domingo, 18 de junho de 2017

Aula 13 – JESUS CRISTO, O MODELO SUPREMO DE CARÁTER


2º Trimestre/2017

Texto Base: Mateus 1:18, 21-23; 3:16,17

"[...] E o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is.9:6).

 INTRODUÇÃO

Esta é a última Aula do 2º Trimestre letivo de 2017. Ao longo do trimestre estudamos o caráter de 11(onze) personagens bíblicos, homens e mulheres de Deus que deixaram um legado espiritual exemplar, a ser recomendado pela Bíblia Sagrada como exemplos a ser seguido. Nesta Aula, estudaremos a respeito do Homem mais importante que já esteve aqui neste mundo – Jesus Cristo, o Senhor. Sua vinda a este mundo ocorreu de forma sobrenatural; foi tão significativa e marcante que a história da humanidade foi dividida em duas partes: antes e depois de Cristo. Sua encarnação não somente significou Deus entre nós, o Emanuel (Mt.1:23), mas o cumprimento da promessa do Criador de redimir o homem da queda; Ele se humanizou como "a semente da mulher" que haveria de ferir a cabeça do Diabo (Gn.3:15). Como Homem, Jesus teve um desenvolvimento e um caráter perfeito que refletia a sua natureza divina. Ele viveu como qualquer judeu de sua época: foi apresentado no Templo por seus pais; participou das festas judaicas; trabalhou como carpinteiro; pagou impostos e teve uma vida sociável, indo a jantares na casa dos amigos e a festa de casamento. Por isso, Jesus deve ser nosso modelo e referência como Homem impecável e servo obediente. Que possamos seguir sempre os seus passos, glorificando o seu nome.

I. JESUS DE NAZARÉ, O FILHO DO HOMEM

1. Sua entrada no mundo. Sua entrada no mundo não teve a participação da semente do homem, mas da mulher, como estava vaticinada nas Escrituras Sagradas (Gn.3:15). A Sua concepção foi virginal. Isaias, setecentos anos antes de Cristo nascer, assim profetizou: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is.7:14). Maria concebeu, sem que conhecesse varão. Diz a Bíblia que o anjo Gabriel foi o enviado especial da parte de Deus à cidade de Nazaré, "a uma virgem", cujo nome era "Maria" (Lc.1:26,27). O Deus Filho tornou-se humano por meio de uma concepção milagrosa, operada pelo Espírito Santo no útero de Maria.

A concepção de Jesus, portanto, não foi por meios naturais, mas sobrenaturais, daí o anjo afirmar para Maria: “o santo que de ti há de nascer, será chamado filho de Deus”(Lc.1:35). Por isso, Jesus Cristo nos é revelado como uma só Pessoa com duas naturezas: divina e humana, mas inculpável. Como humano, Jesus se compadece das fraquezas do ser humano (Hb.4:15,16); como o divino Filho de Deus, Ele tem poder para libertar o ser humano da escravidão do pecado e do poder de satanás (At.26:18; Cl.2:15; Hb.2:14,15; 7:25); como Ser Divino e também Homem impecável, Ele preenche os requisitos como sacrifício pelos pecados de cada um de nós; como Sumo Sacerdote, preenche os requisitos para interceder por todos os que por ele aproximam-se de Deus (Hb.2:9-18; 5:1-9;7:24-28;10:4-12).

É interessante observar, portanto, que a vinda de Jesus por obra e graça do Espírito Santo, em momento algum, pode ser usada como argumento para negar a sua humanidade, porquanto sua concepção virginal teve o propósito de fazê-lo entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado, e, por conseguinte, garantir a salvação de toda aquele que nele crer (João 3:16).

2. Por que Deus tornou-se Homem?  Jesus se fez homem para remir o homem perdido, através do mistério da encarnação. Ele veio para morrer, como homem sem pecado, pelo pecado dos homens, para se entregar como sacrifício por eles, por uma humanidade que tinha caído através do primeiro homem, Adão. Agora, os homens podem ser salvos por Ele. Tornar-se homem em Jesus foi a única possibilidade de Deus resgatar um mundo perdido - “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17). Diz Paulo: "Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl.4:4,5).

Jesus, integrante da Trindade, adicionou a si mesmo uma natureza humana, e se tornou um homem, um Homem Perfeito. A Bíblia diz que Jesus é Deus encarnado - "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus…E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós..." (João 1:1,14); e "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade,"(Cl.2:9). Jesus, portanto, tem duas naturezas: Ele é Deus e Homem imaculado (1Pd.2:22). Jesus é completamente humano, mas Ele também tem uma natureza divina, visto que Ele foi gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc.1:30,31; 34,35). Ao ser concebido, Jesus se fez Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.

COMO DEUS
COMO HOMEM
Ele é adorado (Mt.2:2,11; 14:33; 28:9).
Ele adorava ao Pai (João 17).
As pessoas oram pra ele (Atos 7:59; 1Co.1:2).
Ele orava ao Pai (João 17:1).
Ele é chamado de Deus (João 20:28; Hb.1:8).
Ele foi chamado de homem (Mc.15:39; João 19:5).
Ele é chamado de Filho de Deus (Mc.1:1).
Ele foi chamado de Filho do Homem (João 19:35-37).
Ele não tem pecado (1Pd.2:22; Hb.4:15).
Ele foi tentado (Mt.4:1).
Ele sabia de todas as coisas (João 21:17).
Ele cresceu em sabedoria (Lc.2:52).
Ele dá a vida eterna (João 10:28).
Ele morreu (Rm.5:8).
Toda a plenitude da divindade habita nele (Cl.2:9).
Ele teve um corpo de carne e ossos (Lc.24:39).

3. Jesus é Deus.  A primeira informação que as Escrituras nos trazem a respeito de Jesus é a de que Ele é Deus, é uma das Pessoas Divinas, o Filho. O apóstolo João, ao escrever o seu evangelho, deixa-nos isto bem claro ao afirmar que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (João 1:1), numa afirmação tão clarividente que tem, mesmo, tirado o sono de todos quantos procuram negar esta verdade bíblica, como é o caso das “Testemunhas de Jeová”. Para que não houvesse qualquer dúvida de quem era este Verbo a que João se referia, o próprio evangelista no-lo diz no versículo 14 deste mesmo capítulo: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.

Jesus é o Verbo eterno. Ele preexiste à criação. Ele não teve origem, pois é da mesma substância do Pai e do Espírito Santo. Antes que todas as coisas viessem a existir, Ele já existia eternamente em comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Mesmo se fazendo Homem, não deixou de ser Deus. Ele não abdicou de sua divindade ao tabernacular-se entre nós.

Jesus não foi a primeira criação de Deus como ensinava Ário de Alexandria no século quarto e como prega ainda hoje algumas seitas heréticas, como, por exemplo, “as Testemunhas de Jeová”. Na verdade, Jesus é coigual, coeterno e consubstancial com o Pai. Ele é auto-existente e imutável. Ele e o Pai são um. Jesus tem os atributos da divindade: ele é o Criador e sustentador da vida. Ele conhece todas as coisas e pode todas as coisas. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele foi e é adorado como Deus. Ele reivindicou ser adorado como Deus. Ele realizou obras milagrosas como Deus. Sua vida, seus ensinos e suas obras provam, de forma irrefutável, sua divindade.

Portanto, Jesus é Deus desde a eternidade. Esteve envolvido no ato da criação, indicando que já existia antes dela. Paulo confirma a sua atuação criadora: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra...Tudo foi criado por ele e para ele”(Cl.1:16); João 1:3 diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. De acordo com João 10:30 e 17:5, Cristo afirmou possuir a mesma natureza de Deus e glória igual a de Deus.

4. Jesus, o Filho do Homem. O termo “Filho do Homem” tem dois significados nas Escrituras Sagradas. O primeiro significado é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-14; é um título Messiânico - "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído". Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Ele estava proclamando ser o Messias. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia.

O segundo significado para o termo "Filho do Homem" é que Jesus realmente era um ser humano. Deus chamou o profeta Ezequiel de "filho do homem" diversas vezes no Livro de Ezequiel. Disse Deus: “E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo” (Ez.2:1). Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano. Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). 1João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus". Sim, Jesus era o Filho de Deus – Ele era Deus em Sua essência. Mas, também, Jesus era o Filho do Homem – Ele era um ser humano em Sua essência. Em resumo, a frase "Filho do Homem" indica que Jesus é o Messias e que Ele realmente é um ser humano.

De todos os seus títulos, 'Filho do Homem' é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os escritores dos evangelhos sinóticos usam a expressão 69 vezes. “Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc.9:56).

5. Seu desenvolvimento humano e espiritual. Em toda a sua humanidade, Jesus era um “menino” que estava submetido ao processo de desenvolvimento como todo indivíduo, porque realmente se fez carne e, em virtude disto, necessitava se desenvolver tanto física quanto psíquica e espiritualmente. Crescia em sabedoria, conforme a graça de Deus. Era perfeito quanto à natureza humana, prosseguindo para a maturidade, segundo a vontade de Deus, plenamente consciente de que Deus era seu Pai (Lc.2:49). Vejamos algumas fases desse desenvolvimento:

a) seu desenvolvimento físico. Jesus passou pelas mesmas fases de desenvolvimento físico, aprendendo a andar, falar, brincar e trabalhar. Por causa disso ele pode identificar-se conosco em cada fase do nosso crescimento. Diz o texto sagrado: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc.2:40).

b) seu desenvolvimento social (Lc.2:52). “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”. Aqui vemos a verdadeira humanidade e o crescimento normal do Senhor Jesus: (a) Crescimento mental: Jesus crescia “em sabedoria”; (b) Crescimento físico: “estatura”; (c) Crescimento espiritual: e “graça, diante de Deus”; (d) Crescimento social: e dos “homens”. Jesus era perfeito em todo aspecto do seu crescimento.

A narrativa de Lucas passa silenciosamente por cima dos dezoito anos que o Senhor Jesus passou em Nazaré como Filho de um carpinteiro. Esses anos nos ensinam a importância de preparação e treinamento, a necessidade de paciência e o valor do trabalho diário. Eles advertem contra a tentação de pular do nascimento espiritual ao ministério público. Espiritualmente falando, os que não têm infância e adolescência normal atraem desastre na sua vida e no seu testemunho posteriores.

c) seu desenvolvimento espiritual (Lc.2:39). “… crescia, e se fortalecia em espírito...”. Jesus passara a infância crescendo e se fortalecendo em espírito, enchendo-se de sabedoria, tendo sobre si a graça de Deus. A graça de Deus estava sobre ele. Jesus andava em comunhão com Deus e na dependência do Espírito Santo. Ele estudava a Bíblia, passava tempo em oração e se alegrava em fazer a vontade do Pai.

Seu crescimento e fortalecimento, diz-nos o texto bíblico, era “em espírito”. O crescimento de Jesus se dava na comunhão com o Senhor. O espírito faz a ligação entre Deus e o homem, e Jesus crescia, enquanto homem, neste quesito, até quando se tornou responsável diretamente diante de Deus, segundo a lei, a iniciar a tratar dos negócios de seu Pai (Lc.2:49).

O fato de a Bíblia dizer que o menino crescia e se fortalecia é a prova de que a plenitude do Espírito Santo não estava ainda sobre o menino ou o adolescente Jesus. Tinha Ele tido a consciência do bem e do mal, escolhendo o bem, o que proporcionou o início do seu progresso espiritual, mas, de modo algum, pode-se admitir um Jesus milagreiro, como o apresentado pelos “evangelhos da infância”. Nem no Egito, nem em Nazaré, Jesus fez qualquer milagre, pois ainda não era chegada a hora.

Se Jesus, sendo Deus, enquanto homem necessitava crescer e se fortalecer em espírito, que diremos de nós? Não se pode exigir de um ser humano que atinja de imediato a plenitude espiritual. Muito pelo contrário, a Bíblia é repleta de textos que nos indicam a necessidade de crescermos na graça e no conhecimento de Jesus (2Pd.3:18), de nos aperfeiçoarmos continuadamente (Ef.4:11-14).

II. O MINISTÉRIO E CARÁTER SUPREMO DE JESUS CRISTO

1. O caráter exemplar de Jesus. Quando falamos do caráter de Cristo, estamos a falar de todas as qualidades demonstradas e apresentadas pelo Senhor Jesus enquanto esteve entre nós, qualidades estas que devem estar presentes em todos aqueles que se dizem filhos de Deus, que se dizem herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:17). Se somos coerdeiros de Cristo e filhos de Deus é porque participamos da mesma natureza do Senhor (2Pd.1:4) e, se temos a mesma natureza, estamos ligados à videira verdadeira (João 15:4), temos de produzir o mesmo fruto produzido por Jesus. Em seu ministério, Jesus demonstrou aspectos do seu caráter que são referência e modelo para todos os que o aceitam como Senhor e Salvador. Suas ações revelam tanto o lado divino como o lado humano de sua personalidade marcante e singular.

a) Humildade (Mt.5:3). Jesus demonstrou sua humildade ao despojar-se de sua glória (Fp.2:6,7, na irrestrita obediência à vontade do Pai (João 5:30; 6:39). Sendo Deus, Criador e Senhor, despojou-se de seus atributos divinos; tornou-se homem e servo, humilhando-se "até à morte" (Fp.2:6-8); permitiu ser batizado por João Batista no rio Jordão. Este sentiu-se constrangido, dizendo que Jesus é que deveria batizá-lo, mas Jesus insistiu com João para que o batizasse, a fim de cumprir "toda a justiça" (Mt.3:13-15); quando lavou os pés dos discípulos (João 13:3-5); e ao relacionar-se com todas as pessoas, independentemente de sua raça ou posição social (Mt.9:11; 11:19; João 3:1-5; 4:1-30).

Ao se fazer carne (João 1:14), o Verbo, que era Deus (João 1:1), cumpre a vontade divina, submete-se à vontade soberana, para que o homem pudesse ser salvo. Jesus, então, pode nos ensinar sobre “humildade de espírito”, porque, desde o instante mesmo de sua encarnação, nada mais fez senão a vontade de Deus.

Jesus mandou que aprendêssemos dEle a humildade (Mt.11:29) e que, em nossas petições, sempre nos conformássemos à vontade de Deus (Mt.6:10). Ele, próprio, ao orar, sempre quis que a vontade de Deus fosse feita e não a dEle (Mt.26:42). Temos sido humildes de espírito? Temos querido fazer a vontade de Deus?

A humildade é um aspecto do caráter imprescindível a todos os crentes (Ef.4.1,2; Cl.3.12), pois os humildes sempre alcançam o favor do Senhor (Tg.4.6). Só é do reino dos céus aquele que for “pobre de espírito”, ou seja, que renunciar a si mesmo e fizer tão somente aquilo que Deus quer que seja feito.

b) Mansidão (Mt.5:5). A identificação de Jesus com o cordeiro é a maior demonstração de sua mansidão. Jesus não era apenas Cordeiro porque haveria de ser imolado para pagar o preço do pecado do mundo (João 1:29; 1João 2:2), mas também porque os ovinos são animais que externam brandura, mansidão e submissão. Com efeito, os ovinos são animais dóceis e sem qualquer mecanismo natural de defesa, motivo pelo qual sempre foram associados à ideia de inocência.

Jesus sempre demonstrou mansidão, notadamente nos momentos mais angustiantes e difíceis por que passou, quando de sua paixão e morte. Nesta oportunidade, comportou-se como uma ovelha, mantendo-se calado, sem abrir a sua boca, precisamente como fazem as ovelhas quando vão para o matadouro (Is.53:7; Mt.27:14; At.8:32).

É mais fácil ser manso quando tudo nos é favorável. No entanto somos exortados a conservar a mansidão em todas as situações a fim de modelarmos o nosso caráter cristão. Entretanto, não devemos confundir mansidão com relaxo diante dos assuntos relacionados ao Reino de Deus, que inclui a luta pela justiça. O Pentateuco apresenta Moisés como um homem muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra (Nm.12.3), no entanto, perdeu a oportunidade de entrar na terra prometida quando deixou de ser manso (batendo na rocha com a qual deveria falar); quebrou as tábuas da lei, ao contemplar o deus-bezerro, depois de ter visto a glória do Deus invisível.

O Jesus que se manteve silencioso quando foi julgado (Mt.27:12-14; cf. Is.53:7) foi o mesmo que expulsou os comerciantes de uma das áreas do templo (João 2.14-17) e não se cansava de denunciar a hipocrisia dos fariseus (Mt.23:13ss).

A indignação deve fazer parte do caráter cristão; do contrário, o cristão será um cínico. No entanto, mesmo a indignação deve ser exercida com mansidão (2Tm.2:25), que não pode ser confundida com timidez, com falta de firmeza ou com covardia.

c) Misericórdia e compaixão (Mt.5:7). Misericórdia é a compaixão pela necessidade alheia. A misericórdia nada mais é que a bondade em ação, o fazer bem. Como podemos pretender ter o bem de Deus e do próximo, se não fazemos bem a ninguém? Jesus foi misericordioso com os homens em suas fraquezas e privações (Mc.5:19; Hb.2:17; Tg.5:11; 2Co.1:3 ver Mt.15:22,32; 17:15).

A bondade de Jesus é demonstrada em todas as suas curas, sermões, ensinos e palavras proferidas ao longo do seu ministério, ministério este que prossegue, pois a Bíblia nos diz que Ele está a interceder em prol dos transgressores (Is.53:12). A cada instante, temos visto a manifestação da bondade do Senhor, sempre fazendo o bem aos homens, tanto que tudo quanto sucede aos que O amam e são chamados pelo seu decreto é para o seu bem (Rm.8:28). Certíssimo está o poeta sacro Joel Carlson ao dizer: “Meu Jesus, Tu és bom, Tu és tudo pra mim” (hino 25 da Harpa Cristã).

Na parábola do Bom Samaritano, Jesus pôs em evidência a insensibilidade dos religiosos que não tinham compaixão pelos caídos à beira do caminho (Lc.10:30-37). Temos sido bons? Temos feito o bem? As Escrituras afirmam que quem sabe fazer o bem e não o faz, peca (Tg.4:17), como também que o verdadeiro e genuíno servo do Senhor é alguém que não se cansa de fazer o bem (Gl.6:9; 2Ts.3:13).

d) Caráter pacificador (Mt.5:9). Jesus é o príncipe da Paz (Is.9:6). A paz de Cristo não é a ausência de conflitos, porquanto, como o próprio Jesus admite, a sua presença geraria conflitos entre os homens (Mt.10:34). No entanto, é uma paz que existe mesmo em virtude dos conflitos, pois é a segurança e a tranquilidade decorrentes do perdão dos nossos pecados, da nossa justificação.

Temos a paz de Cristo porque sabemos que fomos retirados do charco de lodo e agora temos nossos pés firmados na rocha (Sl.40:2). Quando somos justificados pela fé em Cristo Jesus, quando temos o perdão dos nossos pecados, passamos ter paz com Deus (Rm.5:1) e, assim, desfrutamos também da paz de Deus (Fp.4:7; Cl.3:15).

Precisamos promover a paz entre as pessoas, temos o dever de ser pacificadores. A paz que recebemos de Cristo é para ser distribuída entre os que nos cercam. Certa feita Ele exortou: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, vai reconciliar-te primeiro com teu Irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta" (Mt.5:23,24). De forma mais prática, ele reproduziu a mensagem do salmo 133, tão esquecida nos dias atuais.

Muitos, baseados na assertiva do Senhor de que Ele viria trazer espada e não paz, costumam justificar o mau comportamento que têm, já que são verdadeiras fontes de intrigas nos lugares que frequentam, em especial, na igreja local. Jesus, porém, nunca promoveu dissensão. Apenas disse que, em virtude de sua Palavra, haveria o surgimento de conflitos, já que muitos aceitariam a sua Palavra e outros a rejeitariam, não havendo como se evitar a luta entre a luz e as trevas, mas, em momento algum, permitiu o Senhor que os conflitos se iniciassem pelo seu discípulo. Muito pelo contrário, o apóstolo Paulo nos ensina que “…quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm.12:18b).

Nas suas últimas instruções aos discípulos Jesus afirmou que lhes deixava a sua Paz, que não era a paz do mundo (João 14:27). A paz do mundo é uma paz precária, insegura e sujeita a temores constantes, porque é apenas a ausência de conflitos, uma ausência que não é garantida por coisa alguma. A Paz de Cristo é diferente, é um estado de quietude interior, embora as circunstâncias externas demonstrem a existência de conflitos sociais, econômicos, religiosos, etc.

2. Na prática, Ele demonstrou o seu imenso amor pelos pecadores. Está escrito que Ele “...andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo...” (Atos 10:38). Pela Virtude do Espírito Santo, Jesus curou os enfermos e ressuscitou mortos, levantou paralíticos, abriu os olhos e os ouvidos dos cegos surdos, e fez falar os mudos; expulsou demônios e libertou os oprimidos; multiplicou os pães e os peixes, repreendeu as forças da natureza, acalmando o mar, fazendo cessar o vento e a tempestade. Os fariseus queriam matar a mulher adúltera, mas Jesus a perdoou e ordenou que não pecasse mais (João 8:11). Portanto, o amor é a essência do caráter de Jesus Cristo. Ele declarou ao doutor da lei que o maior dos mandamentos é amar a Deus acima de tudo, e o segundo, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt.22:34-40). O amor é "a marca do cristão" (João 13:34,35).

3. Seu caráter é referência para a Igreja. O Caráter de Cristo é exemplar. Ele foi um líder-servo, que nos deixou o exemplo e exorta-nos a segui-lo. Ele disse: "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (João 13:15). O Senhor dos senhores servia a todos os seus servos e Ele mesmo concluiu: Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes (João 13:17). Segundo o ensinamento de Jesus, um líder só será bem-sucedido se compreender que ele é um servo de todos. Esses ensinamentos de Jesus foram direcionados apenas aos apóstolos; e quem foram os apóstolos? Foram os lideres escolhidos para servirem aos santos, a igreja. Um dos ensinamentos mais claros é este: Jesus ensinou que o verdadeiro líder deve servir.

Concordamos que o Senhor dos senhores, Jesus Cristo, mesmo sendo o maior Senhor, foi também o maior de todos os servos. Ele é o Senhor que serviu. Em Filipenses 2:6-11, temos que: “Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, (...) se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; (...) a si mesmo se humilhou, (...) pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para gloria de Deus pai”. Aqui está a prova cabal e conclusiva que, para ser líder-servo é necessário tornar-se servo, e sendo servo você não estará deixando de ser senhor. Jesus mesmo servindo nunca deixou de ser Deus. Deus é Deus, pode fazer o que lhe aprouver sem deixar de ser o que é, e sempre foi e sempre será: Senhor!

A igreja de Cristo deve seguir o exemplo de Jesus. Diz o apóstolo João: ”aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1João 2:6). Viver como salvo é viver de modo distinto dos demais homens. Pela Bíblia sabemos haver um padrão ético que deve ser observado por todo aquele que quiser viver como salvo. Nenhum crente salvo, filho de Deus, integrante do reino de Deus aqui na terra, do qual é embaixador, poderá pensar ser possível viver de qualquer maneira. Seria triste engano pensar que o Rei Jesus poderia reconhecer como seu embaixador alguém que não pensasse como ele pensa, que não agisse como ele próprio agiria, que não falasse como ele falou. De um embaixador se requer estar plenamente afinado com aquele soberano, ou governante que ele representa. Somos embaixadores de Cristo.

III. A MORTE, RESSURREIÇÃO E VOLTA DE CRISTO

Falar destes três temas num tópico final de uma Aula é muita pretensão. Todavia, faremos um resumo.

1. A morte de Cristo, exemplo supremo de amor. Jesus morreu (Mt.27:50; Fp.2:8; João 19:30,34). Enquanto Deus, Jesus jamais poderia morrer, porque Deus é eterno e a própria vida; todavia, enquanto homem, embora não tivesse jamais pecado, Jesus morreu para que, pela sua morte, pudéssemos ter vida. Os soldados romanos confirmaram isso (João 19:33).

A morte de Cristo é a concretização do amor de Deus pela humanidade. O seu significado pode ser resumido no que Ele próprio disse a Nicodemos: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que' deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Ao morrer por todos nós, Jesus agiu como nosso Representante. Quando Ele morreu, todos morreram nele. Assim como o pecado de Adão se tornou o pecado de seus descendentes, também a morte de Cristo se tornou a morte daqueles que nele creem (Rm.5:12-21; 1Co.15:21,22). Por causa de seu sacrifício vicário somos agora nova criatura (2Co.5:17), ou seja, temos uma nova posição em relação a Deus e ao mundo. Temos agora uma nova forma de viver, na qual desaparece a vida pregressa e os velhos costumes. Por ocasião da conversão, não apenas viramos uma página de nossa vida velha, começamos um novo estilo de vida sob o controle do Espírito Santo. Esse novo estilo de vida é consequência lógica da conversão, pois o amor de Deus pela humanidade constrange-nos a viver integralmente para Ele.

Não são poucos os movimentos religiosos que negam a morte de Jesus. Muitos espíritas insistem em dizer que Jesus era um “espírito evoluído” e, portanto, jamais poderia ter morrido, embora isto tenha aparentemente ocorrido. Deste mesmo parecer são os muçulmanos, que afirmam que mataram outra pessoa em lugar de Jesus, que teve vida longa, morrendo em idade avançada. Tudo isto, porém, nada mais é que engano, pois Jesus realmente morreu, porque se fez homem e semelhante aos irmãos. Ele mesmo testemunhou isso: “fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap.1:18).

2. A ressurreição de Cristo. A ressurreição é a restituição à vida, ou seja, o retorno à unidade entre corpo, alma e espírito, que havia quando da vida física. É válido ressaltar que a ressurreição de Jesus foi a primeira ressurreição propriamente dita, porque Jesus ressuscitou em corpo glorificado, para não mais morrer. É importante observar que Jesus ressuscitou enquanto homem e, portanto, foi o Deus Pai quem O ressuscitou (Atos 2:32; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30,37; Rm.4:24; 1Co.6:14; 15:15; 1Pd.1:21). Jesus foi ressuscitado para que se cumprissem as Escrituras (Lc.24:44-48) e, nesta ressurreição, Jesus é o primogênito dentre os mortos (Cl.1:18), as primícias dos que dormem (1Co.15:20), porque foi o primeiro homem a ressurgir em corpo espiritual (1Co.15:44), incorruptível (1Co.15:42), imortal (1Co.15:54). Com a ressurreição, Jesus foi exaltado sobre todo o nome (Fp.2:9), passando, então, a ser chamado de Nosso Senhor (Rm.1:4), tendo todo o poder no céu e na terra (Mt.28:18).

3. A vinda de Cristo em glória. Diz o texto sagrado: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt.20:30).

A vinda de Jesus em glória é a verdade mais preciosa que contém a Bíblia Sagrada. Enche o coração do crente de gozo e eleva-o por cima das lutas, temores, necessidades, provas e ambições deste mundo, e o faz mais que vencedor em todas as coisas.

Na sua gloriosa vinda, as nuvens serão a sua carruagem; os anjos, a sua escolta; o arcanjo, o seu arauto e; os santos, o seu glorioso cortejo.

Na primeira vinda, a glória de Cristo não era perceptível: veio ao mundo de maneira muito singela e modesta, como um bebê, em meio a uma grande pobreza - seu berço era um cocho de animais, uma manjedoura; sua mãe o envolveu em panos; Ele, sendo Deus, "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap.19:16), se fez pobre (Zc.9:9; 2Co.8:9). Mas na sua vinda em glória será diferente: sua glória será mui grandemente perceptível (Mc.14:62); Ele virá "com poder e grande glória" (Mt.24:30); Ele virá cercado de anjos (2Ts.1:7); Ele virá com seus santos para reinar sobre a Terra (Judas14). Aleluia!

A Vinda de Jesus em Glória se dará após a Grande Tribulação. Ele retornará a esta Terra para cumprir todas as profecias messiânicas, redimir Israel e a natureza, estabelecer a justiça e a paz, tão esperada nesta Terra.

Breve Jesus virá. A Bíblia diz: “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap.22:12).  “Ora vem, Senhor Jesus” (Ap.22:20).

CONCLUSÃO

Concluímos esta Aula, e este trimestre letivo, afirmando que Jesus Cristo é o melhor modelo, exemplo, de caráter a ser imitado, como ensinou o apóstolo Paulo (1Co.11:1). Ele foi chamado de “Caminho”, pois é a jornada de Cristo debaixo do sol que devemos imitar para que, assim como Ele chegou à glória vencedor, também lá possamos chegar um dia, dia este que está tão próximo. Não é outro o sentido que Pedro nos dá a respeito da vida de Cristo, ao afirmar que “…Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas” (1Pd.2:21). Também não é por outro motivo que o próprio Senhor Jesus se intitulou como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6a). “Caminho” não significa tão somente acesso, mas, também, um modelo, um padrão a ser seguido, uma continuidade de passos e de atitudes que levam a um determinado lugar. Jesus é o Caminho, porque, através da sua vida, deixou-nos o exemplo a ser seguido, o modo de vida que nos conduz à glória eterna com Ele.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.
Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O caráter do Cristão. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. O papado e os dogmas de Maria.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. A infância de Jesus. PortalEBD_2008.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. O caráter de Cristo. PortalEBD_2007.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. Jesus, Verdadeiro Deus, verdadeiro Homem. PortalEBD_2008.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CONVERGÊNCIA DE SINAIS INDICIA O CAMINHO PARA O TERCEIRO TEMPLO DE JERUSALÉM




Muitos séculos passaram sem que se pudesse imaginar a cena vivida há exatamente 50 anos atrás: soldados de Israel, sob a bandeira com a estrela de David, clamando exultantes e vitoriosos: "O Monte do Templo está nas nossas mãos!"
A conquista de Jerusalém oriental e do Monte do Templo custou muitas vidas aos heróis soldados do estado judaico. A batalha de Jerusalém foi intensa. Volvido um Jubileu (50 anos), Jerusalém continua e continuará nas mãos dos judeus.
A situação política do Monte do Templo é, no entanto quase explosiva. Até o simples ato de orar pode gerar um grande conflito. Há, no entanto, a certeza que o domínio do lugar tão sagrado para os judeus e cristãos e em inferior importância para os muçulmanos estará sempre no centro das conversações a realizar entre judeus e árabes. E elas parecem vir a caminho.

ACRÉSCIMO DE SINAIS RELACIONADOS COM O TEMPLO DE JERUSALÉM  

Há um aumento progressivo de sinais indicadores de que os judeus estão a fazer progressos reais visando a construção de um Templo (o terceiro) na sua eterna capital, Jerusalém, onde há cerca de 3 mil anos foi erigido o primeiro Templo judaico. As implicações e ramificações de tal empreendimento estão longe da nossa imaginação e até compreensão. Mas, uma coisa é certa: qualquer ação no sentido da construção de um Terceiro Templo terá inimagináveis e profundíssimas consequências geopolíticas e espirituais. 
E, como em muitas profecias bíblicas, o cumprimento das mesmas é realizado por estágios ou etapas, assim também o projeto para a construção do Templo será necessariamente precedido por sinais, alguns dos quais já estão patentes diante dos nossos olhos. São eles:
- já estão a ser realizados sacrifícios da Páscoa junto ao Monte do Templo;

- já estão sendo trazidas e até criadas em Israel raças específicas de animais necessárias para os sacrifícios no Templo, conforme os ensinos da Torah (a Lei de Moisés);
- as modernas ciências e tecnologias do ADN já permitem identificar aqueles que serão geneticamente capacitados para servir como sacerdotes no Templo, assim que o mesmo seja construído;
- já foram preparados o altar, as vestimentas sacerdotais e outros materiais indispensáveis para a condução dos cultos no Templo.
Israel é de facto o ponto convergente das profecias. E o tema da construção do Terceiro Templo é atualmente um tema recorrente em muitas conversas, não só em Israel, como no meio de muitas comunidades judaicas e cristãs espalhadas pelo mundo. Este é certamente um tempo anunciado pelos profetas de outrora.

ISRAEL É UM MILAGRE VIVO

Israel é de facto um milagre vivo diante dos nossos olhos. É a única nação do mundo que ressuscitou ao fim de 2 mil anos! É a única nação do mundo cuja língua original foi restaurada ao fim de imensos séculos! É a única nação do mundo "criada" com um povo oriundo dos quatro cantos da terra! Israel é a única nação da qual tudo isto foi profetizado há mais de 2 mil anos, provando que a sua existência atual é sem qualquer dúvida o resultado da intervenção direta e sobrenatural de Deus!

OUTROS SINAIS CONVERGENTES

O renascimento de Israel no ano de 1948 poderá ter sido o início do despoletar de uma série de sinais globais anteriormente anunciados e que convergirão para o plano pré-estabelecido por Deus para a nação e povo de Israel. 

Apocalipse 13 dá-nos uma clara indicação da atual globalização mundial. Vêm-se também as nações em crescente "angústia e perplexidade", tal como profetizado em Lucas 21:25. Assiste-se hoje a um preocupante aumento da perseguição aos cristãos e ao crescimento do antissemitismo global. Vê-se o mundo a voltar-se cada vez mais contra Israel, conforme profetizado em Zacarias 12. 

ISRAEL É O RELÓGIO PROFÉTICO

Israel é o relógio profético que Deus usa para mostrar ao mundo que é hora de juízo sobre toda a humanidade. O regresso do Seu Filho para resgatar o Seu povo e julgar as nações teria de ser precedido pela restauração de Israel, o regresso do povo judeu à sua Terra, a renovação da mesma, e a reconquista de Jerusalém, tornando-a novamente a capital eterna e indivisível do estado judaico. E se Israel é o relógio, Jerusalém será o ponteiro dos minutos, e o Monte do Templo o ponteiro indicador dos segundos.

Assim sendo, a hora profética avançou significativamente em junho de 1967, e agora, volvidos 50 anos - o primeiro Jubileu bíblico - é tempo de estarmos preparados para um crescente acelerar do tempo profético, uma vez que o relógio está nas mãos de Deus, e nada nem ninguém se poderá aos Seus propósitos.
"Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o Verão..." - palavras do Mestre Jesus, referindo-se aos dias que estamos a viver. 
 
Fonte: Shalom, Israel!

domingo, 11 de junho de 2017

Aula 12 - JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER


2º Trimestre/2017

Texto Base: Mateus 1:18-25

"E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher" (Mt.1:24).

INTRODUÇÃO

Na sequência do estudo de personagens bíblicas que nos ensinam o caráter do cristão, estudaremos José, pai adotivo de Jesus, homem dotado de um caráter justo, temperante e amoroso. Os moradores de Nazaré o conhecia como carpinteiro (Mt.13:55), todavia, Deus o adotou para exercer a ímpar e sublime missão de ser o pai adotivo do Seu Filho Jesus. Esta missão foi exposta a ele num momento de grande decisão, quando intentou deixar Maria, que estava desposada com ele, por estar grávida. José não teve uma revelação direta da parte de Deus que ele seria o pai adotivo do Messias, a mensagem foi direcionada diretamente e pessoalmente a Maria, que viu e ouviu do anjo Gabriel que seria a mãe do Messias, o Salvador. Só quando planejou deixar Maria, o Senhor falou com ele em sonhos e José demonstrou ter fé e comunhão com Deus, pois não teve dificuldades em discernir que não se tratava de um sonho comum, mas era a voz de Deus e a sua revelação divina a respeito daquele que seria o Messias, que tanto Israel, e por que não dizer a humanidade, esperava. Ele foi um homem obediente a Deus, de caráter humilde, submisso e amoroso, e partícipe do plano salvífico de Deus.

 I. JOSÉ, O PAI ADOTIVO DE JESUS

1. Quem era José? Na Bíblia não encontramos muitas informações a respeito dele, todavia, teve um papel importante no plano de redenção divina. Analisando os textos bíblicos a respeito de José, podemos ver que ele era um homem simples, humilde, e conhecido no meio de sua comunidade por causa de sua profissão de carpinteiro. Ele entrou na genealogia de Jesus, contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam que o Messias viria da descendência de Davi. Disse Deus a Davi: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre” (2Sm.7:12,16).

Lucas 2:4 confirma que José era da tribo de Judá, a mesma do rei Davi. Se José era da tribo de Judá, porque emigrou da Judeia, terra dos seus antepassados, onde poderia morar livremente, para a Galileia, território de outra tribo, onde ele não poderia possuir propriedades? A Bíblia não explica, mas conjectura-se que foi por causa de sua profissão de carpinteiro. Na Judeia não havia matéria prima para o exercício de sua profissão. Um carpinteiro necessita de madeira para trabalhar. Nos nossos dias, basta ir a algum fornecedor de material e comprar a madeira ou telefonar a uma serraria que umas horas depois está na sua oficina um caminhão com o carregamento da madeira indicada, já serrada em tábuas, seca na estufa e pronta a ser trabalhada. Mas José viveu numa época bem diferente. Ele tinha de montar a sua oficina não muito longe duma floresta onde houvesse árvores que pudessem fornecer boa madeira.

A Bíblia nada registra sobre o final da vida de José. A última participação de José é mencionada no evento dos Evangelhos relacionado com a visita feita à festa anual em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade (Lc.2:41-52). Ele não foi incluído com Maria e seus filhos em Mateus 12:46-50. Embora João 6:42 possa indicar que José ainda tivesse vivo durante parte do ministério de Jesus, José não aparece na crucificação quando Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João (João 19:26,27); portanto, podemos concluir que José havia morrido antes desse acontecimento.

2. Pai adotivo de Jesus. Jesus era conhecido no meio do povo judeu como “filho de José” (João 1:45 e 6:42) e “filho do carpinteiro” (Mt.13:55). Certamente, Deus escolheu um homem íntegro para fazer parte da vida de seu Filho. José sabia que Jesus não era seu filho fisicamente, visto que Jesus foi gerado pela ação sobrenatural do Espírito Santo, no útero de Maria (Lc.1:35), mas José, como um verdadeiro pai, amou Jesus como um filho. Ele é também chamado de "pai-guardião" de Jesus. De seu pai adotivo, Jesus herdou o título de “carpinteiro” (Mc.6:33) por ter aprendido sua profissão.

O fato de Deus ter escolhido José para ser o “pai-guardião” de Jesus é de suma importância, pois José era "da casa e família de Davi" (Lc.2:4). Segundo Elinaldo Renovato, “perante a lei, José era o pai de Jesus, incluindo-o na ascendência de sua família e também na ascendência de Maria, conforme o registro de Lucas (Lc.3:23-38). Dessa forma, ele garantiu a confirmação de Jesus na descendência real de Davi e da tribo de Judá. Mateus registra a arvore genealógica de Jesus a partir da descendência de Davi, por meio de Natã, seu filho (Lc.1:27; 3:31), visto que o rei Jeoaquim, filho de Josias, da casa de Davi, em Judá, sofreu terrível maldição de que nenhum descendente dele se assentaria no trono de Davi” (cf. Jr.22:28-30).

3. José, um sonhador obediente. Ao saber da gravidez de Maria, José pensou em deixá-la secretamente para não a infamar. Diz assim Mateus 1:19: “José, seu esposo, sendo justo, e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo”. José não quis acusar Maria de infidelidade e resolveu deixá-la em segredo. Nem sabemos se terá exigido do pai de Maria a devolução do que lhe teria pago, como era tradição entre os judeus. Penso que esta atitude não nos mostra um homem justo, muito menos se pensarmos no que era o homem justo nessa cultura. Eu preferia chamar-lhe de homem pacífico, conciliador, um homem bom, que preferiu ficar prejudicado a apelar para a justiça a que tinha direito. No contexto cultural veterotestamentário, justo era o que praticava a justiça de acordo com a Lei Mosaica. Se José apelasse para a justiça segundo a lei de Moisés, Maria seria condenada à morte por apedrejamento se não houvesse alguma intervenção das autoridades romanas para impedir tal execução, pois viviam numa época em que a aplicação da lei Mosaica tinha algumas limitações impostas por Roma.

Deus teve que intervir, pois José tinha sido escolhido por Ele para ser o pai adotivo de Jesus. Deus lhe deu um sonho tranquilizador para que não saísse do seu lugar. Diz o texto sagrado: “E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt.1:20,21). Prontamente José obedeceu à voz de Deus e não concretizou seu desejo de fugir às escondidas para não sofrer as consequências da gravidez inesperada de sua noiva.

II. O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ

Deus não ia escolher um homem qualquer para ser o “pai-guardião” de Seu Filho Jesus. Deus escolheu José porque ele era um homem de caráter exemplar. A seguir, algumas qualidades do caráter de José.

1. Um homem temente a Deus. Ser temente a Deus é ter uma vida de oração, é ser submisso em tudo à vontade de Deus. Ser temente a Deus não é ter medo de Deus, mas demonstrar um amor profundo por Ele. José tinha uma vida de oração e levava sua família ao templo todos os anos na páscoa (Lc.2:41). Por ser tão temente, o Senhor o visitou em sonho três vezes para orientar o seu futuro. Primeiro, sonhou com um anjo lhe dizendo para assumir a responsabilidade de marido de Maria e pai adotivo do menino Jesus (cf. Mt.1:20). Depois, um anjo lhe apareceu novamente em sonho ordenando que fosse para o Egito (cf. Mt.2:13). No terceiro sonho, um anjo lhe disse que poderiam voltar para a sua terra natal (cf. Mt.2:19). Tudo isto mostra que José era alguém que tinha grande intimidade com Deus. Viver na presença de Deus é a melhor forma de um pai abençoar sua família como sacerdote do lar (Dt.6:6-10). “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv.9:10).         

2. Um homem responsável (Lc.1:27; 2:4). José foi um homem que cumpriu todas as obrigações que a ele era imposta. Podemos observar isto, primeiramente, quando ele assume o compromisso de constituir uma família como a mulher que estava desposada (Lc.1:27), atendendo a orientação do anjo do Senhor. Em segundo lugar, José cumpriu sua obrigação civil e foi fazer o recenciamento na época e no lugar certo, mesmo diante da dificuldade de ter sua esposa grávida (Lc.2:4). Em terceiro lugar, José assumiu a paternidade pública de Jesus recebendo Maria como esposa (cf. Mt.1:24). Em quarto lugar, demonstrou ser um homem dedicado à provisão do lar, pois a Bíblia diz que ele era um carpinteiro. Isto denota que ele era um homem trabalhador e bom profissional (Mt.13:55). Em quinto lugar, deu educação a Jesus, provavelmente em casa (João 7:15-17), pois Jesus sabia ler (Lc.4:16,17) e escrever (João 8:8), além de ensinar-lhe uma profissão (cf. Mc.6:3). José cumpria muito bem o que a Bíblia ordena: “ensina a criança no caminho em que deve andar” (Pv.22:6). O exemplo com atitudes ensina muito mais que as palavras. Quando um pai dá exemplo de responsabilidade, seus filhos o seguem como referencial e mesmo que se desviem um dia se lembrarão, como aconteceu com o filho pródigo (cf. Lc.15:17).

3. Um homem obediente (Mt.1:18-25). Outra qualidade marcante do caráter de José é a sua obediência a Deus, por isso foi chamado de “justo” (Mt.1:19). Desde os lugares onde morou com sua família até cada detalhe de sua vida foram em obediência à orientação de Deus (Mt.2:13,19-23). Obedeceu à ordem de Deus em receber Maria como sua esposa e a incumbência de ser o pai adotivo de Jesus. Por um instante José foi tentado a deixar Maria (Mt.1:19), com as melhores intenções de livrar sua noiva de um castigo infame. Contudo, assim que recebeu a mensagem do anjo, obedeceu imediatamente recebendo Maria como esposa e o menino Jesus como se fosse seu (Mt.1:24). Até o nome da criança José obedeceu e colocou como mandou o anjo (Mt.1:21,25). Também, obedeceu à lei levando Jesus para ser circuncidado ao oitavo dia (cf. Lc.2:22).

Quando o pai é obediente a Deus, os filhos são obedientes ao pai. A Bíblia diz que “obedecer é melhor que sacrificar” (1Sm.15:22). Por isso é importante buscar em tudo a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm.12:2). Um pai sabe o que é melhor para o filho (Mt.7:9-12) e precisa ensiná-lo a ser obediente em tudo.

4. Um homem temperante. Outra qualidade marcante do caráter de José é a temperança. No período em que era noivo (desposado) com Maria, ele não teve relações íntimas com ela. Primeiro, porque era um grave pecado (Dt.22:23,24); segundo, porque era homem de bem, e obediente a Deus, "justo" (Mt.1:19). A Bíblia diz que José "não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogénito..." (Mt.1:25). Ambos foram fortes o suficiente para serem fiéis a Deus, nessa área, em que muitos não resistem nem à primeira investida do maligno.

A temperança é uma qualidade do Fruto do Espírito Santo (cf. Gl.5:22). Todo homem ou mulher de Deus não pode viver sem essa virtude. O pecado é errar o alvo, é o desequilíbrio de um ou mais instintos, e resulta daí a importância e necessidade de o cristão ser temperante, precisamente porque é através desta qualidade do fruto do Espírito que o salvo irá se precaver de pecar. José era temperante.

III. A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ

1. Assegurar a ascendência real de Jesus. Por providência divina, Jesus foi adotado legalmente por José, que era da tribo de Judá, afim de assegurar a ascendência real de Jesus. Como dissemos no primeiro tópico desta Aula, José entrou na genealogia de Jesus, contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam que o Messias viria da descendência de Davi, o qual era da tribo de Judá. Disse Deus a Davi: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre” (2Sm.7:12,160. Aliás, hoje, o único Ser descendente de Davi, que sabemos, que está vivo, é Jesus Cristo – “[...]fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! [...]” (Ap.1:18). No Apocalipse, Jesus é descrito como "o Leão da tribo de Judá", o único capaz de abrir o livro selado com sete selos (Ap.5:5). Jesus é o ascendente e o descendente de Davi (Ap.22:16); Ele é a Raiz e também a geração de Deus; Ele é Filho e também Senhor de Davi; Ele abrange toda a história.

2. Proteger Jesus em seus primeiros anos. A sociedade judaica era eminentemente patriarcal, ou seja, o pai detinha a autoridade do lar; ele era o líder espiritual e humano da família, ao lado de sua esposa. Jamais se imaginaria uma mulher dizer que tivera um filho, sem que a presença do pai fosse notória. Desta feita, Maria não teria nenhuma condição de criar Jesus, humanamente falando, sem o apoio da figura paterna. Por isso, a intervenção divina neste processo foi de tão suma importância, dando a José essa incumbência nobre de pai adotivo de Jesus. A contribuição de José à formação espiritual, moral e social de Jesus ao lado de Maria foi inestimável. Ele prestou um serviço de alta relevância perante Deus, como pai adotivo e guardião de Jesus em sua infância e adolescência. Veja alguns fatos que comprovam a responsabilidade, o amor e o zelo de José por Jesus, na sua infância, apesar de não ser seu filho biológico, e sim filho de Maria pela intervenção divina.

a) No nascimento de Jesus. Ao chegarem a Belém para o alistamento determinado pelo governo romano, José e Maria, com a criança em seu ventre, não tiveram lugar para se hospedar e tiveram que aceitar recolher-se numa estrebaria. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias do menino Jesus nascer; ali, as dores do parto foram intensas e, em meio ao silêncio noturno, na companhia de José, Maria deu à luz a Jesus, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Diz assim o texto sagrado:

“E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc.2:4-7).

Maria, na sua condição social, não tinha uma serva a seu serviço. Naquela situação, sem dúvida, José participou dos procedimentos no parto, ajudando Maria em todos os detalhes, amparando o bebê na saída do útero materno, no corte do cordão umbilical, em sua limpeza pós-parto, no envolvimento em panos e na colocação da criança na manjedoura.

b) Nas cerimônias exigidas pela Lei. Dentre elas destacamos:

- Na circuncisão. Após ter nascido na estrebaria, Jesus, como todo judeu, em cumprimento da Lei, foi circuncidado no oitavo dia de sua vida, quando, então, lhe foi dado o nome de Jesus, em cumprimento à ordem do anjo. Diz o texto sagrado:

“E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor” (Lc.2:21,22).

É interessante observar que a narrativa de Lucas mostra um menino Jesus totalmente indefeso, dependente, como toda criança recém-nascida. Em toda a narrativa, Jesus não pratica qualquer ação, é sempre o objeto das ações dos outros homens, é o que os gramáticos chamam de “paciente” (foi envolto em panos, deitado na manjedoura, visto pelos pastores, foi circuncidado e dado a ele o nome). Isto é uma demonstração de que Jesus, assim como qualquer outro recém-nascido, como qualquer outro neonato, dependia inteiramente de seus pais, José e Maria.

- No resgate da Primogenitura (Lc.2:22,23). Jesus é apresentado no Templo para resgate da Primogenitura, conforme a Lei (cf. Ex.13:2,11-16; Nm.18:15,16). O Filho Primogênito era apresentado a Deus um mês após o nascimento. A cerimônia incluía comprar de volta, ou seja, 'redimir', a criança, de Deus, por meio de uma oferta. Desta maneira, os pais reconheciam que o bebê pertencia a Deus, que é o único que tem poder de dar vida.

- Na purificação de Maria. Jesus foi levado ao templo com seus pais, a fim de que se fizesse o sacrifício relacionado à purificação de sua mãe (Lv.12:4; Lc.2:22). Por quarenta dias depois do nascimento de um filho, ou oitenta após do nascimento de uma filha, a mãe era considerada imunda; e não podiam entrar no Templo. No final desse período de separação, os pais deveriam oferecer um cordeiro em holocausto e um pombo (macho ou fêmea) como oferta pelos pecados. O sacerdote sacrificava estes animais e declarava a mulher purificada. Se um cordeiro fosse muito caro para a família, os pais poderiam ofertar dois pombos (macho ou fêmea). Isto foi o que Maria e José fizeram (Lc.2:24), numa demonstração de que José e Maria eram pobres, apesar de sua descendência real (Lv.12:8). Segundo alguns estudiosos, e também segundo o Talmude, tem-se aqui uma outra prova de que o parto de Jesus foi normal, porque só nestes casos é que havia a necessidade do sacrifício da purificação que, pela tradição judaica, é dispensado em outros casos, como o da cesariana.

Vemos, portanto, que Jesus nascia em uma família humilde, pobre, de modo que a pobreza de que nos fala o apóstolo em relação à pessoa de Jesus (2Co.8:9), também, abrange a própria condição econômico-financeira da “sagrada família”. Ao contrário do que apregoam os “teólogos da prosperidade”, Jesus não nasceu rico, mas, sim, bem humilde, tanto que seus pais ofereceram o mínimo previsto na lei para a purificação de Maria.

c) Na fuga para o Egito (Mt.2:13,14). Ante a revelação divina aos magos para que não dissessem a Herodes onde estava o menino Jesus, antes que houvesse a matança dos inocentes em Belém, Deus determinou que José tomasse o menino Jesus e sua esposa e fugissem para o Egito, e ficasse lá até o aviso de Deus para retornar. Ele fez isso prontamente. À noite, José fugiu para o Egito levando consigo o menino Jesus, talvez já com quase dois anos de idade (cf. Lc.2:16). Foi uma viagem arriscada, pois além ser durante a noite a estrada era deserta, com risco de assalto e intempérie. Diz o texto sagrado:

“E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito”.

d) No retorno do Egito (Mt.2:19-21). Diz o texto sagrado: “Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu, num sonho, a José, no Egito, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. Então, ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel”.

Jesus esteve no Egito até a morte de Herodes, quando José e Maria, novamente por revelação divina, deixaram o Egito e foram morar em Nazaré, já que José temeu retornar a Judéia, vez que ali reinava Arquelau, filho de Herodes (Mt.2:22), enquanto que, na Galiléia, onde ficava Nazaré, o governante era Herodes Antipas (20 a.C. - 39 d.C.), o mesmo que foi, certa feita, chamado de “raposa” por Jesus (Lc.13:32), que, apesar de também ser filho de Herodes, era pessoa de menor crueldade e menos apegado aos valores judaicos.

A situação simples em que vivia a “sagrada família” obrigou-a voltar a morar em Nazaré, local completamente ignorado, mesmo na Galiléia, alvo de todo tipo de preconceito (João 1:46). Nazaré era localidade que nem sequer foi objeto de menção no Antigo Testamento, nem mesmo quando houve a divisão da terra, também não tendo sido mencionada nenhuma vez por Flávio Josefo, apesar de ele ter sido governador da Galiléia. Vemos, assim, que, tanto antes, quanto depois da passagem de Jesus por este mundo, Nazaré foi sempre aviltada e desprezada enquanto lugar. Por causa disto, alguns estudiosos chegam a pensar que Nazaré seria uma aglomeração urbana irregular, uma espécie de ajuntamento de pessoas desqualificadas ou marginalizadas na sociedade, algo como os “favelões” das metrópoles atuais. Foi nesta localidade obscura que José e Maria foram habitar, levando consigo Jesus.

3. O zelo pela formação espiritual de Jesus. Como criança normal, saudável, inteligente e de família judaica, Jesus foi criado conforme os ditames da Lei de Moisés. Certamente, José e Maria cumpriam o que fora determinado quanto à educação dos filhos, com o ensino sistemático e diário das Escrituras Sagradas (cf. Dt.11:18-21). Fazia parte de sua educação conhecer e participar das festas anuais de Israel, das quais a Páscoa era a mais impactante por seu significado histórico e espiritual. José e Maria, costumeiramente, levavam Jesus a Jerusalém para essa festividade nacional. Diz o texto sagrado:

“Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lc.2:41,42).

Este é um exemplo eloquente de um verdadeiro pai, que se faz presente na vida do filho, e que não descuida de sua educação espiritual, moral e intelectual. Se você soubesse que há um grande propósito de Deus para seu filho, como você o educaria? Com certeza da melhor forma possível. Então é o que deve fazer, porque assim como José sabia que Jesus é especial, cada criança também é importante para Deus. Não seja um pai como o mundo quer e sim como Deus ensina. Seus filhos também não são seus e sim de Deus. Se você pensar que seus filhos pertencem a Deus e que o Senhor os confiou a você para cuidar, certamente fará o melhor para eles. Eduque seus filhos para Deus!

CONCLUSÃO

José foi um servo exemplar de Deus, que cumpriu uma missão importantíssima no projeto de Deus para a redenção da humanidade. Seu papel coadjuvante não deve ser menosprezado nem diminuído.

Maria foi a escolhida para acolher a encarnação de Jesus, o Verbo que "se fez carne, e habitou entre nós" (João 1:14), porém, José foi o escolhido por Deus para ser parte integrante da sagrada família, cuidando de Maria, como esposo humilde amoroso, e de Jesus, como pai terreno, zelando pela integridade física, emocional e espiritual de Jesus, notadamente nos anos da infância e da adolescência; um exemplo eloquente de um verdadeiro pai, que se faz presente na vida do filho, e não apenas um genitor, que gera e descuida-se da vida do filho. Sem dúvida, José foi um homem de caráter exemplar, digno de imitação. Ele foi um homem santo, assim como todos os que se dedicaram ao chamado de Deus em suas vidas. Mas, assim como Maria, ele nunca reivindicou para si honras e louvores, que só pertencem a Deus.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.
Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O caráter do Cristão. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. O papado e os dogmas de Maria.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. A infância de Jesus. PortalEBD_2008.