terça-feira, 3 de setembro de 2013

O CATIVEIRO DE ISRAEL

Texto Básico: Salmos 137:1-4
Subsídio para Lição nº 10 - EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA

“Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos...”(Sl 137:1)



INTRODUÇÃO
Nesta Lição, estudaremos alguns aspectos do cativeiro de Israel – Reino do Norte (constituído de dez tribos) e o reino do Sul (constituído de duas tribos). Veremos como, mesmo em situações adversas, Deus ergue seus mensageiros e líderes. Mesmo “no vale”, Deus levantou homens para influenciar aquela geração. Foi com o auxílio desses servos que o Senhor pôde preparar um remanescente fiel, apesar de toda a provação por que passaram. Veremos que o cativeiro, principalmente o babilônico, serviu de cura da idolatria do povo, consubstanciou fortes interesses em reunir e preservar as Escrituras Sagradas que haviam sido inspirados por Deus. Este resultado sem dúvida trouxe grandes benefícios para nós, integrantes da Nova Aliança. Sem dúvida, o cativeiro de Israel nos trás preciosas lições para a nossa edificação espiritual.

I. O CATIVEIRO


O cativeiro de Israel abrangeu os dois reinos: Judá – reino do Sul e Israel – reino do Norte. A constituição da monarquia, em atenção ao anseio do povo, trouxe grandes prejuízos para os descendentes de Jacó, haja vista que após 120 anos, ou seja, após o reinado de Salomão, principalmente no inicio do reinado de Roboão, a nação foi dividia em duas partes. A idolatria, a injustiça social e a degradação moral do povo estão na base da divisão do reino de Israel (1Rs 11:33). Deus havia advertido a Salomão por duas vezes sobre a adoração de deuses estrangeiros, mas o rei não levou isso em consideração (1Rs 11:10). Por esse motivo o Senhor disse-lhe que o reino lhe seria tirado, embora não durante a sua vida.
Isso nos trás uma grande lição: A obediência a Deus é a base fundamental do progresso, da prosperidade do povo de Deus. Obedecer à Palavra de Deus é o que faz a diferença no reino de Deus (Mt 5:16).
Os reinos do norte e sul tornaram-se independentes e poderosos durante os reinados de Jeroboão II e Uzias, respectivamente. Mas os profetas, como, por exemplo, Isaias, Amós e Oséias, condenaram a corrupção e o materialismo deles.
1. O cativeiro de Israel - Reino do Norte.

Devido a forte idolatria, a injustiça social e a degradação moral do povo de Israel(reino do norte), Deus suscitou nações poderosas para punir o povo. E uma dessas nações foi a Assíria.  Essa nação foi governada por vários déspotas que não evitavam nenhum esforço brutal para aniquilar qualquer nação que não se rendesse, de forma incondicional, aos seus ditames. Muitos governantes cruéis levantaram-se nesse império, como, por exemplo, Tiglate Pileser III (745 – 727 a.C).
"Assim diz o Senhor: ... Israel certamente será levado cativo" (Amós 7:17). As palavras proferidas contra as tribos apóstatas foram literalmente cumpridas. Contudo, a destruição do reino se processou gradualmente. No juízo o Senhor se lembrou da misericórdia, e a princípio, quando "veio Pul [Tiglate Pileser], rei da Assíria, contra a terra", Menaém, então rei de Israel, não foi levado cativo, mas foi-lhe permitido permanecer no trono como vassalo do domínio assírio - "Menaém deu a Pul mil talentos de prata, para que a sua mão fosse com ele, a fim de firmar o reino na sua mão. E Menaém tirou este dinheiro de Israel, e de todos os poderosos e ricos, para o dar ao rei da Assíria" (2Reis 15:19,20). Havendo os assírios humilhado as dez tribos, voltaram por algum tempo para a sua própria terra.
Menaém, longe de arrepender-se do mal que havia acarretado a ruína de seu reino, continuou "nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, que fez pecar Israel". Pecaías e Peca, seus sucessores, também fizeram "o que parecia mal aos olhos do Senhor" (2Reis 15:18,24,28). "Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, e Abel-Bete-Maaca, e a Janoa, e a Quedes, e a Hazor, e a Gileade, e à Galiléia, e à toda a terra de Naftali, e os levou para a Assíria. ”... os rubenitas, e os gaditas, e a meia tribo de Manassés; e os trouxeram a Hala, e a Habor, e a Hara, e ao rio Gozã, até ao dia de hoje" (2Reis 15:29; 1Cr 5:26b), os quais foram espalhados entre os pagãos, removidos da Terra de Israel para terras distantes.
Deste terrível golpe o reino do norte jamais se recuperou. O debilitado remanescente continuou as formas de governo, embora não mais possuísse autoridade. Apenas mais um governante, Oséias, devia suceder a Peca. Logo o reino devia ser varrido para sempre. Mas nesse tempo de tristeza e angústia Deus ainda foi misericordioso, deu ao povo outra oportunidade para abandonar a idolatria.
No terceiro ano do reinado de Oséias, o bom rei Ezequias começou a reinar sobre Judá, e tão depressa quanto possível instituiu importantes reformas nas cerimônias do Templo em Jerusalém. Fizeram-se arranjos para a celebração da Páscoa, e para esta festa foram convidados não somente as tribos de Judá e Benjamim, sobre as quais Ezequias havia sido ungido rei, mas também todas as tribos do norte. Uma proclamação soou "por todo o Israel, desde Berseba até Dã, para que viessem a celebrar a Páscoa ao Senhor, Deus de Israel, a Jerusalém; porque muitos a não tinham celebrado como estava escrito.
"Foram, pois, os correios com as cartas, da mão do rei e dos seus príncipes, por todo o Israel e Judá", com o incisivo convite: "Filhos de Israel, convertei-vos ao Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que Se volte para aqueles de vós que escaparam, e ficaram da mão dos reis da Assíria... Não endureçais agora a vossa cerviz, como vossos pais; dai a mão ao Senhor, e vinde ao Seu santuário que Ele santificou para sempre, e servi ao Senhor vosso Deus, para que o ardor da Sua ira se desvie de vós. Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é piedoso e misericordioso, e não desviará de vós o Seu rosto, se vos converterdes a Ele"(2Cr 30:5-9).
E os correios enviados por Ezequias levaram a mensagem "de cidade em cidade, pela terra de Efraim e Manassés até Zebulom". Israel devia ter reconhecido neste convite um apelo ao arrependimento e para que voltassem a Deus. Mas o remanescente das dez tribos que ainda ficaram habitando o território do outrora florescente reino do norte, trataram os mensageiros reais de Judá com indiferença, e até mesmo com desdém. "Riram-se e zombaram deles". Houve uns poucos, entretanto, que alegremente atenderam - "Alguns de Aser, e de Manassés, e de Zebulom, se humilharam, e vieram a Jerusalém... para celebrar a festa dos pães asmos" (2Cr 30:10-13).
Cerca de dois anos mais tarde Samaria foi invadida pela Assíria, sob o comando de Salmaneser V(filho de Tiglate-Pileser). Oséias foi preso e Samaria foi sitiada por três anos, antes de finalmente sucumbir em 722 a.C (2Rs 17:5,6); e no cerco, multidões pereceram miseravelmente de fome e de enfermidades bem como pela espada. Caiu a cidade com a nação, e o humilhado remanescente das dez tribos foi levado cativo e espalhado entre as províncias do domínio assírio. Em seu lugar foram colocados outros povos, dando origem ao povo “samaritano”; era a política usual do rei da Assíria aos povos conquistados. Nunca mais a nação de Israel – reino do norte – voltou do cativeiro.
A destruição que abateu o reino do norte foi um juízo direto do Céu. Os assírios foram meramente o instrumento de que Deus se serviu para realizar o seu propósito. Por intermédio de Isaías, que começou a profetizar pouco antes da queda de Samaria, o Senhor se referiu aos assírios como "a vara da Minha ira".  Disse Ele: "A Minha indignação é como bordão nas suas mãos" (Is 10:5).
Gravemente havia os filhos de Israel pecado "contra o Senhor seu Deus,... e fizeram coisas ruins". "Não deram ouvidos, antes... rejeitaram os Seus estatutos, e o Seu concerto, que fizera com seus pais, como também os Seus testemunhos, com que protestara contra eles". Foi porque "deixaram todos os mandamentos do Senhor seu Deus, e fizeram imagens de fundição, dois bezerros, e fizeram um ídolo do bosque, e se prostraram perante todo o exército do céu, e serviram a Baal", e recusaram decididamente a arrepender-se, que o Senhor "os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os tirou de diante de Sua presença", em harmonia com as claras advertências que lhes enviara "pelo ministério de todos os Seus servos, os profetas" (2Reis 17:7, 11, 14, 16, 20, 23).
"Assim foi Israel transportado de sua terra à Assíria", "porque não obedeceram à voz do Senhor seu Deus, antes traspassaram o Seu concerto; e tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado"(2Reis 18:12).
A apostasia personificou-se no primeiro rei de Israel, Jeroboão, que se tornou para todas as gerações subsequentes um modelo de iniquidade e mau comportamento. Não surpreende que o único remédio para 200 anos de infidelidade e apostasia espiritual fosse a deportação da terra da promessa para as nações que, ironicamente, teriam de ser o alvo da salvação proclamada por Israel.
A história do Reino do Norte nos ensina grandes lições
·   O reino do Norte, que iniciou mal, percorreu maus caminhos, terminou mal. Tudo o que inicia mal e persiste no mal, termina mal. O salário do pecado é o fim da vida, a morte, quer seja de uma nação, quer de um indivíduo. Somente o que ama é que pode perdurar, porque só o amor garante a vida. 
·   O Reino do Norte resultou de insatisfação por erros cometidos da parte de Salomão e seu filho, Roboão. No Norte, Jeroboão I(primeiro rei) resolveu afastar um povo do outro instituindo um sistema de adoração misto - idolatria misturada com a adoração ao Criador. Assim é a grande parte do cristianismo hoje: paganismo, misticismo, com princípios bíblicos, e isto é prostituição.
·   Vemos a paciência de Deus, que enviou profetas; permitiu que fatos ocorressem, como seca, fome, crises, guerras, mortes terríveis de nobres, desastres, opressão. Deus mostrava nisso, pelas mensagens dos profetas, quão grande era o seu esforço por salvar a nação. Foram cerca de 200 anos de tentativas, todas frustradas, mas Deus não desistia; Ele é longânime. 
·   Os profetas, durante o tempo do Reino do Norte, fizeram um trabalho intenso, e ali passaram os mais poderosos homens de Deus, como Elias e Eliseu; por certo, os mensageiros de maior credibilidade divina, que nos causam admiração até os dias de hoje. 
·   Houveram, ao todo, 9 dinastias, ou seja, 9 famílias se revezaram no poder no Reino do Norte, sendo que no do Sul, sempre foi a dinastia de Davi que esteve no poder, exceto por um breve tempo em que reinou Atalia, mas o rei estava à espera para a posse. 
·   Essa sucessão de famílias no poder, com 20 reis ao todo, envolveram sete assassinatos pela conquista do poder, portanto, das nove famílias, sete foram destituídas por esse modo. Esse modo de sucessão, por si já denuncia que Deus não estava aprovando o que eles faziam. 
·   Alguns dos reis do Norte foram tão maus que nem sequer faziam ao menos um sucessor da família no trono, isso ocorreu mais para o final do Reino do Norte, denunciando que tudo estava indo para uma situação tão ruim e que o fim se aproximava. 
·   Os reis fizeram o que não era permitido por Deus, eles insistiram o tempo todo em promover a idolatria, aquilo que Deus abomina. 
·   O Reino do Norte insistiu contra Deus durante todos os reinados dos 20 reis. Por fim, chegou a uma situação insustentável, e eles se separaram definitivamente de Deus, daquele que os podia proteger, e a saga desse reino terminou em completa ruína. 
Deus é muito paciente. Jesus ainda não voltou em razão dessa paciência. Assim como Ele esperou por dois séculos para que o Reino do Norte se decidisse - por Deus ou por Baal -, pela adoração ao Criador ou à criatura -, assim Ele espera hoje. Mas os dias de espera não são ilimitados. Chega o tempo em que a situação se torna insustentável, então, a intervenção é certa. Esses dias estão chegando, eles culminarão com a imposição, pela força de lei, de uma adoração ao que não é o Criador, a saber, o Anticristo. Então, como no Reino do Norte, a paciência de Deus também se esgota. Façamos a nossa parte enquanto é dia. 
2. O cativeiro de Judá - Reino do Sul.

Cronologia

A queda de Samaria e a deportação de sua população foram o claro resultado dos pecados cometidos contra Jeová (2Rs 17:7). O povo de Deus tornou-se infiel para com o Senhor que os livrara do Egito, adorando e servindo a outros deuses (2Rs 17:15-17). E fizeram isto apesar dos constantes avisos dos profetas de Deus de que tal atitude consistia em grave traição. O resultado inevitável foi o julgamento de Deus, um juízo que se manifestou na forma de exílio, expulsando os israelitas de sua terra prometida.
Mas, Judá não estava melhor. Depois de ver seus irmãos levados para o exílio, o povo de Judá ainda cai em pecado. Ezequias e Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam muitos deles para o exílio, mas não são espalhados, e a terra não é repovoada -  Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs 17:19). Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta.
Compreendendo melhor...
Nabopolassar, governador da região do Golfo Pérsico, libertou Babilônia dos assírios e em 626 a. C. foi proclamado rei. Continuou a obter vitórias sobre os assírios até que finalmente em 612 a. C., os Babilônicos e os Medos tomaram Nínive, a capital da Assíria. Não se concentraram em dominar a Assíria propriamente dita, mas partiram para a conquista de todo o império Assírio. Os egípcios temendo pela sua segurança marcharam para o norte a fim de ajudar os Assírios. O rei Josias de Judá tentou interceptá-los em Megido, mas na batalha que se travou foi morto e Judá foi subjugada ao Egito (2Rs 23:29-33).
Quatro anos mais tarde, em 605 a. C., o exército babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis (Jr 46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Neste mesmo ano, pela primeira vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias. Um período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C.
Os longos anos em que a elite política, militar e religiosa de Judá esteve longe de sua terra são popularmente conhecidos como o exílio na literatura moderna, um termo singularmente apropriado, uma vez que não apenas sugere a remoção forçada da população de judeus para a Babilônia, como também comunica a ausência de Jeová durante o processo.
A tragédia do exílio não pode ser interpretada como apenas a deportação de um povo para outra terra, ou a destruição de uma cidade e seu santuário central. Na verdade, Deus havia se retirado do meio de seu povo, uma ausência simbolizada por uma das visões de Ezequiel, na qual a Shekinah movia-se do Templo (Ezequiel - cap 1). De certa forma, portanto, o fim do cativeiro dos judeus em 539/538 não pode ser sinônimo do fim do exílio, porque Jeová não retornou na ocasião para habitar no Templo. Pelo contrário, os profetas predisseram que seu retorno aconteceria apenas na era escatológica, quando o próprio Messias seria a glória de Deus (Ag 2:7-9).
A deportação de Judá para a Babilônia deu-se em três fases. Assim como Israel foi atacado pelos assírios três vezes, Judá também foi invadido pelos babilônios de igual modo (2Rs 24:10; 25:1). Mais uma vez, Deus demonstrou sua misericórdia diante do julgamento merecido e concedeu ao povo repetidas oportunidades de arrependimento.
- A primeira fase foi simultânea com a ascensão de Nabucodonosor (605-562) ao trono de Babilônia. Esse jovem príncipe, derrotando os egípcios na batalha de Carquêmis em 605 (Jr 46:1,2), foi, mediante a inesperada morte de seu pai, obrigado a abandonar o propósito de expulsar os egípcios de suas terras. Mesmo assim, no caminho de retorno, Nabucodonosor saqueou Jerusalém, conduzindo muitos judeus em cativeiro para a capital do império, dentre esses judeus estavam Daniel e seus três companheiros (2Cr 36:5,6; Dn 1:1-6). Deixou no trono de Judá o rei Jeoaquim, que veio a rebelar-se, forçando o retorno de Nabucodonosor em 601.
- O Egito encorajou Jeoaquim, rei de Judá, a se rebelar contra a Babilônia em 600 a. C., provocando outra invasão babilônica em 598. Joaquim o sucedeu no trono de Judá e entregou Jerusalém à Babilônia em 597. Ele e muitos judeus proeminentes foram deportados para a Babilônia, dentre eles estava Ezequiel (2Rs 24:14-16).
- Enquanto isso, Zedequias, irmão de Joaquim, foi estabelecido no trono de Judá (2Rs 24:18). Também esta ação foi malsucedida, pois Zedequias era instável e de pouca confiança. Judá foi persuadido a rebelar-se mais uma vez. Desta feita, Nabucodonosor decidiu retornar para Jerusalém, desta vez para destruí-la completamente, em 586 a.C. Os babilônios invadiram Judá e sitiaram Jerusalém; o assédio durou dezoito meses. Finalmente, abriram uma brecha nos muros e Jerusalém foi tomada. Zedequias foi feito prisioneiro e teve os olhos furados. Os objetos de valor do Templo foram levados para Babilônia. Também, o Templo foi destruído e a maior parte do povo restante foram levados para a Babilônia. Só foram deixadas as pessoas mais pobres para cultivar a terra (2Rs 25:1-21).

Os judeus na Babilônia


Os judeus que sobreviveram à longa jornada para a Babilônia certamente foram colocados em assentamentos separados dos babilônios e receberam permissão de se dedicar à agricultura e trabalhar para sobreviver (Ez 3:15; Ed 2:59; 8:17; Jr 29:5), mas o trauma do exílio é expressado claramente pelo salmista: “às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fossemos alegres, dizendo: entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?”(Sl 137:1-4). 
Ciro, o grande dominador do novel império Medo-persa, tratou bem os babilônios. Na verdade, ele procurou tratar com respeito todos os seus súditos leais, inclusive os judeus.
Daniel, ciente da profecia de Jeremias, segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, ele pediu a Deus para intervir (Dn 9:2,18b,19). As orações de Daniel foram respondidas prontamente. Em 538 a. C., Ciro fez uma grande proclamação, registrada no final de 2Crônicas: “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o senhor, seu Deus, seja com ele” (2Cr 36:23; Ed 1:2-3a).  O salmo 126 é um cântico de louvor a Deus porque fez retirar do cativeiro o seu povo. Cumpriu-se, desse modo, a predição feita pelo profeta Isaías há, aproximadamente, 160 anos antes acerca de Ciro, o ungido do Senhor (Is 44:28).
Entretanto, a maioria dos judeus da dispersão preferiu permanecer em suas casas, especialmente os que moravam em Babilônia, mas aqueles que tinham seus olhos voltados para o propósito eterno de Deus viram no cativeiro um instrumento de correção. E o retorno à pátria era o sinal de que ainda tinham um papel redentor a desempenhar.

II. LÍDERES - PROFETAS DO CATIVEIRO BABILÔNICO

O reino terreno de Judá estava absolutamente destruído. Mas através de profetas, como Ezequiel e Daniel, que também eram exilados, Deus pôde manter seu reino espiritual vivo nos corações do muitos judeus.
1. Profeta Daniel.

Levado à Babilônia no primeiro cativeiro dos judeus, por volta de 605 a.C., na primeira campanha de Nabucodonosor, Daniel e outros príncipes judeus foram escolhidos, por serem de linhagem nobre e de boa formação, para o serviço governamental.
Os 19 anos iniciais do cativeiro de Daniel também foram os últimos do reino de Judá, sob domínio da Babilônia. A resistência judia ao jugo babilônico causou muitas represálias por parte do reino dominante.
Daniel e seus amigos (Hananias, Misael e Azarias) receberam, durante anos, uma nova educação babilônica, a fim de melhor servirem ao governo. Chegaram a compor o chamado grupo dos sábios do reino, servindo ao rei como conselheiros. Por isso, Daniel teve a chance de interpretar os sonhos que atormentavam o confuso rei Nabucodonosor e de expressar suas próprias visões. Daniel ficou no cargo por décadas (Dn 1:21; 6:28), o que lhe permitiu fazer com que os reis babilônicos conhecessem o poder do verdadeiro Deus, O temessem e respeitassem.
Daniel testemunhou vários reis no trono da Babilônia e chegou a ver o fim daquele império em 538 a.C., tomado por Ciro, que, influenciado pelo conselheiro judeu, libertou seu povo judeu e o devolveu à terra de origem.
2. Profeta Jeremias.

Jeremias, certamente, foi a maior e mais informativa voz dentre todos os profetas da geração pré-exílica de Judá. A Palavra de Deus lhe veio no décimo terceiro ano do reinado de Josias, ou seja, em 627 a.C (Jr 1:2). Seu ministério público continuou por todos os reinados de Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias, alcançando o fim do reino em 586 a.C., e até mesmo além disto. Portanto, ele foi testemunha dos principais acontecimentos da nação de Judá em seus quarenta anos finais. Sabe-se que Jeremias continuou a profetizar mesmo depois do cataclísmico julgamento de Jerusalém, pois foi lhe oferecida a condição de permanecer em Judá, ao invés de ir em cativeiro junto com os demais habitantes da cidade para a Babilônia. Uma vez que sua escolha foi permanecer em Jerusalém por um tempo, ele foi para o Egito, indubitavelmente contra sua vontade.
Deus nunca age antes de comunicar suas ações aos seus profetas. O profeta Jeremias foi enviado para mostrar os pecados do povo e caso eles não se arrependessem seriam destruídos. Jeremias detalhou como seria essa punição, mas o povo não deu ouvido e as profecias se cumpriram. Seu ofício profético ampliou-se por mais de quarenta anos.
Jeremias recebeu a desagradável tarefa de advertir sobre os envolvimentos e destruições que um poderoso inimigo, que não dava quartel, haveria de impor. Os falsos profetas, porém, eram sempre otimistas, predizendo o bem, embora falsamente, para a nação de Judá. Jeremias por sua vez anunciava a terrível verdade. A exatidão de suas predições era tão grande que seus compatriotas sentiam que, de algum modo, ele era responsável pelos acontecimentos adverso, perseguindo-o como se fosse traidor. Porém Jeremias nunca se esquivou da tarefa, mesmo diante de falsas acusações e de ameaças de morte. Seu senso de missão era muito forte e ele serviu com grande zelo até o fim, um fim que, segundo alguns, foi a morte de um mártir, às mãos de sua própria gente.
O intuito de Jeremias era conclamar o povo de Judá ao arrependimento, visto que ele via a potência do norte, Babilônia, erguer-se, pela providência divina, para castigar uma nação desobediente como era Judá. Ele exortou os habitantes de Jerusalém a abandonarem sua idolatria e apostasia. Jeremias via um cativeiro de setenta anos no horizonte (Jr. 25:1-14). Ele via que o conflito entre três potências mundiais – o Egito, a Assíria e a Babilônia -, terminaria em triunfo desta última. E advertiu os judeus acerca dos pactos firmados com o Egito, que redundariam em desastre a longo prazo.
Visto que Jeremias viu um resultado desfavorável para Judá, que era um pequeno reino, entalado em meio de lutas de poderes gigantescos, esse profeta acabou merecendo a desconfiança de seu próprio povo e foi desprezado. Suas profecias de condenação soavam estranhas, quando comparadas com as palavras consoladoras dos profetas falsos. Todavia a esperança messiânica resplandece em seus escritos, onde é prometida a restauração e a glória finais, para Israel e para Judá juntamente (Jr 23:5; 30:4-11; 31:31-34; 33:15-18).
a) No governo do rei Josias, Jeremias foi de grande importância, pois auxiliou esse rei no estabelecimento de uma cuidadosa reforma espiritual da nação. Com a envolvência dessa reforma religiosa, notadamente o povo prometeu obedecer à lei do Senhor e com isto o povo passou a remover do templo os vestígios do paganismo. Josias destruiu também o ídolo Tofete, utilizado para sacrifício humano (2Rs. 23:10). Retirou os altares pagãos do monte das oliveiras, que estava infestada de ídolos. A purificação nacional abrangeu a eliminação de médiuns espíritas, falsos sacerdotes e terafins (ídolos domésticos) (2Rs. 23:24). Num confronto fatídico, na Batalha de Carquêmis, quando fora a caminho do Egito em 609 a.C. para impedir que o rei do Egito agisse contra a babilônia, inesperadamente morre. Quatro anos após sua morte, Babilônia invade ao Egito e leva a primeira leva de cativos em 605 a.C.
Observação: Josias reinou por um período de 31 anos em Jerusalém e fez o que era reto perante o Senhor. É considerado um dos reis mais justos e devotados a Deus. As consequências do reinado de seu pai e de seu avô influenciaram muito sua vida, para que odiasse o pecado. Foi coroado aos oito anos de idade e buscou a face do Senhor desde o início. Aos vinte anos de idade ele liderou uma reforma religiosa nacional, e aos 26 iniciou a reforma do Templo. É considerado como um rei bom (2Rs 23:25), destruiu os focos de idolatria em Judá, reconstruindo o Templo de Deus. Na reconstrução foi achado o Livro da Lei (2Cr 34:15), que tudo indica era a réplica ou cópia fiel escrita por Moisés. Ao ouvir as palavras do livro, Josias, chorou seus pecados e os de seu povo, e se humilhou perante Deus. Com esta atitude o Senhor protelou a Josias de ver o castigo daquela geração (2Rs 22:19-20).
b) No governo de Jeoaquim (de 608 a 597 a.C), Jeremias era o principal representante do grupo que favorecia a supremacia dos caldeus. Isso o expôs a um grande perigo, por isso foi aprisionado. Chegou a ser proposto a pena de morte (Jr. 26:11). Alguns dos príncipes de Judá tentaram protegê-lo, apelando para o precedente estabelecido por Miquéias, que havia profetizado tempos antes de Jeremias. Os oráculos de Jeremias contra o Egito (Jr 46:3-12) atraíram muitas perturbações contra ele; mas ele estava apenas denunciando os pecados do povo judeu, e isso servia para aumentar o ódio por ele.
c) No governo de Joaquim (sucessor de Jeoaquim), Jeremias vaticinou a sorte desse monarca, que o profeta lamentou (Jr. 22:24-30).
Observação: Em Jr 22:24,28 e 24:1 o nome Joaquim aparece como Jeconias. Ele sucedeu o trono de seu pai Jeoaquim e colheu a péssima colheita que fora semeada por Judá e seus governantes anteriores. Tinha apenas dezoito anos de idade quando assumiu o trono e ficou ali durante três meses (2Rs 24:8). Jerusalém se rendeu em 597 a.C. e Joaquim e muita gente de Judá foram levados para o cativeiro. Trinta e seis anos mais tarde Joaquim foi libertado, pelo filho e sucessor de Nabucodonozor (2Rs 25:27-30).
d) No governo de Zedequias, Jeremias foi mais incisivo em suas profecias. Esse rei começou a ouvir mais a Jeremias do que seus antecessores; porém era tarde demais para isso fazer qualquer diferença.
Observação: Nabucodonozor nomeou para o trono a Zedequias. Ele era o filho mais novo de Josias, e foi o ultimo rei de Judá. Foi um governante fraco, que procurava contrabalançar as facções adversárias que lutavam pelo poder, em Judá. Zedequias governou por dez anos, pagando tributos a Babilônia. Quando Zedequias deixou de pagar tributo e firmou um acordo com o Egito, Nabucodonozor perdeu a paciência e mandou um exercito para destruir a cidade de Jerusalém.
3. Profeta Ezequiel


A melhor percepção da vida no exílio da Babilônia é encontrada em Ezequiel, que passou todos os anos de seu ministério público no local. Como Jeremias, ele era sacerdote, conforme atesta seu testemunho (Ez 1:3) e seu grande interesse pelo culto.
O profeta inicia o relato definindo o cenário – ele estava com os exilados próximo do rio Quebar, no décimo terceiro ano. O Quebar é o nar kabari mencionado pelos registros babilônicos, um canal que forma uma extensão do rio Eufrates. O “décimo terceiro ano” provavelmente é uma referência ao seu décimo terceiro ano. Era 593 a.C, o décimo quinto ano do cativeiro de Joaquim, como informa o profeta (Ez 1:2). O hábito de datar os acontecimentos baseado no cativeiro de Joaquim corrobora a opinião de que Joaquim, e não Zedequias, era considerado o verdadeiro herdeiro do trono de Davi.
Ezequiel fora comissionado por Jeová para ministrar à comunidade exilada que vivia próxima ao Quebar, especialmente os que estavam nos acampamentos de Tel Abibe (Ez 3:15). Sua mensagem para o povo centrava-se na iminente destruição de Jerusalém. Sem dúvida eles pensavam que a cidade santa sobreviveria, ainda que de lá fossem deportados. Eles precisavam entender, porém, que Jerusalém era invencível apenas enquanto o povo fosse fiel para com Deus. E de acordo com os fatos, eles falharam em permanecer fiéis. Como consequência, viria sobre Jerusalém o iminente e irremediável julgamento. Através de uma série de ilustrações – representando o cerco a Jerusalém (Ez 4:1-3), raspando sua cabeça (Ez 5:1-4) e preparando algemas (Ez 7:23-27) – Ezequiel preconiza a iminente destruição de Sião.
No sexto ano, 592 a.C., Ezequiel estava em sua própria casa justamente com um concilio de anciãos de Judá, quando repentinamente o Senhor conduziu-o em visão até Jerusalém, onde ele testemunhou uma série de abominações cometidas pelos líderes de Judá no santo Templo de Deus (Ez cap. 8). O resultado foi a partida dos querubins e da glória de Deus do Templo, ficando suspensos sobre o monte das Oliveiras. Isto significava que a aniquilação da cidade estava próxima. Mas, antes que a glória de Deus se afastasse do Santo Templo, o profeta ouviu a mesma promessa que todos os seus antecessores ouviram: o povo de Deus passaria por um amargo cativeiro e escravidão por causa de seus pecados, mas Ele mesmo iria dar-lhes um coração novo, para que verdadeiramente o adorassem e servissem, de modo que retornariam para sua terra. Como ossos secos que foram trazidos à vida, eles rejuvenesceriam e se uniriam novamente – Israel e Judá – e o próprio Davi reinaria sobre ambos (Ez 11:4-21; cap. 37). (1)
4. Ester – Hadassa(Et 2:7)

Ester era filha adotiva e prima de Mordecai ou Mardoqueu. Sendo judia, fora criada e instruída nas tradições judaicas. Tornou-se rainha de Xerxes – conhecido também como Assuero - e foi a responsável pela preservação dos judeus.
Apesar da permissão de Ciro para retornarem à sua terra de origem, muitos judeus preferiram continuar vivendo nas terras estrangeiras, haja vista a vida estruturada que levavam; fazendo, assim, surgir os “judeus da diáspora”, ou seja, os judeus que andam dispersos pelo mundo, fora da Terra Prometida.
Mesmo hoje, após 65 anos de restauração do Estado de Israel, ainda há mais judeus vivendo fora da Terra Prometida do que dentro dela. Estima-se que, dos 14 milhões de judeus que há no mundo, 8 milhões morem fora de Israel na atualidade. Este era o caso de Mardoqueu (ou Mordecai), que vivia na fortaleza de Susã, cidade persa que foi escolhida como capital do reino da Pérsia por Dario I, em 529 a.C.
Hadassa, ou Ester, surge no texto sagrado como uma menina judia órfã, sem pai nem mãe, que precisou ser acolhida por seu primo Mardoqueu. Apesar de ser apresentada como sendo chamada “Hadassa” em Et.2:7, é a única vez em que Ester é assim denominada, sendo, então, dali por diante chamada de “Ester”, nome também hebraico, que significa “estrela” e que dá a entender que a pessoa que tem tal nome é uma “pessoa cativante, charmosa e sensual”. O texto sagrado não diz o motivo destes dois nomes, mas entendem os estudiosos da Bíblia que o nome de Ester deve ter sido dado a Hadassa pelos funcionários do rei quando a levaram para a casa do rei da Pérsia. Por ser moça bela de parecer e formosa à vista, foi-lhe dado o nome de “Ester”, que é, certamente, a versão hebraica do nome persa que se lhe deu e cujo significado era “estrela”.
A miraculosa história da rainha Ester inicia-se no terceiro ano do reinado de Assuero, em 483 a.C. - 103 anos após Nabucodonozor ter levado cativos os judeus(2Rs 25), 54 anos após Zorobabel ter guiado os primeiros grupos de exilados de volta a Jerusalém(Ed. 1:2), e 25 anos antes de Esdras guiar o segundo grupo para Jerusalém(Ed 7).
Ester viveu no reinado da Pérsia, o reino dominante do Oriente Médio após a queda da Babilônia em 539 a. C.. Os parentes de Ester deveriam estar entre os exilados que preferiram não voltar para Jerusalém, embora Ciro, o rei da Pérsia, tenha expedido um decreto permitindo que eles voltassem. Os exilados judeus desfrutavam de uma grande liberdade na Pérsia, e muitos permaneceram porque haviam se estabelecido ali ou temiam a perigosa jornada de volta à sua terra natal.     
A beleza e o caráter de Ester conquistaram o coração de Assuero(ou Xerxes), e assim o rei fez de Ester sua rainha. Mesmo em sua posição tão favorecida, ela arriscou a própria vida, entrando à presença do rei sem ser chamada. Não havia sequer a garantia de que o rei a receberia. Embora fosse a rainha, não estava completamente segura. Mas, com cautela e coragem, Ester decidiu arriscar sua vida, abordando o rei a favor de seu povo. Ela elaborou seus planos cuidadosamente. Pediu aos judeus que jejuassem e orassem com ela antes de entrar à presença do rei. Então, no dia escolhido, Ester foi à presença de Assuero, e este lhe pediu que se aproximasse e falasse. Porém, em vez de expressar seu pedido de forma direta, Ester convidou o rei e Hamã para um banquete. Assuero era suficientemente sagaz para perceber que a rainha tinha algo em mente; no entanto, ela transmitiu a importância da questão, insistindo em um segundo banquete. Nesse ínterim, Deus estava trabalhando “nos bastidores”. O Senhor fez com que o rei lesse os registros históricos do reino à noite, e descobrisse que Mardoqueu certa vez salvou a sua vida. Assuero não perdeu tempo para honrar Mardoqueu por tal ato (ver Et 6:1- 13). Durante o segundo banquete, Ester revelou ao rei a conspiração de Hamã contra os judeus, e este foi sentenciado (Et 7).
Existe uma rigorosa justiça na morte de Hamã na forca que ele mesmo havia construído para Mardoqueu, e parece muito adequado que o dia em que os judeus deveriam ser assassinados tenha se tornado o dia da morte de seus inimigos. O risco que Ester correu confirmou que Deus era a fonte de segurança.
Lições que podemos tirar: a) Servir a Deus frequentemente exige que arrisquemos a nossa própria segurança; b) Deus tem sempre um propósito para as situações em que nos coloca; c) Embora a coragem seja sempre uma qualidade vital, ela não substitui o cuidadoso planejamento.

III. RESULTADOS DO CATIVEIRO


Embora Judá continuasse sendo o local geográfico do povo da aliança, Babilônia tornara-se histórica e intelectualmente o seu lar. E isto era verdade não apenas nos anos de exílio, mas por séculos depois. De fato, nos primeiros séculos da era cristã, Babilônia era um centro religioso judaico que desenvolvera uma tradição completamente separada de Jerusalém. Foi lá que os judeus mais devotos criaram o conhecido Talmude Babilônico, e uma escola de massoretas(dedicava a copiar e  transmitir o texto da Bíblia Hebraica) da Babilônia produziu sua própria família de textos bíblicos e manuscritos.
1. Cura da idolatria. Este foi um dos grandes benefícios espirituais de Israel durante o cativeiro. Com o transcorrer dos dias no exílio, a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles. Na verdade, engendrou um despertar antagônico com relação a idolatria, por suas associações de caráter nacional (ver Sl 137), bem como por suas profundas convicções, nascidas da grandeza e divindade de sua antiga religião, que não podia se comparar com a dos babilônios. Eles amavam intensamente o seu culto, sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que Jeová era o Senhor de toda a Terra. Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus Jeová perante os babilônios, e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral.
2. Maior liberdade de culto. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram. O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas – lugar de reunião e adoração – Mt 4:23) e, portanto, quando enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.
3. Remanescente fiel. O cativeiro revelou um remanescente fiel, preservado de modo sobrenatural por Deus, para que retornassem a Jerusalém. Esse remanescente fiel não foi absorvido no meio da terra do seu cativeiro, como havia sucedido a outros povos conquistados. Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir, preservar e editar antigas narrações. Por conseguinte, podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do cristianismo, uma vez que forneceu, por meio desta preservação literária, ao povo da nova aliança – a Igreja de Cristo -, sua mensagem, a saber, o Antigo Testamento.
CONCLUSÃO
Os pecados de Israel- Reino do Norte e Reino do Sul – os alcançaram. Deus suscitou dois impérios mundiais – Assírio e Babilônio – e permitiu que eles derrotassem e dispersassem o seu povo. O povo do Reino do Norte foi levado em cativeiro e absorvido pelo poderoso e mau império Assírio. Como eu disse anteriormente, às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta.  A iniquidade saturara o Reino do Sul, e a ira de Deus inflamou-se contra os judeus. A Babilônia conquistou a Assíria e tornou-se a nova potência mundial. O exército caldeu marchou contra Jerusalém, queimou o Templo, derrubou os grandes muros da cidade e levou o povo cativo para a Babilônia. O pecado sempre traz disciplina e as suas consequências são às vezes irreversíveis. Pense nisso!
-----
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.
Teologia do Antigo Testamento – ROY B. ZUCK.
Comentário Bíblico Beacon – CPAD.
História de Israel no Antigo Testamento – Eugene H. Merrill - CPAD
(1) História de Israel no Antigo Testamento – Eugene H. Merrill, p. 513).


Um comentário:

  1. Boa síntese desse período tão importante. Obrigada! Será muito útil na aula que darei na EBD sobre o tema.

    ResponderExcluir