domingo, 8 de dezembro de 2019

Aula 11 - AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO E DAVI – Subsídio


4º Trimestre/2019
Texto Base: 2Samuel 12:1-15
15/12/2019
 “Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher” (2Sm.12:10).

2 Samuel 12:
1-E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, entrando ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre.
2-O rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas;
3-mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela havia crescido com ele e com seus filhos igualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.
4-E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para guisar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre e a preparou para o homem que viera a ele.
5-Então, o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso.
6-E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.
7-Então, disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul;
8-e te dei a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teu seio e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas.
9-Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom.
10-Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher.
11-Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.
12-Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.
13-Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR traspassou o teu pecado; não morrerás.
14-Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.
15-Então, Natã foi para sua casa. E o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi; e a criança adoeceu gravemente.

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula das consequências do pecado de Davi; é uma sequência da Aula anterior, em que estudamos sobre o "pecado do homem segundo o coração de Deus". O pecado é uma violação à lei de Deus. Sua consequência imediata na vida da pessoa que o pratica é culpa, bem como o castigo quanto a consequência direta do ato iníquo. Davi, após pecar, ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2Sm.12:10-14). O julgamento atingiu não somente sua vida pessoal, mas também toda a sua existência, incluindo o reino e a família dele. Embora Davi tenha se arrependido dos seus pecados e recebido o perdão da parte de Deus, as consequências disso não foram eliminadas. Deus não deixou passar, nem desculpou os pecados de Davi, sob pretexto de ele ser um mero ser humano e ungido, que seus pecados eram simples fraquezas ou falhas humanas, ou que ele, como rei, teria o direito natural de recorrer à injustiça e à crueldade. Davi não podia jamais fazer o que fez.
Semelhantemente, um crente da Nova Aliança que venha a cometer pecados terríveis, pode receber, através do arrependimento sincero, a graça e o perdão da parte de Deus. Mas, a restauração do nosso relacionamento com Deus não significa que escaparemos do castigo temporal, nem que ficaremos isentos das consequências dos pecados específicos. Deus não tolera o pecado de quem quer que seja. Contudo, devemos nos conscientizar de que o sacrifício de Cristo foi perfeito e eficaz, e que o Seu sangue nos purifica de todo pecado (1João 1:7).

I. O CONCEITO DE PECADO NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO

Talvez a melhor definição do pecado seja encontrada em 1João 3:4: “O pecado é iniquidade” – “Qualquer que comete o pecado também comete iniquidade, porque o pecado é iniquidade”. Iniquidade é aquilo que é iníquo, ato contrário à justiça, à equidade; é ato perverso; maldade.
No Antigo Testamento e no Novo Testamento, pecado sugere a ideia de “errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”, como o arqueiro que atira suas flechas e erra o alvo. O ser humano não foi criado para o pecado e, se pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Lv.16:21; Sl.1:1; 51:4; 103:10; Is.1:18; Dn.9:16; Os.12:8; Rm.5:12; Hb.3:13).
“Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb.3:13).
A abrangência do conceito do pecado pode ser observada pelo texto de 1Co.10:31, que diz:
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.
O que se nota neste texto é que mesmo as atividades mais simples, como comer e beber, podem ser maculadas pela presença de motivos ou propósitos distintos ao padrão estabelecido no referido versículo. Ou seja, qualquer atividade que não tenha como motivo primeiro a Glória de Deus, é pecado. Assim, o pecado pode ser observado como a incapacidade de viver em conformidade com o que Deus espera de nós no que diz respeito a ato, natureza e a culpa.
Poderíamos, ainda, dizer que o pecado é um ato livre e voluntário do homem, porque ele é um ser moral, dotado da capacidade de perceber o certo e o errado. O homem é um agente moral livre para decidir o que fazer da sua vida (Ec.11:9).
 “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e alegre-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo”.
O pecado é, de fato, uma ativa oposição a Deus, uma transgressão das suas leis, que o homem, por escolha própria, resolveu fazer (Gn.3:1-6; Is.48:8; Rm.1:18-22; 1João 3:4).
Rm.1:18-22.
“18.Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;
19.porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
20.Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
21.porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
22.Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”
O pecado não é apenas aquilo que se pratica erradamente, mas é algo entranhado na natureza pecaminosa adquirida da raça humana. É um estado pecaminoso que desenvolve hábitos pecaminosos os quais se manifestam na vida cotidiana. Todas aquelas tendências e propensões pecaminosas típicas da natureza corrompida de cada um de nós demonstram o estado pecaminoso do ser humano. A Bíblia denomina “carne” a este estado que pode ser controlado por uma vida regenerada (2Co.5:17).
Embora, ao crermos em Jesus, estejamos, de pronto, livres do poder do pecado, pois Jesus nos libertou (Jo.8:36), bem como adquirimos uma nova natureza, pois nascemos de novo (Jo.3:5), o fato é que não nos livramos, de imediato, do “corpo do pecado”, ou seja, embora nasçamos de novo, este “corpo da morte” (Rm.7:24) ainda continua convivendo com o ser humano, pois ainda ele não alcançou a glorificação, que é o instante em que ingressaremos na dimensão celestial, onde estaremos livres da presença do pecado para sempre, pois no Céu não entra pecado. O Crente que foi liberto da condenação do pecado, na justificação; do poder do pecado, na santificação; em breve, estará livre da presença do pecado, na glorificação.
Indiscutivelmente, o pecado trouxe graves consequências ao universo, especialmente à vida na terra. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade do pecado. No Antigo Testamento, temos alguns exemplos, tais como: “não há homem que não peque” (1Rs.8:46); e “porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Sl.143:2).
No Novo Testamento, Paulo, na Carta aos Romanos, disse: “Não há um justo, nenhum sequer; não há quem faça o bem, nenhum sequer” (Rm.3:10-12); “Pois todos pecaram e carecem da gloria de Deus” (Rm.3:10-12). O apóstolo João afirma: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1João 1:8).
A punição final do pecado é a morte eterna, ou seja, o juízo contra o pecado (Hb.9:27). A morte eterna é a culminância e complementação da morte espiritual; diz respeito à repugnância da santidade divina que requer justiça contra o pecado e contra o pecador impenitente; significa a retribuição positiva de um Deus pessoal, tanto sobre o corpo como sobre a sua alma e espírito (Mt.10:28; 2Ts.1:9; Hb.10:31; Ap.14:11).
A questão do pecado encontra resposta e solução quando encontramos na Bíblia a declaração de Paulo de que Deus propôs Jesus Cristo como a propiciação pelo seu sangue, para receber toda a carga da ira de Deus contra o pecado (Rm.3:25). Significa que a cruz foi a forma pela qual Deus castiga o pecado. O próprio Deus, perfeito em justiça, tornou possível a expiação dos pecados por Aquele que se fez nosso justificador completo – Jesus (Rm.3:26).
A Salvação é encontrada quando entregamos a nossa vida por inteiro ao Senhor Jesus, reconhecendo, arrependidos, os nossos pecados, e também reconhecendo o sacrifício de Cristo como suficiente para a nossa expiação, procurando agora vivermos sempre conforme a Sua vontade, expressa na Sua Palavra, a Bíblia Sagrada.

II. A REPREENSÃO DO PROFETA NATÃ AO REI DAVI

Graças à ajuda de Joabe e ao silêncio de Bate-Seba, Davi parecia que escaparia impune do assassinato de Urias e até acrescentou a bela esposa de Urias a seu harém. Contudo, as últimas palavras do capítulo 11 de 2Samuel sugerem que uma reviravolta para pior estava por acontecer na história de Davi. O capítulo 12 relata como o Senhor confrontou Davi com o seu pecado. O Senhor anunciou que castigaria Davi com severidade, e o restante do relato se concentra nas consequências trágicas de seu pecado, registrando como ele pagou a restituição quádrupla que ele mesmo determinou (2Sm.12:6). Ainda assim, também há um aspecto positivo: o Senhor atenuou o castigo imposto a Davi com misericórdia.

1. Uma consciência morta

Tudo nos leva a crer que Davi não iria confessar seus pecados. É provável que se tenha passado um ano entre os capítulos 11 e 12. Nesse interim, a mão do Senhor pesou sobre Davi. É claro que Deus não o deixaria impune, pois o Senhor é justo e Seu compromisso é para com os que andam em sinceridade. Não importa a posição que alguém exerça, se pecar, pagará pelos seus pecados (Ez.33:12). Foi o que ocorreu com Davi. Os salmos 32 e 51 descrevem a luta espiritual dele.
Os pecados sequenciais praticados por Davi, em desespero, denotam que a consciência dele parecia estar morta. Foi necessário o profeta Natã contar-lhe uma parábola e pediu que ele julgasse a questão.
“Um homem rico com muitas ovelhas não quis abater um de seus próprios animais para dar de comer a uma visita. Tomou, portanto, a única cordeirinha de um homem pobre e a abateu”.
Davi era capaz de julgar com mais facilidade o pecado dos outros do que os próprios. Enfurecido, declarou que o homem devia pagar quatro vezes o que havia tomado e ser morto por causa de seu pecado.
Davi se mostrou irado com o procedimento do rico e, prontamente, queria condená-lo à morte. Davi tornara-se tão insensível aos seus pecados que não percebeu ter sido o vilão na história do profeta Natã.
Muitas vezes os defeitos que condenamos nos outros são exatamente as imperfeições de nosso próprio caráter. Quais são os amigos, companheiros ou membros de nossa família que criticamos com facilidade e temos dificuldade de aceitar? Em vez de procurar mudá-los, devemos pedir a Deus que nos ajude a compreender seus sentimentos e a perceber mais claramente nossas falhas. Poderemos descobrir, então, que ao condenar os outros sentenciamos a nós mesmos.

2. Mostrando a gravidade do seu pecado

Natã amava e honrava a Davi como rei, mas seu compromisso era primeiramente com Deus e sua Palavra, por isso teve que ir ao rei e denunciar energicamente seus pecados, suas transgressões, sua sujeira. À semelhança de Samuel e Elias, Natã agiu com energia e coragem para com Davi, denunciando-lhe os gravíssimos pecados cometidos. Com grande intrepidez, Natã lhe apontou o dedo acusador e afirmou, de forma direta: “Tu és este homem”. Não houve rodeio. Ele foi direto ao ponto e falou do duplo pecado do rei: adultério e homicídio. Essa acusação de Natã foi como uma espada traspassando o coração do rei. Não poderia ser de outra forma, pois Davi, transgrediu o sétimo e o décimo mandamentos e, para encobrir seu crime, quebrou o sexto e o oitavo mandamentos do Decálogo (Êx.20:13,14).
Portanto, a punição divina seria inevitável. Não poderia haver suavidade para o pecado de Davi em relação ao adultério, pois ele atingira uma família; e, no tocante à morte de Urias, tirou injustamente a vida de um soldado honrado, leal e valente. Natã, portanto, anunciou a desaprovação de Deus e a sentença de juízo que viria sobre o rei. E ainda saiu no lucro, pois a Lei era clara: o adúltero seria morto (Lv.20:10) – “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera”.
O cristão deve evitar o pecado a todo custo, pois seus resultados são sempre maléficos; primeiro ele afasta o homem de Deus e, segundo, seus efeitos são sentidos constantemente. Uma pessoa que comete pecado pode tê-los todos perdoados por meio da fé no sacrifício de Jesus Cristo (2Co.5:17; 1João 1:9), todavia, ainda que perdoado, seus efeitos são manifestados.
Quantos cristãos que tinham uma vida bonita, limpa, mas que trilharam o caminho do adultério, da mentira, do roubo, manchando páginas lindas do seu viver. Mesmo perdoado, sente ainda seus efeitos destruidores. Por isso é sempre bom atentar para o conselho bíblico de andarmos no Espírito para não sucumbirmos aos desejos da carne (Gl.5:16).

3. Traindo a generosidade divina

Além de mostrar o tamanho do pecado de Davi, o profeta Natã destaca que ele não fez caso da bondade divina, de tudo quanto o Senhor tinha feito por ele, ou melhor, agido em seu favor. Foi por ordem divina que Davi foi ungido rei na presença dos seus irmãos. Durante as perseguições envidadas por Saul, sempre Deus o livrou dos seus sutis planos, inclusive da morte. Fora isso, concedeu a Davi a capacidade para vencer as crises emocionais.
Ainda assim, ele tomou Bate-Seba do marido dela e o matou para encobrir seu crime (2Sm.23:18-24). Mesmo tendo muitas mulheres, Davi não se contentou, queria mais e mais. Diante de tudo isso, ainda o profeta diz que se tudo isso era pouco aos seus olhos, Deus lhe acrescentaria mais, todavia, a mulher de Urias não, pois era casada.
Davi não soube louvar, agradecer a Deus por sua generosidade divina, pela potencialidade que se tornou, pelas riquezas que alcançou, por tamanha bondade em sua vida, mas desprezou a Palavra de Deus, tomando para si uma coisa que não poderia ser sua.
É triste ver um homem como Davi, abençoado em tudo por Deus, conhecedor dos seus mandamentos, não andar nem viver conforme a iluminação que tinha da parte dEle, mas que se sujou no pecado depravadamente. Jamais devemos proceder como Davi, esquecendo da generosidade divina. É sempre importante termos em mente o que disse o salmista, para não nos esquecermos de nenhum dos benefícios divinos (Sl.103:2).

III. AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO DE DAVI

O homicídio e o adultério eram apenados com a morte, mas a Bíblia nos mostra que Deus, ao revelar o duplo pecado de Davi, não lhe aplicou a pena de morte prevista na lei, mas, expressamente, através do profeta, afirma que a morte não lhe seria aplicada (2Sm.12:13). Por que isto aconteceu? Podemos sugerir duas hipóteses:
-Em primeiro lugar, por causa da misericórdia do Senhor. Ele afirmou a Moisés as seguintes palavras: “...terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer” (Ex.33:19). É Deus quem decide. É Deus quem determina quem e quando uma pessoa deve morrer (1Sm.2:6). Neste caso, Deus tratou pessoalmente do pecado de Davi (2Sm.12:10-12).
-Em segundo lugar, o compromisso pactual do Senhor com Davi. Embora Natã não diga nessa passagem, ao que parece, se tomarmos por base 2Smauel 7, o compromisso pactual do Senhor com Davi, fundamentado em sua escolha soberana de Davi, leva o Senhor a conceder perdão a alguém tão indigno de sua misericórdia. O Antigo Testamento afirma que, por sua própria natureza, o Senhor é um Deus perdoador (Êx.34:6,7; Nm.14:19; Mq.7:18,19). Seu perdão brota de sua compaixão, de sua graça, de sua paciência e de seu amor fiel (cf. Ne.8:17; Sl.86:15; 103:8-10; 145:8; Jl.2:13).
Embora a própria natureza do Senhor o predisponha a perdoar seu povo pecador quando este se arrepende (cf. Ez.33:11), suas promessas pactuais e sua preocupação com a própria reputação também o motivaram a isso. Salomão, ao interceder por futuras gerações pecaminosas, lembra o Senhor de que Israel é seu povo e sua herança, que Ele tomou para si do Egito (1Rs.8:51). Vemos relatado em Miqueias 7:18-20 o perdão misericordioso e amoroso de Deus a partir de suas promessas incondicionais aos patriarcas.
Davi foi perdoado pela graça e pela misericórdia divinas, mas teve de arcar com as consequências de seus pecados, tanto em sua vida familiar quanto em seu reinado, pelo restante de sua vida. Davi e sua casa iriam passar por duros sofrimentos, diversos ais; a lei da semeadura seria implacável com Davi.
Podemos avaliar as consequências do pecado e Davi em dois grupos: consequências emocionais e físicas, e consequências espirituais.

1. Consequências emocionais e físicas

O adultério com Bate-Seba teve desdobramentos dolorosos para Davi, sua família e toda a nação. O pecado de Davi não atingiu apenas a ele e sua geração, mas também a todas as gerações pósteras. Durante todos os séculos esse pecado tem sido relembrado e a memória de Davi manchada. O fiel pastor de ovelhas, o inspirado compositor, o músico de qualidades superlativas, o líder influenciador, o rei conquistador teve sua biografia maculada por esse grave pecado e seus tenebrosos desdobramentos.
O pecado é como a nascente do Rio Amazonas: no seu nascedouro, as águas são rasas e até uma criança pode brincar em seu leito, mas depois, com a soma dos muitos afluentes, esse rio se torna um mar instransponível e inadministrável.
Por causa do seu grave pecado, Davi:
ü  Perdeu sua reputação - os ímpios blasfemaram do nome de Deus.
ü  Perdeu o filho do adultério - a criança morreu a despeito da insistente petição de Davi.
ü  Perdeu sua filha Tamar - foi desonrada pelo próprio irmão Amnon, e Absalão, irmão de Tamar, mandou matar seu próprio irmão Amnon para vingar o que este havia feito com ela.
ü  Perdeu Absalão – este rebelou-se e conspirou contra Davi, seu pai, para tirar-lhe a vida e tomar-lhe o reino, e nessa empreitada, Absalão foi assassinado por Joabe, comandante do exército de Davi.
Tragédias e mais tragédias desabaram sobre a vida de Davi. Jamais ele podia imaginar que o pecado fosse ter um preço tão alto em sua vida. Tudo isso, certamente, mexeu com o seu emocional.
Quantas lágrimas Davi derramou? Não há como aferir, entretanto, em Salmos 6:6, temos uma noção: "Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas".
Devemos ter cuidado com o pecado, pois ele vai nos custar mais caro do que queremos pagar.

2. Consequências espirituais

O pecado de Davi lhe custou muito caro. Ele perdeu a intimidade com Deus. Durante um longo período, viveu atrás de máscaras, escondendo o seu pecado e atraindo sobre si o justo juízo de Deus. A mão de Deus pesava sobre ele dia e noite, e o seu vigor se tornou em sequidão de estio. A sua alma doente refletia com todo ímpeto a sua vida física. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico.
O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas consequências são amargas. O Salmo 51 mostra a profundidade do remorso de Davi. Ele assumiu plena responsabilidade pelo pecado, e pediu a ajuda de Deus para renovar seu coração. Ele roga contritamente a plena restauração da sua salvação, a pureza, a presença de Deus, a vitalidade espiritual e a alegria (Sl.51:7-13). É este arrependimento que Deus quer. O pecador que volta para Deus precisa reconhecer seu pecado, e retornar ao seu estado original sem fingimento (Jr.3:10,13).
As consequências do pecado de Davi mostram um fato importante: Deus pode perdoar o pecador, sem tirar todas as consequências do pecado. Há muitas pessoas arrependidas de seus pecados que ainda vão ficar muitos anos encarceradas. Há famílias destruídas por causa de pecados já confessados e perdoados por Deus.
ü  Deus pode perdoar um assassino, mas este perdão não ressuscita a vítima.
ü  Ele pode perdoar a mãe que abusou do álcool ou de outras drogas durante sua gravidez, mas a criança que nasceu com defeitos físicos ou mentais por causa desses vícios continua sofrendo.
ü  Deus é capaz de perdoar as mulheres e médicos que fazem abortos, mas as crianças já mortas nunca nascerão vivas.
Muitos outros exemplos provam que o pecador perdoado, ou suas vítimas, podem continuar sofrendo depois do perdão. Através da fé e arrependimento, Deus apaga os pecados e nos purifica com seu sangue (1João 1:7); assim, escaparemos das consequências eternas do pecado.

CONCLUSÃO

Davi reconheceu sua transgressão; sabia que havia pecado contra o Senhor. Alguns de seus salmos revelam o sofrimento que ele passou por ter ocultado o seu pecado, entristecendo profundamente o Espírito de Deus (Sl.32:3-5; 51:12). Pela misericórdia divina, Davi foi perdoado, mas teve de arcar com as consequências de seus pecados. Devemos estar conscientes de que o preço do pecado é demasiado alto; seus frutos geram a morte, principalmente a morte eterna, a chamada segunda morte (Ap.2:11). Só os loucos zombam do pecado! “Os loucos zombam do pecado, mas entre os retos há boa vontade” (Pv.14:9).
---------------
Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.
Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Pr. Osiel Gomes. O Governo divino em mãos humana. CPAD.
Bíblia da Liderança Cristã. Sociedade Bíblica do Brasil.
Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Roberto B. Chisholm Jr. 1 & 2 Samuel. Vida Nova.
Dr. Caramuru Afonso Francisco. O pecado de Davi e suas consequências. PortalEBD_2009.


Nenhum comentário:

Postar um comentário