1º Trimestre de 2026
SUBSÍDIO PARA A LIÇÃO 02
Texto Base: Mateus 11:25-27;
João 14:6-11
“Ninguém conhece o
Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt.11:27c).
Mateus 11:
25.Naquele tempo,
respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que
ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.
26.Sim, ó Pai, porque
assim te aprouve.
27.Todas as coisas me
foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém
conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
João 14:
6.Disse-lhe Jesus: Eu
sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
7.Se vós me conhecêsseis
a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes
visto.
8.Disse-lhe Filipe:
Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
9.Disse-lhe Jesus: Estou
há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê
o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
10.Não crês tu que eu
estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo
de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
11.Crede-me que estou no
Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
INTRODUÇÃO
Ao
prosseguirmos no estudo da Trindade, voltamos nossos olhos à Primeira Pessoa
divina: Deus Pai. Ele não é apenas a origem de todas as coisas, mas o eterno e
soberano Senhor, que possui vida em Si mesmo e de quem procede o Filho e o
Espírito Santo (João 5:26; 15:26). As Escrituras não tratam o Pai como uma
força impessoal ou distante, mas como Aquele que ama, governa, se revela e se
relaciona com seus filhos.
Jesus,
ao revelar o Pai, não apenas falou sobre Ele, mas manifestou o próprio caráter divino do Pai em palavras, obras e
autoridade (João 14:9-11). Não há caminho de acesso ao Pai senão por meio de
Cristo (João 14:6), e não há compreensão verdadeira de quem Deus é que ignore a
revelação dada pelo Filho. Assim, conhecer o Pai não é apenas um exercício
teológico, mas um chamado relacional: Ele deseja ser conhecido, adorado e
obedecido.
Ao
longo desta lição, veremos que:
- O Pai é o Deus
único e verdadeiro (João 17:3), eterno e incomparável.
- Ele é a fonte da
divindade,
de quem procede o Filho e o Espírito Santo.
- Sua revelação
culmina em Cristo, plenitude visível de Deus.
- Seus nomes e
atributos expressam Sua majestade, santidade e amor.
- Seu propósito
eterno inclui redimir, adotar e santificar um povo.
Portanto,
aprofundar-se no estudo de Deus Pai é entrar no centro da fé cristã: o Deus que cria, governa, salva e se dá a
conhecer. Este conhecimento não é apenas doutrinário, mas transformador.
Quanto mais compreendemos quem é o Pai, mais aprendemos a confiar, amar e
adorar Aquele que, desde a eternidade, nos chama de filhos.
I
- A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
1. O Pai é o único Deus verdadeiro
O fundamento da fé
bíblica é claro e inegociável: há um só Deus. A revelação do Antigo
Testamento, especialmente o Shema de Deuteronômio 6:4 — “Ouve,
Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” — estabelece o monoteísmo que
diferencia Israel das nações politeístas. Deus não é múltiplo, não é resultado
de soma de divindades, nem um ser dividido; Ele é único, absoluto e eterno.
No Novo Testamento,
essa verdade permanece intacta, porém ampliada pela revelação trinitária. O Pai
é apresentado como Deus por excelência, não no sentido de superioridade sobre o
Filho e o Espírito, mas como a fonte eterna da divindade, de quem procede o
Filho e de quem vem o Espírito Santo (João 15:26). O título “Deus Pai” aparece
explicitamente diversas vezes (João 6:27; 1Co.15:24; Gl.1:1; 1Pd.1:2),
reforçando Sua identidade.
Além disso, a
paternidade de Deus não é apenas funcional (Criador, Mantenedor, Governador
do universo), mas relacional. Jesus nos ensina a chamar Deus de Pai,
introduzindo-nos a uma dimensão de intimidade nunca revelada de forma tão clara
no Antigo Testamento. Ele declara: “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt.6:9).
Aqui, o Filho eterno convida os filhos adotivos a reconhecerem que o Deus
Todo-Poderoso é também Pai amoroso, acessível e cuidador.
Portanto, conhecer o
Pai não é apenas afirmar Sua existência única, mas relacionar-se com Ele,
reconhecendo Sua santidade, autoridade, amor e cuidado contínuo. O único Deus
verdadeiro não está distante — Ele se revelou, se aproximou e nos recebeu como
filhos.
|
Síntese do item – “O Pai é o único Deus
verdadeiro” ü
O Antigo e o Novo Testamento afirmam: há um só Deus,
e Ele é Pai. ü
O Pai é a fonte da divindade e se revela por
Seus nomes, atributos e obras. ü
Jesus nos ensinou a chamá-Lo de Pai,
convidando-nos a uma relação pessoal com Ele. ü
A unicidade divina não contradiz a Trindade, mas a
fundamenta: um só Deus, três Pessoas. 📌 Aplicação Prática
|
2.
O Pai é a fonte da divindade
Neste ponto,
precisamos compreender um aspecto essencial da doutrina cristã: o Pai não é
apenas Deus, mas a fonte eterna da divindade. Isso significa que Ele não deriva
Sua existência de ninguém, não foi criado, não começou e não terá fim. Ele
existe por si mesmo, como revelado por Jesus: “o Pai tem a vida em si mesmo”
(João 5:26). Assim, o Pai é autoexistente, absoluto, imutável e eterno (Dt.33:27;
Sl.90:2; Ml.3:6).
Contudo, afirmar que o
Pai é a fonte da divindade não implica superioridade ou hierarquia dentro da
Trindade. Significa apenas que a Paternidade é eterna, e que o Filho é
eternamente gerado do Pai, e o Espírito eternamente procede do Pai (e, conforme
a formulação latina, também do Filho). Portanto, o Filho não começou a existir,
e o Espírito não foi criado: ambos participam da mesma natureza divina.
- O Pai cria (Is.45:18);
- O Filho sustenta e revela (Hb.1:1–3);
- O Espírito vivifica e regenera (Jó 33:4;
João 6:63).
A teologia bíblica nos
mostra que a origem da vida, da graça e da revelação está no Pai, mas se
manifesta no Filho e é aplicada pelo Espírito. Assim, a fé trinitária não
divide Deus, mas revela Sua íntima harmonia e cooperação eterna.
Enquanto o mundo
antigo concebia deuses em disputa e hierarquias espirituais em conflito, a
Escritura revela um único Deus Pai que é fonte eterna, perfeita e plena, que
não muda e nem pode ser reduzido à criação. Ele é Criador, Legislador,
Governante e Pai, mas também é aquele que ama, cuida, sustenta e salva por meio
do Filho e do Espírito.
|
Síntese do item – “O Pai é o único Deus
verdadeiro”
📌 Aplicação Prática
|
3.
O Pai age por meio do Filho e do Espírito
Aqui entramos em um
dos pontos mais belos da doutrina trinitária: o agir inseparável das três
Pessoas divinas. A Bíblia revela que o Pai nunca age isoladamente, mas sempre
por meio do Filho e no poder do Espírito Santo. Isso não significa que o Filho
e o Espírito sejam auxiliares inferiores, mas que há uma harmonia perfeita e
eterna entre as três Pessoas.
Observe a dinâmica
trinitária nas Escrituras:
|
A Obra de Deus |
O Pai |
O Filho |
O Espírito Santo |
|
Criação |
Proclama e determina (Sl.33:9) |
Executa, trazendo tudo à existência (João 1:3;
Cl.1:16) |
Vivifica e sustenta (Gn.1:2; Jó 33:4) |
|
Redenção |
Planeja, decreta (Tt.1:2) |
Realiza na cruz e na ressurreição (João 17:4;
Ef.1:7) |
Aplica aos crentes, convence e transforma
(João 16:8; Tt.3:5) |
|
Consolação e ensino |
Envia e autoriza (João 14:26) |
Intercede como Mediador (1Tm.2:5; Hb.7:25) |
Ensina, consola e guia em toda verdade (João
14:26; 16:13) |
Portanto, não existem
três operações separadas, mas um único Deus realizando Sua vontade de forma
triúna.
🔹 O Pai é a
fonte e o iniciador.
🔹 O Filho é o
mediador e executor da vontade do Pai.
🔹 O Espírito é
quem aplica, vivifica e torna pessoal e real a ação divina.
Isso é tão central que
os primeiros credos da Igreja já afirmavam: “Nenhuma das três Pessoas é
antes ou depois da outra… todas são coeternas e coiguais”
(Credo de Atanásio, séc. V).
Assim, a Trindade não
é apenas uma doutrina lógica, mas a revelação de como Deus opera em amor: o Pai
envia, o Filho realiza, o Espírito aplica.
|
Síntese do item – “O Pai é a fonte da
divindade” o O Pai age sempre
por meio do Filho e no poder do Espírito Santo. Essa cooperação não indica
hierarquia, mas unidade absoluta de essência e distinção de funções. o Na criação,
redenção e consolação, as três Pessoas atuam inseparavelmente. o A Trindade não é
três deuses agindo separadamente, mas um único Deus operando trinitariamente.
📌 Aplicação Prática
A fé madura é
trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo atuando em perfeita unidade para a
nossa redenção e santificação. |
II - O PAI REVELADO EM
CRISTO
1. O Pai se revela aos
humildes
“...ocultaste
estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos pequeninos”
(Mt.11:25).
Neste
trecho, Jesus revela um princípio fundamental da revelação divina: Deus não se
dá a conhecer pela capacidade intelectual, mas pela disposição do coração. O
contexto de Mateus 11 mostra fariseus e mestres da lei cheios de informação
religiosa, mas vazios de humildade e resistentes à verdade.
Quando
Jesus diz: “...ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste
aos pequeninos” (Mt.11:25), Ele não está condenando o estudo, a educação ou o
conhecimento. Ele está denunciando a arrogância espiritual que impede o homem
de reconhecer quem Deus é e como Ele age. Os “sábios” (sophós) e “entendidos”
(synetós) mencionados eram líderes religiosos que, embora conhecessem a lei,
rejeitaram o próprio Doador da lei. Eles tinham a mente cheia e o coração
fechado.
Por
outro lado, os “pequeninos” (népios) representam aqueles que:
- reconhecem sua
dependência de Deus;
- não confiam em si
mesmos;
- aceitam a
correção e a verdade com simplicidade;
- têm fé semelhante
à das crianças (Mt.18:2-4).
O
Pai se revela não aos intelectualmente privilegiados, mas aos espiritualmente
pobres (Mt.5:3). Portanto, a revelação de Deus não é uma conquista humana, mas
um dom da graça. É por isso que mesmo pescadores e pessoas simples puderam
conhecer Cristo mais profundamente do que doutores da Lei.
- O conhecimento de
Deus não é mérito, é revelação.
- A revelação não é
fruto de orgulho, mas de humildade e fé.
|
Síntese do item –
“O Pai se revela aos humildes” Em
Mateus 11:25, Jesus ensina que o Pai não se revela aos soberbos, mas aos
humildes de coração. Os “sábios e entendidos” representam aqueles que confiam
em sua própria capacidade intelectual e religiosa, mas carecem de abertura espiritual
para reconhecer a verdade. Em contraste, os “pequeninos” simbolizam os
simples, dependentes e ensináveis, que recebem com humildade a revelação do
Reino. Assim, conhecer o Pai não é fruto de mérito humano, mas obra da graça
concedida àqueles que se aproximam com fé, simplicidade e espírito de criança. 📌Aplicação Prática
|
2. O Pai se faz
conhecer pelo Filho
“ninguém
conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”
(Mt.11:27).
Ao
afirmar: “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser
revelar” (Mt.11:27), Jesus declara algo absolutamente singular: o acesso ao Pai
é exclusivo e mediado por Ele. Não se trata apenas de conhecer informações
sobre Deus, mas de conhecer sua Pessoa, caráter, vontade e amor.
Veja alguns
pontos correlatos a este item:
a)
A Relação Perfeita e Eterna. A relação entre o Pai e o Filho não é
ocasional, criada no tempo ou construída pela história. É uma comunhão eterna,
plena e única:
- O Pai conhece
totalmente o Filho.
- O Filho conhece
totalmente o Pai.
Essa
reciprocidade revela igualdade de essência (João 10:30; 1:1) e distinção de
Pessoa. Jesus não fala sobre Deus como um mestre fala sobre filosofia, mas como
Aquele que veio do Pai e vive no Pai (João 1:18).
b)
Jesus: Revelador da Natureza do Pai. Jesus não apenas fala do Pai — Ele o
revela.
- Jesus mostra o
Pai em palavras (João 14:24);
- Jesus mostra o
Pai em obras (João 5:19);
- Jesus mostra o
Pai em seu caráter (Cl.1:15).
Quem
deseja ver quem Deus é, deve olhar para Cristo. Quem deseja entender o coração
do Pai, deve ouvir o Filho; Ele não é um mensageiro qualquer, mas o revelador
absoluto, o “exegesato” do Pai (João 1:18), isto é, aquele que explica,
manifesta e torna claro o Deus invisível.
c)
Conhecer o Pai: um ato de revelação, não de mérito. O texto afirma que o
Filho revela o Pai a quem Ele quiser. Isso exclui:
- esforço
intelectual;
- técnicas
religiosas;
- sabedoria humana.
E
inclui:
- dependência;
- fé;
- humildade para
receber.
Deus
não é descoberto, Ele se revela — e o faz por meio do Filho. Portanto, toda
tentativa de conhecer a Deus sem Cristo resultará em equívoco, idolatria ou
confusão (Cl.2:8,9), porque o Pai só pode ser corretamente conhecido pela luz
do Filho.
|
Síntese do item –
“O Pai se faz conhecer pelo Filho” Jesus
declara que somente Ele possui plena e eterna comunhão com o Pai, e por isso
somente Ele pode revelar quem Deus é. O Pai não é conhecido por mérito
intelectual, mas pela revelação concedida em Cristo, que é o intérprete
perfeito e definitivo de sua vontade e natureza. Assim, conhecer o Pai não é
uma construção humana, mas um dom que o Filho concede aos que se aproximam
com fé e dependência, pois fora de Cristo todo conhecimento de Deus é
incompleto e distorcido. 📌 Aplicação Prática
Quem
deseja andar com o Pai, deve seguir o Filho. Quem segue o Filho, vive no
Espírito. |
“Quem me vê a mim vê o
Pai” (João 14:9).
Quando Jesus responde
a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9), Ele não está apenas
corrigindo um pedido equivocado, mas revelando o ápice da cristologia bíblica:
em Jesus, o Pai se torna visível, acessível e perfeitamente revelado.
a) Não é identidade de
Pessoa, mas de essência. Jesus não afirma que
Ele é o Pai, mas que nele o Pai
é plenamente manifestado. O Filho não é o Pai, porém compartilha da mesma
natureza eterna:
- O Pai é Deus.
- O Filho é Deus.
- O Espírito é Deus.
Distintos em Pessoa, idênticos em essência (João 10:30).
Assim, Jesus não é uma
sombra, reflexo parcial, emissário intermediário ou projeção do Pai, mas a
expressão exata de quem o Pai é - “O qual, sendo o resplendor da glória e a
expressa imagem da sua pessoa...” (Hb.1:3).
A palavra grega “charaktér”
usada em Hebreus significa impressão exata, marca precisa, como um selo que
imprime sua forma perfeita em outro material. Logo, olhar para o Filho é
contemplar o Pai sem distorção.
b) O caráter e a
vontade do Pai manifestam-se no Filho. Jesus afirma: “As palavras que eu vos digo não as digo por
mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras” (João 14:10).
Portanto:
- As obras de Cristo → são obras do Pai.
- A misericórdia de Cristo → é a
misericórdia do Pai.
- O perdão de Cristo → é o perdão do Pai.
- A justiça de Cristo → é a justiça do Pai.
Jesus não representa o
Pai apenas como porta-voz, mas como revelação encarnada.
Em Cristo, o amor do Pai tocou leprosos, perdoou
pecadores, restaurou caídos e acolheu crianças.
c) A comunhão é
perfeita e ativa. A comunhão entre Pai e
Filho não é apenas eterna, mas operacional e contínua:
- O Pai envia, o Filho realiza (João 6:38).
- O Pai ordena, o Filho obedece (João 4:34).
- O Pai opera, o Filho manifesta (João 5:19).
Logo, Cristo é o
caminho que conduz ao Pai porque não há qualquer ruptura, conflito ou distância
entre ambos.
|
Síntese do item – “Quem vê o Filho vê o
Pai” Jesus ensina que
Ele é a revelação perfeita do Pai, compartilhando com Ele a mesma natureza
divina, embora distinto como Pessoa. Suas palavras, obras e caráter
manifestam de modo pleno quem o Pai é, de modo que olhar para Cristo é
contemplar a presença, o amor e a vontade de Deus sem distorções. A unidade
entre Pai e Filho é total, essencial e eterna, razão pela qual conhecer o
Filho é, ao mesmo tempo, conhecer o Pai. 📌 Aplicação Prática
Quem deseja ver
Deus, contemple o Filho; quem abraça o Filho, conhece o Pai; quem segue o Filho,
vive no Espírito. |
III. A PESSOA DE DEUS
PAI
1. Atributos
incomunicáveis do Pai
Ao
estudarmos os atributos incomunicáveis de Deus Pai, estamos entrando no campo
mais sublime da revelação divina — aquilo que Deus é em Sua essência e que
nenhuma criatura pode possuir, imitar ou alcançar. O ser humano pode refletir
aspectos de Deus (bondade, amor, misericórdia), mas jamais poderá ser como Ele
é em Seu ser eterno e absoluto.
Os
principais atributos incomunicáveis do Pai são:
a) Autoexistência (Deus é Aquele que
simplesmente É) - “EU SOU O QUE SOU” (Êx.3:14).
Deus
Pai não foi criado, não surgiu, não depende de nada ou de ninguém.
Ele é a fonte de toda vida, inclusive do Filho e do Espírito na relação eterna
da Trindade.
Nós existimos dependendo — de
ar, alimento, tempo, circunstâncias, criação.
Ele existe por Si mesmo.
Ensino chave: Seu ser
é a causa de todas as coisas, mas Ele não é causado por coisa alguma.
b) Eternidade (Deus não está preso
ao tempo) - “Antes que os montes nascessem… de eternidade a eternidade, Tu és
Deus” (Sl.90:2).
O
tempo afeta o homem: nascemos, envelhecemos, mudamos. Deus Pai não atravessa o
tempo — Ele o domina. Ele é presente eterno, não limitado ao “antes”, “agora” e
“depois”.
Ensino chave: Para o
Pai, o futuro não é adivinhação, é realidade sob Sua perfeita visão e governo.
c) Imutabilidade (Deus não muda) - “Eu,
o Senhor, não mudo” (Ml.3:6).
Os
seres humanos mudam - pensamentos, emoções, caráter. Deus Pai não sofre
evolução, variação ou oscilação.
- Seu amor não
aumenta nem diminui.
- Sua justiça não
se altera.
- Suas promessas
não oscilam.
Ensino chave: A
imutabilidade é o fundamento da confiança — se Deus não muda, Sua Palavra
permanece incorruptível.
d) Onipotência (Todo-Poderoso) - “Eu
sei que tudo podes…” (Jó 42:2).
Deus
tem poder ilimitado e irresistível. Sua vontade não pode ser frustrada, nem por
homens, demônios, governos ou sistemas.
Não
há circunstância ou força no universo que possa frustrar Seus planos ou impedir
que Suas Promessas se cumpram. Isso está claramente refletido em Isaías 43:13,
onde Deus declara: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que
possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?”. Essa
declaração de poder absoluto reforça que, quando Deus decide agir, nada nem
ninguém pode impedir Sua vontade.
Ensino chave: A
onipotência garante que Seu plano não é apenas perfeito — é invencível.
e) Onisciência (Sabe todas as
coisas) - “Tu me sondas e me conheces…” (Sl.139:1).
Deus
Pai conhece o visível e o invisível, pensamentos, motivações, sentimentos, o
que foi e o que será. O conhecimento de Deus é perfeito e abrangente - abrange o
passado, o presente e o futuro em sua totalidade. Ele conhece todos os detalhes
do universo e da vida humana, desde o mais insignificante até o mais grandioso.
- Nada surpreende
Deus.
- Nada escapa aos
Seus olhos.
- Nada é oculto ao
Seu conhecimento.
Ensino chave: A
onisciência revela um Pai que não apenas vê, mas compreende perfeitamente cada
vida.
f) Onipresença (Está em todos os
lugares) - “Para onde irei do teu Espírito?” (Sl.139:7).
Ele
está presente em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso significa que não há
lugar no universo onde Deus não esteja plenamente presente. A onipresença de
Deus assegura que Ele está sempre perto de nós, acompanhando cada detalhe de
nossa vida e sustentando a criação. Essa presença constante é um lembrete de
que Deus nunca nos abandona, e que Suas Promessas se aplicam a nós em todos os
momentos e circunstâncias.
Não
é apenas a ideia de que Deus vê tudo, mas que Ele está em tudo:
- No trono acima
dos céus;
- No secreto do
quarto;
- Nos vales mais
escuros;
- No coração
quebrantado.
Ensino chave: Deus não
está distante — Ele está sempre presente e plenamente presente em todo lugar.
Esses
atributos incomunicáveis constituem a base da infalibilidade de Deus. Diferente
dos seres humanos, que são limitados e falíveis, Deus é absolutamente confiável
em todas as Suas ações e palavras.
|
Síntese didática do
item – “Os atributos incomunicáveis de Deus” Os
atributos incomunicáveis fazem do Pai o Deus único, absoluto e perfeito. Eles
garantem ao crente segurança, reverência e adoração, pois:
📌 Aplicação Espiritual Ao
contemplarmos esses atributos, não estudamos uma teoria abstrata, mas o caráter
do nosso Pai. Isso nos leva à confiança profunda:
Adorar
a Deus Pai é reconhecer: Ele é Deus, e não há outro além d’Ele. |
2.
Atributos comunicáveis do Pai
Ao estudarmos os
atributos comunicáveis do Pai, entramos na dimensão da graça que nos torna não
apenas servos, mas filhos que refletem o caráter de Deus.
Diferente dos atributos incomunicáveis — que pertencem exclusivamente à
essência divina — estes atributos são compartilhados, comunicados e revelados
em nós através da criação e, principalmente, da regeneração operada pelo
Espírito Santo.
Deus não apenas possui
tais qualidades — Ele é a fonte delas. Portanto, quando o crente exerce amor,
santidade, fidelidade e bondade, não está manifestando virtudes humanas
isoladas, mas a própria natureza do Pai agindo nele.
Veja alguns atributos comunicáveis do
Pai:
a) Santidade (Quem Deus é, nós refletimos) - “Sede santos, porque Eu, o
Senhor, sou santo” (Lv.19:2).
A santidade não é
apenas separação do pecado, mas modo de viver que reflete a santidade de Deus.
O chamado à santidade
não é um peso moral, mas um privilégio filial: somos transformados para
refletir o Pai.
- Deus é santo por natureza.
- Nós somos santos por vocação e transformação.
A santidade não é
opcional ao salvo — é fruto do relacionamento com o Pai.
b) Amor (A essência de Deus operando no crente) - “Deus é amor”
(1João 4:8).
O amor não está apenas
em Deus; ele é Sua natureza. Quando amamos, respondemos ao amor
recebido, não produzimos por nós mesmos.
- Deus ama perfeitamente.
- Nós amamos como reflexo do Seu amor
derramado pelo Espírito Santo (Rm.5:5).
O amor cristão é resultado
da habitação divina, não esforço emocional.
c) Fidelidade (A constância divina nos molda) - “Se formos infiéis, Ele
permanece fiel” (2Tm.2:13).
A fidelidade humana é
limitada, mas a fidelidade divina é imutável e absoluta. Deus permanece fiel
mesmo quando falhamos — e é exatamente essa fidelidade que nos ensina a
perseverar.
- Fidelidade do Pai → fundamento.
- Fidelidade do crente → resposta
obediente.
A fidelidade é a marca
do caráter de Deus impressa na vida do discípulo.
d) Bondade (A expressão visível do caráter de Deus) - “Porque o
Senhor é bom…” (Sl.100:5).
Bondade aqui não é
apenas atitude gentil, mas generosidade ativa:
- Ele sustenta a criação.
- Ele cuida dos Seus filhos.
- Ele reparte graça sobre bons e maus (Mt.5:45).
Quando a Igreja age
com bondade, ela manifesta o caráter do Pai no mundo.
A bondade é a ação
prática do amor divino em nós.
|
Síntese do item – “Atributos comunicáveis
de Deus” Os atributos
comunicáveis mostram que o Pai, sendo santo, amoroso, fiel e bom, forma em
Seus filhos o reflexo de Sua própria natureza. Aquilo que Deus é por
essência, nós manifestamos por participação e transformação. Assim,
santidade, amor, fidelidade e bondade não são apenas virtudes morais, mas
expressões vivas da imagem de Deus restaurada em nós. 📌 Aplicação Prática Estes atributos não
devem ser apenas estudados — devem ser vividos.
Quanto mais
comunhão com o Pai, maior será a semelhança com Seu caráter. |
O estudo dos nomes de
Deus é essencial, porque nas Escrituras o nome não é apenas um rótulo, mas a
revelação do Seu caráter, natureza e ação. Conhecer os nomes divinos é,
portanto, um caminho para conhecer o próprio Deus Pai de modo mais profundo e
reverente.
“Os que conhecem o Teu
nome confiam em Ti” (Sl.9:10). O salmista conecta nome → conhecimento →
confiança.
Quem conhece o que
Deus é, descansa no que Deus faz.
Veja alguns nomes de Deus nas
Escrituras Sagradas:
a) Elohim – O Deus
Criador, Forte e Pleno (Gn.1:1)
- Forma plural com sentido singular.
- Não indica vários deuses, mas revela a
plenitude da divindade e, de forma velada, a pluralidade da Trindade (Gn.1:26).
Aqui, Deus se
apresenta como origem de tudo e fonte de toda vida, absolutamente independente
da criação.
Como isso nos afeta? Ele
não depende de nada, mas tudo depende dEle — inclusive nós (Atos 17:28).
b) El Shadday – O
Todo-Poderoso (Gn.17:1)
Quando este nome é
revelado, Deus está fazendo aliança com Abrão e prometendo o impossível: um
filho na velhice.
- “Shadday” carrega a ideia de força
absoluta e suficiência completa.
Deus não é apenas
poderoso: Sua suficiência supre toda incapacidade humana.
Quando não podemos,
Ele pode. Quando não temos, Ele é.
c) Adonai/Kyrios – O
Senhor Soberano (Sl.8:1; Atos 2:36)
Estes títulos
enfatizam autoridade, domínio e governo.
- Adonai (hebraico).
- Kyrios (grego).
Ambos apontam para um
Deus Rei, não apenas Criador. O Pai não apenas fez o mundo — Ele governa o que
fez (Is.6:1).
Cristo é declarado Kyrios
por Deus Pai (Fp.2:11), mostrando que Sua autoridade é a mesma autoridade
divina.
Resultado dessa
revelação: Nossa vida não é autônoma; somos chamados a submissão e obediência.
d) YHWH – O Nome
Pessoal do Pai (Êx.3:14)
Este é o nome mais
sagrado do Antigo Testamento, revelado a Moisés: “EU SOU O QUE SOU”. Aqui Deus
afirma:
- Autoexistência (Ele existe por Si e em Si).
- Eternidade (não foi feito, não se altera, não
passa).
- Imutabilidade (“Eu, o Senhor, não mudo” – Ml.3:6).
Este nome não descreve
uma ação, mas a própria essência do Pai: Deus é, sempre foi e sempre será.
Convergência Doutrinária
Cada nome revela um aspecto essencial do Deus Pai:
|
Nome |
Revelação |
Ênfase |
|
Elohim |
Criador plural na unidade |
Trindade, poder
criador |
|
El Shadday |
Todo-Poderoso |
Suficiência e
capacidade divina |
|
Adonai / Kyrios |
Senhor e Rei |
Autoridade e governo
absoluto |
|
YHWH |
“Eu Sou” eterno e imutável |
Essência divina e
eternidade |
Enfim, os nomes de
Deus não apenas identificam Quem Ele é, mas como Ele age e como devemos nos
relacionar com Ele: em confiança, obediência, reverência e adoração.
CONCLUSÃO
Nesta
lição, compreendemos que o Deus Pai é a Primeira Pessoa da Santíssima
Trindade, o único Deus verdadeiro, fonte eterna da divindade, Criador e
Sustentador de todas as coisas. Nele encontramos origem, governo, amor,
autoridade e revelação. Ele não é um conceito teológico distante, mas um Pai
pessoal, relacional e acessível, que Se dá a conhecer plenamente em Seu Filho
Jesus Cristo.
Aprendemos
que o Pai age por meio do Filho e do Espírito Santo, sem divisão de essência,
sem hierarquia de valor, sem confusão de pessoas. Toda criação, redenção e
santificação fluem da Sua vontade eterna, operada pelo Filho e aplicada pelo
Espírito. Em Cristo, o Pai Se revela de modo perfeito, e toda verdadeira
adoração, oração e relacionamento com Deus passam inevitavelmente pelo mediador
único entre Deus e os homens.
Diante
disso, somos chamados não apenas a defender doutrinariamente quem é o Pai, mas
a nos relacionar com Ele, reconhecendo Sua santidade, confiando em Seu amor,
submetendo-nos à Sua vontade e vivendo segundo Seu caráter. Conhecer o Pai pela
revelação do Filho e ação do Espírito é o propósito supremo da fé cristã.
Assim, à luz desta lição, afirmamos com convicção: o Pai é Deus, eterno,
imutável, Todo-Poderoso e digno de toda honra, glória e obediência. Que nossa
vida seja expressão contínua dessa verdade, em adoração, devoção e confiança
filial.
“Vede
que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus”
(1João 3:1).
Luciano de Paula
Lourenço
– EBD/IEADTC
Disponível
em: https://luloure.blogspot.com/
Referências Bibliográficas:
Bíblia
de Estudo Pentecostal.
Bíblia
de estudo – Aplicação Pessoal.
Bíblia
de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD
William
Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).
Comentário
do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
Comentário
Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. CPAD.
Dicionário
VINE.CPAD.
O
Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
Rev.
Hernandes Dias Lopes. Mateus. HAGNOS.
Rev.
Hernandes Dias Lopes. Lucas. HAGNOS.
Teologia
Sistemática Pentecostal. CPAD.
Louis
Berkhof. Teologia Sistemática.
Stanley
Horton. Teologia Sistemática: uma perspectiva Pentecostal. CPAD.
