domingo, 5 de junho de 2022

Aula 11 - SENDO CAUTELOSOS NAS OPRESSÕES

 

2° Trimestre/2022


Texto Base: Mateus 7:1-6


“Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso (Lc.6:36).

Mateus 7:

1.Não julgueis, para que não sejais julgados,

2.porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

3.E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?

4.Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?

5.Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.

6.Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos de um novo tema proferido por Jesus no Sermão do Monte: o complexo tema do julgamento. Jesus condena o julgamento temerário (Mt.7:1-15), mas também incentiva o julgamento daqueles que desprezam a mensagem de Deus e atacam os mensageiros (Mt.7:6). Jesus condena o hábito de fazer crítica ferina e dura, e não o exercício da faculdade crítica pela qual os homens podem fazer, e se espera que façam, em ocasiões especificas, juízos de valor, escolhendo entre diferentes programas e planos de ação.

Segundo William Macdonald, o mandamento de não julgarmos os outros inclui as seguintes áreas: não deveríamos julgar motivos, pois só Deus os pode ver; não deveríamos julgar pelas aparências (João 7:24; Tg.2:1-4); não deveríamos julgar aqueles que têm escrúpulos conscienciosos sobre assuntos que julgam não estarem certos ou errados (Rm.14:1-5); não deveríamos julgar o serviço de outro cristão (1Co.4:1-5) e; não deveríamos julgar um companheiro cristão falando mal dele (Tg.4:11,12). Em suma, Jesus foi enfático ao declarar: “Não julgueis, e não sereis julgados” (Lc.6:37). Somente o Senhor, que é conhecedor de todas as coisas, tem autoridade para julgar suas criaturas. Deus é o justo juiz e todo julgamento no campo espiritual pertence somente a Ele (2Tm.4:8).

I. NÃO DEVEMOS JULGAR O OUTRO

1. Aprendendo a se relacionar com os outros

Cristianismo é pleno relacionamento - vertical e horizontal; ou seja, é Deus se relacionando conosco e nós nos relacionando uns com os outros. Apesar das diferenças que temos, pois somos indivíduos com personalidades diferentes, daí a dificuldade nos relacionamentos, sujeitos a enfrentar conflitos entre nós (1Co.1:11,12), devemos sim, com a ajuda do Espírito Santo, nos esforçar a aprender se relacionar uns com os outros. Apesar de sermos muitos, formamos um só corpo (1Co.12:12). E a principal característica desse corpo é a unidade. Todos os que creem em Cristo fazem parte do mesmo corpo, da mesma família, do mesmo rebanho. Essa unidade não é organizacional nem denominacional, mas espiritual. Nós confessamos o mesmo Senhor (1Co.12:1-3), dependemos do mesmo Deus (1Co.12:4-6), ministramos no mesmo Corpo (1Co.12:7-11), e experimentamos o mesmo batismo (1Co.12:13).

O corpo embora uno tem uma grande diversidade de membros – “Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos” (1Co.12:14). O que torna o corpo bonito e funcional é o fato de ele ter seus membros harmoniosamente distribuídos e todos trabalhando juntos para o bem comum. Se eu cortasse o meu braço e o colocasse numa cadeira ao lado, ele seria meu braço ainda; só que que não valeria nada para o corpo; esse braço só tem valor se tiver ligado ao corpo; fora do corpo ele não tem valor, é inútil. Se eu cortasse minha mão e a colocasse numa cadeira, no outro lado da sala, ela ainda seria minha mão, mas não teria mais utilidade porque estaria separada dos outros membros do corpo. Da mesma maneira, o apóstolo Paulo está dizendo que somos uma unidade. O membro tem valor na medida em que está inserido no corpo e na proporção em que ele trabalha para o bem comum do corpo.

O corpo precisa das diversas funções dos membros para sobreviver (1Co.12:15-19). Um membro serve ao outro e todos trabalham em harmonia para o benefício e edificação do corpo. Imagine que você esteja com fome caminhando pela estrada e vê uma mangueira cheia de mangas maduras, mangas vermelhas, mangas cheirosas. O seu olho vê a manga, no entanto, não basta o olho ver; você tem de usar a mão para pegar; você tem de usar a boca e os dentes para morder e mastigar; você tem de usar a língua para movimentar; você tem de usar o esôfago para engolir; você tem de usar o estômago para triturar; você tem de usar o fígado para jogar a biles ali; você precisa de toda uma máquina funcionando para que aquela manga possa nutrir você e atender à sua necessidade.

Assim, também, é a Igreja; ela é um Corpo e nós precisamos ajudar uns aos outros. Na Igreja precisamos aprender a ter empatia, a sofrer com os que sofrem e alegrar-se com os que se alegram. Disse o apóstolo Paulo: “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1Co.12:26). Não estamos num campeonato dentro da Igreja disputando quem é o mais talentoso, o mais dotado, o mais espiritual. Somos uma família. Somos um Corpo. Devemos celebrar as vitórias uns dos outros e chorar as tristezas uns dos outros.

2. Ninguém deve ser julgado? 

Foi Jesus quem disse: “Não julgueis...” (Mt.7:1). Todavia, Jesus não está nos ensinando a ser cristãos sem discernimento. Nunca foi sua intenção que abandonássemos as faculdades críticas ou discernimento. O Novo Testamento contém muitos exemplos de julgamentos legítimos da condição, da conduta ou do ensinamento de outros. Além disso, há várias áreas em que se ordena ao cristão tomar uma decisão, para discernir entre o bom e o mau ou entre o bom e o melhor ou entre o joio e o trigo. Veja alguns exemplos:

a)    Quando surgem contendas entre cristãos, elas devem ser acertadas na Igreja Local perante membros que podem decidir a questão (1Co.6:1-8).

b)    A Igreja Local deve julgar pecados sérios dos membros e tomar as devidas providências (Mt.18:17; 1C.5:9-13).

c)     Os cristãos têm de julgar os ensinamentos doutrinários dos ensinadores e pregadores através da Palavra de Deus (Mt.7:15-20; 1Co.14:29; 1João 4:1).

d)    Os cristãos têm de discernir se os outros realmente são cristãos a fim de obedecer à ordem de Paulo em 2Corintios 6:14 – “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?”.

e)    Os membros da Igreja precisam julgar quais homens têm as qualidades necessárias para serem líderes (1Tm.3:1-13).

f)     Temos de discernir quais pessoas são desordeiras, covardes, fracas etc., e tratá-las de acordo com as instruções da Bíblia (por exemplo: 1Ts.5:14 - “Exortamos-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos”).

Portanto, como disse Charles Spurgeon, “não devemos julgar, mas não devemos agir sem julgamento”.

3. O julgamento defendido por Jesus

O julgamento defendido por Jesus é aquele que é feito com amor. Ele deu uma ordem expressa: “não julgueis...” (Mt.7:1a), mas, aqui, Jesus se refere à atitude condenável de julgar sem amor, a qual ocorre com especial facilidade pelas costas do próximo. E qual é em geral o motivo do julgamento frio e da condenação pelas costas? É a satisfação malévola secreta com a desgraça do próximo. Não temos conhecimento suficiente para julgar imparcialmente nem temos poder para condenar. Esse julgamento subjetivo, temerário e tendencioso não deve ser praticado pelos seguidores de Jesus. O que Ele espera é que julgamentos de valor sejam feitos, que o certo e o errado sejam identificados, e que o digno e o indigno sejam discernidos. O cristão deve ver a falta do irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil, mas firme (cf. Mt.8:15-17).

Qual, então, a justificativa para não julgarmos sem amor? Jesus disse: “…para que não sejais julgados” (Mt.7:1b). Quem julga, será julgado. Quem se assenta na cadeira do juiz, assentar-se-á no banco dos réus. A seta que você lança contra o outro volta-se contra você. Robertson acredita que Jesus esteja aqui citando um provérbio semelhante a: “quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado dos outros”.

II. DEVEMOS PRIMEIRAMEN­TE OLHAR PARA NÓS MESMOS

1. Cuidado com o juízo exagerado sobre os outros

Há um grande erro que costumeiramente é cometido pelos cristãos: expor os pecados cometidos por alguém e estabelecer sobre ele um julgamento muitas vezes sem nenhum critério justo. É mais fácil enxergar um cisco no olho do irmão do que uma tábua em nossos próprios olhos. Somos complacentes com nós mesmos e implacáveis com os outros. Somos rasos demais para ver nossos erros e profundos demais para enxergar os erros dos outros. Devemos ter discernimento não para ver com lentes de aumento os pecados dos outros, mas devemos ter clara visão para socorrermos o nosso irmão e seu desconforto. Os fariseus julgavam e criticavam os outros para exaltar a si mesmos (Lc.18:9-14), mas os cristãos devem julgar a si mesmos para ajudar a exaltar os outros. Alguém disse que “nada divide a igreja com mais rapidez do que a ação daqueles que julgam duramente seus irmãos”.

Muitas vezes quando a pessoa é apressada demais para apontar o dedo nas feridas de alguém é porque essa pessoa tem alguma coisa errada consigo mesmo. Foi o que aconteceu com Davi com relação ao seu pecado de adultério e homicídio. Para confrontar Davi com seu pecado, Deus mandou Natã, um profeta (2Sm.12:1-14); ele narra a parábola do camponês pobre que perdeu sua única ovelha por causa da maldade do vizinho rico. Davi ficou bravo, e demandou um castigo duro ao ladrão. Falou que este homem teria que pagar quatro vezes o valor da ovelha, e que seria morto pelo crime (2Sm.12:5,6). É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de "justiça" e uma falsa santidade perante os outros. Ele exige dos outros aquilo que ele mesmo não fez. Cobra santidade, requer compromisso, exige dedicação, no entanto, nega com a sua prática a eficácia desses valores. Mas Natã, com divina autoridade, disse a Davi: “Tu és este homem"(2Sm.12:7). O profeta Natã declarou que Davi era culpado de desprezar “a palavra do Senhor” e de desprezar o próprio Deus (2Sm.12:9,10). “Desprezar” significa tratar com menosprezo, fazer pouco caso. Portanto, mediante seus atos, Davi estava declarando que Deus não era tão importante, nem digno de amor e consagração. Foi fácil para Davi enxergar o pecado do outro e considerado horrível, mas ele não pensou no seu, ou seja, não reparou a trave que estava nos seus olhos (Mt.7:3).

Semelhantemente, na Igreja Local de hoje, há crentes que procuram falhas nos outros e os sentenciam, mas ignoram ou fazem vista grossa em relação aos seus próprios pecados, que, por vezes, são mais graves do que as que outra pessoa está cometendo. Precisamos, pois, ter cuidado com o juízo exagerado sobre alguém.

2. A inconsistência dos que possuem espírito de crítica

Jesus condena o hábito de criticar os outros, sendo nós mesmos faltosos. O crente deve primeiramente submeter-se ao justo padrão de Deus, antes de pensar em examinar e influenciar a conduta de outros cristãos (Mt.7:3-5).

Um espírito crítico e arbitrário difere radicalmente do amor. A condição especial dos crentes junto à Cristo não lhes dá licença para tomar o lugar de Deus como juiz. Aqueles que julgam dessa maneira encontrar-se-ão igualmente julgados por Deus. Como Deus tem misericórdia dos misericordiosos (Mt.5:7) e perdoa aqueles que perdoam (Mt.6:14,15), Ele condenará os que condenam – “porque com o juízo com que julgardes sereis julgados e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mt.7:2). Jesus disse que era inaceitável que alguém desculpasse os próprios pecados, e, ao mesmo tempo, condenasse os outros por um comportamento semelhante.

Quando perceber algum erro em alguém, seu primeiro impulso pode ser enfrentar ou rejeitar essa pessoa; mas, primeiro pergunte a si mesmo se o conhecimento desse erro não está espelhando a sua própria vida. Seu esforço para ajudar será em vão se essa pessoa puder apontar o mesmo erro em você. Utilize o seu próprio remédio antes de pedir que alguém o utilize.

Os escribas e fariseus eram peritos em julgar os outros, eram autoconfiantes e justos aos seus próprios olhos (Lc.18:9); por isso, foram duramente repreendidos pelo Senhor Jesus. Certa feita, eles trouxeram junto a Jesus uma mulher que tinha sido pegue em pleno ato de adultério, segundo a versão deles. Jesus percebeu logo que aquilo era uma farsa, uma imensa hipocrisia. Jesus conhecia os pensamentos deles, sabia do plano abominável deles. Ele poderia ter exposto esses acusadores à execração. Podia ter denunciado o segredo do coração deles, mas apenas lhes disse: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8:7). A derrota dos acusadores foi patentíssima. Acusados pela consciência, retiraram-se, começando a debandada pelos mais velhos, que evidentemente idearam o plano, seguindo-se os mais moços, até o último. Jesus chama de hipócrita aquele que vê transgressões pequenas na vida dos outros e não consegue enxergar os grandes pecados em sua própria vida (Mt.7:5). Portanto, antes de tratar os pecados dos outros, precisamos enfrentar a nós mesmos.

3. O que fazer para não julgarmos precipitadamente os outros? 

Segundo o Pr. Osiel Gomes, em seu livro “Os valores do Reino de Deus”, para não julgamos os outros de modo precipitado, basta que atentemos para as palavras de Cristo em Mateus 7:3-5:

“E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem”.

Se colocarmos estas exortações de Jesus em prática, não julgaremos os outros precipitadamente. Jesus nos leva à conscientização de que temos em nossas vidas muitos pecados - alguns são como argueiros (palha, resíduos de cereais) ou estilhaços, outros como trave (ou tábua). A primeira coisa a fazer com esses pecados é tratá-los antes de tratarmos os outros.

Todavia, precisamos entender que em momento algum Jesus está dizendo que não devemos nos preocupar em corrigir ninguém, pois em Tiago 5:19,20 somos incentivados a corrigir os faltosos; porém, ele nos lembra de que não devemos nos precipitar em nosso julgamento em relação a outras pessoas, condenando-as; devemos estar cientes dos nossos pecados e, como espirituais que somos, o tratamento deve ser criterioso e com amor (Gl.6:1).

Os que procuram julgar os outros sem primeiramente atentar para a sua vida agem como hipócritas, querendo curar as outras pessoas quando elas mesmas estão enfermas. Jesus quer que o crítico tire a trave do seu próprio olho para poder enxergar melhor. Somente depois disso, vendo seus próprios erros, suas fraquezas humanas, procure tirar o pequeno cisco do olho do próximo.

III. E SE FÔSSEMOS JULGADOS PELA SEVERIDADE DE DEUS

1. Deus é severo? 

Se Deus fosse severo, Ele tinha colocado o homem e a mulher no Inferno para sempre por ter pecado deliberadamente contra Deus (Rm.3:23). Deus é bom (Mc.10:18), e a prova disso é o fato de Ele ter enviado o seu amado Filho, Jesus Cristo, para morrer por toda a humanidade perdida e inimiga de Deus (Joao 3:16). Contudo, Ele é o justo juiz, e sente indignação todos os dias (Sl.7:11).

Para aqueles que vivem na prática deliberada do pecado e não atentam para o sacrifício de Jesus na cruz do calvário, há uma mensagem contundente do profeta Jeremias: “Mas o Senhor é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação” (Jr.10:10). Um Dia, perante o Grande Trono Branco, o justo Juiz julgará todos aqueles que pecaram deliberadamente contra Ele por não se arrependeram dos seus vis pecados; serão julgados e jogados no Lago de fogo e enxofre, onde estarão por toda a eternidade (Ap.20:11-15). Deus é amor (1João 4:8), mas também é fogo consumidor (Hb.12:29).

2. Como Deus nos julga?

Estamos no período da graça, portanto, não devemos esperar algum julgamento de Deus, aqui e agora, por infrações cometidas, sejam elas as mais absurdas. Um Dia, porém, tudo que fizermos por meio do corpo, bem ou mal, prestaremos conta com Deus, mediante um julgamento. Precisamos entender que a vida é uma semeadura, colhemos o que plantamos. Aqueles que plantam o mal colherá o mal. Aqueles que semeiam vento colherão tempestade. Aqueles que semeiam na carne, da carne colherão corrupção. O que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. Querer fazer o mal e receber o bem é zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba (Gl.6:7).

Precisamos entender que Deus é justo, estabeleceu um governo moral no mundo e disponibilizou suas leis para serem praticados. Quando essas leis são quebradas, haverá consequências e sanções que serão tratadas no tempo certo. Na Bíblia inteira, Deus é visto como Justo Juiz. Ele pronunciou juízos, nos tempos antigos, contra Israel, e também contra as nações. No fim dos tempos não vai ser diferente. Todo ser humano devia se preocupar com esse momento, pois fora da Salvação em Cristo, indubitavelmente, enfrentará esse momento que, infelizmente, nele só haverá um veredicto: a condenação eterna (Ap.20:15). Este é o chamado “Julgamento Final” ou “Juízo Final” ou, ainda, o “Juízo do Trono Branco”, que terá lugar depois do término do reino milenial de Cristo. Logo após os rebeldes serem devorados pelo fogo do céu que cairá sobre os exércitos que estarão a cercar a cidade santa de Deus, terá findado a história humana. O tempo deixará de existir e Deus chamará à sua presença todos os seres humanos que foram criados e que ainda não tinham sido julgados até então, ou seja, todo ser humano que não pertence nem à Igreja nem ao Israel salvo nem ao grupo dos mártires da Grande Tribulação, que já terão sido julgados. Estes “outros homens” são os que serão levados a julgamento neste último grande tribunal da história.

3. O exemplo da justiça de Deus na vida de Davi

A vida de Davi como homem comum foi dividida em dois períodos: antes e depois do pecado de adultério com Bate-Seba, esposa de Urias. Antes, um homem segundo o coração de Deus – obediente, valente, vitorioso, temente ao Senhor – o Senhor era com ele; depois (durante 25 anos), um homem deprimido - moral, emocional e espiritualmente; perseguido e vulnerável. Após pecar, Davi ouviu um dos mais duros julgamentos pronunciados pelo profeta Natã (2Sm.12:10-14). O julgamento atingia não somente sua vida pessoal, mas também toda a sua existência, incluindo o reino e a família dele. Embora Davi tenha se arrependido dos seus pecados e recebido o perdão da parte de Deus, as consequências desse pecado não foram eliminadas por Deus. Semelhantemente, um crente que venha a cometer pecados terríveis, pode receber, através da tristeza segundo Deus e o arrependimento sincero, a graça e o perdão da parte de Deus. Mas, a restauração do nosso relacionamento com Deus não significa que escaparemos do castigo temporal, nem que ficaremos isentos das consequências dos pecados específicos (cf. 2Sm.12:10,11,14).

O adultério com Bate-Seba, o planejamento e a covarde execução de seu esposo, Urias, estão entre os pecados mais condenáveis e repulsivos já narrados na história bíblica. Uma vez concebido, o pecado fez com que o "homem segundo o coração de Deus" passasse da vitória para o tormento. O rei Davi mais do que ninguém sentiu na pele e na alma a tragédia desse pecado. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2Sm.11:27), perdoou-o por se arrepender profundamente do ato impensado e precipitado, mas não o livrou das inevitáveis e trágicas consequências.

Muitas pessoas passam a vida inteira chorando por uma decisão errada feita apenas num instante. Pagam um alto preço por uma desobediência. Choram amargamente por tomar uma direção errada na vida. Portanto, cuidado com o pecado, pois ele pode levar você mais longe do que você quer ir. O pecado promete prazer e paga com o desgosto; levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte; tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado.

A maneira correta de lidarmos com o pecado é nos arrependermos dele e, com toda a sinceridade, buscarmos em Deus o perdão, a graça e a misericórdia (Sl.51; Hb.4:16; 7:25), e nos dispormos a aceitar, sem amargura nem rebelião, o castigo divino pelo nosso pecado. Davi tanto reconheceu quanto confessou seus pecados terríveis; voltou-se para Deus e aceitou a Sua justiça com humildade (2Sm.12:9-13,20;16:5-12;24:10-25; Sl.51).

CONCLUSÃO

A ordem de Jesus é contundente: “não julgueis” (Mt.7:1), e devemos obedecer a essa ordem. Todavia, isso não tem a finalidade de encobrir o comportamento errado dos outros, e sim um chamado para discernirmos nossos erros e nossas motivações, em vez de mostrar um comportamento negativo para com os outros. Assim sendo, não é correto tomar a posição de juiz contra alguém e muito menos julgar uma pessoa apenas por sua aparência exterior. Precisamos ter cuidado quando for feita uma avaliação a respeito das atitudes de alguém; se precisar realmente ser feita, é bom que se faça à luz da Palavra de Deus, sem precipitação, de modo criterioso, sensato e lúcido, e confiar em Deus como o supremos Juiz (1Co.4:3-5).

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Mateus – Jesus, o Rei dos reis.

Pr. Osiel Gomes. Os Valores do Reino de Deus – A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. CPAD.

domingo, 29 de maio de 2022

Aula 10 - NOSSA SEGURANÇA VEM DE DEUS

 

2° Trimestre/2022


Texto Base: Mateus 6:19-27

 

 “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc.12:15).

Mateus 6:

19.Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.

20.Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam.

21.Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

22.A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.

23.Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

24.Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

25.Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta?

26.Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27.E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre o Sermão do Monte, proferido por Jesus, trataremos nesta Aula a respeito da nossa segurança com relação ao porvir; veremos que “nossa segurança vem de Deus”; se assim é, então jamais devemos colocar a nossa esperança no governo humano bem como nos bens materiais, mas somente em Deus. Entretanto, o homem sem Deus e, consequentemente, sem uma dimensão da eternidade, tem sua vista obscurecida pelas coisas temporais e passageiras e, portanto, acaba se deixando dominar pela avareza, pelo desejo de acumulação de riquezas, que é uma insensatez total, como deixou bem claro Jesus na parábola do rico insensato (Lc.12:13-21) - “porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc.12:15). Lamentavelmente, não são poucos os que acabam se perdendo na caminhada para o céu por causa dos bens materiais e por causa do dinheiro. A Bíblia revela que a avareza tem sido um obstáculo para muitos alcançarem a salvação, como nos casos do mancebo de qualidade (Mt.19:22; Lc.18:23), de Judas Iscariotes (Lc.22:3-6; Jo.12:4-6), de Ananias e Safira (At.5:1-5,8-10), de Simão, o mago (At.8:18-23) e de muitos outros, como afirmou Paulo em sua carta a Timóteo (1Tm.6:9,10).

O dinheiro não é um mal em si. A riqueza é uma bênção de Deus, tanto que Deus a concedeu a Salomão (1Rs.3:13), mas, e aqui está um caso típico, não podemos pôr nas riquezas o nosso coração (Mt.6:19-21). Devemos, sempre, buscar servir a Deus e Lhe agradar. Esta deve ser a intenção do cristão. Se nossas riquezas prosperam, não devemos por nelas o nosso coração (Sl.62:10); devemos usá-las para agradar a Deus. O importante é que não façamos dos bens materiais o objetivo e a intenção de nossas vidas. Quem passa a viver em função dos bens materiais, quem põe o seu coração nos tesouros desta vida, passa a ser um avarento, um ganancioso e, como tal, será um idólatra (Cl.3:5) e, assim, estará fora do reino dos céus (Ap.22:15).

I. RIQUEZA DO CÉU E RIQUEZA DA TERRA

1. Uma conciliação impossível

Jesus ensina que servir a Deus e as riquezas é uma conciliação impossível. Não podemos servir a Deus e às riquezas. Disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt.6:24. A palavra “Mamom” é uma transliteração de um termo hebraico que significa: “o que se armazena”; ou de outro termo hebraico que significa: “no que se confia”. Portanto, essa palavra refere-se à personificação da riqueza. Observe que Jesus diz que as riquezas são uma entidade, e não uma coisa; Ele chama as riquezas de “Mamom”, e não de moedas. As riquezas têm poder de subjugar as pessoas e torná-las escravas.

2. Tesouros da terra, e tesouros do céu

Onde está o nosso tesouro: no Céu ou na Terra? Jesus nos aconselha que ajuntemos tesouro no céu, e não na terra. Disse Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt.6:19-21).

Aqui, Jesus não está condenando a riqueza, pois, quando esta vem como fruto do trabalho e da benção de Deus, ela não traz desgosto. Também Jesus não está aqui proibindo a previdência, pois as Escrituras nos exortam a considerar a ação das formigas que trabalham no verão para ficarem abastecidas no inverno. Jesus tampouco está nos condenando por usufruirmos dos benefícios do nosso trabalho. O que Ele condena no texto é a ganância desmedida e a avareza mesquinha. Os tesouros nos são dados para serem repartidos, e não para serem egoisticamente acumulados. Nada trouxemos e nada levaremos deste mundo; entramos no mundo nus e sairemos dele nus, como afirmou o patriarca Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá (Jó 1:21). Neste mundo, nossos tesouros são corroídos por ferrugem, destruídos por traças e subtraídos por ladrões. Constantemente, muitos perdem todas as suas economias devido a uma quebra na bolsa de valores, ou por um sócio desonesto ou por meio de golpes.

Hernandes Dias Lopes afirma que o problema não é possuirmos dinheiro, mas o dinheiro nos possuir. O problema não é guardar o dinheiro no bolso, mas entronizá-lo no coração. O problema não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro (1Tm.6:10). Jesus disse que os únicos investimentos que não estão sujeitos à perda são os tesouros no céu. Ele disse que devemos ajuntar tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam (Mt.6:20). Quando usamos nossas riquezas materiais para promover a causa do evangelho e socorrer os necessitados, isso é investir para a eternidade.

3. O que o cristão precisa saber sobre os bens materiais?

O cristão precisa saber que os bens materiais é Deus quem dá, e que brevemente a pessoa deixará de existir e não levará nada; todos os bens materiais ficarão na terra, pois tudo que existe aqui pertence a Deus (Sl.24:1). No caixão não existe cofres, gavetas para serem guardados os bens materiais. Também, precisa saber que Jesus não condena a aquisição de bens materiais, pois muitos homens de Deus registrados na Bíblia possuíram riqueza como, por exemplo: Abraão (Gn.14:18-20; 24:1), Isaque (Gn.26:12,13), Jacó (Gn.30:43) e Salomão (2Cr.1:12). Então, se o cristão possui riquezas materiais e quer ser feliz, ele precisa atentar para as seguintes recomendações (adaptado do livro “Dinheiro – prosperidade que vem de Deus, do pr. Hernandes Dias Lopes):

a) viver com humildade na luz de Deus. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu: "[...] não sejam orgulhosos" (1Tm.6:17). Se o dinheiro torna uma pessoa orgulhosa, ela não entendeu nem a si mesma nem o dinheiro. Por que os ricos são tentados a serem orgulhosos? Por duas razões:

- Eles são tentados a pensar que merecem o que têm - são levados a pensar que os que não têm não são tão inteligentes quanto eles. Mas a Bíblia diz que é Deus quem nos dá a condição necessária para adquirirmos riquezas (1Cr.29:10). A riqueza não é nossa. Ela vem de Deus, é de Deus e vai voltar para Deus. Não somos donos, somos apenas mordomos. Nada trouxemos para este mundo nem dele nada levaremos. Deus nunca nos deu direito de posse definitiva daquilo que lhe pertence.

- Eles são tentados a pensar que a riqueza concede poder - a riqueza dá uma ilusão de poder. Somente Jesus, porém, tem poder permanente e só ele é soberano (1Tm.6:16). Nabucodonosor pensou que seu dinheiro lhe dava poder, mas Deus o tirou do trono e o fez comer capim com os animais (Dn.4:1-37).

b) não pôr a confiança nas riquezas. Muitas pessoas depositam sua confiança e vida nas riquezas e bens materiais. As suas conversas são sobre iates, férias no Caribe, propriedades etc. Mas, a história nos mostra que muitos deles morreram na pobreza, como fugitivos da justiça ou suicidaram-se. Isto é irônico, não? Jesus disse: "A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui". Em vez de colocar nossa confiança na instabilidade da riqueza, Paulo diz que devemos colocá-la "[...] em Deus" (1Tm.6:17)

c) siga os seguintes conselhos de Paulo sobre como lidar com o dinheiro:

- Pratique o bem. Não deixe o dinheiro dominar você, domine-o; não deixe o dinheiro ser seu patrão, faça dele um servo; não acumule só para si mesmo, faça-o um instrumento de ajuda para os outros. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O problema não é ter dinheiro, mas o dinheiro nos ter. O problema não é carregar dinheiro no bolso, mas carregá-lo no coração.

- Seja rico de boas obras. Qual foi a última vez que você fez algo que trouxe glória ao nome de Deus e alegria para as pessoas? Qual foi a última vez que fez uma oferta generosa para ajudar uma pessoa necessitada? Qual foi a última vez que enviou uma oferta para um missionário? Qual foi a última vez que entregou uma oferta de gratidão a Deus? Qual foi a última vez que repartiu um pouco do muito que Deus lhe tem dado? O apóstolo Paulo dá o belo exemplo da pobre igreja da Macedónia que se doou e ofertou generosamente aos pobres da Judéia, pessoas que a Igreja não conhecia pessoalmente (2Co.8:1-4).

- Seja generoso em dar. Deus lhe deu mais do que você precisa, não para você guardar, mas para compartilhar generosamente. Deus quer que você abra o seu coração, suas mãos e o seu bolso para doar: "Mais bem-aventurado é dar que receber" (At.20:35). Deus multiplicará sua sementeira. A semente que multiplica não é a que você come, mas a que você semeia. Deus amou e deu seu Filho Unigênito. O que você tem dado? Quanto tem dado? Como tem dado? Com que frequência tem dado? O apóstolo Paulo escreveu: "[...] pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo" (2Co.6:10). É sabido que os pobres são mais generosos que os ricos. A questão da generosidade não passa pela quantidade de dinheiro que você tem no bolso, mas da quantidade de amor que você tem no coração.

II. A IDOLATRIA AO DINHEIRO

1. O coração no lugar certo

Disse Jesus: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt.6:21). Jesus nos exorta a colocar o nosso coração no lugar certo. O nosso tesouro arrasta o nosso coração. Nosso coração estará na terra ou no céu; depende onde o colocamos, se na terra ou no céu. Qualquer lugar onde estiver a nossa atenção, e qualquer coisa que ocupe os nossos pensamentos e o nosso tempo, será o nosso “tesouro”, e ali, certamente, estará o nosso coração. Jesus fez a comparação entre os valores do céu e os valores da terra quando explicou que a nossa principal lealdade deve estar voltada a tudo aquilo que não desvanece, àquilo que não pode ser roubado, nem desgastado através do uso. Ele nos exorta a tomar uma decisão que permita que vivamos contentes com aquilo que temos, escolhendo aquilo que é duradouro e eterno. Os atos de obediência a Deus, acumulados no céu, não são susceptíveis a estragar, e também não podem ser destruídos ou roubados. Nada poderá mudá-los ou afetá-los, pois eles são eternos.

2. Idolatrando a Mamom

Idolatria é tudo que ocupa o lugar de Deus em nossos corações. Se colocarmos os bens materiais prioritariamente em nossos corações, idolatraremos a Mamom. Disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt.6:24). Jesus nos chama a tomar uma decisão vital: servir a Deus ou a Mamom. Jesus diz que “ninguém pode servir a dois senhores”. Um deles, inevitavelmente, terá a prioridade na sua lealdade e obediência. E assim também é com Deus e as riquezas (ou Mamom); eles são rivais nas suas exigências e precisamos fazer uma escolha, precisamos colocar Deus em primeiro lugar e rejeitar a lei do materialismo ou viver para as coisas temporais e rejeitar o que Deus exige para nossa vida. Jesus é categórico: “não podeis servir a Deus e às riquezas”. Quem serve a Deus, não pode viver mais debaixo do jugo de “Mamom”. Quem é escravo de “Mamom”, não pode ser servo de Deus.

Vivemos numa sociedade materialista, onde muitas pessoas servem ao dinheiro; gastam toda a vida acumulando-o, mesmo sabendo que, ao morrer, não o levarão consigo. O desejo de certas pessoas pelo dinheiro e por aquilo que este pode comprar é muito superior a seu comprometimento com Deus e com os assuntos espirituais. Gastam muito tempo e energia pensando no que tem armazenado (dinheiro e outros bens). Não caia na armadilha materialista, “porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1Tm.6:10). Você pode dizer honestamente que Deus, e não Mamom, é o seu Senhor? Um bom teste é perguntar a si mesmo quem ou o que ocupa mais seus pensamentos, seu tempo e seus esforços. No momento em que o crente escolhe o dinheiro, o conforto e bens que Mamom pode oferecer, certamente sua espiritualidade e comunhão com o Senhor estarão comprometidas.

3. A riqueza condenada por Cristo

A riqueza que Cristo condena é aquela que é usada de forma egoísta. Riquezas e glórias vêm de Deus; contudo, o dinheiro não é um tesouro para ser usado de forma egoísta, apenas para o nosso deleite. Deus nos dá o dinheiro para o glorificarmos com ele, e fazemos isso, quando cuidamos da nossa família, dos domésticos da fé e de outras pessoas necessitadas, inclusive de nossos inimigos. O homem rico, da parábola do rico e do mendigo (Lc.16:19-31), não cuidou de Lázaro que estava com fome e jazia à porta; ele usou a sua riqueza de forma egoísta; no Seol ele se lembrou de Lázaro, mas já era tarde. Jesus disse que a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui (Lc.12:15). Também: "O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mt.16:26).

- Outra coisa que Cristo condena: confiar nos bens materiais em vez de confiar somente em Deus, o dono de todos os bens. Para mostrar isso, Ele proferiu a parábola do rico insensato (Lc.12:13-21). Nesta parábola, Jesus mostra a face enrugada da avareza. Aqui, Ele inculca a lição sobre a insensatez de confiar nos bens materiais. O alvo do rico na vida era descanso e gozo, e seu método de alcançar isso, em lugar da fé em Deus, era a fé nos bens materiais.

A parábola retrata um fazendeiro rico com uma colheita excepcional. Essa parábola mostra como um homem que recebe uma bênção faz dela uma maldição. Seu campo produziu abundantemente. Sua colheita foi colossal. Seus armazéns foram construídos e ampliados para acomodar a safra generosa. Mas esse homem não agradeceu a Deus pela colheita nem demonstrou nenhuma generosidade, apesar de muita fartura; pensou em si, somente em si. Seu mundo girava em torno dele mesmo. Seus bens eram apenas para ele. Tudo foi armazenado para seu próprio desfrute e deleite. Toda a trama está construída em torno do eu, meu, minha. O problema é que esse homem insensato não entendeu algumas coisas essenciais (adaptado do livro “Lucas – Jesus, o homem perfeito”, de Hernandes Dias Lopes):

a) ele não meditou sobre a brevidade da vida e a inevitabilidade da morte (Lc.12:19,20). Pensou que seu futuro estava em suas mãos e que ele era o capitão de sua alma. Naquela mesma noite da inauguração de seus celeiros abarrotados de provisão para longos anos, sua alma lhe foi requerida e a morte chegou sem pedir licença para levá-lo.

b) ele só pensou na provisão do seu corpo, mas não fez nenhuma provisão para a sua alma (Lc.12:16-19). Coisas materiais não atendem os reclamos da nossa alma. O fazendeiro rico da parábola fez provisão apenas para esta vida e nenhuma para a vida por vir.

c) ele não pensou na possibilidade de ser generoso, mas guardou tudo para si (Lc.12:16-19). A princípio, esse fazendeiro não fez nada de mau. Diante de todo o mundo, ele se apresentou como um cidadão sábio, laborioso, eficiente e bem-sucedido em sua administração, mas não deixou de ser um tolo para Deus. O fazendeiro diz a si mesmo: meus produtos, meu armazém, meus bens, minha alma. Igualmente são bem característicos os seis “eu” do fazendeiro: que faria eu - não tenho - onde eu – hei de - eu quero - eu direi.

d) ele não pensou na transitoriedade das posses terrenas. Não trouxemos nada para este mundo nem nada dele levaremos. Viemos nus e voltaremos nus. Não tínhamos nada e nada teremos quando partirmos. Não somos donos de nada; somos apenas mordomos.

e) ele não pensou sobre a loucura que é viver apenas para esta vida e não se preparar para encontrar com Deus (Lc.12:16-21). Esta vida é breve, os bens materiais não são permanentes, e a morte é certa. Viver aqui irrefletidamente é loucura. Colocar a confiança nas coisas materiais é consumada tolice. Não se preparar para a morte é insensatez. Não está pronto para encontrar-se com Deus é a maior de todas as loucuras.

III. VIVENDO A QUIETUDE ESPIRITUAL EM DEUS

1. Os males advindos das preocupações

“Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?” (Mt.6:25-27).

Você é uma pessoa preocupada? Você é daquele tipo de pessoas que vive roendo as unhas, antecipando os problemas? Os problemas ainda estão longe e você pensa que eles estão batendo à sua porta? Você sofre pensando no que vai comer, com o que vai vestir? Onde vai morar, onde vai trabalhar, onde seu filho vai estudar? Se sim, fique sabendo que isto nos traz grandes males, principalmente surgimento de doenças psicossomáticas.

A preocupação, segundo Jesus, em vez de alongar a vida, pode muito bem encurtá-la. A ansiedade nos mata pouco a pouco; rouba nossas forças; mata nossos sonhos; mina a nossa saúde; enfraquece nossa fé; tira a nossa confiança em Deus e; nos empurra para uma vida menos do que cristã. Os hospitais estão cheios de pessoas vítimas da ansiedade. A ansiedade mata. Quando estamos ansiosos, teimamos em tomar as rédeas de nossa vida e tirá-las das mãos de Deus.

A ansiedade é o mal deste século. Atinge homens e mulheres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus. As pessoas andam com os nervos à flor da pele. São como um vulcão prestes a entrar em erupção; são como um barril de pólvora pronto a explodir.

A ansiedade nos leva a perder a alegria do hoje por causa do medo do amanhã. As pessoas se preocupam com exames, emprego, casas, saúde, namoro, empreendimento, dinheiro, casamento, investimentos. A ansiedade é incompatível com o bom senso. É uma perda de tempo. Precisamos viver um dia de cada vez. Devemos planejar o futuro, mas não viver ansiosos por causa dele.

Preocupar-nos com o amanhã não nos ajuda nem hoje nem amanhã. Se alguma coisa nos rouba as forças hoje, isso significa que vamos estar mais fracos amanhã; significa que vamos sofrer desnecessariamente se o problema não chegar a acontecer, e que vamos sofrer duplamente se ele vier a acontecer. Devemos cuidar do hoje e deixar o amanhã nas mãos Daquele que cuida de nós.

2. Vivendo sem inquietação

‘Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?” (Mt.6:31).

O que mais tem tornado o ser humano ansioso, sem quietude, é o desejo exacerbado de adquirir bens materiais; querer possuir bens à semelhança de outra pessoa que está perto ou longe dele; preocupação com o futuro. Isso tem trazido inquietação na vida de muitos. Como resolver isso? Somente conscientizando-se de que isso é tremendamente errado, e que ter uma vida simples dentro das suas possibilidades financeiras, com equilíbrio, pode reverter essa situação de inquietude. Jesus ensinou sobre isso, usando como referência as aves: elas não semeiam, não colhem e nem ajuntam em celeiro, mas o Pai celestial as sustenta (Mt.6:26). Portanto, só podemos viver sem inquietação quando tomamos consciência de que somos filhos de Deus e que seu cuidado é especial para conosco. Se Deus alimenta as aves e veste os lírios do capo, não cuidará de seus filhos? O problema não é o pequeno poder de Deus, o problema é a nossa pequena fé (Mt.6:30). “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt.6:34). Lancemos a nossa ansiedade sobre Jesus, pois Ele é quem cuida de nós (1Pd.5:7).

3. Vivendo sossegados em Deus

“buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt.6:33).

Para viver sossegado é preciso olhar para vida na perspectiva de Deus; assim sendo, a nossa mente é guardada pela paz de Deus. Quando alimentamos nossos sentimentos com a verdade de que Deus conhece e supre as nossas necessidades, então a paz de Deus guarda o nosso coração. A paz é uma sentinela que guarda a cidadela da nossa mente e do nosso coração promovendo o sossego em Deus.

Para viver a quietude, o crente precisa buscar o Reino de Deus e sua Justiça (Mt.6:33). A ordem é buscar o governo de Deus, a justiça de Deus, a vontade de Deus e o reinado de Deus em nosso coração em primeiro lugar. Deus, e não nós, deve ocupar o topo da nossa agenda. Os interesses de Deus, e não os nossos, devem ocupar nossa mente e nosso coração. Somos desafiados a buscar o governo e o domínio de Cristo em todas as áreas da nossa vida: casamento, lar, família, vida profissional, lazer. A promessa é que, quando cuidamos das coisas de Deus, Ele cuida das nossas necessidades – “...todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt.6:33). Deus trabalha em favor daqueles que nele esperam.

CONCLUSÃO

O dinheiro não traz felicidade nem segurança. Paulo ridiculariza a ideia de que o dinheiro pode oferecer segurança. Ele diz que a riqueza é instável (1Tm.6:17). Veja o que diz a Palavra de Deus: "Porventura, fitarás os olhos naquilo que não é nada? Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus" (Pv.23:5). Jesus falou do rico insensato que disse para a sua alma: "[...] tens em depósito muitos bens para muitos anos [...] louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lc.12:13-21).

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Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD

William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).

Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Pr. Hernandes Dias Lopes. Mateus – Jesus, o Rei dos reis.

Pr. Hernandes Dais Lopes. Dinheiro – a prosperidade que vem de Deus.