segunda-feira, 15 de abril de 2013

Aula 03 – AS BASES DO CASAMENTO CRISTÃO


2º Trimestre/2013

 
Texto Básico:Ef 5:22-28,31,33



"Vós, maridos, amai vossas mulheres* como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Et 5:25).

INTRODUÇÃO


Sendo uma instituição criada por Deus, o casamento tem o objetivo de ser a base da família e, consequentemente, de toda a sociedade. O padrão para o matrimonio bíblico é que seja realizado entre um homem e uma mulher. E dentro dessa única e correta perspectiva, há mandamentos diretos para ambos os cônjuges.

A História tem demonstrada de forma inequívoca, principalmente neste século, que o casamento é um dos alvos preferenciais das forças satânicas. Sob o pretexto de "evolução", "progresso" e "avanços sociais", novas formas de união tem sido inventadas e aceitas pela sociedade sem Deus. A cada dia, o império do mal cresce, com o apoio dos governantes, dos representantes políticos do povo e dos representantes do poder judiciário, que aprovam leis e normas que contrariam a Lei de Deus. Mas os cristãos devem preservar e cultivar o matrimônio monogâmico e heterossexual, como uma bênção de Deus para a humanidade. Um Dia, todos serão julgados no plano espiritual segundo suas decisões e escolhas. O juízo Final aguarda, com sentença já definida, a sorte dos ímpios (Sl 9:17).

I. A VONTADE DE DEUS PARA O CASAMENTO


1. Que marido e mulher estabeleçam uma comunhão de vida. Aliás, é o sentido do casamento. Ao estabelecer o casamento, o texto sagrado diz que “serão ambos uma só carne” (Gn 2:24), expressão que é muito mais do que uma indicação da permissão de relacionamento sexual entre os cônjuges, mas que denotam a necessidade que os cônjuges têm de, a partir da decisão de se casarem, passarem a viver um em função do outro, de construírem uma vida em comum.

O individualismo e egoísmo reinantes neste mundo sem Deus e sem salvação têm sido um dos fatores primordiais para o fracasso dos casamentos, casamentos, aliás, cada vez mais raros. As pessoas não querem viver em função de alguém, mesmo tendo afeição por este alguém. Desejam ter uma companhia que, entretanto, não prejudique seus projetos pessoais, onde só cabe uma pessoa. São “amantes de si mesmo” e não titubeiam em descartar o companheiro se ele se tornar um obstáculo para seus planos egoístas. Não é esta, porém, a vontade de Deus para o casamento.

2. Que o casamento seja heterossexual e monogâmico. Após realizar o primeiro matrimônio, o Criador disse: “deixará o homem [macho] o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher [fêmea], e serão ambos uma carne” (Gn 2:24). Desta forma, jamais estará obedecendo aos princípios divinos quem defender ou constituir uma união homossexual, algo que, lamentavelmente, vem se alastrando nos países de todo o mundo, bem como aqui no Brasil, a despeito de ser considerado, hegemonicamente, um país cristão. A união de pessoas do mesmo sexo é a própria negação do conceito bíblico de família, que é, como se vê claramente em Gn 2:24, que diz que uma família se constitui quando um varão deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher e se constituem em uma só carne. Não é possível que uma união de pessoas do mesmo sexo possam constituir uma família, pois Deus criou a família com propósitos que exigem a heterossexualidade, entre as quais, a procriação e a complementaridade afetiva e emocional, que só é possível diante de uma união entre pessoas de sexos diferentes. Se não fosse a união heterossexual, promovida por Deus, desde o princípio, a raça humana não teria subsistida. Sem dúvida, o ajuntamento homossexual é uma excentricidade e uma abominação aos olhos de Deus(ler Lv 18:22). Também, no mesmo texto de Genesis 2:24, Deus indica que a vontade dele é que o casamento seja monogâmico, assunto já estudado na Aula anterior.

3. Que haja tratamento imparcial e respeito mútuo entre o homem e a mulher. Ao contrário do que se propaga pela mídia, a Bíblia jamais defendeu a supremacia do homem sobre a mulher, pois, para Deus, não há acepção de pessoas (Dt 10:17; At 10:34). Neste mundo, por causa do pecado, veremos sempre estruturas sociais que discriminam a mulher, mas isto não significa que seja esta a vontade divina. Muito pelo contrário, o modelo bíblico e o exemplo de Jesus mostram-nos que Deus sempre tratou homem e mulher com igualdade e, na igreja, assim devemos também proceder. Homem e mulher têm o mesmo valor diante de Deus. No entanto, e isto é fundamental, Deus criou o homem macho e fêmea (Gn 1:27), ou seja, homem e mulher, embora tenham o mesmo valor diante do Senhor, são diferentes, complementares, de modo que homem e mulher têm diferentes estruturas físicas e psicológicas, devendo, pois, ter tarefas e atividades diversas. Homem e mulher têm atividades diversas, que se completam, sendo tratados igualmente por Deus e devendo, assim, tratar-se com imparcialidade e respeito mútuos.

4.  Que haja a fase pré-matrimonial: Namoro e Noivado. Na rota do casamento, em tempos idos, o namoro e o noivado eram duas as fases pré-matrimonial. Todavia, nos tempos hodiernos, a juventude criou uma nova fase: o “ficar”. Ao que tudo indica, “ficar” é manter um relacionamento sem qualquer compromisso de estabilidade e de exclusividade. É o poder estar juntos, relacionando-se fisicamente, sem qualquer compromisso de exclusividade, de fidelidade, de estabilidade. No “ficar” não se pode exigir fidelidade amorosa. Tudo o que existe entre o casal de jovens se resume naquele momento que “ficam juntos”. Terminado esse momento, cada um segue o seu caminho como se nada tivesse havido, até um novo “ficar”. Isso não é condizente com a vontade de Deus.

Acreditamos que entre os jovens cristãos não deva ser proibido um relacionamento com base na amizade e no amor cristão, mesmo sem qualquer compromisso sentimental. É claro, que não nos moldes do “ficar”, pois, neste tipo de relacionamento se permite, na expressão dos jovens, “dar aqueles amassos”.

a) Namoro. O namoro é um período para se lançar as primeiras pedras que irão formar o alicerce de uma sólida construção. Construção que começa com erros de base não pode terminar certa. O namoro é a primeira fase da formação de uma nova Família. É claro que, lá fora, no mundo, tudo mudou; alguns reflexos dessa mudança alcançou, também, o “arraial dos Santos”. Vamos, contudo, pensar que nós, na Igreja, continuamos, não vivendo num sistema considerado antiquado, mas num sistema que prima pela santificação, conforme o modelo estabelecido pela Bíblia Sagrada, e que o namoro entre os nossos jovens seja, ainda, um compromisso sério que tem como objetivo final o casamento.

Que o namoro continue sendo uma fase bonita de convivência entre jovens, ainda com mais palavras de romantismo e menos contato físico, com mais amor e menos interesse, com mais contemplação e menos ação. Contudo, sem radicalismos!

b) Noivado. O noivado deve ser a fase pré-nupcial. Representa um compromisso de casamento. É a ante-sala de enlace matrimonial. Deve equivaler-se ao “desposar”, usado nos termos bíblicos, tais como “...estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem achou-se ter concebido do Espírito Santo”(Mt 1:18). O “desposar”, contudo, pela Lei de Moisés, tinha bases muito mais seguras em relação ao noivado, conhecido entre nós.

É claro que, aqui, estamos tratando do assunto sob o ponto de vista bíblico. Sabemos que, lá fora, no mundo, o noivado tem, muitas vezes, o sentido de liberdade e permissividade, conferindo aos noivos alguns direitos e privilégios que a Palavra de Deus reserva e só confere aos casados.
Não queremos, e não devemos, ser radicais e antiquados, porém, pela Bíblia, o casal se torna uma só carne, pelo casamento. Não é, pois, uma questão de ponto de vista, ou de ser moderno, ou antigo, o aceitar como normal o relacionamento sexual antes do casamento. É uma questão de obediência à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

O verdadeiro objetivo do noivado é o de ser uma fase preparatória para o casamento. A conquista do amor um do outro consolidou-se na fase do namoro. O casal concluiu que deveria prosseguir rumo ao casamento e, com o noivado, assumiu publicamente, um compromisso, envolvendo, também, suas famílias e sua Igreja Local.

O noivado, no nosso entendimento, é um compromisso de casamento. Um compromisso assumido por duas pessoas responsáveis não pode ser desfeito sem justa causa. Todavia, em havendo justa causa capaz de comprometer a felicidade e a estabilidade do casamento, então, o noivado, não apenas pode, como deve ser rompido.

Cuidado com o “jugo desigual”


Conforme disse o pastor Elinaldo Renovato, essa expressão, "jugo desigual", tem origem no texto de Paulo em 2Coríntios 6:14-18. O apóstolo exorta quanto ao perigo do relacionamento íntimo do cristão com pessoas não cristãs, a quem chama de "infiéis". Não se trata de evitar o relacionamento cordial ou social com vizinhos, colegas de trabalho, ou da escola. Mas sim, de relacionamento que implique em "comunhão" de ideias, pensamentos, emoções, afetos e intimidades (2Co 6:14b).

Muitos têm pago um preço muito alto por desprezarem esse ensino da Palavra de Deus. Entendendo que, na igreja local, não há um jovem ou uma jovem para namorar, noivar e casar, acabam envolvendo-se com colegas de trabalho, da escola, da faculdade; com um parente simpático; com um amigo bonito; ou uma amiga agradável, porém não crentes. Isso pode ter sua lógica, no aspecto humano. Mas, na visão de Deus, é desobediência a seus princípios. Alguns, por misericórdia de Deus, escapam de maiores consequências. Outros, infelizmente, afundam num casamento infeliz, sem união, sem amor, sem paz, sem a bênção de Deus. É melhor ficar solteiro, ou solteira, do que ter um casamento sem a presença de Deus. “...as más conversações corrompem os bons costumes”(1Co 15:33).

II. O AMOR VERDADEIRO NO CASAMENTO


O casamento cristão deve ser construído sobre as bases do amor a Deus e do amor conjugal verdadeiro. É a única forma de união consagrada por Deus para a constituição da família, objetivando o bem-estar do ser humano em todos os aspectos da vida. Quando Deus instituiu a família, disse que o varão e a mulher deveriam “unir-se em uma só carne”, “deixando” pai e mãe e havendo, entre marido e mulher um “apego”, apego este que é, precisamente, o amor “ágape”, o amor originado em Deus, que é a essência de todo relacionamento familiar.

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo não deixa qualquer dúvida quanto a natureza deste amor ao fazer um paralelo entre o amor conjugal e o amor que existe entre Cristo e a igreja, ou seja, confirma que o amor que deve existir entre os cônjuges é o mesmo tipo de amor que Deus revelou à humanidade através da obra de Jesus.

A Bíblia Sagrada diz que Deus é amor (1João 4:8b). Portanto, a sua obra-prima na humanidade, a saber, a família, não poderia ter outro elemento que a caracterizasse senão a marca do seu Criador: o amor. Portanto, não é possível concebermos as relações familiares sem este amor, o amor que não é o proveniente do ser humano, mas o amor desinteressado e incondicional, cuja fonte é o próprio Deus.

Vimos na Aula anterior, que a família, biblicamente falando, deve nascer do casamento, que é este gesto de deixar pai e mãe e se unir a uma pessoa do sexo oposto para com ela formar um novo projeto de vida. Ora, o móvel que deve nortear este deixar e o subsequente unir não é outro senão o amor, o chamado “amor conjugal”, que nada mais é que o mesmo amor existente em Deus, mas aplicado para a formação de uma família. Uma família não pode ser construída nem sustentada se não houver este amor entre os cônjuges e tem sido este um dos principais fatores que têm levado à crise familiar dos nossos dias.

É indispensável que, já no início do relacionamento, homem e mulher devam verificar qual é o sentimento que os aproxima. Não podemos iniciar um relacionamento única e exclusivamente porque nos sentimos atraídos fisicamente por alguém, ou porque nutrimos com a pessoa alguma simpatia, um sentimento de bem-estar que seja superficial, que busque apenas o seu próprio prazer e benefício. É preciso que tenhamos a convicção de que o que sentimos em relação a quem tencionamos conviver é um sentimento muito mais profundo, o desejo de fazê-lo bem, de torná-lo feliz, de ter prazer e se sentir bem em saber que este alguém terá êxito e sucesso ao nosso lado e, o que é fundamental, que há a intenção nítida e clara dos dois em unir seus destinos, em construir uma única vida em comum, em compartilhar dos mesmos sonhos, planos e projetos.

1. O amor do marido pela esposa. Ao falar do amor que o marido deve devotar à mulher, Paulo afirma que o marido deve amar a mulher assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5:25). Ora, este mandamento bíblico revela quão equivocados estão os “machistas”, que entendem que o marido é superior à mulher e que, como “cabeça da mulher”, devem mandar e desmandar.

O marido é, sim, a cabeça da mulher, mas assim como Cristo é a cabeça da Igreja(Ef 5:23), isto é, ser cabeça não significa apenas liderar, mas estar disposto a morrer pela mulher. Ser cabeça não significa apenas liderar, mas amar a mulher a ponto de se despojar de sua autoridade, de sua posição, para obter o bem-estar, o prazer e a felicidade da mulher. Ser cabeça não significa apenas liderar, mas estar disposto a trabalhar dia e noite para que a mulher tenha conforto, consolo e gozo. Ser cabeça não significa apenas liderar, mas estar disposto a curar as enfermidades do relacionamento, a fortalecer as fraquezas da mulher, a perdoar infinitamente as falhas e imperfeições da mulher. Ser marido é saber liderar, com mansidão e humildade de coração, é compadecer-se das dores e sofrimentos da mulher, é ter compreensão, é discernir as más intenções daqueles que se aproximam de nós, é ser uma fonte de esperança, é ser uma companhia que nos faça sentir que Deus está conosco (ou seja, ser “Emanuel”). Como vemos, ser marido é muito mais e algo bem diferente do que um mandão recalcado e que se sinta rei absoluto e inatingível nas quatro paredes do seu lar.

O marido deve tomar a iniciativa de mostrar o seu amor em família, pois foi assim que Cristo agiu, descendo da Sua glória, humanizando-se e, depois de batizado, começando a cuidar dos negócios de seu Pai. O marido deve mostrar a sua mulher que a ama, fazendo-o das mais diferentes formas, mas sempre com mansidão e humildade de coração, pois foi assim que Jesus sempre fez.

O marido deve ser alguém que seja um ensinador e um pregador do Evangelho na sua casa, mas não deve apenas pregar e ensinar, mas também viver, pois foi assim que Jesus fez em relação à igreja (At 1:1). O marido, nas dificuldades, deve ser aquele que as enfrentará, que perguntará a sua mulher o que quer que seja feito, pois foi assim que Jesus agiu em relação aos necessitados (Lc 18:41; João 5:6). O marido não deve ser reativo, ou seja, aguardar que lhe chamem para que tome alguma providência, mas deve ir em direção ao problema, assim que detectado.

O marido não deve ser alguém orgulhoso e que se recusa a servir os demais integrantes da família, inclusive a mulher, mas, como Jesus, deve ter a noção de que existe na família para servir e não para ser servido (Mt 20:28), para dar a sua vida para que os demais familiares tenham melhores condições de vida, em especial, de vida espiritual.

O marido não deve fazer a sua mulher e seus filhos sofrer, mas deve sofrer por eles, assim como Jesus não fez a igreja sofrer, mas sofreu por ela. Neste particular, aliás, reproduzimos, aqui, um pensamento judaico, do Talmude (o segundo livro sagrado do judaísmo): “…um homem não deve fazer uma mulher chorar, pois Deus conta as suas lágrimas…” (apud Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de. In: A Judaica, v.6, p.707). E tanto conta as lágrimas, que a Bíblia diz que o marido que maltrata a mulher tem suas orações impedidas (1Pe 3:7). Cuidado, irmão, não será este, talvez, o motivo por que anda sentindo que suas orações não estão sendo ouvidas no céu?

Por fim, o marido deve cumprir toda a missão que lhe foi ordenada por Deus e fazer com que sua família se chegue à presença do Senhor, tenha com Ele comunhão, glorificando ao Pai, assim como Jesus fez em relação à igreja (João 17:4; Hb 10:19-22).

2. O amor da esposa pelo marido. Dizem as Escrituras que a mulher deve se sujeitar ao seu marido, assim como ao Senhor (Ef 5:22,24), que as mulheres devem reverenciar o seu marido (Ef 5:33). Assim, dentro do paralelo estabelecido por Paulo no relacionamento entre Cristo e a Igreja, podemos dizer que a mulher está isenta de amar o seu marido? De modo algum, porque o que caracteriza a sujeição da igreja a Cristo é única e exclusivamente o amor, como vemos dito pelo próprio Senhor em João 14:15,21 e 15.14. O segredo, portanto, da sujeição da mulher ao marido, da reverência da mulher ao marido é a existência de amor da mulher pelo marido.

A mulher se caracteriza pela sensibilidade. A mulher é muito mais emocional e sensitiva que o homem, sendo, por isso mesmo, considerado o vaso mais fraco, daí porque deve o marido ter muito cuidado ao tratar com sua mulher, pois as chances de magoá-la e entristecê-la são muitas. No entanto, a mulher, no seu amor com seu marido, deve fazê-lo como ao Senhor, ou seja, é necessário, indispensável que a mulher ame o seu marido do mesmo modo que ama Jesus. E como devemos amar Jesus? Devemos amar Jesus:

a) porque Ele nos amou primeiro (1João 4:19). Assim a mulher deve amar seu marido, porque o marido tem demonstrado seu amor à mulher, tem tomado esta iniciativa.

b) porque Ele provou que nos ama, morrendo por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5:8). Assim a mulher deve amar seu marido, porque o marido tem se sacrificado por sua mulher, ainda que ela tenha apresentado falhas e imperfeições.

c) com exclusividade (At 4:12). Jesus é o nosso único e suficiente Senhor e Salvador. Assim, também, a mulher deve se comportar em relação ao marido: é o seu único e suficiente marido. A mulher é sensível, facilmente atraída pelo coração a pessoas e coisas, mas deve, como mulher casada, impedir que qualquer coisa a faça dividir o lugar que seu marido deve ter em seu coração, o que nem sempre é fácil, notadamente quando a mulher também é mãe e, nos nossos dias, quando trabalha fora e tem uma tendência a se ligar sentimental e emocionalmente a seus afazeres profissionais. O coração da mulher, entretanto, deve ter um departamento exclusivo para seu marido, dedicando-se a ele com intensidade. Quando verificamos a descrição da mulher virtuosa na Bíblia Sagrada, vemos alguém que, apesar de todos os seus afazeres e atividades, tem sempre uma preocupação permanente: o de agradar e tornar as coisas mais fáceis para o seu marido.

O amor da mulher tem de ser demonstrado, não é apenas uma atitude de carinho, afeto, mas deve ser expresso por atos concretos e reais. A mulher tem de despertar no seu marido credibilidade e confiança. A Bíblia diz que a primeira característica da mulher virtuosa é exatamente a confiança e credibilidade que tem junto ao seu marido (Pv 31:11), que é o pressuposto para que realize tudo aquilo que está descrito naquele texto. Se a mulher não tivesse a credibilidade do marido, poderia administrar a casa, como ali é descrito? Poderia comprar e vender? Produzir e conservar a sua residência? Muitas mulheres não despertam confiança em seus maridos e, por isso, não têm esta liberdade que tinha a mulher virtuosa, inclusive no aspecto econômico-financeiro. Antes de reclamar, querida irmã, por que o seu marido não tem conta bancária conjunta com a você, por que não lhe dá um cartão de crédito, por que não lhe diz quanto ganha, examine-se e pergunte: tenho agido de forma a despertar confiança em meu marido? Talvez aí esteja a razão de tantos dissabores em sua vida conjugal. Pense nisso!

III. A FIDELIDADE CONJUGAL


Um dos compromissos assumidos no casamento é a fidelidade conjugal. É, sem dúvida, um dos maiores pilares de sustentação do casamento. Segundo o pastor Elinaldo Renovato, a segurança espiritual e emocional do casal depende da fidelidade que cada um devota ao outro. Sem fidelidade, o casamento desaba. As estruturas do casamento não são preparadas para suportar a infidelidade. Esta tem efeito devastador no matrimônio, no lar e na família.

Mas, infelizmente, nestes últimos dias da Igreja, Satanás tem se utilizado desta arma contra o casamento. “Ninguém é de ninguém”, costuma-se dizer e se propaga a tolerância e a admissão de “aventuras extraconjugais” por parte de marido e mulher, chegando mesmo a se dizer que tal comportamento reforça a “sexualidade” e o “afeto” entre os cônjuges. Mentiras satânicas que têm por objetivo tão somente a disseminação da impureza sexual. A Bíblia é bem clara a este respeito: “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1Co 6:10) e, ainda, “aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13:4b). Por fim: “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Ap 22:15). Em outras palavras: quem dispensar a fidelidade conjugal, caminhará para a perdição eterna.

Conforme disse o pastor Elinaldo Renovato, quando os crentes se casam, assumem o compromisso, perante Deus, perante sua Igreja, perante as testemunhas e perante a sociedade, perante a lei civil que regula o matrimônio. O casamento não deve ser visto como um "contrato". Contrato tem cláusulas, que podem sofrer modificações mediante o instrumento de aditivo contratual. No casamento não há aditivo. Há pacto solene, celebrado perante o criador do casamento (Ml 2:14). Os contratos têm prazo de vigência. O casamento é uma aliança, que deve perdurar "até que a morte os separe". E, para que isso ocorra, é indispensável a fidelidade entre os cônjuges.

Para evitar a infidelidade, é necessário que o casal se mantenha debaixo da orientação da Palavra de Deus. O esposo, amando sua esposa de todo o coração, como Cristo ama à Igreja. A esposa, amando o esposo da mesma forma e lhe sendo submissa pelo amor. Em termos práticos, é necessário cultivar, tratar, regar e cuidar da planta do amor, para que as ervas daninhas da infidelidade não germinem no coração de um dos cônjuges. Amém!

CONCLUSÃO


Diante do que foi exposto acima, pergunto: estas bases estudas – a vontade de Deus, o amor e a fidelidade -, estão presentes diariamente em seu casamento? Deus é o principal motivador em seu lar? Você o tem convidado para fazer parte de suas vida? Lembre-se: Nunca é tarde para colocar estes princípios em evidência em sua vida. Você pode começar a partir de hoje a desenvolver o seu relacionamento conjugal através de suas ações e através do diálogo, praticando a responsabilidade, a fidelidade e o amor. Deus, neste dia está presente para abençoá-la (o) e ensiná-la (o) na medida que você o convidar para ser Senhor de sua vida.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 54 – CPAD.

Comentário Bíblico Beacon, – CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.

A Família Cristã(e os ataques do inimigo) – Elinaldo Renovato – CPAD.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O LÍDER NO PLANO DE DEUS


2º Trimestre/2013

Subsídio para lição 02  da revista da EBD – Educação Cristã Continuada.


Leitura Básica: Gênesis 45:4-8


 

 “Não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó...e como governador em todo a terra do Egito” (Gn 45:8).

INTRODUÇÃO


Todos nós fazemos parte de um Plano e de um propósito de Deus. Não importa em que circunstâncias estivermos, quando fazemos parte do Plano de Deus nada poderá obstar os desígnios dEle. Daniel e seus amigos foram levados para a Babilônia(em 605 a.C), o momento era de adversidades extremas, mas foi do agradado de Deus que Daniel e seus amigos fossem os maiores líderes que a Babilônia já teve. Outro exemplo foi José(filho de Jacó) no Egito; ele saiu de um sórdida prisão para ser o governador da maior potência econômica e militar da sua época. Outro exemplo foi Neemias, quando foi usado por Deus para ser um dos maiores líderes junto ao seu povo na reconstrução dos muros de Jerusalém; abnegado e fiel servo de Deus, ele tornou-se um exemplo para a liderança da igreja atual; Neemias destacava-se por um elevado senso de organização, humildade e coragem; era um líder completo. Não poderíamos deixar de falar de Moisés; foi tirado do exílio, em Mídiã, da situação de empregado do sogro para se tornar o maior líder do povo escolhido de Deus, Israel. Poderíamos falar de Paulo; ele é um dos maiores exemplos de liderança do Novo Testamento; seu modelo máximo é Jesus.

Deus traçou um Plano bem definido, mediante o qual a sua vontade será cumprida. Portanto, quando falamos sobre o Plano de Deus, queremos dizer com isso que Deus tem uma maneira certa e especifica de cumprir o seu propósito, e Ele providenciará para que tudo se cumpra. Nada impede os desígnios de Deus. Se você estiver dentro do Seu plano para ser um líder, nada neste mundo e nem Satanás serão óbices para o cumprimento da vontade de Deus.

I. O CHAMADO À LIDERANÇA


Uma coisa devemos estar ciente: a Obra de Deus foi e sempre será realizado por pessoas guiadas e capacitadas pelo Espírito Santo. Logo, é clarividente que ao escolher alguém para ser líder na Sua Obra, Deus o adorna com algo a mais, a fim de que o Seu propósito de expressar amor e misericórdia para a salvação da humanidade seja o mais amplamente alcançado.

Deus pode escolher a quem Ele quiser para ocupar a posição de líder. Afinal de contas, Ele é Deus, nós apenas criaturas, Ele o Criador. Deus está chamando líderes. Ele está à procura de líderes. “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ez 22:30).

Esse texto de Ezequiel mostra que a corrupção dos líderes (Ez 22:25-28) e do povo (22:29) era tão grande em Judá que Deus não encontrou uma só pessoa disposta a levar o povo de volta a Deus. É uma tragédia, quando certas igrejas estão tão dominadas pelo mundanismo que Deus não encontra ninguém na congregação disposto a interceder, isto é, a “tapar o muro” ou “ficar na brecha” da situação, espiritualmente crítica; ninguém para bradar contra a decadência espiritual e moral, ninguém para liderar a oração com humilhação, com verdadeiro arrependimento e com sincera busca da face de Deus, visando um avivamento espiritual (cf 2Cr 7:14). No meio do povo de Deus há muitos crentes fiéis que poderiam se impor contra a mornidão espiritual e tornarem-se  fervorosos intercessores por um avivamento. Mas, estão em silêncio, por receio ou acomodação. Deus está à procura de líderes que se ponham na “brecha” da situação espiritual critica porque passa a igreja nestes últimos dias que antecedem a volta do Senhor Jesus.

1. Evidência histórica. Ao longo do compêndio veterotestamentário bem como no compêndio neotestamentário, vemos Deus desenvolvendo Seus propósitos, escolhendo e chamando líderes, dando-lhes instruções precisas, inspirando-os, de modo que cada indivíduo seja afetado com Sua mensagem e Seu plano de ação. Como exemplo no Antigo Testamento, vemos o caso em que Moisés foi orientado por seu sogro, Jetro, para descentralização das tarefas. Ao ver que Moisés decidia sozinho todas as causas do povo, que se aglomerava todos os dias para ser atendido por ele, Jetro, dentro de sua experiência, sugeriu a Moisés que efetuasse a descentralização do poder, resolvendo apenas as causas mais graves, criando maiorais de mil, de cem, cinquenta e de dez para resolver as “pequenas causas”, trazendo agilidade e paz para o povo de Israel. Moisés prontamente atendeu ao conselho de Jetro(Ex 18:24,25), demonstrando ser uma pessoa humilde e receptiva a criticas. Portanto, a evidência histórica denuncia que nenhum mal impediu e impedirá a execução do Plano de Deus. Para isso, ele escolhe os líderes com o fim de cumprir os seus propósitos. Seja qual for o método escolhido.

2. Chamada. Em algumas situações especificas, para execução de Seu Plano, Deus escolhe diretamente os seus lideres e lhes diz o que devem fazer.

No Antigo Testamento, vemos isso ocorrer com Moisés – “E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto e veio ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o Anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés disse: Agora me virarei para lá e verei esta grande visão, porque a sarça se não queima. E, vendo o Senhor que se virava para lá a ver, bradou Deus a ele do meio da sarça e disse: Moisés! Moisés! E ele disse: Eis-me aqui. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito” (Ex 1:1-4,10). Outro exemplo que podemos citar é o de Samuel – “Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve. E crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra”(1Sm 3:10,19).

No Novo Testamento, vemos o caso de Paulo, ao qual é dado instruções pormenorizadas sobre o que deve fazer ao longo de seu ministério – “E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse- lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer” (At 9:6).

Deus concede à Sua Igreja líderes para preencherem posições especificas de liderança.  E o padrão universal de liderança eclesiástica que Deus estabeleceu para sua Igreja, bem como a descrição dos propósitos, definidos e mensuráveis, que Ele propôs para serem alcançados, encontra-se em Efésios 4:11 - “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”. Estes dons exarados neste texto, bem como em Rm 12:6-8, são de natureza espiritual, não são título; e são provas da liderança inspiradora dentro do Plano de Deus.

3. Qualificação. Outra evidencia de que o Plano de Deus inclui a ideia de liderança são as listas de descrições detalhadas das qualificações e responsabilidades dos lideres escolhidos por Deus. Na Igreja, a liderança para ser legítima, deve ter qualificação espiritual e moral e o consentimento dos santos, tudo sob a direção do Espírito Santo (At 14:23).

- No Antigo Testamento, encontramos detalhes das qualificações requeridas de reis e sacerdotes, bem como suas respectivas responsabilidades (Lv 4:3; Nm 31:24; Sl 2:10-11;Pv16:12).

- No Novo Testamento, as qualificações que se exigem das pessoas responsáveis pela liderança e administração da igreja encontram-se listadas em 1Tm 3:1-8 e Tt 1:6-9; 1Pe 5:1-4.

Alistamos algumas destas qualificações:

A - Quanto à sua moral, o líder deve ser:


a.1) Irrepreensível (1Tm 3:2). O líder não pode ter uma conduta que seja alvo de repreensão(1Tm 3:2,7), o que não significa não ser alvo de crítica, pois sempre haverá quem fale mal do cristão por seu bom porte, mas a crítica deverá sempre enaltecer o testemunho do obreiro (cf. 1Pe 2:19,20).

a.2) Esposo de uma só mulher (1Tm 3:2). A moral do líder deve ser exemplar. Isso é evidenciado logo por sua total devoção à sua esposa. O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (1Tm 3:2,4,5; Tt 1:6). Isto é, o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Ele deve ser marido de uma só mulher (1Tm 3:2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa.

B - Quanto ao seu modo de viver, o líder deve ser:


b.1) Sóbrio (1Tm 3:2; 1Pe 1:13). O líder cristão precisa ter equilíbrio, domínio próprio, autocontrole. Isto é resultado da unção do Espírito sobre sua vida (cf. Ec 9:8). Ao tomar decisões usa de sabedoria. Infelizmente, em nossos dias, muitos têm perdido o equilíbrio. Uns por falta de conhecimento da Palavra de Deus, põem-se a ensinar costumes e modos humanos, que nada tem a ver com a salvação ou santificação; são doutrinas dos homens, que perecem com o tempo (Cl 2:22). Outros preferem ignorar totalmente qualquer ensino de santificação e consagração, preferindo transformar suas igrejas em verdadeiras sociedades entre irmãos, mas voltados para o lazer e a satisfação da carne. Tais "pastores" e "mestres" são considerados biblicamente falsos.

b.2) Honesto (1Tm 3:2). A honestidade é indispensável ao líder, que deve se credenciar, como nenhum outro, para habitar no tabernáculo de Deus (cf. Sl:15).

C - Quanto ao seu serviço, o líder deve ser:


Apto para ensinar (1Tm 3:2). O líder precisa ter uma certa aptidão para ensinar. Entre os crentes sempre há a necessidade de ensino e esta oportunidade não deve de forma alguma ser negligenciada pelo líder, ele deve procurar aproveitá-la ao máximo possível. Ele deve ensinar a outros e treinar líderes (Tt 1:9). Infelizmente, temos observado que muitos têm galgado o ministério sem que possam ensinar a quem quer que seja. 

D - Quanto às suas atitudes, o líder deve ser:


d.1) Não dado ao vinho(1Tm 3:3). Deve ser pessoa que não se deixe dominar por qualquer vício, seja ele qual for, pois não pode, como qualquer crente, deixar-se dominar por coisa alguma (cf 1Co 6:12).

d.2) Não espancador(1Tm 3:3). O líder não pode ser pessoa violenta, mas, assim como o Senhor, "ser manso e humilde de coração"(Mt 11:29). Não se espanca apenas com agressões físicas, mas, também, com palavras, cuidado que o obreiro sempre deve ter (ler 2Tm 2:14,16).

d.3) Cordato. Justamente o contrário do homem que é violento em modo de agir. É alguém cuja natureza é calma, prudente e bem controlado. Pessoa que tem bom senso. É moderado em sua forma de agir (Tt 3:2).

d.4) Inimigo de contendas(1Tm 3:3). O líder cristão não usa de rivalidades. Não entra em lutas com outra pessoa (1Co 1:11; 3:3).

d.5) Não avarento (1Tm 3:3). O líder que está no Plano de Deus não é uma pessoa escrava do desejo de acumular riquezas para si. Não é dominado pela avareza, não tem apego demasiado ou sórdido pelo dinheiro.

d.6) Governa bem sua própria casa (1Tm 3:4). Não assume o papel de ditador. A sua autoridade deve ser moral e espiritual, usando para isso a autoridade da Palavra de Deus.

II. QUALIDADES DO LÍDER INSPIRADOR


O líder de Deus deve possuir características ímpares que o colocam como um legítimo representante do Senhor Jesus Cristo. É claro que existem muitas outras qualidades que um líder deva ter, mas nós citaremos apenas as seguintes:

1. Empatia. Empatia significa colocar-se na situação de outrem. Significa, na prática, ver as coisas pelo ponto de vista de outras pessoas, procurando entender como as mesmas se sentem, coadunando-se com a regra área ditada por Jesus, exarada em Lucas 6:31 - “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazeis vós, também”. Significa comungar, sincera e amorosamente, dos sentimentos de nossos irmãos, conforme enfatiza o apóstolo Paulo: "Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram" (Rm 12:15).

Um grande edifício é construído de pedras que possuem arestas que de vez em quando se cortam e arranham umas nas outras, porém quando são rebocadas e pintadas não mais se lembram das diferenças, pois o mais importante é fazer parte do edifício que chega ao céu. No edifício de Deus, a Igreja, os irmãos se perdoam e se amam, procurando esquecer as falhas de cada um e ajudando-se uns aos outros a serem membros deste tão maravilhoso edifício que vai morar no céu. Em 1Pe 2:5 está escrito: “vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo”.

A empatia é essencial para que líderes não sejam egoístas e medíocres, mas sim solidários e companheiros. É essencial quando o líder compartilha a liderança, em apreciar trabalhar ao lado de outros líderes. Citamos o exemplo de Neemias (Ne 1:4). Seus ouvidos estavam abertos ao clamor do seu irmão e seu coração profundamente sensível às necessidades do seu povo. Neemias vivia no luxo, mas também vivia de forma piedosa. Ele vivia com Deus e se importava com aqueles que viviam na miséria. Jerusalém estava a 1.500 km de Susã. Neemias nunca vira antes a cidade dos seus pais, mas ele se importava com ela. Os problemas da cidade eram os seus problemas, a dor da sua gente era a sua dor. Na sua agenda havia espaço para receber aqueles que estavam sofrendo. Era um homem que tinha conhecimento, influência e poder, mas não se afastava daqueles que viviam oprimidos pelo sofrimento. Muitos homens que vivem encastelados no poder aproximam-se do povo apenas para auferir benefícios próprios; correm atrás do povo apenas à cata de votos para depois se locupletarem com lucros abusivos, esquecendo-se deliberadamente daqueles que os guindaram ao poder. Neemias caminha na direção do povo para socorrê-lo e não para explorá-lo. Esse homem tinha um sentimento empático.

2. Foco no alvo. Alguém disse que a “liderança é o que move as pessoas e as organizações para que cumpram seus alvos”. Portanto, um líder inspirador deve estabelecer alvos claros a serem atingidos; ele romperá todos os obstáculos para que os alvos estabelecidos tornem-se uma realidade. Ele deve estabelecer alvos para si mesmo, bem como para seus liderados. O apóstolo Paulo tinha uma meta pessoal, que é a mesma de todo e qualquer líder: “prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”(Fp 3:14).

O bom líder inspira pessoas desanimadas e desmoralizadas e dá nova vida a uma organização agonizante. Alguém disse que “O poder de inspirar os outros para o serviço e o sacrifício é a marca do líder de Deus. Sua chama acende os que ficam à sua volta”. Não basta estar à frente do rebanho, é preciso inspirá-lo com disposição e entusiasmo.

Motivação é chave para atingir os planos. O líder deve estar sempre motivando os demais, bem como motivando a si mesmo. Quando o trabalho é bem executado, ele deve saber dar crédito às pessoas por isso, deve elogiar o trabalho bem feito. Deve também cobrar quando o trabalho não acontece.

Quando Neemias chegou em Jerusalém para reconstruir os muros e as portas da cidade, ele mobilizou o povo para o trabalho e tornou-se o pai do chamado mutirão. Neemias participou ativamente dos trabalhos. Ele não disse "vá e construa”, mas "vinde e construamos!"(Ne 2:17); não só liderava, também fazia parte da equipe. Ele era um grande e admirável exemplo para o seu povo. Jamais deixou de labutar junto ao povo - “E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes; cada um ia com suas armas à água”(Ne 4:23). Disse o pr. Elinaldo Renovato: “líder não é o que manda, mas o que comanda; líder não é o que ordena: ‘façam’, mas o que motiva: ‘façamos’. O pseudolíder esbraveja: ‘Aqui, quem manda sou eu!’. Quem assim age, jamais será um líder, mas um capataz”.

3. Digno de Confiança. “Para que um homem seja líder ele tem de ter seguidores, e para que tenha seguidores ele tem de ter a confiança deles. Assim sendo, a primeira qualidade do líder tem de ser integridade inquestionável. Sem ela, não é possível o verdadeiro sucesso, não importam se estejam trabalhando em turma de fábrica, campo de futebol, no exército ou num escritório. Se os colegas de um homem descobrem nele falsidade, se percebem que nele falta integridade direta, este homem fracassará. Seus ensinos e seus atos devem ser congruentes. Assim, a maior necessidade é integridade e propósito elevado” (BARBER, Cyril J. Neemias e a Dinâmica da Liderança Eficaz. São Paulo, SP.: Editora Vida, 1999, p.79).

Esse é o segredo do autêntico líder para conquistar a confiança de seus liderados e motivá-los a segui-lo: a sua integridade deve ser indiscutível. Um líder que não é íntegro em sua vida pessoal não é digno de confiança, não é um verdadeiro líder. Para que um líder seja íntegro, ele deve ser sincero e esta sinceridade é verificada em seu viver diário: nas conversações, no agir, nas finanças, no serviço. Ninguém pode falar mal do líder que assim procede. Ele é digno de confiança.

Temos na vida de Daniel um grande exemplo: ele era íntegro e irrepreensível; não havia nada que pudesse macular o seu caráter. Sendo assim, seus inimigos tentaram achar algo para acusá-lo na lei de Deus. Nada encontraram. Por fim, tiveram que fazer algo para que ele viesse a cair, mas sua vida espiritual era tão elevada que mesmo diante do decreto do rei, ele não sucumbiu. Ele era um líder digno de confiança.

4. Testemunho. O líder é uma pessoa cuja influência se faz sentir em todos os aspectos. Por onde quer que vá, ele é alvo de observações e por isso há de exercer uma influência na vida das pessoas que o cercam. Ele não deve procurar fazer certas coisas somente para que outras pessoas vejam que ele está fazendo, mas ele deve ter em sua mente que quando ele faz alguma coisa os outros estão observando o seu modo de fazer ou agir. Até mesmo tudo o que o líder fala, faz ou pensa serve para influenciar os seus liderados, quer positiva, quer negativamente. De uma maneira ou de outra, o líder, influenciará os seus liderados em tudo o que faz, portanto, é necessário que se tenha o máximo cuidado para não ser uma influência negativa na vida deles.

Timóteo era um líder que tinha uma chamada. Uma das coisas mais importantes na vida de Timóteo era o seu testemunho. Para ser padrão exige-se um exemplo bastante elevado. Se Timóteo fosse padrão apenas na Palavra e não no procedimento, ele se tornaria imprestável para o ministério. Sem amor, não se pode viver. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Se não for puro, a impureza há de derrubar por completo a vida do líder. O apóstolo Paulo admoestou a Timóteo que fosse um exemplo tanto aos que estão de fora(os infiéis), quanto aos de dentro (os féis): “Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo”(1Tm 3:7). “...sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, n o amor, no espírito, na fé, na pureza”(1Tm 4:12).

Portanto, o líder eficaz, que está no Plano de Deus, deve ter a consciência de que ele é um canal pelo qual Deus manifesta seu amor e misericórdia. Logo, deve procurar permanecer na dependência e orientação do Espírito Santo. Desta feita, deve buscar a primazia do testemunho de ter um caráter irrepreensível, vivendo sempre em consonância com os princípios espirituais revelados na Palavra de Deus tal qual foi Timóteo, tal qual foi Josué, tal qual foi Moisés, tal foi Paulo, tal qual foi José (filho de Jacó), etc.

III. JOSÉ, O EXEMPLO


O José que referimos neste tópico, é o patriarca José, filho de Jacó e Raquel. Deus escolheu José para ser um exemplo de que a piedade e o temor a Deus são indispensáveis na vida do líder inspirador, e independem das circunstâncias da vida debaixo do sol.

1. Na escravidão. “E viu o seu senhor que Deus era com ele, e que fazia prosperar em sua mão tudo quanto ele empreendia. Assim José achou graça aos olhos dele, e o servia; de modo que o fez mordomo da sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha”(Gn 39:3,4). José era servo (Gn 39:1,2) e superintendente dos bens de Potifar (Gn 39:4-6). A Bíblia não diz quanto tempo ele exerceu esta função, mas afirma que Potifar sabia que o Senhor estava com ele e o fazia prosperar em tudo (Gn 39:3).

Apesar de ter perdido a condição de filho predileto na casa de seu pai e de, agora, ser um escravo em terra estrangeira, José não havia perdido a companhia do Senhor. O texto sagrado é enfático ao afirmar que “o Senhor estava com José” (Gn 39:2). E por que Deus estava com ele? Porque José se manteve fiel ao Senhor. Como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”(Sl 145:18). José servia verdadeiramente a Deus, adorava a Deus pelo que Ele é, não pelo que Ele fazia ou deixava de fazer e, por isso, o Senhor estava com ele.

José manteve a mesma disposição que já demonstrara na casa de seu pai. O texto bíblico diz que José “…estava na casa de seu senhor egípcio” (Gn 39:2), expressão que significa que José mantinha o seu lugar, cumpria à risca os seus deveres, assim como fizera para Jacó. Era escravo, não era mais o filho predileto, mas mantinha a excelência de seu serviço, mantinha a dedicação, apesar de toda a adversidade. O resultado deste serviço sincero foi José se tornar o mordomo da casa de Potifar, o administrador de toda a casa, vez que achara graça aos olhos do seu senhor. A consequência deste gesto de Potifar foi a bênção de Deus sobre todo o patrimônio de Potifar. E José compreendia que seu bom êxito vinha somente de Deus e respeitava o seu senhor Potifar, e ainda mais, a Palavra de Deus (Gn 39:1-6).

2. Na prisão. Mas, quando tudo parecia estar bem na vida de José, surge a tentação. A mulher de Potifar quis praticar relação sexual com José, pois ele era formoso de parecer e formoso à vista (Gn 39:6). José resistiu a esta oferta, não aceitando deitar-se com a mulher de seu senhor, pois era fiel a Deus e sabia que uma relação sexual fora do casamento estava fora da vontade divina. Ele... Fugiu( Gn 39:12).

Acusado injustamente, José foi preso por seu próprio senhor, Potifar (Gn 39.20). Mais uma vez, José é humilhado, desta feita porque resolvera servir a Deus e dar-lhe a devida obediência. José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn 39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn 39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre seu servo a sua benignidade, o seu bem-querer.

O Senhor estava com José e José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn 40:21). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo. E nós, a quem esta verdade bíblica já foi revelada, temos sido luz do mundo? Temos sido “…irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp 2:15)?

José voltou a liderar, porque ele era um líder inspirador que estava no Plano de Deus. Passou a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn 39:22), inclusive do padeiro-mor e do copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn 40:3,4). O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos, pois, se assim não fosse, não teriam o copeiro e o padeiro de Faraó tido confiança em lhes contar os sonhos que tiveram, ainda mais sendo, como o eram, egípcios, altamente supersticiosos e que criam que somente os sacerdotes e magos tinham capacidade para interpretar sonhos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

3. No triunfo. José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn 40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn 41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn 41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, aconselhando a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn 41:33-37).

Ao interpretar o sonho de Faraó, José poderia engrandecer-se. Mas não o fez (Gn 41:39-41). Ele era humilde e soube esperar o tempo de Deus. A confiança no Senhor e o auto-domínio de José estavam sendo provados. Uma pessoa impaciente pediria ao rei a liberdade, um cargo público, ou algum outro tipo de benesse. Entretanto, José foi longânimo, e Deus moveu o coração de Faraó para nomeá-lo como governador do Egito, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó(Gn 41:38-41).

Enquanto governador do Egito, José continuou a ter a mesma integridade de seu tempo de filho predileto, escravo na casa de Potifar e preso na casa do cárcere. Ele era o mesmo, pois a pessoa íntegra é aquela que é o que é, que tem todo o seu ser completamente entregue nas mãos do Senhor, que O serve de coração inteiro. José foi líder inspirador que estava no Plano de Deus. Ele é, sem dúvida, um grande exemplo a todos nós.

CONCLUSÃO


A liderança advém de uma atitude de serviço e de trabalho. Verdade é que o servo do Senhor é chamado para servir neste ou naquele lugar, seja na igreja local, seja na vida secular. Entretanto, apesar da consciência de seu chamado, o servo do Senhor não deve querer prevalecer apenas com base na divulgação das promessas de Deus, mas, sim, em termos de serviço, de trabalho, de dedicação e esforço. A melhor maneira de mostrarmos que temos chamada divina, que temos uma vocação do Senhor para exercer esta ou aquela tarefa é a realizando, é trabalhando harmoniosamente com as pessoas que lidera, esperando sempre o melhor das mesmas. Foi assim que os grandes líderes que estavam no Plano de Deus procederam.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal, CPAD.

José, um líder piedoso e temente a Deus – Caramuru Afonso Francisco.

Princípios para uma boa liderança - Pr. Cleverson de Abreu Faria. 

domingo, 7 de abril de 2013

Aula 02 – O CASAMENTO BÍBLICO


2º Trimestre/2013

 
Texto Base: Gênesis 1:27,31; 2:18,20-24

 
“Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn 2:24)

 

INTRODUÇÃO


Casamento bíblico é o ato de se deixar pai e mãe e se unir a uma pessoa do sexo oposto com o objetivo de estabelecer, com essa pessoa, uma vida em comum. Deus começou o casamento com o primeiro homem e a primeira mulher. Quando Deus falou à Adão que um homem deveria deixar a sua parentela e se juntar a uma mulher assim se tornando um (Gn 2:24), ele estava descrevendo o casamento. Esta instituição divina foi constituída antes da formação da sociedade humana. O Criador fez o homem e dele tirou a mulher, e ordenou o casamento, condição indispensável para perpetuar a raça humana (Gn 1:27,28). Deus implantou no homem desejos e afetos que se estenderam a todas as criaturas humanas; fez do casamento uma influência nobilitante, que poderosamente contribui para o desenvolvimento de uma existência completa no homem e na mulher. Declarou que não era bom que o homem estivesse só, e deparou-lhe um adjutório igual a ele (Gn 2:18).

Jesus ratificou o casamento bíblico, entre um homem e uma mulher, como criação divina quando disse: "desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher. E serão os dois uma só carne: e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc 10:6-9). Casamento este, aliás, que mandou que a Igreja, como Corpo de Cristo, venerasse, isto é, respeitasse, bem como cuidasse para que se estabelecesse dentro de uma pureza sexual (Hb 13:4).

I. O PRINCÍPIO DA MONOGAMIA


1. Monogamia é o ideal divino. O Criador instituiu o matrimônio com a união de um homem e uma mulher (Gn 2.18-24; Mt 19.5; Mc 19:7) - “Por isso, deixará o homem a seu pai e a sua mãe e unir-se-á a sua mulher”. Aqui, não é dito que o homem deve unir-se às suas mulheres. Deus não criou mais de uma mulher para Adão nem mais de um homem para Eva. Tanto a poligamia quanto a poliandria estão em desacordo com os princípios de Deus para o casamento (Dt 28:54,56; Sl 128:3; Pv 5:15-21; Ml 2:14).

Esta norma não foi apenas estabelecida na criação, mas também foi reafirmada na entrega da lei moral. A lei de Deus ordena: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo...”(Ex 20:17). O uso do singular é enfático. Moisés não deu provisão à questão da poligamia.

Os casamentos polêmicos sempre foram marcados por muitos prejuízos e grandes desastres. O apóstolo Paulo afirma: “Cada um [singular] tenha a sua própria esposa, e cada uma [singular] tenha o seu próprio marido” (1Co 7:2).

O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu comentário sobre o Evangelho de Marcos, citando Norman Geisler, enumera alguns argumentos que reforçam o ensino da monogamia:

·         A monogamia foi ensinada por precedência (Gn 2:24);

·         A monogamia foi ensinada por preceito (Ex 20:17);

·         A monogamia foi ensinada por intermédio das severas consequências decorrentes da poligamia (1Rs 11:4).

2. Poligamia é criação humana desviada dos preceitos de Deus. Deus não instituiu nem aprovou a poligamia pois criou uma só mulher para o homem. Se aprovasse a poligamia, teria criado duas ou mais mulheres para Adão, o que não fez. O primeiro casamento é o único caso que Jesus cita para ensinar o matrimonio monogâmico e o divórcio, isto é, o matrimonio deve se manter intato. Os dois(não três) são uma só carne. A presença de um terceiro seria uma separação dos dois, a dissolução da família original!

Deus permitiu mas não aprovou certas coisas nos dias em que a Bíblia não era completa. Em Atos 17:30 está escrito que Deus não teve em conta os tempos da ignorância. Passou por cima de certas coisas erradas até os dias de Cristo. Permitiu-as, mas não as aprovou! Quem quer provar que a poligamia é certa sempre cita estes casos veterotestamentários. Em vez de citar estes, por que não cita Deuteronômio 17:17? Deus mandou Israel e seu futuro rei não multiplicar nem cavalos, nem mulheres. Foi justamente "nisto" que "pecou Salomão" (Neemias 13:26).

A Bíblia relata que foi na civilização caimitas que se iniciou a poligamia. Lameque, o primeiro polígamo, foi quem deu a cartada inicial da quebra do princípio da monogamia (ler Gn 4:19), abandonando-se o modelo divino de família; houve aumento da violência, com novo homicídio, que gerou a vingança humana como modelo de justiça como demonstra o "cântico da espada" de Lameque (Gn 4:23,24); o desvalor do ser humano se patenteia, pois uma vida foi ceifada apenas por causa de um pisão (Gn 4:23); inicia-se a prostituição, pois a irmã de Tubalcaim, Naamá, é tida como a primeira prostituta da história (seu nome quer dizer "agradável", "desejável").

3. Em o Novo Testamento a poligamia é condenada por Jesus e pelo apóstolo Paulo. Jesus, em Sua resposta aos fariseus, quando estes lhe interrogaram acerca do divórcio, foi clarividente que Deus criou o casamento monogâmico. Ele disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher...”(Mt 19:5). Ele não disse: “suas mulheres”, e sim, “sua mulher”. A resposta do Senhor remonta às origens do casamento e da própria criação (cf. Gn 2:24).

O apóstolo Paulo, também, proíbe a poligamia no casamento (1Co 7:2). Diz o apóstolo: "[...] mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido". Paulo coloca o aspecto singular de que a poligamia não é o padrão moral de Deus para o  seu povo. Cada um deve ter a sua esposa, e cada uma o seu marido. Tanto a poligamia, um homem ter mais de uma mulher, quanto a poliandria, uma mulher ter mais de um marido, estão em desacordo com o ensino das Escrituras.

Ao mencionar as qualificações do presbítero, Paulo adverte: “É necessário, portanto, que o bispo seja (...) esposo de uma só mulher...” (1Tm 3:2). O diácono também deve ser “marido de uma só mulher” (1Tm 3:12). Portanto, a liderança eclesiástica deve ser o exemplo dos fiéis em tudo, e esse exemplo inclui o casamento bíblico (1Tm 4:12).

II. O PRINCÍPIO DA HETEROSSEXUALIDADE


1. “Macho e fêmea os criou”.  “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1:26). O modelo divino para o ser humano é a heterossexualidade – Gn 1:27; 5:1-3; 2:22-24; Mt 19:4; Rm 1:26,27. O “macho” a Bíblia chama de “homem”; a “fêmea” a Bíblia chama de “mulher”. O macho, o homem, é chamado de um ser do sexo masculino; a fêmea, a mulher, é chamada de um ser do sexo feminino. Para a Bíblia existem, apenas, dois tipos de sexo: ou a criatura é Homem, ou, então, é Mulher. Não existe a “coluna do meio”. Um Homem e uma Mulher, biblicamente, formam um casal. A Bíblia sempre condenou o homossexualismo voluntário, atitude que é típica dos rebeldes e pecadores, como demonstra a Palavra de Deus, inequivocamente, em diversas passagens – Lv 20:13; 18:22; Dt 23:17; 1Rs 14:24; 15:12; 22:47; Rm 1:24,27; 1Co 6:10; Gl 5:19; 1Tm 1:10; Ap 21:8.

Paulo proíbe a união homossexual (1Co 7:2). Quando Paulo diz que cada um tenha a sua esposa e cada uma tenha o seu marido, fica clara a ideia de uma relação heterossexual. Embora a união homossexual fosse algo comum no tempo de Paulo, ele define essa prática como uma paixão infame, um erro, uma disposição mental reprovável, uma abominação para Deus. A relação homossexual pode chegar a ser aprovada pelas leis dos homens, por causa da corrupção dos costumes, mas jamais será chancelada pelas leis de Deus. Uma decisão não é ética, apenas por ser legal. Ainda que a relação homossexual se torne legal pelas leis dos homens, jamais será aprovada por Deus, pois fere frontalmente a Sua Lei.

2.  “E se unirá à sua mulher”. Após realizar o primeiro matrimônio, o Criador disse: “deixará o homem [macho] o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher [fêmea], e serão ambos uma carne” (Gn 2:24). Uma família somente pode ser construída, segundo os parâmetros divinos, mediante uma união entre um homem e uma mulher com compromisso de constituir uma vida em comum. Desta forma, jamais estará obedecendo aos princípios divinos quem defender ou constituir uma união homossexual, algo que, lamentavelmente, vem se alastrando nos países de todo o mundo. A união de pessoas do mesmo sexo é a própria negação do conceito bíblico de família, que é, como se vê claramente em Gn 2:24, que diz que uma família se constitui quando um varão deixa seu pai e sua mãe e se une à sua mulher e se constituem em uma só carne. Não é possível que uma união de pessoas do mesmo sexo possam constituir uma família, pois Deus criou a família com propósitos que exigem a heterossexualidade, entre as quais, a procriação e a complementaridade afetiva e emocional, que só é possível diante de uma união entre pessoas de sexos diferentes. “Se não fosse a união heterossexual, promovida por Deus, desde o princípio, a raça humana não teria subsistida”

III. A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO


Deus instituiu o casamento para ser uma união permanente e sagrada, e uma parceria entre um homem e uma mulher. Quando o marido e a esposa celebram essa união dentro desse entendimento e comprometimento, eles podem oferecer uma segurança mútua, um lar estável para os filhos, e a força necessária para resistirem às tempestades e tensões da vida.

1. “Uma só carne”. “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne...”(Mt 19:6,7).

Aqui, diz que o casamento é monossomático. As palavras hebraicas “ish” e “ishá” - para o homem e a mulher, respectivamente -, revelam que os dois foram feitos complementarmente um para o outro. O propósito de Deus é que no casamento, o homem e a mulher se tornem uma “só carne”, numa intimidade tal que não pode ser separada. É como se dois copos d’água incolores se misturassem; depois disso, não dá mais para separar, pois não se saberá quem é quem.

A união conjugal é a mais próxima e intima relação de todo relacionamento humano. A união entre marido e mulher é mais estreita do que a relação entre pais e filhos. Os filhos de um homem são parte dele mesmo, mas sua esposa é ele mesmo. O apóstolo Paulo diz: “Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja” (Ef 5:28,29).

Muito embora a expressão “uma só carne” signifique mais do que união física, a união básica do casamento é a união física. Se um homem e uma mulher pudessem se tornar um só espírito por meio do casamento, então a morte não poderia dissolver esse laço, pois o espírito nunca morre. O apóstolo Paulo diz que a união do casamento só termina com a morte (1Co 7:2,3).

2. “...o que Deus ajuntou não separe o homem”(Mt 19:7). O casamento é indissolúvel. O casamento não é apenas heterossexual, monogâmico e monossomático, mas também indissolúvel  - “... o que Deus ajuntou não separe o homem”(Mt 19:7). O casamento deve ser para toda a vida. É uma união permanente. No projeto de Deus, o casamento é indissolúvel. O divórcio é um atentado contra a família. Quem mais sofre com ele são os filhos. As consequências amargas do divórcio atravessam gerações. Deus odeia o divórcio (Ml 2:16).

O casamento é indissolúvel porque foi Deus quem o instituiu e o ordenou. Logo, nenhum ser humano tem competência nem autoridade para desfazer o que Deus faz. Mesmo que um juiz lavre uma certidão de divórcio e declare uma pessoa livre dos vínculos do casamento, aos olhos de Deus, essa relação não é desfeita.

O casamento é uma união entre um homem e uma mulher e Deus é a testemunha dessa aliança (Ml 2:14). O divórcio é a quebra do nono mandamento da lei de Deus, ou seja, um falso testemunho, a quebra de um juramento feito na presença de Deus. Mesmo que um casal não tenha buscado a orientação de Deus para o casamento, uma vez firmada a aliança, Deus a ratifica.

3. A porta de entrada para o divórcio. Quando o homem e a mulher, mesmo morando em baixo do mesmo teto, vivem de forma egoísta e individualista, mantendo tão somente aparência, esse casamento está prestes à dissolvência. O egoísmo e o individualismo são os inimigos mais perigosos num relacionamento conjugal. Eles podem abrir a maldita porta do divórcio. Divórcio é algo extremamente duro para quem enfrenta; às vezes, machuca, causa feridas em muitas vidas.

A separação dos Cônjuges  trata-se de um inimigo cruel, capaz de marcar os componentes da família por toda a vida. Normalmente, ele só ataca depois de alguns anos de vida conjugal, podendo, no entanto, ocorrer até poucos meses depois do casamento. Cremos que a causa principal é a falta do verdadeiro amor num lar que deixou de guiar-se pelos princípios estabelecidos pelo Criador, o instituidor da família. Para combater esse inimigo, o melhor é evitar suas causas. Deve-se convidar Deus para fazer parte da união do casal, mesmo muito antes das núpcias, ainda no namoro, ou até, antes. Temos certeza de que um casal, unido pelo amor, sob a direção segura e sábia do Senhor Jesus, jamais será vítima de separação.

“Eu não o amo mais”. Essa é uma frase comumente usada pelos cônjuges em crise para dar plausividade e legitimidade ao divórcio. Mas como tudo o que é dito na Bíblia, o amor também sofre de má compreensão. O amor não é um sentimento para ser vivido apenas em bons momentos a dois, ou só na lua-de-mel. Conforme Cristo disse, o marido tem que amar a esposa como Cristo amou a Sua igreja – dando sua vida por ela. Amor é a decisão de agir em favor do outro. Pense nisso!

CONCLUSÃO


Diante do exposto, podemos dizer que o casamento é uma instituição divina. Foi Deus quem criou o casamento, para ser uma união sagrada e permanente com um firme compromisso entre marido e mulher. Quando o marido e a mulher entram nesta união com essa compreensão, eles podem dar segurança um ao outro, um lar estável aos filhos e força para resistir a qualquer das tempestades ou tensões da vida. Creia nisso!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 54 – CPAD.

Comentário Bíblico Beacon, – CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.

Marcos (o evangelho dos milagres) – Rev. Hernandes Dias Lopes.