domingo, 13 de outubro de 2013

Aula 03 – TRABALHO E PROSPERIDADE

4º Trimestre/2013 - CPAD

Texto Básico: Provérbios 3:9,10;22:13;24:30-34


“A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10:22)





INTRODUÇÃO

A necessidade de trabalhar faz parte da natureza do homem.  Esta afirmação é verdadeira pelo fato do homem ter sido criado “a imagem e conforme à semelhança de Deus”. Assim, o homem não foi criado para ser inerte, parado, sem vida. Trabalhar é estar em ação, em atividade. O trabalho feito com prazer, especialmente por aqueles que têm consciência de que estão cumprindo a vontade de Deus, não apenas dignifica o homem como também o vitaliza, pois, conforme afirmou Salomão, “em todo o trabalho há proveito...”(Pv 14:23).
Para o homem sem Deus, ou até para aquele que se diz “crente”, mas não conhece a Palavra de Deus, trabalhar se torna uma obrigação, um agente gerador de ansiedade. Trabalham, mas, trabalham de mal com o trabalho, vendo na pessoa do patrão, um agente escravizador. Isto não pode acontecer com aquele que conhece a Palavra de Deus. Afirmo que o trabalho foi instituído por Deus, mesmo antes da queda do homem. Trabalhar, portanto, significa cumprir a vontade de Deus. Para um filho de Deus ter um trabalho e poder tirar dele sua subsistência deve ser considerado como uma benção, não como um sacrifício. Você já agradeceu a Deus, hoje, pelo seu emprego, ou pela sua profissão?
Nesta Aula, trataremos “algumas das metáforas usadas pelo sábio para tratar da natureza do trabalho e sua importância. Elas revelam que o labor é uma condição necessária à expressão humana”. Para aqueles que ainda não sabem, metáfora é a comparação de palavras em que um termo substitui outro. É uma comparação abreviada em que o verbo não está expresso, mas subentendido. Por exemplo, ao dizer que o irmão "está forte como um touro", certamente, não significa que ele se pareça fisicamente com o animal, mas que ele está tão forte que faz lembrar um touro, comparando a força entre o animal e o indivíduo. Usando a metáfora da formiga: “vai ter com a formiga, ó preguiçoso” (Pv 6:6). Isto quer dizer: mova-se, tome uma atitude na vida, sai dessa preguiça, trabalhe com ousadia e determinação! “Era dessa forma que os sábios da antiguidade ensinavam, pois quando se entende tais metáforas, compreende-se melhor a natureza do trabalho”, afirma o pr. José Gonçalves.
I. A METÁFORA DO CELEIRO E DO LAGAR (Pv 3:9,10)
“Honra ao SENHOR com a tua fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares”.
Lagar:
“Palavra que é usada indiscriminadamente a respeito do instrumento no qual as uvas eram esmagadas, ou a respeito do balde que aparava o suco daí resultante. Sua plenitude era sinal de prosperidade, enquanto que quando o lagar estava ‘seco’ havia a representação simbólica de fome.
“É o vocábulo usado metaforicamente em Is 63:3, e também em Jl 3:13, onde o lagar cheio e transbordante indica a grandeza do morticínio de que o povo estava ameaçado. Faz parte de uma notável símile, em Lm 1:15; e em Ap 14:28-20, forma parte da linguagem apocalíptica que se segue à predição sobre a queda de Babilônia” (Novo Dicionário da Bíblia – J.D. Douglas).
1. A dádiva que faz prosperar. Dentre as muitas metáforas usadas por Salomão para se referir ao trabalho, encontramos a metáfora do “celeiro” e do “lagar”. O sábio aconselha: “Honra ao SENHOR com a tua fazenda e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão os teus celeiros abundantemente, e trasbordarão de mosto os teus lagares”. Aqui, temos um apelo a favor do uso apropriado das posses materiais. No final das contas, o homem é um mordomo, e tudo que ele tem pertence a Deus (Salmos 50:10-12 e 24:1). Quando ele honra a Deus com parte do seu progresso, ele vai ser abençoado materialmente - “e se encherão os teus celeiros”. Temos aqui um princípio de mordomia e não uma garantia de riquezas materiais. Podemos confiar a Deus as nossas dádivas e que Ele garante a provisão das nossas necessidades materiais (Mt 6:33). O mordomo cristão nunca precisa temer que vai ser o perdedor ao dar a Deus (Ml 3:8-10). Ninguém perde porque crê ou porque obedece. O homem de Deus não é um servo relutante, mas um mordomo feliz e responsável.
É válido ressaltar que uma vida próspera não é somente resultado do sucesso financeiro, mas, sim, da obediência a Deus, da fidelidade e da santidade (Pv 3:3,4). Como cristãos, podemos afirmar que nossas riquezas são e serão sempre intangíveis e nunca somente monetárias. Atualmente, os crentes têm sido iludidos quando o assunto é prosperidade. Eles tendem a relacionar o “ser próspero” ao dinheiro e bens materiais. Muitos estão buscando desesperadamente os bens materiais. Querem ser ricos a todo o custo e acabam desprezando a Deus, tropeçando e perdendo o bem precioso, a salvação. Por isso Jesus adverte: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26). “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20).
Não podemos ser influenciados pela maneira de pensar deste mundo (Rm 12:2). Para alguns, o "TER" passou a ser mais importante que o "SER". O materialismo estimula as pessoas a viverem para TER. Porem, a ênfase do cristianismo bíblico está em viver para SER. Somos desafiados a viver para sermos santos, luz do mundo e sal da terra em meio a uma geração que vive para TER. É evidente que como seres terrenos temos que trabalhar com ousadia, integridade e dedicação para conquistar os recursos materiais necessários para nossa sobrevivência e contribuir para o reino de Deus. Contudo, a Bíblia condiciona a prosperidade do homem a uma vida de obediência ao Senhor. Não é possível ter-se felicidade, bem-estar, alegria, sucesso e êxito se o indivíduo não cumprir a lei do Senhor, não O buscar de todo o seu coração.
A Verdadeira prosperidade, portanto, é o resultado da obediência, é fruto de um estado espiritual de comunhão com Deus. Jesus encontrou pessoas materialistas, como o jovem rico, que preferiu suas próprias riquezas em vez das riquezas do reino. Mas ele também encontrou pessoas como Zaqueu, que foram capazes de trocar o materialismo pelos valores do reino. Pertencer ao Reino de Deus é está diretamente ligado ao "SER" - ser benigno, ético, compassivo etc.
2. A bênção que enriquece - “A bênção do Senhor é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10:22). Não podemos negar e nem deixar de ser gratos por essa vida, pois, para os crentes e demais homens, ela é um testemunho da bondade e misericórdia de Deus. Os bens materiais, inclusive o dinheiro, são bênçãos que Deus nos concede para usufruirmos dele e beneficiar o próximo e a obra de Deus. Seria hipocrisia de nossa parte negar que o dinheiro é um bem apreciável, pois quanto mais recursos financeiros uma pessoa possui, mais oportunidades ela tem para oferecer uma educação melhor aos seus descendentes, investir em sua saúde, adquirir bens que serão utilizados de forma razoável e confortável, e abençoar a obra de Deus de forma generosa. Mas, precisamos entender também que o dinheiro é um ótimo servo, mas um senhor impiedoso se o colocarmos nessa posição também. Se não tivermos nossas vidas diante de Deus, perderemos o foco da verdadeira prosperidade: um relacionamento com o Doador, e não com a dádiva. Não foi à toa que Jesus falou contra Mamom e os perigos do relacionamento com ele.
Fazer a vontade de Deus e manter uma estreita comunhão com Ele é o segredo para se ter uma vida próspera. Independentemente das circunstâncias que estejamos passando, temos a certeza que o bom Pastor e Bispo de nossas almas nunca nos desampara. Ele está conosco em meio aos pastos verdejantes, e não nos abandona quando temos que enfrentar os vales e os desertos da vida. Somente em Jesus temos a verdadeira prosperidade. É somente quando a bênção de Deus estiver presente que o celeiro e o lagar se encherão e transbordarão. “É a bênção divina que faz a distinção entre ter posses e ser verdadeiramente próspero, pois é possível ser rico, mas não ser feliz”.
II. A METÁFORA DA FORMIGA (Pv 6:6-11)
“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio. A qual, não tendo superior, nem oficial, nem dominador, prepara no verão o seu pão; na sega ajunta o seu mantimento. Ò preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco de sono, um pouco tosquenejando, um pouco encruzando as mãos, para estar deitado, assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado”(Pv 6:6-11).
1. As formigas sabem poupar. Em Pv 6:6-11, o sábio nos adverte a aprender com as formigas. Numa época em que as mudanças ocorrem numa rapidez que nos atordoa, nossa única defesa é a tentativa de antecipar, como as formigas fazem, o amanhã e nos prepararmos, desde já, para responder aos desafios que o futuro nos apresentará. O segredo para ter mais segurança quanto ao futuro é fazermos planos e trabalharmos baseados neles agora. A conhecida passagem de Tiago 4:13-16 nos diz para não fazer planos para o futuro, e sim para nos darmos conta de que todos os planos para o crente são declarações de fé. É a nossa maneira de dizermos: “Senhor, é isso o que acreditamos que quer que façamos, e é isso que temos a intenção de fazer. Se quiseres nos dirigir para o outro caminho, estamos abertos à tua orientação. Enquanto isso, prosseguimos adiante pela fé”. Portanto, precisamos fazer planos e oferecê-los como declarações de fé ao Senhor como nosso compromisso a Ele. Prepare-se, pois seu futuro depende, em grande parte, do que você fizer hoje.
2. A Bíblia condena o preguiçoso. Sobre a Preguiça, a Bíblia diz: “A preguiça faz cair em profundo sono, e a alma enganadora padecerá fome”(Pv 19:15); “Pela muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”(Ec 10:18). Num mundo competitivo como o nosso, ninguém pode se dar o luxo da preguiça.  Com acerto afirmou Elifaz a Jó: “Mas o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar”(Jó 5:7). Isto corrobora a nossa afirmação de que o trabalho foi instituído por Deus e que é uma exigência da natureza do homem. Em sendo assim, e assim é, então queremos crer que não existe crente que conhece a Palavra e que seja preguiçoso. Isto porque o crente, sendo nascido de novo, é filho de Deus; como filho, ele é participante da natureza divina, conforme declara Pedro: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude, pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina...”(2Pedro 1:3-4). Assim, crente que é filho de Deus não pode ser preguiçoso, pois, a inércia, a inatividade, e outros atributos que caracterizam a preguiça, não fazem parte da natureza Divina. Lembre-se: o tempo é matéria-prima da vida. Precisamos tomar consciência de sua importância e de como aproveitá-lo melhor.
III. A METÁFORA DO LEÃO (Pv 22:13; 26:13)
“Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas” (Pv 22:13). “Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas” (Pv 26:13).
Aqui nestas duas metáforas, vemos as desculpas esfarrapadas do preguiçoso. Esse é o tipo de pessoa que sempre acha boas razões para justificar a sua preguiça – “mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem” (Pv 26:16). Note-se que o preguiçoso não é nenhum anormal. Frequentemente é um homem comum que usou desculpas demais, recusas demais e adiamentos demais. Isso explica, pelo menos em parte, por que a pobreza chega à casa dele. Ela surge como um ladrão, e nada a pode impedir, porque é o fruto da indolência e da procrastinação – “assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Pv 6:11).
Para superar a preguiça, devem ser dados alguns pequenos passos em direção à mudança. É necessário estabelecer uma meta concreta e realista, verificar quais são os passos necessários para alcançá-la e segui-los. Deve-se orar, pedindo a Deus força e persistência. Para que as desculpas não tornem alguém inútil, é necessário parar de dar desculpas vãs. A preguiça é mais perigosa do que um leão.
IV. O TRABLHO E A METÁFORA DOS ESPINHEIROS (Pv 24:30-34)
30. Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento;
31e eis que toda estava cheia de cardos, e a sua superfície, coberta de urtigas, e a sua parede de pedra estava derribada.
32. O que tendo eu visto, o considerei; e, vendo-o, recebi instrução.
33. Um pouco de sono, adormecendo um pouco, encruzando as mãos outro pouco, para estar deitado,
34. assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
O preguiçoso só vê dificuldades. O caminho do preguiçoso não é cercado de espinhos, mas é como se fosse. O problema não existe, mas por causa de sua preguiça ele age como se existisse. O preguiçoso vê dificuldade em tudo. Ele não procura trabalho porque parte do pressuposto de que todas as portas da oportunidade lhe estarão fechadas. Ele não se dedica aos estudos porque está convencido de que não vale a pena estudar tanto para depois não ter recompensa. Ele só enxerga espinhos na estrada da vida enquanto dorme o sono da indolência.
É diferente a vereda dos retos. Mesmo que haja espinhos, o homem reto os enfrenta. Mesmo que a estrada seja sinuosa, ele a endireita. Mesmo que haja vales, ele os aterra. Mesmo que haja montes, ele os nivela. O homem reto é aquele que transforma dificuldades em oportunidades, obstáculos em trampolins, desertos em pomares e vales em mananciais. Ele não foca sua atenção nos problemas, mas investe toda a sua energia na busca de soluções. (1)
1. Trabalho, prosperidade e espiritualidade! Enquanto passeava pelo campo, o sábio observou a vinha de um preguiçoso, e eis que tudo estava cheio de espinhos. Havia mato e urtigas por todo lado, e o muro de pedra estava em ruínas. O sábio extraiu uma lição desse episódio: o indivíduo que gosta de dormir muito e está sempre em repouso será assaltado pela pobreza repentina como quem encontra um ladrão armado. Se a preguiça nos afastar de nossas responsabilidades, a pobreza poderá afastar-nos do legitimo descanso que deveríamos desfrutar.
Aqueles que sucumbem à preguiça espiritual tem a vida (representada pela vinha) infestada de problemas (espinhos e urtigas) e não produzem fruto para Deus. As defesas espirituais (o muro de pedra) caem por terra, e Satanás expande sua área de atuação. Essa situação de desinteresse e apostasia resulta em pobreza de alma.
2. Trabalho, ócio e lazer. Um homem normal não pode viver sem trabalho. Não se trata de precisar ou não trabalhar pela sobrevivência; trata-se de uma exigência da natureza humana, e isto procede de Deus. Deus não criou o homem para viver em ociosidade. Quem, decididamente, se entrega ao ócio, e se deixa dominar pela preguiça, acaba doente. São estas pessoas as frequentadoras contumazes dos divãs dos psicanalistas, e dos consultórios dos psicólogos.
O trabalho é uma das demonstrações mais eloquentes da dignidade da pessoa humana. Ora, se Deus fez o homem para servi-lo, para que executasse tarefas que exaltassem o nome do Senhor, é praticamente intuitivo que todo e qualquer ser humano que se disponha a se submeter ao senhorio de Deus seja alguém que tenha no trabalho uma de suas principais marcas. Não é por outro motivo, aliás, que, ao longo da história sagrada, não encontramos jamais alguém que tenha sido chamado por Deus que não estivesse trabalhando. Deus jamais chamou e jamais chamará desocupados para a sua obra, porquanto o ócio é algo que está em frontal oposição ao que Deus é, ao que Deus representa.
Em sendo assim, temos que todo povo chamado e constituído por Deus é um povo que tem no trabalho, no serviço, um ponto característico. A Igreja, o povo de Deus da atual dispensação, não é exceção. Muito pelo contrário, Jesus sempre deixou bem claro que os seus discípulos deveriam ser pessoas que estivessem prontas e dispostas a servir, a executar tarefas para a glória do nome do Senhor.
CONCLUSÃO
O trabalho além de dignificar o homem, o faz prosperar. Diante do Senhor ninguém será considerado ‘mais crente’ por se ocupar somente de coisas espirituais e negligenciar as práticas materiais. Em muitos casos, aqueles que alegam ‘trabalharem somente para Jesus’, na verdade, estão dando trabalho para a igreja. Dizem que vivem da fé, mas na verdade vivem da boa fé dos outros. A esses, mais uma vez Salomão aconselha: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio” (Pv 6:6). Os homens mais espirituais da Bíblia viviam nos labores dos seus trabalhos (2).
Portanto, uma pessoa normal não pode viver sem trabalhar, mesmo não precisando prover sua subsistência. É claro que muitos, embora desejando trabalhar, são impedidos, quer por incapacidade física, mental, ou social. Estes, em sendo necessário, devem ser ajudados pelo Serviço Social da Igreja, ou por algum “irmão”, em particular. Por isto Paulo usou a expressão “... se alguém não quiser trabalhar, não como também”(2Tes 3:10).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Revista Ensinador Cristão – nº 56 – CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico Beacon – Vol.3 –CPAD.
(1)  Rev. Hernandes Dias Lopes – Gotas de Sabedoria para a alma.

(2)   Pr. José Gonçalves – Sábios Conselhos para um viver Vitorioso – CPAD.

domingo, 6 de outubro de 2013

Aula02 – ADVERTÊNCIAS CONTRA O ADULTÉRIO


Lições CPAD – 4º Trimestre/2013

 

Texto Básico: Pv 5:1-6

13/10/2013

“Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. [...] Seja bendita o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv 5:15,18).




INTRODUÇÃO

No capítulo 5 de Provérbios temos a aplicação da sabedoria ao relacionamento entre homem e mulher. Depois de um apelo inicial a favor da atenção concentrada no ensino (5:1,2), há uma advertência muito forte contra o fascínio do pecado (5:3-6). Em seguida, vem uma admoestação severa para se evitar a infidelidade (5:7-14). A última parte contém um apelo insistente a favor da fidelidade no casamento (5:15-23).

O adultério é a relação sexual entre uma pessoa casada e quem não é seu cônjuge. É grave pecado, que era duramente apenado na lei de Moisés (Lv 20:10; Dt 22:22). Aliás, “não adulterarás” é um dos dez mandamentos (Ex 20:14; Dt 5:18). Atualmente, o mundo vê o adultério como algo normal, natural e até esperado no casamento (recente pesquisa feita no Brasil demonstrou que dois terços das pessoas esperam ser traídas por seu cônjuge e entendem ser isto natural e compreensível). Entretanto, o adultério é abominável aos olhos de Deus, tanto que seu alcance foi ampliado por Jesus no sermão do monte (Mt 5:27-30). Sua prática é considerada loucura pela Palavra de Deus (Pv 6:32-35). Com certeza, não há prática que cause tantos males e denigra tanto o caráter de alguém senão o adultério, que, além de destruir a família, célula-máter da sociedade, dá péssimo exemplo aos filhos que, sem o exemplo dos pais, perdem o referencial do certo e do errado, sendo, a partir de então, alvos fáceis do inimigo de nossas almas. O adultério é a figura da infidelidade, da própria perdição na Bíblia, tamanho o mal que representa. A Palavra afirma que é o próprio Deus quem julgará os adúlteros (Hb 13:4).

I – SUBSÍDIOS IMPORTANTES SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA

O sexo é uma atividade inata à natureza humana, estabelecida pelo próprio Deus e, portanto, todo cristão deve ver com naturalidade e sem qualquer preconceito, guiando-se unicamente pela Palavra de Deus como parâmetro de sua conduta relativa ao assunto. Assim, a atração sexual é algo natural e que revela a própria natureza sexuada do ser humano, devendo, porém, o instinto sexual ser dirigido com equilíbrio para que se faça a vontade de Deus que é a de que o sexo seja efetuado no casamento, com o cônjuge, com finalidades bem delimitadas (Cl 3:5,6), a saber:

- A procriação. O sexo é a forma natural pela qual os homens se reproduzem, cumprindo com o princípio ético da procriação (Gn 1:28). Assim, um dos objetivos do sexo é a procriação, mas não é o único, como têm defendido alguns setores religiosos, em especial a Igreja Romana. Fosse a procriação a única finalidade do sexo, não haveria manutenção de relações sexuais entre cônjuges quando um fosse estéril; isto, certamente, não ocorre, como se vê, claramente, em diversas passagens bíblicas.

- O ajustamento do casal. O sexo é uma maneira pela qual se dá o ajustamento do casal, pois é uma das principais expressões do amor conjugal. Com efeito, é através do sexo que um cônjuge se entrega ao outro, que um cônjuge procura agradar ao outro. É uma das expressões pelas quais se traduz a união do casal (“e serão ambos uma carne” – Gn 2:24, parte final). O amor conjugal não se confunde com o sexo, como propala erroneamente o mundo imerso no pecado, mas tem uma de suas expressões no sexo. O sexo praticado no modelo bíblico revela o verdadeiro amor, pois não é egoísta, tanto que diz a Palavra que o corpo do cônjuge está sob o domínio do outro (1Co 7:4). A fase de ajustamento do casal é tão importante que a lei de Moisés dispensava, durante um ano, o homem casado dos seus deveres cívicos, inclusive o de ir à guerra (Dt 24:5).

- A satisfação amorosa do casal. O sexo não é visto apenas com fim de procriação, como alguns defendem erroneamente, sem respaldo bíblico. Em Pv 5:18,19, está escrito que o prazer é algo próprio do sexo e que não é pecado a busca de satisfação entre homem e mulher. O sexo dá prazer de forma natural, de modo que não devemos ter de buscar e sentir satisfação na atividade sexual, pois é algo que lhe é próprio. O que se condena é o abuso, o domínio do homem pelo instinto sexual, de forma egoística e descontrolada, o que não se permite nem mesmo entre casados, pois isto revelará um desequilíbrio, sendo certo que a temperança, o domínio próprio, é uma das qualidades do fruto do Espírito Santo (Gl 5:22), enquanto que a lascívia e a impureza são obras da carne (Gl 5:19). 

Diante deste equilíbrio que deve haver na atividade sexual, medidas como a prática de relações sexuais antinaturais (como o sexo anal, o sexo grupal, o sexo com animais, por exemplo), mesmo feitas entre casados e com mútuo consentimento do casal, são abomináveis perante Deus, pois revelam carnalidade e descontrole do instinto sexual. Também se insere neste contexto a inconveniência de um casal cristão frequentar locais destinados à prática da prostituição e da licenciosidade como motéis, praias de nudismo, “resorts” de “hedonismo” ou coisas similares a estas, bem como de buscar excitação mediante acesso a produtos eróticos ou pornográficos. Embora o sexo entre casados não seja proibido, mas até um dever dos cônjuges, naturalmente os ambientes mencionados são repletos de pecado e destinados ao pecado, não podendo, pois, uma atividade sexual santa se desenvolver em meio a tais cenários. Ler Fp 4:8; 1Co 6:9-11.

II – AS CAUSAS DA INFIDELIDADE

A infidelidade conjugal é um processo maligno que tem início na mente. Em uma sociedade erotizada como a contemporânea, onde as expressões eróticas e pornográficas se tornaram mais explícitas e ousadas, a luta contra a tentação do adultério não é uma batalha individual, mas envolve a participação mútua do casal.

1. Falta de sabedoria. A infidelidade é tida como falta de sabedoria – “O que adultera com uma mulher é falta de entendimento; destrói a sua alma o que tal faz” (Pv 6:32). Sabemos que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria. Quando se perde a reverência a Deus, a insensatez toma conta do coração do homem. Atualmente, muitos veem a infidelidade conjugal como uma prática normal, porém os princípios de Deus são eternos e imutáveis. Encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos sérias advertências contra a infidelidade conjugal (Êx 20:14; Dt 5:18; Rm 13:9; Gl 5:19). Como servos de Deus, precisamos estar atentos, pois "os lábios da mulher estranha destilam favos de mel". A princípio, a infidelidade pode parecer doce e prazerosa, mas o seu fim é amargoso como o absinto (Pv 5:4). Com a infidelidade, vem a disfunção familiar. Ela é perigosa, é destrutiva para toda família, para a Igreja do Senhor e para a sociedade de um modo geral.

2. Concupiscências e carências. Não duvido que as causas que contribuem para a infidelidade conjugal são fomentadas dentro do próprio lar. Com o passar dos anos, o esposo e a esposa deixam de cultivar o amor verdadeiro. Aquelas expressões de carinho dos primeiros tempos ficam esquecidas. O afeto vai desaparecendo entre os dois. No entanto, a necessidade de afeto continua a existir em cada um. É a chamada carência afetiva, que leva muitos a se decepcionarem com o casamento.

As lutas do dia-a-dia também tendem a desfazer o clima amoroso entre o casal, se não forem adotadas providências para cultivá-lo. O lar, em muitos casos, passa a ser uma espécie de pensão, na qual o marido é o hóspede número um, a esposa é a dona da pensão, e os filhos, os outros hóspedes costumeiros. Não mais existe o ambiente acolhedor e amigo no qual se respira amor, paz e harmonia. Enquanto isso, fora do lar, os cônjuges, no trabalho, no círculo de amizades, encontram sempre alguém que lhes dê atenção e se interesse (ou finge se interessar) pelos seus problemas.

Então Satanás, que não dorme, entra em ação. Começa a falar ao coração que é hora de experimentar um caso de amor, um romance, mesmo passageiro. O cônjuge, mesmo sendo cristão, diante de tal sedução, entra em conflito consigo mesmo. A mente começa a estampar a crise de afeto que existe no lar, a falta de carinho, a indiferença do outro cônjuge. A consciência bate forte, lembrando a condição de cristão, lavado e remido no sangue de Jesus. Nas primeiras investidas, o servo de Deus pensa, recua, vence. Mas, dia após dia, as coisas se agravam. A voz do Inimigo soa mais forte e sedutora; a concupiscência se aquece. Enfim, vem a queda, o ato, o pecado consumado, a morte espiritual.

Depois, entre desespero e reações evidentes, o coração explode. O lar, que antes estava ruim, fica pior. A culpa não dá paz. Os conflitos aumentam. Só há dois caminhos: abandonar o lar, a esposa, os filhos e viver na nova "pensão" ou continuar enganando a todos (mas não a Deus). Em qualquer caso, todos sofrem. O cônjuge infiel, o cônjuge fiel, os filhos, a família, a igreja. Para evitar esse tipo de contribuição à infidelidade é necessário que o casal se mantenha debaixo da orientação da Palavra de Deus. O esposo, amando sua esposa de todo o coração, como Cristo à Igreja. A esposa, amando o esposo da mesma forma e lhe sendo submissa pelo amor.
Em termos práticos, é necessário cultivar, tratar, regar e cuidar da planta do amor, para que as ervas daninhas da infidelidade não germinem no coração de um dos cônjuges. É bom, que os cristãos casados saibam que a santidade do cristianismo não faz ninguém deixar de ser humano. Nesta vida, precisamos de amor, de alegria, de paz, de carinho, de afeto. O leito conjugal precisa ser bem aproveitado, e a união sexual, legítima entre os casados, deve continuar sendo fator de integração, não apenas física, afetiva, mas também espiritual.

Deus rejeita aquele que é infiel à sua esposa, e o rejeita não aceitando sua adoração, o culto que é feito a Ele. Até as orações não são recebidas por Deus, quando o marido não coabita com sua mulher com entendimento, e vice-versa. Através do profeta Malaquias, o Senhor Deus repreendendo Israel por causa da infidelidade conjugal. Ele dizia que não aceitava mais suas ofertas, o culto que Israel fazia a Ele no Templo –“Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher do teu concerto" (Ml 2:14). É bom refletir antes de agir!

III - AS CONSEQUENCIAS DA INFIDELIDADE

A infidelidade conjugal destrói casamentos e famílias, trazendo grandes prejuízos sociais, econômicos, emocionais e espirituais. O pior de tudo, afasta a pessoa de Deus. Segundo o sábio bíblico, “só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa” (Pv 6:32). Contudo, ainda que alguns tenham ciência das consequências devastadoras desse ato, pouco se faz com o objetivo de evitá-lo, e não são poucos os que “flertam com o inimigo ao lado”. Veja algumas consequências, dentre muitas:

1. Perda da comunhão familiar. A infidelidade conjugal não passa de um instrumento diabólico para a destruição e desagregação da família. A Bíblia diz que o marido deve amar a sua esposa da mesma forma que Cristo ama a Igreja. Ora, o Senhor ama a Igreja com sinceridade, e, sobretudo, com fidelidade. Esta fidelidade é tão grande, que "se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2:13).

Quando um cônjuge adultera causa terrível transtorno à sua família: Em primeiro lugar, atinge ao cônjuge; Em segundo lugar, aos demais membros da família, principalmente aos filhos, que ficam confusos e perplexos por saber que o pai ou a mãe foi infiel, traindo a confiança matrimonial e dos filhos. O adultério mina o edifício da família em sua base, que é a confiança do esposo na esposa, e dos filhos nos pais. Em quem confiar, se os líderes traem um ao outro? O resultado dessa quebra de confiança é a tristeza, a decepção e a revolta dos filhos. Muitos, não tendo estrutura espiritual e emocional, enveredam por caminhos perigosos, envolvendo-se com drogas, bebida e prostituição. Quem pratica a infidelidade conjugal está edificando sua casa sobre a areia (Mt 7:26).

2. Perda da comunhão com Deus. O adultério é pecado gravíssimo aos olhos de Deus, o Criador do casamento, do lar e da família. Ele divide a família, afasta o cônjuge da presença de Deus e impede as bênçãos divinas. O rei Davi mais do que ninguém sentiu na pele e na alma a tragédia desse pecado. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2Sm 11:27), perdoou-o por se arrepender profundamente do ato impensado e precipitado, mas não o livrou das inevitáveis e trágicas consequências. Muitas pessoas passam a vida inteira chorando por uma decisão errada feita apenas num instante. Pagam um alto preço por uma desobediência. Choram amargamente por tomar uma direção errada na vida. Cuidado com o pecado, pois ele pode levar você mais longe do que você quer ir.

3. Morte espiritual. O adultério leva à morte espiritual, às vezes até à morte física. O mais perigoso é a morte eterna, ou seja, o afastamento eterno de Deus; é a pior consequência da infidelidade conjugal. Alguns minutos de prazer ilícito podem levar um homem, ou uma mulher, para o inferno - “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros...herdarão o Reino de Deus” (1Co 6:10). É necessário estar alerta para as ciladas do Inimigo. O sábio Salomão, usado por Deus, exortou e advertiu quanto aos perigos do adultério. Sua palavra era a Palavra de Deus convocando seus filhos à vigilância contra a infidelidade conjugal. Com um realismo extraordinário, o Senhor verberou contra a prática pecaminosa, reconhecendo que "os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite" (Pv 5:3). No início, são "favos de mel", que depois, podem transformar-se em "favos de fel". Pense nisso!

IV – CONSELHOS DE COMO SE PREVENIR CONTRA A INFIDELIDADE

“No final de sua vida será muito tarde para pedir conselhos. Quando o desejo está aflorado, as pessoas não querem conselhos, querem satisfação. A melhor ocasião para aprender sobre os perigos e a tolice de praticar o sexo ilícito (ou qualquer outra coisa que seja prejudicial) é antes de ser tentado. Será mais fácil resistir à tentação se tal decisão tiver sido tomada previamente. Não espere para ver oque acontece. Prepare-se para a tentação, decidindo agora como agirá quando tiver de enfrentá-la” (Bíblia de Estudo - Aplicação Pessoal). Ler Pv 5:11-13.

Para que possamos enfrentar e vencer as “astutas ciladas do Diabo” (Ef 6:11) contra a fidelidade conjugal, proponho os seguintes conselhos:

1. Orar sempre - “Orai sem cessar” (1Ts 5:17). Orar é tão necessário quanto comer, tomar água, repousar e exercitar o corpo. Orar é o respirar da alma. Se uma pessoa passar mais de três minutos sem respirar, seu cérebro sofrerá lesões que podem ser irreversíveis, e ate morrer. Sem oração, certamente, advirão "lesões" espirituais que podem levar à morte. Ninguém consegue vencer as tentações, os ataques malignos contra a vida, o lar, o ministério, o casamento, sem oração.

O que levou o rei Davi a cometer pecados tão ignominiosos, a ponto de adulterar com a esposa de um soldado do exército que defendia seu reino e sua vida? Pior ainda, o que o levou a perder todo o senso de respeito e consideração pelo general Urias, quando mandou chamá-lo de volta para casa, após usar a esposa do amigo? E vendo que sua artimanha não funcionava, mandou-o de volta à batalha, levando a própria sentença de morte em mãos? Não foi falta de mulheres. Ele, o rei, tinha nada menos que sete mulheres e dez concubinas. O que derrotou Davi foi a falta de oração. Enquanto o exército de Israel lutava, ele passeava no terraço do palácio, ocioso. Deveria, ao levantar-se do repouso merecido, ter ido orar pelo seu povo, pelos soldados, que expunham a sua vida defendendo o reino. Mas não o fez. Não orou. Não vigiou (2Sm 12:7-14). Deixou-se levar pela concupiscência da carne, e da indução do Diabo para cometer atos tão vis, que se tornaram símbolo da falta de honradez e dignidade para um homem que fora chamado de "homem segundo o coração de Deus", na inferência do texto em que Deus reprova Saul, por sua desobediência e promete levantar um sucessor que seria do seu agrado (1Sm 13:14).

Portanto, não há como escapar se não atentarmos para este conselho. Como diz certo ditado cristão: "Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder". É simplista? Pode ser. Mas é real. Jesus mandou vigiar e orar para não cair em tentação (Mt 26:41).

2. Vigiar sempre. Explica muito bem o pastor Elinaldo Renovato quando diz: “Se a oração é o respirar da alma para não morrer, a vigilância são ‘as câmaras de segurança’ em torno da vida cristã. Além de grades de proteção, as pessoas instalam câmeras de segurança e cercas elétricas em torno de suas residências para evitar a ação dos marginais, que vivem à procura de assaltar os bens alheios. Tais aparatos não impedem, mas podem evitar muitas ações de meliantes. Na vida espiritual, a vigilância é indispensável. Sem a vigilância, a oração pode perder seus efeitos benéficos, pois surpresas e ‘ciladas do diabo’ podem ocorrer a qualquer momento, quando menos se espera. Para evitar cair nas garras do Diabo e ser presa da pratica do adultério, é indispensável vigiar sempre”.

3. Honre seu cônjuge – “Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações” (1Pe 3:7). Honrar a esposa, dando-lhe o apreço e o respeito necessário, é fator decisivo para uma vida conjugal ajustada e gratificante. Há esposos que se envergonham de suas esposas. Às vezes, por causa das marcas do tempo em suas mulheres, quando perdem a graça da juventude, há homens que deixam de se interessar por suas esposas; isso é brecha para o Adversário penetrar no relacionamento. O mesmo aplica-se às mulheres. A Bíblia diz que a mulher deve reverenciar seu marido “-Assim também vós, cada um em particular ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido” (Ef 5.33).

4. Tenha desvelo pelo casamento. Os dois devem ter certos cuidados; usar sempre sua aliança no ambiente de trabalho; evitar envolvimento emocional com estranhos, e ter coisas que lembrem sua esposa e filhos, como fotos. Evitar envolvimento com pessoas da igreja, que possa causar prejuízo ao ministério e ao casamento. No aconselhamento, no caso de obreiros, ter muito cuidado para não envolver-se com mulheres que estão em dificuldade matrimonial. Vários obreiros já caíram, por não terem vigiado nessa parte.

5. Cuide da parte sexual (1Co 7:3,5). Cuidar dessa parte do matrimônio é importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do marido e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o Diabo procura prejudicar o relacionamento, a fim de destruir o casamento. O Inimigo tem trabalhado de modo constante para levar o marido ou a esposa a pecar nessa área. Muitos pastores têm caído na cilada do Inimigo, por isso seus ministérios foram à bancarrota por causa da infidelidade conjugal. Cuidado! “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite, mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno. Afasta dela o teu caminho e não te aproximes da porta da sua casa; para que não dê a outros a tua honra, nem os teus anos a cruéis. Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e ele aplana todas a suas carreiras” (Pv 5:3-5,8,9,15,18,21).

6. Evite o uso da tecnologia a serviço do mal. A televisão é uma invenção extraordinária. Por ela, mensagens edificantes podem chegar a muitas pessoas. Um pregador pode alcançar milhões de telespectadores. Mas, por ela, o Diabo pode entrar nos lares e nas mentes de servos e servas de Deus. Pesquisas mostram que aonde chega o sinal de determinadas emissoras, com a transmissão de novelas, o número de separações de casais aumenta. Certas programações, na TV secular, são fruto do plano do Diabo para destruir a moral, os bons costumes, o lar e o casamento. Por isso, diz a Bíblia: "Não porei coisa má diante de meus olhos" (Sl 101:3). Pior que a TV é a internet, quando usada para o pecado. Muitos casais estão prejudicados em seu casamento, por causa do vício do cônjuge, que se deixa escravizar pelos contatos virtuais ilícitos. Há cristãos viciados em sexo virtual, em pornografia e relacionamentos com pessoas estranhas, o que equivale a adultério, segundo ensino de Jesus (Mt 5:28). Assim, o cristão deve evitar os programas imorais na TV e na internet, as revistas pornográficas, as novelas, cujo enredo é demonismo e sexo explícito, traição, violência, inversão de valores, desrespeito a Deus. Pergunta: Será que Jesus está ao lado de uma irmã, ou irmão, quando está assistindo à novela? Ou quando está diante da internet, acessando sites pornográficos?

7. Fuja dos desejos ilícitos (2Tm 2:22. Pv 3:7; 22:3). Os esposos mais jovens são mais visados pelas tentações do sexo; o Diabo aproveita-se dos problemas do casal para investir na infidelidade. Todavia, os de mais idade não estão imunes a pensamentos pecaminosos. A batalha contra as tentações está na mente, nas emoções, nos sentimentos; é preciso guardar o coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4:23); o pensamento deve ser levado cativo (2Co 10:5) e precisamos renovar o nosso entendimento (Rm 12:2).

CONCLUSÃO

Concluindo esta Aula, recomendo atentar ao conselho do apóstolo Paulo no tocante a infidelidade conjugal. Disse ele à igreja de Corinto: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá: porque o templo de Deus, que sois vós, é santo" (1Co 3:16,17). O homem, ou a mulher cristã, deve tomar em consideração esta advertência solene da Bíblia: Se alguém destruir o seu próprio corpo, pelo pecado, Deus o destruirá. Mais clara, ainda, é a exortação, quando lemos o trecho de 1Co 6:18-20: "Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus e que não sois de vos mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no nosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus". Vemos, então, que a infidelidade conjugal, geralmente tornada em adultério, é considerada o maior pecado contra o corpo. Isto porque o corpo é "templo de Deus", "templo do Espírito Santo”. Havendo o verdadeiro amor, não haverá frieza sexual; haverá interesse, atração de um pelo outro; haverá prazer no ato sexual. É necessário evitar a infidelidade sob qualquer forma ou pretexto. Pense nisso!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Revista Ensinador Cristão – nº 56 – CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.

A Família Cristã e os ataques do inimigo – Elinaldo Renovato – CPAD.

Aula 06 - A infidelidade conjugal – Luciano de Paula Lourenço - Subsídio Teológico – 3º Trimestre/2013.

O cristão e a sexualidade – Dr. Caramuru Afonso Francisco – PortalEBD.

 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Aula 01 – A Maturidade do Cristão


4º Trimestre/2013

Revista: Educação Cristã Continuada


Texto Básico:  Ef 4:12-16

 
“Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4:15).

 








INTRODUÇÃO


Neste trimestre, estudaremos dois temas importantes: Maturidade e Mordomia cristã. Estudaremos lições sobremaneira importantes para entendermos como interagem esses dois temas na vida do cristão. Mesmo depois de entregar sua vida a Cristo, o homem só experimentará a comunhão que Deus deseja ter com ele, quando aceitar o propósito divino para sua vida. E o desejo de Deus é fazê-lo conforme a imagem de Cristo.

Objetivos das lições do trimestre:

1. Explicar a propensão ao crescimento, inerente à vida espiritual, e permitir que isso o ajude a crescer em Cristo.

2. Relacionar maturidade espiritual com vida diária, de maneira a fazer distinção entre o bem e o mal, e a aplicar as passagens bíblicas.

3. Explicar por que o cristão não é capaz de crescer se não tiver comunhão com Deus.

4. Descrever o papel do Espírito Santo na nossa maturidade cristã.

5. Explicar as experiências pessoais a fim de analisar o progresso obtido no exercício da sua vontade, visando desenvolver-se espiritualmente.

6. Experimentar a maturidade cristã, aumentando, de modo geral, nossa participação no ministério, na igreja e na ajuda a outros.

Que neste trimestre letivo, através das lições propostas, o Senhor nos abençoe e nos ajude a alcançar a maturidade em Cristo.

Mordomia diz respeito à administração de bens alheios. No seu sentido bíblico, a doutrina da Mordomia Cristã ressalta a Soberania de Deus sobre tudo e sobre todas as coisas e a nossa responsabilidade como administradores dos bens que ele nos confiou - são bens morais, espirituais e materiais, incluindo a nossa própria vida e o nosso próprio corpo. Nós não somos donos de nada; somos mordomos de Deus. Desta feita, ao dizermos “restitui tudo o que é meu”, não tem respaldo diante deste conceito, haja vista que somos apenas mordomo de tudo que é de Deus, o genuíno proprietário.

Nesta Aula, estudaremos sobre a “Maturidade do Cristão”. A salvação nos é dada pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. Mas, o crescimento espiritual na salvação depende de esforço e disciplina constante para que cheguemos à estatura de varão perfeito, segundo o modelo de Cristo Jesus. Então a salvação que alcançamos pela fé na obra redentora de Cristo, não é o fim, mas o início da caminhada. Nenhum esforço humano poderia ter causado a salvação, pois a redenção da alma é caríssima. Entretanto, uma vez salvo, temos o dever de desenvolver a nossa salvação até o ponto da maturidade plena no Senhor Jesus.

I. O QUE É MATURIDADE CRISTÃ?

1. É refletir o caráter de Cristo através da atitude. Caráter é o que você é no escuro. Reconhecimento é o que as pessoas dizem a seu respeito; Caráter é o que Deus diz de você. Deus diz que são as suas atitudes que determinam se você é maduro ou não. Deus quer que você cresça e tenha atitudes como as de Cristo (Ef 4:13, Gl 4:19, Cl 1:28).

2. É Renúncia. Tirar tudo o que impede o crescimento – Ler Cl 3:8-17.

3. É dar bom exemplo de um genuíno cristão. O exemplo fala mais alto do que as palavras. A maturidade exige irrepreensibilidade (Ler Tito 2:7-10).

4. É saber reagir positivamente diante das adversidades e correções(Ler Tg 1:2-4). Maturidade é sinônimo de estabilidade emocional. A pessoa madura sabe administrar suas emoções de raiva, de ódio, de ira, de tristeza; ele sabe conviver com tudo isto, sabe sentir, porém, não permite que isto venha dominá-lo. “Irai-vos, mas não pequeis” (Ef 4:26). “Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos” (Salmos 4:4). “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais”(2Ts 1:4).“Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” ( Hb 12:7).

5. É sempre estar apto a crescer e aprender. "Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte da fé em Deus" (Hb 6:1).

"Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino" (1Co 13:11 ).

"O propósito é que não sejamos mais como crianças... antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo, naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef 4:14,15 ).

“Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém!” (2Pe 3:18).

Não era esta a posição dos cristãos Hebreus. Hebreus 5:12-14. Veja o que foi escrito acerca deles:

12 Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento.

13 Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino.

14 Mas o mantimento sólido é para os perfeitos [maduros], os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.

6. Dar liberdade ao Espírito Santo para que produza as características de Cristo no seu interior. A Palavra de Deus fala claramente da recompensa que o crente tem ao dar liberdade ao Espírito Santo para que produza as características de Cristo no seu interior. Em 2Pedro 1:10,11, a Bíblia nos fala da necessidade de o crente desenvolver as dimensões espirituais [Estudo da Palavra, oração, amor, união, comunhão, temor a Deus, fé, esperança, obediência aos mandamentos do Senhor] da sua nova vida em Cristo. Com este desenvolvimento vem a maturidade, a firmeza e a perseverança, que permitem ao crente viver vitoriosamente no tocante à velha e pecaminosa natureza adâmica – “ Porque fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.
 
II.  SANTO DESEJO DE CRESCER

“Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2Pe 3:18).

Não existe "maturidade instantânea". Deus não oferece uma fórmula que produza cristãos completamente amadurecidos da noite para o dia. Há crentes que ainda são meninos em Cristo (1Co 3:1), lactentes (Hb 5:12), que ainda são espiritualmente fracos, sem desenvolvimento (Rm 14:2). Tudo isto nos prova que o crescimento não é automático e exige um contínuo esforço por parte do cristão. Ao comparar a vida espiritual ao desenvolvimento de uma videira, Jesus mostrou que se trata de um processo lento, continuado e não de um toque de mágica. A formação do Fruto do Espírito não acontece num único ato, mas, é um processo formado por muitos atos “Até que todos cheguemos... a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”(Ef 4:13).

1. Estágios da maturidade cristã. A Bíblia não nos chama de família de Deus por acaso, toda a família tem gente adulta, jovem, imatura e madura, e isso também ocorre na família de Deus. Nascemos nela pela fé no Senhor Jesus Cristo.

A maturidade cristã obedece a três estágios do Progresso Espiritual do Crente, como se vê em 1João 2:12-14: “Filhinhos, escrevo-vos porque, pelo seu nome, vos são perdoados os pecados. Pais, escrevo-vos porque conhecestes aquele que é desde o principio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o principio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”.

Certamente que João ao se dirigir aos Filhinhos, aos Jovens e aos Pais, não estava se referindo à idade cronológica das pessoas; ele não diria “vos são perdoados os pecados”, caso estivesse falando às criancinhas, ou filhinhos. Filhinhos, jovens e pais representam três estágios, ou fases, do desenvolvimento espiritual do crente. Vejamos uma análise dessas três fases: “Filhinhos"; "jovens"; "pais".

a) Filhinhos - Primeira Fase, ou Estágio. Foi, por certo, uma maneira carinhosa que o Apóstolo do Amor usou para se dirigir aos crentes novos convertidos, aos recém-nascidos na fé. Também Pedro usou a expressão “meninos” para se referir aos crentes novos, dizendo: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo”(1Pe 2:2). Para estes crentes, João destaca a importância do conhecimento de Deus e a certeza do perdão dos pecados através de Jesus - “...pelo seu nome, vos são perdoados os pecados”.

O conhecimento de Deus, a certeza do perdão dos pecados é fundamental para que o novo convertido permaneça firme na fé - “E agora, filhinhos, permanecei nele...”(1João 2:28). Daí a necessidade de Classes Especiais em nossa Escola Dominical para que se possa ministrar aos crentes novos o ensino básico e essencial para levá-los ao progresso espiritual, como diz Pedro “...para que, por ele, vades crescendo”.

b) Jovens - Segunda Fase, ou Estágio do Crescimento Espiritual - “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. Os que eram “filhinhos”, agora são jovens - são chamados de “filhos”. Cresceram! Ficaram fortes! Uma das causas deste progresso espiritual é porque “a Palavra de Deus está em vós”. Começaram sendo alimentados com “leite racional”; depois receberam alimento sólido e substancial, como afirmou o escritor aos Hebreus: “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”(Hb 5:14).

O Jovem é forte, tem muito mais resistência do que o “filhinho” e os “pais”. Ele não tem a fraqueza das crianças e nem as doenças dos velhos. Um jovem sadio tem que ser forte - jovem fraco é jovem doente. O desenvolvimento da Obra de Deus está confiado aos crentes jovens. Lembrando-se que o Apóstolo João não está se referindo à idade cronológica.

Por outro lado, os crentes Hebreus, devendo ser jovens e fortes, continuavam na condição de “filhinhos” - “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido alimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra de justiça, porque é menino”(Hb 5:12-13).

Você, meu irmão, pelo tempo de crente, que já não é mais um novo convertido, já se tornou um jovem? Já alcançou o segundo estágio do Progresso Espiritual e a Palavra de Deus está em você, e não apenas com você?

c) Pais - Terceira Fase, ou Estágio do crescimento espiritual do crente - “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o principio...”(1João 2:13). Pais são aqueles que geraram filhos; que ganharam almas e que cuidam delas.  São crentes que servem de referência para os “Jovens”. Perceba que João não usou a expressão “velhos”, mas, “pais”. Pais, fala de firmeza espiritual, experiência na fé. Fala de crentes idôneos, maduros, sábios.

Se você, meu irmão, é um “Pai”, não importa o número de anos de crente, ou de vida, que você tem, sinta-se forte como Moisés; você conhece aquele “que é desde o principio”, e pode dizer como Paulo: “...porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia”(2Tm 1:12). Paulo tinha crido naquele “que é desde o principio”. Quando ele fez esta declaração ele tinha mais de trinta anos de ministério e cerca de uns sessenta e cinco anos de idade, e estava numa fétida e úmida prisão em Roma. Era um “Pai” exemplar; havia passado por todas as fases do Progresso, do Crescimento, ou do Desenvolvimento Espiritual do Crente.

2. As evidências do crescimento espiritual da igreja podem ser vistas em quatro aspectos:

a) A maturidade espiritual, ou semelhança com Cristo (4.13 - "Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Nossa meta é o crescimento espiritual. Cristo é nossa vida, nosso exemplo, nossa meta e nossa força. Devemos imitá-lo e chegar à plenitude da sua estatura. Precisamos ser um reflexo do próprio Cristo, pois ele vive em nós.

b) A estabilidade espiritual (Ef 4:14). "Para que não mais sejamos mais inconstantes como crianças, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela mentira dos homens, pela astúcia na invenção do erro". Naturalmente, devemos ser semelhantes às crianças em sua humildade e inocência (Mt 18:3; 1Co 14:20), mas não em sua ignorância nem em sua instabilidade. As crianças instáveis são como barquinhos num mar tempestuoso, inteiramente à mercê dos ventos e das ondas. O que Paulo nos ensina que um crente maduro não é jogado de um lado para o outro pelos modismos espirituais que surgem no mercado da fé. Há crentes que vivem embarcando em todas as ondas de novidades heterodoxas que assaltam a igreja e jamais se firmam na verdade. Vivem atrás de experiências e não têm discernimento para identificar os falsos ensinos. Os modismos vêm e vão. “As novidades religiosas são como goma de mascar, perdem logo o doce, e as pessoas começam a mastigar borracha e, logo, precisam de outra novidade”.

c) Seguir a verdade em amor (Ef 4:15) - "Pelo contrário, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo". A verdade sem amor é brutalidade, mas amor sem verdade é hipocrisia. Aquilo que os cristãos defendem e a maneira como o fazem deve contrastar totalmente com os homens mencionados no versículo 14. Esses homens enganam os outros em benefício próprio, ao passo que o cristão deve levar adiante a verdade a fim de trazer benefício espiritual aos outros e deve fazer isso de uma forma tão cativante como só o amor é capaz de fazer.

d) A cooperação espiritual (4:16) - "Nele o corpo inteiro, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a correta cooperação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo no amor”. É só de Cristo, como Cabeça, o corpo recebe toda sua capacidade para crescer e para desenvolver sua atividade, recebendo, assim, uma direção única para funcionar como entidade coordenada. Cada membro do corpo, não importa o quão insignificante pareça ser, tem um ministério importante a exercer para o bem do corpo. O corpo cresce, quando os membros crescem. E eles crescem quando alimentam uns aos outros com a Palavra de Deus. Crianças não podem se cuidar sozinhas. Precisamos uns dos outros. Um cristão isolado não pode ministrar aos outros nem receber ministração. A igreja de Cristo deve demonstrar amor, unidade, diversidade e maturidade sempre crescente.

III. ALGUNS ASPECTOS INTRÍNSECOS À MATURIDADE CRISTÃ

1. O cristão maduro valoriza a Palavra de Deus - “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”(2Tm 2:15). Para que o povo de Deus adquira maturidade cristã é indispensável que demos o devido valor à Palavra de Deus, Palavra que o próprio Deus engrandeceu a tal ponto de a pôr acima de Si mesmo (Sl.138:2). Sem esta atitude, de nada adiantará desenvolver “cursos teológicos”, “cursos bíblicos”, “cursos de preparação de obreiros” e tantas outras coisas que têm sido inventadas e postas em prática na atualidade.

Portanto, como filhos de Deus, não podemos afastar-nos jamais das Sagradas Escrituras. Quanto mais as estudarmos, mais íntimos seremos de seu Autor. Devemos observar que o estudo da Bíblia não é de exclusividade da liderança eclesiástica, como muitos pensam. Todos os cristãos, sejam leigos, sejam clérigos, têm obrigação de estudar a Bíblia e buscar o seu conhecimento adequando de acordo com as normas de interpretação reconhecidas.

2. O cristão maduro é humilde. Em 1Pedro 5:5-7, encontramos a advertência sobre a humildade, e ali encontramos o apóstolo Pedro dizendo: “Humilhai-vos”, isto é nossa responsabilidade. Não é algo que o Espírito Santo tem que fazer, mas é algo que nós fazemos. A responsabilidade é humana. Nós nos humilhamos, e Deus nos exalta.

Como é que podemos nos humilhar? Quando, de maneira prática, nas situações que aparecem no dia a dia, o fazemos. Quando nos choques de opiniões, sabemos ceder. Quando nos conflitos de relacionamento, tomamos para nós a responsabilidade de andarmos a segunda milha. Quando dizemos aos irmãos ou à esposa: “perdoa-me, fui eu quem errou”, ainda que cada um tenha uma parcela de culpa. Saiba que a vida cristã madura não é uma questão de ação, mas de reação.

Em João 12:1-5, Jesus tomou a toalha e cingiu-se com ela, lavando aos pés dos discípulos. Ele estava mostrando que Sua maturidade e estatura permitiam servir sem sentir-se menosprezado; pelo contrário, Ele enfrentava com fé e autoridade sua missão. A responsabilidade de humilhar, levando nossos direitos, nossas desculpas e até nossos orgulhos ou complexos diante da cruz, é nossa. Entendemos que não é Deus quem faz isto em nós, mas nós mesmos quem o fazemos. Na lista das virtudes do fruto do Espírito de Gl. 5:22, não encontramos humildade. Por quê? Porque o Espírito Santo não faz isto em nós. Humildade é fruto de nossa própria decisão.

3. O cristão maduro é apto para discernir tanto o bem como o mal – “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14).

Quem é imaturo na fé não tem sensibilidade nem discernimento espiritual para perceber o que é bom e o que é mau nesta vida, e aquilo que honra a Deus e o que o desonra. Por outro lado, o crente espiritualmente maduro é aquele que tem seus sentidos espirituais treinados para distinguir claramente entre o bem e o mal mediante a prática constante da justiça e da obediência a Deus e à sua Palavra. E, por ser capacitado pelo Espirito Santo para ver as coisas do ponto de vista de Deus, está apto a receber o alimento sólido da sua Palavra e crescer segundo a estatura completa de Cristo (Ef 4:13).

4. Maturidade cristã não é medida pela quantidade de dons espirituais ou ministeriais.  A igreja de Corinto possuía todos os dons (1Co 1:7), mas o exercício dos mesmos resultava em imaturidade e atitudes carnais (1Co 3:1-4). A desordem era tal que o próprio culto tornou-se um entrave para o progresso espiritual dos crentes. Se você fosse a uma das reuniões daquela igreja (excetuando a Ceia), com certeza gostaria do "movimento pentecostal" que lá havia. Entretanto, a espiritualidade ali retratada desfazia-se no primeiro obstáculo que o crente precisasse enfrentar. Isso é um sintoma de que não havia em Corinto uma verdadeira espiritualidade. Podemos até dizer que no confronto entre o padrão moral externado e a espiritualidade apresentada havia um verdadeiro paradoxo. O que isso significa? Puro emocionalismo! Imaturidade espiritual!

É o caráter do cristão, que chamamos de Fruto do Espírito, que identifica o genuíno cristão. O Fruto do Espírito é gerado pela ação do Espírito Santo, e se desenvolve dentro do “homem interior”; ele passa a fazer parte da personalidade do “novo homem”. Sendo gerado dentro do homem, o Fruto testifica das qualidades do homem, conforme ensinou o Senhor Jesus: “Ou fazei a árvore boa, e o fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore”(Mt 12:33).

CONCLUSÃO

Devemos nos conscientizar, pois, que a busca constante da maturidade espiritual é um desafio que está posto a todos nós que aspiramos a concretização do alvo que Jesus estabeleceu para todos nós, o Céu. O que era responsabilidade de Deus fazer, Ele efetivamente fez. Temos, então, de cumprir a nossa parte no processo, desenvolvendo-nos na fé, confiados no poder que Deus liberou-nos pela presença do Espírito Santo que em nós habita. Ainda não somos perfeitos na qualidade e proporção que o Senhor deseja. Mas, estamos a caminho, perseguindo a perfeição até que um Dia cheguemos a estatura de varões perfeitos em Cristo.

É bom ressaltar que o crescimento cristão é obtido mediante perseverança firme, corajosa, aplicando e obedecendo ao que você ouve e aprende do Espírito Santo, enfrentando os problemas sem esmaecer a fé, a esperança e o amor (pilares essências da vida cristã). Compreenda que maturidade é não fugir dos reveses; mas, confrontá-los, encará-los, atravessá-los resilientemente e sairmos mais fortes em Cristo (ler Rm 5:1-5). Amém?

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista.

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico Beacon – CPAD.

A gloriosa unidade da Igreja - Rev. Hernandes Dias Lopes.

Filipenses – A alegria triunfante no meio das provas – Rev. Hernandes Dias Lopes.

Aula 08 (CPAD)-  3º Trimestre/2013 – “A suprema aspiração do crente” – Luciano de Paula Lourenço.