sábado, 9 de dezembro de 2017

BENJAMIN NETANYAHU - DISCURSO DO MINISTRO DE ISRAEL COM TODA A GLÓRIA DE DEUS


 
Apenas setenta anos atrás, os judeus foram levados ao matadouro como ovelhas.

Sessenta anos atrás, não tínhamos país. Nenhum exército.

Sete países árabes declararam a guerra ao nosso pequeno estado judaico, apenas algumas horas após a sua criação!

Nós éramos apenas 650 judeus, contra o resto do mundo árabe! NENHUM FID (Exército de Defesa de Israel). Nenhuma força aérea poderosa, apenas pessoas corajosas com nenhum lugar para ir.. Líbano, Síria, Iraque, Jordânia, Egito, Líbia, Arábia Saudita, todos nos atacaram ao mesmo tempo.

O país que as Nações Unidas nos deram foi de 65% do deserto. O país estava no meio do nada.

35 anos atrás! Lutamos contra os três exércitos mais poderosos do Oriente Médio, e nós os varremos. Sim, em seis dias... Nós lutamos contra várias coalizões de países árabes, que possuíam os exércitos modernos e muitas armas soviéticas, e sempre os derrotamos!

Hoje nós temos:

• Um país;

• Um exército;

• Uma poderosa força aérea; *

• Uma economia de estado-da-arte que exporta milhões de dólares;

• Intel - Microsoft - A IBM desenvolve produtos em casa;

• Nossos médicos recebem prêmios por pesquisa médica. *

Nós fizemos o deserto florescer, e vender laranjas, flores e vegetais em todo o mundo.

Israel enviou seus próprios satélites para o espaço! Três satélites ao mesmo tempo!

Estamos orgulhosos de estar no mesmo ranking que:

• Estados Unidos, que tem 250 milhões de habitantes;

• A Rússia, que tem 200 milhões de habitantes;

• A China, que possui 1,3 bilhão de habitantes;

• Europa - França, Grã-Bretanha, Alemanha - com 350 milhões de habitantes.

Um dos poucos países do mundo a enviar objetos para o espaço! Israel é agora parte da família das potências nucleares, com os Estados Unidos, Rússia, China, Índia, França e Grã-Bretanha..

Nunca admitimos oficialmente, mas todos sabem, que apenas a sessenta anos atrás, fomos levados, envergonhados e sem esperança, para morrermos no deserto!

Nós extirpamos as ruínas fumegantes da Europa, ganhamos nossas guerras aqui com menos do que nada. Nós construímos nosso pequeno "Império" do nada.

Quem é o Hamas para nos assustar? Vocês me fazem rir!

A Páscoa foi celebrada; Não esqueçamos sobre o que a páscoa trata.

• Nós sobrevivemos ao Faraó.

• Nós sobrevivemos aos gregos.

• Sobrevivemos aos romanos.

• Sobrevivemos à inquisição na Espanha.

• Temos os pogroms na Rússia.

• Sobrevivemos a Hitler.

• Sobrevivemos aos alemães.

• Sobrevivemos ao Holocausto.

• Sobrevivemos aos exércitos de sete países árabes.

• Sobrevivemos a Saddam.

• Continuaremos a sobreviver aos inimigos presentes hoje também.

Pense em qualquer momento da história humana! Pense nisso! Para o povo judeu, a situação nunca foi melhor! Então vamos enfrentar o mundo.

Lembre-se: todas as nações ou culturas que uma vez tentaram nos destruir, já não existem hoje -  enquanto nós, ainda vivemos!

Os egípcios? Os gregos? Alexandre da Macedônia? Os romanos? (Alguém ainda fala latino estes dias?) O Terceiro Reich?

E olhe para nós: a Nação da Bíblia. Os escravos do Egito. Ainda estamos aqui.

E nós falamos o mesmo idioma! Antes e agora! Os árabes ainda não sabem, mas aprenderão que há um Deus... Enquanto conservarmos nossa identidade, sobreviveremos.

Então, perdoe-nos:

• Por não nos preocuparmos.

• Não chorarmos.

• Não termos medo.

As coisas estão bem por aqui. Certamente poderiam melhorar.

No entanto: Não acredite na mídia, eles não dizem que nossas festas continuam a acontecer, que as pessoas continuam a viver, que as pessoas continuam saindo, que as pessoas continuam a ver amigos.

Sim, nossa moral é baixa. E daí? Somente porque choramos nossas mortes, enquanto outros se regozijam em derramar nosso sangue?. É por isso que vamos vencer, no final.

"Levanto meus olhos para os montes e questiono: de onde me virá o socorro? O socorro virá do meu SENHOR, o Criador dos céus e da terra! Ele não deixará que teus pés vacilem; não pestaneja Aquele que te guarda. Certamente não! De maneira alguma cochila nem dormita o guarda de Israel. O Eterno é o teu protetor diuturno; como sombra que te guarda, Ele está à tua direita. Não te molestará o sol, durante o dia, nem de noite, a lua. O SENHOR te guardará de todo o mal, Ele protegerá a tua vida! Estarás sob a proteção do SENHOR, ao saíres e ao voltares, desde agora e para todo o sempre!"( Salmo 121.1-8).

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Fonte: http://belverede.blogspot.com.br

Pastor Silas comenta: Por que Jerusalém é a eterna e indivisível capi...


domingo, 3 de dezembro de 2017

Aula 11 – ADOTADOS POR DEUS


4º Trimestre/2017

Texto Base: Romanos 8:12-17

 "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai" (Rm.8:15).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Adoção, elemento integrante do processo da salvação. Fomos regenerados, justificados, santificados e adotados em Cristo Jesus. A salvação torna-nos filhos de Deus (João 1:12). Fazer parte da família de Deus é a certeza de que nEle estaremos seguros. Uma pessoa torna-se participante de uma família por nascimento ou por adoção, assim também acontece com o crente. Após crermos e arrependermo-nos, ingressamos à família de Deus pelo novo nascimento (João 1:12,13; 3:6,7; 1Pd.1:3-5,23) tornando assim seus filhos por adoção (Gl.3:26; Rm.8:15). Deus ama todas as criaturas e que o sacrifício de Cristo foi feito em favor de todos, mas somente aqueles que, pela fé, recebem a Jesus como Salvador podem se tornar filhos (João 1:12). Como filho, podemos desfrutar do amor altruísta do Pai e da sua comunhão. E como Pai amoroso, Ele supre as nossas necessidades, sejam elas físicas, emocionais ou espirituais. Conquanto usufruamos das inumeráveis bênçãos dessa condição atualmente, temos a esperança de, num futuro bem próximo, desfrutarmos da adoção plena e gloriosa nos céus.

I. O CONCEITO BÍBLICO DE ADOÇÃO

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm.8:15).

Quando um indivíduo nasce de novo, recebe o espírito de adoção, ou seja, torna-se parte da família de Deus como um filho. Um instinto espiritual o leva a olhar para Deus e chamá-lo de Aba, Pai. Aba é um termo aramaico impossível de traduzir com exatidão. É uma forma carinhosa da palavra pai, como “papai” ou “paizinho”. Apesar de hesitarmos em usar uma linguagem tão intima para nos dirigir a Deus, não deixa de ser verdade que Ele é, ao mesmo tempo, infinitamente exaltado e intimamente próximo.

O termo adoção é usado de três formas em Romanos:

  • Em Rm.8:15, refere-se à consciência da filiação produzida pelo Espírito Santo na vida do cristão.
  • Em Rm.8:23, olha para o futuro, quando o corpo do cristão será redimido ou glorificado – “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.
  • Em Rm.9:4, olha para o passado, quando Deus escolheu Israel para ser seu filho (Êx.4:32) – “que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas”.

Em Gálatas 4:5 e Efésios 1:5, o termo significa “colocação como filho”, isto é, o ato de colocar os cristãos na posição de filhos adultos maduros, com todos os privilégios e responsabilidades da filiação.

“para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl.4:5).

“e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

Todo cristão é filho de Deus, no sentido de que nasceu na família na qual Deus é o Pai. Porém, nem todo cristão vivencia o relacionamento mais profundo da filiação com os privilégios de alguém que alcançou a maturidade da vida adulta.

II. A ADOÇÃO NO TEMPO PRESENTE

O recém-convertido possui um instinto espiritual de que é filho de Deus. O Espírito Santo lhe dá essa certeza. O próprio Espirito Santo testifica com o espírito do cristão que ele é membro da família de Deus. À medida que o cristão lê a Bíblia, o Espirito lhe confirma que, por ter crido no Salvador, ele agora é filho de Deus. Diz o texto sagrado: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm.8:16).

1. Parecidos com o Pai. O apóstolo João afirma que, pelo fato de agora sermos filhos, somos semelhantes ao Pai, ou seja, manifestamos em nossa vida as características do caráter do Pai, cuja característica principal é o amor (Ef.5:1), que será aperfeiçoada em nós até o dia final (Fp.1:6).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1João 3:2).

A característica genética do filho não é escolhida por este, mas, sim, comandada pelo “DNA” do pai; portanto, quem é filho de Deus automaticamente é parecido com o Pai. Quem não herdou as características do Pai precisa nascer de novo e passar pelo processo de adoção para ser como o Pai é (ler Is.64:8) e ter sua filiação eterna garantida para escapar da condenação do pecado.

2. Ser amado pelo Pai. O processo de adoção pelo qual todos nós passamos ao aceitarmos a salvação que há em Cristo é prova do grande amor que Deus tem por nós, seus filhos (1João 3:1). Agora, o assombro da culpa do pecado, das angústias da perdição eterna e a insignificância de ser escravo do pecado não perturbam mais (Ef.6:23), pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm.8:1). E, na comunhão do Pai, podemos morrer gradualmente para nossas ilusões terrenas, que fatalmente nos afastam do Pai, e podemos dar ouvidos à voz de amor paterno escondida no centro de nosso ser que nos chama para seus braços.

Os amados do Pai são guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14) e mortificam a carne com seus apetites desordenados porque neles habita a vida do Espirito de Deus (Rm.8:13). Eles manifestam sua aversão ao mundo e aos valores do mundo porque retribuem o amor do Pai amando da mesma forma (1João 2:15). Portanto, há um antagonismo claro entre amar o Pai e amar o mundo, pois o filho de Deus não pode ter um coração dividido. Para permanecer em seu amor, é preciso guardar os seus mandamentos, que sempre serão contrários aos do mundo (João 15:10).

Posso ter certeza do amor de Deus porque, em primeiro lugar, ele enviou o seu Filho para morrer por mim; em segundo lugar, porque ele habita em mim no presente e; em terceiro lugar, posso olhar para o futuro com confiança e sem medo. O amor de Deus não encontra espaço para operar na vida daqueles que têm medo de Deus, ou seja, das pessoas que não se achegaram a ele em arrependimento e receberam o perdão dos pecados. Cientes do amor do Pai, não temos mais medo de perecer. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor de Deus lança fora o medo (cf. 1João 4:18).

3. Os direitos e os deveres na adoção. Na lei romana, os filhos adotivos desfrutavam dos mesmos direitos dos filhos legítimos. Um filho adotivo recebia o nome da nova família e tornava-se herdeiro natural dessa família. Somos filhos de Deus. Recebemos um novo nome, uma nova herança. Os filhos de Deus passam a ter garantias e direitos (Rm.8:17) de filhos legítimos enxertados (Rm.11:17) na oliveira verdadeira, que é Cristo. Eles passam a ter um novo nome (Ap.2:17); passam a fazer parte de uma nova família (Ef.2:19); estão livres e emancipados da lei que gera morte (Gl.3:25).

Mas da mesma forma que temos direitos, os filhos de Deus têm também deveres, que são: apartar-se do mundo e do que é imundo (2Co.6:17,18); vencer o mundo (Ap.21:7); praticar a justiça e amar o seu irmão (1João 3:10); amar os inimigos, bendizer os que maldizem, fazer o bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e perseguem (Mt.5:44). E com todos esses deveres devemos glorificar a Deus (Mt.5:16). Os filhos também devem aceitar a disciplina do Pai, pois essa disciplina demonstra o seu amor, que é para nosso aperfeiçoamento em santidade (Hb.12:5-11).

III. A ADOÇÃO PLENA NO FUTURO

Todos os filhos de Deus são herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo (Rm.8:17). Tudo que o Pai possui é nosso. Ainda não estamos desfrutando de todos os benefícios, mas certamente o faremos no futuro; quando Cristo voltar para reinar sobre o mundo, teremos parte com ele em todas as riquezas do Pai. Temos uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível que está reservada nos céus para nós (1Pd.1:4).

Embora sejamos herdeiros de todas as coisas que pertencem ao nosso Pai, pois tudo é dele, por meio dele e para ele, a nossa mais gloriosa herança é o próprio Deus (Sl.73:25,26); Ele é nosso quinhão, nosso tesouro, nossa herança; nele está nosso prazer. Somos coerdeiros com Cristo da sua glória excelsa, aquela mesma glória de que o pecado nos havia privado. Como a glória é a efulgência de Deus, participar de sua glória é aparecer em sua presença, ser envolvido na efulgência de sua divindade gloriosa.

Enquanto não tomamos posse definitiva dessa herança imarcescível e gloriosa, cruzamos aqui vales escuros, desertos esbraseados e caminhos juncados de espinhos. O sofrimento com Cristo sempre há de preceder a glória com Cristo. É confortador saber que todos quantos participam do sofrimento de Cristo por fim ouvirão de seus lábios as palavras de boas-vindas: “Bem está servo bom e fiel. Entra em meu descanso” (Mt.25:23).

Em Romanos 8:22,23, o apóstolo Paulo assim expressa: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Neste texto, a “adoção” plena do crente é algo que ainda ocorrerá no futuro, visto que incluiu a redenção do corpo, quando a vida será transformada, por ocasião do Arrebatamento, e aqueles que morreram em Cristo serão ressuscitados.

Vivemos na tensão entre o que Deus inaugurou (ao dar-nos seu Espírito) e o que ele consumará (quando se completar nossa adoção e redenção final); gememos em desconforto, desejando ardentemente o futuro. Os gemidos da igreja não são os soluços da alma, movidos pela desesperança, mas o anseio ardente daqueles que, tendo provado os sabores da bem-aventurança eterna, aguardam a glorificação, ou seja, a manifestação pública de sua adoção como filhos de Deus. Veja que o apóstolo Paulo diz: “também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”. Os gemidos da igreja não são de morte, mas de vida. Os filhos de Deus não gemem com medo da morte; gemem pela ardente expectativa da ressurreição. Não gemem por aquilo que são, mas por desejarem ardentemente aquilo que virão a ser. Não gemem pela fraqueza do corpo terreno, mas pelo anelo do revestimento do corpo de glória.

John Stott tem razão quando escreve: “É claro que já fomos adotados por Deus (Rm.8:15), e o Espirito nos assegura que somos filhos de Deus (Rm.8:16). Existe, porém, uma relação Pai-filho ainda mais rica e profunda que virá quando formos plenamente ‘revelados' como seus filhos (Rm.8:19) e ‘conformados à imagem do seu Filho’ (Rm.8:29). Nós já fomos redimidos, mas nossos corpos não. Nosso espírito está vivo (Rm.8:11), mas aguardamos o dia em que receberemos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo” (John Stott. A mensagem de Romanos).

Portanto, embora desfrutemos, aqui na Terra, dos benefícios da adoção espiritual, a alegria plena dessa realidade se dará somente quando da manifestação plena e literal de Jesus Cristo, na ocasião da sua gloriosa vinda.

CONCLUSÃO

É um privilégio fazer parte da família de Deus. Entretanto, sabemos que ainda não vivemos a plenitude do que está prometido para nós. Embora sejamos plenamente filhos de Deus, num futuro, quando deixarmos o nosso "tabernáculo terreno", receberemos a plenitude da adoção, "a saber, a redenção do nosso corpo" (Rm.8:23). O que significa que vivemos a realidade da adoção neste tempo presente, mas quando a ressurreição dentre os mortos for realizada, ou por meio do Arrebatamento da Igreja, a nossa adoção será plena. Será o dia em que veremos o Pai como Ele é. Por isso, o apóstolo Paulo disse: "Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido" (1Co.13:12).

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

domingo, 26 de novembro de 2017

Aula 10 – O PROCESSO DA SALVAÇÃO


4º Trimestre/2017

Texto Base: Joao 3:1-7

 "Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espirito não pode entrar no Reino de Deus" (João 3:5).

 INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito do Processo da Salvação. A salvação, ao contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus. Tanto a salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso “perseverar até o fim” para que seja salvo (Mt.24:13), isto é, é preciso uma continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por Sua misericórdia, para termos a chance e oportunidade de sermos salvos.

O processo de salvação na vida do crente se dá na seguinte sequência de atos:

- Primeiro, a deliberação divina. Decisão de Deus de salvar o ser humano, tomada ainda antes da fundação do mundo. Se Deus não tivesse querido salvar o homem, jamais o homem poderia ter a oportunidade da salvação.

- Segundo, a Fé salvadora. Disposição de caráter que não nasce no homem, mas que também vem de Deus, um dom de Deus (Ef.2:8).

- Terceiro, o arrependimento. O reconhecimento de que se é pecador e que é preciso mudar seu comportamento diante de Deus. Jesus, ao iniciar a pregação do Evangelho, não tinha outra mensagem senão “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15).

- Quarto, a Conversão. É a mudança de direção na vida. O homem, quando se arrepende, muda a sua concepção a respeito da vida, modifica seus desejos, seus sentimentos e seus pensamentos; reconhece que Deus deve governar a sua vida e que deve, a partir daquele momento, passar a agradar a Deus. A atuação do Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado, da morte e do juízo e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão".

- Quinto, o Perdão dos pecados. Quando nos arrependemos e cremos que Jesus é o nosso único e suficiente Senhor e Salvador, temos os nossos pecados perdoados (At.10:43).

- Sexto, a Regeneração ou Novo Nascimento. É um ato divino através do qual a criatura humana experimenta uma mudança radical no seu interior. É a única maneira pela qual o “homem velho”, morto em ofensas e pecados pode voltar a viver para Deus.

- Sétimo, a Justificação. Após ser regenerado ou nascido de novo, o homem é declarado justo por Deus, ou seja, o castigo que merecia receber pelos seus pecados é atribuído a Cristo e, por causa disto, o homem fica sem pecado algum, é absolvido, ou seja, é declarado justo diante de Deus.

- Oitavo, a Adoção de filhos. A Regeneração e a Justificação tornam-nos filhos de Deus (João 1:12). Como deixamos de ter pecados, como passamos a ser considerados justos, como passamos a ter comunhão com Deus, recebemos o poder de sermos filhos de Deus, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm.8:17).

- Nono, a Santificação. A palavra santificação apresenta uma gama muito variada de significados. Relacionada com os pertences do culto do santuário “pôr à parte para uso santo”, “tornado livre do pecado”, “purificado”. Em nosso contexto, a palavra é empregada no processo pelo qual, depois da justificação, o cristão deve desenvolver um caráter que o qualifique para o céu. A santificação começa por ocasião da conversão, e continua através de toda a vida do crente. É o gradual desenvolvimento de um caráter semelhante a Cristo, produzido pela submissão do crente à graça de Deus. Abrange todo o momento da vida, e é de importância progressiva. Significa perfeito amor, obediência e perfeita conformidade à vontade de Deus.

- Décimo, a Glorificação. Este ato divino ocorrerá quando Jesus voltar para arrebatar a Sua Igreja. Quando do arrebatamento da Igreja, o Senhor Jesus completará o processo da salvação. Aqueles que dormiram no Senhor, ou seja, mantiveram-se em santidade até o instante de sua morte física, ressuscitarão primeiro e receberão um corpo glorioso. Os que estiverem vivos naquela oportunidade, serão transformados e, assim, todos atingirão o estágio final da salvação: a glorificação (1Co.15:51-57). Por isso as Escrituras nos dizem que Cristo é as primícias dos salvos (1Co.15:20), pois foi o primeiro a ressuscitar e a receber a glorificação que nós também receberemos naquele grande dia (1Co.15:23).

Por espaço nesta Aula, estudaremos apenas três aspectos do processo da salvação, a saber: a Regeneração operada pelo Espírito Santo, a Justificação outorgada por Deus e a Santificação como consequência de uma vida com Cristo.

I. REGENERADOS PELO ESPÍRITO SANTO

1. A natureza da Regeneração. A Regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior; é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus (2Co.5:17), como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Trata-se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador. Neste ato sobrenatural o ser humano é gerado por Deus para ser filho (João 1:12) e participante da natureza divina (2Pd.1:4). Essa Regeneração é essencial para que o homem entre no Reino de Deus. A Regeneração é tão séria diante de Deus, que a Bíblia chama-a de “batismo em Jesus”(1Co.12:13; Gl.3:27; Rm.6:3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. É somente o Espírito Santo quem pode operar no homem o milagre da Regeneração. Foi o que afirmou Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

Regeneração, portanto, significa:

- Vida renovada (1João 3:13,14) – “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”.

- Mente renovada (Rm.12:2) – “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.

- Velho homem transformado numa nova criatura (2Co.5:17) – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

- Despir-se do velho homem (1Co.6:20) – “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.

2. A necessidade de Regeneração. A Regeneração é a mais importante e a mais urgente necessidade da vida de um ser humano. Regeneração significa Novo Nascimento. Para fazermos parte do Reino de Deus é preciso nos tornar nova criatura e nascermos do Espírito (João 3:5). Sem o Novo Nascimento, a vida é vã, a esperança é vã e a religião é vã. Sem o Novo Nascimento, Deus estará contra a pessoa no dia do juízo. Sem o Novo Nascimento, a Palavra de Deus condenará a pessoa no Dia final. Sem o Novo Nascimento, o Céu estará de portas fechadas para aqueles que rejeitarem essa importante decisão. Jesus disse que, se alguém não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus (Joao 3:3). Se alguém não nascer da água e do Espirito, não poderá entrar no reino de Deus (João 3:5). Jesus é enfático: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

Você pode ser uma pessoa rica, culta, respeitável e religiosa como Nicodemos, mas, se não nascer de novo, estará perdido. Você pode ser uma pessoa zelosa, conservadora e observadora dos preceitos religiosos, como Nicodemos, mas, se não nascer de novo, não haverá esperança para sua alma. Você pode praticar muitas boas obras, dar esmolas, ter uma vida bonita e até fazer orações que são ouvidas no céu, como Cornélio fazia, mas, se não nascer de novo, não poderá entrar no reino de Deus.

Negar a realidade e a necessidade da Regeneração, ou interpretá-la de outra forma que não seja bíblica, tem características não apenas humanísticas, mas sobretudo satânicas, pois o Diabo é o maior interessado em que o homem não veja a luz do Evangelho e não seja regenerado.

3. Consequências da Regeneração. A Regeneração não é algo superficial; não é uma mera reforma moral; é uma mudança completa do coração, do caráter e da vontade; é uma ressurreição, uma nova criação; é passar da morte para a vida. O homem regenerado recebe de Deus coração e espírito novos (Ez.36:26), podendo assim ter comunhão com Deus e a garantia de viver com Ele na eternidade.

É possível verificar se uma pessoa é regenerada por meio de algumas mudanças que passam a fazer parte do seu viver: o amor intenso a Deus (1João 4:19; 5.1); o amor pelos irmãos (1João 3:14); a rejeição das coisas mundanas (1João 2:15,16); o amor à Palavra de Deus (Sl.119:103; 1Pd.2:2); o amor pelas almas perdidas (Rm.9:1-3); o desejo de estar em comunhão com Deus e adorá-lo (Sl.42:1,2; 63:1; Ef.5:19,20); a vitória sobre o pecado, a carnalidade e as práticas contrárias ao Evangelho (1João 5:18; Cl.5:16; 2Co.5:17); o conhecimento da vontade de Deus (1Co.2:12); o testemunho interior do Espírito Santo atestando nossa filiação ao Pai (Rm.8:16); o intenso interesse de praticar a justiça (1João 2:29). É uma mudança tão radical que a pessoa passa a ter uma nova natureza, novos hábitos, novos gostos, novos desejos, novos apetites, novos julgamentos, novas opiniões, nova esperança, novos temores.

II. JUSTIFICADOS POR DEUS

A Justificação é feita mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Na Cruz do Calvário, quando ele declarou “está consumado”(João 19:30), o preço da redenção estava pago, a Justiça de Deus estava satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus estava concretizada sobre Jesus. Agora, nEle o homem podia ser justificado. O apóstolo Paulo, em Romanos 3:24, assim se expressa: “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Ao morrer por nós, Cristo abre a oportunidade de nos libertar do pecado. Jesus pagou o preço da nossa salvação e, por isso, nos comprou a liberdade; este ato é conhecido por “redenção”, ou seja, “o ato de remir”, o “resgate”, ou seja, “o ato de livrar (algo) de ônus por meio do pagamento”, o “ato de comprar para libertar”. Por isso, o apóstolo Pedro nos lembra que não fomos comprados com ouro, mas com o precioso sangue de Jesus (1Pd.1:18,19). Como fomos comprados por Cristo, libertamo-nos do jugo do pecado e, por isso, não mais estamos sob condenação, alcançamos a justificação.

1. A natureza da Justificação. Após ser regenerado ou nascido de novo, o homem é declarado justo por Deus, ou seja, o castigo que merecia receber pelos seus pecados é atribuído a Cristo e, por causa disto, o homem fica sem pecado algum. Não tendo pecado, é declarado justo pelo Senhor. É a justificação que nos permite entrar em comunhão com Deus (Rm.5:1), que faz com que as nossas vestes sejam vestes de justiça (Is.61:10), vestes que nos permitirão entrar na cidade celeste pelas portas (Ap.22:14).

John Stott diz que a palavra “justificação” é um termo legal que foi tomado emprestado dos tribunais. É exatamente o oposto de “condenação”. Condenar é declarar uma pessoa culpada; “justificar” é declará-la sem culpa, inocente ou justa. Na Bíblia, essa palavra significa o ato imerecido do favor de Deus por meio do qual ele coloca diante si o pecador, não apenas perdoando ou isentando-o da culpa, mas também aceitando-o e tratando-o como justo. Paulo diz em Romanos 3:21: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas”. O termo “justiça”, neste texto, traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos. Podemos concluir, então, que, mesmo culpados, Deus quis nos justificar e perdoar. Assim, somos declarados inocentes, pois nossa condenação foi substituída pela pena paga por Cristo na cruz (2Co.5:21). É um ato gracioso e amoroso de Deus para nós, sem interferência dos méritos humanos, cabendo ao homem somente crer mediante a fé na obra que Jesus operou (Rm.5:1).

Justificação, portanto, é como que uma declaração legal de que estamos isentos de culpa, ou seja, que nos tornamos justos diante de Deus. Para o homem justificado não há mais culpa, não há mais condenação – a Redenção foi consumada: “... nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...”(Rm.8:1). Antes, o homem era culpado, agora não há mais nenhuma culpa: “quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica”(Rm.8:33). Antes, o homem estava condenado, agora “quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”(Rm.8:34). Antes, morto espiritualmente, o homem estava separado de Deus, agora “quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angustia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? (Rm.8:35).

Portanto, para o homem Justificado não há mais culpa, não há mais condenação. Isento da culpa do pecado, o homem readquiriu a vida eterna, conforme afirmou Jesus: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer...”(João 10:28).

2. A necessidade da Justificação. A maior necessidade do ser humano não é a saúde, o prazer, a riqueza ou o poder, mas a salvação, a justificação. Por que a Justificação é a maior necessidade do ser humano?

Ø Porque o ser humano é pecador e não pode salvar a si mesmo. Como pode o ser humano pecador ter comunhão com o Deus santo? Como pode aquele que está arruinado e falido moral e espiritualmente ter sua dívida quitada diante de Deus? Como pode o transgressor ser justificado diante do reto e justo juiz? Afirma o apóstolo Paulo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl.2:16).

Ø Porque o ser humano é impuro e não pode purificar a si mesmo. O pecado é uma mácula que contamina. O ser humano está sujo e não pode lavar a si mesmo. Todo o seu ser está contaminado e poluído pelo pecado e ele não pode purificar a si mesmo. Sua justiça não passa de trapos de imundícia aos olhos de Deus.

Ø Porque o ser humano é filho da ira e não pode alcançar o favor de Deus por si mesmo. O pecado é maligníssimo aos olhos de Deus. Por isso o pecador morto em seus delitos e pecados, escravo do mundo, da carne e do diabo, é filho da ira e está debaixo da ira de Deus. Como tal, não pode alcançar por si mesmo o favor de Deus.

Ø Porque a Justificação é a condição-mor para participarmos das bênçãos da salvação e para que o Diabo não tenha nenhum poder de acusar o crente dos pecados que Cristo perdoou. O crente justificado pode dizer como Paulo disse: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm.8:33,34).

O homem é justificado pela fé em Cristo Jesus, graciosamente, mas essa justificação não se dá de forma automática nem por mérito. O homem precisa tomar posse de sua bênção, conforme afirmou Paulo: “Porque pela graça dois salvos, por meio da fé...”(Ef.2:8). Assim é que, no processo que envolve a Justificação, o Pai proveu a fonte, que é a Sua Graça; o Filho proveu a base da Justificação, que é o Seu Sangue; o Espírito Santo move o homem ao exercício da fé para alcançar sua bênção. É preciso entender, porém, que a base da Justificação não é a fé, mas é o sangue do Cordeiro de Deus. A fé é o meio, e não o fim. A fé, em si mesma, não salva, quem salva é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender a bênção não é entregue, automaticamente.

3. A impossibilidade da autojustificação. Ninguém tem capacidade de se autojustificar, mas existem muitas pessoas que querem se autojustificarem por meio de suas religiões, por meio de seus sacrifícios físicos, por meio de filantropia, pelo uso de suas roupas, pelos seus comportamentos… São diversos os métodos e meios que o ser humano, através dos séculos, tem empregado para justificar a si mesmo (Lc.10:29). Mas, tanto judeus como gentios são justificados pela fé, e não pelas obras. Se a justificação pelas obras fosse o caminho da salvação, o homem receberia a glória por essa salvação. Para ilustrar essa realidade espiritual, o Senhor Jesus apresentou a história de um fariseu que se justificava orgulhosamente por evitar certos pecados, mas não alcançou a justificação; enquanto o publicano, que reconhecia a sua miséria diante de Deus, teve os seus pecados perdoados e sua vida justificada (cf. Lc.18:9-14). O fariseu, figura do religioso, cheio de orgulho, cheio de vanglória, dar graças a Deus por não ser como os outros homens, como quem diz: os outros são ladrões, são pecadores, eu não! O pior de tudo é que ele além de se considerar o santarrão, o justo, ainda enquadra todos os demais como pecadores, ladrões, fazendo uma generalização, julgando sem nenhum fundamento a outra pessoa. Como se observa no texto de Lucas, o fariseu não saiu justificado, mas o publicano que reconheceu a sua pobreza espiritual diante de Deus, sim. Desta feita, a justificação não se refere ao esforço humano por pureza ou santidade, mas ao estado de retidão diante de Deus por meio de Jesus, o Justo, que morreu tomando sobre si todas as acusações contra nós. Portanto, a pessoa é justificada pela graça de Deus somente, jamais por méritos pessoais – “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm.3:28).

Aquele que se reconhece pecador, e que se arrepende e pede por perdão da parte de Deus, alcança misericórdia e graça. E é isso que o Senhor Jesus está disposto a fazer, e por isso Ele veio e pagou o preço, um preço muito alto, o preço de sua morte. Por isso, toda honra, toda glória, todo louvor são dadas a Ele; Ele é digno, não eu e nem você. Pense nisso!

04. Os benefícios da Justificação. No capítulo 5 da Epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo mostra os benefícios que a justificação traz para a vida do cristão. Paulo mostra os benefícios que emanam da justificação quanto ao passado, presente e futuro. Todos os que têm esta nova vida em Cristo estão livres da ira vindoura, livres do pecado e livres da morte eterna. Para Paulo, a justificação não significa somente perdão e absolvição da culpa do pecado, também traz dentro de si a esperança da glória de Deus (Rm.5:2) e a promessa da salvação final (Rm.5:9,10) - a nossa glorificação -, que é a plenitude da nossa salvação.

III. SANTIFICADOS EM CRISTO

A Santificação é um processo de desenvolvimento espiritual, auxiliado pelo Espírito Santo, para que o homem possa prestar verdadeiro culto (serviço) ao Pai (ler Rm.12:1). Segundo a Bíblia, o propósito da santificação é que o velho homem deixe de viver e Cristo viva nele.

1. Uma consequência da Salvação. A Santificação é o ato do processo da salvação que mais nos dá a ideia de que a salvação se desenvolve num intervalo de tempo de nossa vida debaixo do sol. É por isso que a Bíblia nos manda perseverar até o fim e que devemos ser fiéis a Deus até a morte (Ap.2:10). Esta realidade da santificação, aliás, é um dos pontos que nos permitem entender que a salvação não é algo que já esteja conquistado de antemão pelo ser humano, como defendem os adeptos da “doutrina da predestinação”, pois seria totalmente inexplicável tal recomendação divina, tantas vezes repetida no texto bíblico, se fosse impossível alguém perder a salvação uma vez obtida. A Santificação depende da atitude, da decisão de cada ser humano. Por isso, alguns, não vigiando, desviam-se da fé (Sl.119:118; Jr.5:5; Ez.18:26; 33:18; Lc.8:13; 1Tm.6:10; Tt.1:14; 2Tm.2:3,4,10).

No processo da salvação, a Santificação ocorre após a Justificação. A Justificação acontece fora de nós, e a Santificação ocorre dentro de nós. A Santificação é um processo de cooperação entre o crente e o Espírito Santo que se inicia no momento da Justificação do salvo, isto é, Deus vê o crente como santo, ainda que a santidade dele precise ser aperfeiçoada (Ef.4:12). Por este processo, o crente se afasta (separa) do pecado para viver uma vida inteiramente consagrada a Deus, desenvolvendo nele a imagem de Cristo (Rm.8:29).

A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. Veja algumas razões pelas quais devemos ser santos.

a) Porque somos filhos de Deus - “Amados, agora somos filhos de Deus...”(1João 3:2). Quando um filho ama seu pai ele se orgulha quando alguém diz que ele se parece com o pai. O mesmo sentimento compartilha o pai quando alguém diz que seu filho é a “sua cara”. 

b) Porque queremos fazer a vontade do Pai - “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...”(1Tes.4:3). Todo bom filho sente prazer e se esforça para fazer a vontade de seu pai. Todo pai fica feliz quando seu filho procura ser-lhe agradável. A Bíblia diz que Deus quer que seus filhos sejam santos.

c)  Porque queremos ser morada de Deus e um Templo para o seu Espírito - “Jesus respondeu, e disse-lhe: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada”(João 14:23); “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós...”(1Co.6:9). A Bíblia diz que Deus é Santo, na sua essência, ou seja, é absolutamente santo. Nós com todas nossas impurezas não sentimos bem habitando, ou convivendo num lugar sujo, imundo. Quanto mais Deus. Daí, se eu quero que ele habite em mim, então, preciso não apenas estar limpo, preciso estar purificado.

d) Porque queremos ser um vaso nas mãos de Deus.  Santificação significa ser separado para uso de Deus. Daí, qualquer que desejar ser um vaso nas mãos de Deus, tem que ser um vaso separado para seu uso. Isto significa ser santo. Esta é a condição exigida pela Palavra de Deus, conforme escreveu Paulo: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purifica destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”(2Tm.2:20,21).

e) Porque somos peregrinos a caminho da Canaã Celestial - “...Andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação”(1Pd.1:17). Os que não conhecem a Bíblia pensam que para ser santo é preciso estar morando no céu. Pensam que é lá que vivem os santos. Porém, pela Palavra de Deus sabemos que Deus exigiu que Israel fosse santo durante a peregrinação através do deserto. Foi lá no Monte Sinai que Deus disse: “...Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:2). Naquele deserto, Israel teria que andar com Deus. Porém, o profeta Amós pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”(Amós 3:3). Deus é Santo, e só existe uma maneira de poder andar com ele: sendo santo.

f)  Porque queremos morar no Céu - “Senhor, quem habitarás no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo Monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração” (Salmo 15:1,2). O Senhor Deus diz: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá”(Salmo 101:6). Somente os santos é que podem ser fiéis; só os santos morarão no Céu.

2. Um esforço pessoal. A Santificação é processo contínuo e progressivo, ou seja, o salvo vai se santificando a cada dia, isto é, a cada instante, e a cada momento de sua vida vai se distanciando do pecado e se aproximando do Senhor; é o que as Escrituras denominam de “aperfeiçoamento dos santos” (Ef.4:12). Santificamo-nos a cada dia; a cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito. Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor. “Parar”, “estacionar”, nada mais é que “regredir”, é “recuar”, é “retirar-se para a perdição”, e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39) – “Ora, amados, pois, que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”(2Co.7:1).

É bom ressaltar que a santificação não se confunde com o isolamento da sociedade, mas isto também não pode dar guarida àqueles que, em nome de uma atividade evangelizadora, misturam-se com os pecadores e, o que não é correto, com o pecado dos pecadores. Quantos, na atualidade, sob pretexto de evangelizar, não pecam juntamente com os pecadores ou consentem com o pecado dos ímpios, que deveriam denunciar? Quantos, a pretexto de evangelizar, não praticam as mesmas coisas que os que deveriam ser evangelizados? Se toda e qualquer “evangelização”, levar as pessoas a praticar as obras da carne, descritas pelo apóstolo em Gl.5:19-21, estaremos diante de um engano, de uma mentira satânica, pois, em vez de “evangelização”, estaremos, mesmo, diante daqueles que pertencem à sinagoga de Satanás (cf. Ap.2:9; 3:9), que se dizem crentes, mas mentem, pois não o são.

3. O desafio de sermos santos. A Santificação importa em revestimento da plenitude de Cristo, ou seja, quanto mais santificados formos, menos apareceremos, mas refletiremos a imagem do Senhor. Um dos grandes erros tem sido o de confundir a santificação neste sentido de crescimento espiritual com a exaltação do salvo e não do Salvador. A verdadeira santificação faz com que tenhamos o mesmo sentimento de João Batista, ou seja, do de diminuirmos para que Cristo cresça (João 3:30), tanto que Paulo diz que, no nosso crescimento espiritual, há a formação de Cristo em nós (Gl.4:19). Portanto, quando crescemos espiritualmente, assumimos a forma de Cristo, ou seja, o jeito de Cristo, a ponto de as pessoas não nos verem, mas, sim, a Cristo. É por isto que é dito que a santificação nos faz participantes da natureza divina. Passamos a não ter mais pecado, em virtude do perdão recebido pelo sacrifício de Cristo no Calvário, e a cada dia mais termos semelhança da imagem de Deus, que é a própria imagem de Cristo, Deus feito homem. Em razão disto, o salvo externa a própria natureza divina, daí porque ser chamado de “filho de Deus” (Rm.8:16), filho por adoção, já que não o era por natureza, vez que possuía a natureza pecaminosa, agora crucificada com Cristo. Esta filiação divina mostra que somos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo(Rm.8:17), que temos a mesma natureza do Pai e do Filho, fazendo jus à vida eterna, a morar na casa do Pai (Jo.14:1-3).

Sem dúvida é um grande desafio para o cristão manter uma vida de santidade num mundo tão depravado e corrupto como este em que vivemos; certamente, é preciso um esforço pessoal e dependência continua do Espirito Santo. Deus anela pela santificação dos seus filhos, não por capricho divino, mas porque o pecado nos fere de morte e o nosso Pai de amor não quer ver os seus filhos feridos, mortos no pecado, pois isso contraria sua natureza amorosa.

CONCLUSÃO

Convêm que os crentes, como pessoas regeneradas, justificadas e santificadas, demonstrem ao mundo perdido, com suas atitudes, que somente Jesus pode salvar e transformar o pecador. Se todos os crentes tivessem uma plena visão da salvação, se pudessem ver plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes diferentes no seu dia-a-dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as coisas desta vida e deste mundo. Ademais, teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu – e, por isso, teríamos tanto desejo de ir para lá -, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só admirador de suas coisas, um só aliado. Mas, há crentes que admiram e gostam das coisas do Maligno e se aliam a ele. Por mais que não admitam, pelo fato de não atentarem para a “tão grande salvação”, tornam-se vulneráveis às investidas do tentador.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. A corrupção da doutrina da regeneração. PortalEBD_2005.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a Carta da liberdade cristã. Hagnos.