4º Trimestre de 2026
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 03
Texto Base: Deuteronômio 4:1-4,25-31
“Pelo que hoje saberás e refletirás no teu coração que só
o Senhor é Deus em cima no Céu e embaixo na terra; nenhum outro há”
(Deuteronômio 4:39).
Deuteronômio
4:
1.Agora,
pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os
cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor, Deus
de vossos pais, vos dá.
2.Nada
acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis
os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando.
3.Os
vossos olhos têm visto o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo
homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor, teu Deus, consumiu do meio de ti.
4.Porém
vós que vos chegastes ao Senhor, vosso Deus, hoje todos estais vivos.
25.Quando,
pois, gerardes filhos e filhos de filhos, e vos envelhecerdes na terra, e vos
corromperdes, e fizerdes alguma escultura, semelhança de alguma coisa, e
fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira,
26.hoje,
tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente perecereis
depressa da terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir; não prolongareis os
vossos dias nela; antes, sereis de todo destruídos.
27.E
o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as
gentes às quais o Senhor vos conduzirá.
28.E
ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não
veem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram.
29.Então,
dali, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o
teu coração e de toda a tua alma.
30.Quando
estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de
dias, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz.
31.Porquanto
o Senhor, teu Deus, é Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te
destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a teus pais.
INTRODUÇÃO
Nesta
terceira lição, estudaremos Deuteronômio capítulo 4, um texto de grande
profundidade doutrinária e espiritual, no qual Moisés conclama a nova geração
de Israel a ouvir, guardar e praticar
os mandamentos do Senhor antes de entrar na Terra Prometida. Depois de
recapitular a jornada pelo deserto, Moisés direciona sua atenção para a
responsabilidade de Israel diante da Aliança estabelecida com Deus.
O
capítulo apresenta um contraste fundamental: enquanto Israel demonstrou repetidamente infidelidade, o Senhor
permaneceu absolutamente fiel à sua Palavra e à sua aliança. A história
do povo revelava episódios de incredulidade, murmuração, desobediência e
idolatria; contudo, Deus continuava cumprindo suas promessas e conduzindo
Israel conforme seus propósitos. A fidelidade divina, portanto, não depende da
perfeição humana, pois o Senhor permanece verdadeiro em tudo o que promete e
estabelece.
Moisés
adverte, porém, que a fidelidade de Deus não deveria ser utilizada como
justificativa para a infidelidade do povo. Pelo contrário, a graça e a fidelidade do Senhor exigiam de
Israel uma resposta de amor, temor e obediência. Por isso, o legislador
insiste para que os israelitas não acrescentassem nem diminuíssem os
mandamentos recebidos, mas os guardassem diligentemente e os ensinassem às
gerações futuras (Dt.4:1-9).
I – A ALIANÇA DE DEUS E A SUA FIDELIDADE
1. A fidelidade de Deus e o apelo à obediência
“Agora,
pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os
cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor, Deus
de vossos pais, vos dá. Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem
diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que
eu vos mando” (Dt.4:1,2).
Deuteronômio 4 inicia
uma importante exortação de Moisés à nova geração de Israel. Depois de recordar
os acontecimentos da caminhada pelo deserto, o legislador volta-se para a
responsabilidade do povo diante da Aliança. A entrada na Terra Prometida não
deveria significar o abandono dos princípios recebidos de Deus; pelo contrário,
quanto mais próximo Israel estava de Canaã, maior deveria ser o seu compromisso
com a Palavra do Senhor.
Moisés
estabelece, desde o início, uma relação inseparável entre ouvir, guardar e
obedecer. Ele declara: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos
que eu vos ensino, para os cumprirdes” (Dt.4:1). A Palavra não deveria ser
apenas conhecida intelectualmente, mas recebida com fé e transformada em
prática de vida. Para Israel, obedecer à Lei era uma demonstração concreta de
fidelidade à Aliança.
A fidelidade de Deus como fundamento da Aliança
O
fundamento da exortação de Moisés não estava na capacidade de Israel de ser
perfeito, mas na fidelidade do próprio Deus. Deuteronômio 7:9 afirma: “Saberás,
pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel”.
Deus
havia demonstrado sua fidelidade ao longo de toda a história de Israel. Ele
cumprira suas promessas aos patriarcas, libertara o povo do Egito, sustentara-o
no deserto e o conduzira até às fronteiras da Terra Prometida.
A
infidelidade humana, portanto, não altera o caráter de Deus. O Senhor permanece
fiel porque a fidelidade faz parte de sua própria natureza. Suas promessas não
dependem da instabilidade humana, mas de sua palavra e de seu caráter.
Essa
verdade, entretanto, não deveria produzir acomodação. Pelo contrário, a
fidelidade de Deus deveria despertar no povo temor, gratidão, amor e
obediência.
Não acrescentar nem diminuir a Palavra
Moisés
apresenta uma advertência de extrema importância: “Nada acrescentareis à
palavra que vos mando, nem diminuireis dela” (Dt.4:2). A Palavra de Deus
deveria ser preservada em sua integridade. Israel não poderia modificá-la para
adequá-la aos seus interesses, à cultura dos povos vizinhos ou às próprias
conveniências.
O
princípio permanece relevante para a Igreja. A autoridade das Escrituras não
depende da aprovação humana. Não somos chamados a adaptar a Palavra de Deus aos
valores do tempo presente, mas a submeter nossa vida à verdade revelada por
Deus.
Isso
não significa rejeitar toda aplicação contextual da Bíblia. Significa
distinguir entre aplicar fielmente a verdade bíblica e alterar seu significado
para torná-la conveniente. A fidelidade cristã exige respeito ao texto bíblico,
interpretação responsável e prática coerente com seus ensinamentos.
Obediência como resposta à graça
É
importante compreender que, em Deuteronômio, a obediência não aparece como uma
tentativa de Israel conquistar o amor de Deus. O Senhor já havia escolhido,
libertado e cuidado do seu povo. A obediência deveria ser uma resposta de
gratidão e compromisso à graça recebida.
Esse
princípio também é fundamental na vida cristã. Não obedecemos a Deus para
comprar sua graça; obedecemos porque fomos alcançados por sua graça. A fé
genuína produz uma vida transformada e obediente. Jesus afirmou: “Se me
amardes, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Assim, amor e obediência
não são realidades opostas. O amor verdadeiro por Deus manifesta-se também na
disposição de ouvir sua Palavra e colocá-la em prática.
Aprender com os erros da geração anterior
O
apelo de Moisés possui ainda um forte caráter pedagógico. A nova geração
deveria olhar para o passado e aprender com os erros de seus antepassados. Eles
haviam testemunhado como a incredulidade, a murmuração e a idolatria produziram
consequências graves.
Por
isso, Moisés não queria apenas transmitir informações históricas; desejava formar
uma geração espiritualmente consciente. A memória dos atos de Deus deveria
produzir fidelidade no presente.
Essa
é uma importante função do ensino bíblico: conhecer a história da ação de Deus
para aprender a viver corretamente diante dele.
O perigo da relativização da verdade
A
advertência de Deuteronômio 4:2 ganha especial relevância em uma sociedade na
qual muitos conceitos são submetidos à relativização. A cultura pode mudar, os
costumes podem mudar e as opiniões humanas podem mudar, mas a verdade revelada
por Deus permanece.
A
Igreja precisa, portanto, cultivar profundo compromisso com as Escrituras. Isso
envolve não apenas defender a Bíblia verbalmente, mas conhecê-la, ensiná-la
corretamente e praticá-la.
Não
basta afirmar que cremos na Palavra; nossa vida precisa demonstrar que
realmente reconhecemos sua autoridade.
Fidelidade de Deus e fidelidade do seu povo
Existe,
portanto, uma relação fundamental neste texto: Deus é fiel → sua Palavra é
digna de confiança → seu povo deve responder com fidelidade e obediência.
A
fidelidade de Deus é perfeita e absoluta; a fidelidade humana, por sua vez,
precisa ser continuamente cultivada. Por isso, Moisés chama Israel a permanecer
firme na Aliança.
Para
nós, isso significa que não devemos avaliar a fidelidade de Deus com base nas
circunstâncias momentâneas. Mesmo quando não compreendemos seus caminhos,
podemos confiar em seu caráter. Deus continua sendo fiel quando as
circunstâncias são favoráveis e também quando enfrentamos provações.
Aplicação para a vida cristã
Deuteronômio
4:1,2 nos desafia a perguntar:
- Temos realmente
ouvido a Palavra de Deus?
- Estamos guardando
seus ensinamentos?
- Estamos
praticando aquilo que aprendemos?
- Temos permitido
que a cultura determine nossas convicções?
- Estamos
acrescentando ou retirando da Palavra aquilo que nos convém?
- Nossa vida
demonstra gratidão pela fidelidade de Deus?
A
resposta bíblica é um chamado à perseverança. A fidelidade de Deus deve
produzir em nós uma vida fiel.
|
SÍNTESE
DO ITEM I.1 Deuteronômio
4 apresenta a fidelidade de Deus como fundamento da esperança de Israel e,
simultaneamente, chama o povo à responsabilidade de viver em obediência.
Moisés ensina que a Palavra do Senhor deve ser ouvida, guardada e praticada,
sem acréscimos nem diminuições. A
grande lição para a Igreja é clara: Deus permanece fiel à sua Palavra e às
suas promessas; por isso, seu povo deve permanecer fiel a Ele, preservando a
verdade das Escrituras e vivendo segundo os seus princípios. Em
um mundo marcado pela relativização da verdade, somos chamados a permanecer
firmes: não devemos adaptar a Palavra de Deus ao espírito do tempo, mas
permitir que a Palavra de Deus molde nossa vida, nossa fé, nosso caráter e
nossas decisões. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM I.1 Como a fidelidade de Deus à sua aliança deve influenciar
a atitude do seu povo diante da sua Palavra? Resposta: A fidelidade de Deus deve levar o seu povo
a confiar em suas promessas, temê-lo,
amá-lo e obedecer à sua Palavra. Assim como o Senhor permaneceu fiel à
aliança apesar das infidelidades de Israel, devemos responder à sua graça com
uma vida de fidelidade, guardando e praticando seus mandamentos. Deuteronômio
4:1,2 ensina que a Palavra de Deus deve ser ouvida, guardada e obedecida sem acréscimos ou diminuições,
preservando sua autoridade e integridade. |
2. A relevância da disciplina divina
“Os
vossos olhos têm visto o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo
homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor, teu Deus, consumiu do meio de ti. Porém
vós que vos chegastes ao Senhor, vosso Deus, hoje todos estais vivos”
(Dt.4:3,4).
Em seguida, depois de
enfatizar a fidelidade de Deus e a necessidade de obedecer à sua Palavra,
Moisés apresenta à nova geração uma importante dimensão da Aliança: a
disciplina divina. Os acontecimentos de Baal-Peor, registrados em Números 25:1-9,
deveriam servir como uma advertência concreta de que a infidelidade e a
idolatria não são atitudes sem consequências. Ao mesmo tempo, o episódio
demonstrava que aqueles que permaneceram fiéis ao Senhor foram preservados.
A disciplina revela a seriedade da Aliança
Moisés
declara: “Os vossos olhos viram o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois
a todo homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor, teu Deus, consumiu do vosso meio.
Porém vós, que vos achegastes ao Senhor, vosso Deus, hoje todos estais vivos”
(Dt.4:3,4).
A
lembrança de Baal-Peor tinha uma finalidade pedagógica: mostrar à nova geração
que a aliança com Deus não deveria ser tratada de maneira leviana. Israel pertencia
ao Senhor e, portanto, deveria viver de acordo com os seus mandamentos.
A
disciplina divina demonstra que Deus é santo e justo. Ele não ignora o pecado
nem trata a idolatria como algo insignificante. Sua fidelidade à Aliança inclui
tanto suas promessas quanto suas advertências.
Baal-Peor: um exemplo de infidelidade
Em
Números 25, alguns israelitas envolveram-se com as mulheres moabitas e foram
seduzidos à idolatria, participando do culto a Baal-Peor. O resultado foi um
juízo severo sobre aqueles que se rebelaram contra o Senhor.
Moisés
utiliza esse episódio para ensinar a nova geração: o pecado pode parecer
atraente e inofensivo no início, mas suas consequências podem ser devastadoras.
A
idolatria era especialmente grave porque representava uma ruptura da
exclusividade devida ao Senhor. Israel havia sido chamado para adorar somente a
Deus; misturar a adoração ao Senhor com os cultos pagãos significava violar a
própria essência da Aliança.
Disciplina não significa falta de amor
É
importante compreender corretamente o conceito bíblico de disciplina. A
disciplina de Deus não deve ser entendida como crueldade ou desejo de
destruição. Ela manifesta sua santidade, justiça e cuidado com seu povo.
No
contexto de Deuteronômio 4, a advertência tinha precisamente o propósito de
preservar Israel de novos desvios. Ao recordar o juízo passado, Moisés
procurava impedir que a nova geração repetisse o mesmo pecado.
Há,
portanto, uma dimensão preventiva na disciplina: Deus corrige para que seu povo
aprenda, se afaste do mal e permaneça em seus caminhos.
“Vós que vos achegastes ao Senhor”
O
contraste de Deuteronômio 4:4 é significativo. Enquanto os que seguiram
Baal-Peor foram julgados, aqueles que permaneceram ligados ao Senhor estavam
vivos.
A
expressão “vos achegastes ao Senhor” aponta para uma relação de fidelidade e
compromisso. A verdadeira segurança de Israel não estava simplesmente em
pertencer nacionalmente ao povo escolhido, mas em permanecer em fidelidade ao
Deus da Aliança.
Isso
não significa que Israel conquistasse a salvação por mérito próprio, mas que a
fé verdadeira deveria manifestar-se em lealdade ao Senhor e rejeição da
idolatria.
A disciplina produz sabedoria
Moisés
prossegue mostrando que guardar os estatutos e juízos do Senhor seria uma
demonstração de sabedoria e entendimento diante dos outros povos (Dt.4:5,6).
A
obediência, portanto, não era apenas uma obrigação religiosa. Ela deveria
produzir um modo de vida diferente, tornando Israel testemunha do caráter de
Deus entre as nações.
Uma
vida orientada pela Palavra demonstraria que o povo possuía um Deus verdadeiro,
santo e justo. Assim, a disciplina recebida deveria transformar-se em sabedoria
prática e testemunho público.
Uma advertência para a Igreja
O
princípio permanece relevante para os cristãos. A graça de Deus não significa
liberdade para viver deliberadamente no pecado. Pelo contrário, aqueles que
foram alcançados pela graça são chamados a viver em santidade e obediência.
A
disciplina divina deve ser recebida com humildade. Quando Deus nos confronta
por meio de sua Palavra, devemos permitir que sua correção produza
transformação, e não resistência.
Hebreus
12:6 ensina: “Porque o Senhor corrige o que ama”. A correção de Deus, portanto,
deve conduzir-nos ao arrependimento, à restauração e ao crescimento espiritual.
Aplicação prática
A
passagem nos ensina algumas verdades fundamentais:
- Deus é fiel, mas
também é santo e justo.
- O pecado não deve
ser tratado com leviandade.
- A idolatria rompe
a fidelidade que devemos exclusivamente ao Senhor.
- A disciplina
divina pode funcionar como advertência e correção.
- Devemos aprender
com os erros das gerações anteriores.
- A obediência à
Palavra produz sabedoria e testemunho.
- A correção de
Deus deve nos conduzir a uma vida mais santa e fiel.
|
SÍNTESE
DO ITEM I.2 Deuteronômio
4:3,4 transforma o episódio de Baal-Peor em uma lição de memória, advertência
e esperança. Israel deveria recordar o juízo que alcançou os infiéis e, ao
mesmo tempo, reconhecer que aqueles que permaneceram fiéis ao Senhor foram
preservados. Assim,
a disciplina divina não contradiz a fidelidade de Deus; ela faz parte da sua
atuação justa e cuidadosa na condução do seu povo. O Senhor disciplina porque
leva a sério a santidade e deseja que seu povo permaneça próximo dele. A
grande lição é: a fidelidade de Deus deve produzir em nós temor, obediência e
perseverança. Quem aprende com a disciplina do Senhor evita os caminhos da
desobediência e permanece firme na aliança com Ele. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM I.2 O que o episódio de Baal-Peor ensina sobre a disciplina
divina e a necessidade de fidelidade a Deus? Resposta: O episódio de Baal-Peor ensina que Deus é santo e justo e não trata a
idolatria e a desobediência com indiferença. O juízo sobre os que
seguiram Baal-Peor demonstrou a seriedade da infidelidade à aliança, enquanto
aqueles que permaneceram fiéis ao Senhor foram preservados (Dt.4:3,4). A
disciplina divina tinha também um propósito pedagógico: advertir, corrigir e conduzir o povo à
obediência. Portanto, devemos aprender com os erros do passado,
rejeitar a idolatria e permanecer firmes na Palavra de Deus. |
3. A vontade de Deus revelada na sua Palavra
“Pois
que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso
Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos
e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?” (Dt.4:7,8).
Deuteronômio 4:7,8
apresenta uma das grandes riquezas da Aliança entre Deus e Israel: o Senhor não apenas estabeleceu uma relação
com seu povo, mas também revelou sua vontade por meio de sua Palavra.
Moisés destaca que Israel possuía um privilégio singular entre as nações: tinha
um Deus que se aproximava do seu povo e lhe concedia estatutos e juízos justos
- “Pois que grande nação há que tenha
deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o
invocamos?” (Dt.4:7).
Deus é um Deus que se revela
A
Bíblia apresenta Deus como um Deus que toma
a iniciativa de revelar-se. Israel não precisava descobrir por
especulação humana quem era o Senhor ou como deveria relacionar-se com Ele.
Deus havia se manifestado por meio de seus atos poderosos e, especialmente, por
meio de sua Palavra.
Os
estatutos e juízos recebidos por Israel não eram meras convenções sociais
elaboradas pelos homens. Eles expressavam a vontade do Deus da aliança e
orientavam o povo quanto à adoração, à justiça, à vida comunitária e ao
relacionamento com o próximo.
Por
isso, conhecer a Palavra significava conhecer melhor o caráter e a vontade de Deus.
Um Deus próximo do seu povo
Moisés
apresenta uma pergunta retórica extraordinária: “Que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si?” (Dt.4:7).
Os povos antigos possuíam seus deuses e sistemas religiosos, mas Israel
conhecia algo singular: o Deus vivo
havia estabelecido uma aliança com seu povo e ouvia quando era invocado.
A
proximidade de Deus não significa que Ele seja limitado ou que sua
transcendência seja anulada. Pelo contrário, o Deus soberano e transcendente
voluntariamente se aproxima de seu povo, ouve suas orações e orienta sua
caminhada.
Essa
verdade permanece preciosa para nós: Deus não é indiferente às necessidades
daqueles que o buscam. A Palavra revela um Deus que fala, orienta, corrige, consola e conduz.
A justiça da Palavra de Deus
Moisés
acrescenta: “E que grande nação há que
tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei?” (Dt.4:8). A Lei
de Deus era justa porque procedia de um Deus justo. Seus mandamentos não tinham
como finalidade apenas controlar Israel, mas estabelecer uma sociedade marcada
por justiça, responsabilidade,
santidade e respeito ao próximo.
Isso
demonstra que a Palavra de Deus possui implicações para todas as dimensões da
vida. A fé bíblica não está limitada ao ambiente do culto; ela alcança nossas
decisões, relacionamentos, responsabilidades e comportamento cotidiano.
A Palavra como direção para a vida
Deus
não deixou Israel sem orientação. Ele revelou seus estatutos e juízos para que
o povo soubesse como viver de maneira
agradável ao Senhor. Esse princípio encontra eco no Salmo 25:14: “O segredo
do Senhor é para os que o temem”.
A comunhão com Deus está relacionada a uma
disposição de ouvi-lo e obedecer-lhe. Quanto mais conhecemos sua Palavra e
buscamos sua vontade, mais somos capacitados a discernir os caminhos que Ele
deseja que sigamos.
Por isso, o cristão não deve fundamentar suas
decisões exclusivamente em sentimentos, opiniões pessoais ou valores culturais.
A Palavra
de Deus é a referência segura para a fé e para a conduta cristã.
A Palavra deve ser conhecida e praticada
Entretanto, conhecer a vontade de Deus não significa
simplesmente acumular conhecimento bíblico. A finalidade da revelação é
produzir transformação
e obediência.
Israel precisava ouvir os estatutos para cumpri-los
(Dt.4:1). Da mesma maneira, a Igreja é chamada não apenas a estudar a Bíblia,
mas a viver segundo seus ensinamentos. Tiago 1:22 resume esse princípio: “E sede cumpridores da
palavra, e não somente ouvintes”.
A verdadeira compreensão das Escrituras manifesta-se
quando aquilo que aprendemos passa a orientar nossas atitudes.
Cristo e a revelação de Deus
Para a fé cristã, a revelação de Deus encontra sua
expressão suprema em Jesus
Cristo. O Evangelho de João apresenta
Cristo como o Verbo que se fez carne (João 1:1,14), isto é, a revelação
perfeita de Deus à humanidade.
Por isso, a conexão entre Deuteronômio e o Novo
Testamento é profunda. A Palavra escrita orientava Israel segundo a vontade de
Deus; em Cristo, contemplamos de maneira plena a revelação salvadora de Deus. Jesus
declarou: “Eu
sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).
Assim, a Palavra de Deus não deve ser compreendida
apenas como um conjunto de normas. Ela aponta para o próprio Deus e para
seu propósito redentor, que encontra
sua plenitude em Cristo.
Aplicação para a Igreja
Deuteronômio 4:7,8 desafia a Igreja a recuperar o
valor da Palavra de Deus. Em uma época marcada por inúmeras vozes, opiniões e
propostas religiosas, precisamos reconhecer que Deus continua sendo a autoridade
suprema para nossa fé e nossa conduta. Isso
implica:
- Conhecer diligentemente as Escrituras;
- Reconhecer sua autoridade;
- Interpretar corretamente seus ensinamentos;
- Rejeitar distorções e relativizações;
- Ensinar a Palavra às novas gerações;
- Aplicar seus princípios à vida cotidiana;
- Conduzir tudo à centralidade de Cristo.
|
SÍNTESE DO ITEM I.3 Deuteronômio 4:7,8 revela que Israel possuía um
privilégio extraordinário: um Deus próximo e uma Palavra justa para orientar sua
vida. O Senhor não deixou seu povo
entregue à própria sabedoria; revelou sua vontade e estabeleceu princípios
para que Israel vivesse em santidade e justiça. Para nós, essa verdade permanece atual. Deus continua
falando por meio de sua Palavra, e
sua vontade não é um mistério inacessível para aqueles que sinceramente
desejam conhecê-la e obedecê-la. Portanto, devemos valorizar as Escrituras,
submetendo a elas nossa fé, nosso caráter e nossas decisões. E, acima de
tudo, devemos reconhecer que toda a revelação bíblica encontra sua plenitude
em Jesus
Cristo, a Palavra viva, que nos
conduz ao Pai e é o único caminho para a vida eterna. PERGUNTA DE REVISÃO
E FIXAÇÃO — ITEM I.3 O que Deuteronômio 4:7,8
ensina sobre a vontade de Deus revelada em sua Palavra? Resposta: ensina que Deus não deixa o seu
povo sem direção, mas revela sua vontade
por meio de sua Palavra. Os estatutos e juízos dados a Israel eram justos e
expressavam o caráter e a vontade do Senhor. Por isso, devemos conhecer,
valorizar, guardar e praticar as Escrituras, reconhecendo-as como autoridade para nossa fé e conduta. Para a
Igreja, essa revelação aponta para sua plenitude em Jesus Cristo, a
Palavra viva, que é “o caminho, e a
verdade, e a vida” (João 14:6). |
II – A INFIDELIDADE DE ISRAEL AO LONGO DA HISTÓRIA
1. Relembrando a revelação divina: a base da Aliança
“Tão
somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças
daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração
todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus
filhos” (Dt.4:9).
Depois de destacar a
fidelidade de Deus e a necessidade de obedecer à sua Palavra, Moisés chama a
atenção para um dos maiores perigos da vida espiritual: o esquecimento das
obras e da revelação de Deus. Israel deveria preservar na memória aquilo que o
Senhor havia realizado e ensinado, porque esquecer a ação de Deus poderia
conduzir à negligência da Aliança, à desobediência e, posteriormente, à
idolatria.
A revelação de Deus no Horebe
Moisés
conduz o povo de volta à experiência do Horebe, onde Deus havia estabelecido sua
Aliança e lhe dado os seus mandamentos (Dt.4:10-14). Naquela ocasião, Israel
ouviu a voz de Deus, mas não viu nenhuma forma física que pudesse ser utilizada
como representação do Senhor.
Essa
característica da revelação no Horebe era extremamente significativa. O Deus
verdadeiro não poderia ser reduzido a uma imagem produzida pelas mãos humanas.
Por isso, Moisés posteriormente advertirá: “Guardai, pois, com diligência as
vossas almas, pois nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, vosso Deus,
falou convosco em Horebe” (Dt.4:15).
A
revelação divina deveria ser recebida pela fé e pela obediência à Palavra, e
não transformada em imagens ou representações destinadas à adoração.
O perigo espiritual do esquecimento
A
advertência de Moisés começa com duas expressões importantes: “guarda-te a ti
mesmo” e “não te esqueças” (Dt.4:9). Isso demonstra que a fidelidade a Deus
exige vigilância espiritual.
O
esquecimento mencionado no texto não significa simplesmente deixar de lembrar
intelectualmente determinado acontecimento. Trata-se de deixar de considerar a
revelação de Deus como referência para a própria vida. Quando o povo deixa de
valorizar aquilo que Deus fez e ensinou, abre espaço para a infidelidade.
Israel
precisava lembrar:
- A libertação do
Egito;
- A manifestação de
Deus no Horebe;
- A entrega dos
mandamentos;
- A provisão e o
cuidado durante o deserto;
- As promessas
feitas aos patriarcas;
- A fidelidade do
Senhor ao longo de toda a jornada.
A
memória dos atos de Deus deveria alimentar a fé e fortalecer a obediência.
A responsabilidade de transmitir a fé
Moisés
acrescenta uma dimensão essencial: “e as farás saber a teus filhos e aos filhos
de teus filhos” (Dt.4:9). A revelação recebida por uma geração não deveria
morrer com ela. Israel possuía a responsabilidade de transmitir a Palavra e os
feitos de Deus às gerações seguintes. A família desempenhava papel fundamental
nesse processo.
Essa
determinação aparece repetidamente em Deuteronômio (Dt.6:6,7; 11:18,19). Os
pais deveriam ensinar seus filhos não apenas por meio de palavras, mas também
pelo testemunho de uma vida comprometida com Deus.
Aqui
encontramos um princípio de grande importância para a Igreja: uma geração que
conhece a Deus deve empenhar-se para que a geração seguinte também conheça a
sua Palavra.
Memória espiritual e fidelidade
Existe
uma relação direta entre memória, fé e fidelidade. Quando Israel se lembrava
dos atos de Deus, encontrava razões para confiar nele; quando esquecia, ficava
vulnerável à influência dos povos e à idolatria.
Por
isso, recordar não era simplesmente olhar para o passado com nostalgia. Era
trazer para o presente as verdades que Deus havia revelado, permitindo que elas
orientassem as decisões do povo.
A
memória espiritual, portanto, funciona como uma espécie de marco de referência
da fé: ela nos recorda quem Deus é, o que Ele fez e como devemos viver diante
dele.
Cristo e a centralidade da Palavra
O
princípio também pode ser observado no ministério de Jesus. Durante a tentação
no deserto, Cristo respondeu às investidas de Satanás recorrendo às Escrituras:
“Está escrito” (Mt.4:4,7,10).
Jesus
demonstrou que a Palavra de Deus é fundamento para resistir à tentação e
permanecer fiel à vontade do Pai. Ele não negociou a verdade nem permitiu que
uma circunstância momentânea alterasse sua submissão às Escrituras.
Assim,
a experiência de Cristo confirma a importância de conhecer, lembrar e aplicar a
Palavra de Deus. A Escritura guardada no coração torna-se instrumento de
discernimento e firmeza espiritual.
Aplicação para a Igreja
Deuteronômio
4:9 apresenta um desafio extremamente atual. Vivemos em uma época de grande
volume de informações, mas isso não significa necessariamente maior
conhecimento da Palavra de Deus. A Igreja precisa cultivar uma memória bíblica
e espiritual, preservando o testemunho das Escrituras e ensinando-o às novas
gerações.
Isso
envolve:
ü Conhecer a Palavra de
Deus — não podemos guardar aquilo que não conhecemos.
ü Meditar continuamente
nas Escrituras — a verdade precisa permanecer no coração.
ü Lembrar dos feitos do
Senhor — a memória da fidelidade divina fortalece a fé.
ü Ensinar as novas
gerações — a fé cristã deve ser transmitida fielmente.
ü Vigiar contra o
esquecimento espiritual — abandonar a Palavra abre espaço para outros
referenciais.
ü Praticar aquilo que
aprendemos — conhecimento sem obediência não produz maturidade espiritual.
|
SÍNTESE
DO ITEM II.1 Deuteronômio
4:9 ensina que a fidelidade à Aliança está profundamente relacionada à
preservação da memória da revelação divina. Israel deveria guardar no coração
aquilo que havia ouvido e visto, permanecer atento à Palavra e transmitir
seus ensinamentos aos filhos e aos netos. O
texto também mostra que o esquecimento espiritual pode ser o primeiro passo
para a infidelidade. Quando a Palavra deixa de ocupar o centro da vida,
outras vozes e outros valores podem assumir o seu lugar. Para
a Igreja, a mensagem permanece clara: não basta receber a Palavra; é
necessário guardá-la, praticá-la e transmiti-la. Assim como Jesus permaneceu
firme diante da tentação, fundamentado nas Escrituras, também somos chamados
a conservar a Palavra no coração e a transmiti-la fielmente às próximas
gerações. Uma
geração que se lembra da fidelidade de Deus encontra forças para permanecer
fiel a Ele; uma geração que esquece a Palavra torna-se vulnerável à
infidelidade. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM II.1 Por que Moisés enfatizou que Israel deveria lembrar-se
da revelação de Deus no Horebe e transmiti-la às futuras gerações? Resposta: Porque o esquecimento da Palavra e dos feitos de Deus poderia conduzir Israel
à infidelidade, à desobediência e à idolatria. Moisés ordenou que o
povo guardasse no coração aquilo que havia aprendido e ensinasse aos filhos e
aos netos (Dt.4:9). Dessa forma, a memória da fidelidade e da revelação de
Deus deveria preservar a fé de uma geração para outra e conduzir o povo à
obediência. A lição permanece atual: devemos
conhecer, guardar, praticar e transmitir fielmente a Palavra de Deus às novas
gerações. |
2. Não devemos corromper a revelação com a idolatria
(Dt.4:15-19)
15.Guardai,
pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que
o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo” (Dt.4:15).
16.para
que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo,
semelhança de homem ou de mulher,
17.semelhança
de algum animal que há na terra, semelhança de algum volátil que voa pelos
céus,
18.semelhança
de algum animal que rasteja sobre a terra, semelhança de algum peixe que há nas
águas debaixo da terra.
19.Guarda-te
não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a
saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e
dês culto àqueles, coisas que o Senhor, teu Deus, repartiu a todos os povos
debaixo de todos os céus.
Depois de recordar a
revelação de Deus no Horebe e advertir Israel a não se esquecer daquilo que
havia recebido, Moisés apresenta uma séria advertência contra a idolatria. O
povo havia ouvido a voz do Senhor, mas não havia visto nenhuma forma física de
Deus. Por isso, não deveria tentar representá-lo por meio de imagens ou figuras
criadas pela imaginação humana (Dt.4:15,16).
Deus não pode ser reduzido a uma imagem
Moisés
declara: “Guardai, pois, com diligência as vossas almas, pois nenhuma figura
vistes no dia em que o Senhor, vosso Deus, falou convosco em Horebe” (Dt.4:15).
Essa
afirmação é fundamental. Deus havia se revelado por sua voz, sua Palavra e seus
atos, e não mediante uma imagem que pudesse ser reproduzida pelo homem. Israel
não deveria transformar o Deus invisível e transcendente em uma representação
material.
A
advertência não significa que Deus não possa revelar-se de maneira perceptível;
significa que nenhuma criatura ou representação material é capaz de reproduzir
adequadamente a natureza e a glória do Deus verdadeiro. Por isso, a adoração
não deveria ser dirigida a imagens, mas exclusivamente ao Senhor.
O perigo de substituir o Criador pela criatura
Moisés
menciona diversas formas pelas quais Israel poderia ser levado à idolatria:
imagens de homens e mulheres, animais, aves, répteis, peixes e até mesmo o sol,
a lua e as estrelas (Dt.4:16-19).
Essa
advertência revela a amplitude do problema. Os povos antigos frequentemente
adoravam elementos da natureza e criaturas celestes. Israel, entretanto, deveria
reconhecer que o Criador está acima de toda a criação.
Paulo
identifica esse mesmo princípio ao descrever a corrupção espiritual da
humanidade: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram
mais a criatura do que o Criador” (Rm.1:25).
A
idolatria, portanto, é uma inversão da ordem estabelecida por Deus: aquilo que
foi criado passa a ocupar o lugar que pertence exclusivamente ao Criador.
Idolatria é quebra da Aliança
A
proibição da idolatria não era uma questão secundária. Ela atingia diretamente
o relacionamento de Israel com Deus. O Senhor havia estabelecido uma Aliança
com seu povo e exigia lealdade exclusiva. Por isso, poucos versículos depois,
Moisés afirma: “Porque o Senhor, teu Deus, é um fogo que consome, um Deus
zeloso” (Dt.4:24).
O
“zelo” de Deus não deve ser entendido como uma emoção pecaminosa semelhante ao
ciúme humano. Trata-se da expressão de sua santa exclusividade: Deus não aceita
que seu povo atribua a outro aquilo que pertence somente a Ele.
A
idolatria, portanto, não é simplesmente uma prática religiosa equivocada; é uma
infidelidade à Aliança.
A idolatria pode assumir formas diferentes
Embora
o contexto imediato de Deuteronômio 4 trate da adoração de imagens, o princípio
bíblico é mais amplo. Um ídolo é tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus em
nossa vida, recebendo a confiança, a devoção e a prioridade que pertencem
somente ao Senhor. Assim, além das imagens propriamente ditas, podem tornar-se
objetos de idolatria:
ü Dinheiro e bens
materiais;
ü Poder e posição
social;
ü Trabalho e realização
profissional;
ü Relacionamentos;
ü Prazer e
entretenimento;
ü Ideologias e valores
humanos;
ü Reconhecimento e
prestígio;
ü Até mesmo coisas
legítimas quando passam a ocupar o lugar central que pertence a Deus.
Isso
exige vigilância, pois a idolatria nem sempre aparece de maneira explícita. Ela
pode começar quando algo criado passa a dominar nossos pensamentos, desejos,
decisões e prioridades.
A exclusividade da adoração
Deuteronômio
ensina que o Senhor não deseja apenas uma parte da devoção de Israel. Ele exige
fidelidade exclusiva. Essa verdade será reafirmada em Deuteronômio 6:4,5: “Ouve,
Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu
Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder”.
A
verdadeira adoração começa quando reconhecemos quem Deus é e rejeitamos tudo
aquilo que compete com sua supremacia.
Para
a Igreja, esse princípio permanece plenamente válido. O cristão não pode
dividir sua lealdade espiritual entre Deus e aquilo que pretende ocupar o seu
lugar.
A advertência do Novo Testamento
O
apóstolo João encerra sua primeira epístola com uma exortação extremamente
breve e profunda: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1João 5:21).
É
significativo que essa seja a última advertência da epístola. Mesmo depois de
ensinar sobre Cristo, a vida cristã e a comunhão com Deus, João ainda alerta os
crentes contra a idolatria.
Isso
demonstra que a idolatria continua sendo um perigo espiritual para o povo de
Deus. Por isso, precisamos examinar constantemente nosso coração e verificar se
alguma coisa está recebendo o lugar, a confiança e a devoção que pertencem
somente ao Senhor.
Aplicação prática
Deuteronômio
4:15-19 nos convida a fazer uma avaliação sincera: O que ocupa o primeiro lugar
em nossa vida? Não basta rejeitar imagens ou práticas religiosas pagãs.
Precisamos verificar se nossos desejos e prioridades estão realmente submetidos
a Deus. A pergunta não é apenas: “Tenho algum ídolo?”, mas também: “Existe
alguma coisa que está ocupando em meu coração o lugar que pertence ao Senhor?”.
A
fidelidade exige vigilância. Precisamos preservar a pureza da adoração,
submeter nossos desejos à Palavra e reconhecer que somente Deus é digno de
nossa devoção absoluta.
|
SÍNTESE
DO ITEM II.2 Deuteronômio
4:15-19 ensina que Israel não deveria corromper a revelação de Deus mediante
imagens ou qualquer forma de idolatria. O Senhor havia se revelado por sua
Palavra e por seus atos, e não poderia ser reduzido a uma representação
criada pelo homem. A
grande lição é que o Criador não pode ser substituído pela criatura. A
idolatria rompe a exclusividade da aliança e distorce a verdadeira adoração. Para
nós, o desafio permanece: guardar o coração, preservar a pureza da fé e
rejeitar tudo aquilo que tenta ocupar o lugar de Deus. Como ensina 1João 5:21,
devemos permanecer vigilantes: “Guardai-vos dos ídolos”. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM II.2 Por que Moisés advertiu Israel contra a idolatria e
quais princípios essa advertência ensina à Igreja? Resposta: Moisés advertiu Israel porque o povo não havia visto nenhuma forma física de
Deus no Horebe; portanto, não deveria representá-lo por meio de
imagens de seres humanos, animais, astros ou qualquer criatura (Dt.4:15-19).
A idolatria corrompe a verdadeira adoração, rompe a exclusividade da aliança
e coloca a criatura no lugar do Criador (Rm.1:25). Para a Igreja, a
advertência continua atual: devemos adorar
exclusivamente a Deus, preservar a pureza da fé e guardar-nos de tudo aquilo
que ocupa em nossa vida o lugar que pertence somente ao Senhor (1Jo.5:21). |
3. Tratados conforme a revelação divina (Dt.4:23,24,27)
23.Guardai-vos
não vos esqueçais da aliança do Senhor, vosso Deus, feita convosco, e vos
façais alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa que o Senhor, vosso
Deus, vos proibiu.
24.Porque
o Senhor, teu Deus, é fogo que consome, é Deus zeloso.
“27.O
Senhor vos espalhará entre os povos, e restareis poucos em número entre as
gentes aonde o Senhor vos conduzirá”.
Após advertir Israel
contra o esquecimento da Palavra e contra a idolatria, Moisés apresenta uma
consequência solene da infidelidade à Aliança: Deus leva a sério a resposta do
ser humano à sua revelação. O Senhor é misericordioso e fiel, mas também é
santo e justo. Por isso, Israel não poderia presumir que, por ser o povo da
aliança, estaria livre das consequências da desobediência.
A responsabilidade diante da Palavra
Moisés
adverte: “Guardai-vos de que vos esqueçais do concerto do Senhor, vosso Deus”
(Dt.4:23). O problema não seria apenas esquecer intelectualmente os
mandamentos, mas abandonar o compromisso assumido com Deus. A revelação divina
colocava Israel diante de uma responsabilidade: ouvir, crer e obedecer.
Deus
havia mostrado claramente sua vontade. Portanto, o povo não poderia alegar
falta de conhecimento. A desobediência seria uma decisão consciente de rejeitar
aquilo que o Senhor havia revelado.
A justiça de Deus diante do pecado
Moisés
acrescenta: “Porque o Senhor, teu Deus, é um fogo que consome, um Deus zeloso”
(Dt.4:24). A imagem do “fogo que consome” ressalta a santidade e o juízo de
Deus. Seu zelo significa que Ele exige fidelidade exclusiva de seu povo. O
Senhor não aceita que Israel abandone a Aliança para seguir outros deuses.
Isso
não contradiz o amor de Deus. Pelo contrário, revela que o amor e a santidade
de Deus não podem ser separados. O Deus que abençoa também disciplina; o Deus
que perdoa também julga o pecado; o Deus que promete misericórdia também exige
fidelidade.
As consequências da infidelidade
Moisés
olha para o futuro e adverte que, se Israel se corrompesse e se voltasse para a
idolatria, sofreria graves consequências: “E o Senhor vos espalhará entre os
povos” (Dt.4:27).
A
dispersão entre as nações e a servidão seriam consequências da persistente
infidelidade à Aliança. Isso demonstra que as bênçãos da Aliança não deveriam
ser tratadas como uma licença para pecar.
É
importante observar que Deuteronômio apresenta essas consequências dentro da
relação de Aliança. Deus não estava abandonando arbitrariamente seu povo;
estava disciplinando-o em resposta à sua persistente rebeldia, conforme as
advertências previamente estabelecidas.
Deus permanece fiel mesmo ao disciplinar
Um
ponto essencial precisa ser destacado: a disciplina não significa que Deus
deixou de ser fiel. Pelo contrário, sua fidelidade inclui o cumprimento tanto
de suas promessas quanto de suas advertências.
Mesmo
ao anunciar o exílio, Moisés apresenta uma esperança de restauração: quando
Israel buscasse o Senhor de todo o coração, poderia encontrá-lo, porque Deus é
misericordioso e não esqueceria a sua Aliança (Dt.4:29-31). Portanto, o juízo
não é a palavra final. A disciplina divina pode conduzir o pecador ao
reconhecimento de seu erro e ao retorno ao Senhor.
O princípio da semeadura e da colheita
O
Novo Testamento reafirma um princípio moral presente nas Escrituras: “Tudo o
que o homem semear, isso também ceifará” (Gl.6:7). Paulo não está ensinando uma
fórmula mecânica segundo a qual toda consequência nesta vida seria
imediatamente proporcional a cada ato. O princípio significa que nossas
escolhas possuem consequências diante de Deus.
Quem
semeia obediência, justiça e temor ao Senhor está construindo uma vida coerente
com a vontade divina. Quem persiste deliberadamente no pecado está caminhando
para consequências espirituais e morais correspondentes.
Bondade e severidade de Deus
Paulo
orienta os cristãos a considerarem simultaneamente “a bondade e a severidade de
Deus” (Rm.11:22). Essa perspectiva é necessária para uma compreensão
equilibrada do caráter divino.
Não
devemos apresentar Deus apenas como alguém que abençoa, ignorando sua santidade
e justiça. Da mesma forma, não devemos enfatizar o juízo de maneira que
obscureça sua misericórdia.
Deus
é amoroso, mas não tolera o pecado; é misericordioso, mas permanece justo; perdoa
o arrependido, mas não aprova a persistência deliberada na desobediência.
Aplicação para a Igreja
A
advertência de Deuteronômio 4:23-27 permanece relevante. A Igreja precisa
compreender que a graça de Deus jamais deve ser transformada em desculpa para a
desobediência. Devemos examinar continuamente nossa vida à luz da Palavra:
- Estamos
permanecendo fiéis ao Senhor?
- Temos guardado
sua Palavra?
- Existe alguma
forma de idolatria ou comprometimento espiritual em nossa vida?
- Estamos tratando
o pecado com seriedade?
- Quando somos
corrigidos por Deus, respondemos com arrependimento?
- Estamos ensinando
às novas gerações a importância da fidelidade ao Senhor?
A
resposta adequada à revelação divina é fé acompanhada de obediência.
|
SÍNTESE
DO ITEM II.3 Deuteronômio
4:23,24,27 ensina que a resposta do ser humano à revelação de Deus possui
consequências. Israel não poderia esquecer a aliança, abandonar a Palavra e
entregar-se à idolatria sem sofrer as consequências de sua infidelidade. O
texto revela, ao mesmo tempo, a santidade, justiça, fidelidade e misericórdia
de Deus. Ele disciplina o seu povo quando necessário, mas não abandona
aqueles que se voltam para Ele com arrependimento sincero. A
grande lição para nós é clara: não devemos abusar da graça de Deus nem tratar
sua Palavra com negligência. A fidelidade do Senhor deve despertar em nós
temor, gratidão e obediência. Deus
continua fiel à sua Palavra; por isso, somos chamados a responder à sua
revelação com uma vida de fé, santidade e fidelidade. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM II.3 O que Deuteronômio 4:23,24,27 ensina sobre as
consequências da infidelidade à aliança com Deus? Resposta: Ensina que Deus é fiel, mas também é santo e justo, e não deixa impune a
persistente desobediência. Israel foi advertido de que, se abandonasse a
aliança e se entregasse à idolatria, sofreria as consequências de sua
infidelidade, inclusive a dispersão entre as nações (Dt.4:27). Ao mesmo
tempo, o texto revela que a disciplina divina não anula sua misericórdia:
Deus permanece fiel à sua aliança e está disposto a restaurar aqueles que o
buscam de todo o coração (Dt.4:29-31). Portanto, devemos levar a sério a Palavra de Deus, rejeitar o
pecado e responder à sua graça com fé, arrependimento e obediência. |
III – DEUS NÃO SE ESQUECE DO SEU CONCERTO
1. Ele é misericordioso (Dt.4:30,31)
“30.Quando
estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de
dias, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz.
31.Porquanto
o Senhor, teu Deus, é Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te
destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a teus pais.
Em seguida, após
advertir Israel sobre as consequências da idolatria e da desobediência, Moisés
apresenta uma mensagem de esperança e
restauração. O povo poderia afastar-se do Senhor e sofrer as
consequências da quebra da Aliança, mas Deus não abandonaria definitivamente
aqueles que, arrependidos, voltassem para Ele. Deuteronômio 4:30,31 revela,
assim, uma das verdades mais consoladoras da Aliança: Deus permanece fiel mesmo quando o ser humano é infiel.
A disciplina não elimina a misericórdia
Moisés
antevê que Israel se corromperia e se voltaria para outros deuses, sofrendo,
por isso, as consequências de sua infidelidade (Dt.4:25-28). O exílio não seria
um acontecimento arbitrário, mas consequência do persistente afastamento do
povo em relação ao Senhor.
Entretanto,
o texto não termina com o juízo. Moisés declara que, “quando estiverdes em angústia”, o povo se voltaria para o Senhor
e ouviria a sua voz (Dt.4:30). A disciplina divina tinha como finalidade levar
o povo a reconhecer seu pecado e retornar ao Deus da Aliança.
Isso
nos ensina que a disciplina de Deus e a
sua misericórdia não são contraditórias. O mesmo Deus que julga o pecado
oferece caminho de retorno ao pecador arrependido.
Deus não abandona a sua Aliança
Deuteronômio
4:31 apresenta o fundamento dessa esperança: “Porquanto o Senhor, teu Deus, é Deus misericordioso; não te desamparará,
nem te destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a teus pais”. Essa
declaração evidencia três aspectos do caráter de Deus:
ü Ele é misericordioso — não trata
o pecador arrependido apenas segundo o seu pecado.
ü Ele não abandona o seu povo — sua disciplina não significa rejeição definitiva.
ü Ele não se esquece da sua Aliança — suas promessas permanecem firmadas em sua fidelidade.
A
esperança de Israel não estava na sua própria capacidade de permanecer
perfeito, mas no caráter daquele que havia estabelecido a Aliança.
O arrependimento abre o caminho para a restauração
Moisés
não apresenta uma restauração automática e independente da resposta humana. O
povo deveria buscar o Senhor de todo o
coração e de toda a alma (Dt.4:29).
Há,
portanto, uma diferença entre simplesmente sofrer as consequências do pecado e
arrepender-se verdadeiramente. O arrependimento envolve reconhecer o pecado,
abandonar o caminho da rebeldia e voltar-se sinceramente para Deus.
Essa
verdade aparece também no Salmo 51:17: “A
um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”. Deus não
despreza aquele que reconhece sua condição e se volta sinceramente para Ele.
A misericórdia de Deus não é licença para pecar
É
necessário manter o equilíbrio bíblico. A misericórdia divina não significa que
Deus seja indiferente ao pecado. Deuteronômio 4 mostra justamente o contrário: Israel sofreria consequências reais por sua
infidelidade.
A
misericórdia deve conduzir ao arrependimento, e não à presunção. Paulo ensina
que a bondade de Deus tem por finalidade conduzir o ser humano ao
arrependimento (Rm.2:4).
Portanto,
não devemos pensar: “Deus é misericordioso, então posso continuar pecando”. A
atitude correta é: “Deus é
misericordioso; por isso, quero abandonar o pecado e retornar a Ele”.
A fidelidade de Deus encontra sua plenitude em Cristo
Para
a Igreja, a certeza do perdão e da restauração encontra fundamento definitivo
na obra de Jesus Cristo. João afirma: “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados
e nos purificar de toda injustiça” (1Jo.1:9).
Observe
que João destaca novamente a fidelidade
de Deus. O perdão não está fundamentado na capacidade humana de reparar
perfeitamente seus erros, mas na obra redentora de Cristo e na fidelidade de
Deus às suas promessas.
Isso
não diminui a responsabilidade do crente; ao contrário, conduz-nos à confissão
sincera e a uma vida de santificação.
Aplicação prática
Deuteronômio
4:30,31 nos ensina que:
a) O pecado possui consequências, e não deve ser tratado com negligência.
b) A disciplina de Deus pode conduzir ao arrependimento e à restauração.
c) Deus permanece fiel mesmo diante da infidelidade humana.
d) O verdadeiro arrependimento envolve voltar-se sinceramente para o Senhor.
e) A misericórdia de Deus não é permissão para continuar no pecado.
f) Em Cristo, encontramos perdão, purificação e restauração para aqueles que
confessam seus pecados.
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SÍNTESE
DO ITEM III.1 Deuteronômio
4:30,31 apresenta uma poderosa mensagem de esperança: a infidelidade de
Israel não anulou a fidelidade de Deus. O Senhor permitiria que o povo
sofresse as consequências de sua rebeldia, mas não se esqueceria da aliança
estabelecida com seus pais. Quando Israel se voltasse para Ele com
sinceridade, encontraria misericórdia. A
passagem nos ensina que Deus é santo e justo para disciplinar, mas também
misericordioso para perdoar e restaurar. Sua misericórdia não ignora o
pecado; conduz o pecador ao arrependimento. Para
a Igreja, essa verdade encontra sua expressão plena em Cristo: quando
confessamos nossos pecados, podemos confiar que Deus é “fiel e justo” para
nos perdoar e purificar (1Jo.1:9). Portanto,
quando falharmos, não devemos fugir de Deus, mas voltar-nos para Ele com um
coração quebrantado e contrito. O Deus da Aliança permanece fiel: Ele não
abandona aquele que sinceramente O busca. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM III.1 1. O que Deuteronômio 4:30,31 revela sobre a
misericórdia e a fidelidade de Deus diante da infidelidade de Israel? Resposta: Deuteronômio 4:30,31 revela que, mesmo diante da infidelidade e do pecado de
Israel, Deus não se esquece da sua Aliança. Embora o povo sofresse as
consequências de sua desobediência, o Senhor permaneceria misericordioso e
disposto a restaurá-lo quando se arrependesse e o buscasse de todo o coração.
Assim, aprendemos que a disciplina de
Deus não elimina a sua misericórdia, e que há perdão e restauração
para aquele que abandona o pecado e retorna sinceramente ao Senhor. Em
Cristo, essa verdade é reafirmada: “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar”
(1João 1:9). |
2. O valor das experiências com Deus (Dt.4:32-34)
32.Agora,
pois, pergunta aos tempos passados, que te precederam, desde o dia em que Deus
criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até à outra, se
sucedeu jamais coisa tamanha como esta ou se se ouviu coisa como esta;
33.ou
se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo, como tu a
ouviste, ficando vivo;
34.ou
se um deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo, com provas,
e com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão poderosa, e com braço
estendido, e com grandes espantos, segundo tudo quanto o Senhor, vosso Deus,
vos fez no Egito, aos vossos olhos.
Após destacar a
misericórdia de Deus e sua fidelidade à Aliança, Moisés conduz Israel a uma
recordação das extraordinárias experiências que o povo havia vivido com o
Senhor. Em Deuteronômio 4:32-34, ele faz uma série de perguntas retóricas para
demonstrar a singularidade da história de Israel e, consequentemente, a
grandeza do Deus que havia estabelecido aliança com aquela nação.
A singularidade das experiências de Israel
Moisés
indaga: “Agora, pois, pergunta agora aos tempos passados, que te precederam,
desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do
céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tão grande como esta?” (Dt.4:32). A
resposta implícita é não. Nenhuma outra nação havia experimentado manifestações
de Deus semelhantes às que Israel havia testemunhado.
O
povo havia ouvido a voz do Senhor falando do meio do fogo (Dt.4:33),
presenciado seus grandes sinais e maravilhas e experimentado sua poderosa
intervenção no Egito. O êxodo não foi apenas um acontecimento político ou
militar; foi uma demonstração extraordinária do poder e da fidelidade de Deus.
O
próprio Senhor havia declarado: “Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das
cargas dos egípcios, e vos livrarei da sua servidão” (Êx.6:6).
Portanto,
a história de Israel deveria funcionar como um memorial permanente da ação de
Deus.
Experiência com Deus não é mero sentimentalismo
É
importante compreender corretamente o sentido das “experiências com Deus”.
Moisés não está simplesmente estimulando o povo a recordar emoções religiosas
ou acontecimentos extraordinários. As experiências de Israel estavam
fundamentadas em atos históricos da revelação divina.
Israel
ouviu a voz de Deus, recebeu sua Lei, testemunhou seus juízos e livramentos e
experimentou sua provisão durante a caminhada. Essas experiências tinham uma
finalidade espiritual: levar o povo a conhecer quem Deus é e a responder a Ele
com fé, temor e obediência.
Assim,
uma experiência genuína com Deus não deve terminar na emoção; deve produzir transformação
de vida.
A experiência deve conduzir à obediência
Moisés
chega a uma conclusão prática: “Pelo que hoje saberás e considerarás no teu
coração que só o Senhor é Deus em cima no céu e embaixo na terra; nenhum outro
há” (Dt.4:39). E imediatamente acrescenta: “E guardarás os seus estatutos e os
seus mandamentos que hoje te ordeno” (Dt.4:40).
Perceba
a sequência: conhecer → considerar no coração → reconhecer quem Deus é →
obedecer à sua Palavra. Esse é um princípio fundamental. As experiências que
Deus concede ao seu povo devem fortalecer a fé e conduzir à obediência. Não
foram dadas para alimentar orgulho espiritual ou produzir uma dependência de
sinais extraordinários.
A memória das experiências preserva a fé
Moisés
sabia que o povo enfrentaria novos desafios ao entrar em Canaã. Por isso,
precisava olhar para trás e lembrar-se de como Deus havia agido.
A
memória dos livramentos passados deveria produzir confiança para enfrentar as
circunstâncias futuras.
Quando
lembramos que Deus foi fiel ontem, encontramos razões para confiar nele hoje e
amanhã.
Isso
é especialmente importante nos momentos de crise. A fé pode ser fortalecida
quando recordamos:
- As respostas de
oração;
- Os livramentos
concedidos por Deus;
- Sua provisão em
tempos difíceis;
- Sua direção em
momentos de incerteza;
- As promessas
cumpridas;
- Os ensinamentos
recebidos por meio de sua Palavra.
Contudo,
essas lembranças devem sempre apontar para o Deus que realizou os feitos, e não
para a experiência em si.
Israel não deveria repetir os erros do passado
Apesar
de ter experimentado manifestações tão extraordinárias da presença e do poder
de Deus, Israel frequentemente demonstrou incredulidade e desobediência. A
história posterior da nação comprovaria que experiências espirituais, por si
mesmas, não garantem fidelidade permanente.
O
povo precisava transformar aquilo que havia experimentado em uma vida de
compromisso com Deus.
Essa
é uma advertência igualmente importante para a Igreja. Podemos ter participado
de cultos marcantes, recebido respostas de oração, testemunhado livramentos e
vivido momentos profundos de comunhão com Deus. Entretanto, nenhuma experiência
substitui a obediência contínua à Palavra.
A
verdadeira maturidade espiritual não consiste apenas em lembrar o que Deus fez,
mas em permanecer fiel ao Senhor depois que a experiência passou.
As advertências de Deus devem ser levadas a sério
A
história de Israel também demonstra que as advertências divinas não são
palavras vazias. Quando o povo persistiu na desobediência, experimentou as
consequências de seus pecados, inclusive o exílio.
O
cativeiro babilônico, posteriormente, demonstraria de maneira dolorosa a
seriedade das advertências da Aliança. Deus havia anunciado previamente as
consequências da infidelidade, e o cumprimento dessas advertências confirmou
que a Palavra do Senhor é digna de confiança tanto em suas promessas quanto em
seus juízos.
Por
isso, ninguém deve presumir que a experiência passada com Deus lhe dá licença para
viver em desobediência no presente.
A grandeza de Deus exige uma resposta
Moisés
não apresenta as experiências de Israel apenas para despertar admiração. Ele
deseja produzir uma resposta concreta: temor, gratidão, fidelidade e obediência.
O
conhecimento da grandeza de Deus deve conduzir a uma vida coerente com essa
realidade.
Para
nós, isso significa que quanto mais reconhecemos quem Deus é e quanto mais
compreendemos sua fidelidade, mais devemos desejar viver segundo sua vontade.
Aplicação prática para a Igreja
O
ensino de Deuteronômio 4:32-34 permanece atual. Precisamos valorizar aquilo que
Deus tem realizado em nossa caminhada, mas sem transformar experiências em
substitutas da Palavra.
Experiência
sem Palavra pode gerar subjetivismo; Palavra sem prática pode gerar mero
conhecimento intelectual. O propósito de Deus é que a verdade conhecida e as
experiências vividas produzam uma fé obediente.
Por
isso:
a) Lembre-se do que Deus
já fez, especialmente dos seus atos de graça e fidelidade.
b) Reconheça o Deus por
trás das experiências, dando-lhe toda a glória.
c) Permita que suas
experiências fortaleçam sua fé, e não substituam as Escrituras.
d) Obedeça à Palavra
mesmo quando não estiver vivendo experiências extraordinárias.
e) Leve a sério as
advertências divinas, pois Deus é fiel tanto para cumprir suas promessas quanto
para executar seus juízos.
f) Transmita às novas
gerações os testemunhos da fidelidade de Deus, ensinando-as a confiar e
obedecer ao Senhor.
|
SÍNTESE
DO ITEM III.2 Deuteronômio
4:32-34 mostra que as experiências históricas de Israel com Deus constituíam evidências
da sua grandeza, poder e fidelidade. Nenhuma outra nação havia experimentado
de maneira semelhante a manifestação do Senhor, ouvido sua voz e sido
libertada com sinais e maravilhas tão extraordinários. Entretanto,
essas experiências tinham um propósito maior: levar o povo a reconhecer que
somente o Senhor é Deus e, consequentemente, guardar seus mandamentos (Dt.4:39,40). A
lição para a Igreja é clara: devemos recordar com gratidão aquilo que Deus
fez, mas jamais substituir a Palavra por experiências. As experiências
genuínas com Deus devem fortalecer nossa fé, produzir gratidão e nos conduzir
a uma vida de obediência. Quem
se lembra da fidelidade de Deus encontra razões para confiar nele; quem leva
a sério sua Palavra encontra direção para permanecer fiel. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM III.2 Qual era o propósito de Moisés ao relembrar as
experiências extraordinárias de Israel com Deus em Deuteronômio 4:32-34? Resposta: Moisés queria levar Israel a reconhecer a grandeza, o poder e a
fidelidade do Senhor, lembrando os grandes feitos que Deus havia
realizado, especialmente a libertação do Egito e a manifestação de sua voz no
Horebe. Essas experiências não deveriam produzir apenas admiração ou emoção,
mas conduzir o povo a temer, confiar
e obedecer ao Senhor, guardando seus mandamentos (Dt.4:39,40). A lição
permanece atual: devemos valorizar e
recordar aquilo que Deus faz, mas sempre submeter nossas experiências à
autoridade da sua Palavra, permitindo que elas fortaleçam nossa fé e nos
conduzam à obediência. |
3. O privilégio de conhecer a Deus e honrá-lo com
obediência (Dt.4:39,40)
39.Por
isso, hoje, saberás e refletirás no teu coração que só o Senhor é Deus em cima
no céu e embaixo na terra; nenhum outro há.
40.Guarda,
pois, os seus estatutos e os seus mandamentos que te ordeno hoje, para que te
vá bem a ti e a teus filhos depois de ti e para que prolongues os dias na terra
que o Senhor, teu Deus, te dá para todo o sempre.
Após recordar os
grandes feitos do Senhor e sua manifestação no meio de Israel, Moisés conduz o
povo a uma conclusão prática: conhecer a Deus é um grande privilégio, mas esse
privilégio exige uma resposta de fé, temor e obediência. Deuteronômio 4:39,40
sintetiza essa exortação ao afirmar que o Senhor é Deus “em cima no céu e
embaixo na terra” e, por isso, seus estatutos e mandamentos deveriam ser
guardados.
O privilégio de conhecer o Deus verdadeiro
Israel
recebeu um privilégio que nenhuma outra nação possuía de maneira semelhante: Deus
se revelou ao seu povo. O Senhor não permaneceu desconhecido ou distante;
manifestou seu poder, falou com Israel, estabeleceu uma Aliança e entregou sua
Palavra.
Moisés
havia afirmado anteriormente: “A ti te foi mostrado para que soubesses que o
Senhor é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Dt.4:35). Esse conhecimento não era
simplesmente intelectual. Israel deveria reconhecer, pela experiência e pela
revelação, que Jeová é o único Deus verdadeiro e soberano sobre toda a criação.
O
conhecimento de Deus, portanto, conduz necessariamente à adoração. Quanto mais
conhecemos quem Deus é, mais devemos reconhecê-lo, honrá-lo e submeter-nos à
sua vontade.
O privilégio não é resultado de mérito humano
É
importante destacar que Israel não havia conquistado esse relacionamento com
Deus por causa de alguma superioridade moral ou mérito próprio. A escolha e o
relacionamento estabelecido pelo Senhor estavam fundamentados em sua graça e
fidelidade às promessas feitas aos patriarcas.
Isso
nos ensina um princípio permanente: os privilégios espirituais são dádivas da
graça de Deus e não motivos para orgulho. Quanto maior o privilégio recebido,
maior deve ser a responsabilidade de responder adequadamente ao Senhor.
Conhecer a Deus implica obedecer à sua Palavra
Moisés
conclui: “E guardarás os seus estatutos e os seus mandamentos que hoje te
ordeno” (Dt.4:40). A sequência é significativa: conhecer a Deus → reconhecer
sua soberania → guardar sua Palavra → viver em obediência.
Israel
não deveria limitar-se a declarar que o Senhor era seu Deus. Essa confissão
precisava ser demonstrada por uma vida submissa aos seus mandamentos.
A
obediência, portanto, não era uma tentativa de comprar o favor de Deus, mas a
resposta apropriada de um povo que havia experimentado sua graça e conhecido
sua vontade.
A bênção está relacionada à fidelidade à Aliança
Moisés
relaciona a obediência à preservação da vida e ao desfrute da bênção na terra
que Deus havia prometido: “Para que bem te vá a ti e a teus filhos depois de
ti, e prolongues os dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá para todo o
sempre” (Dt.4:40).
No
contexto da Aliança mosaica, Israel havia recebido responsabilidades
específicas relacionadas à permanência e à vida na Terra Prometida. A
obediência traria as bênçãos previstas na Aliança, enquanto a persistente
desobediência traria consequências e juízo.
É
importante, porém, não transformar esse princípio em uma fórmula simplista
segundo a qual todo sofrimento individual resulta diretamente de algum pecado
específico. A mensagem de Deuteronômio está inserida no contexto da Aliança nacional
de Israel. Para a Igreja, as bênçãos de Deus não devem ser reduzidas a
prosperidade material; em Cristo, recebemos sobretudo a salvação, a comunhão
com Deus, a vida espiritual e a esperança eterna.
Honrar a Deus é reconhecer Sua soberania
Deuteronômio
4:39 apresenta uma das grandes declarações teológicas do capítulo: “O Senhor é
Deus em cima no céu e embaixo na terra; nenhum outro há”. A afirmação elimina
qualquer espaço para rivalidade entre Deus e os ídolos. O Senhor não é
simplesmente um deus entre muitos; Ele é o único Deus verdadeiro e soberano.
Essa
verdade exige uma vida de adoração exclusiva. Se Deus é realmente o Senhor de
toda a nossa existência, então nossos pensamentos, escolhas, prioridades, relacionamentos
e atitudes devem estar submetidos à sua vontade.
Aplicação para a Igreja
A
Igreja também recebeu o privilégio de conhecer a Deus por meio de sua revelação
e, de maneira plena, por meio de Jesus Cristo. Não fomos chamados apenas para
possuir conhecimento bíblico, mas para conhecer a Deus, amá-lo e viver de
acordo com sua Palavra.
Por
isso, Deuteronômio 4:39,40 nos desafia a:
a) Reconhecer que somente
o Senhor é Deus.
b) Valorizar o privilégio
de conhecê-lo por meio das Escrituras.
c) Rejeitar toda forma de
idolatria e concorrência espiritual.
d) Honrar a Deus mediante
uma vida de obediência.
e) Ensinar às novas
gerações a verdade sobre quem Deus é.
f) Entender que a graça
recebida aumenta nossa responsabilidade diante de Deus.
g) Permanecer fiéis ao
Senhor mesmo quando não houver benefícios imediatos ou circunstâncias
favoráveis.
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SÍNTESE
DO ITEM III.3 Deuteronômio
4:39,40 mostra que conhecer o Deus verdadeiro é um grande privilégio e,
simultaneamente, uma grande responsabilidade. Israel havia recebido a revelação
do Senhor, testemunhado seus feitos e experimentado sua presença. Por isso,
deveria reconhecer sua soberania e responder com temor, fidelidade e
obediência. A
obediência não era uma forma de Israel conquistar o amor de Deus, mas a
resposta adequada ao Deus que já havia demonstrado seu amor e sua fidelidade.
A graça recebida deveria produzir uma vida de compromisso com a aliança. Para
nós, a lição permanece atual: quanto mais conhecemos a Deus, mais somos
chamados a honrá-lo; e quanto mais valorizamos sua graça, maior deve ser o
nosso compromisso com sua Palavra. Conhecer
a Deus é privilégio; honrá-lo com uma vida obediente é responsabilidade. PERGUNTA
DE REVISÃO E FIXAÇÃO — ITEM III.3 Qual é a relação entre o privilégio de conhecer a Deus e
a responsabilidade de honrá-lo com obediência, segundo Deuteronômio 4:39,40? Resposta: Conhecer a Deus é um grande privilégio, pois Ele se
revelou a Israel como o único Deus verdadeiro e soberano sobre o céu e a
terra (Dt.4:35,39). Esse privilégio, porém, traz uma responsabilidade: reconhecer sua soberania, guardar seus
mandamentos e viver em fidelidade à sua Palavra (Dt.4:40). Portanto, a
verdadeira experiência com Deus não produz apenas conhecimento, mas fé, temor, adoração e obediência.
Para o cristão, quanto mais conhecemos a Deus e sua graça, maior deve ser o
nosso compromisso de honrá-lo com uma vida fiel à sua Palavra. |
CONCLUSÃO
A
mensagem central de Deuteronômio 4 é clara e profundamente atual: Deus permanece fiel, mesmo quando o ser
humano é infiel. Israel havia experimentado a poderosa manifestação de
Deus no Horebe, contemplado Seus grandes feitos, recebido Sua Lei e desfrutado
de Sua presença e cuidado. Entretanto, repetidamente, o povo demonstrou
incredulidade, desobediência e inclinação à idolatria. Ainda assim, Deus não
deixou de cumprir Suas promessas nem abandonou Seu propósito para com o Seu
povo.
Para
nós, hoje, permanece a advertência: não devemos trocar o Deus verdadeiro por
qualquer ídolo, nem permitir que aquilo que foi criado ocupe o lugar que pertence
exclusivamente ao Criador. Também precisamos transmitir a fé às novas gerações,
ensinando-lhes a Palavra e demonstrando, pelo testemunho, que vale a pena
permanecer fiel ao Senhor.
Portanto,
diante da infidelidade humana, devemos descansar na fidelidade divina, mas
jamais usar essa fidelidade como desculpa para viver em desobediência. A graça
de Deus nos chama ao arrependimento; Sua misericórdia nos restaura; Sua Palavra
nos orienta; e Sua fidelidade nos motiva a permanecer firmes.
Em
síntese: Deuteronômio 4 nos ensina que Deus não muda, não abandona Sua aliança
e não falha em Suas promessas. Cabe-nos, portanto, responder à Sua fidelidade
com fé, temor, amor, adoração e obediência. Como declara Paulo: “Se formos
infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm.2:13).
Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
Disponível em: https://luloure.blogspot.com/
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e
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Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.
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Dicionário VINE.CPAD.
O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
Teologia do Antigo Testamento – ROY B. ZUCK.
Comentário Bíblico Beacon – CPAD.
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