domingo, 10 de outubro de 2021

Aula 03 – A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO

 

4º Trimestre/2021


Texto Base: Atos 9.1-9

 

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At.9:3,4).

V.P.: “A verdadeira conversão a Cristo leva em conta o arrependimento, a fé em Jesus e uma completa transformação no pensamento, vontade e ação do homem”.

Atos 9:

1.E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo-sacerdote,

2.e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.

3.E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4.E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

5.E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.

6.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.

7.E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.

8.E Saulo levantou-se da terra e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.

9.E esteve três dias sem ver, e não comeu, nem bebeu.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da “Conversão de Saulo de Tarso”. Indubitavelmente, a conversão desse judeu-fariseu zeloso pela Lei mosaica, foi a mais importante da história do Cristianismo; talvez nenhum feito seja mais marcante na história da Igreja depois do Pentecostes. Nenhum homem exerceu tanta influência no cristianismo, como Saulo de Tarso após a sua impressionante conversão a Cristo. Lucas ficou tão impressionado com a importância da conversão de Saulo que a relata três vezes em Atos (Atos 9,22,26).

Ao se encontrar com Jesus Cristo no caminho para Damasco, Saulo teve a sua vida completamente regenerada - a sua faculdade intelectual foi regenerada, pois seu encontro com o Senhor trouxe-lhe luz à mente; sua faculdade emocional foi afetada, pois ao longo da vida do apóstolo, vemos sua profunda tristeza em perseguir seus irmãos em Cristo; e, finalmente, a faculdade de sua vontade foi tocada. Depois de sua conversão, Saulo tornou-se um dos mais célebres defensores da doutrina de Cristo. Ele desejava desgastar-se pela causa do Evangelho. Assim, nada mais teria sentido para Paulo, senão o de pregar o Cristo Ressuscitado que tanto ele perseguiu. Somente a graça soberana de Deus pode fazer isso! Que neste trimestre, milhares de cerviz duras e bloqueadas pelo pecado sejam alcançadas pela graça maravilhosa de Jesus.

I. A CONVERSÃO DE SAULO: UM ATO DA GRAÇA DE DEUS

1. A conversão de Saulo e sua experiência sobrenatural

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 9:3-5).

A conversão de Saulo é uma evidência insofismável da graça soberana de Cristo. Ele era como um touro forte e bravo, difícil de ser derrubado; porém, Jesus tinha um chamado especial para ele – fazê-lo o mais proeminente apóstolo dos gentios. Mas, para isso, era necessário que a sua cerviz dura e cegueira espiritual fossem debeladas, e os olhos da alma fossem abertos para enxergar a Verdade e o verdadeiro Caminho.

Saulo era um perseguidor implacável; estava determinado banir da terra os cristãos e, por conseguinte, o Cristianismo. Não aceitava que um Nazareno, crucificado como um criminoso, pudesse ser o Messias prometido por Deus. Então, munido de cartas do sumo sacerdote, Saulo ruma para Damasco, respirando ameaças e morte, com o objetivo de prender homens e mulheres cristãos, e levá-los manietados a Jerusalém (Atos 9:1,2). Mas, foi surpreendido por uma impactante experiência sobrenatural pela qual nunca havia passado (Atos 9:3) - “E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu”.

Surpreendido pelo resplendor do céu, mais forte que a luz do sol do meio-dia, o perseguidor da Igreja caiu por terra e ficou cego (Atos 9:4) – “E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Ele, então, retruca: “Quem é tu, Senhor? E obtém a resposta: “Eu sou Jesus, o Nazareno a quem tu persegues” (Atos 9:5).

Que paradoxo impressionante Paulo estava vivenciando naquele momento histórico! Para ele, Jesus de Nazaré estava morto e sepultado na Judeia. Uma vez que o líder da seita havia sido eliminado, seria preciso apenas acabar com seus seguidores, e a terra estaria livre dos cristãos. E agora, por meio de uma revelação arrasadora, Saulo descobriu que Jesus não está morto, mas que foi ressuscitado dentre os mortos e glorificado à direita do Deus Pai, no Céu. A visão do Salvador glorificado mudou inteiramente o rumo da sua vida. Naquele instante, Saulo também se deu conta de que ao perseguir os seguidores de Jesus estava perseguindo o próprio Senhor. A dor infligida aos membros do Corpo era sentida pela Cabeça do Corpo no Céu.

2. A iniciativa de Jesus para transformar a mente de Saulo

Saulo era um carrasco, um homem truculento, selvagem, bárbaro, um fundamentalista religioso em seu zelo ensandecido. Somente a incidência da graça soberana de Deus para salvar um homem com uma natureza selvagem dessa estirpe. Mas, o Senhor o queria em sua equipe de apóstolo; para isso, Cristo teria que tomar a iniciativa para transformar a sua mente cauterizada. Saulo estava caçando os cristãos para prendê-los, e Cristo estava caçando Saulo para salvá-lo (Atos 9:1-6).

Saulo era uma fera selvagem, um perseguidor implacável, um assassino insensível. Portanto, dada a dureza do coração de Saulo, o Senhor tomou a iniciativa de sacudir a sua estrutura física, psicológica e espiritual, agindo pessoalmente na sua direção. A conversão de Paulo no caminho de Damasco foi o clímax repentino de um longo processo em que o “Caçador dos céus” tinha estado em seu encalço; curvou-se, então, a dura cerviz autossuficiente; o touro estava domado. Até aquele momento Saulo fazia o que ele mesmo queria, o que considerava certo e o que sua vontade determinava; mas, desse momento em diante, passou a fazer apenas o que Cristo determinou que ele fizesse.

3. A graça salvadora se manifestou a Saulo

Como já disse, a causa da conversão de Saulo foi a graça salvadora de Deus. Paulo mesmo afirma, na Epístola aos Efésios 2:8: “Pela graça sois salvos por meio da fé, isto não vem de vós, é dom de Deus”. Na epístola a Tito, também afirma: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11). Portanto, Saulo não foi salvo por seus méritos; seus predicados religiosos, nos quais confiava (circuncidado, fariseu, hebreu de hebreus, da tribo de Benjamin) não serviam como pré-requisitos para sua salvação; mais tarde, ele considerou esses predicados como esterco (Fp.3:8). A Bíblia diz que a nossa justiça aos olhos de Deus não passa de trapo de imundícia (Is.64:6).

Portanto, a graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na Maravilhosa Graça de Deus. Portanto, o ponto de partida da experiência de salvação de todos os homens é a graça de Deus. Essa graça é o favor imerecido de Deus em que sua justiça é satisfeita na morte expiatória de Jesus. Consideremos, por exemplo, um homem que foi condenado a morrer na cadeira elétrica por ter matado um policial; assim que ele morre é “liberto” desse crime; a pena foi paga, e o caso foi encerrado. Nós também estávamos condenados à morte eterna, mas fomos libertos quando morremos; morremos com Cristo na cruz do Calvário. Além de nossa pena ter sido paga, o domínio opressor do pecado sobre nossa vida foi rompido. Não somos mais escravos impotentes do pecado. Disse o apóstolo Paulo: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (Rm.6:7).

O outro lado da morte com Cristo é que também com ele viveremos, como diz o texto sagrado: “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm.6:8). Morremos para o pecado, vivemos para a justiça. O pecado não exerce mais domínio sobre nós; agora participamos da vida ressurreta de Cristo, com reflexos por toda a eternidade. Nossa certeza baseia-se no fato de que o Cristo ressurreto jamais voltará a morrer. A morte já não tem domínio sobre ele. A morte dominou-o por três dias e noites, mas esse domínio cessou de uma vez por todas. Cristo nunca mais morrerá. Virá o Dia que todos nós ressuscitaremos, e nunca mais, também, morreremos.

II. SAULO E A DOUTRINA BÍBLICA DA CONVERSÃO

1. A conversão começa no arrependimento

No Novo Testamento, “arrependimento” traz a ideia de tristeza pelos próprios pecados, acompanhada de um desejo enorme de corrigir o rumo, corrigir o caráter e a conduta moral. Deus restaura o pecador que verdadeiramente se arrepende e muda de atitude. O verdadeiro arrependimento resulta em mudança de vida; foi o que aconteceu com Saulo de Tarso após se encontrar com Cristo no caminho de Damasco. O verdadeiro arrependimento implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (João 8:11).

O apóstolo Paulo afirmou no Areópago perante uma plateia de intelectuais: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30). Pregou o apóstolo Pedro no dia do Pentecostes: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19). Jesus disse “que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc.15:10).

A confissão dos pecados é o maior sinal do arrependimento. Qual é a garantia de que a confissão é importante para Deus? A própria Palavra de Deus; ela garante que a confissão é premiada com a misericórdia - “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv.28:13).

Deus sabe que estamos sujeitos às leis deste mundo, mas exige que pautemos uma vida dentro dos padrões estabelecidos por Ele; e quando nos afastamos desse padrão, Ele espera que admitamos nossa falha e retornemos para Ele por meio da confissão. Todos nós conhecemos o texto áureo da confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1:9).

2. A conversão de Saulo promoveu uma transformação pessoal

Tendo como base Atos 9:10-20 podemos perceber três verdades que evidenciam a transformação pessoal de Saulo após sua conversão. São elas (Adaptado do Livro “Paulo”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Saulo reconheceu que Jesus é o Senhor (Atos 22:8). Aquele a quem Saulo resistira e perseguira é de fato o Senhor; verdadeiramente, ele ressuscitou dentre os mortos; verdadeiramente, ele é o Messias, o Filho de Deus. Aquela luz brilhou na alma de Saulo, iluminou seu coração, tirou as escamas dos seus olhos espirituais (2Co.3:16). O choque da experiência sobrenatural do “resplendor de luz” sobre os seus olhos, transformou a mente de Saulo, levando-o a reconhecer o Cristo que, outrora tanto rejeitava, e que agora o fazia um fiel seguidor e servidor (1Co.15:8-10).

b) Saulo reconheceu que é pecador (Atos 22:8). Paulo tomou conhecimento de que seu zelo religioso não agradava a Deus. Na verdade, estava perseguindo o próprio Filho de Deus (Atos 9:5). Ele reconheceu que era o maior de todos os pecadores. Ele reconheceu que estava perdido e precisava da salvação.

c) Saulo reconheceu que precisava ser guiado pelo Senhor (Atos 22:10). A autossuficiência de Saulo acabou no caminho de Damasco. Ele perguntou: “...que farei, Senhor?...” (Atos 22:10). Agora queria ser guiado! Agora estava pronto a obedecer. Ele que esperava entrar em Damasco na plenitude de seu orgulho e bravura, como um autoconfiante adversário de Cristo, agora estava sendo guiado por outros, humilhado e cego, capturado pelo Cristo a quem fazia severa oposição. O Senhor o capturou antes que ele pudesse capturar qualquer crente em Damasco.

3. A conversão faz parte da doutrina bíblica da Salvação

A salvação, ao contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus. Tanto a salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso “perseverar até o fim” para que seja salvo (Mt.24:13), isto é, é preciso uma continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por Sua misericórdia, para termos a chance e oportunidade de sermos salvos. Um dos atos do processo da salvação é a Conversão.

A Conversão é a mudança de direção na vida de uma pessoa. O homem, quando se arrepende, muda a sua concepção a respeito da vida, modifica seus desejos, seus sentimentos e seus pensamentos; reconhece que Deus deve governar a sua vida e que deve, a partir daquele momento, passar a agradar a Deus. A atuação do Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado, da morte e do juízo; e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão".

Três coisas devem ser destacadas na Conversão de Saulo no caminho de Damasco (Adaptado do Livro “Paulo”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Sua atitude de oração (Atos 9:11). A prova que Deus deu a Ananias de que Paulo agora era um irmão, e não um perseguidor, é que ele estava orando. Quem nasce de novo tem desejo de estar em comunhão com Deus. Saulo foi convertido e logo começou a orar!

b) O recebimento do Espírito Santo (Atos 9:17). Uma pessoa ímpia, sem ser convertida a Cristo jamais será batizado no Espírito Santo. Ananias impôs as mãos sobre Saulo, e ele ficou cheio do Espírito Santo. Charles Spurgeon disse que é mais fácil uma pessoa convencer um leão a ser vegetariano do que uma pessoa ser convertida sem a ação do Espírito Santo.

c) O recebimento do batismo (Atos 9:18). O batismo nas águas não salva, mas o salvo, aquele que foi transformado, deve ser batizado, pois é uma ordenança de Cristo. O batismo é um testemunho da salvação. Uma pessoa que crê precisa ser batizada e integrada na Igreja. Ananias chamou Saulo de irmão; agora, ele pertence à família de Deus.

Portanto, a Conversão de Saulo foi uma obra de Deus, uma manifestação externa da regeneração operada pelo Espírito Santo em seu homem interior, que implicou mudança de pensamento, vontade e ação; uma mudança que alterou todo o curso da vida de Saulo (Ef.4.25-30).

“A regeneração envolve a mudança da velha vida de pecado em uma nova vida de obediência a Jesus Cristo (2Co.5:17; Cl.3:10). Aquele que realmente nasceu de novo está liberto da escravidão do pecado [...], e passa a ter desejo e disposição espiritual de obedecer a Deus e de seguir a direção do Espírito (Rm.8:13,14). Vive uma vida de retidão (1João 2:29), ama aos demais crentes (1João 4:7), evita uma vida de pecado (1João 3:9; 5:18) e não ama o mundo (1João 2:15,16)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1576).

III. AS TRÊS FACULDADES INTERIORES TRANSFORMADAS NA CONVERSÃO

Quando falamos das faculdades “interiores” estamos falando das faculdades da alma. A alma é a parte do homem interior que nos distingue dos demais seres; é onde ficam nossos sentimentos, nossa vontade, nosso entendimento e nossa personalidade. É a alma que nos faz diferentes das demais pessoas e onde é feita a escolha para servirmos a Deus ou não. Na alma situam-se as seguintes faculdades: Intelecto, a Vontade e o Sentimento. Controlar estas faculdades é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural; porém, para o homem que passou pelo processo do novo nascimento, esta tarefa se torna possível com a preciosa ajuda do Espírito Santo.

1. Faculdade intelectual

Este campo da alma está relacionado com a nossa mente. É nele que se situa a nossa capacidade de pensar, de conhecer, de julgar entre o certo e o errado, de tomar decisões. Subjugar a mente para pensar e agir conforme a vontade do Senhor, é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural. Salomão afirmou que “a estultícia do homem perverterá o seu caminho...”. A Bíblia, na Linguagem de Hoje, diz: “A falta de juízo é o que faz a pessoa cair na desgraça; no entanto ela põe a culpa em Deus, o Senhor” (Pv.19:3). A pessoa nascida de novo, guiada pelo Espírito de Deus adquire a capacidade de poder pensar da forma que Jesus pensava, visto que Paulo declarou que “... nós temos a mente de Cristo” (1Co.2:16). Quando a pessoa, movida pelo Espírito Santo, consegue sintonizar sua mente com a própria mente de Cristo, como se fosse uma só, então torna-se possível o exercício da administração do Intelecto, podendo viver em paz – “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti...” (Is.26:3).

Na área do Intelecto situa-se a Razão, sendo, portanto, uma faculdade da Alma. Pela Razão o ser humano é capacitado a pensar, a julgar, a distinguir o verdadeiro do falso, a entender e separar o bem do mal. Isto, no entanto, só se torna possível quando o homem vive sob o controle do Espírito de Deus. Vivendo assim, ele pode fazer suas as palavras ditas por Jesus: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (João 5:30). O homem natural, o homem sem o controle do Espírito Santo, às vezes se torna pior que os animais irracionais: age mal, julga mal, prejudica seus semelhantes. É difícil administrar as coisas da alma quem vive sob o poder e influência do pecado, porque “os homens maus não entendem o juízo...” (Pv.28:5).

2. Faculdade das emoções

Esta faculdade da alma é de extrema importância na personalidade humana, pois diz respeito à capacidade de saber administrar e controlar a parte afetiva do nosso ser. O ser humano foi feito dotado de sentimento; é um ser sensível, que sente emoções, paixões e dores, alegria, tristeza, gozo ou prazer. Infelizmente, o pecado deturpou os sentimentos humano, escravizando-os e alternando os seus valores reais. Cristo veio também para reorganizar nossas emoções e canalizá-las na direção correta. Como servos de Deus, submissos ao Espírito Santo, temos o dever de estar atentos para que as nossas emoções sejam controladas e desenvolvidas conforme a vontade de Deus.

Como filhos de Deus, devemos usar nossas emoções para:

-Adorar a Deus. A adoração a Deus é uma das maneiras de usarmos nossas faculdades da alma como Ele quer. Deus tem prazer em nos ver expressando, com sinceridade, reverência e amor, profunda adoração a Ele.

-Crescer espiritualmente. As emoções desempenham um papel básico no nosso crescimento espiritual. E nem sempre é fácil atingir todo o nosso desenvolvimento emocional, pois isto só acontecerá quando formos capazes de ter a mesma atitude de Cristo - ”De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp.2:5). Que sentimento foi este de Cristo que Paulo quis dizer? Humildade integral e Obediência até à morte para o benefício dos outros (Fp.2:5-8). A humildade integral de Cristo deve existir em todos aqueles que se dizem cristãos, os quais foram chamados para viver com sacrifício e renúncia, cuidando dos outros e fazendo-lhes o bem. Exorta o apóstolo Paulo: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2Tes.3:13).

-Manifestar o Fruto do Espírito - “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl.5:22). Somos responsáveis pelo “jardim” do nosso ser emocional, precisando arrancar as ervas daninhas - amargura, paixões ilícitas, ira e outros sentimentos que são igualmente condenados pelo Senhor (Gl.5:19-22; Ef.4:31).

3. Faculdade da vontade

Vontade é a faculdade que tem o ser humano de querer, de escolher, de livremente praticar ou deixar de praticar certos atos. Embora Deus seja soberano com relação à Sua vontade, Ele criou o homem com liberdade e deixa um espaço para que ele possa fazer a sua vontade ou a vontade de Deus, que chamamos de "vontade permissiva de Deus". O homem não é um robô, um autômato, que é programado para executar as tarefas que lhe foram confiadas. Muito pelo contrário, Deus fez o homem com o poder de escolher, ou não, cumprir o propósito que Deus tem estabelecido para cada indivíduo.

Devemos sacrificar a nossa vontade e fazer a vontade de Deus. Davi foi chamado homem segundo o coração de Deus, exatamente porque se propôs a executar toda a vontade do Senhor (Atos 13:22). Paulo demonstrou, claramente, que o importante é vivermos para cumprir a vontade de Deus (Atos 21:13,14). Só quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (1João 2:17).

Como filhos de Deus, devemos utilizar a nossa Vontade para:

ü  Obedecer a Deus. Só obedecemos a Deus quando nossa vontade é submetida à vontade dEle, sendo também essa a melhor forma de agradá-lo - “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm.15:22).

ü  Fazer escolhas corretas. Uma vontade bem administrada produzirá decisões corretas, mas, quando mal orientada, levará a decisões erradas. Disse Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm.7:19). Como administradores da nossa vontade, seremos avaliados pelas decisões que tomarmos. Daniel tomou uma decisão certa, ao não participar das iguarias da mesa do rei de Babilônia (Dn.1:8). Saul tomou uma decisão precipitado, não obedecendo o mandamento de Deus, o que lhe custou a rejeição de Deus para que não reinasse mais sobre o povo de Israel (1Sm.15:9-11).

ü  Fazer o bem. Nossas escolhas alegrarão o coração de Deus quando utilizamos nossa vontade, não apenas para termos intenções nobres, mas também para produzir boas obras. Paulo assim recomenda: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl.6:10). É preciso que as boas intenções sejam transformadas em ações. Assim recomenda Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg.1:22).

CONCLUSÃO

Como foi dito acima, a conversão de Saulo é uma evidência clara da graça soberana de Cristo; é considerada pelos estudiosos como a mais importante da história do Cristianismo, e a causa dessa conversão foi a maravilhosa graça de Deus. Na época de sua conversão, Saulo de Tarso provavelmente estava com trinta e poucos anos de idade. Era considerado pelos rabinos um dos jovens mais promissores do judaísmo e excedia em zelo a todos os seus colegas. Sua conversão estabeleceu uma mudança crítica no Livro de Atos. Até o capítulo 9, o apóstolo Pedro é retratado em primeiro plano enquanto pregava o evangelho aos judeus. Depois da conversão de Saulo de Tarso, este passou ocupar, gradualmente, a posição de maior destaque, e o evangelho foi propagado, cada vez mais, entre os gentios.

Muitos inimigos do Evangelho, ao longo da história do Cristianismo, tentaram, artificialmente, com argumentos pífios, destruir a veracidade incontestável da história da conversão de Saulo de Tarso. Contudo, é inegável o fato de que a conversão de Saulo realmente aconteceu devido a uma intervenção de Jesus Cristo. Não haja dúvida, a causa da conversão de Saulo foi a graça salvadora e soberana de Jesus. É claro que o modo como Saulo foi convertido é ímpar, irrepetível; mas, a graça salvadora de Deus ainda continua libertando pessoas da escravidão do seu orgulho, preconceito e egocentrismo, fazendo-as capaz de arrependerem-se e crerem em Cristo como o único e suficiente Senhor e Salvador. Não podemos fazer outra coisa, senão engrandecer a graça de Deus que teve misericórdia de um fanático enfurecido como Saulo de Tarso, e de criaturas tão orgulhosas, rebeldes e obstinadas como nós.

É bom enfatizar que a conversão de Saulo se deu no momento que Cristo apareceu a ele no caminho de Damasco. Atos 9:3-9 registra este fato claramente. Vejamos: (a) Ele obedeceu às ordens de Cristo (Atos 9:6; 22:10; 26:15-19), comprometeu-se a ser um missionário aos gentios (Atos 26:17-19) e entregou-se à oração (Atos 9:11); (b) ele é chamado “irmão Saulo” por Ananias (Atos 9:17). Ananias percebeu que Saulo tinha verdadeiramente experimentado o novo nascimento, e que se entregou a Cristo para fazer a Sua vontade, e que apenas necessitava ser batizado, receber a restauração da sua vista e ser cheio do Espírito Santo (Atos 9:17,18). Três dias depois da sua conversão, Saulo recebeu a plenitude do Espírito Santo (Atos 9:17).

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Atos -A ação do Espírito Santo na vida da Igreja.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Paulo, o maior líder do Cristianismo.

Pr. Ciro Sanches Zibordi. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas – a Carta da liberdade cristã.

John Stott. A Mensagem de Atos, Até os confins da Terra.

domingo, 3 de outubro de 2021

Aula 02 – SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR

 

4º Trimestre/2021


Texto Base: Atos 8:1-3; 22:4,5; 26:9-11

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote” (At.9:1).

V.P.: “A Igreja é uma instituição divina que perdurará na Terra até o arrebatamento, pois do contrário, já teria acabado ao longo da história”.

 

Atos 8:

1.E também Saulo consentiu na morte dele [Estevão]. E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos.

2.E uns varões piedosos foram enterrar Estevão e fizeram sobre ele grande pranto.

3.E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão.

Atos 22:

4.Persegui este Caminho até a morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres,

5.como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.

Atos 26:

9. Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus, o Nazareno, devia eu praticar muitos atos,

10.o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles.

11.E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos de Paulo, antes da sua conversão. Ele tinha a fama de perseguidor da Igreja em seu princípio. Ele mesmo fez uma digressão para registrar seu passado inglório como implacável perseguidor da Igreja. Sendo um fariseu zeloso (Fp.3:5), tornou-se líder destacado do judaísmo (Gl.1:14). Levantou-se como ferrenho perseguidor da Igreja; como uma fera selvagem, respirava ameaças e morte contra a igreja (Atos 9:1); assolou e devastou a Igreja (At.8:3; Gl.1:13); exterminou discípulos de Cristo em Jerusalém (At.9:21).

Paulo perseguiu o “Caminho” até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres (Atos 22:4). Fez muitas coisas contra o nome de Cristo (At.26:9). Encerrou muitos dos santos em prisão e votava contra eles quando eram condenados à morte (At.26:10). Afligia os crentes nas sinagogas, forçando-os a blasfemar e, enfurecido, os perseguia até por cidades estranhas (At.26:11). Era como um touro indomável que não queria ser amansado (At.26:14). Teve de ser jogado ao chão e quebrantado para reconhecer que o Jesus que ele perseguia era o Messias que tanto o seu povo esperava. Sua conversão foi uma grande bênção para a Igreja. Somente em Jesus Cristo o ser humano pode receber a devida transformação de caráter. No mundo de hoje existe perseguição em todos os lugares e de todas as facetas; esperamos que o Senhor transforme os perseguidores da Igreja, que não são poucos, em fiéis seguidores de Cristo e defensores da flâmula do Evangelho.

I. SAULO DE TARSO, O PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL

1. Saulo se descreve como “blasfemo”, “perseguidor” e “opressor” (1Tm.1:13)

“...dantes, fui blasfemo, e perseguidor, e opressor; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade” (1Tm.1:13).

Neste texto Paulo usa três palavras para descrever a si mesmo no período que ele perseguia os cristãos:

ü  A primeira palavra: blasfemo. Ele falava mal dos cristãos e de seu Senhor, Jesus Cristo.

ü  A segunda palavra: perseguidor. Efe prendeu os cristãos, açoitou-os, forçou-os a blasfemar e deu voto para matá-los ao perceber que a religião do Caminho era uma ameaça ao judaísmo.

ü  A terceira palavra: insolente. Para levar a cabo seu plano opressor, ele sentia um prazer mórbido em afligir de forma violenta os cristãos.

Como blasfemo, afligiu os cristãos apenas com palavras insultuosas. Como perseguidor, infligiu sofrimento físico. Como insolente, atacou os cristãos com crueldade e abuso. Ele “respirava ameaças e morte” contra os discípulos de Jesus (At.9:1); não via nenhum problema em prender e arrastar presos para Jerusalém todos os que professavam o nome do Nazareno (At.9:2). Ele acreditava piamente que, com esse comportamento, estava agradando a Deus. Apoiado pela casta sacerdotal que odiava o nome de Jesus, Saulo usava dos meios legais para atacar os cristãos. Por causa de sua truculência, os seguidores de Jesus tiveram que fugir para outras cidades. Contudo, para com esse homem bárbaro a graça de Deus superabundou; ele foi plenamente alcançado pela misericórdia de nosso Senhor Jesus.

2. As ameaças de Saulo de Tarso

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote” (Atos 9:1).

Antes de sua conversão a Cristo, tudo o que Paulo pensava, falava e fazia era dominado pelo seu desejo de aniquilar os seguidores de Jesus Cristo. Munido de cartas do sumo sacerdotes da época, rumou para Damasco, respirando ameaças e morte, com o objetivo de prender homens e mulheres seguidores de Cristo, levando-os manietados a Jerusalém. Damasco era residência de muitos judeus; a cidade era um centro comercial para onde convergiam caravanas de todas as direções do mundo antigo e onde a fé cristã começou a florescer. Paulo percebeu que, de Damasco, o evangelho de Cristo se espalharia por todo o mundo.

O sumo sacerdote era o cabeça do Sinédrio, o qual, como corpo judiciário, possuía jurisdição sobre os judeus residentes em Jerusalém, na Palestina e na dispersão. Assim, tinha o poder de expedir mandados para as sinagogas de Damasco, a fim de prender os cristãos judeus que ali residiam. Como a Igreja de Jerusalém foi duramente perseguida (Atos 8:3), muitos cristãos fugiram, mas não deixaram de pregar o evangelho (Atos 8:4). Alguns deles, escapando da implacável perseguição, foram para Damasco, onde havia muitas sinagogas. Paulo sabendo disto, e munido de cartas de autorização do sumo sacerdote, ou seja, de ordens de extradição, ainda respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor dispõe-se a ir a Damasco para manietar, prender e arrastar presos para Jerusalém aqueles que confessavam o nome de Cristo (Atos 9:1,2).

Paulo perseguia os discípulos de Cristo do mesmo modo que uma fera selvagem caça a sua presa. Na linguagem dos crentes de Damasco, Paulo era um exterminador (Atos 9:21). Em suas próprias palavras, ele estava demasiadamente enfurecido. Era um monstro malfeitor, um carrasco impiedoso, um perseguidor truculento, um tormento na vida dos cristãos no princípio da Igreja.

3. Por que Saulo perseguia os cristãos?

Diante do Sinédrio, Paulo disse: “Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres” (Atos 22:4). Ao ouvir a pregação de Paulo, logo depois de sua conversão, o povo de Damasco reafirmou como Paulo perseguiu implacavelmente os crentes: “...Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?” (Atos 9:21).

Por que, então, Saulo perseguia ferozmente os cristãos? Por causa de seu zelo destrutivo pela Lei mosaica (a Torah) e o suposto fato religioso de que Jesus era um impostor, um “blasfemo”. Logo, não aceitava que um nazareno, crucificado como um criminoso, pudesse ser o Messias prometido por Deus. Não aceitava que os cristãos anunciassem a ressurreição daquele que havia sido pendurado numa cruz. Não aceitava que uma pessoa pregada na cruz, considerada maldita (Dt.21:23), pudesse ser o Salvador do mundo. Por isso, para Saulo, nosso Senhor não passava de um blasfemo. Mais tarde, por ocasião de sua conversão, ele descobriu que Cristo assumiu a maldição da Lei e, por isso, nos livrou dessa maldição (Gl.3:13). O zelo sem entendimento pode levar um homem a fazer loucuras.

Na verdade, o ódio de Paulo não era propriamente contra os cristãos, mas contra Cristo, pois ao perseguir a Igreja, ele estava perseguindo o próprio Cristo. Por isso, ao aparecer a ele no caminho para Damasco, Jesus pergunta: “Saulo, Saulo, por que me persegues? “ (Atos 9:4). Ele, então, retruca: “Quem és tu, Senhor?” E obtém a resposta: “E sou Jesus, o Nazareno a quem tu persegues” (Atos 9:5). Paulo testemunhou ao rei Agripa sobre isso: “na verdade, a mim me parecia que muitas cousas deviam eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (Atos 26:9). Seu coração estava cheio de ódio e sua mente estava envenenada por preconceitos.

II. A PERSEGUIÇÃO CONTRA A IGREJA DE CRISTO

1. Contra os seguidores de Jesus

Paulo atacou furiosamente os cristãos. Ananias, morador de Damasco, disse ao Senhor acerca dele: “...Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e para aqui trouxe autorização dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome” (Atos 9:13,14).

Paulo era uma fera selvagem, uma ameaça concreta para todos aqueles que confessavam o nome de Jesus. Não poupava homens nem mulheres. Perseguiu os seguidores de Cristo até à morte (Atos 22:4). Estava determinado a praticar muitas coisas contra o nome de Jesus, o Nazareno (Atos 26:9). Ele estava determinado a banir da terra o cristianismo. O fanatismo religioso sem fundamento, ilógico, fora da baliza bíblica, baseado apenas nos dogmas humanos, faz com que o fanático cometa loucuras.

A Bíblia faz descrições dos variados métodos usados por Paulo para perseguir os seguidores de Cristo (adaptado do livro Paulo, de Hernandes Dias Lopes). Cito apenas três métodos:

a) Paulo perseguia os seguidores de Cristo usando o recurso da Lei. Paulo usava sua influência e seu trânsito no sinédrio para munir-se de cartas de autorização dos principais sacerdotes a fim de encerrar em prisões e matar os cristãos (Atos 26:10). Sua perseguição tinha um ar de legalidade e oficialidade. Ele representava o braço repressor da Lei religiosa. Ele lançava mão de artifícios legais para impor aos discípulos de Cristo as mais duras sanções. É importante ressaltar que nem tudo o que é legal é moral. Nem tudo que é lícito é conveniente. Nem tudo o que a lei permite deve ser feito. Há muitos facínoras que se escondem atrás da lei para matar e oprimir os inocentes. Há muitos espertalhões que, despudoradamente, beneficiam-se das filigranas da lei para se abastecerem e oprimirem o pobre e indefesos. Há aqueles que fazem as leis, torcem-nas e as manipulam para alcançar seus propósitos escusos e inconfessos.

b) Paulo perseguia os seguidores de Cristo em seus redutos religiosos. Paulo perseguia e castigava os cristãos por todas as sinagogas em Jerusalém, bem como por cidades estranhas (Atos 26:1). Sua área de jurisdição transcendia os limites da Palestina. Suas cruzadas furiosas avançavam além dos limites de Israel e chegavam até Damasco, na Síria (Atos 9:1,2). As sinagogas eram os locais principais de reunião, onde os judeus se congregavam para estudar a Lei e orar. Ali também os cristãos se reuniam para adorar Cristo e cultuá-lo. Porém, o lugar de comunhão transformou-se num palco de opressão. O abrigo da sinagoga tornou-se um corredor de perseguição. Paulo não respeitava os recintos sagrados. Ele pensava com isso estar prestando um serviço a Deus. Ledo engano! Muitos fanáticos religiosos desta estirpe continuam existindo no mundo de hoje, aos montões.

c) Paulo empregava a tortura psicológica. A perseguição impetrada por Paulo não consistia apenas em sanções legais contra os novos convertidos. Ele os castigava não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. Ele mesmo testemunha isso: “muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar...” (Atos 26:11). Ele era blasfemo (1Tm.1:13) e forçava os neófitos a blasfemarem. Alguns crentes, novos na fé, com medo da morte, recuavam e blasfemavam. Outros, porém, suportavam os açoites, as prisões e a morte, permanecendo fiéis (Atos 26:10). A tortura psicológica é pior do que o castigo físico. Os campos de concentração nazistas usaram esse artificio maligno e levaram muitas pessoas à loucura. Ainda hoje, a tortura é um dos instrumentos mais aviltantes e ignominiosos, usados para arrancar confissões e declarações que incriminam as vítimas ou aqueles que se quer condenar.

2. Saulo de Tarso e Estevão

Estêvão é considerado o primeiro mártir do cristianismo, e Paulo teve uma participação crucial em sua morte. Ele teve plena culpa, pois era uma autoridade do Sinédrio e tinha o poder de impedir aquele massacre. Está escrito que quando Estêvão foi apedrejado em Jerusalém, e se derramava o seu sangue, Paulo consentia em sua morte, e fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a Igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos (Atos 8:1). Está escrito que Paulo guardava as vestes daqueles que apedrejavam Estêvão (Atos 22:20).

Mas, a perseguição e a morte de Estêvão foram como o vento que atiçou o fogo do Espírito; em vez de desanimar a Igreja, animou-a, promoveu-a. O martírio de Estêvão provocou a perseguição; a perseguição desembocou na dispersão (Atos 8:4); e a dispersão redundou na evangelização – “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a Palavra” (Atos 8:4).

Do ponto de vista humano, aquele foi um dia tenebroso para os crentes, mas do ponto de vista de Deus foi o começo de uma grande revolução espiritual, quando a Igreja alargou suas fronteiras em direção aos confins da terra. Com a morte de Estêvão um vento forte de perseguição soprou sobre a Igreja. Mas a perseguição é como o vento em relação à semente, apenas a espalha.

3. Uma intolerância religiosa e política contra a Igreja atual

Desde o seu nascedouro, a Igreja foi e está sendo perseguida. Satanás nunca a deixou quieta. Assim que uma pessoa aceita a Cristo e passa a pertencer à Igreja, começa a ter em seu encalço o adversário, que não descansa enquanto não conseguir tirar essa pessoa da Luz, trazendo-a de volta para as trevas. É uma luta incansável do adversário e, por isso, o Senhor nos manda ter bom ânimo, pois não podemos nos cansar. Enquanto a Igreja estiver aqui na Terra, passará por perseguições. O apóstolo Paulo ressaltou isso quando escreveu ao jovem Timóteo: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm.3:12).

Estêvão, um dos primeiros mártires da Era Cristã, sentiu na pele o peso da perseguição (Atos 7:52), mas não apenas ele, a Igreja primitiva pagou um alto preço por seguir a Jesus (Hb.11:38; 1João 3:12); basta ler as histórias dos mártires do Coliseu para constatar. Paulo é um caso especial de alguém que perseguiu e depois passou a ser perseguido (At.9:1-9; Fp.3:6; 1Co.15.32; 2Co.11.23). No Apocalipse, a igreja de Esmirna, tipifica a Igreja perseguida e vitoriosa (Ap.2:9,13).

As perseguições contra a Igreja nunca cessaram; Satanás sempre “bateu” de frente com a Igreja, mas perdeu todas. O Senhor Jesus havia dito que “...as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(Mt.16:18). A opressão sofrida pela Igreja, ao longo do tempo, se deu de várias maneiras: por meios religiosos, teológicos, em cumprimento a determinações legais, políticos e/ou culturais.

Em muitos lugares esses elementos foram e são aplicados de modo integrado a fim de que os perseguidos não encontrem escapatória. Na Idade Média, vários foram os instrumentos destrutivos que os Papas usavam para intimidar os crentes fiéis, e uma delas, foi a satânica “santa inquisição”. Muitos cristãos foram queimados vivos nas fogueiras do ódio, mas Satanás fracassou outra vez. Os cristãos perseguidos por toda Europa, começaram a migrar para a América. Acabaram construindo nela a maior potência da Terra e, através dela, o Evangelho foi sendo alcançado por todo o mundo, tendo inclusive chegado ao Brasil. Deu tudo errado para Satanás. A Igreja tendo o Senhor Jesus como seu Comandante, venceu, e seguiu triunfante.

Como bem diz o pr. Elienai Cabral, “a igreja atual continua a despertar fúrias de certas autoridades políticas e religiosas que não aceitam a mensagem de liberdade e vida que o Evangelho proporciona. Nossos irmãos, que servem a Deus em países políticos e religiosamente fechados para o Evangelho, continuam a pagar, com a própria vida, a fidelidade à mensagem de Cristo”.

Além da perseguição tradicional aos cristãos, há a perseguição mais sofisticada, que se dá no campo cultural. Por exemplo, quando tentam reduzir a vivência da fé à vida privada dos cristãos, trata-se de uma perseguição cultural e ideológica. A perseguição cultural, também, manifesta-se por meio da literatura anticristã e através da indústria de entretenimento. Escritores e intelectuais seculares, a serviço do inferno, têm feito de tudo para profanar e perverter o evangelho de Cristo. Certo autor, de renome internacional, publicou alguns anos atrás um livro que relata uma falsa história sobre a vida sentimental de Jesus. Além da literatura, outras manifestações culturais têm sido usadas para desqualificar e desacreditar o Cristianismo. Peças teatrais, filmes como "a última tentação de Cristo", músicas, pinturas, e outras formas de expressão artística têm sido manipuladas pelo Diabo para afastar as pessoas do evangelho de Cristo.

Hoje, a perseguição é camuflada; Satanás, sutilmente, está usando pessoas de dentro da Igreja (falsos mestres e falsos pastores) para persegui-la, com disseminação de falsas teologias, falsas doutrinas, falsos ensinos. Peçamos a Deus o dom de discernimento, ele é indispensável nestes últimos dias da Igreja.

“A igreja permanece fiel ao seu caráter ao preservar sua distinguibilidade. Ela não faz nenhum favor à sociedade adaptando-se à cultura popular prevalecente, porque falha em sua tarefa justamente no ponto em que deixa de ser ela mesma. Quando a Igreja adota uma ética moral formada pela cultura popular prevalecente, está negando sua natureza. A igreja deve ser ela mesma pelo bem da humanidade. É o papel da Igreja servir e transformar a sociedade e suas instituições. Para realizar esta tarefa, a igreja deve ser a Igreja e não se assimilar com a cultura popular prevalecente” (JOHNS, C.B.;WHITE, V.W. A ética de ser: caráter, comunidade, práxis. In: PALMER, M.D. (ed.).

III. QUANDO UM SISTEMA SE VOLTA CONTRA A IGREJA

1. Como era a perseguição contra os primeiros discípulos?

A perseguição era violenta, selvagem, em excesso, sem medidas e contínua. A perseguição aos primeiros cristãos em Israel foi deflagrada pelos expoentes do judaísmo, dentre eles se destacava Saulo de Tarso. Este usou todas as suas forças e toda a sua influência nessa causa ensandecida. Como uma fera selvagem, que salta sobre a presa para devorá-la, esse fariseu fanático se lançou contra a Igreja de Deus, exterminando os discípulos de Jesus.

Paulo se revelou como antagonista implacável do evangelho porque ele se achava um judeu exemplar, um fariseu zeloso da Lei mosaica; ele entendia que praticar essas barbáries era defender a fé judaica, livrando os judeus dos “hereges”. Ele mesmo declarou aos destinatários da Epístola aos Gálatas, o seu passado de cruel perseguidor da Igreja: “Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl.1:13). Ele assim se expressou aos irmãos filipenses: “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu, segundo o zelo, perseguidor da igreja” (Fp.3:5,6). “As perseguições desmedidas brotam do zelo desmedido pelas tradições paternas”.

Paulo disse que era o menor dos apóstolos, que não era mesmo digno de ser chamado apóstolo, pois perseguiu a Igreja de Deus (1Co.15:9). Ele devastou a Igreja (Gl.1:13), assolou a Igreja (Atos 8:3) e exterminou em Jerusalém aqueles que invocavam o nome de Jesus (Atos 9:21). Ele prendia os cristãos, mandava açoitá-los e não havia escrúpulos nem mesmo com as mulheres e crianças (Atos 9:21; 22:5). Ele não respeitava domicílio doméstico, pois entrava nas casas e arrastava homens e mulheres para lançá-los na prisão (Atos 8:3). Não poupava nem os lugares sagrados, pois entrava nas sinagogas para castigar os crentes, forçando-os a blasfemar.

Depois de lançar muitos dos santos nas prisões, contra eles dava o seu voto, quando os matavam (Atos 26:9-11). Paulo perseguiu os cristãos (Atos 26:11), a religião dos cristãos (Atos 22:4) e o Deus dos cristãos (Atos 26:9). O próprio Jesus havia alertado os discípulos que eles seriam perseguidos: “Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (João 16:2).

2. Perseguição, tortura e método

Como já disse no item 1 do tópico II, Paulo castigava os cristãos não apenas fisicamente, mas também psicologicamente. Ele mesmo testemunha isso: “muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar...” (Atos 26:11). Ele era blasfemo (1Tm.1:13) e forçava os cristãos a blasfemarem. Alguns crentes, novos na fé, com medo da morte, recuavam e blasfemavam; outros, porém, suportavam os açoites, as prisões e a morte, permanecendo fiéis (Atos 26:10). A tortura psicológica é pior do que o castigo físico. Os campos de concentração nazistas usaram esse artificio maldito e levaram muitas pessoas à loucura. Ainda hoje, a tortura é um dos instrumentos mais aviltantes e ignominiosos, usados para arrancar confissões e declarações que incriminam as vítimas ou aqueles que se quer condenar.

3. Perseguição aos pentecostais

A perseguição aos cristãos é um fenômeno que ocorreu em toda a história do Cristianismo, desde o seu nascimento, sob o judaísmo, passando pelos primeiros séculos, sob o Império Romano, e chegando até os nossos dias em que a perseguição é efetivada de forma cruel nos países mulçumanos e nos países de sistema de governo comunista. Atualmente, no mundo inteiro, principalmente nos países mulçumanos, na Índia, nos países sob capitalismo de Estado – como a China, a Coreia do Norte, Laos, Cuba, dentre outras – a perseguição aos cristãos, de várias denominações, está sendo brutalmente acontecida. Os órgãos que se dizem proteger os direitos humanos, fazem vistas grossas quando o assunto é perseguição aos cristãos, principalmente se os perseguidores forem os mulçumanos e o governo da China. Nos países muçulmanos, a lei islâmica proíbe a conversão de um muçulmano ao cristianismo. Os casos de maus tratos são bastante numerosos, pois, nesses países, pela lei, um muçulmano que se converte ao Cristianismo é passível de pena de morte, e, quando isto não acontece, há aprisionamentos, torturas e pesadas multas. A agressão não é somente física, também, principalmente, psicológica.

Muitos são os relatos das grandes dificuldades que nossos irmãos passam em países inimigos de Cristo por causa de sua fé. “Há países que, devido seus maiores envolvimentos com a economia global, não executam a matança em massas de cristãos, mas coloca a vida deles sob rígida vigilância. Entretanto, o que o regime considera ilegal, trata os cristãos supostamente fora da lei com prisão e brutalidade. Há outros regimes que nem aparência de civilidade há. Por isso, oremos pela igreja perseguida!”.

Aqui no Brasil, atualmente, temos uma aparente liberdade de culto e religião, amparado na Constituição. Mas, como bem diz o pr. Elienai Cabral, “no início do Movimento Pentecostal no Brasil, nossos pioneiros sofreram toda sorte de perseguição e violência. Muitos deles sofreram agressões físicas e psicológicas. Tudo isso porque pregavam uma doutrina que a religião oficial não aceitava. O que dizer de Daniel Berg e Gunnar Vingren, os primeiros pastores dos primórdios das Assembleias de Deus no Brasil? E tantos outros irmãos perseguidos nesses rincões brasileiros?”. Dentre os evangélicos, somos maioria no Brasil, mas ao olhar para o passado, devemos enxergar o presente e conscientizar-se de que a obra pentecostal custou um alto preço.

CONCLUSÃO

Desde o seu princípio, a Igreja é perseguida. Se ela não fosse uma instituição divina, edificada pelo próprio Cristo, ela não existiria mais. E enquanto ela estiver aqui na Terra, passará por perseguições; afinal, como bem ressaltou o apóstolo Paulo escrevendo ao jovem Timóteo, “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm.3:12). Mas não devemos temê-las, cientes de que as venceremos pela fé em Cristo (1João 5:4). Temos, também, a certeza dAquele que está conosco, de que as portas do inferno não resistirão a força de Sua Igreja (Mt.16:18).

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Atos -A ação do Espírito Santo na vida da Igreja.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Paulo, o maior líder do Cristianismo.

Pr. Ciro Sanches Zibordi. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas – a Carta da liberdade cristã.

domingo, 26 de setembro de 2021

Aula 01 – O MUNDO DO APÓSTOLO PAULO

 

4º Trimestre/2021

Texto Base: Atos 26:1-7

 

 “Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel." (At 9.15)

 

V.P.: “Segundo a sua soberana vontade, Deus usa as circunstâncias para fazer uma grande obra”.

 

Atos 26:

1.Depois, Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas. Então, Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu:

2.Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja, hoje, de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus,

3.mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência.

4.A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus a sabem.

5.Sabendo de mim, desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.

6.E, agora, pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais, estou aqui e sou julgado,

7.à qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus.

INTRODUÇÃO

Iniciamos mais um trimestre de estudos da Palavra de Deus por ocasião da Escola Bíblica Dominical, o quarto e último trimestre de 2021. Trataremos da vida e do ministério de um dos maiores personagens do Novo Testamento usado por Deus: o apóstolo Paulo. É uma oportunidade especial para aprendermos e colocarmos em prática princípios eternos que nortearam a vida desse mui digno homem de Deus. Sem dúvida, Saulo de Tarso, o apóstolo Paulo, é um dos personagens bíblicos mais conhecidos por todos os cristãos; ele é considerado o maior líder do cristianismo. Nesta primeira Aula, vamos estudar sobre o “mundo do apóstolo Paulo”; trataremos, de forma bem superficial, da atuação do apóstolo Paulo nos três “mundos” de então: o romano, o grego e o judeu. Como cidadão romano, ele teve certa liberdade para peregrinar dentro do império e propagar as Boas Novas de Salvação em Cristo Jesus aos judeus e ao povo gentil (romanos e gregos). Se comunicou na língua predominante da época, o grego koinê, bem como fez uso da vasta literatura de seu tempo. À luz do mundo político, cultural e religioso vivido por esse grande apóstolo de Cristo, o que podemos aplicar na pregação do Evangelho no mundo de hoje, cujas circunstâncias são diametricamente diferentes?

I. O MUNDO DE PAULO NO IMPÉRIO ROMANO

1. Entendendo a origem de Paulo

Paulo, nome romano de Saulo, nasceu em Tarso na Cilícia (Atos 16:37; 21:39; 22:25).  Esta era uma cidade universitária que ficava próxima da costa nordeste do Mar Mediterrâneo. Segundo o próprio apóstolo, Tarso era uma “cidade não pouco célebre na Cilícia” (Atos 21:39); ao contrário, era um grande centro da cultura grega. Embora tenha nascido um cidadão romano, Paulo era um judeu da Dispersão, um israelita circuncidado da tribo de Benjamin, e membro zeloso do partido dos Fariseus (Rm.11:1; Fp.3:5; Atos 23:5).

Desde seu nascimento até seu aparecimento em Jerusalém como perseguidor dos cristãos, conforme os relatos do livro de Atos dos Apóstolos, há pouca informação sobre a vida do apóstolo Paulo. Sobre o seu nascimento, não temos data precisa; talvez tenha ocorrido no ano 5 a.C. Dessa forma, quando o nosso Senhor foi crucificado, Paulo poderia ter entre 30 e 35 anos de idade.

Paulo foi educado em Jerusalém, sob o ensino do renomado doutor da lei, Gamaliel, neto de Hillel. Paulo conhecia profundamente a cultura grega. Ele também falava o aramaico, era herdeiro da tradição do farisaísmo, estrito observador da Lei e mais avançado no judaísmo do que seus contemporâneos (Gl.1:14; Fp.3:5,6). Considerando todos estes aspectos, pode-se afirmar que sua família desfrutava de posição proeminente na sociedade.

O apóstolo Paulo possuía cidadania romana. Sobre isso, ele próprio afirmou ser cidadão romano de nascimento (Atos 22:28). Provavelmente essa declaração indica que sua cidadania foi herdada de seu pai. Estima-se que naquele tempo pelo menos dois terços da população do Império Romano não possuíam cidadania romana. Não se sabe ao certo como o pai do apóstolo conseguiu tal cidadania. Algumas pessoas importantes e abastadas conseguiam comprar a cidadania (Atos 22:28); outras, conseguiam tal cidadania ao prestar algum trabalho relevante ao governo romano. A cidadania romana concedia alguns privilégios, dentre os quais citamos:

Ø  A garantia do julgamento perante César, se exigido, nos casos de acusação.

Ø  Imunidade legal dos açoites antes da condenação.

Ø  Não poderia ser submetido à crucificação, a pior forma de pena de morte da época.

2. A geografia do mundo de Paulo

À época de Paulo o mundo estava sob o domínio do Império Romano, que se estendia do Rio Reno para o Egito, chegava à Grã-Bretanha e à Ásia Menor. Desta forma, estabelecia uma conexão com a Europa, a Ásia e África. Assim, era considerada a maior civilização da história ocidental. Durou cinco séculos - começou em 27 a.C. e terminou em 476 d.C. Até 117 d.C., ao menos 6 milhões de quilômetros quadrados estavam sob o domínio do Império Romano. Segundo os historiadores, sob o domínio deste poderoso Império, estavam 6 milhões de habitantes. Roma, nessa fase, segundo os historiadores, foi habitada por 1 milhão de habitantes. Entre os pontos fundamentais para o sucesso do império estava o exército, que era profissional e atuava como uma legião. Sob o comando de astutos generais, Roma expandiu o poderio para o Mediterrâneo.

Conforme historiadores, os imperadores romanos contemporâneos de Paulo, desde seu nascimento até sua morte, foram: Tibério, Calígula, Claudio e Nero, o seu carrasco.

Devido à grande extensão geográfica do Império, e a permissão para que os povos dominados praticassem a sua própria religião, e devido a chamada "pax romana", a geografia e os meios de transporte urbanos e do campo, contribuíram para a propagação do Evangelho. Segundo informes da história, a malha viária abrangia em torno de 300 mil quilômetros, sendo que 90 mil quilômetros apresentavam condições excelentes para viajar. As estradas do império, bem como as vias marítimas, foram de grande importância para a expansão da fé cristã. Deus permitiu todas estas possibilidades para que os seguidores de Cristo difundissem o santo Evangelho por todo o império. Na verdade, os maiores inimigos do apóstolo Paulo não foram os dominadores e governantes romanos, mas os próprios judeus; estes foram os mais danosos inimigos e perseguidores do apóstolo Paulo, desde a sua conversão.

Portanto, a geografia do mundo paulino teve papel essencial para a implantação das primeiras igrejas. Por isso, devemos pensar nas oportunidades que Deus nos dá para a eficiência da evangelização urbana e do campo. É claro que o mundo de hoje é totalmente diferente daquele; vivemos num mundo globalizado e de uma dinâmica inteligente e célere. Para se falar com alguém do outro lado do planeta não se demora mais de um minuto, e ao vivo; isto no mundo de Paulo era inimaginável. Os recursos que temos para evangelizar para o mundo inteiro está na palma da nossa mão. É difícil não acreditar que o evangelho não esteja no mundo inteiro, a não ser naqueles lugares onde ainda não há meios de comunicação rápida e inteligente, como a internet. Fiquei impressionado quando soube que no ano de 2019 existia mais de um milhão de crentes no Irã, e de mais cem milhões de crentes na China. Isto é um feito extraordinário, pois nestes países o cristianismo é perseguido com muita fúria. Deus seja louvado! Oremos pela igreja na China e no Irá.

3. Paulo, chamado para evangelizar aos gentios

A conversão de Paulo e seu chamado para evangelizar aos gentios foram os fatos mais marcantes na história da Igreja depois do Pentecostes. Lucas ficou tão impressionado com a importância da conversão de Paulo, que a relata três vezes em Atos (cap.:9,22,26). O primeiro aspecto da mudança na vida do apóstolo Paulo pode ser percebido quando, imediatamente, ele respondeu à voz de Cristo: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6). Essa pergunta marcou o começo de seu novo relacionamento com Cristo (Gl.2:20) e a disposição de cumprir qualquer missão que lhe fosse dada. Nenhum homem exerceu tanta influência no evangelismo como o apóstolo Paulo.

Jesus trabalhou na vida de Paulo antes de ele se render no caminho de Damasco; vários fatos ocorreram para que ele enxergasse a Verdade. Paulo era como um touro bravo que recalcitrava contra os aguilhões (Atos 26:14). Ele teve que ser derrubado como se fosse um touro bravo. De acordo com a própria narrativa de Paulo, Jesus lhe disse: “Dura cousa é recalcitrares contra os agulhões” (Atos 26:14). Jesus comparou Paulo a um touro jovem, forte e obstinado.

Antes de se render no caminho de Damasco, Jesus espetava sua consciência quando ele viu Estêvão sendo apedrejado e pediu ao Senhor para perdoar seus algozes. A oração de Estevão latejava na alma de Paulo. Também, Jesus espetava a consciência de Paulo quando ele prendia os cristãos e dava seu voto para matá-los, e eles morriam cantando.

Mas, como esse “touro” selvagem não amansou com as espetadas, Jesus apareceu a ele, o derrubou ao chão e o subjugou totalmente no caminho de Damasco. Paulo precisou ser jogado ao chão e ficar cego para se converter. Na época de Daniel, Nabucodonosor precisou ir para o campo comer capim com os animais para se dobrar e reconhecer que só o Senhor é Deus.

Enfim, o “touro bravo” foi rendido e os seus olhos espirituais foram abertos, e sua consciência foi despertado para reconhecer que Jesus é o Senhor. A sua pergunta – “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6) -, logo foi respondida: ele seria chamado para levar as Boas Novas do Evangelho aos gentios (Atos 9:15), Boas Novas estas que chegaram até nós. O próprio Senhor Jesus disse que Paulo fora escolhido para levar sua Palavra aos gentios – “este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios...” (Atos 9:15). Um ministério que lhe traria muito sofrimento por amor ao nome de Jesus – “E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (Atos 9:16).

Agora, o perseguidor seria perseguido; e o Livro de Atos mostra que ele foi severamente perseguido: foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, apedrejado em Listra, preso e açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Bereia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto, foi preso em Jerusalém e acusado em Cesareia, foi levado preso a Roma e mais tarde foi decapitado pela guilhotina do imperador Nero.

II. O MUNDO CULTURAL DE PAULO

1. A língua mundial daqueles dias era o grego

Na época de Paulo o hebraico e o aramaico eram as línguas nativas; todavia, em virtude do domínio do império romano, que impôs como língua comum do império o grego koiné, então prevaleceu entre o povo do médio-oriente esta língua. O Novo Testamento foi escrito no grego koinê, e o apóstolo Paulo falava e escrevia fluentemente tanto o grego como o hebraico e o aramaico.

Mas, o que era a língua koiné? Koiné é a palavra grega para "comum". Muitas pessoas podem reconhecer a palavra koiné da palavra koinonia, que significa "comunhão"; comunhão é ter algo em comum. Portanto, o grego koiné era simplesmente a língua comum do mundo mediterrâneo no primeiro século. Quando Alexandre, o Grande, conquistou o "mundo civilizado" de seu tempo, ele espalhou a língua e a cultura gregas. Assim como o inglês tem se tornado hoje a língua internacional, o grego se tornou a "língua internacional" mais comum e difundida da época. Visto que a maioria das pessoas conseguia entender o koiné, ele era o único adequado para proclamar o evangelho em todo o mundo. Obviamente Deus estava nesse negócio, pois lhe interessava que sua Palavra fosse difundido e compreendida numa língua comum.

O grego koiné não era apenas comum no sentido de ser amplamente utilizado por todo o Império Romano, mas também era comum no sentido de que não era a língua das elites intelectuais e acadêmicas. O grego clássico era usado pela classe instruída; o grego koiné era a língua do trabalhador, do camponês, do vendedor e da dona de casa - não havia nada de pretensioso nele; era o vernáculo, ou linguagem vulgar, da época. As grandes obras da literatura grega foram escritas no grego clássico. Nenhum erudito hoje se importaria em estudar qualquer coisa escrita em grego koiné, exceto pelo fato de que é a língua do Novo Testamento. Deus queria que Sua Palavra fosse acessível a todos e escolheu a linguagem comum da época, o koiné. Deus faz uso de uma linguagem comum e humilde para expressar as verdades incríveis do Evangelho.

2. O mundo cultural do apóstolo Paulo

No mundo da época de Paulo, que estava sob o domino do Império Romano, prevalecia a cultura grega, cultura essa que estava intimamente associada à religião e se manifestava por meio da literatura, da música e do teatro. As manifestações artísticas eram utilizadas para homenagear os feitos dos heróis e de sua relação com os deuses gregos que eram adorados no monte Olimpo. Como bem diz o Pr. Elienai Cabral, “o Império Romano respeitava a diversidade religiosa, desde que se respeitassem os deuses do império. Em Roma, havia os cultos a entidades gregas como Eteusis, Dionísio, Atis, que se integravam com divindades egípcias como Osíris, Ísis, Serapis, bem como as divindades orientais Mitras e Asclépio, uma divindade de cura”.

Essa liberdade de religião que era adotada pelo Império Romano facilitou sobremaneira para que o apóstolo Paulo tivesse pleno acesso a todos os lugares e, de forma inteligente, difundisse as Boas Novas do Evangelho, como ele fez de forma eficiente no areópago de Atenas (Atos 17:15-34). Observe neste texto que o apóstolo não chegou criticando a religião e os falsos deuses que eram adorados na Grécia e nos diversos lugares do Império Romano. É isto que um bem treinado pregador transcultural deve agir. Bem diz o pr. Elienai Cabral: “a realidade atual das diversidades culturais e religiosas pode abrir caminhos para que, de maneira inteligente, evangelizemos o mundo, nos termos do apóstolo Paulo, no areópago de Atenas”.

3. A influência da filosofia grega

A liberdade religiosa e cultural no Império Romano foram sobremodo importante, mas a influência da cultura da época expôs suas raízes em muitos cristãos incautos que deram espaços para essas raízes daninhas entrarem em suas vidas; não foram vigilantes o suficiente para manterem suas vidas submissas à doutrina apostólica aplicada.

À medida que o cristianismo se expandia no mundo romano, a Igreja Primitiva enfrentava muitas questões e desafios novos, e os apóstolos e profetas do Novo Testamento não mediram esforços para orientar e advertir o novo povo de Deus a ficarem livres da influência cultural predominante da época, principalmente o gnosticismo, que era multo forte e que influenciou o pensamento de muitos cristãos do primeiro século. O gnosticismo era uma espécie de filosofia religiosa que tentava fazer um concubinato entre a fé cristã e a filosofia grega. Os gnósticos, influenciados pelo dualismo grego, acreditavam que a matéria era essencialmente má e o espírito essencialmente bom. Esse engano filosófico desembocou em grave erro doutrinário. Os gnósticos diziam que o corpo, sendo matéria, não podia ser bom. Por conseguinte, negavam a encarnação de Cristo. Muitos cristãos incautos caíram nesta arapuca.

As principais crenças do gnosticismo são: a impureza da matéria e a supremacia do conhecimento. O gnosticismo ensinava que a salvação podia ser obtida por intermédio do conhecimento, em vez da fé. Esse conhecimento era esotérico e somente poderia ser adquirido por aqueles que tinham sido iniciados nos mistérios do sistema gnóstico.

O gnosticismo ensinava que o corpo era uma vil prisão em que a parte racional ou espiritual do homem estava encarcerada, e da qual precisava ser libertada pelo conhecimento (gnosis). Os gnósticos acreditavam na salvação pela iluminação. Essa iluminação podia ser mediante a comunicação de um conhecimento esotérico em alguma cerimônia secreta de iniciação.

Diante de tão vil perseguição, “os líderes da Igreja da época tiveram de refutar com veemência as teorias do gnosticismo, cujos adeptos queriam misturá-las com a doutrina pura de Cristo. Naturalmente, pelo fato de ter vivido naquele mundo, Paulo teve de fortalecer a doutrina cristã sobre Deus, fé, Jesus, Espírito Santo, graça e salvação. O apóstolo, indiscutivelmente, se tornou o grande defensor do Evangelho de Cristo”.

Como proclamadores do Evangelho, devemos pensar em estratégias a fim de que nossos jovens e adolescentes, e também os adultos poucos maduros na fé, possam expressar com firmeza e sabedoria as razões da fé diante dos não crentes (1Pd.3:15).

III. O MUNDO RELIGIOSO DE PAULO

1. Paulo se identifica como judeu

Paulo era judeu por nascimento. Seus pais eram judeus. O sangue que corria em suas veias era o mesmo que corria nas veias do patriarca Abraão. Em sua defesa em Jerusalém, após sua dramática prisão, teve a oportunidade de se dirigir à multidão alvoroçada, dizendo: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia...” (Atos 22:3). Ao combater a ideia errada dos falsos mestres judaizantes, que nutriam uma falsa confiança na sua linguagem judaica, Paulo respondeu: “Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus...” (Fp.3:4,5). Paulo era um judeu puro de sangue. Um judeu da gema. Procedia da mais importante tribo israelita, a tribo de Benjamim.

2. Paulo foi criado dentro da fé judaica

Paulo nasceu em Tarso da Cilícia. Seus pais o educaram na fé judaica, uma vez que foi circuncidado ao oitavo dia (Fp.3:5). Desde sua infância, bebeu o leite da piedade e aprendeu os preceitos da lei de Deus. Jamais foi um jovem devasso. O zelo sempre ardeu em seu peito. Seu propósito em servir a Deus foi o vetor que governou sua vida. Dominava com grande desenvoltura o conhecimento da Lei e as opiniões mais importantes dos grandes mestres de sua época. Ele se destacava dentro do judaísmo. Chegou mesmo a declarar: “E, na minha nação, quanto a judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl.1:14).

Perante grande multidão em Jerusalém, Paulo dá seu testemunho: “...criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da Lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje” (Atos 22:3). Jerusalém era a cidade santa. Lá estavam os escribas e doutores da Lei. Lá estavam o Templo e os sacrifícios. Lá estavam a Lei e as cerimônias. Lá estavam os sacerdotes e os rabinos. Lá estavam o sinédrio. Essa cidade transpirava a religião judaica. Tudo girava em torno do sagrado. Nessa cidade, Paulo foi instruído aos pés de Gamaliel, o maior e o mais ilustre rabino daquela época, homem culto, sábio e piedoso. Ele foi instruído segundo a exatidão da Lei dos seus antepassados. Conhecia bem de perto as tradições do seu povo. Sabia de cor as inúmeras regras e preceitos criados pelos anciãos. A tradição oral, fruto da interpretação meticulosa e extravagante dos escribas, era observada cuidadosamente por esse jovem brilhante.

Paulo era fariseu, membro da seita mais rigorosa dos judeus. Escrevendo aos filipenses, descreveu sua vida pretérita nestes termos: “...quanto à lei, [eu era] fariseu...” (Fp.3:5). Diante do rei Agripa, quando estava sendo acusado, em Cesareia, disse: “...porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião” (Atos 26:5). Como fariseu, Paulo era zeloso da Lei. Como fariseu, era extremamente zeloso das tradições de seus pais (Gl.1:14). Como fariseu, frequentava assiduamente a sinagoga. Como fariseu, dava o dízimo criteriosamente e jejuava regularmente. Ele chegou a afirmar que, quanto à justiça que há na Lei, era irrepreensível (Fp.3:6). Os fariseus eram separados. Eles compunham o grupo religioso mais ortodoxo de Israel. Os fariseus estavam de lado oposto dos saduceus, grupo religioso que negava a ressurreição e a existência dos anjos.

Paulo era membro do sinédrio judaico, que era governado principalmente pelos sacerdotes, da seita dos saduceus. O sinédrio era o concilio maior dos judeus, composto de setenta homens maduros, cuja função principal era legislar e julgar a vida religiosa e moral do povo judeu. Paulo era o maior embaixador do sinédrio judaico no sentido de promover a fé de seus pais. Ser membro do sinédrio era ser considerado um dos principais dos judeus (João 3:1). Este posto de honra dava a Paulo projeção e grande destaque na sociedade. Era um homem respeitado pelo seu conhecimento, pela sua religiosidade e pelo zelo com que se devotava à causa do seu povo.

3. O mundo: palco da mensagem de Paulo ao povo gentílico

Paulo tornou-se o maior embaixador de Cristo e o maior pregador do evangelho (Atos 9:20-22). Deus mesmo escolheu Paulo para levar o evangelho aos gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel (Atos 9:15). Ele pregou nas sinagogas de Damasco afirmando que Jesus é o Filho de Deus (Atos 9:20) e, mais tarde, demonstrando que Jesus é o Cristo (Atos 9:22). Paulo pregou a tempo e fora de tempo; pregou em prisão e em liberdade; pregou com saúde ou doente; pregou nos lares, nas sinagogas, no templo, nas ruas, nas praças, na paria, em navio, nos salões dos governos, nas escolas; pregou com senso de urgência, com lágrimas e no poder do Espírito Santo. Aonde Paulo chegava, os corações eram impactados com o evangelho. Ele pregava usando não apenas palavras de sabedoria, mas com demonstração do Espírito Santo e de poder (1Co.2:4; Tt.1:5).

Paulo foi o maior evangelista, missionário, pastor, pregador, teólogo e plantador de igrejas da história do cristianismo. Ele iniciou igrejas na região da Galácia, na Europa e na Ásia. Não apenas fundou igrejas, mas as pastoreou com intenso zelo, profundo amor e grande senso de responsabilidade. Pesava sobre ele a preocupação com todas as igrejas (2Co.11:28). Ele pregou em Israel, na Ásia e na Europa. Por ter os judeus rejeitado o Evangelho, o mundo dos gentios foi o palco que o Espírito Santo montou para que Paulo pregasse o nome de Jesus e estabelecesse novas igrejas por onde passasse. Nosso Senhor continua a chamar pessoas para o ministério missionário; elas precisam estar sensíveis à voz do Espírito Santo a lhes chamar.

CONCLUSÃO

O mundo que o apostolo Paulo viveu era bem diferente do de hoje; a cultura, os meios de comunicação, a dinâmica de locomoção, da economia, do relacionamento entre as pessoas são muito diferentes; e a pandemia do covid-19 dificultou ainda mais a pregação e implantação de igrejas. Contudo, a mesma carência de salvação que o mundo (a população) de Paulo apresentava, o mundo de nossa época necessita, talvez muito mais ainda. Urge que preguemos o evangelho de Salvação através dos meios que dispomos (que não são poucos) e sejamos sensíveis à chamada do Espírito Santo, pedindo a Deus que nos mostre estratégias inovadoras nestes tempos difíceis em que vivemos.

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Atos -A ação do Espírito Santo na vida da Igreja.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Paulo, o maior líder do Cristianismo.

Pr. Ciro Sanches Zibordi. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. CPAD.