sexta-feira, 13 de maio de 2016

ISRAEL, 68 ANIVERSÁRIOS




Foi há 68 anos, no dia 14/05/1948, que David Ben Gurion pronunciou a independência do moderno estado de Israel, um dos maiores acontecimentos proféticos dos últimos 2 mil anos, em cumprimento das profecias bíblicas milenares. Israel foi expulso pelos romanos em 70 d.C., sob a permissão de Deus, mas não para sempre! Deus havia dito que os traria de volta à sua terra e restabeleceria as suas cidades.

Ezequiel 36:24:

Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra.

Ezequiel 36:22,34,36:

[...] não é por amor a vós que faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome... lavrar-se-á a terra deserta, em vez de estar desolada aos olhos de todos os que passam. Então, as nações que tiverem restado ao redor de vós saberão que eu, o Senhor, reedifiquei as cidades destruídas e replantei o que estava abandonado. Eu, o Senhor, o disse e farei (Ez 36:22,34,36).

Ezequiel 37:21-25:

21. Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.

22. E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.

23. E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações; e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

25. E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente.

O Senhor, em sua fidelidade, começou a cumprir estas palavras diante de nossos olhos! Hoje, Israel é uma potência econômica, científica e militar. Não existe nenhuma outra nação na Terra que se possa orgulhar de feitos e desenvolvimentos tão rápidos e tão notáveis! E isto, estando rodeado de inimigos por todos os lados.

Desde que os judeus foram expulsos de Israel pelos romanos em 70 d.C, eles jamais regressaram até 1948. O Estado de Israel foi oficialmente idealizado depois que o cientista Chaim Weizmann durante a Primeira Guerra Mundial, inventou uma tecnologia para se produzir pólvora rapidamente para a Inglaterra. Isto foi a chave para a Inglaterra vencer seus inimigos. Como gratidão a Chaim, os ingleses decidiram recompensá-lo com o que ele quisesse pedir. Porém, Chaim pediu aos ingleses para negociarem com os outros países vencedores da Primeira Guerra a volta dos judeus à região da Palestina. Foi então criado o primeiro tratado da criação do Estado de Israel, chamado de Declaração de Balfour, que se concluiu em 1948, quando então David Ben-Gurion, judeu nascido na Polônia em 1886, fundou oficialmente o país Israel, sendo seu primeiro ministro. Hoje, o aeroporto internacional de Tel Aviv leva o nome de Ben-Gurion.

Atualmente, Israel é odiado no mundo inteiro e seus conflitos são motivos de grandes destaques. Por quê? Simplesmente, porque o profeta Zacarias já havia profetizado que isto aconteceria nos finais dos tempos:

“Eis que eu farei de Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor e também para Judá, durante o sítio contra Jerusalém. Naquele dia, farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra” (Zc 12:2-3).

Deus já havia dito, por intermédio de Zacarias, que Jerusalém seria uma “pedra pesada” para todas as nações. E mais, já era previsto que a maioria das nações seriam contra Israel. Os conflitos que vemos hoje entre os árabes (palestinianos) e judeus são também fruto desta profecia. Mas Deus diz: "Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e o teu Redentor é o Santo de Israel" (Is 41:14).

Os inimigos, cegos de ódio, não poupam nenhum sacrifício, nem a própria vida para espezinhar o "vermezinho de Jacó" e provocar uma "solução final" para poder estabelecer o chamado Estado Palestino. E isso em a terra de Israel! O mundo sem Deus prefere crer numa mentira histórica, ao invés de crer na Palavra de Deus eternamente válida.

Após sua independência, em 1948, o pequeno Israel já derrotou seus inimigos árabes em mais de seis guerras e os supera política, científica e economicamente. Se compararmos a população dos países árabes no Oriente Médio com a judaica, vemos que Israel é superado em uma proporção de 52 para 1. No entanto, Israel continua a derrotar todas as forças armadas árabes combinadas e será usado por Deus para trazer julgamentos de aniquilação contra muitas dessas nações.

Certa feita, alguém que odiava os judeus, perguntou a um velho judeu: "O que você pensa que acontecerá com o seu povo se nós continuarmos perseguindo vocês?”. O velho judeu respondeu: "Haverá um novo feriado para nós!". "O que você quer dizer com isso?", perguntou o outro, "como vocês podem ter um novo feriado se continuarmos perseguindo vocês?". O velho judeu disse:

"veja bem, Faraó quis nos exterminar e nós recebemos um feriado: a Páscoa; Hamã quis enforcar Mordecai e exterminar todos os judeus e nós recebemos um novo feriado: o Purim; Antiôco Epifânio IV, rei da Síria, quis exterminar os judeus - ele ofereceu um porco ao deus Júpiter no templo - e Israel recebeu outro feriado: o Hanucah. Hitler quis nos exterminar e nós recebemos mais um feriado: o Yom Ha’atzmaut - o Dia da Independência; Os jordanianos ocuparam Jerusalém Oriental durante 19 anos, impedindo-nos de orar no Muro das Lamentações, até que, no ano de 1967, nossos soldados libertaram Jerusalém Oriental, desde então, festejamos anualmente o Yom Yerushalaym - o Dia de Jerusalém. E caso continuarem nos perseguindo, receberemos mais feriados da parte de Deus. E o velho judeu tem razão!

Altos dignitários da política vêm a Israel e se atrevem a dar "bons" conselhos e exortações, dizendo que os judeus deveriam ceder territórios. Mas nada nem ninguém anula as promessas que Deus deu a Jacó:

Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel. Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; sê fecundo e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaque dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência" (Gn 35:10-12).

Mas nem o povo como um todo nem o governo se firma nessa promessa, e infelizmente segue o caminho da "angústia de Jacó", conforme Jeremias 30:7-10:

Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será livre dela. Naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei os teus canzis; e nunca mais estrangeiros farão escravo este povo, que servirá ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhe levantarei. Não temas, pois, meu servo, Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; pois eis que te livrarei das terras de longe e à tua descendência, da terra do exílio; Jacó voltará e ficará tranqüilo e em sossego; e não haverá quem o atemorize.

A nossa oração sempre deve ser que, sem demora, Israel seja conduzido ao encontro do destino que Deus planejou para ele! Para isso é preciso ter fé baseada nas Escrituras e perseverança, não se deixando determinar pelo mal e pelo que é atualmente visível, mas sim, firmando-se nas imutáveis promessas de Deus!

Parabéns, Israel, por estes 68 anos de existência!

 

 

domingo, 8 de maio de 2016

Aula 07 – A VIDA SEGUNDO O ESPÍRITO


2º Trimestre/2016

Texto Base: Romanos 8:1-17

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16).

 

Objetivo desta Aula: “Mostrar que aqueles que pela fé em Jesus Cristo foram salvos pela graça, precisam viver segundo o Espírito Santo”(LBP).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 8 da Epístola aos Romanos. Este capítulo é um dos mais apreciados da Bíblia. Trata da vida no Espírito, em contraste com aquilo que nós lemos no capítulo 7: a experiência de agonia, fracasso e derrota do homem carnal. No final do capítulo 7, Paulo garante aos crentes que todos têm o poder de vencer o pecado e a certeza da libertação final deste mundo de iniquidade. Mas ele inclui um aviso de que haverá durante toda a vida uma constante tensão por causa da nossa natureza pecaminosa; há um grande conflito entre a velha natureza e a nova natureza. O ser humano almeja, quer, mas não consegue obedecer ao que Deus determina, criando, então, aquele grito no final do capítulo 7: “desventurado homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”. É neste contexto, então, que Paulo introduz a Pessoa e a Obra de Cristo escrevendo as operações e as atividades do Espírito Santo naquele que está em Cristo Jesus, que é o assunto do capítulo 8. Neste capítulo, Paulo nos diz que a vitória sobre o pecado e a comunhão com Deus nos vêm pela união com Cristo, mediante o Espírito Santo que em nós habita. Ao recebermos o Espírito Santo e sermos por Ele dirigidos, somos libertos do poder do pecado e prosseguimos adiante para a glorificação final em Cristo. O que era impossível na antiga aliança, regida pela lei, agora se tornou possível graças a uma nova lei – a lei do Espirito de vida em Cristo Jesus. Assim, a vida cristã constitui-se essencialmente em vida no Espírito, quer dizer, uma vida que é animada, sustentada, orientada e enriquecida pelo Espírito Santo. O Espírito Santo que habita em nós concede-nos recursos para vivermos neste mundo de maneira santa e justa. Sem o Espírito Santo não poderemos viver de modo a agradar ao Pai. Que possamos nos entregar totalmente a Deus, permitindo que o seu Espirito nos guie. Sem Ele perderemos a bênção da esperança de morarmos ao lado do Senhor no Céu.

Romanos 8 trata das seguintes operações do Espirito Santo:

Ø Aplicação da Obra de Cristo no coração do crente (vv.1-4).

Ø Como o Espírito nos inclina agradar a Deus (vv. 5-8).

Ø Que Ele abita em todo verdadeiro cristão (vv. 9-11).

Ø Que Ele nos dá o poder para mortificar a carne, a tendência pecaminosa (vv. 12,13).

Ø Que Ele nos guia como filhos de Deus (vv.14,15).

Ø Que Ele testifica da nossa salvação e da nossa herança (vv.16,17).

Ø Que Ele nos conforta em meio aos sofrimentos do mundo presente (vv.18-25).

Ø Que Ele intercede por nós nas nossas orações (vv.26-27).

O capítulo termina com uma exposição de Paulo diante da obra do Espírito Santo, argumentando que somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus nosso Senhor e Salvador; são os versos 31-39, onde Paulo pergunta: “à vista disso tudo [o plano da salvação que foi exposto em Romanos capítulos 1-8] quem nos poderá separar do amor de Deus? Somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus, nosso salvador”.

I. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À LEI DO PECADO (Rm 8:1-4)

Ao falar da ação do Espírito Santo naquele que foi justificado pela fé, que está unido a Cristo, Paulo faz um contraste entre a vida na carne - que é a mesma coisa da vida debaixo da lei, que é a vida no mundo não regenerado – e a vida no Espírito - que é a vida do justificado, aquele que foi aceito por Deus e que foi perdoado. Paulo, também, mostra o resultado de cada um desses modos de vida. A vida na carne leva à morte, a vida no Espírito traz vida. Paulo agrupa a humanidade nestas duas categorias. Ou vivemos na carne, debaixo da lei, prisioneiro no pecado, condenados, destinados à morte, ou vivemos no Espirito, na liberdade que ele nos dá na vitória sobre o pecado, e frutificando para Deus e, finalmente, obtendo a vida eterna.

Às vezes olhando de fora não sabemos quem está na carne ou no Espírito, porque pecadores não regenerados ainda tem uma semente de religião: eles oram, eles cantam, eles contribuem, eles vão a igreja, mas nunca foram regenerados. E às vezes alguém que de fato foi regenerado, que já saiu dessa vida debaixo da lei e do domino do pecado, tem uma recaída, pois ninguém é perfeito, pode ser que alguém tropece. Assim, olhando numa primeira vista, numa primeira análise, não dá para dizer de cara quem é quem. Mas como disse o senhor Jesus: pelos frutos os conhecereis (Mt 7:16,20). O tempo acaba revelando a verdade da vida de cada um. Os frutos se mostram com clareza. É apenas uma questão de tempo.

Em Rm 7:24 Paulo expressa o seu lamento: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”. Dá a impressão que Paulo carrega em suas costas um corpo em decomposição. Esse corpo é, certamente, a velha natureza com toda a sua corrupção. Em sua aflição, o apóstolo reconhece a incapacidade de se livrar dessa escravidão repulsiva. Ele precisa de ajuda externa. Mas, do vale do desespero e da derrota, o apóstolo se eleva com um grito de triunfo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). Não há nenhuma condenação divina no tocante aos nossos pecados, pois estamos em Cristo. Enquanto estávamos em Adão, nosso primeiro representante, havia condenação. Agora estamos em Cristo e, portanto, livres da condenação.

Romanos 8:2 explica o porquê de não haver mais nenhuma condenação: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” nos “livrou da lei do pecado e da morte”. Vemos aqui duas leis ou princípios opostos. O princípio característico do Espírito Santo é dar poder aos cristãos para a vida de santidade. O princípio característico do pecado é arrastar a pessoa para a morte. É como a lei da gravidade. Quando lançamos uma bola para o alto, ela volta, pois é mais pesada que o ar que desloca. Um pássaro também é mais pesado que o ar, mas pode voar. A lei da vida no pássaro supera a lei da gravidade. Assim também o Espírito Santo provê a vida ressurreta do Senhor Jesus e liberta o cristão da lei do pecado e da morte. A lei nunca foi capaz de fazer as pessoas cumprirem suas exigências santas, mas onde a lei falhou, a graça foi bem-sucedida.

Compreendendo melhor...

A Lei não podia produzir uma vida de santidade porque estava enferma pela carne. O problema não era a Lei, mas a natureza humana decaída. A Lei foi dada a homens que já eram pecadores e não tinham forças para obedecer. Mas, Deus interveio enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa (cf Rm 8:3). É importante observar que o Senhor Jesus não veio em carne pecaminosa, mas em “semelhança de carne pecaminosa”. Ele não pecou (1Pd 2:22), não conheceu o pecado (2Co 5:21) e nele não existia pecado (1João 3:5). Porém, quando veio ao mundo em forma humana assemelhou-se à natureza humana pecaminosa. No sacrifício de Cristo, “condenou Deus, na carne, o pecado” (Rm 8:3). Cristo morreu não apenas pelos pecados que cometemos (1Pd 3:18), mas também por nossa natureza pecaminosa. Em outras palavras, além de morrer por aquilo que fizemos, Ele também morreu por aquilo que somos e, desse modo, “condenou [...], na carne, o pecado” (Rm 8:3). Não é dito em momento algum que nossa natureza pecaminosa foi perdoada; pelo contrário, ela foi condenada. O perdão é aplicado aos pecados que cometemos.

Agora, o preceito da Lei se cumpriu em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:4). Ao entregarmos o controle de nossa vida ao Espírito Santo, Ele nos capacita a amar a Deus e ao nosso próximo, o que constitui, afinal, o preceito da Lei (Mt 22:38-40).

Portanto, no capítulo 5:12-21, Paulo discorre sobre Adão e Cristo como nossos representantes; em Rm 8:1, ele mostra como a condenação que herdamos de nossa identificação com Adão é removida com nossa identificação com Cristo. Nos capítulos 6 e 7, o apóstolo Paulo tratou do problema atroz da natureza humana pecaminosa; em Romanos 8:1-4, ele anuncia, triunfantemente, que a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus nos liberta da lei do pecado e da morte. O capítulo 7, trata da Lei; no capítulo 8, descobrimos que a vida controlada pelo Espírito Santo cumpre as exigências da Lei.

II. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO À NATUREZA ADÂMICA (Rm 8:5-17)

Duas forças antagônicas operam no homem: a natureza carnal e o Espírito Santo. Esta tensão entre “carne” e Espírito nos faz lembrar Gálatas 5:16-26, onde os dois se encontram em conflito irreconciliável um com o outro. Em Romanos 8:5-17, o apóstolo Paulo mostra o contraste entre o Espírito Santo e a natureza adâmica (a carne). A velha natureza perversa e corrompida só nos causou dissabores. Nunca trouxe nada de bom. Se Cristo não tivesse nos resgatados, a natureza adâmica teria nos arrastado para os lugares mais profundos, escuros e quentes do inferno. Os que vivem segundo a velha natureza (a carne) caminham, necessariamente, para a morte, não apenas física, mas também eterna. Como Rm 8:4,5 deixa claro, viver segundo a carne significa não ter salvação.

1. A velha inclinação (Rm 8:5-8). “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne” (Rm 8:5a). Paulo diz que aqueles que se inclinam para a carne, ou seja, os inconversos, se preocupam com as coisas da carne e obedecem aos impulsos da carne; vivem para realizar os desejos da natureza corrompida; cuidam apenas das coisas do corpo que, em pouco tempo, voltará ao pó. É bom deixar claro que, quando Paulo fala em “carne”, não está se referindo ao tecido muscular mole e macio que cobre o nosso esqueleto, nem aos instintos e apetites do nosso corpo, mas sim ao todo que compõe a nossa natureza humana, vista como corrupta e irredimida, nossa natureza humana caída e egocêntrica, ou o ego dominado pelo pecado (John Stott).

“A inclinação da carne é morte” (Rm 8:6). Ou seja, a inclinação de quem é dominado pela carne já é voltada para a morte espiritual e conduz inevitavelmente à morte eterna, pois ela aliena tais pessoas de Deus, impossibilitando a comunhão com Ele, seja neste mundo, seja no próximo. Segundo William Macdonald, o pendor da carne dá para a morte porque é inimizade contra Deus (Rm 8:7). O pecador vive em estado de rebeldia e hostilidade ativa contra Ele; a crucificação do Senhor Jesus Cristo foi prova clara dessa realidade. “O pendor da carne [...] não está sujeito à lei de Deus”. Deseja fazer a própria vontade, e não a vontade de Deus. Deseja ser seu senhor, e não se curvar à soberania divina. 

Além da inclinação, falta também o poder para obedecer. Portanto, não surpreende que os que estão na carne não podem agradar a Deus. Não há nada que uma pessoa não-salva possa fazer para agradar a Deus: nem boas obras, nem devoção religiosa, tampouco serviço sacrificial. Antes de tudo, essa pessoa precisa reconhecer sua condição de pecador e receber Cristo por um ato decisivo de fé. Somente então poderá receber a aprovação de Deus.

Paulo diz mais: “porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8:13). O “viver segundo a carne” se revela através do corpo. Portanto, devemos nos afastar da carne (natureza pecaminosa) e das suas iníquas atitudes, das suas práticas e suas habituais respostas. Este é um ato que deve ser realizado e uma atitude que deve ser tomada; devemos todos os dias nos afastar dos desejos que nos levam para longe de Deus.

2. A nova inclinação (Rm 8:5b,9). “Mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito” (Rm 8:5b); “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9).

Depois de nascer de novo, a pessoa não está mais na carne, mas no Espírito. Ela passa a viver em um novo âmbito. Assim como o peixe vive na água e o homem vive na superfície terrestre, o cristão vive no Espírito. Não apenas ele vive no Espírito, como também o Espirito vive nele. Na verdade, se o Espírito de Cristo não habita dentro dele, ele não pertence a Cristo. Portanto, os que se inclinam para o Espírito, ou seja, os verdadeiros cristãos, transcendem a carne e o sangue e vivem para as coisas eternas. O Espírito inclina nossa mente para desejá-lo. Essa inclinação é um pendor, um desejo forte que nos impulsiona e nos arrasta. Os que são dominados pela carne buscam agradar a carne e praticar suas obras (Gl 5:19-21), mas os que se inclinam para o Espírito, cogitam das coisas do Espirito; ocupam-se da Palavra de Deus, da oração, da adoração e do serviço cristão.

3. A nova filiação (Rm 8:14-17). “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”.

Os judeus se consideravam filhos de Deus por causa da sua herança, mas Paulo explica que agora esse termo tem um novo significado. Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus como ficou provado no seu estilo de vida. Os crentes não têm apenas o Espirito (Rm 8:9), eles também são guiados por Ele. Este privilégio, que tornou possível ao crente ser orientado ou guiado pelo Espirito aconteceu porque Deus nos deu a adoção de filhos – “... recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15). “Aba” é a palavra aramaica usada pelos judeus (e até hoje pelas famílias que falam o hebraico) como o termo familiar com o qual os filhos se dirigem ao seu pai. Pertencemos agora à família de Deus. Temos intimidade com Deus.

O Espírito Santo é testemunha da nossa filiação - “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). Portanto, não basta saber que somos filhos de Deus por adoção, precisamos estar conscientes desse auspicioso privilégio. O Espírito Santo testifica com nosso espirito que somos filhos de Deus. Então, não precisamos viver cabisbaixos, derrotados e envergonhados. Somos agora filhos do Altíssimo, membros da família de Deus. Isso não é sugestão humana, mas testemunho fiel do Espírito Santo que habita em nós. Glórias sejam dadas a Deus!

Os membros da família de Deus desfrutam privilégios extraordinários. Todos os filhos de Deus são herdeiros de Deus. Mais cedo ou mais tarde, o herdeiro recebe os bens de seu pai. O apostolo Paulo confirma isso dizendo: “E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8:17).  Portanto, tudo que o Pai possui é nosso. Ainda não estamos desfrutando tudo isso, mas certamente o faremos no futuro bem próximo. E somos coerdeiros com Cristo; em seu Reino, teremos parte com Ele em todas as riquezas do Pai.

Todavia, Paulo nos faz lembrar de que a vida vitoriosa no Espírito Santo não é nenhum caminho fácil – “se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17b). Jesus sofreu, e nós que o seguimos sofreremos também. Esse sofrimento é considerado um sofrimento em conjunto com Ele (cf. 2Co 1:5; Fp 3:10; Cl 1:24; 2Tm 2:11,12) e advém do nosso relacionamento com Deus como seus filhos, da nossa identificação com Cristo, do nosso testemunho dele e da nossa recusa de nos conformar com o mundo (cf. Rm 12:1,2).

III. A VIDA NO ESPÍRITO PRESSUPÕE OPOSIÇÃO ENTRE A NOVA ORDEM E A ANTIGA (Rm 8:18-39)

O final do versículo 17, do capítulo em epígrafe, termina com uma conexão entre o sofrimento e a glória. Isto nos ensina que a participação na glória de Cristo somente será alcançada depois de uma participação no seu sofrimento (Rm 8:17). Mas, Paulo completa esse pensamento e conclui que nossos atuais sofrimentos “não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18). O sofrimento atual é temporário, enquanto a glória futura é eterna. Paulo escreveu aos Coríntios: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2Co 4:17). O sofrimento é parte do processo de partilhar da morte de Cristo e irá culminar na participação da Sua glória. Essa participação da glória de Deus tem proporções cósmicas, pois o glorioso destino dos crentes irá assimilar um novo Dia para toda criação. Aqui ainda há dor e lágrimas; há fraqueza e morte; porém, não caminhamos para um túmulo gelado e frio, mas para a gloriosa ressurreição. Não caminhamos para um destino desconhecido nem para um lugar de tormento, mas para a bem-aventurança eterna. O sofrimento presente não pode ser comparado às glórias futuras. Diante do fulgor da glória que nos espera, os sofrimentos do presente mundo são leves e momentâneos. Aleluia!

1. A manifestação dos filhos de Deus – “A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8:19). Paulo informa enfaticamente que “toda criação geme e suporta angústias até agora” (Rm 8:22). A criação que Paulo se refere é a criação irracional, animada ou inanimada. A queda não atingiu apenas o homem, mas também a natureza.

Vivemos em um mundo que suspira, soluça e sofre. Toda a criação geme e padece dores como as de parto. A criação não se contorce com os gemidos da morte, mas geme como uma mulher prestes a dar à luz (Rm 8:22). Seus gemidos não são de desespero, mas de gloriosa expectativa. Ela não geme por causa de um passado inglório, mas por um futuro glorioso. John Stott diz que “os gemidos da criação são dores inevitáveis no vislumbre de uma Nova Ordem”. A escravidão da decadência dará lugar à liberdade da glória (Rm 8:21). Às dores de parto seguirão as alegrias do nascimento (Rm 8:22). A criação se recorda das condições ideais no Éden e depois vê a destruição causada pela entrada do pecado no mundo. Sempre houve a esperança da volta ao estado bucólico, isto é, de beleza natural, campestre, primaveril, terno e maravilhoso, no qual a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção e poderá desfrutar a liberdade da era dourada na qual os filhos de Deus serão manifestados em glória.

A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8:19,21). A criação vive como que na ponta dos pés, esticando o pescoço, olhando para esse futuro que virá trazendo em suas asas a restauração de todas as coisas. As palavras “ardente expectativa” (Rm 8:19), no grego, significam esperar de cabeça erguida e com os olhos fixos naquele ponto do horizonte de onde virá o objeto esperado: “a manifestação dos filhos de Deus”. Paulo personifica toda criação aguardando com “ardente expectativa” o tempo em que seremos revelados filhos de Deus diante de um mundo maravilhado. Isso ocorrerá quando o Senhor vier para reinar e nós voltarmos com Ele. Já somos filhos de Deus, mas o mundo não reconhece nem aprecia nossa condição. E, no entanto, o mundo espera por um dia melhor, um dia que virá somente quando o Rei voltar para reinar com todos os seus santos.

2. Provas do grande amor de Deus. “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32).

A maior prova do grande amor de Deus foi a entrega do seu único Filho para morrer, vicária e substitutivamente, em nosso lugar - “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós”. Aqui, a palavra “poupou” é a mesma para “negar”, usada em Gn 22:12, quando Deus disse a Abraão: “não me negaste o teu filho, o teu único filho”.

Quando a humanidade perdida precisou ser salva por um substituto sem pecado, o Deus do universo não reteve o tesouro mais precioso do seu coração; antes, entregou-o a uma morte vergonhosa em nosso lugar -“o entregou por todos nós...” (Rm 8:32). Cristo é o Dom inefável de Deus, e a cruz é o gesto mais profundo do seu amor. Cristo não morreu como um mártir; foi entregue, e Ele mesmo se entregou por toda a humanidade. Quem entregou Jesus à morte não foi Judas, por dinheiro; não foi Pilatos, por medo; não foram os judeus, por inveja; mas o Pai, por amor.

Diante deste inefável amor, o apóstolo Paulo descreve uma lógica irresistível: “... como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Rm 8:32). Se Deus já nos deu a maior de todas as dádivas, acaso reterá alguma dádiva de menor valor? Se Ele já pagou o mais alto preço, acaso hesitará em pagar algum preço menor? Se Ele não mediu esforços para obter nossa salvação, acaso nos abandonará?  Porventura, “não nos dará também com Ele todas as coisas?”.

3. Deus é conosco. “Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31).

Satanás e todos que estão sob o seu poder são contra nós, mas Deus promete que, no final, sairemos vitoriosos. Observe que o apóstolo Paulo não pergunta: "Quem é contra nós?", pois, se assim o fizesse, o inferno inteiro se levantaria, vociferando seu ódio incontido. A pergunta é: "Se Deus está do nosso lado, quem poderá deter-nos ou resistir a nós?". Se o Rei e Senhor do universo está do nosso lado, se ele nos amou, nos chamou, nos justificou e já decretou a nossa glorificação, então somos vitoriosos e invencíveis. Ainda que o inferno inteiro se levante contra nós, certamente triunfaremos.

John Stott corretamente afirma: "O mundo, a carne, e o diabo podem continuar alistando-se contra nós, porém nunca nos poderão vencer, se Deus é por nós”.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Warren Wiersbe, diz que Deus é por nós e provou isto dando-nos seu Filho (Rm 8:32). O Filho é por nós e prova isto intercedendo por nós junto ao Pai (Rm 8:34). O Espírito Santo é por nós, assistindo-nos em nossa fraqueza e intercedendo por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26). Deus trabalha para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Rm 8:28). Em sua pessoa e em sua providência, Deus é por nós. Por vezes, lamentamos como Jacó: "Todas estas coisas me sobrevêm" (Gn 42:36), quando, na verdade, tudo está trabalhando em nosso favor. Deus é conosco, sempre!

CONCLUSÃO

Conquanto as provas, as tribulações, as vicissitudes, sejam brutais e impiedosas, o crente, que tem sua vida segundo o Espírito Santo de Deus, está seguro em Cristo. Se está seguro em Cristo é porque está em Cristo. E “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1); “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm 8:38,39). “Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8:37).

Portanto, o fim do nosso caminho não é o sepulcro coberto de lágrimas, mas o hino triunfal da gloriosa ressurreição. Nossa jornada não terminará com o corpo surrado pela doença, enrugado pelo peso dos anos, coberto de pó na sepultura, mas receberemos um corpo de gloria, semelhante ao de Cristo (Fp 3:21). Nosso corpo resplandecerá como o fulgor do firmamento e como as estrelas, sempre e eternamente (Dn 12:3). Nosso choro cessará, nossas lágrimas serão estancadas. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor (Ap 21:4). Esta é uma promessa inexorável a todos aqueles que têm sua vinda segundo o Espírito de Deus. Aleluia!

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.

domingo, 1 de maio de 2016

Aula 06 – A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO


2º Trimestre/2016

Texto Base: Romanos 7:1-15

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado” (Rm 7:25).

 

Objetivo desta Aula: “Mostrar que a luta entre carne e espírito é uma realidade na vida de todo crente” (LBP).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 7 da Epístola aos Romanos. Este capítulo é um dos mais complexos e difíceis desta Epístola, talvez um dos mais densos de todo o Novo Testamento. Há uma gama enorme de opiniões dos estudiosos acerca da sua real interpretação. Este capítulo trata a respeito da libertação da Lei. Ora, se já fomos libertados da Lei, e estamos debaixo da graça de Deus, por que muitos dos que cristãos dizem ser passam por conflitos espirituais internos? Na realidade, qual é o lugar da Lei na vida do cristão? Ela é a causa do pecado? É a causa da morte? Eu diria que a Lei não é a causadora da morte, mas sim o pecado; assim como o problema de um criminoso não é a lei, mas sua transgressão.

John Stott menciona três grupos que lidam com a Lei de formas diferentes: Em primeiro lugar, os legalistas. Eles procuravam observar os preceitos da Lei com o propósito de ser salvos (Lv 18:5). Uma vez que não conseguiam cumprir as exigências da Lei, os legalistas acabavam ostentando uma religiosidade apenas de aparência. Viviam debaixo de um jugo pesado e queriam colocar essa mesma canga sobre os demais. O legalista torna-se um fariseu, cujas ações exteriores são aceitáveis, mas cujas atitudes interiores são desprezíveis. Em segundo lugar, os libertinos. De forma diametralmente oposta, estes olhavam para a lei como a causadora de todos os seus problemas. Queriam sacudir o seu jugo para viver sem freios e sem limites. Assim, a graça de Deus é transformada em libertinagem. Esse ainda é o modo de agir da chamada "nova moralidade". Seus seguidores sacudiram de sobre si o jugo divino e anularam a lei moral de Deus. Contudo, certamente esse não é o significado que Paulo quis dar quando disse que não estamos mais debaixo da lei e sim da graça (Rm 6:14). É importante destacar que, quanto à justificação, não estamos mais debaixo da lei, e sim da graça; e, para sermos santificados, não dependemos da lei, mas somos guiados pelo Espírito Santo. Em terceiro lugar, os cristãos. Estes se regozijam tanto em sua libertação da Lei como em sua liberdade para cumpri-la. Deleitam-se na Lei por ser a revelação da vontade de Deus (Rm 7:22), mas reconhecem que a força para cumpri-la não provém da Lei, mas do Espírito de Deus. Em síntese, o legalista teme a Lei e está debaixo de sua servidão; o libertino detesta a Lei e a lança fora; o cristão respeita a Lei, à qual ama e obedece.

I. A LEI ILUSTRADA NA ANALOGIA DO CASAMENTO (Rm 7:1-6)

Na Aula anterior, aprendemos que quando Cristo morreu nós também “morremos” para o pecado. Adquirimos uma nova natureza: a natureza espiritual. Porém, enquanto estivermos vivos em nosso corpo corruptível, temos que lidar com nossa natureza carnal e suas tentativas de controlar nossos pensamentos e ações. Para descrever essa tensão entre a nossa antiga natureza e a nova, Paulo usou a analogia do casamento para explicar a situação de escravidão ao pecado e de servir a Deus. A lei é como um marido perfeccionista; esse marido condena a esposa por sua menor falha. Somente a morte pode interromper esse casamento. Assim como a morte cancela os votos matrimoniais, morrer em Cristo na sua morte interrompe o nosso “casamento” com o pecado.

1. A metáfora do casamento (Rm 7:1-3). “Não sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive? Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido, livre está da lei e assim não será adúltera se for doutro marido”.

Em Rm 7:1, Paulo mostra que a lei tem domínio sobre o homem durante toda a sua vida. Apenas a morte pode interromper o domínio da lei sobre nós. Se a morte sobrevém, os relacionamentos estabelecidos e protegidos pela lei são dados por terminados. Não se espera que um cadáver siga quaisquer leis, e ele não pode pagar pelos pecados cometidos.

Os cristãos destinatários da Epístola (principalmente aqueles familiarizados com os princípios da lei) deveriam saber que não estavam mais debaixo da lei e sim da graça (Rm 6:14), e que ela não se aplica àquele que está morto em Cristo na Sua morte. Para ilustrar esse fato, Paulo faz uma ilustração da lei na analogia do casamento. Mostra que somente a morte rompe o contrato de casamento.

Paulo compara a lei com um marido e os crentes com uma esposa. Esse casamento é turbulento e conflituoso. A culpa não é do marido (a lei); ele é perfeito, santo, justo e bom. O problema é que essa esposa (os crentes) nunca consegue agradá-lo, pois é imperfeita, carnal, rendida ao pecado e sempre frustra as expectativas do marido. O contrato de casamento perde sua validade quando um dos cônjuges morre.

Entendendo melhor a metáfora...

Imagine o seguinte casamento: o marido é um perfeccionista; para ele tudo tem que estar no devido lugar, no lugar certo; a mulher tem que fazer a comida numa determinada temperatura; os talheres têm que estar arrumados em determinada forma na mesa; ele quer sua camisa perfeitamente engomada, com colarinho passado em uma determinada forma, tem que estar dobrado exatamente do jeito que ele quer no guarda-roupa; os móveis têm que estar todos limpinhos sem nenhuma poeira na sala; a posição dos móveis tem que estar numa determinação peculiar. Esse homem tem horário cronometrado: diariamente, ele acorda regularmente às 6:50h; 15 minutos depois ele está à mesa devidamente vestido para tomar o café; 10 minutos depois ele está saindo de casa; chega em casa exatamente às 18:00hs e a comida tem que estar pronta; assiste ao jornal predileto e vai para cama exatamente às 22:00h. Ele faz isso todo dia! Tudo tem que ser e estar exatamente do jeito dele!

Quanto à mulher desse marido: ela é uma folgada; é desastrada, coitada! Ela ama o marido, ela quer agradar o marido, mas ela é esquecida: não se lembra dos horários; esquece como o marido quer as coisas; queima a comida; mancha a camisa dele... E ele não ajuda. Ele fica dizendo: você não presta para nada; não sei por que casei com você; nada que você faz dá certo; nada, você não presta para nada! E aquela mulher vive num estado de desespero porque não consegue agradar o marido. E aí ela começa a pensar em outro homem, que é tão exigente quanto ao marido, tão certinho quanto o marido, mas compreende, ajuda, dá uma força, entende, apresenta seu suporte... Ela começa a pensar como ela pode se casar com outro homem. Humanamente falando, a solução para isso seria matar o marido. Só que ele não morre! Ele malha na academia e ele tem hábitos alimentares perfeitos. Desse jeito, o cara vai viver mais de 100 anos! E isto é um desespero para essa mulher! Como, então, encontrar uma solução?

2. A metáfora da mulher viúva. Dando continuidade a analogia do casamento, Paulo afirma que se uma mulher se unir com outro homem, enquanto o marido estiver vivo, cometerá adultério. Porém, se a mulher é viúva, ela estará livre para se casar novamente, sem ser culpada de qualquer delito. Somente a morte divorcia um matrimônio. Isto é, a única possibilidade de a mulher ficar livre do marido para unir-se a outro marido é a morte dele. A ideia central é que essa morte não apenas encerra um relacionamento, mas abre caminho legal para que a mulher inicie outra união. Isso porque, ainda que o casamento seja para toda a vida, não se estende para além da vida. Paulo, portanto, queria que os cristãos destinatários de sua Epístola se lembrassem de que, sob circunstâncias normais, qualquer quebra dos votos matrimoniais seria considerada adultério, “porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei” (Rm 7:2).

Entendendo melhor a metáfora...

A Mulher somos nós e o Marido é a lei. É este casamento que não dá certo! A Lei exige, pede e é toda certinha, mas o problema é que nós, como aquela Mulher, não conseguimos obedecer às demandas da Lei. E não temos como fazer porque estamos ligados à Lei a vida toda. A mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele vive. Porém, se o Marido morrer ela estar desobrigada da lei conjugal, e assim ela pode se casar novamente. É o que Romanos 7:3 diz: “De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias”.

Esta era a nossa situação: estávamos casados com a Lei. E nós não conseguíamos agradar a Lei. Não conseguíamos fazer o que a Lei mandava. E aí começamos a pensar no outro. Quem é o outro? Jesus. Ele é tão exigente quanto à Lei, ou até mais; só que sabemos que Ele nos ama, e que aquilo que nos pede Ele nos dá força e graça para fazer. Mas eu não posso pertencer a Jesus porque eu estou casado com a Lei de Deus desde que nasci. Então o que eu faço para sair deste casamento? Veja a solução no item seguinte.

3. Mortos para a lei (Rm 7:4). Sabe qual foi a solução de Deus para este impasse? Não foi matar o Marido (a lei). Foi matar a Esposa (nós). Perceba isto em Romanos 7:4. Até agora só se falava: “se o marido morrer”, “se morrer o marido”. Todavia, quem realmente morre é a Mulher (nós). É o que Paulo narra: ”Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus”.

Com a morte da Mulher (os crentes) o problema foi solucionado; o vínculo conjugal com o primeiro Marido acabou. Ela está morta em relação a esse Marido. Uma vez que ela ressuscitou (Cl 3:1), está livre para pertencer a outro Marido, espiritualmente falando! Foi este o caminho de Deus! O caminho de Deus não foi tirar a Lei, mas nos tirar debaixo dela. E como isso aconteceu? Da mesma forma que nos tirou do pecado. Como é que nós morremos para o pecado? Pela nossa união com Cristo. E como nós somos livres do casamento com a Lei para podermos pertencer a Cristo? Romanos 7:4 explica: “Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo...”.

Quando Cristo morreu na cruz, nós não somente morremos para o pecado, mas nós também morremos para aquilo que dar força ao pecado, que é a Lei. Agora mortos para o pecado, com quem estávamos casados desde o nascimento, nós podemos pertencer ao outro sem cometer adultério. Quem é este outro? Está no final do versículo 4: “...aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus”.

Agora posso frutificar para Deus. Enquanto eu estava debaixo da Lei não tinha como frutificar para Deus, porque frutificar para Deus seria dar o bom fruto, obedecer à Lei, fazer a vontade de Deus, mas eu não podia, eu não conseguia! Mas agora eu saí de debaixo da Lei e estou unido a Cristo, que ressuscitou dentre os mortos e pela força dele, pela força da Sua ressurreição, agora dou fruto para Deus.

Cada crente pertence inteiramente a Cristo; isto acontece por causa da morte de Cristo na cruz, e pelo fato do crente estar unido a Ele em sua morte e ressurreição. Somente pertencendo a Cristo é que podemos produzir bons frutos, isto é, realizar boas obras e viver uma vida que agrada a Deus.

Enquanto a Lei nos governava, não haveria a menor possibilidade de sermos libertados da escravidão do pecado. A única alternativa seria a nossa desobrigação da Lei. Isso já ocorre com a nossa união com Cristo, em sua morte, pois toda a virtude da morte de Cristo, ao satisfazer as reivindicações da Lei, nos tornou livres da escravidão e do poder do pecado a que estávamos consignados pela Lei.

Portanto, assim como a morte rompe o relacionamento conjugal, também a morte do cristão com Cristo (neste caso, a morte da antiga personalidade) rompe o poder da Lei sobre ele. O antigo arranjo contratual tinha que ser completamente rompido antes que o novo se iniciasse. Isto tinha que ser tão definitivo quanto a morte. Os crentes judeus não podiam viver uma dupla devoção. Eles não podiam viver sob o domínio de Cristo e sob o domínio da Lei. O tal compromisso com Deus não pode coexistir com o compromisso total com a Lei; isto seria adultério espiritual.

Convém observar que Paulo não diz que a Lei está morta. Somos nós que morremos relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, uma referência à entrega do seu corpo à morte. Uma vez que Ele morreu como nosso representante, nós morremos com Ele. Em Sua morte, Ele pagou a pena atroz e, desse modo, cumpriu todas as exigências da Lei. Assim, estamos livres da Lei (Rm 7:6) e de sua maldição inevitável. Estamos livres para servir em novidade de espírito e não na caducidade da letra (Rm 7:6). Nosso serviço é motivado por amor, e não por medo; é um serviço prestado em liberdade, e não sob o jugo da escravidão; não é mais um apego servil aos mínimos detalhes de rituais e cerimônias, mas um transbordamento jubiloso de nosso próprio ser para a glória de Deus e a bênção de outros.

II. ADÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA DA SOLIDARIEDADE DA RAÇA (Rm 7:7-13)

7. Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.

8. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.

9. Outrora, sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri.

10. E o mandamento que me fora para vida, verifiquei que este mesmo se me tornou para morte.

11. Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou.

12. Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.

13. Acaso o bom se me tornou em morte? De modo nenhum! Pelo contrário, o pecado, para revelar-se como pecado, por meio de uma coisa boa, causou-me a morte, a fim de que, pelo mandamento, se mostrasse sobremaneira maligno.

Estes versículos referem-se à luta terrível do crente contra a natureza humana caída. Aqui, Paulo descreve o papel importante desempenhado pela lei em sua vida antes de ele ser salvo. Enfatiza que a lei em si não é pecaminosa, mas que revela o pecado ao homem. Foi a lei que o convenceu da depravação terrível do seu coração. Enquanto se comparava com outras pessoas, sentia-se razoavelmente respeitável; porém, ao ser confrontado com as exigências da lei de Deus, viu-se mudo e condenado.

-“Que diremos, pois? É a lei pecado?”. Aqui, Paulo convoca os cristãos ao raciocínio: “Que diremos, pois?”. Qual a conclusão que os cristãos deveriam abraçar? A resposta é clara: “De modo nenhum!”. A lei não é pecado! Paulo apregoou a necessidade dos cristãos livrarem-se da lei, porém, nunca disse que a lei é pecado.

Embora o apóstolo não tenha afirmado no decurso da Epístola que a lei é pecado, alguns judaizantes poderiam distorcer os argumentos e afirmar que Paulo anunciou que a lei é pecado. Como Paulo anunciava que os cristãos eram livres do pecado e da lei, alguém mal-intencionado poderia anunciar que Paulo estava equiparando a lei com o pecado, distorcendo o que o apóstolo dos gentios procurou evidenciar. Mas Paulo afirma categoricamente que a lei não é pecado (Rm 7:7). Também afirmou que os gentios pecaram mesmo sem lei. Esta afirmação leva-nos a concluir que o pecado surgiu da transgressão à lei (a lei moral) dada no Éden, e não da transgressão das prescrições de Moisés. Bem antes da lei de Moisés a morte reinou sobre todos os homens (Rm 5:13). Desde Adão até Moisés a morte reinou sobre os homens o que significa que todos pecaram (Rm 3:23; 5:14). Daí, vale destacar que o pecado impera à parte da lei mosaica. Como? Um homem pecou, todos pecaram (Rm 5:18). Ora, se um só homem pecou e todos pecaram, segue-se que o pecado que subjugou a humanidade não decorre da desobediência à lei de Moisés, visto que, após a desobediência de Adão, Deus não instituiu, de imediato, leis, porém, mesmo assim, todos morreram, o que demonstra que todos estavam em pecado.

Através da ofensa de Adão, o ser humano peca; porque foi vendido como escravo ao pecado. Jesus é claro ao afirmar isto: “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado" (João 8:34). O homem peca porque é escravo do pecado e não porque transgride a lei de Moisés.

Em Romanos 7:11, Paulo enfatiza que a culpa não é da lei. O pecado que reside dentro do ser humano o incita a fazer o que a lei proíbe. No princípio, o pecado o enganou, levando-o a pensar que o fruto proibido não era tão nocivo, que traria felicidade e que seria possível ficar impune. Sugeriu que Deus o estava impedindo de desfrutar prazeres que lhe seriam benéficos. Assim, o pecado trouxe-lhe a morte no sentido de que acabou com suas esperanças de merecer a salvação ou obtê-la por esforços próprios.

De acordo com as Escrituras, um homem transgrediu e todos transgrediram. Um homem pecou e todos vêm ao mundo separados de Deus, destituído da sua glória, porque todos pecaram pelo simples fato de serem descendentes de Adão.

O maior pecado de Adão e Eva foi a cobiça (2Co 11:3; 1Tm 2:14). Adão e Eva morreram espiritualmente, ao desobedecerem a ordem de Deus. O mesmo aconteceu com Paulo e com todos os demais seres humanos (Rm 1:18; 3:23). Digno de nota é o fato de Paulo mencionar o Décimo Mandamento do Decálogo como aquele que o tornou cônscio do seu pecado e abriu seus olhos para a própria devassidão: “pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm 7:7). A cobiça ocorre na mente. Ainda que Paulo talvez não tivesse cometido nenhum dos pecados mais vulgares e repulsivos, ele se deu conta de que seus pensamentos eram corrompidos. Ele entendeu que pensamentos perversos são tão pecaminosos quanto atos perversos. Sua vida exterior talvez fosse relativamente irrepreensível, mas sua vida interior era poluída. Todos os primeiros nove mandamentos são objetivos, e qualquer tribunal da Terra pode legislar sobre eles, fiscalizá-los e condená-los. Mas o Décimo Mandamento ("Não cobiçarás") é subjetivo, pertence à jurisdição do foro íntimo, e nenhum tribunal da Terra tem competência para julgar foro íntimo. A lei de Deus, porém, penetra como uma câmara de raio-X e faz uma leitura dos propósitos mais secretos do nosso coração, trazendo à luz seus desejos pervertidos.

Observe a expressão de Paulo em Rm 7:11: “Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou”. Aqui, o verbo "enganou" é o mesmo usado em 2Coríntios 11:3 - "a serpente enganou a Eva”; e em 1Timóteo 2:14 - "a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Paulo quis dizer que o pecado seduz, engana e mata.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando William Barclay, esclarece que o engano do pecado pode ser visto sob os seguintes aspectos:

a) enganamo-nos ao considerar a satisfação que encontraremos no pecado. O pecado é doce ao paladar, mas amargo no estômago. É um embusteiro, pois promete alegria e paga com a tristeza; proclama liberdade e escraviza; faz propaganda da vida, mas seu salário é a morte.

b) enganamo-nos ao considerar a desculpa que podemos dar pelo pecado. Todo homem pensa que pode ostentar sua defesa por ter praticado este ou aquele pecado, mas toda escusa do pecado torna-se nula sob o escrutínio de Deus.

c) enganamo-nos ao considerar a probabilidade de escapar das consequências do pecado. Ninguém peca sem a esperança de que sairá ileso das consequências do pecado. A realidade inegável, porém, é que cedo ou tarde o nosso pecado nos achará.

Quando um criminoso é apanhado no flagrante de seu delito, a lei exige que ele pague por seu crime. Ele é preso e a lei o condena. Esse transgressor, porém, não pode culpar a lei de ser responsável pelos seus problemas. Ele está preso por causa de seu crime e não por causa da lei. A lei está livre de qualquer culpa. O vilão da história é o pecado. Calvino ressalta que o pecado reside em nós, e não na lei, uma vez que a perversa concupiscência de nossa carne é a sua causa. É certo que a lei expõe, provoca e condena o pecado, mas não é responsável por nossos pecados nem por nossa morte. Assim, a lei não pode salvar-nos porque não podemos cumpri-la, e não podemos cumpri-la por causa do pecado que habita em nós.

A ofensa de Adão trouxe juízo sobre todos os homens, mas o ato de Justiça de Cristo trouxe justificação que dá vida a todos. O ato de justiça não foi a vida do Salvador ou sua observância da lei, mas sua morte vicária no Calvário. Ela trouxe justificação que dá vida, ou seja, a justificação que resulta em vida, e é oferecida a todos os homens.

III. O CRISTÃO ILUSTRADO NA ANALOGIA ENTRE CARNE E ESPÍRITO (Rm 7:14-25)

14. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.

15. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.

16. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

17. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim.

18. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.

19. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.

20. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.

21. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.

22. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

23. mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.

24. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

25. Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

1. A santidade da lei. O apóstolo Paulo diz que “a lei é santa; e cada mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7:12). A Lei é santa porque ela é a voz de Deus; ela reflete o caráter de Deus, sendo a cópia de suas perfeições; ela traz as impressões de seu autor. Ela foi dada por Deus e, portanto, é perfeita como expressão da vontade dele para o seu povo. A fraqueza da lei encontra-se na “matéria prima” com a qual teve de trabalhar: ela foi dada a indivíduos que já eram pecadores. Precisavam da lei para lhes dar conhecimento do pecado, mas, além disso, precisavam de um Salvador para livrá-los do castigo e do poder do pecado. Portanto, não há falha na lei; a falha está em mim que não consigo obedecer-lhe (Rm 7:18). Sendo santa, a lei mostra o caráter maligníssimo do meu pecado (Rm 7:13). O pecado é a maior de todas as tragédias; é pior do que a pobreza, a fome, a doença e a própria morte, pois esses males, embora graves, não nos podem afastar de Deus. O pecado, contudo, nos afasta de Deus agora e por toda a eternidade.

2. A malignidade da carne (Rm 7:18,19). “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. Aqui, “carne”, obviamente, não significa “corpo”; “carne” descreve nossa situação antes de sermos salvos, refere-se a nossa velha natureza. Paulo sabe que nenhum bem habita em sua carne, uma vez que não há nele poder para fazer o bem que deseja (Rm 7:19).

É válido salientar que, quando Paulo diz, em Romanos 7:14, que é carnal, não está declarando que não é convertido. Essa mesma expressão foi usada para referir-se aos crentes de Corinto (1Co 3:1-3) e Paulo jamais insinuou que eles não fossem convertidos. A verdade é que a velha natureza não é aniquilada na conversão. Ela ainda habita em nós. Embora não tenha poder legal de nos dominar, muitas vezes ela revela quão fracos somos.

Em nossa jornada espiritual, há um tremendo conflito entre a carne (velha natureza) e a nossa nova natureza. Foi o que o apóstolo Paulo disse aos Gálatas: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gl 5:17). Na verdade, existem duas forças antagônicas que nos arrastam para direções opostas. Na justificação fomos libertados da culpa do pecado; na santificação estamos sendo libertados do poder do pecado, mas só na glorificação seremos salvos da presença do pecado. Ainda lidamos contra o pecado que tenazmente nos assedia.

3. A velha natureza (Rm 7:20-25). “Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim”. Podemos parafrasear esse versículo da seguinte maneira: “Se eu (a velha natureza) faço o que eu (a nova natureza) não quero, já não sou eu (a pessoa) quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim”. É bom deixar claro que Paulo não está se desculpando nem se esquivando de sua responsabilidade como cristão salvo. Ele está apenas afirmando que a velha natureza ainda continua habitando nele e, ao pecar, não o faz com o desejo do novo homem.

Longe de estar morta, no sentido de inerte, nossa natureza caída está tão viva e ativa que somos seriamente exortados a não obedecer aos seus desejos, e o Espírito Santo nos é concedido para que possamos subjugá-los e controlá-los. A natureza adâmica não é extirpada na conversão, mas recebemos poder para subjugá-la e dominá-la.

Não há nada de bom na nossa velha natureza. Paulo vê isso como parte de sermos humanos. Embora pertençamos a Cristo e tenhamos morrido para o pecado, ainda vivemos em um mundo pecaminoso e temos uma natureza pecaminosa que é completamente corrupta. Desde a queda do ser humano, há uma tensão: tentar fazer o bem e não ser capaz de fazê-lo. Sem a ajuda do Espírito Santo, a pessoa é dominada pelo poder do pecado e continua a fazer o mal, embora realmente deseje fazer o bem.

Deus podia eliminar a velha natureza dos crentes no momento da sua conversão, mas não o faz. Por quê? Porque Ele quer nos obrigar a se lembrar constantemente da nossa fraqueza; quer nos manter sempre em estado de dependência de Cristo, nosso Sacerdote e Advogado, e levar-nos a louvar incessantemente Aquele que nos salvou. Em vez de remover a velha natureza, Deus nos deu seu Espírito para habitar em nós. O Espírito de Deus e nossa carne estão constantemente em conflito, e isso continuará até o dia em que Deus nos levar para Si. O que o crente tem de fazer é ceder ao Espírito Santo.

CONCLUSÃO

O velho Adão é muito forte para nós, mas graças a Deus ele não é suficientemente forte para Cristo. Jesus Cristo, nosso Senhor, nos dará a vitória, dia-a-dia e durante todos os dias. Por causa de Jesus Cristo um grande futuro nos está garantido. Um dia nos uniremos a Ele na eternidade com um novo corpo, incorruptível e glorificado, livre do poder e da presença do pecado. Amém?

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Revista Ensinador Cristão – nº 66. CPAD.

Romanos – O Evangelho segundo Paulo. Rev. Hernandes Dias Lopes. Hagnos.

A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.

Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.