1º Trimestre de 2025
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 12
Texto
Base: Tito 1:1-9
“Por esta
causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas
que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como
já te mandei” (Tito 1:5).
Tito 1:
1.Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé
dos eleitos de Deus e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade,
2.em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir,
prometeu antes dos tempos dos séculos,
3.mas, a seu tempo, manifestou a sua palavra pela pregação que me
foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador,
4.a Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: graça,
misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo,
nosso Salvador.
5.Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa
ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade,
estabelecesses presbíteros, como já te mandei:
6.aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha
filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.
7.Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro
da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador,
nem cobiçoso de torpe ganância;
8.mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo,
temperante,
9.retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para
que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer
os contradizentes.
INTRODUÇÃO
A Igreja de Cristo é apresentada nas Escrituras como um organismo
vivo, formado por pessoas regeneradas e unidas pelo Espírito Santo. Contudo,
ela também possui uma natureza organizacional, refletida na estrutura de
ministérios e funções necessárias para o cumprimento de sua missão no mundo.
Nesta Lição, exploraremos como a Igreja, sendo corpo vivo e espiritual, pode
harmonizar sua essência orgânica com a necessidade de organização para servir
ao Reino de Deus de maneira eficiente.
No contexto atual, há quem rejeite ou minimize a dimensão
organizacional da Igreja, como se estrutura e espiritualidade fossem
incompatíveis. Contudo, o ensino bíblico demonstra que ambas as dimensões
coexistem em harmonia, sendo indispensáveis para o pleno funcionamento do Corpo
de Cristo. A organização da Igreja não anula sua natureza espiritual, mas a
potencializa, permitindo que os dons sejam exercidos, a comunhão seja promovida
e o Evangelho seja propagado.
Por meio do estudo desta Lição, seremos desafiados a compreender e
valorizar o equilíbrio entre organismo e organização, reconhecendo que, em sua
sabedoria, Deus projetou a Igreja para refletir sua ordem e glória tanto no
âmbito celestial quanto no terreno. Que possamos, como membros deste Corpo,
contribuir para o avanço do Reino, alinhados ao propósito divino.
I. TITO E
AS IGREJAS NA ILHA D CRETA
1. Tito
(Tt.1:4)
“a Tito,
meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: graça, misericórdia e paz,
da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador”.
Tito foi um importante colaborador do apóstolo Paulo e desempenhou
um papel significativo no fortalecimento das igrejas, especialmente na ilha de
Creta. Na epístola endereçada a ele, Paulo o chama de “verdadeiro filho” na fé
(Tt.1:4), expressão que destaca o profundo vínculo espiritual entre os dois,
semelhante ao relacionamento de Paulo com Timóteo (1Tm.1:2). Esse termo indica
que Tito provavelmente foi conduzido à fé pelo próprio apóstolo.
Embora Tito não seja mencionado no livro de Atos, ele aparece
várias vezes nas cartas paulinas, o que atesta sua relevância no ministério
apostólico. Em Gálatas, é identificado como grego, o que sugere que sua
conversão e ministério eram um testemunho da inclusão dos gentios no plano de
salvação (Gl.2:1,3). Sua presença em momentos críticos, como a resolução de
problemas na igreja de Corinto (2Co.7:6,7, 13,14), demonstra sua maturidade
espiritual e capacidade de liderança.
A epístola a Tito oferece orientações práticas para a organização
e a saúde espiritual das igrejas em Creta, uma região conhecida por sua
corrupção e imoralidade (Tt.1:12). A missão de Tito era desafiante, mas sua
experiência e ligação com Paulo o qualificaram para tal tarefa. Ele também é
mencionado em outros contextos, como Nicópolis (Tt.3:12), onde Paulo planejava
passar o inverno, o que reforça sua posição como um colaborador confiável e
diligente na obra de Deus.
Esse panorama destaca a importância de líderes espirituais
preparados, que, como Tito, são chamados a estabelecer a ordem e a promover a
sã doutrina, mesmo em ambientes adversos.
“Por esta causa te deixei em Creta, para que
pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em
cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei”.
Tito foi
designado por Paulo para exercer um papel estratégico e desafiador na ilha de
Creta. Como pastor das igrejas locais, sua missão principal era colocar
"em boa ordem as coisas que restam" (Tt.1:5), o que indica que havia
questões pendentes a serem resolvidas na organização e na condução espiritual
das comunidades cristãs na região. Além disso, Tito tinha a responsabilidade de
estabelecer presbíteros em cada cidade, consolidando a liderança local e
promovendo a estabilidade das igrejas.
A escolha
de Tito para essa tarefa demonstra a confiança de Paulo em sua capacidade
pastoral, discernimento e compromisso com o evangelho. Creta era conhecida por
sua cultura problemática e por características morais decadentes, como
mencionado na própria epístola (Tt.1:12,13). Essa realidade tornava o trabalho
de Tito ainda mais desafiador, exigindo sabedoria e firmeza na aplicação da
doutrina cristã.
Embora o
livro de Atos não mencione diretamente o envio de Tito a Creta, há indícios de
que Paulo passou pela ilha durante sua viagem a Roma como prisioneiro (Atos
27:8). Contudo, parece mais provável que Tito tenha sido deixado na ilha em
outra ocasião, após a primeira libertação de Paulo. A ausência de detalhes no
itinerário reforça que o ministério de Tito em Creta fazia parte de um plano
estratégico posterior de Paulo para o fortalecimento das igrejas.
Esse
cenário enfatiza a importância de líderes espirituais que, como Tito, estão
dispostos a enfrentar desafios culturais e espirituais para promover a sã
doutrina e estabelecer uma estrutura organizacional que sirva ao propósito do
Reino de Deus.
3. Ilha de Creta
A ilha de Creta, localizada no mar Mediterrâneo, foi incorporada
ao Império Romano em 67 a.C., formando uma província conjunta com Cirene, no
Norte da África, sob os termos da Líbia. Historicamente, Creta era um lugar de
importância estratégica, mas a realidade espiritual e social da ilha
apresentava desafios significativos no período apostólico.
A igreja cristã em Creta enfrentava uma série de problemas,
conforme descrito na epístola de Paulo a Tito. A comunidade cristã local estava
desorganizada e sofria com o impacto do comportamento descuidado e permissivo
de seus membros. Esse relaxamento espiritual refletia a cultura geral dos
cretenses, conforme citado pelo próprio Paulo em Tito 1:12,13, onde ele menciona
um poeta cretense que descreveu os habitantes da ilha como "sempre
mentirosos, feras ruins, ventres preguiçosos".
Além disso, o contexto eclesiástico era agravado pela presença de
judaizantes rebeldes, descritos como insubordinados, mercenários e causadores
de divisões (Tt.1:10-16). Esses indivíduos promoviam ensinos contrários à
doutrina cristã, buscando lucro e distorcendo a verdade, prejudicando a unidade
e a saúde espiritual da igreja.
O ambiente de Creta exigia uma liderança firme e dedicada. Tito
foi encarregado por Paulo de organizar as igrejas locais, corrigir os desvios
doutrinários e estabelecer presbíteros que pudessem guiar a comunidade de
maneira bíblica e consistente. Essa tarefa reflete a importância de um
ministério bem estruturado para enfrentar os desafios espirituais e culturais,
assegurando que o evangelho de Cristo fosse fielmente vivido e proclamado.
II. A
INSTITUCIONALIDADE BÍBLICA DA IGREJA
1. A
instrução paulina
A instrução paulina dada a Tito sobre a organização eclesiástica demonstra
a visão abrangente e estratégica do apóstolo para o fortalecimento da Igreja.
Paulo orienta Tito a "estabelecer presbíteros de cidade em cidade"
(Tt.1:5), destacando a necessidade de líderes qualificados para pastorear e
guiar as comunidades locais. Essa prática já era evidente em seu ministério,
como mencionado em Atos 14:23, onde ele e Barnabé nomearam líderes em várias
igrejas, e também em Atos 20:28, quando Paulo exorta os líderes a cuidarem do
rebanho de Deus.
O apóstolo não via a organização eclesiástica apenas como uma
estrutura hierárquica ou administrativa. Sua abordagem combinava aspectos
organizacionais com a necessidade de líderes espiritualmente comprometidos,
capazes de combater ensinos errôneos e promover a unidade na fé. Essa ênfase na
liderança ministerial refletia o entendimento de que a saúde espiritual das
igrejas estava intimamente ligada à qualidade de seus líderes.
Além disso, Paulo reconhecia que a cultura local influenciava o
comportamento das comunidades cristãs. Em Creta, os problemas de relaxo
espiritual e descuido, como mencionado em Tito 1:12, eram reflexos das
características culturais da região, que necessitavam de atenção pastoral. A
solução paulina envolvia não apenas corrigir os problemas doutrinários, mas
também estabelecer uma liderança sólida, comprometida com os valores bíblicos,
para contrabalançar as influências negativas do contexto cultural.
Essa abordagem destaca a visão paulina da Igreja como um organismo
vivo, que também requer uma estrutura organizacional eficaz para cumprir sua
missão. A liderança local, formada por presbíteros e diáconos (Fp.1:1), era
parte essencial do plano de Paulo para garantir que as igrejas permanecessem
firmes na fé e funcionassem como comunidades saudáveis e bem direcionadas, tanto
espiritualmente quanto organizacionalmente.
A visão da
Igreja como instituição complementa a sua natureza orgânica, demonstrando que
ambas as dimensões — organismo vivo e organização — são essenciais para o
funcionamento e crescimento do Corpo de Cristo. Como organismo, a Igreja é um
corpo espiritual vivo, sustentado e dirigido pelo Espírito Santo, que habita em
seus membros (1Co.3:16,17; 6:19; Ef.2:21). Esse aspecto destaca a
espiritualidade da Igreja, sua união mística com Cristo e sua missão de testemunhar
o Evangelho.
No
entanto, a Igreja também é uma instituição divina que requer organização para
cumprir sua missão na terra de forma eficaz. A ideia de institucionalizar
refere-se ao estabelecimento de estruturas, regras e práticas que garantam a
funcionalidade e a ordem. Esse processo já era evidente nos dias dos apóstolos,
quando líderes foram designados, como presbíteros e diáconos (Atos 14:23; 1Tm.3:1-13),
e diretrizes foram estabelecidas para o culto, a disciplina e o serviço
cristão.
Paulo, ao
escrever suas epístolas, revela uma preocupação clara com a organização da
Igreja. Ele exorta Tito e Timóteo a estabelecerem líderes qualificados e a
ensinarem as comunidades a viverem de acordo com os princípios do Evangelho.
Essas instruções refletem a compreensão de que a ordem na Igreja não é
contrária à sua espiritualidade, mas um meio de expressá-la de maneira prática
e visível.
Portanto,
a natureza institucional da Igreja não deve ser vista como um oposto à sua
essência espiritual. Ambas coexistem e se complementam, garantindo que a
Igreja, como um organismo vivo, funcione de maneira organizada e eficaz,
cumprindo sua missão de glorificar a Deus e edificar os crentes. Essa
perspectiva ressalta que a institucionalidade não é apenas necessária, mas
também bíblica, e deve ser entendida como parte do plano divino para o Corpo de
Cristo.
A
organização na Igreja Primitiva, conforme descrita no Novo Testamento, reflete
um equilíbrio entre a vida espiritual e a estrutura necessária para o funcionamento
eficiente do Corpo de Cristo. Os relatos apostólicos demonstram que os
primeiros cristãos estabeleceram práticas organizacionais em diversas áreas,
evidenciando a importância da ordem e da funcionalidade no âmbito eclesiástico.
a)
Ordem nos cultos. Havia uma preocupação com a edificação mútua
e a ordem nos cultos. Em 1Coríntios 14:26-40, Paulo orienta os crentes a
garantir que as reuniões fossem conduzidas de forma organizada, com cada
participante contribuindo de maneira edificante e ordenada. A ênfase na ordem
demonstra que a espiritualidade não é incompatível com a organização.
b)
Consagração de líderes. A Igreja realizava reuniões ministeriais para
a consagração de presbíteros, como evidenciado em Atos 14:23. Isso aponta para
um reconhecimento de liderança qualificada e a necessidade de estrutura na
administração das igrejas locais.
c)
Decisões doutrinárias. O Concílio de Jerusalém, registrado em Atos
15, foi uma reunião convocada para resolver questões doutrinárias cruciais.
Esse evento pode ser considerado um precursor de convenções ou assembleias
gerais, reforçando a importância de fóruns para debate e tomada de decisões na
Igreja.
d)
Serviços sociais. A Igreja também organizava a assistência
social para ajudar os necessitados. Os capítulos 8 e 9 de 2Coríntios e Romanos
15:25-27 detalham a coleta e distribuição de recursos para comunidades em
situação de vulnerabilidade econômica.
e)
Ética e disciplina. Em 1Coríntios 5:2-5, Paulo orienta a
comunidade de Corinto a lidar com casos de pecado grave, indicando a existência
de uma espécie de “comissão de ética” para manter a santidade e a unidade da
Igreja.
f)
Administração financeira. A tesouraria da Igreja, mencionada em
1Coríntios 16:1-3, era responsável por gerenciar as contribuições dos fiéis para
causas específicas, como o auxílio aos necessitados.
g)
Cartas de recomendação. Romanos 16:1,2 e outras passagens mencionam
cartas de recomendação usadas para identificar e garantir a legitimidade de
líderes ou crentes viajantes, destacando uma prática organizacional necessária
para a época.
Esses
exemplos demonstram que a organização na Igreja Primitiva não era apenas
prática, mas também um reflexo do desejo de atender às necessidades espirituais
e físicas da comunidade cristã. Isso confirma que a organização eclesiástica é
uma dimensão bíblica e essencial para a missão e a funcionalidade do Corpo de
Cristo.
III. A
QUESTÃO ATUAL
1.
Organismo e Organização
Existe uma ideia errônea atual de se restringir a um local onde as
pessoas se reúnam para adorar a Deus, estudar as Escrituras Sagradas, pregar o
Evangelho, orar e celebrar as ordenanças eclesiásticas. O que muitos ainda não
entenderam é que essas atividades espirituais exigem uma organização.
O conceito de que a Igreja é tanto um organismo vivo quanto uma
organização estruturada é essencial para compreender sua funcionalidade bíblica
e contemporânea. A abordagem bíblica apresenta a Igreja como um Corpo
espiritual (1Co.12:12-27), formado por crentes unidos pela fé em Cristo e
vivificados pelo Espírito Santo, mas que, ao mesmo tempo, deve operar como uma
instituição organizada, para atender às demandas práticas e espirituais de sua
missão.
A dualidade: Organismo e
Organização
A metáfora do corpo, utilizada por Paulo, destaca a
interdependência e funcionalidade dos membros da Igreja. Cada parte tem um
papel único, mas opera em harmonia dentro de uma estrutura comum. No entanto,
essa dinâmica espiritual não elimina a necessidade de organização, mas a
reforça. Atividades como culto público, pregação, ensino, discipulado e
assistência social exigem planejamento, coordenação e liderança, demonstrando
que a organização é um aspecto complementar da vida orgânica da Igreja.
Além das demandas internas, a Igreja como organização deve
observar as obrigações legais impostas pelo contexto civil. O apóstolo Paulo
destaca a importância de sujeição às autoridades governamentais (Rm.13:1-7),
reconhecendo que a Igreja, enquanto corpo social, deve cumprir suas
responsabilidades como instituição dentro da sociedade. A frase de Jesus,
"Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mt.22:21),
exemplifica a necessidade de equilíbrio entre os deveres espirituais e os
civis.
A organização da Igreja não é apenas uma questão prática, mas
também uma resposta ao seu papel no mundo. Para que a Igreja cumpra sua missão
de forma eficaz, é necessário um sistema funcional que cuide da administração
de recursos, da formação de líderes, e do cuidado com a membresia. A
organização é uma forma de refletir o caráter de Deus, que é um Deus de ordem
(1Co.14:33,40).
Assim, rejeitar a natureza organizacional da Igreja é ignorar a
realidade de sua missão terrena. A Igreja deve ser um reflexo da ordem divina,
manifestada tanto no organismo espiritual quanto na organização prática,
equilibrando suas responsabilidades como um corpo celestial e uma entidade
funcional na Terra.
O
Movimento Pentecostal moderno, em sua origem, estava profundamente relacionado
a uma reação ao formalismo e à institucionalidade predominante em muitas
denominações tradicionais da época. Essa postura antidenominacionalista foi
marcante nos primeiros pentecostais, herdeiros do Movimento Holiness,
que enfatizavam a santidade pessoal e rejeitavam estruturas formais que, em sua
visão, poderiam sufocar a espontaneidade do Espírito Santo.
Charles
Fox Parham, um dos pioneiros do Movimento Pentecostal, simboliza essa rejeição
à institucionalização. Aos 20 anos de idade, assumiu o pastorado de uma igreja,
na Eudora, Kansas, mas entregou a licença de pregador local. Ao abandonar o
pastorado e a afiliação denominacional em 1895, Parham buscou uma forma de
ministério independente, acreditando que uma estrutura rígida seria
incompatível com o avivamento espiritual que defendia. Ele via o formalismo
denominacional como um obstáculo à liberdade do Espírito Santo para agir.
Apesar
dessas raízes, a Igreja no período apostólico oferece um exemplo de organização
que não comprometeu sua vitalidade espiritual. No episódio de Atos 6:1-7, vemos
a Igreja estabelecendo um sistema administrativo para lidar com as queixas
sobre a distribuição diária de alimentos às viúvas. Esse modelo foi eficaz, não
apenas para resolver conflitos internos, mas também para fortalecer o
testemunho da Igreja e permitir que os apóstolos se dedicassem ao ensino e à
oração. Como resultado, "crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se
multiplicava grandemente o número dos discípulos" (Atos 6:7).
Equilíbrio
entre liberdade espiritual e organização
Embora o
antidenominacionalismo tenha sido útil para catalisar o avivamento pentecostal,
a história da Igreja demonstra que organização e vida espiritual podem
coexistir de forma harmônica. Estruturas administrativas saudáveis não precisam
sufocar o agir do Espírito, mas podem, ao contrário, potencializar a missão da
Igreja, permitindo que ela opere de maneira eficaz e alcance mais vidas.
Assim, a
experiência do Movimento Pentecostal ensina que, embora a institucionalidade
excessiva possa ser prejudicial, uma organização equilibrada, como a adotada
pela Igreja primitiva, é essencial para sustentar o crescimento e o impacto do
Corpo de Cristo.
A
necessidade de organização no Movimento Pentecostal se tornou evidente à medida
que o crescimento exponencial trouxe desafios relacionados à unidade, doutrina
e administração.
Em 1914,
líderes pioneiros das Assembleias de Deus nos Estados Unidos perceberam que o
sentimento antidenominacional herdado de Charles Parham e outros líderes do
Movimento Holiness poderia comprometer a sustentabilidade do avivamento. A ausência
de uma estrutura central dificultava a solução de conflitos internos e a
preservação da identidade doutrinária em meio ao rápido crescimento. Para
enfrentar esses desafios, foi formado o Concílio Geral das Assembleias de Deus,
estabelecendo uma base organizacional capaz de promover a unidade e apoiar as
igrejas locais sem sufocar sua autonomia.
No Brasil,
o avanço do Movimento Pentecostal liderado pelos missionários suecos Gunnar
Vingren e Daniel Berg também destacou a necessidade de estruturação.
Inicialmente, o crescimento das Assembleias de Deus ocorreu de forma
espontânea, mas com o passar do tempo, desafios administrativos, doutrinários e
organizacionais surgiram. Em 1930, foi criada a Convenção Geral das Assembleias
de Deus no Brasil (CGADB), com o propósito de:
- Manter a
identidade e a unidade doutrinária entre as igrejas no país.
- Resolver questões
administrativas internas e
externas.
- Estabelecer
diretrizes claras para o avanço
missionário e pastoral.
Tanto nos
Estados Unidos quanto no Brasil, a institucionalização trouxe ordem ao
Movimento Pentecostal, permitindo:
- Um crescimento
saudável e sustentável.
- A preservação da
unidade doutrinária em meio à expansão.
- A criação de
estruturas para discipulado, missões e trabalho social.
Embora a
organização tenha enfrentado críticas de alguns setores que temiam a perda da
liberdade espiritual, ela se mostrou essencial para que o Movimento Pentecostal
se consolidasse como uma das maiores forças do cristianismo contemporâneo. Essa
estrutura continua sendo fundamental para enfrentar os desafios do século XXI,
equilibrando vida espiritual vibrante com gestão eficiente.
CONCLUSAO
A Igreja de Cristo é simultaneamente um organismo vivo,
espiritual, e uma organização estruturada, e essa dualidade não é contraditória,
mas complementar. A organização é necessária para que a Igreja, enquanto corpo
coletivo, cumpra a sua missão divina de pregar o Evangelho, discipular as
nações, servir a comunidade e demonstrar o amor de Deus por meio de obras sociais.
Sem estrutura organizacional, seria inviável administrar os
recursos, coordenar ministérios, planejar missões e manter a unidade
doutrinária em uma comunidade global tão diversa. Assim como o corpo humano é
um organismo vivo que depende de sistemas organizados para funcionar
adequadamente, a Igreja precisa de organização para executar sua vocação
espiritual com eficiência e ordem.
Portanto, compreender e valorizar a natureza organizacional da
Igreja é essencial para que ela continue a glorificar a Deus em todas as suas
ações e cumpra a sua missão no mundo.
Luciano de Paula Lourenço –
EBD/IEADTC
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD
William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo
Testamento).
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. CPAD.
O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
Pr. Hernandes Dias Lopes. João.
Bíblia de Estudo Apologia Cristã. CPAD.
Pr. Raimundo de Oliveira. Seitas e Heresias. CPAD.
Pr. Esequias Soares. Heresias e Modismos. CPAD.
Silas Daniel. Seitas e Heresias. CPAD.
Dicionário VINE.CPAD.
Dicionário Wycliffe. CPAD.
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