domingo, 15 de julho de 2018

Aula 04 – A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES


3º Trimestre/2018

Texto Base: Levítico 13:1-6

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 “E [Jesus] ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas disse-lhe: Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho” (Lc.5:14).
INTRODUÇÃO
As funções do sacerdote iam além da liturgia. Muitas outras funções os sacerdotes desempenhavam, dentre elas estava a função social, como, por exemplo, purificar os imundos (Lv.15:30,31), decidir os casos de ciúme (Nm.5:14,15), decidir os casos de lepra (Lv.13:2-59), julgar os casos de controvérsia (Dt.17:9-13; 21:5), ensinar a lei (Dt.33:10; Ml.2:7), encorajar o povo quando iam à guerra (Dt.20:1-4). Eram funções, que exigiam discernimento e muita sabedoria por parte do sacerdote; ele tinha que ter discernimento entre o que era puro e impuro, certo ou errado, santo e profano, pois deveriam ser o mais alto referencial da nação no que tange à Palavra de Deus, à instrução e à administração da justiça - “Porque os lábios do sacerdote guardarão a ciência, e da sua boca buscarão a lei, porque ele é o anjo do SENHOR dos Exércitos” (Ml.2:7).
I. FUNÇÕES CLÍNICAS
“Libertos do Egito, os israelitas corriam o risco de transmitir à próxima geração enfermidades como a lepra (Dt.7:15), a doença mais temida da antiguidade. Por isso, Deus encarregou os sacerdotes de inspecionar clinicamente o seu povo”. 
1. A lepra nos tempos bíblicos. A lepra era a doença mais temida da antiguidade. O seu poder de contágio era enorme, e por isso ela causava muito repulsa entre as comunidades. Levítico menciona quatro tipos de lepra (Lv.13:2,4,26,31) e outras enfermidades contagiosas.
O leproso tinha uma vida miserável: era afastado do convívio familiar, dos amigos, da sociedade, de qualquer relacionamento pessoal; tinha de vestir roupas rasgadas e andar com os cabelos desgrenhados. Além disso, sempre que alguém se aproximasse, ele deveria cobrir o bigode ou buço e gritar: “imundo! Imundo!”. Esse procedimento tinha um objetivo: impedir a propagação da infecção.
A pessoa contaminada era obrigada a viver fora da cidade (Lv.13:46), e seus bens com os quais teve contato, e até mesmo a casa onde morava, deveriam ser destruídos e queimados. Não havia nenhuma esperança para a pessoa contaminada, só a morte era certa. Se Deus não a curasse, médico algum poderia fazê-lo, haja vista o caso do general sírio Naamã (2Rs.5:1-14). O Senhor Jesus, durante o seu ministério terreno, curou diversos leprosos e ordenou a seus discípulos a que os purificassem em seu nome (Mt.10:8; 11:5).
Em Israel, sempre que alguém apresentava algum dos sintomas da lepra deveria encaminhar-se ao sacerdote para ser examinado (Lv.13:1-37). Conforme o diagnóstico, o paciente era declarado limpo ou impuro (Lv.13:2,3). Quando era detectada com exatidão a existência de lepra na pessoa, imediatamente ela era considerada imunda e excluída da sociedade para evitar epidemia (Lv.13:46).
Na Antiga Aliança, o pecado poderia levar a pessoa a ser cometida de lepra. Vemos três casos emblemáticos na Bíblia: Miriã, que falou mal de Moisés (Números 12); Geazi, que pegou os bens de Naamã (2Reis 5); e o rei Uzias, que quis exercer a função sacerdotal, que não lhe era permitida (2Cr.26:16).  A principal consequência da lepra era a separação. A lepra é símbolo do pecado, pois causa a separação do homem de Deus (Is.59:2), caso não seja extirpado. É a situação mais dramática para um ser humano.
A lepra do pecado não pode permanecer na vida de um servo de Deus; na Universal Assembleia dos Santos (a Igreja de Cristo) não é permitido a presença da lepra do pecado. O nosso Sumo Sacerdote, não somente está pronto para fazer um diagnóstico, mas também nos tornar limpo, porque o seu sangue nos purifica de todo o pecado (1João 1:7).
2. A inspeção clínica (Lv.13:1-59). Em sua peregrinação à Terra Prometida, os israelitas não contavam com médicos sanitaristas. Era um luxo restrito aos nobres egípcios (Gn.50:2). Portanto, sempre que alguém apresentava algum dos sintomas da lepra, deveria encaminhar-se ao sumo sacerdote para ser examinado (Lv.13:1-30). Era dever do sacerdote determinar a presença de lepra e dar instruções relativas ao tratamento da impureza. O sacerdote ao diagnosticar prontamente que o caso era lepra, o indivíduo era de imediato declarado imundo (Lv.13:3). Se o sacerdote tinha dúvidas, ele trancava o indivíduo por sete dias (Lv.13:4). Se a praga não se espalhava nos sete dias, o indivíduo ficava trancado por outros sete dias (Lv.13:5). Se a doença não se espalhava, o sacerdote o declarava limpo; a pessoa lavava as suas vestes e era limpo (Lv.13:6). Se o “apostema” (abscesso) na pele se estendesse grandemente, o sacerdote o declarava leproso (Lv.13:7,8). Se houvesse alguma vivificação da carne viva, o sacerdote o declarava leproso (Lv.13:10,11). Tornando a carne viva e mudando-se em branca, ou se a praga se tornava branca, era declarado limpo (Lv.13:16,17).
Entre todas as funções que, segundo o ritual mosaico, eram desempenhadas pelo sacerdote, nenhuma requeria atenção mais paciente ou adesão mais rigorosa às instruções divinas contidas no guia do sacerdote do que o discernimento da lepra e seu tratamento conveniente. Segundo C.H.Mackintosh, na inspeção clínica, o sacerdote deveria ter a plena necessidade de ser vigilante, calmo, sensato, paciente, terno e muito experiente. Certos sintomas podiam parecer de pouca importância, quando, na realidade, eram muito graves; outros podiam parecer lepra, sem o ser. Era preciso máxima atenção e sangue frio. Um juízo precipi­tado ou uma conclusão demasiado apressada podiam conduzir a sérias consequências, quer para a congregação quer para qualquer dos seus membros, bem como ao indivíduo inspecionado e à sua família. Nenhum caso devia ser julgado ou decidido precipitadamente. Não se devia formar uma opinião por ouvir dizer. Em todas as coisas o sacerdote não devia deixar-se guiar pelos seus próprios pensamen­tos, sentimentos ou sabedoria.
A Palavra de Deus continha instru­ções minuciosas, estabelecidas para se submeter a elas. Cada pormenor, cada característica, cada movimento, cada variação, cada som­bra e caráter, cada sintoma particular e cada afeição, tudo estava ampla e divinamente previsto; de sorte que bastava que o sacerdote conhecesse bem a Palavra de Deus e se conformasse com ela em todas as coisas para evitar erros.
Hoje, apesar dos avanços da medicina, a lepra, modernamente conhecida como Hanseníase, ainda é uma enfermidade assustadora. Entretanto, já não há mais a necessidade de isolar os indivíduos, pois há tratamentos efetivos que curam os portadores da doença.
3. A purificação do leproso (Lv.14:1-7). Provisão: empregava-se um ramo de cedro, a planta de hissopo, um tecido de escarlate e duas aves. O sacerdote tomava as duas aves: uma era sacrificada em vaso de barro sobre águas correntes e o sangue era misturado com a água. A seguir se molhavam a ave viva, o cedro, o carmesim e o hissopo com a água misturada com sangue. Espargia-se sete vezes sobre aquele que devia ser purificado, e então se punha em liberdade a ave viva. Dessa forma se concedia a purificação, saúde, incorrupção e força.
·        O número sete, na Bíblia, significa totalidade, culminância ou perfeição. A redenção de Cristo e a obra do Espírito purificam-nos completamente.
·        O sangue misturado com água representava o meio perfeito pelo qual se efetuou nossa purificação - "Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo" (1João 5:6). Em seu batismo e em sua morte na cruz, Jesus manifestou-se ao mundo. Assim, a redenção de Cristo, simbolizada pelo sangue, tira a culpa.
·        As águas correntes simbolizavam a vida comunicada pelo Espírito Santo - "...nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo" (Tito 3:5).
·        O cedro simbolizava a incorruptibilidade.
·        A escarlate simbolizava a energia vital e nova vida.
·        O hissopo simbolizava a purificação (Êx.12:22; Nm.19:6; Sl.51:7).
·        A ave em liberdade simbolizava, provavelmente, a jubilosa libertação do leproso.
Depois de purificado da lepra, o indivíduo precisava lavar suas vestes, rapar todo o seu cabelo e lavar seu corpo em água (Lv.14:8).
Após, a pessoa podia voltar para a congregação, mas não lhe era permitido entrar em sua própria tenda por sete dias.
Depois desse período, o indivíduo voltava a rapar todos os pelos e tomar banho, e só então se tornava limpo (Lv.14:9).
No oitavo dia, o homem purificado deveria trazer ao Senhor uma oferta de manjares (Lv.14:10,11), uma oferta pela culpa (Lv.14:12-18), uma oferta pelo pecado e um holocausto (Lv.14:19,20). O sacerdote colocava sangue sobre a ponta da orelha direita, sobre o polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito do indivíduo purificado (Lv.14:14); esse ato representava ouvir a Palavra de Deus, fazer a vontade de Deus e caminhar de acordo com os padrões divinos.
Depois, o sacerdote repetia esse ato, mas com azeite; isto representava que o homem restaurado se consagrava novamente ao serviço de seu Deus (Rm.12:1). Deus nos limpa para que o sirvamos.
4. Simbolismo da lepra. A lepra é, em muitos aspectos, um simbolismo do pecado, pois tornava o indivíduo imundo, excluía-o da congregação e do povo de Deus, forçava-o a viver miseravelmente. Falava-se do leproso como de alguém já morto (Nm.12:12) e da cura do leproso como devolver-lhe a vida (2Reis 5:7).
Por considerar-se a lepra como impureza e não como enfermidade, e por ter o leproso de apresentar-se ao sacerdote para sua purificação, pode-se dizer que ela simboliza o pecado que reside no homem. É por isso que no ritual de purificação do leproso (cf. Lv.14:1-7), havia necessidade de utilizar sangue (Lv.14:6), que tipificava o sangue de Cristo e; águas correntes (Lv.14:5), que tipificava a obra regeneradora do Espirito Santo. Atualmente, quando o pecador se volta para Deus em arrependimento e fé, a morte e a ressurreição de Cristo (representadas pelas duas aves - Lv.14:4-6) são atribuídas a seu favor. O sangue é aplicado por meio do poder do Espirito Santo, de modo que, aos olhos de Deus, o indivíduo se torna limpo.
Segundo Paul Hoff, há certas semelhanças muito interessantes entre a lepra e o pecado:
  • Como a lepra está na carne, assim o pecado está na natureza humana.
  • Como a lepra começa como uma marca insignificante e cresce rapidamente, assim a ação do pecado é progressiva e estende-se a todos os aspectos da vida.
  • Como a lepra é repugnante e quase incurável, assim o pecado, à parte da cura efetuada por Jesus Cristo, é mau e irremediável.
  • Como a lepra separava o leproso das demais pessoas, e por fim causava a morte, assim o pecado nos separa de Deus e dos demais, e termina com a morte eterna. Realmente é morte em vida.
5. A limitação do sacerdote. Na Antiga Aliança, o sacerdote era um homem santo, e tinha uma grande responsabilidade diante do povo de Deus: inspecionar a saúde publica do povo de Israel; cabia a ele a função de inspecionar e diagnosticar, de forma preventiva, os leprosos. O próprio Senhor Jesus reconheceu a competência do sacerdote no diagnóstico da doença (Lc.5:14). Todavia, o poder de curar o doente não foi dado a ele; só Deus pode limpar completamente uma pessoa leprosa (2Rs 5:9-14; Mt.8:1-3).
Os leprosos eram intocáveis. Contatos físicos com eles poderiam expor alguém à infecção. No caso dos judeus, esse contato fazia com que a pessoa ficasse contaminada cerimonialmente, isto é, imprópria para adorar com a congregação de Israel.
Certa feita, um leproso ajoelhou-se perante Jesus apelando desesperadamente pela cura. (Mt.8:1-4). Ele tinha fé de que o Senhor podia curá-lo, e a fé sincera nunca se decepciona. A lepra é um quadro apropriado do pecado devido ao fato de ser repugnante, destrutiva, infecciosa e, em alguns casos, humanamente incurável. Mas, quando Jesus tocou naquele leproso e disse as palavras de poder curador, a lepra desapareceu imediatamente. Somente o nosso Salvador Jesus tem o poder para limpar o pecado e tornar a pessoa purificada para a adoração. Nele não existe limitação.
II – FUNÇÕES SANITARISTAS
Embora a terra de Canaã manasse “leite e mel”, tornara-se tão doentia e insustentável quanto o Egito (Lv.14:34), por causa dos povos que habitavam ali. Até suas casas e vestes estavam sujeitas a uma espécie de lepra, fatal aos israelitas. Por isso, para preservar a saúde dos hebreus, Deus instruiu os sacerdotes a atuarem também como sanitaristas; eles examinavam casas e pessoas a fim de evitar que doenças, como a lepra, se propagassem.
1. A função sanitarista do sacerdote. O sanitarista é um profissional que atua em diversas atividades nos sistemas e serviços de saúde pública; sua função é basicamente preventiva; manter a cidade livre dos focos de doenças e infecções é o seu trabalho prioritário. Nesse sentido, cabia aos sacerdotes inspecionar as casas e roupas em Israel (Lv.13:47-50; 14:33-53).
2. A lepra na casa (Lv.14:33-53). O homem que suspeitasse haver lepra em casa, tinha de chamar o sacerdote. Se houvesse dúvida, o proprietário era instruído a recorrer ao sacerdote, que, após examinar o imóvel, ordenava que as mobílias fossem retiradas imediatamente da casa (Lv.14:36), para que não ficassem contaminadas e tivessem de ser destruídas (Lv.14:36). Se nas paredes da casa tivessem manchas verdes ou vermelhas, e parecessem mais fundas do que a superfície das paredes (Lv.14:37), então, o sacerdote saía para fora daquela casa e fechava-a por sete dias (Lv.14:38). Se a praga se espalhasse, as pedras contaminadas teriam de ser removidas para fora da cidade num lugar imundo (Lv.14:40). A casa seria raspada (Lv.14:41) e as raspas levadas para fora. Então, reconstruiriam a casa. Se a praga voltasse (Lv.14:43), a construção seria declarada imunda (Lv.14:44), demolida e os destroços levados para um lugar imundo (Lv.14:45). Todo aquele que entrasse na casa quando estivesse fechada seria imundo até à tarde (Lv.14:46).
Se a praga cessasse, o sacerdote realizava um ritual de purificação semelhante àquela aplicada às pessoas (cf.14:48-53). O ritual de purificação dava-se da seguinte maneira: requeria-se duas aves, um pau de cedro, carmesim e hissopo (Lv.14:49). O cedro, o hissopo, o carmesim e uma ave viva seriam imersos “no sangue” da ave degolada e nas águas correntes (Lv.14:15). Com tudo isso, a casa seria aspergida sete vezes. A ave viva era, então, solta no campo.
3. A lepra nas vestes (Lv.13:47-50). As vestes também estavam sujeitas à lepra. Nesse caso específico, segundo William Macdonald, tratava-se de algum tipo de bolor (denominação vulgar de fungos que vivem de matérias orgânicas por eles decompostas; mofo) que danificava as roupas fabricadas em lã, linho ou couro (peles). Segundo William Macdonald, “o bolor é causado por fungos que crescem em matéria animal morta ou em decomposição, ou ainda em matéria vegetal, e se desenvolve em manchas de várias tonalidades”. Era muito nocivo à saúde; assim sendo, de imediato, a roupa deveria ser levada ao sacerdote (Lv.13:51). Se a praga se mostrasse resistente, o vestuário deveria ser queimado, a fim de se evitar a propagação de doenças (Lv.13:52).
Há uma aplicação espiritual extraída desta situação: o bolor contamina toda a veste, assim como a mancha do pecado original aflige todas as áreas da personalidade humana. O povo de Deus deve ser puro e limpo, tanto na aparência exterior como na aparência interior. Deus está profundamente interessado em nosso total bem-estar. Qualquer um que seguir as normas bíblicas para o bem-estar espiritual também gozará melhor saúde física.
III. FUNÇÕES JURÍDICAS
Concordo com o argumento do Pr. Claudionor de Andrade ao afirmar que “no Israel dos sacerdotes e levitas, o direito estava sempre ao alcance dos pobres, porque a Lei de Deus havia sido proclamada a toda a nação, e não apenas a uma minoria privilegiada. Ali, pobres e ricos, pequenos e grandes, nobres e plebeus, todos, enfim, estavam sujeitos aos mandamentos divinos; não havia minoria privilegiada, nem maioria ignorada; eram todos iguais diante da Lei de Deus”.
“O livro de Levítico apresenta várias disposições jurídicas, a fim de proteger a família, a propriedade privada e, principalmente, a vida humana. Nesse sentido, o sacerdote atuava também como juiz”.
1. Proteção da família. A família é a unidade básica da sociedade. Se a família se desintegrar, a sociedade decai. Toda união física à parte do matrimônio e todo tipo de lascívia quebram a ordem de Deus e enfraquecem a instituição da família.
Com o objetivo de manter a pureza e a legitimidade no relacionamento familiar, Deus, por intermédio de Moisés, exorta os israelitas a não praticar os costumes morais e religiosos de egípcios nem de cananeus. Ele proibiu aos israelitas:
  • O sacrifício infantil (Lv.20:2). Proibia-se estritamente oferecer os filhos a Moloque (Lv.18:21), falso deus dos amonitas; dentro de sua imagem acendia-se fogo, esquentando-se assim como se fosse forno. O bebê era atirado nos braços candentes e caía dentro, onde morria nas chamas. Os sacerdotes batiam tambores durante o sacrifício para que os pais não ouvissem os gritos de seus filhos.
  • Relações incestuosas (Lv.18:6-9). A Palavra de Deus não permite o enlace matrimonial entre parentes próximos porque estes tendem a ter as mesmas características genéticas, o que faz que os defeitos apareçam agravados nos descendentes.
  • O abuso sexual doméstico (Lv.18:10-17).A nudez da filha do teu filho ou da filha da tua filha, a sua nudez não descobrirás, porque é tua nudez. A nudez da filha da mulher de teu pai, gerada de teu pai (ela é tua irmã), a sua nudez não descobrirás. A nudez da irmã de teu pai não descobrirás; ela é parenta de teu pai. A nudez da irmã de tua mãe não descobrirás, pois ela é parenta de tua mãe. A nudez do irmão de teu pai não descobrirás; não te chegarás à sua mulher; ela é tua tia. A nudez de tua nora não descobrirás; ela é mulher de teu filho; não descobrirás a sua nudez. A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás; é a nudez de teu irmão. A nudez de uma mulher e de sua filha não descobrirás; não tomarás a filha de seu filho, nem a filha de sua filha, para descobrir a sua nudez; parentas são: maldade é”.
  • A exposição das filhas à prostituição (Lv.19:29). “Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua, nem se encha de maldade”.
  • A homossexualidade e a bestialidade (Lv.18:22,23). Essas práticas eram conhecidas na civilização cananeia. Elas foram a causa para Deus permitir que os cananeus perdessem a posse da terra (Lv.18:24,25). A doutrina neotestamentária, também, proíbe esse comportamento vil. Quem permanece nisso não tem a salvação (1Co.6:10)
  • Desrespeitar os pais. Os filhos de Israel, como adoradores do Deus Único e Verdadeiro, eram obrigados a honrar seus pais e a preservar-lhes a autoridade (Lv.19:3; 20:9). Amaldiçoá-los era considerado um pecado muito sério; a pena para este pecado era a morte (cf.Ex.21:17).
A longa lista de práticas repugnantes dos pagãos serve de triste comentário sobre a condição do homem decaído e revela a razão pela qual o Senhor ordenou a Josué o extermínio dos cananeus (Lv.18:24,25). Deus advertiu os israelitas que a terra os vomitaria, caso não se separasse do estilo de vida dos cananeus. Israel deveria ser um povo santo para habitar em uma terra santa e andar com um Deus santo. Isso se aplica também ao povo da Nova Aliança.
2. Proteção da propriedade privada. A posse de uma propriedade privada, em Israel, era considerada algo sagrado; era uma dádiva de Deus ao seu povo (Êx.3:7,8; 1Rs.21:3). Por esse motivo, os israelitas deveriam tratar suas casas e campos de maneira responsável e amorosa (Lv.19:9).
“Quando também segardes a sega da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega”.
As colheitas eram feitas de tal maneira, que os pobres jamais deixavam de ser contemplados (Lv.23:22).
“E, quando segardes a sega da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o SENHOR, vosso Deus”.
Vê-se por este texto sagrado que, por ordem do Deus de Israel, quando eram ceifados as espigas douradas e os cachos maduros colhidos, devia-se pensar no "pobre e no estrangei­ro". O segador e o vindimador não deviam deixar-se dominar por um espírito de avareza, que teria varrido os cantos do campo e limpado as varas da videira, mas antes por um espírito de generosidade e verdadeira benevolência, que deixaria uma espiga e um cacho de uvas para "o pobre e o estrangeiro", para que eles pudessem também regozijar-se na bondade ilimitada d'Aquele cujos passos deixam fartura e em cuja mão aberta todos os filhos da necessidade podem confiadamente esperar.
O Livro de Rute oferece-nos um excelente exemplo de alguém que atuava inteiramente sobre este benevolente estatuto:
" E [...] disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou. E, levantando-se ela a colher, Boaz deu ordem aos seus moços, dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher e não lhe embaraceis. E deixai cair alguns punhados, e deixai-os ficar, para que os colha, e não a repreendais” (Rt.2:14-16).
Sendo, portanto, a terra propriedade do Senhor, não poderia ser explorada de maneira irresponsável e contrária à natureza (Lv.25:3,4).
“Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás a sua novidade. Porém, ao sétimo ano, haverá sábado de descanso para a terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha”.
Deste texto sagrado, depreende-se que o sacerdote tinha por obrigação supervisionar o uso sustentável da terra.
Conforme diz o Pr. Claudionor de Andrade, “ali, nas terras do Senhor, não havia lugar para o comunismo assassino e mentiroso, nem para o fascismo desumano e cruel, pois a Lei de Moises supria todas as carências e lacunas sociais. E, quando do advento da injustiça, Jeová enviava os seus mensageiros que, corajosamente, clamavam contra a opressão, o roubo, o crime e a infidelidade doméstica”.
3. Proteção da vida. A vida é preciosa e sagrada, é um dom do Criador de todas as coisas (Salmo 33:9; João 1:1-3; Cl.1:16,17; Hb.11:3). Por isso, o Senhor determina no Sexto Mandamento: “Não matarás” (Êx.20:13). Este Mandamento foi dado por Deus para proteger a vida. Por mais que sejamos tentados a defender o "olho por olho e dente por dente", diante de uma tremenda injustiça, precisamos fazer o exercício diário de olharmos para Jesus e nos lembrarmos de que, mesmo a sua vida esvaindo-se, o nosso Senhor exalava o perdão contra os seus algozes. Diante do tamanho do valor que a vida representa, os sacerdotes tinham também a incumbência de protegê-la. Eles inspecionavam a edificação das casas (Dt.22:8), a preservação da mulher grávida e do filho que ela trazia no ventre (Êx.21:22). Além de falar das cidades de refúgio, que, administradas pelos levitas, serviam para acolher o que, sem o querer, matava o seu próximo (Nm.35:10-15).
É essencial e urgente que a Igreja ore pelo nosso Brasil, para que ele seja realmente um pais justo e misericordioso. Oremos pelas autoridades constituídas. Concordo com o Pr. Claudionor de Andrade quando diz que “é chegado o momento de rogarmos ao Senhor que nos cure a terra. Achamo-nos tão enfermos, quanto o Israel dos tempos de Isaias (Is.1:1-19). Neste momento, conscientizemo-nos de nossa responsabilidade como sal da terra e luz do mundo”.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, conclui-se que os sacerdotes deveriam ser o mais alto referencial da nação no que tange à Lei de Moisés, à instrução e à administração da justiça (Ml.2:4-7). Infelizmente, os sacerdotes e os demais levitas, não souberam como guardar e cumprir os ditames do Manual levítico. Assim como na Antiga Aliança o Senhor exigiu excelência e correção dos sacerdotes, e demais levitas, na Nova Aliança, também, Deus assim exige dos pastores e dos demais membros do rebanho do Senhor. Que o nosso culto seja marcado pelo amor, temor a Deus e pela não conformação com este mundo. Sejamos, pois, uma fiel referência em todas as coisas.
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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 75. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Comentário Bíblico Bacon.
C.H. Mackintosh. Estudo sobre o Livro de Levítico.
Paul Hoff. O Pentateuco.
Pr. Claudionor de Andrade. Adoração, Santificação e Serviço – Os princípios de Deus para sua Igreja em Levítico. CPAD.

domingo, 8 de julho de 2018

Aula 03 – OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO


3º Trimestre/2018

Texto Base: Levítico 8:1-13

“Toma os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel e os animais dos levitas em lugar dos seus animais; porquanto os levitas serão meus. Eu sou o Senhor” (Nm.3:45).
INTRODUÇÃO
Nesta Aula, trataremos a respeito dos Ministros que conduziam a adoração e representavam o povo diante de Deus na Antiga Aliança. No Sinai, Deus escolheu e separou a tribo de Levi para que dela fossem vocacionados os sacerdotes e os levitas que ministrariam a adoração e o serviço no Tabernáculo. Ser escolhido para tal função era um privilégio, uma honra, mas também uma grande responsabilidade e abnegação, já que os descendentes de Levi não teriam herança como às demais tribos. O Senhor seria a herança deles e o sustento viria das outras tribos. Era preciso ter fé e viver dela. Por determinação de Deus, os sacerdotes deveriam ser descendentes de Arão, irmão de Moisés, e as suas esposas deveriam ser israelitas de sangue puro. Na Nova Aliança, graças ao sacrifico de Jesus Cristo, cada crente é um sacerdote santo, chamado para oferecer sacrifícios espirituais (1Pd.2:5). Atuamos como proclamadores do Evangelho e intercessores tanto pelos crentes quanto pelos que ainda não creem. À semelhança dos sacerdotes levitas, o chamamento divino exige separação, excelência e dedicação integral.
I. LEVI, A TRIBO SACERDOTAL
No momento da promulgação da lei, todo o povo israelita era formado de sacerdotes, uma vez que Moisés não só levantou doze monumentos, representando as doze tribos de Israel, como também convocou jovens de todas as tribos para oferecer sacrifícios (Êx.cap.24). Tinha sido esta a proposta de Deus para Israel, ou seja, a de que eles se tornassem “reino sacerdotal e povo santo do Senhor” (Ex.19:5,6). Mas, enquanto Moisés esteve ausente por quarenta dias e quarenta noites (ÊX.24:18), o povo de Israel quebrou a lei, fazendo para si um bezerro de ouro, quebrando os dois primeiros mandamentos da lei. Ao retornar ao arraial, Moisés, indignado, quebrou as tábuas da lei. Depois, Moisés perguntou ao povo quem estava do lado do Senhor, e somente a tribo de Levi se manifestou (Ex.32:26); por esta razão, foi a tribo de Levi escolhida para exercer o sacerdócio entre os israelitas, porque, com a quebra da lei, Israel perdera a condição de ser “reino sacerdotal” (Dt.10:8).
1. Os levitas. Eram descendentes de Levi, filho de Jacó e Lia (Gn.29:34). Levi foi pai de três filhos: Gérson, Coate e Merari (Gn.46:8,11). No Egito, durante a sua estada, a família de Levi aumentou e passou a ser uma tribo, e as famílias dos três filhos se tornaram divisões tribais. Arão, Miriã e Moisés nasceram na divisão coatita da tribo (Êx.2:4; 6:16-20; 15:20). Quando o Tabernáculo foi removido, os coatitas levaram a mobília, os gersonitas, as cortinas e seus pertences, e os meratitas transportaram e instalaram o Tabernáculo propriamente dito (Nm.3:35-37; 4:29-33).
Por haverem sido resgatados da morte, por ocasião da primeira Páscoa (Êx.11:5; 12:12,13), os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus, mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos por Deus como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Nm.3:12,45; 8:17-19). Conforme Números 3:41-45, os levitas agiram como substitutos dos primogênitos de toda casa de Israel.
Por serem separados para o serviço de Deus, não se esperava que fossem à guerra (Nm.1:3,49) ou plantassem seus próprios alimentos numa área tribal. Eles deviam espalhar-se por toda a Terra Prometida e viver entre o povo (Nm.35:1-8), e deviam ser sustentados com os dízimos do povo (Nm.18:21).
Os levitas, dados a Arão e a seus filhos, eram os ajudantes dos sacerdotes. Eles assistiam os sacerdotes em seus deveres e transportavam o tabernáculo e cuidavam dele (Nm.1:50,51; 8:19-22).
2. O zelo dos levitas. Uma das características dos descendentes de Levi, os levitas, era a sua devoção a Deus e a sua postura zelosa em relação aos padrões morais de Deus estabelecidos para o seu povo. Quando os hebreus adoraram o bezerro de ouro no sopé do Monte Sinai, foram os levitas que se uniram a Moisés contra a idolatria. Sua devoção a Deus se evidenciou publicamente nesse ato. Por causa de sua obediência e consagração a Deus, eles receberiam uma bênção (Ex.30:29). A bênção que receberam foi o fato de terem sido escolhidos como a tribo dedicada ao serviço de Deus (Nm.3:6-13). Nesta ocasião, Deus usou esses escolhidos para cumprir a tarefa sacerdotal de executar os julgamentos divinos (Ex.32:27,28). Os serviços do tabernáculo eram executados somente por eles (Nm.1:50,51). Eram bastante zelosos no exercício sacerdotal, chegando até mesmo resistir com firmeza ao rei Uzias quando este queria usurpar os serviços que apenas a eles eram permitidos executar (cf.2Cr.26:16-18); Deus castigou este rei com lepra pela infringência cometida (2Cr.26:19-21).
3. A vocação sacerdotal dos levitas. Tendo em vista o caráter santo e distintivo da tribo de Levi, aprouve a Deus separá-la para o sacerdócio (Nm.3:45). Deus instituiu Arão e seus filhos como os primeiros sacerdotes de Israel (Êx.cap.28). Depois disso, a única forma de se tornar sacerdote era nascendo na tribo e na família sacerdotal. Na Sua presciência, Ele já havia, no Monte Sinai, dito a Moisés que escolhera a Arão e a seus filhos para exercerem o ofício sacerdotal (Ex.28:1). Essa escolha divina foi confirmada mediante a unção, que seguiu um rito todo especial, determinado pelo próprio Deus (cf. Levítico cap. 8).
O sacerdote era um mediador que ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas (Êx.28:43). Eles só podiam vir da tribo de Levi.  No entanto, o simples fato de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote. Para atuar como sacerdote, era necessário o chamado de Deus -  "Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão" (Hb.5:4).  Então, ser sacerdote era uma honra especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por Deus. 
Os sacerdotes da ordem levítica eram consagrados ou separados por Deus para esse trabalho especial (Êx.28:1-4). Isso significa que eram santos, não devendo ser consideradas pessoas comuns. Os demais levitas, embora desempenhassem trabalhos importantes na vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes.
Além disso, para que alguém fosse sacerdote, essa pessoa precisava não só ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (Lv.21:16-21). Ainda que uma pessoa preenchesse alguns dos outros requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar como sacerdote. Devia se casar com uma mulher de caráter exemplar. Não devia contaminar-se com costumes pagãos nem tocar em coisas imundas.
A santidade divina exige daqueles que se aproximam de Deus um estado habitual de pureza, incompatível com a vida comum dos homens. Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema do Antigo Testamento eram especiais, santos e sem deficiências. Isso apontava para o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo (Hb.6:20), que é perfeito e seu sacrifício por nós foi único, completo e aceito pelo Pai.
A instituição do sacerdócio levítico era mais um “remédio”, uma medida paliativa que se criava até a vinda do Messias, que redimiria a humanidade e que se tornaria o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb.5:10; HB.6:20), instituindo, então, um verdadeiro “reino sacerdotal” (1Pd.2:9; Ap.1:5,6), que é a Sua Igreja.
Com a vinda de Cristo, porém, não há que se falar mais em necessidade de que parte do povo de Deus, a Igreja, seja constituída por “sacerdotes”, pois todo o povo de Deus é agora formado de sacerdotes, vez que o pecado foi tirado e há livre acesso à presença de Deus.
O sacerdócio levítico encerrou-se pouco antes da morte de Cristo na cruz do Calvário, quando o sumo sacerdote Anás, quebrando norma da lei (Lv.21:10), rasgou suas vestes durante o julgamento de Jesus pelo Sinédrio (Mt.26:65; Mc.14:63).
Logo em seguida, com Sua morte na cruz, Jesus instituiu o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque (Sl.110:4; Hb.7:17,21), oferecendo-se pelo pecado da humanidade, sacrifício único e que efetuou eterna redenção (Hb.7:27; 9:12).
Na Igreja, portanto, a única forma de se tornar sacerdote é por meio do Novo Nascimento (Ap.1:5,6). É muita presunção querer ordenar sacerdotes por meios humanos. Na Nova Aliança, só há um mediador entre Deus e homem: Jesus Cristo, homem (1Tm.2:05). Jesus é o nosso sublime e perfeito Sumo Sacerdote (Hb.7:26,27). Portanto, não mais necessitamos de intermediários humanos para nos achegarmos a Deus; não há mais a figura humana do sacerdote; é errado, portanto, chamar os pastores de sacerdotes, pois não existe mais a atividade de intermediação, como existia no Antigo Testamento; cada crente é um sacerdote - “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Pd.2:5). Agora, qualquer um de nós pode adentrar ao trono da graça de Deus para suplicar, interceder, e oferecer culto e sacrifício de louvor ao Senhor.
II. O SUMO SACERDOTE
O sumo sacerdote era o principal representante do culto divino no Antigo Testamento (Êx.28:1). O povo de Deus somente poderia chegar à presença do Senhor através de pessoas especialmente designadas para isto. O sacerdócio veio como uma continuação da mediação que, iniciada por Moisés, deveria prosseguir até que viesse outro profeta como Moisés (Dt.18:15; At.7:37), que, então, estabelecesse uma nova ordem, um novo regime de sacerdócio.
1. Arão, da tribo de Levi, foi o primeiro sumo sacerdote. Arão foi o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx.28:1-3), cuja função era, primordialmente, a de interceder a Deus por todo o povo, notadamente no dia da expiação (Lv.16; 23:26-32).
Somente ele usava roupas especiais (Lv.16:2), interpretava o lançamento das sortes sagradas (Urim e Tumim – Êx.28:30; Lv.8:8) que eram mantidas em seu peitoral.
Somente ele entrava uma vez por ano no lugar santíssimo para expiar os pecados da nação israelita (Lv.16:29); no lugar santíssimo, depois de ter feito sacrifício antes por si mesmo, oferecia um sacrifício em nome de todo o povo, ocasião em que Deus aplacava a sua ira e diferia, por mais um ano, a punição pelos pecados cometidos.
Somente ele aspergia sangue sobre o propiciatório - como era chamada a tampa de ouro da arca do concerto -, que ficava dentro do lugar santíssimo, e este sangue trazia favor ao povo de Israel, pois, por causa deste sangue, o pecado do povo era coberto e Deus se mostrava favorável, não castigando o povo pelo pecado cometido.
Somente ele usava o peitoral com os nomes das doze tribos de Israel e atuava como mediador entre toda a nação e Deus.
Somente ele tinha o direito de consultar ao Senhor mediante Urim e Tumim, que ficava dentro do peitoral, os quais significavam “luzes e perfeições”. Segundo se crê, era duas pedrinhas, uma indicando resposta negativa e a outra, resposta positiva. Não se sabe como eram usadas, mas é provável que, em situações difíceis, fossem retiradas de algum lugar ou lançadas ao acaso, ao fazer-se uma consulta propondo uma alternativa: “farei isto ou aquilo?” E, segundo saísse Urim ou Tumim, interpretava-se a resposta, segundo a vontade de Deus (Nm.27:21; Ed.2:63; 1Sm.14:36-42; 2Sm.5:19).
Embora o sacerdote em alguns aspectos prefigure o cristão, o sumo sacerdote simbolizava Jesus Cristo (ver 1Pd.2:5,9; Hb.2:17; 4:14).
Restrições: Por ser tão honrosa e de muita responsabilidade, a função do sumo sacerdote era cercado de uma série de restrições, muito superiores a de qualquer outro israelita. Assim, por exemplo: não podia descobrir a sua cabeça; não podia rasgar os seus vestidos (Lv.21:10); não podia se chegar a qualquer cadáver, nem mesmo de seus pais (Lv.21:11); tinha que casar com mulher virgem, sendo-lhe vedado casar com mulher repudiada ou, mesmo, viúva (Lv.21:13,14).
2. Ungido para o ofício (Lv.8:10-12). Moisés tomou o azeite da unção, conforme estipulado em Êx.30:22-33, e derramou-o sobre a cabeça de Arão e ungiu-o, para santificá-lo (Lv.8:12). A unção de Arão simboliza a separação do sacerdote para Deus e a investidura com poder divino (charisma) necessário para o exercício do ministério santo. No Antigo Testamento, o profeta (1Rs.19:16), o rei (1Sm.9:16; 10:1) e o sacerdote eram ungidos dessa maneira. Em hebraico, o verbo “ungir” (mashach) é o radical do qual se deriva a palavra Messias (“o ungido”). O Messias tinha de ser ungido não apenas com óleo, mas com o Espírito Santo (Is.11:2; 42:1; Lc.3:22).
O Senhor determinou que o sumo sacerdote Arão fosse ungido a fim de dignificá-lo como ministro extraordinário do culto divino (Êx.28:41; 29:1-7). A primeira etapa na consagração de Arão como sumo sacerdote foi lavá-lo com água diante da porta da tenda da congregação (Ex.29:4); em seguida, Arão vestiu as roupas descritas em Êxodo 28:5,6; em seguinda, recebeu a unção com óleo (Êx.29:7) – “e tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça; assim, o ungirás”.
O azeite sobre a cabeça de Arão simbolizava a unção do Espírito Santo. Os dons e a influência divina são indispensáveis ao exercício do ministério. No Salmo 133:2 indica-se a abundância do óleo com o qual foi ungido Arão; é um belíssimo simbolismo do Espirito Santo derramado sem medida sobre o Senhor Jesus Cristo (Sl.45:6,7; João 3:34), nosso magnifico Sumo Sacerdote.
Moisés espargiu a santa unção sobre Arão e seus filhos. Assim é a presença e o poder do Espírito Santo para o "sacerdócio real" dos crentes a fim de que ministrem com poder e eficácia.
Assim como os sacerdotes do Antigo Testamento, os ministros de Cristo precisam ser ungidos com o Espirito Santo, afim de que o culto tenha a qualidade desejada pelo Senhor, sendo, assim, aceitável diante dEle. Além disso, a vida do ministro deve ser coerente com o culto ou serviço que prestam a Deus.
3. Cargo vitalício (Êx.28:43)“E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no santuário, para que não levem iniquidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a sua semente depois dele”.
O sumo sacerdócio era um cargo vitalício, dado ao primogênito do vigente sumo sacerdote, com exceção dos casos de enfermidade ou mutilação previstos pela Lei (Nm.3:1-13; Lv.21:16-23), de modo que eles podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus. Como os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, foram mortos por levarem fogo estranho diante de Deus, Eleazar sucedeu o sumo sacerdócio, e foi mantido em sua família (Nm.20:25,26).
Segundo Ralph Gower, em alguma época da história de Israel, o sumo sacerdócio foi assumido pela família de Itamar, o quarto filho de Arão, mas Salomão fez novamente retornar à família de Eleazar, colocando Zadoque na posição de sumo sacerdote. Essa posição foi mantida na família dele até que seu descendente veio a ser deposto por Antíoco Epifânio (rei da Síria) nos dias dos macabeus. Nesse período posterior, os sumos sacerdotes eram indicados pelo poder reinante (exemplo: Anás foi deposto pelos romanos e substituído por Caifás - cf. Lc.3:2; João 11:49-51; 18:13-24), mas quando eles se tornaram forte o bastante para resistir às autoridades, adotaram seu próprio estilo de soberania. Ao que tudo indica, havia um rodízio entre os principais membros da família de Arão (Lc.3:2).
Na Nova Aliança, não há mais linhagens de sumo sacerdotes, porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo, que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios (Hb.7:1-8). Todos os cristãos são sacerdotes diante de Deus (1Pd.2:5,9; Ap.1:5,6; 5:9,10). Portanto, todo o povo de Deus da Nova Aliança pode se apresentar diretamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb.10:19-23; 13:15). Por isso, devemos ter uma vida exemplar, quer em atitudes quer em palavras.
III. DIREITOS E DEVERES
Eram direitos e deveres dos descendentes de Levi, principalmente os da casa de Arão: viver do altar, santificar-se ao Senhor e ser uma referência moral, ética e espiritual.
1. Viver do altar (Lv.7:35). Nem os levitas nem os sacerdotes receberam terra quando Josué repartiu Canaã porque o Senhor havia de ser sua parte e herança (Nm.18:20). Os levitas que cuidavam do tabernáculo e o transpor­tavam recebiam o dízimo das outras tribos. Por sua vez, davam seus dízimos aos sacerdotes (Nm.18:28). Além disso, os sacerdotes recebiam a carne de determinados sacrifícios, as primícias, parte consagrada dos votos e os primogênitos dos animais – “Esta é a porção de Arão e a porção de seus filhos, das ofertas queimadas do SENHOR, no dia em que os apresentou para administrar o sacerdócio ao SENHOR” (Lv.7:35).
Assim expressa o apóstolo Paulo ilustrando este princípio: "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? .... Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho" (1Co.9:13,14). E o ministro deve ter a atitude do Salmista: "O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte" (Salmo 16:5).
2. Santificar-se ao Senhor. Em virtude de seu ofício, os sacerdotes deveriam erguer-se, em Israel, como referência de santidade e pureza. Eles eram a personificação de Israel e sempre era seu dever trazer à memória de seu povo a santidade de Deus. O sumo sacerdote, por exemplo, tinha de ostentar uma faixa de ouro, em seu turbante (mitra), no qual estava colocada uma lâmina de ouro puro com as palavras "Santidade ao Senhor", gravadas sobre ela (Êx.28:36). Os sacerdotes proclamavam que a santidade é a essência da natureza de Deus e indispensável a todo o verdadeiro culto prestado a Ele.
No culto divino, tudo o que eles empregavam tinham de ser consagrados ao serviço divino. Portanto, Arão e seus filhos tinham de estar devidamente limpos e ataviados e deviam ter expiado seus pecados antes de assumirem os deveres sacerdotais.
3. Tornar-se uma referência espiritual e moral. Por ser o mediador entre Deus e o povo de Israel, os sacerdotes tinham o dever de se apresentarem como uma referência espiritual e moral. Caso contrário, seriam punidos exemplarmente, como aconteceu com os filhos de Eli, Hofni e Finéias. Estes, em consequência de seu proceder, tornaram-se um péssimo exemplo para o povo de Israel. A Bíblia diz que o Senhor queria matá-los por se comportarem de forma imoral perante o povo de Israel (1Sm.2:22-25). Eles endureceram o coração e pecaram abertamente e sem constrangimento. Eli os advertiu, mas a advertência de Eli não teve efeito moral sobre eles. Deus os entregou à sua própria sorte. Para eles, já se passara o dia da salvação, estando, pois, destinados por Deus à condenação e à morte, à semelhança daqueles referidos em Rm.1:21-32. Iam morrer como resultado da sua própria e insolente desobediência e da sua recusa de arrepender-se.
À época de Malaquias, também, os sacerdotes se comportavam muito mal diante de Deus e do povo de Israel; estavam totalmente corrompidos. Por isso, o Senhor os havia tornado desprezíveis e indignos diante de todo o povo. A irreverencia deles era tão pútrida que Deus pediu que eles não fizessem mais culto a Ele no templo de Deus, que fechassem as portas do Templo – “Quem há também entre vós que feche as portas e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oblação” (Ml.1:10). Por causa disso, Deus os advertiu de que sofreriam uma condenação terrível caso não se arrependessem e mudassem de atitude.
Na Nova Aliança, também, Deus exige que o seu povo ande em santidade e pureza diante dEle, como exorta o apóstolo Pedro: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pd.1:15).
CONCLUSÃO
O sacerdócio levítico era glorioso; seus membros eram considerados príncipes de Deus (Zc.3:8). Todavia, o sacerdote não era perfeito, e por causa disto devia estar sempre disposto a reconhecer seus pecados, abandoná-los e oferecer o sacrifício correspondente. Os sacerdotes eram apenas sombras do perfeito Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Ele, como Sumo Sacerdote, foi designado e escolhido por Deus (Hb.5:5); Ele não tem pecado (Hb.7:26); o Seu sacerdócio é inalterável (Hb.7:23-24); o Seu oferecimento é perfeito e definitivo (Hb.9:25-28); Ele intercede continuamente (Hb.7:24-25); Ele é o único Mediador (1Tm.2:5); Ele já ofereceu o sacrifico definitivo. O que precisamos, então, é de uma apropriação pela fé dos méritos do Calvário, que nos limpam e nos colocam em condições de entrarmos no santuário de Deus.
Até à próxima Aula, se Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote, quiser.
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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
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Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
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Comentário Bíblico Bacon.
C.H. Mackintosh. Estudo sobre o Livro de Levítico.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. A Sublimidade do Culto Cristão. PortalEBD_2008.
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Ralph Gower. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp. 325, 326.
Paul Hoff. O Pentateuco.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. Deus escolhe Arão e seus filhos para o sacerdócio. PortalEBD_2014.