quinta-feira, 17 de abril de 2014

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA PÁSCOA


 
 
“CRISTO, NOSSA PÁSCOA, FOI CRUCIFICADO POR NÓS” (1Co 5:7).

"ASSIM, POIS, O COMEREIS: OS VOSSOS LOMBOS CINGIDOS, OS VOSSOS SAPATOS NOS PÉS, E O VOSSO CAJADO NA MÃO; E O COMEREIS APRESSADAMENTE; ESTA É A PÁSCOA DO SENHOR” (Êx 12.11).

NESTA SEMANA, MUITOS DOS QUE CRISTÃOS DIZEM SER COMEMORAM A PÁSCOA. EMBORA DE MANEIRA ERRADA, FORA DO CONTEXTO BÍBLICO, COMEMORAM.

MAS, QUAL O VERDADEIRO SENTIDO DA PÁSCOA?

A PÁSCOA FOI INSTITUÍDA, ORIGINALMENTE, COMO A FESTIVIDADE SÍMBOLO DA LIBERTAÇÃO DO POVO DE ISRAEL DO EGITO, NO EVENTO CONHECIDO COMO ÊXODO.

O POVO DE ISRAEL VIVEU NO EGITO DURANTE 430 ANOS APROXIMADAMENTE. OS ÚLTIMOS ANOS DESTE PERÍODO FORAM DE DURA ESCRAVIDÃO, POIS O FARAÓ QUE REINAVA OPRIMIU O POVO DE ISRAEL. POR ESTA RAZÃO, O POVO CLAMOU AO SENHOR POR LIBERTAÇÃO, E ELE ENVIOU UM LIBERTADOR, MOISÉS, PARA ORDENAR A FARAÓ QUE DEIXASSE O POVO PARTIR PARA A TERRA PROMETIDA.

FARAÓ NÃO DEU OUVIDOS ÀS PALAVRAS DE MOISÉS E DEUS ENVIOU DEZ PRAGAS PARA FORÇAR FARAÓ A OBEDECER À SUA PALAVRA. A DÉCIMA E ÚLTIMA PRAGA, FOI A PRAGA DA MORTANDADE DOS PRIMOGÊNITOS EGÍPCIOS; E FOI NO MOMENTO EM QUE ESTA PRAGA ESTAVA POR VIR, QUE DEUS INSTITUIU A PÁSCOA COM O PROPÓSITO DE LIVRAR O POVO DE ISRAEL DA MORTE E LIBERTÁ-LO DO CATIVEIRO EGÍPCIO.

O SENHOR DEUS EMITIU UMA ORDEM ESPECÍFICA AO SEU POVO, CUJA OBEDIÊNCIA TRARIA A PROTEÇÃO DIVINA E A CONSEQUENTE LIBERTAÇÃO DA ESCRAVIDÃO. CADA FAMÍLIA DEVERIA TOMAR UM CORDEIRO, SACRIFICÁ-LO E COMÊ-LO ASSADO. DEPOIS DEVIAM PASSAR O SANGUE DO CORDEIRO NOS UMBRAIS E NAS VERGAS DAS PORTAS, POIS O ANJO DA MORTE PERCORRERIA A TERRA E PASSARIA POR CIMA DAS CASAS QUE TIVESSEM O SINAL DO SANGUE, POUPANDO OS SEUS PRIMOGÊNITOS.

DAÍ O TERMO PÁSCOA, DO HEBRAICO PESAH, QUE SIGNIFICA “PASSAR POR CIMA”, OU “POUPAR”.

A PARTIR DAQUELE MOMENTO DA HISTÓRIA, O POVO DE DEUS IA CELEBRAR A PÁSCOA TODA PRIMAVERA, OBEDECENDO ÀS INSTRUÇÕES DIVINAS DE QUE AQUELA CELEBRAÇÃO SERIA "ESTATUTO PERPÉTUO" (EX 12:14), COMO UM MEMORIAL DESSA LIBERTAÇÃO. ERA, PORÉM, UM SACRIFÍCIO COMEMORATIVO, EXCETO O SACRIFÍCIO INICIAL NO EGITO, QUE FOI UM SACRIFÍCIO EFICAZ.

A PÁSCOA, POIS, CONTINHA UM SIMBOLISMO PROFÉTICO, COMO “SOMBRAS DAS COISAS FUTURAS”, QUE APONTAVA PARA UM EVENTO AINDA POR VIR, A REDENÇÃO EFETUADA POR CRISTO.

O APÓSTOLO PAULO AFIRMOU:CRISTO, NOSSA PÁSCOA, FOI SACRIFICADO POR NÓS”. O CORDEIRO MORTO ERA COMO UM MODELO ANTECIPADO DO SACRIFÍCIO DE CRISTO NA CRUZ PELOS NOSSOS PECADOS.

EM SUMA...

A PÁSCOA SIMBOLIZA TRÊS COISAS: LIBERDADE DA ESCRAVIDÃO, SALVAÇÃO DA MORTE E CAMINHADA PARA A TERRA PROMETIDA.

PARA OS HEBREUS, ISSO TINHA UM SENTIDO FÍSICO, POIS HAVIA A ESCRAVIDÃO DO JUGO EGÍPCIO A SER SUBVERTIDA, UMA MORTE IGNOMINIOSA IMINENTE A SER SUPLANTADA E A ESPERANÇA DE UMA TERRA A SER CONQUISTADA.

PARA NÓS, HOJE, A PÁSCOA TEM UM SENTIDO DE NATUREZA ESTRITAMENTE ESPIRITUAL. O SACRIFÍCIO VICÁRIO DE CRISTO, UMA VEZ PARA SEMPRE, SIGNIFICA PARA NÓS:

-        A NOSSA LIBERTAÇÃO DA ESCRAVIDÃO DO MUNDO E DE SATANÁS(EGITO E FARAÓ);

-        A SALVAÇÃO DA MORTE ETERNA(SEPARAÇÃO ETERNA DE DEUS, SEGUNDA MORTE);

-        E A GLORIOSA ESPERANÇA DA NOSSA MORADA NA FORMOSA JERUSALÉM CELESTIAL. CAMINHAMOS AVANTE NA CERTEZA DE QUE O CÉU ONDE CRISTO HABITA É O NOSSO DESTINO FINAL, ONDE “ESTAREMOS PARA SEMPRE COM O SENHOR”.

O ÂMAGO, PORTANTO, DO EVENTO DA PÁSCOA É A GRAÇA SALVADORA DE DEUS.

DEUS TIROU OS ISRAELITAS DO EGITO, NÃO PORQUE ELES ERAM UM POVO MERECEDOR, MAS PORQUE ELE OS AMOU E PORQUE ELE É FIEL AO SEU CONCERTO, COMO REZA O TEXTO SAGRADO:

O SENHOR NÃO TOMOU PRAZER EM VÓS, NEM VOS ESCOLHEU, PORQUE A VOSSA MULTIDÃO ERA MAIS DO QUE A DE TODOS OS OUTROS POVOS, POIS VÓS ÉREIS MENOS EM NÚMERO DO QUE TODOS OS POVOS, MAS PORQUE O SENHOR VOS AMAVA; E, PARA GUARDAR O JURAMENTO QUE JURARA A VOSSOS PAIS, O SENHOR VOS TIROU COM MÃO FORTE E VOS RESGATOU DA CASA DA SERVIDÃO, DA MÃO DE FARAÓ, REI DO EGITO” (Dt 7.7,8).

SEMELHANTEMENTE, A SALVAÇÃO QUE RECEBEMOS DE CRISTO NOS VEM ATRAVÉS DA MARAVILHOSA GRAÇA DE DEUS, COMO DIZ O APÓSTOLO PAULO:

“PORQUE PELA GRAÇA SOIS SALVOS, POR MEIO DA FÉ; E ISSO NÃO VEM DE VÓS; É DOM DE DEUS. NÃO VEM DAS OBRAS, PARA QUE NINGUÉM SE GLORIE” (Ef 2:8,9).

HOJE, COMEMORAMOS A PASSAGEM DA MORTE PARA A VIDA. NÓS MERECÍAMOS MORRER, MAS DEUS PROVIDENCIOU UMA GRANDE SALVAÇÃO PORQUE NOS AMAVA DEMAIS!

“PORQUE DEUS AMOU O MUNDO TANTO, QUE DEU O SEU ÚNICO FILHO, PARA QUE TODO AQUELE QUE NELE CRER NÃO MORRA, MAS TENHA A VIDA ETERNA” (JOAO 3:16).

MAS DEUS NOS MOSTROU O QUANTO NOS AMA: CRISTO MORREU POR NÓS QUANDO AINDA VIVÍAMOS NO PECADO” (Rm 5:8).

JESUS, O CORDEIRO DERRAMOU O SEU SANGUE POR NÓS, PARA QUE POSSAMOS TER VIDA!

 “E O SANGUE DE JESUS, SEU FILHO, NOS PURIFICA DE TODO PECADO” (1JOÃO 1:7). 

PELA FÉ DEVEMOS NOS COBRIR COM O SEU SANGUE, ASSIM COMO O SANGUE QUE FOI PASSADO NAS PORTAS DAS CASAS DOS ISRAELITAS! MAS COMO FAZEMOS ISTO? CRENDO QUE JESUS MORREU EM MEU LUGAR, QUE PAGOU O NOSSO CASTIGO NA CRUZ.

“SE VOCÊ CONFESSAR COM A SUA BOCA QUE JESUS É SENHOR E CRER EM SEU CORAÇÃO QUE DEUS O RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS, SERÁ SALVO” (Rm 10:9).

MAS JESUS NÃO PERMANECEU MORTO, ELE RESSUSCITOU NA PÁSCOA! ELE DEU NOVO SIGNIFICADO A ESTA DATA. ELE TROUXE A “BOA-NOVA”, ESPERANÇA DE UMA VIDA MELHOR. TROUXE ENSINAMENTOS PARA QUE O POVO SE LIBERTASSE DO SOFRIMENTO E DO MAL. ELE VEIO PARA NOS RECONCILIAR COM DEUS E NOS DAR A CHANCE DE VIVER UMA VIDA ABUNDANTE, JUNTAMENTE COM ELE.

A SUA RESSURREIÇÃO SIMBOLIZA O INÍCIO DE UMA VIDA NOVA, UMA VIDA LIBERTA DA ESCRAVIDÃO DO PECADO!

JESUS É A NOSSA VERDADEIRA PÁSCOA! JESUS É O NOSSO LIBERTADOR! - “PORQUE CRISTO, NOSSA PÁSCOA, FOI SACRIFICADO POR NÓS” (1Co 5:7b).

SOMENTE PODEMOS DIZER FELIZ PÁSCOA SE JESUS FOR O NOSSO CORDEIRO! ELE É SEU CORDEIRO, QUE LIBERTOU VOCÊ DO PECADO E DAS MALDIÇOES? ENTÃO, PODEMOS DIZER COM ALEGRIA E EM ALTA VOZ:

FELIZ PÁSCOA!!

 

LUCIANO DE PAULA LOURENÇO

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Aula 03 – DONS DE REVELAÇÃO


2º Trimestre/2014

 
Texto Básico: 1Co 12:8,10; Atos 6:8-10; Daniel 2:19-22

 
Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co 14:26).

 

INTRODUÇÃO


Paulo relacionou três grupos de Dons espirituais, a saber: três Dons de Revelação (Palavra de sabedoria, Palavra de ciência - ou conhecimento e do Discernimento de espíritos); três Dons de Poder (Fé, Cura e Operação de milagres); três Dons de Elocução (Profecia, Variedade de línguas e Interpretação de línguas). É certo que em nenhuma deles o objetivo de Paulo foi o de quantificar os Dons, ou seja, definir quantos são, mas, o de qualificá-los, ou seja, discorrer sobre o objetivo e o uso correto de cada um.

Quanto aos Dons de Revelação, que estudaremos nesta Aula, são dados pelo Espírito Santo para que as pessoas revelem mistérios ocultos aos homens, com a tomada de atitudes e condutas que evidenciem que Deus sabe todas as coisas e que nada lhe fica oculto. São evidências da onisciência divina no meio do Seu povo. Por intermédio dos Dons de Revelação, a Igreja de Cristo manifesta sabedoria, ciência e discernimento sobrenaturais. Eles são de grande necessidade aos santos, habilitando-os a entenderem muito mais e a combaterem os espíritos do erro e suas artimanhas por toda parte. Hoje, estamos presenciando a proliferação, inclusive dentro das igrejas, de falsas doutrinas, de imitação dos dons, de modernismos teológicos, de inovações antibíblicas, de falsos avivalistas, de "milagreiros" ambulantes, etc. Por isso que é tão importante a manifestação destes Dons na Igreja. Reavivemos, pois, o dom que há em nós (2Tm 1:6).

I. A PALAVRA DA SABEDORIA


“Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria”(1Co 12:8a).

1. Conceito. "Sabedoria", segundo o Dicionário Bíblico Beacon quer dizer "julgamento de Deus diante das demandas feitas pelo homem, especificamente pela vida cristã". Esta “Sabedoria” não é o resultado da capacidade cognitiva humana; é uma capacidade divina de julgar as questões práticas do nosso dia a dia de maneira que o nome do Senhor seja exaltado.

De acordo com Estêvam Ângelo de Souza, "a palavra de sabedoria é a sabedoria de Deus ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria divina, que é dada por meios sobrenaturais". É uma capacidade vinda diretamente de Deus, mediante a ação direta do Espírito Santo em nossas vidas tornando-nos capazes de resolver problemas tidos como insolúveis.

A liderança, bem como todos aqueles que querem servir à Igreja de Cristo, deve buscar este Dom a fim de administrar e servir com excelência. A Bíblia nos mostra que os diáconos eram homens cheios do Espírito Santo e que Estêvão dispunha de tanta sabedoria que ninguém conseguia se sobrepor a ele durante a sua pregação (At 6:10).

Tiago exorta todo crente a buscar em Deus a Sabedoria – “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” (Tg 1:5). Aqui, Tiago está falando a respeito da "habilidade de tomar decisões em circunstâncias difíceis"; não diz respeito ao conhecimento adquirido pelo homem. Muitos homens são dotados de grande capacidade intelectual, mas infelizmente desconhecem a Deus.

Jesus agradeceu ao Pai por esta revelação aos seus ‘pequeninos’: “Graças de dou, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas; assim, ó Pai, porque assim te aprouve”.

2. A Bíblia e a palavra de Sabedoria. No Antigo Testamento, temos alguns exemplos notórios deste Dom:

- Quando da construção do Tabernáculo – “Assim, trabalharam Bezalel, e Aoliabe, e todo homem sábio de coração a quem o SENHOR dera sabedoria e inteligência, para saberem como haviam de fazer toda obra para o serviço do santuário, conforme tudo o que o SENHOR tinha ordenado. Porque Moisés chamara a Bezalel, e a Aoliabe, e a todo homem sábio de coração em cujo coração o SENHOR tinha dado sabedoria, isto é, a todo aquele a quem o seu coração movera que se chegasse à obra para fazê-la”(Êx 36:1,2).

- José, filho de Jacó, teve momentos especiais em sua vida, em que demonstrou ter a sabedoria concedida por Deus, em situações extremamente significativas. Na prisão, interpretou os sonhos dos servos de Faraó, os quais se cumpriram plenamente. Chamado ao palácio real, diante de todos os sábios, adivinhos e conselheiros do rei, interpretou os sonhos proféticos que Deus concedera ao monarca egípcio, e, ainda por cima, deu instruções e consultoria gratuita sobre planejamento, economia, contabilidade e finanças a Faraó. Se não fosse a Sabedoria do Espírito de Deus, jamais o jovem hebreu teria tamanha capacidade para interpretar os misteriosos sonhos das vacas gordas e das vacas magras. Por isso, e por vontade divina, foi elevado à posição de Governador do Egito (cf. Gn 41:14-41).

- Salomão, usou a sabedoria divina ao julgar o caso daquelas mulheres que lutavam pela posse de um recém-nascido (1Rs 3:16-28). Todos os que ouviram a sentença do rei temeram ao Senhor, pois sabiam que sobre o monarca atuara uma Sabedoria sobrenatural vinda diretamente de Deus (1Rs 3:28).

- O profeta Daniel, além do Dom da ciência ou conhecimento, ele também foi contemplado pelo Dom da Palavra da Sabedoria (cf. Dn 1:17; 5:11,12; 10:1).

Em o Novo Testamento, há diversas referências quanto à aplicabilidade dessa sabedoria divina:

- Paulo exorta aos colossenses a que saibam transmitir a palavra aos ouvintes, dizendo: "Andai com sabedoria pata com  os que estão de fora, remindo o tempo. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um" (Cl 4.5,6). A falta dessa Sabedoria de Deus pode causar graves prejuízos à pregação do evangelho. Sem a Sabedoria advinda do Espírito Santo, o espaço será ocupado pela arrogância. Pregador arrogante traz escândalo e prejuízos à Obra de Cristo. Não precisa nem citar exemplos; há muitos hoje em plena atividade!

- Estevão é um exemplo claro em que a Palavra da Sabedoria era manifestada. A exposição das Escrituras realizada por ele contagiou sobremaneira os ouvintes e muita inveja aos sábios da sinagoga. Veja o que diz o texto sagrado: “E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6:9-10).

Essa mesma sabedoria tem sido identificada na vida de irmãos humildes ao longo da História da Igreja. Há casos em que pessoas de pouca instrução formal, usadas por Deus, transmitem mensagens de profundo significado e conteúdo espiritual, que provocam admiração nos que o ouvem.

E interessante que anotemos que o Dom da Palavra da Sabedoria não faz do seu portador uma pessoa mais sábia do que as outras. Segundo Stanley M. Horton, "o Espírito não torna a pessoa sábia por meio deste Dom, nem significa que a pessoa mais tarde não possa cometer erros (cf. o exemplo do rei Salomão que, no fim da vida, não só errou, mas pecou)”.

3. Uma liderança sábia. A Palavra da Sabedoria é um Dom necessário ao pastoreio - na administração e liderança.  O pr. Elinaldo Renovato, citando Eurico Bergstém, disse que “esse Dom proporciona, pela operação do Espírito Santo, uma compreensão (Ef 3:4) da profundidade da sabedoria de Deus, ensinando a aplicá-la, seja no trabalho seja nas decisões no serviço do Senhor, e a expô-la a outros, de modo a ser bem entendida”.

Moisés tinha esse Dom; diversas são as passagens do livro do Pentateuco que mostram isso na vida desse maravilhoso líder, quando conduzia o povo de Israel, pelo deserto, rumo à Terra Prometida; leia Deuteronômio 34:9-12 e tira suas conclusões.

Quando os líderes do povo de Deus são aquinhoados pelo Espírito Santo com esse Dom, dispõem de uma diversidade de serviços ou ministérios que dinamizam a Obra de Cristo e se desenvolve com facilidade, e a edificação da igreja é feita com sabedoria. Os problemas, que são inevitáveis, ao surgirem serão solucionados com sapiência e eficácia (At 6:1-7 - altruísmo; 15:11-21 – primeiro Concílio(dirimir dúvidas e questões doutrinárias originadas pelo grande influxo de convertidos gentios na igreja - trabalhando pela unidade da Igreja).

II.  PALAVRA DA CIÊNCIA


“[...] e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência” (1Co 12:8).

1. O que é? Palavra da Ciência ou Conhecimento é o poder de comunicar informação que foi divinamente revelada. Um exemplo está na forma como Paulo usa expressões como "vos digo um mistério" (1Co 15:51) e “dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor” (1Ts 4:15). O Espírito Santo concede a alguns dos seus servos conhecimento para que possam ver as coisas como Deus vê. Sem que haja qualquer comunicação natural a respeito de um fato, o Senhor permite ao servo portador deste dom que tenha acesso a fatos e as ocorrências que estavam ocultas, com o propósito único e exclusivo de edificar, exortar e promover o crescimento espiritual de alguém.

Não há nada neste Dom que o nivele a um mero exercício de adivinhação, como, lamentavelmente, se tem disseminado em muitos lugares. A adivinhação não passa de uma imitação fajuta e irrazoável deste Dom, no mais das vezes sendo pura operação maligna (vide At 16:16), vez que tal prática é abominável aos olhos do Senhor (Lv 20:27; Ez 12:24).

Segundo Estêvam Ângelo de Souza, “a palavra do conhecimento não é algo que se aprende através do processo educacional. Nem ainda por conhecimento profundo, adquirido mediante estudo das Escrituras, muito embora seja este um meio eficiente para obtermos conhecimento de Deus. Não é bíblico admitir que um dom sobrenatural tenha o propósito de substituir o estudo sistemático da Palavra de Deus. Seria um erro muito sério presumir tal coisa (Mt 22:29). Por outro lado, temos a lamentar que muitos cristãos se mostram ávidos por ‘revelações’ e extremamente ‘interessados’ por obras escatológicas e negligenciam o estudo da doutrina bíblica, como considerando-a uma terceira ou quarta prioridade. Muitos erros e dolorosas desilusões seriam evitados mediante o conhecimento básico da Bíblia” (SOUZA, E. Â. Os nove dons do Espírito Santo. RJ: CPAD, 1985, pp.37,38,44,45).

2. Sua função. O Dom da palavra do conhecimento não tem o propósito de tomar o lugar devido ao estudo regular da Palavra de Deus. É dado como provimento divino para servir em necessidade espiritual, para ocasiões especiais, como e quando bem parece ao Espírito de Deus. Como diz o pr. Elinaldo Renovato, “a manifestação deste Dom  tem a finalidade de preservar a vida da Igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno”.

3. Exemplos bíblicos da Palavra da Ciência. A Palavra da Ciência ou do conhecimento não se referi ao conhecimento científico que se adquire nas cátedras das universidades; refere-se, sim,  à capacidade sobrenatural concedida diretamente pelo Espírito Santo, que nos habilita a conhecer fatos e circunstâncias que se acham ocultos. Muitos são os exemplos bíblicos que poderiam ser citados. Vejamos alguns:

a) Profeta Eliseu – desmascarando Geazi, quando este cobiçou os bens de Naamã (2Rs 5:25,26) – “Então, ele entrou e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: De onde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. Porém ele lhe disse: Porventura, não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isso ocasião para tomares prata e para tomares vestes, e olivais, e vinhas, e ovelhas, e bois, e servos, e servas?”.

b) Profeta Eliseu – quando revelou os planos de guerra do rei da Síria (2Rs 6:8-12). Quando o rei da Síria pensou em atacar o exército de Israel surpreendendo-o em determinado lugar, o profeta alertou o rei de Israel sobre os planos do rei da Síria, inimigo de Israel.

c) Profeta Eliseu – tem o conhecimento sobre a cura do rei da Síria, Bem-Hadade, e da sua sucessão no trono (2Rs 8:7-12) - "Depois veio Eliseu a Damasco, estando Ben-Hadade, rei da Síria, doente; e lho anunciaram, dizendo: O homem de Deus é chegado aqui. Então o rei disse a Hazael: Toma um presente na tua mão, e vai a encontrar-te com o homem de Deus; e pergunta por ele ao Senhor, dizendo: Hei de sarar desta doença? Foi, pois, Hazael a encontrar-se com ele, e tomou um presente na sua mão, a saber: de tudo o que de bom havia em Damasco, quarenta camelos carregados; e veio, e se pôs diante dele e disse: Teu filho Ben-Hadade, rei da Síria, me enviou a ti, a dizer: Sararei eu desta doença? E Eliseu lhe disse: Vai, e dize-lhe: Certamente viverás. Porém, o Senhor me tem mostrado que certamente morrerá. E afirmou a sua vista, e fitou os olhos nele até se envergonhar; e o homem de Deus chorou. Então disse Hazael: Por que chora o meu senhor? E ele disse: Porque sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel; porás fogo às suas fortalezas, e os seus jovens matarás à espada, e os seus meninos despedaçarás, e as suas mulheres grávidas fenderás. E disse Hazael: Pois, que é teu servo, que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa? E disse Eliseu: O Senhor me tem mostrado que tu hás de ser rei da Síria". O que se cumpriu, certamente.

d) O profeta Daniel – Deus mostrou ao Seu servo, quando lhe revelou a interpretação do sonho de Babucodonosor, o que iria acontecer aos grandes impérios mundiais, a partir do império babilônico (Dn 2:2,3,17-19). Trata-se de um caso bem emblemático do que significa receber o conhecimento, ou a revelação de Deus. O rei tivera um sonho muito estranho, que o perturbara sobremaneira, e ninguém soube interpretar o sonho, por uma razão muito óbvia: o rei não se lembrava do sonho! Mas Daniel, usando a Palavra da Ciência, de maneira didática, com precisão histórica, interpretou o sonho, mostrando ao rei o desenrolar dos acontecimentos de sua época e de eventos futuros.

A revelação dada a Daniel acerca dos impérios mundiais demonstra quão grande é a sabedoria de Deus, como recurso divino para ocasiões especiais, em que de nada adianta a sabedoria humana, ou os conhecimentos adquiridos pela experiência de quem quer que seja. Quis Deus utilizar-se de um rei estrangeiro ao seu povo para revelar segredos sobre acontecimentos que teriam lugar na História, na ocasião, e para o futuro. A visão de Nabucodonosor é uma referência à Escatologia, com base nas interpretações dadas pelo Altíssimo a Daniel seu servo, que estava vivendo naquele País, com uma missão de mais alto significado.

e) Pedro – quando desmascarou a mentira de Ananias e Safira (At 5:1-10). Naquele momento, o Espírito Santo revelou a Pedro, através da Palavra da ciência, o que Ananias e Safira haviam feito em segredo.

III. DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS


E a outro [...] o dom de discernir os espíritos”(1Co 12:10).

1. O Dom de Discernir os espíritos. É a capacidade sobrenatural, concedida pelo Espírito Santo a alguns crentes para que identifiquem operações espirituais em acontecimentos e fatos do cotidiano: espíritos enganadores, demoníacos e humanos. Por intermédio deste dom, percebemos o aspecto espiritual envolvido nas mais diversas e simples ocorrências do dia-a-dia, não nos deixando cair nos laços do adversário.

É importante observar que o Dom do discernimento é uma identificação súbita e momentânea, numa determinada situação, da operação espiritual, não se confundindo com o discernimento corriqueiro que todo cristão deve ter, por estar em comunhão com o Senhor e ter em si o Espírito Santo que o orienta a cada dia.

2. As fontes das manifestações espirituais.  Segundo o pr. Elinaldo Renovato, “as fontes de manifestações espirituais basicamente são três: Deus, homem (da carne) ou do maligno. Em determinadas ocasiões, uma manifestação espiritual pode apresentar-se, no meio da congregação, ou diante de um servo de Deus, com aparência de genuína, e ser uma manifestação diabólica, ou artimanha de origem humana. Pelo entendimento e pela lógica humana, nem sempre é possível avaliar a origem das manifestações espirituais. Mas, com o Dom de discernir os espíritos o servo de Deus ou a igreja não será enganada”.

3. Discernindo as manifestações espirituais. Através do Dom de Discernimento pode-se saber a diferença entre uma manifestação espiritual legitima e uma falsa manifestação. Para caracterizar a legitimidade de uma manifestação espiritual é necessário passar por duas provas: A prova doutrinária e a prova prática.

A prova doutrinária pode basear-se no ensino do apóstolo João, exarado em 1João 4:1-6:

“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo. Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são; por isso, falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro”.

A prova prática tem base no ensino de Jesus, quando advertiu acerca dos falsos profetas, que podem ser conhecidos pelos “seus frutos”, ou seja, pelo seu caráter, demonstrado em seu testemunho, na vida prática (cf. Mt 7:15-20).

Podemos observar esse Dom sendo manifestado em várias ocasiões no ministério de Pedro e Paulo.

- Pedro desmascarou Simão e revelou que o mágico se encontrava amargurado e preso por laço de iniquidade – “Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniqüidade e ora a Deus, para que, porventura, te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura e em laço de iniquidade” (Atos 8:20-23).

- Paulo, na ilha de Pafos, por ocasião de sua primeira viagem missionária, confrontou-se com uma ação diabólica declarada com o objetivo de impedir a pregação do evangelho ali, e a conversão de uma autoridade pública. Mas o apóstolo, cheio do Espírito Santo, percebeu as artimanhas do Adversário, e, na autoridade de Deus, declarou que o opositor do evangelho ficaria cego por algum tempo, o que de pronto aconteceu. Por causa disso o procônsul creu (cf. At 13:12).

- Paulo, na cidade de Filipos, por ocasião de sua segunda viagem missionária, discerniu que uma jovem estava possessa de espírito advinhador (At 16:16-24). O texto mostra a forma como Paulo agiu, quando estavam “indo [...] para um lugar de oração”. A jovem saiu ao encontro dos missionários – Paulo e Silas - e, por muitos dias, seguia-os, dizendo: “estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação”. Sua proclamação era verdadeira, mas Paulo se recusou a aceitar o testemunho de demônios. Para um crente incauto, aquela mulher estava, de certa forma, ajudando a pregação de Paulo. Entretanto, devemos ter em mente que qualquer revelação que tenha por fonte o Diabo é uma revelação que, ainda que contenha uma parte de verdade, deve ser repreendida em nome do Senhor Jesus. Angustiado com a situação infeliz da jovem, o apóstolo ordenou no nome de Jesus Cristo que o demônio se retirasse dela. Na mesma hora, ela foi liberta daquela escravidão terrível e se tornou uma pessoa equilibrada e racional.

Nos dias de tanto engano e de tanta atuação do “espírito do anticristo”, mais do que nunca, torna-se preciso que tenhamos o devido discernimento de tudo o que acontece à nossa volta e de tudo o que se quer introduzir no nosso meio. Devemos ter a mesma estrutura da igreja de Éfeso que pôs à prova os que se diziam apóstolos, mas não o eram (Ap 2:2). Quantos problemas seriam evitados na igreja se funcionasse, correta e biblicamente, o Dom do discernimento dos espíritos. A desonestidade do espírito humano, que leva comunidades inteiras a escândalos e desgraças, poderia ser evitada por alguém que tratasse desse espírito, revelando por discernimento o problema antes de se agravar.

Busquemos, pois, o Dom do discernimento dos espíritos, pois, conquanto seja o Espírito quem distribui os dons conforme o Seu querer (1Co 12:11), Ele necessita de pessoas bem dispostas para que efetue a Sua obra (Lc 1:17). Se todos nos pusermos à disposição do Senhor, certamente escolherá alguns para que todos nós sejamos ricamente abençoados e evitemos ser tragados pelo engano destes dias difíceis em que vivemos.

CONCLUSÃO

Conhecendo a Palavra, tendo o Dom da palavra de ciência e da sabedoria, tendo o discernimento do homem espiritual e sendo complementados pela manifestação do Dom do discernimento dos espíritos, certamente saberemos descobrir todas as ciladas do inimigo ao longo do caminho e, a exemplo de Esdras e daquele povo que o seguia, chegaremos sãos e salvos a Jerusalém (Ed 8:31,32), não a Jerusalém terrena, mas a celestial “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 58 – CPAD.

1Corintios (como resolver conflitos na Igreja) – Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Mundo Cristão.

Os Dons do Espírito Santo – Dr. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD.

 (1) Dons Espirituais & Ministeriais(servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário) – Elinaldo Renovato. CPAD

domingo, 6 de abril de 2014

Aula 02 - O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS


 2º Trimestre/2014

 
1Corintios 12:8-11;13:1,2

 
“Assim, também vós, como desejais dons espirituais, procurai sobejar neles, para a edificação da igreja” (1Co 14:23)

 

INTRODUÇÃO


Os Dons Espirituais são recursos indispensáveis para o Corpo de Cristo. Eles contribuem sobremaneira para a expansão e edificação da Igreja. São sempre concedidos aos crentes visando um propósito específico. Qual é este propósito? A edificação de todos os membros do Corpo. Infelizmente, alguns fazem um uso errado dos Dons. Usam-nos para alcançar interesses pessoais. Em vez de glorificar o nome do Senhor, utilizam-se dos Dons a fim de galgar posições eclesiásticas. Muitos não estão mais sendo usados pelo Espírito Santo, mas estão tentando usar o Espírito. Eles estão enganando a si próprios. O Senhor conhece nossos corações e as nossas intenções. Haverá um dia que teremos que prestar contas ao Senhor a respeito do uso dos nossos dons e talentos. Neste dia muitos ouvirão do próprio Senhor a quem tentaram enganar: “... Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23). Isso é muito sério, amado irmão!

I. OS DONS NÃO SÃO PARA ELITIZAR O CRENTE


1. A igreja coríntia. Ao visitar a igreja de Cristo em Corintos, Paulo relatou que ali havia a manifestação de muitos Dons Espirituais (1Co 1:7). Corinto era uma cidade cosmopolita, marcada pela idolatria, paganismo e imoralidade. Ser um crente fiel naquela cidade não era fácil. Logo, Deus concedeu muitos dons do Espírito Santo àqueles irmãos a fim de que tivessem condições de lutar contra a idolatria, a imoralidade e permanecessem em santidade. Todavia, a igreja de Corinto estava longe de ser uma igreja espiritual. O pecado havia adentrado ali. Paulo chama os irmãos de Corinto de carnais e meninos (1Co 3:1). Fica então a pergunta: O que torna o crente espiritual? Os Dons?. Podemos aprender, por intermédio dos irmãos de Corinto, que não. Quem tem poder para santificar os crentes é o Espírito Santo.

2. Uma igreja de muitos Dons, mas carnal - “E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo”(1Co 3:1). Paulo nos conta que a igreja de Corinto usufruía todos os Dons Espirituais. Ainda assim, essa é a única igreja que o apóstolo chama de “carnal, como crianças em Cristo” (1Co 3:1).

Quando Paulo inicia a carta de 1Corintios, reconhece, no capítulo primeiro, que Deus havia abençoado a igreja com toda sorte de bênçãos espirituais, de Dons Espirituais, ao ponto de “não lhes faltar dom nenhum”. Corinto era uma igreja carismática no sentido bíblico da Palavra, ou seja, tinha os “carismas” do Espírito de Deus, os Dons, através dos quais desenvolvia seu serviço prestando culto a Deus e cumprindo a sua missão neste mundo.

Mas, Satanás sempre trabalha para que o povo de Deus não triunfe em união, na unidade de seus membros, na oração, na vigilância, no exercício da pregação do evangelho, em fim, ele sempre artimanha para que a igreja perca o caráter de Cristo e se desvie dos padrões de conduta condizente com a lei moral e espiritual de Deus. Foi o que aconteceu com a igreja de Corinto, que com menos de três anos de fundada começou a desviar-se dos padrões de conduta e de doutrina que o apóstolo havia estabelecido por ocasião de sua fundação. A igreja tinha carisma, mas não caráter. Tinham dons, mas não piedade. Era uma igreja que vivia em êxtase, mas não tinha um testemunho consistente. Tinha uma liturgia extremamente viva, pentecostal, mas a igreja não tinha a prática do evangelho. Faltava amor entre os crentes e santidade aos olhos de Deus. Era uma igreja de excessos, onde faltava ordem e decência.

Alguém, de forma sucinta, descreveu a situação daquela igreja da seguinte maneira: ”A igreja estava no mundo, como deveria estar, mas o mundo estava na igreja, como não deveria estar”. Esta é situação comum em muitas igrejas de hoje, infelizmente.

A seguir, mostramos alguns problemas que demonstram o quanto essa igreja era carnal:

a) Problemas de unidade (1Co 1:10 – 4:21). Paulo soube que havia divisões na igreja, que estava dividida em 4 grupos. Grupos que se formaram em torno de personalidades, de pessoas que tinham tido uma participação no passado recente da igreja, como o próprio Paulo e Apolo (1Co 3:4). Havia até um grupo que talvez fosse o mais perigoso deles que era o “Grupo de Cristo” - “... e eu, de Cristo” – 1Co 1:12. Eles diziam que não eram seguidores de homem algum e sim de Cristo. Era como se dissessem: não queremos estar debaixo da orientação ou da instrução e autoridade de qualquer homem porque recebemos tudo diretamente de Cristo. Alguns estudiosos têm identificado este grupo como o “grupinho dos espirituais” que falavam em línguas e gloriavam-se por terem experiências extraordinárias; que não aceitavam a autoridade de Paulo na igreja, e outras coisas mais.

b) Problemas morais e disciplinares (1Co 5:1 – 6:20).

- Relação incestuosa (1Co 5:1). Um homem vivia com sua madrasta e que era do conhecimento de todos, como se vê nas palavras de Paulo: “Geralmente se ouve que há entre vós imoralidade...” (1Co 5:1). O que mais incomodava o apóstolo Paulo era a falta de uma atitude firme por parte da igreja com relação àquela pessoa. Ou seja, a igreja deveria constatar que conduta moral e espiritualidade são duas coisas que andam juntas. Temos de ter as duas coisas; e quando temos uma e não a outra, ou a espiritualidade é falsa ou a moralidade é falsa. Mas a genuína espiritualidade exige uma conduta de acordo com as verdades do evangelho.

- Problema de litígio (1C0 6:1-6). Havia um irmão que estava processando outro num tribunal secular. Aqueles irmãos não chegaram a um acordo, e talvez por questão de terra ou talvez de dinheiro e negócios, este irmão estava em litígio com outro. Por isso estava processando-o no tribunal da cidade. Com esta atitude estava expondo o Evangelho à vergonha diante dos ímpios (1C 6:6).

- Prostituição religiosa. Havia um grupo que estava voltando à prática da prostituição religiosa (1Co 6:18-19), o que era comum na cidade de Corinto. Isso era praticado nos templos onde se cultuava a deusa Afrodite.

c) Problemas com casamento e divórcio (1Co 7). Devido ao fato de a prostituição e a imoralidade serem comuns, os casamentos em Corinto estavam sendo destruídos, e os cristãos não estavam certos de como deveriam reagir. Paulo deu respostas diretas e práticas.

Com base nestas demonstrações de carnalidade da igreja de Corinto, a despeito de possuir todos os dons listados por Paulo, nos conscientizamos de que “as manifestações espirituais na igreja local não são propriamente indicadoras de seriedade, espiritualidade e santidade”. Uma igreja onde predomina estes tipos de pecado, “nem de longe pode ser chamada de espiritual, e sim de carnal”.

3. Dom não é sinal de superioridade espiritual. O culto tem três aspectos: Deus é adorado, o povo de Deus é edificado e os incrédulos são convencidos de seus pecados. Se formos à igreja para adorar com o propósito de demonstrarmos a nossa espiritualidade, estaremos laborando em erro. O culto é para a edificação e não para exibição. Mas a igreja de Corinto estava transformando o culto num palco de exibição em vez de um canal para edificação.  Ela tinha todos os Dons (1Co 1:7), não lhe faltava Dom algum, porém, ela tentou colocar o Dom de “Variedade de Línguas” como o Dom mais importante, como um símbolo de status espiritual. (1)

É importante ressaltar que os Dons espirituais não são aferidores de espiritualidade. Você não mede a espiritualidade de uma igreja pela presença dos Dons espirituais nela. Se você fosse medir o grau de espiritualidade de uma igreja pelos Dons, a igreja de Corinto seria campeã de espiritualidade, pois tinha todos os Dons; mas a realidade dessa igreja era outra: era uma igreja carnal (1Co 3:1).

Alguns cristãos em Corinto haviam recebido o Dom Espiritual de Línguas. Em vez de usar este Dom para engrandecer a Deus e edificar outros cristãos, empregavam-no para se exibirem. Levantavam-se durante os cultos, falavam em línguas que ninguém entendia e esperavam que os outros ficassem impressionados com sua proficiência linguística. Exaltavam os Dons de sinais acima de outros Dons e afirmavam que quem possuía o Dom de línguas era espiritualmente superior aos outros irmãos. Essa atitude gerou orgulho e inveja e levou outros membros da congregação a sentirem-se inferiores e sem valor. Paulo julgou necessário, portanto, corrigir as atitudes equivocadas e estabelecer mecanismos de controles para o exercício dos Dons, especialmente de línguas e profecia.

Os tempos mudaram, mas os mesmos erros do passado ainda estão sendo repetidos nas igrejas contemporâneas.  Muitos acham que os portadores de Dons Espirituais são crentes superiores aos demais, que têm um nível maior de espiritualidade e que, em razão disto, desfrutam de uma posição diferenciada no meio da comunidade. Este pensamento, inclusive, tem feito com que muitos crentes andem à procura destes irmãos a fim de que obtenham curas divinas, maravilhas, sinais ou profecias, num comportamento totalmente contrário ao que determina a Palavra de Deus, que ensina que os sinais seguem os crentes e não os crentes correm atrás de sinais (Mc 16:17,20). Os Dons do Espírito Santo são concedidos pela graça de Deus, pela sua bondade e misericórdia, apesar dos nossos deméritos.

II. EDIFICANDO A SI MESMO E AOS OUTROS


Deus concede Dons, primeiramente para a edificação, consolação e exortação da igreja, e também para o enriquecimento da vida espiritual de seu portador(1Co 14:1-4).

1. Edificando a si mesmo. “O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo...” (1Co 14:4). Aqui, Paulo nos leva a entender que o Dom de Língua não visa à edificação da igreja, mas a própria intimidade com Deus da pessoa detentora deste Dom. Seu propósito não é a edificação da igreja, mas a auto-edificação. É por essa razão somente que este Dom é inferior aos demais Dons. Todos os outros Dons alistados na Bíblia são Dons para edificação da Igreja; o Dom de Língua é único concedido para edificação própria do usuário.

O contexto indica que o apóstolo não defende o uso desse Dom para auto-edificação. Pelo contrário, refuta qualquer forma de uso do Dom na igreja que não resulte na edificação dos outros. O amor pensa nos outros, e não em si mesmo. Se for usado em amor, o Dom de Línguas beneficiará os outros, e não apenas o indivíduo que fala.

Portanto, a pessoa que ora em “língua estranha” para a sua edificação pessoal deve fazê-lo entre si mesma e Deus, não devendo fazê-lo em voz alta durante o culto público, porque, embora esteja se fortalecendo, ela não fortalece a mais ninguém. 

2. Edificando os outros, até mesmo o não crente. Paulo preocupava-se sobremaneira com a edificação de todos os que estão na igreja no momento do culto. No Novo Testamento não há uma pessoa que mais estimulou a igreja a buscar os Dons Espirituais como o apóstolo Paulo. Todavia, prezava pela devida ordem no culto. Os Dons Espirituais têm como objetivo precípuo a edificação da igreja.

Paulo não despreza o Dom de Línguas; sabia que ele é uma dádiva do Espírito Santo e jamais rejeitaria algo proveniente do Espírito. Quando diz em 1Corintios 14:5 - “E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas” -, ele renuncia a qualquer intenção egoísta de limitar o Dom apenas a si mesmo e a um pequeno grupo de favorecidos. Seu desejo é semelhante àquele expressado por Moisés: “Tomara todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu Espírito”(Nm 11:29b). Porém, ao fazer essa afirmação Paulo sabia que não era da vontade de Deus que todos os cristãos tivessem um mesmo Dom(cf 1Co 12:29-30). Ele preferia que os corintos profetizassem, pois, ao fazê-lo, edificariam uns aos outros, enquanto que se falassem em línguas sem interpretação seus ouvintes não entenderiam e, portanto, não seriam beneficiados. Paulo prefere a edificação à exibição. Se alguém fala em outra língua, deve orar para que a possa interpretar, ou para que alguém a possa interpretar (cf 1Co 14:13).

Na igreja de Corinto, se não houvesse interprete, o irmão devia permanecer calado na igreja. Podia ficar em seu lugar e falar silenciosamente em outra língua consigo mesmo e com Deus, mas não tinha permissão de se expressar em público(cf 1Co 14:28). Essa exortação deve ser bastante usual para os nossos dias, em nossas igrejas!

III. EDIFICAR TODO O CORPO DE CRISTO


Os Dons Espirituais não foram dados à Igreja para projeção humana nem como aferidor para medir o grau da espiritualidade de uma pessoa. Os Dons foram dados para a edificação do Corpo de Cristo. Pelo exercício dos Dons a Igreja cresce de forma saudável. Assim, os Dons são importantíssimos e vitais para a Igreja. Eles são os recursos que o próprio Espírito Santo concedeu à Igreja par a que ela pudesse ter um crescimento saudável e também suprir as necessidades dos seus membros.

1. Os Dons na Igreja. O apóstolo Paulo nos induz a entender que quando os Dons são utilizados com amor, todo a igreja é edificada. Todos nós sabemos da influência destacada que o amor tem em termos de um desenvolvimento emocional sadio das crianças. Se isto é válido para a família humana, quanto mais será para a família de Deus! Esta é a razão da inclusão de 1Coríntios 13 entre os capítulos 12 e 14, que tratam dos Dons Espirituais.

Os Dons do Espírito são dados todos para o serviço, para a edificação do Corpo de Cristo, mas eles devem ser exercidos em amor, para que produzam o resultado desejado, isto porque sem o amor todos os Dons são sem valor, não importa quão espetaculares sejam (1Co 13:1-3). Desta forma, o amor é o "caminho sobremodo excelente", mais valioso até que os Dons mais elevados (1Co 12:31).

2. Os sábios arquitetos do Corpo de Cristo. “Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (1Co 3:9-11).

A Igreja é o “Edifício de Deus”. Todos os servos de Deus são companheiros de trabalho nesse “Edifício”, ou melhor, todos os servos de Deus são colaboradores que pertencem a Deus e trabalham uns com os outros para o bem do Edifício de Deus, que é a Igreja.

Paulo descreve sua participação no início da congregação em Corinto: “pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento”. Ele diz que foi a Corinto para pregar Cristo e este crucificado. Uma igreja se formou nessa cidade como resultado da conversão de muitos cidadãos, por intermédio da sua pregação. Na sequência, Paulo acrescenta: “E outro edifica sobre ele”. Trata-se, sem dúvida, de uma referência a outros mestres que visitaram Corinto subsequentemente e construíram sobre o alicerce que já havia sido lançado naquele local. Contudo, o apóstolo adverte: “mas veja cada um como edifica sobre ele”.

O exercício do ministério de ensino na igreja local é algo extremamente sério! Alguns mestres haviam passado pela igreja de Corinto ensinando doutrinas divisivas e princípios contrários à Palavra de Deus. O fundamento da Igreja é Jesus Cristo (At 4:11; Ef 2:20; 1Pe 2:6). Ele é a Pedra sobre a qual a Igreja está edificada (Mt 16:18). A Igreja não poderia ser edificada sobre Pedro nem sobre Paulo, porque tanto Pedro quanto Paulo eram efêmeros. Eles passaram, mas Cristo permanece para sempre. Portanto, qualquer que edificar sobre Este fundamento deve ter muito cuidado. O fundamento pode ser forte, mas vários materiais podem ser escolhidos no processo de edificação.

Hoje, nós estamos vendo igrejas embriagadas pelo sucesso, pelos resultados. Elas querem quantidade a qualquer custo. Para encher os templos, os pregadores mudam a mensagem e oferecem um evangelho sem exigências. A riqueza do Evangelho é sonegada e também substituída pelas novidades do mercado da fé. As pessoas gostam de espetáculo e gostam de novidades. Elas não têm discernimento para identificar os perigos e os riscos das heresias que entram disfarçadamente dentro das igrejas. É nesse contexto que Paulo mostra que a igreja precisa construir e se edificar, mas com qualidade. Deus não está interessado apenas em número, ele quer vida.

3. Despenseiros dos Dons. Nós somos "despenseiros da multiforme graça de Deus", e recebemos a ordem para sermos "bons despenseiros". Diz o apóstolo Pedro: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4:10). Aqui, o apóstolo exorta a igreja sobre como o Dom de Deus deve ser administrado. Na verdade, ele destaca o uso altruísta dos Dons de Deus a serviço de outras pessoas; mais prioritariamente de toda a Igreja. Nesta mesma linha de exortação, o apóstolo Paulo diz: "Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos" (1Co 12:7, BJ). Dessa forma, os despenseiros de Deus - ministros ou membros da igreja -, precisam ter muito cuidado no uso dos dons concedidos pelo Senhor para provisão, alimentação espiritual e edificação.

Portanto, cada cristão deve colocar o Dom que recebeu a serviço de todos, porque, ao receberem Dons, os cristãos se tornam “despenseiros da graça de Deus”. A charis (graça) é a fonte dos “charismatas” (dons, carismas). Quem os recebe, recebe a graça de Deus. Assim, ter um Dom Espiritual é como ter um “depósito da graça”, que deve extravasar. É válido ressaltar que o cristão é alguém que é discípulo de Jesus, o Senhor que se fez Servo e veio ao mundo não para ser servido, mas para servir (Mc 10:45); Ele, que usou a bacia e a tolha como seus distintivos. Muitos hoje estão precisando aprender esta doutrina: “da bacia e da toalha”.

CONCLUSÃO

“A Igreja de Jesus Cristo tem uma missão que transcende a esfera humana, pois recebeu a incumbência de fazer com que a ““... multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef 3.10). Sua Missão, na Terra, é a proclamação do Evangelho, num mundo hostil às verdades de Cristo; um mundo que rejeita a Palavra de Deus. Diante dessa realidade, a Igreja precisa de poder sobrenatural. Os Dons Espirituais são um arsenal à disposição da Igreja para o cumprimento eficaz de sua Missão na Terra”. (2)

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 58 – CPAD.

1Corintios (como resolver conflitos na Igreja) – Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdonald. Mundo Cristão.

Os Dons do Espírito Santo – Dr. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD.

(1)Rev. Hernandes Dias Lopes – 1Corintios – como resolver conflitos na Igreja.

(2) Dons Espirituais & Ministeriais(servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário) – Elinaldo Renovato. CPAD