domingo, 17 de janeiro de 2016

Aula 04 – ESTEJA ALERTA E VIGILANTE, JESUS VOLTARÁ


1º Trimestre/2016

Texto Básico: Lucas 17:24-30

 

“Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia” (Lc 17:24).

 

INTRODUÇÃO

A atitude que Jesus espera de cada crente com relação à sua vinda não é outra senão a vigilância - "E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiai" (Mc 13:37). Estar vigilante é estar atento, é estar prestando atenção a todos os acontecimentos, buscando ver nisto os sinais da proximidade da vinda de Jesus. Quando temos a convicção de que Cristo pode voltar a qualquer momento, que os sinais de sua vinda estão se cumprindo a todo instante, passamos a ser muito mais cuidadosos com nossa vida espiritual, temos um ânimo renovado para vivermos em santificação e para estarmos preparados para ouvir a última trombeta. Como as virgens prudentes da parábola (Mt 25:1-13), podemos voltar nosso alvo a cultivarmos a presença do Espírito Santo em nossas vidas e, com azeite suficiente, podermos até tosquenejar, mas jamais deixar de perder de vista a promessa do retorno do Senhor.

I. A VINDA DE JESUS SERÁ REPENTINA

O crente deve estar em comunhão com o Senhor, em santidade, a fim de que tenha condições de discernir espiritualmente o momento em que está vivendo e se preparar convenientemente para não ser apanhado de surpresa pela vinda do Senhor. O Arrebatamento é iminente e o juízo divino não demora, e somente aqueles que estiverem atentos, aguardando o Senhor, serão poupados do “Dia do Senhor”, da ira divina que se abaterá sobre a Terra.

1. Como um relâmpago (Mt 24:27; 1Co 15:512). Como já sabemos, a Volta de Cristo se dará em duas fases: primeiro, o Arrebatamento; segundo, a vinda de Jesus em Glória, quando todo olho O verá (Ap 1:7). O Arrebatamento se dará de forma repentina, em tempo ínfimo, pois a Bíblia diz que isto se dará “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15:52a), expressão que, no grego, é “átomo”, ou seja, unidade que não pode ser dividida. Jesus disse que o Filho do Homem virá como o relâmpago (Mt 24:27) e, como hoje sabemos, pela física, a maior velocidade que existe é a velocidade da luz, na qual a própria matéria se transforma em energia. Precisamos, portanto, está alerta e vigilantes para que não sejamos enganados e confundidos, pois muitos falsos cristos estão surgindo e ainda vão surgir, tentando enganar os crentes e mesmo os ímpios.

2. Como um ladrão (1Ts 5:2) – “porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite”.

A figura do “ladrão” foi usada apenas para facilitar o nosso entendimento sobre como será o Arrebatamento da Igreja. Sabendo como age o ladrão, saberemos o que acontecerá no Dia do Arrebatamento.

a) O ladrão vem quando não é esperado - “mas considerai isto: Se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa”(Mt 24:43). Só o ladrão sabe quando ele vai agir; nós não sabemos. O ladrão não manda aviso prévio, não marca o dia e nem a hora. Quem não quiser ser surpreendido, tem que vigiar. Paulo, contudo, disse: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão” (1Tes 5:4). Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá “como ladrão”. Resta-nos, portanto, esperar, e vigiar, para não sermos surpreendidos.

b) O ladrão age rapidamente. Ladrão que se preza não demora no local do crime. Planeja o que vai fazer e o faz no menor tempo possível. A vinda de Jesus será, portanto, repentina - “Num momento, num abrir e fechar de olhos...” (1Co 15:52), ou como um relâmpago (Mt 24:27). O Arrebatamento será tão rápido que não haverá tempo para ninguém se preparar. Resta-nos, portanto, estarmos preparados!

c) O ladrão só leva coisas que tenham valor. Aquele cesto cheio de lixo, aquele monte de roupa suja e velha, aquele guarda-roupa grande e cheio de cupim - não, ladrão não procura volume, coisas grandes e imprestáveis; ladrão procura e leva objetos valiosos, jóias, dinheiro. Para o ladrão não basta ser grande, é preciso ter valor. Sabemos que Jesus virá, como vem o ladrão. Então ele só levará coisas que tenham valor para Deus. Ele vem buscar e levará aquela “...Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef 5:27). Ele vem buscar e levará “...um povo seu especial, zeloso de boas obras”(Tito 2:14). Ele vem buscar e levará homens e mulheres de muito valor para Deus, que não foram resgatados “com coisas corruptíveis, como prata ou ouro... mas com o precioso sangue de Cristo...”(1Pd 1:18-19), verdadeiras jóias, de muito valor para Deus. Assim, se você é um guarda-roupa grande com as portas estouradas e corroído pelos cupins, fique tranquilo, você não corre o risco de ser levado, porque o Senhor virá como vem o ladrão. Ladrão não se interessa pelo volume, não se impressiona pelo tamanho do objetivo; ladrão só leva se o objeto tiver valor. Para o ladrão um anel de ouro, cravejado de brilhantes, embora tão pequeno, vale muito mais que, um grande sofá velho.

d) Quando o ladrão age, sua ação só é constatada depois. Quando a pessoa chega ao local onde deixou seu carro, e ele não está; quando acorda de manhã ou retorna de uma viagem e encontra a casa totalmente “revirada” e dá falta das coisas de valor, então, não há dúvidas, o ladrão veio; porém, já se foi. A constatação de que ele agiu só é feita tardiamente. Da mesma forma, no Dia do Arrebatamento, “...estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada. Dois estarão no campo; um será tomado, e outro será deixado”(Lc 17:34-36). A constatação e a certeza de que o companheiro, ou companheira desapareceu só será possível depois do desaparecimento. Será tarde demais! Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá como vem o ladrão. Deixar para crer depois que ele tiver vindo não é próprio de quem conhece a Palavra de Deus.

e) A ação do ladrão gera prejuízos, lágrimas, tristezas. Depois que as pessoas descobrem que o ladrão veio e já foi, então, é hora de tristeza, choro, desespero; é hora de somar os prejuízos e de relacionar o que foi levado. Jesus virá como vem o ladrão. Depois de constatado o Arrebatamento, então haverá lágrimas, tristezas, desespero. Filhos, pais, amigos, enfim, muita gente terá sumido. As “virgens loucas” que não clamaram antes da meia noite clamarão depois. Será muito grande o clamor depois da meia noite - “...Senhor, Senhor, abre-nos a porta!”. Tudo será vão - “E ele, respondendo, disse: em verdade vos digo que vos não conheço”.

Eu e você sabemos que Jesus virá, e virá como vem o ladrão. Ir com ele, ou ficar para contar os prejuízos, é uma escolha nossa.

II. COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ

Noé é um exemplo a ser seguido, por indicação até de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que, ao falar sobre os últimos dias desta dispensação, afirmou que viveríamos em dias como os “dias de Noé” (Mt 24:37; Lc 17:26). Assim como Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn 6:8), nós também devemos causar em Deus a mesma reação, a fim de sermos poupados do tenebroso novo juízo que há de vir sobre a face da Terra.

A Bíblia dá-nos uma sucinta, mas bem precisa descrição dos chamados “dias de Noé” e que nos permite ver o que fez com que Noé fosse digno da benevolência divina, dias que devem ser bem analisados por nós, servos do Senhor, já que o próprio Jesus disse que os dias imediatamente anteriores à sua volta para buscar a sua Igreja seriam semelhantes aos “dias de Noé”. Cito algumas características predominantes da geração dos dias de Noé.

1. Dias de prioridade ao materialismo – “Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento...”(Lc 17:27). O Senhor Jesus advertiu sobre o que o povo fazia naqueles dias: comer, beber, casar, dar os filhos em casamento, comprar, vender, plantar, edificar. Contudo, em si mesmo, nada disto é pecado. Porém, torna-se em pecado quando se coloca o coração somente nas coisas materiais. Nos “dias de Noé” prevalecia o materialismo. Tudo girava em torno e em relação das coisas e dos bens materiais.

A verdade é que os homens dos “dias de Noé” eram movidos pela concupiscência, ou seja, pelo desejo incontrolado nascido em suas naturezas pecaminosas. Guiavam-se pelos seus desejos e paixões, que os escravizavam. Em Gênesis 6:2 é dito que “os filhos de Deus tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”. Os homens buscavam tão somente satisfazer as suas necessidades e seus desejos incontrolados, eram atraídos pela sua própria concupiscência e, portanto, procuravam apenas viver em função da comida, da bebida e do prazer sexual. Não há qualquer informação sobre a existência de altares, de sacrifícios, de oração, de vida com Deus, de busca de coisas e valores espirituais. Era tudo pelas coisas materiais, tudo pela busca de riquezas, tudo pelo consumismo desenfreado. Não se importavam em invocar a Deus, em ter um relacionamento com o Senhor, viviam como se Deus não existisse. Este foi o grande mal daqueles dias e é uma característica marcante nos dias em que estamos a viver.

2. Dias de descaso com a família -Tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”, “casavam e davam-se em casamento”. Os “dias de Noé” eram dias de total descaso para com a instituição familiar e para com o casamento, que era a forma instituída por Deus para a constituição de uma família. Como o que importava era a satisfação dos desejos incontrolados, da sua própria concupiscência, não havia o menor pudor entre os homens, que aviltaram a família e o matrimônio. Casavam-se, não cumpriam com os deveres conjugais, desfazendo-se o casamento, que era o compromisso assumido de vida em comum até a morte, como se nada tivesse acontecido antes. Muitos nem sequer se casavam mais, “davam-se em casamento”, ou seja, como dizem hoje, “juntavam os trapos para ver como é que fica”, e assim, sem qualquer compromisso, apenas buscavam satisfazer a natureza pecaminosa, num ambiente de total imoralidade.

Nesses dias de descaso com a família e de imoralidade sexual, Noé era um homem completamente diferente. Possuía uma única mulher e cuidava de sua família a ponto de esta se distinguir das demais. Havia uma família e Noé cuidava dela. O escritor aos hebreus diz que Noé preparou a Arca buscando a salvação da sua família, prova de que, depois de Deus, o que mais prezava era a sua família. Também vemos que seus filhos tinham, cada um, uma mulher (Gn 7:13), prova de que Noé também os havia instruído a se manter no princípio divino da família monogâmica e da veneração ao matrimônio e ao leito sem mácula (Hb 13:4).

3. Dias de corrupção sem controle – “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus...”(Gn 6:11). A terra estava amaldiçoada por Deus, como dissera Lameque, o pai de Noé, ao dar nome ao seu filho. A maldade do coração do homem repercutiu não só diante de Deus, a ponto de o Senhor ter resolvido destruir a criação (Gn 6:5-7), como também causou danos irreparáveis à natureza, ao próprio planeta, na medida em que toda a terra se corrompeu. A maldade do homem não fica no seu coração, mas é externada em atitudes e ações que só trazem destruição e mal-estar a natureza.

Nos dias em que vivemos não é diferente. A maldade dos homens, sua imoralidade e sua preocupação única e exclusiva com as coisas desta vida produziram a perspectiva da destruição, da própria eliminação da vida, pois o homem sem Deus só sabe fazer aquilo que é ordenado pela sua natureza pecaminosa e o salário do pecado é a morte (Rm 6:23), não só a morte espiritual, mas também a física, visto que o trabalho do inimigo, que cega o entendimento dos incrédulos é matar, roubar e destruir (João 10:10).

4. Dias de violência sem controle - “...Encheu-se a terra de violência” (Gn 6:11b). A criminalidade atingia níveis elevadíssimos naqueles dias. Lameque, o descendente de Caim, também havia instituído a violência como meio de solução de conflitos. Eram os dias dos “valentões”, daqueles que eram famosos pelo uso da violência e pelas proezas, “os gigantes da terra” (Gn 6:4). Era o tempo da “lei do mais forte”, do “salve-se quem puder”. Não havia o mínimo respeito pelo próximo nem pela dignidade da pessoa humana.

Nossos dias não são diferentes. A escalada da criminalidade e da violência supera todas as expectativas. As estatísticas mostram que a violência do crime mata mais do que as guerras e se vive uma sensação de contínua insegurança e descontrole, os “rumores de guerra” mencionados por Jesus no seu sermão escatológico. Não há sossego em canto algum e o aumento do pecado e da busca pela satisfação imediata dos desejos incontrolados alimenta cada vez mais a violência. O medo predomina em todo mundo. Estamos vivendo os “dias de Noé”.

5. Dias de devassidão sexual. A Bíblia relata que foi na civilização cainita que deu início a poligamia e os pecados da prostituição. Lameque, o primeiro polígamo, foi quem deu a cartada inicial da quebra do princípio da monogamia (ler Gn 4:19), abandonando-se o modelo divino de família. Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à prostituição; a irmã de Tubal-Caim, Naamá, é tida como a primeira prostituta da história. Conforme o texto sagrado, até mesmo os descendentes de Sete corromperam-se em meio àquela imoralidade abominável. Relata o autor sagrado: “viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram” (Gn 6:2). Esses “filhos de Deus”, sem dúvida, eram os descendentes da linhagem piedosa de Sete (cf. Dt 14:1; Sl 73:15; Os 1:10); eles deram início aos casamentos mistos com as “filhas dos homens”, isto é, mulheres da família ímpia de Caim. Sem dúvida, estamos vivendo os dias semelhantes aos dias da geração antediluviana.

6. Dias de resistência à graça divina. Da geração de Lameque, falou o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6:3). Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espirito Santo. Da resistência ao Espirito Santo de Deus, aquela humanidade antediluviana passou a blasfemar contra o Senhor, depravando-se totalmente.

A graça salvadora de Deus é inesgotável, é abundante. Por isto ela envolve todo o mundo, é suficiente para predispor toda a humanidade a tornar-se merecedora da redenção divina, oferecendo-lhe a oportunidade de escapar da justa e inevitável condenação; mas, tal qual o mundo antediluviano, a maioria da população mundial de hoje resiste à graça salvadora de Deus. Isso terá limite. A justiça de Deus é certa e muito rigorosa sobre o mundo corrupto e destituído de Deus. Para aquela civilização Deus disse: “O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; eis que os desfarei com a terra” (Gn 6:3). A Palavra de Deus adverte: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem”(Mt 24:37).

III. COMO FOI NOS DIAS DE LÓ

“Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar. Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo os seus utensílios em casa, não desça a tomá-los; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló “ (Lc 17:28-32).

A destruição da cidade de Sodoma (Gn 18-19), nos dias de Ló, é outro exemplo que Jesus citou como seriam os últimos dias antes de Seu retorno. Sodoma, juntamente com a cidade vizinha de Gomorra, foi destruída por Deus devido à sua grande iniquidade. Ló, sobrinho de Abraão, tinha decidido fixar-se na cidade de Sodoma (Gn 13:11-13). Então, no dia em que Ló saiu de Sodoma, a cidade foi destruída. A destruição veio tão repentinamente que somente Ló e sua família escaparam. Os anjos vieram e pouparam Ló e sua família do fogo e enxofre.

No intervalo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, alguns poderão ser levados a uma calma complacência pelo fato da vida continuar com as suas atividades normais. Hoje em dia, muitos veem a vida prosseguindo sem interrupções. Mas Jesus deixou claro que o Arrebatamento virá, inesperadamente, sem aviso prévio (1Co 15:52), em meio ao que terá começado como um dia rotineiro (Mt 24:44).

A ocasião de decidir sobre Cristo irá passar num único momento. Aqueles que estão esperando e ansiando por ver este dia (Lc 17:22) se alegrarão com a sua chegada. Aqueles que não acreditam que isto acontecerá não terão tempo de fazer nada a respeito. Será tarde demais.

Cito algumas características predominantes dos dias de Ló, principalmente das cidades de Sodoma, Gomorra e circunvizinhas.

1. Dias de materialismo exacerbado. É o que podemos deduzir das palavras ditas por Jesus – “Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam ”(Lc 17:28). Sodoma era uma cidade em franco progresso material. Mais uma prova bíblica de que progresso na vida material não significa estar bem com Deus. Do ponto de vista material não há qualquer sinal de decadência em Sodoma. A cidade trabalhava, prosperava, se divertia. No entanto, nada se diz sobre Deus, altar, adoração. Nada! Só materialismo puro. Comer, beber, comprar, vender, plantar e edificar são sinais de progresso. Porém, ao que tudo indica, não havia lugar para Deus naquela cidade. Deus era o grande esquecido.

Numa sociedade rica, autossuficiente e sem Deus, certamente que será uma sociedade permissiva, e Sodoma era, como afirmou Pedro: “E livrou o justo Ló...pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas” (1Pedro 2:7-8). Esta era a situação reinante em Sodoma. Uma sociedade decaída, materialista, hedonista, antropocentrista. Uma sociedade muito parecida com a nossa, porém, em menor permissividade. Hoje, está muito pior. Hoje, está insuportável.

2. Dias de permissividade sexual. Sodoma ficou conhecida na História pela sua permissividade sexual. Lá o sexo era livre e podia ser praticado sem qualquer regra, ou escrúpulo. Cada homem fazia sua opção sexual, e isto era visto com naturalidade. Homem com homem, mulher com mulher, tudo considerado normal. Ninguém se lembrava de que, no princípio, o Senhor Deus, vendo que o homem estava só, tomou uma decisão: “...far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele... Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão”(Gn 2:21-22). Esta foi uma decisão de Deus: fazer para o homem uma mulher.

Deus podia fazer quantas mulheres ele quisesse fazer. Porém, a Bíblia diz que Ele fez apenas uma mulher. Deus podia fazer para Adão outro homem igual a ele. Mas, para suprir a necessidade afetiva e sexual do homem, Deus fez uma mulher. O Espírito foi, ainda, detalhista, quando, talvez para que não pairasse dúvidas, fez Moisés escrever que Deus “macho e fêmea os criou”(Gn 1:27). Não ficou espaço para uma “coluna do meio”. Biblicamente a criatura humana ou é macho, ou é fêmea; ou seja, ou é homem, ou é mulher. Para Adão, Deus fez uma Eva, não fez um Ivo. Para o casamento o próprio Deus disse: “Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”(Gn 2:24). O princípio é o mesmo no compêndio neotestamentário (Mt 18:4-5).

Nestes últimos dias, há um verdadeiro ataque aos princípios da “moral cristã”, sobretudo, no tratamento jurídico da família. Dissemina-se a prática do divórcio, ataca-se violentamente a instituição do casamento, com a legalização e aumento crescente das uniões sem casamento entre as pessoas, sem se falar na chamada “liberação sexual”, que deu guarida e conivência com todo o tipo de prática sexual condenada pelas Escrituras Sagradas e que foi até um dos significados que teve a palavra “permissividade”, com especial enfoque no homossexualismo. A TV e o meio artístico, como formadores de opinião tanto para o bem quanto para o mal, colocaram homossexuais em programas e novelas, que são vistos por milhões de pessoas, difundindo a ideia de que ser homossexual é perfeitamente normal, e não uma inversão de valores. Os seres humanos comportam-se, na atualidade, como verdadeiros animais irracionais, buscando parceiros para sentir momentos efêmeros de prazer na prática de relações sexuais. Dessa forma, com o afrouxamento moral e das convicções antes tidas por certas, alarga-se a permissividade social e moral da sociedade.

3. Lembrai-vos da mulher de Ló(Lc 17:32). Por este Sinal, o Senhor Jesus adverte sobre o perigo da vaidade, da mistura com habitantes de Sodoma, símbolo do mundo de hoje. A mulher de Ló estava tão presa aos bens e valores materiais que, embora tenha conseguido sair, fisicamente seu coração tinha ficado naquela cidade. Por causa disso foi severamente punida (cf. Gn 19:26). Para que o mesmo não aconteça conosco, o Senhor Jesus advertiu-nos, dizendo: “Lembrai-vos da mulher de Ló”.

IV. FATOS SOCIAIS DESTES ÚLTIMOS DIAS

1. Dias de degeneração moral e social. Os últimos dias em que vivemos denunciam a iminência do Arrebatamento da Igreja, a prisão de Satanás e o seu destino final no lago de fogo e enxofre como prescreve a Bíblia em Apocalipse 20:2,10. Conhecendo bem a sequência dos acontecimentos escatológicos, Satanás sabe que dos muitos dias que ele teve, resta-lhe, agora, pouco tempo. Assim, o que a Palavra de Deus diz a seu respeito e a respeito de seus demônios, ele sabe que vai se cumprir. Para ele e seus demônios não há qualquer possibilidade de retornar ao estado original, mas, que serão lançados no “...fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”(Mt 25:41), conforme afirmou o Senhor Jesus Cristo. Mas, ele sabe ainda que, para o homem, nesta dispensação da Graça, haverá, até o fim, esperança de Salvação, pois Deus ”...quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1Tm 2:4). Satanás se opõe a este desejo de Deus e quer o maior número possível de homens, junto com ele, no lago de fogo e enxofre (o inferno, em seu estrito senso), eternamente.

Para cumprir seu objetivo, num linguajar humano, diríamos que ele, Satanás, e seu exército infernal estão trabalhando em regime integral, fazendo, inclusive, “horas extras”. Causar o maior estrago possível ao Arraial dos Santos, fazendo “multiplicar a iniquidade” para que o amor de muito se esfrie, impedir de todas as formas possíveis a pregação do Evangelho, “materializar” os crentes, desviando-os do conhecimento da Palavra de Deus e envolvendo-os com as coisas e os bens terrenos, e tantas outras coisas estranhas que tem acontecido nas denominações evangélicas, por certo fazem parte das “ordens de serviços” que ele tem expedido aos seus demônios. Mas, se Satanás e seus anjos trabalham em ritmo alucinante, também, pela Bíblia sabemos que Deus “não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel”(Sl 121:3-4).

Os fatos sociais dos dias atuais são tão aviltantes à santidade de Deus que se comparados com os de Sodoma, ultrapassam os limites ali tolerados por Deus à época de sua destruição.  Senão vejamos:

- Lá em Sodoma, não havia “permissão legal” para que menores de 18 anos pudessem matar gente de bem, pais de famílias, estudantes, profissionais liberais, pessoas de todas as classes sociais, sem maiores consequências, como acontece nos dias atuais e sem nenhuma consequência no futuro, pois, aos 21 anos são considerados primários, como se nunca houvessem transgredido às leis. Lá em Sodoma os menores assassinos de hoje, seriam condenados à morte.

- Lá em Sodoma, o casamento era tido como um fato social sério e havia diferença entre uma mulher, legitimamente casada, e uma amante, ou concubina. Os direitos de ambas, por certo, não eram os mesmos como são na “Sodoma” de hoje.

- Lá em Sodoma, embora houvesse tolerância para com o relacionamento entre homossexuais, por certo o homossexualismo não era celebrado, com orgulho, em gigantescos desfiles, ou “paradas do orgulho gay”, prestigiadas pela presença de autoridades governamentais, como acontece na “Sodoma” destes “últimos dias”. Também, com certeza, não havia casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Havia um limite para a prática pecaminosa. Na Sodoma de hoje a permissividade sexual não tem limite e está aculturada.

- Lá em Sodoma, a virgindade não era uma coisa vergonhosa. As filhas de Ló, embora já estivessem noivas, ou prometidas em casamento, não estavam grávidas e nem eram mães solteiras. Na declaração feita por Ló, ficou claro que elas eram virgens – “E disse: meus irmãos, rogo-vos que não façais mal. Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conhecem varão...” (Gn 19:8).

- Lá em Sodoma, os filhos obedeciam e acreditavam em seus pais. Vemos isto no episódio que envolveu os futuros genros de Ló. Eles não acreditaram que a cidade seria destruída – “Então, saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: levantai-vos; sai deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Foi tido, porém, por zombador aos olhos de seus genros”(Gn 19:14). Contudo, as filhas de Ló, certamente duas jovens de tenra idade, deixaram seus noivos e acompanharam seus pais. Não sabemos se por pura obediência, ou por confiança de que o pai sabia o que estava fazendo. É até possível que elas não estivessem entendendo nada daquilo que Deus ia fazer, mas, a obediência, ou a confiança no velho pai, garantiu a sobrevivência delas. Na “Sodoma” destes “últimos dias”, ao que parece, o relacionamento entre pais e filhos está pior do que na Sodoma de Ló. Hoje os pais são tidos como “quadrados” e os filhos pensam estar sempre com a razão.

Os fatos sociais dos últimos dias, em temos do declínio espiritual, em termos da degeneração moral dos costumes, em termos de decadência social, com certeza, não encontram paralelos na história de qualquer época. Por certo estamos vivendo naqueles dias preditos por Paulo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobreviverão tempos trabalhosos”(2Tm 3:1). Por certo que estamos também naqueles dias da multiplicação da iniquidade, referidos por Jesus: ”E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará”(Mt 24:12).

2. Dias de declínio espiritual. Estamos vivendo a época descrita por Paulo em 1Timóteo 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé...”. Observe o termo “expressamente”, que demonstra plena certeza. Paulo teve uma revelação clara, indubitável, do que haveria nos últimos tempos, que são os nossos dias, acerca da vida espiritual de muitos crentes. Muitos falsos líderes têm aparecido nos nossos dias, os quais têm arrebanhado muitos crentes após si, causando divisões, politicagem e tremendas discórdias entre os crentes incautos, proporcionando uma apostasia sem precedente na história da Igreja e um esfriamento espiritual nos crentes que não leem a Bíblia e nem se preocupam com a iminente vinda de Cristo. Para os verdadeiros crentes em Cristo, a vinda de Jesus está bem perto, pois os sinais denunciam isto, mas, para muitos que se dizem cristãos, cuja vida espiritual tem esfriado, creem que Jesus não virá tão cedo, tão cedo mesmo. A aplicabilidade da parábola das dez virgens é evidente para os nossos dias. Quem estiver preparado subira com Cristo, caso contrário ficará para a grande tribulação ou morrerá sem salvação.

CONCLUSÃO

Vivemos dias difíceis, dias de degeneração moral, de decadência social; dias de materialismo, de ateísmo, de corrupção em todos os sentidos; dias de Noé, dias de Ló. Jesus está voltando. Portanto, estejamos alertas e vigilantes.

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Ev. Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

Vigiai, pois não sabeis quando virá o Senhor. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2004.

A Permissividade Pessoal e Social. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2005

Noé, um homem justo e incorruptível. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2007.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Aula 03 – ESPERANDO A VOLTA DE JESUS


1º Trimestre/2016

Texto Base: Mateus 24:42-46

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23).

 

INTRODUÇÃO

A esperança da Igreja é a volta de Jesus (Tt 2:13; 1Pd 1:3; 1João 3:2-3). Sem esta expectativa não há esperança; não há sentido sermos crentes; não há sentido a nossa adoração. Por isso, a esperança da volta de Jesus é um elemento indispensável e essencial na vida cristã; é o resultado da fé e do amor a Deus e precisa estar corretamente desenvolvida nos crentes.

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tt 2:13).

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pd 1:3).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3:2-3).

Esta esperança é a “âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu” (Hb 6:19), ou seja, o ponto de apoio que nos permite caminhar sobre a face da Terra, certos de que, brevemente, tudo o que aqui existe passará e para sempre estaremos com o Senhor.

I. AGUARDANDO A VOLTA DO SENHOR

1. Com fé e vigilância. A fé é um dos pilares fundamentais da estrutura espiritual do cristão (1Co 13:13). Ela só cresce e é fortificada à medida que o crente amadurece espiritualmente, e isto acontece quando mantemos plena comunhão com Deus e, devocionalmente, estudamos a Palavra de Deus. Todos os pássaros nascem com duas asas, mas não nascem em condições de voar. Nenhum pássaro sai voando logo após o nascimento. Para poder voar é preciso que suas asas cresçam e se fortifiquem. Quando elas alcançam o tamanho ideal, então o pássaro voa. Assim é, também, o crente. O homem não pode nascer, espiritualmente, sem antes receber a fé, como dom de Deus. Todavia, para que o homem salvo possa “levantar voo”, subir até as regiões celestiais, sua fé precisa crescer, e fortificar-se.  Para que isto aconteça é de fundamental importância a Palavra de Deus, a oração, e, algumas vezes, a critério de Deus, uma provação. É assim, e é através destes meios que nós vamos, dia a dia, crescendo e fortalecendo na fé.

Quanto à vigilância é uma atitude fundamental para quem deseja morar eternamente com o Senhor. Jesus exortou os discípulos a serem vigilantes. Ele afirmou: “vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mt 24:42). Por que devemos vigiar? Porque não sabemos a data da segunda vinda de Cristo. Por isso, devemos ter uma conduta ilibada em nosso viver diário, para não sermos pegue de surpresa na volta do Senhor. Veja o que diz o texto sagrado:

“Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis” (Mt 24:44).

“Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo” (Mc 13:36).

“Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios”(1Tss 5:6).

“E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda” (1João 2:28).

Jesus ensinou a Parábola das dez virgens (Mt 25:1-13) para mostrar o que significa estar vigilante e pronto para o seu retorno. As “virgens prudentes”, que estavam vigilantes, representam os crentes fiéis, que esperam a volta de Jesus em santidade e cheios do Espírito Santo. As “virgens loucas” representam os crentes não salvos, aqueles que abraçaram o Evangelho como se fosse uma religião. Aqueles que mudaram de religião, mas que não mudaram de vida. Estão na Igreja, são batizados nas águas, são parecidos com os verdadeiros crentes, mas, não têm o Espírito Santo, não têm “azeite”. Elas estavam descuidadas e negligentes, por isso não participaram da festa das Bodas quando o Noivo chegou à meia-noite.

 “Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Ai vem o esposo! Sai-lhe ao encontro!” (Mt 25:6).

Vejamos algumas verdades que este texto nos mostra.

a) Meia-noite termina um dia e começa outro. Meia-noite, ou 24 horas, representava o fim de um dia e o começo de outro (observe que os judeus estavam sob o regime romano). Podemos, pois, imaginar que a expressão “...à meia-noite, ouviu-se um clamor: Ai vem o esposo!”, signifique o fim do Dia da Graça e o começo do Dia do Senhor. Esse Dia que começou na cruz do calvário está para terminar, pois, ele terminará com o Arrebatamento da Igreja. A Igreja será arrebatada à “meia-noite”, no momento em que findar o Dia da Graça. O momento seguinte já será outro Dia – o Dia do Senhor, que o Profeta Joel descreve como sendo “grande e terrível” – “E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue, e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel 2:30-31).

A Igreja será arrebatada à “meia-noite”. Ao que tudo indica falta pouco, mas, muito pouco para a “meia-noite”. Ainda há tempo para todas as “Virgens” verificarem se estão preparadas, se há azeite em suas lâmpadas, e, também nas vasilhas. Como foi dito anteriormente, o azeite é um dos símbolos do Espírito Santo, e Ele ainda se encontra entre nós, e conosco. É tempo, ainda, de “comprar” azeite!

b) Depois da Meia-noite não haverá mais Azeite -  Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo...” (Mt 25:7-10).

É interessante observar que as “virgens loucas” não tendo conseguido o azeite, por empréstimo, junto às “virgens prudentes”, então elas foram comprá-lo. Isto me faz pensar duas coisas: elas sabiam onde poderiam comprar azeite; elas tinham condições, ou o dinheiro necessário para pagarem o preço requerido. Assim, se não tinham azeite em suas vasilhas, foi por pura negligencia. Elas tiveram tempo, pois, o esposo tardou a chegar; elas sabiam que havia azeite disponível para ser adquirido; elas tinham condições para adquirir.

Para que não incorramos no erro das “virgens loucas”, Paulo nos adverte, dizendo: “...enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). Isto é para ser feito antes da “meia-noite”. No Dia do Arrebatamento da Igreja, quando chegar “meia-noite” e quando se ouvir “um clamor: ai vem o esposo!”, então, a Noiva que deverá estar pronta, será levada pelo Espírito Santo para ser entregue à Jesus. Ao deixar a Terra Ele terminará sua missão, nesta dispensação da Graça, em relação à Igreja. Em sendo desta forma, é certo que as “virgens loucas” não mais encontrarão o Espírito Santo na Terra.

c) Quem não clamar antes da “meia-noite” clamará depois da “meia-noite”, porém, em vão! - “...e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta!”. O clamor foi ouvido, mas o pedido foi recusado – “e ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço” (Mt 25:10-12). O Dia da misericórdia já havia terminado!

É certo que no Dia do Arrebatamento, o mundo, ou seja, os que não conhecem a Palavra de Deus não vão entender nada. Mas, as “virgens loucas”, a saber, algumas denominações evangélicas que não estão ensinando e nem pregando as verdades da Bíblia ao povo, onde nada se fala sobre santificação e Arrebatamento, porque todo o tempo está sendo ocupado com as coisas materiais e terrenas; os crentes desviados. Todos estes entenderão e saberão que Jesus veio, e eles ficaram.

Lamentamos ter que dizer, mas logo após o Arrebatamento muitos templos evangélicos começarão se encher. As “virgens loucas” virão para saber se haverá uma maneira de entrar, mas as portas já estarão fechadas. Será quando haverá o clamor, depois da “meia-noite”.

“Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mt 25:13).

“E o Espírito e a esposa dizem: vem! E quem ouve diga: Vem!...Ora, vem Senhor Jesus” (Ap 22:17-20).

2. Cheio do Espírito Santo. Na Parábola das dez virgens, ter azeite na lâmpada significa ser cheio do Espírito Santo. O Azeite é um dos Símbolos do Espírito Santo. No Tabernáculo e no Templo as sete lâmpadas do candelabro tinham que permanecer acesas, continuamente, e, para isto, não podia faltar o azeite. Este tinha que ser renovado duas vezes ao dia, de manhã e à tarde (Êx 27:20,21). Sem o azeite as sete lâmpadas do candeeiro, ou candelabro, se apagariam. Daí a necessidade de renovação do azeite, diariamente.

Observação:

As “virgens loucas” não representam os crentes que não são batizados com o Espírito Santo. Há uma corrente de comentaristas que afirma que as “virgens loucas” representam os crentes que não são batizadas com o Espírito Santo. Biblicamente nós afirmamos que esta interpretação não tem fundamento. Há crentes que não são batizados com o Espírito Santo, mas que são cheios do Espírito Santo. A salvação não é um privilégio apenas das denominações pentecostais, não. Entre as “virgens prudentes” estão muitos que não são batizados com o Espírito Santo, mas que são salvos. O batismo com o Espírito Santo não é garantia de salvação. O que a Bíblia recomenda a todos os crentes (ela não diz os crentes batizados com o Espírito Santo), é “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”(Hb 12:14).

Assim, entre as “virgens prudentes” estão crentes que são e que não são batizados com o Espírito. Entre as “virgens loucas” estão crentes que são e que não são batizados com o Espírito Santo.

Não se pode negar que os Apóstolos já tinham o Espírito Santo, habitando com eles. É o que podemos entender do disposto em João 20:22 – “E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”. Isto aconteceu no dia em que Jesus ressuscitou. Eles só foram batizados com o Espírito Santo cinquenta dias depois. Nesse período acreditamos não ser correto afirmar que eles eram “virgens loucas”.

3. Em santidade e em amor. Conforme Jesus Cristo ensinou, devemos amar uns aos outros assim como Ele nos amou (João 15:12). Este é o mandamento de Cristo e devemos pô-lo em prática. Sem o amor de uns para com os outros, a Igreja não tem condições de subsistir. Se não amamos os nossos irmãos, não temos como testificar que somos crentes (1João 2:9-11).

O amor é o cartão de identidade do salvo - “Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo” (1João 2:10). Foi o Senhor Jesus quem estabeleceu uma maneira de identificar os seus discípulos. Conforme disse Jesus, o salvo é identificado pelo seu viver em amor – “nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35).

- Santidade. Se o amor é a marca registrada do cristão, a santidade é o meio pelo qual ele poderá chegar a Deus (Hb 12:14) - “O que anda num caminho reto, esse me servirá” (Sl 101:6). Portanto, viver em santidade deve ser uma das características dos crentes salvos que estão esperando desejosos a volta do Senhor Jesus, porquanto esta é uma das exigências de Deus.

“Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: sede santos, porque eu sou santo”(1Pd 1:14-16).

Portanto, para viver como salvo esperando o retorno de Jesus é necessário o viver em santidade, principalmente o obreiro que precisa ser exemplo dos infiéis (1Tm 4:12). Muitos líderes preocupam-se, hoje em dia, com a santificação do povo de Deus sob sua responsabilidade, mas, a cada dia, estão a diminuir o espaço da Palavra de Deus nas reuniões. Cânticos e mais cânticos, apresentações de toda sorte, ensaios e mais ensaios tomam todo o tempo das atividades eclesiásticas. Desta maneira, não haverá mesmo como contribuir para que a igreja local promova a santificação dos crentes. Santificação vem com Palavra, Palavra, Palavra e, para finalizar, Palavra.

II. ATITUDES ERRÔNEAS DIANTE DA VINDA DE JESUS

1. Ignorar a vinda de Jesus. Certa feita, ao ensinar a respeito do seu retorno, Jesus contou uma parábola sobre um servo fiel e prudente e um mau servo (Mt 24:45-51). Essa parábola se refere à volta visível de Cristo para a Terra como Messias-Rei. Mas o princípio aplica-se de igual modo ao Arrebatamento. Jesus mostra que um servo manifesta seu verdadeiro caráter pelo seu comportamento enquanto espera a volta do Senhor.

O que caracteriza o mau servo é a certeza de que "o senhor tarde viria" e, por causa disto, passa a espancar os conservos, a comer e a beber com os temulentos, isto é, com pessoas que se embriagam, que não têm uma conduta aprovada diante de Deus, ou seja, que se mistura com os pecadores, com os desregrados e os dominados com os vícios. O pecado é o fator que nos distancia de Deus (Is.59:2), é o elemento que impedirá que muitos crentes sejam arrebatados naquele dia (Mt 24:12). Como diz o início da terceira estrofe do hino 125 da Harpa Cristã: "Em santidade [Jesus] nos deve achar".

2. Escarnecer das profecias -Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”(2Pd 3:3-4).

Um dos sinais da Vinda de Jesus é, exatamente, a incredulidade, ou a falta de esperança quanto a sua vinda. Os “escarnecedores” mencionados pelo apóstolo Pedro, não estão, por certo, entre os não evangélicos - estes nada sabem sobre a volta de Jesus -, eles estão entre aqueles que deveriam estar vigiando e esperando seu retorno. Esta incredulidade pode ser contagiante. Faz-se necessário vigiar, e crer que o Senhor Jesus, realmente, virá. Assim, se algum “escarnecedor” levantar dúvidas e perguntar: “onde está a promessa da sua vinda?”, possamos estar atentos para responder, com convicção, que a “promessa da sua vinda” está confirmada pelas próprias palavras ditas por Jesus, enquanto homem, aqui na Terra, quando afirmou: “ E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”(Jo 14:3).

III. ATITUDES DO SERVO FIEL ANTE A VOLTA DO SENHOR

1. Ser vigilante. A primeira atitude para quem quer, realmente, esperar a vinda de Jesus é, como vimos anteriormente, a vigilância. Esta é uma atitude indispensável para que o cristão consiga viver neste mundo e alcance a vitória. Quando vemos a conhecida declaração de Paulo ao término de sua caminhada, logo observamos que o apóstolo era uma pessoa vigilante. Disse ele que havia "combatido o bom combate, acabado a carreira e guardado a fé "(2Tm 4:7). Nestas três expressões apostólicas, nós notamos que Paulo tinha consciência de que a sua vida, desde o momento de sua conversão, tornara-se um combate entre a sua nova natureza e o velho homem, que ele mantinha constantemente crucificado com Cristo (Gl 2:20). Esta consciência é fruto de uma vida de vigilância. Quando sabemos que faz parte da vida de cada crente esta batalha segundo a qual temos de lutar contra as portas do inferno (Mt 16:18), contra as hostes espirituais da maldade (Ef 6:12), contra a nossa natureza carnal (Rm 7:23-25), passamos a tomar cuidado, a não dar ocasião ao pecado, andando segundo o espírito (Rm 8:1).

2. Ter uma vida de oração. A segunda atitude adequada para quem está, de verdade, esperando a volta de Jesus é manter uma vida de oração. Dizem as Escrituras que, no dia do Arrebatamento, soará uma trombeta (1Co 15:52), haverá um alarido, uma voz de arcanjo (1Ts 4:16), conclamando, chamando os salvos para o seu triunfo e encontro com o Senhor nos ares. Naturalmente que o texto emprega uma linguagem figurada, mas devemos observar que o fato de a Bíblia dizer que haverá um som que somente os salvos ouvirão, revela-nos que existe um ambiente de intimidade e de comunicação recíproca entre o Senhor e os crentes que serão arrebatados. Ora, a comunicação se dá, preferentemente, pela oração e pela meditação na Palavra de Deus. Somente quem mantém uma vida de oração pode ouvir a voz de Deus, está acostumado a tal voz (João 10:14-16), poderá ouvir a trombeta que soará no Dia do Arrebatamento da Igreja.

3. Ter uma vida de santidade. A terceira atitude de quem está esperando Jesus é a santidade. Quem espera Jesus, sabe que ele pode vir a qualquer momento e que devemos estar separados do pecado, pois só quem estiver em comunhão com o Senhor, lavado e remido no sangue do Cordeiro, poderá ser arrebatado, pois só estes entrarão na cidade santa pelas portas (Ap 22:14). Quem não seguir a santificação, não verá o Senhor (Hb 12:14). Só os limpos de coração verão a Deus (Mt 5:8). Uma das consequências mais imediatas de uma vida de negligência com relação à vinda do Senhor é o descuido com relação à santificação e à santidade.

Se nos abstivermos de toda a espécie de mal, se fizermos a nossa parte, Deus fará a dEle, qual seja, a de nos santificar em tudo, começando pelo espírito, passando pela alma e indo até o corpo. Quando tomamos a decisão de nos afastarmos do pecado, entramos em comunhão com Deus e o Senhor nos santifica, nos torna santos, nos justifica, numa transformação que começa de dentro para fora. A salvação e a santificação são operações divinas, que não podem ser feitas pelo homem, que dependem de uma ação de Deus, mas que não se realizam enquanto não houver a disposição humana.

4. Ter a presença do Espírito Santo em nossa vida. A quarta atitude de quem está esperando Jesus é a presença do Espírito Santo em nossas vidas, como deixa bem claro o Senhor na parábola das dez virgens, que precisavam estar abastecidas de azeite no aguardo do esposo. É fundamental que sejamos templo do Espírito Santo (1Co 6:19). Ora, para termos o Espírito Santo em nós, é necessário que nos ajuntemos com o Senhor (1Co 6:17), ou seja, que tenhamos uma vida de comunhão com Deus, que desfrutemos da Sua intimidade, mediante a oração e a meditação da Palavra de Deus. Para termos o Espírito Santo em nós, temos de ter uma vida de separação do pecado, agindo sob a orientação divina, pois assim são os que andam segundo o espírito (Rm 8:1,5,9), o que faz com que não estejamos inclinados às coisas carnais, aos prazeres oferecidos pelo mundo.

5. Amar a Deus e ao próximo. A quinta atitude de quem está esperando Jesus é o amor - o "caminho mais excelente" que deve ser buscado pelo cristão. Quando aceitamos a fé, recebemos o amor de Deus em nossas vidas e este amor deve ser cultivado, aumentado e praticado em relação a Deus e ao próximo. Em relação a Deus, demonstraremos nosso amor se fizermos o que Ele nos manda através da Sua Palavra (João 15:14). O amor não é demonstrado por palavras ou por belas declarações, mas por gestos concretos e atitudes reais (1João 3:18). De igual forma, temos de demonstrar nosso amor com relação ao próximo (Mt 22:39), que nada mais é que o reflexo do amor de Deus para conosco e para com toda a humanidade. Somente quem ama a Deus e ao próximo, poderá amar a vinda do Senhor (2Tm 4:8).

6. Ser fiel. A sexta atitude de quem está esperando Jesus é a fidelidade. Para ser arrebatado, a pessoa precisa perseverar até o fim (Mt 24:13). Para ser arrebatado, o cristão deve ser encontrado servindo com boa vontade, dedicação e de todo o seu coração quando o Senhor vier nos ares (Mt 24:45,46). Para receber a coroa da vida, temos de ser fiéis até à morte (Ap 2:10). Somente os fiéis e os prudentes é que verão o rosto do Senhor na sua volta.

7. Dar frutos. Enquanto estamos neste mundo, aguardando a volta do Senhor, devemos trabalhar para Ele, ganhar almas para o Seu reino, usar das habilidades e dos dons que dEle recebemos para que venhamos a dar frutos para o reino de Deus. Tudo o que temos, tudo o que somos, devemos aplicar no reino de Deus. Devemos buscar, primeiramente, o reino de Deus e a sua justiça. Nossas ações devem ter, como propósito primeiro, o de dar frutos para o reino de Deus. Nosso objetivo primeiro, em todas as nossas atitudes, tem de ser o de propiciar um meio para que o nome do Senhor seja glorificado.

8. Ter uma vida irrepreensível. Na Igreja Primitiva os cristãos eram ensinados a viver entre os pagãos, andando de forma diferente da deles; eram ensinados a viver no mundo, não deixando que o mundo vivesse neles. Hoje, certamente, não é diferente. Deve-se observar o ensino de Paulo: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”(Fp 2:15). 

Nos dias em que vivemos, há muitos que defendem estratégias de convivência ou de tolerância com o pecado. Criam um sem-número de subterfúgios para conviver com condutas pecaminosas, entre as quais a mais em voga, na atualidade, é a chamada “questão cultural”, querendo, com isto, justificar condutas que, “no passado seriam pecaminosas, mas que, com a evolução da humanidade, não mais podem ser assim consideradas”. Tudo não passa de artimanha do inimigo de nossas almas, que está bramando como leão buscando a quem possa tragar (1Pd 5:8). Pecado é pecado porque é uma ofensa a Deus e Ele não muda (Tg 1:17), de sorte que pecado será pecado em qualquer cultura, em qualquer região, em qualquer lugar. Deus está sempre à disposição para nos conservar plenamente irrepreensíveis, ou seja, inteiramente santos, até o dia da Sua volta. Basta que nos mantenhamos separados do pecado, que nos abstenhamos de toda espécie de mal.

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23).

CONCLUSÃO

A esperança da Igreja é a promessa da volta de Jesus. A vida cristã sem esta perspectiva perde toda a sua razão de ser, motivo pelo qual o adversário tem lutado (e, infelizmente, obtido êxito em muitos lugares) para sufocar esta mensagem no meio do povo de Deus. A volta de Jesus é a mensagem que mais vezes se repete no Novo Testamento, um testemunho vivo das Escrituras de que é assunto que não pode faltar na meditação diária da Palavra, na vida de todo cristão. Será que somos daqueles que estamos esperando a volta de Jesus?

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Ev. Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

Vigiai, pois não sabeis quando virá o Senhor. Caramuru Afonso Francisco. PortalEBD_2004.