quarta-feira, 25 de julho de 2012

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA – Aula 05


LUCAS E JOÃO


Texto Base: Lucas 4:14-19



“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3:16)

INTRODUÇÃO

Concluindo os estudos panorâmicos e sinópticos dos quatro evangelhos, vamos estudar nesta Aula os Evangelhos de Jesus Cristo segundo escreveram Lucas e João. O primeiro apresenta Jesus como o verdadeiro Deus-homem e destaca fortemente o ministério do Espírito Santo na vida ministerial de Jesus Cristo. O segundo apresenta evidências cuidadosamente selecionadas no sentido de Jesus ser o Messias de Israel e o Deus Filho encarnado(não adotado) de Deus. João nos conduz ao passado, além da Criação, para demonstrar que Jesus é Deus Filho desde a eternidade. Ele existia antes de seu nascimento, co-igual a Deus Pai, a fonte da luz e da própria vida (cf João 1:1-5).

I. LUCAS, O EVANGELHO DO FILHO DO HOMEM

O Evangelho de Jesus Cristo registrado por Lucas é uma das mais belas obras da literatura cristã. Aqueles que conhecem o seu conteúdo certamente concordam com essa afirmação. A maneira especifica como registrou os acontecimentos, que tiveram como ápice a ressurreição e a ascensão de Jesus, é  própria e singular do autor.
Dentre os quatro Evangelhos, Lucas é o que apresenta o relato mais completo da vida de Jesus Cristo.
É importante notarmos que o conteúdo deste Evangelho, juntamente com o conteúdo do seu segundo Livro, Atos dos Apóstolos, constituem 20% do Novo Testamento. É importante destacar que 50% desse relato é exclusivo de Lucas. Marcos, Mateus e João não tem esse material exclusivo, que se encontra principalmente no trecho que compreende Lucas 9:51-19:27.
Lucas em sua narrativa deixa claro que ele escreveu para os gentios. Por exemplo, ele apresenta a genealogia humana de Jesus, recuando-se até Adão (Lc 3:23-28) e não até Abraão, conforme fez Mateus (cf Mt 1:1-17).
Em Lucas, Jesus é visto claramente como o Salvador divino-humano, que veio como a provisão divina da salvação para todos os descendentes de Adão.
Lucas nos dá uma visão geral da história da Salvação quando diz: “A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o Evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele”(Lc 16:16). Neste verso, Lucas mostra a intervenção de Deus para salvar a humanidade em três grandes etapas: o tempo do Antigo Testamento; o tempo de Jesus ou o tempo do reino; e o tempo da Igreja. Entretanto, fica claro que o resumo de toda a mensagem que ele quis transmitir sobre Jesus e o próprio Evangelho se encontra em Lucas 19:10, quando apresenta Jesus como Aquele que fez a diferença nessa história da salvação: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”. Esse é, pois, o verso-chave do Evangelho de Lucas.
O cuidado de Lucas em elaborar corretamente o seu relato faz-nos perceber o quanto levava a sério o ministério que tinha recebido de Deus na preservação verídica do Evangelho da graça.
Assim, Lucas demonstrou amor verdadeiro, desenvolveu um ministério confiável e preservou eternamente o conteúdo mais singular da história da humanidade.
Portanto, conhecer e estudar este livro sagrado deve nos fazer mais sensíveis em relação a vinda, a vida, o ministério, a morte e a glorificação de Jesus Cristo, pois Ele é também considerado o “evangelho da graça”, o evangelho que mostra a vontade de Deus em abençoar os homens.
1. Autoria. A evidência externa apresentada por Eusébio em História Eclesiástica(III,4) com respeito à autoria deste Evangelho concorda com a primitiva tradição cristã. Irineu cita amplamente este Evangelho com sendo de Lucas. Outros defensores da autoria lucana incluem Justino Mártir, Clemente de Alexandria e Tertuliano.
Lucas é o único evangelista que escreve uma continuação do seu Evangelho: o livro de Atos, no qual sua autoria é ainda mais evidente. As passagens de Atos na primeira pessoa do plural, “nós”, indicam que o escritor esteve envolvido pessoalmente (Atos 16:10; 20:5-6; 21:15; 27:1; 28:16; cf. 2Tm 4:11). Pelo processo de eliminação, somente Lucas se enquadra em todos esses períodos. Está bem claro na dedicatória a Teófilo e no estilo da composição que Lucas e Atos foram escritos pelo mesmo autor.
A evidência interna fortalece a documentação externa e a tradição da Igreja. O vocabulário (muitas vezes mais exato em termos médicos que os outros escritores do Novo Testamento), junto com o depurado estilo grego, sustenta a autoria de um médico culto, gentílico e cristão, mas conhecedor dos temas judaicos. A predileção de Lucas por datas e pesquisas (cf. Lc 1:1-4; 3:1) tornam-no o primeiro historiador da Igreja.
Paulo chama Lucas “o médico amado” e o nomeia separadamente de cristãos judeus (Cl 4:14), o que o tornaria o único escritor gentílico no Novo Testamento.
2. Ênfase. É interessante percebermos o contraste que existe entre as ênfases de João e Lucas. Enquanto João trata da divindade daquele que é Homem, Lucas nos apresenta, de modo claro, a humanidade daquele que é Deus. Quando destacamos o verso-chave deste Evangelho – “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”(Lc 19:10) -, temos reforçado essa ênfase. Jesus é apresentado como Filho do Homem, destacando-se a sua humanidade, a sua identificação conosco.
Mas é bom reconhecermos também que Lucas não deixa de demonstrar a glória da divindade e da majestade de Jesus Cristo(Lc 1:32-35).
Ao lermos e estudarmos a narrativa de Lucas sobre a vida e o ministério de Jesus Cristo, ficamos impressionados pelo interesse humano do seu autor. Somos confrontados com os aspectos da vida humana de Jesus Cristo, apresentados a eventos comoventes, cheios de alegria, de tristeza, de cânticos, de exultação, de lágrimas, de louvor e de muita oração.
Somente Lucas descreve o nascimento do seu precursor, João, o batizador. Lucas é o único que registra os cânticos especiais que têm sido alvo de tantas obras da música cristã: a Beatitude, de Isabel(Lc 1:42); a Magnificat, de Maria (Lc 1:46-55); o Benedictus, de Zacarias (Lc 1:68-70); o  Glória in excelsis, dos anjos (Lc 2:14); e o Nunc-dimittis, de Simeão (Lc 2:29-32). E, além disso, ele destaca as mulheres, as crianças, os doentes, os samaritanos, enfim todos os rejeitados pela alta sociedade daqueles dias.
Mas Lucas se destaca também por ser considerado “o evangelho do lar”. Ele nos mostra, de modo simples, a vida de Jesus quando ainda pequeno, junto com os pais Maria e José; a cena na casa de Simeão; a hospitalidade de Marta e Maria; a mulher varrendo a casa para achar a moeda perdida; a parábola do amigo inoportuno que bate na casa do amigo à meia noite; a parábola onde o pai celebra, em casa, a volta do filho perdulário ao lar; e o local preparado para a celebração da Páscoa quando foi instituída a Ceia do Senhor.
A importância desse Evangelho pode ser constatada através de sete destaques que merecem ser conhecidos:
a)      Em Lucas encontramos a Trindade envolvida na salvação da humanidade. Vemos o controle de Deus Pai, enviando-nos o seu Filho Jesus Cristo para nos salvar (Lc 1:26; 10:21). Encontramos a ação do Espírito Santo atuando e capacitando o próprio Senhor Jesus na realização do seu ministério (Lc 4:14,18) e percebemos que o Senhor Jesus Cristo, de modo consciente, declarou plenamente essa missão (Lc 19:10).
b)      Em Lucas encontramos uma visão distinta da história da salvação. Lucas divide a intervenção divina no projeto de salvação da humanidade em três etapas: O tempo do Antigo Testamento, que chega até os dias de João Batista; o tempo do reino de Deus, ou o tempo de Jesus Cristo, incluindo toda a vida e ministério do Salvador; e o tempo da igreja, a partir do cumprimento da promessa da vinda do Espírito Santo (Lc 16:16).
c)       Em Lucas encontramos uma clara ênfase na universalidade da salvação, na abrangência da mensagem cristã. Jesus não é apenas o Messias do judeus, mas o Salvador do todas as pessoas(Lc 2:32; 4:25-27; 24:46,47).
d)      Em Lucas encontramos uma ênfase escatológica ligada à salvação. Lucas escreve acerca de uma grande salvação, que é válida por toda a eternidade e não somente para um tempo. Ele aguarda a vinda do fim, quando a salvação da qual escreve chegará à sua consumação.
e)      Em Lucas encontramos a viagem final de Jesus da Galiléia para Jerusalém, passando por várias aldeias, inclusive samaritanas (Lc 9:51-56), mostrando a abrangência da salvação (Lc 15:1,2) e a sua clara entrega em nosso favor (Lc 18:31-33).
f)        Em Lucas encontramos a clara promessa do Espírito Santo que viria para inaugurar uma nova etapa do relacionamento Deus-Homem (Lc 24:49), que se concretizou em Atos 2:1-4.
Perdemos muito quando desconhecemos essa narrativa tão especifica, esse retrato pintado com tanta sensibilidade.
Conhecer o Evangelho registrado por Lucas é importante por todos esses argumentos levantados, pois é um relato claro do plano maravilhoso de Deus em nos trazer salvação através de Jesus Cristo e nos capacitar através da ação do Espírito Santo.
3. Características especiais. São oito as características especiais do Evangelho de Jesus Cristo segundo escreveu Lucas.
a)      Seu amplo alcance no registro dos eventos na vida de Jesus, desde a anunciação do seu nascimento até a sua ascensão.
b)      A qualidade excepcional do seu estilo literário, empregando um vocabulário rico e escrito com um domínio excelente da língua grega.
c)       O alcance universal do Evangelho – que Jesus veio para salvar a todos: judeus e gentios igualmente.
d)      Ele salienta a solicitude de Jesus para com os necessitados, inclusive mulheres, crianças, os pobres e os socialmente marginalizados.
e)      Sua ênfase na vida de oração de Jesus e nos seus ensinos a respeito da oração.
f)        O notável título de Jesus neste Evangelho, a saber: “Filho do Homem”.
g)      Seu enfoque sobre a alegria que caracteriza aqueles que aceitam a Jesus e a sua mensagem.
h)      Sua ênfase na importância e proeminência do Espírito Santo na vida de Jesus e do seu povo (por exemplo, Lc 1:15,41,67; 2:25-27; 4:1,14,18; 10:21; 12:12; 24:49).
            Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal
4. Esboço de Lucas.  Há vários demonstrações de Esboço. De forma resumida apresento este:
a)      A introdução do evangelista (Lc 1:1-4).
b)      O parentesco humano do Filho do Homem (Lc 1:5-2,52).
c)       O batismo, a genealogia e aprovação do Filho do Homem (Lc 3:1-4:13).
d)      O ministério do Filho do Homem na Galiléia, no poder do Espírito Santo (Lc 4:14-9:50).
e)      A viagem do Filho do Homem para Jerusalém, discipulando os doze (Lc 9:51-19:27).
f)        A rejeição e a crucificação do Filho do Homem pelas autoridades e pelo povo (Lc 19:28-23:56).
g)      A ressurreição e a ascensão do Filho do Homem (Lc 24:1-53).

II. JOÃO, O EVANGELHO DO FILHO DE DEUS

João é notoriamente diferente dos primeiros três evangelhos. Somente 7 acontecimentos deste Evangelho aparecem nos outros Evangelhos: as palavras de João, a última ceia, a unção em Betânia, a paixão, a ressurreição, o milagre de alimentar 5.000 pessoas e o caminhar sobre o mar. Todos os outros eventos são peculiares a João.
A reprodução da imagem de Jesus, descrita por João é a mais teológica dos quatro evangelhos. Sua obra é lançada apresentando Jesus que já existia com Deus e como Deus antes da criação do universo(cf. João 1). Na qualidade de ser humano, Jesus rompeu sua criação, viveu entre suas criaturas e todos os seus atos e ensinamentos nos levam a crer nele como Salvador e Senhor.
A palavra-chave, crer, deste Evangelho segundo João, aparece 98 vezes no texto grego de seus 21 capítulos.
O Tema deste Evangelho é: Jesus Cristo como Deus, como Messias e Filho de Jeová. Sua divindade é muitas vezes afirmada (cf João 1:1-3,14,33,34,49; 3:13-20; 5:23,26; 6:51,62; 8:58; 13:33; 20:28,31).
João deixa claro o propósito do seu Evangelho, em 20:31, a saber: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para, crendo, tenhais vida em seu nome”.
É um dos livros favoritos(se não for o favorito) de cristãos maduros e devotos. João não fornece apenas os fatos da vida de Jesus, mas os longos discursos e as sensatas reflexões de um apóstolo que andou com Cristo desde os últimos anos da sua adolescência na Galiléia até uma idade avançada na província da Ásia Menor. Seu Evangelho contém o versículo mais conhecido do Novo Testamento: João 3:16, que Martinho Lutero chama de “o evangelho em poucas palavras”.
Se o Evangelho de João fosse o único livro no Novo Testamento, mesmo assim proporcionaria alimento sólido (e leite) da Palavra para uma vida inteira de estudo e meditação.
1. Autoria. A evidência interna, de que o apóstolo João, filho de Zebedeu, foi de fato o escritor, consiste em tal abundância de provas, de diversos ângulos, que sobrepuja qualquer argumento em contrário. Segundo Irineu(180 d.C), “João, o discípulo do Senhor, que aprendeu muito, graças a sua grande proximidade com o Mestre, tenha ele mesmo publicado seu Evangelho durante o período em que residiu em Éfeso, na Ásia. O autor foi testemunha ocular da maioria dos eventos que descreve.
O escritor é mencionado como “o discípulo a quem Jesus havia amado” (João 21:20,24). Ele era, evidentemente, um dos três apóstolos mais íntimos que Jesus mantinha perto de si em várias ocasiões, tais como na transfiguração (Mt 9:2), e na ocasião de sua angústia, no jardim de Getsêmani (Mt 26:36,37). Destes três apóstolos, elimina-se Tiago por ter sido morto por volta de 44 d.C., por Herodes Agripa I. Pedro é excluído por ter o seu nome mencionado junto com “o discípulo a quem Jesus havia amado” (João 21:20,21. Logo, João é sem dúvida o autor do Evangelho que leva o seu nome.
2. Ênfase. O Evangelho de Cristo segundo escreveu João é ímpar entre os quatro Evangelhos. Relata muitos fatos do ministério de Jesus na Judéia e em Jerusalém que não se acham nos Sinópticos, e revela mais a fundo o ministério da sua pessoa. Ele deixa claro o propósito deste Evangelho, em 20:30,31: “Jesus, pois, operou também, em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”.
João constrói seu Evangelho em torno de sete milagres públicos, ou “sinais”. Todos têm o propósito de mostrar que Jesus é Deus:
a)      A transformação da água em vinho no casamento em Caná da Galiléia(João 2:9).
b)      A cura do filho do oficial do rei (João 4:46 – 54).
c)       A cura do paralítico no tanque de Betesda (João 5:2-9).
d)      A alimentação dos cinco mil homens (João 6:1-14).
e)      O andar de Jesus sobre as águas do mar da Galiléia  para salvar os discípulos da tempestade (João 6:16-21).
f)        A cura do homem cego de nascença (João 9:1-70.
g)      A ressurreição de Lázaro (João 11:1-44).
Além destes sete realizados em público, há um oitavo sinal realizado apenas para os discípulos após a ressurreição: a pesca milagrosa (João 21:1-14).
A cronologia do ministério terreno do Senhor é elaborada a partir deste Evangelho. Com base nos outros três Evangelhos, pode parecer que o ministério de Cristo durou apenas um ano. As referências às festas anuais em João indicam uma duração de aproximadamente três anos. Observe estas referências: a primeira Festa da Páscoa (João 2:12,13); “uma festa” (João 5:1), possivelmente a Páscoa ou Purim; segunda(ou terceira) Festa da Páscoa (João 6:4); a Festa dos Tabernáculos (João 7:2); a Festa da Dedicação (João 10:22); e a última Festa da Páscoa (João 12:1).
João também é preciso nas referências temporais. Enquanto os outros três escritores frequentemente se contentam com referências aproximadas, João faz referencias específicas como a sétima hora (João 4:52),  o terceiro dia (João 2:1),  os dois dias (João 11:6) e  seis dias (João 12:1).
Um aspecto característico deste Evangelho é a ocorrência do número sete e seus múltiplos. As ideias de perfeição e plenitude estão ligadas a esse número aos longo das Escrituras ( cf. Gn 2:1-3). Neste Evangelho o Espírito de Deus completa a revelação de Deus na pessoa de Jesus Cristo; consequentemente, os padrões baseados no número sete são frequentes.
Os sete “Eu sou” em João são familiares: “o pão da vida” (João 6:35,41,48,51); “a luz do mundo” (João 8:12;9:5); “a porta” (João 10:7,9); “o bom pastor” (João 10:11,14); “a ressurreição e a vida” (João 11:25); “o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14:6); e “a videira” (João15:1,5). Nem tão familiares são as sete ocorrências de “Eu sou” sem um atributo, isto é, a simples afirmação: João 4:26; 6:20; 8:24,28,58; 13:19; 18:5,8. A última é dupla.
No capítulo seis, que faz referência ao pão da vida, a palavra grega traduzida por “pão” e “um pão ou pães” ocorre 21 vezes, múltiplo de sete(versão Corrigida e Fiel). Também no discurso do pão da vida a expressão “pão do céu” ocorre precisamente sete vezes; uma expressão semelhante, “desce do céu”, ocorre também sete vezes.
Enfim, o propósito de João ao escrever foi que seus leitores pudessem crer “que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tivesse vida em seu nome” (João 20:31).
3. Características especiais. O Evangelho de João tem várias características especiais que fortalecem a apresentação de seu tema principal. Apresentamos aqui oito características especiais que destacam o Evangelho segundo João (extraídas da Bíblia de Estudo Pentecostal):
a)     Jesus como “o Filho de Deus”. Do prólogo do Evangelho, com sua sublime declaração: “vimos a sua glória” (João 1:14), até à sua conclusão na confissão de Tomé: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28), Jesus é Deus, o Filho encarnado.
b)     A palavra “crer” ocorre 98 vezes, equivalente a receber a Cristo (João 1:12). Ao mesmo tempo, esse “crer” requer do crente uma total dedicação a Ele, e não apenas uma atitude mental.
c)      “Vida eterna” em João é um conceito-chave, referindo-se não tanto a uma existência sem fim, mas à nova qualidade de vida que provém da nossa união com Cristo, a qual resulta tanto na libertação da escravidão do pecado e dos demônios, como em nosso crescimento contínuo no conhecimento de Deus e na comunhão com Ele.
d)     Encontro de pessoas com Jesus. Temos neste Evangelho 27 desses encontros individuais assinalados.
e)     O ministério do Espírito Santo, pelo qual Ele capacita o crente, comunicando-lhe continuamente a vida e o poder de Jesus após sua morte e ressurreição.
f)       A “verdade”. Jesus é a verdade; o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta (João 8:32); purifica (João 15:3). Ela é a antítese da natureza e atividade de Satanás (João 8:44-47,51).
g)     A importância do número sete neste Evangelho: sete sinais, sete sermões e sete declarações “Eu sou” dão testemunho de quem Jesus é.
h)     Também é destacado, neste Evangelho, o emprego de outras palavras como: “luz”, “palavra”, “carne”, “amor”, “testemunho”, “conhecer”, “trevas” e “mundo”.
Estas características ajudam a mim e a você a sentirmos o valor do Evangelho. Estudos do único retrato deste Evangelho sobre Jesus podem enriquecer nossa fé em Cristo e nos capacitar a caminhar confiantemente, de mãos dados com nosso Senhor.
 4. Esboço de João. De forma resumida apresentamos o seguinte esboço. Existem vários.
a)      Prólogo: O primeiro advento do Filho de Deus (João 1:1-18).
b)      O primeiro ano de ministério do Filho de Deus (João 1:19-4).
c)       O segundo ano de ministério do Filho de Deus (João 5).
d)      O terceiro ano de ministério do Filho:Galiléia (João 6).
e)      O terceiro ano de ministério do Filho de Deus: Jerusalém (João7:1-10:39).
f)        O terceiro ano de ministério do Filho de Deus: Peréia (João 10:40-11:57).
g)      O ministério dos Filho de Deus aos seus (João 12-17).
h)      O sofrimento e a morte do Filho de Deus (João 18-19).
i)        O triunfo do Filho de Deus (João 20).
j)        Epílogo: O Filho de Deus ressurreto com os seus (João 21).
CONCLUSÃO
Com esta Aula concluímos uma visão sinóptica dos quatros Evangelhos. Aprendemos que, juntos, os quatro evangelhos nos dão uma concepção completa de Jesus, como o Rei ideal, o Servo ideal, o Homem ideal e o Deus ideal.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Lição 5 - As Aflições da Viuvez

Por: Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco
Publicado originalmente no Portal EBD


domingo, 22 de julho de 2012

Aula 05 – AS AFLIÇÕES DA VIUVEZ


3º Trimestre/2012

Texto Básico: 1Tm 5:3-16; Lucas 2:36-38; Tiago 1:27


“Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas” (1Tm 5:3)

INTRODUÇÃO


Dentro dos dramas sociais que o cristão pode se deparar está a viuvez. É um fato comum em nossa sociedade, caracterizado pela perda do companheiro de vida, que abarca milhares de pessoas. Faz parte do processo natural da existência do ser humano, por isso deve-se estar preparado para este estado aflitivo da vida. Quando o cônjuge perde a sua companheira(ou companheiro) significa um rompimento do ciclo  de um convívio íntimo, intenso e profundo; a pessoa viúva enfrentará a solidão e a saudade do cônjuge que se foi. Algumas pessoas suportam com resignação esta lacuna da vida, mas outras se definham diante da amargura que lhe envolve, resultando em insegurança existencial que paralisam a sua sociabilidade e espiritualidade. Quando esta fase da vida chegar na vida de um irmão ou irmã, a Igreja e a família devem estar prontas para dar-lhe total apoio, consolo e carinho, bem como acudi-la no aspecto estrutural necessário à sua convivência social e firmeza espiritual. É, indubitavelmente, parte integrante do serviço social da Igreja.

I. O CONCEITO DE VIUVEZ

1. Definição. A palavra viuvez deriva da forma latina vidua, que significa “ser privado de algo”. É uma situação de desconsolo por desamparo. É um fato dramático, que atinge não só o psiquê e a saúde dos indivíduos, mas também suas relações sociais, tanto dentro da família quanto na sua comunidade. A condição de viuvez pode fazer com que as pessoas após anos de convivência, enfrentem um momento de solidão, processo profundamente sofrido, não só pela perda do marido ou esposa, mas pelas dificuldades em administrar a casa e os filhos na falta do chefe da família.
A situação de viuvez é uma situação não planejada, que provoca modificações na vida das pessoas. Representa, por sua vez, uma inesperada quebra do equilíbrio, real ou suposto, das relações familiares, sociais, econômicas, culturais, a qual faz com que o indivíduo, em caráter de urgência, estabeleça novos arranjos em grupo. É também o início de um processo de mudança que leva o homem e a mulher a mudar-se  para outra coisa que não mais o esposo e a esposa. Sendo assim, a viuvez obriga o indivíduo a enfrentar uma transição de identidade, de um novo papel social; de uma mulher ou de um homem só.
Segundo pesquisas, o homem ao tornar-se viúvo, não permanece neste estado civil por muito tempo, pois pelas normas sociais e culturais, esses devem casar-se novamente e, com mulheres mais jovens. Essa situação não é a mesma para as mulheres. Ao tornar-se viúva, geralmente, a mulher casa-se com homem mais velho do que ela. Por isso, comparativamente aos homens, há uma maior proporção de mulheres viúvas e a maior parte do tempo nessa condição, levando também em consideração que a longevidade das mulheres é superior a dos homens.
Segundo pesquisadores nesta área da viuvez, mostram que as mulheres procuram o atendimento psicológico e psiquiátrico mais do que os homens e que para estes é mais comum ter um ataque cardíaco após a perda da companheira. Todavia, exortam-nos as Escrituras a não entregarmo-nos ao desespero, pois o Senhor cuida dos seus (Sl 146:9).
2. Exemplos nas Escrituras. Poderíamos falar de muitas viúvas mencionadas na Bíblia que se destacaram por suas atitudes de coragem, obediência e fé em Deus. Como, por exemplo: Noemi e Rute(ler Rt cap. 1); a viúva de Sarepta(1Rs 17:8-24); a viúva da despensa vazia que Elizeu, através de ato milagroso, aumentou o azeite e com isso ela quitou o credor de seu ex-marido (2Rs 4:1-7); a viúva que deu uma oferta no Templo e que suscitou admiração em Jesus(Lc 21:3); e Ana(a profetiza, que esperava a redenção de Israel – Lc 2:36-38). Faremos, porém, menção de apenas duas viúvas, que superaram as aflições da viuvez e foram instrumentos usados por Deus, a despeito das circunstâncias.
a) A profetisa Ana - “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2:36-38).
A profetiza Ana é uma personagem do Novo Testamento da Bíblia, mencionada unicamente no Evangelho segundo Lucas. Lucas relata que ela era filha de Fanuel e pertencia a tribo de Aser, uma das dez tribos levadas em cativeiro pelos assírios em 722 a.C. Informa também que ela era viúva e tinha vivido com o marido apenas por sete anos. Ela era já avançada em idade(Lc 2:36,37). Como profetiza, sem dúvida ela recebia revelações divinas e servia como porta-voz de Deus. Apesar da dor da sua viuvez, ela foi fiel na sua frequencia  às reuniões públicas no Templo, adorando com jejuns e orações, de noite e de dia (Lc 2:37). A sua idade avançada e a sua situação social não a dissuadia de servir o Senhor.
Enquanto Jesus estava sendo apresentado ao Senhor no Templo, e Simeão falava com Maria, Ana chegou a um determinado grupos de pessoas. Ela deu graças a Deus pelo Redentor prometido, e falava a respeito de Jesus aos fiéis em Jerusalém que esperavam a redenção. Ana e Simeão tiveram o privilégio de ver de perto a vinda do Messias ao mundo, tão exaustivamente anunciada pelos profetas do Antigo Testamento.
A exemplo de Ana, buscar a Deus de forma contínua é o melhor procedimento para superar a dor da viuvez.
b) A viúva de Sarepta(1Rs 17:8-24). O nome dessa viúva não sabemos, conhecemos apenas como "a viúva de Sarepta". Mulher de coração bom que nos deixou um exemplo de coragem, obediência(submissão) e fé no Deus de Israel.
Sarepta era uma pequena cidade costeira fora das fronteiras de Israel, pertencia ao domínio de Sidon e era governada por pagãos. Por toda região, no reinado de Acabe, houve uma grande seca. Por três anos e seis meses nem uma gota sequer de água caiu do céu. Essa seca fora predita pelo profeta Elias, que perseguido por corruptos governantes se refugia junto ao ribeiro de Querite. Elias ficou em Querite, sendo sustentado pelos corvos até o riacho secar. Deus cuidou de Elias para que não morresse de fome, já que não podia andar livremente pela região.
Certo dia Elias acorda e não vê corvos, nem comida, nem água. O riacho havia secado. Quem ordena que o riacho seque é o próprio Deus que lhe aponta um novo caminho, nova direção: “Levanta-te, vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma viúva que te sustente” (1Rs 17:9). Chegando a Sarepta, à porta da cidade, está uma viúva, apanhando gravetos. Não era lenha, eram gravetos. Lenha é para fogo alto. Gravetos, para pequeninas chamas, que rapidamente se tornam em brasa, sinal de pouca comida. Elias, cansado da viagem, cumprimenta a mulher e lhe pede um pouco de água e também pão: “Não tenho comida em casa, só um punhado de farinha e um pouco de azeite, vês, só peguei dois gravetos, vou prepará-lo para mim e meu filho para que comamos e morramos” (1Rs 17:12).
No Antigo Testamento, as viúvas eram personagens marginalizadas. Especialmente se não tinham filhos crescidos para cuidar delas. Eram facilmente vitimadas e tinham limitados recursos materiais e financeiros. Em tempo de uma grande seca, as coisas eram ainda piores para elas. Cada família lutava pela própria sobrevivência e não havia sobras para viúvas pobres.
A viúva de Sarepta recebeu o pedido de alimentar o profeta que chega de viagem. Quando consideramos sua realidade social e econômica, ela era, realmente, a candidata mais improvável. Só havia um punhado de farinha e um pouco de óleo entre essa pobre mulher e a morte pela fome. É realmente compreensível e natural a reação dessa mulher: “Não tenho comida...”.
A reação de Elias, diante da confissão da viúva, é inusitada: “Não temas; vai, faze conforme a tua palavra; porém faz dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-o aqui; depois farás para ti a para teu filho”(1Rs 17:13). Ele pede que o alimento seja dado primeiramente para ele, assim Deus multiplicaria o azeite e a farinha até a chegada da chuva.
A coragem e a obediência da viúva. Sem questionar, a mulher obedece e a Palavra do Senhor se cumpre, dando-lhe fartura de víveres. Ela não temeu, simplesmente obedeceu. Deus retribuiu-a com bênçãos materiais e espirituais: “Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou, conforme a Palavra do Senhor...”(1Rs 17:16). Os gravetos se multiplicaram em sua casa. Ela e o filho escaparam miraculosamente da fome e tiveram uma fonte constante de comida. É difícil imaginar a surpresa dela ao ver esse milagre incrível acontecer, não uma só vez, mas dia a dia. Ali estava uma viúva solitária em território pagão, falando do Deus de Israel e de suas maravilhas. E ela nem era do povo escolhido! Jesus disse que muitas viúvas havia em Israel na época da grande fome, mas apenas a uma das viúvas, foi enviada providência (ler Lc 4:25).
Outra qualidade notória nessa mulher: a FÉ – “Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a Terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias...”(1Rs 17:14,15). A fé de uma gentia moveu o coração de Deus. Originalmente, a mulher só tinha o suficiente para uma refeição. Ao dar primeiro aquela comida ao profeta, essa mulher pagã agiu por uma fé pura, confiando no que não podia ver nem entender. Também é surpreendente que essa mulher não fosse nem mesmo israelita, mas alguém que vivia em uma terra pagã, que praticava uma forma degradante de adoração. E ainda, de alguma forma, Deus a usou como um instrumento para a sua Obra (veja 1Rs 17: 9). “Sem fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11:6).
Onde estariam os judeus? Adorando a Baal? Estariam eles se curvando a Acabe e a sua mundana e idólatra Jezabel, esperando que estes lhes trouxessem chuva? Estariam murmurando? Ao contemplar essa passagem Bíblica, receio por muitos que cristãos dizem ser. Teríamos a mesma fé dessa mulher que atraiu Elias até Sarepta? Ou estaríamos hoje como os judeus da época de Elias?  Qual foi a última vez em que você teve que agir em fé pura, cega, confiando no que não podia ver nem entender? Que lições você aprendeu sobre o que significa para nós, seres pecaminosos, viver pela fé? A viúva se Sarepta venceu o medo e respondeu mostrando uma atitude de Coragem, Obediência e Fé. É um belo exemplo a ser imitado!

II. O ASPECTO SOCIAL DA VIUVEZ

1. No Antigo Testamento. A legislação hebraica sempre se mostrou solícita pelas viúvas e, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, eram alvo de provisões especiais. Deus teve uma atenção especial à viuvez. As recomendações foram claras e imperativas ao povo de Israel. Cito algumas: “Quando no teu campo colheres a tua colheita, e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para [...] a viúva será; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos”(Dt 24:19); “Quando sacudires a tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; para .... a viúva será”(Dt 24:20); “Quando vindimares a tua vinha, não voltarás para a rebuscá-la; para ... a viúva será”(Dt 24:21); “Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem”(Dt 26:12); “A nenhuma viúva ... afligireis”(Ex 22:22).
Visto que as viúvas são frequentemente desprezadas pelos homens, Deus mostra cuidados especiais por elas (leia novamente os versículos citados acima; leia também Sl 68:5; 146:9; Pv 15:25). E a bondade a elas demonstrada era louvada como um dos sinais da verdadeira religião (ler Is 1:17). A opressão e a injúria contra as viúvas, por outro lado, faziam o faltoso incorrer em horrenda punição (ler Sl 94:6; Ml 3:5).
Visto que dar à luz filhos era algo reputado como grande honra, o que se tornou ainda mais intenso posteriormente quando a nação passou a esperar pelo Messias(Is 11:1), a viuvez  das mulheres que ainda não haviam passado a idade de ter filhos, bem como a esterilidade, eram reputados como uma vergonha e um opróbrio (cf Is 4:1; 54:4). As viúvas dos reis, entretanto, permaneciam em sua viuvez, e eram propriedade, embora nem sempre esposas, do novo rei. Pedir qualquer delas em casamento era a mesma coisa que reivindicar o reino (cf 1Rs 2:13-23).
2. No Novo Testamento. A Igreja Cristã herdou do Judaísmo o dever de cuidar das viúvas. A Igreja primitiva demonstrou profunda solicitude por elas. Tiago, em sua epistola, assevera categoricamente que prestar assistência às viúvas em suas aflições é um sinal da espécie de religião, como era no Antigo Testamento, na qual Deus não encontra qualquer falta – “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é essa: visitar [...] as viúvas nas suas tribulações....”(Tg 1:27).
No Novo Testamento, as viúvas tinham poucos meios de auto-sustento; em muitos casos, não tinham ninguém para cuidar delas. Esperava-se da parte dos crentes que lhes demonstrassem o mesmo cuidado e amor que Deus as revelou no Antigo Testamento. Hoje, entre os nossos irmãos e irmãs em Cristo, há os que precisam de ajuda e cuidados. Devemos procurar aliviar suas aflições e sofrimentos e, dessa maneira mostrar-lhes que Deus tem cuidado deles.
Ainda que as viúvas tivessem herdado riquezas de seus maridos, e não necessitassem de rendas, precisavam assim mesmo ser protegidas dos inescrupulosos. Uma das coisas que Jesus condenou, no caso de certos fariseus, foi o fato que eles devoravam “as casas das viúvas”(Mc 12:40); e Ele provavelmente estava tirando uma ilustração da vida contemporânea ao relatar a história da viúva que, por sua persistência em exigir justiça, estava importunando o juiz iníquo(ler Lc 18:1-5).
O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo, expressa o seu desejo de que as viúvas jovens se casem novamente; e exorta para que às viúvas no pleno sentido da palavra, isto é, aquelas que não contavam com parentes para sustentá-las, e que se mostravam regulares em seus deveres religiosos cristãos, fosse dada uma posição especial na Igreja, e que fossem sustentadas pela irmandade. Deveria haver uma lista dessas viúvas, e só deveriam ser arroladas nessa lista aquelas que já tivessem mais de sessenta anos de idade e que tivessem dado testemunho de boas obras, tendo cuidado das crianças, tendo demonstrando hospitalidade, ou tendo prestado serviço aos aflitos dentre o povo de Deus(ler 1Tm 5:9-16).
É bom ressaltar que a igreja primitiva prestava essa assistência porque, nos tempos do Novo Testamento, não havia assistência social do governo, nem aposentadoria para viúvas que não tinham família, nem filhos, para ajudá-las. Os empregos remunerados para as viúvas eram escassos. Além do mais, algumas viúvas eram demasiadamente idosas para prover seu sustento. Daí, as que não contavam com outros meios de sustento deviam receber provisão da igreja. A contrapartida, porém, era que elas demonstrassem possuir certas qualificações espirituais(1Tm 5:9,10), inclusive a perseverança nas boas obras (5:10) e na oração(5:5).
Paulo é enfático com relação aos cuidados sociais que a igreja deve ter com as viúvas: as que são realmente viúvas – “Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas”(1Tm 5:3). Honrar aqui não tem apenas a ideia de respeito, mas inclui a noção de ajuda financeira. A verdadeira viúva não tem meios de sobrevivência, não atem para onde ir. Seu refúgio é o Deus vivo, porque na terra ela não depende de ninguém. Foi deixada totalmente sozinha e permanece nessa condição. Não tem filhos, nem neto, nem pessoa alguma que tenha o dever de dar-lhe o sustento.
Para aquelas viúvas que tem filhos ou netos, Paulo recomenda: “Mas, se alguma viúva tiver filhos ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus”(1Tm 5:4). Neste caso, os filhos deveriam, e devem, aprender a mostrar piedade em casa retribuindo à mãe(ou avó) tudo o que ela fez por eles. Este versículo ensina claramente que a piedade começa em casa. É um mau testemunho para a fé cristã, proclamar a religião e negligenciar as pessoas vinculadas a nós pelos laços de sangue.
É “agradável” a Deus que os cristãos cuidem de seus entes sem sobrecarregar a Igreja. Em Efésios 6:2, Paulo ensina claramente: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa”. Como foi mencionado antes, uma verdadeira viúva é aquela sem recursos financeiros e que constantemente espera em Deus o pão de cada dia.

CONCLUSÃO

Aliviar as aflições da viuvez, isto é, daquelas pessoas dentro deste perfil social que realmente são carentes, é um testemunho de amor cristão. A nossa fé se manifesta em atos de bondade para com aqueles que não têm como retribuir. Muitas vezes podemos fazer muito com pouco. Está escrito: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”(Tg 4:17). Neste contexto, fazer o bem significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dele a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. Portanto, a igreja local não pode, em hipótese alguma, desobedecer a Palavra de Deus desamparando quem de fato é viúva ou viúvo. Cito novamente a exortação de Tiago: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é essa: visitar [...] as viúvas nas suas tribulações....”(Tg 1:27). Isso significa que o resultado prático do novo nascimento é, também, observado em “atos de bondade” .

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 51 – CPAD.














terça-feira, 17 de julho de 2012

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA - Aula 04



MATEUS E MARCOS

Texto Básico: Mateus 13:44-48



“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”(Mc 10:45)

INTRODUÇÃO

Na Aula anterior estudamos sobre “Jesus e os Quatro Evangelhos”. Tivemos uma noção de suas características gerais, seu panorama geográfico e seu contexto histórico, além de seu maravilhoso tema: Jesus Cristo. Vimos que os Evangelhos foram endereçados a pessoas diferentes e com propósitos diversos: Mateus foi escrito para os judeus e apresentou Jesus como Rei; Marcos escreveu para os romanos e apresentou Jesus como Servo; Lucas escreveu para os gregos e apresentou Jesus como o Homem perfeito; e João escreveu um evangelho universal e apresentou Jesus como Deus, o Verbo encarnado. Vimos que os Evangelhos se harmonizam entre si; mas, ao mesmo tempo, cada um deles é ímpar, porquanto cada escritor sagrada registrou a história de Jesus à sua maneira particular.
Nesta Aula, vamos estudar dois dos Evangelhos: Mateus e Marcos. Veremos a maneira distinta como cada um apresenta a pessoa e o Ministério de Cristo. Por exemplo, Mateus refere-se a Jesus usando o título “Filho de Davi” por oito vezes. Marcos usou esse mesmo título apenas por duas vezes. Mateus deu mais ênfase ao cumprimento de profecias por parte de Jesus; Marcos concentrou a atenção sobre os feitos de Jesus. Ao estudar sobre estes dois maravilhosos livros, certamente notaremos outras diferenças. Enquanto estudamos, que o Senhor nos ajude a contemplá-lo como nosso Messias, ajudando-nos a seguir o Seu belo exemplo, como servos obedientes e voluntários de Deus.

I. MATEUS, O EVANGELHO DO REI-MESSIAS

O Evangelho de Mateus é a ponte perfeita entre o Antigo e o Novo Testamento. Suas primeiras palavras nos levam de volta a Abraão, o patriarca do povo de Deus do Antigo Testamento, e a Davi, o primeiro grande rei de Israel. Devido à sua ênfase, ao acentuado teor judaico, às inúmeras citações das Escrituras hebraicas e por ser o livro que encabeça o Novo Testamento, Mateus está na posição lógica para a apresentação da mensagem cristã ao mundo.
Mateus tem mantido essa primeira posição na sequencia dos quatro evangelhos por muito tempo. Isso se deve ao seguinte: até os tempos modernos, aceitava-se universalmente que Mateus havia sido o primeiro evangelho a ser escrito. O estilo organizado e claro de Mateus também fez dele o mais apropriado para a leitura em público. Portanto, era o Evangelho mais popular, às vezes até disputando esse lugar com o Evangelho de João.
O tema do Evangelho de Mateus é Jesus Cristo. O nome Jesus o apresenta como o Salvador Jeová. O título Cristo(“ungido”) o apresenta como o tão esperado Messias de Israel. O título filho de Davi está associado como as funções de ambos: Messias e Rei no Antigo Testamento. O título filho de Abraão apresenta o Salvador como o cumprimento máximo das promessas feitas ao progenitor do povo Hebreu.
1. Data e Autoria.
a) Data. Não é possível determinar a data em que esse Evangelho foi escrito. Embora alguns eruditos defendam ter escrito no final do século I, é bastante provável que o livro tenha sido concluído entre os anos 40 d.C. e 60 d.C. O  ponto de vista de que o evangelho tinha de ser escrito após a destruição de Jerusalém(70 d.C.) baseia-se fundamentalmente no fato de não se acreditar na habilidade de Cristo em prever aquele evento futuro detalhadamente, e em outras teorias racionalista que ignoram ou negam a inspiração divina.
b) Autoria. Apesar de o nome do autor do Evangelho não estar identificado no texto, desde os primórdios tem sido conhecido como o Evangelho de Mateus. Não há razão alguma para duvidar que o livro tenha sido de fato escrito por Mateus, o outrora desprezado coletor de impostos que, posteriormente, transformou-se em um dos doze discípulos de Jesus(cf. Mc 2:14-17; Lc 5:27).
Mateus era jovem quando Jesus o chamou. Judeu de nascença, sua profissão era a de cobrador de impostos, e ele abandonou tudo para seguir a Cristo. Uma de suas muitas recompensas foi que ele se tornou um dos doze apóstolos. Outra é que ele foi escolhido como o escritor do Evangelho que leva o seu nome. É aceito de forma geral que Mateus também era conhecido como Levi(Mc 2:14; Lc 5:27).
2. Ênfase. No seu Evangelho, Mateus dispõe-se a mostrar que Jesus é o Messias de Israel que o povo tanto aguardava, o único que poderia reivindicar legalmente o trono de Davi. Ele revela grande interesse em relacionar Jesus com as profecias do Antigo Testamento. Existem 129 referências ao Antigo Testamento. Essa ênfase indica que Ele estava escrevendo a leitores para os quais o cumprimento de profecias era importante e significativo. Queria mostrar que Jesus é o Messias e nele se cumpriram as profecias do Antigo Testamento.
Mateus, mais do que os demais evangelistas, se esforça em mostrar o contexto veterotestamentário. Cada acontecimento significativo da vida de Jesus é resultado direto do cumprimento das Escrituras – "para que se cumprisse": a concepção virginal (Mt 1:23), o nascimento em Belém (Mt 2:6), a ida e depois o regresso do Egito (Mt 2:15), a matança promovida por Herodes (Mt 2:17-18), seu estabelecimento em Nazaré (Mt 2:23), João Batista (Mt 3:3), seu ministério pedagógico (Mt 2:4, 15-16), seus milagres (Mt 8:17), sua atitude de Servo (Mt 12:17-21), seu ensino por meio de parábolas (Mt 13:35), sua entrada Triunfal em Jerusalém (Mt 21:5), sua paixão (Mt 26:56). A observação que cabe aqui é que Mateus se utiliza de forma muito livre e pessoal cada um destes textos do Antigo Testamento.
O livro de Mateus não professa ser uma narrativa completa da vida de Cristo. Começa com sua genealogia e seus primeiros anos, e então passa para o início do seu ministério público quando Ele tinha aproximadamente trinta anos. Guiado pelo Espírito Santo, Mateus seleciona esses aspectos da vida e do ministério do Salvador que comprovam sua condição de Ungido de Deus(é justamente isso o que significa Messias e Cristo). O livro vai até o ponto mais alto: o julgamento, a morte, o sepultamento, a ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus. E nesse ápice, é óbvio, foi assentado o fundamento da salvação do homem. É por essa razão que o livro é chamado de Evangelho – não tanto porque ele mostra o caminho pelo qual pessoas pecaminosas podem receber a salvação, mas, pelo contrário, porque descreve a obra sacrifical de Cristo pela qual a salvação se tornou possível.
3. Características especiais. São sete as características essenciais deste Evangelho:
a) É o mais judaico dos quatro Evangelhos.
b) Contém a exposição mais sistemática dos ensinos de Jesus e do seu ministério de cura e libertação. Isso levou a Igreja, no século II, a usá-lo intensamente na instrução dos novos convertidos.
c) Os cinco sermões principais contêm os textos mais extensos dos Evangelhos sobre o ensino de Jesus: durante o seu ministério na Galiléia, e quanto a escatologia(as últimas coisas a acontecer).
d) O Evangelho de Mateus, de modo específico, identifica eventos da vida de Jesus como sendo cumprimento do Antigo Testamento, com mais frequencia do que qualquer outro livro do Novo Testamento.
e) Menciona o reino dos céus(reino de Deus) duas vezes mais do que qualquer outro Evangelho. Há trinta e oito referencias ao “Reino de Deus” ou ao “Reino dos Céus”.
f) Mateus destaca: os padrões de retidão do reino de Deus(Mt cap. 5-7); o poder divino ora em operação no reino, sobre o pecado, a doença, os demônios e a morte; e o triunfo do reino, na vitória final de Cristo, nos fins dos tempos.
g) Mateus é o único Evangelho que menciona a Igreja como entidade futura pertencente a Jesus(Mt 16:18; 18:17).
h) Não há ordem cronológica. Mateus não apresenta fatos e ensinos na ordem em que ocorreram ou foram ditos. A ordem só é seguida em parte: no início do livro (nascimento, batismo, tentação) e no final (última semana, morte, ressurreição e ascensão). No meio - as parábolas, milagres e ensinamentos -, não se encontram ordenados cronologicamente.
i) Mateus contém 15 parábolas (10 exclusivas). Um dos efeitos das parábolas é a fixação do ensinamento. Isto quando o mesmo é compreendido. Trata-se então de um recurso didático. Aliás, tal propósito encontra-se subjacente a muitos elementos e práticas do judaísmo e do cristianismo.
j) Mateus narra 20 milagres (3 exclusivos). Embora o número seja grande, as narrativas são resumidas.
k) Mateus apresenta Jesus como Rei. Tal propósito já se nota na apresentação da genealogia. A expressão "Filho de Davi" ocorre 9 vezes no livro.
4. Aspectos exclusivos. Entre os quatro Evangelhos, somente Mateus registra um ensino especifico sobre a Igreja. E nas três vezes em que a palavra aparece são provenientes da boca de Jesus (Mt 16:18 e 18:17 duas vezes), se revestindo de grande importância. Na primeira referência Jesus declara ser o fundamento da Igreja que haveria de surgir após sua ressurreição, na segunda é estabelecido o padrão de autoridade e disciplina da Igreja.
Outros aspectos exclusivos: Mateus contêm nove incidentes, dez parábolas e três milagres que não se encontram nos demais evangelhos. Entre essas coisas foram incluídas, por exemplo, a visão de José (Mt 1:20-24), a cura do mudo endemoninhado (Mt 9:32,33) e as parábolas do trigo e do joio (Mt 13:24-30, 36-43), e dos talentos (Mt 25:14-30).
5. Esboço de Mateus. Há vários esboços sobre o livro de Mateus, diferentes entre si. A sua composição depende muito de quem os elabora. Assim, o presente esboço é uma entre tantas maneiras de se apresentar o evangelho de Mateus.
A.  A PREPARAÇÃO DO REI (Mt 1:1 a 4:11):
1) A descendência do Rei (Mt 1:1-17 – a genealogia).
2) O advento do Rei (Mt 1:18 a 2:13 – advento = vinda).
3) O embaixador do Rei (Mt 3:1-17). Era comum entre os reis o envio de mensageiros diante de si para anunciar a aproximação da comitiva real. Iam estes anunciando em alta voz a chegada do rei. Os súditos deviam então se colocar em atitude e posição de reverência. Muitas vezes era comum que todos se prostrassem diante do rei. Da mesma forma, João Batista foi enviado na frente de Jesus para anunciar a sua chegada, cumprindo-se assim a profecia de Isaías (Is 40).
4) A prova do Rei (Mt 4:1-11 – A tentação no deserto).
B. O PROGRAMA DO REI (Mt  4:12 a 16:12):
1) O começo do reino (Mt 4:12-25). Jesus começou a pregar dizendo: arrependei-vos. O arrependimento é o começo do reino de Deus na vida do homem. A seguir Jesus escolhe seus discípulos.
2) O manifesto do reino (Mt cap. 5-7). Manifesto = declaração pública. Jesus vem a público apresentar as propostas do seu reino. Assim como Moisés recebeu no monte Sinai as leis da antiga aliança, Jesus também sobe ao monte e promulga as normas do Reino de Deus.
3) Os sinais do Reino (Mt cap. 8-9). Nessa parte Mateus apresenta alguns milagres de Jesus. Seu reino não é composto apenas de palavras, ensinamentos, mas demonstração de poder. Vemos então nesses capítulos a autoridade do Rei Messias sobre: homens, toda sorte de enfermidades (Mt 9:35), deficiências físicas, morte, pecado, natureza, demônios. Fica em evidência o absoluto alcance do Reino de Deus.
4) Os mensageiros do Reino (Mt cap.10-11). Os mensageiros aqui citados são: João Batista, seus discípulos, e os discípulos de Jesus. João estava passando por uma crise de dúvidas. O rei Jesus, que ele mesmo anunciara não havia tomado nenhuma providência para libertá-lo do cárcere. Surgiu então o questionamento: "Será este mesmo o Cristo?" Muitas vezes o evangelho pode não atender às nossas expectativas particulares. Alguns problemas podem persistir e isso pode trazer a frustração. Contudo, os propósitos divinos são superiores aos nossos. "E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho".
5) Os princípios do reino (Mt cap.12). Jesus dá destaque para a misericórdia e o amor em detrimento de uma observação apenas literal da lei. Apresenta-se nesse trecho a superioridade de Cristo sobre o templo, o sábado, o profeta Jonas e o rei Salomão (Mt 12:6,8,41,42). O Rei Jesus é superior a todos os valores e figuras importantes do judaísmo
6) Os mistérios do reino (Mt 13:1-52). Jesus apresenta, por meio de parábolas, diversas características do reino, as quais se encontram ao mesmo tempo ocultas e reveladas. Ocultas para a multidão e reveladas para os discípulos.
7) A ofensa do reino (Mt 13:53 a 16.12). Após encerrar suas parábolas, Cristo se dirigiu à sua Nazaré, onde foi rejeitado por seus compatriotas. Em seguida temos o relato da morte de João Batista. As reações negativas contra o reino tornam-se mais intensas. Os fariseus entram em cena novamente em perseguição ao Mestre (Mt 15:2; 16:1). Surge então o fermento maligno contra o fermento do reino (Mt 16:6). As obras malignas também crescem. A perseguição contra Cristo estava crescendo.
C. A PAIXÃO DO REI (Mt 16:13 a 28:20):
1) A revelação do Rei (Mt 16:13 a 17:27). Embora Jesus já fosse publicamente conhecido há um bom tempo, as pessoas não sabiam muito bem quem Ele era. Sabiam apenas que Jesus curava os enfermos e multiplicava os alimentos. Nem os discípulos possuíam uma visão definida sobre ele.
2) A doutrina do Rei (Mt cap. 18-20). Conforme deduzem alguns comentaristas, uma das preocupações de Mateus era o atendimento das necessidades da sua comunidade, a igreja. Por isso ele selecionou e organizou seu material da forma com o temos hoje. Nesses capítulos encontramos ensinamentos de Jesus sobre humildade, o valor de uma alma, o perdão, decisões da igreja, divórcio, o perigo das riquezas e as recompensas aos seus seguidores.
3) A rejeição do Rei (Mt cap. 21-22). Os judeus recebem Jesus em Jerusalém com entusiasmo. Porém, estranham sua atuação no templo, quando ele expulsa os comerciantes e derruba suas mercadorias. Da mesma forma muitos estranham as mudanças que Jesus deseja fazer em suas vidas após terem-no recebido como Salvador.
4) As censuras do Rei (Mt cap. 23). Até então, os fariseus vinham praticando um tipo de "perseguição teológica" contra Jesus. Tentavam colocá-lo em dificuldade afim de apanhá-lo em alguma palavra. Jesus, por sua vez, vinha administrando o conflito de forma amigável. Porém, no capítulo 23, Jesus parte para o confronto. Ele usa palavras duras e revela publicamente toda a corrupção dos fariseus.
5) As predições do Rei (Mt cap 24-25). Temos nesse trecho um discurso apocalíptico de Jesus. É a escatologia do Mestre tratando dos sinais dos últimos tempos, o surgimento de falsos cristos, sua segunda vinda, o arrebatamento, o juízo e a eternidade. Fica demonstrada então o conhecimento de Cristo sobre os eventos futuros, exceto sobre o dia da sua vinda. Já que ninguém sabe esse dia, senão o Pai, Jesus reforça bem a necessidade de vigilância por parte de seus seguidores.
6) Os sofrimentos do Rei(Mt cap.26-27). As autoridades religiosas levaram às últimas consequências sua perseguição ao Mestre. Essa parte trata da traição de Judas, prisão e morte de Jesus. Até nesse momento, o título real acompanha o Messias. Sobre sua cruz se coloca a inscrição em caracteres romanos, gregos e hebraicos: "Este é Jesus, o Rei dos judeus." (Mt 27:37 Lc 23:38).
7) O triunfo do Rei (Mt cap. 28). Encerrando seu livro, Mateus fala sobre a ressurreição de Jesus. Está então demonstrado o poder triunfal do Rei Messias sobre sua própria morte. Agora, tendo recebido todo poder nos céus e na terra, Ele dá ordens aos seus discípulos para que levem o Evangelho a todas as nações.

II. MARCOS, O EVANGELHO DO SERVO TRABALHADOR

Marcos, também, é considerado um dos evangelhos sinóticos. O termo sinótico vem de duas palavras gregas, cujo significado é “ver conjuntamente”. Dessa maneira, Mateus, Marcos e Lucas tratam basicamente dos mesmos aspectos da vida e ministério de Cristo. Dos Evangelhos sinóticos, Marcos é o mais breve.
Nesse Evangelho, temos a maravilhosa história do Perfeito Servo de Deus, o Senhor Jesus Cristo. É a história de alguém que deixou de lado a forma exterior de sua glória no Céu e assumiu a forma de Servo na Terra (Fp 2:7). É a história incomparável de alguém que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”(Mc 10:45).
Se lembrarmos que esse Servo Perfeito e Trabalhador era nenhum outro a não ser Deus, o Filho, e que Ele voluntariamente se vestiu com o avental de escravo, tornando-se Servo dos homens, o Evangelho brilhará com incessante esplendor.
Aqui vemos o Filho encarnado de Deus vivendo como um Homem dependente na Terra. Tudo o que Ele fez estava em perfeita obediência à vontade do Pai, e suas obras poderosas foram todas realizadas no poder do Espírito Santo.
Aquele que é perfeitamente Deus, também é perfeitamente homem. O Messias entrou na História não para conquistar os reinos do mundo com espada, mas para servir os homens, aliviar suas aflições, curar suas enfermidades, levantar os caídos, morrer na cruz para a remissão de seus pecados. Como Servo, Jesus foi tentado, falsamente acusado, perseguido, ferido, cuspido, ultrajado, pregado na cruz.
Este Evangelho é um valioso manual de serviço para os que desejam ser fiéis e verdadeiros servos do Senhor.
1. Autoria. A maioria dos autores aceita a opinião unânime da igreja primitiva de que este Evangelho foi escrito por João Marcos.  Embora ele não tenha sido um discípulo de Cristo, seguramente presenciou muitos fatos da sua vida, visto que morava em Jerusalém e sua casa tornou-se um ponto de encontro da Igreja (At 12:12). Sua mãe chamava-se Maria.
Os pais da Igreja, unanimemente aceitaram João Marcos como o autor deste Evangelho. Papias, um dos pais da Igreja do começo do século II, afirma que o Evangelho de Marcos é a compilação do testemunho pessoa de Pedro acerca da vida e ministério de Cristo. Marcos não foi discípulo de Cristo, mas de Pedro. De acordo com Papias, Marcos foi o intérprete de Pedro.
Outros pais da Igreja, incluindo Justino, o mártir, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes e Eusébio, confirmam Marcos como o autor deste Evangelho. Também associam o Evangelho de Marcos com o testemunho do apóstolo Pedro. Irineu, outro pai da Igreja, afirma: “Depois da morte de Pedro e Paulo, também Marcos, discípulo e intérprete de Pedro, nos legou por escrito as coisas que foram pregadas por Pedro”. Marcos é o mais aramaico dos evangelhos, o que evidencia ser um relato da palavra falada de Pedro.
Marcos era considerado um filho de Pedro na fé (1Pe 5:13). Ele teve um estreito relacionamento com Pedro. O apóstolo o chama “meu filho”. Possivelmente o próprio Pedro o tenha levado a Cristo e seja seu pai na fé. Quando Pedro foi solto da prisão, foi para casa de Maria, mãe de Marcos, onde a igreja estaca reunida.
A tradição de que Marcos escreveu em Roma é demonstrada pela grande quantidade de palavras latinas em relação aos outros evangelhos (como centurião, censo, denário, legião e pretório).
Marcos foi chamado por Paulo para assisti-lo no final da sua vida(2Tm 4:11). Marcos estava em Éfeso quando Paulo foi preso pela segunda vez. Agora, Paulo está num calabouço romano, aguardando o seu martírio. Paulo reconhece que o mesmo jovem que ele dispensara no passado agora lhe é útil e deseja tê-lo como seu cooperador no momento final da sua vida. Isso nos prova a mudança de conduta de Paulo bem como sua mudança de conceito acerca de Marcos.
Dez vezes no Novo Testamento nosso autor é mencionado por seu nome gentílico(latim) - “Marcos” -, e três vezes por seu nome composto judeu e gentílico - “João Marcos”. Marcos, o “servo”, ou assistente, primeiro de Paulo(At 12:25; 13:5), depois de seu primo Barnabé(Cl 4:10; At 15:37-40) e, de acordo com tradição confiável, de Pedro antes de sua morte, foi a pessoa ideal para escrever o Evangelho do Servo Perfeito.
2. Ênfase. Marcos é o Evangelho da Ação. Jesus é apresentado nesse Evangelho como servo que está sempre em atividade. Marcos descreve Cristo, sempre ocupado, se deslocando de um lugar para outro, curando, libertando, pregando e ensinando as pessoas. As obras de Cristo têm mais ênfase que as suas palavras.
Marcos contém somente uma parábola que não é encontrada em nenhum outro Evangelho(Mc 4:26-29), enquanto Lucas tem dezoito parábolas que lhe são peculiares.
Entre os seis grandes discursos de Mateus, somente um, o das últimas coisas (Mt 24 e Mc 13), acha-se igualmente relatado em Marcos, e mesmo assim, de forma resumida.
O  euthys (imediatamente, logo, então) ocorre mais de quarenta e duas vezes em Marcos.
Marcos descreve Jesus como um Rei ativo, enérgico, que se move rapidamente como um conquistador vitorioso sobre as forças da natureza, da doença, dos demônios e da morte.
Marcos enfatiza mais os milagres de Cristo do que seus sermões. Em cada capítulo do Evangelho até seu ministério final em Jerusalém, há pelo menos o registro de um milagre. Ele realizou milagres para demonstrar sua compaixão pelas pessoas(Mc 1:41,42), para convencer as pessoas acerca de quem Ele era (Mc2:1-2) e para ensinar os discípulos acerca da sua verdadeira identidade como Deus(Mc 8:14-21).
3. Características especiais.
a) O Evangelho de Marcos é geralmente considerado o primeiro Evangelho que foi escrito. Embora esse fato não tenha um consenso unânime, a maioria dos estudiosos crê que Marcos foi escrito antes dos outros evangelhos.
b) O estilo de Marcos é ágil, cheio de energia e conciso. Ele enfatiza mais as ações que as palavras do Senhor, o que se evidencia no registro de dezenove milagres, mas somente quatro parábolas.  Os romanos estavam mais interessados em ação que em palavras, por isso Marcos descreve mais os milagres de Cristo que os seus ensinos.
c) Como um Evangelho aos romanos, ele se detém em explicar os  termos judaicos ao seus leitores (Mc 7:3,4; 7:11; 14:12). Quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo, a tomou pela mão e lhe disse: “Talita cume”, que quer dizer: “Menina eu te mando, levanta-te”.
d) Marcos usou várias palavras latinas. Isso pode ser constatado observando alguns textos (Mc 5:9; 12:15,42; 15:16,39).
e) Marcos foi o evangelista que menos citou o Antigo Testamento. Ele, por exemplo, não cita em seu Evangelho o termo “lei”.
f)  Marcos omite todas as genealogias judaicas. Isso se coaduna com o interesse de Marcos na vida de serviços de Jesus, pois a história da família de um servo não é importante.
g) Marcos inicia seu Evangelho de modo repentino, e descreve os eventos da vida de Jesus de modo sucinto e rápido, introduzindo os episódios mediante o advérbio grego que corresponde a “imediatamente”. Este termo aparece 42 vezes no evangelho de Marcos(no original), apenas 7 vezes em Mateus e uma única vez em Lucas, indicando a prontidão, pressa e espontaneidade como Jesus servia.
h) Marcos usou a contagem de tempo romano. Podemos constatar isso em Mc 6:48; 13:35. Portanto, todas as evidências nos indicam que Marcos escreveu esse Evangelho para os romanos.
William Barclay considerava o Evangelho de Marcos o mais importante do mundo, visto que serviu de fonte para os outros evangelhos e é o primeiro relato da vida de Cristo que a humanidade conheceu  Dos 661 versículos de Marcos, Mateus reproduz 606. Há apenas 55 versículos de Marcos que não se encontram em Mateus, mas Lucas utiliza 31 destes. O resultado é que há somente 24 versículos de Marcos que não se encontram em Mateus ou Lucas. Isso parece provar que tanto Mateus quanto Lucas usaram o Evangelho de Marcos como fonte(Barclay, William, Marcos, 1974: p.11,12).
4. Esboço de Marcos.
a)      A preparação do Servo (Mc 1:1-13).
b)      Os primeiros ministérios do Servo na Galiléia(Mc 1:14-3:12).
c)       O chamado do Servo e o treinamento dos seus discípulos(Mc 3:13-8:38).
d)      A viagem do Servo para Jerusalém (Mc 9-10).
e)      O ministério do Servo em Jerusalém (Mc 11-12)
f)        O discurso do Servo no Monte das Oliveiras (Mc 13).
g)      O sofrimento e a morte do Servo (Mc 14-15).
h)      O triunfo do Servo (Mc 16).

CONCLUSÃO

A parte mais importante do Evangelho não é o que nós devemos fazer, mas o que Deus fez por nós em Cristo. O Evangelho não é discussão nem debate, mas uma proclamação. O Evangelho está centralizado na pessoa de Cristo Jesus. O Conteúdo do Evangelho é Jesus Cristo: sua vida, obra, morte, ressurreição, governo e segunda vinda. Alguém disse que Cristo criou o Evangelho pela sua obra; Ele pregou o Evangelho pelas suas palavras, mas Ele é o próprio Evangelho.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Prof. Anísio Renato de Andrade – Introdução ao estudo dos evangelhos e Evangelho de Mateus.

Ver. Hernandes Dias Lopes – Marcos, o Evangelho dos milagres.