quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A GRAÇA DE DEUS NOS CAPACITA A LIDAR COM O SOFRIMENTO


Por: Rev. Hernandes Dias Lopes

 

A vida não é indolor. Nossa jornada neste mundo não é feita por caminhos atapetados, mas por estradas juncadas de espinhos. Palmilhamos desertos tórridos, descemos a vales escuros e atravessamos pinguelas estreitas, sobre pântanos perigosos. Aqui, muitas vezes, alimentamo-nos de nossas próprias lágrimas. A dor cruel nos açoita com rigor desmesurado. A dor das perdas, do luto e da saudade dói mais do que a dor que fustiga nosso corpo. A dor das lembranças amargas, das doenças crônicas e do pecado que tenazmente nos assediam, acicatam nossa mente, nosso corpo e nossa alma.

O sofrimento mostrou sua carranca de forma dolorosa no segundo mais trágico incêndio ocorrido no Brasil. Nos albores do dia 28 de janeiro de 2013, uma tragédia aconteceu em Santa Maria, cidade universitária do próspero estado do Rio Grande do Sul. A boate Kiss pegou fogo e mais de duzentos e trinta jovens e adolescentes pereceram, asfixiados pela fumaça tóxica. Sonhos foram interrompidos. Carreiras brilhantes terminaram abruptamente. Casamentos marcados não puderam se concretizar. Pais que esperavam seus filhos voltar ao lar, acordaram sobressaltados pela amarga notícia, de que seus filhos haviam morrido naquela fatídica noite. O sofrimento foi tão grande que a nação inteira chorou diante dessa tragédia. Ninguém, por mais forte, consegue lidar com esse sofrimento, estribado em suas próprias forças. Somente a graça de Deus pode nos assistir nessas horas. Somente a graça de Deus pode nos dar ânimo para prosseguir.

O apóstolo Paulo, depois de um passado sombrio, quando perseguiu, prendeu e deu seu voto para matar muitos discípulos de Cristo, foi convertido no caminho de Damasco. Tornou-se o maior missionário e plantador de igrejas da história do Cristianismo. Sua vida, porém, foi timbrada pelo sofrimento. Foi perseguido, preso, açoitado, apedrejado e fustigado com varas. Por onde passou, enfrentou pressões e ameaças. O fato de ser um homem cheio do Espírito não o isentou de sofrer. Em sua última carta, despedindo-se de seu filho Timóteo, preso numa masmorra romana, cônscio de que enfrentaria o martírio, abriu seu coração para dizer que estava enfrentando solidão, abandono, privações, traição e ingratidão. Apesar de tão severo sofrimento, sabia que não caminhava para um fim trágico, mas avançava rumo à glória para receber do reto Juiz, sua recompensa. Foi a graça de Deus que o manteve de pé nas renhidas batalhas da vida. Foi a graça de Deus que o capacitou a cantar na prisão. Foi a graça de Deus que o consolou nas amargas provações da vida. Foi a graça de Deus que o revestiu de forças para cumprir cabalmente seu ministério. Foi a graça de Deus que o encheu de doçura e esperança mesmo em face da morte.

Nenhum homem tem capacidade de lidar com o sofrimento à parte da graça de Deus. Somos frágeis vasos de barro. Não podemos ficar de pé escorados no bordão da autoconfiança. Sem a graça a Deus e sem o Deus de toda a graça sucumbimos à dor. Mas, pela graça somos consolados no sofrimento para sermos consoladores. Tornamo-nos receptáculos do conforto divino para sermos canais dessas ternas consolações. Nem sempre, porém, Deus nos poupa do sofrimento. Nem sempre temos alívio da dor. Nem sempre a cura se torna uma realidade. Mas a graça de Deus jamais nos falta. A graça de Deus é melhor do que a vida. A graça de Deus nos basta. Nessas horas, o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza. Como Jó, podemos gritar, mesmo no torvelinho da nossa dor: “Eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará. Vê-lo-ei por mim mesmo”. Podemos dizer como Pedro: “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. Podemos, dizer como Paulo: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”. Oh, bendita graça! Graça sublime! Graça que nos salva, nos fortalece e nos capacita e lidar vitoriosamente com o sofrimento.

 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

AULA 07 – A VINHA DE NABOTE


1º Trimestre_2013

Texto Básico: 1Reis 21:1-5;15,15

 “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isto também ceifará” (Gl 6:7)

INTRODUÇÃO


Nesta Aula trataremos a respeito da cobiça de Acabe. A cobiça é um desejo forte, constante e insaciável; ela pode levar o homem a pisar no seu próximo para subir na vida, chegando a roubar e matar. O mundo em que vivemos é orientado por um estilo de vida materialista, hedonista e pragmatista, todavia, o Evangelho demanda de cada um de nós um estilo rigorosamente contrário ao mundano.

Existe o desejo legítimo e a cobiça. O primeiro refere-se ao suprimento das necessidades e, em alguns casos, um pouco mais, atingindo o nível do conforto; o segundo vai muito além, alcança o excesso e avança rumo ao proibido. Mas onde está a exata fronteira entre uma e outra coisa?  É difícil dizer onde o desejo correto se transforma em cobiça, assim como não podemos determinar com certeza a exata quantidade de comida que alguém precisa consumir. Cada indivíduo é capaz de reconhecer que a sua necessidade foi suprida e seu apetite saciado. Depois disso, o desejo torna-se cobiça. Disse o sábio Salomão: “Se achaste mel, come somente o que te basta, para que porventura não te fartes dele, e venhas a vomitar” (Pv 25:16). Deus estabeleceu limites: Adão poderia comer do fruto de todas as árvores, exceto uma (Gn 2:16,17). Quando desejamos o que Deus proibiu, está caracterizada a cobiça. O décimo mandamento assevera: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex 20:17).  Portanto, o direito do outro é um dos nossos limites.

I. O OBJETO DA COBIÇA DE ACABE


O objeto da cobiça do rei Acabe: a herança de Nabote. Acabe possuía riqueza e todo tipo de bens materiais, mas dirigiu seus olhos e sua cobiça à propriedade de subsistência de Nabote, seu vizinho. Seu desejo incontido desencadeou uma série de pecados: abuso de autoridade, acusação, falso testemunho, homicídio e roubo (1Rs 21). A proposta que Acabe fez a Nabote parecia justa, generosa e irrecusável, pois oferecia em troca uma outra vinha melhor, ou se desejasse, lhe daria em dinheiro o que ela valia. Acontece que o valor da vinha para Nabote ia para além das questões mercantilistas. Ele considerava aquela propriedade uma herança inegociável, e cuja venda implicaria em transgressão ao mandamento do Senhor (cf Lv 25:13-28 e Nm 36:7,9). Nabote procedeu corretamente; de acordo com o livro de Levitico, a terra pertencia ao Senhor (Lv 23:23). Assim sendo, Nabote não poderia vender aquilo que lhe fora dado como uma herança do Senhor. Diante da resposta e posicionamento de Nabote, a reação de Acabe foi de desgosto e indignação, pois o seu capricho não fora alcançado, o que desencadeou no rei uma crise emocional (1Rs 21:4). Mas, Acabe queria aquela propriedade a qualquer custo; aquele espaço de terra, era o seu objeto de maior desejo. Por ser rei, imaginava que podia atropelar a lei de Deus e emplacar injustiça social. Para concretizar o seu intento, esse rei fraco e sem personalidade arquitetou, em conluio com sua impiedosa esposa Jezabel, uma das mais sórdidas tramas registradas nas páginas Sagradas: a morte do inocente Nabote. Mas, o juízo de Deus foi severo contra a casa de Acabe; veja isso no tópico IV abaixo.

Atualmente, muitos líderes e irmãos caprichosos, que não se contentam com aquilo que possuem, e que acham que seus desejos precisam ser atendidos e satisfeitos por todos, estão dominados pela cobiça. Tenhamos cuidado, pois a cobiça é abominação ao Senhor (Dt 7:25); é a raiz de todos os males ((Tg 4:15,15).

II. AS CAUSAS DA COBIÇA DE ACABE


A principal causa da cobiça de Acabe: o domínio incontrolado do “ter”, de “possuir”, aquilo que é do outro, neste caso a vinha de Nabote. Esta vinha era próxima ao palácio real, isto é, da casa de verão, e, aparentemente, Acabe, levado por um capricho, desejava transformá-la em um jardim.

Entendemos pelo texto sagrado que aquela propriedade fora passada a Nabote por herança: “Porém Nabote disse a Acabe: guarda-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus pais” (1Rs 21:3), o que fortalecia a convicção de Nabote de que ele não deveria vendê-la nem trocá-la por outra propriedade. É provável que Nabote tenha sido criado naquele terreno, dedicando-se com seus pais ao cultivo de uvas. Se Nabote tivesse feita essa venda ou trocada por outra vinha, ele teria transgredido não só uma tradição, como também a sua consciência (cf Lv 25:23-28; Num 36:7ss). Acabe reconhecia isso; ele era cônscio de que Nabote estava religiosamente obrigado a conservar a posse de sua terra e que essa obrigação não poderia ser contrariada. Entretanto, ele ainda assim queria essa área; ele estava totalmente dominado pela cobiça, qual um viciado de drogas; somente a casa de verão não lhe satisfazia, queria agora construir uma horta ao lado dela para que seus desejos pudessem ser realizados; não se importava em quebrar o mandamento divino: “não cobiçarás”(Ex 20:17). Desta feita, o que fez Acabe diante da resposta negativa de seu súdito? Ficou entristecido, como uma criança mimada, e não quis se alimentar. O desejo despertado pela cobiça é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do cobiçoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4).

Ao observar o estado em que se encontrava Acabe, Jezabel, sua mulher, procurou tomar conhecimento do que havia acontecido, o que lhe foi relatado pelo rei (1Rs 21.5-6). Diante do que ouviu, Jezabel, que já havia em outros episódios demonstrado a sua influência e força no reino, que tomava decisões sem pedir a aprovação do seu manipulável e omisso marido, possuidora de um temperamento difícil e cruel em suas deliberações, toma para si as dores de Acabe e declara: “governas tu, com efeito, sobre Israel? Levanta-te, come, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita” (1Rs 21:7). Jezabel se coloca aqui como aquela que satisfará a cobiça de Acabe. Uma esposa sábia não adota tal postura, antes, aconselha o seu marido sobre os princípios do contentamento. Em fim, o desejo exacerbado e maligno de Acabe resultou no assassinato do obediente Nabote, resultando assim na inobediência a outro mandamento da lei moral de Deus: “não matarás” (Ex 20:13).

III. O FRUTO DA COBIÇA


O fruto da cobiça de Acabe: assassinato do obediente Nabote. O pecado de Acabe envolveu várias pessoas, inclusive os anciãos e os nobres de Israel (1Rs 21:8), os quais sem temor e piedade co-participaram do plano maligno da esposa de Acabe. Como Acabe não se apossou imediatamente da vinha de Nabote, Jezabel continuou com seu plano diabólico. Sem escrúpulos, sem temor a Deus, sem piedade e sem misericórdia, Jezabel articula um plano onde Nabote seria vitimado por uma terrível calúnia. Usando o nome e o sinete de seu marido, ela escreveu cartas aos anciãos e aos nobres da cidade e que habitavam com Nabote, onde dizia o seguinte: “Apregoai um jejum e trazei Nabote para a frente do povo. Fazei sentar defronte dele dois homens malignos, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois, levai-o para fora e apedrejai-o, para que morra. Os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que nela habitavam fizeram como Jezabel lhes ordenara, segundo estava escrito nas cartas que lhes havia mandado. Apregoaram um jejum e trouxeram Nabote para a frente do povo. Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu”.

“É interessante observar que o maligno plano de Jezabel se reveste de um caráter espiritual, com direito a proclamação de um jejum e com o argumento de que Nabote teria blasfemado contra Deus (e contra o rei). É possível “espiritualizar” até a cobiça. Em nome de Deus, e com a máscara da falsa espiritualidade, muitas barbáries e injustiças são realizadas sob a influência do “espírito de Jezabel”, muitas cobiças são alimentadas à custa da destruição de vidas, casamento e famílias”(pr. Altair Germano).

Nunca foi exposta a falsa acusação de blasfêmia levantada contra Nabote perante a assembleia dos anciãos e dos nobres. Este sincero israelita foi apedrejado de acordo com a lei (cf Lv 24:13-16), sob o testemunho de duas pessoas (falsas testemunhas, claro) que teriam presenciado a suposta ofensa (cf Dt 17:6,7). Com o assassinato de Nabote, Acabe se apropriou indevidamente da sua vinha.

É curioso ver que pessoas malignas não adoram ao Senhor nem o temem, mas não se furtam de usar o nome do Senhor para perverter o juízo e cometer atrocidades. Mas lembremo-nos de que Deus não se deixa escarnecer nem deixa seu nome ser usado em vão.

IV. AS CONSEQUÊNCIAS DA COBIÇA


A combinação de pecados relacionados à cobiça produz um veneno tão poderoso que ameaça de morte tanto as pessoas à sua volta como o próprio cobiçoso. O mundo "jaz no Maligno", e tem se tornado em "ninho" aconchegante para que o pecado cresça, venha à luz, e cause os males da destruição e da morte. Precisamos estar alertas para este fato. As consequências do pecado é a morte (Rm 6:23).

1. Julgamento divino. A cobiça do rei Acabe teve uma consequência ainda mais funesta do que toda a sua idolatria. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte(1Rs 21; 2Rs 10:1-14). A sentença do julgamento de Acabe e Jezabel foi transmitida por Elias, o profeta: “Então, veio a palavra do SENHOR a Elias, o tisbita, dizendo: Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde tem descido para a possuir. E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porventura, não mataste e tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo. E também acerca de Jezabel falou o SENHOR, dizendo: Os cães comerão Jezabel junto ao antemuro de Jezreel” (1Rs 21:18,19,23). Acabe ainda se recusou a admitir seu pecado contra Deus; em vez de fazê-lo, acusou Elias de ser seu inimigo (cf 1Rs 21:20). É quase impossível que os que se tornam cegos pela cobiça e pelo ódio, enxerguem seus próprios erros.

2. Arrependimento e morte. A sentença divina trouxe medo e condenação a Acabe: “Sucedeu, pois, que Acabe, ouvindo estas palavras, rasgou as suas vestes, e cobriu a sua carne de pano de saco, e jejuou; e dormia em cima de sacos e andava mansamente” (1Rs 21:27). Acabe foi mais perverso do que qualquer outro rei de Israel (1Rs 16:30; 21:25), mas quando se arrependeu com profunda humildade, Deus atentou para ele e prometeu que o castigo sobre a sua casa seria suspenso até uma outra ocasião – “Não viste que Acabe se humilha perante mim? Porquanto, pois, se humilha perante mim, não trarei este mal nos seus dias, mas nos dias de seu filho trarei este mal sobre a sua casa” (1Rs 21:29). O mesmo Senhor que foi misericordioso com ele deseja ser benigno conosco. Não importa quão perverso alguém seja; nunca é tarde demais para se humilhar, voltar-se a Deus e pedir-lhe perdão.

É bom ressaltar, porém, que, embora Acabe tenha se arrependido de seus atos pecaminosos, as consequências foram inevitáveis. Acabe, Jezabel e toda a sua família foram eliminados, da mesma maneira como as dinastias anteriores foram rejeitadas por causa de seus pecados. Jezabel teve uma morte horrível na mesma cidade onde havia perpetrado seus crimes. O cobiçoso Acabe e a cruel Jezabel receberam o prêmio da injustiça. Para ler sobre o cumprimento da sentença divina, veja 1Reis 22:38, onde os cães lamberam o sangue de Acabe, e 2Reis 9:30 a 10:28, onde Jezabel e o restante de sua família foram destruídos. “O pecado sempre tem seu alto custo!”.

CONCLUSÃO


Todo ato de cobiça além de reprovado por Deus, será também duramente punido por Ele. Assim como Nabote, os que são vitimados por causa de sua obediência a Deus, e diante da cobiça alheia, são por Ele devidamente justificados e vingados. Portanto, todos aqueles que de alguma maneira detém o poder e dele abusam para realizar propósitos pessoais e até malignos, sofrerão consequências desastrosas. De Deus ninguém zomba! A quem muito for dado muito será cobrado.  Pense nisso!

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 Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 53 – CPAD.

A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.

Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.

Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.

 

FUNÇÕES E DONS ECLESIÁSTICOS


 1º Trimestre/2013


EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA - Tema: “Igreja – Missão e Crescimento”

Subsídio para lição 7 da revista da EBD – Educação Cristã Continuada.

Leitura Básica: Efésios 4:11-16


 

 

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”(Ef 4:11)

 

INTRODUÇÃO


O padrão universal de liderança eclesiástica que Deus estabeleceu para sua Igreja, bem como a descrição dos propósitos, definidos e mensuráveis, que Ele propôs para serem alcançados, encontra-se em Efésios 4:11-16: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”

Os dons ministeriais são, portanto, a constituição do legítimo exercício da liderança eclesiástica para conduzir o corpo de Cristo aos verdadeiros propósitos para os quais ele veio à existência. Quais são esses propósitos? (a) Treinamento – Ef 4:12; (b) Realização - Ef 4:12; (c) Edificação - Ef 4:12; (d) Unidade - Ef 4:13; (e) Conhecimento - Ef 4:13; (f) Similitude - Ef 4:13; (g) Firmeza - Ef 4:14; e (h) Crescimento - Ef 4:15,16. Qualquer outra liderança em outros departamentos da igreja deve seguir o mesmo padrão.

I. CHAMADO GERAL


1. Chamado para todos. A chamada em Cristo Jesus não é apenas um chamado para nos libertar do pecado e nos levar para o Céu. Se assim fosse, logo após a nossa conversão a Cristo, seríamos tirados da Terra por Ele. Contudo, a salvação envolve o chamado de Deus para fazermos parte do seu Plano redentor a todas as pessoas.

Cada membro do rebanho de Cristo é um ministro de Cristo encarregado de exercer as funções de seu Senhor por meio de suas determinações em relação ao semelhante e a Deus. Em outras palavras, é um instrumento divino para promover a sua justiça e a ministrar a sua adoração. No Novo Testamento há cinco listas demonstrando que todo discípulo é agraciado com algum dom espiritual ou ministerial: (a) Romanos 12:3-8; (b) 1Corintios 7:7; (c) 1Corintios 12:4-10,28-31; (d) Efésios 4:7,11; (e) 1Pedro 4:10,11. A partir desses textos pode-se concluir que na Igreja de Cristo todo discípulos tem pelo menos um dom espiritual ou ministerial, mas que nenhum possui todos os dons, sendo Deus quem os distribui segundo a sua vontade, a fim de que haja a edificação do Corpo de Cristo.

A diaconia é para todos os crentes


No Novo Testamento ocorre o registro de determinados irmãos não detentores de títulos ou funções eclesiásticas, exercendo atividades comuns às da liderança. Por exemplo, pode ser verificado que a autoridade para batizar estava depositada sobre a liderança eclesiástica constituída por “Apóstolos” (João 4:2), “Evangelistas” (At 8:38) e “Missionários” (At 16:15,33). Todavia, alguns irmãos que acompanhavam Pedro em sua missão junto aos gentios receberam autorização para batizar: “Então, chamando-os para dentro, os recebeu em casa. No dia seguinte, foi Pedro com eles, e foram com ele alguns irmãos de Jope. E mandou que fossem batizados em nome do Senhor”(Atos 10:23,48a).

Aqui, nada é dito se eram lideres da comunidade de Jerusalém ou apenas discípulos. Se for considerado que o termo “irmãos” seja uma referência aos discípulos de um modo geral, isto é, aos não ordenados à liderança eclesiástica pela imposição de mãos, é possível que o texto acima indique que os discípulos da comunidade de Jerusalém, sob a supervisão de seu líder pastoral, podiam auxiliar na continuidade da missão, batizando novos convertidos. É possível que a ordem para batizar fora dada pelo apóstolo Pedro aos demais cristãos presentes, não sendo obrigatório o batismo pelo ministro pastoral, conforme o exemplo de Paulo (1Co 1:14-17).

Esse tipo de participação ativa por parte de todo o povo de Deus, sob a supervisão de sua liderança, não seria uma novidade implementada pela igreja, pois o Antigo Testamento também testifica que o povo de Israel exercia, em determinadas circunstâncias, funções típicas das lideranças ordenadas e consagradas, como no caso de sua participação em cerimônias de ordenação e consagração dos levitas, nas quais todo o povo impunha suas mãos sobre a nova liderança: “Farás, pois, chegar os levitas perante o SENHOR; e os filhos de Israel porão as suas mãos sobre os levitas”(Nm 8:10).

Essas informações bíblicas sugerem que a instrumentalidade do povo de Deus não estava necessariamente limitada aos lideres das comunidades primitivas, mas podia ser estendida aos discípulos, sob a supervisão de seus lideres pastorais. Isto é, os santos apresentavam algum grau de participação ativa junto às lideranças eclesiásticas, com todos podendo ser considerados ministros de determinada diaconia.

2. Chamado para servir. O chamado ministerial é um chamado para ser um servo para o corpo de Cristo. Nunca devemos pensar nisto como algo do que se orgulhar ou uma posição que tenha sua própria importância.

Em 1Corintios 12:5 o termo “ministério” é a tradução do vocábulo grego “diakoniôn”, pertencente à esfera dos “ministérios, serviços, ocupações, exercícios ou encargos”. Portanto, todo ministério é diaconia, e toda diaconia é serviço. Dessa forma, na igreja de Cristo existe uma diaconia básica, sendo o fundamento para o exercício de quaisquer outros ministérios: servir como Cristo serviu. Como sempre, Jesus é o nosso exemplo:

- João 13:3-9: Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha  com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus e disse-lhe: O que eu faço, não o sabes tu, agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

- João 13:12-17: Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado,  maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

II. CHAMADO ESPECÍFICO


A vocação para uma função eclesiástica é um chamado específico de Deus, conjugado por uma necessidade urgente e uma capacitação especial. Há muitos pastores, evangelistas, presbíteros, educadores cristãos, que jamais foram chamados por Deus para exercerem esses ministérios. Eles são voluntários, mas não vocacionados. Entraram pelos portais do ministério por influências externas, e não por um chamado interno e eficaz do Espírito Santo. Foram motivados pela sedução do status ministerial, mas jamais foram separados por Deus para esse mister.

Há aqueles que entram no ministério com a motivação errada. Abraçam o ministério por causa do lucro; outros, por causa da fama. Outros ainda, por acomodação. Há aqueles que tentam vestibular para medicina, direito, engenharia e, por não lograrem êxito, chegam à conclusão de que Deus os está chamando para o ministério. Mas, vocação é quando você tem todas as outras portas abertas, mas só consegue enxergar a porta do ministério. Vocação é como algemas invisíveis; você não pode fugir permanentemente desse chamado. O profeta Jeremias tentou desistir do seu ministério, mas isso foi como fogo em seus ossos.

1. Missão especifica. Embora todos sejam chamados, há, no entanto, alguns convocados para tarefas especiais de ministério. No Antigo Testamento, o Espírito Santo atuava na vida de alguns líderes em Israel, tais como: Juízes, reis, profetas e sacerdotes, etc, capacitando-os a realizar os propósitos divinos, como podemos ver na vida de Josué (Nm 27:8-21); Otoniel (Jz 3:9-10; José (Gn 41:38-40); Bezaleel (Êx 35:30-31); Moisés (Nm 11:16,17); Gideão (Jz 6:34), Jefté (Jz 11:29); Sansão (Jz 13:24,25); Saul (1Sm 10:6), dentre outros. No Novo Testamento acontece a mesma coisa. Deus habilita determinadas pessoas para uma missão especifica. Paulo e Barnabé estavam ministrando em Antioquia quando o Espírito Santo os chamou para uma tarefa específica – “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2).

2. Qualificações. As qualificações que se exigem das pessoas responsáveis pela liderança e administração da igreja encontram-se listadas nas Escrituras (1Tm 3:1-8; Tt 1:6-9). As listas de qualificações apresentadas nestes textos sagrados para os cargos na igreja, não são listas rígidas de julgamento que tem a finalidade de desqualificar certas pessoas. Ao contrário, elas servem como um “barômetro” para a maturidade espiritual. Aqueles que aspiram um cargo na igreja devem perceber que viver uma vida pura e irrepreensível exige esforço e auto-disciplina. Todos os crentes, mesmo se nunca planejarem ser líderes da igreja, devem se esforçar para seguir estas diretrizes, porque elas são coerentes com o que Deus diz que é verdadeiro e correto. A força para viver de acordo com a vontade de Deus vem de Cristo.

3. Funções ministeriais. Apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre não são ranques de títulos ou posições na igreja. Ao contrário, eles são funções. Cada função ministerial exerce uma parte importante na edificação do corpo de Cristo. Por exemplo, quando Paulo escreveu suas epístolas, ele frequentemente começava dizendo: “Paulo, um apóstolo”, mostrando que ser um apóstolo é um dom ministerial ou uma função no corpo de Cristo. Ele não disse: “O Apóstolo Paulo”, o que teria indicado seu apostolado como sendo um título.

III. OS DONS MINISTERIAIS


O termo “Ministério” é a tradução utilizada para designar a esfera de serviço(ou diaconia) dos discípulos de Cristo, em virtude de sua capacitação pelo Espírito Santo. Um ministro é definido no Novo Testamento como alguém “comissionado para desempenhar algum serviço”, “submisso voluntariamente a outro para cumprir uma tarefa”, “autorizado para proclamar a Palavra de Deus”, “que desempenha uma ou mais das variadas ocupações ou serviços do Corpo de Cristo”. A variedade de ministérios eclesiásticos registrados no Novo Testamento é consequência das diversas necessidades da Igreja em sua tarefa de evangelizar e fazer discípulos.

1. Classificação. Pode-se classificar os dons ministeriais usando como critério o local onde eles são prioritariamente empregados. Visa-se com isso, chamar a atenção para o fato de que todo crente tem uma obra a realizar e que Deus equipou cada um de nós para esse fim.

Com o passar do tempo, as necessidades envolvendo a missão da Igreja em pregar o Evangelho e fazer discípulos obrigou o “ministério pastoral apostólico” a organizar os membros da Igreja conforme os ministérios de liderança concedidos pelo Espírito Santo. Uma comparação entre o texto de Efésios 4:11 com 1Corintios 12:28 permite observar que a liderança eclesiástica neotestamentária deixou de ser constituída apenas pelos apóstolos e o grupo dos Sete Diáconos, vindo a ser ocupada por “apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres”.

- Efésios 4:11: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres”.

- 1Corintios 12:28:E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, mestres, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.

Estes dons ministeriais de liderança eclesiástica podem ser didaticamente classificadas em dois tipos: “Itinerante (desenvolvido pelos apóstolos); Semi-fixo (exercido pelo Evangelista e Profeta”) e Fixo (exercido por pastores e mestres).

1.1. Ministério Itinerante. Empregados prioritariamente fora da igreja local.

a) Apóstolos. O termo grego “apóstolos” significa literalmente “enviado” ou “mensageiro”. Ocorre pela primeira vez na literatura do Novo Testamento em Mateus 10:2. O Senhor Jesus Cristo é reconhecido como o Supremo Apóstolo (Hb 3:1), tendo sido o modelo para os Doze, assim como para Paulo, o qual veio a ser escolhido por Deus para ser seu apóstolo entre os gentios (At 13:1-3; Gl 1:14,15; 2:7-8). A partir do Pentecostes, os Doze assumiram a proclamação do Evangelho ao mundo, tornando-se juntamente com os profetas do Antigo Testamento o fundamento da Igreja (Ef 2:20).

a.1) Apóstolos “originais”: Em sentido restrito designa os Doze (Lc 6:13; At 1:26; 2:14) e Paulo (Rm 1:1; 1Co 1:1,2). Esses Apóstolos “originais” eram testemunhas da ressurreição de Cristo (At 1:22;  1Co 9:1), escolhidos pessoalmente pelo Senhor (Mc 3:13-19; Gl 1:1), formando ao lado dos profetas do Antigo Testamento o fundamento sobre o qual a Igreja está construída (Ef 2:20; cf At 2:42). Nesse sentido restrito, o dom de apóstolo não mais existe.

a.2) Apóstolos “extensivos”: Outros discípulos além dos doze e Paulo também foram chamados de apóstolos na Igreja do Novo Testamento, tais como Barnabé (At 14:14), Apolo (1Co 4:6,9), Silvano e Timóteo (1Ts 1:1; 2:6) e, segundo alguns, Andrônico e Júnias (Rm 16:7), este último sendo um nome feminino, o que sugere a possibilidade de as mulheres terem atuado como apóstolas. Como o termo “apóstolo” significa “envio, despacho, despeço”, esse dom permanece na Igreja contemporânea com uma conotação estritamente missionária, distinguindo os cristãos separados por Deus para a tarefa missionária (Rm 1:5; 1Co 9:2; Gl 2:8), capacitando-os a fundar e consolidar igrejas (2Co 11:28) por meio das missões culturais ou transculturais. Assim, o termo “apóstolo”, em sentido secundário ou extensivo, é sinônimo do termo “missionário” (cf. At 9:13-17; 14:21-28; 1Co 9:19-23; Gl 1:15-17;; 2:7-14; Ef 3:6-8).

Portanto, sendo um dom ministerial, uma operação de Cristo, feita pelo Espírito Santo, temos de admitir que se trata de um dom que persiste nos nossos dias, mas não devemos nos esquecer que o dom de apóstolo nada tem que ver com os “títulos” que se têm dado na atualidade e que, se alguma base bíblica tem, só pode ser a referência de 2Co 11:13: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo”.

1.2. Ministério Semi-Fixo. Empregado prioritariamente dentro e fora da igreja local.

a) Evangelistas. O texto bíblico sugere que os “evangelistas” eram os líderes eclesiásticos funcionalmente envolvidos como a proclamação do Evangelho como a Palavra divina encarnada em Jesus Cristo (At 8:5-8). Diferentemente dos “apóstolos” que, em geral, viajando para uma cidade, permaneciam evangelizando ali a fim de organizarem uma nova igreja local (At 20:1-3, 6,7,11,17; 21:8,9), os “evangelistas” possivelmente auxiliavam na proclamação do Evangelho aos incrédulos junto às igrejas já construídas, conforme Filipe o evangelista, que residia na cidade de Cesaréia (At 21:8). Ou seja, os evangelistas proclamavam a Palavra na região onde estavam congregados. Paulo, sabendo da importância deste dom, disse a Timóteo: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

b) Profetas. O vocábulo “profeta” é a transliteração do termo grego “prophétês”, que significa “aquele que prediz” ou “aquele que conta de antemão”, comum na descrição dos profetas do Antigo Testamento.

O profeta do Antigo Testamento era um dos instrumentos de Deus para anunciar sua revelação, sendo parte do fundamento da Igreja. Nesse sentido, não há mais profetas segundo o perfil veterotestamentário, pois Deus se auto-revelou na pessoa e ensino de Jesus Cristo, conforme proclamado no ensino apostólico. Com a morte do último dos apóstolos “originais” (João, c. 95.d.C) findou-se o cânon do Novo Testamento, encerrando-se a revelação bíblica e, portanto, tornando-se desnecessário ser acrescentado qualquer outro elemento à revelação divina. Devido a esse fato, Paulo identifica os Doze  e os profetas como o fundamento da Igreja (Ef 2:20).

Todavia, a função profética continua presente nos dias de hoje por meio da proclamação para edificação da Igreja (cf. At 13:1,2) e evangelização dos incrédulos. Em 1Corintios 14, o apóstolo Paulo ao tratar das questões concernentes ao dom de profecia, não faz qualquer referência à capacidade de predição, mas ensina que a profecia é a capacidade especial que o Espírito Santo concede a alguns discípulos para a percepção e a proclamação, vendo além do terrestre e material, apreendendo a realidade das coisas espirituais e divinas concernentes à percepção clara da vontade de Deus conforme revelada na sua Palavra, declarando-a para edificação dos cristãos e salvação dos incrédulos. Quer dizer, é um dom que hoje, envolve a iluminação da Palavra divina, e não sua revelação.

Não há evidências neotestamentárias precisas quanto à possibilidade dos membros deste ministério exercer um ministério “itinerante”. Em 1Corintios 14, eles são descritos como atuantes no culto de adoração, e o texto de Atos 21:9 registra que a comunidade cristã de Cesaréia possuía (pelo menos) quatro profetisas, as quais habitavam na própria cidade (At 21:8); também em Atos 13:1-3 é mencionado que a Igreja de Antioquia possuía “profetas” presentes em suas atividades eclesiásticas.

Segundo 1Corintios 14:1,3,5, os que exerciam o ministério profético possuíam mais importância do que os capacitados carismaticamente com o dom de línguas, pois o ministério profético neotestamentário tinha como objetivo o consolo e a edificação do Corpo de Cristo, além de ser usado por Deus para converter os incrédulos.

1.3. Ministérios Fixos. Ministérios empregados prioritariamente dentro da Igreja: pastores, presbíteros, mestres.

a) Pastores. Pastores são homens que servem debaixo da autoridade do “Supremo Pastor” cuidando das “ovelhas” do Cristo. Guiam e alimentam o rebanho. O seu ministério é o de sábio conselho, correção, encorajamento e consolo.

- No Antigo Testamento, o termo “pastor”, literalmente, refere-se aos cuidados de um indivíduo alimentando, disciplinando e protegendo seu rebanho. A partir dessa interpretação, surgiu o conceito acerca de Deus como “pastor de Israel” (Gn 48:15; Sl 80:1) alimentando (Is 40:11), protegendo(Am 3:12), disciplinando (Sl 23:2) e resgatando as ovelhas desgarradas (Jr 31:10; Ez 34:12) de seu rebanho. Essa ideia de “pastoreio” foi estendida aos líderes do povo de Israel, os quais atuavam sob a supervisão de Deus, como, por exemplo, os juízes, reis, profetas e sacerdotes, os quais também foram denominados “pastores” (cf. Nm 27:17; 1Rs 22:17; Jr 2:8; Ez 34:2).

- No Novo Testamento,  o termo “pastor” é a tradução do vocábulo grego “poimén”, podendo ser interpretado como: “pastor, guia, ministro, clérigo; superintendente, inspetor, diretor; tutor, guardião”. Os escritores inspirados do Novo Testamento mantiveram a ideia veterotestamentária do termo “pastor” aplicando-o ao Senhor Jesus Cristo como o “Pastor” (João 10:2,11,14,16) e assim reconhecendo suas atribuições como Aquele que exerce a função de pastoreio do rebanho do Pai (Mt 25:32; 26:31). O escritor da epístola aos Hebreus refere-se ao Senhor Jesus como o “grande pastor das ovelhas” (Hb 13:20) e a primeira epístola de Pedro por sua vez o declara como sendo “pastor e Bispo das vossas almas” (1Pe 2:25). Jesus considerou os apóstolos como seus sucessores na missão de pastoreio da Igreja; a mesma simbologia foi perpetuada nos escritos do apóstolo Paulo com referência aos líderes que exerciam suas funções de administração(governo) das igrejas.

Conforme Carlos Alberto R. de Araújo, a partir do termo neotestamentário “poimén” é possível listar diversas interpretações para o ato daquele que pastoreia a Igreja, como, por exemplo:

-          Vigilância: conserva-se no constante exercício de suas funções, concentrando ou exercendo a sua influência benéfica ou protetora sobre o rebanho, além de permanecer em perene atividade.

-          Alimentação: fortalece espiritualmente o rebanho de Cristo por meio do ensino da sua Palavra.

-          Proteção: preserva o rebanho dos perigos auxiliando-o quanto aos obstáculos em sua peregrinação à glória, envolvendo-se ativamente no resgate dos doutrinariamente “desgarrados”, mantendo-se atento para “defender” por meio da apologética cristã e da oração persistente a assembleia de discípulos. Sua função é descrita como a de um “vigia” que, servindo sob o “estado de vela”, permanece em constante exercício, espreitando a favor de seu rebanho.

Deve ser ressaltado que o Novo Testamento não menciona a existência de uma hierarquia eclesiástica com os que presidem a congregação sendo mais espirituais do que aqueles que estão sob seus cuidados pastorais. O único que está de forma absoluta, espiritual e hierarquicamente acima dos membros da Igreja é Jesus Cristo, o Senhor da Igreja, sendo seu único Mediador, Intercessor e Sumo Sacerdote. Nenhum líder possui o direito de ser reconhecido como espiritualmente superior ao restante dos membros da Igreja, à semelhança de um “pontífice” entre Deus e os seres humanos, isto é, como uma espécie de “ponte” entre Deus e os discípulos, e por meio da qual fluiriam bênçãos. Esse tipo de posição na hierarquia religiosa ocorria no Antigo Testamento na pessoa dos sacerdotes do Templo, os quais tinham a função de mediar o encontro entre o pecador confesso e Deus, a fim de que ocorresse o recebimento do seu perdão ou o derramamento de bênçãos. Como Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote e simultaneamente o Propiciatório e o Propiciador, é o único meio de graça, e, por conseguinte, toda e qualquer bênção alcança o ser humano apenas por sua mediação. Assim, pode-se concluir que não há qualquer ministério eclesiástico humano que deva ser reconhecido como espiritualmente superior ao restante dos membros da Igreja, e por meio do qual os discípulos recorram para que as bênçãos sejam-lhes derramadas (Carlos Alberto R. de Araújo – A Igreja dos Apóstolos,  CPAD).

b) Presbíteros. As palavras: presbítero, ancião e bispo, são usadas no Novo Testamento com o mesmo significado (ler 1Pedro 5:1-9). A palavra presbítero vem de presidir. Eles são responsáveis pelo governo e administração da igreja local (todo presbítero é pastor, mas nem todo pastor é presbítero). Na Bíblia Sagrada, a igreja em uma localidade era governada por um conjunto de presbíteros (o presbitério). Com o tempo, o primeiro dos presbíteros passou a ser chama de Bispo.

O presbitério na Igreja Primitiva


Nas igrejas neotestamentárias o “presbítero” era o discípulo que, tendo alcançado maturidade doutrinária comprovadamente elevada, era estabelecido formalmente para exercer um de seus ministérios de liderança eclesiástica.

O presbitério na Igreja Contemporânea


Quanto à diversidade de interpretações na Igreja contemporânea acerca da função do presbítero:

-          Na Igreja Presbiteriana, o Presbítero é um clérigo ordenado (governante) ou um leigo (educador), com o conjunto desses presbíteros formando o corpo governante.

-          As Igrejas Batistas denominam como Presbitério, o Ministério Pastoral.

-          Na Igreja Congregacional, os presbíteros formam o segundo nível administrativo.

-          Na Igreja Assembleia de Deus, os presbíteros compõem o terceiro nível de liderança eclesiástica.

c) Mestres. Em 1Coríntios 12:28 o apóstolo Paulo registra: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, mestres...”. O termo “Mestres” refere-se ao dom concedido por iniciativa de Deus a alguns de seus servos tendo como objetivo, por meio deles, instruir os discípulos do seu rebanho e defender a fé cristã contra os inimigos da igreja.

Os “Mestres” exerciam possivelmente um ministério de liderança eclesiástica fixa, servindo no ensino aos discípulos, a fim de transmitir-lhes conhecimento e inspirá-los quanto às verdades cristãs. Os que atuavam nesse ministério seriam capazes de pesquisar, sistematizar e sumarizar as verdades da revelação divina, levando os discípulos a discernirem espiritualmente fatos bíblicos que a razão humana por si só não é capaz de perceber de forma clara.

A função do “Mestre” incluía não só o ensino aos discípulos, mas também a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. Estas duas esferas de atuação faziam parte do ministério da liderança didática, objetivando o cumprimento da Grande Comissão: “Ide...pregai o evangelho....fazei discípulos... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei....”(Mt 28:19,20). O texto de Tiago 3:1 destaca claramente que os que se dedicavam a esse ministério deviam obrigatoriamente ensinar com competência e seriedade, pelo fato de que receberiam juízo mais severo que os demais discípulos.

2. Objetivo dos dons ministeriais. Na visão do apóstolo Paulo, os dons ministeriais são dádivas concedidas por Cristo para “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não mais sejamos como meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”(Ef 4:12-14).

Não se trata de operações episódicas, de demonstrações esporádicas e temporalmente limitadas, com vistas a um consolo, uma exortação, o suprimento de uma necessidade ou uma instantânea manifestação do poder de Deus para a igreja. Mas, de uma atividade contínua no meio do povo de Deus, para que a igreja cumpra com suas tarefas neste mundo: a evangelização e o aperfeiçoamento dos salvos. Através dos dons ministeriais, Cristo concede à Igreja homens que, diuturnamente, estarão servindo ao corpo de Cristo, que serão, eles mesmos, verdadeiros dons para a igreja.

Em resumo, os dons ministeriais são concedidos para aperfeiçoar ou equipar todos os crentes a fim de poderem servir ao Senhor e então edificarem o “corpo de Cristo”. O processo é assim: (a) Os dons equipam os santos; (b) Os santos então servem; (c) O corpo enfim é edificado.

Conforme Efésios 12:14, quando os dons operam de acordo com a vontade de Deus e os santos são ativos no serviço do Senhor, três perigos são evitados: imaturidade, instabilidade e ingenuidade.

- Imaturidade – “....para que não mais sejamos como meninos”.  Há crentes que nunca deixam de ser meninos espirituais, por falta de envolvimento no serviço de Cristo, e também porque não se dedicam à leitura devocional e ao estudo sistemático da Palavra de Deus. São subdesenvolvidos precisamente por falta de exercício nestes pilares. Foi para pessoas assim que o autor da Epístola aos Hebreus disse: ”Quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine de novo”(Hb 5:12).

- Instabilidade – “...inconstantes”. Instabilidade espiritual é um perigo! Cristãos imaturos são susceptíveis a novidades grotescas e modismos transitórios criados por charlatões profissionais. Tornam-se ciganos religiosos, andando de um lado para outro, isto é, inconstantes.

- Ingenuidade – “...levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens”. O perigo mais sério é a decepção. Os meninos espirituais são inexperientes na palavra da justiça. Suas faculdades não são exercitadas para discernir o bem e o mal(Hb 5:13,14). Encontram inevitavelmente alguém de uma seita falsa que os impressiona com seu zelo e sinceridade aparentes. Por empregar palavras religiosas, acreditam que se trata de um cristão verdadeiro. Se tivessem estudado a Bíblia Sagrada, perceberiam o quanto tal indivíduo joga traiçoeiramente com palavras. Por isso, que o ensino bíblico constante e progressivo, sob a unção de Deus, é indispensável para impedir que os crentes “meninos espirituais” sejam levados por "todo o vento de doutrina" (Ef 4:14).

3. Jesus teve a plenitude de cada dom ministerial. Quando Jesus estava na terra, Ele exerceu plenamente cada função do ministério. Porém, quando Ele voltou para o Pai, Ele deu estes dons aos homens para que eles completassem a obra que Ele tinha começado.

a) Apóstolo. Jesus foi o “Enviado,” um Apóstolo. Ele é chamado o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão – “Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb 13:1).

b) Profeta. Jesus foi um Profeta debaixo da Velha Aliança  - “E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria” (Lc 4:24). “Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta”(João 4:19).

c) Pastor de Ovelhas.  Jesus foi o bom Pastor (de ovelhas). A mesma palavra em grego é traduzida como pastor – “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”(João 10:14). “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória” (1Pe 5:4). “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo da vossa alma” (1Pe 2:5).

d) Evangelista. Jesus era um Pregador – um Evangelista – Ele pregou o evangelho do reino – “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a  curar os quebrantados do coração” (Lc 4:18).

e) Mestre. Jesus foi o maior dos Mestres  - “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 9:35).

4. Não confunda dom com título. Devemos distinguir os dons ministeriais dos “títulos ministeriais” ou dos “cargos eclesiásticos”. Nos nossos dias, muitos têm confundido estas duas coisas, que são completamente diferentes.

O dom é uma dádiva de Cristo, é um dom que vem diretamente do Senhor para o crente, dom este que é percebido pelo crente através da comunhão que tem com Deus e pela presença do Espírito Santo na sua vida e que independe de qualquer reconhecimento humano, mesmo da igreja local.

Já os “títulos ministeriais” e os “cargos eclesiásticos”, são posições sociais criadas dentro das igrejas locais, posições estas que, em sua nomenclatura, muitas vezes estão baseadas na relação de Ef 4:11, como a indicar que o seu ocupante tem o referido dom ministerial, mas que, nem sempre, corresponde a este dom.

Como a igreja local, via de regra, é também uma organização humana, acabam sendo criados “títulos” e “posições” com o propósito de esclarecer a hierarquia administrativa, a própria estrutura de governo da organização eclesiástica, dados que, se apenas refletem uma necessária ordem que deve existir em todo grupo social, nada tem que ver, a princípio, com os dons ministeriais.

Na igreja primitiva, notamos, claramente, que, apesar da existência de uma organização da administração das igrejas locais (At 14:23), o que é necessário já que cada igreja local precisa ter governo, também não é menos notado que não havia muita preocupação com “títulos” ou “posições”, tanto que, no texto sagrado, os incumbidos do governo da igreja, com exceção dos apóstolos (estes próprios assim estabelecidos pelo próprio Jesus, cujos requisitos se encontram em At 1:21,22) e dos diáconos (At 6:5,6, cuja função é nitidamente administrativa e social), são chamados de vários nomes, indistintamente, como “presbíteros” (1Pe 5:1), “anciãos” (At 14:23) e “bispos” (At 20:28; Fp 1:1), prova de que não havia, àquela época, uma “carreira administrativo-eclesiástica”, como se tem hoje em dia.

CONCLUSÃO


Quando Deus comissiona alguém, Ele o faz não com a expectativa de que o plano traçado poderá dar certo. O Senhor, na Sua presciência, sabe que o planejado se cumprirá, mesmo que dele façam parte homens e mulheres falhos. O chamado de Deus traz embutido, em si mesmo, a capacitação necessária para que o crente cumpra fielmente o desígnio divino, os planos dele não podem ser frustrados. Que cada um de nós esteja pronto para ser usado por Deus”.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Dinheiro – a prosperidade que vem de Deus – rev. Hernandes Dias Lopes.

O que a Bíblia Ensina Sobre a Igreja e seu Dinheiro? - Dennis Allan.

O árduo trabalho missionário – Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal, CPAD.

A Igreja dos Apóstolos (conceito e forma das lideranças na igreja primitiva) – Carlos Alberto R. de Araújo.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

QUANDO AS MÁSCARAS CAEM










Uma vez por ano elas submergem – pessoas modernas – no anonimato das máscaras sem nome. Uma vez por ano elas querem gozar como desconhecidas, aquilo que a vida oferece. Uma vez por ano elas se livram das amarras da responsabilidade, das preocupações e da autodisciplina. Mas como passam rapidamente os dias de divertimento sem controle! A toda bebedeira segue uma ressaca; todos que usam máscaras serão desmascarados.

Existe alguém que não se deixa enganar pela tua fantasia, alguém diante de cujos olhos de fogo não existem pessoas atrás das máscaras. Os olhos do Deus vivo e santo veem todas as coisas. Eles te seguem sempre e em todos os lugares! Na Bíblia está escrito: “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando levanto... Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos... Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também... Se eu digo: As trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te são escuras: as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (Salmo 139).

Também na balbúrdia do carnaval, os olhos de Deus te observam. Mesmo que submirjas, mesmo que nenhuma pessoa te identifique, Deus te reconhece! Ele sabe a respeito de tudo que fazes. Diante dele, têm que cair todas as máscaras! Permite-me perguntar-te: como ficas depois da folia do carnaval? Seja sincero, não te iludas! Não é assim: teu coração está vazio, ficas mal-humorado, tu te sentes miserável. A vida ficou monótona e vazia. Restou somente um gosto amargo. O tempo do carnaval veio a ti em vestes de alegria, mas sempre lhe seguem vultos vestidos de preto. Trata-se das aflições, das dores de consciência, do sofrimento e do desespero.

Feliz de ti se capitulares hoje diante de Deus! Feliz de ti, se cair tua máscara! Pois Deus te faz uma oferta. Se quiseres, ainda hoje ele te dará alegria pura e verdadeira, que não tem nada em comum com a alegria “mascarada”. Trata-se de uma alegria que poderás levar para tua vida diária.

Tu te sentes sujo e manchado pelo pecado? Está o teu coração decepcionado e vazio? Então vem a Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Bíblia diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16) – “...o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado” (1João 1.7). Deus diz: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Isaías 44.22). Virá o dia em que todas as pessoas do mundo terão que comparecer ao juízo de Deus: “...para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fp 2.10-11).
Esse será o Dia em que o Deus santo arrancará dos rostos dos homens as máscaras da justiça própria, do orgulho e da altivez. De que maneira terrível aparecerá então a pecaminosidade e pobreza de uma vida desperdiçada! Por isso, deixa desmascarar-te hoje por Deus. Aceita a graça de Deus, que te é oferecida em Jesus Cristo. Hoje ele quer ser teu Salvador, amanhã talvez já seja teu Juiz! Aceita na fé o perdão dos pecados através do sangue de Jesus Cristo. Inicia hoje uma nova vida com teu Deus, uma vida de que não te precisarás envergonhar na Eternidade! (Y. M. - http://www.ajesus.com.br).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Aula 06 – A VIÚVA DE SAREPTA


1º Trimestre/2013

Texto Básico:1Rs 17:8-16

10/02/2013

 

“Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva” (Lc 4:25,26).

 

INTRODUÇÃO


 

Após secar o ribeiro de Querite, o profeta Elias recebeu a ordem divina de ir à Sarepta, porque ali residia uma viúva que o sustentaria(1Rs 17:8,9). Por que Deus agiu assim? Deus poderia ter enviado Elias para a casa de um dos líderes religiosos de Sarepta que estivesse em condições de recebê-lo e hospedá-lo durante aquele período de provação. Ou, o Senhor poderia tê-lo encaminhado ao homem mais rico do local e convencesse o homem a manter Elias até quando fosse necessário. Mas Deus ordenou que o profeta buscasse o destino mais improvável, a casa mais humilde, a pessoa mais necessitada naquele momento: uma viúva sem eira nem beira. O texto bíblico diz que a situação daquela mulher era tão crítica, que ela estava prestes a preparar a sua última refeição e aguardar, com o único filho, a morte. Então, por que Deus enviou o profeta à viúva de Sarepta, que estava vivendo um momento de dificuldade e escassez muito maior que a experimentada por ele? O que eu posso dizer é que a lógica de Deus se contrapõe à lógica humana. Deus não pensa como o homem pensa. Ele não se prende ao que vemos e supomos ser o melhor para nós nas situações pelas quais passamos. Está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor”(Is 55:8). Quando, em meio a uma gigantesca necessidade, Deus nos coloca diante de alguém com uma necessidade maior ainda e afirma que de tal pessoa virá a ajuda, é porque o milagre está sendo preparado, o milagre da dependência total do Senhor.

I. UM PROFETA EM TERRA ESTRANGEIRA


1. A fonte de Querite. O anúncio da seca deu início ao conflito entre Deus e Baal. Assim que a batalha foi consolidada, Elias recebeu ordens do Senhor para  que se isolasse junto ao ribeiro de Queirte; ali, Deus milagrosamente proveria seu alimento através dos meios mais improváveis (1Rs 17:3,5,6); ali, os corvos receberam ordens de Deus para alimentar o seu profeta. Assim procedeu Elias. E esta sua obediência à ordem de Deus o preservou em segurança das mãos de Jezabel nos anos de seca, e o preparou para os próximos desafios que iria enfrentar para que o povo retornasse aos caminhos do Senhor. Esta atitude obediente é que Deus espera de seus servos em todos os momentos.

Querite representava para Elias um momento de anonimato – depois de desafiar o rei Acabe, Elias se tornou conhecido em todo o reino, e foi procurado exaustivamente por Jezabel em diversos lugares. Mas, apesar de ser um lugar seguro, de sombra e água fresca, não representava o terminal  de sua jornada; ali não havia uma fonte permanente, mas uma provisão divina em tempo de crise (1Rs 17:7). Dia após dia, Elias era alimentado pelos corvos, mas a seca que anunciara já era uma realidade. Por isso, dia após dia, as águas do ribeiro de Querite iam minguando, até o momento em que o ribeiro secou. Os corvos vinham lhe trazer comida, mas o ribeiro se secava, em cumprimento à palavra do profeta, que dissera em nome do Senhor.

Deus tem compromisso com a Sua Palavra (Jr 1:12) e não a invalidará, ainda que isto implique na proteção e no sustento dos Seus servos fiéis. Deus não precisa invalidar a Sua Palavra para guardar os Seus filhos!

2. Elias em Sarepta. Quando “o riacho” seca é hora de recomeço. Quem ordena que o riacho seque é o próprio Deus que lhe aponta um novo caminho, nova direção: “Levanta-te, vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma viúva que te sustente” (1Rs 17:9). Deus ordenou a Elias que saísse de Israel e fosse a uma terra estrangeira, Sarepta. Esta cidade ficava localizada na costa mediterrânea entre Tiro e Sidom. Está dentro do território da Fenícia, de onde veio a terrível rainha Jezabel (1Rs 16:3).

Uma das importantes divindades nacionais fenícias era Baal; e Jezabel, como rainha do rei Acabe, introduziu ativamente a adoração a Baal em Israel. No mundo antigo, normalmente, pensava-se que os deuses pertenciam a uma cidade ou região específica.

Às vezes o Senhor faz coisas que parece não ter lógica alguma, todavia, o que precisamos saber é que a lógica de Deus não é, nem de longe, parecida com a nossa. A lógica de Deus leva em conta nossa obediência e nossa fé, e também o fato de Deus ser onisciente, onipresente, onipotente; enquanto a nossa lógica considera apenas superficialmente as coisas, por meio de nossa visão limitada. Deus sabia que Acabe jamais procuraria Elias em Sarepta; deduza isto lendo 1Reis 18:10.

São nas coisas menos prováveis que Deus realiza seus desígnios. Sarepta, uma cidade estrangeira, situada fora de Israel, estava supostamente distante da área de influência do Senhor. O povo dessa nação pagã também devia estar muito distante do alcance de Deus. Mas, ninguém está fora de Seu alcance. Bem no próprio centro da adoração de Baal, Deus fez conhecidos Sua presença e Seu poder. Glórias a Deus!!

II. UMA ESTRANGEIRA NO PLANO DE DEUS


1. A soberania e graça de Deus. A soberania de Deus quer dizer o mesmo que Paulo afirma em Efésios 1:11, onde ele fala de Deus como de um que “faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade”. Deus é onipotente, onipresente e onisciente, e, em virtude destes atributos, é soberano, visto que tem todo o poder, está presente em todos os lugares ao mesmo tempo e sabe de todas as coisas. Sem tais atributos, com os quais se relaciona com o mundo, não poderia ser soberano, não teria a autoridade suprema sobre tudo e sobre todos.

Deus dirigiu e guiou o profeta Elias a fim de salvar sua vida. Primeiramente, ordenou-lhe que se escondesse junto ao ribeiro de Querite. Os corvos tiveram ordens de alimentá-lo. Em seguida, Deus ordenou novamente e enviou Elias a Sarepta, onde ordenou que uma viúva (1Rs 18:9) o alimentasse. Essa viúva parecia ser um instrumento incomum para Deus – “Ordenei ali a uma mulher viúva”. Ela não era israelita. Era uma viúva sem posição social e sem influência nem poder. Ela mesma estava quase morrendo de fome. Que lição incrível podemos aprender observando essa estratégia divina! Na maioria das vezes, Deus nos escolhe, não por qualquer habilidade em particular que tenhamos, mas apesar de nossas debilidades (2Co 12:9).

Outrora, Deus não estava limitado pela geografia. Atualmente, vemos que Deus não tem as mesmas limitações humanas. Deus é o Soberano da história. Ele está no controle. Nada e ninguém pode impedir o cumprimento da sua vontade. Nem mesmo a morte pode interferir nos propósitos de Deus, como foi no caso de Elias. Embora sejam lançados sobre nós coisas e eventos nocivos ou prejudiciais à nossa vida, os propósitos de Deus para nós são sempre bons (Jr 29:11), conquanto não possamos ver isso imediatamente. Precisamos aprender a confiar nEle em todas as situações, tanto nas boas como nas más, pois inevitavelmente nos encontraremos em ambas.

2. A providência de Deus. Quando o ribeiro de Querite secou, Deus dirige Elias a ir a uma terra pagã, habitada por adoradores de Baal, e ali Deus o sustentou através de uma viúva pobre (1Rs 17:9). Ora, em uma nação onde era exigido por lei cuidar de seus profetas, é pasmoso que Deus tenha recorrido a uma viúva estrangeira para cuidar do seu profeta; num lugar onde Baal tinha proeminência entre o povo, e, ainda, era a terra natal da maligna Jezabel, a qual perseguia tenazmente o profeta de Deus.

O Senhor traz o auxílio de onde menos esperamos. Ele provê o que necessitamos de uma forma que ultrapassa nossas restritas definições ou expectativas. Não importa quão amargas sejam as nossas tribulações, ou quão sem esperança a nossa situação possa parecer, devemos buscar o cuidado de Deus, mesmo que nos pareçam estranhos os lugares ou situações de onde virão a sua providência.

III. O PODER DA PALAVRA DE DEUS


1. A escassez humana e a suficiência divina. No mundo bíblico, quando tudo ia bem, as viúvas eram personagens marginais. Especialmente se não tinham filhos crescidos para cuidar delas. Eram facilmente vitimadas e tinham limitados recursos legais. Em tempo de uma grande seca, as coisas eram ainda piores para elas. Cada família estava lutando pela própria sobrevivência e não havia sobras para viúvas pobres. Essa mulher recebeu o pedido de alimentar o profeta. Quando consideramos sua realidade social e econômica, ela era, realmente, a candidata mais improvável. Só havia um punhado de farinha e um pouco de óleo entre essa pobre mulher e a morte pela fome. A mulher que Deus havia escolhido para alimentar o profeta Elias durante o período da seca disse: “Vive o Senhor, teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhe dois cavacos e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos” (1Rs 17:12). Aquela viúva agiu com honestidade e sinceridade.

Na escassez, quando a despensa está vazia, é assim. Você só pode dar aquilo que tem. No entanto, muitas pessoas agem diferente. Querem viver na opulência, na fartura, viver de aparências, quando na realidade de nada dispõem. Estão passando por necessidades terríveis, mas diante dos outros querem demonstrar que nada lhes falta, e ainda "fazem a festa". Mas também é verdade que em momentos de extrema necessidade, quando estamos enfrentando crises violentas de escassez, nos deixamos vencer pela desesperança, pela falta de perspectiva, pela agressividade da situação. E nesses momentos, que podem atingir qualquer um, agimos como a viúva. Ela simplesmente não acreditava em mais nada, nenhuma visão, profecia ou promessa; é o que percebemos em suas palavras: “para que o comamos e morramos”.

Todavia, é nesse momento que começamos a vislumbrar como a lógica de Deus funciona na escassez. Vejamos como Elias respondeu à viúva após a declaração dela de que não tinha nada, apenas a certeza da morte. Elias lhe disse: “Não temas; vai e faze conforme a tua palavra”(1Rs 17:13a). A lógica de Deus na escassez começa por afirmar que não precisamos ter medo. O mesmo versículo, em outras versões, deixa isso bem claro: “Elias, porém, lhe disse: "Não tenha medo"(NVI);  – “Não se preocupe! (NTLH). Deus recomenda isso ao longo de toda a Bíblia. Ele afirma que se o medo, a insegurança destrutiva dominar você, o pavor o invadirá e acabará por neutralizar o potencial e a iniciativa que ainda existem em seu interior. Deus está declarando, nesse versículo, para você que está vivendo um momento de escassez, um momento difícil em sua vida: ''Não temas, pois eu agirei!".

2. Deus, a prioridade maior. O profeta Elias entrega à viúva a chave do milagre ao dizer: “porém faze disso primeiro para mim um bolo pequeno e traze-mo para fora; depois, farás para ti e para teu filho” (1Rs 17:13). A viúva havia afirmado que possuía farinha e azeite suficientes apenas para fazer um bolo para ela e o filho. Então, o profeta lhe ordenou que fizesse um bolo primeiro para ele. A viúva foi obediente à palavra que lhe foi entregue. Não à palavra do profeta, mas à palavra do próprio Deus, pois Elias falou em nome do Senhor. E ela demonstrou sua obediência e fé alimentando o profeta com a última refeição de que dispunha. A lógica humana afirmaria que, em primeiro lugar, a viúva deveria fazer um bolo para si mesma e para seu filho; e, depois de satisfeitos, as sobras seriam dadas ao profeta. Porém, a lógica de Deus inverte a lógica do homem. Deus orientou que, pela fé, a viúva deveria oferecer a primícia da farinha e do azeite ao profeta, e então crer que seus mantimentos jamais faltariam, até que as chuvas voltassem a cair. A mulher obedeceu, e isso trouxe fartura à sua casa, pois não faltou alimento para ela e seu filho, quando todos à sua volta experimentavam a escassez. Isso nos ensina que, na despensa vazia, as Escrituras requerem fé e atitude, fé e ação. A viúva de Sarepta, ao aceitar a palavra profética de Elias, demonstrou fé e submissão, obtendo a vitória em meio à luta, a fartura em meio à escassez. Assim pode acontecer conosco também! Creia nisso!

IV. O PODER DA ORAÇÃO


- Oração é um elemento vital na vida dos filhos de Deus. É uma atitude típica de alguém que está em plena comunhão com Deus. Orar é falar com Deus, ou seja, é a forma como nos comunicamos com o Senhor. Quando lemos a Bíblia, Deus fala conosco; mas, quando oramos, somos nós que falamos com Ele. A oração cumpre pelo menos dois propósitos muito importantes na vida do cristão: desenvolver nosso relacionamento com Deus, possibilitando-nos maior comunhão e intimidade com o Pai celestial, e permitir que exponhamos a Ele os anseios e as necessidades do nosso coração, proporcionando-nos diversas vitórias.

Muitos não dão importância à oração por não conseguirem dimensionar o poder liberado do céu quando oramos. Se olharmos para os relatos e ensinamentos na Bíblia, veremos essa prática difundida tanto no Antigo como no Novo Testamento.

A Bíblia Sagrada registra que patriarcas e reis, como, por exemplo, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi e Salomão tiveram contato com Deus por meio da oração. Os profetas, tais como Elias, Daniel, Ezequiel e Jeremias, foram homens que cultivaram uma vida de profunda intimidade com Deus por meio da oração.

Jesus Cristo foi o maior exemplo de intimidade com o Pai através da oração. Nos Evangelhos, observamos que Jesus não apenas orou, mas ensinou-nos acerca da oração. Em Mt 6:4-18, por exemplo, Cristo falou sobre a sinceridade, a simplicidade e a objetividade na oração, bem como sobre a recompensa proveniente desta. O apóstolo Paulo, em suas cartas, além de deixar preciosos ensinamentos concernentes à oração, por várias vezes pediu que a Igreja orasse. Tiago, irmão do Senhor, foi contundente quando disse: “E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará” (Tg 5:15a); “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5:16c). Imagine então quando a Igreja ora!

- Quanto ao profeta Elias, ele mantinha profunda intimidade com Deus - ele chamava Deus de “meu Deus” -, e esta intimidade era consubstanciada por meio da oração. Somente quem desfruta de intimidade com o Senhor, ou seja, quem tem a sua vida entregue nas mãos do Senhor, é que pode, efetivamente, ter uma vida de oração, pois a oração nada mais é que a comunicação do homem com Deus.

Elias, nos momentos de necessidade de ver o poder de Deus operando, não foi arrogante a ponto de querer determinar ou decretar, mas em forma submissa e de reconhecimento à soberania e vontade de Deus orou pedindo-lhe resposta às suas imprecações. A Bíblia cita algumas ocasiões dessa intimada com Deus. Ele “...orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seus meses, não choveu sobre a terra” (Tg 5:17). Em outra ocasião, já em Sarepta, o filho da viúva falecera, e Elias roga ao Senhor que traga a vida do menino, e Deus responde à oração de Elias, realizando a primeira ressurreição(volta à vida) da Bíblia – “...Ó Senhor, meu Deus, rogo-te que torne a alma deste menino a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu” (cf 1Rs 17:21,22). Por meio de Elias, o testemunho de Deus foi dado em terras estrangeiras por meio deste grande milagre. Observe no versículo 21 que Elias foi insistente, perseverante, na sua oração: “se mediu sobre o menino três vezes, e clamou ao Senhor...”. O próprio Jesus destacou a necessidade de sermos perseverantes na oração ao narrar a parábola do juiz iníquo (Lc 18:1).

O clímax do conflito entre o Deus verdadeiro e o falso deus Baal ocorreu num momento especial de oração ao Senhor Deus dos patriarcas de Israel, que também era o Senhor de Elias. Ele orou, como somente uma pessoa obediente pode rogar, para que Deus pudesse responder, afastar o seu povo de Baal e Aserá, e trazê-lo de volta para Si. Deus respondeu a Elias e, bondosamente, honrou os fiéis israelitas com a sua santa presença. Seu fogo sagrado consumiu a lenha, o sacrifício encharcado de água e o próprio altar. O povo cheio de admiração e espanto, confessou o que todo homem deve confessar: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (1Rs 18:36-39).

- Vale salientar que a oração não é uma mera faculdade que esteja à disposição do cristão nas horas de angústia ou de necessidade. Muito pelo contrário, a oração é um dever, ou seja, é algo que é obrigatório e que o cristão não tem o direito de deixar de fazer. Diz Jesus que o dever de orar se caracteriza por duas propriedades: deve-se orar sempre e nunca se deve desfalecer (Lc 18:1). Orar sempre significa nunca deixar de orar. Orar sempre significa que não há tempo nem lugar certo para orar (vide João 4:21-23). Orar sempre significa estarmos dispostos e prontos a orar ao Senhor a cada instante, em cada situação. Devemos ter a nossa mente dirigida para o Senhor diuturnamente e, enquanto fazemos os nossos afazeres, desempenhamos nossas tarefas do dia-a-dia, estarmos em condição de, em alguns instantes, dirigirmo-nos ao Senhor de coração e com reverência, mesmo que de forma silenciosa e sem qualquer alvoroço. A oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque Paulo ter dito que devemos "orar sem cessar" (1Ts 5:17). Pense nisso!

CONCLUSÃO


Deus enviou Elias à viúva de Sarepta para suprir suas necessidades materiais no momento em que ela julgava que tudo estava perdido (1Rs 17:12), mas a maior bênção que aquele mulher recebeu foi, sem dúvida, o fortalecimento de sua fé no Deus de Elias.  Por meio do profeta Elias, aquela viúva recebeu de Deus não somente uma bênção material, como também uma bênção espiritual. Veja a sua própria declaração após receber de volta o seu filho vivo:” Então, a mulher disse a Elias: “Nisto conheço, agora, que tu és homem de Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade”(1Rs 17:24). A resposta da viúva conclui com uma declaração de fé. Ela agora sabia que o Deus de Israel podia sustentar a vida e também dar vida. Glórias a Deus!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Revista Ensinador Cristão – nº 53 – CPAD.

A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.

Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.

Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.