segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Aula 02 - A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL


4º Trimestre/2014

Texto Base: Dn 1:1-8; 17,20

 
“E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1:8).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos da firmeza do caráter moral e espiritual de Daniel e dos seus três amigos. “Caráter é o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe determinam a conduta e a concepção moral” (Aurélio). “É o conjunto das características morais de uma pessoa”. “Deriva do grego charaktér, que quer dizer impressão gravada”. Então o caráter se refere àquilo que foi gravado na mente de uma pessoa e assimilado no comportamento, por influência da família, de amigos, líderes religiosos, etc. É válido dizermos que os fatores ambientais (convivência com os pais, a cultura e as realidades da vida) agem sobre o temperamento, influindo na formação do caráter. Ao impor a troca dos nomes de Daniel e dos seus três amigos, o rei Nabucodonosor estava "mudando" a identidade deles, tanto cultural quanto religiosa, advinda da Lei de Deus. O que, então, fizeram esses os jovens servos de Deus? Resistiram sabiamente, propondo outra estratégia para viverem no palácio da Babilônia sem desonrar a Deus e conservando a integridade de caráter herdado da sua família. Mesmo vivendo em uma sociedade pagã eles não se deixaram contaminar. A fé de Daniel fez com que ele se tornasse um exemplo de fidelidade e de integridade para os crentes de todas as épocas. É o grande legado para a igreja de hoje.

I. UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA

1. A situação moral e política de Judá. Depois de ver seus irmãos (as 10 tribos pertencentes ao reino do Norte - Israel) levados para o exílio, o povo de Judá ainda não se arrepende de seus pecados. Os reis Ezequias e Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam muitos deles para o exílio - Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs 17:19). Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado que ocorrem à nossa volta.

Compreendendo melhor...

Nabopolassar, governador da região do Golfo Pérsico, libertou Babilônia dos assírios, e em 626 a. C. foi proclamado rei. Continuou a obter vitórias sobre os assírios até que finalmente em 612 a. C., os Babilônios e os Medos tomaram Nínive, a capital da Assíria. Não se concentraram em dominar a Assíria propriamente dita, mas partiram para a conquista de todo o império Assírio. Os egípcios temendo pela sua segurança marcharam para o norte a fim de ajudar os Assírios. O rei Josias de Judá tentou interceptá-los em Megido, mas na batalha que se travou foi morto e Judá foi subjugada ao Egito (2Rs 23:29-33).

Quatro anos mais tarde, em 605 a. C., o exército babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis (Jr 46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Nesse mesmo ano, pela primeira vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias. Um período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C.

Os longos anos em que a elite política, militar e religiosa de Judá esteve longe de sua terra são popularmente conhecidos como exílio na literatura moderna, um termo singularmente apropriado, uma vez que não apenas sugere a remoção forçada da população de judeus para a Babilônia, como também comunica a ausência de Jeová durante o processo.

A tragédia do exílio não pode ser interpretada como apenas a deportação de um povo para outra terra, ou a destruição de uma cidade e seu santuário central. Na verdade, Deus havia se retirado do meio de seu povo, uma ausência simbolizada por uma das visões de Ezequiel, na qual a Shekinah movia-se do Templo (Ezequiel - cap 1).

2. A situação espiritual de Judá. Depois da grande reforma política e religiosa em Judá, promovida pelo piedoso rei Josias, os filhos deste se desviaram do Deus de Israel. O povo, a casa real, os sacerdotes e demais líderes religiosos, todos estavam vivendo numa situação de miserabilidade espiritual, atolados na lama do pecado, da imoralidade, da idolatria (cf 2Cr 36:13,14). Deus, portanto, por intermédio de Jeremias e Habacuque alerta o povo que um tempo de calamidade aconteceria. A poderosa Babilônia invadiria Jerusalém e levaria o povo para o cativeiro. Os profetas de Deus foram perseguidos, presos e mortos. Em vez de haver quebrantamento, arrependimento e volta para Deus, o rei, os sacerdotes e o povo se endureceram ainda mais.

Os falsos profetas pregavam mensagens “bonitas”, vendiam ilusões, enganavam o povo (Jr 23:16,21). Os profissionais da religião enganavam o povo para tirar proveito pessoal. Falavam aquilo que o povo queria ouvir, e eram aplaudidos. Pregavam abundância de bênçãos, de prosperidade, de libertação material para um povo afundado no pecado e na idolatria (Jr 5:12;8:11;14:13,15). Pelo visto, a base para esta falsa mensagem de esperança era que a nação possuía a lei mosaica (Jr 8:8) e o Templo do Senhor estava entre eles (Jr 7:4). Todavia, o Senhor ressaltou que não achou os sacrifícios aceitáveis (Jr 6:20). Deus também deixou claro que a presença do Templo não era garantia de segurança. Para apoiar o argumento, destacou Siló, outrora o local do Tabernáculo, que foi mais tarde abandonado por Deus. Se o povo não se arrependesse, o Monte do Templo seria destruído como fora Siló (Jr 7:12-14; 26:6,9). Isso foi cumprido literalmente, como vemos hoje.

3. O império babilônico arrasa o reino de Judá. “No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoaquim, rei de Judá...” (Dn 1:1,2). Isso não aconteceu por acaso, Deus permitiu que Babilônia arrasasse Judá a fim de corrigi-la, pois se esquecera do seu Deus e vivia em plena degradação moral e espiritual. Deus está no controle da história. Até os ímpios estão a serviço dos propósitos de Deus. O Senhor é soberano. A cidade conquistada, o templo saqueado, os tesouros transportados e os cativos a chorar, tudo isso foi obra de Deus, destinada a cumprir Seus soberanos e sábios propósitos. Nabucodonozor era apenas uma “vara” na mão do Deus vivo para castigar o Seu povo desobediente. Em Jeremias 25:9, Deus o chama de "meu servo". Nabucodonozor prestava seus serviços a Deus sem ter consciência disso. Ele era senhor de quase toda a terra, mas era servo de Deus. Foi colocado sobre os homens, mas estava debaixo da poderosa mão daquele que dirige o universo, segundo Seus planos e propósitos.

A deportação de Judá para a Babilônia deu-se em três fases. Deus demonstrou sua misericórdia diante do julgamento merecido e concedeu ao povo repetidas oportunidades de arrependimento.

- A primeira fase. Foi simultânea com a ascensão de Nabucodonosor (605-562) ao trono de Babilônia. Esse jovem príncipe, derrotando os egípcios na batalha de Carquêmis em 605 (Jr 46:1,2), foi, mediante a inesperada morte de seu pai, obrigado a abandonar o propósito de expulsar os egípcios de suas terras. Mesmo assim, no caminho de retorno, Nabucodonosor saqueou Jerusalém, conduzindo muitos judeus em cativeiro para a capital do império, dentre esses judeus estavam Daniel e seus três companheiros (2Cr 36:5,6; Dn 1:1-6). Deixou no trono de Judá o rei Jeoaquim, que veio a rebelar-se, forçando o retorno de Nabucodonosor em 601.

- Segunda fase. O Egito encorajou Jeoaquim, rei de Judá, a se rebelar contra a Babilônia em 600 a. C., provocando outra invasão babilônica em 598. Joaquim o sucedeu no trono de Judá e entregou Jerusalém à Babilônia em 597. Ele e muitos judeus proeminentes foram deportados para a Babilônia, dentre eles estava Ezequiel (2Rs 24:14-16).

- Terceira fase. Zedequias, irmão de Joaquim, foi estabelecido no trono de Judá (2Rs 24:18). Também esta ação foi mal sucedida, pois Zedequias era instável e de pouca confiança. Judá foi persuadido a rebelar-se mais uma vez. Desta feita, Nabucodonosor decidiu retornar para Jerusalém, desta vez para destruí-la completamente, em 586 a.C. Os babilônios invadiram Judá e sitiaram Jerusalém; o assédio durou dezoito meses. Finalmente, abriram uma brecha nos muros e Jerusalém foi tomada. Zedequias foi feito prisioneiro e teve os olhos furados. Os objetos de valor do Templo foram levados para Babilônia. Também, o Templo foi destruído e a maior parte do povo restante foram levados para a Babilônia. Só foram deixadas as pessoas mais pobres para cultivar a terra (2Rs 25:1-21).

II. A FORÇA DO CARÁTER

Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua história.

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas um influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl 137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

1. A tentativa de aculturamento dos jovens hebreus (Dn 1:3,4). “E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real, e dos nobres, jovens em quem não houvesse defeito algum, formosos de aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus”.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé infringível no Deus vivo. Daniel e seus companheiros possuíam uma maturidade espiritual inexorável, que não foi adquirida em uma universidade secular, mas na Palavra de Deus.

Daniel e seus amigos correram sério risco de aculturamento nos costumes e nas ciências babilônicos. A despeito de eles serem educados em línguas e ciências, Nabucodonosor queria muito mais. Ele queria educá-los nas ciências dos caldeus para que tivessem conhecimento de astrologia e adivinhação. Mas, os babilônios perceberam logo que a formação cultural e, sobretudo, religioso desses jovens hebreus, era forte. Não seria fácil fazê-los esquecer de suas convicções de fé. Para quebrar a rigidez cultural desses jovens, Nabucodonosor elaborou um programa cultural que fosse eficaz na sua extinção: os jovens participariam da mesa do rei. Mas Daniel e seus amigos mantiveram-se íntegros, fieis e puros diante de Deus e dos habitantes da babilônia. O caráter deles era bastante sólido.

2. O caráter colocado à prova (Dn 1:5-8).E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”.

A integridade de Daniel e de seus amigos foi colocada à prova diante da determinação do rei. O maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos: (1)

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. A ATITUDE DE DANIEL E DE SEUS AMIGOS

1. Uma firme resolução: não se contaminar (Dn 1:8). “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”.

Viver exige discernimento. Os tolos naufragam, quer pelas oportunidades quer pelos riscos. Daniel e seus companheiros foram arrancados do seio de sua família como escravos, teve oportunidades e riscos. A vida ofereceu-lhes muitas propostas sedutoras. Todavia, souberam discernir a linha divisória entre o certo e errado.

“Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. A razão desta decisão do jovem profeta é que geralmente a comida e bebida daqueles monarcas babilônicos eram, antes de tudo, oferecidas aos ídolos pagãos e, portanto, Daniel, como fiel judeu, não podia participar de comidas consagradas ou dedicadas a deuses pagãos. Comer tal alimento era, para ele, desobediência à Lei de Deus; beber tal vinho significava entorpecer sua mente. Daniel não abriria mão de suas convicções, mesmo se estivesse que pagar com a vida por isso. Note-se que Daniel não tinha agora a presença dos seus pais para orientá-los nas suas decisões; mas seu amor a Deus e à sua lei achava-se de tal modo arraigados nele desde a infância que ele somente desejava servir ao Senhor de todo coração.

“Aqueles que resolvem permanecer fiéis a Deus, enfrentando a tentação, receberão forças para permanecerem firmes por amor ao Senhor. Por outro lado, aqueles que antes não tomam a decisão de permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra, terão dificuldades para resistir ao pecado ou evitar conformar-se com os caminhos do mundo” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

2. Daniel, um modelo de excelência. A vida de Daniel é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio da escuridão do relativismo. Seu testemunho rompeu a barreira do tempo e ainda encoraja homens e mulheres em todo o mundo a viver com integridade. Possuía valores absolutos no meio de uma geração que se corrompia. Ele era ainda um adolescente, mas conhecia a Deus. Era ainda jovem, mas sabia o que era certo e errado. Estava no alvorecer da vida, mas não se misturava com aqueles que se entregavam ao relativismo moral. Era um jovem que tinha coragem de ser diferente.

Mesmo tendo sido levado muito jovem para o exílio babilônico, Daniel conhecia a Deus e não o trocaria por iguaria alguma que lhe fosse oferecida. É um modelo de excelência para os jovens (Ec 12:1), como também foram outros jovens na história bíblica como Samuel (1Sm 3:1-11), José (Gn 39:2), Davi (1Sm 16:12), Timóteo (2Tm 3:15). Durante toda a sua vida, Daniel foi um exemplo de fidelidade e de oração, pois orava três vezes ao dia, continuamente (Dn 6:10).

3. Daniel é um modelo de integridade numa sociedade corrupta. Apesar de todo o esforço de seus exatores que os trouxeram para uma terra estranha, com costumes e hábitos, dedicados a outros deuses, Daniel soube, durante toda a sua vida, manter-se íntegro moral, espiritual e fisicamente. Apesar da tentativa de neutralizar a força de sua fé, os jovens hebreus permaneceram firmes e dispostos a não render-se, senão a Deus com suas próprias vidas. A mudança de nome não os fez esquecerem de sua fé nos Deus Vivo e Poderoso (Dn 3:6,7). Nas atividades políticas soube conduzir-se, respeitando as autoridades superiores, sem trair a sua fé em Deus. Sabia cumprir seus deveres e, quando foi desafiado na sua fé a deixar de orar, ele não traiu o seu Deus. (2)

CONCLUSÃO

Como preservar um caráter puro em meio a uma sociedade corrompida? Esta pergunta pode ser respondida à luz da vida de Daniel e seus amigos. Um caráter moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardo: “Ao anjo da Igreja que está em Sardo escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap 3:1).

Deus está interessado em quem realmente somos. Quando nós temos caráter cristão, a evidência está em nossa conduta. Quando uma pessoa é salva existem evidências da sua salvação. Se alguém diz, “Eu sou salvo”, mas continua a mentir, roubar e viver imoralmente, é muito claro que não está salvo. Se você é salvo, sua conduta muda como evidência de que alguma coisa mudou dentro – no coração. Nós lemos em 2Co 5:17: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Se não há uma mudança de conduta, então o coração não mudou. Deus diz: “Sede santos”. Ele não disse para fazermos algo para que aparentássemos santos. Mas, Ele diz: “sede” santo. Você não pode fazer a si mesmo santo da mesma forma que não pode salvar-se a si mesmo, mas quando você recebe a santidade de Deus por dentro, sua vida e conduta serão santas e agradáveis a Deus.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.

(1) Hernandes Dias Lopes – Daniel (Um homem amado do Cé). Hagnos.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

(2) Elienai Cabral – Integridade Moral e Espiritual. CPAD.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Aula 01 - DANIEL, NOSSO CONTEMPORÂNEO


4º Trimestre/2014

 
Texto Base: Dn 1:1,2; 7:1; 12:4

 
“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda)” (Mt 24:15)

 

INTRODUÇÃO

Estudaremos neste trimestre sobre o Livro de Daniel. É um livro histórico e também profético. Ele descreve o passado, discerne o presente e antecipa o futuro. É chamado de “O Apocalipse do Antigo Testamento”. Ao estudarmos este livro estaremos com o mapa do futuro nas mãos e saberemos que o final da história já está definido: a vitória gloriosa de Cristo e de Sua igreja. Também, este livro tem uma mensagem profundamente consoladora. Ele abre a janela do tempo e mostra-nos a linda paisagem de Deus governando o mundo e conduzindo Sua igreja a um final vitorioso. Não importa se aqui cruzamos vales escuros, estradas crivadas de espinhos; não importa se aqui somos despojados dos tesouros da terra e somos banidos para as prisões; não importa se o mundo inteiro nos odeia e se o diabo lança contra nós sua fúria indômita, a Igreja de Deus, selada por Deus, amada por Deus é mais que vencedora. Ela, em breve, tomará posse de sua herança. Sua herança é incorruptível e imarcescível. Sua glória é eterna. Seu destino é o Céu.

I. A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL

1. A formação histórica de Israel. A história de Israel começa com a chamada de Abraão (Gn 12:1-3). Ele constituiu uma família, sua mulher chamava-se Sara e o filho da promessa chamava-se Isaque (Gn 15:4). Isaque, por sua vez, gerou dois filhos, Esaú e Jacó. Este gerou 12 filhos, que se multiplicaram, e que por circunstâncias adversas mudaram-se para o Egito. Ali formou-se um grande povo, o qual permaneceu quatrocentos anos no Egito. No tempo determinado, este povo saiu do Egito sob a mão forte de Deus, em direção à Terra Prometida, Canaã, surgindo daí a nação de Israel. Dez pragas vieram sobre o Egito, desbancando as divindades do maior império do mundo. Israel perambulou no deserto quarenta anos sob a liderança de Moisés. Durante sete anos conquistou a terra, sob a liderança de Josué.

2. O governo teocrático. Durante o período que Israel caminhou pelo deserto, o povo aprendeu a depender de Deus sob uma liderança teocrática através de Moisés. Quando Moisés morreu, Deus levantou Josué para substituí-lo e, sob o seu comando, Israel conquista a terra de Canaã. O período seguinte corresponde o dos juízes que dura aproximadamente trezentos anos, quando o governo teocrático continua. O período dos juízes foi um período difícil porque Israel afastou-se da direção divina preferindo a Monarquia.

3. O governo monárquico. Depois da Teocracia veio a Monarquia, cento e vinte anos de Reino Unido sob Saul, Davi e Salomão. Com a morte de Salomão em 931 a. C, sob o governo de seu filho Roboão, o reino se dividiu em dois: reino do Norte e Reino do Sul. O Reino do Norte, formado por dez tribos teve dezenove reis, com 8 dinastias e nenhum rei piedoso. Por causa de sua obstinação e desobediência Israel foi levado cativo em 722 a. C, pela Assíria, e jamais foi restaurado.

O Reino do Sul, formado pelas tribos de Judá e Benjamim, procedia da dinastia davídica. Esse reino teve vinte reis e experimentou altos e baixos, momentos de glória e tempos de calamidade, reis piedosos no trono e reis perversos e maus. Esse reino alternou momentos de volta para Deus e momentos de rebeldia. Acabou por ser invadido pelo império Babilônico. Porque o povo abandonou a Deus e não quis ouvir sua Palavra, Deus enviou seu juízo sobre a nação. Os caldeus vieram contra eles, e Deus os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Entre os anos de 606 a. C e 587 a.C., Nabucodonosor levou em cativeiro os nobres de Jerusalém: príncipes, intelectuais e homens de guerra, etc., dentre eles estavam Daniel, Hananias, Misael, Azarias e Ezequiel. “Toda a história proporcionou a intervenção divina na vida de Israel para preservação do projeto original de Deus”.

II. OS FATOS QUE PROPICIARAM O EXÍLIO NA BABILÔNIA

1. O contexto político do reino de Judá. Nos anos 608 a 597 a. C, reinava em Jerusalém Jeoaquim, que havia sido empossado por Neco, faraó do Egito (2Rs 23:34). Naqueles dias, duas nações lutavam pelo domínio da região: a Assíria e o Egito. Neco, rei do Egito, subira para batalhar contra o rei da Assíria (2Rs 23:29). Josias, rei de Judá, temendo pela segurança de seu reino, achou melhor atacar o exército egípcio, mas morreu na batalha de Carquemis, em 608 a.C. Neco, que agora estava com todos os trunfos na mão, destituiu a Jeoacaz, filho de Josias, quando este havia reinado apenas três meses, impôs pesado tributo a Judá e constituiu rei a Jeoaquim, irmão do deposto Jeoacaz (2Rs 23:31-35).

Jeoaquim foi um rei ímpio. Seu pai Josias rasgou suas roupas em sinal de contrição e arrependimento. Jeoaquim, ao contrário, rasgou e queimou o rolo da Palavra de Deus que continha as mensagens do profeta Jeremias e mandou prender o mensageiro (Jr 36:20-26).

Jeoaquim era também assassino. Porque as mensagens do profeta Urias eram contrárias aos seus interesses, ele mandou matá-lo. Urias fugiu para o Egito, mas Jeoaquim mandou sequestrá-lo. Ele foi trazido à sua presença e morto à espada (Jr 26:20-23).

No ano 606 a.C., novos acontecimentos vieram modificar o cenário político-militar da conturbada região. Uma vitória de Nabucodonosor, rei da Babilônia, sobre o faraó Neco, consolidou a Babilônia como nova potência mundial em ascensão.

O Egito e a Assíria haviam disputado o predomínio, mas a luta enfraquecera a ambos. Assim, a Babilônia foi quem mais ganhou com essas brigas. “Quando dois cães brigam por um osso, pode aparecer um terceiro e levá-lo com a maior facilidade”.

Nabucodonosor fez três incursões sobre Jerusalém: em 606 a.C., levou os nobres (dentre eles Daniel) e os vasos do templo. Em 597 a.C., noutra incursão, levou mais cativos. O rei Jeoaquim rendeu-se sem resistência. Nesse tempo, também, foi ao cativeiro o profeta Ezequiel (2Rs 24:8). Em 586 a.C., após dezoito meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia saquearam a cidade de Jerusalém. Arrasaram-na totalmente, destruindo também o templo. O rei Zedequias foi capturado quando tentava fugir e levado à presença de Nabucodonosor. Seus filhos foram mortos em sua presença, seus olhos foram vazados, e ele levado cativo para a Babilônia com o seu povo (2Rs 25).

O povo de Judá foi arrancado da cidade santa, e o templo destruído. O cerco babilônico trouxe morte e desespero. As crianças morriam de fome, os velhos eram pisados, e as jovens forçadas. Isso trouxe dor e lágrimas ao jovem profeta Jeremias. Ele chega a dizer que mais felizes foram os que foram mortos à espada que aqueles que morreram pela fome (Lm 4:9). O povo levado ao cativeiro se assenta, chora, curte a sua dor, dependura as harpas e sonha com uma vingança sangrenta (Sl 137:1-9).

2. Judá no exílio babilônico. Os judeus que sobreviveram à longa jornada para a Babilônia certamente foram colocados em assentamentos separados dos babilônios e receberam permissão de se dedicar à agricultura e trabalhar para sobreviver (Ez 3:15; Jr 29:5), mas o trauma do exílio é expressado claramente pelo salmista:

Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fossemos alegres, dizendo: entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?”(Sl 137:1-4). 

Ciro, o grande dominador do novel império medo-persa, tratou bem os babilônios. Na verdade, ele procurou tratar com respeito todos os seus súditos leais, inclusive os judeus.

Daniel, ciente da profecia de Jeremias, segundo a qual a desolação de Jerusalém duraria setenta anos, ele pediu a Deus para intervir (Dn 9:2,18b,19). As orações de Daniel foram respondidas prontamente. Em 538 a.C., Ciro fez uma grande proclamação, registrada no final de 2Crônicas: 

Assim diz Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá; quem entre vós é de todo o seu povo, que suba, e o senhor, seu Deus, seja com ele” (2Cr 36:23; Ed 1:2-3).

O salmo 126 é um cântico de louvor a Deus porque fez retirar do cativeiro o seu povo. Cumpriu-se, desse modo, a predição feita pelo profeta Isaías há, aproximadamente, 160 anos antes acerca de Ciro, o ungido do Senhor (Is 44:28).

Entretanto, a maioria dos judeus da dispersão preferiu permanecer em suas casas, especialmente os que moravam em Babilônia, mas aqueles que tinham seus olhos voltados para o propósito eterno de Deus viram no cativeiro um instrumento de correção. E o retorno à pátria era o sinal de que ainda tinham um papel redentor a desempenhar.

O reino terreno de Judá estava absolutamente destruído. Mas através de profetas, como Ezequiel e Daniel, que também eram exilados, Deus pôde manter seu reino espiritual vivo nos corações de muitos judeus.

Os 19 anos iniciais do cativeiro de Daniel também foram os últimos do reino de Judá, sob domínio da Babilônia. A resistência judia ao jugo babilônico causou muitas represálias por parte do reino dominante.

Daniel e seus amigos (Hananias, Misael e Azarias) receberam, durante anos, uma nova educação babilônica, a fim de melhor servirem ao governo. Chegaram a compor o chamado grupo dos sábios do reino, servindo ao rei como conselheiros. Por isso, Daniel teve a chance de interpretar os sonhos que atormentavam o confuso rei Nabucodonosor e de expressar suas próprias visões. Daniel ficou no cargo por décadas (Dn 1:21; 6:28), o que lhe permitiu fazer com que os reis babilônicos conhecessem o poder do verdadeiro Deus, O temessem e respeitassem.

Daniel testemunhou vários reis no trono da Babilônia e chegou a ver o fim daquele império em 538 a. C., tomado por Ciro, que, influenciado pelo conselheiro judeu, libertou seu povo judeu e o devolveu à terra de origem.

3. Resultados do cativeiro.


a) Cura da idolatria. Este foi um dos grandes benefícios espirituais de Israel durante o cativeiro. Com o transcorrer dos dias no exílio, a idolatria que tenazmente assediava os judeus não mais tinha atração alguma para eles. Na verdade, engendrou um despertar antagônico com relação à idolatria, por suas associações de caráter nacional (ver Sl 137), bem como por suas profundas convicções, nascidas da grandeza e divindade de sua antiga religião, que não podia se comparar com a dos babilônios. Eles amavam intensamente o seu culto, sendo mais forte do que até aí tinha sido a crença de que Jeová era o Senhor de toda a Terra. Desta forma os judeus se transformaram em testemunhas do poder e amor do Deus Jeová perante os babilônios, e exerceram sobre aqueles com os quais mais conviviam uma forte influência moral.

b) Maior liberdade de culto. No cativeiro os seus princípios e crenças se consolidaram. O próprio fato de terem sido destituídos do Templo, altar e dos sacrifícios gerou neles uma retomada aos princípios fundamentais da fé judaica. Por este motivo foram formadas no exílio escolas de teologia judaica (precursoras das sinagogas – lugar de reunião e adoração – Mt 4:23) e, portanto, quando enfim, chegou o dia da restauração, não eram fracas as suas convicções, nem desordenado o seu sistema doutrinário e possuíam uma austera crença monoteísta e um credo religioso distinto, não podendo efetuar domínio na sua alma as fascinações da idolatria.

c) Remanescente fiel. O cativeiro revelou um remanescente fiel, preservado de modo sobrenatural por Deus, para que retornassem a Jerusalém. Esse remanescente fiel não foi absorvido no meio da terra do seu cativeiro, como havia sucedido a outros povos conquistados. Certamente o tempo do exílio foi um período de grande atividade literária entre os judeus no sentido de coligir, preservar e editar antigas narrações. Por conseguinte, podemos atribuir ao povo judeu a preparação do caminho para a vinda do cristianismo, uma vez que forneceu, por meio desta preservação literária, ao povo da nova aliança – a Igreja de Cristo -, sua mensagem, a saber, o Antigo Testamento.

III. DANIEL, O AUTOR E O LIVRO

1. O homem Daniel. Quanto à pessoa de Daniel, há pouca informação da sua família senão a de que ele era um nobre da linhagem real de Israel (Dn 1:3). Ele e seus três amigos, Hananias, Misael e Azarias, eram jovens de boa aparência, instruídos, bem educados (Dn 1:4), mas, sobretudo, servos de Deus, com profundas convicções (Dn 1:8). Ainda muito jovem, foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Sua vida é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio da escuridão do relativismo. Seu testemunho rompeu a barreira do tempo e ainda encoraja homens e mulheres em todo o mundo a viver com integridade. Em sua vida religiosa Daniel possuía convicções firmes em Jeová, o Deus de Israel, e foi contemporâneo de dois importantes profetas - Jeremias e Ezequiel -, porque os mesmos exerciam seus ministérios em Jerusalém. O profeta Ezequiel foi marcado por uma profunda impressão de Daniel, citando-o no seu livro como um homem de sabedoria e de justiça, colocando-o no mesmo nível de Noé e de Jó (Ez 14:14).

2. A importância do Livro. Daniel é um livro histórico e profético. Olha para o passado, interpreta o presente e descobre o futuro. Nada escapa ao controle de Deus, mesmo quando Sua presença ou Sua providência parecem não ser vistas na terra. As rédeas da história não estão nas mãos dos poderosos deste mundo, mas nas mãos dAquele que está assentado no alto e sublime trono.

Daniel tem uma mensagem ética clara para nosso tempo. Revela-nos como podemos ser íntegros na adversidade ou na prosperidade. Mostra-nos como devemos confiar em Deus não simplesmente por aquilo que Ele faz, mas por quem Ele é. Também, este livro tem uma mensagem profundamente consoladora. Ele abre a janela do tempo e mostra-nos a linda paisagem de Deus governando o mundo e conduzindo Sua igreja a um final vitorioso. (1)

Em virtude da sua mensagem apocalíptica, Daniel é chamado de “O Apocalipse do Antigo Testamento”; é um livro essencialmente profético, e muitas profecias nele narradas se referem ao final dos tempos.

O estudo do livro é necessário para a compreensão de textos importantes, tais como o sermão profético de Jesus (Mt 24;25; Lc  21:5-36), e o texto de 2Ts 2:1-12 que fala sobre o Anticristo. Também é fundamental para melhor entendimento do livro do Apocalipse.

Não devemos esquecer o fato do livro de Daniel estar repleto de linguagem figurada quando formos lê-lo ou meditarmos nele. A simbologia requer um estudo bastante acurado, criterioso e cuidadoso, a fim de que não cometamos erros sérios de interpretação.

3. A autoria, as características e propósito do livro.

Autoria.

O livro é de autoria do profeta Daniel, durante o período do exílio, entre os anos 606 e 536 a.C. Podemos perceber esta autoria no emprego da primeira pessoa do singular - "Eu, Daniel" -  nos capítulos de sete a doze (Dn 7:13,28; 8:1; 9:1,2; 10:2; 11:2; 12:13). Como o livro faz parte de uma unidade, conclui-se que todo o livro foi escrito por Daniel. O próprio Senhor Jesus afirmou a autoria de Daniel em Mt 24:15. Ao longo dos séculos tem sido mantida tradicionalmente a autoria de Daniel pela Igreja cristã. Deduz-se que ele iniciou escrevendo na Babilônia e o restante no palácio de Susã (Dn 8:2). O conteúdo do livro de 12 capítulos e 357 versículos foi escrito em hebraico, e parte do texto a partir do capítulo 2:4 até o capitulo 7:28 foi escrito em aramaico. Dos capítulos 1 a 6 temos a parte histórica e nos capítulos 7 a 12 temos a parte escatológica, isto é, profética.

Características.

Na formação do cânon das Escrituras, alguns críticos literários da Bíblia, especialmente quando surgiu o liberalismo teológico, não reconheciam o livro de Daniel como autêntico, nem como inspirado. Entretanto, o livro de Daniel encontra-se na Bíblia hebraica entre "os Escritos" e não entre os “livros proféticos". Posteriormente, outros estudiosos reconheceram a autenticidade do livro de Daniel como livro, não apenas histórico, mas como "profético". Principalmente, a segunda parte do livro contém revelações proféticas que tratavam de fatos que já cumpriram, mas com revelações futuras, tanto em relação ao próprio povo de Israel, como em relação aos gentios. Em relação aos gentios, Deus revelou a Daniel o quadro futuro dos tempos dos gentios representado por figuras alegóricas. Portanto, o livro de Daniel pode ser classificado como apocalíptico porque desvenda o futuro do mundo, tendo o povo de Israel como ponto convergente para os fatos futuros.

Propósito.
Encorajar os judeus do exílio babilônico mostrando que Deus, apesar de puni-los, estava no controle de todas as coisas, e que o Senhor tem o domínio sobre o tempo e sobre a história, bem como é soberano sobre cada ser humano individualmente e sobre todos os reinos da terra; logo, os judeus deveriam animar-se, pois Deus os traria de volta a Terra Prometida e julgaria todos os reinos.

CONCLUSÃO

“Daniel é um profeta contemporâneo porque sua mensagem revela o plano de Deus para com o povo de Israel através da história com eventos já cumpridos e outros que apontam para o futuro. A relação da profecia de Daniel com a Igreja é da maior importância, porque é como olhar para o relógio do tempo. A ênfase e o lugar que Israel ocupa como povo de Deus, objeto direto da profecia de Daniel e de outros profetas, mostram e indicam o futuro da Igreja de Cristo”. (2)

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.

(1) Hernandes Dias Lopes – Daniel (Um homem amado do Cé). Hagnos.

(2) Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

4º TRIMESTRE DE 2014 - LIÇÕES BÍBLICAS CPAD


 


 



 

No 4º Trimestre de 2014 estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o tema: Integridade Moral e Espiritual - O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje.  As lições serão comentadas pelo pastor Elienai Cabral, e estão distribuídas sob os seguintes títulos:

Lição 1: Daniel, Nosso “Contemporâneo”.
Lição 2: A Firmeza do Caráter Moral e Espiritual de Daniel.
Lição 3: O Deus que Intervém na História.
Lição 4: A Providência Divina na Fidelidade Humana.
Lição 5: Deus Abomina a Soberba.
Lição 6: A Queda do Império Babilônico.
Lição 7: Integridade em Tempos de Crise.
Lição 8: Os Impérios Mundiais e o Reino do Messias.
Lição 9: O Prenúncio do Tempo do Fim.
Lição 10: As Setenta Semanas.
Lição 11: O Homem Vestido de Linho.
Lição 12: Um Tipo do Futuro Anticristo.
Lição 13: O Tempo da Profecia de Daniel.

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O livro de Daniel é um livro histórico e também profético. Ele descreve o passado, discerne o presente e antecipa o futuro. É um manual singular acerca da soberania de Deus na história. Trata de temas relevantes como juventude corajosa, vida acadêmica, política externa, acordos internacionais, batalha espiritual e profecia. Aborda, outrossim, temas pessoais como santidade, oração, jejum e estudo da Palavra de Deus. O livro revela extraordinários milagres de Deus, mas, sobretudo, fala de muitos homens fiéis que passaram pelo vale da morte e pelos corredores da fama sem perderem sua integridade, ainda que cercados por um ambiente com cheiro de enxofre.

O livro de Daniel é chamado de “O Apocalipse do Antigo Testamento”. Deus abriu as cortinas do futuro e revelou a Daniel os fatos que haveriam de suceder ao longo da história. Esse livro proclama-nos que as coisas acontecem porque Deus as determina.

O tema do trimestre é: “Integridade Moral e Espiritual - O Legado do Livro de Daniel”. O tema é bastante pertinente, pois estamos no fragor de uma crise avassaladora, a crise de integridade.

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes (1), “a crise de integridade está presente na família, nas instituições públicas, na educação, no comércio, na política e na igreja. Falta integridade nos palácios, nas casas de leis, nos tribunais e até nas igrejas. Os problemas que atingem a sociedade contemporânea não são periféricos, eles afetam as questões cruciais. Não apenas os absolutos morais são questionados, mas também os critérios da própria verdade.

“A mensagem do livro de Daniel pode não ser popular e palatável, mas é desesperadamente necessária. Ela faz uma radiografia da própria alma, investiga os recessos do coração e lança luz nos corredores sombrios da vida. Daniel viveu num tempo em que a verdade estava sendo pisada, os valores morais estavam sendo escarnecidos e a religião tinha perdido sua integridade.

“Este livro trata da soberania de Deus na história e também do cuidado de Deus por aqueles que se agradam de temer o seu nome. Deus se importa com o destino das nações e também com o seu destino. Aquele que sustenta o universo, dirige a história e governa a igreja é o mesmo que cuida de você e lhe conduz em triunfo. Ele conhece cada célula de seu corpo e cada fio de cabelo de sua cabeça. Todos seus dias foram contados e determinados por Ele.

“Daniel é um livro histórico e profético. Olha para o passado, interpreta o presente e descobre o futuro. Nada escapa ao controle de Deus, mesmo quando Sua presença ou Sua providência parecem não ser vistas na terra. As rédeas da história não estão nas mãos dos poderosos deste mundo, mas nas mãos daquele que está assentado no alto e sublime trono.

“Daniel tem uma mensagem ética clara para nosso tempo. Revela-nos como podemos ser íntegros na adversidade ou na prosperidade. Mostra-nos como devemos confiar em Deus não simplesmente por aquilo que Ele faz, mas por quem Ele é. A mensagem de Daniel nos ensina que em vez de uma corrida frenética atrás de milagres, deveríamos buscar avidamente a integridade. Em vez de buscar sofregamente as bênçãos de Deus, deveríamos ansiar por conhecer mais profundamente o Deus das bênçãos. Deus é mais importante que Suas dádivas. O Abençoador tem mais valor que a bênção. O Doador é mais importante que a dádiva. Aqueles que conhecem a Deus são ativos e fortes e jamais se curvam diante dos homens.

“Mas, também, este livro tem uma mensagem profundamente consoladora. Ele abre a janela do tempo e mostra-nos a linda paisagem de Deus governando o mundo e conduzindo Sua igreja a um final vitorioso. Não importa se aqui cruzamos vales escuros, estradas crivadas de espinhos; não importa se aqui somos despojados dos tesouros da terra e somos banidos para as prisões; não importa se o mundo inteiro nos odeia e se o diabo lança contra nós sua fúria indômita, a igreja de Deus, selada por Deus, amada por Deus é mais que vencedora. Ela, em breve, tomará posse de sua herança. Sua herança é incorruptível e imarcescível. Sua glória é eterna. Seu destino é o céu.

“Ao estudar este livro você estará com o mapa do futuro nas mãos e saberá que o final da história já está definido: é a vitória gloriosa de Cristo e de Sua igreja”.

Meu desejo é que você saia desse trimestre mais firme na fé, mais enriquecido na graça, mais consolado pela verdade, mais ansioso pela volta do Senhor Jesus!

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(1) “DANIEL – Um homem amado no Céu” (Rev. Hernandes Dias Lopes).

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Aula 13 - A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO


3º Trimestre/2014

 
Texto Base: Tiago 5:7-20

 
“Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5:16).

 

INTRODUÇÃO

Com esta Aula, concluímos os estudos da Epístola de Tiago. Estudamos treze temas que trouxeram substância à nossa alma e combustível à nossa fé. Depois de trazer uma palavra de encorajamento aos irmãos destinatários de sua Epístola, haja vista que passavam por tribulações ferrenhas, bem como duras exortações sobre o mundanismo que imperava dentro da Igreja, Tiago finda seus ensinos com uma consolação. Ele fala a respeito da paciência em meio às aflições e cita Jó como exemplo de vida e paciência (Tg 5:11). Segundo a visão de Tiago, a paciência pode ser considerada sob dois aspectos: condição de resistir às aflições com resignação e a capacidade de suportar as ofensas alheias. Tiago lembra aos irmãos que Jesus em breve voltará (Tg 5:8) e que toda tribulação terá o seu fim, pois desfrutaremos da misericórdia e bondade de Deus para todo o sempre.

I. O VALOR DA PACIÊNCIA E A PROIBIÇÃO DO JURAMENTO (Tg 5:7-12)

“A paciência é a virtude de suportar a injustiça, o sofrimento, as aflições, confiando a nossa vida na mão de Deus para corrigir todas as coisas na sua vinda” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

1. O valor da paciência e da perseverança (Tg 5:7,8).Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima” (5:8).

A falta de paciência é um dos males que atormenta a humanidade, a causa de muitas doenças psíquicas, e até somáticas. Nos dias em que vivemos, em que a imediatidade e a pressa são a regra, falar em paciência soa estranho e se apresenta como um desafio, mas os salvos em Cristo Jesus, devem ter esta característica, que é mais uma das marcas do nosso Deus, que é conhecido nas Escrituras como longânimo (Nm 14:18; Sl 103:8; Jn 4:2; 2Pe 3:9).

Ninguém quer esperar, mas em qualquer lugar aonde se vá, impõe-se a necessidade de esperar. Para saber esperar é preciso ter paciência: paciência para esperar o transporte coletivo; paciência para esperar nos congestionamentos do trânsito; paciência nos bancos, nos supermercados; paciência para pagar e receber; paciência para ser atendido nos consultórios e nos hospitais, até mesmo particulares; paciência para registrar uma queixa, ou elaborar um Boletim de Ocorrência; paciência de Jó, se precisar bater às portas do Poder Judiciário; paciência para com tudo e para com todos. Todos estão prestes a explodir, mas o crente fiel precisa fazer a diferença: mostrar amor, tolerância, dar provas de paciência, pois “... o fruto do Espírito é:... paciência...”, ou longanimidade.

Há uma certa inquietação nos meios evangélicos. Falta paciência para buscar e pensar nas “...coisas que são de cima...”(Cl 3:1). Falta a paciência e a perseverança da viúva da parábola do Juiz Iníquo (Lc 18:1-8); ela permaneceu batendo e pedindo, com perseverança. Colossenses 1:9-11 ensina-nos a perseverar com paciência na fé cristã.

2. O valor da tolerância de uns para com os outros (Tg 5:9). ”Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta”.

Este texto chama os servos do Senhor a trabalhar juntos em meio às tribulações. Nos momentos de pressão é comum o ser humano se irar contra aqueles que mais ama. Daí a advertência: “Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados”. À época de Tiago, como hoje, é comum a existência de queixas entre os irmãos. Isso é próprio da natureza carnal do homem. Contudo, se desejamos ter nosso “espirito, alma e corpo (...) plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5:23), precisamos demonstrar paciência no amor fraternal, pois o amor “é benigno, é sofredor (...), tudo espera, tudo suporta” (1Co 13:7).

3. Aflição, sofrimento e juramento (Tg 5:10-12).

Aflição.Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor (Tg 5:10).

Os profetas foram homens que andaram com Deus, ouviram a voz de Deus, falaram em nome de Deus, mas passaram também por grandes aflições. Eles trilharam o caminho estreito das provas e foram pacientes. Privilégio e provas caminharam juntos na vida dos profetas. Sofrimento e ministério caminharam lado a lado na vida dos profetas. Exemplos: Isaías não foi ouvido pelo seu povo. Ele foi serrado ao meio; Jeremias foi preso, jogado num poço e maltratado por pregar a verdade. Ele viu o cerco de Jerusalém e chorou ao ver o seu povo sendo destruído; Daniel foi banido da sua terra e sofreu pressões quando jovem. Sofreu ameaça e perseguição por causa da sua fidelidade a Deus, a ponto de ser jogado na cova dos leões.

O apóstolo Paulo diz: "E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições" (2Tm 3:12). Nem sempre a obediência a Deus produz vida fácil! Se a igreja for mais perseguida, será mais fiel? Não. Se ela for mais fiel será mais perseguida. Isso significa que Deus não nos poupa das aflições, mas Ele nos assiste nas aflições. Elias anunciou ao ímpio rei Acabe que a seca viria sobre Israel. Ele também sofreu as consequências da seca, mas Deus cuidou dele e lhe deu vitória sobre os ímpios.

Jesus disse: "Bem-aventurado sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós" (Mt 5:11,12).

Quando você estiver enfrentando sofrimento, não coloque em dúvida o amor de Deus, pois pessoas que andaram com Deus como você, também passaram pelas aflições. Seja paciente!

Sofrimento. “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg 5:11).

A “Teologia da Prosperidade” tem pregado que o bem-estar espiritual é irreconciliável com qualquer espécie de sofrimento. Se o crente sofre é porque não é próspero. Todavia, a vida cristã não uma sala VIP, nem uma colônia de férias. O sofrimento é o cálice que o povo de Deus precisa beber, enquanto caminha rumo à glória. A cruz vem antes da coroa, o sofrimento antes da recompensa final. Nós entramos no reino de Deus por meio de muitas tribulações (At 14:22). O ensino bíblico, porém, é claro ao ensinar que “muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”(Sl 34:19).

Não há vitória sem luta. Não há picos sem vales. Se você deseja a bênção, você tem que estar preparado para carregar o fardo e entrar nessa guerra. Jó era um homem piedoso, justo, próspero, bom pai, sacerdote da família, preocupado com a glória de Deus. O próprio Deus dá testemunho a seu respeito. Deus o constitui Seu advogado na terra. Todavia, Satanás faz Jó sofrer com a permissão de Deus. Jó perdeu todos os seus bens, perdeu todos os seus filhos e perdeu também a sua saúde (Jó 1:22; 2:10). Jó perdeu o apoio da sua mulher. Jó perdeu o apoio dos seus amigos. Jó faz 16 vezes a pergunta: por quê? Jó expressa sua queixa 34 vezes. Mas no auge da sua dor, ele disse para Deus: "Ainda que Deus me mate, ainda assim, esperarei nele..." (Jó 13:15).

Jó esperou pacientemente no Senhor e Deus o honrou. Ele não explicou nada para Jó, mas apesar de Jó não conhecer os porquês de Deus, ele pôde conhecer o caráter de Deus (Jó 42:5). A maior bênção que Jó recebeu não foi saúde e riqueza, mas um conhecimento mais profundo de Deus. Isso é a própria essência da vida eterna (João 17:3).

Jó passou a conhecer o Senhor de uma forma nova e mais profunda. O propósito de Satanás era fazer de Jó um homem impaciente com Deus. Isto porque um homem impaciente com Deus é uma arma nas mãos do maligno. Mas o propósito de Deus em permitir Jó sofrer foi fortalecê-lo e fazer dele uma bênção maior para o mundo inteiro.

Como os profetas, devemos procurar oportunidades para testemunhar, mesmo no meio do sofrimento. Como Jó, devemos esperar para que o Senhor complete Seu amoroso propósito em nós, mesmo em meio ao sofrimento.

Juramento.Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e não, não, para que não caiais em condenação” (Tg 5:12).

Jurar era um costume comum, e Tiago queria que essa prática fosse suspendida entre os crentes. As pessoas ofereciam garantias verbais desrespeitosas ou arrogantes que elas mesmas podiam reverter através de alguns detalhes legais. Os cristãos não deviam fazer nenhum juramento para garantir a veracidade daquilo que diziam. A nossa honestidade deve ser inquestionável. Os crentes não precisam fazer juramentos, pois as suas palavras devem ser sempre verdadeiras. Não deve haver motivo para que eles precisem reforçar as suas palavras com um juramento. Deus irá julgar as suas palavras.

Uma pessoa que tenha a reputação de exagerar ou de mentir não pode conseguir que alguém creia nela somente através de sua palavra. Por exemplo, esta pessoa poderia dizer: “Eu prometo!”, ou: “Eu juro!”. Os cristãos não devem nunca ser assim. Seja sempre honesto, para que os outros creiam nos seus simples “sim” e “não”. Evitando as mentiras, as meias-verdades, e as omissões da verdade, você ficará conhecido como uma pessoa digna de confiança.

II. UNÇÃO DE ENFERMOS E COMO DEUS OUVIU ELIAS (Tg 5:13-18).

1. Oração e cânticos (Tg 5:13). “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores”.

Um cristão maduro é aquele que tem uma vida plena de oração diante das lutas da vida. Em vez de ficar amargurado, desanimado, reclamando, ele coloca a sua causa diante de Deus e Deus responde ao seu clamor. Desperdiçamos tempo e energia quando tentamos viver a vida sem oração. A oração nos dá poder para enfrentar os problemas e usá-los para cumprir os propósitos de Deus. Paulo orou para Deus mudar as circunstâncias da sua vida, mas Deus lhe deu poder para suportar as circunstâncias (2Co 12:7-10). Jesus clamou ao Pai, com abundantes lágrimas, no Getsêmani, para passar dEle o cálice, mas o Pai lhe deu forças para suportar a cruz e morrer pelos nossos pecados.

O cristão maduro canta mesmo no sofrimento. Deus equilibra a nossa vida, dando-nos horas de sofrimento e horas de regozijo. Paulo e Silas cantaram na prisão (At 16:25). Josafá cantou no fragor da batalha (2Cr 20:21). Muitas vezes trafegamos dos caminhos floridos da alegria para os vales do choro num mesmo dia. Mas, mesmo que os nossos pés estejam no vale, nosso coração pode estar no plano (Sl 84:5-7). Pelo poder de Deus, podemos transformar os vales secos em mananciais; o pranto, em alegres cantos de vitória (Sl 30:5). Quando o diamante é lapidado é que ele reflete sua beleza mais fulgurante. Quando a flor é esmagada é que ela exala o seu mais doce perfume. A alegria mais poderosa é aquela que, muitas vezes, explode banhada pelas lágrimas mais quentes. (1)

2. A oração da fé (Tg 5:14,15). “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

Uma característica da igreja primitiva era a sua preocupação com os doentes e o cuidado para com eles. Tiago 5:14 incentiva os doentes a chamar os presbíteros da igreja, pedindo aconselhamento e oração. Os presbíteros - pessoas espiritualmente amadurecidas, responsáveis pela supervisão das igrejas locais (veja 1Pe 5:1-4) -, iriam orar sobre a pessoa doente, pedindo a cura ao Senhor. A seguir, eles a ungiriam com azeite em nome do Senhor. Enquanto oravam, os presbíteros deviam pronunciar claramente que o poder da cura residia no nome de Jesus. A unção era frequentemente usada na igreja do primeiro século nas suas orações pedindo cura. Nas Escrituras, o azeite era tanto um remédio (veja a parábola do bom samaritano, em Lucas 10:30-37) como um símbolo do Espírito Santo (como quando usado para ungir reis, veja 1Sm 16:1-13).

Os presbíteros oravam com imposição de mãos, num gesto de autoridade espiritual. Eles ungiam o enfermo com óleo em nome do Senhor (Tg 5:14). Não é a unção que cura o enfermo, mas a oração da fé. Quem levanta o enfermo não é o óleo, é o Senhor. O óleo é apenas um símbolo da ação de Deus.

Deve ser enfatizado aqui que a oração oferecida é uma oração oferecida em fé – não somente a fé que crê que Deus pode curar, mas também a fé que expressa a confiança absoluta na vontade de Deus. A oração da fé é a oração feita na plena convicção da vontade de Deus (1João 5:14,.15). A vontade de Deus nem sempre é curar aqueles que estão enfermos (veja 2Co 12:7-9). Uma oração em que se pede uma cura deve ser feita juntamente com o reconhecimento de que a vontade de Deus é suprema.

3. Oração e confissão (Tg 5:16). “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5:16).

Quem lê este texto de Tiago sem prestar muita atenção pode imaginar que devemos dar um relato detalhado de nossos pecados secretos a outros cristãos. Não é o que Tiago está dizendo. Ele ensina acima de tudo que, no caso de pecarmos contra alguém, confessemos prontamente esse pecado à pessoa que ofendemos.

Devemos também orar uns pelos outros. Em vez de guardar rancor e permitir o acúmulo de ressentimentos, precisamos nos manter em comunhão com os outros por meio da confissão e da oração.

A cura física é associada à restauração espiritual. Observe como Tiago associa confissão, oração e cura. Vemos aqui uma referência clara à ligação crítica entre o físico e o espiritual. O ser humano é composto de espírito, alma e corpo (1Ts 5:23). O que afeta um, afeta os outros.

O campo da psicologia psicossomática reconhece essa ligação e investiga problemas pessoais que podem ser a causa de males físicos. A medicina secular não conta, porém, com um remédio para o pecado. O livramento da culpa, da contaminação, do poder e do castigo do pecado só se dá pelo sangue de Cristo e da confissão a Deus. Muitas enfermidades são causadas por pecados como gula, preocupação, raiva, rancor, intemperança, inveja, egoísmo e orgulho. O pecado pode deteriorar a saúde e, por vezes, levar à morte (1Co 11:30). Assim que nos conscientizarmos de um pecado, devemos confessá-lo e abandoná-lo. Temos de confessar a Deus todos os pecados. Além disso, precisamos confessar às pessoas os pecados contra elas. A confissão é uma prática vital para nossa saúde espiritual e física. Pense nisso!

4. Devemos crer na eficácia da oração (Tg 5:17,18) – “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos” (ARA).

Os crentes, embora sujeitos a fraquezas, podem ter vitória na oração. Elias era homem sujeito às mesmas fraquezas (teve medo, fugiu, sentiu depressão, pediu para morrer), mas era justo e a oração do justo pode muito em sua eficácia. O poder da oração é o maior poder no mundo.

A história mostra o progresso da humanidade: poder do braço, poder do cavalo, poder da dinamite, poder da bomba atômica. Mas o maior poder é o poder de Deus que se manifesta através da oração dos justos.

Elias orou fundamentado na promessa de Deus. Em 1Reis 18:1 Deus disse que enviaria a chuva e em 1Reis 18:41-46, Elias orou pela chuva. Não podemos separar a Palavra de Deus da oração. Em Sua Palavra Deus nos dá as promessas pelas quais devemos orar.

Elias orou com persistência. Muitas vezes, nós fracassamos na oração porque desistimos muito cedo, no limiar da bênção.

Elias orou com intensidade. A palavra "instância" (5:17) significa que Elias orou de coração. Ele pôs o seu coração na oração. Devemos orar pela nação hoje, para que Deus traga convicção de pecado sobre o povo e um reavivamento para a igreja. (2)

III. A IMPORTÂNCIA DA CONVERSÃO DE UM IRMÃO (Tg 5:19,20)

“Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados”.

Tiago completa seu ensino olhando agora para as pessoas que um dia estiveram em nossas congregações e se desviaram da verdade. Tiago nos instrui que nosso coração deve estar cheio de compaixão pelos que sofrem, pelos enfermos e pelos que se desviam, para que nossas orações possam subir ao trono da graça em favor deles.

Diz Tiago: “Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter...”. Estas palavras de Tiago dão a entender com clareza que uma pessoa que aceitou a Jesus pode um dia se desviar dos caminhos do Senhor. Contudo, quem se desvia dos caminhos do Senhor pode receber o mesmo perdão que é oferecido àquele que nunca teve o conhecimento de Jesus Cristo. Tiago, no versículo 19, nos exorta que oremos pelos que se desviaram da verdade. Quando fazemos isso com grande fervor e fé, e com todo o amor, o desviado poderá ser convertido do seu caminho errado e voltará à comunhão de seus irmãos em Cristo. Eis um ministério de valor inestimável! Em primeiro lugar, ele salvará o irmão desviado da morte prematura sob a mão disciplinadora de Deus. Em segundo lugar, cobrirá multidão de pecados, que serão perdoados e esquecidos por Deus. Precisamos desse ministério hoje!

Em nosso zelo por evangelizar os perdidos, talvez deixemos de dar atenção suficiente às ovelhas de Cristo que saíram do aprisco. Todavia, a mensagem de Tiago nos manda ser mais zelosos no cuidado para com os outros, inclusive na busca da ovelha perdida. O pecado na vida de um crente é pior do que na vida de um não crente. Precisamos nos esforçar para salvar os perdidos. Mas também precisamos nos esforçar para restaurar aqueles que se desviam. Judas 23 usa a expressão “arrebatando-os do fogo”.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final dos ensinos práticos e sucintos de Tiago. Nesta Epístola vimos a fé ser provada pelos problemas da vida, por tentações pecaminosas e pela obediência à Palavra de Deus. A pessoa que afirma ter fé foi desafiada a mostrá-la tratando todos com imparcialidade e prová-la com uma vida de boas obras. A realidade da fé pode ser notada nas palavras de uma pessoa; o cristão aprende a sujeitar sua língua ao senhorio de Cristo. A fé autêntica é acompanhada de sabedoria verdadeira; a vida de inveja e contendas dá lugar à vida de piedade prática.

A fé impede desavenças, conflitos e inveja, resultantes da cobiça e de ambições mundanas. Evita um espírito cruel e julgador, bem como a autoconfiança que deixa Deus de fora dos planos da vida. A fé é testada pelo modo de a pessoa adquirir e usar o dinheiro. A pesar da opressão, manifesta paciência e perseverança estimuladas pela volta de Cristo. Suas palavras são sempre honestas e, portanto, não precisam de juramentos para atestá-las. A fé busca o Senhor em todos os momentos da vida. Na enfermidade, procura primeiro as causas espirituais. Ao confessar os pecados a Deus e àqueles que foram ofendidos, remove as possíveis causas. Por fim, a fé se expressa em amor e compaixão por aqueles que se desviaram. Lembre-se: a nossa fé é testada diariamente.

Deus os abençoe sobremaneira!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

(1) Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (transformando provas em triunfo). Hagnos.

(2) Ibidem.