segunda-feira, 10 de março de 2014

Aula 11 – DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO


1º Trimestre/2014

 
Texto Base: Êxodo 28:1-11

 
“ E para o nosso Deus os fizestes reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap 5:10)

 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade a nossa “Jornada de Fé” rumo à Terra Prometida, trataremos nesta Aula acerca da escolha de Arão e seus filhos para o sacerdócio. Israel ainda está no Sinai. Já foi reconhecida como nação eleita, ao entrar em um relacionamento de aliança com Deus (Êx 19:3-8). Já recebeu o Decálogo, como estatutos perpétuos a serem obedecidos (Êx 20:6; 24:12). O Tabernáculo já foi definido (Êx 25:8) como o lugar de adoração ao único Deus verdadeiro. Agora, Deus estabelece e define o sacerdócio, no qual a pessoa vocacionada teria a responsabilidade de ensinar ao povo o caminho da verdadeira adoração.

Deus separou a tribo de Levi para o serviço no Tabernáculo e para o santo ministério sacerdotal. Originalmente, Deus nomeou a Arão e seus filhos para constituírem o sacerdócio. Os levitas, que não eram sacerdotes, eram os ajudantes destes; eles assistiam os sacerdotes em seus deveres, transportavam o Tabernáculo e cuidavam dele. O capítulo 28 de Êxodo, bem como o Livro de Levítico, trata acerca disso.

A vocação sacerdotal seria hereditária, de modo que os sacerdotes podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos, a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus.

I. O SACERDÓCIO (Êx 28:1-5)

O ministério sacerdotal surgiu como uma necessidade para que houvesse o devido relacionamento entre Deus e os homens, ante a entrada do pecado no mundo.

1. O sacerdote. Deus ordenou a Moisés que separasse a Arão e seus filhos para este tão grande e sublime mister. Essa escolha divina foi confirmada mediante a unção, que seguiu um rito todo especial, determinado pelo próprio Deus (cf Lv cap. 8). O sacerdote era um mediador que ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas. Eles só podiam vir da tribo de Levi.  No entanto, o simples fato de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote.

Para atuar como sacerdote, era necessário o chamado de Deus -  "Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão" (Hb 5:4).  Então, ser sacerdote era uma honra especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por Deus. Os demais levitas, embora desempenhassem trabalhos importantes na vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes. Os sacerdotes da ordem levítica eram consagrados ou separados por Deus para esse trabalho especial (Êx 28:1-4). Isso significa que eram santos, não devendo ser consideradas pessoas comuns.

Além disso, para que alguém fosse sacerdote, essa pessoa precisava não só ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (veja Levítico 21). Ainda que uma pessoa preenchesse alguns dos outros requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar como sacerdote. Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema do Antigo Testamento eram especiais, santos e sem deficiências. Isso apontava para o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo (Hb 6:20), que é perfeito e seu sacrifício por nós foi único, completo e aceito pelo Pai.

1.1) Os sacerdotes viviam sob leis especiais.

a) Não podiam se casar nem com viúva, nem com repudiada; casavam-se com virgens da linhagem da casa de Israel, ou viúva que fosse viúva de sacerdote (Ez 44:22).

b) Não podiam contaminar-se pelos mortos, exceto pelos parentes mais próximos (Lv 21:1-6).

c) Não podiam beber vinho, enquanto estivessem servindo no tabernáculo (Lv 10:9; Ez 44:21).

d) Não podiam contaminar-se, comendo o que tinha morrido por si mesmo (Lv 22:8).

e) Enquanto estivessem imundos, não podiam realizar qualquer serviço (Lv 22:1.2; Nm 19:6.7).

f) Enquanto estivessem imundos, não podiam comer das coisas santas (Lv 22:3-7).

g) Nenhum hóspede ou servo contratado podia comer de sua porção (Lv 22:10).

i) Seus filhos, casados com estranhos, não podiam comer sua porção (Lv 22:12).

j) As pessoas que ignorantemente comessem de suas coisas santas, tinham de fazer restituição (Lv 22:14-16).

k) Eram castigados aqueles que invadissem seu oficio (Nm 16:1-35; 10:7; 2Cr 26:16-21).

1.2) As deficiências (veja Hebreus 8:7-8).

a) Os próprios sacerdotes eram pecadores. O sumo sacerdote tinha de oferecer, no dia da expiação, quando entrava no lugar santíssimo, em primeiro lugar, um sacrifício por si mesmo (Lv 16:11), prova de que o sumo sacerdote era um ser humano e, como tal, dotado de natureza pecaminosa, dependendo, assim, do perdão divino. O primeiro ato da consagração dos sacerdotes era a lavagem com água (Lv.8:6), ato de purificação e que, portanto, é outra maneira de se dizer que o sumo sacerdote era homem como qualquer outro, dependente da purificação dos seus pecados. Veja Lv 10:1,2; 9:7,8; Hb 8:3; 9:6,7.

b) Ofereciam sacrifícios contínuos. Os sacrifícios tinham de ser oferecidos repetidas vezes - "Faz-se recordação de pecados todos os anos" (Hb 10:3). Ficamos perplexos quando lemos o Antigo Testamento com detença e vemos os vários sacrifícios que tinham de ser oferecidos pelos sacerdotes a favor de cada israelita, e a frequência com que tinham de ser oferecidos. Veja Êx 29:38,41,42; 30:10; Nm 28:1-3.

c) os sacrifícios que ofereciam pelo povo não podiam eliminar o pecado (Hb 10:1-4; 9:9,10). O efeito da expiação era temporário - "Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados"(Hb 10:4).  Debaixo do sistema transitório da lei, Deus aceitava sacrifícios de animais como substituto do único sacrifício que poderia realmente eliminar o pecado: o sacrifício do “Cordeiro de Deus”, que não tinha pecado.

2. O ministério dos sacerdotes. O ministério sacerdotal era, essencialmente, de intercessão. O sacerdote era um mediador entre o povo e Deus, e não apenas no que diz respeito ao oferecimento de sacrifícios para expiação das culpas do povo, mas também no sentido mais comum, de orar em favor do povo.

Destacamos várias outras funções:

a) Tomar conta do tabernáculo (Nm 18:1,5.7).

b) Cobrir os objetos sagrados do santuário antes de sua remoção (Nm 4:5-15).

c) Oferecimento de sacrifício (Lv 1 a 6; 2Cr 29:34; 35:11).

d) Acender e conservar em ordem as lâmpadas do santuário (Êx 27:20,21; Lv 24:3,4).

e) Conservar sempre aceso, o fogo do altar (Lv 6:12,13).

f) Queimar o incenso (Êx 30:7,8; Lc 1:9).

g) Colocar e remover os pães da proposição (Lv 24:5-9)

h) Oferecer os primeiros frutos (Lv 23:10,11; Dt 26:3,4).

i) Abençoar o povo (Nm 6:23-27).

j) Purificar os imundos (Lv 15:30,31).

k) Decidir os casos de ciúme (Nm 5:14,15).

l) Decidir os casos de lepra (Lv 13:2-59).

m) Julgar os casos de controvérsia (Dt 17:9-13; 21:5).

n) Ensinar a lei (Dt 33:10; Ml 2:7).

o) Tocar as trombetas em várias ocasiões (Nm 10:1-10; Is 6:3.4).

p) Transportar a Arca (Js 3:6,17; 6:12).

q) Encorajar o povo, ao irem à guerra (Dt 20:1-4).

Na época de Davi, os sacerdotes foram divididos em 24 turnos, para ordenar melhor o serviço de cada um no Santuário (1Cr 24); e os levitas passaram a exercer trabalhos ainda mais especializados, como os de cantores e músicos (1Cr 25), porteiros (1Cr 26:1-19), guardas dos tesouros e zeladores do Templo (1Cr 26:20-28), oficiais e juízes (1Cr 26:29-32).

A Bíblia diz que originalmente Deus desejava tornar a nação de Israel, como um todo, em um reino sacerdotal (cf. Êx 19:5,6), entretanto, devido ao comportamento da nação, Ele escolheu a família de Arão como linhagem sacerdotal. O sacerdote universal envolvendo todo o povo de Israel terá o seu cumprimento no reino milenial de Cristo, conforme Isaías 61:6 – “Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus”.

3. O Sumo Sacerdote. Era o sacerdote mais importante. Arão foi o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28:1-3), cuja função era, primordialmente, a de interceder a Deus por todo o povo, notadamente no dia da expiação (Lv 16; 23:26-32), quando ingressava no lugar santíssimo e ali, depois de ter feito sacrifício antes por si mesmo, oferecia um sacrifício em nome de todo o povo, ocasião em que Deus aplacava a sua ira e diferia, por mais um ano, a punição pelos pecados cometidos. Era responsabilidade do sumo sacerdote aspergir sangue sobre o propiciatório - como era chamada a tampa de ouro da arca do concerto -, que ficava dentro do lugar santíssimo, e este sangue trazia favor ao povo de Israel, pois, por causa deste sangue, o pecado do povo era coberto e Deus se mostrava favorável, não castigando o povo pelo pecado cometido.

O sumo sacerdócio era um cargo hereditário (Ex 28:43), dado ao primogênito do vigente sumo sacerdote, com exceção dos casos de enfermidade ou mutilação previstos pela Lei (Nm 3:1-13; Lv 21:16-23). No caso da família de Arão, como o primogênito Nadabe e seu irmão Abiú foram mortos por levarem fogo estranho diante de Deus, Eleazar sucedeu o sumo sacerdócio (Nm 20:25,26).

Somente o Sumo Sacerdote usava o peitoral com os nomes das doze tribos de Israel e atuava como mediador entre toda a nação e Deus. Somente ele tinha o direito de consultar ao Senhor mediante Urim e Tumim. Embora o sacerdote em alguns aspectos prefigure o cristão, o sumo sacerdote simbolizava Jesus Cristo (ver 1Pe 2:5,9; Hb 2:17; 4:14).

Restrições: Por ser tão honrosa e de muita responsabilidade, o sumo sacerdote era cercado de uma série de restrições, muito superiores a todo e qualquer outro israelita. Assim, por exemplo, não podia descobrir a sua cabeça, nem tampouco rasgar os seus vestidos (Lv 21:10), como também não poderia se chegar a qualquer cadáver, nem mesmo de seus pais (Lv 21:11), tendo de casar com mulher virgem, sendo-lhe vedado casar com mulher repudiada ou, mesmo, viúva (Lv 21:13,14).

4. Jesus Cristo é o nosso perfeito Sacerdote. Os sacerdotes de Israel eram apenas sombras do nosso grande Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Algumas passagens nos dão uma compreensão da perfeição encontrada no caráter sacerdotal de Cristo:

a) Cristo como Sacerdote foi designado e escolhido por Deus - "Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei"(Hb 5:5).

b) Ele não tem pecado - “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus”(Hb 7:26).

c) O Seu sacerdócio é inalterável - "E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo"(Hb 7:23-24).

d) O Seu oferecimento é perfeito e definitivo - “Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação"(Hb 9:25-28).

e) Ele Intercede continuamente - “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles"(Hb 7:24-25).

f) Ele é o único Mediador - "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1Tm 2:5).

II. A INDUMENTÁRIA DO SACERDOTE

1. As vestes do Sacerdote. Os sacerdotes, quando estivessem ocupados com as funções sacerdotais deviam usar “vestes santas” (Êx 28:3). Essas vestes eram feitas do melhor linho fino, que era um símbolo de pureza. Os materiais para fazer as vestes sacerdotais eram os mesmos das cortinas e do véu do Tabernáculo (Êx 26:1,31,32;28:5,6). Eram obras primorosas para que os sacerdotes estivessem vestidos com dignidade e formosura. Eles não poderiam apresentar-se diante do Senhor de qualquer maneira. Havia quatro vestes prescritas por Deus aos sacerdotes:

- Os calções de linho, que serviam para cobrir as partes íntimas e as coxas do sacerdote (Êx 28:42).

- O manto ou túnica de linho fino e branco (Êx 28:39,40). Isto lhe recordava seu dever de viver uma vida pura e santa. Também, apontava para a pureza, perfeição e justiça de Cristo.

- O cinturão de linho, com bordado e usado para prender as roupas (Êx 28:39,40).

- A tiras para a cabeça, isto é, para o turbante ou mitra (Êx 28:37,40).

2. As vestes do Sumo Sacerdote. Além das quatro peças básicas anteriormente citadas, havia outras quatro que eram usadas apenas pelo sumo sacerdote. As vestimentas manifestavam a dignidade da mediação sacerdotal e lembrava ao intercessor que ele deveria se comportar com o devido decoro, bem como levava o povo a se comportar em santa reverência diante de Deus.

a) O Manto azul (Êx 28:31-35). Esta peça era usada sobre a túnica branca. Ela se estendia do pescoço até abaixo dos joelhos. As orlas do Manto eram adornadas com campainhas de ouro e romãs azuis que se alternavam. Como a romã tem muitas sementes, é considerada símbolo de uma vida frutífera. As campainhas de ouro anunciavam os movimentos do sumo sacerdote à congregação fora do Tabernáculo no Dia da Expiação. Desse modo, sabiam que ele não havia morrido ao entrar no lugar santíssimo, mas que sua mediação havia sido aceita. Alguns estudiosos da Bíblia têm visto igualmente aí uma verdade espiritual para o cristão; segundo eles, as campainhas podem representear o testemunho verbal, e as romãs, o fruto do Espírito. Ambos andam juntos e devem ser de igual importância para o cristão.

b) O Éfodo ( Êx 28:6-14). Ele consistia em um colete com as partes da frente e de trás unidas por tiras sobre cada ombro e por um cinturão à altura da cintura. Era feito de linho nas cores ouro, azul, púrpura e escarlate. Nas tiras sobre os ombros, havia duas pedras sardônicas, uma de cada lado, trazendo o nome das doze tribos de Israel – seis nomes em uma pedra e os outros seus nomes na outra (Êx 28:9,10). O texto bíblico diz que a ordem dos nomes era “segundo as suas gerações” (Êx 28:10), o que significa dizer que a disposição dos nomes nas pedras obedecia à ordem de nascimento dos doze filhos de Israel que davam nome às tribos. O fato de o sumo sacerdote levar o nome das doze tribos nos ombros tinha um significado claro: ele, como intercessor entre o povo e Deus, levava em seus ombros todo o povo de Israel. O propósito divino era que, cada vez que o sumo sacerdote vestisse o éfode, se lembrasse disso (Êx 28:12).

c) O peitoral do juízo (Êx 28:15-30). Esta peça era colocada sobre o éfode, na frente. Era uma bolsa quadrada de aproximadamente vinte centímetros. Era a parte mais magnífica e mística das vestes sacerdotais. Tinha na frente doze pedras de diferentes tipos e cores; cada pedra preciosa tinha o nome de uma das tribos de Israel (Ex 28:21). O significado aqui é claro: no éfode, o sumo sacerdote levava os nome das tribos de Israel sobre os ombros, a parte do corpo que representa a força e; no peitoral, sobre seu coração, o órgão representativo da reflexão e do amor. Ele não somente representava Israel diante de Deus, mas também intercedia em favor da nação. A verdadeira intercessão brota do coração e se realiza com todo o vigor. Ele é, sobretudo, uma imagem de nosso grande Intercessor no Céu, em cujas mãos estão gravados nossos nomes (Is 49:16).

Urim e Tumim. O sumo sacerdote usava dentro do peitoral o Urim e o Tumim, que significavam “luzes e perfeições”. Eram empregados para consultar ao Senhor. Segundo se crê, era duas pedrinhas, uma indicando resposta negativa e a outra, resposta positiva. Não se sabe como eram usadas, mas é provável que, em situações difíceis, fossem retiradas de algum lugar ou lançadas ao acaso, ao fazer-se uma consulta propondo uma alternativa: “farei isto ou aquilo?” e, segundo saísse Urim ou Tumim, interpretava-se a resposta, segundo a vontade de Deus (Êx 29:10; Nm 16:40; 27:21; Ed 2:63; 1Sm 14:36-42; 2Sm 5:19).

d) Lâmina de ouro à sua testa (Êx 28:36-38). Esta peça era usada na frente da mitra sacerdotal, isto, do turbante (Êx 28:37) com as seguintes palavras gravas sobre ela: “Santidade ao Senhor” (Êx 28:36). Isto proclamava que a santidade é a essência da natureza de Deus e indispensável a todo o verdadeiro culto prestado a Ele. O sumo sacerdote era a personificação de Israel e sempre era seu dever trazer à memória do povo a santidade de Deus.

Ao povo da Nova Aliança é exigido santidade, quando nos apresentamos ao Senhor para prestar-lhe culto. Como nós somos templos do Espirito Santo (1Co 6:19), logo a santidade deve ser buscada constantemente. Está escrito: “Sede santos em toda a vossa maneira de viver”(1Pe 1:15).

Assim como as vestes sujas do sumo sacerdote Josué, na visão do profeta Zacarias, representavam a sua iniquidade (Zc 3:3,4), as vestes santas dos sumo sacerdotes representavam a pureza e a perfeição de Cristo como o nosso Sumo Sacerdote definitivo e por excelência (Hb 7:26).

Silas Daniel citando Matthew Henry diz que “o nosso adorno agora, sob o evangelho, tanto o dos ministros quanto o de todos os cristãos, não deve ser de ouro ou pérolas, nem custoso, mas deve ser composto das vestes da salvação e do manto da justiça” (Is 61:10; Sl 132:9,16).

III. MINISTROS DE CRISTO PARA A IGREJA

A Igreja é chamada “reino sacerdotal” (1Pe 2:9), cujo único Sumo Sacerdote  é o Senhor Jesus. Ele ofereceu o sacrifício de Si mesmo, e entrou no santuário celestial, apresentando-se diante do Pai (Hb 2:17; 4:15).

Assim como os sacerdotes do Antigo Testamento, os ministros de Cristo precisam ser consagrados ao Senhor, ser purificados de toda culpa, ungidos com o Espirito Santo, afim de que o culto tenha a qualidade desejada pelo Senhor, sendo, assim, aceitável diante dEle. Além disso, a vida do ministro deve ser coerente com o culto ou serviço que prestam a Deus.

O sacerdote do Antigo Testamento não podia se contaminar, pois era consagrado a Deus. Suas magnificas vestes representavam uma vida caracterizada pela beleza do testemunho, por valores espirituais e pureza moral. As roupas, em muitos textos bíblicos, simbolizam um modo de agir, um estilo de vida (Ap 19:8). Se todos os cristãos devem estar à altura das exigências de Deus para os sacerdotes, o que dizer dos ministros Eclesiastes?

O sacerdote não era perfeito, mas devia estar sempre disposto a reconhecer seus pecados, abandoná-los e oferecer o sacrifício correspondente. Jesus já ofereceu o sacrifico definitivo. O que precisamos, então, é de uma apropriação pela fé dos méritos do Calvário, que nos limpam e nos colocam em condições de entrarmos no santuário de Deus.

É válido ressaltar que o ministro do Senhor Jesus nos dias de hoje também deve observar o chamado divino para a sua vida, a santificação e a unção de Deus para exercer o seu ministério, o principio da submissão no seu dia a dia e a necessidade de exercer o seu ministério conforme a vontade de Deus (cf 1Tm 3:1-7; 6:11,12; Tt 1:7-9; 1Pe 5:1-4). Ainda, o ministro deve se lembrar de que sua função no reino de Cristo não é simplesmente um cargo ou uma forma de se alcançar status seja ele qual for. Pense nisso!

CONCLUSÃO

O sacerdócio de Arão apontava para Cristo, o único mediador entre Deus e os homens e que intercede diante do Pai por nós (1Tm 2:5). No Novo Testamento, não há mais linhagens de sumo sacerdotes, porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo, que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios (Hb 7:1-8). Todos os cristãos são sacerdotes diante de Deus (1Pe 2:5,9; Ap 1:5,6; 5:9,10).  Portanto, todo o povo de Deus da Nova Aliança pode se apresentar diretamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10:19-23; 13:15). Por isso, devemos ter uma vida exemplar, quer em atitudes quer em palavras.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 57 – CPAD.

Eugene H. Merrill – História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.

Paul Hoff – O Pentateuco. Ed. Vida.

Leo G. Cox -  O Livro de Êxodo - Comentário  Bíblico Beacon. CPAD.

Victor P. Hamilton - Manual do Pentateuco. CPAD.

Silas Daniel – Uma jornada de Fé (Moisés, o Êxodo e o Caminho à Terra Prometida). CPAD.

Um comentário:

  1. A paz do Senhor , seus comentários sobre as lições tem me ajudado muito.

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