quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SINAIS DO PERFUME DO JASMIM



















Caramuru Afonso Francisco*



2011 iniciou, na política internacional, com uma série de movimentos populares em diversos países árabes e/ou muçulmanos do Oriente Médio e Norte da África demonstrando a fadiga das ditaduras secularistas que, há décadas, governam estes países.

Tudo começou na Tunísia, onde uma onda de protestos eclodiu a partir da autoimolação de Muhammad Bouaziz, um jovem que, apesar de graduado em curso superior, não conseguia encontrar um trabalho regular e foi privado, por parte das autoridades, do seu magro sustento, vendendo verduras. Ele colocou fogo em seu próprio corpo em 17 de dezembro de 2010 e acabou incendiando o país, que já estava farto do governo do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que já durava 23 anos e cuja família, principalmente a de sua mulher, praticamente controlava todos os negócios rentáveis do país.

Com a queda do presidente da Tunísia, que fugiu do país em 14 de janeiro de 2011, após uma onda de protestos populares, que ficou conhecida como “Revolução do Jasmim” (o jasmim é a flor nacional da Tunísia), uma série de protestos similares eclodiram em diversos países árabes, onde também há regimes autoritários longevos e seculares, como na Argélia, Egito, Iêmen e Jordânia.

Em meio aos protestos da Tunísia, o governo do Líbano, que era dirigido por Saad Hariri, também mudou de mãos, diante de uma manobra política liderada pelo movimento Hizbollah, que passou a controlar o novo governo.

Todos estes movimentos demonstraram que há uma insatisfação crescente nas populações destes países contra estes regimes autoritários, que cerceiam a liberdade política e que não têm conseguido melhorar as condições sócio-econômicas, pois, em regra, são países extremamente pobres, com enormes desníveis sociais, em que uma elite controla a política e a economia, sendo, todos estes países, fortemente sustentados pelos Estados Unidos, uma vez que são regimes políticos que, apesar de muçulmanos, não adotam e são contrários ao fundamentalismo radical.

A persistente pobreza e desigualdade social nestes países, agravada sobremaneira com a crise econômico-financeira que assolam Estados Unidos e Europa desde 2008, o que fez reduzir as oportunidades não só destes países no mercado internacional, mas também a vida dos imigrantes que encaminhavam recursos para seus familiares nestes países (principalmente nos países do Norte da África), fizeram com que o quadro político se deteriorasse rapidamente, ainda mais quando não se tem, no sistema político, quaisquer válvulas que permitam uma mudança que não seja mediante a rebelião contra as instituições.

Como se não bastasse isso, o clima de pobreza e desigualdade persistentes tornam ainda mais sedutoras as teses defendidas pelos fundamentalistas islâmicos, que, governos ou não, são grandes investidores na sustentação das comunidades islâmicas e, no caso principalmente de Argélia e Egito, as principais forças políticas de oposição.

Assim, diante da queda de um dos governos considerados mais estáveis da região, como foi o da Tunísia, não foi surpreendente o “pipocar” de movimentos similares nestes diversos países, notadamente no Egito, que é o mais importante de todos eles.

Não se pode, também, esquecer que, diante da crise econômico-financeira e da própria retórica trazida pelo governo Obama nos Estados Unidos, também houve uma sensível redução do “poder de fogo” dos Estados Unidos, que sustentam estes regimes, a criar ainda mais ardor entre os que desejam a queda de tais regimes.

O fato é que, após a queda do regime secular de Saddam Hussein no Iraque e a vitória de um partido islâmico na Turquia, nunca a vertente secularista (ou seja, aquela que, sem renegar a religião muçulmana, procura manter o Estado laico, criar uma vida social desvinculada dos preceitos do Corão) esteve tão agonizante no mundo árabe como agora.

Este quadro mostra-nos, claramente, que estamos vivendo um momento de profundas transformações na configuração política do Oriente Médio e, para os que conhecem as Escrituras, o fechamento de um quadro que nos permite vislumbrar a iminência de um “estado de guerra” que é descrito nos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel.

Com efeitos, estes governos autoritários seculares, pró-americanos que, se não estão em paz com Israel (como é o caso do Egito), pelo menos não são favoráveis ao confronto com o Estado judeu, até porque são adversários daqueles que defendem que “Israel seja lançado ao mar”, como é o caso da Irmandade Muçulmana no Egito (que é a “mãe ideológica” desta ideia e que deu origem, entre outros movimentos, ao Hamas, na Palestina), em sendo substituídos, sê-lo-ão por governos que, ou serão diretamente controlados pelos fundamentalistas islâmicos ou, ainda que sejam dirigidos por pessoas moderadas, terão, mais cedo ou mais tarde, de ceder aos fundamentalistas islâmicos ou a suas teses, até porque nada indica que as profundas crises sócio-econômicas serão debeladas por estes novos governos que, diante da impaciência natural da população, terão de recorrer ao velho expediente do “bode expiatório” e Israel é, evidentemente, o candidato a assumir uma tal posição.

A queda do governo do Egito representará, para Israel, a perda do principal aliado do mundo árabe. Como as relações com a Turquia já estão profundamente deterioradas desde a subida ao poder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento em 2003, que defende o abandono do “kemalismo”, a ideologia que manteve o Estado turco dissociado da “sharia” (a lei islâmica) desde 1920, temos um quadro de profundo isolamento que, certamente, levará a uma nova guerra dos judeus contra os árabes.

A subida ao poder no Líbano do Hizbollah, que é um movimento que defende abertamente a destruição de Israel, complica ainda mais a situação, pois os confrontos com Israel aumentarão, havendo, também, o fato de que o Hamas, o movimento palestino que também defende a destruição de Israel e que governa a Faixa de Gaza, terá, doravante, a ajuda tanto do Líbano quanto de um novo governo egípcio, o que até aqui não ocorria.

O próprio governo da Autoridade Nacional Palestina, que administra a Cisjordânia, também, por questão de sobrevivência, terá de se aproximar do Hamas, pois o seu principal suporte, atualmente, tem sido os governos secularistas do Egito e da Jordânia.

A moderada Jordânia, com seu rei Abdullah II, também foi alvo de protestos e o rei, imediatamente, destituiu o governo e nomeou um novo primeiro-ministro, que deverá promover novas eleições, onde, certamente, os setores mais radicais terão maior influência. A Jordânia é outro país árabe que está em paz com Israel mas cuja disposição de não-enfrentamento sofrerá natural modificação.

Os países do Norte da África, os demais países árabes e a Turquia caminham, assim, para uma postura de enfrentamento com Israel, voltam a assumir como sua bandeira o sonho de “lançar Israel ao mar”.

Onde vemos isto no texto da Bíblia Sagrada? Nos capítulos 38 e 39 de Ezequiel, onde, após a visão do vale dos ossos secos, que nos falam da restauração da nação israelita, temos a descrição de uma guerra em que Israel é atacado por um conjunto de nações, sob o comando de Gogue, o chefe de Meseque e Tubal, que se fará acompanhar de Togarma, Gômer, Pute, persas e etíopes (Ez.38:5,6).

Ora, conforme os estudiosos das Escrituras, Magogue (Ez.38:2), a terra de Meseque e Tubal, outra não é senão a Rússia; Pute, a região do Norte da África, em especial a Líbia; Togarma, a Turquia; persas, o Irã; os etíopes, a Etiópia, outro país do Norte da África e Gômer, identificada com a Alemanha (país em que a minoria turca é cada vez mais presente e influente) e que pode muito bem representar a União Europeia, que tem se envolvido cada vez mais nas negociações do Oriente Médio e de forma desfavorável a Israel.

Segundo texto de Ezequiel, estes países se unirão a outros, entre os quais Sebá e Dedã (Ez.38:13), povos apontados como sendo os árabes (mais precisamente a área da Jordânia, Iêmen e Arábia Saudita), querendo a destruição de Israel, com o objetivo de retirar-lhe a segurança de que hoje goza, mas serão fragorosamente derrotados, dando a Israel uma força internacional poderosa.

A “Revolução do Jasmim” mostra, claramente, o início do surgimento de um consenso entre os países do Oriente Médio contra Israel que não se via desde a Guerra dos Seis Dias, e ainda reforçado com um governo antipático a Israel tanto no Irã quanto na Turquia, países que estão muito dependentes da Rússia, que se ergue e precisa ter uma nova projeção no campo da política internacional.

O cenário está a mostrar que uma aliança contra Israel está em fase final de elaboração, em mais uma eloquente indicação que Jesus breve vem, não tarda muito para voltar e arrebatar a Sua Igreja, pois a vitória militar profetizada para Israel é o lastro que forçará o Anticristo, que será o outro grande emergente dentre as nações, a ter de firmar um pacto com Israel, que incluirá o ressurgimento do Templo e o consequente início da última semana de Daniel, fatos que somente poderão ocorrer após o término da dispensação da graça, do tempo da Igreja sobre a face da Terra.

Diante dos sinais trazidos pelo perfume do jasmim, estamos preparados para a volta do Senhor?


* Evangelista da Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede e colaborador do Portal Escola Dominical.

Fonte: http://blogdoarturribeiro.blogspot.com


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aula 07 - ASSISTÊNCIA SOCIAL, UM IMPORTANTE NEGÓCIO

Leitura Bíblica: Atos 6:1-7

“E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha”(Atos 4:35).

INTRODUÇÃO

Vivemos em uma sociedade em que as pessoas costumam olhar somente para si e para os seus problemas, desprezando a necessidade dos outros. Muitas vezes nos preocupamos se o banco de nossas igrejas é confortável, se o sistema de ar condicionado está funcionando perfeitamente, se temos os melhores instrumentos musicais e aparelhos de som, se construímos templos suntuosos, e nos esquecemos de algo que tinha papel importante na Igreja de Atos: a assistência social.
Muitos dos membros das Igrejas Locais têm desprezado a assistência social e se preocupado apenas com a sua vida e seus problemas. Talvez você esteja pensando: ”ora, se o corpo de diáconos da minha Igreja não exerce a pratica da assistência social é porque eles são negligentes. Eles são chamados por Deus para isso. Eu tenho outro ministério para desenvolver”. Mas, será que eles são instigados para este mister?
Há diversos dons que formam um corpo, mas existe um dom que todos os cristãos precisam desenvolver: o dom do amor. O amor implica não somente em palavras do tipo: “Jesus te ama e eu também”. Definitivamente, o amor que o Espírito Santo derrama em nossos corações implica mais em ações do que em palavras. Implica principalmente em atitudes. Tiago nos exorta da seguinte forma: “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano. E alguns de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?”(Tiago 2:15,16). É isso que devemos fazer. Não devemos amar só de língua, mas principalmente por ações. Lembremos de nosso Senhor. Ele desceu do céu, viveu como qualquer um de nós, e finalmente morreu na cruz. Ele não apenas disse que ama (João 15:13); Ele o manifestou com ações.

I. AS DORES DO CRESCIMENTO

O crescimento da igreja fez com que ela passasse a ser maior do que a “igreja local”, que, era, então, restrita à Jerusalém. Em face disso, as dores do crescimento logo surgiram: dissensões, disputas internas, partidarismos, necessidades de ações sociais, etc.
Um dos aspectos de destaque, motivado pelo crescimento da Igreja, foi o aumento do contingente dos necessitados. Cônscios da responsabilidade social que a igreja tem, os apóstolos procuraram dar uma solução para esta demanda: estabeleceram pessoas para cuidar dos necessitados(At 6:1-6).
Por estar no mundo e por se apresentar em grupos sociais, as chamadas “igrejas locais”, a Igreja acaba tendo de ter um papel perante a sociedade. Os grupos sociais estão reunidos na sociedade, que é o grupo maior, o grupo que tem, por fim, promover a felicidade, o bem-estar, o chamado bem comum. As igrejas locais não fogem a esta obrigação, que decorre da sua própria natureza de ser parte da sociedade. Deus não nos tirou do mundo nem Jesus quis que isto se fizesse (João 17:15) e, diante desta realidade, assim como fez Nosso Senhor, devemos, também, ter uma atuação social digna de nota, que sirva de testemunho de nossa comunhão com Deus.

1. A urgência da assistência social. Em virtude do rápido crescimento quantitativo da Igreja, os apóstolos não puderam conciliar as atividades de oração, pregação e ensino da Palavra de Deus com as atividades assistenciais. Cônscios da responsabilidade social que a igreja tem, os apóstolos, de forma resoluta, logo procuraram dar uma solução para este “importante negócio”(At 6:3): estabeleceram pessoas certas, cheias do Espírito Santo, para cuidar dos necessitados da igreja. A função de assistência social na Igreja é uma das suas pedras de toque e, sem dúvida, uma das formas mais poderosas de demonstrarmos ao mundo a nossa diferença e o amor de Deus que está em nossos corações.
É lógico que a ação social da Igreja não se limita apenas à “assistência social”, nem pode se circunscrever ao aspecto material. Por isso, não é desculpa a falta de recursos materiais para não se praticar atos de ação social. Quem não pode vestir, dar de comer ou dar abrigo a alguém, pode consolar, instruir, confortar, visitar.
“… A bondade não consiste em dar presentes, mas na doçura e na generosidade do espírito. Pode-se dar dinheiro da algibeira sem nada que venha do coração. A bondade que se contenta com dar dinheiro não vale grande cousa e muitas vezes faz tanto mal como bem, mas a bondade que se traduz por uma verdadeira simpatia e um auxílio oportuno nunca deixa de dar bons resultados(…). A verdadeira bondade procura e favorece tudo o que pode servir para fazer o bem no presente e, olhando para o futuro, trabalha com o mesmo espírito para a elevação e a felicidade da humanidade.…” (Samuel SMILES. Trad. de D. Amélia Pereira. O caráter, p.290-1).

2. A murmuração dos gregos. Ora naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano”(Atos 6:1).
Quando o Diabo não é bem-sucedido nos ataques externos, promove dissensões internas. No inicio da Igreja, era costume distribuir alimentos diariamente às viúvas pobres da congregação que não tinham outro meio de se sustentar. Alguns dos judeus de fala grega se queixaram porque as viúvas deles não estavam sendo tratadas da mesma forma que as viúvas dos hebreus (os judeus de Jerusalém e da Judéia). Buscando extinguir a dissensão, os apóstolos propuseram à multidão dos discípulos a escolha de sete homens notáveis por sua fé e reputação, para que se encarregassem daquele “importante negócio”(At 6:2-3).
Este incidente provocado pelas viúvas murmuradoras ilustra um princípio vital, que é de importância urgente para a igreja de hoje: Deus chama todo o seu povo para o ministério, ele chama pessoas diferentes para ministérios diferentes, e aqueles chamados para a “oração e ministério da palavra” não devem permitir que sejam desviados de suas prioridades.
Precisamos, hoje, do mesmo discernimento espiritual que os apóstolos tiveram, para reconhecer a atividade do Espírito Santo e a do espírito maligno(cf At 5:3). Precisamos também da fé que eles tinham no poderoso nome de Jesus, pois os poderes das trevas só podem ser vencidos através dessa autoridade(cf At 3:6,16; 4:7,10,12,18).

II. A INSTITUIÇÃO DO DIACONATO

Os doze apóstolos perceberam que, com o crescimento da Igreja, era necessário tomar uma providencia para tratar das questões operacionais acerca da ajuda aos necessitados. Não desejavam abandonar o ministério da palavra de Deus para cuidar das finanças. Assim, sugeriram que a comunidade dos fiéis escolhesse sete homens. Por ser um “importante negócio”, os apóstolos não escolheram qualquer pessoa. Tinham de ser sete pessoas “de boa reputação, cheios do Espírito Santo de Sabedoria”. Impressionante como nós cristãos dos últimos dias temos desprezado este “importante negócio”.
Apesar de esses homens não serem chamados de diáconos na Bíblia, tudo indica que essa era a sua função. A palavra diácono vem do verbo servir, usado na expressão servir às mesas, de modo que sua função era, literalmente, “diaconar” às mesas. Deviam possuir três qualificações: Primeiro, ser homens de boa reputação, ou seja, respeitáveis; Segundo, ser cheios do Espírito Santo, ou seja, espirituais; Terceiro, ser cheios de sabedoria, ou seja, práticos. A carta de Paulo a Timóteo fornece uma descrição mais detalhada dessas qualificações(1Tm 3:8-13).

1. A participação da igreja nas decisões – “E os doze, convocando a multidão dos discípulos...”(At 6:2). Os apóstolos discerniram que a administração social (tanto a organização da distribuição como a resolução da dissensão) estava ameaçando ocupar todo o tempo deles, impedindo-os, assim, de fazer a obra específica que lhes fora confiada por Cristo: o ensino e a pregação. Para solucionar esse problema, os doze apóstolos, orientados pelo Espírito Santo, convocaram a comunidade dos discípulos e compartilharam o problema com eles (observe que os apóstolos não impuseram uma solução à igreja). Eles disseram: “Não é razoável que nós abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas”(At 6:2). Não há aqui nenhuma sugestão de que os apóstolos considerassem a obra social inferior à obra pastoral, ou de que achassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de vocação. Eles não podiam ser desviados de sua tarefa prioritária. Assim, fizeram uma sugestão à Igreja: “irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra”(At 6:3,4). A igreja entendeu o plano dos apóstolos: O “parecer agradou a toda a comunidade”. Portanto, eles o puseram em ação: “Elegeram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito(isto é, um gentio convertido ao judaísmo) de Antioquia”(Atos 6:5).
A atitude dos apóstolos em convocar a igreja(“multidão dos discípulos”) para decidir sobre assunto tão importante, demonstra para nós o respeito e a transparência que esses líderes tinham para com o corpo de Cristo. É uma demonstração clara de unidade de propósitos, idéias, convicções e de caráter, que a igreja primitiva vivia na prática.
Podemos ver também este procedimento, isto é, a participação da igreja nas decisões, quando da realização do primeiro concílio da igreja cristã. Isto pode ser comprovado no capítulo 15, versículo 22 onde diz: "Então os apóstolos e os presbíteros, com toda a igreja, decidiram escolher alguns entre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Barsabás, e Silas, dois líderes entre os irmãos".
Portanto, é de grande importância procurarmos acatar o exemplo dos líderes da Igreja Primitiva, dos chamados pais da igreja, afim de que, baseados nesses referenciais, possamos, como geração eleita, continuar fiéis aos padrões bíblicos.
2. O ministério diaconal. O ministério diagonal foi criado pela igreja primitiva com a finalidade precípua de cuidar dos necessitados da igreja e serviços materiais, a fim de que os apóstolos se dedicassem à oração ao ministério da Palavra(At 6:4). Atualmente, o diaconato tem se desviado de seus propósitos bíblicos.
Hoje em dia, o diaconato nada mais é que um “passo inicial” do ministério; nada mais é que uma atividade ritual de portaria, de recolhimento e contabilidade de contribuições e de serviço do pão e do vinho na ceia do Senhor, atividades que podem, sim, ser exercidas pelos diáconos, mas que não se constitui, em absoluto, no papel do diaconato.
Urge voltarmos ao modelo bíblico, com diáconos que administrem a ação social da Igreja, que cuidem da parte material e espiritual desta assistência, que é um “importante negócio”, que deve ser dirigido pelo Espírito Santo através de homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. A total ausência do diaconato, quase sempre numeroso nas igrejas locais, neste assunto é uma demonstração clara e inequívoca de quanto temos negligenciado a missão social da Igreja.

III. ASSISTENCIA SOCIAL, UM IMPORTANTE NEGÓCIO

1. O “importante negócio”(At 6:3). É função da igreja praticar a assistência social, algo que os apóstolos consideraram um “importante negócio”. Por que ajudar aos necessitados é importante?
Em primeiro lugar, porque é um ato pelo qual demonstramos nosso Amor ao Próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, a bênção de Deus sobre as pessoas, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (Rm 12:13-21; Gl 4:31,32; Cl 3:12-14; 1Ts.4:9-12).
Em segundo lugar, porque é um Mandamento Divino. Este mandamento é dito tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, ele foi dado para Israel e para Igreja. Deus reconheceu a existência dos pobres no meio do seu povo e ordenou providência a respeito deles: “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”(Dt 15: 11a). Esta é a frase que mais contraria a pregação contemporânea da teologia da prosperidade. Pretende-se, exterminar a pobreza no meio da igreja. No entanto, o texto declara: "Pois nunca cessará o pobre do meio da terra". E Jesus ratifica: "Porque os pobres sempre os tendes convosco"(João 12:8). Compete àqueles que tem recursos, minimizar a situação. Deus não prometeu riquezas para todos, porém, daqueles a quem ele deu e dá riqueza, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças Ele quer que os pobres não sejam esquecidos, tal como aconteceu na Igreja de Jerusalém - “Não havia entre eles necessitado algum...”(Atos 4: 34). Pobres, sim. Necessitados, não. Esta é a regra a ser seguida pela Igreja, hoje.
No Antigo Testamento, em Israel, o Senhor já demonstrava a necessidade de se ter uma efetiva ação social na vida sobre a face da Terra. A lei de Moisés tinha diversos dispositivos para diminuir a desigualdade social entre os integrantes da sociedade, bem como para evitar que as camadas mais simples da população viessem, pela indigência, a sofrer além dos limites suportáveis ou, mesmo, a morrer de fome, como, por exemplo, nas regras referentes ao ano sabático (Lv 25:1-7), ao ano do jubileu (Lv 25:8-55), à respiga (Lv 19:10), ao dízimo (Nm 18:21-32; Dt 14:28,29; 26:12-15), ao salário dos trabalhadores (Lv 19:13) e ao penhor de bens essenciais à pessoa (Ex 22:26; Dt 24:6).
Em todas estas disposições, Deus mostra, claramente, que, no meio do Seu povo, deveria haver respeito às pessoas e à sua dignidade, que os homens e mulheres estavam acima dos direitos e obrigações instituídos, ainda que legitimamente e de acordo com a lei, de modo que não se toleraria uma exploração desmedida de um homem em relação a outro, nem se poderia desamparar e deixar desprotegidos os indivíduos mais vulneráveis, identificados no texto bíblico como sendo “órfãos” e “viúvas”.
Estas disposições, que nem sempre foram cumpridas pelo povo de Israel (basta ver, por exemplo, que o cativeiro da Babilônia durou 70 anos precisamente para que se cumprissem os anos sabáticos ignorados pelos israelitas durante a sua estada na Terra de Canaã – 2Cr 26:21), persistem no tempo da dispensação da Igreja, vez que não decorrem da dispensação da lei, mas do próprio caráter divino, visto que Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Ml 3:6; Tg 1:17).
A Igreja, o Israel de Deus (Gl 6:16), deve seguir esta mesma linha de misericórdia e de respeito à dignidade da pessoa humana determinados por Deus ao Seu povo, visto que é participante da natureza divina, que quer que o homem, feito à Sua imagem e semelhança, tenha, na vida em sociedade, a dignidade que lhe é peculiar, que lhe foi dada por ato criativo de Deus.
Em terceiro lugar, porque é um Ato de Benignidade – "Que o teu coração não seja maligno, quando lhe deres"(Dt 15: 10a). Pobreza não é maldição, é consequência do sistema controlado por homens gananciosos. Os pobres estão no nosso meio para que tenhamos oportunidade de exercitar amor - “Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão"(Dt 15:10). Não se arrependa de haver dado, nem sinta dor no coração. O Apóstolo João é enfático: quem vir a seu irmão padecer necessidade e não suprir essa necessidade não é cristão: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”(1João 3:17).
2. Servindo à igreja de Cristo. A obra dos doze e a obra dos sete são chamados de diakonia(Atos 6:1,4), “ministério” ou “serviço”. A primeira é o “ministério da palavra”(At 6:4) ou o trabalho pastoral; a segunda, o “ministério junto às mesas”(v.2) ou o trabalho social. Nenhum ministério é superior ao outro, pelo contrário, ambos são ministérios cristãos, ou seja, meios de servir a Deus e à Igreja de Cristo. Ambos exigem pessoas espirituais, “cheias do Espírito Santo”, para exercê-los. E ambos podem ser ministérios cristãos de tempo integral. A única diferença está na forma que cada ministério assume, exigindo dons e chamados diferentes.
Segundo John Stott, “prestamos grande desserviço à igreja sempre que nos referimos ao pastorado como ‘o ministério’, quando, por exemplo, falamos da ordenação em termos de ‘entrar para o ministério’. O emprego do artigo definido pressupõe que o pastorado seja o único ministério que existe. Mas diakonia é um termo geral para serviço; ele não é especifico, a não ser que receba um adjetivo como ‘pastoral’, ‘social’ ou outro. Todos os cristãos, sem exceção, sendo seguidores daquele que veio ‘ não para ser servido, mas para servir’, são chamados para ministrar, ou melhor, para darem suas vidas em ministério” (John Stott, A mensagem de Atos, p. 135).
Não obstante, os pastores são chamados a dedicarem a vida a um verdadeiro “ministério da palavra”. Os apóstolos não estavam ocupados demais para ministrar; eles estavam preocupados com o ministério errado. O mesmo acontece com muitos pastores. Em vez de se concentrarem no ministério da palavra (que inclui pregar para a congregação, aconselhar as pessoas e treinar grupos), eles se tornam superatarefados com a administração. Às vezes a culpa é do pastor (que quer segurar todas as rédeas em suas próprias mãos) e às vezes a culpa é do povo (que exige que o pastor seja um factótum). Em ambos os casos, as consequencias são desastrosas. O nível de pregação e do ensino caem, já que o pastor tem pouco tempo para se dedicar ao estudo e à oração. E os membros da igreja não exercem os papéis que Deus lhes deu, já que o pastor faz tudo sozinho. Por essas duas razões, a igreja é impedida de chegar à maturidade em Cristo. É necessário reconhecer a verdade bíblica básica de que Deus chama homens e mulheres diferentes para ministérios diferentes. Então, a congregação cuidará para que o seu pastor fique livre de encargos administrativos desnecessários, afim de que se dedique ao ministério da Palavra, e o pastor cuidará para que os membros descubram os seus dons e desenvolvam ministérios que lhes sejam adequados(Joh Stot, A mensagem de Atos, p. 135/136).

CONCLUSÃO

Os pobres existem e continuarão existindo, para que os cristãos generosos exerçam a caridade, a maior expressão do cristianismo verdadeiro. Você tem ajudado a quem necessita? Você se preocupa em saber quem precisa da sua ajuda?
Ajudando aos necessitados, estaremos rompendo com nossos próprios interesses egoístas, para acumular “tesouros no Céu” (Mt 6:19-21; Lc 12:33-34). O maior tesouro é, sem dúvida, a salvação eterna, pela graça de Cristo (Ef 2:8-10), daqueles que são levados a glorificar a Deus por nossas boas obras de generosidade (ver Mt 5:16).
Nunca nos esqueçamos que ter misericórdia é sentir a infelicidade, a miséria do outro e tentar retirá-la ou, pelo menos, minorá-la. Deus não Se agrada de quem se alegra no mal do outro, ainda que seja do inimigo, do perverso(Pv 24:17), porque isto é falta de misericórdia - “… o que se alegra da calamidade não ficará impune” (Pv 17:5b), enquanto que o que se compadece do necessitado, honra a Deus – “O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador; mas honra-o aquele que se compadece do necessitado”(Pv 14:31). “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o Senhor o livrará no dia do mal”(Sl 41:1).
É mister que a Igreja dê o exemplo, que tenha, a partir de sua membresia, ações efetivas que mostrem ao mundo que somos diferentes e que cremos num Deus poderoso, justo e misericordioso. Enquanto nós mesmos nos mantivermos alheios ao sofrimento do irmão, egoístas e sem compaixão, seremos totalmente impotentes com relação ao lamentável estado de coisas que vive a nossa sociedade e, pior do que isto, cúmplices e envolvidos em toda a sorte de desatinos, desvios e corrupções, como, lamentavelmente, têm ocorrido em escândalos cada vez mais frequentes no nosso meio. Que Deus nos desperte e que tenhamos benignidade e bondade em nossas ações, que é a ação social da Igreja, a sua missão social.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Novo Testamento)
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Antigo Testamento)
John Stott – A mensagem de ATOS(Até os confins da Terra)
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.
Caramuru Afonso Francisco - A missão social da igreja.
Elienai Cabral – A missão social da igreja

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS FATOS SOBRE A HOMOSSEXUALIDADE


O que o relato da criação ensina a respeito do estilo de vida homossexual?

Os relatos de Gênesis (Gênesis 1.27; 2.18,21-24) e Mateus 19.4-6 ensinam que Deus criou a humanidade de uma maneira específica (macho e fêmea) com propósitos específicos relativos a isso (casamento, unidade sexual e procriação subentendida).

O lugar mais adequado para começar uma avaliação bíblica sobre o homossexualismo não é com textos que o rejeitam, mas com textos que sustentam e apóiam essas passagens condenatórias.[1] Essa abordagem de pano de fundo é algo que quase todos os escritores pró-homossexuais falham em suprir.

A consideração do relato da criação é vital por muitas razões. Para começar, é um relato da criação. Homens e mulheres não são o produto cego de uma evolução ao acaso em que, literalmente, nada é normativo e os indivíduos são livres para escolher sua própria moralidade ou sexualidade. Os homens devem prestar contas ao Deus que os criou; eles não são o produto de uma natureza impessoal que não se importa com o estilo de vida deles.[2]

Abaixo estão cinco razões pelas quais o relato da criação é decisivo para qualquer discussão bíblica sobre a homossexualidade.

Primeiro, a aceitação da homossexualidade viola a ordem e a essência da própria criação humana.

Deus declarou que não era bom que o homem estivesse só. Para remediar essa situação, Ele criou a mulher como complemento divino e contrapartida da masculinidade. A comunhão sexual íntima foi pretendida somente para o homem com a mulher. Isso quer dizer que a homossexualidade distorce e desordena as intenções de Deus na criação e que a prática da homossexualidade contradiz o padrão da heterossexualidade em seu nível mais básico. O estilo de vida homossexual nega e desafia as polaridades do sexo de tal maneira que nem mesmo comportamentos heterossexuais, tais como fornicação e adultério, o conseguem.

Segundo, os homossexuais não podem obedecer ao mandamento de Deus quanto à procriação.

Em Gênesis 1.28, Deus ordenou a Adão, Eva e seus descendentes: "sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra". Se Adão tivesse decidido ser homossexual, ninguém jamais teria nascido.

Terceiro, a homossexualidade constitui uma rebelião consciente contra a ordem divinamente criada.

De acordo com Romanos 1.32 e outras passagens bíblicas, os homossexuais sabem que seu comportamento é pecaminoso. A escolha contínua da prática de tal atividade é, portanto, uma rebelião intencional contra Deus e a ordem da criação.

Quarto, a Bíblia está repleta de premissas do relato da criação.

Se a homossexualidade fosse de alguma maneira legítima, as Escrituras não assumiriam uma inclinação heterossexual, mas incluiriam a opção homossexual. Se Deus tivesse a intenção de que o homem fosse bissexual, ou homossexual, ou se Ele tivesse criado o homem andrógino, o fato de criá-lo dessa maneira seria evidente em outros relatos das Escrituras relacionados à natureza do homem. Mas, o único padrão mantido e defendido é o heterossexual. "Do primeiro capítulo de Gênesis até o livro de Apocalipse, o significado duplo de expressão sexual-genital – a saber, procriação e união – é claramente manifesto... Javé é descrito como o noivo fiel, e Israel, como a noiva fiel, indicando que o amor heterossexual pode ser a base para se expressar o mistério de Deus em amar a raça humana... Além disso, o autor de Efésios reitera a mesma verdade revelada sobre a sexualidade humana, no contexto da sublime comparação em que o marido é comparado a Cristo e a mulher à Igreja. Quando o autor deseja descrever o amor que Cristo tem pela Sua Igreja, ele se volta para o amor heterossexual do marido e da mulher. [Efésios 5.25,28]."[3]
Em outras palavras, as Escrituras estão impregnadas com premissas concernentes à adequação da heterossexualidade; por comparação, a homossexualidade está conspicuamente ausente exceto quando se trata de condenação.

Quinto, a homossexualidade distorce a imagem de Deus.

Gênesis 1.27 ensina claramente que a imagem de Deus compreende tanto macho e fêmea – uma complementaridade que é eterna e existirá para sempre. Afirmar que a homossexualidade é bíblica e normal é distorcer a imagem de Deus e, conseqüentemente, insultar a natureza e o próprio Ser de Deus.
Ao entendermos o propósito divino da criação e o fato de que a criação reflete o próprio Ser de Deus, podemos entender mais claramente as razões para as condenações bíblicas da homossexualidade moderna e porque elas são tão rígidas.

O que 2 Pedro 2.1-10 e Judas ensinam a respeito do estilo de vida homossexual?

Essas passagens estão repletas de referências ao homossexualismo e, implicitamente, também ao movimento homossexual cristão. As passagens paralelas ao trecho de Romanos são dignas de nota. Em 2 Pedro 2, observe que o contexto envolve "falsos mestres entre vós" (i.e. dentro da igreja) que ardilosamente introduzem "heresias destrutivas" até mesmo negando o Mestre (Jesus) que os comprou. Note, além disso, que muitos seguirão sua "sensualidade" (v. 2) ou "caminhos vergonhosos", e por causa de tais mestres o caminho da verdade será "difamado" ou distorcido.
Tais pessoas são consideradas como repletas de ganância e descritas como sendo aquelas que exploram os cristãos com "palavras falsas" (v. 3) ou "fábulas".
Até aqui, a passagem é aplicável tanto a homossexuais quanto a "homossexuais cristãos" que promovem os tipos de argumentos que temos considerado no livro Os Fatos Sobre a Homossexualidade. Note também que nessa passagem é a homossexualidade que é diretamente citada como ilustração de todos acima. Sodoma e Gomorra são mencionadas especificamente por terem sido destruídas como "um exemplo para aqueles que viessem a viver vidas impiedosas depois disso."

O livro de Judas continua a rejeitar a homossexualidade:

"Como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregue à prostituição como aqueles seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição... Ora estes da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como rejeitam governo e difamam autoridades superiores... Estes, porém, quanto a tudo que não entendem, difamam... Estas são as coisas que os destroem... São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito" (Judas 7-19).
Essas palavras dispensam qualquer explicação e requerem pouco comentário.
Examinamos os principais e mais explícitos versículos das Escrituras relacionados ao homossexualismo. Aquele que afirma que a questão bíblica contra a homossexualidade é baseada em alguns textos "isolados" e "obscuros", simplesmente não entende o peso desses trechos das Escrituras. Além dos versículos acima, há um grande número de versículos adicionais que são aplicáveis às práticas homossexuais apesar do termo em si não ser usado (por exemplo, Romanos 6.11-21; Romanos 12.1-2; 1 Coríntios 6.19-20: Filipenses 1.20; Colossenses 3.5-8, Apocalipse 21.8).

Como se pode deixar o estilo de vida homossexual?

Deixar o estilo de vida homossexual pode ser relativamente fácil ou difícil, dependendo de diversos fatores. O passo mais importante é este – aceitar que o estilo de vida homossexual é moralmente errado e resolver mudar. Como comentamos no livro "Os Fatos Sobre a Homossexualidade", a mudança é claramente possível para homossexuais que queiram mudar, e Deus concederá graça e poder àqueles que se voltarem para Ele com fé, desejosos de agradá-lO com seu comportamento sexual. Nesse caso, a chave é uma oração de arrependimento diante de Deus, resolvendo deixar o estilo de vida homossexual, o incentivo e o aconselhamento daqueles que já fizeram isso.

O MOSES - Movimento Pela Sexualidade Sadia é uma importante organização dedicada a ajudar homens e mulheres homossexuais durante a transição para um estilo de vida celibatário e a transição para a heterossexualidade.

Para aqueles que verdadeiramente desejam deixar o estilo de vida homossexual, nós recomendamos a seguinte oração:

Querido Deus:
Eu agora reconheço que a minha homossexualidade tem Te desagradado. Confesso meu pecado diante de Ti e peço o Teu poder e Tua graça para deixar o meu estilo de vida anterior, de forma final e completa. Entendo que o Senhor é Santo e que meu pecado me separou de Ti. Portanto, agora recebo a Cristo como meu Senhor e Salvador pessoal, crendo que Ele morreu na cruz por todos os meus pecados e que ressuscitou dentre os mortos ao terceiro dia. Agradeço-Te que, pela fé no Teu Filho, posso agora saber que todos os meus pecados foram perdoados, – passados, presentes e futuros. Não preciso mais temer o Teu julgamento por causa do que Cristo consumou na cruz. Com a Tua ajuda, eu agora resolvo buscar qualquer ajuda e aconselhamento necessários para obedecer à Tua vontade para a minha vida. Em nome de Jesus, amém.
Aqueles que fizeram essa oração devem entender que a entrega a Cristo é um assunto sério e envolve fazer dEle o Senhor de cada área de sua vida. Vocês devem saber também que inclinações para o mesmo sexo podem, mas provavelmente não vai, cessar automaticamente. O pecado da homossexualidade é igual a qualquer outro pecado sexual e requer tempo e paciência para ser vencido. Outro passo importante é um rompimento explícito e permanente de todos os laços com a comunidade homossexual, incluindo, se necessário, todas as amizades anteriores. Nenhuma brecha de tentação deve ser permitida. Toda rejeição ao pecado equivale à auto-negação e, é claro, é algo doloroso, mas o simples fato da dificuldade não nos isenta da responsabilidade diante de Deus de amá-lO como Ele nos amou. Milhares de homens e mulheres gays testemunharam que existe vitória – vitória completa – e aqueles que acabaram de começar seu novo estilo de vida devem ser encorajados por esse fato. (John Ankerberg e John Weldon - http://www.chamada.com.br/)

Notas:
1. John Stott, “Homosexual Partnerships”, Involvement, vol. 2, p. 226.
2. Veja John Ankerberg e John Weldon, Os Fatos Sobre Criação e Evolução (Obra Missionária Chamada da Meia-Noite, 1995).
3. John F. Harvey, The Homosexual Person (San Francisco: Ignatius, 1987), p. 95-97

Extraído do livro Os Fatos Sobre a Homossexualidade.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Aula 06 - A IMPORTANCIA DA DISCIPLINA NA IGREJA

Texto Base: Atos 5:1-11

“Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos”(Hb 12:8)


INTRODUÇÃO

O mandato bíblico referente à disciplina na igreja é encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18:15-17) e nos escritos de Paulo (1Co 5:1-13). Também, há clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua eficiência espiritual, mas sua própria existência. A igreja sem disciplina é uma igreja sem pureza (Ef 5:25-27) e sem poder (Js 7:11-12a). A igreja de Tiatira foi repreendida devido à sua flexibilidade moral (Ap 2:20-24). Uma igreja sem disciplina torna-se um empecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é clara à luz de 1Co 5:12-13. O evangelismo é dirigido aos que estão fora dos portões da igreja e que estão escravizados pelo pecado. A disciplina é dirigida àqueles que estão dentro dos portões da igreja e que estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim, ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretização do triunfo histórico da graça sobre o pecado na vida do mesmo (Rm 6:1-23). Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida, ou rejeitada, pelos seus próprios membros. Há pouca vantagem em uma igreja que tenta vencer o mundo se ela já tem se rendido ao mundo. Mostram as Escrituras que sem o exercício da disciplina, jamais alcançaremos o alvo que nos traçou Deus através de Cristo: a estatura de um ser humano perfeito(o que acontecerá no último processo da salvação: a glorificação) como perfeito era Adão antes de haver transgredido a lei divina.

I. A DISCIPLINA E SUA NECESSIDADE

A disciplina objetiva evitar que um erro seja repetido. Uma pessoa sem disciplina não consegue entender seus próprios limites, nem a consequencia de seus atos. Disse o sábio Salomão: “O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga”(Pv 13:24). Disciplinar é, antes de tudo, ensinar, para depois cobrar o que foi ensinado.
1. Definindo a disciplina. “Disciplina”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “o ensino e educação que um discípulo recebe do mestre”, “obediência às regras e aos superiores”; “regulamento sobre a conduta dos diversos membros de uma coletividade, imposto ou aceito democraticamente, que tem por finalidade o bem-estar dos membros e o bom andamento dos trabalhos”; “ordem, bom comportamento”; “obediência a regras de cunho interior; firmeza, constância”.
Embora o cristão esteja livre por força da obra redentora de Cristo no Calvário, a liberdade tem, como correspondente necessário, a responsabilidade. Jesus, mesmo, ensinou-nos que, para segui-lo é necessário, antes, renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz (Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; 14:27), ou seja, a liberdade que há em Cristo exige uma disciplina, uma conduta, pois não fazemos o que queremos, mas cumprimos a vontade do Senhor.
É interessante observar que os seguidores de Jesus são chamados de “discípulos”, ou seja, “alunos”, “aprendizes”, mas a palavra “discípulo” está diretamente relacionada com a palavra “disciplina”. Servir a Jesus, portanto, é sujeitar-se a uma disciplina, a um regulamento, a um modelo, é obedecer a uma série de preceitos, sem os quais não se atingirá o objetivo da nossa fé no Senhor, que é a salvação de nossas almas (1Pe 1:9). O Senhor deixou claro que a sujeição a esta conduta é a característica do discípulo (Lc 14:27).
2. A disciplina no Antigo Testamento. Segundo alguns estudiosos, o termo “disciplinar” no Antigo Testamento, em hebraico é yãsar e significa repreender, instruir, e os seus derivados são: yissôr aquele que reprova, e – mûsãr que quer dizer disciplina. Os termos yãsar e mûsãr demonstram a correção que resulta em educação. Esses dois termos quando aplicados à disciplina de Deus em relação ao seu povo demonstram a correção de um pai amoroso ao filho que precisa mudar para que não venha a cair no erro a todo instante. Cremos que a disciplina do Antigo Testamento é considerada como educação teocêntrica, que parte do Deus amoroso para com os seus filhos pecadores.
Podemos dizer também que no Antigo Testamento a disciplina refere-se à instrução com o intuito de guiar alguém à conduta. Em Provérbios, Salomão deixa isto bem claro quando diz: “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão”(Pv 3:11). Moisés também, ao falar sobre a disciplina do Senhor como forma de instrução, registra em Deuteronômio 11:2: “Não falo com os vossos filhos que não conheceram nem viram a disciplina do Senhor vosso Deus...”. Temos também o Livro dos Salmos que cita a disciplina como forma de instrução para que o servo de Deus não se desvie dos Caminhos Santos. O Salmo 50:16 e17 diz: “De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeita as minhas palavras?”.
Vemos que, a disciplina do Senhor visava sempre o bem, e nesses textos que lemos, vimos que, os que não acatam a disciplina do Senhor, não podem ser considerados seus servos, não fazem parte do seu povo santo e separado.
Os santos do Antigo Testamento, em sua peregrinação rumo à Jerusalém Celeste, disciplinavam-se de tal forma que, ousada e bravamente, venceram um mundo comprometido com o maligno. Quando lemos o capítulo 11 de Hebreus, fascinamo-nos, de imediato, por aqueles homens e mulheres que, na marcha para os céus, operaram o impossível. O segredo? A disciplina da piedade.
3. A disciplina em o Novo Testamento. Em o Novo Testamento, a palavra “disciplina” aparece em Cl 2:23 traduzindo a palavra grega “apheidia”, cujo significado é “severidade”, “tratamento duro”, expressão que o apóstolo aplicara para as práticas ascéticas seguidas pelos gnósticos que estavam perturbando a igreja em Colossos. Já em Hb 12:8, a palavra “disciplina” traduz a palavra grega “paidéia”, palavra que corresponde ao hebraico “mûsãr” e cujo significado é “instrução”, “disciplina”, “castigo”. No texto em apreço, o escritor aos hebreus faz questão de mostrar aos servos de Deus que o Senhor nos mantém sob disciplina porque nos ama, porque faz parte do real e verdadeiro relacionamento com Deus a manutenção de uma vida regrada, de uma vida disciplinada.
A Cabeça da Igreja, o Senhor Jesus, foi quem instituiu a disciplina na Sua Igreja com o objetivo de restringir o pecado na vida do crente, de modo que o servo venha a ser obediente à Palavra do seu Senhor. No Evangelho segundo Mateus, o próprio Jesus dá aos discípulos o poder de aplicar a disciplina quando disse: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 8:15-18). Nesse texto, vemos como a disciplina deve ser aplicada e como deve ser o seu procedimento.
Exemplos de punições aplicadas no Novo Testamento são os casos de Ananias e Safira em Atos capítulo 5, e o caso do mágico Simão(Atos 8:24).
Portanto, quando falamos de disciplina na Igreja é transmitida a mesma idéia: fazer com que o cristão se mantenha nos caminhos do Senhor, a fim de que o mesmo não transgrida os preceitos colocados por Deus na sua Santa Palavra. Caso haja a transgressão, é necessária a aplicação da disciplina. Cremos que muitas igrejas, atualmente, estão em ruína, porque não tem dado o devido valor à Palavra do Senhor.
Atualmente, devemos, como nunca, procurar aprender com o Senhor, mantendo com Ele um contínuo diálogo mediante a leitura e meditação da Palavra e a oração, para que, pelo Espírito de Deus, compreendamos o desejo, a vontade de Deus para as nossas vidas e para que ajamos cada vez mais como verdadeiros “cristãos”, ou seja, “parecidos com Cristo”. Foi esta semelhança que fez com que os habitantes de Antioquia denominassem os discípulos de cristãos(At 11:26).
Não se compreende, pois, que pessoas queiram servir ao Senhor Jesus, digam-se “crentes” na atualidade, mas não têm qualquer interesse em aprender de Jesus, nem sequer fazem uma leitura devocional diária das Escrituras Sagradas. Tais pessoas são “sem disciplina” e, por isso, não podem ser consideradas como verdadeiros “discípulos” do Senhor.
4. Símbolos (figuras) das disciplinas da vida cristã. Nas Escrituras Sagradas, o cristão é apresentado por três figuras que bem explicam o caráter indispensável da disciplina na vida espiritual: o soldado, o atleta e o agricultor. Todos estes evidenciam, em suas atividades, a necessidade da disciplina na vida diária de cada crente.
a) A disciplina do crente como soldado – “Sofre comigo como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”(2 Tm 2:3,4).
A imagem do soldado com a do cristão disciplinado é extremamente apropriada, porquanto o Senhor, quando disse que iria edificar a sua igreja, disse que ela estaria em constante luta contra os poderes do mal (Mt 16:18). A vida espiritual sobre a face da Terra, portanto, é caracterizada por uma constante luta entre os servos de Deus e o inimigo de nossas almas, uma luta que é muito mais difícil e renhida do que a luta entre os homens, pois não envolve a carne e o sangue, mas as hostes espirituais da maldade (Ef 6:12).
O apóstolo Paulo bem afirmou que o cristão, consciente desta sua condição de soldado, deve ter a armadura de Deus, descrita em Ef 6:13-17, devendo estar treinado para delas usar em qualquer ocasião, bem como que mantenha uma boa forma, o que se faria por meio da oração, da vigilância e da perseverança (Ef 6:18). Portanto, assim como o soldado, deve o cristão, na sua vida diária, manter uma disciplina, um modo de viver que o permita lutar contra o inimigo a qualquer instante.
b) A disciplina do crente como atleta(ler 1Co 9:24-27). Um atleta, para poder ter chance de vencer uma competição, precisa dirigir sua vida tendo em vista única e exclusivamente o prêmio que pretende conquistar. Como vemos todos os dias, os grandes atletas estabelecem uma maneira de viver levando em conta tão somente os objetivos a que se propôs. Tem uma alimentação dirigida para a sua atividade esportiva, um período de sono também relacionado com sua atividade, um cronograma extremamente rigoroso, onde cada ação sua tem em vista tão somente a competição, a obtenção do prêmio.
O cristão, assim como o atleta, tem de se abster de tudo aquilo que possa comprometer a sua forma espiritual, de tudo quanto possa fazer com que o seu rendimento não o permita alcançar a vitória. Muitos cristãos, entretanto, assim como muitos atletas, deixam-se envolver pelas coisas desta vida, pelas distrações e acabam perdendo a sua forma espiritual, deixam de render e fracassam as suas carreiras, seguindo o triste exemplo de Demas (2Tm 4:10).
c) A disciplina do crente como agricultor. O agricultor é uma pessoa paciente. Ele espera o precioso fruto da terra e, por isso, é dotado de paciência(Tg 5:7), pois sabe que a frutificação não está sob seu controle, mas, sim, sob o controle do Senhor. Esperar com paciência no Senhor é algo que somente o verdadeiro cristão disciplinado tem condições de fazer. O salmista afirma que o fazia porque havia, realmente, tido uma transformação de vida (Sl 40:1-3). O exercício da paciência ao modo do agricultor faz com que se alcance a bem-aventurança, pois, como afirma o salmista, é “bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e que não respeita aos soberbos nem os que se desviam para a mentira” (Sl 40:4).
Nos dias em que vivemos, a característica não é a paciência, mas, sim, o imediatismo. As pessoas exigem que tudo aconteça já e não são poucos os que “exigem” de Deus esta prontidão, esquecendo-se que uma vida cristã disciplinada, de acordo com a vontade de Deus, é comparada ao agricultor, que tem na paciência, na espera da chuva serôdia e temporã, o segredo da sua vitória, de seu êxito, de sua frutificação. É bom ressaltar que sem fruto, o crente é cortado da videira verdadeira (João 15:4,6).

II. A OFERTA DE ANANIAS E SAFIRA

Ananias e Safira parecem ter se impressionado com a generosidade de Barnabé e outros(Atos 4:36,37). Talvez desejassem receber o louvor dos homens por um ato semelhante de bondade. Por essa razão, venderam uma propriedade e deram parte da renda aos apóstolos. O pecado deles foi terem dito que haviam dado tudo, quando, na verdade, entregaram apenas parte do dinheiro. Eles fingiram uma entrega total quando, na realidade, tinham retido uma parte. Por meio do dom de discernimento do Espírito, Pedro percebeu toda a mentira deles e veio um repentino juízo divino sobre o casal. Pedro acusou Ananias e sua esposa de mentir não apenas aos homens, mas também ao Espírito Santo. Ao mentir ao Espírito Santo, Ananias e Safira mentiram a Deus, pois o Espírito Santo é Deus.
1. O pecado contra o Espírito Santo e a Igreja. Os pecados mais evidentes contra o Espírito Santo são os seguintes: Resistir ao Espírito Santo; Entristecer; Mentir; Extinguir; Agravar e Blasfemar contra o Espírito Santo. Os dois últimos são os considerados imperdoáveis, porque são praticados de forma voluntária e dirigidos diretamente à Pessoa do Espírito Santo. Quem o disse foi o próprio Jesus, no episódio narrado nos evangelhos de Mateus(Mt 12:31) e de Marcos, e cujo ensinamento foi mencionado também no evangelho de Lucas, quando os fariseus disseram que Ele expulsava demônios pelo príncipe dos demônios. Além desta passagem dos evangelhos, o escritor aos hebreus também nos fala a respeito deste pecado(Hb 10:29), demonstrando, também, ao longo de sua epístola, que não há possibilidade de redenção para quem, voluntariamente, já tendo sido alvo da graça salvadora de Deus na pessoa de Cristo Jesus, vier a pecar de modo deliberado, agravando o Espírito da graça.
O pecado de Ananias e Safira foi a hipocrisia, a mentira. Este pecado está categoricamente exemplificada na passagem em que Pedro, pelo Espírito Santo, denuncia a mentira de Ananias e Safira: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?" (At 5:3). A atitude deste casal foi qualificada pelo apóstolo Pedro como mentira ao Espírito Santo. Neste caso, temos uma deliberada ação de desprezo e de irreverência em relação ao Espírito Santo.
Segundo Stott, “à primeira vista, não havia nada de errado em ficar com parte do dinheiro da venda. Como Pedro disse mais tarde, claramente, a propriedade era deles, tanto antes como depois da venda(ver Atos 5:4). Eles não tinham a obrigação de vender a terra, nem de, após vende-la, doar uma parte do dinheiro da venda e, muito menos, todo ele. Entretanto, a história não está completa. Existe outra coisa, algo meio obscuro. Pois, ao declarar que Ananias reteve parte do dinheiro, Lucas emprega o verbo nosphizomai, que significa ‘apropriar-se indevidamente’. A mesma palavra foi usada na Septuaginta em relação ao roubo de Acã, e na única outra ocorrência do Novo Testamento, esse verbo significa roubar. Devemos, portanto, pressupor que, antes da venda, Ananias e Safira assumiram algum tipo de compromisso no sentido de darem à igreja todo o dinheiro. Por causa disso, quando trouxeram apenas parte do valor, em vez de tudo, eles se tornaram culpados de apropriação indébita”.
Contudo, diz Stott, “Pedro não denunciou a falta de honestidade (trazer apenas uma parte do dinheiro da venda), mas a falta de integridade (trazer apenas uma parte, fingindo que era todo o dinheiro). Eles não eram avarentos; eram ladrões e – sobretudo – mentirosos. Queriam o crédito e o prestígio da generosidade sacrificial, sem terem que arcar com as inconveniências. Assim, a fim de conquistar uma reputação à qual não tinham direito, contaram uma mentira deslavada. A motivação do casal, ao dar, não era aliviar os pobres, mas inflar o próprio ego”.
Ananias e Safira deixaram-se influenciar pelo adversário de nossas almas que encontrou ocasião para encher o coração daquele infeliz casal, a tal ponto que ambos entenderam não haver problema algum em mentir sobre o preço da herdade diante das autoridades constituídas sobre a Igreja. É interessante observar que, quando a Bíblia nos fala a respeito de Judas Iscariotes, diz que o diabo havia entrado em seu coração(Lc 22:3) e, em outra passagem, que havia posto no coração o desejo da traição (João 13:2), mas, com relação a Ananias e a Safira, é dito que o coração deles foi cheio por Satanás, a demonstrar, portanto, como era funesta a situação espiritual daquele casal, bem pior que a do próprio traidor do Senhor.

III. O EXTREMO DA DISCIPLINA

1. A sentença de morte. Quem mente ao Espírito Santo, menospreza a sua deidade; Ele é Deus (vv.3,4). Como Pessoa da Santíssima Trindade, Ele é onisciente, onipresente e onipotente. Isso significa que o Espírito Santo tudo sabe e tudo conhece. Logo, mentir e tentar o Espírito do Senhor (v.9), é testar a tolerância de Deus, isto é, pecar até enquanto Deus suportar. Ver Nm 14.22,23; Dt 6.16; Mt 4.7.
O resultado de uma tal conduta é terrível. Ananias e Safira morreram fulminados, o que gerou grande temor em toda a igreja e em todos que ouviram o que havia acontecido (At 5:11). Nos nossos dias, como não tem havido a morte física daqueles que assim agem, há muitos que não demonstram o mesmo temor da igreja primitiva, e assim tem-se visto a morte espiritual de muitos que assim têm se comportado, como dão conta os diversos e cada vez mais numerosos escândalos que têm ocorrido nas igrejas locais.
Vivemos tempos trabalhosos (2Tm 3:1), tempos em que há multiplicação do pecado (Mt 24:12), tempos de escassez de fé na Terra(Lc 18:8). São dias em que há falta de temor por parte de multidões que, insensibilizadas pelos seus pecados, tornam-se indiferentes ao Espírito Santo, a ponto de deixarem seus corações se encher de Satanás e de mentirem deliberadamente contra o Espírito Santo.
2. A maldição é retirada do arraial dos santos. A prática de Ananias e Safira se assemelha à de Acã (Josué 7), ocorrida logo no início da entrada de Israel na terra prometida (Canaã). O comportamento hipócrita desse casal foi mais um exemplo da estratégia de Satanás para destruir a comunhão e pureza espiritual da igreja. Alguém disse que a história de Ananias é para o livro de Atos o que a história de Acã é para o livro de Josué. Em ambas as narrativas, uma mentira interrompe o progresso vitorioso do povo de Deus.
Segundo John Stott, “se a hipocrisia de Ananias e Safira não tivesse sido exposta e castigada publicamente, o ideal cristão de uma comunhão aberta não teria sido preservado, e a afirmação atual: ‘existem tantos hipócritas dentro da Igreja’ teria sido ouvida desde o inicio”.
Recordando: O capítulo 7 do livro histórico de Josué trata do assunto do pecado de Acã. Espias foram enviados para fazer o levantamento estratégico de como seria a batalha (Js 7:2). O efetivo foi numerado e enviado a guerrear (v.3). O combate contra a cidade de Ai foi um desastre, com baixa de cerca trinta e seis hebreus (vs 4-5). Josué quis saber o porquê (vs.6-9). Deus havia feito garantias a Josué (Js 1:5). “Israel pecou”, disse Deus; transgrediu, furtou e mentiu; escondeu objetos proibidos (vs.10-11). Deus exigiu conserto urgente, sob pena de não mais estar com Israel (vs.12-13). O pecado faz separação entre a pessoa e Deus(Is 59:2). O Senhor Deus coordenou o processo da descoberta e revelação do transgressor (v.14); e sentenciou o culpado à pena de morte (v. 15). Acã admitiu que pecou contra Deus: cobiçou uma capa babilônica, duzentos ciclos de prata e uma cunha de ouro; tomou-os e escondeu em sua tenda(vs. 20-21). Tudo o que estava escondido foi trazido e apresentado por Josué a Deus(vs 22-23). “Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos”(Hc 2: 9). Hoje, a capa babilônica representa a sensualidade; a prata, a ambição desmedida e a cunha, o orgulho. Estes males traiçoeiros só vistos e sentidos por aqueles que são vigilantes em Cristo Jesus.
Acã, da tribo de Judá, quebrou o mandamento do Senhor. Apoderou-se de bens valiosos, o que não foi permitido por Deus, quando da queda dos muros de Jericó. Assim como uma pequena enfermidade leva à morte, o pecado de Acã o levou ao abismo.
Dê graças ao Senhor porque Ele não age mais como fez como Acã e com o casal Ananias e Safira, mas não brinque com Ele, porque é horrível cair nas mãos do Deus vivo (Hebreus 10:31). Tratemos de levá-lo a sério.

CONCLUSÃO

A disciplina é uma necessidade essencial na vida da Igreja Cristã, pois se a Igreja deseja ter alguma influência neste mundo deve purificar-se, aplicando a Disciplina Bíblica, obedecendo ao Senhor e estando mais saudável diante do seu Rei. Oremos! Adoremos a Deus! Leiamos a Bíblia!. Sejamos, pois, disciplinados como o soldado, o atleta e o agricultor. Sem disciplina, não poderemos jamais agradar ao que nos arregimentou para o seu exército.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Novo Testamento)
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Antigo Testamento)
John Stott – A mensagem de ATOS(Até os confins da Terra)
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.
Claudionor de Andrade - As disciplinas da vida Cristã

domingo, 23 de janeiro de 2011

Aula 05 - SINAIS E MARAVILHAS NA IGREJA

Texto Base: Atos 3:1-26

“E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos”(At 2:43).

INTRODUÇÃO

O Senhor Deus, no desenrolar da história do povo escolhido, manifestou-se e manifesta-se poderosamente, em algumas situações de forma direta e em outras, através de homens santos. Milagres, sinais e obras poderosas testemunharam e testemunham o poder soberano do Todo Poderoso, chamando o povo a adorá-lo e a servi-lo. Através dos sinais e maravilhas o Eterno mostra-se como o Todo Poderoso, não deixando margens para dúvidas ou questionamentos. Os sinais e maravilhas são uma demonstração de que Deus não só existe, é distinto da sua criação, como também é um participante dela. Eles mostram a participação divina na criação e, mui especialmente, na vida dos seres humanos, a coroa da criação terrena. São uma prova do desejo de Deus de nos fazer companhia e de estabelecermos com Ele um relacionamento pessoal e eterno. Se a mensagem da salvação é válida para hoje, os milagres também o são. Lembremos que Jesus ensinou a continuidade dos milagres (João 14:12).

I. SINAIS E MARAVILHAS, A AÇÃO SOBRENATURAL DA IGREJA

As ações sobrenaturais, sinais e maravilhas, foram-nos dados para vermos a manifestação da glória de Deus Pai e do Senhor Jesus.
Pouco antes de ser preso e morrer por nós, o Senhor fez questão de ensinar aos seus discípulos a respeito do Espírito Santo, o outro Consolador, que continuaria a obra do Senhor aqui na Terra, juntamente com a Igreja(João 14.25,26; Lc 24.49). Jesus, em seus ensinos sobre o Espírito Santo, foi claro ao mostrar que o Espírito Santo prosseguiria a sua obra, não só no que se refere ao convencimento dos pecadores, mas também no que concerne à operação de sinais e maravilhas que confirmassem a palavra que seria pregada.
1. O que são Sinais e Maravilhas? São intervenções divinas sobre as leis da natureza. Estas intervenções revelam o poder de Cristo sobre as enfermidades, a natureza, a morte, o Inferno e o Diabo. Em cada prodígio ocorre uma alteração na ordem natural do Universo. De acordo com as Escrituras, esse modo de Deus manifestar-se é um ato de sua soberana vontade e, sob certos aspectos, está sujeito à fé daquele que espera pelo socorro celestial (Mc 11:23, 24; João 11:40).
Por que os sinais e maravilhas, que, também, chamamos de “milagres”, são acontecimentos que causam admiração? Porque são fatos incomuns. São fatos que fogem à explicação das leis naturais. São ocorrências difíceis de explicar, que aparentemente contradizem a ordem natural das coisas. Por isso, os sinais e maravilhas são uma demonstração de que Deus criou o mundo, não se confunde com a sua criação e, além disso, participa desta criação, fazendo intervenções que modificam as leis por Ele mesmo estabelecidas, quando isto é da sua vontade e atende aos seus sublimes propósitos.
Usando de argumentos aparentemente lógicos, muitos dizem não ser possível a existência de milagres, pois, sendo Deus imutável e não contradizente, não poderia mudar as leis que criou. Se o milagre é uma mudança, uma alteração das leis da natureza, um acontecimento extraordinário, fora do normal, tem-se que não pode existir, diante da imutabilidade de Deus. Assim, ou o milagre é um acontecimento natural, que o homem não tem conhecimento suficiente para explicar ou, então, é apenas uma fantasia, uma ilusão, pois Deus não pode negar-se a Si mesmo e, portanto, não pode modificar as leis que criou, dizem.
Este argumento, que não é novo, mas se encontra muito em voga em nossos dias, notadamente naquilo que o pastor Ciro Sanches Zibordi denominou de “evangelho filosófico” e “evangelho teologicocêntrico”, embora tenha a sua lógica, não corresponde à verdade dos fatos.
Por primeiro, a própria ciência admite a sua insuficiência e precariedade, tanto que muitos filósofos da ciência estão a dizer que a “verdade científica” é, por natureza, “provisória”. Se assim é, não há como considerar que a ciência possa invalidar os milagres ou negá-los, se admite a sua própria ignorância sobre tudo o que ocorre no universo. Como dizia Shakespeare, “há entre os céus e a terra mais mistérios do que possa imaginar a nossa vã filosofia”. Assim, como considerar que os milagres não existem porque não se podem violar as leis naturais, se nem conhecemos estas mesmas leis?
Por segundo, este raciocínio parte do princípio de que Deus não pode mudar as leis que estabeleceu, como se a criação não tivesse como pressuposto o fato de que o Criador é o dono da criação (Sl 24:1). Ora, a soberania divina não pode ser anulada pelo Senhor, pois Ele não pode negar-Se a Si mesmo (2Tm 2:13).
Portanto, a intervenção de Deus na criação é sempre uma possibilidade, pois Deus está acima da criação, visto que ela lhe é sujeita (1Co 15:27,28). Deus tem propósitos que, ou nos são revelados, ou permanecem ocultos para nós, mas o fato é que, para cumpri-los, mantendo a Sua fidelidade e senhorio, sem qualquer dificuldade altera as leis naturais, pois acima delas está o caráter divino e a Sua soberania. Tanto assim é que este universo desaparecerá (Ap 21:1), para que o Senhor cumpra o Seu propósito de habitar com os homens num ambiente sem qualquer injustiça (Ap 21:3).
2. Objetivos do Milagre. Os milagres estão diretamente ligados com a obra salvífica de Cristo e tem a função de confirmar a palavra que é pregada pelos mensageiros do Senhor. Destacamos alguns objetivos do milagre:
a) Glorificar o nome de Jesus. Na luta diária contra as hostes espirituais da maldade (Ef 6:12), contra as portas do inferno (Mt 16:18), a Igreja não pode apenas viver dos registros constantes das Escrituras, mas tem de sentir a glorificação presente e atual de Jesus através da operação de poder pelo Espírito Santo, que foi derramado sobre a Igreja, entre outras coisas, precisamente para glorificar o nome de Jesus (João 16:14). Uma das formas de glorificação é a realização de sinais e maravilhas, quando o Pai é glorificado no Filho (João 14:13,14).
b) Mostrar aos homens que a salvação é feita mediante a fé. O milagre é uma forma perceptível de demonstração de que a fé é o meio pelo qual alguém obtém os benefícios da parte de Deus, notadamente o do estabelecimento de uma comunhão com Ele por meio do perdão dos pecados. Não é por outro motivo, aliás, que Tiago afirma que a cura divina feita mediante a unção com óleo pelo presbítero da igreja ao crente doente significa, também, o perdão dos pecados eventualmente cometidos (Tg 5:14,15).
O maior milagre do ministério de Jesus, qual seja, a ressurreição de Lázaro, é uma comprovação de que um dos intuitos dos milagres era despertar a fé salvadora no povo, pois as Escrituras registram que muitos creram que Jesus era o Messias ao verem Lázaro ressuscitado depois de quatro dias em que esteve sepultado (João 12:11,12).
c) Autenticar a mensagem de Cristo. Após sua ressurreição e subida aos Céus, seus discípulos deram prosseguimento à proclamação do Reino de Deus e, sem dúvida, os milagres tiveram uma participação ativa nessa proclamação. Marcos, ao fim do seu Evangelho, conta que quando os discípulos pregavam, o Senhor cooperava com eles realizando milagres e dando validade à pregação, pois o poder de Deus era demonstrado junto com as palavras - “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém”(Mc 16:20).
Lucas, narrando a história dos Atos dos Apóstolos, diz que os discípulos “detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios”(At 14:3).
O milagre não tem por objetivo criar um espetáculo. Observe que os milagres não davam testemunho dos apóstolos e sim do Senhor Jesus e da sua mensagem. Somente os que buscam a própria gloria transformam os sinais e maravilhas em um show (é o que estamos vendo hoje em muitas igrejas). Para esses, Jesus tem um recado: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”(Mt 7:22,23).
3. Os milagres apostólicos. Muitos milagres de cura e ressurreição de mortos foram realizados pelos apóstolos mediante o poder do Espírito Santo (At 3.6-9; 9.33-41; 14.8-9; 20.9,10). Estas maravilhas não cessaram com a morte daqueles abnegados servos do Altíssimo, mas continuam acontecendo no seio da igreja contemporânea (Mc 16.17,18; Jo 14.12; 11.40).
Entre os sinais e maravilhas apresentados no livro de Atos, destacamos:
a) Curas. Houve diversas curas entre os cristãos da Igreja Primitiva. Entendemos que as doenças são, de forma direta ou indireta, fruto do pecado na humanidade, mas também cremos que Deus é glorificado na cura das pessoas que dela precisam. Lucas nos mostra diversos exemplos de curas ocorridas no livro de Atos, como a que foi realizada por Pedro e João ao coxo à Porta do Templo(At 3:1-10); Enéias, habitante de Lídia, paralítico, foi curado quando Pedro o visitou(At 9:32-34). Em Samaria, muitos paralíticos e coxos foram curados após a pregação de Filipe, e muitos endemoninhados eram libertos(At 8:5-7). A cura de aleijado, através do apóstolo Paulo, em Listra(At 14:10). A cura da pitonisa em Filipos(At 16:18). Sem falar dos prodígios e grandes sinais realizados através de Estevão(At 6:8).
Os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas, como a sombra de Pedro que curava os doentes(Atos 5:15), bem como o poder curador dos lenços e aventais de Paulo(Atos 19). Mas é bom ressaltar que os lenços e aventais de Paulo e a sombra de Pedro, só foram empregados para mostrar o extraordinário poder de Deus sobre tais homens. Quando refletimos no fato de que somente coisas pessoais dos apóstolos foram usadas, perguntamo-nos se nossos objetos pessoais teriam o mesmo poder. A resposta humilde deve ser "não". Os apóstolos foram pessoas especiais e pertenceram a uma época especial e única dentro da história da revelação.
b) Ressurreição. A morte é chamado por Jó de “rei dos terrores”(Jó 18:14). É um destino do qual não podemos fugir, exceto aqueles que estiverem vivos por ocasião do arrebatamento da Igreja. Atos nos mostra que sinais e maravilhas incluem a ressurreição dos mortos. Dorcas, uma cristã que residia em Jope, adoeceu e morreu, mas foi ressuscitada pelo Senhor após Pedro orar. Esse fato foi tão notório em Jope que muitos creram no Senhor(At 9:42). Quando Paulo pregava em Trôade, um jovem de nome Êutico caiu da janela do cenáculo e morreu, mas foi trazido de volta à vida por meio da oração do apóstolo(At 20:7-13).
c) Livramento sobrenaturais. O livro de Atos nos mostra que a Igreja sofreu perseguição quando de seu nascimento. Mas Deus trouxe diversos livramentos aos seus servos. Os apóstolos foram presos pelo Sumo-Sacerdote(At 5:17-21), mas um anjo do Senhor os libertou da prisão e ordenou que fossem ao Templo para ensinar sobre Jesus. Herodes, por ocasião da Páscoa, prendeu Pedro, o qual foi entregue a 16 soldados, para que o guardassem(At 12:4), mas enquanto a Igreja orava, Deus enviou o seu anjo e trouxe outro livramento para o seu servo. Vemos também o livramento que Deus deu ao apóstolo Paulo, quando foi picado por uma serpente(At 28:5).
4. O cuidado com a supervalorização dos milagres. Conquanto Deus realize sinais e maravilhas através do seu povo santo, os mesmos não devem nortear a vida do crente. Sinais e maravilhas são feitos pelo Senhor, que utiliza a instrumentalidade humana para esse fim, mas isso não significa que eles são o indicativo para a orientação de Deus às nossas vidas. Há pessoas que se colocam como reféns de milagres, como se estes fossem o marco regulatório para a vida cristã, e não tomam nenhuma postura ou atitude na vida se não virem milagres à sua volta. Tais pessoas precisam aprender a crer que os milagres são parte do Evangelho, mas que a Palavra de Deus é que deve nortear a vida do crente. Os sinais seguem aqueles que seguem a Palavra de Deus, e não os que crêem seguem os milagres(Revista Ensinador Cristão – nº 45 – p.38).

II. O MILAGRE NA PORTA FORMOSA

Lucas iniciou o livro de “Atos dos Apóstolos” afirmando aos leitores que iria relatar o que Jesus continuou "a fazer e ensinar", apos a ascensão, através de seus apóstolos (1:1-2). Ele também disse que "muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos" (2:43). Agora ele fornece um exemplo especialmente dramático. Pedro e João subiam ao templo (3:1). Lucas não especifica a data (aconteceu um dia), mas a hora é as três da tarde, que é a hora da oração (3:1). Isso aconteceu pouco depois do sacrifício da tarde que era observado por todos os judeus piedosos e “tementes a Deus”. A chegada dos apóstolos ao templo coincidiu com a chegada de um coxo de nascença, que era levado ali, provavelmente por amigos ou parentes, para que pudesse pedir esmolas aos que vinham adorar e que pensavam (incidentalmente) que ganhariam algum mérito com isso.
O lugar do mendigo, diz Lucas, era a porta do templo, chamada Formosa (3:2). Os comentaristas normalmente a identificam com a porta de Nicanor, a entrada principal do lado oriental, que separava o recinto do templo do pátio dos gentios. O fato de Lucas denominá-la "porta Formosa" faz supor que era a porta feita de bronze coríntio, que Josefo descreveu como a que "superava grandemente as que eram apenas cobertas com ouro e prata". A porta media cerca de vinte e dois metros de altura e tinha enormes portões duplos. Mas, ao pé dessa magnífica porta, sentava-se o coxo a mendigar. Lembra-nos da pobreza e ignorância que sobejam à sombra das catedrais e da incapacidade dos sistemas eclesiásticos poderosos de ajudar os que sofrem de debilidades físicas e espirituais.
O interesse médico de Lucas parece ser revelado na breve análise clinica que ele nos dá: era um coxo de nascença; o homem agora tinha mais de quarenta anos (4:22); e era tão inválido que precisava ser carregado, de modo que o punham diariamente para pedir esmola aos que entravam (3:2). O homem coxo havia, evidentemente, perdido toda a esperança de ser curado e se contentava em pedir esmolas(3:3).
Em vez de considerar esse homem um pobre coitado, Pedro o viu como alguém em quem o poder de Deus poderia ser manifestado. Os apóstolos pararam, fitaram-no, e Pedro deu-lhe duas ordens, não com intuito de alardear a presença dele e de João, mas para chamar a atenção do mendigo. Primeira, Olha para nós (3: 4). Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma coisa (3: 5). Mas em sua segunda ordem, Pedro disse-lhe que tinha algo melhor do que dinheiro para oferecer: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (3:6). Como disse um pregador espirituoso: “O aleijado pediu uma esmola, mas recebeu pernas”.
Conta-se que Tomás de Aquino visitou o papa numa ocasião em que se estava realizando a contagem de uma grande soma em dinheiro. O papa disse em tom satisfeito: “Agora não precisamos mais dizer, como Pedro: ‘Não possuo nem prata nem ouro’!”. Aquino respondeu: “Vossa Santidade também não pode dizer, como Pedro, ‘Anda! ’ ”.
Enquanto recebia ajuda de Pedro para se levantar, o homem sentiu que seus pés e tornozelos, até então imprestáveis, se firmaram. Somos lembrados, mais uma vez, de que na vida espiritual ocorre uma mistura interessante de ação divina e humana. Pedro ajudou o homem a se levantar(3:7), e Deus realizou a cura. Devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance; então, Deus fará o que está além da nossa capacidade.
O milagre da cura foi imediato(3:8), e não gradual. Observe como o Espírito de Deus enche o relato de palavras de ação e movimento: “de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou [...] saltando”. Quando nos lembramos do processo lento e difícil pelo qual uma criança passa a fim de aprender a andar, percebemos como foi maravilhoso esse homem andar e saltar de imediato, pela primeira vez na vida. Esse milagre realizado em nome de Jesus foi mais um testemunho ao povo de Israel: O Messias crucificado por eles estava vivo e desejava curá-los e salvá-los.

III. O MILAGRE ABRE A PORTA DA PALAVRA

O mendigo era uma figura conhecida, haja vista que o mesmo ficava assentado à porta do Templo diariamente. Assim, a noticia da cura se espalhou rapidamente (3:9-10), e o povo não podia negar o milagre poderoso(At 4:16). Mas o que esse milagre significava? Significava uma excelente oportunidade para a pregação do Evangelho, de anunciar que Cristo é o Senhor, o Messias; que Ele cura, batiza e leva para o Céu! Pedro e João não se vangloriaram do milagre acontecido, não fizeram dele um espetáculo!
Enquanto o homem estava apegado a Pedro e a João, como se fossem seus médicos, todo o povo correu para a parte do Templo chamada de “pórtico [...] de Salomão”(3:11). Ao ver a perplexidade e admiração de todos, Pedro aproveitou para pregar o evangelho(Atos 3:12-26). Primeiro, Pedro muda o foco da atenção até então voltado para o homem curado e os apóstolos, pois a explicação para o milagre não se encontrava neles(3:12). Mais que depressa, ele apresenta o verdadeiro autor do milagre: Jesus, aquele que havia sido rejeitado, negado e morto pelos judeus(3:15). Deus o ressuscitou dentre os mortos e o glorificou no Céu. Pela fé em Jesus, o coxo havia sido curado de sua deficiência física(3:16).
O aspecto mais notável no sermão de Pedro é o seu fator cristocêntrico(ver 3:12-26). Ele desviou os olhos da multidão do coxo curado e dos apóstolos e os fixou em Cristo, a quem os homens haviam rejeitado, matando-o, mas a quem Deus vindicou, ressuscitando-o dentre os mortos, e cujo nome, uma vez adotado pela fé, era poderoso o bastante para curar completamente o homem.
Percebemos, portanto, que a tarefa evangelizadora da Igreja abrange não só a pregação do Evangelho, mas também a realização de sinais e maravilhas, cujo papel é confirmar a palavra que é pregada, sendo, como nos mostra Mc 16:20, uma cooperação do Senhor no trabalho de seus discípulos.
Ora, a tarefa da evangelização, como sabemos, somente findará no dia do arrebatamento da Igreja e, até lá, temos de pregar o Evangelho e a palavra pregada tem de ser confirmada por sinais. Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8) e prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28:20), tendo, como uma de suas missões, a de cooperar com o trabalho evangelizador da Igreja (Mc 16:20). Como se dá esta cooperação? Através da realização de sinais e maravilhas que confirme a palavra que é pregada.

CONCLUSÃO

A presença de sinais e maravilhas na Igreja confirma e autentica a disposição divina de manter uma estreita comunhão com o homem que Lhe for fiel. Cristo, ainda hoje, dispensa aos seus servos o mesmo poder para operação de maravilhas (Mt 10.8; Jo 1.50; 5.20; 14.12) que conferira a seus discípulos no passado. São milhares os testemunhos de pessoas alcançadas pelas obras extraordinárias operadas pelo Filho de Deus em sua amada Igreja.
Jesus não limitou esta situação apenas aos apóstolos, como defendem os “cessacionistas”, mas “a todos quantos Deus nosso Senhor chamar”. Não houve, em absoluto, cessação dos milagres ao longo da história da Igreja, mas uma diminuição que, ao contrário do que afirmam os “cessacionistas”, está, sim, relacionada à falta de fé ou, quando muito, à falta de insistência por parte dos cristãos, pois os milagres precisam ser buscados, procurados por parte daqueles que deles necessitam (Sl.105:4; Mt.7:7; Lc.11:9; Cl.3:1).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Novo Testamento)
John Stott – A mensagem de ATOS(Até os confins da Terra)
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo jamais pregaria, p.117
Caramuru Afonso Francisco – Os milagres de Jesus

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aula 04 - O PODER IRRESISTIVEL DA COMUNHÃO NA IGREJA

Texto Base: Atos 2:40-47

“Procurando guardar a unidade do Espírito Santo pelo vinculo da paz: há um só corpo e um só Espírito [...] (Ef 4:3,4).

INTRODUÇÃO

A ”Comunhão” é a principal característica da Igreja. É a sua marca perante a humanidade, a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a sua obra através do seu povo. Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas determinadas a ela. Tanto assim é que o relato de Lucas a respeito da igreja primitiva termina com o cumprimento da principal missão da Igreja: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”(At 2:47 ).

I. A COMUNHÃO DOS SANTOS

O termo "comunhão dos santos" tem dois significados intimamente interligados: "comunhão nas coisas santas" e "comunhão entre as pessoas santas".
1. O que é a Comunhão. A palavra “comunhão” designa o vinculo espiritual e social estabelecido pelo Espírito Santo entre aqueles que recebem a Cristo com o seu único e suficiente Salvador. É o sentimento de unidade que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Cristo Jesus.Tendo como vínculo o amor, a comunhão cristã desconhece distinções sociais, culturais e racionais. Agora somos um em Cristo. Não basta amar o próximo como a nós mesmos; temos de amá-lo como Jesus nos amou.
O amor de Jesus por nós é o exemplo do amor que devemos expressar na comunhão diária com nossos irmãos em Cristo. O amor agápe, manifestado entre os irmãos, é mais precioso do que a manifestação do dom profético, da sabedoria ou da fé. Pois somente através do amor é que podemos entender e nos relacionarmos adequadamente uns com os outros.
A palavra “comunhão” é uma expressão típica da Igreja, tanto que só é encontrada nas Escrituras Sagradas em o Novo Testamento e, mais especificamente, após a “inauguração” da Igreja a partir do dia de Pentecostes do ano 34. Seu primeiro aparecimento na Bíblia é em Atos 2:42, na primeira descrição deste novo povo de Deus, quando se diz que os crentes “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na “comunhão”.
Portanto, não há que se falar em “comunhão” se, antes, não se tiver o novo nascimento (João 3:3,5). Em Seu diálogo com Nicodemos, o Senhor Jesus deixou bem claro que somente através do novo nascimento se pode ver e entrar no reino de Deus e que quem vê e entra está na luz (João 3:21) e para que tenhamos comunhão uns com os outros e com Deus é necessário que andemos na luz (1João 1:7).
2. A unidade do Corpo de Cristo. A unidade espiritual do corpo de Cristo(a igreja) é uma obra exclusiva de Deus. Não podemos produzir unidade, mas apenas mantê-la. Todos aqueles que crêem em Cristo, em qualquer lugar, em qualquer tempo fazem parte da família de Deus e estão ligados ao Corpo de Cristo pelo Espírito. Esta unidade não é externa, mas interna. Ela não é unidade denominacional, mas espiritual. Só existe um Corpo de Cristo, uma Igreja, um rebanho, uma Noiva. Todos aqueles que nasceram de novo e foram lavados no sangue do cordeiro fazem parte dessa bendita família de Deus. Esta unidade é construída sobre o fundamento da verdade (Ef 4:1-6). Por isso, a tendência ecumênica de unir todas as religiões, afirmando que doutrina divide enquanto o amor une é uma falácia. Não há unidade cristã fora da verdade.
A Igreja não é um clube de amigos ou uma associação humana secular; também não é uma empresa. É o conjunto ou comunhão dos redimidos em Cristo, que compartilham da “unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:3).
A Igreja é o corpo místico de Cristo, e, cada crente em particular, é membro desse corpo glorioso (1Co 12:12,13). Por conseguinte, a comunhão no Espírito (Fp 2:1) é vital à unidade e à paz da Igreja. Segundo Efésios 4:3, a comunhão, unidade e paz na Igreja não são produtos dos esforços humanos, mas uma ministração do Espírito Santo. Uma vez que o crente é Templo e habitação do Espírito de Deus (João 14:16,17; Rm 8:14; 1Co 3:16; 6:19), somos todos “um só corpo” (Ef 4:4), servindo e amando a “um só Senhor”, compartilhando de “uma só fé”, “um só batismo”, “uma só esperança”, “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4:5,6). Guardemos, pois, a “unidade do Espírito pelo vínculo da paz” .
3. A comunhão da Igreja agrada a Deus. A Comunhão da Igreja agrada a Deus porque ela tem como vinculo o amor, que traduz em união, que é a qualidade de ser um, mediante a unidade na diversidade. Infelizmente, a união que deveria ser encontrada na Igreja nem sempre o é. As pessoas discordam e causam divisões por causa de assuntos sem importância. Alguns sentem prazer em causar tensão, depreciando e desacreditando outros.
Viver em união não significa que concordaremos em tudo; haverá muitas opiniões, da mesma maneira que existem muitas notas em um acorde musical. Mas devemos concordar em nosso propósito na vida: trabalhar juntos para Deus. A união reflete a nossa concordância de propósitos.
Comunhão da Igreja, portanto, compartilha dos sentimentos, propósitos e desígnios de Deus, “participa da natureza divina”(2Pe 1:4), é ser “vara da videira verdadeira” (João 15:4,5). O salvo, ao alcançar a salvação, passa a ter em comum a natureza divina, ou seja, passa a ser santo, a se separar do pecado, a abominá-lo e a ter os mesmos desejos, pensamentos e sentimentos divinos em suas atitudes.
Para que haja comunhão, portanto, é preciso que haja ausência de pecado, não só em virtude da chamada “santificação posicional”, ou seja, a nossa colocação por Deus entre os santos, pelo perdão dos nossos pecados (cf Sl 40:2,3), como também em virtude da nossa “santificação progressiva”, ou seja, a nossa contínua separação do pecado no dia-a-dia de nossa vida espiritual (cf Ap 22:11). A multiplicação do pecado em nossos dias (Mt 24:14) produz inevitavelmente a diminuição da comunhão e o consequente crescimento das divisões, porfias, dissensões e todas as obras pecaminosas similares a estas no meio daqueles que servem a Deus(Gl 5:20; Jd 20).

II. A COMUNHÃO CRSTÃ CARACTERIZA-SE PELA UNIDADE

A unidade da igreja não implica num único governo eclesiástico mundial, mas no senhorio de Cristo sobre toda igreja local. A Igreja é o corpo místico de Cristo, e, cada crente em particular, é membro desse corpo glorioso (1Co 12:12,13). Devemos trabalhar para manter a unidade do Corpo, pois a Bíblia nunca recomenda a separação entre salvos, mas somente entre salvos e ímpios. Com estes não devemos manter comunhão (2Co 6:14-17), pois estão fora da comunidade dos salvos. A comunhão de duas naturezas espirituais opostas (luz/trevas, santo/impuro, Cristo/demônios) é impossível.
Muitas pessoas hoje se esforçam para unir as religiões de forma não bíblica. Eles dizem: “Nós não estamos interessados em doutrinas, mas no amor”. Dizem: “Vamos esquecer doutrinas, elas só nos dividem. Vamos simplesmente nos amar uns aos outros”. Mas, Paulo não discute a unidade cristã sem antes falar do Evangelho (Ef 4:1-3). Unidade edificada sobre outra base que não a verdade bíblica é o mesmo que edificar uma casa sobre a areia.
Em Efésios 4:1-6 Paulo nomeia algumas realidades básicas que unem todos os cristãos:
1) Um só corpo(Ef 4:4). Ser um só corpo exige de cada salvo a consciência de que somos todos “parte do corpo”, ou seja, de que precisamos trabalhar, todos, sem exceção, em harmonia, sem choques, sem disputas, sem dissensões. Este é o verdadeiro “espírito ecumênico”, esta é a verdadeira “unidade do corpo de Cristo”.
Precisamos reconhecer que cada um, ao modo determinado por Deus, está na face da Terra para realizar a obra de Deus e que, cada um fazendo a sua parte, o que não se pode fazer de forma solitária ou individualista, mas mediante a união de um em relação aos outros, o Senhor também cooperará e confirmará a Palavra com os sinais (Mc 16:20). Entretanto, o espírito de competição e de concorrência, que domina o sistema econômico mundial, também chegou à Igreja, que, infelizmente, convive, na atualidade, com um verdadeiro “mercado religioso” ou um “mercado da salvação”, uma disputa por crentes e por fiéis que está aumentando a cada dia. Tudo isto é perda de comunhão com Deus, é falta completa da consciência de que há um só corpo e que todos devem se completar uns aos outros para que haja um verdadeiro e genuíno crescimento ajustado da Igreja.
2) Um só Espírito(Ef 4:4). Ser um só Espírito significa que devemos seguir uma só orientação e direção, a direção do Espírito Santo, a Pessoa divina que o Senhor Jesus nos enviou para não nos deixar órfãos, para nos guiar, ensinar e anunciar tudo o que tiver ouvido (João 16:13-15). A comunhão leva-nos a ser sensíveis à voz do Espírito Santo, que é uma característica que sempre deve existir na Igreja(Ap 2:7,11,17,29; 3:6,13,22).
3) Uma só Esperança(Ef 4:4). A comunhão, além de gerar a consciência do chamado de cada salvo, dá a cada membro da Igreja a mesma esperança. Todos estamos esperando Jesus. Todos estamos esperando a glorificação dos nossos corpos para que desfrutemos a eternidade com o Senhor. Quem tem comunhão com Deus comporta-se como peregrino nesta Terra (Sl 119:19), a exemplo de Abraão, o pai da fé (Gn 23:4) e dos demais heróis da fé (Hb 13:13-16). Quando vemos pessoas que se dizem servas do Senhor, mas que estão completamente envolvidos com as coisas desta vida, podemos notar que são pessoas que partem rapidamente para a morte espiritual, se é que já não a alcançaram (Mt 13:22).
4) Um só Senhor(Ef 4:5). A Igreja tem uma única cabeça, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele é o Sumo Pastor (1Pe 5:4). Quando estamos em comunhão com Deus, temos esta consciência de que somos servos e que há um só Senhor. Na Igreja, todos sabem que não são melhores do que os outros e que os maiores existem para servir os menores (Mt 20:26; Mc 10:43). Os falsos mestres, falsos profetas e falsos apóstolos procuram arrebanhar pessoas à sua volta, procuram criar subterfúgios e falsos ensinos para fazer valer a sua “autoridade” sobre os crentes, por intermédio de “novas unções”, “coberturas apostólicas” e coisas desta natureza, que nada mais são do que enganos e provas de que são pessoas que estão fora da comunhão do Senhor.
5) Uma só Fé(Ef 4:5). A comunhão faz com que tenhamos fé apenas em Jesus, ou seja, na Sua Palavra, abandonando, assim, as fábulas, as crendices, as superstições, os pensamentos filosóficos e científicos. Muitos têm se apartado da simplicidade que há em Cristo Jesus (2Co 11:3), sendo enganados pelo adversário de nossas almas e passando a crer em tudo menos na Palavra de Deus. Entretanto, a fé é única e sem esta única fé não poderemos, de modo algum, alcançar a salvação e, consequentemente, a comunhão (Ef 2:8).
6) Um só Batismo(Ef 4:5). Este batismo a que Paulo se refere não é nem o batismo nas águas, nem o batismo com o Espírito Santo, mas o batismo por ele próprio mencionado em 1Co 12:13, ou seja, o ingresso no corpo de Cristo através da regeneração, da salvação.
Nas igrejas locais, há muitos que ali estão não porque foram “batizados em um Espírito” nem tampouco porque tenham nascido de novo, mas que estão a pertencer ao grupo social por tradição familiar, por simpatia ou, mesmo, por religiosidade, quando não, como tem sido cada vez mais frequente, por interesses materiais. Estes não estão em comunhão, porque só há um batismo, só há uma forma de se ingressar no corpo de Cristo, e esta forma exige a fé na Palavra e o convencimento do Espírito Santo, ou seja, o novo nascimento.
7) Um só Deus e Pai de todos O qual é sobre todos, e por todos e em todos (Ef 4:6). A comunhão traz-nos também a certeza de que há um só Deus e Pai de todos, ou seja, pela comunhão sentimos o amor de Deus por nós e seu cuidado paternal a cada um de nós. Através da Comunhão vemos cada irmão como filho de Deus, como alguém que é fruto do amor divino e que, por isso, tem de ser considerado, respeitado e dignificado.
É Deus de todos, ou seja, não faz acepção de pessoas e considera a todos os salvos igualmente. Além do mais, a comunhão faz-nos perceber que Deus está sobre todos nós, ou seja, é soberano, alguém que deve ser objeto de adoração e obediência; que Deus está por todos, ou seja, que Ele sempre está trabalhando a nosso favor, é um Deus que intervém na criação, que não nos abandona e um Deus que está em todos, ou seja, que habita em cada salvo.
Entretanto, a Comunhão não significa uniformidade. A comunhão não significa uniformidade, ou seja, não se exige que todos os salvos tenham, em todos os lugares e em todas as épocas, a mesma forma, a mesma maneira, o mesmo jeito de servir a Deus. A comunhão proporciona a união, que é a qualidade de ser um, mediante a unidade na diversidade, como já foi dito anteriormente.
Esta é uma das grandes riquezas do povo de Deus que, muitas vezes, é desprezada e até alvo de ataque por alguns menos avisados e que não conhecem bem a Palavra de Deus. O povo de Deus tem um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, mas é um povo formado por pessoas que são diferentes umas das outras, que têm grupos que se distinguem por causa de sua cultura, de seu modo de viver, de seus costumes, de sua maneira de servir a Deus.
Todos são santos, todos têm de ser separados do pecado, todos devem servir ao mesmo Senhor, ter a mesma fé, ter o mesmo batismo, ter o mesmo Pai. Todos são irmãos e, portanto, devem amar-se uns aos outros, não devem promover dissensões, lutas e pelejas entre si, porque produzem o fruto do Espírito e não as obras da carne, mas, nem por isso, são iguais. Deus, aliás, não fez uma pessoa igual ou idêntica a outra sobre a face da Terra e, como a Igreja é formada por seres humanos, naturalmente que será um grupo de pessoas que diferem entre si.

III. OS FRUTOS DA COMUNHÃO CRISTÃ

1. Temor a Deus. “Em cada alma havia temor...”(At 2:43). O povo foi tomado de um temor reverente. Temer ao Senhor significa ter reverência e amor por Ele e guardar os Seus mandamentos. Diante da manifestação clara do poder extraordinário do Espírito Santo, o coração dos cristãos calou-se e aquietou-se.
Reverência é uma atitude de profundo respeito, amor, estima, honra e consideração para com Deus e que nos torna mais preparados para receber aquilo que sua graça nos tem reservado. Nossa identidade primária como filhos e filhas de Deus, redimidos por Cristo, reconciliados com Deus pela sua graça e incluídos na comunhão dos santos é a de adoradores reverentes. O culto público é a ocasião onde todos nós, criados à imagem e semelhança de Deus, cumprimos o propósito para o qual fomos criados. É por isso que nenhum de nós comparece ao culto para “assistir” como se fosse espectador, como se estivesse num teatro ou cinema. Todos fomos chamados para adorar e oferecer a Deus um coração compungido, humilde, contrito e grato, que é o coração do adorador.
O culto cristão é a reunião do povo de Deus para a adoração. Uma das mudanças significativas da cultura pós-moderna é a inversão que vem acontecendo na forma da celebração do culto. A razão de ser do culto é Deus. Reunimo-nos para adorá-lo; esta é nossa condição básica como seres criados por Deus e para Deus. Somos seres adoradores. Porém, é visível a natureza cada vez mais antropocêntrica dos cultos modernos. Daí a quebra da reverência. Não estamos mais diante de Deus para adorá-lo, mas diante de um programa, uma atividade religiosa, cujo fim somos nós e não Deus.
2. Sinais e Maravilhas. “... e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos”(At 2:43). Após terem sido revestidos de poder, os discípulos passaram não só a pregar o Evangelho, mas, também, a fazer sinais e maravilhas por onde passavam (At.2:43; 4:30; 5:12; 8:6; I Co.2:4). Percebemos, portanto, que a tarefa evangelizadora da Igreja abrange não só a pregação do Evangelho, mas também a realização de sinais e maravilhas, cujo papel é confirmar a palavra que é pregada, sendo, como nos mostra Mc.16:20, uma cooperação do Senhor no trabalho de seus discípulos.
A tarefa da evangelização, pela igreja, somente findará no dia do arrebatamento da Igreja e, até lá, temos de pregar o Evangelho e a palavra pregada tem de ser confirmada por sinais. Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8) e prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28:20), tendo, como uma de suas missões, a de cooperar com o trabalho evangelizador da Igreja (Mc.16:20). Como se dá esta cooperação? Através da realização de sinais e maravilhas que confirme a palavra que é pregada.
A história da Igreja está repleta de exemplos de que, quando os crentes passaram a buscar a Deus de forma mais decidida, orando, jejuando e se santificando, Deus promoveu grandes avivamentos, sempre acompanhados de sinais e maravilhas, de que é prova, aliás, o avivamento pentecostal, que já tem 105 anos de existência, embora, tenhamos de admitir, em muitos lugares, pela falta de persistência, não mais vemos tanto sinais e maravilhas como no passado. De qualquer maneira, esta é a maior demonstração de que o propósito do Senhor é fazer com que os milagres que ocorreram em seu ministério terreno continuem a acontecer durante a dispensação da graça, que só terminará com o arrebatamento da Igreja.
3. Assistência Social. Desde o início da história da igreja, havia aqueles que padeciam de necessidades para sobreviver (cf. At 2:45; 4:35). A função de assistência social na Igreja é um dos seus pilares e, sem dúvida, uma das formas mais poderosas de demonstrarmos, ao mundo, a nossa diferença e o amor de Deus que está em nossos corações. Ela é a continuação da obra iniciada por Jesus. Jesus disse que sempre haveria pobres sobre a face da Terra (João 12:8), não fugindo desta realidade nem mesmo aqueles que pertencem à igreja, como nos mostra o episódio que levou à criação do diaconato (At 6:1-3).
Se é verdade que Deus tem promessa de que o justo não será desamparado e que sua descendência não mendigará o pão (Sl 37:25), isto se deve, em grande parte, ao fato de que o Senhor, na igreja, proporciona aqueles que repartem o que têm com quem tem necessidade. A base desse sentimento constitui o critério da generosidade que deve permear a vida cristã.
4. Crescimento. “louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”(At 2:47). O segredo para o rápido crescimento da Igreja Primitiva, formada por dois povos(judeus e gentios), foi a comunhão entre os crentes. A Igreja somente progrediu mediante a comunhão e unidade de seus membros.
Sem comunhão em uma igreja os crentes buscarão interesses próprios, esquecendo-se do objetivo de buscar o Reino de Deus e a sua justiça. Não basta apenas evangelizar e ganhar as pessoas para Jesus; é preciso que essas pessoas vejam os resultados da comunhão nos membros da igreja, e assim permaneçam nela.
5. Adoração. "louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo"(At 2:47). A adoração era outra marca da Igreja primitiva, cheia do Espírito Santo, que vivia em plena comunhão. Aqueles santos do Senhor adoravam no templo e em casa, nas ceias do Senhor e nas orações, com alegria e reverencia. Uma Igreja cheia do Espírito Santo é uma igreja que cultua.

CONCLUSÃO

Não pode haver cristianismo sem a comunhão dos santos. Ela é a base e a razão da Igreja. É o sinal mais claro e mais vivo de que o Corpo de Cristo não está dividido. Por isto cantamos e cremos nas palavras da canção: “Como é precioso irmão estar bem junto a Ti e juntos lado a lado andarmos com Jesus. E expressarmos o amor que um dia Ele nos deu pelo sangue do Calvário Sua vida trouxe a nós. A Aliança do Senhor eu tenho com você, não existem mais barreiras em meu ser. Eu sou livre pra te amar, pra te aceitar e para te pedir, perdoa-me irmão. Eu sou um com você, no amor de nosso Pai. Somos um no amor de Jesus. Eu sou um com você no amor de nosso Pai. Somos um no Amor de Jesus”.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Hernandes Dias Lopes – A unidade da Igreja
Caramuru Afonso Francisco - comunhão dos santos - a missão conciliadora da igreja
A mensagem de Atos(Até os Confins da Terra) – John Stott.
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de Estudo – Aplicação Pessoal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.