulo é porque ele sabia que o homem podia cumprir esta condição. É claro que o homem natural não pode ser seu discípulo, porque não pode, por si só, cumprir suas condições. Para ser discípulo de Jesus, o homem natural precisa, primeiro, aceitá-lo como seu Senhor e Salvador, precisa nascer de novo, precisa torna-se um homem espiritual.

Todavia, mesmo o homem nascido de novo, não poderia, por si só, fazer a vontade de Deus e cumprir a Sua Palavra. Sabendo disto, Deus Pai, por intermédio de Jesus, enviou para estar com o homem, o Espírito Santo, sobre o qual o Senhor Jesus declarou: “Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade...” (João 16:13). Paulo complementou, dizendo: “E da mesma maneira também o Espírito Santo ajuda as nossas fraquezas...” (Rm.8:26). 

Cristo é a Videira e Deus Pai é o Lavrador que cuida dos Ramos para torná-los frutíferos. Os Ramos são todos aqueles que se decidiram seguidores de Cristo. Os Ramos frutíferos são os verdadeiros crentes que, por meio da união de sua vida com a de Cristo, propiciam a Deus uma colheita abundante. Mas aqueles que se tornam improdutivos, que se negam a seguir a Cristo depois de estabelecerem um compromisso superficial com Ele, serão separados da Videira. Os seguidores improdutivos são como mortos; serão cortados e lançados fora. Estamos frutificando? Somos verdadeiramente salvos?

Podemos afirmar, com absoluta convicção, que, se não nos deixarmos guiar e se não formos ajudados pelo Espírito Santo, não daremos fruto, nem muito e nem pouco! Quem não dá fruto não pode dizer que é discípulo de Jesus. Quem não frutifica, diz o Senhor, é cortado e lançado fora. Não é possível ser crente, ser salvo sem que se tenha uma vida produtiva, sem produzir o Fruto do Espírito.

II. OS PROPÓSITOS DA FRUTIFICAÇÃO ESPIRITUAL

1. Expressar o caráter de Cristo. A partir do Novo Nascimento, o homem passa a ter um novo ambiente, que é o ambiente da comunhão com o Senhor, pois o próprio Senhor vem habitar no crente (Rm.8:9; João 14:23) e isto fará com que seja modificado o seu caráter. Adquirimos um novo caráter, o caráter cristão, que é o que Paulo denomina de “o Fruto do Espírito”, que é idêntico a todos os crentes, resultado da atuação do mesmo Espírito que habita em cada um deles.

O segredo de apresentarmos um caráter cristão e de controlarmos o nosso temperamento para que este caráter se forme e, portanto, que produzamos o Fruto do Espírito, é o de nascermos de novo. O Novo Nascimento é uma necessidade, como o Senhor Jesus deixou claro a Nicodemos, um cidadão de bem, culto, educado e religioso; porém, um homem natural, movido pela sua velha natureza carnal.

A natureza humana, por melhor que possa parecer, não contém os fertilizantes necessários à formação do Fruto do Espírito. Por esta razão o Senhor Jesus foi taxativo, ao declarar que “...na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus... O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:3,6). A expressão “o que é nascido da carne é carne” significa que o que é nascido da carne, ou seja, o homem natural, não importando sua posição social, política, econômica, no seu corpo serão produzidos as obras da carne. Daí a necessidade de uma transformação, de um Novo Nascimento, ou de uma Regeneração. Neste processo, a velha natureza, ou “o velho homem” tem que morrer para que surja um “novo homem”, formado por uma nova natureza – “... o que é nascido do Espírito é espírito”. Isto ocorre no exato momento em que o homem aceita o Senhor Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, ou seja, no momento de sua Conversão. Nesse instante ocorre uma transformação semelhante àquela que ocorreu em Caná, da Galiléia, quando o Senhor Jesus transformou água em vinho (João 2:1-11).

Ninguém viu e ninguém poderia explicar o que aconteceu ali. A água estava dentro das talhas, e as talhas eram de pedra. Também não houve demora, foi um ato repentino. A água, que num momento atrás era um liquido incolor, insípido e inodoro, sofreu uma transformação, tornando-se um líquido com cor, com gosto e com cheiro. Nada podia fazer lembrar que aquele vinho, momentos antes, tivesse sido água.

O Novo Nascimento significa, portanto, uma mudança completa, total, absoluta – “...se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co.5:17).

No exato momento da Conversão o “velho homem” é transformado num “novo homem”. O homem carnal, ou natural, é transformado num homem espiritual, e de forma simultânea, recebe a Regeneração, ou seja, é gerado de novo; a Justificação, pela qual é declarado como se nunca tivesse pecado; é galardoado com a Adoção, tornando-se filho de Deus, recebendo, ainda, a Santificação. Este processo denomina-se Salvação.

2. Abençoar outras pessoas. Na medida em que praticamos boas obras, na medida em que passamos a demonstrar o caráter cristão, estaremos, também, trazendo o bem às pessoas que nos cercam. O crente é sal da terra e luz do mundo e, portanto, iluminará os ambientes que frequenta, como também conservará a pureza ou curará os males do lugar onde está. A Bíblia diz que o crente é a nascente de um rio de água viva (João 7:38) e, como nos ensina a geografia, o rio é um elemento primordial para que se constitua um núcleo humano de habitação, para que se construa uma sociedade, uma comunidade. O crente, portanto, é um elemento que traz a vida para as pessoas, que permite com que as pessoas possam ser despertadas para a realidade da necessidade da comunhão com Deus e com o próximo, mas isto tudo somente pode ocorrer se houver a produção do Fruto do Espírito, sem o que este rio não nascerá, sem o que este rio não será água corrente, mas apenas uma cisterna rota, de água parada, mal cheirosa e produtora de doenças (Jr.2:13).

3. Glorificar a Deus (João 15:8). Por fim, como diz o próprio Jesus, vemos que a presença de crentes frutíferos leva os ímpios a glorificarem a Deus (Mt.5:16). A Igreja, aqui, em perfeita consonância com o Espírito Santo, faz com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus. O trabalho do Espírito Santo é o de glorificar a Jesus (João 16:14), assim como o trabalho de Cristo na Terra foi o de glorificar o Pai (João 17:4). Nós, como corpo de Cristo, temos de prosseguir neste trabalho de glorificação do Pai e isto só será possível através das nossas boas obras.

III. O FRUTO DO ESPÍRITO EVIDENCIA O CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

1. O que é Caráter. O Caráter é o traço distintivo de uma pessoa, é a sua marca. Por mais que seja melhorada pelos processos educacionais e éticos, ele será a marca distintiva da natureza do homem. Nicodemos, do ponto de vista humano, era um homem de bom caráter, um homem de bem. Contudo, do ponto de vista de Jesus, como homem natural, ele não estava habilitado a produzir bons frutos. Ele continuava sendo um “espinheiro”. Para produzir “uvas”, precisava de uma mudança em sua natureza. Esta mudança só é possível através do Novo Nascimento. Depois disto, então, o homem poderá produzir “frutos bons”.

O crente que evidencia o caráter de Cristo tem um comportamento, uma conduta diferente dos demais homens, porque tem uma natureza diferente, é de uma espécie diferente. Enquanto o crente é filho de Deus, o ímpio é filho do diabo (João 8:44); enquanto o crente é luz, o ímpio é treva; enquanto o crente tem vida, o ímpio está morto. Portanto, não pode haver comunhão entre o crente e o descrente. Assim, não podemos admitir o discurso de que o crente deve assumir a forma do descrente, até para “ter maior facilidade na evangelização”. Não temos, em absoluto, que tomar a forma do mundo (cf. Rm.12:2), mas buscar transformá-lo.

Devemos analisar as pessoas pelos frutos que produzem, ou seja, devemos verificar quais são as suas atitudes, qual é o seu caráter, não simplesmente o que está aparecendo em torno delas. Não nos preocupemos com os sinais, prodígios e maravilhas que alguém venha a fazer, mas, sim, com a presença do caráter cristão na sua vida. Não nos preocupemos com a vestimenta que alguém está usando, mas com a presença do caráter cristão na sua vida. É pelos frutos que reconheceremos quem é crente e quem não o é.

O caráter cristão permite-nos vislumbrar quem tem, ou não, comunhão com o Senhor e isto é que é importante, pois a comunhão com Deus representa a libertação do pecado e a consequente aceitação por Deus.

Aos religiosos que procuravam João Batista para serem batizados, ele advertia-os, dizendo-lhes: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento... E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada não fogo” (Mt.3:8,10). Por estas palavras de João Batista entendemos que não basta ao homem mudar de Religião, mas, que é necessário uma mudança de vida. Aquele homem “mau caráter” precisa ser transformado num homem de “bom caráter”. Não se trata, pois, de melhorar a qualidade do fruto, mas mudar a sua natureza. Um limão por melhor que seja, será sempre limão, e para ser bom precisa ser azedo. É preciso, portanto, mudar a natureza do fruto, e, não apenas melhorar a sua qualidade – “... toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus-frutos, nem a árvore má dar frutos bons” (Mt.7:17,18). Segundo Jesus, é pela qualidade dos frutos produzidos que se conhece a árvore – “Por seus frutos os conhecereis...” (Mt.7:16).

Pelos frutos é possível saber se o homem mudou de vida, se é, agora, um novo homem, ou se apenas mudou de Religião, e continua sendo o velho homem, envolto com as obras da carne. “Porque cada árvore se conhece pelo seu fruto...”, segundo afirmou Jesus.

2. O Fruto do Espírito evidencia o caráter de Cristo em nós. O Fruto do Espírito é a expressão da natureza e do caráter de Cristo através do crente, ou seja, é a reprodução da vida de Cristo no crente.

O pecado afetou consideravelmente a imagem de Deus em nós levando-nos a produzir as obras da carne. Entretanto através do novo nascimento, Cristo é novamente formado em nós e assim somos transformados constantemente de glória em glória, crescendo na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (2Co.3:17,18).

Observe que em Gálatas 5:22 o vocábulo Fruto está no singular, apesar de apresentar nove virtudes. Isto quer dizer que o Espírito Santo produz uma só qualidade de fruto, a saber: AMOR.



“AMOR” é a suprema virtude do Fruto do Espírito. É divino, não se trata de vários tipos, mas vem de Deus, o qual foi derramado em nossos corações (Rm.5:5). Apresenta-se em três dimensões: (a) Dimensão Vertical (Relação com Deus): Amor, Alegria, Paz; (b) Dimensão Horizontal (Relação com o próximo): Paciência, Benignidade, Bondade; (c) Dimensão Interior (Relação com si mesmo): Fidelidade, Mansidão, Temperança.

- Amor (gr. ágape). É o amor divino para com a humanidade perdida (João 3:16). É um amor imutável, sacrificial, espontâneo e que nos leva a amar até os próprios inimigos (Mt.5:46,48).

- Alegria (gozo). É o amor em estado de contentamento. É uma alegria constante na vida do crente, decorrente de seu bem-estar com Deus. Este amor se manifesta inclusive nas tribulações (2Co.7:4; At.13:52).

- Paz. É o amor em estado de quietude. É uma tranquilidade íntima e perfeita, independente das circunstâncias. Manifesta-se em três sentidos: Paz com Deus (Rm.5:1; Cl.3:15); Paz com o próximo (Rm.12:18; Hb.12:14) e; a Paz interior, a Paz que guarda nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus (Fp.4:7). Os ímpios não têm paz! (Is.48:22).

- Longanimidade (paciência). É o amor que suporta a falta de cortesia e amabilidade por parte dos outros (Ef.4:2; 2Co.6:4). É a paciência de forma contínua.

- Benignidade. É o amor compassivo e misericordioso. É o amor agradando. É a virtude que nos dá condições de sermos gentis para com os outros, expressando ternura, compaixão e brandura.

- Bondade. É o amor ajudando. É o amor em ação. É o amor generoso e caridoso. Se antes fazíamos o mal agora Cristo nos capacita para sermos bons para com todos.

- Fé. É o amor em sua fidelidade a Deus (1Pd.1:6,7). Não é apenas crer e confiar. É também ser fiel e honesto, pois Deus é fiel (1Co.1:9). Aqui, o crente se mantém fiel ao Senhor em quaisquer circunstâncias. Descobrimos se temos esta qualidade quando somos desafiados à infidelidade.

- Mansidão. É o amor pacificando. Virtude que nos torna pacíficos, com serenidade e brandura diante de situações irritantes, perturbadoras e desagradáveis. Devemos aprender a mansidão com Jesus (Mt.11:29). Ele se conservou manso diante de seu traidor (1Pd.2:21-23), e curou a orelha do servo do sumo sacerdote que fazia parte dos que tinham ido prendê-lo (Lc.22:51).

- Temperança (domínio próprio). É o amor equilibrando. Deus respeita o nosso livre arbítrio e por isso não nos domina, mas nos guia na verdade. Além da orientação do Espírito Santo contamos com o domínio próprio que atua como um freio contra as paixões da carne as quais vão contra os propósitos de Deus para nossa vida.

Por si só, o homem não tem condições de produzir o Fruto do Espírito. Sua inclinação natural será sempre de produzir os frutos da carne. Como, pois, esse Fruto pode ser produzido? Pelos esforços humanos? De modo algum. É produzido quando os cristãos vivem em comunhão com o Senhor. O Espírito Santo opera um milagre maravilhoso enquanto fixamos os olhos no Salvador em amorosa adoração e quando lhe obedecemos na vida diária. Ele nos transforma para sermos semelhantes a Cristo (2Co.3:18). Como um ramo recebe da videira vida e nutrição, assim também o crente em Cristo recebe toda a sua força da verdadeira vide, e assim ele é capaz de viver uma vida frutífera para Deus.

CONCLUSÃO

Assim como uma árvore é conhecida pelos seus frutos, assim o verdadeiro crente é conhecido por suas ações. Portanto, o propósito do fruto do Espírito é nos identificar, é revelar a nossa verdadeira comunhão com o Senhor. Quando somos cheios do Espírito Santo e permitirmos que Ele trabalhe em nosso caráter, passamos a produzir o Fruto do Espírito, conforme Gálatas 5:22. Busquemos um relacionamento pessoal com Cristo, sejamos cheios do Espírito Santo e produzamos muitos frutos para a glória de Deus.

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 69. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã.

Ev. Caramuru Afonso Francisco. O Fruto do Espírito Santo e o caráter cristão. PortalEBD_2005.