sábado, 29 de março de 2025

LIÇÕES DA EBD – 2º TRIMESTRE DE 2025



No 2º Trimestre de 2025 estudaremos sobre o seguinte tema: “E O VERBO SE FEZ CARNE - Jesus sob o olhar do Apóstolo do amor”. Teremos como base o Evangelho de Jesus Cristo segundo escreveu o apóstolo João.

Comentarista: Pr. Elienai Cabral. Ele atua como consultor doutrinário e tológico da CGADB e da CPAD, e além de conferencista, ele é autor de várias obras editadas pela editora.

O apóstolo João inicia o Evangelho com esta solene verdade: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Diz mais: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). João deixa claro que o Filho de Deus, que se encontrava no seio do Pai, foi concebido pelo Espírito Santo para habitar entre nós (Sl.2:7; Is.7:14; João 1:18; 3:16).

1. Por que João denomina-o “Verbo de Deus”?

Sendo Cristo o executivo do Pai, todas as coisas vieram à existência por intermédio dEle; sem Ele, nada do que é existiria. A expressão “no princípio” transporta-nos a Gêneses 1:1. Na criação, Jesus já atuava: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3).

O evangelista João aponta o “Verbo” como alguém que já existia desde a eternidade; não foi criado, mas gerado. Jesus “é imagem do Deus invisível o primogênito de toda a criação” (Cl.1:15). Notai que ele diz: “Ele é”; não eraou será, nem muito menos que Ele se tornou a imagem de Deus; Ele é o presente eterno - "Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e eternamente" (Hb.13:8). Jesus assumiu sua humanidade para revelar-nos Deus e sermos conduzidos ao Pai.

2. “O Verbo estava com Deus”

Isto declara que Ele, o Verbo, desde o início era Deus, indicando a deidade de Jesus. Essa deidade é descrita “porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Cl.1:19). Era do desejo do Pai que Jesus tivesse toda a plenitude da divindade; Ele não é um deus menor. Jesus é a expressão da vontade divina; é o Agente na Criação: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3); “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.1:16).

Todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele. Isto quer dizer que nada do que se fez, se fez sem Jesus Cristo. Ele tem o controle sobre tudo, e até mesmo Satanás, que antes era Lúcifer, o querubim ungido para adoração de Deus, também foi criado por Deus, através de sua Palavra viva, que é Jesus.

3. “E o Verbo era Deus"

Isto aponta para o Filho de Deus. Não se trata de acréscimo de mais um Deus aqui, posto que ao apóstolo foi revelado, pelo Espírito Santo, que o Verbo divino está incluído na essência una e indivisível da Deidade, embora seja Ele distinto do Pai (João 8:17,18; 2João 3).

No trimestre passado, na Lição 05, estudamos exaustivamente sobre esse assunto. Dissemos que, desde os Evangelhos até as epístolas, a natureza divina de Cristo é proclamada com clareza, mostrando que Ele é o Deus eterno que se revelou em carne.

João começa seu Evangelho com uma declaração poderosa: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Aqui, o termo “Verbo” (do grego Logos) identifica Jesus como a manifestação plena e eterna de Deus. Ele não é apenas divino, mas é Deus em sua essência, coexistindo com o Pai desde a eternidade.

Apóstolo Tomé, após a ressurreição, reconhece Jesus como “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28). Essa afirmação é um testemunho direto da divindade de Cristo. Jesus não apenas aceita essa adoração, mas confirma que a fé de Tomé é legítima, reforçando Sua identidade divina.

Paulo descreve Jesus como existindo “na forma de Deus” (morphē theou) (Fp.2:6), o que significa que Ele possui a mesma essência divina. Sua escolha de não se apegar à igualdade com Deus, mas de esvaziar-se, mostra Seu amor e humildade, mas não nega Sua divindade.

Paulo também afirma que Cristo é o “mistério de Deus” (Cl.2:2). Ele é a revelação suprema e completa do Deus invisível (Cl.1:15), sendo plenamente Deus em essência (Cl.2:9).

Em Tito 2:13, a expressão “nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” une os títulos de Deus e Salvador em uma única Pessoa, Jesus Cristo. Ele é apresentado como o foco da esperança dos cristãos, reafirmando Sua natureza divina.

Pedro reafirma a divindade de Cristo, descrevendo-O como “nosso Deus e Salvador” (2Pd.1:1). Essa passagem também conecta a obra salvadora de Cristo diretamente à Sua divindade, evidenciando que Ele é tanto o justo quanto o justificador (Rm.3:26).

João conclui sua primeira epístola com uma declaração categórica: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1João 5:20). Jesus é identificado não apenas como Aquele que concede a vida eterna, mas como o próprio Deus verdadeiro.

Essas passagens não deixam dúvidas sobre a identidade divina de Jesus. Ele é o Deus eterno, Criador, Salvador e Redentor. Reconhecer Jesus como Deus não é apenas uma questão teológica, mas o fundamento da fé cristã e da nossa esperança de salvação.

4. "E o Verbo se fez carne" (João 1:14a)

Depois de afirmar a perfeita divindade do Verbo, João agora assevera sua perfeita humanidade. Jesus é tanto Deus como homem. É perfeitamente Deus e perfeitamente Homem. O Verbo que criou o mundo, a razão que controla a ordem do mundo, fez-se carne e veio morar entre os seres humanos. Possui duas naturezas distintas: divina e humana. É Deus de Deus, luz de luz, coigual, coeterno e consubstancial com o Pai. Não obstante, fez-se carne.

Quando o Verbo se fez carne, as duas naturezas - divina e humana - se uniram inconfundivelmente, imutável, indivisível e inseparavelmente. Vemos, portanto, a presença de Deus entre os seres humanos (João 1:14). O Verbo eterno, pessoal, divino, autoexistente e criador esvaziou-se de sua glória, desceu até nós e vestiu pele humana.

A carne de Jesus Cristo tornou-se a nova localização da presença de Deus na terra. Jesus substituiu o antigo tabernáculo. Fez-se um de nós, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado (cf. Hb.4:15). Isto é o grande mistério da encarnação (1Tm.3:16).

O Verbo, portanto, se fez carne, mas permaneceu sendo o Verbo de Deus (João 1:1,18). A segunda Pessoa da Trindade assume a natureza humana sem deixar de lado a natureza divina. Nele as duas naturezas, divina e humana, estão presentes. Veja a Lição 03 do 1º trimestre de 2025.

5. Características humanas do Verbo

Há indicações claras na Bíblia que Jesus era uma Pessoa plenamente humana, sujeito a todas as limitações comuns à raça humana, mas sem pecado. Ele nasceu como todo ser humano nasce. Embora sua concepção tenha sido diferente, uma vez que não houve a participação de um pai biológico, todos os outros estágios de crescimento foram idênticos ao de qualquer ser humano normal, tanto física como intelectual e emocional. Também no sentido psicológico era genuinamente humano, pois pensava, raciocinava, se emocionava, como todo ser humano normal. Há abundantes e incontestáveis provas de sua humanidade, ou seja, de que Ele nasceu, cresceu e viveu entre nós. Cito algumas:

a)   Seu nascimento (Lc.2:6,7). Jesus nasceu de uma mulher humana, passando por todas as fases que uma criança normal passa. Seu nascimento é contado com detalhes nos dois primeiros capítulos de Mateus e de Lucas.

b)   Seu crescimento (Lc.2:52). Cresceu como toda criança normal cresce, sendo alimentada por comida e água. Seu corpo não era sobre-humano e não tinha características especiais, diferentes de qualquer ser humano normal.

c)   Suas limitações físicas. Foram idênticas as de um ser humano:

Ø  Sentia fome (Mt.4:2; Mc.11:12).

Ø  Sentia sede (João 19:28).

Ø  Ficava cansado (João 4:6).

Ø  Sofria dor (João 18:22; 19:2,3).

d)   Era uma Pessoa real, não um espírito (1João 1:1; Mt.9:20-22; 26:12; João 20:25,27). Jesus de fato foi visto e tocado pelas pessoas à sua volta. Não era um espírito com a forma humana, nem um fantasma, mas um Homem real, a ponto de Tomé só acreditar em sua ressurreição após tocá-lo. O testemunho do Espírito de Deus afirma que Jesus tomou plenamente a forma humana (1João 4:2,3a).

e)   Sua morte (Lc.23:46; João 19:33,34). Sua morte não foi aparente, mas verdadeira – “Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas” (João 19:33). Seu corpo sucumbiu aos sofrimentos infligidos e de fato expirou à semelhança de todos os homens. Esta é talvez a suprema identificação de Jesus com a humanidade, pois sendo Deus não deveria morrer, mas ao assumir plenamente a humanidade torna-se sujeito a possibilidade da morte. Eis uma verdade tremenda e profunda!

Portanto, Jesus Cristo não somente era pleno Deus, era também pleno ser humano. Ele exibia um conjunto pleno tanto de qualidades divinas quanto de qualidades humanas, numa mesma Pessoa, de tal modo que essas qualidades não interferiram uma na outra.

6. Necessidade da encarnação do Verbo

A encarnação de Cristo é o maior evento da história humana, o dia em que o divino se uniu ao humano com o propósito de salvar o ser humano. Com o ato da encarnação Deus mostrou que os sistemas humanos estavam e estão falidos, filosofia ou religião não podem fazer nada pelo ser humano. Deus mostrou que todo tipo de obra ou ritual religioso que o homem cumpra é inoperante para salvá-lo, e só Ele poderia mudar a situação. Observe alguns porquês da encarnação de Cristo e entenda esta necessidade:

a) Porque o ser humano nasce morto em pecado. Todos nascem em pecado, e assim em débito com Deus (Rm.3:23; 5:12; Ef.2:1-3), merecendo com isso o castigo pelo pecado, a morte eterna, que é o pagamento desta dívida (Rm.6:23a).

b) Porque não se pode ser salvo cumprindo rituais religiosos. Os esforços pessoais do ser humano de nada valem. Paulo passou boa parte de sua vida ensinando que a salvação não poderia ser alcançada cumprindo-se regras religiosas como a Lei de Moisés, por exemplo (Gl.cap.3 e 4). Por ter uma natureza pecaminosa (carnal) o ser humano não atinge as exigências de Deus (Rm.7:12-24; 8:7,8).

c)  Porque não se pode ser salvo praticando boas obras. Obras de pessoas pecadoras, mortas espiritualmente, são mortas também (Is.64:6). Só a graça de Deus proporciona a salvação (Ef.2:8-10), e esta graça veio com a encarnação de Cristo (João 1:17,18).

d) Porque há necessidade de justiça. A encarnação foi o meio de Deus proporcionar ao ser humano a justiça que ele não tinha. Paulo em Rm.3:21-26 explica que no tempo da graça (de Cristo) se manifestou a justiça de Deus. Esta justiça os profetas do Antigo Testamento já anunciavam, e agora ela havia chegado não para os que cumpriam a Lei, ou praticavam boas obras, mas para os que tinham fé em Jesus Cristo. Ele se encarnou para ser a propiciação pelos pecados. Pagou a pena de morte que o homem devia à Lei por não tê-la cumprido, mas ressuscitou porque era sem pecado. A justiça que Ele ganhou sendo justo não serve para Ele, porque Ele já é santo, mas é depositada (imputada) para todo aquele que tem fé nEle, que aceita o Seu sacrifício como substituto na cruz.

e) Porque Deus é amor. A encarnação de Cristo para morrer como inocente no lugar de criaturas pecadoras demonstra o grande amor de Deus. Este foi o motivo maior pelo qual Ele enviou Cristo ao mundo (João 3:16; Rm.8:39; 1Joao 4:19). Foi apenas por amor que Deus veio a terra; em Cristo se fez Emanuel (Deus conosco) (Mt.1:23). E na cruz foi concretizado esse amor.

Diante de tudo isso podemos afirmar e acreditar quão importante foi a encarnação do Verbo de Deus. A salvação só foi realizada porque Cristo veio em carne (Ef.2:15: Cl.1:22; 1Pd.3:18; 4:1). O caminho à presença de Deus foi aberto pela Sua carne (Hb.10:22). Foi por se encarnar que Ele pôde ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm.2:5).

No início da Igreja, à época da João, muitos falsos mestres enganavam os cristãos verdadeiros que Jesus não veio em carne. Naqueles dias surgiram na grande cidade de Éfeso e em toda a região da Ásia, onde estavam instaladas as sete igrejas, muitos enganadores que, através de falas doutrinas, intentavam induzir os crentes ao erro fatal. Surgiram “anticristos” (1João 2:18), mentirosos (1João 2:22) e falsos profetas (1João 4:1). João escreveu acerca dos falsos mestres para advertir os cristãos novos na fé - “Estas coisas vos escrevo a respeito daqueles que vos querem enganar”(1João 2:26).

A situação da igreja inspirava cuidados. Notamos isso pelo que se lê nas Cartas às sete igrejas da Ásia (Ap.cap.2 e 3). As heresias grassavam em muitas comunidades. O gnosticismo, sistema que mistura ideias filosóficas, crenças judaicas e cristãs, era uma das principais fontes de heresias da época. Assim, muitos cristãos se tornaram gnósticos. Criam em Jesus, mas negavam a realidade de sua encarnação e morte. Os hereges (os gnósticos) enganadores ensinavam que Jesus era apenas um homem, filho natural de José e Maria. Em outras palavras, eles não criam em Cristo como o Deus encarnado. Afirmavam que o mal residia na matéria; portanto, negavam que Deus pudesse se encarnar. Todavia, em relação a Cristo, João escreveu: "nós ouvimos, vimos, contemplamos, nossas mãos tocaram..." (1João 1:1-3). Ou seja, o apóstolo estava afirmando firmemente que o corpo de Cristo era matéria, pois poderia ser tocado, como de fato o foi. Não se tratava de um espírito, uma aparição, como os gnósticos afirmavam (1João 4:2; 5:6).

João foi contundente contra esses hereges, quando diz: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo”(1João 4:1-3).

Portanto, não conhecer a encarnação de Cristo é negar as profecias do Antigo Testamento e a mensagem do seu cumprimento em o Novo Testamento (ver Is.7:14; 9:6; João 1:1,14).

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

6. Temas das Lições a serem estudadas

Durante o 2º trimestre, exploraremos as seguintes Lições propostas:

Lição 1: O Verbo que se tornou em carne.

Lição 2: O Novo Nascimento.

Lição 3: A verdadeira adoração.

Lição 4: Jesus — o Pão da Vida.

Lição 5: A Verdade que liberta.

Lição 6: O bom Pastor e suas ovelhas.

Lição 7: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

Lição 8: Uma lição de humildade.

Lição 9: O caminho, a verdade e a vida.

Lição 10: A promessa do Espírito.

Lição 11: A intercessão de Jesus pelos discípulos.

Lição 12: Do julgamento à ressurreição.

Lição 13: Renovação da esperança.

Conclusão

O estudo deste 2º trimestre de 2025 reforça a doutrina central da fé cristã: Jesus Cristo é Deus, plenamente divino e plenamente humano. As Escrituras são claras ao afirmar sua divindade, apresentando-o como o Verbo eterno que se fez carne (João 1:1,14), o Deus verdadeiro e a vida eterna (1João 5:20).

A encarnação do Verbo não é apenas um evento teológico, mas a maior demonstração do amor de Deus pela humanidade. Ele veio ao mundo para restaurar nossa comunhão com o Pai, iluminando aqueles que estavam em trevas e trazendo salvação e vida eterna.

Que os estudos deste trimestre nos aproximem ainda mais de Cristo, o Verbo que se fez carne, fortalecendo nossa fé e compreensão de sua obra redentora. Que possamos reconhecer a grandeza dessa verdade e permitir que a Luz do Verbo transforme nossas vidas, conduzindo-nos a um relacionamento mais profundo com Deus.

 

Luciano de Paula Lourenço

IEADTC/EBD

 

7 comentários:

  1. Boa noite, tem como adquirir em PDF está lição 2° trimestre 2025 grátis ?

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    1. Prezado, tudo aqui é grátis. Para conseguir essa Aula Introdutória, e as demais que virão, é só selecionar e copiar para o Word, e salvar em PDF.

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  2. Aguardando o comentário da 1ª licão

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  3. Aguardando o comentário da lição 1

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  4. Pr Luciano de Paula Lourenço, a paz do Senhor Jesus !

    O senhor, faz comentários sobre as lições Bíblicas ebd revista Betel?

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  5. Amém 🙌🏼 Deus te abençoe a cada dia, tem me ajudado bastante na compreensão das lições!

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