domingo, 1 de fevereiro de 2026

O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

 


1º Trimestre de 2026

SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 06

Texto Base: João 1:1-5,14

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

João 1:

1.No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2.Ele estava no princípio com Deus.

3.Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. 

4.Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;

5.e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

14.E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

INTRODUÇÃO

Dando prosseguimento ao estudo cristológico acerca da Segunda Pessoa da Trindade, nessa Lição trataremos de Jesus Cristo como o Verbo eterno de Deus. À luz do prólogo do Evangelho de João (João 1:1–18), contemplaremos uma das mais profundas e sublimes revelações das Escrituras: o Filho não apenas veio de Deus, Ele é Deus, coexistente com o Pai desde toda a eternidade, da mesma essência e glória.

João inicia seu Evangelho remetendo-nos ao princípio de todas as coisas, afirmando que “no princípio era o Verbo” (João 1:1). Essa declaração estabelece que Cristo não teve origem na criação, mas é eterno, preexistente e plenamente divino. O Verbo é apresentado como o Agente da criação, por meio de quem todas as coisas foram feitas (João 1:3; Cl.1:16), e como a Fonte da vida e da luz, que dissipa as trevas do pecado e da ignorância espiritual (João 1:4,5).

Além disso, esta Lição destacará a encarnação do Verbo — o grande mistério da fé cristã: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Na encarnação, Deus se revelou de maneira plena e acessível, manifestando sua graça e sua verdade em Jesus Cristo. O Filho eterno assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus, tornando-se a revelação perfeita do Pai (João 1:18; Hb.1:1-3).

Assim, ao estudarmos o Filho como o Verbo de Deus, seremos conduzidos a uma compreensão mais profunda da identidade de Cristo, de sua obra criadora e redentora, e do propósito divino de revelar-se ao homem. Esta Lição nos convida não apenas ao conhecimento teológico, mas à adoração reverente Àquele que é a Palavra viva, eterna e salvadora.

I – O VERBO COMO DEUS ETERNO

1. O Verbo preexistente

O que era desde o princípio...” (1João 1:1a).

O Evangelho de João se inicia com uma declaração grandiosa e profundamente teológica: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1).

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) O significado de “No princípio”. A expressão “No princípio” (João 1:1a) estabelece uma conexão direta com Gênesis 1:1: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. João não está falando do início da criação, mas de um tempo anterior à criação. Isso ensina que o Verbo já existia antes de todas as coisas. Logo, o Filho não teve começo; Ele é eterno, atributo exclusivo de Deus (Sl:90; Is.57:15).

b) O Verbo como Pessoa eterna. João afirma: “No princípio, era o Verbo” (João 1:1a). O verbo “era” indica existência contínua. O Logos não passou a existir; Ele já existia. Isso confronta diretamente a ideia de que Jesus começou em Belém. Na verdade, Belém marca o início da encarnação, não da existência do Filho (João 1:14; Cl.1:17).

c) O Verbo e sua relação com o Pai. O texto prossegue: “e o Verbo estava com Deus” (João 1:1b). Aqui vemos distinção de Pessoas dentro da Trindade. O Verbo estava “com” Deus, revelando comunhão, relacionamento eterno e pessoal entre o Pai e o Filho (João 17:5; 1João 1:2).

d) O Verbo como Deus verdadeiro. João conclui de forma contundente: “e o Verbo era Deus” (João 1:1c). Essa declaração elimina qualquer dúvida quanto à divindade de Cristo. O “Logos” não é um ser criado, nem um intermediário, como pensavam os gnósticos, nem um princípio abstrato, como defendiam os gregos. Ele é plenamente Deus, da mesma essência do Pai (João 10:30; Cl.2:9).

e) O Verbo revelado em Jesus Cristo. João identifica claramente o “Logos” como Jesus Cristo: “E o Verbo se fez carne” (João 1:14). O Filho eterno entrou na história humana sem deixar de ser Deus. Ele é o Filho Unigênito do Pai (João 3:16), aquele que revela perfeitamente quem Deus é (João 1:18; Hb.1:1-3).

Enfim, o Verbo preexistente ensina que Jesus Cristo é eterno, pessoal e plenamente divino. Ele não surgiu no tempo, mas entrou no tempo para revelar Deus e realizar a redenção. Crer nessa verdade é essencial para uma fé cristã bíblica e sólida (João 20:31).

Síntese do item – “O Verbo preexistente”

O prólogo do Evangelho de João (João 1:1-18) revela que o Verbo (Logos) não teve início no tempo, mas existe desde toda a eternidade. A expressão “No princípio” (João 1:1) remete diretamente a Gênesis 1:1, ensinando que, antes da criação, o Verbo já existia. Isso afirma a eternidade do Filho, um atributo exclusivo de Deus.

João apresenta o Logos não como uma força impessoal, como pensavam os filósofos gregos, nem como um ser intermediário, como ensinavam os gnósticos, mas como uma Pessoa divina: o próprio Deus eterno que se revelou em Jesus Cristo (João 1:14; 3:16). Assim, Jesus não começou a existir em Belém; Ele é preexistente, coexistente com o Pai e agente ativo antes de todas as coisas (Cl.1:17).

Portanto, o Verbo é eterno, plenamente divino e inseparável do Pai, sendo a revelação perfeita de Deus à humanidade.

📌 Aplicação prática

1.    Confiança plena em Cristo. Saber que Jesus é eterno fortalece nossa fé, pois seguimos não um mestre passageiro, mas o Deus eterno e imutável. Podemos confiar plenamente em Suas promessas, pois Aquele que existe desde o princípio governa todas as coisas.

2.    Segurança em meio às mudanças da vida. O mundo muda, as circunstâncias oscilam, mas o Verbo eterno permanece o mesmo (Hb.13:8). Essa verdade nos traz paz e estabilidade espiritual diante das incertezas da vida.

3.    Valorização da Palavra de Deus. Se Cristo é o Verbo eterno, ouvir e obedecer à Sua Palavra é essencial para uma vida cristã saudável. Não se trata apenas de informação bíblica, mas de relacionamento com o Deus que fala e se revela.

4.    Testemunho fiel ao mundo. Em um contexto que relativiza quem é Jesus, somos chamados a confessar com convicção que Ele é Deus eterno, Salvador e Senhor. Nossa fé deve refletir essa verdade em palavras e atitudes.

👉 Em resumo: reconhecer o Verbo preexistente nos chama a viver com fé firme, obediência sincera e esperança constante naquele que é Deus desde a eternidade e que se revelou a nós em Cristo Jesus.

2. O Verbo como Pessoa distinta

O prólogo do Evangelho de João não apenas afirma a divindade do Verbo, mas também esclarece que Ele é uma Pessoa distinta do Pai, embora compartilhe da mesma essência divina. Essa verdade é fundamental para a correta compreensão da doutrina da Trindade.

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) “O Verbo estava com Deus”: comunhão pessoal e eterna. João declara: “o Verbo estava com Deus” (João 1:1b). A expressão grega “pros ton Theon” indica mais do que proximidade; comunica relacionamento pessoal, íntimo e contínuo, literalmente “face a face”. Isso revela que, desde a eternidade, o Filho mantém comunhão perfeita com o Pai. Não se trata de um atributo impessoal, mas de um relacionamento entre Pessoas divinas (João 1:2; João 17:5).

b) Distinção de Pessoas dentro da unidade divina. Ao dizer que o Verbo estava “com Deus”, João ensina que o Filho não é o próprio Pai, embora seja plenamente Deus (João 1:1c). Essa distinção pessoal não quebra a unidade divina, pois a Escritura afirma claramente que há um só Deus (Dt.6:4). Assim, a Trindade é composta por Pessoas distintas, porém inseparáveis em essência: Pai, Filho e Espírito Santo (1João 5:7).

c) Rejeição do modalismo e afirmação da Trindade bíblica. Esse texto refuta a ideia de que Deus se manifesta apenas em formas sucessivas (modalismo). O Pai não se transforma no Filho, nem o Filho no Espírito. Eles coexistem desde toda a eternidade, atuando em perfeita harmonia (João 1:2; João 14:16,17; João 17:24). O Filho sempre esteve com o Pai, participando da glória divina antes da criação do mundo (João 17:5).

d) Implicações cristológicas e doutrinárias. Reconhecer o Verbo como Pessoa distinta é essencial para compreender corretamente a obra da salvação. O Pai envia o Filho (João 3:16), o Filho se oferece em obediência ao Pai (Fp.2:6-8), e o Espírito aplica essa obra aos crentes (João 16:13,14). Sem essa distinção pessoal, o plano da redenção perderia seu sentido bíblico.

Portanto, afirmar que “o Verbo estava com Deus” é confessar que Jesus Cristo é eterno, pessoal e distinto do Pai, sem deixar de ser plenamente Deus. Essa verdade sustenta a doutrina da Trindade e nos conduz a uma fé equilibrada, bíblica e reverente diante do mistério glorioso do Deus Triúno.

Síntese do item – “O verbo como Pessoa distinta”

O ensino de que “o Verbo estava com Deus” (João 1:1b) revela que Jesus Cristo, o Verbo eterno, é uma Pessoa distinta do Pai, embora plenamente Deus. A expressão grega “pros ton Theon” indica uma relação pessoal, íntima e eterna, “face a face”, mostrando comunhão perfeita entre o Pai e o Filho desde toda a eternidade.

Essa verdade bíblica confirma a doutrina da Trindade: um único Deus em essência, existindo eternamente em três Pessoas distintas — Pai, Filho e Espírito Santo (Dt.6:4; João 1:2; 17:5; 1João 5:7). Portanto, o Filho não é uma manifestação temporária do Pai, nem uma criatura, mas uma Pessoa divina coexistente, participante da mesma glória e natureza divina.

📌 Aplicação Prática

1.    Aprofundar nossa fé trinitária. Reconhecer que o Verbo é Pessoa distinta do Pai nos livra de heresias e fortalece uma fé bíblica sólida. Servimos a um Deus que é relacional desde a eternidade.

2.    Valorizar a comunhão com Deus. Se o Pai e o Filho vivem em perfeita comunhão, somos chamados a refletir essa realidade em nosso relacionamento com Deus, por meio da oração, da Palavra e da dependência do Espírito Santo (João 17:21).

3.    Viver relacionamentos saudáveis. A Trindade é o modelo supremo de unidade na diversidade. Como filhos de Deus, devemos buscar comunhão, respeito e amor mútuo na família, na igreja e na sociedade (Ef.4:3-6).

4.    Adorar a Cristo com plena convicção. Saber que Jesus é Pessoa divina distinta e eterna nos conduz a uma adoração mais consciente, reverente e profunda, reconhecendo-O como verdadeiro Deus digno de honra e glória (João 20:28).

👉 Em resumo: compreender que o Verbo é Pessoa distinta do Pai nos chama a uma fé madura, a uma comunhão viva com Deus e a uma vida cristã que reflita a unidade e o amor do Deus Triúno.

3. O Verbo é da mesma essência do Pai.

O ensino de João ao afirmar que “o Verbo era Deus” (João 1:1c) revela, de forma clara e profunda, que o Filho compartilha plenamente da mesma essência divina do Pai.

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) “O Verbo era Deus” — a afirmação central da fé cristã. João conclui o versículo inaugural do seu Evangelho com uma das declarações mais profundas da Cristologia bíblica: “e o Verbo era Deus” (João 1:1c). Essa afirmação não deixa margem para dúvidas quanto à identidade do Verbo. João não diz apenas que o Verbo estava próximo de Deus ou que agia como Deus, mas que Ele é Deus em essência. Trata-se de uma afirmação direta e inequívoca da divindade do Filho.

b) O sentido teológico da ausência do artigo em Theós. No texto grego, a palavra Theós (Deus) aparece sem o artigo definido. Isso não indica indefinição nem inferioridade, como afirmam interpretações equivocadas e traduções heréticas. Na gramática grega, essa construção enfatiza a natureza e não a identidade pessoal. João não está dizendo que o Verbo é “um deus”, mas que o Verbo possui a mesma natureza divina. Ou seja, tudo o que Deus é em essência, o Verbo também é (João 10:30; 14:9).

c) Unidade de essência, distinção de Pessoas. João já havia afirmado que o Verbo “estava com Deus” (João 1:1b), mostrando distinção pessoal entre o Pai e o Filho. Agora, ao dizer que “o Verbo era Deus”, ele apresenta a unidade essencial entre ambos. Assim, o texto preserva o equilíbrio da doutrina da Trindade:

  • Distinção de Pessoas (Pai e Filho não são a mesma Pessoa);
  • Unidade de essência (ambos são plenamente Deus) (Dt.6:4; João 17:5).

d) O Verbo compartilha plenamente dos atributos divinos. A afirmação “o Verbo era Deus” é confirmada pelo contexto imediato do prólogo. O Verbo é eterno (João 1:2), Criador de todas as coisas (João 1:3) e fonte de vida (João 1:4). Essas obras são exclusivas de Deus (Is.44:24). Paulo reforça essa verdade ao declarar que Cristo é “a imagem do Deus invisível” (Cl.1:15) e que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl.2:9).

Portanto, afirmar que o Verbo é da mesma essência do Pai significa reconhecer que Jesus Cristo não é um ser criado, nem um deus menor, nem um intermediário entre Deus e os homens. Ele é Deus verdadeiro, consubstancial com o Pai, digno de adoração, fé e obediência (João 20:28; Hb.1:8). Negar essa verdade compromete toda a base do Evangelho e da salvação cristã.

Síntese do item – “O Verbo é da mesma essência do Pai”

O ensino de João ao afirmar que “o Verbo era Deus” (João 1:1c) revela, de forma clara e profunda, que o Filho compartilha plenamente da mesma essência divina do Pai. A ausência do artigo definido na expressão grega não diminui a divindade do Verbo, mas destaca sua natureza: Ele não é “um deus”, nem inferior ao Pai, mas verdadeiro Deus (1João 5:20). O Verbo é consubstancial com o Pai, eterno, criador e plenamente divino (João 10:30; 14:9; Cl.2:9). Assim, Jesus Cristo não é apenas semelhante a Deus, mas é Deus em sua totalidade, revelando perfeitamente quem o Pai é.

📌 Aplicação Prática

Crer que Jesus é da mesma essência do Pai fortalece nossa fé e nossa confiança na salvação. Se Cristo é plenamente Deus, então sua obra redentora é suficiente, perfeita e eterna. Na prática, isso nos chama a:

  • Adorar a Cristo com reverência, reconhecendo-o como Deus verdadeiro e digno de toda honra (Ap.5:12,13).
  • Confiar plenamente em sua Palavra, pois quem ouve o Filho ouve o próprio Deus (João 14:10).
  • Viver em segurança espiritual, sabendo que nossa fé está firmada não em um ser criado, mas no Deus eterno que salva (João 20:31).
  • Testemunhar com firmeza, em um mundo pluralista, que Jesus não é apenas um mestre ou profeta, mas o próprio Deus revelado em carne.

Reconhecer, portanto, que o Verbo é da mesma essência do Pai nos conduz a uma fé mais profunda, a uma adoração mais sincera e a uma vida cristã marcada por confiança, obediência e esperança eterna.

II – O VERBO COMO CRIADOR

1. O Agente da Criação

A Escritura afirma que a criação do universo é obra exclusiva de Deus (Gn.1:1), realizada a partir do nada (ex nihilo – Hb.11:3).

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) Deus como Criador absoluto. A Bíblia inicia revelando Deus como o Criador soberano de todas as coisas: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).

O verbo hebraico bārā” (“criou”) é usado exclusivamente para a ação divina. Ele indica criação a partir do nada (ex nihilo), sem matéria preexistente, conforme confirmado em Hebreus 11:3: “O que se vê não foi feito do que é aparente”.

Essa verdade é reafirmada em todo o Antigo Testamento (Sl.33:6; Is.45:12; Ne.9:6) e também no Novo Testamento (Atos 17:24; Rm.1:20; Ap.4:11), mostrando a unidade da revelação bíblica quanto à autoria divina da criação.

b) O Verbo como participante ativo da criação. O prólogo do Evangelho de João aprofunda essa revelação ao apresentar o Verbo (Logos) como o agente divino da criação: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Essa afirmação é absoluta e abrangente. João deixa claro que nada do que existe veio à existência sem a atuação do Verbo, o que confirma sua plena divindade, pois criar é prerrogativa exclusiva de Deus.

c) A criação como obra trinitária. Outros textos do Novo Testamento confirmam que o Filho esteve ativamente envolvido na criação:

  • Colossenses 1:16,17: “Porque nele foram criadas todas as coisas… tudo foi criado por Ele e para Ele”.
  • Hebreus 1:2: “Por quem também fez o universo”.

Esses textos não apresentam Jesus como um instrumento passivo, mas como Agente ativo e sustentador da criação. Isso reforça a doutrina trinitária: o Pai cria por meio do Filho, no poder do Espírito.

d) Implicações doutrinárias. Reconhecer o Verbo como Criador nos leva a conclusões fundamentais:

  • Jesus não é criatura, mas Criador;
  • Ele é eterno e anterior a todas as coisas (Cl.1:17);
  • Sua autoridade se estende sobre toda a criação.

Negar essa verdade é comprometer a própria fé cristã, pois a Escritura apresenta claramente o Filho como Deus verdadeiro, atuante desde o princípio.

Portanto, se Cristo é o Criador:

  • Ele é digno de adoração (Ap.5:12);
  • Nossa vida pertence a Ele (Cl.1:18);
  • Toda a criação encontra sentido e propósito em Cristo.

Assim, o Verbo que criou todas as coisas é o mesmo que sustenta, governa e conduz a história à sua consumação final.

Síntese do item – “O Agente da Criação”

A Escritura afirma que a criação do universo é obra exclusiva de Deus (Gn.1:1), realizada a partir do nada (ex nihilo – Hb.11:3). Esse ato criador, atribuído a Deus no Antigo Testamento (Sl.33:6; Is.45:12; Ne.9:6), é plenamente revelado no Novo Testamento como sendo executado por meio do Filho.

O Evangelho de João declara de forma categórica: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Assim, Jesus, o Verbo eterno, não é parte da criação, mas o Agente ativo da criação (Cl.1:16,17; Hb.1:2).

Esse ensino confirma a plena divindade do Filho, pois criar é um atributo exclusivo de Deus. Logo, o Verbo é eterno, soberano e Senhor sobre tudo o que existe.

📌 Aplicação prática

1.    Adoração consciente – Reconhecer Jesus como Criador nos leva a adorá-lo não apenas como Salvador, mas como Senhor soberano de toda a criação (Ap.4:11).

2.    Confiança na soberania de Cristo – Aquele que criou todas as coisas tem poder para sustentar nossa vida, nossa fé e nosso futuro (Cl.1:17).

3.    Responsabilidade com a criação – Se tudo foi criado por meio de Cristo, o cristão é chamado a cuidar da criação como mordomo fiel, e não como dono absoluto (Sl.24:1).

4.    Segurança espiritual – O Criador que deu origem ao universo é o mesmo que conduz a história e governa cada detalhe da vida do crente (Rm.8:28).

👉 Em resumo: crer em Jesus como o Agente da Criação fortalece nossa fé, aprofunda nossa adoração e nos ensina a viver com reverência, responsabilidade e confiança total n’Ele.

2. A Fonte da vida

“nele, estava a vida” (João 1:4a).

O apóstolo João afirma de maneira clara e profunda que “nele estava a vida” (João 1:4a); revelando que o Verbo eterno, Jesus Cristo, é a fonte absoluta de toda a vida.

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) A vida está no Verbo. O apóstolo João declara de forma direta e profunda: “nele estava a vida” (João 1:4a). O sujeito dessa afirmação é o Verbo eterno, identificado mais adiante como Jesus Cristo (João 1:14). Isso significa que a vida não é algo que Cristo recebeu posteriormente, mas algo que sempre existiu nele. A vida tem sua origem no próprio Filho, pois Ele é eterno e divino.

Essa afirmação aponta para a autossuficiência divina do Verbo. Somente Deus possui vida em si mesmo, sem depender de qualquer fonte externa (Atos 17:25). Assim, ao dizer que “nele estava a vida”, João está afirmando claramente a divindade do Filho.

b) Fonte de toda forma de vida. A vida que está no Verbo não se limita à existência biológica. Ele é a fonte:

  • da vida física (Cl.1:16,17),
  • da vida espiritual (João 10:10),
  • e da vida eterna (João 3:36; 1João 5:11,12).

Jesus não apenas concede vida; Ele é a própria vida personificada. Por isso, Ele pôde afirmar: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Fora de Cristo não há vida verdadeira, apenas existência passageira.

c) Vida em si mesmo, como o Pai. João 5:26 esclarece essa verdade de maneira ainda mais profunda: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo”.

Isso não indica inferioridade do Filho, mas igualdade de essência. O Pai e o Filho compartilham da mesma natureza divina. A vida que está no Pai está igualmente no Filho, confirmando a unidade da Trindade (João 10:30; 14:9; 17:5).

Assim, o Verbo não é um canal intermediário da vida, mas a fonte eterna e imutável da vida, atributo exclusivo de Deus.

d) Implicações cristológicas. Ao afirmar que a vida está no Verbo, João ensina que:

  • Jesus é plenamente Deus (Cl.2:9);
  • Ele tem autoridade para dar vida eterna (João 17:2);
  • Negar a divindade do Filho é negar a própria fonte da vida (1João 5:12).

Crer em Cristo não é apenas aceitar um ensinamento, mas receber a vida que só Ele pode dar.

Síntese do item – “A Fonte da vida”

O apóstolo João afirma de maneira clara e profunda que “nele estava a vida” (João 1:4a), revelando que o Verbo eterno, Jesus Cristo, é a fonte absoluta de toda a vida. Essa vida não se limita à existência física, mas inclui a vida espiritual e a vida eterna (João 3:36; 1João 5:11,12). O Verbo possui vida em si mesmo, evidenciando sua autoexistência e autossuficiência, atributos exclusivos da divindade (Atos 17:25).

Assim como o Pai tem vida em si mesmo, o Filho também a possui por natureza (João 5:26), o que confirma que ambos compartilham da mesma essência divina (João 10:30; 14:9; 17:5). Portanto, Jesus não apenas concede vida, mas é a própria Vida, sendo a origem, o sustento e o destino final de toda a criação.

📌 Aplicação Prática

Reconhecer Jesus como a fonte da vida nos chama a depender inteiramente d’Ele. Em um mundo que busca vida em bens, prazeres ou realizações humanas, o cristão é desafiado a firmar sua existência em Cristo, pois somente n’Ele há vida verdadeira e eterna (João 14:6). Essa verdade nos convida a viver em comunhão diária com o Filho, buscando n’Ele força, direção e esperança. Além disso, como Ele é a fonte da vida, somos chamados a testemunhar essa vida ao mundo, anunciando que somente em Jesus há salvação, sentido e plenitude. Viver ligados ao Verbo é viver com propósito, fé e esperança, mesmo em meio às adversidades.

3. A Luz dos homens

“...a vida era a luz dos homens; e a Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:4b,5).

Jesus Cristo, o Verbo eterno, é apresentado como a Luz dos homens (João 1:4b,5). Essa luz procede da vida que há n’Ele e revela o próprio caráter de Deus, em quem não há trevas (1João 1:5).

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) A Luz como expressão do caráter de Deus. O apóstolo João afirma que “a vida era a luz dos homens” (João 1:4b). Na Escritura, a luz é uma metáfora recorrente para expressar o caráter santo, puro e verdadeiro de Deus. O próprio apóstolo declara: “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1João 1:5). Assim, ao dizer que o Verbo é luz, João está afirmando que Jesus compartilha plenamente da natureza divina.

Jesus não apenas reflete a luz de Deus; Ele é a própria Luz, a revelação perfeita do Pai (João 1:9; 8:12). Nele, a verdade de Deus se torna acessível aos homens.

b) A Luz que ilumina a humanidade caída. Ao declarar que a vida do Verbo é “a luz dos homens” (João 1:4), João mostra que Cristo veio iluminar uma humanidade mergulhada em trevas espirituais. Essas trevas representam o pecado, a ignorância espiritual e a separação de Deus (João 3:19; Mt.4:16).

Jesus ilumina a consciência humana, revela o pecado, aponta o caminho da salvação e conduz o ser humano à vida eterna. Sem essa luz, o homem permanece perdido, incapaz de compreender plenamente a verdade de Deus (Ef.4:18).

c) A Luz que resplandece e não é vencida. João declara com firmeza: “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam [ou não prevaleceram contra ela]” (João 1:5). O verbo grego “katalambánō” pode significar “compreender”, “apoderar-se” ou “dominar”. Isso indica que as trevas jamais conseguiram apagar, dominar ou derrotar a Luz que é Cristo.

Mesmo diante da rejeição, da incredulidade e da oposição espiritual, a luz de Cristo permanece soberana. Nem o pecado, nem o mundo, nem Satanás têm poder para vencer a Luz verdadeira, que é Cristo (Rm.13:12; Cl.2:15).

d) A Luz como chamada à decisão. A presença da Luz também exige uma resposta humana. Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” (João 8:12). Aqueles que rejeitam a Luz escolhem permanecer nas trevas (João 3:19), mas os que a recebem são iluminados para viverem como filhos da luz (Ef.5:8).

Assim, a revelação do Verbo como Luz não é apenas doutrinária, mas também existencial e prática. Portanto, ao apresentar Jesus como “a Luz dos homens”, João ensina que:

  • Cristo revela plenamente quem Deus é (1João 1:5);
  • Ele ilumina a humanidade caída e perdida (João 1:9);
  • Sua luz é invencível e soberana sobre as trevas (João 1:5);
  • Essa luz chama cada pessoa a uma resposta de fé e obediência (João 8:12).

Jesus é a única Luz capaz de conduzir o ser humano das trevas do pecado para a vida eterna em Deus.

Síntese do item – “A Luz dos homens”

Jesus Cristo, o Verbo eterno, é apresentado como a Luz dos homens (João 1:4b,5). Essa luz procede da vida que há n’Ele e revela o próprio caráter de Deus, em quem não há trevas (1João 1:5). Cristo não apenas reflete a luz divina, mas é a Luz verdadeira (João 1:9; 8:12), enviada para iluminar a humanidade caída. Sua luz expõe o pecado (João 3:19), dissipa a escuridão espiritual (Mt.4:16) e oferece direção, verdade e salvação.

As “trevas” — símbolo do pecado, da incredulidade e das forças do mal — não conseguem compreender, dominar ou vencer essa Luz (João 1:5; Rm.13:12). Assim, a supremacia de Cristo é afirmada: nenhuma oposição espiritual é capaz de apagar ou derrotar a luz que procede do Filho de Deus.

📌 Aplicação prática

1.    Ande na luz. O crente é chamado a viver em coerência com a luz de Cristo, rejeitando as obras das trevas e praticando a verdade diariamente (1João 1:7; Rm.13:12).

2.    Testemunhe da luz. Assim como Cristo ilumina nossas vidas, somos desafiados a refletir essa luz no mundo por meio de palavras e atitudes que glorifiquem a Deus (Mt.5:14-16).

3.    Confie na vitória de Cristo. Mesmo diante das trevas do pecado, do sofrimento e da oposição espiritual, podemos viver com esperança, sabendo que a luz de Cristo jamais será vencida (João 16:33).

4.    Busque discernimento espiritual. Permanecer na Palavra e em comunhão com Cristo nos ajuda a discernir a verdade em meio à confusão espiritual deste mundo (Sl.119:105; João 8:12).

👉 Viver como filhos da Luz é permitir que Cristo governe nossa mente, coração e conduta, tornando visível no mundo a presença transformadora do Deus Filho.

III – O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

1. A encarnação do Verbo

A encarnação do Verbo é o ponto mais elevado da revelação divina nas Escrituras. João declara de forma solene: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (João 1:14a). Aqui encontramos o coração da fé cristã: Deus se revelou plenamente ao assumir a natureza humana, sem deixar de ser Deus.

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) O Verbo se fez carne: Deus entrou na história humana. A expressão “se fez carne” não significa que o Verbo deixou de ser Deus, mas que Ele assumiu plenamente a humanidade (Fp.2:6-8). Jesus não foi apenas semelhante aos homens; Ele tornou-se verdadeiramente homem, com corpo, emoções e limitações humanas, exceto o pecado (Hb.4:15).

Essa verdade fundamenta a doutrina da união hipostática, isto é, duas naturezas — divina e humana — em uma única Pessoa. Assim, Jesus é plenamente Deus e plenamente homem.

b) “Habitou entre nós”: a presença de Deus revelada. O verbo grego “eskenōsen” (habitou) significa literalmente “armar tenda”. João utiliza essa linguagem de forma proposital para fazer uma conexão com o Tabernáculo do Antigo Testamento (Êx.25:8,9), onde a glória de Deus habitava no meio de Israel. Agora, porém, a presença divina não está mais restrita a um lugar, mas se manifesta na Pessoa de Cristo. O corpo de Jesus torna-se o verdadeiro tabernáculo de Deus entre os homens (Cl.2:9).

c) “Vimos a sua glória”: a revelação visível de Deus. João afirma: “vimos a sua glória” (João 1:14). Essa glória não é apenas um brilho externo, mas a manifestação do caráter, da graça e da verdade de Deus reveladas na vida, nas palavras e nas obras de Jesus. Enquanto no Antigo Testamento a glória de Deus era parcial e velada, em Cristo ela se torna plena e acessível (Hb.1:1). Jesus é a revelação definitiva do Pai.

d) Emanuel: Deus conosco. A encarnação cumpre a profecia messiânica: “Emanuel, que traduzido é: Deus conosco” (Mt.1:23). Isso significa que Deus não apenas falou ao ser humano, mas veio ao encontro dele, compartilhou sua dor, seu sofrimento e sua realidade. Jesus é o Filho eterno que revela perfeitamente o Pai, pois quem vê o Filho vê o Pai (João 14:9).

e) A encarnação como ápice da revelação. Por fim, a encarnação do Verbo mostra que Jesus é a revelação suprema e final de Deus. Não precisamos buscar outra manifestação mais elevada, pois Deus falou de maneira completa em seu Filho (Hb.1:1). Em Cristo, a revelação deixou de ser apenas palavras escritas e tornou-se vida vivida diante dos homens.

👉 Em resumo, a encarnação do Verbo revela que Jesus Cristo é Deus que se fez homem para habitar entre nós. Ele é o verdadeiro Tabernáculo, a plena manifestação da glória divina e a revelação definitiva do Pai. Em Cristo, Deus se aproxima, se torna conhecido e acessível ao ser humano.

Síntese do item – “A encarnação do Verbo”

A encarnação do Verbo é o ponto culminante da revelação divina. O Filho eterno de Deus, sem deixar de ser plenamente Deus, assumiu a natureza humana e passou a habitar entre nós (João 1:14; Fp.2:6-8).

Ao “armar sua tenda” no meio da humanidade, Jesus tornou-se o verdadeiro Tabernáculo, no qual a glória de Deus foi manifestada de forma visível e acessível (Êx.25:8,9; Cl.2:9).

Como Emanuel — “Deus conosco” (Mt.1:23) —, Ele revela de maneira perfeita quem é o Pai, cumprindo definitivamente a promessa de que Deus se faria conhecido aos homens (Hb.1:1).

Assim, em Cristo, vemos a união hipostática: duas naturezas - divina e humana -, em uma única Pessoa, para nossa redenção e revelação de Deus.

📌 Aplicação prática

1.    Relacionamento vivo com Deus. A encarnação nos lembra que Deus não é distante; Ele se aproximou de nós em Cristo. Somos chamados a cultivar um relacionamento pessoal com Jesus, reconhecendo que, ao conhecê-Lo, conhecemos o Pai (João 14:9).

2.    Vida transformada pela presença de Cristo. Assim como o Verbo “habitou” entre os homens, hoje Ele deseja habitar em nós pelo Espírito. Isso nos desafia a viver de modo santo, refletindo a glória de Deus em nossas atitudes (1Co.6:19,20).

3.    Missão e testemunho. Cristo se encarnou para revelar o Pai ao mundo. Da mesma forma, somos chamados a tornar Deus visível por meio de palavras e ações, levando a luz do Evangelho às pessoas ao nosso redor (Mt.5:14-16).

4.    Esperança e consolo. Saber que Deus assumiu nossa humanidade traz conforto em meio às dores e lutas, pois temos um Salvador que conhece nossas fraquezas e caminha conosco (Hb.4:15).

👉 Em resumo: crer na encarnação do Verbo nos chama a viver uma fé prática, relacional e missionária, fundamentada na certeza de que Deus veio ao nosso encontro em Jesus Cristo.

2. A plenitude da graça e da verdade

O apóstolo João afirma que a glória revelada no Verbo encarnado é a própria glória do Pai, manifestada de forma plena em Jesus Cristo (João 1:14). Essa glória, antes percebida parcialmente na Antiga Aliança por meio da shekinah (Êx.40:34,35), agora se revela completamente na pessoa do Filho (João 2:11).

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) A glória revelada no Filho. João afirma que o Verbo encarnado revelou a “glória como do Unigênito do Pai” (João 1:14b). O termo grego “dóxa” aponta para a manifestação visível da presença de Deus. No Antigo Testamento, essa glória se expressava por meio da “shekinah” - a nuvem que enchia o Tabernáculo e o Templo (Êx.40:34,35). Contudo, essa manifestação era limitada e temporária. Em Cristo, a glória divina não está mais associada a um lugar, mas a uma Pessoa. Nele, Deus se fez plenamente conhecido, acessível e próximo (João 2:11; 17:1-5).

b) “Cheio de graça”: a revelação do favor salvador de Deus. A expressão “cheio de graça” revela que Jesus não apenas trouxe graça, mas Ele próprio é a encarnação da graça divina. A Lei, dada por Moisés, revelou a vontade de Deus, mas não tinha poder para salvar (João 1:17a; Rm.3:20). Em Cristo, a graça se manifesta como favor imerecido, redentor e transformador (Ef.2:8,9). Essa graça não é limitada, mas abundante e contínua, capaz de alcançar todos os que creem (Tt.2:11).

c) “Cheio de verdade”: a revelação plena de Deus. Cristo também é descrito como “cheio de verdade”. Ele não apenas ensina verdades sobre Deus; Ele é a própria Verdade encarnada (João 14:6). Enquanto a verdade na Antiga Aliança era revelada de forma progressiva e simbólica, em Jesus ela se torna plena e definitiva (Hb.1:1-3). Nele, conhecemos quem Deus é, como Ele age e qual é o seu plano eterno para a humanidade.

d) Graça e verdade em perfeita harmonia. É importante observar que graça e verdade não estão em oposição. Em Cristo, ambas caminham juntas. A graça não anula a verdade, e a verdade não elimina a graça. Jesus revela um Deus que é justo e santo, mas também misericordioso e salvador (Sl.85:10; Rm.3:24-26). Essa harmonia é essencial para a compreensão correta do Evangelho.

👉 Enfim, a plenitude da graça e da verdade em Cristo revela que Ele é a manifestação máxima do amor e do caráter de Deus. Tudo o que precisamos saber sobre Deus para a salvação foi plenamente revelado no Filho. Em Jesus, a glória divina deixou de ser distante e se tornou visível, acessível e salvadora.

Síntese do item – “A plenitude da graça e da verdade”

O apóstolo João afirma que a glória revelada no Verbo encarnado é a própria glória do Pai, manifestada de forma plena em Jesus Cristo (Jo.1:14). Essa glória, antes percebida parcialmente na Antiga Aliança por meio da shekinah (Êx;40:34,35), agora se revela completamente na pessoa do Filho (Jo.2:11).

A expressão “cheio de graça e de verdade” define o conteúdo dessa revelação: em contraste com a Lei, que foi dada por intermédio de Moisés (Jo.1:17), Cristo é a personificação da graça salvadora e da verdade eterna. Ele não apenas comunica verdades sobre Deus, mas é a própria Verdade (Jo.14:6). Do mesmo modo, não apenas concede graça, mas é a plenitude da graça divina, manifestada de forma contínua e suficiente para a salvação de todos (Tt.2:11). Assim, em Jesus, a revelação de Deus atinge seu ponto máximo e definitivo.

Aplicação Prática

1.    Viver na graça recebida. Reconhecer que nossa salvação e permanência em Deus não se baseiam em méritos pessoais, mas na graça plena revelada em Cristo (Ef.2:8,9).

2.    Firmar-se na verdade de Cristo. Em um mundo de relativismos, o crente deve permanecer ancorado na verdade absoluta que é Jesus (Jo.8:31,32).

3.    Refletir graça e verdade no cotidiano. Assim como Cristo manifestou graça sem abrir mão da verdade, somos chamados a viver um cristianismo equilibrado, marcado por amor, misericórdia e fidelidade à Palavra (Cl.4:6).

4.    Testemunhar a glória de Deus. A vida do cristão deve apontar para Cristo, tornando visível ao mundo a glória do Pai revelada no Filho (Mt.5:16).

👉 Em suma: conhecer a plenitude da graça e da verdade em Cristo nos conduz a uma vida transformada, segura na salvação e comprometida com um testemunho fiel do Evangelho.

3. O revelador do Deus invisível

O Verbo eterno é o único revelador pleno do Deus invisível. Embora Deus seja transcendente e inacessível ao ser humano, Ele se revelou de maneira perfeita e definitiva em Jesus Cristo. O Filho, sendo da mesma essência do Pai, tornou visível o Deus que ninguém jamais viu, revelando seu caráter, sua vontade e seu amor redentor.

Veja alguns pontos correlatos a este item:

a) A invisibilidade e transcendência de Deus. João inicia sua afirmação destacando uma verdade fundamental da teologia bíblica: “Deus nunca foi visto por alguém” (João 1:18a). Essa declaração está em plena harmonia com o Antigo Testamento, que ensina que Deus, em sua essência, é invisível e inacessível ao ser humano caído. Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, ouviu: “Homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33:20). O apóstolo Paulo reforça essa verdade ao declarar que Deus “habita em luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1Timóteo 6:16). Assim, por si mesmo, o ser humano não pode alcançar o pleno conhecimento de Deus.

b) O Filho unigênito como revelação perfeita. Diante dessa limitação humana, João apresenta a solução divina: O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (João 1:18b). A expressão “no seio do Pai” indica intimidade eterna, comunhão perfeita e relacionamento exclusivo. O Filho não apenas conhece o Pai; Ele vive em eterna comunhão com Ele (João 1:1; 17:5). Por isso, somente o Filho tem autoridade plena para revelar Deus de maneira verdadeira e definitiva.

c) O significado de “Deus unigênito”. A expressão grega “monogenēs Theós” (Deus unigênito) é de grande profundidade cristológica. Ela não sugere que o Filho foi criado, mas afirma sua singularidade e eternidade. O termo “monogenēs” aponta para alguém único em natureza e essência. Assim, João declara que Cristo é o Filho que compartilha da mesma substância divina do Pai (gr. homoousios), reafirmando sua plena divindade (João 10:30; Col.2:9). Essa afirmação confronta qualquer visão que tente reduzir Jesus a uma criatura ou ser inferior.

d) Cristo como a autorrevelação final do Pai. Ao afirmar que o Filho “o fez conhecer”, João ensina que Jesus é a revelação completa, final e suficiente de Deus. Essa verdade é confirmada pelo próprio Cristo quando declara: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). O autor de Hebreus reforça esse ensino ao afirmar que Deus, que antes falou de muitas maneiras, agora falou “pelo Filho”, que é “o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa” (Hebreus 1:1-3). Em Jesus, Deus se dá a conhecer de forma clara, pessoal e acessível.

Síntese do item – “O Revelador do Deus Invisível”

João conclui o prólogo do seu Evangelho afirmando que Deus, em sua essência, é invisível e inacessível ao ser humano (Êx.33:20; 1Tm.6:16). Nenhum homem, por si mesmo, pode contemplar plenamente o Pai. Contudo, essa limitação foi superada na pessoa de Jesus Cristo.

O apóstolo apresenta o Filho unigênito como aquele que está eternamente “no seio do Pai”, expressão que comunica intimidade, comunhão profunda e relacionamento eterno. O termo grego “monogenēs theós” (“Deus unigênito”) enfatiza que Cristo não é uma criatura, mas Deus verdadeiro, da mesma essência do Pai (homoousios), eterno e plenamente divino.

Assim, Jesus é a revelação perfeita e definitiva de Deus. Tudo o que pode ser conhecido sobre o Pai foi manifestado no Filho. Por isso, o próprio Cristo afirma: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9). Nele, o Deus invisível se torna conhecido, acessível e relacional. Não há outra revelação mais alta, completa ou suficiente além de Cristo (Hb.1:1-3).

📌 Aplicação Prática

Esse ensino nos chama a buscar o verdadeiro conhecimento de Deus exclusivamente em Cristo. Não conhecemos a Deus por especulações humanas, filosofias ou tradições isoladas, mas pela pessoa e obra de Jesus. Quanto mais conhecemos a Cristo por meio das Escrituras, mais profundamente conhecemos o Pai. Assim, somos desafiados a viver uma fé cristocêntrica, refletindo em nossa vida diária o caráter daquele que revelou perfeitamente o Deus invisível.

👉 Em resumo: Cristo é a ponte perfeita entre o Deus invisível e a humanidade. Conhecê-lo é conhecer a Deus; segui-lo é andar na luz da revelação divina.

CONCLUSÃO

Nesta Lição, vimos que o prólogo do Evangelho de João apresenta uma das mais elevadas e profundas revelações cristológicas das Escrituras: Jesus Cristo é o Verbo eterno de Deus. Ele não é uma criatura nem um mero mensageiro divino, mas o próprio Deus, da mesma essência do Pai, coexistente desde toda a eternidade e plenamente participante da Trindade.

O Verbo é Deus eterno, distinto do Pai em Pessoa, mas inseparável em essência. Ele é também o Agente da criação, por meio de quem todas as coisas vieram à existência, revelando que o universo não é fruto do acaso, mas da vontade soberana de Deus. Nele está a vida, fonte de toda existência física e espiritual, e essa vida se manifesta como luz para os homens, luz que dissipa as trevas do pecado, da ignorância espiritual e da morte.

Além disso, vimos que o Verbo se fez carne. Na encarnação, Deus se aproximou da humanidade de forma plena e definitiva. Em Cristo, a glória divina tornou-se visível, não mais restrita ao tabernáculo ou ao templo, mas revelada em uma Pessoa viva. Ele é a plenitude da graça e da verdade, superior à antiga revelação da Lei, trazendo salvação, reconciliação e conhecimento pleno de Deus.

Por fim, aprendemos que Jesus é o revelador do Deus invisível. Aquilo que ninguém jamais pôde ver em sua totalidade, o Filho unigênito revelou perfeitamente. Ver Cristo é conhecer o Pai; ouvir Cristo é ouvir o próprio Deus; receber Cristo é receber a vida eterna.

Assim, esta lição nos conduz a uma convicção central da fé cristã: crer em Jesus é crer no próprio Deus revelado, e rejeitá-lo é permanecer nas trevas. Que esta verdade fortaleça nossa fé, aprofunde nossa adoração e nos leve a proclamar com convicção que o Verbo eterno se fez carne para nos revelar o Pai e nos conceder a vida eterna.

 

Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível em: https://luloure.blogspot.com/

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. CPAD.

Dicionário VINE.CPAD.

O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Mateus. HAGNOS.

Rev. Hernandes Dias Lopes. João. HAGNOS.

Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.

Louis Berkhof. Teologia Sistemática.

Stanley Horton. Teologia Sistemática: uma perspectiva Pentecostal. CPAD.